domingo, setembro 30, 2012

ANTÓNIO BORGES e a divinatória pulhice economicista apregoada como ‘inteligente’…

As declarações de António Borges (conselheiro governamental para as privatizações), no Fórum Empresarial do Algarve, tiveram a qualidade de agitar o terrível espantalho que tem ensombrado o apregoado ajustamento económico e social a que o País está sujeito. 
Por outro lado, mostraram como o actual Governo é um saco sem fundo de 'erros de casting'.

Considerar que a transferência de capital dos trabalhadores para as empresas como uma medida 'inteligente' é, no actual contexto económico, uma atitude de puro ‘infantilismo neoliberal’, experimentalista, vendida com inovadora e salvadora em aparente 'terra de cegos'. Socialmente - uma vertente em que Borges não passará de um ‘petulante’ analfabeto - deverá ser entendida como provocatória e, pior, capaz de despoletar o caos.

O senhor professor de economia veio (mais uma vez) a terreiro em confrangedor contra ciclo político. A sua encarniçada defesa das alterações da TSU é, acima de tudo, reveladora de um academismo obsoleto e gratuito…link. Refugia-se como ex-director do Departamento Europeu do FMI e académico credenciado para tentar enxovalhar como ignorantes os ‘outros’. Como se fosse o único economista português.
É exactamente aí – no seu percurso no FMI – que reside a gritante fragilidade do seu discurso. Saberá António Borges que já não vivemos na dependência de dogmas ditados por arremedos ex cathedra que, como vemos no dia a dia, já não colam no âmbito religioso e muito menos em Economia.

De facto, hoje, a circulação de informação não está condicionada, nem enfeudada, ao estatuto de ‘lente’. No presente, os cidadãos têm oportunidade de ler e não estão dependentes das enviesadas leituras de privilegiados doutores apresentadas como sábias. Na realidade, regressando ao seio da evocada fonte de idoneidade (ex-quadro do FMI), não precisamos de grandes voos para detectar o impostor. Ao lermos um artigo (de Abril 2012) elaborado por um painel de peritos (fiscais) do FMI (Michael Keen, Ruud de Mooij) link torna-se demasiado evidente o rosário de baboseiras de Borges a ombrear com a sua insuportável petulância.

Este senhor mais do que um professor será um exímio feirante, um vendedor de gato por lebre. Cheio de certezas não é capaz de parar para reflectir e ter a humildade de verificar que a medida tentada pelo Governo de Passos Coelho não está testada, nem confirmada, como se pode inferir do citado artigo escrito por ex-colegas (que acumulam com o estatuto de ‘professores’) no FMI (Fiscal devaluation as a cure for Eurozone ills – Could it work?) / link anterior.

Recorrendo à imagem dos esforços curriculares e lectivos do primeiro ano da sua Faculdade (actualmente a U. Católica) e aos ameaçadores 'chumbos',  seria de esperar que o seu exibido espírito académico, para preservar uma nesga de idoneidade, tivesse a humildade (científica) de questionar como fizeram os seus ex-companheiros do FMI: could it work?

Os portugueses começam a estar cheios de duas coisas: de intratáveis doutores de teoria económica e dos seus seguidores políticos, armados em ‘salvadores’ (da Pátria, do País, da Economia, das Finanças, do Euro – à escolha). Entre estes atributos e o estatuto de persona non grata, não existe nenhuma escala de diferenciação.

Resta concluir que o estafado slogan ‘vivemos acima das nossas capacidades’ esconde os paroquiais ‘eméritos pensadores’ a debitar acima das suas capacidades e para além da sua credibilidade.
Assim não vamos lá!

sábado, setembro 29, 2012

T.S.U. - UM EMBUSTE DA DIREITA ? (II)

No dia 16 deste mês publiquei neste blogue um artigo, com o título deste, em que me interrogava se as aberrantes alterações à T.S.U. então propostas pelo governo juntamente com uma panóplia de outras medidas de austeridade altamente gravosas não seriam uma manobra de diversão para desviar as atenções dessas outras medidas. Registei que toda a gente se concentrou nessas alterações e as condenou, e vaticinei que, perante o clamor geral e a intervenção do Presidente da República, o governo acabaria por recuar nas alterações em causa, mas depois de ter conseguido com isso fazer esquecer as outras medidas. Terminava assim:

"Toda essa “boa gente” vai ficar bem na fotografia.
Os capitalistas porque pareceram amigos dos seus “colaboradores”.
Cavaco porque apareceu como “salvador do povo”.
E o governo porque pareceu “ouvir a voz da razão” e emendar o seu erro.
Passos poderia até aproveitar para fazer uma remodelação ministerial.
Entretanto, quase toda a gente se esqueceu das outras intoleráveis medidas, que era o que desde o início se pretendia."

Pelos vistos não me enganei nas previsões.
 Confesso que na altura receei estar a pecar por excesso. Mas vejo agora que afinal pequei por defeito. A coisa revelou-se muito pior do que eu pensava. Com efeito, o governo não só se serviu da rábula da T.S.U. para fazer passar as outras medidas que na altura anunciou, como agora, com o pretexto de ter desistido de alterar a T.S.U., se prepara para adotar outras medidas porventura ainda mais gravosas!

Afinal não fui malévolo; fui ingénuo! A imaginação criadora - ou melhor, destruidora - do governo ultrapassa tudo o que possa congeminar-se!

Rapto de crianças no franquismo


Espanhola encontra filha roubada há 31 anos

Documentação de María, nascida em 1981 na maternidade madrilenha de Santa Cristina, cita o nome da irmã Maria Gómez Valbuena, freira espanhola acusada por rapto de bebés durante a ditadura de Franco.

Freira María Gómez Valbuena é a principal suspeita neste caso e ainda no rapto de outra menina nascida na mesma maternidade (Susana Vera/Reuters).

Aos milhares de bebés roubados a famílias pobres e vendidos a famílias ricas por freiras espanholas durante o franquismo, junta-se agora o nome de María, nascida em fevereiro de 1981 em Madrid. Mãe biológica e filha, que preferem continuar no anonimato, reencontraram-se recentemente em Espanha, depois de um processo legal iniciado há um ano.



sexta-feira, setembro 28, 2012

Uma postura que pode incendiar o País...

Estado concedeu mil milhões em benefícios fiscais a 40 empresas…link

Em tempos de dura austeridade os cidadãos não mereciam uma explicação detalhada e as justificações destes ‘perdões’ fiscais?

O que se passa com a (na) Zona Franca da Madeira?

Porque razão empresas como PT Ventures (do grupo PT), Portucel , BPI, Autoeuropa, PT, Celbi, Lactogal, BCP, etc., foram beneficiárias de perdões fiscais?

Apostila: Intrigante é o valor destes perdões (1370 milhões de euros) ser equivalente às receitas arrecadadas pelo Estado com o corte generalizado de metade do subsídio de Natal em 2011.

- Que tipo de ‘transferências’ anda este Governo a promover?

O texto que incendiou Espanha


Um canhão pelo cú

Se percebemos bem - e não é fácil, porque somos um bocado tontos -, a economia financeira é a economia real do senhor feudal sobre o servo, do amo sobre o escravo, da metrópole sobre a colónia, do capitalista manchesteriano sobre o trabalhador explorado. A economia financeira é o inimigo da classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com corpo de criança num bordel asiático.

Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes de sequer ser semeada. Na verdade, pode comprar-te, sem que tu saibas da operação, uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que tu ganhes mais caso suba, apesar de te deixar na merda se descer.

Se o preço baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter o que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas - e não há nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.

Para exemplificar, estamos a falar da colheita de um indivíduo, mas o que o porco filho da puta compra geralmente é um país inteiro e ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. Um país que, da perspetiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil andam de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória.

A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo o caráter de pessoa, coisifica-a. Uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista económico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país - este, por acaso -, e diz "compro" ou "vendo" com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vende propriedades imobiliárias a fingir.

Quando o terrorista financeiro compra ou vende, converte em irreal o trabalho genuíno dos milhares ou milhões de pessoas que antes de irem trabalhar deixaram na creche pública - onde estas ainda existem - os filhos, também eles produto de consumo desse exército de cabrões protegidos pelos governos de meio mundo mas sobreprotegidos, desde logo, por essa coisa a que chamamos Europa ou União Europeia ou, mais simplesmente, Alemanha, para cujos cofres estão a ser desviados neste preciso momento, enquanto lê estas linhas, milhares de milhões de euros que estavam nos nossos cofres.
E não são desviados num movimento racional, justo ou legítimo, são-no num movimento especulativo promovido por Merkel com a cumplicidade de todos os governos da chamada zona euro.

Tu e eu, com a nossa febre, os nossos filhos sem creche ou sem trabalho, o nosso pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais ou as nossas alegrias sentimentais, tu e eu já fomos coisificados por Draghi, por Lagarde, por Merkel, já não temos as qualidades humanas que nos tornam dignos da empatia dos nossos semelhantes. Somos simples mercadoria que pode ser expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornámo-nos algo desprezível, como esse pobre tipo a quem o terrorista, por antonomásia, está prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da pátria.

A ti e a mim, estão a pôr nos carris do comboio uma bomba diária chamada prémio de risco, por exemplo, ou juros a sete anos, em nome da economia financeira. Avançamos com ruturas diárias, massacres diários, e há autores materiais desses atentados e responsáveis intelectuais dessas ações terroristas que passam impunes entre outras razões porque os terroristas vão a eleições e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas.

A economia financeira, se começamos a perceber, significa que quem te comprou aquela colheita inexistente era um cabrão com os documentos certos. Terias tu liberdade para não vender? De forma alguma. Tê-la-ia comprado ao teu vizinho ou ao vizinho deste. A atividade principal da economia financeira consiste em alterar o preço das coisas, crime proibido quando acontece em pequena escala, mas encorajado pelas autoridades quando os valores são tamanhos que transbordam dos gráficos.

Aqui se modifica o preço das nossas vidas todos os dias sem que ninguém resolva o problema, ou mais, enviando as autoridades para cima de quem tenta fazê-lo. E, por Deus, as autoridades empenham-se a fundo para proteger esse filho da puta que te vendeu, recorrendo a um esquema legalmente permitido, um produto financeiro, ou seja, um objeto irreal no qual tu investiste, na melhor das hipóteses, toda a poupança real da tua vida. Vendeu fumaça, o grande porco, apoiado pelas leis do Estado que são as leis da economia financeira, já que estão ao seu serviço.

Na economia real, para que uma alface nasça, há que semeá-la e cuidar dela e dar-lhe o tempo necessário para se desenvolver. Depois, há que a colher, claro, e embalar e distribuir e faturar a 30, 60 ou 90 dias. Uma quantidade imensa de tempo e de energia para obter uns cêntimos que terás de dividir com o Estado, através dos impostos, para pagar os serviços comuns que agora nos são retirados porque a economia financeira tropeçou e há que tirá-la do buraco. A economia financeira não se contenta com a mais-valia do capitalismo clássico, precisa também do nosso sangue e está nele, por isso brinca com a nossa saúde pública e com a nossa educação e com a nossa justiça da mesma forma que um terrorista doentio, passo a redundância, brinca enfiando o cano da sua pistola no rabo do sequestrado.

Há já quatro anos que nos metem esse cano pelo rabo. E com a cumplicidade dos nossos.

Juan José Millas


notícia dinheiro vivo


Humor contra a intolerância


quinta-feira, setembro 27, 2012

O presente que nos ameaça e o futuro que nos espera


Enquanto a Grécia se transforma no mausoléu da cultura que pôs a Europa na vanguarda da civilização e a Espanha se desagrega com esperada violência, Portugal dissolve-se na espiral recessiva que alimenta o medo e a depressão coletiva.

A prosperidade, o bem-estar, a solidariedade e a paz que a Europa construiu, depois da guerra de 1939/45, parece estar à beira do abismo e à espera do último empurrão que os agiotas aguardam.

Eram outros os fundadores da União Europeia, outros os sentimentos que os animaram, diferentes os objetivos que prosseguiram no auspicioso caminho percorrido. Hoje, é um corpo sem cabeça a agonizar antes da autópsia do cadáver.

Quem desconhece a História da Europa não imagina do que são capazes os povos que a formam. Quando a herança do Iluminismo já parece ofuscada pelas trevas medievais e os valores da Revolução Francesa pelo espírito das Cruzadas, a fraternidade dá lugar ao egoísmo, a igualdade à luta de classes e a liberdade é ameaçada por novas ditaduras.

A consciência cívica que desperta nas ruas, de forma inorgânica, parece outra primavera árabe que, depois de sacrificar os filhos diletos e generosos, se transforma em cemitério das liberdades. A estridente revolta libertadora pode acabar no silêncio sepulcral de velhas ditaduras.

Quando falta o essencial à sobrevivência das pessoas, quando a fome e o medo tolhem os desvalidos, os mansos transformam-se em feras e os espoliados em ressentidos. Este caldo de cultura, que alguns sonham, é quase sempre o húmus onde germinam as tiranias e fenecem as liberdades.

A Europa apresenta estranhas semelhanças com o início da década da trinta do século que foi. Os despeitados de hoje moram em latitudes diferentes, mas a inquietação, o medo e a revolta apresentam os condimentos que levaram povos atrás de demagogos esquizofrénicos no espaço europeu, primeiro, e depois globalizado.

Há 75 anos, no início do mês que ora decorre, começou a hecatombe que desencadeou o Holocausto, mobilizou 100 milhões de soldados e fez mais de 70 milhões de mortos.

Ainda há pouco pareciam adormecidos os demónios. Ninguém pode garantir que um novo despertar não aconteça. A Europa nunca conhecera, seguidos, 75 anos de paz. Mas malditos sejamos nós se não formos capazes de vencer o egoísmo e o espírito totalitário quando, pela primeira vez, há armas para destruir várias vezes o único Planeta que nos está reservado.

A crise das democracias representativas é uma desgraça e o seu desgaste pelos ataques persistentes e impiedosos podem transformá-la na tragédia que nos cabe evitar.

Ponte Europa / Sorumbático


quarta-feira, setembro 26, 2012

Só enquanto Paulo Portas estiver no Governo


Passos Coelho também chegou a primeiro-ministro

Mitt Romney, ao propor janelas de abrir para os aviões, tornou-se alvo do ridículo. Contrariamente ao que pensam muitos analistas, não penso que isso o prejudique. Poderá ser visto como criativo.

Geoge W. Bush também estava convencido de que o Antigo Testamento tinha sido ditado por Deus, em inglês, e, nem por isso, deixou de ser presidente.

terça-feira, setembro 25, 2012

O patriotismo mora ao lado




Não param as malfeitorias que atingiram em cheio funcionários públicos, reformados e, sobretudo, os desempregados, alargadas em 2013 a empregados das empresas privadas, enquanto grandes fortunas ficam incólumes e vencimentos obscenos e sinecuras pagam favores dos que ajudaram a dupla Coelho/ Portas a chegar ao Governo.

O OE 2013, divulgado em fatias, agravará as desigualdades, caras aos ultraliberais que veem em Milton Friedman o mago das finanças e têm pelas pessoas  o mesmo desprezo implacável, com o pretexto da salvação da pátria. Que raio de patriotismo o deles cujo modelo apenas foi tragicamente testado no Chile com as mortes que se conhecem.

O patriotismo de que me orgulho é a paz e a liberdade que se respira em democracia e o progresso que se almeja na solidariedade entre portugueses.

A Pátria que amo é o território que temos e as pessoas que são, muitas dispersas pelos quatro cantos do mundo. Não é a nostalgia de um passado de vergonha com Américo Tomás sob os holofotes no Dia da Raça, o colonialismo e o massacre de Wiriamu.

Portugal é a pátria resgatada do opróbrio pelo 25 de Abril, não é o império evocado por nostálgicos junto ao Mosteiro dos Jerónimos, no dia 10 de Junho, onde discursam os que calam ou não sentiram as feridas da ditadura.

A Pátria é o idioma e a identidade que liga Gil Vicente e Saramago, que se revê em António Vieira e Fernando Pessoa e se orgulha de Machado Santos, na Rotunda e de Salgueiro Maia, no Largo do Carmo.

Não é, nem pode ser, o espaço que ligou Peniche ao Tarrafal, o Aljube ao Campo de S. Nicolau e a Rua António Maria Cardoso a Caxias.

Somos um povo solidário que nos orgulhamos dos que chegaram à Índia e ao Brasil, mas execramos os que fizeram a matança dos judeus, em Lisboa, há quinhentos anos, os que exterminaram os índios e os que colaboraram com a Inquisição ou com a PIDE.

A minha Pátria vive no coração dos que amam Portugal e não dos que choram a pátria que era doutros. Vive nos dez cantos d’Os Lusíadas e não em quem exuma a memória de Camões para justificar 13 anos de guerra colonial.

Ao discurso desastrado do PM ou às explicações arrastadas do ministro das Finanças, prefiro a poesia de Ary dos Santos ou um só verso de Alexandre O'Neill.


segunda-feira, setembro 24, 2012

Conselho de Estado II

...« 6) O Conselho de Estado foi informado da disponibilidade do Governo para, no quadro da concertação social, estudar alternativas à alteração da Taxa Social Única.
7) O Conselho de Estado foi igualmente informado de que foram ultrapassadas as dificuldades que poderiam afectar a solidez da coligação partidária que apoia o Governo».
- Comunicado da PR no final do Conselho de Estado (31.09.2012) link.

Nestas duas alíneas concentram-se os resultados objectivos de uma longa reunião (um dia de trabalho!) onde, certamente, terão sido discutidos outros assuntos.

A ‘cuidadosa’ formulação encontrada para redigir um comunicado final consensual e asséptico  não consegue esconder inquietantes ambiguidades.

Hoje, (re)começa a concertação social. A rapidez dos desenvolvimentos e o anúncio da apresentação de medidas alternativas sugere que – desde sempre – existia um plano B para tentar equilibrar um orçamento descontrolado de cujo incumprimento o Governo é o único responsável. A opção pelas alterações da TSU (e do IRS, os cortes na FP e pensionistas e aposentados, etc. ) não foi propriamente um deslize governativo, uma incúria ou um dislate. Foi a aposta (ideológica) deste Governo que, inopinadamente, gerou uma ampla e global contestação, a começar no interior da coligação que suporta o Executivo e - o que foi um clamoroso erro de previsão e/ou de avaliação política - nas ruas.

Nada está definitivamente ultrapassado como o comunicado da PR sugere.

A concertação política à volta de um memorando, apresentado aos portugueses como incontornável (para cumprir sem 'falhas'), está ferida de morte. O Governo tem negociado com a troika os updates (ao referido memorando) sem quaisquer preocupações de coesão política interna. Hoje será uma imagem de retórica a recorrente referência aos subscritores do ‘Memorando de Entendimento’. O PS foi sistematicamente afastado das negociações que - desde há ano e meio - têm adaptado, reformulado e corrigido o documento original. Este é, cada vez mais, uma mera referência histórica, embora seja utilizado ad nauseam, pela actual coligação governativa, como arma de arremesso político.

O Governo iniciou uma ‘navegação à vista’ que, paulatinamente, tem pervertido o sentido do auxílio externo (compulsivamente) ‘concertado’ em Maio de 2011, na sequência da crise da dívida externa e de uma consequente perturbação política. Conquistado o poder através de um acto eleitoral, onde as opções foram apresentadas envoltas numa espessa nebulosidade, é executada uma deriva oportunista (e golpista) tentando fazer o ‘reset’ do modelo democrático. E é neste primeiro ‘round’ que o Governo vai ao tapete. Daqui para a frente o Governo fará a estrada sozinho, fragilizado e desmascarado. Mais concretamente, sob rigorosa vigilância – e desconfiança - de tudo e todos.

O Governo não ultrapassou as suas divergências internas, nem se reconciliou com o País. Após o ‘desastre’ tenta contornar o seu primeiro grande sobressalto. E, como sabemos, uma coisa é ultrapassar os problemas, outra será contorná-los.

No Conselho de Estado, o Governo foi empurrado de regresso à concertação social. Donde, se tivesse o mínimo de acuidade política e social, nunca deveria ter saído.

Nada de novo (ou de 'sustentável') se adiantou.

O Conselho de Estado limitou-se a oficiar uma penosa liturgia reumática declamando o regresso à ‘normalidade’ democrática. O que num inegável contexto de crise poderá ser reconfortante mas é manifestamente insuficiente.

A ‘concertação social’ acabará por exibir – aos portugueses - um governo sem conserto. TSUmanizou-se!

CIGARRAS, FORMIGAS E FORMIGÕES

Os governantes que desgraçadamente continuam no poder, não contentes em espoliar os portugueses, especializaram-se em insultá-los.

Já nos chamaram “piegas” e “esquizofrénicos”. Agora o brilhante intelectual Dr. Macedo, ministro da Administração Interna, recorreu à velha fábula da cigarra e da formiga para nos chamar preguiçosos e perdulários. Disse ele que há em Portugal muitas cigarras e poucas formigas.

Tendo em conta o discurso a que o governo nos tem habituado, não é preciso grande esforço interpretativo para descobrir quem, no seu entender, são as cigarras: são os desempregados que nada fazem e recebem chorudos subsídios; os trabalhadores que recebem o salário mínimo e o desbaratam em opíparas comezainas e a comprar dispendiosos livros escolares para os filhos; os pensionistas que mal recebem os trezentos euros da reforma correm logo a desbaratá-los na farmácia; as velhinhas que persistem, apesar dos aumentos das taxas moderadoras, em ir aos hospitais tratar das suas doenças; etc..

E as formiguinhas operosas quem serão? O ministro não disse, mas certamente que estava a pensar nos Catrogas, nos Borges, nos Pais do Amaral, que chegam a ter mais de setenta laboriosos “empregos” e, coitados, gastam muito menos do que aquilo que “ganham”.

Acontece porém que, na maior parte dos casos, esses “gestores de topo” mais não são que autênticas formigas brancas, especialistas em despedimentos, reduções de salários, aumentos de preços e privatizações, que destroem ou vendem ao desbarato tudo por onde passam – o Serviço Nacional de Saúde, a televisão pública, a TAP, a ANA, etc..

Não é meu costume insultar ninguém, mas já que o governo persiste em fazê-lo, desta vez retribuo dizendo o que a maior parte dos portugueses vêm dizendo, primeiro em simples conversas, e agora – já não era sem tempo – nas ruas e alto e bom som: este governo é uma corja!

domingo, setembro 23, 2012

Velhos documentos

Clique na imagem para aumentar

sábado, setembro 22, 2012

Conselho de Estado...

Conselho de Estado: Governo vai estudar alternativas à TSU… link

Telegraficamente, esta notícia diz (quase) tudo sobre a actual situação política.

Primeiro, manda  o Governo ‘estudar’.
Um facto que transcende o momento presente. Desde há muito que os portugueses têm a noção que alguns membros do actual Governo não estudaram o suficiente. Serão mais adeptos das equivalências… São os ‘relvistas’.
Outros cultivaram um processo de ‘estudo’ livresco, académico, confundindo a realidade com modelos plasmados em power point ou em folhas de Excel. São os ‘gasparistas’.

Depois, caiu o ‘mito das alternativas’.
De facto, durante este ano e meio uma das ‘coisas’ que azucrinaram a cabeça dos cidadãos foi o plantel de medidas apresentadas como sem alternativas. Parece que, finalmente, abriu-se a porta das alternâncias. Esperemos que não seja do ‘alterne’…

Enfim, o Conselho de Estado de ontem, terá sido o intermezzo democrático possível. Todos sabemos que não foi o necessário!

A censura está de volta envolta em pobreza




A esquizofrenia censória do Doutor Miguel Relvas, visando o controlo e intimidação da comunicação social, vislumbra cabalas contra o precário e funesto primeiro-ministro. O fiscal da liberdade de expressão ameaça os jornalistas dos jornais privados e dos órgãos que tutela. Com a obsessão de limitar a independência dos operadores públicos, deseja eliminar os operadores públicos.

Urge impor limites ao poder discricionários do ministro da tutela. A vocação censória do atual Governo promete revolucionar o audiovisual em Portugal e regressar ao exame prévio, sem os métodos obsoletos dos monsenhores e dos coronéis da ditadura. Basta entregarem todos os meios de comunicação social ao capital privado.

A continuidade do Doutor Relvas no cargo revela que não é um epifenómenos deste Executivo sem rumo, projeto ou capacidade para governar. Sonhou destruir o serviço público de comunicação social para que o Governo, à míngua de capacidade, gozasse de impunidade mas, depois das últimas manifestações, já lhe deve minguar o fôlego para privatizar a RTP, ignorar a Constituição e afrontar  o Tribunal Constitucional.

Sabemos como o poder económico limita a liberdade de informação, na defesa dos seus interesses. Se o poder político abdica da defesa da liberdade e se submete aos interesses privados comete um ato de incúria e covardia que os democratas não podem consentir.

Passos Coelho é regente do Governo PSD/CDS há pouco mais de um ano, graças a um PR sem grandeza nem especial cultura democrática. Na pressa de despedir Sócrates, um ódio de estimação, não esperou por um líder do PSD mais capaz. PPC, inexperiente e rodeado dos mais implacáveis ultraliberais, Vítor Gaspar, Braga de Macedo e António Borges, acabou traído por Paulo Portas, especialista na arte da sobrevivência política.

A três anos do fim do mandato, assiste-se já à fase terminal de um Governo que teve a unção de Cavaco, a contribuição de todos os partidos da oposição e os votos da maioria dos portugueses. Perante o vendaval que varre os mercados financeiros e a pressão que a Europa suporta, Portugal experimentou o pior dos seus governos democráticos.

Esta experiência falhada para resgatar o País do caminho errado que atribuiu ao anterior Governo só nos trouxe menos liberdade, menos justiça social e uma profunda depressão envolta na pobreza que alastra e no desespero que não para.

sexta-feira, setembro 21, 2012

Ele já era o Padrinho


A ‘crise’ segue dentro de momentos….

PSD e CDS criam grupo de acompanhamento da coligação…link

Sem evidenciar capacidades para encontrar uma saída política que esclareça e resolva a crise no seio da coligação governamental os dois partidos que a integram continuam em ‘conferências de reconciliação’.
O significado imediato do tal ‘grupo de acompanhamento’ é de que a querela está para durar (até a queda do Governo?). Ou só para 'lavar'.
De facto, interpretando o comunicado emitido ontem após a reunião das (decapitadas!) delegações do CDS e PSD, verificamos que – se acaso fosse ainda possível juntar os cacos - nada de fundamental foi ultrapassado.
A reunião de ontem mostra, também, que mantendo-se profundas as clivagens e não sendo possível a ambos os líderes partidários 'salvarem a face',  os dois partidos que se coligaram para governar resolveram iniciar uma fuga em frente: em direcção às eleições autárquicas. Isto é, sob os escombros de uma desavença doméstica – com graves e inevitáveis reflexos nacionais - resolveram construir uma nova frente de luta. Subjugaram – ao contrário que insistentemente propalam - os graves problemas nacionais aos interesses partidários a curto prazo (eleições autárquicas).

Ficamos todos com a impressão que a reunião de ontem moveu-se essencialmente com o objectivo de ‘sossegar’ o PR e o seu órgão de aconselhamento – o Conselho de Estado, mostrando que o diálogo, mesmo que incipiente e formal, ainda existe. Mas, da reunião de ontem, ressalta que não houve qualquer tipo de entendimento. As omissões deste comunicado são muito mais relevantes do que angelicais propósitos futuros. E sobre o estado da Nação o silêncio é ensurdecedor, bem como sobre os vastos sacrifícios já impostos aos portugueses que se revelaram insuportáveis e, simultaneamente, ineficazes (como é facilmente verificável quando se analisa o défice, a recessão económica, a dívida externa e o emprego).
- Será que a coligação ainda não percebeu que atirar austeridade em cima de austeridade conduz-nos irremediavelmente ao desastre?
- Ou, ontem, pretendeu-se pura e simplesmente ganhar tempo?

Na verdade, a reunião interpartidária de ontem, tinha ab initio pouca relevância. Mais importante que as escaramuças partidárias da Direita são os reais problemas e a profunda indignação popular que a aplicação mecanicista de uma receita austeritária cega, desproporcionada e destrutiva (ao longo do 1º. ano de governação) provocou no País.
E uma eventual reconciliação desta coligação com o País não passa por reuniões em hotéis da capital. Ontem, no final da reunião os portugueses confirmaram uma noção que ocupava já a alguns dias o inconsciente colectivo nacional: os danos são irrecuperáveis e a crise política inultrapassável com os actuais protagonistas.

Os próximos passos para uma solução governativa – dentro do enquadramento constitucional - devem começar a ser discutidos hoje no Conselho de Estado, fora dos remendos que a actual maioria pretende levar a cabo e vão necessariamente envolver a dita 'sociedade civil'. E se dúvidas houvesse sobre esta imperiosidade o lamentável espectáculo de folclore oferecido ontem pela ‘coligação’ (cada vez mais um eufemismo) para além dramaticamente esclarecedor, abre 'portas' para múltiplas intervenções (que efectivamente já começaram...).
Não estamos perante um vulgar percalço governativo. O País aparentemente suspenso, mas realmente indignado, profundamente revoltado, está perante uma encruzilhada histórica. No único espaço que dispõe (entre eleições) para se manifestar – a rua – mostrou-se convicto, ordeiro e determinado. Neste momento vigilante – a vigília em Belém mostra ‘isso’ – devolveu a bola às instituições democráticas que tudo terão de fazer para se credibilizarem. E, como estaremos todos de acordo, o tempo urge.

Entretanto, como nos antigos separadores da TV, poder-se-á escrever: ‘a crise segue dentro de momentos’…

Opiniões Religiosas

Touros de morte (Crónica)


A legalização dos touros de morte, há dez anos, inundou de felicidade o meu coração. Julguei as mais nobres tradições lusitanas definitivamente condenadas à clandestinidade ou abolidas. Os autos de fé, a escravatura, a pena de morte, a monarquia absoluta e outras divertidas formas de tortura são meras recordações que inebriam a alma de quem fez a primeira comunhão vestido de cruzado, mas cuja reabilitação se afigurava cada vez mais remota. Acontece que a esbulho fiscal, a dívida soberana e a depressão coletiva conhecem agora o seu apogeu mas não têm o encanto das outras tradições que se perderam. São apenas bálsamo na ferida da memória.

Num país onde a lapidação de mulheres adúlteras como espetáculo público e a excisão do clitóris como divertimento familiar não vingaram, valeram-nos os touros de morte desse Verão do nosso contentamento. É verdade que as pessoas que serram os cornos aos touros não gostariam que lhes fizessem o mesmo, mas os forcados empolgam-me sempre. A exibição da força contra a inteligência do touro, mesmo que este perca, não deixa de me extasiar.

O ministério da Cultura devia subsidiar o espetáculo em que a morte é a apoteose de uma divertida picardia em que o toureiro vai cravando alegremente as farpas no bicho. Para júbilo da multidão.

A minha Pátria continua a ser Barrancos e Portugal a exceção.

quinta-feira, setembro 20, 2012

O REGABOFE

A direita neoliberal e germanófila não se cansa de repetir ad nauseam a estafada ideia de que os portugueses “viviam acima das suas possibilidades”.

É certo que muita gente se deixou embalar pelo canto da sereia dos bancos e dos grandes empórios comerciais que procuravam a todo o custo impingir os seus produtos e embarcou na via do crédito fácil sem fazer contas. Com isso se endividou, depois de engrossar generosamente os lucros desses mesmos bancos e empórios, cujos interesses a referida direita – agora tão “ajuizada”- representa e defende.

Mas a maior parte das pessoas a que a mesma direita se refere vivia acima das suas possibilidades por uma única e simples razão: é que as suas possibilidades estavam muito abaixo das suas elementares necessidades. Seria pois missão de qualquer político decente – sobretudo dos que se arrogam o título de “social-democratas” – procurar aumentar essas “possibilidades”, de modo a adequá-las às necessidades.

Porém o que a direita faz para “corrigir” a situação é exatamente o contrário: reduz ainda mais as possibilidades de os portugueses proverem às suas necessidades, cortando-lhes os salários, os subsídios, as pensões e asfixiando-os com mais e mais taxas e impostos.

Por outro lado, há outro e mais grave problema que a direita escamoteia: é que há em Portugal uma grande quantidade de nababos que essa mesma direita nos obriga a sustentar e que vive largamente acima das nossas possibilidades!

É com esse regabofe que é preciso acabar!

Beco sem saída


Momento de Poesia




Não sei o que te diga…

Não sei o que te diga
nesta  vertigem do instante em que me falas
do espasmo da tua voz dorida
e do espanto do teu olhar magoado…

Não sei o que te diga
da saudade vertida na minha memória distante
quando recordo aquele fulgurante instante
do beijo ardente perdido na despedida…

Não sei o que te diga
nem te digo o que sinto e penso
quando dizes ouvir os gritos do meu silêncio
ou que o meu nome ainda esteja escrito
na porta da casa em que tu habitas…

Não sei o que te diga
nem entendo o que procuro
quando me entrego à profecia dos oráculos
para saber quanto tempo será preciso
para que o amor que me dedicas
seja a luz do meu caminho
e o afago do meu tormento…

Alexandre de Castro
Lisboa, Setembro de 2012

O que me irrita neste Governo


Não me pronuncio agora sobre a bondade das medidas económicas e sociais do atual governo nem sobre as alternativas possíveis. Arrelia-me, sobretudo, a sua postura. Irrita-me a satisfação com que os ministros anunciam a elevação dos impostos ou a subida dos transportes, a alegria que lhes dá a cobrança de portagens ou o aumento dos combustíveis, o orgulho que sentem na alienação do património ou na agilização dos despedimentos, em suma, na felicidade que ostentam pelas malfeitorias a que procedem.

Vendo-os na televisão a exultarem por mais uma desgraça que anunciam, com culpas invariavelmente atribuídas ao governo anterior, vem-me sempre à memória a noviça que informou a madre superiora de ter sido violada, ouvindo desta a surpreendente recomendação de espremer um limão e beber rapidamente o sumo. Estupefacta a noviça ainda pergunta se a bebida evita a gravidez, ao que a madre responde que, pelo menos, evita o ar de felicidade.

Esta coligação está a precisar de muito sumo. De limão bem azedo.

À espera de Godot…

Os partidos andam efervescentes, desorientados e, todos, foram surpreendidos pela rapidez e profundidade da degradação política. Neste ano, dedicou-se muito tempo a questionar receitas financeiras, económicas e sociais, desguarnecendo a vertente política. É desta deriva que nasce a surpreza.

Enquanto a coligação de direita se esfrangalha vítima de conflitos de interesses e de incompatibilidades políticas evidentes, o PS enumera princípios gerais democráticos e económicos tentando através deles ‘cuidar’ da coesão social.  Finalmente, o BE e o PCP apostam na oportunidade de apear o Governo e abruptamente interromper o ‘resgate’, já que tudo está a correr francamente mal.

A ‘coligação de Direita’ envolveu-se em confrontos paroquiais sobre nuances neoliberalistas e, consequentemente, acabou por alienar o respeito dos portugueses. Muitos só ao fim de um ano desta governação compreenderam o ‘projecto de mudança’ que foi anunciado (e votado) em Junho de 2011.

O PS acha que (ainda) não é tempo de chegar-se para a boca de cena. A ‘cura de oposição’ não provocou as alterações internas necessárias. O aparelho – herdado de Sócrates - ainda não foi saneado. Prefere, portanto, que a coligação em estado comatoso prossiga a trágica governação. Nos próximos tempos conta ganhar espaço de manobra para ‘minorar’ austeridades, enquanto o crescimento espera por melhores dias (eleições na Alemanha?).

BE e PCP, precisam urgentemente da ribalta política. A estratégia de distanciamento da troika (como se ela não existisse e não determinasse) colocou-os durante esta legislatura fora da centralidade das soluções. A questão da renegociação da dívida que, nesta área, é uma bandeira comum, nunca foi abundantemente explicada em todas as suas consequências (internas e externas).

Desta breve (e simplista) resenha conclui-se que a crise atravessa, de algum modo, todo o leque partidário. Chegou - inesperadamente para alguns - à rua corporizando um conceito político e cultural muito mediterrânico: unidade na diversidade.

O presidente da República faz reunir, 6ª. feira, o Conselho de Estado. Aparentemente para formalizar a crise e para ganhar espaço de actuação.  Belém, contudo, deve transformar-se no palco de uma conhecida peça do ‘teatro do absurdo’: À Espera de Godot.

Cabe aqui recordar o diálogo entre Vladimir e Estragon:
Vladimir : Well, shall we go?
Estragon: Yes, let's go.
- They do not move!

Sexta-feira, saberemos em que medida continuamos parados (sem nos mover) …à espera de Godot!
Mas sabemos que Godot não irá a Belém. Mora longe…(em Berlim?).

O islão, a violência e a fé


A fúria que ataca os crentes de uma religião não se distingue da que aflige o adepto de um clube de futebol ou o fanático de um partido político.

Cada religião considera falsa todas as outras e falso qualquer outro deus que não seja o seu – e certamente todas têm razão –, o que faz de qualquer crente um ateu em relação à religião dos outros. Aliás, o ateu só considera falsos mais uma religião e mais um deus. No fundo, todos somos ateus.

Nas sociedades democráticas não há razão para persistir um crime tão anacrónico como a blasfémia. Era pior – e mantém-se em sociedades teocráticas –, a apostasia. Hoje é um direito inalienável, tão respeitável como as crenças, as descrença ou as anti-crenças. A liberdade de expressão é um valor maior do que as idiossincrasias pessoais ou coletivas.

A civilização árabe é uma civilização fracassada e o Islão, uma cópia grosseira do cristianismo, é o lenitivo de povos desesperados e submetidos à violência tribal. Com o seu primarismo, exerce um notável efeito mimético que contaminou a Turquia, o Irão, os berberes e franjas caucasianas na Europa e nos EUA. O proselitismo cristão, contido pelas democracias, depois de sangrentas guerras religiosas e da derrota do clero, persiste nas teocracias, apoiado por uma implacável máquina de intoxicação, entrincheirada nas madraças e mesquitas, e no carácter belicista com que os crentes são acirrados.

Na estrada de Damasco onde Paulo de Tarso teve a ideia de fazer a cisão do judaísmo, globalizando o deus autóctone, de matriz hebraica, não mais circulará o cristianismo, que ele inventou, e que Constantino utilizou para cimentar o Império Romano, ainda que ele próprio, no seu íntimo, se mantivesse fiel ao mitraísmo.

Nos países árabes restam pouco mais de 15 milhões de cristãos, metade dos quais no Egito onde a vitória democrática dos Irmãos Muçulmanos augura a sua erradicação. No Iraque já houve milhão e meio de cristãos, número que baixou nos últimos 30 anos e se acentuou depois de quatro abomináveis cruzados (Bush, Blair, Aznar e Barroso) terem anuído ao pedido que Bush garantiu ter-lhe sido feito por Deus e da prova da existência das armas de destruição maciça que os dois primeiros mostraram aos dois últimos.

O alarido da rua islâmica regressa ciclicamente quer o pretexto sejam as caricaturas de Maomé, um livro de Salman Rushdie ou um filme artesanal, independentemente de quem o provoca e da origem dos interesses que podem estar ligados à geopolítica ou à luta pelo petróleo.

Seja qual for a razão, quaisquer que sejam os patifes que lhe deem origem, não se pode tolerar que as mutilações, os ataques às embaixadas, as lapidações e as decapitações prossigam, para gozo de Maomé e divertimento pio.

A civilização e a barbárie têm fronteiras que nenhum deus pode franquear e a liberdade exigências incompatíveis com os dementes que se imolam para assassinar infiéis a troco de 70 virgem e rios de mel doce. Não há ressentimentos ou pretextos que o justifiquem.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, setembro 19, 2012

Sondagens


A onda de descontamento com o Governo que varreu o país nas últimas semanas tem agora uma expressão numérica clara. Se as eleições fossem hoje, o PSD não iria além dos 24%, segundo uma Sondagem da Universidade Católica elaborada para o JN.

No anterior barómetro realizado pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião daquela universidade, em junho de 2012, o PSD contava com 36% dos votos do eleitorado.

A liberdade é um bem maior


O patrão já recuou, falta obedecer o empregado


Ângelo Correia, histórico do PSD e politicamente próximo do primeiro-ministro, recomenda a Passos Coelho que recue na questão da Taxa Social Única (TSU).


terça-feira, setembro 18, 2012

As isenções fiscais da Igreja católica são imorais


Nesse momento em que a Europa passa por uma das piores crises financeiras de sua história, e os cidadãos são obrigados a pagar impostos pesados, os olhos de alguns governos passaram a visar uma instituiçãoque passou incólume pelos momentos económicos mais difíceis da história: aIgreja Católica.

Passos Coelho no Gólgota

Só se esqueceram das cruzes

segunda-feira, setembro 17, 2012

Para mais tarde recordar


Congresso Democrático das Alternativas


Como pode contribuir para o sucesso do Congresso

1. Envie um email ou contacte pessoalmente aqueles que possam rever-se nos propósitos da iniciativa, convidando-os à subscrição da Convocatória (o que pode ser feito em http://subscrever.congressoalternativas.org) e à participação no processo de construção do Congresso.

2. Divulgue o Congresso, o seu sítio web (http://www.congressoalternativas.org/)  e a página do facebook (http://www.facebook.com/pages/Congresso-Democratico-das-Alternativas/320693794685218) junto dos teus contactos e redes sociais (via email, blogs, Facebook, Twitter, etc.).

3. Imprima cópias da Convocatória (que enviamos em anexo), do cartaz e do folheto do Congresso (disponíveis aqui http://www.congressoalternativas.org/p/materiais.html), colocando-os nos seus locais de trabalho e convívio, e distribuindo-os em todas as situações que lhe pareçam adequadas.

4. Contribua para a elaboração do Projecto de Declaração do Congresso, enviando textos da tua autoria que contribuam para o debate temático nas várias áreas (ver http://www.congressoalternativas.org/p/debates-tematicos.html) ou convidando outros a participarem com as suas ideias e propostas.

5. Contribua, na medida das suas possibilidades, para o suporte financeiro do Congresso, cuja organização depende exclusivamente do trabalho voluntário e do contributo dos seus apoiantes. Os donativos individuais podem ser feitos por transferência para a conta bancária constituída para o efeito com o NIB 0035 0081 00103231 030 49. Toda a informação sobre receitas e despesas do Congresso estará disponível do site (em http://www.congressoalternativas.org/p/donativos.html).

6. Marque a sua presença e participe activamente no Congresso no dia 5 de Outubro, que terá lugar durante todo o dia na Aula Magna da Universidade de Lisboa. Por motivos logísticos, a participação no dia 5 de Outubro está sujeita a inscrição prévia através do site do Congresso. O início das inscrições será brevemente anunciado.


--
CONGRESSO DEMOCRÁTICO DAS ALTERNATIVAS
Resgatar Portugal para um Futuro Decente
5 de outubro - Aula Magna - Lisboa

domingo, setembro 16, 2012

Paulo Portas – o silêncio de um refinado hipócrita


As grandiosas manifestações de ontem foram mérito do Governo e não dos partidos que as apoiaram. A TSU foi a gota de água que fez transbordar o copo da revolta. A pulhice de transferir diretamente dos trabalhadores para os patrões 5,5% dos seus cada vez mais parcos recursos, arrecadando 1,5% para trocos que compensem a incompetência deste Governo, foi uma decisão de Passos Coelho e Gaspar acordada com Paulo Portas.

Coube ao infeliz Passos Coelho anunciar a péssima decisão, da pior maneira, no pior momento, com um único lampejo de inteligência e sinceridade: anunciar que a medida não podia ter sido tomada sem a anuência do partido da coligação cujo líder se fingia morto.

Paulo Portas, depois de colocar os seus sequazes no aparelho de Estado e de conseguir uma influência desproporcionada, preparava-se para queimar o PSD na esperança de que o crime compensasse o CDS em futuras eleições. Julgava sair-se tão bem como saiu do caso Moderna, da Amostra, dos esquecimentos fiscais e dos submarinos, enquanto o PSD assumia o ónus da malfeitoria. Só não contou que o povo português se antecipasse à reunião do Conselho de Estado, que se tornou irrelevante para as centenas de milhares de manifestantes que ontem saíram à rua, pondo a nu a traição ao parceiro da coligação.

Incapazes de pararem a nomeação de assessores, de darem exemplos de austeridade pessoal, de fazerem a reforma administrativa com redução efetiva de cargos políticos e de tomarem uma única medida que não penalize os trabalhadores e os pensionistas, não viram a miséria que crescia, o desencanto dos que os elegeram e a raiva coletiva que provocaram.

O povo votou ontem o fim desta escalada e Portas já começou a dizer que o patriotismo esteve na origem da cumplicidade que o uniu a Passos Coelho, com o desplante de dizer agora que não concordava com a pulhice da TSU.

Paulo Portas é um batoteiro sem escrúpulos. O velho jornalista do defunto Independente continua mestre na intriga e na dissimulação mas não consegue enjeitar a cumplicidade no descalabro da coligação e não achará benzina que lhe limpe as nódoas do carácter porque ele é todo nódoa.

O País não chorará um fato às riscas que continue a andar por aí sem o ministro dentro.

T.S.U. - UM EMBUSTE DA DIREITA?

A ideia de aumentar a taxa social única dos empregados para diminuir a dos patrões é de tal modo aberrante que começo a desconfiar que não passa de um estratagema da direita para enganar os incautos.

Com efeito, além dessa intenção, Passos Coelho anunciou uma panóplia de medidas altamente gravosas para o povo português, principalmente para os trabalhadores, pensionistas e classe média. Tais medidas, mesmo sem mexidas na TSU, constituem só por si um “pacote” suficientemente intolerável para desencadear a revolta popular.

Agora imaginemos que Passos Coelho, maquiavelicamente, para desviar as atenções dessas medidas, anunciou outra ainda mais inadmissível: justamente a relativa à TSU. Esta medida é de tal modo chocante que quase fez esquecer todas as outras. E é de tal modo primária (trata-se com efeito de, sem qualquer disfarce, roubar dinheiro aos trabalhadores para o oferecer diretamente aos patrões) que chega a parecer uma caricatura do capitalismo feita pelos seus detratores.

Não é assim de admirar que os capitalistas – pessoalmente e através dos seus ideólogos de serviço –, vendo-se assim caricaturados, tenham saído a terreiro para se demarcarem de tão peregrina ideia; e que os próprios barões do PPD/“PSD” e do CDS/PP se tenham também sentido desconfortáveis.

Desde Belmiro a Marcelo, desde Bagão a Ferreira Leite, toda a gente protesta; o CDS demarca-se ou finge demarcar-se.
O coro é tal que Cavaco convoca o Conselho de Estado.

Agora suponhamos que o Conselho de Estado se pronuncia contra a aberração em causa; que Cavaco convoca o primeiro-ministro e o “convence” a desistir da ideia, de que estava desde o início disposto a “desistir”; e que ele “desiste” mesmo.

Toda essa “boa gente” vai ficar bem na fotografia.
Os capitalistas porque pareceram amigos dos seus “colaboradores”.
Cavaco porque apareceu como “salvador do povo”.
E o governo porque pareceu “ouvir a voz da razão” e emendar o seu erro.
Passos poderia até aproveitar para fazer uma remodelação ministerial.

Entretanto, quase toda a gente se esqueceu das outras intoleráveis medidas, que era o que desde o início se pretendia.

Não sou muito dado a teorias da conspiração, nem acredito em bruxas. Pero que las hay, hay!

Mali - A sharia já é aplicada

Vítima da vontade do Profeta misericordioso

Para começar um novo dia com um sorriso de esperança

Cão, amigo, o Povo está contigo.

sábado, setembro 15, 2012

Notícia encomendada pelo Relvas ?


Passos Coelho: penso, logo existo…

A exuberante deputada Heloísa Apolónio a propósito da última entrevista de Passos Coelho na RTP 1 chamou a atenção para uma pequena frase (que passou ao lado dos comentários) denunciadora de laivos de autoritarismo que foi pronunciada sobre a ‘missão’ do primeiro-ministro. Coelho dixit: "que foi escolhido para pensar pela sua cabeça". link

Já sabíamos - desde há muito - que Passos Coelho tinha rasgado o contrato eleitoral. Na verdade foi eleito com um programa e o seu papel é substancialmente diferente do que pensa. Compete-lhe executar o programa anunciado. Por isso é que muitas vezes o Governo é denominado como o ‘Executivo’. Esta aleivosia do primeiro-ministro é denunciadora de uma cultura democrática frágil e enviesada. Julga-se escolhido para levar a cabo um trabalho messiânico o que, antes de tudo, mostra a grande dificuldade em entender o seu papel. Para que não restem dúvidas os proclamados ‘salvadores da pátria’ raramente são eleitos (escolhidos para esse fim). Na maior parte das vezes proclamam-se, ou fazem-se proclamar.

Aliás – e regressando à citada entrevista – foi penoso assistir às dificuldades que Passos Coelho exibiu sempre que foi confrontado, pelos entrevistadores, com o seu programa eleitoral e/ou de governo.

Os portugueses que têm uma longa e trágica experiência histórica de ‘messianismos’ (o 'sebastianismo' terá sido o expoente máximo e duradouro). O paralelismo não é desejável mas possível. Os falsos D. Sebastião surgiram durante o ‘interregno’ em que fomos administrados do exterior (Madrid, no caso vertente). No actual período, com uma soberania tutelada os apetites messiânicos tendem a reaparecer.
Desde o ‘rei de Penamacor’ até à consolidação da dinastia de Bragança existiram muitos candidatos e, sublinhe-se, todos com um triste fim. É por estas razões que a petulância do 'reizinho de Massamá' aparece como insuportável.

A infeliz entrevista exibiu uma realidade que todos os governantes deveriam ter presente. Portugal não existe como uma entidade mítica (ou um espaço imaterial – financeiro, p. exº.). Existem portugueses e portuguesas. Não precisamos de ‘salvadores da pátria’. Precisamos de alguém que nos ajude a fazer uma caminhada firme, certa, e tranquila para (re)conquistarmos a soberania, a dignidade e a prosperidade (palavra proibida para o governante). Precisamos que nos seja reconhecido o direito (e o dever) de pensarmos pela nossa cabeça. Queremos ser cidadãos.
A pergunta é: como foi possível perorar durante hora e meia ignorando ‘isso’?

Esperemos que, hoje, sábado, no seu recanto de Massamá ‘sinta’ os portugueses e as portuguesas que olimpicamente ignorou na entrevista do dia 13. Eles e elas vão ‘mostrar-se’ por todo o País, saindo à rua em 40 cidades.

E, finalmente, resta aguardar que amanhã (...depois de dormir pouco, mas 'descansado') não seja um dia de nevoeiro. Já chega de 'messiânicos devaneios'.

sexta-feira, setembro 14, 2012

ÀS PRAÇAS, CIDADÃOS!

Realizam-se amanhã por todo o País manifestações de protesto contra a política antipopular e antipatriótica do governo.

Pela parte que me toca, há perto de quarenta anos que não participo em manifestações de protesto. Participei em muitas, na minha já longínqua juventude, contra a ditadura de Salazar e de Caetano. Lembro-me particularmente de uma, na Praça da República, em que ao meu lado outro estudante foi baleado pela polícia de choque.
Depois do 25 de Abril, porém, não voltei a sentir necessidade de protestar por essa forma.

Mal eu sabia que agora, com provecta idade, voltaria a sentir-me no dever de saír à rua para protestar contra esta espécie de fascismo económico e social que estão a impor-nos.

A Pátria está a ser vendida.

O povo está a ser espoliado de tudo, desde o pão à dignidade.

A democracia está em perigo.

É preciso gritar bem alto: BASTA!

É preciso demonstrar aos esbulhadores que a nossa por eles tão gabada "paciência" se esgotou!

Em Coimbra a manifestação terá lugar na Praça da República, às 17 horas.
Quarenta anos depois, lá voltarei.
E apelo a todos os democratas que participem e protestem.

Mais que um direito, é um dever!

A autópsia de um desastre anunciado


Tudo o que podia correr mal, correu efetivamente mal, e da pior maneira, ao líder que o PSD elegeu para ser transitório e, por vicissitudes do calendário eleitoral, se tornou PM.

Medíocre na gramática e perdido nas funções, sem uma ideia consistente ou um dossiê estudado, Passos Coelho suicidou-se em direto no canal público e perdeu por inépcia  a legitimidade que as urnas lhe deram. Sem um módico de discernimento. Sem noção das responsabilidades. Sem um projeto mobilizador ou uma desculpa aceitável.

Tropeçou nas respostas e nem as perguntas percebeu. Teve oportunidade para recuar no esbulho de 7% aos trabalhadores que nem os patrões lhe agradecem. Deu cobertura aos que apostaram fazer de Portugal um laboratório de experiências perigosas e, obstinado, persiste no erro como um drogado no pó que inala.

A vocação helénica, não na cultura milenar mas no descalabro recente, foi a constante de uma penosa entrevista em que não se deu conta da tortura a que foi submetido e do terror que infundiu nos que dependem das suas decisões.

Já não há remodelação que lhe valha sem começar por si. Já não há futuro para Portugal que passe por este primeiro-ministro. A agenda ultraliberal resultou no Chile graças à polícia política, não resulta na Europa onde ainda se respeita a democracia.

Passos Coelho não é apenas o  político incompetente, é um indivíduo medíocre que não percebe que conduz Portugal a caminho de Atenas. É a tragédia que se adivinha.

quinta-feira, setembro 13, 2012

EM ÚLTIMO CASO...




Portugal: o ‘estado de sítio’…

A centralidade da luta política que influencia decisões no seio da UE decorre no âmbito financeiro e monetário. Melhor dizendo: para tomar pulso ao ‘ambiente’ europeu (relativo a hegemonias políticas, económicas e financeiras) devemos olhar e interpretar a recente tomada de posição do BCE relativa à compra de dívida nos mercados secundários.  E o primeiro sinal é que a Alemanha saiu deste embate fragilizada. Países habitualmente seus aliados na condenação e vitimização do países do Sul, como têm sido a Áustria, Holanda, Finlândia, abandonaram a sua velha e puritana filosofia luterana, que tem sido abusivamente utilizada para incentivar recriminações aos excessos perdulários dos povos europeus periféricos, isolando-a.

A crise na Zona Euro começou a alterar alguns dos equilíbrios políticos estabelecidos. Embora a Alemanha mantenha uma enorme supremacia política e económica no quadro europeu, dificilmente consegue gerar consensos neste espaço. O seu isolamento é público e notório. Basta ler as reacções do presidente do Bundesbank link e do ministro Schauble link às medidas anunciadas pelo presidente do BCE, Mario Draghi.
Merkel perante esta situação tem tentado conciliar a profunda crise com interesses partidários e eleitorais que as eleições para os ‘Land’s’ já expuseram na praça pública. Mas o saldo – quanto às próximas eleições federais – continua por apurar e a aguardar posteriores (melhores) desenvolvimentos.
De resto, na UE, surgem políticos – de diversos leques ideológicos – que têm distanciado da rigidez teutónica. É o caso de Monti e Hollande. No meio Rajoy espreita ‘oportunidades’.

Por cá, Passos Coelho, um indefectível aliado de Merkel, começa a sofrer no pêlo. É o ricochete resultante do isolamento da ‘sua’ chanceler. Vê a sua base de apoio político começar a esboroar-se e, como resposta, resolve lançar-se em insensatas aventuras de radicalismo neoliberal. E, no terreno social, a actual calmaria só pode prenunciar o aproximar de violenta tempestade.
As reacções dos partidos políticos (incluindo o ‘mutismo patriótico’ do CDS), dos parceiros sociais (sindicatos e associações patronais), de académicos, bem como algumas foguetadas isoladas de barões paroquiais (Manuela Ferreira Leite link, Rui Machete link, etc) mostram – ao fim de pouco mais de 1 ano - ao estado a que isto chegou.
Para sermos breves e directos: ao ‘estado de sítio’!

A Pátria, a economia e o equivalente a um Governo


Andava a Pátria em profunda depressão, com a economia e afundar-se, os fogos a lavrarem, o desemprego a alastrar e a miséria a generalizar-se, quando o primeiro-ministro, rudimentar na gramática e vazio nas ideias, veio anunciar com pompa, perante a incredulidade dos autóctones, mais umas tantas tropelias.

Soube-se que o esbulho fiscal generalizado, o confisco dos subsídios aos pensionistas e funcionários públicos e a volatilização dos benefícios fiscais não foram suficientes para conter o défice, mas sobejaram para estimular o desemprego, lançar o medo e destruir o tecido económico.

O ministro das Finanças, com recursos académicos de sobra e míngua de conhecimentos da economia real, já reconheceu que a meta dos 4,5% do défice era uma mentira, para eludir os nativos, e que as promessas se baseavam na fé e não na ciência, sem ter em conta a conjuntura externa e as condições do País.

Não há uma módico de humildade nem um pingo de humanidade nesta escalada contra a Constituição, no desafio ao Tribunal Constitucional e no ódio à solidariedade social. O país encaminha-se para a igualdade, nivelado pela miséria, enquanto os ideólogos do Governo são descobertos por chineses e angolanos para remunerações obscenas e privilégios despudorados.

Com um PR, que foi o pai do monstro (défice), quando PM, e promotor deste Governo, a hesitar entre as banalidades que debita e os silêncios que gere, o atual Executivo alia a pulhice ideológica, a infâmia cívica e o ódio aos pobres, esforçando-se por entregá-los à fome, à emigração ou à caridade.

O esbulho de 7% a todos os trabalhadores, independentemente do seu salário, a favor dos patrões a quem pretende devolver 5,5%, é uma ofensa e uma pulhice que as débeis justificações não convencem. Esta provocação pode ainda ser travada. Basta que não nos transformemos num país de poltrões e num bando de beatos, tímidos e idiotas.

Ponte Europa / Sorumbático
 

quarta-feira, setembro 12, 2012

A Igreja só obedece ao Vaticano


As últimas eleições…

Factos & documentos

Documento cedido pelo investigador  M. P. Maça

terça-feira, setembro 11, 2012

9/11

Chile. A evocação de um crime


Faz hoje 39 anos, um obscuro general derrubou o Presidente eleito do Chile, Salvador Allende, e deu início a uma longa e sinistra ditadura que permanece como paradigma da crueldade, do arbítrio e da barbárie.

Em homenagem aos muitos milhares de desaparecidos, torturados, presos e assassinados o MR50 publica a foto do frio torcionário Augusto Pinochet.

Para que não se esqueçam os algozes.

EUA - Onze anos após o 11 de setembro


«O nosso primeiro inimigo não é Bin Laden nem Al Zarqawi, mas o Corão, o livro que os intoxicou». (Oriana Fallaci, jornalista italiana).

Há onze anos não foi agredida apenas a América, a civilização foi posta à prova. O ódio religioso é a lepra que alastra e corrói a base dos sistemas democráticos e põe em risco a civilização.

Mais - NÃO!. Tirem-me deste filme…


Os garranos do neoliberalismo andam tresmalhados e à solta.

Sexta-feira, dia 7, Passos Coelho anunciou um pacote de austeridade (a acrescer aos 'outros' já aplicados ao longo do seu primeiro ano de governação) cheio de mistificações. Disse:
Que queria combater o desemprego com a redução da contribuição para Segurança Social das empresas;
Que o acrescido esforço dos trabalhadores para a TSU era a alternativa (única, supõe-se) para ladear o acórdão do Tribunal Constitucional.
À noite, sentou-se na secretária, lançou-se no facebook e derramou copiosas 'lágrimas de crocodilo'.

As reacções políticas e sindicais só agora – passados 3 dias - começam a organizar-se e a aparecer à luz do dia pelo simples facto de que as ‘soluções’ anunciadas por Passos Coelho, feitas as contas, vão intensificar a espiral recessiva que já nos atinge, empurrando o País para o desastre.
Para já, com a serôdia comunicação (terá sido dirigida à Troika?) hipotecou um dos vectores da tão anunciada e louvada ‘credibilidade’ no exterior. Daqui para a frente – segundo parece evidente – vai tentar seguir o caminho com a ‘sua’ maioria, fracturando todo e qualquer resquício de coesão política – a coesão económica desbaratou-a há muito tempo - em torno do programa de resgate a que a crise da dívida soberana nos obrigou.

Não contente com os estragos, e a dar credibilidade ao site digital ‘Económicolink, o seráfico Ministro das Finanças prepara-se para amanhã (3º. Feira) anunciar mais medidas de austeridade. Muitos portugueses deverão julgar que estão a assistir a um filme de vampiros ou, em alternativa, a um ‘set’ de terror.

Os problemas chegarão quando começarmos a despertar (sair) deste pesadelo. Porque não vale a pena alimentar dúvidas. Como dizia Martin Luther King: "O tumulto é a linguagem daqueles que ninguém entende".
E este festim neoliberal que demonstrou não ter (boas) soluções fechou os olhos e os ouvidos ao descontentamento larvar que grassa.
Como todos os festins acabará com a orquestra a tocar para uma sala vazia e ensombrada por despojos.

segunda-feira, setembro 10, 2012

Reação de Toni às medidas de austeridade

http://www.sabado.pt//Multimedia/Videos/Visto-no-YouTube/Parodia-poe-Toni-a-reagir-a-medidas-de-Passos.aspx?id=514466

Rábula Dominical

Marcelo Rebelo de Sousa: na homília de ontem voltou às parábolas.

Efabulou sobre os mexilhões (...todos sabemos quem são!).

Foi uma historieta menor, truncada e corrompida. Faltou explicar a questão do mar. Aquele que bate na rocha… link

PASSOS COELHO CONFESSA-SE CRIMINOSO

Ao deixar derrapar a execução orçamental, ao afundar a economia nacional e ao não cumprir os objetivos que se propôs, designadamente não atingindo a meta do défice (4,5%) com que se comprometeu, o Governo incorreu em responsabilidade criminal.

Quem o disse não fui eu. Foi o próprio Dr. Passos Coelho, num discurso de que o "Correio da Manhã" de 6-11-2010 publicou os seguintes excertos:

"Se nós temos um Orçamento e não o cumprimos, se dissemos que a despesa devia ser de 100 e ela foi de 300, aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa também têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos e pelas suas acções"

"Não podemos permitir que todos aqueles que estão nas empresas privadas ou que estão no Estado fixem objetivos e não os cumpram. Sempre que se falham os objectivos, sempre que a execução do Orçamento derrapa, sempre que arranjamos buracos financeiros onde devíamos estar a criar excedentes de poupança, aquilo que se passa é que há mais pessoas que vão para o desemprego e a economia afunda-se"

"Não se pode permitir que os responsáveis pelos maus resultados andem sempre de espinha direita, como se não fosse nada com eles". "Quem impõe tantos sacrifícios às pessoas e não cumpre, merece ou não merece ser responsabilizado civil e criminalmente pelos seus actos?"

Proféticas palavras! Pois se assim é, aguarda-se que o Dr. Passos Coelho seja por uma vez coerente e vá entregar-se no posto da G.N.R. de Massamá.

O pai do monstro


QUEM GASTOU O QUÊ? PORQUE NÃO É DIVULGADO NA COMUNICAÇÃO SOCIAL, PELO MEDINA CARREIRA E PELO GOVERNO, ESTE GRÁFICO DO INSTITUTO DE GESTÃO DA TESOURARIA E DO CRÉDITO PÚBLICO, DE 2012?  (José Orvalho)

Apostila - Elementos completos sobre a dívida pública.

Ao contrário de Portugal e Espanha

O Presidente francês anunciou neste domingo uma “agenda para a recuperação” económica do país, durante os próximos dois anos, e garantiu que os vencimentos superiores a um milhão de euros serão taxados a 75% “sem excepções”.

domingo, setembro 09, 2012

CRIMINOSOS À SOLTA

O Código Penal português contém uma secção intitulada "Dos crimes contra a soberania nacional" que inclui os seguintes preceitos:

Artigo 308 - Traição à Pátria
Quem, por meio de (...) abuso de funções de soberania:
a) tentar (...) submeter à soberania estrangeira todo o território português ou parte dele; ou
b) ofender ou puser em perigo a independência do País;
é punido com pena de prisão de 10 a 20 anos.

Artigo 312 - Inteligência com o estrangeiro para constranger o Estado Português
Quem tiver inteligências com governo de Estado estrangeiro, com partido, associação, instituição ou grupo estrangeiro ou com agente seu, com intenção de constranger o Estado Português a:
a) (...)
b) (...)
c) (...)
d) sujeitar-se a ingerência de Estado estrangeiro nos negócios portugueses adequada a pôr em perigo a independência ou a integridade de Portugal;
é punido com pena de prisão de 2 a 8 anos.

Quer-me parecer que anda por aí um bando de criminosos à solta!

Passos Coelho, facebook e um ledo e cego engano …


Passos Coelho resolveu prolongar o seu arremedo de ‘conversa em família’ de sexta-feira e pôs-se a escrevinhar no facebook:

Pasmou:

"Queria escrever-vos hoje, nesta página pessoal, não como primeiro ministro mas como cidadão e como pai, para vos dizer apenas isto: esta história não acaba assim”…

No mesmo texto, resolveu condimentar as suas aleivosias com ‘amanhãs que cantam’ e acrescentou:
“Não baixaremos os braços até o trabalho estar feito, e nunca esqueceremos que os nossos filhos nos estão a ver, e que é por eles e para eles que continuaremos, hoje, amanhã e enquanto for necessário, a sacrificar tanto para recuperar um Portugal onde eles não precisarão de o fazer"… link

As redes sociais desempenham um papel cada vez mais determinante na comunicação política. Embora estes ‘instrumentos tecnológicos de comunicação social’ (facebook, twitter, orkut, etc.) tenham ganho especial relevo público nas insurreições conhecidas como ‘as primaveras árabes’ (que funcionaram no sentido inverso: dos cidadãos contra os dirigentes) tudo começou de modo organizado – podemos assim sintetizar – com as eleições americanas disputadas entre G.W. Bush e Al Gore (2000). Depois, a crescente 'marketização' da política fez o resto.

Estas técnicas tentam ‘abrir’ uma via de contacto directo entre dirigentes políticos e cidadãos criando um ‘aparente espaço de debate e de reflexão’, na verdade, absolutamente condicionado ou por ‘falanges de apoio’, pelo ‘fecho de comentários’ ou, ainda, por ‘desvios’ da centralidade do tema.

Na verdade, estas técnicas de comunicação cedo se desviaram dos nobres objectivos inicialmente previstos e tornaram-se vulgares caixas de ressonância dos decisores, sem qualquer tipo de abertura ao debate e fomentadoras de uma participação virtual. No final – e essencialmente no que respeita ao facebook - restam ‘contabilidades’ do tipo ‘gosto/não gosto’ sem qualquer carga qualitativa, sublinhando-se os números de seguidores e de mensagens que mereceram quaisquer tipos de comentários (em regra jocosos e telegráficos).

A apropriação pelo primeiro-ministro português destas ferramentas de comunicação é extremamente reveladora da dificuldade de transmitir, na última comunicação que dirigiu aos portugueses, uma mensagem credível, oportuna ou, no limite, ajustada. Na realidade, após as primeiras medidas de austeridade a mensagem que foi – insistentemente – dirigida aos portugueses foi: ‘não estão previstas, nem serão necessárias, novas medidas de austeridade…link; link.

Passos Coelho tenta instrumentalizar o facebook numa desesperada tentativa de conciliar os cidadãos com decisões políticas que, dada a violência que encerram, afectam a profundamente sociedade e têm um efeito ‘boomerang’ sobre a credibilidade (política) dos decisores. Para conseguir o objectivo despe-se da qualidade de dirigente responsável pelas medidas anunciadas e encarna o papel de cidadão. Vai mais além e assume, indecorosamente, o papel de ‘pai’. Inconscientemente, foi levado a tentar ressuscitar – paternalistamente - a abjecta figura do ‘pai tirano’.

Passos Coelho sabe que ‘mexeu’ numa área sensível e contraditória da política deste Governo ao entrar, deste modo, no âmbito do Estado Social. Para um Governo que tão veemente tem defendido – na teoria e na prática - o estrangulamento (quando não o fim) das prestações sociais, a 'sobretributação' dos trabalhadores para a Segurança Social abre, inexoravelmente, uma caixa de Pandora. O primeiro-ministro perde definitivamente espaço para, de futuro, continuar a zurzir nas prestações sociais tecendo enviesadas considerações sobre sustentabilidade. Compromete de uma penada um objectivo oculto da doutrina neoliberal que enforma a gestão política do seu Governo.

De pouco vale recorrer ao intimismo do facebook. O seu espaço de manobra afunila-se. De facto, como escrevinhou, ‘esta história não acaba assim…’. Melhor, não acabará assim...
Sexta-feira passada terá posto à solta demónios que (ainda) se encontravam adormecidos.
Não demoraremos muito a saber.