quarta-feira, novembro 30, 2011

Negócios pios


 A editora é a Weltbild e é 100% propriedade da Igreja Católica alemã e a sua grande fonte de lucro são publicações “eróticas”… Depois de, no mês passado, a informação ter sido revelada, rebentou um enorme escândalo e, em consequência, a surgiu esta decisão de vender a galinha dos ovos porno, numa tentativa de estancar o escândalo e impedir que ele venha a atingir o ex-cardeal alemão  Ratzinger, o actual Papa.

Mentiras sobre Cavaco Silva

No dia 9 de Julho de 1998, a notária Maria do Carmo Santos deslocou-se ao escritório de Fernando Fantasia, na empresa industrial Sapec, Rua Vítor Cordon, em Lisboa, para proceder a uma escritura especial.

O casal Cavaco Silva (cerimoniosamente identificados com os títulos académicos de "Prof. Dr." e "Dra.") entregava a sua casa de férias em Montechoro, Albufeira, e recebia em troca da Constralmada - Sociedade de Construções Lda. uma nova moradia no mesmo concelho. Ambas foram avaliadas pelas partes no mesmo valor: 135 mil euros. Este tipo de permutas, entre imóveis do mesmo valor, está isento do pagamento de sisa, o imposto que antecedeu o IMI, e vigorava à época.

Mas a escritura refere, na página 3, que Cavaco Silva recebe um "lote de terreno para construção", omitindo que a vivenda Gaivota Azul, no lote 18 da Urbanização da Coelha, já se encontrava em construção há cerca de nove meses.
Segundo o "livro de obras" que faz parte do registo da Câmara Municipal de Albufeira, as obras iniciaram-se em 10 de Outubro do ano anterior à escritura, em 1997.

Tal como confirma Fernando Fantasia, presente na escritura, e dono da Opi 92, que detinha 33% do capital da Constralmada, que afirmou, na quinta-feira, 20, à VISÃO que o negócio escriturado incluía a vivenda.
"A casa estava incluída, com certeza. Não há duas escrituras.

"Fantasia diz que a escritura devia referir "prédio", mas não é isso que ficou no documento que pode ser consultado no cartório notarial de António José Alves Soares, em Lisboa, e que o site da revista Sábado divulgou na quarta-feira à tarde.

Ou seja, não houve lugar a qualquer pagamento suplementar, por parte de Cavaco Silva à Constralmada .
A vivenda Mariani, mais pequena, e que na altura tinha mais de 20 anos, foi avaliada pelo mesmo preço da Gaivota Azul, com uma área superior (mais cerca de 500 metros quadrados), nova, e localizada em frente ao mar.

Fernando Fantasia refere que Montechoro "é a zona cara" de Albufeira e que a Coelha era, na altura, "uma zona deserta", para justificar a avaliação feita. 
A Constralmada fechou portas em 2004.
Fernando Fantasia não sabe o que aconteceu à contabilidade da empresa.
O empresário, amigo de infância e membro da Comissão de Honra da recandidatura presidencial de Cavaco Silva, não se recorda se houve "acerto de contas" entre o proprietário e a construtora. 
"Quem é que se lembra disso agora? A única pessoa que podia lembrar-se era o senhor Manuel Afonso [gerente da Constralmada], que já morreu, coitado..." 
No momento da escritura, Manuel Afonso não estava presente.
A representar a sociedade estavam Martinho Ribeiro da Silva e Manuel Martins Parra.
Este último, já não pertencia à Constralmada desde 1996, data em que renunciou ao cargo de gerente. 
Parra era, de facto, administrador da Opi 92.

Outro interveniente deste processo é o arquitecto Olavo Dias, contratado para projectar a casa de Cavaco Silva nove meses antes de este ser proprietário do lote 18.
Olavo Dias é familiar do Presidente da República, por afinidade, e deu andamento ao projecto cujo alvará de construção foi aprovado no dia 22 de Setembro de 1997. 
A "habitação com piscina" que ocupa "620,70 m2" num terreno de mais de1800, é composta por três pisos, e acabou de ser construída, segundo os registos da Câmara a 6 de Agosto de 1999.

A única intervenção de Cavaco Silva nas obras deu-se poucos dias antes da conclusão, a 21 de Julho de 1999, quando requereu a prorrogação do prazo das obras (cujo prazo caducara em 25 de Junho).
A família Cavaco Silva ocupa, então, a moradia, em Agosto.

A licença de utilização seria passada quatro meses depois, a 3 de Dezembro, pelo vereador (actual edil de Albufeira, do PSD) Desidério Silva, desrespeitando, segundo revela hoje a edição do Público, um embargo camarário à obra, decretado em Dezembro de 1997, e nunca levantado.

A VISÃO não conseguiu obter nenhum comentário do Presidente da República.

Nota: Há documentos aqui, sobre os negócios do homem mais sério de Portugal.

Defesa dos interesses nacionais

O Estado português deixou fugir 189 milhões de euros de investimentos na economia portuguesa que resultavam da compra das viaturas Pandur para o Exército e para a Marinha.

Para memória futura. Um passado de pesadelo.

8.º Aniversário do Diário Ateísta

Parabéns. Feliz aniversário.

terça-feira, novembro 29, 2011

OE 2012: feitiços e feiticeiros…

Na proposta de OE 2012 concebida pelo Governo da coligação PSD/CDS propunha-se que as actividades culturais fossem taxadas com 23% de IVA (a taxa máxima).

Ao que parece quando tomaram conta da brutalidade do aumento e completamente divorciado dos seus efeitos, nomeadamente, de um inevitável condicionamento da acessibilidade aos “produtos culturais” (para usarmos uma linguagem recorrente) o Governo - através do Secretário de Estado da Cultura – resolveu manter a taxa do livro nos 6%.
Quanto às restantes actividades culturais afirmou que o “assunto estava em aberto”…

Ontem, a mesma coligação PSD/CDS - agora no Parlamento - resolveu taxar as actividades culturais (que até aqui estavam taxadas a 6%) pelo IVA intermédio (13%). link
Na realidade, depois de tantos malabarismos lá conseguiram duplicar o valor do IVA.


Resta-nos aguardar que a mesma coligação venha, à posteriori, vangloriar-se de - apesar de não existirem “almofadas” orçamentais - possuir uma "enorme" sensibilidade para as questões culturais facto que, supostamente, todos os portugueses deveriam estar agradecidos e reconhecidos.

Deste modo, os “coligados” onde quer que actuem (no Governo ou na AR) criam ab initio o problema, embrulham-se pelo meio e tratam de arranjar uma saída como magnânimos mecenas da cultura.
Na verdade, ao duplicar a taxação (de 6 para 13%) quererão vender a imagem que a “baixaram” de 23 para 13%.

Isto é, fazem a macumba, impingem a panaceia e esperam que não saibamos onde está a peçonha… .


Feitiços da política de Direita!

Só foge ao fisco quem é rico

As aventuras políticas de Merkel e Sarkozy e o desastre (monetário, económico e financeiro) que se avizinha...


A Moody’s diz que todos os países da Zona Euro estão sob ameaça de sofrer cortes de “rating” .

A agência alega que a “rápida escalada” da crise da dívida e do setor bancário se reflete negativamente na notação do crédito soberano dos 17 membros do bloco. O aviso da agência de notação financeira surge no mesmo dia em que foram conhecidas as previsões da OCDE, que apontam para uma alta probabilidade de recessão no bloco da moeda única.” link

Independentemente do que julgarmos acerca do papel das agências de rating (e o juízo não é abonatório) este é mais um indício de que as "grandes medidas" do Conselho Europeu, inspiradas por Merkel e Sarkozy, continuam a empurrar a Zona Euro para o colapso.

Mas até ao fim o governo de Passos Coelho continuará subserviente às concepções franco-teutónicas que resolveram os dois intrusos protagonistas definir sobre o papel e as competências do BCE, bem como sobre a oportunidade dos “eurobonds”.
Quando lá chegarem (...se chegarem) serão soluções que os "mercados" já as ultrapassaram … e inúteis pela sua extemporaneidade. De facto "o jogo" está a ser disputado entre um team que joga permanentemente na antecipação (os "mercados") e uma equipa (um duo) que está sistematicamente na retranca.

Adenda: Freitas do Amaral, ontem, numa conferência comemorativa sobre os 25 anos da adesão de Portugal à UE, teve o ensejo de exprimir a sua profunda indignação sobre a dupla “Merkozy” que tomou de assalto a direcção da UE. link

segunda-feira, novembro 28, 2011

Afinal existiam "almofadas"...

PSD diz que modelação no corte dos subsídios custa 130 milhões de euros...
Hoje, o Governo através da sua bancada paralamentar (e não ao contrário como seria "normal") decidiu que "os funcionários públicos que auferirem entre 600 e 1.100 euros sofrerão cortes em apenas um dos subsídios. A partir de 1.100 euros, os dois subsídios serão cortados..." link

Para tentar convencer os incautos que não existiam "almofadas" diz pretender compensar esta "benesse" (creio que pensam deste modo) com o aumento das taxas liberatórias das mais valias bolsistas. Mais um malabarismo da coligação PSD/CDS. De facto, para quem olha com olhos de ver para a evolução da bolsa, durante este ano, pode esperar tudo menos mais-valias.

Todavia, esta discreta inflexão abre uma pequena brecha. As políticas governamentais que têm sido apresentadas como "sem alternativas" começam a permitir pequenas nuances.
Essa brecha - que não satisfaz os espoliados do subsídio de Férias e de Natal - pode, num futuro próximo, acabar com a aura de inevitabilidade como muitas das medidas de austeridade e de cortes têm sido apresentadas aos portugueses.

Nota: Falta agora surgir o inefável Miguel Relvas a anunciar a incessante luta pela equidade deste Executivo... Como se a proposta de OE 2012 tivesse sido elaborada pelas Oposições e "sabiamente modelada" pela sensibilidade social da "benemérita coligação"... Isto é, falta ainda virar a realidade do avesso.

Coimbra _ Convite da Associação 25 de Abril


No próximo dia 6 de Dezembro, terça-feira, pelas 18H00, realiza-se na Casa da Escrita de Coimbra a apresentação da nova obra de Gertrudes da Silva, "Tempos Sem Remição".
A apresentação da obra estará a cargo do Professor Doutor Carlos Sá Furtado, Professor Catedrático Jubilado da Universidade de Coimbra. 
O evento é uma iniciativa conjunta da Casa da Escrita, da Associação 25 de Abril-Delegação Centro, da editora Palimage e do Autor. 

Agradecemos a participação no evento e a colaboração na sua divulgação.

A Direcção da A25A-DelCentro

domingo, novembro 27, 2011

FADO: Património Cultural Imaterial da Humanidade!

O fado já é património mundial… link




O Comité Intergovernamental da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) declarou hoje o Fado Património Cultural imaterial da Humanidade.

É uma distinção que nos honra e, para além disso, o reconhecimento da criatividade lusa na esfera cultural que se mostrou capaz de transformar uma canção urbana numa obra universal.
É um género musical que chega até ao presente valorizado graças ao empenho, a criatividade e a génio de muitos dos seus intérpretes: músicos e compositores; dos seus poetas (populares ou eruditos), dos estudiosos e de uma incontestada adesão (paixão) popular.

Refira-se, entre parêntesis, que estas características suscitaram, ao longo da nossa história, algumas tentativas de aproveitamento político, nomeadamente, devido a uma intensa identificação popular com este género musical.

Foi polémica (e continua sendo) a relação do Fado com o Estado Novo.
Na verdade, o salazarismo usou o Fado como símbolo de um reportório oficial nacional, embora dificilmente se possa considerá-lo com a dimensão de uma típica ferramenta propagandística (no interior e exterior). A questão dos 3 F’s (Fado, Fátima e Futebol) não é, culturalmente, descabida. E esta trilogia terá sido, antes, mais um instrumento de alienação (política) que a profunda dimensão musical, a qualidade dos intérpretes (não vou salientar algum) e dos seus poetas, acabou por prevalecer perante "vontades" (desejos) de manipulação e aproveitamento.

Uma discutível associação entre o Fado (de origem lisboeta, com um esplendor oitocentista, romântico, boémio, "vadio", etc) e o “nacional-cançonetismo” (com a elegia ao “pobre, mas honrado” e da “casa portuguesa, com certeza” exacerbado e propagandeado na 2ª. metade do séc. XX pelo Estado Novo/SNI) poderá ter gerado alguns equívocos…

Bem. Hoje é dia de júbilo e o relevante é que, apesar de sermos um País periférico fustigado por uma intempestiva crise económica, financeira e social que, obviamente, terá profundos reflexos culturais, temos uma “marca” identitária musical a defender e que podemos, com orgulho e dignidade, exibir aos portugueses e ao Mundo.

"Modelação"?

Passos: "modelação" na aplicação de medidas é possível
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou hoje que "o Governo mantém abertura se houver evolução do PS" para fazer "alguma modelação" na aplicação de medidas de austeridade com "impacto social mais pesado". link

“Modelação” é uma expressão política nebulosa, um conceito pouco usual, que poderá significar – com base no quotidiano – “fundir em molde”.


Qual molde?
- O da equidade distributiva da austeridade, do esforço fiscal e dos sacrifícios?
- Ou significará querer moldar a sociedade a um irremediável (irreversível?) patamar de empobrecimento?

O modelo neoliberal em que “chacun vit, se gouverne à sa guise…” , essencialmente dependente dos “humores” dos mercados (interessa acrescentar) não é politicamente “modelável”, nem "remodelável". Vive de situações “livres”, i. e., sem controlo e sem regulação, selvagens…

Pelo que a nova teoria da “modelagem” será, provavelmente, mais um neologismo do Governo para chegar à conclusão de que não existem “almofadas” e será prioritário e urgente esculpir uma nova imagem “modelada” à medida da crescente contestação social.

Sendo assim, será de esperar que, daqui para a frente, se desenrolem novas "modelagens" como se o País fosse um atelier de experiências financeiras, económicas e sociais. Todavia, faltou solicitar aos cidadãos o consentimento (informado)...

Associação Ateísta Portuguesa. Carta ao PM

DIÁRIO DE NOTÍCIAS – Lusa (ontem)
A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) enviou hoje uma carta ao primeiro-ministro a pedir o fim das isenções fiscais da Igreja Católica, que considera “lesiva dos interesses nacionais” tendo em conta o actual contexto de crise económica.
Na carta, a que a Lusa teve acesso, a AAP solicita “a caducidade do artigo 26, que concede total isenção fiscal sobre os rendimentos e bens da ICAL [Igreja Católica Apostólica Romana] e pedir a inclusão desta confissão religiosa, por razões de equidade, no esforço fiscal a que os portugueses estão sujeitos”.
Na missiva, que também foi enviada ao ministro do Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, e aos partidos com assento parlamentar, a Associação Ateísta Portuguesa salienta que a isenção do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), nem como sobre os rendimentos da Igreja Católica, “são uma ofensa aos portugueses que sofrem as sucessivas medidas de austeridade”.
A AAP “sempre considerou desnecessária a concordata assinada entre a Santa Sé e a República portuguesa (…) e acha-a lesiva dos interesses nacionais nos privilégios que confere à Igreja”.
Atendendo ao actual contexto económico, em que os portugueses vão sofrer aumentos de impostos e cortes nos subsídios, estas isenções “são uma ofensa” para os “que sofrem as sucessivas medidas de austeridade”.
“A isenção de impostos sobre rendimentos e bens da Igreja é um privilégio que prejudica tanto os católicos, a quem cabe sustentar o culto, como os crentes de outras religiões e os não crentes, todos sacrificados de forma mais pesada com as contribuições exigidas pelo Estado para poder isentar uma confissão religiosa”, adianta a associação na carta ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.
A AAP sublinha que a posição de pedir o fim da isenção “não é um ato anticlerical”, mas antes “uma acção de justiça social que a própria [Igreja] devia reivindicar”.

sábado, novembro 26, 2011

MANIFESTO “NOVO RUMO” (II) – decifrando paradigmas…

Um manifesto político é um texto publicitado que denuncia, com um cariz persuasivo, uma ou várias situações (problemas), convocando os cidadãos para acções de resgate (um termo na berlinda) da sociedade. É, fundamentalmente, firmes declarações de intenções escritas numa linguagem assertiva e imperativa.

O manifesto “Novo Rumo” – encabeçado por Mário Soares - link não foge, nas linhas gerais, a este desenho embora não o preencha na totalidade. Isto é, não aparece com uma estratégia suficiente clara e transparente em relação a medidas programáticas preconizadas para combater a selvática e infindável austeridade e os efeitos perniciosos que lhe estão acoplados. Denuncia como inevitável o fracasso das políticas austeritárias levadas às últimas consequências e refugia-se na necessidade de construção de novos paradigmas, sem os explicitar. Aparece na linha de outro manifesto que saíu no mesmo dia (23.11.2011), o dos “128 cientistas sociais” link ou entronca-se num anterior o manifesto de “15 de Outubro” (da “geração à rasca”) link.
Esta profusão de manifestos não é inocente nem ocasional. Trata-se de uma nova fase política que ultrapassou no plano da luta política democrática a era das petições, oriunda dos diferentes quadrantes políticos da Esquerda. link; link; link; link.

Os novos paradigmas que o manifesto de Mário Soares levanta (sem explicitar) originaram diversas tomadas de posição link; link; link, etc. e foram motivo de ampla especulação cujo epicentro gravita à volta da liderança de António José Seguro. Aliás, só hoje, o Secretário Geral do PS, fora do País (Bruxelas) link teve um a primeira reacção ao manifesto, vaga e distante, pretendendo atenuar o impacto deste documento.

Na verdade, o manifesto coloca em causa todos os últimos passos da liderança socialista. Desde à abstenção perante o OE 2012 linkao posicionamento hesitante sobre a greve geral . link
O manifesto de Soares é, na sua essência, um desafio à actual direcção do PS. E significa que perante a actual situação política, o fundador - guiado pelo seu instinto político - preconiza a saída do PS para a rua e um profundo envolvimento na contenda social emergente que, no entender dos signatários do manifesto, deverá ocupar a centralidade da luta política e partidária nos próximos tempos. Este o paradigma “oculto” do manifesto aparentemente vazio de programa. Isto é, a “flexibilização”das amarras que ligam o PS ao Memorando de Entendimento com condição sine qua non para conseguir “fazer oposição” em pleno.

Não se prevêem eleições a curto prazo facto que poderia inibir uma atitude deste teor por receio de afastar o PS da rotineira alternância democrática pelo que a cautelosa senda abstencionista corre o risco de entrar no domínio da ineficácia, quando não numa nefasta ideia de colaboracionismo (que já obrigou a desmentidos). link .

O manifesto parte do princípio que a evolução da situação política nacional não vai – nos próximos tempos - depender de rotinas…

António José Seguro está confrontado entre a herança partidária e o porvir nacional. Mário Soares sem negar a herança quer colocar o acento tónico da acção política do PS no futuro. Soares sabe que quando a crise política se avoluma e agudiza a rua (que é explicitamente e enviesadamente citada no manifesto) poderá ser um campo de batalha fundamental. Foi assim na Fonte Luminosa. link
Esta a mensagem que António José Seguro ouviu, percebeu, mas não está em condições de comentar publicamente.

Todavia, o tempo urge.

Marrocos: Islamitas moderados vencem as eleições


Os islamistas moderados do Partido da Justiça e Desenvolvimento (PJD) venceram as primeiras eleições legislativas marroquinas depois da reforma constitucional para travar no país a contestação da Primavera Árabe, anunciou hoje o ministro do Interior marroquino.

Comentário: O futuro dirá qual é o significado do adjectivo «moderados».

sexta-feira, novembro 25, 2011

Associação Ateísta Portuguesa (AAP). Carta ao PM

Exmo. Senhor                                         
Dr. Pedro Passos Coelho                        
Primeiro-ministro de Portugal                
pm@pm.gov.pt                                                                                                                                
4 - 1200-888 Lisboa                       
Cc.  - Partidos políticos; Gabinete do ministro das Finanças                                                                                                                                                                                                                                                 
                                                                   
Senhor primeiro-ministro Pedro Passos Coelho:

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) sempre considerou desnecessária a concordata assinada entre a Santa Sé e a República Portuguesa, no dia 18 de Maio de 2004, e acha-a lesiva dos interesses nacionais nos privilégios que confere à Igreja.

A isenção do IMI sobre o património, bem como do imposto sobre os rendimentos da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR), são uma ofensa aos portugueses que sofrem as sucessivas medidas de austeridade.

O acordo assinado pelo Governo português com a troika previu um aumento expressivo do imposto sobre o património (IMI) até 2012, aumento que consta do OE 2012, ora em discussão, para ser aprovado na A. R., ampliando a imoralidade da isenção da ICAR.

A isenção de impostos sobre rendimentos e bens da Igreja é um privilégio que prejudica tanto os católicos, a quem cabe sustentar o culto, como os crentes de outras religiões e os não crentes, todos sacrificados de forma mais pesada com as contribuições exigidas pelo Estado para poder isentar uma confissão religiosa.

Em face do exposto, na certeza de defender os interesses dos portugueses, a AAP, na impossibilidade de ver denunciada a Concordata, vem junto de V. Ex.ª solicitar a caducidade do seu art. 26 que concede total isenção sobre os rendimentos e bens da ICAR, e pedir a inclusão desta confissão religiosa, por razões de equidade, no esforço fiscal a que os portugueses estão sujeitos.

O pagamento do IMI pela Igreja católica, com um imenso património imobiliário, não é um acto anticlerical, é uma acção de justiça social que a própria devia reivindicar.

Esperando que o OE 2012 venha a contemplar este elementar acto de justiça, a AAP apela ao Governo e aos partidos políticos para que um módico de equidade abranja a Igreja católica, única que, segundo é do nosso conhecimento, beneficia de tão injusto privilégio.


A AAP apresenta a V. Excelência os melhores cumprimentos .

Direcção da Associação Ateísta Portuguesa – Odivelas, 25 de Novembro de 2011

Assembleia patrocinada

Imagem enviada pelo leitor MPM

quinta-feira, novembro 24, 2011

O "NOVO RUMO" DE MÁRIO SOARES

O Dr. Mário Soares, acompanhado por mais oito cidadãos e cidadãs mais ou menos ilustres, fez ontem publicar um manifesto em que defende um novo rumo para a União Europeia e apela a todos os cidadãos europeus de esquerda para que se mobilizem na defesa desse novo rumo.

Como cidadão de esquerda, socialista e europeísta, estou inteiramente de acordo com os ideais defendidos nesse manifesto.

Não posso no entanto deixar de lhe fazer alguns reparos.

1. Em primeiro lugar, nele se compara a luta dos europeus por esses ideais com a luta da "rua árabe". Parece-nos tal comparação duplamente infeliz. Por um lado, a "rua árabe" revoltou-se contra regimes ditatoriais. Ora na União Europeia não há ditaduras que seja necessário derrubar "na rua"; há governos resultantes de eleições livres e democráticas, que podem ser derrubados legal e democraticamente. Por outro lado, ainda hoje não sabemos, infelizmente, se dessas lutas da "rua árabe" resultarão regimes democráticos ou regimes ainda piores que os derrubados.

2. Por outro lado, diz-se noutro passo do manifesto que "os obscuros jogos do capital podem fazer desaparecer a própria democracia, como reconheceu a Igreja", sem especificar qual Igreja. A Católica Apostólica Romana? A Anglicana Inglesa? A Luterana da Alemanha? A Ortodoxa grega? A IURD? Igrejas há muitas. Mas tudo indica que Mário Soares se referia à ICAR, que é a dominante em Portugal e cujo clero tem ultimamente feito algumas declarações no sentido apontado. Ora é sabido que a Igreja Católica, sobretudo em Portugal e na Espanha, sempre apoiou a direita e os regimes mais reacionarios. Em Portugal, particularmente, o liberalismo implantou-se contra a Igreja, a República implantou-se contra a Igreja e esta sempre foi um dos principais esteios do regime salazarista.
Que necessidade tinha o Dr. Mário Soares, que durante toda a vida nos habituou a respeitá-lo e a apoiá-lo como "republicano, socialista e laico", de vir agora abrigar-se debaixo do manto etéreo da Santa Madre Igreja?

3. Finalmente, há a questão da oportunidade da publicação do manifesto, datado e divulgado exatamente na véspera de uma greve geral em Portugal, decretada pelas duas principais centrais sindicais portuguesas e politicamente apoiada apenas pelo PCP e pelo BE, e não pelo PS. É evidente que não se trata de mera coincidência; em política não há coincidências dessas. Fica assim a parecer que o intuito da publicação do manifesto foi apenas o de apelar à adesão à greve e manifestar as divergências entre o Dr. Mário Soares e a atual direção do Partido que fundou - o Partido Socialista. Ou seja: sob a veste de grandiloquentes apelos a todos os cidadãos dos 27 países da U.E., tratava-se apenas de questões paroquiais. Contrariamente ao velho brocardo latino, os signatários do manifesto quiseram ir "ad angusta per augusta".

A Espanha, a direita e a Igreja católica


Em Espanha, tal como as sondagens prenunciavam, a direita (PP) ganhou com a maior maioria de sempre enquanto o PSOE sofreu a sua maior derrota, após a ditadura. A crise internacional, a crença do eleitorado na mudança, o desemprego brutal e as medidas de austeridade de Zapatero foram o húmus onde a vitória da direita floresceu. Não foi o PP que ganhou o poder, foi o PSOE que o perdeu.

Rajoy ganhou com a mais ampla maioria o mais estreito caminho para governar. Teve o bom senso de não fazer promessas e apenas contava com a complacência dos mercados face à maioria absoluta, expectativa gorada com a subida dos juros da dívida soberana, na segunda-feira posterior à vitória, para níveis nunca atingidos.

Curiosamente, a direita espanhola ganhou, à terceira tentativa, com o mesmo líder que perdeu as duas anteriores eleições enquanto em Portugal a direita homóloga conquistou o poder ao quinto líder acabando por se resignar com o menos experiente e preparado. Mas o que vier a acontecer a Espanha é semelhante ao destino que está reservado a toda a União Europeia com os governos limitados à obediência aos mercados, com o poder político submetido à ditadura financeira e à impotência face ao empobrecimento.

Neste tempo de incerteza, com o centro de gravidade política, económica e financeira a deslocar-se para o Pacífico, as lideranças titubeantes da velha Europa não tranquilizam os Governos em exercício. A Espanha, para além do espectro das autonomias, está agora sob o ataque dos mercados que ameaçam destruir os países da União Europeia, a moeda e o mais longo período de paz, prosperidade e justiça social da sua História.

Talvez por isso foram sóbrias as manifestações de alegria dos adeptos e, sobretudo, dos dirigentes do PP. Quem entrou em euforia foi a Igreja católica, sedenta de desforra de um Governo laico que, pela primeira vez em Espanha, concedeu liberdade religiosa a todas as religiões.  

presidente da Conferência Episcopal Espanhola, Rouco Varela, dá o seu «apoio espiritual» a Rajoy, apoio que é mais capaz de prejudicar a direita do que de ajudá-la. A Igreja católica recebe do Estado, em Espanha, 10 mil milhões de euros por ano. Não é fácil que o futuro Governo possa ultrapassar tão imensa generosidade.

Rouco Varela, o velho franquista que jamais se comoveu com os milhares de espanhóis fuzilados e atirados para valas comuns, rejubilou agora com os resultados eleitorais que não são mérito das homilias cúmplices mas das circunstâncias. O cardeal, que preside à Conferência Episcopal Espanhola, nunca ocultou o ódio ao governo socialista e já louvou o novo governo mas é inflexível nas exigências à direita que Rajoy, ao contrário de Aznar, não quer ver confundida com o franquismo.  Rouco exige alterações à lei do aborto, a suspensão das aulas de Educação para a Cidadania e fortes subsídios para transformar a Cáritas num instrumento poderoso ao serviço da sua Igreja, enquanto reincide nos violentos ataques aos casamentos entre indivíduos do mesmo sexo.

Com tal amigo, o governo e a Espanha arriscam-se a confrontos gratuitos, agora que a ETA capitulou sob a pressão implacável do governo socialista. Rajoy não apresentou ainda programa e já é alvo de exigências da Sr.ª Merkel. Não o salvará a «humilde colaboração» e o «apoio espiritual» oferecidos por Rouco Varela.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, novembro 23, 2011

No muro das lamentações da crise

NO MURO DAS LAMENTAÇÕES DA CRISE
(Ou uma outra forma de dizer umas verdades que, infelizmente já são lugares comuns)

- É uma lástima que quando agora os nossos filhos vêm desabafar connosco a dizer que já não aguentam mais ver e conviver com tantas falcatruas, desonestidades e falsidades, a gente não encontre mais nada para lhes responder senão que a vida, infelizmente, é assim mesmo, e que neste mundo cão o que eles têm a fazer é aguentar e procurar sobreviver.
- É uma lástima a gente ouvir dizer e calar que as crises são uma boa oportunidade para encontrar soluções novas e dar mais um salto em frente, mesmo quando as crises – e esta poderá ser uma delas – muitas vezes acabam por desembocar em medonhas guerras, de que é evidente exemplo a 2ª Guerra Mundial, chegando-se até ao ponto de alguns chamarem para aqui aquilo que teria sido o grande erro de Salazar, esquecendo-se essas e outras pessoas, e até alguns de nós se nos distraímos, tão humanistas que nos reclamamos, de que vale mais uma única vida humana do que uma guerra com benefícios futuros e todo o ouro, sabe-se lá como foi entesourado.
- É uma lástima que com tudo o que pensamos do sistema, demos por nós a desejar que estes tipos, que são os mais responsáveis pela crise que sofremos tenham sucesso com as medidas draconianas e desumanas a que nos estão e vão continuar a submeter.
- É uma lástima olhar em frente e nada vermos. E deixarmos de nos interrogar de onde viemos e para onde vamos, mesmo sabendo, como sabemos, que essa é a magna questão que continua sem resposta e causa maior da angústia dos homens desde as mais remotas antiguidades.
- É uma lástima que nos venhamos habituando a viver num sistema que sob a ilusória capa da democracia e da igualdade de oportunidades se funda na tese de que, queiramos ou não, os homens não são todos iguais – e não são, bem sabemos, e ainda bem – e que as crises como esta que atravessamos sem fim à vista, é uma boa oportunidade para se revelarem e triunfarem os mais fortes e mais bem dotados, e assim, de crise em crise, sobrevive e progride este modelo de sociedade alicerçado em tais pressupostos e que só serve os galifões e oportunistas.
- É uma lástima que, contra todos os alertas e avisos, continuemos nesta corrida desenfreada do consumo de tudo o que pavloviamente nos é apontado como bom, gostoso, útil, necessário, e de óptima oportunidade, deixando atrás de nós montanhas de perigosos desperdícios e um rasto que mais faz lembrar os campos de morte dos arrozais cambojanos.
- É uma lástima que, levados por todas as manhas e artimanhas do mercado, como diz o filósofo, andemos a comer morangos em Janeiro.
- É uma lástima que, mais fracos que Moisés e mais cépticos que Tiago, numa curva mais apertada e obscura da História da Humanidade, tenhamos deixado de acreditar naquilo em que tão firmemente acreditávamos.
- É uma lástima que, de tão repetida, comecemos a convencer-nos da justeza da atoarda de que somos nós os únicos culpados do que nos está a acontecer, fazendo das vítimas os arguidos e dos criminoso vítimas, coitados, todos estes anos à espera, aqui, no nosso caso, de se desforrarem das afrontas e desgovernos que saíram do ventre do 25 de Abril.
- É uma lástima que tenhamos entregado o governo do mundo, primeiro aos economistas e depois aos banqueiros, aqueles com prognósticos só no fim dos jogos, estes com uma obsessão do lucro ainda mais exacerbada.
- É uma lástima que, como crianças tontas, nos tivéssemos deixado levar nas ondas da globalização e das novas tecnologias, entrando assim nesta vertigem, espécie de buraco negro que atrai tudo à sua volta para sugar e fazer desaparecer.
- É uma lástima que no meio disto tudo não nos tenhamos apercebido, porque não parámos para pensar, que a globalização de que tanto nos falam e enaltecem não é mais do que a última das ideologias conhecidas.
- É uma lástima que, embalados em tais ondas, nos tenhamos esquecido do homem, do outro e de nós próprios, pondo no lugar do humanismo a cultura, ou melhor, o culto da excelência e a lei do mais forte e mais capaz, sem deixar espaço nem lugar para o homem comum que, afinal, é o que todos nós somos, uns com mais sorte que os outros; e que homens comuns, quando não mesmo medíocres, são uma boa parte dos detentores do poder por esse mundo além, incapazes, eles sim, de olhar e interpretar os sonhos do futuro.
- É uma lástima que, apesar de todos os recuos, da venda ao desbarato de todas as utopias, das implosões e uniões espúrias, a sede do governo mundial continue no lugar onde antes estava, na Metrópole do Capitalismo; e que o poder, que devia ser dos povos, esteja entregue a criaturas sem rosto nem fala, uma nova estirpe de mutantes – humanos é que já não são – que a si próprios atribuíram o nome de mercados, sabe-se lá quem eles são e onde moram.
- É uma lástima que com tudo isto, e pesem os avanços da ciência e das tecnologias, naquilo que mais interessa à vida dos homens e à saúde da Terra, se tenha recuado sabe-se lá quantos anos.
E com todos estes lamentos, inacabados e assim alinhavados sem ordem de preferência, se calhar, o melhor ainda será, sabe-se lá, não levarmos isto muito a sério e embarcarmos noutra onda qualquer – isto é para rir – que até bem poderá ser a do Paulo Futre, que até parece que é isso mesmo que está a dar e tem saída, como na canção o “curso de computadores”.
- É uma lástima, é …


                                                            Viseu, 21-11-2011
                                                            Gertrudes da Silva

Nota do Ponte Europa - É uma honra publicar este texto de um dos mais importantes capitães de Abril. O coronel Gertrudes da Silva, escritor e cidadão empenhado,  foi o N.º 1 do seu curso e comandou o contingente militar que se reuniu na Figueira da Foz, libertou o presídio de Peniche e avançou sobre Lisboa. O seu acto heróico e a coerência cívica tornaram-no uma referência da Revolução de Abril. Talvez por isso não teve as estrelas de general.

Como se faz um Governo

Um consultor da Goldman Sachs e da Coca Cola com lugar de grande relevo no Grupo de Bilderberg, um almirante da OTAN que seja também comandante do Comité Militar da aliança, o presidente do segundo maior banco do país, o presidente da primeira empresa de electricidade do país, um íntimo do Vaticano, vários professores de universidades privadas escolhidos a dedo, eis a receita do governo tecnocrático de Itália para suceder ao do mega empresário da comunicação social e do futebol, Silvio Berlusconi, conhecido por Sua Emittenza por ser igualmente figura grata do Estado papal.

terça-feira, novembro 22, 2011

E nós que julgávamos este Governo competente

Espanha embrulhada em sotainas

O presidente da Conferência Episcopal Espanhola, Rouco Varela, dá o seu «apoio espiritual» a Rajoy.

Nota: A Igreja católica recebe do Estado, em Espanha, 10 mil milhões de euros por ano. Espero que Rajoy acabe com este escândalo.

segunda-feira, novembro 21, 2011

SNS ameaçado…

Repete-se aqui o mesmo e degradante cenário que tivemos oportunidade de assistir em relação à comissão presidida pelo Prof. João Duque para a privatização da RTP, sob o manto diáfano da definição de “serviço públicolink. Isto é, antes de ser conhecido o relatório da comissão já o Governo se apressava a adiantar resoluções sobre o assunto, a incluir no OE 2012. link

No que diz respeito à rede pública hospitalar, actualmente a ser estudada por um Grupo Técnico para a sua reforma (Despacho n.º 10601/2011 de 24 de Agosto) link , presidido por Mendes Ribeiro (um gestor oriundo do Grupo Português de Saúde /SLN/BPN), Passos Coelho adiantou a primeira revelação sobre a “reforma” da rede hospitalar: a alienação de Hospitais!


Assumiu publicamente um compromisso que desde o último Congresso Nacional das Misericórdias vinha a ser reclamado por Manuel Lemos (presidente da União das Misericórdias), nos seguintes termos: “Quando o memorando de entendimento entre o Governo, a União Europeia e o FMI se refere à necessidade de contenção da despesa e de reestruturação na prestação de serviços de saúde, vale a pena de certeza olhar para a nossa qualidade e para os nossos preços e apostar mais nas Misericórdias de Portugallink.

Este persistente lobbying do sector social da Saúde, veladamente ligado à Igreja através dessa pia instituição criada pela rainha D. Leonor, começou prematuramente a dar resultados: Passos Coelho anunciou a devolução – imediata! - de 15 hospitais (o cronograma da devolução deverá estar concluída no 1T 2012).
O que aparentemente poderá parecer uma simples reposição de bens afectos pelo Estado para o SNS é na verdade uma profunda machadada na rede hospitalar pública.

Uma situação paradigmática e elucidativa: Quem olha hoje para o Hospital de Santo António (Porto) – um dos eventuais hospitais a integrara o “pacote de devolução” - e se recorda das recentes intervenções provindas do erário público na sua modernização e ampliação (construção de uma nova ala), da sua importância como Hospital Escolar (ICBAS – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar) percebe que, neste momento, o Governo, pretende alienar do SNS um dos Centros Hospitalares que integra sua espinha dorsal (nomeadamente na Região Norte).

Tem razão a União das Misericórdias Portuguesas para estar "feliz" link. Andava a exigir um dedo e, eis que de súbito, deram-lhe a mão…
Todavia, actos de generosidade deste tipo tem um elevado preço.
Passos Coelho não poderá mais iludir a evidência de que o actual Governo arrancou, a todo o vapor, para o desmantelamento e desarticulação do SNS.
E deste modo com o anúncio de ontem em Vila Real criou um problema político e social muito grave e difícil de resolver. Politicamente não tem justificação (à luz da Constituição) e socialmente é um detonador para incontroláveis protestos numa sociedade já fustigada e crispada.

Resta ao Governo clamar pela intervenção divina... ou, num âmbito mais terreno, colar-se à hierarquia nacional da ICAR que parece ser, de facto, quem estará a manobrar os cordelinhos.

Passos Coelho e a relação difícil com a verdade

Na Assembleia da República, António Filipe [PCP] lembra a Passos Coelho as suas promessas eleitorais.

Para a Igreja católica há dinheiro


O primeiro-ministro anunciou hoje que o Governo vai, até ao final do primeiro trimestre de 2012, regularizar as dividas consideradas mais prioritárias às misericórdias e devolver os 15 hospitais públicos que pertencem a estas instituições.

Eleições Gerais em Espanha: a retumbante vitória da Direita.

A esmagadora vitória do PP e de Mariano Rajoy , isto é, a estrondosa viragem à direita do eleitorado, nas eleições gerais em Espanha, é mais um resultado fabricado pela crise (orçamental, da dívida externa, da recessão económica e do desemprego). link

Rajoy é um corredor de fundo da política espanhola (está na política há 30 anos) e muito embora se trate de um líder sem carisma, sem dotes oratórios e um ilustre desconhecedor de questões financeiras, à 3ª. tentativa, conseguiu mais por erosão do PSOE do que por mérito próprio das suas propostas – vagas e/ou ocultas - mobilizar os espanhóis em torno da ideia de mudança.

O novo presidente do Governo espanhol estará confrontado com tremendos desafios políticos, económicos e financeiros, que a evolução dos juros das obrigações nos mercados, nos últimos 4 dias, mostra serem preocupantes.

A Espanha é a 4ª. economia da UE e, como sabemos, tratando-se de um grande barco, enfrenta uma enorme tormenta. Uma taxa de desemprego acima dos 22 % (45% para os jovens) é um cabal exemplo que define os contornos da dramática situação.

Rajoy, viveu toda a campanha eleitoral escondido por detrás de uma constante e calculada ambiguidade. A partir de amanhã (embora só tome posse em Dezembro) terá que trazer à luz do dia os planos de medidas urgentes que adoptará para a Espanha sair da crise. Não pode, por ora, contar com outros apoios, nomeadamente, de uma Europa em desagregação e de um PSOE brutalmente castigado e atirado para uma cura de oposição (não está “amarrado” a quaisquer pactos - de regime ou de auxílio externo).

O que está em causa, neste tipo de alternância democrática, em tempos de crise, é sempre o mesmo: reformas “estruturais” (do Estado Social, do mercado de trabalho, do regime fiscal, da Administração Pública e do sistema financeiro). As receitas para combater esta crise é que podem ser diferentes embora, para já, nada o faça adivinhar.

Tratando-se de uma crise sistémica a margem de manobra de Rajoy é apertada. Vamos esperar para ver.

sábado, novembro 19, 2011

Gato escondido com rabo de fora…

"Do ponto de vista do Estado, o quadro é conhecido, nós temos o cancelamento do 13.º e do 14.º meses e a manutenção do congelamento de salários durante todo o período do programa de assistência económica e financeira. Esse é o enquadramento que é conhecido, não é novidade», afirmou Pedro Passos Coelho”. link

O inicialmente anunciado foi a "suspensão" dos pagamentos do subsídio de férias e Natal em 2012 e 2013. Pelo meio Miguel Relvas veio com a história da carochinha de que nos países da Europa do Norte só haveria 12 vencimentos anuais, i. e., a "compressão", depois – para emendar a mão – Passos Coelho levantou a hipótese de integrar os 14 meses em 12 pagamentos (a "concentração"), etc. …


Agora evoluímos para o “cancelamento”?

Isto é, O Governo vem deste modo insidioso tentar fechar um processo de retribuição salarial, tornando sem efeito o 13º. E 14º. mês, para os funcionários públicos, pensionistas e aposentados?


E só o anunciou como medida temporária por recear a fiscalização da sua constitucionalidade?


Será que Passos Coelho vai esclarecer cabalmente este assunto ou vai delegar no Ministro das Finanças (cuja voz sincopada e monocórdica causa urticária aos incautos contribuintes)?

Apanhados...

QUE TAL ENVIARMOS AS BOAS FESTAS A TODOS OS CONTRIBUINTES DESEJANDO UM PRÓSPERO ANO DE 2012?

Manifesto contra a eventual supressão do feriado do 5 de Outubro

Manifesto

Os signatários, membros da “Comissão Cívica de Coimbra Para as Comemorações do Centenário da República” (Comissão finda por esgotamento dos objectivos), empenhados na intervenção cívica que as suas consciências lhes impõem, manifestam vivo repúdio pela eventual extinção do feriado de 5 de Outubro.

Nem a ditadura se atreveu a suprimir dos feriados cívicos o dia da implantação da República, dia que em democracia é uma data emblemática do regime em que vivemos e nos revemos, regime cujos limites materiais de revisão estão constitucionalmente consagrados.

Não acreditamos que um governo democraticamente eleito ouse rasgar do calendário a comemoração da data que transformou Portugal, data que marca a natureza do governo e é a pedra basilar da nossa democracia.

A simples aceitação da possibilidade de tal ofensa à história e à cidadania seria apagar uma data das mais gloriosas da História de Portugal e ultrajar os heróis da Rotunda.

Porque, graças à República, somos cidadãos e não súbditos, não consentiremos que a cidadania conquistada seja obliterada e postergada a data comemorativa da sempre viva Revolução da Rotunda.
  
VIVA O 5 DE OUTUBRO.

a) Amadeu Carvalho Homem, Augusto Monteiro Valente; Anabela Monteiro, Fernando Fava, José Dias, Carlos Esperança

sexta-feira, novembro 18, 2011

Dissonâncias e desentendimentos acerca de extorsões…

25.10. 2011: Passos Coelho: Corte geral dos subsídios deixaria Portugal sem ajuda externa em Novembro… link;

16.11.2011: Comunicado da ‘troika' defende que "os salários do sector privado deverão seguir o exemplo do sector público". link
O Governo entrou em atabalhoado descontrolo e saltam as contradições. Tão preocupado em ser visto com um “bom aluno” entra em desvario e envereda pela senda de tentar iludir e manipular os portugueses. Para isso socorre-se da ameaça. Este tem sido o traço visível do seu comportamento na discussão do OE 2012.

Mas voltemos aos incidentes acerca dos subsídios & extorsões.

Quando Passos Coelho em Outubro refere que a alternativa de criar um imposto extraordinário sobre os subsídios “não era algo que o Governo pudesse aceitar”, visto que “dificilmente seria considerado um exercício credível lá fora” está pura e simplesmente a fazer dois exercícios de bacoca prestigiação política:

1.) Tentar colocar os cortes de subsídios na função pública, aposentados e pensionistas previstos no projecto de OE 2012 como uma medida do lado da despesa quando é um “imposto extraordinário”, logo, do lado da receita;

2.) Manter os portugueses sob uma permanente ameaça de bancarrota (dramatizando a possibilidade da suspensão abrupta da “ajuda externa”) a fim de que as decisões governamentais apareçam à luz do dia como “incontestáveis”, “irrevogáveis”, “sem alternativas”, etc.

Públicas dissonâncias e desentendimentos entre o Governo e a Troika (está em causa a aplicação de um denominado “Memorando de Entendimento”) são preocupantes e não auguram nada de bom no assumido desígnio “resgatar” o País da crise orçamental, financeira e económica, mas o insuportável é o exercício de uma vil chantagem sobre os portugueses apresentando as opções políticas do Executivo como dogmas, sob pena da “bancarrota”…

Apostila: A detecção destas dissonâncias e desentendimentos entre o Governo e a Troika pretende mostrar insuficiências e descontrolo da governação não significando, como é óbvio, qualquer apoio a soluções de resgate que passem pelo “empobrecimento dos portugueses” (redução da massa salarial do sector públicos e/ou privado). E, já agora, dos pensionistas e aposentados.

O que não nos mata torna-nos mais fortes

O confisco dos subsídios de Natal e férias

 DL 496/80 de 20 de Outubro
CAPÍTULO IV
Disposições finais
Art. 17.º Os subsídios de Natal e de férias são inalienáveis e impenhoráveis.
Art. 18.º - 1 - Para efeitos deste diploma, entende-se que o funcionário ou agente se encontra em serviço efectivo em todas as situações em que lhe é abonado o vencimento de categoria, salário ou gratificação. 
2 - Para os mesmos efeitos, considerar-se-à como mês completo o período de duração superior a quinze dias que restar no cômputo, em meses, do tempo de serviço, salvo nos casos de cessação definitiva de funções por motivo de demissão e de aposentação compulsiva.

Art. 19.º O pessoal referido na alínea b) do n.º 1 do artigo 1.º tem direito a quinze dias de férias após cada seis meses completos de serviço quando, nos termos da lei geral do funcionalismo público, não tenha, nesse ano, direito a férias.
Art. 20.º As dúvidas resultantes da aplicação do presente diploma serão resolvidas por despacho do membro do Governo responsável pela função pública, que será conjunto com o do Ministro das Finanças e do Plano em matérias de competência deste.
Art. 21.º - 1 - Sem prejuízo do disposto no n.º 2, o presente diploma entra em vigor no dia 1 do mês seguinte ao da sua publicação. 
2 - O disposto nos artigos 7.º, 8.º e 16.º é aplicável aos casos de cessação definitiva de funções verificadas desde 1 de Janeiro do ano em curso.

Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 30 de Julho de 1980. - Francisco Sá Carneiro. 
Promulgado em 10 de Outubro de 1980.
Publique-se.
O Presidente da República, ANTÓNIO RAMALHO EANES.

quinta-feira, novembro 17, 2011

Moeda de troika

DN

Público

Na rota do miserabilismo…

A missão da Comissão Europeia, do FMI e do BCE considera desejável que os salários do sector privado sejam reduzidos, em linha com os cortes feitos no sector público. link

A “missão do empobrecimento” a todo o vapor. Ou como os cortes de vencimentos - em todos os sectores - vieram para ficar. Este oculto desígnio parece ser, no entender da troika, o novo motor do desenvolvimento. A campanha da competitividade serve para tudo.
O que está a ser sugerido não é mais do que um violento retrocesso ao século passado. Cujas consequências muitos portugueses conheceram. Quando formos atirados para o 3º. Mundo o crescimento está garantido: começamos a partir do zero e tudo o que vier é lucro, isto é, “crescimento”. Esta a mézinha da troika que o XIX Governo Constitucional está a adoptar quando insiste em ultrapassar o “programa de resgate”…

A obsessiva desvalorização do trabalho, a manutenção de uma grelha salarial iníqua, o "sustentado" crescimento das taxas de desemprego, a injusta repartição do rendimento, a redução do Estado social ao assistencialismo, o desmantelamento anárquico do aparelho de Estado, etc., não constam dos vários programas eleitorais, submetidos a escrutínio popular em 5 Junho. São, por isso, intoleráveis imposições de “novos” modelos políticos, económicos e sociais, democraticamente, ilegítimas.

A intrometida prestação da troika, nesta avaliação do desempenho da execução do programa de auxílio, veio corroborar que a GREVE GERAL, convocada para o próximo dia 24 é, para além de uma jornada nacional de protesto, um indispensável passo na defesa do regime democrático.

Aparições marianas na Bósnia-Herzegovina


Há trinta anos começou a ser fabricado na Bósnia-Herzegovina um milagre capaz de desviar uma parte importante da clientela de Fátima.

«Olhai a Virgem» ! O negócio nasceu em 24 de Junho de 1981, segundo a revista «Le Monde des Religions (N.º 50 – Novembro/Dezembro de 2011). Duas adolescentes em férias, na recôndita aldeia de  Medjugorje, viram a eterna virgem, «uma mulher muito bela com uma criança nos braços». Mais tarde juntar-se-iam mais quatro adolescentes que elevaram o número de videntes para seis.

Nestes trinta anos o negócio da fé transformou a obscura aldeia num auspicioso centro de negócios onde rumam cerca de um milhão de devotos por ano. E toda a gente enriquece, incluindo os videntes.

Seria fastidioso descrever as relações do Vaticano com a Ustashe, os crimes dos croatas católicos contra os cristãos ortodoxos e a luta no seio da ICAR, com os franciscanos a desobedecerem a Roma nos anos 60 e a cimentarem o seu poder com a virgem da sua autoria.

Em terra mais dada a guerras étnicas do que à fé surgiu a visita da suspeita do costume – a Virgem Maria, mãe de Jesus por via baixa e virgem por alta decisão de Pio IX. Foram seis os videntes a quem a Virgem (dada ao suspense) confiou 10 segredos. Onde é que este filme já foi exibido? Na Jugoslávia comunista nada mais eficaz contra a ditadura ateia do que uma ditadura celeste. E a Croácia com o seu catolicismo agressivo viu no «milagre» o apoio divino à sua independência num enclave croata em terras bósnias.

A Renovação Carismática está muito empenhada no reconhecimento das aparições, tal como os franciscanos que as engendraram contra o Vaticano e o bispo da época que os desapossou de várias paróquias que dominavam. No 30.º aniversário das pias aparições uma enorme bandeira croata, e não bósnia, cobriu a fachada da igreja de S. Jacques.

O Vaticano não vai perder a fonte de receita de um embuste metodicamente construído ao longo de trinta anos. Até já há a cura de uma italiana, Diana Basile, que sofria de esclerose em placas…e, além disso, Nossa Senhora de Medjugorje declarou: "O que iniciei em Fátima vou terminar em Medjugorje: o Meu Imaculado Coração triunfará", não se esquecendo de recomendar: missa, confissão, bíblia, terço e jejum, cinco actos que enchem de gozo o seu divino filho.

Nota: O ex-director espiritual dos videntes, franciscano Tomislav Vlasic, que encarou o enredo como «difusão de doutrina duvidosa, manipulação de consciências, misticismo suspeito, desobediência às ordens legítimas» foi reduzido ao estado laico em 2009.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, novembro 16, 2011

«Pare de odiar» . Mensagens de paz da Benetton

Campanha publicitária com imagens falsas
Aqui.

O problema das religiões


O problema das religiões não reside nas mentiras que espalham ou na liturgia que praticam, o problema insolúvel, a tragédia da sua existência, está na fanatização que conduz os crentes à acção.

Não vem nenhum mal ao mundo que um católico acredite na virgindade de Maria ou no voo que o seu filho fez para o Paraíso, a desgraça está nos meios que usa para convencer os outros e anatematizar os que desprezam a fé.

Que os muçulmanos detestem a carne de porco, como eu abomino cebola crua, não traz qualquer problema à humanidade, mas quando o opúsculo terrorista os convence de que devem matar os infiéis, isso já é um problema grave e um crime imperdoável.

Os judeus das trancinhas podem descansar ao Sábado e pensarem o que entenderem do Messias que aguardam, mas a gravidade do que pensam reside no sionismo.

A fé não passaria de uma treta inofensiva se os crentes não se achassem na obrigação de convencer os incréus, de perseguir a concorrência e intoxicar as crianças com as suas crenças.

Deus podia ter sido uma criação interessante, como as deusas gregas ou as sereias, mas tornou-se num detonador do ódio e está na origem de guerras e interditos.

Recordar é preciso...

terça-feira, novembro 15, 2011

Esquecer a História e branquear a ditadura


Quando eu nasci a miséria era maior do que aquela a que este governo é capaz de nos reconduzir; a informação, com censura dos jornais e apreensão de livros, era muito mais limitada do que conseguirá a prometida privatização dos órgãos de comunicação social; o analfabetismo, superior a 40%, era maior do que algum dia a redução colossal das verbas destinadas à educação é capaz de conseguir; a assistência médica existia apenas para quem a pudesse pagar, situação a que este governo nos quer fazer regressar.

Quando eu nasci havia juízes que deixavam agredir os oposicionistas em pleno tribunal pela PIDE, polícias que torturavam cidadãos algemados, padres e coronéis que usavam o lápis azul para censurar a informação, ministros que diziam não ser políticos e um Presidente do Conselho que foi um dia a Badajoz, escolhia o Presidente da República e exercia um poder despótico. Chamava-se Salazar o biltre e fez do 10 de Junho o dia da raça, onde na apoteose do fascismo se colocavam medalhas no peito das viúvas, irmãos e pais dos soldados mortos em combate na guerra colonial.

O 10 de Junho, que Jorge Sampaio pretendeu civilista, é cada vez mais a perpetuação da memória salazarista e o branqueamento do fascismo. Não admira que os heróis da Rotunda e a República sejam esquecidos por um Governo sem cultura nem memória.

O próprio PR, o mais inculto depois do 25 de Abril, não sabe avaliar o valor simbólico das datas. É o rural de Boliqueime que conviveu com a ditadura e a quem um curso e as vicissitudes da política guindaram aos mais altos cargos do País sem qualquer gratidão pelos que, numa manhã de Abril, lhe abriram portas com que substituiu a condição de «mísero» professor – palavras suas – pelo cargo que ocupa.

Espero que o PSD, onde militam republicanos e democratas honrados, encontre força para barrar o caminho à exclusão da data emblemática do 5 de Outubro dos feriados nacionais. A notícia da Rádio Renascença, embora sem confirmação, é motivo de ansiedade.

Não se podem fazer todas as asneiras ao mesmo tempo

Quando a coragem é no feminino...

Esta mulher estava a falar numa estação de televisão árabe, falando árabe, e a ser, certamente, vista e ouvida por milhões de árabes que gostariam de a calar para sempre.

segunda-feira, novembro 14, 2011

Consciência intranquila

Goldman guys


Os problemas vividos pela Grécia e Itália são, como é fácil de observar, distintos. Todavia, os desenvolvimentos mais recentes mostram alguns pontos de contacto - ou coincidências - no domínio político.

Ambos os países têm, presentemente, governos dirigidos por tecnocratas (Mario Monti [Itália] e Lucas Papademos [Grécia]) que não passaram pela triagem do escrutínio popular. Nasceram de acordos internos, pressionados pelos “mercados” e com a benção do directório europeu (Merkozy).

Ambos são professores de Economia aparentemente desligados de actividades partidárias mas que desempenharam – num passado recente - importantes funções em instituições da UE.

Ambos têm vastos curricula onde existe um denominador comum: trabalharam para a Goldman Sachs (link , link). Por mera coincidência, com certeza.

domingo, novembro 13, 2011

Miguel Relvas e histórias de embalar… ou de empal(e)ar?

"Portugal está a seguir a estratégia que permite à Irlanda já estar a crescer" - Miguel Relvas link

Enfim, a única coisa que assemelha é a composição da “troika” (BCE/EU/FMI). Todo o resto é diferente.
A paulatina recuperação económica que a Irlanda está, neste momento, a viver assenta numa estrutura económica e empresarial que não existe por cá.

Por alguma razão - até ao rebentar da crise (2008) - a Irlanda viveu o momento do tão vitoriado “tigre celta”, com crescimentos anuais da ordem dos 6 a 8%.

Quando é que estes (criativos) governantes deixam de querer comparar realidades diferentes?

Um verdadeiro artista de uma boa escola

sábado, novembro 12, 2011

Igreja dá posse ao Governo grego

Quando o poder vem de Deus o povo fica nas mãos do Diabo

Notícias da família real espanhola

Polícia Nacional e a Agência Tributaria detectaram uma segunda factura de honorários que teria recebido o duque de Palma, Iñaki Urdangarín, pela gestão na organização de um forum sobre turismo e desporto em Palma de Maiorca em 2005, o que eleva para 275.00 euros a quantia presumidamente desviada pelo marido da infanta Cristina através da empresa Aizoon, fundada pelo casal.

Nem sempre as notícias são todas más...

Recordar é preciso...

sexta-feira, novembro 11, 2011

O que se passa no BCP?

Ações do BCP caem 9% para 10 cêntimos

As ações do BCP foram as que mais depreciaram na sessão, ao caírem 9,09% para 0,10 euros, com o banco a acumular perdas anuais de 81,4%. link

Em 2010 circularam rumores sobre a eminente falência desta instituição bancária, prontamente desmentidos e mandados investigar após queixa à PGR. link

O Banco de Portugal, na mesma altura, saiu a terreiro e anunciou que estava a monitorizar a situação do BCP. link


O BCP continua a ser alvo de desconfiança dos mercados, a sua cotação na Bolsa reduzida à “ínfima espécie” e passado mais de um ano o BdP continua entretido a monitorizar (em silêncio).

Os portugueses que vão ter de pagar uma “recapitalização” dos bancos imposta pelos “mercados” e adoptada pela UE, não merecem um esclarecimento do BdP, enquanto entidade de “supervisão prudencial” das instituições bancárias nacionais?

Onde e como este terrífico silêncio pode ser entendido como "prudencial"?