sábado, dezembro 31, 2011

Bom jantar. Feliz 2012

Caros leitores:

Chegados ao fim de 2011 é mister apresentar os votos canónicos de Boas Festas e desejar um Ano Novo feliz.

Claro que o desejo existe mas é preciso demasiada ingenuidade para acreditar na sua transformação em realidade.

Em Portugal os deuses ensandeceram. Com a nossa ajuda, é certo. O desânimo e o desemprego grassam na paróquia e Passos Coelho e os seus ministros desgraçam Portugal.

A RTP está ameaçada de assassinato por um ministro, discípulo daquele general espanhol que, quando ouvia falar de cultura, puxava logo da pistola. A Justiça fenece e os direitos dos trabalhadores encontram-se à mercê de quem ama o patronato e só não mudou ainda a data ao 25 de Abril porque começou a vingança pelo 5 de Outubro.

Dois meses de subsídios serão confiscados aos funcionários públicos e pensionistas enquanto os períodos de trabalho aumentam, as remunerações diminuem, os impostos sobem e o desemprego dispara.

Sobre a Pátria estamos conversados. Valham-nos os versos de O’Neill:

Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo
golpe até ao osso, fome sem entretém
....
meu remorso
meu remorso de todos nós...

Pudéssemos, ao menos, congratular-nos com o que acontece lá fora.

Caros amigos, para não agravar mais a depressão em que a Pátria jaz limito-me a confortar-vos com a promoção do fado a património imaterial da Humanidade enquanto o nosso património material se vende ao desbarato. É o nosso fado.

Bom jantar de passagem de ano. Vale mais um bom jantar do que todos os jejuns.


Um abraço.

31-12-2011

EDUARDO LOURENÇO: um homem incontornável...


Este ano (2011) Eduardo Lourenço foi distinguido com o prémio Pessoa (link). Uma justa homenagem a um português que – do seu “exílio” em França - tem dedicado a sua vida a pensar Portugal.
Embora esta distinção tenha sido – inclusive pelo próprio - conotada com os estudos pessoanos que desenvolveu ao longo da sua vida, julgo que a obra deste filósofo, ensaísta e professor universitário tem um alcance muito mais vasto.

Sublinho a extraordinária profundidade do seu livro – "O Labirinto da Saudade", 1978 – que nos reporta aos traumas identitários do período pós-colonial. E, posteriormente, em 1998, “O Esplendor do Caos”, em que disseca com maestria e seriedade intelectual a histórica geração de 70, precursora dos ventos democráticos que entraram em fase de acalmia, quando não de perversão.
Livros essenciais para refrescar a habitual amnésia deste povo luso nestes difíceis tempos que se avizinham.

Embora avesso a indiciar personagens do ano, julgo que Eduardo Lourenço não deve deixar de figurar entre os notáveis pensadores e ensaísta portugueses que foram capazes de retratar no presente (e durante toda a segunda metade do século XX) o sentimento de ser português. Felizmente, Eduardo Lourenço, continua presente na nossa cultura porque, na verdade, tornou-se essencial, e urgente, saber pensar Portugal perante uma Europa frágil que se afunda no caos.

Cito, em homenagem ao brilhante ensaísta e pensador um pequeno excerto de "O Labirinto da Saudade":
“...Os Portugueses vivem em permanente representação, tão obsessivo é neles o sentimento de fragilidade íntima inconsciente e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo...”


É esta a representação que os actuais poderes públicos tem protagonizado para o País. Fazer "boa figura" à custa do empobrecimento dos portugueses é torturar a esperança e hipotecar o futuro.

Avizinha-se um Novo Ano de luta, de resistência e de sobrevivência. Todos sabemos que não será "Bom"!

Um Bom Ano de 2012



«Um carabineiro com um martelo de madeira dá-me um forte golpe nos dedos mindinhos de ambas as mãos.
«A seguir, com um alicate, começa a arrancar-me as unhas.
«Nesse momento entra o sargento, que lhe tira o alicate para o utilizar a arrancar-me o bigode. Em dada altura, como resultado da grande dor e do desespero, consigo morder-lhe a mão, o que faz com que um carabineiro me dê uma coronhada na cara.
«Perco a consciência e, ao despertar, dou-me conta que sangro muito da cabeça, do nariz, da boca, e que me faltam oito dentes. Tinham-mos arrancado com o alicate ou com golpes. Não sei».

*

«Estava grávida de cinco meses.
«Obrigaram-me a ficar nua e a ter relações sexuais com a promessa de uma pronta libertação.
«Apalparam-me os seios, deram-me choques eléctricos nas costas, na vagina, no ânus.«Arrancaram-me as unhas dos pés e das mãos. Agrediram-me com bastões de plástico e com a coronha de espingardas. Drogaram-me. Simularam fuzilar-me.
«Deitada no chão, com as pernas abertas, introduziram-me ratos e aranhas na vagina e no ânus. Sentia que era mordida e acordava banhada no meu próprio sangue.
«Conduzida a lugares onde era violada vezes sem conta, chegaram a obrigar-me a engolir o sémen dos violadores.
«Enquanto me agrediam na cabeça, no pescoço, na cintura, obrigavam-me a comer excre-mentos».

*

Entre 35.686 testemunhas, estes são apenas dois depoimentos de vítimas de tortura da Junta Militar do Chile durante o regime de Pinochet que voluntariamente se dirigiram à “Comissão Nacional sobre Prisão Política e Tortura”.
Esta comissão foi criada no Chile em 2003 para dar a conhecer em toda a sua extensão, aos chilenos e ao mundo, os horrores praticados pela ditadura militar e pela adopção da tortura e do horror como uma política de Estado no período compreendido entre 1973 e 1990.

*

Um terror absolutamente indescritível foi o rasto deixado ao longo da História pelos Tribunais da Inquisição.

Nem sequer é fácil imaginar as masmorras imundas onde em nome de Deus reinaram durante séculos o ódio e a insensibilidade perante o sofrimento alheio e que mais pareciam «fábricas» com os mais tenebrosos instrumentos que a imaginação humana é capaz de inventar: cadeiras com pregos afiados, ferros incandescentes, pinças, roldanas, pesados blocos de pedra, correntes, garfos enormes, chicotes com pontas de ferro, cordas, machados afiadíssimos, guilhotinas, troncos, máscaras de ferro, forquilhas, garrotes, serrotes, esmagadores de joelhos, de cabeça, de polegares e de seios; cavaletes, e outros utensílios de “trabalho”.

Com a «Roda de Despedaçar» colocava-se o herege de costas sobre uma roda de ferro, sob a qual se colocavam brasas. De seguida, a roda era girada lentamente. A vítima morria depois de longas horas de dor indescritível, com queimaduras do mais alto grau. Não havia pressa para a morte do supliciado. Pelo contrário, havia o cuidado de prolongar ao máximo a sua agonia.

A «Mesa de Evisceração» destinava-se a extrair aos poucos, mecanicamente, as vísceras dos condenados. Após a abertura da região abdominal, as vísceras eram puxadas, uma por uma, por pequenos ganchos presos a uma roldana, girada por um carrasco.

Tentemos por um momento imaginar os rostos pálidos dos torturados.
Muitos imploram para morrer; muitos dizem "peçam-me qualquer coisa e eu farei".
Outros, que passaram para a galeria dos «heróis da fé», enfrentam a dor com resignação. Não passam de cadáveres ambulantes.

Muitos estão na terceira, quarta ou quinta sessão de tortura. Se não resistem, os seus corpos são queimados e as cinzas lançadas algures.

E as suas memórias esquecidas.

Os Inquisidores conhecem bem o limite humano à dor. Quando algum desgraçado, acusado de heresia ou simplesmente de professar a religião errada, chega ao limite do sofrimento, é entregue aos cuidados do médico cirurgião que cuidará de suas feridas e dos ossos quebrados ou deslocados. A alegação é que a tortura não foi concluída, mas suspensa.
Após algumas semanas, são trazidos para novos interrogatórios.
Os que forem condenados à morte na fogueira terão as suas línguas arrancadas para que ninguém ouça as suas últimas "blasfémias", e por elas não fiquem contaminados.

*

Como pode isto acontecer?
Como podem tantos seres humanos, seja em nome de um Deus seja em nome de um líder qualquer, praticar actos desta indescritível barbárie?

*

Stanley Milgram, professor de psicologia social na Universidade de Yale, levou a cabo em 1974 uma experiência com o objectivo de estudar a «Obediência à Autoridade»:

Entre pessoas comuns (operários, estudantes, secretárias, empresários, lojistas, etc.) foram recrutados voluntários a quem foi atribuído o papel de "professores".

Esses “professores” foram instruídos a aplicar choques eléctricos de intensidade crescente (de 15 a 450 Volts) num outro indivíduo (que estava amarrado a uma cadeira com eléctrodos numa sala adjacente), e que era designado "estudante".

Os choques seriam administrados todas as vezes que o "estudante" errava uma resposta a um questionário previamente determinado.

Milgram tinha explicado aos "professores" recrutados que o objecto daquele estudo residia precisamente nos efeitos da punição sobre a memória e sobre aprendizagem.

Como é óbvio, o "professor" não sabia que o "estudante" da pesquisa era afinal um actor, que convincentemente interpretava e manifestava desconforto e dor a cada aumento da potência dos “choques eléctricos” que lhe eram pretensamente infligidos.

O resultado da experiência foi absolutamente perturbador e mais “chocante” que qualquer voltagem aplicada:

- Nada menos do que 65% das pessoas envolvidas – os "professores" – chegaram mesmo, e sem qualquer hesitação, a administrar ao "estudante", sob ordens do cientista (que na experiência representava a “autoridade”) os choques mais potentes, dolorosos (de 450 volts) e claramente identificados como perigosos e... potencialmente mortais!

E todos os "professores" - mas todos eles - administraram pelo menos 300 Volts!
Em muitos casos houve "professores" que a determinada altura da aplicação dos choques eléctricos se preocuparam com o bem-estar do "estudante" e até perguntaram ao cientista quem se responsabilizaria caso algum dano viesse a ocorrer.

Mas quando o cientista os descansou, afiançando-lhes que assumiria toda e qualquer responsabilidade do que acontecesse e os encorajou a continuar, todos os "professores" persistiram na aplicação dos choques com as voltagens mais elevadas, mesmo enquanto ouviam gritos de dor e súplicas dos “estudantes” para que os parassem.

*

Entretanto, foi feita uma experiência laboratorial semelhante, desta vez com macacos-rhesus.

Nessa experiência (sem dúvida absolutamente tenebrosa, diga-se de passagem), os macacos eram colocados em jaulas próprias onde só recebiam alimento se puxassem uma determinada corrente.

Contudo, sempre que puxavam essa corrente era-lhes proporcionada comida, mas simultaneamente era infligido um violento choque eléctrico a outro macaco-rhesus, cujo sofrimento poderiam então observar através de um vidro espelhado.

Passado muito pouco tempo todos os macacos se aperceberam de como tudo funcionava e de que era precisamente o seu gesto de puxar a corrente que, enquanto lhes garantia a comida que pretendiam, era também ao mesmo tempo a causa do sofrimento do outro macaco.

Acontece que logo que faziam essa associação praticamente todos os macacos deixaram de puxar a corrente e preferiam passar fome a fazer sofrer um outro macaco, com quem nem sequer estavam familiarizados e que pertencia até a uma tribo diferente.

Numa ocasião e mesmo ao fim de um longo tempo de fome, os cientistas observaram que, no máximo, somente 13% dos macacos acabavam por puxar a corrente.

Alguns chegaram ao ponto de quase morrer de fome; mas nunca mais puxaram a corrente!

*

É, de facto, perturbadora a comparação entre as duas experiências.

Porque, para já, ela demonstra que as mais básicas noções de ética são conaturais aos indivíduos, mesmo aos animais, ainda que sejam nossos «primos».

Demonstra ainda que essa ética é racional, porquanto decorre de princípios de civilização e de necessidades práticas de convívio social e também de interacção individual.

Demonstra, finalmente, que essa ética, que é racional, prática e civilizacional só cede perante princípios de irracionalidade, sejam de ordem religiosa ou de ordem política e que, quantas vezes mascarados de princípios de ordem “moral”, acabam por ser acatados e aceites por tantas pessoas, que acriticamente lhes passam a obedecer cegamente, pugnando até pela sua imposição aos demais cidadãos.

É esta “obediência”, firmada em primeiro lugar na ausência de uma consciência individual, e que é irracional e cega a qualquer noção de ética e até à mais básica dignidade humana, que leva às barbaridades praticadas pelos Homens.
Seja nas ditaduras latino americanas, na União Soviética, na Alemanha de Hitler, ou noutro país qualquer, até mesmo em Portugal.

Seja em nome de uma ideologia, de uma política ou de uma religião;
Seja em nome de abstrusas concepções de autêntico «relativismo moral» ou da cretinice de considerações como a que afirma que não se deve ser «demasiado racionalista».

E que, todas, acabam por conduzir ao Holocausto ou aos Gulags e ao extermínio de milhões de pessoas.
Que conduzem a uma Inquisição tenebrosa ou a um terrorismo frio e sem rosto que torturam e matam em nome de Deus.

As ditaduras podem ser instituídas por uma “Junta Militar”, por uma religião, ou por um qualquer punhado de indivíduos que assumiram num país uma tal concentração de poderes que lhes permite a prática impune de tudo o que lhes vem à ideia.

Mas isso só é possível – sejamos claros – com a inexplicável complacência e com a injustificável tolerância para com os mais imbecis critérios de irracionalidade, que mais não significam do que uma autêntica cumplicidade de toda a estrutura da sociedade.

De todos nós!

De facto, Stanley Milgram repetiu a sua famosa experiência em mais de uma dezena de outros países, de todos os continentes, sempre com resultados absolutamente idênticos.

Do Chile de Pinochet ao Cambodja de Pol Pot, passando pelo Portugal da Pide e dos Tribunais Plenários, será talvez a “obediência”, a "falta de sentido crítico" e a irracionalidade com que acatam determinações políticas ou religiosas, que explicam por que motivo pessoas comuns, colocadas em determinadas circunstâncias e sob a influência de uma autoridade – política, ideológica ou religiosa – que nem sequer se lembram de questionar (e que antes procuram até impor aos outros), sejam capazes de cometer os crimes mais hediondos.

No entanto, ouve-se dizer de alguém que se quer elogiar que é «uma pessoa de muita fé» ou que ao longo da sua vida sempre foi «coerente com os seus princípios», embora nem sequer cuidemos de saber quais foram tais... «princípios».

Mas a partir de que altura da História da Humanidade é que o prestígio e até o bom senso de uma pessoa passou a ser sinónimo ou a ser proporcional à irracionalidade que lhe é atribuída?

É até irónico que virtudes humanas como a lealdade, a solidariedade, o sacrifício próprio, a disciplina ou o amor ao próximo, e que tanto valorizamos, sejam as mesmas propriedades que também criam pessoas homofóbicas, misóginas, racistas ou xenófobas ou que as transformam em autênticas máquinas destrutivas de ódio, de guerra, de corrupção e morte, e ligam homens e mulheres a princípios, ideologias ou religiões repulsivos e perversos.

Ideologias e princípios, quer políticos quer também religiosos que são, ainda hoje, cega, acrítica e incondicionalmente apoiados e irracionalmente seguidos por tantas e tantas pessoas que da forma mais indigna e abjecta nem a si próprias se respeitam.

É pois a este planeta, habitado pelos humanos, que desejo:

- Um bom ano de 2012!





sexta-feira, dezembro 30, 2011

O bispo crê ter procuração divina

O texto, apresentado pela coligação de esquerda Frente Ampla, atribui à mãe a possibilidade de optar pelo aborto até a 12ª semana de gestação, como sua escolha exclusiva, enquanto para casos especiais como estupros ou doenças graves, não há limite de tempo gestacional.

quinta-feira, dezembro 29, 2011

Portugal e China: a síndrome de Macau…

Macau, na Constituição de 1976 (Artº. 5.º - Território) link, foi caracterizado (definido) como um território (chinês) sob administração portuguesa, regendo-se por um estatuto especial.
O resto da história é conhecida: – Portugal devolve a 19 de Dezembro de 1999 a administração do território à China.
Doze anos após a devolução de Macau à China, somos visitados neste rectângulo ibérico por uma delegação chinesa para celebrar o contrato de compra ao Estado português de 21,35 % das acções da empresa eléctrica portuguesa (EDP), tornando-se, deste modo, o grupo accionista maioritário link.

Mas a “investida” chinesa não fica por aqui. Os chineses – que actuam concertadamente nos investimentos directos no estrangeiro – são também candidatos à privatização da REN. Mais, os chineses anunciaram que só permanecem na corrida à REN se ganhassem a corrida à privatização da EDP… link. Não será difícil para qualquer cidadão constatar que 2 empresas chave no estratégico sector energético nacional, caiem nas mãos dos chineses, no caso vertente, na alçada governamental do Império do Meio. E será despiciendo tecer considerações sobre a importância deste sector energético no séc. XXI…

Todavia, a privatização da EDP mesmo envolvendo alguns milhares de milhões de euros não chega para resolver os problemas (estruturais) de carência de investimento nos sectores económico-financeiros portugueses. Eis que o delegado do governo de Pequim (presidente da empresa compradora “Three Gorges”) e a Câmara de Comércio e Indústria Luso-chinesa anunciam: “os bancos vêm a seguir…link. E, em surdina, adiantam o interesse chinês no BCP e, mais evasivamente, no BES link. Isto é, entram - de rompante - no (debilitado e vulnerável) sector financeiro nacional…

É caso para questionar: doze anos depois do episódio de Macau vamos passar a ser um território (luso) sob administração chinesa?

Intolerância religiosa e banhos de sangue

É difícil perceber a complacência dos países civilizados e democráticos para com o proselitismo cristão e, muito especialmente, islâmico. Se um partido político tivesse inscrito nos seus princípios o apelo à violência e ao assassínio, como preconizam os livros sagrados dos três monoteísmos, os seus dirigentes seriam julgados e condenados.

Sob o pretexto de que a linguagem é metafórica, de que os livros não dizem o que lá está escrito e de que é preciso saber interpretá-los, usa-se uma benevolência que pode conduzir a retrocessos civilizacionais. Ninguém que tenha lido a Tora, a Bíblia ou o Corão pode desculpar a violência própria do espírito tribal da época em que foram escritos e do carácter patriarcal que os informa.

O sionismo não existiria sem as profecias do deus que os homens inventaram na Idade do Bronze, certamente de matriz hebraica, e donde derivaram as religiões monoteístas.

As Cruzadas e a Inquisição não teriam sido possíveis sem a inspiração do Levítico ou do Deuteronómio. A alqaeda não seria tolerada sem a cópia grosseira do cristianismo que dá pelo nome de Islão. A demência islâmica que leva ao suicídio assassino só é possível através da fanatização promovida nas madraças e mesquitas.

Sem repressão política sobre o clero cristão a liberdade religiosa não existiria na Europa nem o Vaticano jamais teria admitido a liberdade religiosa, só permitida no Vaticano II.

Por mais críticas que sejam feitas à ministra francesa da Juventude, Jeannette Bougrab, por ter declarado ao diário “Le Parisien” : “Eu não conheço islamismo moderado [...] Não há sharia light”, a verdade é que faltam argumentos para a contestar.

Na Nigéria trava-se um duelo entre cristãos e islamitas, amostra sangrenta do combate das duas religiões pelo controlo de África. A intolerável carnificina do Natal contra os católicos, no ataque às suas igrejas, revela a natureza fascista e prosélita de que o Islão não consegue libertar-se.

Os países democráticos, com raras e honrosas excepções, evitando melindrar os crentes, permitem que crenças detonadora de guerras sejam poupadas ao escrutínio dos tribunais e à repressão policial.

A liberdade dos homens não pode estar sujeita aos desvarios da fé e ao ódio sectário.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, dezembro 28, 2011

Exercício ilegal de profissão

Não tinha habilitações para o assalto

terça-feira, dezembro 27, 2011

Guiné-Bissau


Um novo “golpe de força”, ou “um golpe de Estado abortado”, decorreu, no passado dia 26, na Guiné-Bissau. link


Sob o pretexto de reivindicações salariais Bissau acordou debaixo de um tiroteio que fustigou o Estado-Maior das Forças Armadas. Na verdade, estas movimentações militares poderão ser o anúncio de uma crise política que começa a desenhar-se em Bissau e que estarão relacionadas com o estado de saúde crítico do presidente Malam Bacai Sanha, neste momento, internado num hospital parisiense (hospital militar Val de Grâce).
Este é, também, mais um (triste) episódio da crónica instabilidade político-militar nesta antiga colónia portuguesa. Recorde-se que o último levantamento militar ocorreu há pouco mais de 1 ano (1 de Abril de 2010).
A Guiné-Bissau tem sido vítima de recorrentes sobressaltos político-militares, praticamente desde a sua independência. Este novo País que – prematuramente e ignobilmente - perdeu o seu líder histórico (Amílcar Cabral) jamais se “encontrou”.

Desde 1974 que, a Guiné-Bissau, não consegue erguer um sistema político sólido, nem de promover um desenvolvimento económico sustentado.

A sua economia continua dependente de 3 vectores: uma agricultura de subsistência, a exportação de castanha de caju (em crise) e o investimento directo estrangeiro.

Hoje, já com algum distanciamento, é possível questionar como estão investimentos do tipo: Sociedade Guineense de Pescas (Semapesca ); Fábrica de leite blufo; Fábrica de compota ( Titina Sila); Fábrica de cervejas (Cicer), Fábrica de automóveis (N’gâe/Citroen); Fábricas de descasque de arroz, Fábrica de sabões, bem como de infraestruturas, p. exº., Companhia Aérea Guineense; Aeroportos Regionais, etc. ?. Bem, tudo perdido, ao abandono!

De facto, o ambiente político e económico é dominado por dispersos interesses tribais (existem cerca de 30 etnias) e as cúpulas dirigentes interessadas em protagonizar projectos de poder e de enriquecimento pessoal. Para isso colocaram chefes militares (da guerra de libertação) em funções públicas (políticas e administrativas). Este “reajustamento” (encabeçado por Nino Vieira em 1980) prosseguiu com a concentração de poderes em restritos círculos político-militares em Bissau e a consolidação no poder de uma “classe dirigente” inadaptada aos desafios políticos e económicos.

O descalabro das políticas económicas ensaiadas enredou o País na corrupção, no narcotráfico e numa extrema dependência da ajuda externa (que tem beneficiado directamente essa mesma “classe dirigente”). Relembremos que dois dos actores mais visíveis no contexto guineense, Nino Vieira (ex-presidente da República) e Assumane Mané (ex-chefe militar), encontraram, no exercício dos seus cargos, a morte (violenta).

Não será, portanto, de estranhar que seja apontado como um dos “cabecilhas” da actual rebelião o contra-almirante Bubo Na Tchuto. Precisamente o homem que é apontado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos como o principal narcotraficante na Guiné-Bissau… link link

segunda-feira, dezembro 26, 2011

Momento Zen de segunda 26_12_2011


João César das Neves (JCN), entendido em coisas da fé e conhecedor do Paraíso ensina na habitual homilia do DN, «O burro do Presépio», que no céu também há cavalariças, deixando perplexos os ateus que não acreditam na existência do Céu e que o julgavam uma invenção exclusiva para almas pias. Um ateu não acreditaria que JCN tivesse lá reservada a uma estrebaria, se não fosse ele próprio a confessá-lo no DN.

Afinal o Céu é um conglomerado de condomínios. Segundo JCN, nos palácios do Céu moram os grandes apóstolos, os mártires heróicos, pastores atentos, doutores sublimes, virgens puras, santos incomparáveis. Para ele está reservada uma cocheira o que, para si, é um privilégio porque – segundo afirma – lá até as cocheiras são maravilhosas.

Algumas expressões pias, como «virgens puras», parecem redundantes aos ímpios, mas o que mais admira é que o Paraíso, com tantas estrebarias, seja uma reserva de solípedes porque, segundo o exegeta das coisas celestes, no Céu os currais são Presépio.

JCN adverte os leitores de que no Céu não entra qualquer asno, entram apenas aqueles que carregam aquilo que tiver de ser, sem discutir, sem escolher, sem resmungar, sem pedir descanso, contentando-se com a ração, enfim, asnos subservientes e acéfalos.

No fundo parece que as cocheiras são exclusivas dos crentes que imitem o burro do Presépio e transportem uma mulher grávida que tenha dentro de si o Salvador. Apesar de não faltarem burros na Terra, é de crer que escasseiem virgens grávidas que possam ser transportadas por asnos ansiosos de uma estrebaria no Paraíso.

O Céu pode ter lugares para muitos burros mas é de crer que, com excepção da reserva para JCN, as estrebarias continuarão vazias e deus terá de contentar-se com os grandes apóstolos, os mártires heróicos, pastores atentos, doutores sublimes, virgens puras, e santos incomparáveis. Talvez por isso, à falta de solípedes, o Papa se atarefe na criação de santos e beatos para fazerem companhia ao patrão.

E, quanto a JCN, arrisca-se a não ter com quem relinchar nem com quem trocar amáveis coices na eternidade que a religião dele reserva à fauna da sua santa Igreja. 

Mensagem natalícia de PPC e/ou o labirinto da demagogia…

Pedro Passos Coelho, na qualidade de 1º. Ministro, dirigiu, ontem, uma mensagem ao País link.

Foi mais uma comunicação em que não conseguiu ultrapassar o habitual chorrilho de intenções à volta daquilo a que este Governo aparece colado como uma lapa e que pretende “vender” ao País: um conjunto nebuloso de “reformas estruturais”.
As ditas “reformas” são, de facto, a tentativa de imposição de um modelo político e económico que não é capaz – por pouca seriedade política - de precisar. Não precisamos de fazer grandes esforços para descortinar intenções. Basta olhar para trás e avaliar aquilo que está subjacente a um conjunto de “promessas” enunciadas no período pré-eleitoral e desenvolvidas na campanha eleitoral link e o verificável nestes primeiros 6 meses de governação.

De facto, o arranque das tais “reformas estruturais” que o Governo ciosamente guarda no seu bornal ideológico traduzem-se num violento ataque ao mundo laboral e às prestações sociais que vão desde o corte de subsídios (deficit), à facilitação dos despedimentos (indemnizações), ao aumento da carga horária (produtividade), à consagração da precariedade no emprego (competitividade), à desvalorização das remunerações auferidas pelos trabalhadores (congelamento de salários), etc.
Aliás, o carácter vago e impreciso que impregna este pré-anúncio de “reformas” é, para quem tinha o propósito de transmitir confiança, o pior veículo. As reformas (caso se tratem de verdadeiras reformas) são sempre uma fonte de instabilidade política e social para qualquer sociedade (e a portuguesa não foge a esta regra). Qualquer avisado cidadão reconhecerá nestas “reformas” um adorno às duras medidas de austeridade (já em vigor) visando, em última análise, institucionalizá-las, i. e., despi-las do carácter precário com que foram anunciadas.

Mas o grande engano poderá, no entanto, ser outro. Neste momento, o actual Governo não tem “vida” (política) própria, nem manifesta qualquer interesse em conquistá-la. Sente-se obrigado a importar soluções ditadas pela hegemonia “popular” de uma Europa a várias velocidades económicas mas “uniforme” no projecto político. Um projecto neo-liberal por mais que os comentadores orgânicos esconjurem esta concepção em termos formais. Realmente, o curso dos acontecimentos tenta preservar a hipótese de regulação e o afrontamento dos mercados movido por uma irracional crença de que a sua (livre!) expansão trará miraculosamente o desenvolvimento e o crescimento, propõe o desmantelamento do Estado social em nome de uma sustentabilidade torpedeada nos seus fundamentos, pretende justificar a atitude conformista perante o galopante desemprego travestindo-o de inevitável (um sacrifício necessário!). Deixa de fora qualquer tipo de regulação do mundo financeiro, que todos sabemos estar na génese da actual crise, em nome da estabilidade.
Ao fim e ao cabo chavões: austeridade, estabilidade, deficit, dívida e toda uma política cozinhada com roupagens pseudo-reformistas. Na verdade, o anunciado foi o enfraquecimento dos fundamentos democráticos da sociedade portuguesa, cujo património não sairá incólume desta deriva. Caminhamos – em Portugal - para uma democracia atrófica, esbatida e agonizante, em que o poder real está sedeado no exterior e a “receita” vendida cá dentro como sendo fruto de sucessivas delegações de representatividade e de responsabilidades (Parlamento Europeu, Comissão Europeia, Conselho Europeu, BCE, etc.) está fora de qualquer controlo dos cidadãos (europeus). Esta é a mãe de todas as reformas neo-liberais.

Passos Coelho, ontem, representou mais uma vez o papel de vendedor de um projecto europeu, “popular” (do PPE), que vem sendo imposto paulatinamente e denodadamente a toda a UE, pelo eixo franco-germânico. Quando repararmos no logro será muito difícil reverter a situação, circunstância que, actualmente, se pretende bloquear com a introdução na Lei Fundamental das famigeradas “regras de ouro”…

Entretanto, estamos condenados a ouvir o 1º. Ministro debitar múltiplas jactâncias e arrogâncias, e dentro delas, retira da cartola de ilusionista que, no próximo ano, vai alterar o paradigma económico nacional, “democratizando-o”. Como se isso fosse uma tarefa administrativa e burocrática, dispensando toda e qualquer participação e a mobilização popular. Na verdade, o que anunciou foi que, em 2012 (e anos seguintes), teremos um País entregue “à bicharada”, ao incompreensível empobrecimento que, ontem, tentou demagogicamente, dourar, anunciando “amanhãs” gloriosos.

Ao terminar a sua mensagem não conseguiu afastar-se dos lugares comuns e lá soltou um Feliz Ano Novo. A hipocrisia no seu esplendor!

sábado, dezembro 24, 2011

Espanha: primeiro acto…

Governo espanhol confirma mudanças na lei do abortopara preservar a vida”. link

Um dos primeiros anúncios do novo Governo espanhol - dirigido por Mariano Rajoy – diz respeito à alteração (revogação?) da lei do aborto actualmente em vigor.
Trata-se de um governo diligente e empenhado em pagar dívidas. E a prioridade será saldar a tem para com a conferência episcopal espanhola que se mostrou tão pródiga em apoiar o PP no recente acto eleitoral.
Significativa a pressão que este Governo começou a ser sujeito desde o 1º. dia. Ainda mal o Executivo se tinham sentado nas cadeiras do poder, em Moncloa, já tinha à perna (e à porta) a organização católica HazteOir (um ciberlobby) a reivindicar a “abolição do aborto”. link
O cardeal Rouco Varela poderá - no fim da sua carreira eclesiástica - preservar o seu descanso. Não precisará de sair amiudadas vezes para a rua a protestar contra medidas governamentais, contra os socialistas, contra Zapatero. Daqui para a frente poderá dedicar-se, em tempo completo, às rezas. Tem quem zele pelos seus interesses…

Rajoy parece decidido a assumir o medievo papel de inquisidor-mor. Foi eleito pelos espanhóis. Resta-lhe, agora, acrescentar o título de: "por la gracia de dios"...

A Mitologia do Natal



Estando noiva de José, e antes ainda de com ele ter coabitado, Maria apareceu grávida por acção do Espírito Santo.

Quando José se preparava para a repudiar, apareceu-lhe em sonhos um "anjo do Senhor" que lhe ordenou que recebesse Maria em sua casa e que aceitasse o filho que ela carregava como obra do Espírito Santo.
Quando a criança nasceu, e tal como o anjo lhe havia ordenado, pôs-lhe o nome de Jesus.

Todas as culturas antigas, sem excepção, tinham um horror profundo e visceral à esterilidade. O que é absolutamente compreensível, face à óbvia conexão entre a própria sobrevivência da tribo ou de uma determinada sociedade e o seu fortalecimento face aos povos vizinhos e rivais, por exemplo, em disputas territoriais.
Não é, por isso, de estranhar que desde a sua origem todos os cultos religiosos revelem nas suas mitologias e iconografias não só esse temor, como muito principalmente uma óbvia preocupação pela fecundidade.

De tal forma que nas mais remotas manifestações de religiosidade o lugar de Deus foi ocupado por uma mulher.
Só muito mais tarde a mulher foi relegada para um papel de mãe, esposa ou amante do Deus, sempre com a responsabilidade da renovação e da reprodução, mas também obviamente virgem, como convém a toda a terra que vai receber uma nova semente e de quem se espera a máxima fecundidade.

Por isso, também, só de uma divindade é possível esperar o dom da fecundidade, principalmente quando se trata de uma mulher estéril que acaba por dar à luz, um milagre que obviamente só está ao alcance de Deus.
Ao mesmo tempo, constitui prova inequívoca da proximidade de um homem a Deus o facto de ter nascido do milagre da concepção de uma mulher virgem.

Assim, vemos que essa associação entre uma concepção milagrosa e a deificação do filho nascido de um fenómeno que só está ao alcance de Deus (sempre após uma história mais ou menos fantasiosa de uma «anunciação» feita por um anjo ou qualquer outra entidade celestial, seja ao vivo ou em sonhos), é afinal perfeitamente vulgar e recorrente em todos os cultos religiosos da antiguidade e, curiosamente, nas mais distantes regiões do planeta.

Aparecem então como filhos de mães virgens tanto deuses como grandes personagens, como os imperadores Chin-Nung, da China, ou Sotoktais do Japão, ou como os deuses Stanta, na Irlanda, Quetzalcoatl do México, Vixnu da Índia, Apolónio de Tiana da Grécia, Zaratustra da Pérsia, Thot do Egipto, ou como Buda, Krishna, Confúcio, Lao Tsé, etc., etc.
O mito vai mesmo ao ponto de Gengis Cã ter um belo dia determinado que também ele era filho de uma mulher virgem, para se deificar aos olhos do seu povo e dos povos que ia conquistando, e para se fazer obedecer e respeitar cegamente como um Deus pelas suas tropas.

Entre os mais famosos homens filhos de mulheres virgens está, como é sabido, Jesus Cristo.
É também muito curiosa a mitologia comum relacionada com o nascimento destas personagens deificadas pelo seu nascimento de mulheres virgens, como sejam a existência de estrelas ou sinais celestes que os anunciam ou comemoram: uma milagrosa luz celeste anunciou a concepção de Buda, um meteoro o nascimento de Krishna, uma estrela o nascimento de Hórus e uma «estrela no Oriente» o nascimento de Jesus Cristo, embora somente o evangelho de Mateus se lhe refira, sendo pacificamente aceite que não mais do que para corporizar ou fazer concretizar (quase um século depois da morte de Jesus Cristo) profecias messiânicas do Antigo Testamento.

Ao mesmo tempo, é também absolutamente natural que faça parte dos cultos de fecundidade a adoração de deuses relacionados com o ciclo solar e com a renovação anual das estações do ano e, com estas, as colheitas ou a produção de gado, com especial incidência e manifestação em festas, mitos, cerimónias e ritos religiosos comemorativos, realizados normalmente nos Solstícios, preferencialmente no Solstício de Inverno.

A corporização mais comum destes Deuses de renovação e de fecundidade é feita em relação ao Sol, símbolo perfeito da sucessão regular e infalível dos dias e das estações do ano, quer seja adorado como um Deus em si, e em praticamente todas as civilizações conhecidas, das Américas Central e do Sul, ao Egipto, passando pela Suméria ou Mesopotâmia, quer também através de outros deuses «solares», como o Deus-faraó egípcio Amenófis IV, que reinstalou o culto de Áton (Sol) e mudou mesmo o seu nome para Aquenáton, ou como Deuses que resultam da antropomorfização do Sol, como os Deuses Hórus, Mazda, Mitra, Adónis, Dionísio, Krishna, etc.

Destes Deuses, um merece especial referência: Mitra.
Mitra é um dos principais deuses iranianos (anteriores a Zaratustra), simbolizado com uma cabeça de Leão (representação típica dos deuses solares) e conhecem-se manifestações do seu culto já com mais de mil anos antes do nascimento de Cristo.
Mais tarde os romanos adoptaram o seu culto e incluíram-no mesmo no seu panteão.

Enquanto divindade, as funções de Mitra eram carregar com a iniquidade e os males da Humanidade e expiar os pecados dos homens.
Mitra era também visto como meio de distinção entre o bem (Ormuzd) e o mal (Ahriman), como fonte de luz e sabedoria e estava ainda encarregue de manter a harmonia no mundo e de proteger todos os homens.
A mitologia do Deus Mitra tinha-o como um «enviado», ou um Messias, que voltaria ao mundo para julgar toda a humanidade.

Sem ser o Sol propriamente dito, Mitra era tido como seu representante, sendo invocado como o próprio Sol nas cerimónias do seu culto, onde era tido como espiritualmente presente no interior de uma custódia, por isso colocada em lugar de especial destaque.
Todos os Deuses solares depois de expiarem os pecados dos homens acabam por morrer de morte violenta, acabando depois por ressuscitar ao fim de três dias e de ascender aos Céus ou ao Paraíso.

Hórus morre em luta com o mal, corporizado no seu irmão Seth (identificado com Satanás), que o coloca num túmulo escavado numa rocha, ressuscitando ao fim de três dias para subir ao Paraíso.
O Deus hindu Xiva sacrifica-se pela humanidade, e morre ao ingerir uma bebida corrosiva que causaria a destruição e a morte de todo o mundo, acabando também por ressuscitar ao fim de três dias.
O Deus Baco foi também assassinado, tendo ressuscitado três dias depois, através dos seus pedaços recolhidos por sua mãe.
O mesmo acontecia aos Deuses Ausónio, Adónis ou Átis, que morriam para salvar os homens ou expiar os seus pecados e acabavam por ressuscitar ao fim de três dias.
E todos eles a 25 de Dezembro.

Uma vez mais, um dos mais famosos «ressuscitados» é Jesus Cristo, embora este tenha ressuscitado em metade do tempo dos restantes Deuses, talvez somente um dia e meio depois, embora a sua mitologia continue a mencionar os três dias.
Ou seja: a figura de Jesus Cristo, e toda a religião e mitologia cristã, foram construídos com base num modelo pagão dos deuses solares que então se conheciam.

A própria escolha da data de 25 de Dezembro para comemoração do nascimento de Jesus Cristo é disso um inequívoco exemplo.
Aliás, esse dia 25 de Dezembro (o dia das festividades dos Deuses Mitra, Baal e Baco) só foi adoptado pela Igreja Católica já no século IV, por decisão do Papa Libério, com o óbvio objectivo de “cristianizar” os cultos solares, então ainda muito populares e difundidos e de os fazer confundir e “absorver” pelos próprios ritos cristãos, dada até a proximidade com a data do Solstício de Inverno – data da “morte” do Sol no horizonte – e a data em que o Sol “ressuscita” e se eleva novamente horizonte três dias depois, exactamente no dia 25 de Dezembro.

Merece especial referência o facto de todos esses Deuses solares serem representados fisicamente com a cabeça rodeada de um disco ou uma auréola amarela, como ainda hoje acontece com os Deuses e até com os santos católicos.
Aliás os próprios imperadores romanos que governaram no auge do culto destes deuses solares faziam-se representar devidamente aureolados, por exemplo nas moedas que mandavam cunhar.
O imperador Constantino, a quem se deve a criação da Igreja Católica Apostólica Romana (e que nunca se converteu ao cristianismo, antes o tendo adoptado como religião oficial do império, sem nunca proibir as restantes, para melhor o unificar), mandava realizar regularmente sacrifícios em honra do Sol e as moedas que mandou cunhar continham a inscrição «Soli Invicto Comiti, Augusti Nostri».

Não obstante a oficialização do cristianismo no seu império, Constantino manteve a obrigatoriedade de as suas tropas rezarem e prestarem culto ao Deus Sol todos os Domingos, isto é, «O Dia do Sol».
Também neste dia do Sol se pode ver a óbvia influência destes cultos na formação dos ritos católicos, com a mudança do «Sétimo Dia» ou «Dia do Senhor» bíblico do Sábado para o Domingo, uma vez mais com o objectivo de fazer “absorver” as festividades e os ritos solares, nem que para isso se tenha tido de “aldrabar” a própria redacção de um dos mandamentos trazidos por Moisés do cimo da montanha.

Como se não bastasse a óbvia coincidência ritualística dos cultos solares com os cultos cristãos, como a morte violenta e ressurreição três dias depois, da presença física do Deus na custódia, no nascimento de uma mulher virgem, do «Dia do Senhor» como «Dia do Sol» (Sunday, em inglês), da auréola solar a coroar as divindades, da designação e da forma radiada do chapéu dos bispos católicos, ou «mitra», é precisamente com este Deus Mitra que se dá o mais curioso aproveitamento dos ritos e cultos solares por parte da Igreja Católica.

De facto, segundo a sua mitologia, muito popular por volta de 1.000 a.C., Mitra nasceu de uma virgem; nasceu no dia 25 de Dezembro; nasceu numa cova ou numa gruta; foi adorado por pastores; foi adorado por três magos ou sábios 12 dias depois do seu nascimento, a 6 de Janeiro, que interpretaram o aparecimento de uma estrela no céu como anúncio do seu nascimento, pregou incansavelmente entre os homens a sua mensagem de bem por oposição ao mal; fez milagres para gáudio dos que o seguiam; foi perseguido; foi morto; ressuscitou ao terceiro dia; o rito central do seu culto passava pela distribuição de pão e vinho entre os iniciados presentes, numa forma de eucaristia de composição e fórmula em tudo idênticas à que a Igreja Católica viria a adoptar.

Já na mitologia de Hórus, que teve o seu auge cerca de 2.000 aC., se passa exactamente mesma coisa. Hórus é filho de Osiris e de Isis, a sua mãe virgem que engravidou de um espírito com a forma de um falcão, com a curiosidade ainda de ter um pai terreno com a profissão de carpinteiro.
Também foi traído, torturado e morto, ressuscitando ao terceiro dia, o mesmo dia 25 de Dezembro.

Em suma:
Independentemente da bebedeira consumista que se apodera das pessoas, o que actualmente se comemora como o nascimento de Deus, na forma de «Deus Filho», ou de «Menino Jesus» (como se sabe, um dos deuses da Mitologia cristã), não é mais do que a apropriação de um culto pagão, de um «Deus Solar», como tantos houve durante a História dos Homens.

Para um católico, dir-me-ão, este aproveitamento ritualístico será irrelevante, na medida em que o seu significado mítico ou simbólico, qualquer que seja a forma ou a data em que se realiza, continuará sempre a ser (actualmente) o nascimento de Jesus Cristo, como referi um dos (muitos) deuses da mitologia cristã.


É certo.
Mas é também certo que esta apropriação existiu de facto, e o seu significado como fenómeno antropológico não pode ser ignorado.
Como também não pode ser ignorado, ainda assim, o manifesto significado simbólico, mítico e até místico dessa mesma apropriação.

Até por que uma coisa mais terá de ser realçada, essa sim, talvez a que contenha uma maior valoração simbólica deste aproveitamento e apropriação ritualísticos:
- É que, como não podia deixar de ser, toda esta transformação e apropriação foram feitas sob a égide de um Papa, mais exactamente do Papa Libério (352-366) e sob a força legislativa e fortemente repressiva do Imperador Constâncio II que, com mão de ferro e com uma ferocidade inaudita e que ficou na História, as impôs pela força das armas.

E assim, uma vez mais, vemos que também o ritualismo desta nova mitologia cristã, mesmo esta que se refere ao próprio nascimento do seu Deus, deste «Menino Jesus» deitado nas palhinhas, uma vez mais teve de ser impiedosamente imposta aos Homens pela força.

Obviamente depois do conveniente e costumeiro... banho de sangue...

Oscar Mascarenhas - Homem incorruptível no lugar certo



O jornalista, que já recebeu o parecer favorável do Conselho de Redacção do jornal, esteve hoje reunido com os jornalistas do DN a quem apresentou as suas ideias para as funções, adiantou a mesma fonte.

Mordedura de cão cura-se com pêlo do mesmo”…

O governo de Mariano Rajoy integra um ministro (Economía y Competitividad ) sobre o qual se depositam “grandes” esperanças: Luis de Guindos. link

O novo ministro foi, de 2002 a 2004, Secretário de Estado da Economia (Governo de Aznar). Com a cessação de funções (posse do Governo de J L Zapatero) transita directamente para o comité mundial do banco de investimento norte-americano Lehman Brothers tendo desempenhado a presidência executiva desta instituição para Espanha e Portugal link, cargo que manteve até à sua falência (um dos marcos detonadores da actual crise financeira).

Assim vivem “los nuestros hermanos”… sob a batuta da Direita!

sexta-feira, dezembro 23, 2011

“Dobras”…

“Todo o ano, muito difícil, que vamos enfrentar será o nosso passaporte para vencermos as dificuldades em que estamos e a partir de 2013 todos estaremos mais confiantes de que Portugal terá dobrado o cabo das tormentas” .
Declarações de Pedro Passos Coelho à RTP. link

O 1º. Ministro aproxima-se das profecias do seu inefável ministro Álvaro link.
Passo Coelho aparece, mais uma vez, obcecado pelas “tormentas”. Desde o “dobrar” do cabo Bojador (“cabo do medo”) ao das Tormentas, os portugueses, demoraram 53 anos.
No presente, PPC “” precisou de 6 meses para conseguir que “dobrássemos” a espinha em questões de soberania.
Ainda não teve a ousadia de chamar a este roteiro (de "dobragens") o da… “Boa Esperança”.

Entretanto, os portugueses vão “dobrando a mola”…

Falecimento de mais um militar de Abril.

É com enorme pesar que vos comunicamos o falecimento do nosso sócio Eurico de Deus Corvacho (coronel).

Eurico Corvacho foi um  dos principais militares de Abril, no Norte do Pais, desempenhando papel fundamental, na acção do Movimento dos Capitães e do Movimento das Forças Armadas, na região do Porto.

Na sequência do 25 de Abril seria nomeado pelo MFA Chefe do Estado Maior da Região Militar do Norte, região que viria a comandar entre Março e Setembro de 1975, integrando o Conselho da Revolução até esta data.

Passado á reserva após  25 de Novembro de 1975, dedicar-se-ia a actividades comerciais e de cooperação com Angola.

A A25A, que perde um dos seus sócios fundadores, apresenta à familia de Eurico Corvacho as mais sentidas e solidárias condolências.

Cordiais saudações
Vasco Lourenço


PS. Informa-se que o corpo de Eurico Corvacho estará na Basílica da Estrela a partir das 17H30 de hoje.
Amanhã, será rezada missa de corpo presente às 12H00, após o que o funeral seguirá para o cemitério do Alto de S. João (prevista a saída às 13H00), sendo efectuada a cremação às 14H00.

Nota: Esta comunicação de Vasco Lourenço é de ontem, pelo que, onde se lê amanhã, deve ler-se hoje.

Eu também concordo...


Já que colocam fotos de gente morta nos maços de cigarros, por que não colocar também:


 - de gente obesa em pacotes de batata frita?
 - de animais torturados nos cosméticos?
 - de acidentes de trânsito nas garrafas e latas de bebidas  alcoólicas?
 - de gente sem tecto nas contas de água e luz? 
 - de políticos corruptos nas guias de cobrança de impostos?


 FANTÁSTICA IDEIA!!!


    Tu sabes que é um mito…




    quinta-feira, dezembro 22, 2011

    ENVIE AOS SEUS AMIGOS... AJUDE À RECUPERAÇÃO DO PAÍS!

    Um piedoso embaixador no Vaticano

    Embora estranhando a presença de duas embaixadas em Roma, em época de contenção de despesas, não me pronunciei sobre a decisão do Governo português de manter uma embaixada acreditada junto do Estado de Itália e outra, a poucas centenas de metros, junto do Estado do Vaticano.

    O que não compreendo é a participação do embaixador português na missa pela América Latina, a que Bento XVI presidiu no Vaticano, no passado dia 12 do corrente mês, reunindo responsáveis eclesiais e governamentais da região.

    A presença do embaixador Manuel Tomás Fernandes Pereira na referida missa foi, aliás, noticiada como sendo em representação de Portugal, um país constitucionalmente laico, onde a liberdade religiosa é uma exigência democrática pouco consentânea com participações em cerimónias litúrgicas de uma religião particular.

    A participação do Sr. Embaixador em missas do Vaticano, não fazendo parte das suas funções, é um mero acto particular de um devoto que abusou, nas suas genuflexões, do nome do país que representa ou, o que seria inaceitável, cumpriu instruções do Governo.

    Portugal é um Estado laico, não um protectorado do Vaticano. Por isso, ateus, cépticos, agnósticos, crentes de outras religiões e, quiçá, até católicos, rejeitam a genuflexão em nome de Portugal, uma vassalagem que fere a consciência de muitos portugueses que o Sr. Embaixador tem a obrigação de representar.

    Obrigando a Constituição da República Portuguesa à separação do Estado e das Igrejas, a presença na missa não podia ter sido em nome do Estado Português mas seria curioso conhecer o pensamento do Sr. Ministro da tutela, o tal que enviou um barco de guerra, quando ministro da Defesa, a proteger as costas portuguesas do eventual ataque de um barco municiado com pílulas abortivas.

    Somos um país rico. Temos uma embaixada para negociar favores celestes.

    Ponte Europa / Sorumbático

    quarta-feira, dezembro 21, 2011

    Nenhum governo faria pior



    DN, hoje

    Conto de Natal



    Um belo dia apareceu num jornal o seguinte anúncio:

    «ALUGO CASA, MAS SÓ A CRISTÃOS»

    No dia seguinte, apareceu um interessado.
    O dono da casa, muito mal educado, atende-o:
    - O que é que o senhor quer?
    - Eu quero alugar uma casa!
    - Pronto, está bem! E como é que se chama?
    - David.
    - David quê?
    - David Elias!
    - Nã, nã, nã! Eu não alugo a minha casa a judeus! Só a cristãos!
    - Tudo bem, eu sou judeu, mas também sou cristão...
    - Que é isso, homem? Pensa que eu sou parvo? Não há judeus cristãos!
    - Mas eu garanto-lhe! Sou judeu e sou cristão!

    Perante a insistência, o dono da casa diz:
    - Ah, é? Então vou fazer-lhe um teste. Vamos lá a ver se você é mesmo cristão: o que é que há dentro de uma Igreja Católica ?
    - A sacristia.
    - E que mais ?
    - Há o crucifixo, o sacrário, o altar, o confessionário...
    - Muito bem... então diga lá de quem é Jesus, filho?
    - De José.
    - E de quem mais?
    - Da Virgem Maria...
    - E onde nasceu Jesus?
    - Em Belém!
    - Eu sei que foi em Belém! Eu quero saber é o local... a casa.
    - Não era uma casa, era uma gruta e ele nasceu numa manjedoura.
    - Certo. Até aqui tudo bem. Mas então diga-me lá: e porque é que Jesus nasceu numa gruta e numa manjedoura ?
    - Porque já naquela época existiam filhos da puta como você que não alugam casas a judeus!

    Analgesia prolongada

    terça-feira, dezembro 20, 2011

    Tragédia na Coreia do Norte

    1 morto.

    Não diz o mesmo dos padres

    Bento XVI recebeu hoje no Vaticano algumas dezenas de crianças e adolescentes da Ação Católica Italiana, pedindo-lhes que respondam com “generosidade” ao chamamento de Deus.

    “[O Senhor] nunca vos desiludirá”, disse o Papa, neste tradicional encontro para troca de votos de boas festas natalícias.

    segunda-feira, dezembro 19, 2011

    A ponta do iceberg?

    Difícil de aceitar (digerir) o conteúdo do comunicado da administração da CP. link


    Duas opções:

    - Ou a situação é catastrófica e a derrocada financeira começou por uma empresa pública?

    - Ou, trata-se de uma retaliação (chantagem) da administração sobre os trabalhadores desta empresa que – imaginem – reivindicam o direito à greve.

    Nenhuma destas opções é compreensível para os portugueses.



    Será que ministro Álvaro vai explicar (em PowerPoint!) este pré-anúncio de ruptura financeira no sector público empresarial?

    Ou, Passos Coelho virá a público reafirmar que respeita o “direito à greve” como se gozasse da liberdade de – enquanto 1º. Ministro – produzir outro tipo de afirmação?

    Finalmente, este comunicado será um sinal dos “impagáveis” gestores públicos para os “mercados” no intuito de desvalorizar a sua futura, e há muito anunciada, privatização?

    Negócios pios


    Ela se chama Weltbild, é o segundo maior grupo editorial do país e foi comprada pelo Vaticano há mais de 30 anos – mas somente na semana passada a Igreja, conforme diz, deu-se conta de que a editora persistia em sua heresia porno.

    domingo, dezembro 18, 2011

    Abraão do caraças ! (Humor)


    Abraão levou o filho para o deserto.... amarrou-o a uma árvore e acendeu uma fogueira debaixo dos seus pés.


    De repente, uma voz diz:
    - Abraão, Abraão, que é isso ????
    - Senhor, Senhor eu estou sacrificando o meu filho, conforme a Vossa ordem!!!!
    - Não, Abraão, eu só queria medir a tua fé !!
    - Mas Senhor....!!!!
    - Abraão, solta o menino !!!!!
    Abraão soltou o filho. O menino saiu disparado...correu, correu, correu, e
    Abraão gritava:
    - Filho volte, filho volte, o Senhor libertou-te !!!!
    O menino parou, longe, e gritou:
    - Libertou o caraças !!! Se eu não fosse ventríloquo, estava bem lixado !!!

    O que é a necessidade ?

    Duas fotos para reflectir

    sábado, dezembro 17, 2011

    Cesária Évora

    Morreu Cesária Évora, uma grandiosa artista cabo-verdiana e a genial intérprete de “Sodade”.


    Perante esta enorme perda que não é indiferente à concepção criadora de um espaço lusófono alargado, enquanto facilitador do diálogo intercultural entre comunidades dispersas por todo o Mundo, é reconfortante - perante este sentimento de perda -recordar o conteúdo nostálgico, dolente e crioulo desta canção que a tornou conhecida do Mundo (e, obviamente, dos portugueses):



    Sodade

    Quem mostra' bo
    Ess caminho longe?
    Quem mostra' bo
    Ess caminho longe?
    Ess caminho
    Pa São Tomé

    Sodade sodade
    Sodade
    Dess nha terra Sao Nicolau

    Si bô 'screvê' me
    'M ta 'screvê be
    Si bô 'squecê me
    'M ta 'squecê be
    Até dia
    Qui bô voltà

    Sodade sodade
    Sodade
    Dess nha terra Sao Nicolau

    (Cesária Évora)

    Os crimes de sempre que só agora se revelam


    A Conferência Episcopal da Holanda manifestou hoje “dor e vergonha” diante dos resultados de uma investigação que fala em milhares de crianças vítimas de abusos sexuais em instituições católicas, no país, entre 1945 e 2010.


    Num comunicado citado pela Rádio Vaticano, os bispos holandeses e os representantes das congregações religiosas reconhecem a culpa dos autores destes atos, mas também das autoridades eclesiais que não agiram no “interesse prioritário” das vítimas, às quais apresentam um pedido de desculpas, que estendem às famílias.

    sexta-feira, dezembro 16, 2011

    Mensagem do presidente da AAP aos sócios


    A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) manifesta o seu mais profundo pesar pela morte de Christopher Hitchens, ocorrida ontem no “M. D. Anderson Cancer Center” em Houston.
    Com o seu desaparecimento, aos 62 anos, ficam de luto todos os ateus, cépticos e livres-pensadores para quem este intelectual constitui uma referência relevante.
    Dezenas de sócios da AAP tivemos o privilégio de assistir à notável conferência que Hitchens proferiu em 18 de Fevereiro de 2010, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa. Lá esteve o livre-pensador, um dos maiores intelectuais do nosso tempo, a demonstrar a um imenso e interessado auditório a falsidade e os malefícios das crenças.
    Um dos seus numerosos livros foi traduzido para português com o título «deus não é grande», uma obra essencial para se perceber «como as religiões envenenam tudo», mas o seu autor foi grande na coragem, na inteligência e no empenhamento com que combateu a superstição e desmascarou as mentiras das religiões.
    Com Sam Harris, Richard Dawkins e Daniel Dennett, Christopher Hitchens foi um dos quatro grandes pedagogos contemporâneos que deram ao ateísmo a visibilidade que merece e que transmitiram os valores humanistas que nos libertam do totalitarismo a que as religiões condenam a humanidade.
    A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) manifesta enorme apreço e grade consideração pelo ateu desaparecido – o insubstituível Christopher Hitchens.
    Penso poder dizer, em nome das centenas de ateus desta Associação, que todos estamos de luto e que todos saberemos honrar a sua memória e o seu exemplo.

    A evolução das espécies. Humor

    "Guerras púnicas" no Parlamento...

    "É em pleno debate parlamentar que se faz a negociação entre Governo e PS sobre inclusão de um limite ao défice e dívida na legislação. Depois de Seguro rejeitar a revisão constitucional, Passos deu mais abertura para uma lei reforçada." link


    O líder do PS acabou por "pregar um susto" ao Governo. Ao questionar a legitimidade de Passos Coelho para subscrever o acordo da última cimeira de Bruxelas relativo à inscrição do limite ao deficit e do endividamento público na Constituição da República, mais ao afirmar categoricamente que o PS não aceita tal solução, AJ Seguro estreitou drasticamente a margem de manobra da actual coligação governamental.

    A solução da "lei reforçada" é uma habilidosa forma de contornar a indisponibilidade do PS para proceder a uma revisão constitucional. Só que o "reforço" dessa lei (entendido como tributário de uma maioria qualificada de 2/3) poderá tropeçar com a obrigatoriedade de rever a Constituição (p. exº: a Lei de enquadramento orçamental). É uma espécie de pescadinha com o rabo na boca...

    Por outro lado, Passos Coelho, ao trazer para a ribalta política (Parlamento) questões ainda não discutidas (nem ao que parece negociadas) "empurrou" o PS para inflexibilizar posições. Não poderá queixar-se. O que se está a suceder aproxima-se muito do que o actual 1º. ministro fez ao XVIII Governo Constitucional a propósito do PEC IV...

    Passos Coelho, já regressou há alguns dias da controversa (e punitiva) Cimeira Europeia. Dada a dimensão e o "peso" dos compromissos assumidos (a confusão que PPC estabeleceu entre representatividade e capacidade de vinculação é um fait divers) já teve tempo mais do que suficiente de promover as necessárias diligências com o maior partido da Oposição. Se não arrisca a sua "preciosa" imagem de bom aluno. Ao que sabemos não o fez. Preferiu trazer a questão para a ribalta política (discussão na AR) com o intuito de encostar o PS à parede. Pelos vistos saiu-lhe o tiro pela culatra...

    Mais, julgo que o PS não aceitará trocar tout court a inscrição na Constituição por uma "lei reforçada" (a solução de recurso a que PPC se "agarrou").
    Na verdade, quer a disciplina orçamental, quer a contenção do endividamento, só terão razão de existir em situações em que o crescimento económico esteja sustentado e a situação social estabilizada e consolidada. Em períodos de recessão e de crescimento incontrolado do desemprego, como sabemos, até a Alemanha não teve qualquer rebuço em violar as disposições que agora pretende "impingir" (infligir?) a toda a UE, melhor, aos países da zona Euro (+ "qualquer coisa" ainda por apurar...).


    No passado Roma impôs a sua hegemonia imperial a Cartago. Neste momento, a Alemanha quer impôr o seu "modelo" financeiro, ecomómico e social aos Países do Sul da Europa. A versão contemporânea das "guerras púnicas"...

    Christopher Hitchens


    Christopher Hitchens
    (13 de Abril de 1949 – 15 de Dezembro de 2011)

    Christopher Hitchens, morreu ontem no “M. D. Anderson Cancer Center” em Houston.
    Tinha 62 anos de idade.

    Um excelente obituário pode ser visto no «New York Times»
    e no site da «Richard Dawkins Foundation»



    quinta-feira, dezembro 15, 2011

    Perdoar é generoso, esquecer é perigoso


    Adriano Moreira é o académico ilustre que ainda hoje, aos 90 anos, mantém invejável capacidade intelectual e argúcia política. Talvez a idade e as circunstâncias tenham corrigido o ex-secretário de Estado e ministro do Ultramar e feito dele um conservador resignado com a democracia e o estado de Direito. Aparentemente, assim aconteceu.

    O que não pode esquecer-se é a conivência com o governo salazarista, o comportamento como responsável directo pela condução da guerra colonial e pela barbaridade com que o exército de ocupação respondeu à crueza de actos terroristas, injustos e gratuitos, com que os nacionalistas angolanos iniciaram a guerra de libertação em Angola.

    Os que louvam Adriano Moreira como democrata esquecem que, tendo sido presidente do CDS e continuado a ser seu militante, não repudiou o Partido quando foi expulso da Internacional Democrata Cristã por ser anti-europeísta e duvidosamente democrático.

    Adriano Moreira foi, é e será sempre um reaccionário para quem a democracia é um regime onde os adversários nunca são prejudicados nem perseguidos e, pelo contrário, podem ocupar lugares de destaque, ser condecorados e atingir o cume de uma carreira académica e os mais altos cargos do Estado (deputado, vice-presidente da AR).

    Por tudo isto fiquei perplexo com o doutoramento honoris causa de Adriano Moreira pela Universidade do Mindelo, o primeiro em dez anos de ensino superior em Cabo Verde. Não foi uma distinção sensata nem honra a ilha que em 8 de Julho de 1832 recebeu os «bravos do Mindelo» que se bateram contra os miguelistas nas Guerras Liberais.

    O país onde o salazarismo criou o Campo de Concentração do Tarrafal que, de 29 de Outubro de 1936 até 1954, foi local de desterro, tortura e morte para os adversários políticos, faltou ao respeito aos seus mortos na luta pela independência do PAIGC.

    A antiga colónia portuguesa homenageou o cúmplice da ditadura, alto responsável do colonialismo e, ironicamente, o ministro fascista que reactivou o Campo do Tarrafal em 1961, designado Campo de Trabalho do Chão Bom, para receber prisioneiros oriundos das colónias portuguesas.

    Adriano Moreira pode ser perdoado mas não deve ser esquecido o seu passado.

    Ponte Europa / Sorumbático