quinta-feira, maio 31, 2012

Christine Lagarde, Passos Coelho e a incontinência verbal


A diretora do FMI ganha 380.000 euros por ano e não paga impostos, por ter um cargo diplomático. A arrogância e insensibilidade para com as crianças gregas, ultrapassaram, na insolência, a definição de ‘oportunidade’ que Passos Coelho atribui ao desemprego.

Em Portugal temos um PM que não estava preparado para o cargo, ajudado pelo PR, com o inqualificável discurso da vitória eleitoral e, presume-se agora, com a ajuda das informações à TVI, onde Eduardo Moniz também recebia os relatórios das secretas e grelhava Sócrates em lume brando com o entusiasmo da mulher. Agora não há escutas falsas para combater o Governo, há relatórios dos Serviços de Informação da República, usados na luta empresarial e confiscados para insondáveis desígnios pessoais.

No anterior Governo, quando o PM processava um jornalista, reagindo a ataques de caráter e calúnias, sem nunca ter sido constituído arguido, era a «asfixia democrática», expressão do agrado de Belém, com eco nos profissionais da intoxicação. Agora, com a devassa da vida privada de jornalistas e do cidadão Pinto Balsemão, também um velho jornalista e ex-primeiro-ministro, atingiu-se o auge da afronta ao cerne da democracia.

Há relatórios de empresas e devassas a contas bancárias, aparentemente saídos dos serviços secretos do Estado para benefício de interesses privados, sem que o PR, a quem cabe defender o regular funcionamento das instituições, faça um daqueles discursos ao país, sofríveis na forma e na substância, a execrar a infâmia.

Não há um sobressalto cívico? Não se demite o ministro que está sempre onde passam os interesses da comunicação social, tendo o objetivo declarado de desmantelar a RTP?

O FMI pode ser dirigido por uma mulher insensível mas Portugal não pode ser gerido por um PM tão sensível aos interesses privados e à agenda ultraliberal do Governo, que faz do País o laboratório da troika para a experiência dos ideólogos de Chicago.

Christine Lagarde devia ser forçada a partilhar a vida de uma família de desempregados no Peloponeso enquanto Passos Coelho merece uma oportunidade no desemprego.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, maio 30, 2012

Terramotos devastam a Itália

Vista da igreja de Santa Maria Maggiore. / SERENA CAMPANINI (EFE)

terça-feira, maio 29, 2012

O inefável Relvas e a liberdade de imprensa


Silva Carvalho é uma mulher de soalheiro, de fato e gravata, principescamente pago. Ninguém perceberá o episódio Relvas/Público se não conhecer os interesses que se jogam na comunicação social e serão ainda menos os que conseguirão penetrar na teia construída, não para defender o Estado, mas para conseguir obter vantagens na guerra da publicidade televisiva e/ou na luta político-partidária.

Desde que ficou por averiguar o vergonhoso caso das escutas, aparentemente ligado a um golpe de estado feito de intrigas e mentiras, nunca mais pararam os casos crapulosos de ingerência na vida particular de pessoas notáveis. Os julgamentos passaram a fazer-se na praça pública com revelações cirúrgicas do segredo de justiça cujo crime é mais provável ser oriundo de fontes policiais ou judiciais do que do mordomo do Papa, que se encontra preso.

Investigar a vida privada de Balsemão, um velho democrata e ex-primeiro-ministro, é uma canalhice que deve render muito dinheiro e destabilizar um grupo da comunicação social. Redigir 16 páginas sobre a vida de Ricardo Costa, diretor do Expresso, incluindo escolas que os filhos frequentam, presta-se a todas as especulações, desde a tentativa de compra ou, em alternativa, à possibilidade de silenciá-lo.

Sabe-se que Relvas tem a seu cargo a desvairada tentativa de privatizar a RTP, assunto agendado pela extrema-direita, que domina o Governo e fez de Portugal um laboratório das doutrinas ultraliberais.

A demissão do Conselho de Redação do Público, sem antecipar as razões, revela que há muitas coisas obscuras neste enredo de um filme da série B. Por que razão o impoluto ministro Relvas pediu desculpa ao Público? E, no caso de ter ameaçado uma jornalista de revelar com quem dormia, caso publicasse uma notícia que não se conhece, como teve acesso a tais factos, sendo do domínio público as ligações a Silva Carvalho, o espião que continuou a espiar depois de se ter transferido para a TVI, onde a informação vale ouro e a Manuela Moura Guedes parecia fazer parte de um complot contra o ex-primeiro-ministro?

Esperemos que o PR, regressado da viagem ao Oriente, exija agora a transparência que impunha a Sócrates e que nunca reivindicou no caso BPN ou nas célebres escutas.

Mais um ‘pacote’ de austeridade: o autárquico…

Governo e Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP) terão chegado a um 'laborioso' acordo para resolver problemas financeiros (de endividamento a curto prazo) das autarquias, disponibilizando para isso uma linha de crédito no valor de 1000 milhões de euros. link

Não se trata de uma ‘oferta’, nem de uma tômbola. Na verdade, os munícipes vão ter de pagar pesadas contrapartidas por esta ‘ajuda’.

Segundo foi noticiado ficou acordado: “Para além do IMI e da derrama, os municípios com mais problemas financeiros terão ainda de maximizar os preços a nível das taxas de consumo”…” O acordo entre a ANMP e o Executivo prevê, por exemplo, que seja cobrado o valor máximo nos serviços de saneamento, água e resíduos…link

Novas e gravosas medidas pelo lado da receita. Acintosamente, este Governo, continua a tentar iludir os portugueses afirmando que a execução orçamental está sob ‘controlo’ e não serão necessárias novas medidas de austeridade. Ontem acordou com os representantes dos Municípios o ‘pacote autárquico’. Algo que vai mexer com o rendimento de todos os portugueses que, como sabemos, vivem em lugares, aldeias, vilas, cidades e, no futuro, vão sofrer um novo “saque”: o de proximidade.

Perante tais despautérios é de crer que muitos munícipes, por este País fora, aguardem que o inefável (ainda) ministro Relvas venha anunciar que já acordou com a ANMP… p. exº.: a reintrodução do rebarbativo ‘imposto (licença) de isqueiro’.

Até quando vamos assistir impávidos e serenos ao tecer desta ‘estratégia da aranha’?

segunda-feira, maio 28, 2012

Dualidades…

O Governo, os meios de comunicação social e, o mais importante, os portugueses, variadas vezes (desde o início da presente crise) mostraram a sua indignação pelas notações das agências de rating em relação a Portugal.

Ontem, as três principais agências (Moody’s, Standard & Poors e Fitch) tinham um iníquo e poderoso comportamento, tendo assumido o papel de influentes e decisivos ‘actores’ políticos e influenciam de modo determinante os invisíveis ‘ mercados’ (incluindo o BCE na aceitação de colaterais). Têm sido uns verdadeiros algozes, nomeadamente, para os países europeus economicamente mais débeis (também denominados de 'periféricos').
Muitos políticos portugueses (link; link; link; link; …) criticaram, ao longo dos últimos anos, os critérios (de risco) dessas agências de rating, sugerindo inclusive, incontornáveis conflitos de interesses, intromissão abusiva na política e, finalmente, a necessidade de criação de uma agência europeia.

A mesma Moody´s cavalgando a crise sugeria, em 2010, ‘cortes mais ambiciosos’ para serem atingidas as metas orçamentais (3% do PIB em 2013) link. Pouco depois da entrada em funções deste Governo (Julho 2011) a agência Moody’s ‘atirou’ a notação de Portugal para o nível “lixo” (Ba2), link onde permanecemos (embora acalentando a esperança de ‘regressar’ aos mercados em 2013!).

Bastou, hoje, a Moody’s declarar (uma comunicação sem consequências na notação): Há “espaço para optimismo” no programa de Portugal… link, para que os comentadores 'orgânicos' e os políticos da maioria começassem a embandeirar em arco.
Contentam-se com pouco. Mostram um intolerável 'dualismo de personalidade' (enquanto repertório comportamental e cívico) que não nos credibiliza perante o Mundo, nem ajuda a ultrapassar os problemas com que nos debatemos no seio de uma Europa em profunda convulsão.

Está disponível …


Miguel Relvas diz estar disponível para voltar ao Parlamento ... link

É, provavelmente, a primeira declaração credível e acertada de Miguel Relvas, enquanto ministro do XIX Governo Constitucional, na última semana.

Na verdade, foi eleito nas últimas Legislativas pelo círculo de Santarém. Terá (segundo julgo) o mandato suspenso podendo, deste modo, regressar ao Parlamento a qualquer momento...
Adenda: Desde que não invoque a figura de: ‘urgente conveniência de serviço’!

Factos & documentos

Fotos de Cyber Seccao PS (em formacao)

domingo, maio 27, 2012

Quando o desastre se mistura com a incompetência e dá direito a aconselhar…

Para o Secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, as elevadas taxas de desemprego existentes em Portugal são uma fatalidade, uma coisa sem remédio link .  E nada haverá a fazer - na cabeça dos actuais governantes - excepto constatar ‘a evidência’ da necessidade de emigrar…

Resta-lhe, portanto, dar bons conselhos (um ‘bazar’ de cautelas e banalidades) como se os migrantes forçados (os desempregados) fossem atrasados mentais e caminhassem voluntariamente para o precipício.

Lá diz a sabedoria popular: "A casar e a embarcar nada de aconselhar".

Escândalo no Vaticano ou o Fim do 'Império Teocrático'?


A detenção de Paolo Gabriele, mordomo de Bento 16, levanta ‘fumos’ (o ‘fumo branco’ é simbólico neste minusculo Estado) de estar em marcha, na Cúria romana, um complexo processo de destituição do actual papa. link

Nada de transcendente ou de original nos sobressaltos históricos que ocorrem em qualquer Estado se não estivéssemos perante um ‘sistema de governação’ medievo e autocrático, com características particulares. Na verdade o poder (no Vaticano) assenta numa total miscigenação entre a legitimidade secular e a divina. Interessa recordar que acordo com a herança do ‘santo império romano (!)’, o titular deste cargo é eleito (nomeado) por um colégio seleccionado e selectivo, que decide sob ‘inspiração do espírito santo’. Portanto, tudo leva a crer que o processo em curso representa um ‘voto de desconfiança’ ou de 'rejeição' do deus dos católicos em relação ao seu putativo representante no Vaticano.
Estaremos perante o ruir dos dogmas, i.e., da base teológica que tem sustentado, ao longo de séculos, esta religião ?…

sábado, maio 26, 2012

Associação Ateísta Portuguesa - Mensagem do presidente


Ao comemorarmos o 4.º aniversário da Associação Ateísta Portuguesa (AAP) saúdo todos os sócios, ateus e ateias que vieram e os que não puderam vir, agnósticos, racionalistas e todos os livres-pensadores, especialmente os que vivem em países onde são excluídos, perseguidos e mortos pelo fanatismo das teocracias ou marginalizados pelo poder, onde as religiões se infiltraram no aparelho do Estado. Neste caso, estendo a solidariedade aos crentes das religiões minoritárias, igualmente vítimas das religiões dominantes.

Em Israel, com os judeus das trancinhas à Dama das Camélias, o sionismo espalha a violência e a morte na faixa de Gaza; nos EUA o protestantismo evangélico ganha força e restringe as liberdades; em África assiste-se a um duelo mortal entre o islamismo e protestantismo evangélico; no norte de África a primavera árabe caminha para a sharia e, enquanto na Grécia a Santíssima Trindade preside aos atos políticos, por intermédio do clero ortodoxo, a Turquia reislamiza-se perigosamente e muitos países são vítimas do fascismo islâmico. Os monoteísmos são detonadores de guerras mas o islamismo e o cristianismo digladiam-se na imposição das suas superstições e mentiras à escala planetária.

Em Portugal a Constituição é letra morta quando se trata de cerimónias de Estado, quase sempre assistidas por dignitários católicos, embrulhados nas vestes talares, em lugares de evidência. As procissões e outros atos pios são abrilhantados pelos cavalos da GNR e pelas forças policiais e militares dos diversos ramos à custa do erário público. Em época de eleições não faltam excursões a Fátima promovidas e pagas pelas autarquias.

Os professores de Religião católica são nomeados discricionariamente pelos bispos e pagos pelo Estado, contando o tempo para progressão na carreira de uma disciplina para a qual tenham habilitações e, assim, ultrapassarem colegas mais classificados.

O feriado do 5 de outubro, data emblemática do regime e da separação da Igreja e do Estado, foi suprimido em conluio com a Igreja católica, a única que acrescenta aos 52 domingos que já tem, os únicos feriados religiosos que existem e gozam de igualdade perante os feriados cívicos.

Enquanto a Irlanda suprime a embaixada do Vaticano, Portugal mantém, a cem metros da Italiana, outra, que não cabe no bairro de 44 hectares onde está acreditada. A pobreza e o desemprego fazem com que a Igreja católica readquira o poder perdido, infiltrando-se nas áreas da educação, assistência e saúde, com o poder crescente das Misericórdias.

Cabe à AAP lutar para que, neste período de crise, o IMI e o IRC seja estendido às instituições da Igreja, com exceção dos edifícios destinados ao culto. Os privilégios de que goza são uma ofensa à laicidade e uma fonte de iniquidade, muitas vezes de concorrência desleal, com colégios, lares, hospitais, universidade, editoras e outros estabelecimentos comerciais isentos de impostos.

Cabe à AAP defender a igualdade dos cidadãos perante a lei e a laicidade do Estado, respeitando os crentes e combatendo o poder das religiões, rumo a uma sociedade onde as crenças particulares não interfiram nos assuntos de Estado. É o nosso objetivo, a bem da paz, do progresso, da cidadania e da secularização de Portugal.

Bom almoço. Vale mais um bom almoço do que a última ceia. Saudações ateístas.

Coimbra, 26 de maio de 2012

Momento de poesia




Dissertação sobre a teoria dos abrigos…


Chegas sempre com o orvalho da madrugada
transportas o vento e as palavras que eu quero ouvir
e, nos teus cabelos, a fragrância das essências
com que perfumas os teus poemas.
Também vem a tua voz sofrida, gasta pelos
encontros e desencontros nas esquinas.
Rios que não correm, fogos que não ardem
e as lágrimas dos teus olhos sepultadas no deserto.
E tu que querias agarrar o mar com a concha da tua mão
para deslumbrares o teu olhar,
como se aquele mar fosse o teu único destino
e não existissem outros refúgios para te abrigares!...

Alexandre de Castro

Lisboa, Maio de 2012

sexta-feira, maio 25, 2012

Homenagem a Copérnico


Na passagem de mais um aniversário da morte de Nicolau Copérnico, aqui fica a homenagem sentida a essa grande vulto por parte de Portugal:

http://www.youtube.com/watch?v=0Ja1BQqduPM

Demonstration in Frankfurt...



Pormenor da manifestação de protesto contra os planos de austeridade europeus.
Frankfurt (capital financeira da Alemanha), sábado - 19.05.2012.
(Foto Reuters) 

Por que motivo desaprovo o manifesto português de apoio à Syriza ?


Em primeiro lugar porque não me parece que os direitos humanos tenham sido violados pelos partidos que, depois da ditadura dos coronéis, ocuparam o poder na Grécia, depois  porque a referida coligação integra formações cujo amor à liberdade não coincide com o meu conceito de liberdade e, finalmente, porque as personalidades que subscrevem o documento divergem tanto entre si que a dissonância é o único traço de união.

A discordância da Syriza não me impede de repudiar a atitude da Troika, a hegemonia dos bancos e a chantagem do capital sobre os países. Talvez a idade me tenha tornado conservador ou a experiência me tenha feito suspeitar das exaltações e utopias. Quiçá!

Ignorando a alternativa ao acordo de resgate, que o veredito popular a favor da Syriza tornará nulo, e não prevendo que, pelo menos, o favoritismo eleitoral lhe permita formar um governo estável, verificar-se-á a Lei de Murphy , isto é, tudo o que pode correr mal na Grécia, correrá pior e da pior maneira ou, de forma mais clássica, «se existe mais de uma maneira de uma tarefa ser executada e alguma dessas maneiras resultar num desastre, certamente será a maneira escolhida por alguém para executá-la". Temo que seja essa a opção desesperada dos gregos.

É vulgar a comparação com Portugal, aliás legítima, e o sofisma de que não pode haver um bom governo com o PS ou com o PSD, dois partidos que não se distinguem. São duas afirmações gratuitas que visam empurrar o eleitorado para situações radicais. É a versão simétrica do anticomunismo primário. Recuso tal maniqueísmo e tal chantagem.

Pode haver um bom governo do PS ou um bom governo do PSD, se as circunstâncias e os ministros estiverem à altura da tarefa. Bem sei que esta afirmação causa brotoeja nos nostálgicos dos amanhãs que cantam e nos saudosistas do tempo em que o respeitinho era muito bonito. Infelizmente não conheço experiências internacionais em que a paz, a liberdade e o bem-estar tenham sido asseguradas por uma coligação de esquerda radical.

Nesta altura, em que muitos banqueiros deviam estar a ser julgados, são os políticos os execrados e a defesa destes últimos, se moderados e bem intencionados, é uma atitude politicamente incorreta.

Seja.

O Pacto, o Governo e as ‘transições’…


..."a pior coisa que poderia acontecer era uma flexibilização do Pacto". link

Esta recente afirmação de Passos Coelho mostra como se pode, à custa de uma envergonhada agenda política (neoliberal), perverter ou ignorar o interesse colectivo e tornar bem explícito para quem este Governo está a trabalhar (governar) a ‘qualquer preço’ ou no esquema do ‘custe o que custar’…

Ou, a ‘pior coisa que poderia acontecer’, seria - na vã tentativa de  cumprir (cegamente) o Pacto -  impor mais e novas medidas de austeridade aos portugueses  (aprofundando a já preocupante recessão, provocando o colapso da economia e mergulhando o País no caos social)?

Opus Dei - A seita está a cair em desgraça ?


O presidente do banco do Vaticano, o Instituto para as Obras Religiosas (IOR), Ettore Gotti Tedeschi, foi destituído de seu cargo, informou nesta quinta-feira a assessoria de imprensa da Santa Sé.

O funcionário, consultado pela imprensa, não quis explicar as razões de sua renúncia: “Prefiro não falar, do contrário posso dizer as palavras erradas”, comentou.

Em um comunicado oficial o Vaticano explicou que Tedeschi foi destituído “por não ter cumprido várias funções de importância prioritária.” A decisão foi tomada por “unanimidade” pelos diretores da instituição, indica a nota.

quinta-feira, maio 24, 2012

O repasto de Bruxelas…

A cimeira ‘informal’, de ontem, que reuniu os dirigentes dos países da UE num jantar de trabalho, dedicou-se, na gíria política, a ‘partir pedra’. 
O repasto perturbado pela incerteza dos acontecimentos a aguardarem 'novos' (ou velhos) resultados das eleições gregas, ter-se-à dedicado a uma primeira abordagem colectiva sobre a ‘agenda do crescimento e do emprego’.
Na ausência do já desmoronado tandem ‘Merkozy’ começam a surgir alguns ‘alinhamentos’ (posicionamentos) que, não conduzindo quaisquer tipos de soluções, revelam, aos cidadãos europeus, uma visível linha de fractura europeia que (sem desvalorizar a ideologia política subjacente) passa, pelo reavivar de um velho contencioso Norte/Sul link que seria  suposto a UE – enquanto União – ter ultrapassado e ‘resolvido’…

A reunião que abriu as hostilidades (no sentido gastronómico e não só) à volta dos 'eurobonds' deverá, em tempos próximos, gerar acordos quanto aos 'project bonds'. Situação que, para Portugal, é um salto no escuro. Na verdade, para além da paralização total do País (neste campo), desde o início do 'resgate financeiro', que não são conhecidos projectos nacionais (consensuais), quanto a imediatos investimentos estruturais. A austeridade 'abafou' tudo. O acordo sobre um 'programa de crescimento e para o emprego' (ontem viabilizado na AR) deverá passar, também, por projectos nacionais, obviamente, consensuais. Estamos, infelizmente, longe disso.

O sinal positivo – e terá sido esse o dessert desta reunião - foi a mesma ter ‘acontecido’ no cuore da UE (Bruxelas) e não em Berlim ou em Paris, como num passado recente…e de onde emanavam ‘regras de ouro’ e ditakts, inegociáveis.
O facto de a discussão estar aberta e os problemas elencados para a próxima reunião ‘formal’ é, apesar da urgência de chegar a consensos, saudável.

A desintegração do Estado e a falta de autoridade


Temos um Estado autoritário mas sem autoridade. O modelo extremista ultraliberal que, no Chile, se tornou possível, com violenta repressão, foi semelhante ao modelo que está a ser experimentado na Europa, tendo Portugal como laboratório democraticamente legitimado. Um país assustado pelo desemprego galopante e pelo empobrecimento acelerado, encontra-se tolhido pelo medo, numa anestesia coletiva metodicamente provocada pela propaganda da pretensa «ausência de alternativas».

É neste quadro, no exercício ideológico que rompe o tecido social e a solidariedade, sem o mais leve sentido de equidade, que surgem personagens que desafiam a autoridade do Estado na mais absoluta impunidade, perante o silêncio da comunicação social.

No DN, de 21 deste mês de maio, vem uma notícia na página 20, site indisponível, em que se dá conta do conflito entre a GNR e a PSP provocado pela chefia da delegação nacional policial de Portugal ao campeonato europeu de futebol UEFA 2012. Segundo a jornalista, Valentina Marcelina, a falta de nomeação do secretário-geral adjunto do Sistema de Segurança Interna (SSI), um coronel, que devia comandar a força conjunta, levou o secretário-geral do SSI, Antero Luís, a nomear apenas oficiais superiores da PSP.

Desgostoso, o comandante-geral da GNR ordenou a retirada de todos os seus militares e a Associação Nacional de Oficiais da GNR declarou-se muito ofendida. Foi o desacordo entre a GNR e a PSP que levou Antero Luís, com anuência do ministro da tutela (MAI) a optar pela solução referida.

Que país é este onde um general se permite contrariar a decisão do superior hierárquico e do próprio ministro sem que seja imediatamente exonerado? De facto, um governo autoritário não goza obrigatoriamente de autoridade.   

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, maio 23, 2012

Bento 16, prepotente e arrogante



O Papa B16, um autocrata medieval, não se limita a ser cordial nas relações e sensato nas mensagens, comporta-se como chefe do ex-Santo Ofício e trata os países como protetorados.

Na mensagem que dirigiu a François Hollande, depois de tomar posse como presidente da França, o Papa, lembrado da promessa eleitoral do destinatário, “ser escrupuloso na exigência da laicidade”, faz votos para que o presidente francês possa, com a ajuda de Deus e "no respeito pelas nobres tradições espirituais e morais do país, alcançar com coragem os objetivos de edificação de uma sociedade sempre mais justa e fraterna, aberta ao mundo e solidária para com as nações mais pobres”, sendo estas últimas palavras absolutamente inócuas.

Na referida mensagem, já tinha feito uma ingerência na política francesa ao referir o «respeito pela vida e pela dignidade de todas as pessoas», palavras que, no jargão do Vaticano, condenam as leis da família em vigor, especialmente a interrupção voluntária da gravidez e a prometida legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Sendo o presidente francês agnóstico ou ateu, vivendo em união de facto com a mulher, situação que provoca a cólera divina, e tendo a Igreja católica francesa manifestado preferência pelo candidato derrotado, é de enorme insolência de B16 oferecer o seu deus para o ajudar.

Não satisfeito com a atitude prosélita, num país que deve à laicidade o fim das guerras religiosas, B16 conclui a mensagem concedendo a sua Bênção apostólica ao Presidente Hollande e a todos os franceses.  Quem lha encomendou? Não lhe passará pela cabeça que a bênção a «Hollande e todos os franceses», embora se trate de um placebo para os não católicos, pode ofender os destinatários? Sendo uma provocação aos crentes da concorrência, aos agnósticos, racionalistas, ateus e a todos os livres-pensadores, a bênção com que pretendeu fustigar todos os franceses revela a sua vocação totalitária.

Mais comedida, a bruxa da Lousã só costumava abençoar as peças de vestuário que os crentes lhe apresentavam.

terça-feira, maio 22, 2012

Recortes de jornais - 1.ª página

Correio da Manha


Meia Idade

segunda-feira, maio 21, 2012

Banqueiro Jardim Gonçalves é um humorista


O ‘único' problema?…


'O único problema que Portugal teve com um banco foi o caso do BPN que foi nacionalizado e viu as suas necessidades de liquidez satisfeitas através da Caixa Geral de Depósitos'.

Declarações efectuadas pelo Banco de Portugal como reacção a uma notícia de um blog do Financial Times (Alphaville) link


Interjeições:

- A liquidez foi oferecida pela CGD (ou saiu no ‘euromilhões’!) ?

- Foi ou continua a ser (o 'caso BPN')?

- Viu (as suas necessidades satisfeitas) ou é melhor esperar para ver?

- A quanto soma o contributo ao BPN (5.000 M€?/6.000 M€/7.000 M€/ ou mais)?

- A ‘recapitalização’ dos bancos nacionais deixou de ser um problema ?

Comentário:
Ficamos sem saber se estas declarações são um esclarecimento ou mais uma rábula sobre a novela BPN...

Ó tempo volta para trás...


domingo, maio 20, 2012

Velhos marinheiros


Acenando para o Mundo a partir de Camp David…




O controverso G-8, um ‘Grupo’ que vai na sua 38ª. reunião ‘informal’, continua, à margem dos grandes areópagos internacionais (ONU, OUA, OCDE, OMC, OIT, OEA, ASEAN, FAO, Mercosul, …), a tentar influenciar a política económica e financeira global e a 'trabalhar' no modelar de respostas para fazer face às novas realidades (políticas, económicas e financeiras) e aos permanentes desafios, mundiais.
Situações e problemas relativos ao desenvolvimento vêm merecendo particular atenção deste Grupo, desde o desencadear da presente ‘crise global’, em 2007/2008, e têm originado variadas orientações, recomendações e previsões de desfechos (evolução) cuja execução e resultados continuam longe de ser conseguidos. Um exemplo paradigmático será as repetidas ‘declarações de intenções’, desde 2008, sobre a regulação do sistema financeiro...

Uma das principais grandes insuficiências (grande debilidade) deste grupo (G-8) tem sido a sua manifesta ‘incapacidade’ em, de maneira decisiva, dar respostas consensuais, eficientes e atempadas aos graves problemas regionais e mundiais que vão, dia a dia, se agravando. Um dos calcanhares de Aquiles do actual G-8 é a China (a 2ª. potência económica no ranking mundial), ou explicitando, a sua não participação formal neste Grupo.
Terá sido, na tentativa de colmatar estas questões, que surge, em 1999, um grupo mais alargado o G-20 que, associando ao G-8 os chamados ‘países emergentes’, de forma a expandir a sua representatividade, passou a integrar mais de 90% do PIB mundial. Este novo grupo desde início centrou a sua atenção sobre o ‘sistema financeiro internacional’. Na sua última reunião (Cannes, 2011) link debruçou-se sobre múltiplos assuntos da agenda internacional: emprego e protecção social; sistema monetário internacional; equilíbrios económicos e emergência de novas moedas de reserva; melhorar a capacidade de enfrentar as crises; vigilância do FMI; regulação e supervisão do sector financeiro; etc.
Passado quase um ano o único resultado visível será o contínuo agravamento da crise global.

Voltando ao G-8 verificamos que desde a ‘cimeira’ de 2009 (Aquila, Itália) cuja agenda já esteve focada num olhar para a situação de crise, tentou desenhar uma resposta “…à crise financeira e económica global, a restauração da confiança pública e a retoma do crescimento de uma forma mais sólida e equilibrada, nomeadamente através do desenvolvimento de novas regras comuns para as actividades económicas; a atenção para o social e laboral para ajudar os países mais vulneráveis, tanto nos países industrializados e pobres, a luta contra o proteccionismo e a liberalização do comércio internacional para o benefício de todos, a resolução de crises regionais, segurança alimentar e combate às alterações climáticas.link  Na declaração (de ontem) de Camp David link , pouco se avançou que ultrapasse o volúvel e especulativo campo das intenções.
Significativo - pela sua ambiguidade - poderá ser o facto da ‘cimeira de Camp David’ ter decorrido sob o espectro da crise europeia mas, no seu comunicado final, enquadrar os candentes problemas (europeus) num vasto grupo sobre ‘Economia Global’ alargando o âmbito da crise e onde se detectam pequenas nuances do tipo da extensão das preocupações económicas à área social. Assim no item 2 do comunicado (logo após à referenciação da reunião) sublinha-se que (o G8): “deverá favorecer o crescimento económico e a criação de emprego” ('tout court') link .
Tão lacónica preposição revela, em primeiro lugar, que não existem profundos consensos em torno destes dois grandes problemas que afligem, de modo dramático e persistente, muitos países do Mundo. De facto, alterações resultantes de novos equilíbrios políticos europeus, decorrentes do resultado das eleições presidenciais francesas, mostraram não ser suficientemente marcantes, para influenciar as decisões dos denominados ‘mais fortes’.

Mais uma vez, e na sequência de Camp David, se pode constatar que a UE terá de fazer o seu percurso pelas agitadas águas da crise contando fundamentalmente com as suas próprias forças e congregando esforços para salvaguardar a União do sufoco mundial. Na próxima reunião do Conselho Europeu a UE terá de avançar no trabalho de casa (com propostas concretas no campo do crescimento económico e do emprego) para, na cimeira do G-20 (México), que decorrerá daqui a um mês, ser capaz de provocar (promover), em ambiente mais alargado, uma profícua discussão sobre este complexo assunto que produza ‘resultados’ palpáveis.

Os ‘cidadãos do Mundo’ começam a ficar fartos das generalidades e ‘vacuidades’ como as que estão expressas no comunicado final da ‘cimeira de Camp David’. O ténue passo que foi dado resume-se: até aqui a consolidação orçamental foi considerada como o (único!) caminho necessário e suficiente para provocar o crescimento… e, daqui para a frente, ficou nítido que são necessárias medidas específicas e apropriadas para promover o crescimento e o emprego que ninguém parece ser capaz de definir, desenvolver e sustentar. Estamos, portanto, ainda na antecâmara das soluções (e das decisões), passados que foram mais de 4 anos sobre o ‘estoirar’ da crise. Nada que abone a favor dos líderes que, ao que parece, isensatamente, acenam para o Mundo (foto acima)...

Portugueses, timorenses e Cavaco


Os portugueses e os timorenses são mesmo povos irmãos. Ambos adoram que Cavaco permaneça em Díli. Só nos afastamos no regresso, os timorenses continuarão felizes.

Para os anticavaquistas, um grupo de portugueses que aumenta ao ritmo da população de Timor-Leste, este périplo constitui um desperdício para o erário público. A comitiva nem esperou pelos pastéis de nata com recheio de cerejas, uma iniciativa comercial com que o Fundão quis entrar no cluster dos pastéis de nata. Podiam ser objeto de promoção no Oriente.

Deixemos de ser derrotistas. É bonito ver o PR aclamado pelo povo. Em Timor. Este presidente faz falta. A Pátria, sem ele, é como um funeral sem viola.

Houve quem insinuasse que a viagem, com evidente sentido patriótico, foi um pretexto para fugir às vaias no estádio do Jamor durante a disputa futebolística da Taça de Portugal. Pura intriga. A comunicação social anunciou que a visita à Indonésia, além do interesse económico, se destina a retribuir a viagem de Sukarno a Portugal em 1960.

Eu julgava que as dívidas de cortesia eram como as outras, prescreviam com o tempo, além de Sukarno ter sido um ditador e continuar morto desde 1970. Afinal, a diplomacia manda retribuir as viagens alheias, mesmo as de dignitários em adiantado estado de defunção. Só agora percebi as viagens de Paulo Portas ao Vaticano, foi para retribuir a visita do cardeal Guido de Vico a D. Afonso Henriques.

Era destas coisas que se devia encarregar o Fernando Lima, agora que o problema das escutas está definitivamente esquecido. Devia avisar o PR de que Sukarno extinguiu os partidos políticos e, com ele, não havia efetivamente alternância de poder. Não devemos confundir a dívida do PR português para com o falecido presidente indonésio com o estudo de outras formas de democracia.

Temos motivos de orgulho. A fraude fiscal, numa operação de mais de mil milhões de euros, descoberta com a ajuda de Duarte Lima, mostra que não somos pelintras. E quantos países se podem orgulhar de queimar 19 toneladas de velas, num só dia, como aconteceu em Fátima no último 13 de maio?

Se não somos os maiores, vamos a caminho. Da Grécia.

sábado, maio 19, 2012

Grécia e o ‘day after’



A Grégia é o (primeiro) exemplo vivo de como os planos de resgate gizados em Bruxelas, Frankfurt e Washington podem 'desestruturar' completamente uma sociedade, fracturando-a, por largos anos ou, na pior das hipóteses, irremediavelmente.

Os gregos - enquanto povo - não se lançaram numa aventura, não se tornaram irresponsáveis, nem são uns 'mandriões' e/ou parasitas como a filosofia mercantilista luterana (e calvinista) os pretende catalogar. Trata-se de um povo que foi empurrado por sucessivos erros políticos, de governação económica e financeira (que mereceram a 'prestimosa colaboração' e cumplicidade de organismos, instituições e empresas internacionais) para uma humilhante e insuportável situação social, fracturante e destruidora (das pessoas e das instituições), que – a prosseguir por o actual caminho - não acabará bem e originará, como é óbvio, ‘ondas de choque’ catastróficas no domínio político, económico e financeiro (quer na Grécia, quer no seio da UE).

As actuais crises orçamentais e das dívidas públicas que assolam muitos países europeus decorrem – é uma evidência - de inadequadas concepções políticas e económicas que foram postas em prática, no pós-II Guerra Mundial. As graves perturbações e turbulências que se registam actualmente na Zona Euro inserem-se neste quadro global.
Se neste momento a política permanece refém dos ditakts e das cegas exigências financeiras que colocaram países sob o ferrete de ‘ajustamentos’ (públicos ou ‘encapuçados’), também será verdade que o modelo de governação democrática acabará, inevitavelmente, questionado (no bom ou mau sentido). Se o não for num quadro estritamente institucional, i. e., colocando em causa as organizações políticas ‘tradicionais’ da democracia (partidos e parceiros sociais, etc.), os diferentes tipos de futuras consultas populares (eleições, referendos, etc.) encarregar-se-ão de o fazer. Começa a ser pouco inteligível que se proceda a um ‘resgate financeiro’ sem, simultaneamente, mudar ‘alguma coisa’ no funcionamento da ‘praxis política’, a começar pelo controlo democrático. As eleições não poderão ser ‘ambientes’ de demagogia e de programas que submetidos ao crivo da exequibilidade estão votados ao incumprimento. Sendo imperioso regressar à política é certo e sabido que as exigências, neste campo, crescerão em flecha, obrigando que esta mude. Isto é, que seja transparente, idónea e responsável e mais próxima dos cidadãos. Assim, os resgates financeiros não bastam, nem conduzem a resultados reabilitadores se – paralelamente - não existirem mudanças na forma de ‘fazer política’, como por exemplo, nas posturas de governação, nos procedimentos executivos e nos comportamentos de regulação da actividade pública.

Quanto olhamos para a ‘direcção política europeia’, nomeadamente para o eixo franco-alemão que tem dominado (até aqui) as opções comunitárias em todos os seus vectores, sentimos que a presente ‘deriva intergovernamental’ erguida sob os escombros das instituições europeias orgânicas (PE, CE) mostrou-se, em vários momentos, incapacitada, insuficiente e hesitante na construção de respostas prontas e credíveis aos desafios que enfrentamos (não vamos usar o termo ‘sustentadas’).
Essa ‘dominância’ para além de não ser capaz de gerar soluções consensuais já que – em muitas situações - gravita à volta de interesses nacionais e/ou partidários, falha no campo da representatividade (política). Os Tratados e os Pactos de âmbito europeu passam ao lado desse problema fundamental: a coordenação e coesão (de) política(s). E são falhos na questão de representatividade que só será plena e estável quando for conseguida no seio de uma União que assente em qualquer modelo de federalismo (estatuto que incomoda muita gente).

O ‘drama grego’ poderá ser usado como uma oportunidade (agora que tudo parece ser uma ‘oportunidade’) para novas aprendizagens de vivência democrática e, mais, no testar da solidez dos laços comunitários.
Não é avisado pensar que o permanente agitar do espantalho acerca do eventual abandono, pela Grécia, da Zona Euro resolverá quaisquer dos múltiplos problemas que a UE enfrenta neste conturbado período histórico. Se tal situação vier a ocorrer será, antes, o primeiro dia do resto da União. O risco de implosão é enorme porque se tornará incontornável o diluir da incipiente coesão europeia que, com alguns sobressaltos, foi sendo conseguida ao longo percurso histórico que se iniciou no Tratado de Roma (1957).

O previsível impasse político a que as próximas eleições na Grécia deverão conduzir tornam, de modo cada vez mais notório e premente, a necessidade (obrigatoriedade) de repensar as actuais 'receitas UE/BCE/FMI' e, ‘ordeiramente’ (cliché muito em voga), adequá-las aos povos e aos cidadãos de modo a que, com dignidade, justiça, equidade e tempo (não esquecer este vector), se possam corrigir sem ressabiamentos profundos os erros do passado e resolver os múltiplos problemas actuais (graves e sistémicos), não comprometendo (nem empenhando) simultaneamente a democracia (na sua essência) nem o futuro, por longos e sofridos anos.
Se a UE pretender enfrentar a presente ‘tempestade’ alijando carga ao mar, vai perder lastro...e correrá o risco de afundar-se. As desencontradas reacções oriundas de Berlim, Paris, Madrid, Roma, Bruxelas, Madrid, Frankfurt, etc., parecem, cada vez mais, o estoirar de fátuos 'fogos de artifício' e, por outro lado, o frequente (sistemático) refúgio na inevitabilidade do estrito cumprimento dos 'acordos' intergovernamentais estabelecidos entre executivos europeus (por regra ao arrepio do escrutínio popular) mostram à saciedade que os problemas são (muito) maiores do que a Grécia.

Em 18 de Junho - no dia seguinte às eleições na Grécia - novos desafios aparecerão à luz do dia, no contexto europeu. Tudo leva a crer que o mais importante e significativo será a indelével marca do insucesso das lideranças políticas (grega e europeia). É que na trajectória (histórica) dos povos, tal como se verifica na vida, processos de ruptura encerram sempre responsabilidades de vários ‘actores’.

O previsível impasse resultante das próximas eleições gregas 'manchará' todos os protagonistas que têm estado no terreno. Assim, no day after, a Grécia poderá estar à beira da bancarrota mas, simultaneamente, a liderança europeia dos tempos de crise encontrar-se-á imersa - ou submersa - num profundo mar de descrédito. Assim, o 'escrutínio de Atenas' contamina (outro termo recorrente da política) quer o modelo de governação da Grécia nos últimos decénios (decorrente do derrube da ditadura dos coronéis), quer a política europeia, nomeadamente, o excessivo protagonismo do eixo Paris-Berlim e um progressivo e aviltante ‘apagamento’ das instituições europeias em especial da Comissão Europeia e Parlamento Europeu. E nesta quezília não há ‘inocentes’…

Não abatam as árvores


Cartas secretas do Papa geram escândalo


A publicação de uma série de cartas confidenciais do papa Bento XVI sobre temas quentes, como as intrigas do Vaticano e os escândalos sexuais do padre mexicano Macial Maciel, provocou desconforto na Itália diante de um vazamento de informações sem precedentes.


Um resumo do livro, que estará a venda no sábado em toda a Itália com o título "Sua Santidade, cartas secretas do Papa", escrito por Gianluigi Nuzzi, autor do best-seller "Vaticano SA", sobre as finanças da Santa Sé, foi publicado nesta sexta-feira pelo jornal Il Corriere della Sera.

sexta-feira, maio 18, 2012

Cavaco, capitão de longo curso


Segundo uma pequena notícia do DN, hoje, na pág. 25, partiu ontem para a mais longa viagem dos seus mandatos, o presidente da República, num périplo que se previa para amanhã, perante a indiferença dos portugueses, que não deram pela falta.

Não se sabe se foi por precaução que se anunciou hoje a viagem de ontem, prevista para amanhã. Não é uma viagem clandestina e a presidente da AR não deixará de substituir o PR, como manda a Constituição.

Uma viagem desta natureza merece ser conhecida dos portugueses. Cavaco Silva, tão zeloso na defesa do seu património, há de ter ponderado o binómio custo/benefício de uma viagem que inclui Timor-Leste, Indonésia, Austrália e Singapura, destinos que mais parecem obedecer a um roteiro de lazer do que a objetivos comerciais e políticos.

A agência Lusa apenas refere, na comitiva, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Ramalho Eanes e um desconhecido secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, mas, tendo em conta as viagens anteriores, ninguém estranharia a presença da mulher do PR. Dada a austeridade que o país sofre é de crer que a viagem tenha sido preparada para obter lucros económicos e vantagens comerciais nos países de destino.

Por isso se estranha a ausência do ministro da Economia para a promoção dos pastéis de Belém e do das Finanças para negociar empréstimos em condições mais vantajosas. Nos próximos dias se saberá quem faz parte da comitiva e quais os objetivos patrióticos que estiveram na origem da viagem numa altura em que a situação financeira do país exige um escrutínio rigoroso dos gastos públicos.

Pode ser que valha a pena.  

A França, o Papa e a Laicidade


O Presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, cardeal Rino Fisichella, falou no “direito de Deus”, o contrapoder antidemocrático que gostaria de sobrepor ao sufrágio universal. No mesmo dia, o Papa aproveitou as felicitações hipócritas ao novo presidente francês para lhe solicitar «respeito pelas «tradições espirituais», uma afronta a um país sem mácula no respeito pela liberdade religiosa.

«A República [Francesa] assegura a liberdade de consciência » e «garante o livre exercício dos cultos» (Art.º 1) mas «não reconhece, não remunera nem subvenciona nenhum culto» (art.º 2 ) da lei de 11 de Dezembro de 1905, texto que Pio X condenou e que os dois últimos pontífices se esforçaram por remover.

A França não esqueceu, na hora do voto, as piruetas de Sarkozy para atrair votos dos crentes, sobretudo dos católicos, tradicionalmente conservadores e certamente teve em conta os recados do Vaticano e do episcopado contra François Hollande.

Na última terça-feira, o novo presidente francês manifestou a sua intenção de reafirmar “em todas as circunstâncias” os “princípios intocáveis da laicidade” do país, comprometendo-se também na luta “contra o racismo, o antissemitismo e todas as discriminações”. Não fez mais do que reiterar o respeito pela lei e pelos compromissos assumidos durante a campanha.

A laicidade tem poupado a França às humilhações que os dignitários religiosos gostam de impor a quem tem legitimidade democrática e, desde 1905, tem sido um instrumento útil para defender a cidadania do comunitarismo e a liberdade da exótica vontade divina que, jamais, seja qual for a religião que a interprete, se conforma com as leis humanas.

A laicidade é a forma justa de tratar todas as convicções de igual forma e de combater a subversão que o proselitismo procura. Mais do que um direito, é uma necessidade para os Estados conterem o proselitismo de religiões concorrentes.

O Estado é incompetente para se pronunciar sobre assuntos da fé e não deve encarregar-se de promover a difusão de qualquer credo particular.

A França, no que diz respeito à laicidade, é um modelo que devia servir de exemplo aos outros países. Os franceses, vítimas do genocídio provocado pela cruzada contra os albigenses, têm na laicidade a arma que impede o Vaticano de impor a sua iconografia nas escolas, tribunais, repartições e outros edifícios públicos e, sobretudo, a coerência para se defenderem do fascismo islâmico fomentado nas madraças e mesquitas.

A laicidade é filha dileta da República. Viva a República.      

quinta-feira, maio 17, 2012

Portugal a caminho do abismo



A Grécia, os eleitores e a União Europeia


Quem sempre defendeu o direito dos povos à autodeterminação não pode, ainda que as leis comunitárias o não prevejam, impedir os gregos de sair da União Europeia. Sinto mesmo alguma relutância na repetição de eleições como se o processo só possa terminar quando os gregos se renderem à vontade alheia.

No entanto, a situação é mais complexa do que aparenta. Os gregos, acossados pelos credores, em verdadeiro desespero, não votaram contra a União Europeia, como todas as sondagens revelam, votaram contra a asfixia económica e a pobreza que os assola. No estado atual da correlação de forças, a nível europeu, a Grécia ousou fazer um bluff e apostou a magra cave que lhe restava num jogo de póquer, com as cartas à mostra.

É justo dar outra oportunidade a quem entregou o voto a extremistas e partidos exóticos sem programa e sem rumo. Não é justo devolver aos coronéis um país que pode arrastar para o caos a débil economia europeia e para a ditadura os países que soçobrarem neste período de crise. Não há democracias perpétuas e as ditaduras têm mecanismos para se tornarem duradouras.

Apesar da vocação suicida que os gregos manifestaram nas últimas eleições, por mais culpas que lhes possam ser atribuídas na situação a que chegaram, a União Europeia não está inocente e, muito menos, os nacionalismos que perturbaram o avanço para a integração política e social de que depende o futuro da União.

A França e a Alemanha, seja quem for que as lidere, terão nas suas mãos, agora e nas próximas décadas, o futuro da Grécia e o da Europa, pois serão a locomotiva do projeto europeu ou os coveiros do sonho de Adenauer, Churchill, De Gasperi, Jean Monnet, Robert Schuman, Paul-Henri Spaak, Jacques Delors, e Helmut Kohl, entre os mais destacados.

Desistir da construção europeia, do aprofundamento da política e da defesa comuns, é o meio mais fácil para despertar a extrema direita que hiberna desde maio de 1945.

A ajuda à Grécia é um investimento na paz, na segurança e na prosperidade do velho Continente, num mundo sem soluções para assegurar a sobrevivência da população que já ultrapassa em 50% a capacidade física do planeta.  
 Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, maio 16, 2012

Quo vadis, Gaspar ?


terça-feira, maio 15, 2012

Vaticano colabora com as autoridades italianas

Contrariamente ao que tem sucedido noutros crimes, incluindo a proteção ao arcebispo Marcinkus no caso da falência fraudulenta do Banco Ambrosiano, desta vez o Vaticano imita os Estados de direito.

O porta-voz do Vaticano assegurou hoje a “plena colaboração” da Santa Sé com as investigações da justiça italiana relativamente a Enrico De Pedis, falecido líder da Mafia, cujos restos mortais foram identificados na basílica romana de Santo Apolinário.

Era difícil fazer mais e pior


Cemitério privativo



Autoridades italianas abriram hoje uma sepultura na Basílica de Santo Apolinário, em Roma, e confirmaram, através de um exame de impressões digitais, que nela estava enterrado o mafioso Enrico De Pedis.

Comentário: Cemitério interdito a mafiosos que não sejam papas.

segunda-feira, maio 14, 2012

Breve nota à margem da crise grega...


Alguns dirigentes europeus têm expressado – nos últimos tempos - múltiplas e divergentes opiniões sobre a ‘crise grega’ e predito os seus efeitos sobre a Zona Euro e a UE. link; link; link; etc…

Existem, nestas distintas opiniões (e muitas outras que têm sido debitadas nas últimas horas), dois factos essenciais:

1) O permanente levantar do espectro de que a Grécia venha a abandonar a Zona Euro (e concomitantemente a UE) a par de ‘volúveis’ desejos acerca do interesse da sua permanência, num cíclico e sinuoso arremesso de recados aos gregos (políticos e cidadãos);

2) A clara percepção – dos cidadãos europeus - que tão desencontradas manifestações públicas dos dirigentes políticos europeus só é possível porque, desde há muito tempo, esses (cidadãos) não são consultados sobre decisões (políticas, financeiras e fiscais) que as instituições europeias querem transformar em diktats.

É indubitável que o segundo factor condiciona o primeiro. A legitimidade não pode ser exclusivamente institucional. Tem de ser participada e partilhada, mesmo que ‘isso’ seja um incómodo. Mas, decididamente, as eleições para o Parlamento Europeu de 4 em 4 anos, não bastam.

domingo, maio 13, 2012

Democracia, disse ele…

Barroso sublinhou que tem "muito respeito pela democracia e pelo parlamento gregos". "Mas devo respeitar igualmente os restantes 16 parlamentos nacionais que aprovaram a ajuda à Grécia", acrescentou. link
É a custa de tiradas como esta que estamos na situação actual.

Na verdade, o que está em causa e no centro da discussão política europeia - e necessita de ratificação parlamentar - é o ‘Tratado Orçamental Europeu’ que, tal como hoje existe, não passa um ‘acordo intergovernamental’ link
Até ao momento só Portugal procedeu à sua ratificação parlamentar num gesto impaciente e precipitado de ‘bom aluno’ o que nos poderá colocar, no futuro, em mais uma situação (política) incómoda. Nenhum outro País anunciou datas para uma eventual ratificação, excepto a Irlanda onde este tipo de situações tem – constitucionalmente – de ser referendado.

Aliás, nas 2 principais economias europeias (alemã e francesa) esta situação (ratificação) não será assim tão linear.

Em França, a mudança de ciclo político, com a recente eleição de Francois Hollande, faz adivinhar algumas dificuldades se acaso esse projecto de Tratado não incluir uma ‘agenda para o crescimento e emprego’. link

Na Alemanha, a situação é politicamente complexa devido aos processos eleitorais em curso nos ‘lands’. O SPD e os ‘Verdes’ exigem a introdução à escala europeia de um imposto sobre transacções financeiras, cuja receita deverá servir para promover políticas de emprego e crescimento económico nos países da moeda única com mais dificuldades financeiras. Este é um percalço que Angela Merkel não avaliou quando, no final de Novembro de 2011, impôs as suas ‘regras’ ao Conselho Europeu a troco da manutenção da assitência financeira aos países com graves problemas da dívida soberana, do equilíbrio orçamental, de recessão económica e de elevadíssimas taxas de desemprego. link

O presidente da Comissão Europeia ao dirigir-se à Grécia, com a vaga declaração de ‘respeitar a democracia e o parlamento gregos’ pretende escamotear a circunstância de estar a interferir em domínio soberanos (não é só a dívida que é soberana) e 'ajeitar' a realidade política (europeia). Saberá, como qualquer cidadão europeu - apesar da letra introduzida no acordo orçamental consagrar a necessidade da ratificação por 12 Países - que se a França e a Alemanha não o fizerem o dito ‘Tratado’ estará morto e enterrado, com todas as consequências (políticas, económicas e financeiras) que daí poderão advir.

Todavia, o exigível ao presidente da Comissão Europeia é uma atitude mais sensata, equilibrada e isenta – ‘mais democrática’ - abstendo-se de advertir (ameaçar?) um Estado membro em graves dificuldades políticas (Grécia) com pressões intoleráveis, distorcendo a realidade política implantada no terreno. Isto é, levando a água ao seu moinho.

A invocada democracia e os parlamentos nacionais não merecem ser expostos a tanta demagogia e a tão caricatos ‘entorses’.

Falta uma outra 'adenda' aos celebrados tratados europeus : uma ‘regra de ouro’ com um novo e adequado perfil para os dirigentes europeus…

Crónica de um 13 de maio


Maria

Se a alva e meiga Senhora que há noventa e cinco anos poisou numa azinheira, vestida com um manto de luz, para gáudio de três inocentes pastorinhos, por erro de navegação celeste houvesse poisado numa azinheira errada e encontrado um só pastor, mancebo de vinte e tantos anos; se a falta de energia lhe tivesse apagado o manto, sendo a beleza tanta quanto dela disseram as criancinhas, e entre o manto e o corpo nada houvesse, como é de crer, por ser a luz que resplandecia o único vestido que a cobria, poderia o dito pastor chamar-se José, como o humilde e humilhado carpinteiro de Nazaré, e a história seria outra.

 Se o dito pastor, mancebo de vinte e tantos anos, na flor da idade e do desejo, impelido pelos sentidos, fosse tão rápido e eficaz a tomar a dita Senhora como o era a conduzir o rebanho, não seria o papa, muitos anos depois, a entrar em êxtase; seria ele, pastor, ali e então.

E, em vez de serem criancinhas a ouvir “eu sou a Nossa Senhora”, pitoresca apresentação que só ouvi a um sargento, apresentando-se aos soldados, “eu sou o nosso primeiro Vieira”, em vez dessa apresentação que os exegetas atribuem à Virgem Maria, teria ouvido o pastor, mancebo de vinte e tantos anos, mais afeito ao rebanho que ao corpo feminino, à guisa de apresentação e despedida, com voz lânguida e conformada, “eu sou Maria”.

Tudo leva a crer que a referida Senhora, de tão rara beleza, teria esquecido a conversão da Rússia, poupado o dito pastor à oração e, em vez de duas ou três aparições, poderia tentar outras, sabendo embora que não era a azinheira certa aquela em que poisava, mas adivinhando à sua sombra o pastor, mancebo de vinte e tantos anos.

Dizem-me que o País deveria duplicar o número de azinheiras para igualmente duplicar as probabilidades de novas aparições. Tenho a esse respeito opinião diferente, tese igualmente respeitável, embora nestas questões pouco valha a dialética, impossível que é formular a antítese, pois a ciência certa nunca a teremos. Penso que o caminho, o caminho correto, está em duplicar o número de crianças que prefiram à escola a oração e se dediquem à pastorícia, de preferência longe dali, que os milagres raramente se repetem perto, e se acontecem, como há sobejas provas na Ladeira e noutros sítios, nunca são reconhecidos, por se desconfiar da abundância e se temer a concorrência.

E se no futuro apenas houver pastores crianças, com joelhos no chão e olhos no Céu, nunca mais haverá qualquer pastor na flor da idade e do desejo, mancebo de vinte e tantos anos, a ofender a virtude e a mudar o sítio às azinheiras, a perturbar a circulação celeste e os milagres.


Carlos Esperança

sábado, maio 12, 2012

Os monoteísmos são fundamentalistas


E, Passos, insiste: nas bacoradas e no subavaliar da inteligência dos portugueses…


Depois das descabidas e injuriosas perorações de ontem sobre o binómio ‘desemprego/oportunidade de vida’, hoje, Passos Coelho voltou à carga.

Pior a emenda do que o soneto.

Tomemos em atenção esta pérola: “O desemprego é hoje a maior chaga social que nós temos, não há dúvida quanto a isso, e nós temos de a vencer. Mas não vamos vencer a situação do desemprego estigmatizando os desempregados…” link

Saberá este novel e verborreico teorizador de doutrina social o que significa ‘chaga’ e ‘estigma’?

Ou preferirá continuar – impunemente - a escarafunchar em ‘feridas’ (sociais, políticas e económicas) até que as mesmas gangrenem?

Começa a ser deprimente ouvir tiradas deste tipo e a constante necessidade de posteriores esclarecimentos. Começa a ser cansativo este tipo de argumentação e a atribuição de culpas aos outros. Ninguém pode ser acusado de querer “aproveitar qualquer coisa” para criar “uma tensão enorme no país”. Na verdade, o que sucede é que a falta de preparação política e social do improvisado prelector (que frequentemente vem à tona) choca com a incapacidade de explicar de modo transparente o seu pensamento (a ideologia se a tiver) . Isto é que está a criar tensão ou, pior, preocupação.

É o segundo deslize grave sobre o drama do desemprego no nosso País. O primeiro foi a tirada sobre a emigração dos professores desempregados link , facto que, também, motivou um chorrilho de interpretações e justificações.

Somos levados a crer que à terceira será de vez. Não andaremos longe de ver mais um político português na diáspora, por essa Europa fora, para fazer a necessária (indispensável) formação em Retórica. De certo modo, tem sido assim desde a I República (ou até terá começado antes: na Monarquia).

É que a pachorra esgota-se. Muitas vezes subitamente!

O primeiro-ministro, o desemprego e a falta de senso



Desde a ditadura, onde a casa era o mundo da mulher, que não havia tantos portugueses  com oportunidade de mudar de vida, mas jamais alguém, nem o atual inquilino de Belém, que não prima pela sensibilidade, manifestou tamanha indiferença pelo drama que todos os dias se agrava e já ultrapassa 15% dos portugueses.

Talvez seja a animosidade contra os políticos e a inveja por quaisquer privilégios da função que conduziram Portugal a este estado e o Governo a este elenco.

Podem as circunstâncias internacionais e o histórico atraso de país periférico dificultar a recuperação económica que permita erradicar a chaga do desemprego em Portugal, mas não podem permitir ao PM estagiário manifestar pela vida das pessoas o apego de um elefante pelos cristais.

Não se trata de mera incompetência para gerir um país, de incapacidade para resolver os problemas do desemprego ou de insensibilidade para avaliar o desespero de numerosas famílias, trata-se da mais despudorada humilhação a quem procura um lugar em que se sinta útil e que lhe permita angariar meios de subsistência.

Pode pensar-se que, à falta de preparação para o cargo, Passos Coelho alia uma absoluta incapacidade para comunicar, mas começa a ser claro que estas frases, associadas ao conselho aos jovens para emigrarem, revelam um extremismo ideológico que faz parte da agenda ultraliberal do partido que se disfarça sob o nome de social-democrata.

Se a deriva reacionária deste Governo não for parada a tempo não é o destino da Grécia que nos espera, é uma experiência chilena que espreita.

sexta-feira, maio 11, 2012

Tudo boa gente


Segunda carta ao Presidente do ACP


Ex. mo Senhor
Carlos Barbosa carlos.barbosa@acp.pt
Diretor do A C P   Cc. revista@acp.pt
Lisboa


Senhor Carlos Barbosa

Em resposta à minha carta, recebi a sua estimada epístola, que mereceu a minha melhor atenção, e à qual vou responder por pontos, seguindo a metodologia de V. Ex.ª, evitando os atropelos gramaticais:

1 – Refletirei sobre a qualidade de «muito infantil» que genericamente me atribui por ter visto na insólita queixa do ACP ao DIAP um ato de cariz partidário;

2 – Registei que nunca se meteu, nem meterá em política, donde deduzo que, em caso de nova ditadura, já sei quem pactuará com o seu silêncio, mas a atitude tomada revela, no mínimo, uma exceção;

3 – Desconheço o mandato dos sócios para, sob o álibi da sua defesa, o ACP tomar uma atitude persecutória em relação a governantes do último Governo, à semelhança do que fez ao presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, cuja eleição lhe causou azia;

4 – Registo a ausência de relações do ACP com o Largo do Rato e a Rua de S. Caetano, à Lapa, bem como a ausência de intenção do cidadão Carlos Barbosa de usar o lugar de presidente para transformar o ACP em partido político, bravata de quem sabe não estar à altura, nem ter estatutos que lho permitam;

5 – Afirmar que “há diferentes opiniões entre juristas do PS e independentes” (outros) é uma ofensa gratuita aos juristas por quem pensa que o direito se molda às convicções partidárias, sendo desmentido pelas afirmações contrárias do Professor Costa Andrade, fundador e militante do PSD, catedrático de Direito Penal, em Coimbra;

6 – Tomo nota de que preciso de um espelho para ver que sou “um medíocre cidadão”, contrariamente a V. Ex.ª que nem precisa de espelho;

7 – Felicito-o pelos 97% de votos que recolheu nas últimas eleições, um resultado a fazer inveja ao querido líder da Coreia do Norte, mas não reconheço ao enxofrável presidente do ACP o direito de me aconselhar a deixar de ser sócio;

8 – Registo que, não havendo censura na revista do ACP, ela será exercida pelo seu presidente, que certamente nem precisa de consultar a direção, com o argumento de que «o nível dos nossos sócios é claramente superior» ao meu. E, provavelmente, superior ao do respetivo presidente;

9 – Finalmente, por me parecer deficiente a sua formação democrática, aproveito para lhe dizer que a democracia é também o respeito pelas minorias.

Apresento- lhe os meus cumprimentos e fique bem.

Alfredo Carlos Barroco Esperança
(Sócio N.º 34024-0)

quinta-feira, maio 10, 2012

A privatização das secretas



Comentário : O Presidente da República, que usa o sítio da PR para responder às suas trapalhadas pessoais, não informa os portugueses sobre a promiscuidade entre o ministro Relvas e os ex-espiões?

A Resposta do Sr. Carlos Barbosa

Resposta do Sr. Carlos Barbosa à carta que lhe enviei e em que confirma a censura à sua publicação:


Carlos Barbosa carlos.barbosa@acp.pt
20:19 (1 hora atrás)


para mim, R, Gabriela 


Ex senhor Carlos Esperança
Acuso a recepção do seu mail que agradeço.
Obviamente que não lhe vou responder no mesmo tom,porque não o conheço de parte nenhuma,mas deixe-me que lhe diga:
1-a queixa não tem como é obvio nenhum cariz partidário,só alguém muito infantil poderia pensar isso porque o ACP nao se mete em política,nem eu próprio,nunca me meti nem nunca me meterei.Nao é a minha praia...


2-Fui mandato pelos sócios para defender os seus interesses e os dos automobilistas em geral,quando fui eleito para a Direcção do ACP,como nao precisei de mandato nenhum,para combater os preços de combustíveis,ou a petição a AR sobre o documento automóvel,etc,etc


3-O ACP nao tem ligações ,como é obvio,nem a Rua Sao Caetano,nem ao Largo do Rato(nao sei se v.exa tem a esta ultima ou outra) nem ambições,pelo menos enquanto eu for presidente,a tornar- se num partido.


4-Engana- se mais uma vez quando diz que nao temos suporte legal.Obviamente os juristas do PS dirão uma coisa os independentes outra,como é o caso de vários consultados.


5- Medíocre cidadão calculo que pensou nisso quando se estava a barbear e se viu ao espelho.


6-O comunicado nos jornais foi exactamente para esclarecer os ignorantes do propósito do ACP.


7-Como sou"abominável presidente do ACP" e como tenho o mandato de 97% dos votantes nas ultimas eleições sugiro,agora sim que vexa deixe de ser sócio,para nao ser violentado.


8-Nao há qualquer censura na revista na revista do ACP,mas obviamente nao publicamos,cartas como a sua,porque o nível dos nossos sócios é claramente superior.


Apresento- lhe os meus cumprimentos e fique bem.

Carta ao Automóvel Clube de Portugal


Ex. mos Senhores
Direção do A C P
revista@acp.pt
Lisboa

Assunto: O automóvel Clube de Portugal e a política partidária

Caros Senhores,

O signatário, sócio há cerca de 30 anos, ficou perplexo com a queixa de cariz partidário do presidente do ACP, feita ao D.I.A.P., contra membros do anterior Governo, sem que para isso tivesse sido mandatada pelos sócios.

Há muito que o ACP parece a sucursal da Rua de S. Caetano à Lapa, através de direções ligadas ao PSD, com ambições partidárias.

Apesar de o Capítulo 1 dos seus Estatutos, Artigo 3.º, declarar que «Ao ACP é vedada qualquer actividade política ou religiosa», não me dei conta, nestes trita anos que levo de sócio, que os seus diretores se inibissem de tomar atitudes partidárias.

O atual presidente da direção levou agora demasiado longe a ambição e o disparate, ao pretender, sem suporte legal, segundo eminentes juristas, mover uma ação judicial contra membros do Governo que os eleitores derrotaram nas últimas eleições. E fê-lo, não na qualidade de medíocre cidadão, mas como presidente do ACP, tornando-se indigno das funções que exerce e exorbitando do mandato que os sócios lhe conferiram.

Espero que o comunicado enviado aos jornais tenha sido pago pelo Sr. Carlos Barbosa e não à custa dos associados.

Não peço aos governantes que me mandem um reboque em caso de avaria do automóvel e também não aturo ao diretor do ACP que, em meu nome, diga ao Governo, a qualquer governo, como deve governar. Se a vontade de agradar ao partido o leva a tais dislates é altura de pedir a demissão do cargo e mudar de funções. É um abominável presidente do ACP, mas pode tornar-se um bom funcionário administrativo ou um razoável mecânico para desempanar viaturas.

Aguardando a mudança de funções do Sr. Carlos Barbosa, que ninguém mandatou para instrumentalizar a direção do ACP, contrariamente ao que afirma, em nome da Direção, no comunicado enviado à imprensa,

Subscrevo-me sem consideração.

Alfredo Carlos Barroco Esperança
(Sócio N.º 34024-0)

P.S. – Peço que esta carta, ao contrário das anteriores, escritas por idênticos motivos, não seja outra vez censurada na revista do ACP.