sábado, junho 30, 2012

Combater o desastre orçamental com: ‘mais do mesmo…’


Pedro Passos Coelho, que reagia ao anúncio dos valores da execução orçamental divulgadas pelo INE relativamente ao primeiro trimestre deste ano, reconheceu que “há mais dificuldades” para alcançar as metas fixadas. “Os riscos significam que ainda temos muito que fazer e muito que trabalhar”, afirmou aos jornalistas em Bruxelas no final de uma cimeira de líderes da União Europeia (UE)… link

Os ‘acidentes’ são, como de resto tudo o que é possível acontecer na vida, muitas vezes, incontornáveis. O desejável, portanto, face à inevitabilidade dos imponderáveis e das múltiplas variáveis (aquilo que Passos Coelho chama ‘riscos’), é tentar prevenir ou, na sua impossibilidade (será o ‘nosso caso’ já que os erros foram ao longo de décadas consumados), parar para pensar, tentar reavaliar e, consequentemente, reequacionar respostas. Os sistemas políticos e económicos devem adaptar-se, serem compatíveis, com a coesão social e com o desenvolvimento. E não ao contrário, i. e., tentar construir a estabilidade social e económica à custa de modelos importados, de fórmulas abstractas e/ou académicas (necessariamente ideológicas) ou de fixidez de objectivos.

O actual Governo optou pela rigidez, pela estreita via (de sentido único) das imposições 'sem alternativas', escolheu a obstinação, sob o lema do: ‘custe o que custar’. É por isso que na actual situação, em que é perfeitamente verificável, para qualquer cidadão, que a execução orçamental está em acelerada derrapagem será difícil aceitar qualquer tipo de fuga em frente. Tal caminho jamais esconderá, ou iludirá, o pesadelo do desastre eminente. Quando muito servirá para ganhar tempo. Mas, como temos a percepção, o tempo disponível para acertar respostas será outro dos nossos grandes deficits.

A hesitação com que o Governo está a tentar gerir a presente 'crise orçamental' - deixando em suspenso inconcebíveis novas medidas de austeridade - rapidamente entrará em confronto com irremediáveis perdas políticas, sociais e económicas.
O agitar de mais medidas de austeridade em abstracto - sem avaliar as responsabilidades que a própria austeridade (medidas adicionais na 'gíria passista') tem sobre o desenrolar do presente descontrolo orçamental - é uma espada de Damocles que impende sobre a tão desejada (e apregoada) estabilidade governativa e poderá ser o início de uma cascata de outros incontrolados ‘desaires’.
Desde logo, as repercussões económicas que gravitam à volta do espectro de uma intensificação da 'espiral recessiva' (uma das causas do presente revés orçamental).
Socialmente, são múltiplas as declarações (de diversos quadrantes políticos) que atingimos, já a algum tempo, o limiar do tolerável quanto ao encaixe de sacrifícios e estamos na presença de ‘níveis sofrimento’ dramáticos (caso das elevadas taxas de desemprego).
Finalmente, a coesão política da actual maioria. A questão da opção do ‘nem mais tempo nem mais dinheiro’ versus ‘renegociação do Memorando’ (que não da dívida) rapidamente se transformará num insanável foco de ‘desentendimento’ no seio da maioria como sugerem nas entrelinhas as declarações do deputado João Almeida (porta-voz do CDS): …"ver se, havendo um reajustamento diferente, se isso justifica ou não também uma ponderação em relação a todo o programa [de ajustamento financeiro]"… link

A púdica ‘surpresa’ do Governo quando confrontado com os penosos resultados e, pior, quando tenta interpretar as  (anunciadas) consequências que a excessiva austeridade necessariamente 'provocou' na execução orçamental, não pode ser combatida com ‘mais do mesmo’ ou com o ‘custe o que custar’.
Falta reconhecer - e retirar todas as consequências - que o 'programa' (ou o modelo) falhou, que ‘os factos são teimosos’ e, por último, que a obstinação não é uma virtude (política). É neste impasse que estamos cá dentro.

Do que ‘passou’ lá fora, no último Conselho Europeu, continuamos à espera da necessária informação, algo que acrescente substância à estafada e improfícua figura do ‘bom aluno’...

Notas Soltas: junho de 2012


Desemprego – Enquanto a chaga social alastra e a consternação e a fome atingem numerosas famílias, não se vislumbra a luz que é costume anunciar-se ao fundo do túnel. É a tragédia que se consuma.

SLN/BPN – Após as perguntas feitas a Vítor Constâncio, na AR, fiquei convicto de que era ele que devia estar preso e que é injusto inquietarem pessoas de bem como Oliveira e Costa, Dias Loureiro, Duarte Lima, Arlindo de Carvalho e outros benfeitores.

PR – Perante o escândalo que abala os serviços secretos da República, não se compreende o silêncio do mais alto magistrado sobre escutas ao serviço de empresas privadas. Parece dar maior importância a escutas forjadas do que às verdadeiras.

António Borges – O homem que Cavaco preferia a Durão Barroso para primeiro-ministro é hábil a defender os seus interesses mas de ética duvidosa. Como pode ser, em simultâneo, «ministro» para as privatizações e administrador da Jerónimo Martins?

10 de Junho – Quando parecia inevitável a liturgia salazarenta, branqueadora da guerra colonial e do fascismo, surgiu um discurso humanista e estimulante, um grito de esperança no futuro, graças ao Prof. Sampaio da Nóvoa.

França – As eleições legislativas foram o castigo merecido a uma direita que, sendo responsável pela tragédia neoliberal, conseguiu endossar à esquerda a culpa do descalabro a que a sua prática nos conduziu.

Espanha – As dificuldades financeiras dos bancos são a ponta do iceberg que pode traçar à União Europeia o destino do Titanic. Só a integração económica, política e social pode salvar do naufrágio a União Europeia, dilacerada por egoísmos nacionais.

Hungria – O Governo de Viktor Orbán, de extrema-direita, reabilita o regime nazi de Miklós Horthy (1920/1944), diretamente responsável pelo extermínio de 450.000 judeus. Enquanto a crise económica se agrava, regressam os fantasmas do nazismo.

Birmânia – Aung San Suu Kyi, após a vitória eleitoral, que a ditadura militar lhe negou, foi 25 anos reclusa e manteve a chama democrática. Recebeu agora o Prémio Nobel da Paz de há 21 anos. É a líder da Oposição de um país que aguarda a democracia.

Grécia – Os partidos europeístas ganharam as eleições mas, entre a tragédia da utopia e a desgraça da continuidade, apenas se perpetua a agonia da nação que os erros próprios e a ganância alheia fizeram cobaia para a destruição da União Europeia.

Duarte Lima – A confirmar-se o suborno no caso dos submarinos podemos dizer que é um vigarista da terra, mar e ar. Daquém e dalém mar.

Egito – A vitória eleitoral dos islamitas foi uma colossal derrota da democracia. A ameaça aos cristãos de que terão de converter-se ou emigrar é o triunfo da demência da fé sobre a virtude da tolerância. Não há democracias confessionais. Nem militares.

EUA – A aprovação do plano de Saúde proposto por Obama, pelo Supremo Tribunal, é uma vitória do presidente, a quatro meses das eleições presidenciais, mas é também o triunfo da solidariedade para 30 milhões de pobres, sem seguro de saúde.

Justiça – A recusa da ministra em receber os autarcas que contestam o novo mapa judiciário, independentemente de eventuais méritos do seu programa, revela o caráter autoritário e a falta de cultura democrática da titular do cargo.

Défice – O buraco cresceu para 7,9%, uma distância colossal dos 4,5% acordados com a troika. Depois do esbulho aos funcionários públicos e pensionistas, da subida do IVA e da destruição da economia, o Governo ainda admite mais medidas de austeridade.

Tribunal Constitucional – Indiferente aos atropelos à Constituição, o obscuro deputado Luís Montenegro encontrou a pior ideia e a ocasião mais infeliz, ao defender a extinção deste Tribunal. O respeito pela CRP não faz parte do seu património genético.

Fraudes no S.N.S. – A gravidade das fraudes e a eventual associação criminosa de médicos, farmacêuticos e delegados de laboratórios exigem penas exemplares, mas é suspeita a sua revelação após o anúncio de uma greve de médicos.

Agitação social – Compreende-se o desespero e a revolta de cada vez mais portugueses mas não podem aceitar-se tentativas de agressão a membros de um Governo que resultou do sufrágio livre e democrático dos portugueses.


sexta-feira, junho 29, 2012

UE: Futebol & ‘Rebelião’ Latina…


Deixando de fora o Euro 2012 e o disputado encontro de Varsóvia, ontem, e simultaneamente com o desenrolar do 'match', no Conselho Europeu em Bruxelas, viveram-se - segundo se depreende - momentos de exigente e animado debate político.
Tratou-se do reavivar de um problema recorrente que tem sido sistematicamente agendado (adiado) para o médio prazo. Isto é,  a regulação dos mercados de obrigações através da intervenção dos fundos de socorro europeus (FEEF e SEM).

Tal intervenção foi exigida - para já e com urgência - por Mario Monti e apoiada por Mariano Rajoy. link

Perante as constantes indecisões e ziguezagues sobre agendas de crescimento, project bonds e eurobonds e face à eminência de novos (mega)resgates (Espanha e Itália), o enfrentar das progressivas pressões dos mercados tornou-se uma questão central e prioritária que determina a tomada imediata de decisões para a defesa da moeda única.

O Conselho Europeu terá dificuldades em delinear uma inflexão tão profunda no enfrentar da ‘crise das dívidas soberanas’ tornando equilibrado e transparente o acesso aos mercados de financiamento. Existem - dentro da UE - muitos e poderosos interesses em jogo, nomeadamente, questões de âmbito nacional e, a curto prazo, eleitoral.
Todavia, o crescente número de países europeus 'encurralados' pelo desmesurado apetite dos mercados, algum dia (terá sido ontem?), teriam de 'bater o pé' e apostar na Europa e no futuro comum.
Sendo assim, quando na próxima semana se disputar, no futebol, mais uma final europeia, seria bom que, neste caso, os dois países latinos envolvidos, estejam sob a pressão emotiva dos seus adeptos mas livres do silencioso cerco (garrote) dos mercados e das cíclicas indecisões de Bruxelas.

E, regressando à alegoria futebolística, em Kiev, na próxima final, que ganhe o melhor!

quinta-feira, junho 28, 2012

Momento de Poesia




Dissertação sobre o poema (im)perfeito…

Hoje, os deuses do Olimpo, estremunhados,
acordaram em sobressalto. Descobriram
um ponto de luz  intensa, a aparecer na Terra,
em todo o seu esplendor.
Eras tu, no momento em que, pela primeira vez,
te chamei “amor”, ao escrever aquele poema
que se entranhou na tua pele.
 (de dentro para fora, disseste).
Foi o poema im(perfeito),
com as palavras a obedecerem à vontade do poeta
e eu quero que ele  seja entendido na plenitude infinita
do teu sentir, deste primeiro deslumbramento
do  fulgor do instante (Ik hou van je).

Alexandre de Castro
Lisboa, Junho de 2012


O ‘Relatório de Friburgo’


Alemães elegem Portugal como exemplo, mas regresso aos mercados só em 2015… conclui o Centro de Estudos de Política Europeia, organismo alemão sediado em Friburgo. link

Más notícias para os portugueses embora envoltas de rasgados elogios considerando o actual Governo um ‘bom aluno’...

Perante a esforçada e obsessiva teimosia de Passos Coelho de rejeitar a necessidade de mais tempo, o Centro de Estudos de Friburgo - provavelmente com ideias refrescadas dada a sua proximidade da Floresta Negra - baseando-se na actualização do ‘Default Index’ (avaliação do risco de bancarrota), prevê que Portugal só possa ‘regressar aos mercados’ em 2015.
Portanto, a prosápia saloia do actual Governo - repetidamente enunciada por Passos Coelho - sobre a determinação de não necessitar de mais tempo cai redondamente por terra.

Necessariamente que para ‘sobreviver’ até 2015, sem capacidade de financiar-se nos mercados, o País vai precisar de mais dinheiro, não é preciso ser nenhum prodígio em previsão política. Como não há ‘dinheiro de borla nem de geração expontânea’ devem os portugueses interrogar-se, desde já, sobre o que podem esperar - face a uma forçada renegociação subrepticiamente sinalizada no Relatório - em termos de austeridade, de desvalorização das condições e remuneração do trabalho, de sustentabilidade das prestações sociais, de crescimento económico (que combata a tragédia do massivo desemprego), etc.

O relatório é curioso. Alimenta paradigmáticas ‘confusões’ – ou melhor subversões - de conceitos políticos e financeiros. Engloba, por exemplo, entre ‘as reformas’ levadas a efeito no actual quadro de assistência externa o ‘confisco’ por parte do Governo dos subsídios de Férias e Natal.
Num passe de mágica transforma-se um despudorado saque (ainda a aguardar decisão do Tribunal Constitucional) num ‘exemplo reformista’ que, sejamos claros, já tinha sido liminarmente, expresso por um ex-funcionário da Goldman Sachs (António Borges) com uma lapidar 'solução': ‘baixar os salários é uma urgência’. link

Questões inadiáveis, suscitadas pelo presente Relatório:
- O que nos espera no 2º. semestre de 2013 [link] data aprazada pelo actual Governo para o regresso aos mercados?
O ‘Relatório de Friburgo’ parece sugerir a resposta: Renegociar o tempo e o dinheiro. Falta, no entanto, acrescentar: na altura e nas condições que os ‘mercados’ julgarem oportunas (e mais vantajosas)!

- Então porque anda o Governo a encanar a perna à rã, enganando, mais uma vez, os portugueses?
Será porque há o risco de (perigosamente) chegar a 2015 (ano de eleições legislativas) sem ‘resultados’ concretos?

- O que poderá, então, este Governo ‘prometer’ aos portugueses? Mais austeridade, mais ‘reformas estruturais’, mais empobrecimento?
Não, obrigado, já chega!

Associação 25 de Abril - Comunicado aos sócios


Memorial ao 25 de Abril em Almeida.

Prezados Associados

No próximo dia 2 de Julho, 2 ª feira (Dia do Município de Almeida), pelas 11H30, terá lugar na vila de Almeida, distrito da Guarda, a inauguração de um Memorial ao 25 de Abril.

Trata-se de uma iniciativa assumida pela Câmara Municipal de Almeida, integrada no programa do feriado municipal, mas que representa a concretização de um sonho de mais de dez anos, de um projecto recheado de vicissitudes e de um esforço persistentemente desenvolvido pela Comissão Promotora do Monumento ao 25 de Abril, presidida pelo nosso associado e membro da Direcção da Delegação do Centro da A25A, Alfredo Carlos Barroco Esperança.

Saudando a Câmara Municipal de Almeida e a Comissão Promotora do Monumento, a Direcção da A25A convida os associados que o possam fazer a participar nesta cerimónia de tão elevado valor simbólico, como acto cívico de homenagem à liberdade reconquistada em 25 de Abril de 1974, como momento de reflexão sobre os perigos que voltam a espreitar o regime democrático e como manifestação de fortalecimento das convicções republicanas e democráticas.

Viva o 25 de Abril

A Direcção da A25A

D. João V, Alberto João Jardim e outros biltres.


António José da Silva, o Judeu, foi um escritor e dramaturgo que sofreu as torturas da Inquisição mas, contrariamente a outros membros da sua família, teve a sorte de ser garrotado antes de ser queimado, em auto-de-fé.


Este iluminista era provavelmente judeu, uma abominação que o Concílio de Trento, antecipando-se a Hitler, desejou erradicar, numa época em que a Igreja católica não admitia a incineração dos mortos, talvez porque a destinava aos vivos suspeitos de heresia, bruxaria, judaísmo e outras abominações.

O Judeu, como era conhecido, chamou ao senhor D. João V «grande governador da Ilha dos Lagartos», labéu que não merecia um rei magnânimo que mandou fazer para Mafra um sino de 10 mil quilos e dois carrilhões com mais de 200 toneladas. O esmagamento das mãos foi o aviso para tal ousadia, embora a solução final lhe estivesse reservada.

O que chamaria hoje ao Governador da Ilha das Bananas, um pequeno arquipélago de 300 mil habitantes, situado no continente africano, e que ao futebol, à Igreja e às festas tem dado o apoio que lhe garantiu perpetuar-se no cargo, por eleições, e tornar-se o mais antigo governante africano?

 Alberto João Jardim concedeu em dez anos cerca de 100 milhões de euros em subsídios a obras e instituições religiosas embora, como é seu hábito, mesmo para fins piedosos, grande parte esteja por pagar. Claro que o velho salazarista não compreende o que é a laicidade e, daí, que se tenha comprometido com 3,5 milhões de euros para a igreja do Livramento, no Funchal, enquanto o Centro Regional de Segurança Social entraria com meio milhão de euros e a Câmara do Funchal com 325 mil. Pode não haver comida para os mendigos da Madeira mas não faltam casas para o serviço divino.

No último domingo, 24 de junho, foi inaugurada mais uma imponente igreja na Calheta pois os fiéis cansaram de rezar sempre na mesma. A igreja do Atouguia foi benzida pelo Sr. Bispo, que presidiu à cerimónia, e lançou incenso às pituitárias do presidente do Governo Regional, do presidente da Câmara, do pároco e do Sr. Duarte Pio, alegado pretendente ao imaginário trono de Bragança que, talvez à falta de sacristão autóctone, foi importado do Continente.

O Governo Regional, dada a folga orçamental, comprometeu-se com 1.000.000 de euros e a Câmara Municipal com 300.000 e, assim, foi Deus servido de dispor de mais 857,6 m2 de área coberta ao serviço da fé de Roma, da autoria do arquiteto do costume.

Ponte Europa / Sorumbático

terça-feira, junho 26, 2012

‘País em sofrimento’? - Não! . Bem, vamos monitorizar…


“Paulo Macedo anunciou ainda que o seu ministério irá monitorizar a forma como a degradação das condições económicas está a afetar os portugueses, tendo para tal solicitado o apoio da comissão europeia nesta avaliação do impacto da crise na saúde…” declarações efectuadas perante a Comissão Parlamentar de Saúde (AR) link.

Afinal, depois de uma despropositada e arrogante chicana política tecida à volta do Relatório de Primavera 2012 divulgado pelo Observatório Português de Servilços de Saúde (OPSS) link, Paulo Macedo aparece, em contra-tempo, a dar a mão à palmatória.

Quando da apresentação do dito relatório com o subtítulo “Um País em Sofrimento” o Secretário de Estado Adjunto da Saúde (em representação do Ministro) procedeu a deselegantes e descabidas críticas (mesmo sendo pródigo na aceitação das mesmas), bem como a um chorrilho de torpes insinuações, relativas à qualidade e isenção do trabalho desenvolvido pelos relatores do extenso documento.
Disse: “Trata-se de um documento político, com uma linha ideológica, não necessariamente partidária, de que não se consegue distanciar para proceder a um relato fidedigno e útil para o exercício da Governação…link.
Mais à frente acrescentou: “ Entendeu o Observatório intitular o seu Relatório deste ano de ‘Crise e Saúde – um país em sofrimento’. Do título pouco se comprova pela leitura do conteúdo. É um facto que crise económica tem impacto na saúde das populações. No entanto, os dados apresentados pouco nos acrescentam ou mesmo comprovam esta certeza…” (link anterior)

Estamos, portanto, confrontados com um facto que por ter sido levantado por um organismo independente do Governo (OPSS) não merece credibilidade. Restou hoje a senhor Ministro anunciar que recorreu a Bruxelas (Comissário Europeu da Saúde, John Dalli) para esclarecê-lo. Monitorizar os impactos é o termo usado link

Para termos a noção do 'ziguezaguear' e a precipitação ministerial convém recordar que o Relatório de Primavera do OPSS, nas Conclusões Finais (pág. 200) link, afirma:

"1. Existe uma considerável base de conhecimento dos efeitos de uma crise socioeconómica (desemprego, endividamento, empobrecimento) sobre a saúde e os sistemas de saúde.
Os efeitos, nomeadamente sobre a saúde mental (perda de autoestima, ansiedade e depressão e suicídio) e sobre o aumento de comportamentos de risco incluindo os relativos à toxicodependência e ao álcool. As consequências de falta de conforto térmico nas habitações, as limitações do acesso aos cuidados de saúde médicos e medicamentos.

2. A forma como uma crise socioeconómica afeta a saúde depende essencialmente dos seguintes fatores:
• Situação socioeconómica, da saúde e da proteção social à partida;
• Intensidade da crise;
• Oportunidade e qualidade das respostas.

3. O país está em sofrimento. A crise financeira, económica e social é patente. Os reflexos sobre o sistema de saúde igualmente evidentes"...

Alguém discorda?  Recorrer a Bruxelas para quê?  Para ganhar tempo ou para gastar dinheiro?

APOSTILA:

A crise económica e financeira também abre caminho a outras perversidades no campo da Saúde. É o caso da grave burla ao SNS recentemente anunciada e ainda em curso (Operação ‘Remédio Santo’) que poderá envolver à volta de falsas prescrições, vendas simuladas e comparticipações fraudulentas, montantes elevadíssimos. (50 a 100 M€). link.
Este é outro assunto a retomar uma vez findas as investigações.

Não basta o Governo


Momento de Poesia





Dissertação sobre a ternura…


Um corpo de mulher que se esconde
na dobra de um recorte
uma  boca que se abre à ternura do gesto
a mão de uma criança a desenhar a carícia…
E tudo se dissolve nos cambiantes da luz,
anulando as sombras,
como se o culminar da vida se fixasse
na exata precisão do instante…

Alexandre de Castro

Lisboa, Junho de 2012

segunda-feira, junho 25, 2012

Num país de loucos com Jardim à solta

Governo regional da Madeira, dada a folga orçamental, e a evidente falta de templos, concedeu em dez anos cerca de 100 milhões de euros em subsídios para obras e instituições religiosas. Grande parte ainda não foi pago... Os cubanos não deixarão de ser chamados a cumprir as devoções alheias.

Balanços, enigmas próximos ou para daqui a 1 ano…


"Vamos ter as prioridades para o próximo ano, para que daqui a um ano nos possam pedir responsabilidades", assegurou Passos Coelho (no balanço do primeiro ano do Executivo de coligação…) link

E os portugueses a julgarem que o Governo assumia (deveria assumir) responsabilidades diárias, ou a todo o momento do seu mandato.

Qual o misterioso significado de: ‘pedir responsabilidades daqui a 1 ano’ ?!

Será que tem a ver com o período de ‘auxílio externo’?
Não será certamente! O Governo pressurosamente envolto num chorrilho de lapsos - quando foi necessário estabelecer um horizonte temporal para repor os subsídios de Férias e Natal confiscados aos funcionários públicos, pensionistas e aposentados - estabeleceu que a ‘intervenção externa’ prolongar-se-ia até 2014 (daqui a 2 anos)… Enfim, mais um pormenor do balancete onde as parcelas não batem certo. Nada de novo nos habituais lapsos governamentais!

Ou ‘pedir responsabilidades daqui a 1 ano’ significa que a ‘maioria estável e coerente’ que suporta o XIX GC tem estimado esse ‘tempo de sobrevida’?

Existe uma outra hipótese. Segundo se pode depreender, apesar dos riscos políticos e orçamentais que o próprio Governo inventariou à volta da execução do actual ‘programa de ajustamento’, continuaremos a todo o vapor – e a arcar com todas as consequências – para que, no próximo ano, possamos ‘regressar aos mercados’. Faltou a frase do costume: ‘custe o que custar’.
Entretanto, no intuito de preparar terreno, círculos próximos da actual maioria começaram a levantar a questão (negando-a, como se impõe) à volta de uma suposta necessidade de 'novas' medidas de austeridade…

O balanço anual do actual Governo foi apresentado em tons 'laranja' e como uma ‘pílula dourada’. Saindo a ‘casquinha’ (ao que se pressupõe muito fina) ficará exposta a oculta substância (núcleo) activa(o): um ‘amargo falhanço’.

Pode nem demorar 1 ano…

Curiosidade


domingo, junho 24, 2012

EGIPTO: Mohamed Morsi, presidente.


Mohamed Morsi venceu as eleições presidenciais no Egipto link .

Um presidente formalmente eleito pelo Partido da Justiça e da Liberdade mas que fica ‘entalado’ entre dois pólos (poderes) antagónicos : a ‘Irmandade Muçulmana’ e o Conselho Supremo das Forças Armadas. Infelizmente, ao derrube de Mubarak não 'sucedeu' qualquer tipo de clarificação política. Antes pelo contrário, a incerteza é enorme (nas instituições, nas questões de regime e na rua - praça Tahrir).

Política do: ‘Só nós dois é que sabemos’…*

O ‘ambiente’ político nacional está cada vez mais empestado, mais opaco e, surpresa, 'virou-se' para a vertente mística.

Primeiro, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, mostra-se displicente e pouco convencido com o derrapar das receitas (impostos) link.
Não admite que errou nas previsões orçamentais, nomeadamente, sobre a colecta.
Perante o aprofundamento da recessão (este valor consta do OGE) manteve a peregrina ideia de era possível aumentar a receita à custa de uma maior eficiência na cobrança e na fiscalização esquecendo as falências em série que lhe esvaziam o IRC e as desmesuradas subidas do IVA que favorecem a 'economia paralela' ou, usando o 'economês': informal.
Confrontado com os números deixa em suspenso a ideia que poderão ser necessárias novas medidas de austeridade para chegar ao deficit previsto para este ano (4,5%). De facto, o total descalabro para um tão bom aluno que não se cansa de apregoar que não precisa de ‘mais dinheiro, nem de mais tempo’. Um ministro que julga ter os portugueses a jeito para novos voos de austeridade que ‘sustentem’ um modelo que tem sido permanentemente contrariado pelo números e pelos factos. Resta-nos, portanto, acreditar no Pai Natal. Ou, então, que seja rigoroso quando falar. Deverá proclamar: 'não preciso de mais tempo, nem de mais dinheiro, só necessito de mais austeridade'.


A próxima grande batalha eleitoral trava-se nas autarquias. Neste fim de semana so autarcas do PSD estão reunidos em Sintra.
As eleições autárquicas serão o primeiro teste popular às políticas governamentais em tempo de crise e com uma leitura ideológica do Memorando de Entendimento em vigor há 1 ano.
As eleições autárquicas não têm obrigatoriamente um reflexo directo sobre a Governação. Todavia, e apesar disso, os portugueses sabem que um desaire autárquico travaria de modo irremediável a senda neoliberal que tem vindo a ser seguida. O PSD está metido num 'colete-de-forças' pela teimosia em prosseguir políticas de empobrecimento, do desemprego, de cegas restrições orçamentais das Câmaras Municipais e de desertificação de Interior. Os ‘barões laranja’ (os novos e os velhos) sabem que o perigo de uma derrocada espreita. E que as eleições autárquicas podem, de modo indirecto, paralisar o Governo. Por isso são invocadas – como fez Miguel Relvas - ‘ligações e afectividades’ divinas. Relvas sobre uma eventual candidatura de Seara à Câmara de Lisboa, disparou: “Só Deus sabe o que eu gosto dele”… link
Se Fernando Seara, em resposta, assumisse também uma postura divina (em consonância com as declarações de M Relvas) podia, muito bem, usar o célebre jargão das ‘aparições’ de Fátima: "O que é que vossemecê me quer"? Seria difícil ao ministro explicar.

Mas é de crer que os portugueses saberão – em 2013 - responder .

(*) – canção de Tony de Matos com letra da autoria de Joaquim Pimentel.



Paolo Gabriele, Tedeschi e Ámen…

Um mês após a prisão do mordomo pessoal de Bento XVI e da sua detenção nas celas do Vaticano – acusado de ser o ‘corvo’ (responsável pelas incómodas 'filtrações' e, ainda, de conspirar contra o papa - não surgiu qualquer luz sobre o caso que parece alongar-se em direcção 'à eternidade', como é usual nestes processos com grandes doses de misticismo à mistura. 
Paolo Gabriele permanece incomunicável e o sepulcral secretismo que rodeia todas as diligências assemelha-se, podemos dizê-lo, a um véu negro que tudo envolve na mais profunda obscuridade e atinge todos - desde o simples mordomo até ao influente ‘banqueiro de deus’, Ettore Gotti Tedeschi, membro da Opus Dei e amigo pessoal de Bento XVI, sumariamente demitido pelo secretário de Estado cardeal Tarcisio Bertone.

Ontem, o papa que aparentemente se manteve alheado (ou foi colocado fora) dos problemas, resolveu descer à Terra e imiscuir-se directamente nos venais assuntos que inquinam o Vaticano tendo recebido (convocado?) em audiência privada cinco (5) cardeais: George Pell (Arcebispo de Sidney); Marc Ouellet (Prefeito da Congregação para os Bispos), Jean-Louis Tauran (Presidente do Pontíficio Conselho para o Diálogo Interreligioso); Camillo Ruini (Vigário Geral emérito para a Diocese de Roma), Jozef Tomko (Prefeito emérito da Congregação para a Evangelização dos Povos).

O motivo oficial desta ‘reunião’ informal : “Em razão da força da grande e variada experiência dos senhores cardeais a serviço da Igreja, não somente no âmbito romano mas também internacional, o Papa resolveu encontrá-los ainda neste sábado, para uma troca de considerações e sugestões para contribuir a reestabelecer o tão desejado clima de serenidade e de confiança no que tange os trabalhos da Cúria Romana.link

O grande ausente: o cardeal Bertone. Exactamente o centro de toda a polémica e um homem que, indiferente aos acontecimentos, continua a exercer as suas funções até que um próximo episódio que esclareça a amplitude do problema que, como sabemos, passa por iniludíveis e dramáticas questões: desde a 'limpeza' das contas do Instituto de Obras Religiosas (IOR/Banco do Vaticano) até à sucessão na chefia dos católicos, onde cada vez mais o ‘Espírito Santo’ joga um papel secundário.

Assim vai a ICAR

sábado, junho 23, 2012

Le changement c'est maintenant …?


A centralidade da Zona Euro alargou-se, mudou. Passou do eixo Berlim-Paris para uma quadratura: Paris-Berlim-Roma-Madrid. link

Adenda: Para que o ‘changement’ não contenha demasiada ‘mudança’ Merkel encontrar-se-á (a sós) com Hollande, na próxima 4ª. feira, em Paris. link
Pormenor: faltam 13 Países (da Zona Euro). Nada que atrapalhe a passagem dos ‘teutónicos ditakts’ a consensos. Como veremos no próximo Conselho Europeu (28 e 29 de Junho).
Durão Barroso, Van Rompuy e Jean-Claude Juncker continuam a ser ‘ilustres ausentes’.

Algumas conclusões previsíveis:
• Lançamento de um pacote de estímulo ao crescimento económico no montante de 130.000 M€;
• Reiteradas advertências de Merkel sobre ‘disciplina orçamental’;
• Resgate (com todas as letras e consequências) a Espanha;
• Abordagem académica dos ‘eurobonds’ a serem postergados para as calendas gregas (uma ‘novidade’ inofensiva);
• ‘Facilidades’ para a Grécia (que não sejam exemplo para outros Países);
• A reafirmação de uma incomensurável ‘fé’ no euro (para os mercados ouvirem).

Portugal nas meias finais

Origem desconhecida

Momento de poesia




Dissertação sobre a alquimia dos sentidos…

Peregrino pelos acidentes do teu corpo
e do teu caminho
as madrugadas das tuas primaveras  reacendem
os fogos já ardidos nas árvores de florestas antigas,
perdidas no tempo que foi o meu
ouço o teu sussurro, e é o teu ventre que me chama
em divagações poéticas que os teus poemas escrevem.
Regresso ao instante do mistério
que a tua luz agora ilumina
e tudo se transforma na nova alquimia
dos sentidos…

Alexandre de Castro 


Lisboa, Junho de 2012

sexta-feira, junho 22, 2012

Quem se submete ao clero fica condenado ao Inferno


Emersão….

Duarte Lima arguido no caso dos submarinos. link

Segundo nos é dado aperceber, pelas notícias oriundas na Comunicação social, o nebuloso negócio das contra-partidas à volta da aquisição de 2 submarinos (‘Tridente’ e ‘Arpão’) começa - julgamos que será um começo - a visualizar (emergir) os 'compères' portugueses eventualmente envolvidos num estranho e peculiar negócio que levou à condenação (2 anos de prisão) a dois dos responsáveis pela venda (ex-administradores da empresa alemã Ferrostaal).

O ‘negócio dos submarinos’ terá sido ultimado durante o exercício de funções do XV Governo Constitucional presidido por Durão Barroso (actual presidente da Comissão Europeia) em que Paulo Portas era ministro da Defesa (actual Ministrio dos Negócios Estrangeiros). No processo negocial teria, também, estado envolvido o ex-consul honorário em Munique (entretanto exonerado). link.

Na verdade, o intrigante em toda esta historia é que os ex-gestores da empresa alemã (Ferrostaal) foram condenados por suborno sem que, em Portugal, fossem referenciados e/ou identificados os subornados. Todavia, na Grécia e relativamente a um processo paralelo envolvendo também a compra/venda de submarinos pela mesma empresa foi detido o ex-ministro da Defesa, Akis Tsochatzpoulos, incriminado por corrupção. link

Uma teia que começa a ser ‘desenvencilhada’?

De mau ninho sai um bom passarinho

Uma medida justa donde não se esperava

quinta-feira, junho 21, 2012

Ninguém diria…

A Procuradoria Geral da República (PGR) comunicou à comissão de inquérito sobre o Banco Português de Negócios (BPN) que estão a correr processos crime contra os ex-dirigentes sociais-democratas Dias Loureiro, Duarte Lima e Arlindo de Carvalho... link

Com a calmaria, a desfaçatez e a despreocupação reinante, ninguém diria...
E já agora porque ‘’ estes se o Banco de Portugalincriminou17 dos arguidos da SLN. Continuaremos a ter de alimentar a rábula de que os (ir)responsáveis do SLN e do BPN não têm nada a ver uns com os outros?

Do inaceitável ao ilícito…


Esta a questão filosófica que a ERC levantou sobre a sua própria deliberação (ou enredo) na ilibação do ministro Miguel Relvas no ‘caso Público’. link

Sobre a problema em si, como se viu (ontem) e foi sendo previamente anunciado, a ERC não ‘regulou’ nada que tenha o mínimo impacto sobre a comunicação social que desfrutamos, nem teve qualquer acção preventiva em relação a situações idênticas no futuro. Foi um 'verbo de encher'. 

Antes pelo contrário, em termos de regulação das relações entre o Poder e os órgãos de Comunicação Social (proprietários, editores, conselhos de redacção e jornalistas) a ERC acabou por, na prática, legitimar que uma das partes possa, ‘magnamente’, estar sujeita a ‘pressões inaceitáveis’, sem que isso atrapalhe a liberdade de imprensa e de expressão, porque o ‘inaceitável’ (juízo de valor) não é necessariamente ilícito (valor de direito).
Interessaria para melhor compreender os meandros desta 'resolução' ler a declaração de voto de Arons de Carvalho link, membro da ERC.

Ninguém esperava alguma coisa de substantivo da ERC. Mas o decoro é exigido a todos e tem espacial impacto no exercício de funções públicas. E a ERC não investigou o problema que o Governo, pressurosamente, quis colocar no seu âmbito.
Tentou armar-se em ‘tribunal arbitral’ sem que tenha meios ou competências para esse desempenho. Sendo uma entidade reguladora não deveria ditar sentenças, isto é, ilibar ou condenar, mas relatar o que, de facto, apurou (e não apurou) em inquérito. O que estava em causa são actos (a classificação é supérflua) que possam ter inquinado ou abusivamente interferido, condicionado (não é necessário chegar à violação) o livre exercício de comunicação social neste País. Na realidade, ao confirmar que detectou neste processo ‘pressões inaceitáveis’ o mínimo que qualquer cidadão esperaria é que, em relação ao futuro, definisse as linhas e normas de conduta sobre o ‘tolerável’ para assegurar que o ‘clima’ de liberdade de Imprensa neste País, 'vítima' deste tipo de 'resoluções', não se tornará ‘irrespirável’. Não, para a ERC tornou-se confortável passar ao lado, ficando-se pela ‘inocente’ constatação de uma enviesada, confusa e, quiçá, filosófica, classificação das pressões. Poderia ter dito: ‘Acontece’ ou ‘são coisas da vida’…

Resta-nos agora aguardar - face a este ‘inaceitável’ desenlace travestido de ‘respeitável’ veredicto salomónico – como, face às manifestas insuficiências evidenciadas na deliberação da ERC, actuará a PGR . link.

Cavaco promulga Código do Trabalho e pede “estabilidade” para criação de emprego


O PR tinha uma grande dificuldade pela frente – estar à altura dos antecessores –, mas nada indicava que tivéssemos de recuar à ditadura para encontrar em Américo Tomás o presidente com quem o comparar, quando o facto de ter sido eleito democraticamente o distanciava da grotesca marionete de Salazar. A deficiente cultura e o aparente desapego à Constituição da República deixá-lo-ão na História pelas piores razões.

O discurso da reeleição revelou um rancor cuja dimensão se lhe desconhecia e o ódio ao anterior primeiro-ministro um tamanho que julgávamos ausente de quem ocupa funções, ao mais alto grau, no aparelho de Estado.

Não ter explicado a sua relação com a SLN, não ter esclarecido a questão das escutas e não se dar ao trabalho de explicar aquela ficha da Pide, ortográfica e eticamente pouco honrosa, ultrapassa as trapalhadas com a escritura e as mais valias do obscuro negócio da vivenda na praia da Coelha ou as lamúrias sobre o fim do seu vencimento quando o Governo proibiu a acumulação de pensões e salários.

Muitos portugueses têm ainda presente os esforços de Cavaco para colocar na liderança do PSD, em vez de Durão Barroso, o Dr. António Borges, que revelou na política uma incompetência igual à que o jornalista financeiro Marc Roche lhe atribui como razão para sair do Banco Goldman Sachs, o banco que oprime e persegue a União Europeia.

A misteriosa razão para ver o enigmático personagem na qualidade de ministro informal para as privatizações, isento de impostos e a acumular, sem pruridos éticos, a gloriosa avença do grupo Jerónimo Martins, causa grande desconfiança nas funções que exerce, na obscuridade, e provoca justa raiva nas declarações que faz, às escâncaras, de que é preciso reduzir ainda mais as remunerações aos trabalhadores. Mas é dele que Cavaco diz maravilhas!

Cavaco, que tantas vezes revelou falta de solidariedade institucional com o Governo e a Assembleia da República, com perda de compostura, no caso do estatuto dos Açores ou na ameaça de que não permitiria mais sacrifícios aos portugueses, quando era outro partido no Governo, promulgou mansamente, na última segunda-feira, as alterações ao Código do Trabalho, que liquidam os derradeiros direitos dos trabalhadores.

Depois dessa promulgação, avisou que não quer «mais mudanças nas leis laborais».

É preciso topete.
Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, junho 20, 2012

Grécia - refém do clero e da troika

El nuevo primer ministro griego Antonis Samarás jura su cargo. / MILOS BICANSKI (GETTY IMAGES)

Imagem do Portugal de Cavaco/Passos Coelho

O País está assim

Um bispo não pode amar


Vaticano investiga vídeo de bispo com empresária

Um bispo argentino, presidente da Cáritas para a América Latina, está a ser investigado pela Santa Sé depois de terem sido divulgadas imagens suas em atitude carinhosa com uma mulher, durante umas férias à beira-mar no México. O sacerdote diz tratar-se de uma amiga de infância.

O Vaticano abriu uma investigação para apurar o que se passou e tomar medidas contra o bispo Fernando Maria Bargalló, 59 anos, depois de terem sido divulgadas estas imagens em que aparece abraçado a uma mulher dentro de água.

terça-feira, junho 19, 2012

Depois de extinguir os direitos dos trabalhadores


Aleivosias como forma de fazer 'política'…



Miguel Macedo critica PSD por não explicar memorando da troika à oposição… link

Terá dito - segundo relata a Imprensa - para explicar o seu aparente arrojo em 'estimular/criticando', o seu próprio partido:
"criticou terça-feira, no Carregado, Alenquer, o partido por não dizer com clareza à oposição que o memorando de entendimento da 'troika' não prevê crescimento económico e criação de emprego."

Primeiro embuste:

O ‘seu’ partido (o de Miguel Macedo), antes de explicar à Oposição ou, seria mais correcto falar de Oposições, deveria na campanha eleitoral e no programa de governo, dirigidas à generalidade dos portugueses, ter sido claro e transparente. Deste modo, se pretendia mostrar clareza, então, o programa do ‘seu’ Governo e, na altura própria, deveria ter feito desassombradamente a elegia do empobrecimento, a ferro e fogo, do País. Na altura, no tempo próprio, escudou-se atrás de ‘amanhãs que cantam’ e o resultado está à vista, não se compadecendo com desculpas 'esfarrapadas'.

Mais à frente:

No imediato não há qualquer meta contida no memorando de entendimento assinado com a 'troika' que tenha como objectivo privilegiar o crescimento económico e o emprego. Pelo contrário, o memorando aposta para um conjunto de metas que conduzem inevitavelmente à recessão económica», afirmou Miguel Macedo.

Outro embuste:

O que foi 'explicado'  aos portugueses e prometido aos incautos eleitores (e existem múltiplos documentos em arquivo disponíveis) terá sido que o actual ‘ajustamento’, nomeadamente o equilíbrio orçamental a todo o vapor, seria o sustentáculo de um crescimento ‘sustentado’ (como gostam de referir). Seria, por assim dizer, a 'redenção' nascida expontaneamente da austeridade. Um prodígio da 'nova' Direita, ansiosa por cavalgar o Poder. 
A possibilidade de uma ‘espiral recessiva’ com todas as consequências de destruição do tecido empresarial nacional e o disparar do desemprego, sempre foi uma denúncia das Oposições, desde que este Governo começou a executar, segundo a sua visão e leitura, as condicionantes impostas pela troika para o ‘resgate’ financeiro do País, acossado pelos ‘mercados’ . Aliás, no momento certo, o actual Governo terá de explicar a todos os portugueses (e não só às Oposições) porque foi, ou pretendeu ir, ‘para além da troika’.

Finalmente a efabulação:

"Miguel Macedo lembrou que foi o Governo do socialista José Sócrates que «negociou e assinou» o memorando, mas que agora, o PS, na oposição, vem «exigir crescimento económico e criação de emprego ao abrigo do memorando".

Interessa referir que o actual partido de Miguel Macedo ‘forçou’ o Governo de José Sócrates - com a recusa em sustentar politicamente as gravosas medidas que informavam o PEC IV - a solicitar um ‘auxílio externo’. ‘Auxílio’ que à partida incluía determinadas circunstâncias, como seja, um amplo apoio político-partidário. O Memorando de Entendimento não foi – e Miguel Macedo sabe-o melhor do que ninguém – um documento ‘imposto’ por Sócrates ao País, nem a ‘solução’ que o ex-primeiro ministro preconizava para enfrentar a crise. Foi exactamente ao contrário: o ‘País político e partidário’ (não necessariamente todo) que o ‘impôs’ a José Sócrates. Portanto, manda a verdade que se diga que, se o XVIII Governo Constitucional foi compelido a pedir ‘auxílio externo’, um dos mandantes (futuramente subscritor e beneficiário) de tal feito foi exactamente o PSD.
Quando foram conhecidas as medidas do PEC IV – independentemente da sua capacidade e bondade para resolver o implacável cerco dos mercados - o PSD anunciou aos quatro ventos que as recusava. Esqueceu-se de dizer que tinha na manga outras: – bem piores!.

Miguel Macedo saberá que aleivosias como as que debitou em Alenquer são enviesadas e distorcidas interpretações da realidade (política). Se insiste em proclamá-las é porque algum terreno está a fugir-lhe debaixo dos pés. Seria bom que essas preocupações fossem partilhadas de maneira clara e transparente com as Oposições e, necessariamente, com todos os portugueses.
Há muito que já devia ter acabado a metodologia dos recados e uma doentia obsessão pela chicana política.

Não garanto a autenticidade


segunda-feira, junho 18, 2012

Cavaco à procura de 'indícios claros'...

foto: Adelino Meireles/Global Imagens link

É preciso topete


Governo faz balanço e diz que fez do país um «exemplo»


O Governo divulgou esta segunda-feira o seu balanço da governação, considerando que, um ano depois, Portugal «já não é notícia pela sua degradação económica», mas antes um «exemplo» de um país que «trilha» o «árduo caminho» para a «recuperação económica».

Cavaco Silva e o Código do Trabalho: o claro e o obscuro…


Cavaco dá "luz verde" às alterações no Código do Trabalho link

O Presidente da República promulgou hoje a revisão do Código do Trabalho. O confronto que faz em relação a esta nova legislação que preconiza uma desmedida flexibilização, destruindo qualquer laivo de segurança nas relações de trabalho e promovendo uma descontrolada expansão do conceito de despedimento ‘por justa causa’ não será, como se depreende da nota do site da PR link, a 'sua' leitura da Constituição. A promulgação é dominada pela miragem oferecida na cartilha do 'Memorando da Troika' que, a propósito de tudo e de nada, evoca abusivamente conceitos como: produtividade, competitividade e, quiçá, crescimento.

No ponto 5.) do comunicado transcrito no site oficial afirma-se: “Na análise realizada no âmbito da Casa Civil da Presidência da República, não foram identificados indícios claros de inconstitucionalidade que justificassem a intervenção do Tribunal Constitucional em sede de fiscalização preventiva da constitucionalidade das leis”. (sublinhado é nosso).

Óbvio que os indícios de inconstitucionalidade não são claros, nem poderiam sê-lo. Serão quando muito obscuros. Dizem respeito à facilitação dos despedimentos, alteração dos horários, redução de salários e bloqueio da contratação colectiva. O que os portugueses esperavam era que o homem que jurou defender a Constituição os detectasse. Como não o fez só resta aos portugueses esperarem que o Presidente da República jure, publicamente, o 'Memorando da Troika' e o promova a Lei Fundamental do País. Desse modo, tudo se torna mais claro.

O exemplo vem de Boliqueime


domingo, junho 17, 2012

Para concorrer, envie um SMS


Nunca um candidato a um concurso da SIC (por SMS) o fez de forma tão original.

A impressionante e laureada Senhora AUNG SAN SUU KYI...



A Birmânia (actualmente designada pela República da União de Myanmar), antiga colónia asiática do Reino Unido até rescaldo da II Guerra Mundial (1948) e ao desmembramento das imperiais ‘Índias Britânicas’, é um território encravado entre a China, Índia, Laos e Tailândia com uma extensa costa banhada pelo Oceano Índico, que inclui o conhecido (dos portugueses) Golfo de Bengala.

Etnicamente, a Birmânia é uma miscelânea de povos que congregam mais de uma centena de grupos étnicos, linguísticos e religiosos que originaram (e continuam a alimentar) múltiplos conflitos (desde as guerras anglo-birmanesas) que assolaram a região durante quase todo o século XIX e hoje em dia ainda peristem A principal língua falada é a sino-tibetana, mais propriamente, a variante tibeto-birmanesa.

A Birmânia viria, ainda, a ser um importante palco bélico no sudeste asiático, durante a II Guerra Mundial, sendo invadida pelo Japão e tendo compulsivamente regressado ao Império Britânico com o fim da guerra (1945).

Durante a II Guerra Mundial e perante a ocupação nipónica crescem as ideias e os movimentos independentistas aproveitando a embalagem do ‘movimento Thankin’ que, nos primórdios grande conflito mundial (em 1936) tinha conseguido separar, administrativamente, a Birmânia da Índia, embora ambas ambas continuassem a integrar o Império Britânico. O ‘exército nacional birmanês’ que nasce da vontade de libertar-se do domínio colonial inglês, passou por diversas peripécias negociais e complots, e tendo sido inicialmente apoiado pelos japoneses viria – com o desenrolar dos acontecimentos - a desempenhar também m papel fundamental na libertação do território da ocupação nipónica, abrindo caminho para a independência da ex-colónia britânica.

Um dos homens que organizou e dirigiu este ‘Exército Nacional Birmanês’ chamava-se Aung San que viria a desempenhar um importante papel no processo de transição para a independência (1945-47) da Birmânia.

Aung San – e outros membros do seu grupo (gabinete) - viria a ser vítimas de um cruel assassinato (19 Julho 1947), cujos contornos nunca ficaram bem definidos, mas que teria contado com múltiplas cumplicidades desde comunistas a oficiais coloniais britânicos.

Este acto criminoso cuja responsabilidade foi imputada a Galon U Saw – um dirigente político desde a era colonial – catapultou Aung San para a mítica figura de “pai da pátria”.

Quando Aung San morre deixa vários filhos entre eles Aung San Suu Kyi, na altura com 2 anos de idade.
Após conturbados incidentes Aung San Suu Kyi fica ligada à sua mãe que entre outros cargos ocupou a estratégica posição de embaixadora na Índia (1960). Mais tarde (1964) , para dar continuidade à sua formação académica, ruma ao Reino Unido, onde frequenta a Universidade de Oxford (nas áreas de filosofia, política e economia). Depois de curtas deambulações profissionais pela Ásia (Japão e Butão) fixa-se no Reino Unido onde, tendo como companheiro o académico Michael Aris, constitui família e tem dois filhos.

Em 1988 regressa a Rangum para tratar da sua mãe - Daw Khin Kyi – gravemente doente. Este regresso marca o confronto de Aung San Suu Kyi com a dura realidade que fustiga a Birmânia, nomeadamente a ferocidade de uma ditadura militar que ameaça a coesão nacional.
A sua personalidade política imbuída de um profundo fascínio pelas campanhas pacifistas pelos direitos civis de Gandhi na Índia e Luther King nos EUA lançam-na numa itinerância por todo o País, contra o ditador de serviço, o general Ne Win, batendo-se por reformas democráticas e pela realização de eleições livres. Em pouco tempo consegue mobilizar para a rua muitos trabalhadores, estudantes e até monges budistas, que reclamam eleições livres.

No ano seguinte (1989) considerando-a responsável pelas manifestações a Junta Militar coloca-a (pela primeira vez) em prisão domiciliária.

Todavia, a pressão popular força a ditadura militar a convocar eleições em 1990. Apesar de estar submetida a prisão domiciliária, o seu partido a Liga Nacional pela Democracia (LND), vence de modo categórico e convincente as eleições. A Junta Militar recusa-se a entregar o poder aos vencedores e decide ‘eternizar-se‘ no poder, com alguma nuances cosméticas decorrentes de pressões intercionais, até aos dias de hoje.

Aung San Suu Kyi, lança-se – apesar de recorrentes períodos de detenção domiciliária se sucederem uns atrás dos outros - num convicta, longa e firme campanha de resistência pela conciliação nacional através de instituições democráticas que, podemos dizer, ainda continua.

No ano seguinte às eleições (1991) é laureada com o Prémio Nobel da Paz. Decide não se deslocar a Oslo por temer que a Junta Militar aproveitasse esse facto para forçá-la a um exílio permanente.

Anualmente, as medidas de prisão domiciliária foram sendo sistematicamente revogadas, apesar de dramáticos problemas familiares (morte do marido, afastamento dos filhos, etc.) e de uma impressionante fragilidade da sua condição física. Estas medidas discricionárias e anti-democráticas só viriam a ser levantadas em Novembro de 2010 quando o isolamento internacional da Junta Militar birmanesa fragilizou a sua ‘mão dura’. Recebe, com o fim da sua detenção domiciliária, a visita do seu filho Kim que já não via há uma década...

Em Abril de 2012 , a Junta Militar, em jeito de Restyling e, sobretudo, face à crescente conflitualidade étnica e religiosa (budistas e muçulmanos) resolve dar tímidos passos em relação a um clima de conciliação nacional e decide preencher, por escrutínio popular, 45 lugares parlamentares declarados em vacatura por deslocação dos respectivos titulares para funções executivas.

O NLD dirigido por Aung San Suu Kyi vence de maneira estrondosa essas eleições conquistando 43 dos 45 lugares em disputa.

Ocupou - num clima de controvérsia acerca da legitimidade da Constituição em vigor que teria de jurar - o seu lugar no Parlamento, tornando-se líder da Oposição.

Faz, neste momento, um périplo pelo Mundo a fim de retomar contactos políticos interrompidos por tão largo tempo.

Esteve estes dias em Oslo e foi homenageada pelo Comité do Nobel da Paz, facto que delicadas circunstâncias políticas tinham impedido de acontecer há 21 anos.
Enfim, uma vida plena, de uma mulher com um aspecto fisicamente tão frágil mas que continua a mostrar, no dia-a-dia da sua perene luta pela democracia, possuir uma força hercúlea, indomável.

Impressionante!

Hipocrisia política... no mínimo


SIM responde ao Governo
14-06-2012

Ex.mos Senhores Secretários de Estado da Administração Pública e da Saúde
Drs. Hélder Rosalino e Manuel Teixeira
Assunto: Negociações. Vosso Ofício nº 6112 de 12/06/2012 recebido em protocolo.
Tomámos boa nota do ofício Link referido em epígrafe, excelente exemplo de exercício de hipocrisia política.

As actas das reuniões havidas até ao momento são o melhor exemplo do empenhadíssimo esforço de V. Exas. no vazio de ideias e propostas a que se propuseram com denodo durante cinco meses e meio.

A vossa actuação prática por via de Despachos e da orientação política, via ACSS, consubstanciam a desonra da palavra dada.
O decurso das reuniões havidas entre delegações mostrou o claríssimo empenho de V. Exas. em empatar, entreter e enganar enquanto se decide em paralelo, esvaziando o conteúdo negocial.

A impreparação que V. Exas. demonstraram no campo específico da contratação colectiva e da sua tramitação é confrangedora. Bem sabemos que V. Exas. procuravam ansiosamente um pretexto para romper as negociações, lançando o ónus nos Sindicatos.
Mas sabemos todos que foram a vossa inércia, a vossa impreparação e o vossa má fé que imperaram ao lançar um maciço concurso de prestação de serviços médicos e um pseudo concurso para jovens especialistas.

Nós continuaremos a defender o Serviço Nacional de Saúde e a qualidade do atendimento que os portugueses merecem sem ceder a chantagens, a pressões, à mentira, à demagogia, à contra informação e à incompetência.

É a V. Exas que compete propor grelha salarial para médicos em horário de 40 horas. A nossa firme vontade em negociar é a mesma que nos levou a marcar a greve de Dezembro e a que acedemos suspender como instituição de bem e de palavra, cumprindo integralmente o que nos foi destinado e assistindo, quiçá por demasiado tempo, ao despudor do Vosso comportamento.

O nosso firme compromisso é com o SNS, trave mestra da democracia, e com a qualidade da Medicina, dos médicos e da formação médica, matérias que vos são estranhas ao patrocinarem concursos de prestação de serviços ao mais baixo preço.
A vossa atitude tem uma enorme vantagem: clarifica o vosso propósito e une a classe médica como nunca.

A cada parte as suas responsabilidades.
Recebam as nossas saudações sindicais,

O Secretário-Geral do SIM
Jorge Paulo Roque da Cunha

sábado, junho 16, 2012

Eleições no Egipto: entre o mau e o péssimo…

A ‘primavera árabe’ na terra dos faraós ruiu estrondosamente. O Tribunal Constitucional egípcio ao dissolver o Parlamento eleito link, a menos de 48 horas da 2º. volta das eleições presidenciais, atirou de ricochete o poder para a ‘velha’ hierarquia militar donde, aliás, nunca tinha saído.

O ‘insurreição egípcia’ removeu o ditador Mubarak deixando, no entanto, intacta toda a trama de poder que, como tem sido denunciado, envolve a ‘máquina’ militar em múltiplos aspectos da vida do Egipto, com especial realce para as promíscuas conexões entre os actuais e passados (são os mesmos) detentores do poder e os grandes interesses económicos (controlam 40% das actividades económicas?). link

A opção que a revolta da praça Tahrir equacionou, está desde há algum tempo circunscrita a um afunilado leque de escolha, i. e., a ‘velha guarda’ e a Irmandade Muçulmana. Quem morreu, em primeira instância, nas convulsões da praça da Liberdade foram as veleidades liberais e laicas de muitos dos ‘revoltosos’. Hoje, o Egipto debate-se com a continuação do status quo, i. e., entre a eleição de Ahmed Shafik (ex-primeiro ministro de Mubarak e ex-chefe da Força Aérea) e a institucionalização de uma República Islâmica, através do obscuro candidato Mohammed Morsi, com todas as suas consequências.

De facto, a derrota de todas as esperanças aconteceu, há algum tempo atrás (1ª. volta das eleições presidenciais) com derrota de Hamdeen Sabahi, candidato da Esquerda (tradicional opocionista do regime de Mubarak e com raízes políticas no ‘nacionalismo árabe’) e defensor de um regime secular.

No terreno ficaram, depois do ‘golpe de Estado judicial’ de há 2 dias, nitidamente conoctado com as actuais chefias militares, restam aos egípcios duas escolhas: entre o mau (a continuação do sistema de Mubarak sem o rais e com um artificial e ‘concorrencial’ distanciamento do ‘poder religioso’) e o péssimo (um Estado Islâmico ‘moderado’, na aparência, que ganhará forma com o tempo até paulatinamente aproximar-se da teocracia iraniana).

O ‘espírito das grandes manifestações de Tahrir’ será hoje imolado, depois de controversos acidentes e golpes, no implacável altar da democracia, sob a estricta vigilância de uma ‘Junta Militar’ toda poderosa e determinada a não abrir mão do poder.

O Vaticano é um offshore da democracia e da decência


Ao melancólico estertor do papa de turno juntam-se as conspirações e lutas pelo poder num espetáculo deprimente para o Vaticano, Estado que os interesses económicos ainda perpetuam.

Segundo revelações recentes da imprensa italiana, o Banco do Vaticano – Instituto para as Obras da Religião (IOR) – parece mais uma lavandaria do que uma instituição de crédito. Terão passado por lá, para lavagem de dinheiro e fuga aos impostos, contas secretas de políticos, empresários e chefes mafiosos, quiçá, alguns com dupla qualidade.

A experiência milenar da Cúria Romana há de encontrar uma forma de limitar os danos e, sobretudo, de não perder dinheiro, assunto bem mais importante do que as bênçãos, indulgências e destino das almas. De qualquer modo, a última teocracia europeia sofre a erosão de sucessivos escândalos a que não consegue pôr cobro. A demissão abruta do presidente do IOR, Ettore Tedeschi, em 24 de maio, e os documentos descobertos pela polícia na sua casa, puseram em tal pânico as sotainas que foi tornado público que o Vaticano exige confidencialidade nos documentos que provam o mar de lama em que se converteu o negócio bancário divino.

Ainda não foi esquecida a responsabilidade do arcebispo Marcinkus nas fraudes comuns ao IOR e ao Banco Ambrosiano nem a proteção de João Paulo II que não autorizou a sua extradição para Itália, estranha conivência que diz mais sobre as virtudes papais do que a cura da doença de Parkinson a uma freira, milagre obrado em estado de defunção.

Se a este colossal escândalo público do bairro de 44 hectares, onde os escândalos são segredos de confessionário, acrescentarmos a força do Opus Dei e o namoro com a seita ultrarreacionária Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), cuja excomunhão já foi levantada, temos uma instituição pia sem ética, sem vergonha e sem respeito. A rica e poderosa congregação dos Legionários de Cristo falhou a canonização do seu fundador, depois de lhe terem escondido inumeráveis crimes de pedofilia, quando – horror dos horrores –, descobriram que tinha deixado descendência, mas é um esteio do Vaticano.

A Igreja católica está em acentuado declínio, não por ser pior do que as outras religiões, mas por ser um enclave entre democracias, onde o escrutínio da opinião pública não se detém com as ameaças das perpétuas penas do Inferno.

Assim pudesse ser escrutinado o fascismo islâmico onde os constrangimentos sociais, as madraças, as mesquitas e o Corão fanatizam os crentes e ameaçam a paz mundial.


sexta-feira, junho 15, 2012

Vaticano: nas mãos da extrema-direita do catolicismo



A Santa Sé revelou ontem, dia 14, que a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) propôs à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), fundada por D. Marcel Lefèbvre (1905-1991), a criação de uma prelatura pessoal.

Esta estrutura, que já existe no caso do Opus Dei, permitiria o “reconhecimento canónico” da FSSPX, sendo considerada pelo Vaticano como o “instrumento mais adaptado” para este propósito.