segunda-feira, abril 30, 2012

Governo, imaginárias ‘reposições’ e repetidas rábulas…


"Funcionários públicos que foram alvo de um corte salarial médio de 5% em 2011 verão repostos estes cortes a partir de 2015, tal como os subsídios de Natal e de férias. A garantia foi deixada por Passos Coelho." link

Mais uma esperteza saloia.

Primeiro, o Passos Coelho deveria lembrar-se que em 2015 termina a actual legislatura. Se a finalidade era “sossegar” os FP’s sobre o confisco efectuado segue numa má direcção. Este vai ser necessariamente um tema forte das próximas legislativas e como se depreende das pausadas e monoocórdicas afirmações do Ministro das Finanças (a que se referem as declarações do PM) “esta hipótese não é nem um compromisso político nem uma decisão política”… pensa (o PSD e o CDS) que continuará a empolgar ‘incautos’.

É tempo deste Governo (como dizem os brasileiros) ‘cair na real’. Ninguém vai acreditar mais em promessas pré-eleitorais. O mesmo expediente não funciona sempre.

Se em 2015, continuarem por repor os cortes anunciados despudoradamente em 2011 (para 2 anos), o ónus desta decisão será devastador em termos eleitorais. Não vale a pena alimentar ilusões. Ninguém vai aceitar que aquilo que foi confiscado de forma brutal e abrupta seja reposto em suaves prestações...

Depois - porque tudo é improvisado neste Governo - esqueceu-se de referir os confiscos dos aposentados e pensionistas situação que, em termos de equidade e respeito pelos compromissos do Estado perante os cidadãos, reveste-se de uma gravidade acrescida.

Finalmente, a mesma displicência em relação à reposição dos cortes salariais. Cinco por cento em 2011 repostos em 2015? Bem, os engenhosos gestores de orçamentos (também designados de economistas ou especialistas em finanças públicas) esqueceram-se que os salários e as reformas estão congelados há vários anos (vigoram desde o anterior Governo). Então a reposição dos cortes anunciada passa ao lado das consecutivas perdas anuais indexadas à inflação?

Tudo isto, mais parece uma mensagem enviada à socapa para o Tribunal Constitucional que, como sabemos, terá de analisar a constitucionalidade destes ‘confiscos’. Será urgente (para o Governo) transmitir a impressão de que o saque à FP e aos aposentados e pensionistas tem um carácter provisório, transitório, etc…
Os portugueses, certamente, acreditam que, se em vez de cidadãos contribuintes (pessoas singulares), estivessem em causa pessoas colectivas (empresas, parcerias ou 'rendas') o tratamento seria diferente. Do modo como foi enunciado não existe qualquer tipo de “reposição”. Haverá, quando muito, uma “esmola”, uma “caridadezinha”. O que não admira quando estas elucubrações partem de um Governo tão afeito às prestações caritativas e desaforadamente afoito na derrogação (eliminação) de direitos sociais.

domingo, abril 29, 2012

É preciso erradicar o ódio religioso



Pelo menos 18 estudantes morreram este domingo num ataque com explosivos e armas de fogo contra um auditório da Universidade de Bayero, en Kano (norte da Nigéria), onde numerosos estudantes celebravam la missa dominical. Dezenas de estudantes ficaram feridos.

Comentário: O Ponte Europa repudia com firmeza o ódio sectário que conduziu à violência e á morte. O proselitismo é um ato de demência que produz horrores e conduz ao crime. A civilização não pode permitir que, em nome de uma crença e do desejo de lhe submeter os outros, se absolva ou minimize a violência religiosa. Os crimes cometidos em nome de uma crença são duplamente repugnantes, pela violência que encerram e o sectarismo que os promove.

Sem a laicidade imposta à demência da fé não há paz nem pluralismo ideológico.

O Ponte Europa manifesta a sua solidariedade aos cristãos que hoje foram vítimas do fascismo islâmico como a manifestará aos muçulmanos que vierem a ser vítimas dos desvarios cristãos.

Quem paga somos nós...

DN, hoje

Uma placa para a eternidade

Foto de M. P. Maça

Financiamento da campanha eleitoral de Cavaco



Lista presente nas contas do Tribunal Constitucional mostra que onze figuras com ligações à SLN contribuíram com 6% dos donativos particulares da campanha de 2006, que no total rondaram os dois milhões de euros.

sábado, abril 28, 2012

Espanha já está a arder?


As declarações proferidas por Vítor Constâncio (vice-presidente do Banco Central Europeu) e publicadas, hoje, no Telegraph são (politicamente) 'devastadoras':

“18.15 - The European Central Bank has clarified a statement made by its second-in-command earlier today, which some had taken to mean the central bank was working on a financial aid programme for Spain, along with the EU and IMF.

ECB vice president Vitor Constancio said earlier today:

There’s been an agreement between the troika and Spain, and the program is being applied, structural reforms were introduced, so in our view our scenario is being pursued, and we have no reason so far to change that view.

However his comments referred to reports on the Spanish economy published by the IMF and the EU, the ECB said, and NOT to any kind of bailout programme. “.

Um ‘acordo’ entre a troika e Espanha e um 'programa' que começou a ser aplicado…

Bem, algumas 'inquietações':

- Os cidadãos da UE têm conhecimento desta (grave!) situação?

- Os espanhóis sabem que o reino já está sob ‘resgate’? Conhecem o 'programa'? A 'troika'?

- Ou andamos a ‘brincar’ às escondidas?

sexta-feira, abril 27, 2012

Vantagem de pertencer ao Opus Dei


Camarate - A quem interessam estas «revelações»?



Documento explosivo sobre um crime ou delírio sobre um desejo?

Leituras de fim-de-semana…


Hoje The Economist [*] publica um artigo sobre as eleições francesas com o título:

“O (bastante) perigoso Sr. Hollande” link.

O artigo termina com a seguinte “conclusão”:

…”De qualquer maneira uma coisa parece certa: um presidente francês tão hostil à mudança poria em causa a vontade da Europa em prosseguir as dolorosas reformas para a sobrevivência do euro. Isto faz dele um homem bastante perigoso”.
(tradução livre)

Sem comentários!

Ou, apenas, um aparte:
- Alguma vez a Europa foi chamada a pronunciar-se sobre a “mudança” e as “dolorosas” reformas”?

[*]“The Economist” é uma das bíblias que semanalmente se publicam na Europa (Grã-Bretanha) em defesa do mercado “livre” e do conservadorismo fiscal. Resta acrescentar que, fiel a estes princípios editoriais, é uma publicação que, desabridamente, assume posições com marcados objectivos políticos… (no caso vertente bem explícitos).

A miragem da viragem…ou mais "cambalhotas"?


Ontem, no Parlamento, o Ministro das Finanças falou em “ponto viragem” da crise baseando-se na descida dos juros da dívida portuguesa no mercado secundário. link.

Na mesma hora em que prestava estas declarações, na AR, a Espanha é “atacada” por um dos braços desse mercado (agência de notação financeira Standard & Poor’s) que cortou o “rating” da dívida espanhola em dois níveis tornando, deste modo, o financiamento externo da 4ª economia europeia mais difícil. link.

Parecem factos absolutamente distintos. Na realidade poderão não o ser. O entrosamento da economia espanhola com a portuguesa não deve ser desvalorizado, nem ignorado. Na verdade, após a dissertação do ministro e dos seus anúncios de “viragem” começou a verificar-se um “novo” afundamento e quer os mercados bolsistas em toda a Europa, quer as “yelds” reagiram antecipadamente à (por enquanto afastada) hipótese da Espanha vir a necessitar de uma "intervenção externa" do estilo da Grécia, Irlanda e Portugal. E a situação da dívida soberana, enquanto o ministro Vítor Gaspar tecia loas à “viragem”, deteriorava-se novamente com as “yelds” a 2 anos e os juros a 10 anos a darem, mais uma vez, nova reviravolta encetando um novo ciclo de subidas. link.

Não existem quaisquer 'viragens', quando muito o Ministro das Finanças acalenta e diverte-se com  'miragens'.
A 'crise da dívida' (portuguesa e europeia) tem seguido um percurso errático e se quisermos transmitir uma imagem real, para os cidadãos, melhor seria afirmar que trilhamos um rumo: “às cambalhotas”!

A postura do Ministro das Finanças no Parlamento mostra como este Governo ao tomar a nuvem por Juno tenta iludir a brutal recessão económica que se adivinha e, pior, se avizinha, com todas as consequências políticas e sociais.

Ou, então, toda esta lengalenga, não é mais do que o navegar à vista, à espera que as coisas inopinadamente aconteçam e teremos de chegar à conclusão que as ameaças de “riscos sistémicos”e os repetidos avisos sobre “contaminação”, foram meros expedientes para “justificarausteridade atrás de austeridade, sem qualquer sentido estratégico, de equidade e de futuro.

quinta-feira, abril 26, 2012

Viva o 25 de Abril. Sempre.

 
Há quem, antes, não tivesse precisado de partido, quem não sentisse a falta da liberdade, quem se desse bem a viver de joelhos e a viajar de rastos.

Houve cúmplices da ditadura, bufos e torturadores, quem sentisse medo, quem estivesse desesperado, quem visse morrer na guerra os filhos e nas prisões os irmãos, e se calasse. Houve quem resistisse e gritasse. E quem foi calado a tiro ou nas prisões.

Uns pagaram com a liberdade e a vida a revolta que sentiram, outros governaram a vida com a vergonha que calaram.

Houve quem visse apodrecer o regime e quisesse a glória de exibir o cadáver e a glória da libertação. Viram-se frustrados por um punhado de capitães sem medo, por uma plêiade de heróis que arriscaram tudo para que todos pudéssemos agarrar o futuro.

Passada a euforia da vitória, ninguém lhes perdoou. Os heróis da mais bela revolução da História e agentes da maior transformação que Portugal viveu são hoje proscritos e humilhados por quem lhes deve o poder.

Uns esqueceram os cravos que lhes abriram a gamela onde refocilam, outros reabilitam os crápulas que nos oprimiram, outros, ainda, sem memória nem dignidade, afrontam o dia 25 de Abril com afloramentos fascistas e lúgubres evocações do tirano deposto. 

Perante os ingratos e medíocres deixo aqui a TODOS os capitães de Abril o meu eterno obrigado.

Não quero saber o que fizeram depois, basta-me o que nesse dia fizeram. 

Obrigado Otelo, Salgueiro Maia, Fabião, Vasco Lourenço, Vítor Alves, Melo Antunes e tantos outros. Obrigado a todos os que fizeram a Revolução. Por cada afronta que vos fazem é mais um pedaço de náusea que provocam.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, abril 25, 2012

Abel Salazar e Miguel Portas

Abel Salazar foi um médico notável, excelso professor, investigador, pintor e resistente ao regime salazarista português. A personalidade multifacetada, de cientista, cidadão e artista, tornou-o uma das mais prestigiadas figuras da primeira metade do século XX em Portugal.

A repressão salazarista encontrou nele uma vítima a abater, um professor universitário a demitir, um cidadão a perseguir. A sua morte foi uma perda sentida pelos democratas e chorada pelos alunos a quem a ditadura privou do seu magistério e pelos trabalhadores que sentiram nele um aliado.

O Prof. Ruy Luís Gomes, ilustre matemático que o fascismo demitiu da Universidade, na vindicta contra os intelectuais e a democracia, foi o autor da oração fúnebre, no funeral de Abel Salazar, discurso que lhe custaria bárbaras agressões da Pide à saída do cemitério.

Disse Ruy Luís Gomes do seu colega precocemente falecido, durante o funeral, na cidade do Porto: «O Abel morreu, o Caim está vivo», o que lhe valeu o rancor e a vingança da polícia fascista.

A morte do eurodeputado Miguel Portas foi uma perda para a democracia e a cultura. Apesar de esperado, o seu falecimento foi um choque para quem estimava o intelectual e o combatente da liberdade. Viveu depressa mas deixou como património o exemplo de quem, não se movendo por interesses, se sacrifica por ideais. Vamos sentir a sua falta.

Por que motivo me terá ocorrido o episódio de Abel Salazar no desaparecimento de Miguel Portas?

Viva o 25 de Abril. Sempre.


Trinta e oito anos passados sobre a manhã libertadora de Abril, regressam o medo e a fome. Por ora não é ainda a PIDE que prende, é o desemprego e a destruição metódica e eficaz dos direitos conquistados que paralisam o povo e o lançam de novo na aventura da emigração e na incerteza do futuro.

Os atuais governantes têm um projeto político extremista e o objetivo de cercear direitos e fazerem do país um laboratório do ultraliberalismo, “custe o que custar”. O desespero que espalham é a semente das convulsões que se avizinham num retrocesso que os mais pessimistas estavam longe de prever.

Apagam os símbolos identitários da Pátria com a alienação dos feriados do 5 de outubro e do 1 de dezembro enquanto o 10 de junho, com um PR de débil cultura, se transforma, como no fascismo, em altar da exaltação da raça, com os feriados pios a permanecerem por imposição do Vaticano, que despreza e humilha o país.

A reabilitação da guerra colonial está em curso, o regresso dos velhos valores têm um discurso, uma lógica e um projeto, seguidos pelos que nunca se conformaram com a perda do Império e o descrédito da ditadura. Só faltava empobrecer os portugueses e submetê-los pelo medo. A fome, o desemprego e o empobrecimento coletivo estão nos planos de um governo extremista que vê no ultraliberalismo o caminho da salvação.

É o regresso mole a um passado afrontoso e a um quotidiano de desespero.

Abril cumpriu a descolonização, o desenvolvimento e a democratização e não foram os seus capitães que agravaram as desigualdades sociais ou contribuíram para a perda da generosidade, entusiasmo e solidariedade que galvanizaram Portugal e os portugueses.

Não se ignora a crise que se abateu sobre o mundo, mas não há justificação para a falta de equidade na repartição dos sacrifícios nem para a devastação dos direitos a que só a cegueira ideológica e o espírito de vingança marcam o ritmo e a seletividade.  

A PIDE, as prisões políticas, a censura, o degredo, o exílio, a tortura, a discriminação da mulher, a violação do domicílio e da correspondência são dolorosas recordações dos mais velhos. Restauraram-se os direitos cívicos, implantou-se a democracia. É pouco? Nunca tão poucos fizeram tanto por Portugal como os capitães de Abril. Não deixemos agora que nos conduzam ao passado.

A escalada contra as conquistas de Abril pode ser parada. Comemorar Abril, ser fiel ao seu ideário e honrar os seus heróis é uma forma de dizer basta à mais violenta ofensiva da direita contra os seus valores, nos últimos 38 anos.  Nada, absolutamente nada, pode ser pior do que o Portugal beato, rural e analfabeto que o salazarismo manteve graças à repressão policial. 

Na ditadura o País não era a casa comum dos Portugueses. Era a cela coletiva dos que não fugiam. O 25 de Abril transformou Portugal. Tanto tempo nas nossas vidas, tão pouco na história de um povo. É tempo de voltarmos ao espírito de Abril.

Viva o 25 de Abril. SEMPRE.

terça-feira, abril 24, 2012

Miguel Portas


Morreu Miguel Portas

Todos ficamos mais pobres. 
Morreu um cidadão digno e exemplar que trouxe um enorme valor acrescentado à res publica.

Uma incomensurável perda para a Esquerda (nacional e europeia).

segunda-feira, abril 23, 2012

Sarkozy, a demagogia e o “verdadeiro trabalho” !...

Acabada a 1ª. ronda das presidenciais francesas segue-se um período de debate político e de campanha eleitoral entre os dois candidatos escrutinados: Sarkozy e Hollande.

Todos os cenários estão em aberto e os franceses esperam que este período conduza a uma clarificação sobre o futuro do País e sua inserção na Europa dos 27. Se para os franceses esta eleição apresenta-se como uma questão fulcral para os desígnios nacionais, para os cidadãos europeus os resultados da 2ª. volta poderão ficar aquém de algumas expectativas geradas, mas nunca serão indiferentes.

Começa mal a 2ª volta.

Sarkozy anuncia comemorações do 1º. de Maio para festejar o “verdadeiro trabalho”. link

O que significa este ‘neologismo político’ da Direita?

Haverá múltiplas interpretações e um dominador comum: dividir as forças do trabalho e enfraquecer o movimento sindical.

Trabalho e desemprego são duas questões nucleares em toda a Europa e, também, em França. A abordagem de Sarkozy do 1º. de Maio pela vertente demagógica, poderá ser (mais) um ‘tiro no pé’. A não ser que a comemoração programada por Sarkozy para Champ-de-Mars se junte ao ‘desfile Joana d’Arc’ programado, para esse mesmo dia, pela Extrema-Direita (Front National). link 
Então tudo fica claro!

Informação sobre o 25 de Abril


Cara(o)s associada(o)s,

Por se considerar de interesse, divulgamos a informação que o Júlio Isidro nos transmitiu:

No dia 25 de Abril, a RTP-Memória realiza uma emissão especial a começar às nove da manhã, com o título genérico "UM DIA DE LIBERDADE" e na qual serão transmitidas na íntegra as Galas "Vozes de Abril" de 2008, "Vozes que Abril abriu" de 2009 e "República de Abril" de 2010. Para além disso, são convidados para entrevistas que decorrem nos intervalos das galas, Joaquim Letria, João Gobern, Alice Vieira, Eduardo Gageiro, Batista Bastos, Luanda Cozetti e José Fanha. A linha temática das conversas é a Liberdade nas áreas de  actividade dos convidados, antes e depois da Revolução dos Cravos.

Cerca das 20 horas, e a encerrar este dia de memória, será transmitido o documentário "A consciência de Abril - Melo Antunes".

Cordiais saudações
Vasco Lourenço

Factos & documentos




domingo, abril 22, 2012

Comemorações de Abril

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A freira que roubava crianças



A Irmã Maria, negou-se a falar perante o juiz Carretero no passado dia 12.  

O caso da Irmã Maria, a freira acusada por roubar um bebé à mãe na extinta maternidade do hospital madrileno de Santa Cristina, pode levar esta religiosa, de  87 anos, ao banco dos acusados por delitos de detenção ilegal e falsidade.

sábado, abril 21, 2012

Jornalismo de humor



O humorista, designado como analista, chama-se  BERNARDO PIRES DE LIMA

O naufrágio anunciado...


A execução orçamental referente aos 3 primeiros meses deste ano não pode deixar de preocupar os portugueses.

Como era esperado – excepto pelos indefectíveis apoiantes do Governo – “a receita total do Estado está a cair 4,4%, sobretudo à custa do abrandamento ou mesmo da quebra das receitas fiscaislink.

Como se não bastasse esta desastrosa vertente se olharmos para a outra face da moeda: “O mesmo parece verificar-se na despesa, que está a crescer 3,5% no Estado…link.

Vão agora surgir em cascata os ‘comentadores orgânicos’, em todos os recantos da comunicação social, tentando justificar … o desastre orçamental!
Desculpas haverá muitas e, acima de tudo, esfarrapadas. Existe, contudo, uma que caiu (de madura). Esta é a execução do OE elaborado pela actual maioria. Não se trata de uma herança (directa) de José Sócrates.

Homenagem justa a um humanista


Últimas Notícias!

sexta-feira, abril 20, 2012

Associação Ateísta Portuguesa (AAP)


COMUNICADO

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) sempre considerou desnecessária a concordata assinada entre a Santa Sé e a República Portuguesa, no dia 18 de Maio de 2004, e acha-a lesiva dos interesses nacionais pelos privilégios que confere à Igreja católica.

A questão dos feriados veio confirmar que, além de desnecessária num país onde a liberdade religiosa está constitucionalmente consagrada, é uma fonte de perturbação da equidade com que um país laico deve tratar todas as religiões e, pior ainda, pretexto para a humilhação de um Estado soberano que o Vaticano trata como protetorado.

O Estado foi subserviente com a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que lhe impôs a eliminação de dois feriados cívicos para prescindir de igual número de feriados católicos e, provavelmente, influenciou a eliminação do feriado emblemático do 5 de Outubro, data a que se deve a separação da Igreja/Estado.

A AAP, não se pronunciando sobre eventuais razões económicas ou motivos ideológicos que tenham conduzido à eliminação de quatro feriados, por não constar dos objetivos estatutários,    sente-se indignada com a pusilanimidade do Governo perante a CEP, manifesta o seu repúdio perante a prepotência, tartufismo e arrogância do Vaticano e o seu mais vivo repúdio pela Concordata com que a Igreja católica afronta a República e humilha Portugal.

Na defesa da igualdade religiosa e da dignidade do Estado Português, onde há cúmplices do Vaticano, a AAP irá promover  um abaixo-assinado para recolha das assinaturas necessárias à discussão, na Assembleia da República, da Concordata, tratado que envergonha Portugal e cumula de privilégios uma religião particular em detrimento das outras.

Direcção da Associação Ateísta Portuguesa – Odivelas, 20 de Abril de 2012

Paula e a síndrome de Estocolmo

Ministra da Justiça admite que corte de subsídios perdure após 2015… link.

Afinal não se tratou de um lapso mas de um relapso vício de mentir aos portugueses.

A intolerável chicana política tecida pelo actual Governo à volta dos cortes de subsídios mostra a ligeireza e a indignidade do exercício do poder e como é possível fazer política com honestidade e sobranceria.

Não é indiferente para os portugueses e portuguesas ter de 'suportar' um corte temporário de subsídios (uma importante redução de rendimentos) ou ser vítima de um brutal confisco.

Como também não será indiferente esta enviesada e propositada “confusão” para os partidos políticos e comportamento cívico dos cidadãos.

O anúncio da Sr.ª Ministra de que os cortes de subsídios podem perdurar após 2015 significa, pura e simplesmente, o falhanço das actuais “soluções” austeritárias. Claro que esse facto terá consequências políticas. Uma delas será que a actual coligação (após 2015) terá de passar pelo crivo de eleições legislativas (por coincidência em 2015, se não forem antes).

Portanto, a advertência de Paula Teixeira Pinto, além de extemporânea e politicamente suicidária, mostra uma outra perversidade. A ilusão dos actuais governantes de que à custa de malabarismos e da exploração do medo podem eternizar-se no Poder.
A sociedade portuguesa não se deixará devorar (capturar) pela Síndrome de Estocolmo. Punirá os sequestradores da democracia. Afastará os carrascos que teimam em cercear as suas legítimas aspirações.


Monarquia espanhola em decadência. Viva a República!


A monarquia imposta por quem derrubou o governo eleito do presidente  Manuel Azaña, pode ter sido a oportunidade que evitou convulsões sociais e políticas, quando a ditadura do genocida Francisco Franco se desmoronou e teve lugar a transição democrática, mas não foi uma solução justa nem ética.

Ficaram esquecidos os cadáveres das vítimas que, depois da cruel guerra civil, foram assassinadas sumariamente, ao longo de vários anos, com os algozes impunes, perante o silêncio ou cumplicidade da Igreja católica que apreciou os crimes como fazendo parte de uma Cruzada, qualidade que o Papa reconheceu às atrocidades de Francisco Franco, um papa convicto de que as Cruzadas eram uma obrigação pia e não a sucessão de crimes cometidos pelo proselitismo religioso.

As monarquias mantêm-se por inércia e indiferença cívica e só desaparecem quando os disparates reais ou as cumplicidades condenáveis as varrem. Mesmo o poder meramente simbólico não encontra outra justificação que não seja a sua origem divina, quando os países passaram a preferir o escrutínio popular através do sufrágio universal.

O conde de Barcelona, cujo espírito democrático lhe valeu o exílio no Estoril, permitiu que o filho Juan Carlos, aos 10 anos, fosse para Espanha, sob a tutela e a supervisão de Franco e dos seus assessores, para se tornar rei quando o ditador vitalício morresse.

O rei Juan Carlos tem uma vida onde persistem as dúvidas entre a tragédia e o caráter. O homicídio, certamente involuntário, do seu irmão mais novo com um revólver, oferta de Franco, não foi investigado e, tanto Salazar como o ditador espanhol, se incumbiram de abafar o caso, ocorrido no Estoril. Apenas ficou para a história a pretensa pergunta do conde ao filho de 18 anos, perante a fatalidade de perder um filho de catorze: «diz-me, olhos nos olhos, que foi um acidente».

Há pouco, o neto mais velho, de 13 anos, manejando uma arma ilegal para a sua idade, na companhia do pai, deu um tiro no pé, transgressão cuja responsabilidade penal cabia ao progenitor. O juiz mandou arquivar o caso. Claro, a Espanha não é uma República.

As armas são uma constante na vida deste rei a quem um ditador endossou a coroa. Foi numa caçada no Botswana, paga pelo milionário e braço direito em Espanha do ministro da Defesa da Arábia Saudita, que fraturou a anca o presidente de uma liga de defesa da natureza, distraído a matar elefantes, espécie ameaçada, durante a crise espanhola onde o desemprego ultrapassa 20% dos «súbditos», quiçá acompanhado da princesa alemã divorciada, de 46 anos, Corinna zu Sayn-Wittgenstein, sua alegada amante.

Para a história fica a tentativa de golpe de Estado de 23 de fevereiro de 1981, o “23-F”, do grotesco tenente-coronel Tejero Molina para conduzir a um governo chefiado pelo general Alfonso Armada, inspirador da conspiração e ex-percetor do rei, que, condenado a 30 anos de prisão, foi indultado cinco anos depois. A versão do fracassado golpe, com sequestro dos deputados, atribuiu o sucesso aos esforços do rei que ganhou, assim, a consideração dos espanhóis e o epíteto de democrata.

Restam os escândalos do genro, Iñaki Urdangarin, em negócios ilícitos e subornos, com o ex-sócio, Diego Torres, a implicar o rei em negócios a favor do genro, e as conhecidas companhias pouco recomendáveis incluindo Dias Loureiro, comparsa das caçadas reais.

Juan Carlos pode tornar-se o coveiro da monarquia. Não seria pequeno o mérito. 

Vaticano contra Barack Obama


VATICANO — O Vaticano decidiu nomear um bispo para reorganizar o grupo religioso Leadership Conference of Women Religious (Conferência de Liderança de Mulheres Religiosas), que reúne a maioria das ordens religiosas femininas dos Estados Unidos, por considerá-las muito liberais.

quinta-feira, abril 19, 2012

E se pertencessem ao Opus Dei ?

Os candidatos do PS e do PSD para o Tribunal Constitucional (TC) são membros do Grande Oriente Lusitano, a obediência mais influente da maçonaria.

A informação é avançada pelo “Público”, que lembra que a escolha destes dois maçons para o Constitucional surge poucos meses depois da controvérsia originada por um relatório do PSD que designava a maçonaria como “grupo de pressão”, “influente” e capaz de afectar a “credibilidade” dos serviços secretos.

A Igreja católica e os feriados privativos

Tal como previ, os tartufos, hábeis na dissimulação, depois de conseguirem eliminar o 5 de outubro e o 1 de Dezembro, do calendário dos feriados, começaram por protelar o fim de dois dias litúrgicos para, agora, contestarem o fim dos feriados religiosos, que os bispos aceitaram, e de que o Papa discorda com refinada duplicidade.

O respeito devido aos crentes não pode estender-se ao Vaticano, onde o diretor-geral da multinacional da fé, herdeiro da política das concordatas, continua a considerar países laicos como protetorados. O envio a Lisboa de monsenhor Fabio Fabbri, para afirmar que "não se pode deitar fora" o feriado do 01 de Novembro (Todos-os-Santos), a "festa da família", e questionar os motivos "por que se atacaria a celebração da Assunção de Maria" (15 de Agosto), é um ato de hipocrisia e de chantagem sobre um Governo que não impõe ao Vaticano, num elementar ato de reciprocidade, que celebre o 25 de Abril.

O 5 de outubro não é apenas a data que mudou o regime, que vivia do contubérnio entre o trono e o altar, é o marco histórico que transformou os vassalos em cidadãos, acabou com os títulos nobiliárquicos e recusou a sharia romana, instituindo o registo civil obrigatório, permitindo o divórcio e tratando com igualdade todas as religiões.

A Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) que transformou em Estado um bairro de 44 hectares, graças ao tratado de Latrão, negociado com Moussolini, a quem o Papa de turno chamou enviado da Providência, está a seguir os passos do fascismo islâmico que pretende submeter o mundo a Maomé.

O proselitismo deve ser contido com a laicidade, e a honra de um país não se troca pelo Paraíso que alguns governantes almejam com a capitulação perante as sotainas.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, abril 18, 2012

Passos Coelho: discurso doméstico e petulâncias internacionais…


Coelho e Cameron saúdam interesse comum na criação em emprego e crescimento económico…link

Passos Coelho de visita a Londres aproveitou a ocasião para trocar impressões sobre a situação política, económica e financeira da UE e, ainda, sobre candentes temas internacionais.

A “saudação” expressa sobre emprego e crescimento económico, à primeira vista, colhe um consenso cada vez mais alargado sobre a evolução da crise europeia. Ou melhor, colheria esse consenso se acaso fosse genuína. Na verdade, cá dentro, Passos Coelho rejeita assumir qualquer compromisso sobre este assunto como ficou bem patente na votação na AR do “novo” Tratado Orçamental da União Europeia ou o “ferrete Merkel”.

O Governo chefiado por Passos Coelho, cá dentro, quando confrontado com a introdução uma adenda a esse “tratado” proposta pelo PS, sob a forma de um protocolo adicional, que visava acopular à disciplina orçamental uma “agenda” (um chavão tão do agrado da actual maioria governamental) com vista à promoção do emprego e do crescimento económico, rejeitou-a liminarmente, propondo em alternativa aquilo que chamou “a elaboração de uma resolução conjunta com a maioria parlamentar PSD/CDS-PP sobre política europeia”. Isto é, uma inofensiva declaração de intenções, vagas (de preferência), à laia de posfácio. link

Hoje, em Londres, para um observador distraído, Passos Coelho, parece empenhado em 'vender' a Cameron a “adenda PS” ao tratado Europeu (que Cameron se recusou a assinar). Na realidade, o projecto da actual coligação governamental nada tem a ver com o emprego e o crescimento mas, antes, com um vertiginoso, recessivo e irreversível empobrecimento.

Esta a gritante dualidade entre a prática (prédica?) paroquial e o discurso externo ("para inglês ver”).

Aniversário de Antero de Quental

Antero de Quental

Antero de Quental (Ponta Delgada, 18 de abril de 1842 — Ponta Delgada, 11 de setembro de 1891) foi um escritor, poeta e pensador português que teve um papel decisivo no movimento da Geração de 70.

Nasceu há 170 anos. No dia do seu aniversário o Ponte Europa presta homenagem ao pensador progressista que influenciou a sua geração.

Vale a pena, sobretudo hoje, ler o discurso proferido por Antero de Quental, numa sala do Casino Lisbonense, em Lisboa, no dia 27 de Maio de 1871, durante a 1.ª sessão das Conferências Democráticas.

Abril, Sempre


terça-feira, abril 17, 2012

Factos & documentos

Os desempregados serão obrigados a deixar de comer

segunda-feira, abril 16, 2012

Toponímia fede a santidade

No liceu, numa aula de História, o professor pergunta ao aluno:

- Diga-me, menino Augusto, qual foi o português que, ao longo da sua vida,lidou mais de perto com os Santos?

O aluno pensa durante alguns momentos, respondendo por fim:

- Foi Henrique Galvão, senhor professor!

- Ora essa! - admirou-se o professor. Então porquê?

O aluno:

- Porque nasceu em Santa Isabel, no dia de Santo Hilário. Foi baptizado no dia de Santa Catarina e frequentou a escola de Santa Filomena. Morava no Campo de Sant'Ana, deu uma queda em Santa Bárbara e foi socorrido no Hospital da Ordem Terceira de São Francisco. Foi preso e julgado no Tribunal de Santa Clara, pelo juiz Santiago.

Esteve internado sob prisão no Hospital de Santa Maria, de onde fugiu no dia de Todos os Santos. Assaltou o paquete Santa Maria, ao qual deu o nome de  Santa Liberdade. Passou pela Ilha de Santa Lúcia, a caminho de terras de Santa Cruz, fixando residência em São Paulo, na Rua de Santa Teresinha, onde viveu exilado, por causa de um "Santo" António que vivia em São Bento e era natural de Santa Comba!!!

(Autor desconhecido)

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domingo, abril 15, 2012

Titanic

Pesados sacrifícios reais

O rei é presidente honorário de uma associação de defesa da natureza

sábado, abril 14, 2012

A sharia católica

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB lamenta profundamente a decisão do Supremo Tribunal Federal que descriminalizou o aborto de feto com anencefalia ao julgar favorável a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 54.

«Com esta decisão, a Suprema Corte parece não ter levado em conta a prerrogativa do Congresso Nacional cuja responsabilidade última é legislar».

Comentário: A intolerância dos bispos católicos está em linha com a dos talibãs.

Espanha - aspirações republicanas


Espanha - «Esquerda Unida (IU) lançou hoje, 81.º aniversário da proclamação da II República, um vídeo em que pede a proclamação da terceira. O spot intitula-se: "Somos um país e vamos para a terceira" e vai acompanhado de um manifesto - "Frente aos mercados, mais direitos, mais democracia: III República"- com a mesma intenção».


Não obstante as diferenças ideológicas que me separam da IU, não posso deixar de me solidarizar na legítima aspiração republicana dos correligionários dispersos pelos vários partidos do país irmão.


Viva a República! 


Nota: Veja o vídeo.

sexta-feira, abril 13, 2012

Uma incómoda amnésia, adivinhadora de ‘dias maus’…

Passos Coelho perdeu a noção do calendário. Uma inquietante desorientação temporal.

Hoje na AR o 1º. Ministro foi assaltado por múltiplas dúvidas e entrou em divagações metafísicas recusando exibir preposições “adivinhatórias”. Melhor seria qualificá-las de ”abjuratórias”.

Não sabe ao certo quando Portugal regressará aos mercados (a data taxativa de Vítor Gaspar -23.09.2013 - passou a indicativa) e a reposição dos subsídios de Férias e Natal aos FP, pensionistas e aposentados foi postergada para as calendas gregas depois de variados anúncios (primeiro seriam 2 anos, depois esticou até ao fim do programa de ajustamento e agora simplesmente não faz “vaticínios”). Refere vagamente que será “o mais célere possível”… link. Faz lembrar aquele dirigente desportivo que dizia: "prognósticos só depois do jogo!"

Toda esta nebulosa vacuidade e imprecisão é um sintoma muito preocupante. Na verdade mostra um governo à deriva que vai apagando incêndios aqui e acolá, à boleia do mais confrangedores imprevistos e conforme sopra o vento. Os grandes indicadores socioeconómicos (emprego e crescimento económico) degradam-se dia a dia.

A tábua de salvação a que se agarra o Governo é uma ténue descida das taxas de juros no financiamento a curto prazo nos mercados que inopinadamente terá alimentado ilusões. O governo sabe que isso é sol de pouca dura. Esta descida está intimamente relacionada com o disparar de financiamento do BCE aos bancos portugueses no mês de Março que atingiu os 56,3 mil milhões de euros link. Uma cifra recorde. Interessaria saber quem, de facto, foi ao mercado comprar Obrigações de Tesouro portuguesas. Não vale a pena avançar com palpites. Deste boom de financiamento beneficiaram vários países europeus com problemas da dívida soberana, nomeadamente, a Itália e a Espanha. As recentes taxas de juros praticadas em relação à última ida de Espanha aos mercados mostram que o “efeito BCE” está a esvaziar-se. Esperemos pelas próximas emissões de dívida pública portuguesa.

Resta, ainda, outro cavalo de batalha: as exportações. Segundo o Boletim Económico de Primavera do Banco de Portugal as exportações vão sofrer um “abrandamento acentuado” em 2012 link. Cautelosas previsões. Na verdade, as exportações vão cair entre 2011 e final de 2012 de 7,4% para 2,7 %. Não se trata propriamente de um “abrandamento” mas antes de uma ameaça de colapso.

Perante este quadro negro como não perder as referências temporais e começar a odiar datas. Até porque – se não for antes! – não vai ser possível adiar 2015. Ano em todas as datas, todos os compromissos, todas as promessas serão avaliadas. Sem apelo nem agravo.

Guiné-Bissau


Residência do (ex?) 1º. ministro Carlos Gomes Júnior após o assalto das forças militares (foto EPA)

São extremamente preocupantes (embora previsíveis) as mais recentes notícias oriundas da Guiné-Bissau. link

É cada vez mais notória e evidente a decomposição orgânica e a irreversível degenerescência da situação político-militar. O continente africano vive um clima de ebulição e instabilidade onde, no espaço de poucos dias, ‘aconteceram’ dois golpes de Estado militares: Mali e Guiné-Bissau. Portugal como ex-colonizador tem especiais responsabilidades na estabilização política neste último País, há longo tempo confrontado com problemas tribais, emerso no narcotráfico, afogado no subdesenvolvimento e incapaz de integrar na sociedade os ex-combatentes que integram as actuais (e instáveis) forças armadas.

A ocorrência deste golpe militar durante o período eleitoral em curso (a 2ª. volta das conturbadas e contestadas eleições presidenciais estava prevista para dia 29) representa um sério revés à normalização política após a morte do presidente Malam Bacai Sanha. Um País vivendo um período de graves dificuldades internas parece apostado em dar mais um passo atrás. O risco da destruição do aparelho de Estado afigura-se eminente e o empolamento das questões tribais acrescidas de opacas disputas pelo controlo do narcotráfico, constitui um perigo para a soberania guineense. O espectro de uma guerra civil continua a ganhar força. A Gunié-Bissau estará, com mais este ‘golpe militar’, a dar mais um passo no caminho de se tornar um Estado inviável.

Amílcar Cabral não merecia este desfecho. E Portugal não pode alhear-se do futuro deste País.

O pensamento do mês

Depois de receber a última fatura da EDP perdi o medo do escuro, agora tenho medo da luz.

quinta-feira, abril 12, 2012

É isto a ética republicana


Transcrevo do DN de 11 de abril, pág. 27, a seguinte frase:

Joachim Sauer [marido da senhora Merkel] «em vez de pagar os 1300 euros que custaria a viagem no avião oficial – uma vez que a viagem do companheiro do [sic] chanceler tem de ser paga do seu próprio bolso e não é financiada pelo Estado – o professor de Química na Universidade Umboldt de Berlim optou por uma companhia ‘low-cost’».

Foi assim que Sauer se juntou à mulher para uns dias de descanso num hotel italiano sem grandes luxos, deslocando-se ao supermercado como qualquer cidadão comum.

Eis a conduta de um professor universitário de um país pobre – a Alemanha – em que o/a cônjuge do/a político/a mais importante da Europa não usufrui dos benefícios em uso nos países do Terceiro Mundo.

Apostila – Nos próximos dias publicarei neste sítio, «MR5O», alguns textos sobre o anacronismo vigente das primeiras damas em países onde a igualdade de género é uma exigência republicana.

Um suicídio que atingiu à bala o sonho europeu

 

Eleições gregas: “vote aqui!”


Eleições na Grécia marcadas para 6 de Maio

As eleições gregas marcadas para o próximo mês link deverão decorrer em circunstâncias únicas desde o fim da II Guerra Mundial. O eleitorado encontra-se profundamente fracturado e disperso por um clima de grande tumulto e contestação social decorrente da recessão económica, de pesadas medidas de austeridade e de elevadíssima uma taxa de desemprego com inevitáveis repercussões políticas.

Estas eleições devem por fim à alternância entre o PASOK e a Nova Democracia no exercício poder. A dispersão de votos será profunda dando lugar a uma acentuação do radicalismo tanto à Esquerda como à Direita.

A grande dúvida para a UE é: o PASOK e a Nova Democracia serão capazes de manter uma maioria parlamentar que continue a ter condições políticas para “suportar” as condições impostas para o “resgate”?

Um outro factor deverá estar presente nas eleições gregas: o desinteresse ou melhor a rejeição do actual quadro partidário. Os níveis de abstenção continuam a ser um enigma. Muitos cidadãos poderão alhear-se destas eleições. Uns porque não confiam no sistema, outros porque “suspeitam” que, quaisquer que sejam os resultados, as mudanças políticas estão irremediavelmente condicionadas pela situação orçamental e financeira, acrescida de uma profunda recessão, que tornou a vida de uma grande parte da sociedade grega, insuportável.
Esta algumas das razões porque começam a surgir “múpis” nos caixotes do lixo apelando ao voto aí como a foto (acima) mostra. O slogan é: “ vote aqui!”

Na verdade, o que está verdadeiramente em causa na Grécia, para além da crise económica, financeira e social é a sobrevivência da Democracia. Um pesadelo para um País, melhor, uma civilização, que foi o seu berço. Uma desgraça nunca vem só.

Juan Antonio Reig Pla, bispo de Alcalá de Henares

Reig Pla, durante a homilia

O clero espanhol herdou do franquismo o espírito do Concílio de Trento. Os seus bispos são frequentemente notícia pelos piores motivos, tantos anos depois do fim da guerra civil, da cumplicidade unânime e do silêncio com que, durante muitos anos, assistiram à execução sumária dos adversários de Franco.

À medida que mais valas comuns são encontradas e exumados cadáveres de mulheres e crianças, entre as centenas de milhares de assassínios perpetrados pela ditadura, a orgia de sangue não cessa de indignar o mundo e de comprometer a Igreja que silenciou os crimes abençoados pela bula do Vaticano que considerou o derrube da República, eleita, como cruzada em defesa da fé.

Estão bem documentados o horror e a violência praticados dos dois lados da barricada mas é ultrajante que a Conferência Episcopal Espanhola (CEP) condene a investigação dos crimes contra a humanidade e que o Vaticano, numa atitude provocatória, tenha criado centenas de beatos e santos entre apoiantes, cúmplices e panegiristas da sedição franquista e da vingança sectária, em que se destaca monsenhor Escrivá de Balager.

Depois de Rouco Varela cardeal de Madrid e de Antonio Cañizares, de Toledo, este ano destacou-se o bispo Reig Pla, de Alcalá de Henares, cuja homilia da Sexta-feira Santa, transmitida pelo canal público (RTVE), o guindou para a galeria dos mais reacionários num país onde é feroz a competição dos prelados por tal epíteto.

Reig Pla adotou o aforismo dos anarquistas de maio de 68: “quem sabe faz, quem não sabe, ensina” e a homilia foi sobre o sexo, velha obsessão católica que eleva a castidade a símbolo máximo da virtude, apesar de ser a mais implacável forma de contraceção.

O virtuoso bispo investiu contra os homossexuais e as mulheres que abortam e associou a homossexualidade à prostituição e a “certas ideologias que corrompem as pessoas”.

A violência homofóbica e misógina de Reig Pla, presidente da comissão episcopal da Pastoral da Família e da Defesa da Vida, que prometeu o encontro no Inferno a todos os prevaricadores dos pecados que execrou, levou o cardeal de Barcelona a distanciar-se das suas posições e o Conselho de Administração da RTVE a debater um protesto contra a homilia que transgrediu os limites aceitáveis. O exaltado talibã cristão, que se diz bem acompanhado pelo Vaticano, aterroriza os crentes e promove a descrença.

Para azar do obsoleto prelado, a Espanha dos Reis Católicos e da Inquisição é hoje uma memória de que o país se envergonha e a intolerância clerical é a alavanca do processo de secularização em curso.

Ponte Europa / Sorumbático 

quarta-feira, abril 11, 2012

O homem que julga poder “fintar” os mercados …



Passos Coelho diz que repor subsídios em 2014 podia dar "uma imagem precipitada" link
Acrescente-se estas preocupações sobre a imagem referem-se aos parceiros internacionais e ao Fundo Monetário Internacional…, vulgo, “troika”.

Em 13 de Outubro de 2011 Passos Coelho anunciou ao País a suspensão de pagamentos de subsídios de Férias e de Natal. Anunciou-a como uma medida temporária e a Imprensa, na generalidade, referenciou-a para dois anos (2012 e 2013). link. Prometeu (e não cumpriu), na altura, dar explicações “aos partidos políticos, aos sindicatos e aos parceiros sociais”. Hoje percebe-se a razão.

Fechou-se em copas. Após Peter Weiss, responsável pelo programa de ajustamento português na Comissão Europeia, ter conjecturado, numa conferência de Imprensa em Bruxelas, algumas ideias sobre o eventual corte permanente deste subsídios, com a seguinte frase assassina: “Bom teremos de ver. Por agora é por dois anos, por razões constitucionais. Temos de ver se se tornará ou não uma medida permanentelink. surge, de imediato, da parte do Governo português a ideia de aproveitar a boleia, lançando-se numa impressionante cascata de imprecisões, confusões, aldrabices e “lapsos”.

A imagem oferecida aos portugueses é simplesmente degradante.
Passos passou, do pé para a mão, de uma situação de excepção para um descarado e infame confisco que pretende ligar ao seu bom desempenho do Memorando de Entendimento.

Mas a "outra" imagem que pretende transmitir para o exterior se não fosse demasiado bacoca seria, no mínimo, ingénua. Decidiu não restituir os subsídios em 2014 (como toda a gente entendeu na comunicação de Outubro de 2011) porque daria uma “” imagem aos mercados onde pretende regressar em Setembro de 2013.
Pretende Passos Coelho “enganar” os mercados em 2013 quando anuncia aos 4 ventos que o que evita fazê-lo em 2014 vai “começar” (paulatinamente é certo) a orçamentar para 2015. Os mercados são surdos ou desmemoriados?

Esta saloia pretensão de “fintar” os mercados poderá sair muito cara ao País. Infelizmente, este Governo não “sabe” (ou já não pode) fazer jogo limpo. Nem com os mercados que permanentemente especulam sobre a nossa dívida externa, nem com os portugueses que suportam uma pesada austeridade e assistem atónitos a tamanhos e relapsos dislates.

Já não há emenda. Só a demissão do actual Governo pode (ainda) livrar-nos deste movediço atoleiro onde, diariamente, nos afundamos.

Quem é aqui o anencéfalo

Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar nesta quarta-feira o processo que pode descriminalizar a interrupção de gravidez quando o feto tiver má formação cerebral – a chamada anencefalia, que pode também ser a ausência de cérebro. O tema tramita há oito anos na Suprema Corte e começará a ser julgado em sessão extraordinária, a partir das 9h de hoje.
(…)
A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é contra a descriminalização do aborto nesses casos, mas não deve fazer a defesa durante a sessão do STF desta quarta. O cardeal d. Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, afirma que todo ser vivo tem direito ao nascimento e que a preservação da mãe não deve se sobrepor ao bebê.
Comentário: Só a insensibilidade do clero pode querer manter como crime a IVG, numa situação destas.

Azar dos Bourbon ou síndrome da semana santa

Um neto do rei de Espanha deu um tiro no pé. O avô deu um tiro mortal no irmão mais velho, há 56 anos. O bisavô, exilado no Estoril, pediu ao filho que lhe dissesse, olhos nos olhos, que foi acidente. Salazar mandou abafar o assunto.  Seria indigno transformar o que pode ter sido um acidente trágico num pérfido crime deliberado. Perturbador foi o facto de a arma assassina ter sido uma oferta do genocida Francisco Franco, pormenor referido hoje pelo DN.

Franco quis que Juan Carlos viesse a suceder-lhe mas não esperava que a monarquia pudesse tolerar a democracia.

O educador de Juan Carlos, um general franquista, esteve metido no golpe de Estado fracassado de Tejero Molina e não tive conhecimento do seu julgamento.


terça-feira, abril 10, 2012

Segurança Social nas mãos do CDS

Vaticano - Esqueletos no armário


Uma nova pesquisa aponta que o pintor italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610) teria sido assassinado pela ordem dos Cavaleiros de Malta com a conivência da Curia Romana.

O corporativismo da Ordem dos Advogados II

Os candidatos não estão mal preparados... a Ordem é que decide (unilateralmente) os critérios de avaliação e avalia (unilateralmente) os candidatos... Conflito de interesses puro e simples. Deveria haver uma auditoria externa e independente a estes "exames".

Corporativismos tolerados...

E o Senhor Bastonário entende que os candidatos ao ingresso na Ordem dos Advogados deveriam ter o Mestrado... Acaso é o Senhor Bastonário titular do grau de Mestre?


segunda-feira, abril 09, 2012

O ministro Gaspar e o bispo James Usher


A hegemonia do ministro Gaspar sobre todos os ministérios repete a trágica experiência de outro ministro das Finanças que, entre 1928 e 1932, começou por controlar os vários ministérios e acabou a controlar o País.

Ao esquecer o programa modelar de controlo das contas públicas e do défice herdado do PSD, por Teixeira dos Santos, entre 2005 e 2008, Gaspar esqueceu a causa próxima dos problemas – a crise económica de 2008 –, e alienou, por cegueira partidária, o apoio imprescindível do PS, para a saída da crise, e a equidade na repartição dos sacrifícios.

Apesar dos lapsos, que aceita com a lentidão com que fala, e do desprezo que manifesta pelos deputados da AR e pelos seus pares no Conselho de Ministros, onde o subalterno de Ângelo Correia é incapaz de moderar a irritante atitude do ministro que revela défice democrático e de compostura cívica, apesar dos erros orçamentais e de outras tropelias, o ministro Gaspar é um governante à solta. Já é um dado adquirido que o PSD tinha na liderança, que julgava precária, a pessoa errada no momento certo em que teve a ajuda do PR para derrubar o anterior Governo e comprometer o PEC 4.

Para encontrarmos uma personalidade parecida com o atual ministro das Finanças temos de recuar ao século XVII e recuperar James Usher, arcebispo de Armagh, cuja erudição o tornou respeitadíssimo, no tempo, com o rigor dos seus cálculos.

Tal como Gaspar se baseia na cartilha ultraliberal, Usher baseou-se na Bíblia com igual fé e falta de senso. O bispo conseguiu determinar a data da criação da Terra – e só da Terra –, pelo Deus de Abraão, no ano de 4004 a.C, como ainda hoje creem e impõem os criacionistas. Mas, para além de ter determinado a data da expulsão de Adão e Eva do Paraíso (10 de novembro de 4004 a. C.) e a data da atracagem da arca de Noé no Monte Ararat (Turquia) em 5 de maio de 2348 a.C (quarta), conseguiu determinar com inaudita precisão a data da criação da Terra. Para além do ano, já referido, descobriu que a Terra foi criada às 9 horas da manhã do dia 23 de outubro de 4004 a.C (domingo). É histórico o prestígio e a credibilidade que lhe conferiu tal precisão entre os seus contemporâneos que mal sonhavam com os milhares de milhões de anos que precederam tamanha tolice.  

Também Vítor Gaspar, baseado no Génesis da economia, descobriu que Portugal volta aos mercados financeiros em 23 de setembro de 2013. Só lhe faltou afirmar a hora que, certamente, dependerá da abertura dos mercados.

domingo, abril 08, 2012

Coimbra - CONVITE (cultura)

sábado, abril 07, 2012

Os crimes do franquismo foram abençoados pelo Vaticano

Uma equipa de investigadores de Santiago de Compostela elaborou uma lista com 56 republicanos portugueses assassinados pelo franquismo espanhol na região da Galiza, revelou à agência Lusa o historiador Fernando Rosas.

Mais uma profecia...


Medina Carreira
"Estado social colapsa daqui a seis ou sete anos..." link

Faltou a este profeta fatalista desvendar que País sobreviverá ao anunciado colapso…
Cada vez mais a retórica dos eminentes economistas assemelha-se a profecias, do tipo messiânico, que vêm sendo proficuamente produzidas e para as quais, desde há muito tempo, já não há pachorra...

Combustíveis: os “mercados”, a “livre” concorrência, extorsões e eleições…


1.) A cotação do petróleo brent - crude de referência para Portugal – abriu a descer esta quarta-feira no arranque do mercado de futuros, em Londres. link;

2.) Gasolina sobe para novo recorde na próxima semana link.

Há muito (desde a sua liberalização) que o preço dos combustíveis deixou de ser uma questão concorrencial (regulável entre parceiros) para se tornar num caso de extorsão. Mais um caso de extorsão (para sermos precisos). Os indícios de cartelização são cada vez mais evidentes mas, sistematicamente, passam ao lado da Autoridade da Concorrência. Pior, o principal parceiro da coligação no Poder, em 2008, manifestava uma forte convicção de que existia cartelização link. Hoje, considera não existirem alternativas aos actuais preços. Soçobrou perante os cartéis. Ninguém entende como uma perceptível (e já notória) redução da procura (nos EUA e na UE) faz disparar o preço da oferta. Mas “isso” são mistérios dos “mercados”…

Supomos que, em 2015 (ano eleitoral), os preços dos combustíveis, depois de terem galgado para níveis incomportáveis, poderão descer uns míseros cêntimos, vítima da concorrência eleitoral. Só essa funciona, em regime de volúveis promissórias de 4 em 4 anos…(ou antes, quem sabe?).