Os incêndios da nossa incúria e a incúria dos nossos governantes

Imaginem Sócrates a regressar de banhos e a assegurar que os meios de combate aos incêndios eram adequados, depois de quatro bombeiros mortos em sucessivos fogos, com a floresta consumida perante a impotência dos bombeiros e a escassez de meios.

Imaginem o que diriam os que agora são Governo, com provas dadas de aves de rapina a pairar sobre a tragédia da ponte de Entre-os-Rios, a acusarem o Governo de turno, sempre que dele estão ausentes, de responsabilidades na dimensão da área ardida e nas tragédias humanas de quem perdeu haveres e se viu sem futuro por entre as memórias que o fogo devorou.

Não faltariam as acusações do PR, com férias estragadas, para acorrer à televisão a dizer bagatelas e a admoestar o Governo: que tinha obrigação de prever as desgraças, que não se admitia a falta de coordenação de bombeiros voluntários que viajaram milhares de quilómetros com autotanques cheios, sem instruções para despejarem uma única gota de água, que ele bem tinha avisado… não se sabe bem o quê, e que desgraças assim, não se podiam repetir.

Se outro Governo estivesse em funções talvez o casal presidencial viesse incentivar com ave-marias, numa missa de corpo presente de um bombeiro morto, o desespero do país que arde e a ansiedade de quem, por entre o fumo e o fogo, não vê claridade no futuro.

Assim, no recato do gabinete, o PR promulga o horário de 40 horas para os funcionários públicos, sem remorsos constitucionais ou pungimentos cristãos. Por sua vez, o PM, que oculta a inteligência e os conhecimentos, nem precisa de que lhe mostrem provas do uso de gás sarin, na Síria, ao contrário de Barroso, no Iraque, para anunciar o aval à invasão.

E opta pelo silêncio, sobre as promessas à troika, até passarem as eleições autárquicas.

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