sexta-feira, novembro 30, 2012

UE: Grécia, Portugal e Irlanda – diferenciações, igualdades e almoços grátis?

Zona euro recusa estender a Portugal novas decisões para a Grécia…link

Entretanto, por cá, no Parlamento, Vítor Gaspar, adiantou:

"Portugal e Irlanda, países de programa, serão, de acordo com o princípio de igualdade de tratamento adotado na cimeira da área do euro, em julho de 2011, beneficiados pelas condições abertas no quadro do Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira", afirmou o ministro português das Finanças no encerramento da discussão do Orçamento do Estado para 2013, na Assembleia da República. link

É evidente que a equidade das medidas para os diferentes Estados no seio de uma União (será mesmo?) é um atributo necessário e indispensável.

Todavia, colocam-se alguns problemas quando se pretende aplicar esta situação na Europa. A União (Europeia) não é propriamente uma federação e o que seria um primeiro passo nesse sentido a ‘União Monetária’ foi posta em banho-maria até 2014 (i. e., a aguardar a realização das eleições federais alemães).
Aliás, se existisse uma União na UE com toda a probabilidade que os problemas dos Países envolvidos em crises da dívida soberana estariam restringidos ao cumprimento da ‘regra de ouro orçamental’ já que existiriam ‘eurobonds’ para obter financiamentos no mercado. Claro que existiria sempre a necessidade de medidas de austeridade e de contenção com vista ao equilibrio orçamental, mas todos pensamos que seriam substancialmente diferentes. Mas isso é um aspecto desta perturbante questão.

Há, resultante desta fragmentação europeia (falta de coesão), um facto que incomoda muito a Esquerda mas é um cavalo de batalha para a Direita. Houve-se em muito lado, a assertiva sentença: ‘nós não somos a Grécia’.
Uma frase que se revelou perigosa e levou, p. exº., o presidente norte-americano a escalonar estes ‘pecadilhos’. Disse, em Julho passado, referindo-se à (enorme) dívida externa dos EUA: ‘Não somos a Grécia, nem Portugallink.
É lógico que esta diferenciação em relação à Grécia para além de uma miserável quebra de solidariedade revela também um profundo alheamento das insuperáveis (desumanas) dificuldades - de toda a ordem - a que o povo grego está a ser 'submetido'.
O facto de o Euro Grupo aparecer a 'roer a corda' poderá – ultrapassada a primeira reacção de indignação – até ser benéfico. Na verdade, sabemos que 'não há almoços grátis'. Portanto, a atribuição de um estatuto de ‘igualdade’ de tratamento com a Grécia poderia comportar, como outra face da moeda, a adopção das duras (insuportáveis) medidas condicionantes que foram impostas a Atenas. E, se for assim, resta-nos dizer: ‘Mais, Não’!

ADENDA: Como a possibilidade de extensão das condições da Grécia a Portugal foi saudada por Vítor Gaspar no encerramento da discussão da proposta do OE-2013 (como sendo claramente benéficas) esperemos que o Governo não venha exigir 'actos compensatórios' pelo facto de, eventualmente, essas medidas, por decisão do Euro Grupo, não se tornarem efectivas... 
A situação para que Portugal está a ser aceleradamente empurrado não se resolve com paliativos. Não podemos andar à boleia de condescendências ou de favores. Impõe-se a este Governo - ou a outro que rapidamente o substitua -  decidir-se por uma séria, honesta e urgente renegociação do memorando. Tudo o mais não passa de alegorias.

«Sermão do Bom Ladrão»

Padre António Vieira

«Não são ladrões apenas os que cortam as bolsas. Os ladrões que mais merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e as legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das
cidades, os quais, pela manha ou pela força, roubam e despojam os povos.

«Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam correndo risco; estes furtam sem temor nem perigo.

Os outros, se furtam, são enforcados; mas estes furtam e enforcam.»

ATÉ O GOOGLE !

É sabido que os nossos governantes, onde quer que vão - em Portugal, é claro; na Alemanha  já não - são recebidos com apupos e vaias pela população indignada, que assim lhes retibui os insultos e atropelos de toda a ordem que por eles lhe são infligidos.

Porém, só agora reparei que o primeiro-ministro nem sequer pelo insuspeito Google pode passar.
Experimente o leitor ir ao Google-Imagens e digitar "Passos Coelho". Aparece-lhe isto:


Até o Google !
                                             

                                  

Notas Soltas - novembro/2012


1.º de Novembro – Contra a vontade dos bispos portugueses, o Papa preferiu abdicar do feriado que a maioria dos portugueses aproveitava para visitar os cemitérios e manter o feriado da Sr.ª da Assunção, efeméride de que se desconhece a data, o local e o meio de transporte.

Passos Coelho  –  O convite ao PS para se envolver nas tropelias em curso, com o FMI já instalado nos ministérios, revelou enorme falta de ética e a traição de que é capaz quem desconhece a boa fé e a honestidade no relacionamento democrático.

Madeira – O déspota da Região Autónoma – Alberto João Jardim – não soube abdicar do poder absoluto e da chantagem que durante décadas exerceu sobre a República. As duas últimas eleições humilharam-no no seu habitat e no próprio partido.

USA – A vitória de Obama não é suficiente para resolver os graves problemas mundiais mas, pelo menos, sopra a brisa da esperança e livrámo-nos do pesadelo trágico, populista e reacionário com que o Tea Party ameaçava.

Alemanha – A visita da Sr.ª Merkel a Portugal, em vez da exibição de medidas de segurança extravagantes, devia ter servido para negociar de forma séria e honrosa a solução para a nossa saída da crise. Faltam-nos, no topo da hierarquia do Estado, pessoas capazes.

Greve Geral – Os provocadores, que agrediram a polícia com garrafas, pedras e petardos, desviaram os holofotes da comunicação social para o vandalismo e ofuscaram a greve grandiosa que a CGPP conduziu de forma inatacável. Foram aliados do Governo e justificaram a reação policial.

Gaza – A coabitação armada entre judeus e islamitas converteu-se numa guerra de efeitos devastadores que conduz ao implacável massacre dos dois povos e ao rastilho de uma guerra capaz de alastrar a outras partes do mundo. Aí, a paz é sempre provisória.

Gaza (2) – É tão abominável o sionismo como o antissemitismo. Infelizmente estão em causa vidas que se esvaem ao ritmo do ódio religioso que extermina judeus e muçulmanos. E a Europa continua sem uma posição perante o conflito à sua porta.

Marcelo Rebelo de Sousa – O filme encomendado para mostrar aos alemães, era uma boa ideia e foi inaceitável a censura, mas evitou a exibição de uma fita tão imbecil, medíocre e pelintra, que defendeu do ridículo os portugueses que pretendia enaltecer.

Egito – O presidente quer estar acima da lei e os Irmãos Muçulmanos, que o apoiam, querem impor a sharia. A democracia não é viável sem a imposição da laicidade aos muçulmanos, tal como aconteceu na Europa com os cristãos.

Reforma Administrativa – O encerramento de Repartições de Finanças vai ser substituído pela criação de cargos políticos. Ou encerramos este Governo rapidamente ou este Governo fecha o país.

Catalunha – Os apelos autonomistas não são apenas um desafio ao poder central, são a provocação que contagiará várias regiões de Espanha, de forma súbita e com um provável banho de sangue.

França – A rapidez com que o novo Presidente da República perdeu o estado de graça revela a incapacidade da Europa para controlar o seu desmoronamento económico, social e financeiro. Abdicando de ser uma potência, a U. E. acaba dividida e pobre.

Duarte Lima – Com uma fortuna colossal e sobrevivente da leucemia, o antigo dirigente do PSD foi arguido na maior burla de sempre (SLN/BPN) e viu ruir o álibi do homicídio no Brasil, por estar fechado nesse dia o restaurante em que alegou ter jantado.

Desemprego – O drama já atinge quase todas as famílias e o País vê emigrar jovens bem preparados, para ajudarem a desenvolver nações que nada investiram na sua formação. Uma desgraça nunca vem só e a pobreza ameaça 2 milhões de portugueses.

Vítor Gaspar – A diferença entre o académico insigne e o medíocre ministro das Finanças nota-se no ar convencido com que anuncia, após cada visita da troika, que tudo tem corrido pelo melhor quando nada podia ter sido pior.

OE-2013 – O triunfo da agenda neoliberal, em Portugal, é a resposta errada para a mais grave crise internacional das nossas vidas. A obsessão ideológica extremista só pode conduzir a mais desemprego, défice e miséria. É a vingança contra o 25 de abril.

RTP – A demissão de Nuno Santos de diretor é mais uma consequência da luta pertinaz que o Governo conduz contra os órgãos de comunicação social públicos para os entregar aos privados. Não há Governo, temos uma comissão liquidatária do Estado.

Brasil – A luta contra a corrupção, que atinge colaboradores próximos de Dilma, como já tinha atingido os do seu antecessor, Lula da Silva, revela que está em curso uma alteração da cultura política à altura da potência mundial em que o Brasil se transforma.

Social-democracia – É inaceitável que alguém ou algum partido se reclame da herança de Sá Carneiro e do ideário por que morreu e, ao mesmo tempo, tenha uma agenda de destruição sistemática de todos os seus valores e ideais.

Ensino – A imposição de propinas no ensino obrigatório é a forma de excluir os pobres do acesso à instrução. Salazar não queria mais de quatro anos de escolaridade. Este Governo não põe limite. Desde que possam pagar. É o regresso manso ao fascismo.

quinta-feira, novembro 29, 2012

A ENTREVISTA DE PASSOS COELHO

Por dever cívico, fiz ontem o supremo sacrifício de perder quase uma hora do meu serão a assistir à entrevista da TVI ao Dr. Passos Coelho. Ouvi mais do que vi, pois estive quase todo o tempo a olhar para o lado, porque confesso que os meus nervos já toleram mal a visão deprimente dos facies de personagens como o dito primeiro-ministro, o “impressionante” Vítor Gaspar ou o equivalente Miguel Relvas.

Perdi o meu tempo e irritei-me sem qualquer proveito, pois não ouvi nada de novo. Ouvi a troika a falar pela boca do entrevistado. Ora, assim como assim, vale mais conhecer o original do que a cópia. E o original é, por exemplo, a entrevista que o inefável Mr. Abebe Selassié, “olhos e ouvidos” do FMI para Portugal, concedeu há dias ao “Diário de Notícias”.

O conteúdo dessa entrevista pode resumir-se nas seguintes palavras sobre ela escritas por Nicolau Santos no último “Expresso”:

“Ou seja, está tudo a correr conforme os planos, tirando o falhanço no cumprimento das metas do défice, o afundamento do investimento e do consumo privado, o disparo do desemprego, o aumento exponencial das falências, o não acesso ao crédito por parte das pequenas e médias empresas e o brutal aumento de impostos.”

Isto disse Nicolau Santos. Mas a mim fica-me a seguinte dúvida angustiante: não estará a maior parte dessa “exceções”, designadamente o afundamento do investimento e do consumo, o disparo do desemprego, o aumento exponencial das falências, o não acesso ao crédito por parte das pequenas e médias empresas e o brutal aumento de impostos, também “conforme os planos”? Parece-me bem que sim!

Santa Comba Dão e o regresso manso do fascismo


 Proibida venda de vinho com a marca Salazar

Em abril de 2009 a Câmara Municipal de Santa Comba Dão incluiu nas comemorações do 25 de Abril a inauguração da requalificação do Largo António Oliveira Salazar, uma homenagem à figura sinistra do regime derrubado pela Revolução dos Cravos.

A tosca provocação foi da autoria do autarca do PSD, com aparente intenção fascista e arruaceira. O edil de Santa Comba Dão, João António de Sousa Pais Lourenço, eleito por uma coligação PSD/CDS, não podia – pensava eu –, ter um propósito vil que só um fascista se atreveria a pôr em prática.

Entretanto, soube-se que, já em 2007, o exótico presidente da Câmara tinha manifestado a sua determinação em criar o Museu Salazar e erigir uma estátua ao torpe ditador. E, persistindo na provocação, queria agora comercializar um vinho denominado «Memória de Salazar», criação que o Instituto de Propriedade Industrial chumbou, e de que o edil fascista diz não desistir.

É justo que o infeliz primata perca a confiança dos democratas PSD e, se aí os houver, dos do próprio CDS. Perante a vileza reiterada, podem imaginá-lo um solípede à solta, sem rédea nem cabresto, desprezível homúnculo com a suástica no coração e serradura no cérebro embora pareça mais um caso de incultura e boçalidade.

Surpreende que o executivo camarário, acaso tenha ensandecido o presidente, permita tal despautério. O homem pode ser débil de inteligência e de sensibilidade mas não deve ser louco e não estará acompanhado por um bando de imbecis.

Por enquanto, ainda há quem se recorde da ditadura e não deseje nos órgãos autárquicos primatas que se deslocam em posição ereta, vermes que se confundem com a paisagem.

O Sr. Lourenço terá de ser visto como um alucinado, vítima da chacota do país e alvo do asco dos democratas enquanto Santa Comba se arrisca a ser vista como a pequena Vichy portuguesa governada por um nazi grotesco.

Se não tivermos a coragem de nos indignarmos merecemos o Governo que temos.

A Escalada Beata e as Agressões Religiosas


Enquanto os judeus ortodoxos se agarram à Bíblia e à faixa de Gaza, os muçulmanos debitam o Corão e se viram para Meca e os cristãos evangélicos dos EUA ameaçam o Irão e a teoria evolucionista, os conflitos religiosos e o terrorismo regressam à Europa.

A emancipação do Estado face à religião iniciou-se em 1648, após a guerra dos 30 anos, com a Paz de Vestefália, e ampliou-se com as leis de separação dos séc. XIX e XX, sendo paradigmática a lei de 1905, em França, que instituiu a laicidade do Estado.

A libertação social e cultural do controlo das instituições e símbolos religiosos foi um processo lento e traumático que se afirmou no séc. XIX e conferiu à modernidade ocidental a sua identidade.

A secularização libertou a sociedade do clericalismo e fez emergir direitos, liberdades e garantias individuais que são apanágio da democracia. A autonomia do Estado garantiu a liberdade religiosa, a tolerância e a paz civil.

Não há religiões eternas nem sociedades seculares perpétuas. As três religiões do livro, ou abraâmicas, facilmente se radicalizam. O proselitismo nasce na cabeça do clero e medra no coração dos crentes.

Os devotos creem na origem divina dos livros sagrados e na verdade literal das páginas vertidas da tradição oral com a crueza das épocas em que foram impressas.

Os fanáticos recusam a separação da Igreja e do Estado, impõem dogmas à sociedade e perseguem os hereges. Odeiam os crentes das outras religiões, os menos fervorosos da sua e os sectores laicos da sociedade.

Em 1979, a vitória do «ayatollah» Khomeni, no Irão, deu início a um movimento radical de reislamização que contagiou Estados árabes, largas camadas sociais do Médio-Oriente e setores árabes e não árabes de países democráticos.

Por sua vez, o judaísmo, numa atitude simétrica, viu os movimentos ultraortodoxos ganharem dinamismo, influência e armas, empenhando-se numa luta que tanto visa os palestinianos como os setores israelitas laicos.

O termo «fundamentalismo» teve origem no protestantismo evangélico norte-americano do início do séc. XX. Exprimiu o proselitismo, a recusa da distinção entre o sagrado e o profano, a difusão do deus apocalíptico, cruel, intolerante e avesso à modernidade, saído da exegese bíblica mais reacionária. Esse radicalismo não parou de expandir-se e contamina o aparelho de Estado dos EUA, mesmo com os democratas no poder.

O catolicismo, desacreditado pela cumplicidade com regimes obsoletos (monarquias absolutas, fascismo, ditaduras várias), debilitou-se na Europa e facilitou a secularização. O autoritarismo e a ortodoxia regressaram com João Paulo II, que arrumou o concílio Vaticano II e recuperou o Vaticano I e o de Trento.

João Paulo II transformou a Igreja católica num instrumento de luta contra a modernidade, o espírito liberal e a tolerância das modernas democracias. Tem sido particularmente feroz na América Latina e autoritária e agressiva nos Estados onde o poder do Vaticano ainda conta, através de movimentos sectários de que Bento XVI foi herdeiro e protetor, se é que não esteve na sua génese.

A chegada ao poder de líderes políticos que explicitam publicamente a sua fé, em países com fortes tradições democráticas, foi um estímulo para os clérigos e um perigo para a laicidade do Estado. Por outro lado constituem um exemplo perverso para as populações saídas de velhas ditaduras (Portugal, Espanha, Polónia, Grécia, Croácia), facilmente disponíveis para outras sujeições.

A interferência da religião no Estado deve ser vista, tal como a intromissão militar, a influência tribal ou as oligarquias, como uma forma de despotismo que urge erradicar. A competição religiosa voltou à Europa. As sotainas regressam. Os pregadores do ódio sobem aos púlpitos. A guerra religiosa é uma questão de tempo a que os Estados laicos têm de negar a oportunidade. Só o aprofundamento da laicidade nos pode valer.

Talvez por isso o ódio de B16 à laicidade se tornou patológico. E do Islão nem vale a pena falar.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, novembro 28, 2012

GROSSEIRA INCONSTITUCIONALIDADE DO O. E.

Grosseira inconstitucionalidade da tributação sobre as pensões

Quem o diz não é nenhum perigoso socialista, comunista, bloquista, ou "agitador profissional". É o Dr. Bagão Félix, conservador, creio que ainda filiado no CDS, e membro do Conselho de Estado por designação do Presidente da República, em artigo no "Público" de hoje:

http://jornal.publico.pt/noticia/28-11-2012/a-grosseira-inconstitucionalidade-da-tributacao-sobre-pensoes-25658836.htm


Quando um Conselheiro de Estado escreve isto, de que mais está à espera o Presidente da República?

Notícias do dia. Portugal está perigoso





A lepra do antissemitismo regressa com o fascismo


A J Seguro: vacilante e/ou 'inseguro'?

Seguro não se compromete a levar OE ao Constitucional…

Perante a instabilidade política sob a qual se acoita a actual maioria governativa e o agudizar da crise social que este OE é um – não o único – instrumento de suporte, o ‘não-compromisso’ de A.J. Seguro será difícil de compreender e de explicar aos portugueses

É óbvio que ninguém duvida da necessidade de combater este OE no terreno político como afirma o líder do PS. Só não seria assim se o PS estivesse disposto a abdicar da sua matriz ideológica. Mas, no actual momento (‘de emergência nacional’ como a Direita gosta de chamar), a luta política, que em democracia é uma constante entre Governo e Oposições, não esgota a capacidade de intervenção democrática face à crise.

O expectável seria que o PS, perante a gravidade da situação criada por uma absurda ‘praxis’ levada a cabo pela actual coligação Centro-Direita, à sombra de uma leitura enviesada do Memorando de Entendimento ('ir para além da troika'), se mostrasse empenhado para utilizar todos os meios (democráticos) disponíveis para contrariar esta insana deriva neoliberal que arrasta o País para o abismo. Assim, o envio deste OE ao Tribunal Constitucional é, para a maioria dos portugueses, um imperativo democrático.

Ao tomar a atitude dúbia de não se comprometer com o envio deste OE para fiscalização de eventual inconstitucionalidade o PS arrisca-se a cair em duas situações ‘pouco recomendáveis’ ou mesmo ‘fatídicas’:

Primeira, ser ultrapassado pelos acontecimentos (não me parece possível controlar o partido inviabilizando a seu envio ao TC), como aliás já o foi no ano transacto, criando linhas de fissura no interior do partido, perfeitamente dispensáveis;

Segunda, a distanciar-se de uma larga e diversificada faixa populacional (que todos os dias engrossa) e não se revê no OE para 2013, não por motivos pessoais, corporativos ou partidários, mas porque o julga catastrófico para o País.

Uma eventual declaração de inconstitucionalidade do OE-2013 pelo TC, não obriga o País a cair numa irremediável crise política, com todas as suas consequências. Por ventura, abriria as portas a uma renegociação do resgate, bandeira que o PS, e muitos portugueses, há muito vem empunhando.

Hesitar ou contemporizar em momentos como este é, no campo político, fatal. E o dramático e exigente momento em que vive o País não é compatível com indecisões ou, sequer, com a fuga a compromissos. Para isso basta-nos o Presidente da República de quem os portugueses já nada esperam.

O Governo, a austeridade e os toiros bravos


Enquanto a OCDE, o FMI, «The Economist» e outras entidades, advertiram Portugal para os perigos da excessiva austeridade, cujos efeitos dolorosamente sentimos, a dupla Passos Coelho/Gaspar investiram, e investem, quais toiros enraivecidos, na receita que nos empobreceu e nos trouxe ao trágico orçamento para 2013. Custe o que custar.

Compreendo que a impreparação e desadequação às funções levassem Passos Coelho a precipitar-se no abismo que alguém lhe segredou; não posso aceitar que o extremismo de Vítor Gaspar não tivesse a vigilância do académico a preveni-lo da tragédia. Pior, o ministro das Finanças, com licenciatura e doutoramento sem equivalência, teria de se aperceber das malfeitorias em que persiste com os remédios que ultrapassaram o prazo de validade no Chile, remédios que a própria troika já reconheceu como impróprios.

O PR, quando se expressava fora do Palácio de Belém e do Faceboock, insinuava que a sua formação económica seria útil ao País e que a magistratura de influência garantia aos portugueses a vigilância a que a Constituição jurada o obrigava. É o que se vê.

A boa notícia de hoje refere-se à dilatação dos prazos de pagamento e à baixa de juros da Grécia. Portugal vai certamente beneficiar de iguais condições duramente negociadas por outros.

O Governo português lembra-me o chefe pusilânime que advertia os trabalhadores para não aderirem às greves porque, se resultassem, teriam os benefícios concedidos aos que lutaram e, se não resultassem, ficavam bem vistos perante o patrão. Na empresa onde trabalhei foram sempre minoritários os crápulas.

A Grécia lutou e, para já, venceu. A cobardia não é uma arte, é uma idiossincrasia. O Governo português, tal como os toiros bravos, vê mal e investe errando o alvo.

terça-feira, novembro 27, 2012

Notícias do dia





Um novo folhetim da maioria: 'à mesa com o IRS'

“…Quem receber mais de 4,27 euros diários de subsídio de refeição vai pagar mais IRS, prevê uma das alterações ao Orçamento de Estado aprovadas esta segunda-feira por PSD e CDS”link

Mais uma discricionariedade deste Governo. Onde possa existir 1 euro temos o Governo à perna. E para prosseguir esta saga não olha a meios nem se furta a expedientes.

O trabalhador que, por não poder deslocar-se à sua residência, tem – na maioria dos casos decorrente dos contratos colectivos de trabalho – atribuído um subsídio de alimentação, a título compensatório. Tudo o que cheire a ‘subsídio’ é para este Governo qualquer coisa de perverso, uma ‘terrível’ benesse a limitar, quando não a abater, como foram os casos dos subsídios de Férias e de Natal.

Depois existem outras ‘imoralidades’ paralelas. A maioria parlamentar CDS/PSD que irá caucionar este despautério, hoje, na votação do OE-2013, assobia para o lado.
Que dizer destes deputados que em relação ao restaurante da AR impuseram as seguintes condições: “Das exigências para a confecção das ementas de deputados e funcionários constam ainda pratos com bacalhau do Atlântico, pombo torcaz e rol… O café a fornecer deverá ser de "1ª qualidade" e os candidatos ao concurso têm ainda de oferecer quatro opções de whisky de 20 anos e oito de licores. No vinho, são exigidas 12 variedades de Verde e 15 de tintos alentejanos e do Douro...link.
Como é possível conciliar esta rebuscada ementa – vamos supor que ‘caloricamente digna’ – com plafonds de 4,27€ / refeição para os ‘outros’?

Não seria pertinente que os deputados ao prestarem-se para votar medidas orçamentais iníquas previamente pensassem:

Até onde é possível ir na desenfreada saga de reduzir tudo – mesmo modestos actos da rotina diária de sobrevivência - a um aviltante ‘esbanjamento’?

Até onde será lícito prosseguir a canibalização fiscal de situações de mera necessidade?

Até onde se poderá continuar a espoliar o vencimento dos trabalhadores por conta de outrem misturando necessidades básicas com mordomias?

E uma última questão: Até quando temos de ‘comer’ estas aleivosias?

O Papa, o negócio da fé e os expedientes pios


Que um homem, celibatário por convicção, e papa, graças ao centralismo democrático dos consistórios, se dedique à criação de cardeais e santos, ao fabrico da água benta e à promulgação de indulgências, compreende-se por dever do múnus e necessidade de arrecadar receitas.

Já a atribuição de milagres a defuntos de comportamento duvidoso, em vida, e desfeitos pelos anos de defunção, parece um embuste para supersticiosos que levaria mulheres de virtude a tribunal e ciganos à prisão. Tal como os exorcismos para tirarem demónios do corpo dos que são crentes. Não há um único caso de um ateu atacado por demónios.

Sempre admirei o olfato papal para descobrir, entre milhões de defuntos, o taumaturgo que curou uma queimadura, desentrevou uma freira ou erradicou um cancro. Sabe-se que a fé é uma graça mas não é de graça. Custa dinheiro. E não é com missas, novenas e benzeduras de medalhinhas que se oleia a máquina do Vaticano. Os Anos Santos que já tiveram um ritmo predefinido são agora quando um papa quiser, mas os proventos das indulgências plenas minguam ao ritmo das dádivas para as alminhas do Purgatório.

A abolição do Limbo foi neutra em prestações monetárias mas a extinção do Purgatório foi demolidora para os rendimentos da ICAR. A progressiva secularização de países que o papa tinha como protetorados arrasou as contribuições financeiras.

Só o medo do Inferno, sobretudo na fase de decadência dos crentes, leva ainda, através dos lares, a deixar heranças à Igreja, com a conivência dos Estados que a exoneram de impostos e descuram a investigação sobre o modo como se transferem fortunas para as instituições pias.

O medo de perderem votos leva os partidos dos países democráticos a condescenderem com a espoliação dos velhos e a transferência de bens para uma instituição que vende na Terra a assoalhada que a superstição religiosa almeja no Paraíso.

Os Estados devem impor a laicidade e fiscalizar a transferência de bens de doentes senis e/ou terminais.

segunda-feira, novembro 26, 2012

Nas vésperas de Natal, um recado para o seu amigo Gaspar...

Portugal não vai conseguir sair da crise enquanto o Governo continuar a aplicar sucessivas medidas de austeridade’...

Não! Não foi um perigoso esquerdista, um perdulário socialista ou mesmo um daqueles portugueses com quem Passos Coelho não conta certamente por possuírem uma inteligência diminuta…

Trata-se de Paul de Grauwe link, um professor da London School Of Economics e economista conselheiro do Banco Central Europeu (BCE) que se encontra em Lisboa para participar na conferência "Portugal em Mudança", que assinala o 50.º aniversário do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa  link.

Notícias do dia






Se o fascismo islâmico alastra...

Esta pode ser uma nova visão de Paris
(enviada por MPM)

Passos Coelho confia na inteligência


Passos Coelho, mais parecido com o general José Millán-Astray do que com Unamuno, faltando-lhe todavia as mutilações físicas e a envergadura intelectual do militar fascista, e sem qualquer semelhança com o reitor da universidade de Salamanca, disse acreditar na inteligência dos portugueses.

Duvidamos se o moveu a demagogia ou a improvável crença num segundo engano, ledo e cego, como o que o alcandorou a primeiro-ministro, tropeção eleitoral de impossível repetição.

Junto de Alberto João Jardim, que em dez anos conseguiu os cinco do curso de direito e a nota de dez valores, na Universidade de Coimbra, Passos Coelho pareceu o procurador do soba autóctone, com um discurso pobre na forma e vazio na substância, a debitar banalidades e jactância. O clima da Madeira deve fazer mal à cuca e a poncha é a bebida para quem tem um fígado à Alberto João, capaz de consumir aguardente de cana como um Ford antigo bebia gasolina.

Já o PR, este, que os outros tinham outro estofo, se sujeitou à vergonha de ser recebido fora do Parlamento Regional. Como podia o empregado de Ângelo Correia e protegido de Miguel Relvas almejar estatuto diferente do de convidado de um conclave à porta fechada?

Passos Coelho, primeiro-ministro de Portugal, por ironia da História e vicissitudes do ciclo eleitoral, entrou no ninho de vespas madeirense sem que o país saiba quanto vai custar. Aquela autonomia não é responsável pelos desatinos do Governo da República mas não deixa de pesar no seu destino.

Alberto João e Passos Coelho são o verso e o reverso da mesma medalha. Se um deles é um perigo por ser mau, o outro é uma tragédia por ser irrelevante. O congresso do PSD-M  está para a democracia como Alberto João está para a decência. À porta fechada.

Os dois «governantes» estão feridos de morte. A inteligência dos portugueses despontou e não lhes resta outro caminho que não seja a sua saída. Rapidamente e em força. Custe o que custar. Portugal não pode aguentá-los mais tempo.  

domingo, novembro 25, 2012

Passos: o 'neo-iluminista' de Massamá...

Passos Coelho sentiu necessidade de deslocar-se ao Funchal e participar no Congresso do PSD/Madeira, por razões de natureza partidária.

Há falta de ideias novas aproveitou o ensejo para retomar um mote já exibido no final da passada época parlamentar: ‘… que se lixem as eleições’!

Este ‘destemido’ político foi à Madeira proclamar:

«Não tenho nenhum problema em enfrentar a impopularidade, posso bem com aqueles que pensam diferente de mim e posso bem com aqueles que acham que estamos a seguir um caminho de austeridade excessiva. Confio muito na inteligência dos portugueses…». link

Está convencido que todos aqueles que contestam o desastrado rumo deste Governo não contam. Está, como se diz, obstinado (cego e surdo) e julga 'poder' com toda a gente. Mas, a dica relativa à inteligência, por maiores esforços que façamos, não pode ter retorno (um pouco como os impostos que tem lançado). Porque, se pousar dos seus devaneios para reflectir terá a perfeita noção de que poucos serão os portugueses que confiam na sua inteligência. …

Na Madeira, em visita do tipo merkeliano, teve ainda tempo para debitar:

…”prefiro não ter o aplauso público mas garantir um futuro a Portugal.” link  Bravo!
Para enfeitar o neoliberalismo europeu (global?), temos aqui o ‘neo-iluminista de Massamá’.

Estamos servidos’…, como diz o povo.

O Papa, a criação de cardeais e a de frangos


É mais fácil criar cardeais do que criar frangos. Os primeiros são mamíferos e mamam a vida inteira; os segundos são granívoros e, em liberdade, fazem pela vida esgaravatando a terra; os cardeais usam o báculo e a mitra para ganharem a vida faustosa; os frangos servem-se do bico e das unhas para sobreviverem.

Os frangos servem para alimentar as pessoas; os purpurados alimentam-se delas. Quem cria os galináceos são as donas de casa que decidem quando os depenam, chamando-os ao som do piu!, piu!; os cardeais são criados pelo Papa que os chama em latim e decide quando podem depenar a diocese. Há bispos que perdem a cabeça por causa da mitra e frangos que perdem a vida por causa da mitra, que é a sua parte mais saborosa, mas têm destinos diferentes.

O papa B16 criará no próximo sábado seis novos cardeais vindos de várias partes do mundo. O número de frangos criados no Planeta são milhares de milhões que abanam a crista; os cardeais são em número reduzido e agitam o Cristo. Os frangos dão belos churrascos que deliciam os gourmets; os cardeais abdicaram do churrasco dos hereges porque a secularização lhes reduziu os poderes.

Um frango distingue-se de um cardeal porque o primeiro reveste o ânus com a mitra e o segundo cobre com ela a cabeça. A criação de frangos é universal e transversal a todas as religiões; a de cardeais é exclusiva do Papa e a capoeira é o Vaticano.

Não é preciso ser erudito para distinguir um galo de um cardeal. A utilidade e o volume são diferentes.

TEMPO DE DIZER "NÃO !"


Portugal está numa encruzilhada decisiva para o seu futuro.

Poderosas forças – económicas, financeiras e políticas – internacionais estão apostadas em fazer regredir a Europa ao capitalismo selvagem, demolindo quaisquer vestígios de Estado Social.

Portugal é, neste momento, o alvo principal dessa cruzada. Por um lado, porque, graças à revolução de 25 de Abril, tem um estado social – Serviço Nacional de Saúde, escola pública e laica, segurança social – bastante desenvolvido. Por outro lado porque, encontrando-se em situação económica e financeira muito difícil, é um dos elos mais fracos da cadeia.

O atual governo não é mais que um pau mandado dessas forças internacionais. Nele pontifica o ministro Vítor Gaspar, um tecnocrata apátrida que, munido da sua cartilha neoliberal, tanto podia gerir as finanças de Portugal como as de Espanha ou da Grécia. Foi destacado pela “Internacional Neoliberal” para ser ministro das finanças de Portugal porque para essas funções era preciso alguém com nacionalidade portuguesa. Mas do nosso país só tem o passaporte; não tem qualquer comunhão com o povo português.

O primeiro-ministro Passos Coelho, intelectual e politicamente invertebrado, é um produto típico do serralho da JSD, engendrado por essa eminência nem-sequer-parda que é o sinistro Miguel Relvas. Germanófilo, cumpre obedientemente as ordens da Chanceler alemã, sendo absolutamente insensível ao sofrimento que o seu governo inflige ao nosso povo.

A primeira parte do programa neoliberal já está realizada. A economia nacional está destruída e criou-se uma enorme reserva de mão de obra barata – a falta de postos de trabalho é de tal ordem que quem precisa de trabalhar tem de se sujeitar a aceitar salários de miséria e condições de trabalho precárias. Por outro lado, a soberania nacional tornou-se letra morta.

Agora falta o principal: desmantelar o que resta do Estado Social. “Refundar o Estado” ou “repensar as funções do Estado”, como eles dizem, num obsceno eufemismo. Depois de terem criado as condições económicas para isso, já começaram a preparar o terreno no plano ideológico: economistas “competentíssimos”, titulares de múltiplos “tachos” pagos a peso de ouro, não param de propalar que o estado social é insustentável e “está acima das nossas possibilidades”. Jovens e velhos intelectuais de serviço teorizam ultimamente no mesmo sentido, com argumentos mais “filosóficos”.

Com falinhas mansas, assediam o PS e a UGT para “negociações” cujo resultado já têm engatilhado à partida.

O próximo passo é a aprovação da proposta de Orçamento de Estado para 2013, que é uma autêntica declaração de guerra ao martirizado povo português.

Mas já não é tempo de compromissos. O Governo cavou à sua volta uma trincheira bélica. Ou se está de um lado ou se está do outro. Nenhum democrata que se preze pode misturar-se com essa gentalha.

Não se pode “viabilizar” a contra-revolução.

Já não é tempo de meias medidas, meias tintas ou meias palavras.

Já não são possíveis abstenções.

É tempo de dizer, definitivamente, “NÃO!”.

                                                                         

Notícias de domingo





sábado, novembro 24, 2012

Notícias do dia





CAVACO É VAIADO IN ABSENTIA ...

... E RELVAS FOGE PELA DIREITA BAIXA

De notar que a assistência do Teatro D. Maria não devia ser constituída por hooligans, agitadores profissionais, atiradores de pedras e quejandos...


(Notícia tirada, com a devida vénia, da secção "Gente" do "Expresso" de hoje)
                                                                     

                                                                         

A vida está difícil....

(Origem desconhecida)

sexta-feira, novembro 23, 2012

A Europa hiberna no inverno (orçamental) …

O Orçamento Europeu continua empancado. link

Na verdade, discutem-se dotações orçamentais que se referem ao período de 2014-20, que é um mar de incertezas. 
Neste espaço de tempo alguns países da Europa, entre eles Portugal, estarão – não é difícil imaginá-lo - sob severos programas de austeridade com vista à dar continuidade a imperativa consolidação orçamental e não é previsível - até por esse motivo - existir uma retoma económica digna desse nome.

Para os Países em dificuldades, i. e., para aqueles que buscam conquistar alguma coesão no diz respeito ao desenvolvimento, o orçamento europeu é um instrumento fundamental para ser utilizado no sentido de suprir carências de indispensável investimento económico. O Orçamento da UE funciona como um 'estímulo' às economias debéis.  Sabemos que no passado esbanjou-se muito dinheiro advindo dos fundos comunitários. Hoje, a crise que devasta a Europa e a trágica experiência que estão a passar alguns Países será, necessariamente, um travão a desperdícios, a espúrios compadrios e a ‘golpadas’.

A proposta orçamental da UE previa para esse período um crescimento orçamental da ordem dos 5%. Ninguém consegue saber de antemão se a verba proposta (1.093 bilhões de euros) é suficiente para atenuar algum desfasamento ao nível de coesão dos países que integram a UE. Em termos reais este orçamento representa cerca de 1% do valor global da economia europeia. Isto é importante para compreender as resistências dos tradicionais e insatisfeitos 'dadores'.
É óbvio que existem alguns problemas a par da coesão como seja a coerência. Na verdade, não há qualquer coerência entre os Países que estão a ser ‘forçados’ a emagrecer os seu aparelhos de Estado, aquilo, que na gíria política se convencionou chamar ‘cortar nas gorduras’ e os vencimentos majestáticos dos funcionários europeus.  O Orçamento não toca na superestrutura burocrática europeia onde, por exemplo, 16% dos funcionários (num colectivo de cerca de 55.000) recebem mais de 100.000 euros/ano.

Mas os maiores problemas surgem ao nível dos fundos estruturais e de coesão territorial onde um País como Portugal tem de enfrentar múltiplas penalizações que a profunda crise económica e social, bem como as dificuldades no acesso aos 'mercados', penosamente, agravaram. Passos Coelho foi a Bruxelas para defender as posições portuguesas numa cimeira que, como previamente foi anunciado, estava condenada ao fracasso. As resoluções foram diferidas para Janeiro de 2013.
Até lá, os portugueses através das organizações políticas, sociais e associativas teriam tempo para discutir a situação portuguesa face ao orçamento europeu. Tal não deverá suceder até porque o Governo resolveu ocupar os tempos mais próximos com a ‘reforma do Estado’. Está para chegar o dia em que os importantes assuntos europeus possam adquirir o direito de ser discutidos na praça pública (de modo simples e inteligível para qualquer cidadão) deixando de ser um privilégio de meia dúzia de eurocratas.

Notícias do dia





"IRONIA" (?!) DO PRESIDENTE DA REPUBLICA

Será mesmo só ironia ou coisa mais preocupante?
Quando me contaram pensei que fosse exagero. Mas afinal é mesmo verdade! Ele disse mesmo aquelas coisas!
Senão leiam:
http://www.ionline.pt/portugal/presidente-da-republica-ironiza-sobre-comentarios-volta-seu-silencio

O magnífico lustre da assembleia da República


Se é verdade, está de parabéns a escultora portuguesa Joana de Vasconcelos que o concebeu (nunca o o continente e o conteúdo tiveram tão recíproco significado).

Direção-Geral do Património Cultural
Palácio Nacional da Ajuda, Ala Sul, 4º Piso, 1349-021 Lisboa
Telf: 213 650 856



quinta-feira, novembro 22, 2012

O Papa, a vaca e o burro


Quando se perde a fé na vaca e, sobretudo, no burro, duvida-se do martírio do seu deus. Este papa veio transformar uma estrebaria numa mentira pia. Em vez da manjedoura e da palha requisitou uma gruta para maternidade da estrela da companhia.

Jesus, que nasceu em ano diferente do que afirmam as escrituras e em local diverso do que a profecia prometia, fez as delícias das crianças com a vaca que o aquecia e o burro que o adorava perante o espanto comprometido de S. José.

Não é provável que o burro seja substituído por um doutor nem que a vaca dê lugar ao aparelho de ar condicionado. Jesus, um judeu que viveu de expedientes, de milagres e pregações, atividades que proliferam em tempos de crise, jamais imaginou a lenda que a seu respeito seria urdida e, muito menos, o negócio a que daria origem.

Se era mentira pia a falsidade secular, não se distinguia das outras que alimentam a fé dos simples e os interesses do Vaticano. Quis o Papa fingir a correção de um engano e acabou por semear dúvidas na credulidade dos devotos e sorrisos nas faces dos incréus.

Não sei se nevava em Nazaré, onde seguramente Jesus não nasceu, nem se as estrebarias tinham ar condicionado ou os reis magos viajavam tendo as estrelas como GPS, mas sei que a Inquisição não teria deixado de grelhar quem pusesse em dúvida tais mentiras que outros infalíveis papas impunham como verdades.

B16 anda perdido. Escondam-lhe a água benta. Confisquem-lhe o hissope. Guardem-lhe o bordão. Vistam-no normalmente. Arranjem-lhe um atestado e ponham-no de baixa ou dêem-lhe a reforma e atribuam-lhe uma pensão.

Se continua a explorar as mentiras pias acaba por dar com os beatos em malucos e pôr as pessoas cautas a rir a bandeiras despregadas.

Notícias do dia






À ESPERA DE CAVACO


Na sua Crónica de D. João I narra Fernão Lopes “as tribullaçoões que Lixboa padecia per mimgua de mantiimentos” durante o cerco que lhe foi feito pelos castelhanos em 1384.

Diz o cronista: “Os padres e madres viiam estallar de fome os filhos que muito amavom, rrompiã as faces e peitos sobr’elles, nom teendo com que lhes acorrer, senom plamto e espargimento de lágrimas;”

Entretanto, “sabia porem isto o Meestre e os do seu comsselho, e eram-lhe doorosas d’ouvir taes novas; e, veemdo estes malles a que acorrer nom podiam, çarravam suas orelhas do rrumor do poboo.”

São grandes e manifestas as semelhanças e as diferenças entre a situação assim descrita e a situação atual do País. Tal como então, o povo padece horríveis tribulações por carência de meios para satisfazer as suas mais elementares necessidades, designadamente alimentares.

Mas em 1384 o problema era provocado pelo cerco que o inimigo estrangeiro infligia à cidade, e os habitantes desta, dirigidos pelo Mestre e os do seu Conselho, resistiam heroicamente – e a final vitoriosamente – aos ataques dos sitiantes; agora também estamos cercados “pelos mercados”, mas a miséria é provocada pelos próprios dirigentes do país, que não oferecem qualquer resistência, antes se mancomunam com o inimigo, a quem prodigalizam obscenos abraços e beijinhos.

Na altura, ao Mestre e aos do seu Conselho eram dolorosas as desgraças do povo, e só procuravam não as ouvir porque não lhes podiam acorrer. Agora os governantes, podendo acorrer às atuais desgraças, não só não o fazem como as agravam, com “medidas de austeridade” cada vez mais severas e que só atingem os mais pobres e empobrecem os remediados, continuando os ricos e poderosos a viver à tripa forra e ainda por cima a insultar os pobres, com a cumplicidade do governo, apodando-os de “piegas” e “cigarras” e dizendo que querem viver “acima das suas possibilidades”.

Passos e Gaspar “çarram as suas orelhas” ao rumor do povo porque só lhes interessa salvaguardar os interesses dos poderosos. Para Gaspar pura e simplesmente não há pessoas, mas apenas números e estatísticas (com que ainda por cima lida mal). E o carrasco Passos Coelho é absolutamente insensível ao sofrimento dos portugueses, suas vítimas; ele próprio se ufana publicamente de que, no meio de toda a desgraça que o povo por causa dele sofre, “dorme descansado”! Deve ser o único português que consegue fazê-lo...

Enfim, é manifesto que do governo não há nada a esperar, a não ser mais desgraças, designadamente as que já estão previstas no orçamento para 2013 que a coligação CDS/PPD vai aprovar na próxima semana.

Mas será que o Presidente da República, uma vez perpetrada a aprovação desse criminoso orçamento, também vai “çarrar as suas orelhas” ao clamor do Povo?