terça-feira, abril 30, 2013

AR: o ‘esclarecimento’ de Gaspar…


Hoje, o ministro Gaspar foi ao Parlamento ‘encanar a perna à rã’.
O folhetim dos ‘cortes estruturais’ ainda não chegou ao fim. Os portugueses vão ter que aguardar mais uns tempos. Deve ser um gozo manter a vida das pessoas sob tamanha pressão. Um gozo 'sádico'.
Todavia há um pormenor que saiu da penumbra.
O ‘plano’ de cortes e recortes, segundo o anúncio hoje feito na AR, arrasta-se até 2016 link. Isto é, coincidente com o terminus do 2º. mandato de Cavaco Silva. Para quem ainda alimentava dúvidas sobre o papel que o PR está presentemente a desempenhar, elas foram cabalmente esclarecidas.

Campanha contra a violência machista na Arábia saudita

El País

segunda-feira, abril 29, 2013

Direito de decidir


Cenas do quotidiano


Esta tarde triste e pardacenta

Avança fria e chuvosa a tarde em Coimbra. Da janela da minha biblioteca, com os pés sobre a escalfeta, gozo o conforto pequeno-burguês de 44 anos de trabalho e descontos, enquanto os estarolas do Governo me deixarem, e olho pela janela.

Vejo uma vez mais o homem de cerca de quarenta anos que revolve o lixo do contentor que fica no lado oposto da rua. Observo os gestos lentos com que retira algo que leva à boca e mastiga. Não sei se é alienado ou apenas um desesperado que vem aconchegar a mucosa gástrica com vitualhas conspurcadas por bactérias que habitam o lixo.

Hesito entre chamá-lo a partilhar os restos abundantes de uma refeição em que sobram sempre alimentos para uma boca mais ou deixá-lo cumprir um ritual que todas as tardes me incomoda. O temor da sua reação impõe-se à solidariedade que me exige chamá-lo.

Não posso sentir-me confortável no habitat que me coube. Quando à minha volta vejo a miséria e fico inerte também eu me torno miserável. O homem partiu enquanto escrevia este desabafo. Amanhã, ou depois, lá virá de novo a este caixote, ou a outro, enquanto o medo ou o preconceito me tolhe um gesto humano e fazem de mim outro miserável que vê o semelhante a chafurdar no lixo que ali deixei, a recolher os resíduos de quem ainda não tem necessidade de o disputar.

Que raio de sociedade! Ainda hei de saber quem é aquele homem, este irmão de que não sei o nome, morada, se a tem, ou o passado, se isso interessa. Devia, pelo menos, saber como posso ser-lhe útil.

Marketing da Igreja católica

Isto não é um ato de humildade é exibição de discutível higiene

domingo, abril 28, 2013

À margem do Congresso do PS…

O XIX Congresso do PS decorreu como mais um ritual democrático para consagração do líder já previamente eleito. link

Mais do que conhecer ‘novidades’ programáticas resultantes das bissectrizes entre diversas sensibilidades o País está ansioso por detectar e apreciar ‘novas’ alternativas.

Na verdade, este Congresso realiza-se no dealbar de uma nova moldura, isto é, quando a cega e dura ‘avalanche austeritária’ começa, por toda a Europa, no mínimo, a ser reavaliada e a capacidade para impor por mais tempo e arbitrariamente esta via começa a desmoronar-se. link; link.

Este recuo não aparece agora por mudança de orientação política nem por complacência para com os povos atingidos pela excessiva austeridade mas porque a ‘experiência’, numa primeira fase, serviu para consolidar a hegemonia germânica no espaço europeu e, neste momento, dado o carácter sistémico da recessão induzida, em todo o ‘programa’ subavaliada, ameaça ter um ‘efeito boomerang’ e voltar-se contra os seus progenitores.

Este o desafio que o congresso do PS deverá de responder. Ao ‘abrandamento’ (estancamento) da austeridade para preservar o ‘mercado europeu’, seguir-se-á uma ‘escalada tecnocrática’ para mascarar as insuficiências ideológicas, procurando canalizar e rentabilizar outras ‘mais valias’ liberais. Os instrumentos preferidos deverão as folhas de Excel, as medianas europeias (cuidadosamente ‘torturadas’), a captura da simpatia dos mercados e o controlo dos média.

Esta nova fase [do mesmo processo] vai centrar-se naquilo a que seráfica e abusivamente os neoliberais pretendem apresentar como sendo ‘reformas estruturais’. Provavelmente, está na hora de revisitar a célebre obra de Friedrich Engels – ‘A Ideologia Alemã’.

A resposta dos socialistas terá necessariamente de preparar-se (antecipar-se) para estas mudanças, isto é, para as previsíveis inflexões que a deriva neoliberal, virá a assumir (por imposição exterior), esvaziando-as.

Amanhã, não bastará ao PS proclamar o crescimento económico como sendo objectivo fulcral. Trata-se de uma situação que deverá ser, mais uma vez, ‘colonizada’ pela Direita.
Para além do crescimento económico e do combate ao desemprego galopante, no contexto de um sério e adequado rigor orçamental, é preciso saber como a riqueza, criada através do desenvolvimento, será distribuída. E, a curto e médio prazo, o veículo adequado, fundamental, para garantir o mínimo de redistribuição equitativa é o reforço e a sustentabilidade do Estado Social. Esta, portanto, a próxima batalha a travar e que andou um pouco ofuscada, nos 3 dias de Congresso, por algumas manobras de diversão (discurso presidencial, nova 'carta de consenso’, etc.). Não basta recusar o 'monstruoso' corte dos 4.000 milhões de euros.
É preciso regressar às boas estratégias políticas (pensadas, credíveis e mobilizadoras) e dar menos ênfase a epifenómenos, sempre fugazes e menores.

Este foi para os portugueses – e não somente para os militantes socialistas – o grande desafio que pairou sobre o Congresso que teve como palco a Feira.

PPD/PSD PROVA DO SEU PRÓPRIO VENENO


Já aqui criticámos a “celerada lei das rendas” que a coligação governante, a mando da troika mas indo muito para além da troika, fez aprovar pela sua maioria na Assembleia da República.


Mas desta vez “o feitiço virou-se contra o feiticeiro”. Segundo noticia o “Expresso”, a estrutura concelhia de Lisboa do PSD estava instalada num terceiro andar com 150 m2, pagando de renda mensal 141 euros. Agora, ao abrigo da tal lei, popularmente conhecida por “lei dos despejos”, o senhorio exigiu-lhes nada menos que 2.000 euros por mês. Não podendo suportar tal enormidade, a referida concelhia vai ter de entregar o andar no final de maio.

Destes “inquilinos” não tenho pena!

Insistir no Islão radical é insinuar que há outro (2)



Se há quem verdadeiramente me comova, pelo sofrimento desnecessário, é a população muçulmana, vítima dos preconceitos religiosos e da impossibilidade da apostasia, um direito inalienável em democracia e um crime punido com pena de morte nas teocracias.

Os monoteísmos baseiam-se em textos bárbaros, uma herança hebraica de origem tribal e patriarcal. Paulo de Tarso, na sua cisão com o judaísmo, havia de criar a seita à qual Jesus foi alheio, tendo nascido e morrido judeu e circuncidado. Por razões políticas, foi o execrável Constantino, que a si próprio se designou o 13.º apóstolo e que, sem abdicar do mitraísmo, fez da seita cristã a religião que aglutinou o Império Romano.

O ódio aos judeus vem daí, esse ódio que os trânsfugas consagram à ideologia ou grupo donde provêm. O antissemitismo é filho desse ódio irracional, com interesses à mistura, e que serviu para tornar mais dramático um fenómeno de natureza secular, o nazismo.

Os quatro Evangelhos (Marcos, Lucas, Mateus e João) e os Atos dos Apóstolos têm, na contabilidade de Daniel Jonah Goldhagen (in A Igreja católica e o Holocausto) cerca de 450 versículos explicitamente antissemitas, «mais de dois por cada página da edição oficial católica da Bíblia».

Mas o  mais implacável dos três monoteísmos havia de surgir apoiado pelo impulso belicista e a violência das tribos nómadas do deserto através de uma cópia grosseira do cristianismo – o Islão. Desde crianças que as madraças e mesquitas fanatizam as pessoas e ensinam o que aquele rude condutor de camelos – Maomé – pretende delas. No fundo, pretende que todos se convertam ao Islão e «os que não quiserem, matai-os».

Quem esquece a euforia da rua islâmica quando Salman Rushdie foi condenado à morte ou os editores de «Versículos Satânicos» foram assassinados? Quem esquece os gritos ululantes pela morte de turistas infiéis ou dos passageiros dos comboios que seguiam para a estação de Atocha? Quem ignora o êxtase pio pelo desabar das Torres de Nova York ou pelos desacatos provocados pelas caricaturas do Profeta?

Preciso de repetir diariamente o asco que merece o sionismo, outra demência piedosa, para poder alertar para os riscos do Islão, que só produz petróleo e terrorismo?  Algum leitor gostaria de ver uma criança levada à excisão do clitóris, de assistir às chicotadas públicas em mulheres, com gente em delírio, à decapitação de apóstatas ou à lapidação de uma mulher para quem a violação conta como adultério da vítima?

É necessário repetir a tragédia que foram as Cruzadas, a evangelização dos índios, as fogueiras da Inquisição ou as perseguições aos judeus para poder execrar essa maldição medieval que um condutor de camelos, analfabeto e pedófilo, legou à posteridade?

O Islão não é apenas a pior das ideologias com poder, é a mais implacável máquina de tortura e humilhação contra as populações que oprime, sobretudo, mulheres.

Lá como cá e/ou cá como lá... !

Aqui ao lado – em Espanha – o Governo de direita dirigido pelo PP de Mariano Rajoy prossegue na sua envergonhada mas decidida senda de ‘ajustamento’ (embora formalmente não tenha assinado um programa de assistência).

Lá como cá existe um profundo fosso entre as demagógicas promessas eleitorais e a presente acção governativa. Mas a Direita – também cá como lá - continua sobranceira, atrevida e mistificadora. Regressou aos velhos tempos em que repetida e falaciosamente tentou iludir a realidade (nacional e do Mundo) com 'malabarismos semânticos'. Este o espesso drama histórico e político que inundou ambas as ditaduras ibéricas à volta da tríade: Deus, Pátria e Família.

Lá, a 'vistosa' vice-presidente do Governo espanhol - Soraya Sáenz de Santamaría – fazendo jus ao seu elaborado aspecto de ‘ex-jotinha’, anunciou a subida do IRC espanhol, a inserir no dramático quadro recessivo e de incontrolável desemprego, como uma ‘novidade tributária’… link.


Igualmente, por cá, Vítor Gaspar, indiciado 'vice-chefe' do Governo português – com um ar de ‘rato de laboratório’ - confrontado com o chumbo do TC à 'imoral' taxação que, no OE-2013, fez incidir sobre os subsídios de doença e de desemprego, não admitiu repô-los, mas antes, ‘redesenhá-los’… link.

De facto, esta Direita neoliberal é flexível, sofisticada e volúvel, em temos de retórica, mas completamente vazia em termos de dignidade, respeitabilidade e confiança.
Que seja esta – ao menos – a lição a retirar desta dramática ‘crise europeia’, para memória futura.

O discurso do PR na AR em 25 de Abril e outros


Permitam-me que discorde da unanimidade que, com exceção de alguns setores menos instruídos ou mais comprometidos do PSD, se gerou em torno do referido discurso.

Dizem que o discurso do 25 de Abril foi um desastre. Porquê? Já fez melhor? Alguma vez exibiu grandeza ética ou tolerância? Quando é que se lhe ouviu o elogio da data ou se assistiu a alguma manifestação de respeito pelo ato heroico ou pelos seus autores? Além de não sabermos o que Relvas sabe a seu respeito, e do que é capaz, que motivo temos para esperar que este PR exulte com o 25 de Abril, se extasie com cravos rubros ou morra de amores pela democracia?

Já o discurso de Bogotá foi injustamente criticado. Quem aguardava que o professor de Literatura pela Universidade de Goa pudesse dizer bem de Saramago? Que legitimidade nos assiste para o obrigar a ler o enorme escritor, a citar o nome do seu ódio de estimação, quando já fez o sacrifício patriótico de citar Camões como se o tivesse lido?

Quem não se recorda do ódio e ressentimento do seu discurso de vitória no mandato que os portugueses, reincidindo, lhe confiaram? Quem esqueceu a exaltação com que zurziu a AR por lhe terem feito engolir o Estatuto dos Açores, um diploma que, por acaso, não honra os deputados? Que esperam de quem não sabe se poderá pagar as contas no fim do mês e teve de se sujeitar ao vexame de ganhar uns cobres com ações da SLN, lucro que não rejeitou quando soube que foi ganho com um grupo de vigaristas reconhecidos?

Cavaco é um homem fiel ao PSD e à amantíssima esposa. Quem faz tamanho sacrifício, que outro se lhe pode pedir em nome da CRP, dos portugueses ou de Portugal?  

sábado, abril 27, 2013

Os diferentes ‘timings’ europeus, o discurso do Presidente, a crise governamental e os champôs …

O PR abandona a AR na última sessão comemorativa do 25 de Abril sob o olhar do Governo que se mostra atento, venerador e obrigado...

 
Bruxelas dá mais dois anos a Espanha para reduzir o défice… link

Não é compreensível, nem transparente, a estratégia do Eurogrupo face à crise que se vive na zona Euro. Perante as situações difíceis ou complexas que se vivem em alguns países que adoptaram a moeda única existem, de facto, diversos posicionamentos interpretativos e analíticos que acabam por ‘ditar’ respostas diferentes e diferenciadas. Ao que se supõe em conformidade com ‘análises técnicas’ divergentes ou díspares sobre a dimensão e a profundidade da crise orçamental e financeira em cada um dos Países.

Vale a pena analisar 3 países que integram o Eurogrupo e que ‘padecem’ de uma fatalidade geográfica e cultural e incorporam o fustigado ‘sub-grupo’ do Sul.

Deste logo, temos a França que já não consegue iludir as suas dificuldades em crescer e competir na Economia europeia e Mundial e que por uma questão de nojo prefere falar de ‘rigor’, em vez de austeridade, mas que terá de tomar drásticas medidas de contenção orçamental, ao arrepio de uma ‘onda’ recessiva que varre a Europa, para atingir a consolidação do défice público já em 2014 (valores ao redor dos 3% do PIB).

Pelo meio, Portugal que associa políticas duras de austeridade emergentes um programa de assistência financeira, cego que cedo se tornou absurdo e que colocou o País para à beira do colapso económico, fez disparar o desemprego para níveis históricos, trouxe um 'sustentado' crescimento da dívida, deverá impreterivelmente - e contra todas as evidências - atingir a 'mítica' meta dos 3% em 2015.

 Finalmente, Espanha, que continua confrontada com uma grave situação financeira (do sector bancário), uma recessão económica desastrosa e prolongada, acrescida de um desemprego que ultrapassou os limites do tolerável, uma crispação social incontrolável, levará o Eurogrupo a diferir a data limite para o controlo do défice público para 2016.

Aparentemente, esta flexibilidade parece corresponder a situações específicas e particulares de cada País. Na realidade ela é subsidiária da qualidade, rigor e convicções políticas dos chamados ‘grupos técnicos’ de acompanhamento e análise dos programas (sejam estae públicos ou dissimulados), do peso económico relativo de cada País, da capacidade reivindicativa em relação a políticas de crescimento económico e finalmente das circunstâncias políticas internas. Isto é, da capacidade em resistir a programas cegos e mal desenhados e ainda do peso político para influenciar as tomadas de posição comuns (consensuais?) no interior das várias instituições da UE.

E se no caso de Portugal e Espanha poderia suspeitar-se de submissão às políticas do PPE, no caso da França existirão outras motivações à volta da necessidade de preservar funcional o eixo franco-germânico e ainda de outras e novas disputas hegemónicas no seio da ‘velha’ Europa dos Impérios.

Mas é também o espelho da profunda ineficiência avaliadora e decisória do Eurogrupo que navega à sombra da capacidade de intimidar e subjugar os mais débeis - ou os indecisos - impondo medidas de ‘ajustamento’ (leia-se de ‘empobrecimento’) e ideologicamente pretende ‘esconder-se’ por detrás dos mercados. Na realidade, a dissonância de timings mostra que existem espaços negociais. Resta saber, ou ter vontade política para, explorá-los.

Este é outro exemplo de como o comportamento de ‘bom aluno’, tão adulado por alguns sectores políticos em Portugal, tem um reverso da medalha. Os riscos que estamos a correr - ao persistir neste tipo de comportamento - vão destruir, de modo irremediável, a já tão debilitada economia nacional e, esse facto, tem de condicionar todo o programa de ‘resgate’ (e não só a sua calendarização), já que se transformou na nova emergência nacional.

Hoje, a discussão imediata gravita à volta do tempo necessário – e conveniente - para atingir alguma uniformidade e coesão no terreno obviamente muito mais vasto do que no início da crise do euro: começa da política fiscal e monetária comum para desembocar no crescimento económico. As sucessivas prorrogações para consolidar as finanças públicas mostram que é necessário muita prudência na gestão temporal dos objectivos e que é imprescindível obter sólidos consensos no interior dos Países e no seio da UE. Já não bastam soluções parcelares, avulsas ou tímidas.

Portugal, com o Governo de Passos Coelho pretende seguir o sentido inverso. O ‘maestro’ deste Governo (V. Gaspar) – no seguimento do incitamento presidencial - aparece a pressionar a adopção antecipada de novas medidas (de austeridade) indiferente às suas consequências. Na verdade, resta a sensação de que no contexto europeu somos um País em nítido contra-ciclo. Até onde (ou para aonde) nos levará esta ‘irresponsabilidade histótico-ideológica’ que tem sido acriticamente veiculada entre nós ?

A ajuizar pelas últimas notícias vindas a público link, Portugal estará à beira de convulsivas perturbações políticas que, ao invés do que o PR equacionou na AR, só serão passíveis de serem dirimidas - dentro de um quadro democrático - com o recurso a uma consulta popular. Isto é, poucas horas depois da sua lastimável intervenção perante o Parlamento, a evolução da política nacional transformou o discurso de Cavaco Silva numa mera jactância. Aliás, não seria de prever outro destino para as elucubrações deste inadaptado (ao cargo) personagem político.
Mas o mais grave é que a crise política, após este último 25 de Abril, deixou de se circunscrever ao Governo. Alastrou, como uma mancha de óleo, a outro poder democrático e constitucional: à Presidência da República.
Como naquele conhecido anúncio do champô podemos observar que o prestigioso (e não prestigiado!) Cavaco Silva fez uma penosa aparição no marteking político a ‘vender’ um novo produto com propriedades cumulativas: ‘dois em um’!

Insistir no Islão radical é insinuar que há outro


É bem  conhecido o sofrimento dos países árabes e de outros que a lepra do islamismo contagiou. Muitos deles têm enormes reservas de combustíveis fósseis e são espoliados pelo capitalismo internacional, pilhados pelas ditaduras que os oprimem e por tradições tribais que lhes negam direitos humanos elementares.

O fracasso da civilização árabe e o primarismo dessa cópia grosseira do cristianismo – o Islão –, são o húmus onde floresce o tribalismo patriarcal alheado do direito romano e da cultura helénica. São países onde o medo e os constrangimentos sociais prolongam os preconceitos e mitos herdados de uma época em que os homens eram mais violentos e Deus a criação ampliada dos seus defeitos.

No desespero de uma vida sem esperança nem futuro crescem os sonhos de um Paraíso pejado de virgens e rios de mel, mitos que levam os mais piedosos a cometer crimes e a sonhar vinganças contra os infiéis. 

Os dois chechenos que mataram três pessoas e feriram cerca de duzentas, em Boston, sonhavam uma chacina em Nova York, quiçá para ampliarem o número de virgens e de rios de mel a que teriam direito. Não são dementes, mas crentes. Não são criminosos do delito comum, são piedosos fiéis que sabem de cor o Corão. Rezaram muitas orações, virados para Meca, e ouviram centenas de sermões nas madraças e mesquitas onde se faz de cada criança um devoto e de todos os crentes assassinos potenciais.

Há uma multidão de intelectuais politicamente corretos que não se cansa de explicar que é uma minoria de radicais que exalta semelhantes crimes. Nunca acusam o Corão que os fanatiza e expressamente lhes impõe a execução das fatwas, jamais citam os pregadores do ódio e nunca trazem à memória a excitação da rua islâmica na louca euforia com que acolheu o ataque às torres gémeas de Nova York ou o massacre da estação de Atocha.

O profeta mandou matar os infiéis e é o que qualquer bom muçulmano deseja. O resto são complexos de intelectuais politicamente corretos, indiferentes à lapidação de uma adúltera, à decapitação de um apóstata, à amputação da mão que roubou um pão ou às chicotadas  públicas na mulher que se atreveu a tirar o véu em público ou a ir à escola.

Os cúmplices dos países democráticos não veem que a excisão do clitóris só ocorre em contexto islâmico, que a misoginia é aberração, que os direitos humanos são universais e que, finalmente, a sharia é uma crueldade para quem vive sob o fascismo islâmico e a vergonha para a condescendência em nome da tradição. 

Em vez de desculparem o manual terrorista – o Corão –, defendam a laicidade. 

sexta-feira, abril 26, 2013

A ‘arenga’ presidencial...

…”É indiscutível que se instalou na sociedade portuguesa uma «fadiga de austeridade», associada à incerteza sobre se os sacrifícios feitos são suficientes e, mais do que isso, se estão a valer a pena. Estas são interrogações legítimas, que todos têm o direito de colocar. Mas, do mesmo modo que não se pode negar o facto de os Portugueses estarem cansados de austeridade, não se deve explorar politicamente a ansiedade e a inquietação dos nossos concidadãos.”… Do discurso proferido pelo Presidente da República na sessão oficial comemorativa do 39º. Aniversário do 25 de Abril. link.

Este emaranhado tecido à volta de uma constatação (premissa) - «a fadiga de austeridade», seguida da abertura interrogativa sobre a sua pertinência - «todos têm o direito de colocar» - para aprioristicamente concluir sobre o dever de ignorar ou preverter outras respostas - «não se deve explorar politicamente a ansiedade e a inquietação dos nossos concidadãos» - mostra a confusão que vai naquela cabeça.

Primeiro, o conceito de «fadiga de austeridade» é imediatamente atropelado com incertezas, entre elas, sobre a sua suficiência e oportunidade.

O homem que há 2 anos questionava sobre os limites dos sacrifícios, agora, coloca – nas interrogações que faz – dúvidas sobre a sua dimensão («incerteza sobre se os sacrifícios feitos são suficientes») e pertinência («se estão a valer a pena»).

Segundo, a «fadiga de austeridade» é apresentada como um acidente. Não é questionada sobre a sua fundamentação política e económica, nem sobre os resultados que tem associados. Surge como uma fatalidade, por ventura, como uma inevitabilidade.

Não vale a pena chorar lágrimas de crocodilo sobre a ‘tragédia do desemprego’ quando se tenta desligá-la da austeridade cega e excessiva. De facto, os portugueses estão fartos da austeridade não por simples cansaço, egoísmo ou incompreensão mas porque os resultados estão à vista: a ‘espiral recessiva’, os níveis de desemprego insuportáveis e os vastos indícios de fracturas sociais.

Terceiro, ao classificar a oposição às medidas de austeridade (claramente excessivas) como um acto visando «explorar politicamente a ansiedade e a inquietação dos nossos concidadãos» exibe um tremendo ‘défice democrático’ e um conceito muito estreito e enviesado da política. Entra aqui um perverso conceito que tem sido vendido no mesmo pacote da austeridade: «não há alternativas!». E assim sendo não há Democracia.

Pior, aqueles que se atreverem a apresentar propostas diferentes são liminarmente acusados de estar a explorar politicamente sentimentos populares que, existindo, deverão – no entendimento do Presidente da República - ser ‘domesticados’ para perdurarem. A “austeridade” deixa, deste modo, de ser um instrumento económico e financeiro para corrigir situações desequilibradas de défice público e da dívida soberana e transforma-se num ‘martírio político’, com inconfessáveis ‘fins regeneradores’ sobre os estilos de vida e definitivamente ‘punitivos’ sobre o moderno conceito social de ‘bem-estar’.

Foi com este tipo de arenga que, ontem, o PR pretendeu construir uma visão ‘objectiva e serena’ sobre os últimos 2 anos. Mais valia permanecer em silêncio. De facto, à iniludível crise governativa não era necessário acrescentar a crise presidencial. Já temos problemas que chegam.

Na realidade, Cavaco Silva enredou-se em silogismos. E incorreu no erro fatal de deixar que os termos intermédios influenciassem as conclusões. Nem tudo se confina aos ditames e dislates económicos. Vale a pena recordar uma frase célebre: há vida para além do défice...

Acontece

Retiraram-se, por pudor, os cravos

Durante as comemorações do 25 de Abril na Assembleia da República, no início do discurso do PR, aconteceu um facto insólito, que vale como metáfora.

Quando ia falar, sabendo-se do seu horror ao vermelho e do desprezo pelos cravos, estes caíram. Não podendo Cavaco retirá-los, retiraram-se os cravos para não lhe servirem de moldura.

Noutra cerimónia, também a Bandeira Nacional se lhe virou ao contrário.


No dia de hoje, em 1937, Guernica foi bombardeada pela Força Aérea alemã, de Hitler, ao serviço das forças fascista de Francisco Franco, o genocida a quem o Papa abençoou como líder de uma «Cruzada» e a Igreja católica espanhola acompanhou nos crimes que se perpetuaram depois da vitória sobre as forças republicanas e o derrube do Governo democraticamente eleito.

No rescaldo de um dia de festa e de saudade



Dizem-me que o discurso de Cavaco Silva foi um verdadeiro desastre. Se um partido o considera como vice do PM e outro como fator de divisão, Vasco Lourenço disse que o PR tirou a máscara, como se a máscara não fosse o verdadeiro rosto.

Na verdade, Cavaco não tem perfil para as funções que ocupa e a ingratidão para com o 25 de Abril, que permitiu ao « mísero professor» –, como ele via as funções docentes na Universidade –, percorrer os mais altos postos do Estado, mostra a fibra de quem não tem a mais rudimentar sensibilidade nem reconhece quanto deve a quem tudo fez sem nada pedir.

Dizem-me que Cavaco está preocupado com o seu lugar na história, mas que lugar pode almejar quem se limita a embalar o berço do Governo, espécie de guarda-costas de um elenco presidencial que se arrasta sob a aparente liderança do impensável Passos Coelho e de uma folha de Excel mal preenchida a que chamam ministro das Finanças?

Cavaco é o símbolo da degradação da classe política, o paradigma da ruína cívica a que nos conduziram. O seu discurso foi o espelho do autor.

quinta-feira, abril 25, 2013

Esta é a noite que trouxe no ventre a madrugada


Esta noite não é para dormir, é para esperar a madrugada em que floriram, nos canos das espingardas, cravos. É a vigília amarga que aguarda o doce alvorecer do dia em que um punhado de capitães resgataram, de 48 anos de tirania, a Pátria secular.

Estou a 14 km da fronteira onde o capitão Augusto Monteiro Valente havia de chegar para prender os pides que logo apagariam os cigarros com que queimavam as vítimas e poria termo aos gritos que ecoavam da fronteira até à estação dos caminhos de ferro.

A esta hora verificava, talvez, a pistola que usaria para avisar o comandante do RI5 de que o comando deixava de lhe pertencer e ia ficar preso às ordens do MFA. A esta hora o capitão, sozinho, apenas com a coragem dos bravos e a determinação dos heróis, não pensava em palavras, tinha consigo a fé inquebrantável dos patriotas.

Daqui a pouco, há 39 anos, o capitão que este ano já não nos acompanha, esse capitão que  levaria até à fronteira a bandeira da insurreição e o sonho da liberdade, estaria a convocar soldados, sargentos e oficiais milicianos para o acompanharem na aventura em que tudo arriscavam, incluindo a vida.

«E depois do adeus», partiria pela sinuosa estrada que ligava a Guarda a Vilar Formoso, responsável pelo destino dos homens que o acompanhavam, como responsável fora na Guiné donde não pôde regressar com vários dos que levara.

Na noite de hoje não sei o que pensaste, amigo, eras tão avaro nas palavras do feito heroico que te coube, tão parcimonioso no papel que desempenhaste, tão tímido da grandeza que trazias e da memória que guardavas.

Nesta noite, caro Augusto, também eu, só, nesta casa que os meus pais deixaram vazia, penso que a vida tem a dimensão dos nossos atos e não do tempo que nos cabe.

Espero que, apesar das horas amargas que hoje vivemos, continuasses a orgulhar-te, no teu silêncio sobre a noite que hoje evocamos, das horas em que fizeste História na mais bela de todas as madrugadas, na mais generosa de todas as Revoluções, na mais heroica de todas as operações militares.

Não estranhes que a saudade de ti que ora me corrói seja o testemunho que darei a todos os democratas que amanhã, depois da visita ao monumento ao 25 de Abril, se vão reunir no almoço comemorativo da data que ajudaste a destacar do calendário da História.

Até sempre, capitão!

Viva o 25 de Abril!

Viva Portugal!
Ponte Europa / Sorumbático

Viva o 25 de Abril. Sempre


Trinta e nove anos passados sobre a manhã libertadora de Abril, regressaram o medo e a fome. Por ora não é ainda a PIDE que prende, é o desemprego e a destruição metódica e eficaz dos direitos conquistados que paralisam o povo e o lançam de novo na aventura da emigração, na incerteza do futuro e na tragédia da pobreza.

Os atuais governantes têm um projeto político extremista e o objetivo de cercear direitos e fizeram do país um laboratório do ultraliberalismo, “custe o que custar”. O desespero que espalham é a semente das convulsões que se avizinham num retrocesso que os mais pessimistas estavam longe de prever.

Apagam os símbolos identitários da Pátria com a alienação dos feriados do 5 de outubro e do 1 de dezembro enquanto o 10 de junho, com um PR de débil cultura, se transforma, como no fascismo, em altar da exaltação da raça, com os feriados pios a permanecerem por imposição do Vaticano, que despreza e humilha o país.

A reabilitação da guerra colonial está em curso, o regresso dos velhos valores têm um discurso, uma lógica e um projeto, seguidos pelos que nunca se conformaram com a perda do Império e o descrédito da ditadura. Só faltava empobrecer os portugueses e submetê-los pelo medo. A fome, o desemprego e o empobrecimento coletivo estão nos planos de um governo reacionário que vê no ultraliberalismo o caminho da salvação.

É o regresso mole a um passado afrontoso e a um quotidiano de desespero.

Abril cumpriu a descolonização, o desenvolvimento e a democratização e não foram os seus capitães que agravaram as desigualdades sociais ou contribuíram para a perda da generosidade, entusiasmo e solidariedade que galvanizaram Portugal e os portugueses.

Não se ignora a crise que se abateu sobre o mundo, mas não há justificação para a falta de equidade na repartição dos sacrifícios nem para a devastação dos direitos a que só a cegueira ideológica e o espírito de vingança marcam o ritmo e a seletividade.

A PIDE, as prisões políticas, a censura, o degredo, o exílio, a tortura, a discriminação da mulher, a violação do domicílio e da correspondência são dolorosas recordações dos mais velhos. Restauraram-se os direitos cívicos, implantou-se a democracia. É pouco? Nunca tão poucos fizeram tanto por Portugal como os capitães de Abril. Não deixemos agora que nos conduzam ao passado.

A escalada contra as conquistas de Abril pode ser parada. Comemorar Abril, ser fiel ao seu ideário e honrar os seus heróis é uma forma de dizer basta à mais violenta ofensiva da direita contra os seus valores, nos últimos 39 anos.  Nada, absolutamente nada, pode ser pior do que o Portugal beato, rural e analfabeto que o salazarismo manteve graças à repressão policial.

Na ditadura o País não era a casa comum dos Portugueses. Era a cela coletiva dos que não fugiam. O 25 de Abril transformou Portugal. Tanto tempo nas nossas vidas, tão pouco na história de um povo. É tempo de recuperar o espírito de Abril.

Viva o 25 de Abril. SEMPRE.

quarta-feira, abril 24, 2013

DESABAFO POLITICAMENTE INCORRETO

Há qualquer coisa em nós de que não gostam
      (Manuel Alegre – “O Resgate”)



Basta!

Estou farto de ser insultado, avaliado, repreendido e humilhado (eu e a maioria dos portugueses). Farto de que nos chamem PIGS (porcos), calaceiros, perdulários, lixo, etc.

Insultam Portugal, o mais antigo Estado da Europa, que “deu novos mundos ao mundo”, e deu ao mundo a língua portuguesa, falada em todos os continentes, e os seus cultores, como Camões e Pessoa; insultam a Grécia, berço da civilização europeia, sem a qual seriam ainda hoje uns trogloditas.

E quem é que se julga no direito de assim nos insultar?

Em primeiro lugar os alemães, cuja contribuição para a História da Europa se cinge a uma incontável sucessão de guerras mortíferas. São totalmente destituídos de sentido de humor: é sabido que são incapazes de perceber uma anedota. Em contrapartida, vangloriam-se de ser organizados e produtivos. E infelizmente são. De tal maneira que conseguiram assassinar metodicamente seis milhões de judeus em escassos dois ou três anos. E tão “aproveitadinhos” que ainda aproveitavam, dos cadáveres das vítimas, os dentes de ouro, a gordura para fazerem sabão, e a pele para fazerem quebra-luzes de candeeiros.
Os países que os venceram na 2ª guerra mundial meteram-nos na Comunidade Europeia com o intuito de os domesticarem; mas tal não foi possível. Os seus instintos predadores mantiveram-se latentes, e tornaram-se patentes quando elegeram para os dirigir uma megera que mal disfarça o seu intento de conseguir pelo poder do dinheiro o que Hitler não conseguiu pela força das armas, fazendo da União Europeia um IV Reich germânico.

Em segundo lugar os holandeses, que se dedicaram durante séculos a piratear os nossos navios da rota do Brasil e a tentar roubar-nos territórios brasileiros, conhecidos em todo o mundo unicamente pela sua proverbial e doentia forretice.

Depois os ingleses – a “pérfida Albion” -, nossos velhos aliados numa aliança que só funcionava para o que lhes convinha. Sempre estiveram na União Europeia relutantemente, com um pé dentro e outro fora, sem qualquer adesão ao ideal europeu e sem qualquer espírito de solidariedade. De tal modo que o seu atual primeiro-ministro, quando se dirigia a uma reunião do Conselho Europeu, teve o desplante de proclamar que ia lá “para defender os interesses da Inglaterra”.

Finalmente a Finlândia, obscuro país que só é independente há menos de cem anos, e é membro da U. E. de fresca data – entrou na última leva – mas já quer dar ordens a quem lá está há muito mais tempo.

São estes “brilhantes” países que nos insultam e nos querem “ajustar”.

Vão ajustar o raio que os parta!

Fia-te na Virgem e não corras...


terça-feira, abril 23, 2013

Votaria neste homem para PR?



A tomada de posse de novos secretários de Estado


O PR repetiu a liturgia do costume perante um aglomerado de pessoas que pareciam desempregados de um bairro problemático da periferia de uma grande cidade.

O aspeto suburbano dos novos membros do Governo e dos presentes criaram o clima adequado à fúnebre liturgia que se repete a cada novo escândalo.

Sei que estes atos são obrigatoriamente públicos mas podiam prescindir das televisões para evitarem ser confundidos com delinquentes. Dos que são condenados.

O PM parecia um mestre de cerimónias num casamento de província enquanto Paulo Portas baixava os olhos em aparente pudicícia. Só o PR, com ar de quem está ausente no Palácio de Belém, repetia os gestos treinados em sete roteiros.

Pobres fotógrafos. Não devem ter uma foto que se aproveite dos rolos gastos em tão pífia cerimónia.


O Governo e os remendos terminais


O Processo De Remodelação Em Curso (PREC-*cpp) é o estertor de um Governo cuja formação foi um aborto da natureza, um parto distócico de fetos com malformações congénitas.

A pressa do PSD pôs ao leme do barco um camponês que nunca tinha visto o mar, e o PR, que tinha por Sócrates o acrisolado amor que nutre pela memória de Saramago, deu o empurrão de que o bote precisava para se fazer ao mar.

Sem marinheiros, sem rumo e sem alguém que soubesse o que era uma bússola ou, ao menos, a influência do vento, em vez da viagem, de destino incerto, era de prever este pungente naufrágio de um Governo que não se compõe de 12 ministros mas se divide em 12 ministérios e um mistério, sendo este o insondável desígnio que fez de Passos Coelho um PM.

O naufrágio do Governo podia ser uma boa notícia se Portugal não tivesse embarcado e poder já não haver país para novo barco.

Porca miséria.


segunda-feira, abril 22, 2013

Nem os gatos escapam aos cães


Merkel levanta o véu…

«Temos de estar preparados para aceitar que a Europa tem a palavra final em certas áreas. Caso contrário, não seremos capazes de continuar a construir a Europa», sublinhou a chanceler alemã. link

Finalmente o subconsciente a atraiçoar a chanceler.

Se substituirmos a 1ª. invocação de ‘Europa’ por Alemanha torna-se tudo mais claro, transparente e óbvio.

Berta: a segunda imolação...

Mais uma substituição no elenco governamental, aparentemente, incompreensível. Há cerca de pouco mais de 1 semana teve lugar uma ‘mini-remodelação’ link que, inesperadamente, conquistou a unanimidade: desagradou a todos (excepto aos que já consideram o Governo ‘morto’).

Passados poucos dias surge mais um retoque avulso numa área – a da Defesa – onde o ambiente é, no mínimo, crispado. Aliás, as primeiras reacções vindas da instituição militar ultrapassam a natural surpresa para encalharem nas encostas da leviandade (política). link

Berta Cabral vai integrar o elenco governamental como Secretária de Estado da Defesa. Sabendo do posicionamento desta ex-líder do PSD-Açores relativamente a Passos Coelho link é notório que este Governo se lançou num processo de remodelações ‘ad hoc’. Berta Cabral foi imolada nas eleições regionais açorianas perante o altar do descontentamento popular (relativo ao Governo da República). Caminha, agora, para uma nova imolação, ao som do rufar dos tambores, rumo a um rápido 'destroçar' governamental.
Passamos subitamente de um Governo refractário a mudanças, capaz de albergar no seu seio - durante largos meses- o 'cadáver político' do ministro Relvas, para um tempo de remodelação continuada… diria mesmo, permanente.

Não se trata de mais um ‘retoque’ mas antes a imagem de uma completa decomposição do actual Governo. Na verdade, estamos na presença do fim de um ‘ciclo político’. Melhor: de um ‘desastroso ciclo político’ que, tudo indicia, está próximo do fim.

O massacre de Boston e o Islão


Não há Islão radical, como não há judaísmo ou cristianismo radical. Há três religiões do livro que conseguem ser as piores, capazes de levar a morte aos infiéis para conquistar o Paraíso.

O judaísmo continua a ser um perigo para a paz, convencido como está do direito divino sobre a Palestina, numa deriva beata que conduziu à demência sionista. Vale-nos o facto de muitos israelitas estarem laicizados e o agnosticismo e o ateísmo serem frequentes.

O cristianismo, alvo da repressão sobre o clero, domesticado, parece hoje uma religião inofensiva, salvo para os próprios que se ciliciam, crucificam e viajam de joelhos.

Só o Islão, sem Reforma nem estados laicos que julguem e condenem os pregadores do ódio que infestam as mesquitas e as madraças, continua a deriva misógina e o belicismo prosélito que impõe a submissão ao profeta analfabeto, polígamo e pedófilo. O arcanjo Gabriel ditou-lhe, entre Medina e Meca, uma cópia grosseira do cristianismo e exigiu-lhe que dizimasse os infiéis, isto é, todos os que aderem ao modernismo e à democracia.

Para agravar a crise económica, social e política do mundo civilizado surgem os beatos terroristas a ensinar geografia depois de indicarem com sangue a nação de origem. São jovens intoxicados pelo Corão, à espera de 72 virgens e de rios de mel doce, crentes no Paraíso que os talibãs creem existir para albergar fascistas islâmicos.

Os dois jovens de origem chechena foram vítimas do manual terrorista que se insiste em dizer que é mal interpretado pelos únicos que são coerentes com o que diz o Corão.

A perigosidade do Mein Kampf é incomparavelmente menor. Só quem nunca leu o Corão é capaz de atribuir a interpretações erradas a expressa vontade do profeta.

A última tropelia do fascismo islâmico surgiu em Boston. Quantos mortos serão ainda necessários para que os países democráticos deixem de proteger as ditaduras de onde sai o petróleo e o apoio ao terrorismo?

domingo, abril 21, 2013

O "CONSENSO" E A CONSTITUIÇÃO

Todas as almas “bem-pensantes” deste País apelam a um “consenso” entre “as diversas forças políticas” para levar a bom termo o “ajustamento” (ouvir esta palavra causa-me a mesma sensação que ouvir uma unha a raspar numa parede).


Mas por baixo do manto diáfano deste sensato “consenso” esconde-se mal a nudez crua das intenções que lhe subjazem: o que querem é pura e simplesmente que o PS dê o seu aval às políticas anti-patrióticas e anti-populares que o governo, a mando da troika, vem adotando.

Porém o PS não está pelos ajustes, e faz muito bem. Até aqui a coligação governante, cheia de empáfia por ter ganho as eleições e sentindo as costas quentes pelo apoio da Troika e do Presidente da República, desprezou-o por completo. Agora que tomaram consciência do beco sem saída em que meteram o País, é que querem o “consenso” com aquele partido.

Mas, agora, dali não levam nada. Porque não procuram um consenso com o PC e o BE, como fizeram para derrubar o governo do PS e fazer vir a Troika?

Essas mesmas almas “bem pensantes” são consensuais noutra coisa: atacar e denegrir a Constituição da República. Basta ler esse “jornal de referência” que é o “Expresso”. Na semana passada foram as “ideias totalmente disparatadas” de Miguel Sousa Tavares que aqui critiquei (a propósito: esta semana o jornal não traz o costumado artigo dele; deve ter ficado tão cansado de disparatar que teve de ficar uma semana a descansar; ou será que foi o “Expresso” que achou que já eram disparates a mais?). Esta semana é Henrique Monteiro que, no seu editorial da última página, depois de apelar ao consensual “consenso”, vem dizer que “a Constituição vai ter de ser revista (ou deixada num limbo em que para nada serve)”. É espantoso como um homem inteligente pode dizer barbaridades destas! A crise transtorna as melhores cabeças!

Ora a coisa mais consensual que há neste País é justamente a Constituição. Foi aprovada numa Assembleia Constituinte constituída por 250 deputados de todos os partidos, desde o CDS à UDP, só tendo votado contra os escassos 16 do CDS; todos os outros votaram a favor. Mesmo os do PPD. Querem maior consenso?

A crise e a luta partidária


Não sei se é imaginável sair da crise e evitar a bancarrota; não sei se os esfomeados se deixarão morrer sem se revoltarem e se os que vivem da crise não temem a agitação dos que já nada têm a perder. Sem comida, assistência médica e um módico de segurança social não há brandos costumes que persistam.

A Europa das nações é cada vez mais alemã enquanto a Alemanha está cada vez menos europeia. O aprofundamento da integração política, um sonho de que ainda transporto as últimas ilusões, reduz-se progressivamente à moeda, que é perigoso abandonar, e à livre circulação de capitais, de sentido único, dos países pobres para os países ricos.

Em Portugal a crise financeira internacional, entrou, qual tsunami, desmantelando o que restava do tecido produtivo e das conquistas sociais do 25 de Abril. A pequena e débil economia periférica ficou à mercê da agiotagem universal e da cleptomania autóctone.

Os partidos políticos preferiram tirar partido da desgraça imprevisível, na luta pela fatia eleitoral, a apresentarem projetos alternativos ao experimentalismo laboratorial feito por um bando de académicos lunáticos associados a ambiciosos políticos analfabetos.

Certa esquerda chama traidores aos que negociaram com a troika e a direita denomina totalitário  tal esquerda. A linguagem é indigna do debate de ideias na luta pelo poder. Uns querem a poder da rua outros o dos negócios e todos vão sendo cúmplices da tática que acelera a vertigem destruidora do país que fomos.

À desilusão do bando que nos governa junta-se a suspeição para com todos os outros. Já não há diferença entre o comportamento dos militantes partidários e as Testemunhas de Jeová que vêm oferecer o paraíso ao domicílio quando os ateus ainda dormem.

O mundo mudou e os partidos portugueses mantêm os paradigmas herdados da guerra fria. Até os sindicatos, entusiasmados com os que ainda têm emprego, vão esquecendo a legião de vítimas que procuram a casa paterna, a sopa dos pobres ou a fuga do país.

sábado, abril 20, 2013

BOSTON

O atentado terrorista ocorrido durante a maratona de Boston colocou novamente a América em sobressalto.

Trata-se de mais um grave incidente que recai sobre a segurança dos cidadãos. Não é um acontecimento isolado para a sociedade americana. Se recuarmos até ao fatídico dia de 11 de Setembro 2001, quando a América tomou consciência das suas vulnerabilidades, verificamos que, pelo meio, ocorreram outras situações preocupantes.

Uma das vertentes diz respeito ao ‘terrorismo doméstico’ e toda a gente se lembra do ‘massacre’ de Oklahoma City [ocorrido em 1995] com um funesto cortejo de 168 mortes e mais de meio milhar de feridos. Na verdade, trata-se de um fenómeno em crescendo nos States que se tornou [mais] visível na década de 80 e se terá intensificado com a crise económica e financeira de 2007/08.
Mas os primórdios destes actos de terrorismo remontam ao Ku Klux Klan, uma tenebrosa organização de raiz religiosa e racista que ‘nasceu’ nos finais do séc. XIX, isto é, no período imediato pós Guerra de Independência. Este tem sido, portanto, um problema doméstico com evolução arrastada que os poderes públicos federais e estaduais têm tido dificuldade em lidar.

Desconhecemos se os atentados de Boston integram este 'terrorismo doméstico' ou se são a expressão em território americano de redes internacionais.

A investigação decorrente deste acto terrorista, até ao momento, não trouxe qualquer clarificação quanto à sua origem e eventuais conexões. Pelo andar da carruagem os dois presumíveis autores (os irmãos Tsarnaev de origem chechena) poderão tornar-se inúteis para esclarecer a cabalmente a situação, por impossibilidade física. Um morreu no tiroteio ocorrido no MIT e o outro a quando da sua captura apresentava-se ferido e em estado crítico. link.

Está criado o pior cenário possível. A América poderá estar condenada a viver sem determinar a origem deste acto terrorista. Não é difícil adivinhar o que sucederá. Daqui para a frente existe pretexto político para criar estados de excepção (‘emendas’) que, na prática, vão limitar e perverter o Estado de Direito. Esta perversão associada ao medo concorrem para os EUA enfrentem no futuro um clima social muito difícil. O risco de ‘derivas securitárias’, conflituando directamente com a democracia e pelo respeito pelas liberdades e garantias individuais, elevou-se.

A ‘festa’ vivida em Boston depois da captura do 2º. presumível implicado, assinalou o fim do ‘estado de sítio’ que assolou Boston e arredores nas últimas horas link. Todavia, o terminus das acções policiais, por si só, não anuncia nada de bom. Boston poderá desencadear ou empolar um terrível trauma - se acaso não tornar 'compreensível' este acto terrorista - que se incorporará profundamente na sociedade americana, com um insondável cortejo de consequências sociais, culturais e políticas.

Cavaco e a remodelação do Governo


A aliança PR/PSD/CDS foi reforçada com elementos afetos ao pai do elenco e não tem, em boa verdade, outra novidade, para além dessa.

A grande curiosidade reside no mimetismo com o Bloco de Esquerda. A substituição de Miguel Relvas, sem querer comparar este líder do PSD, licenciado com o 12.º ano, com o distinto catedrático de Finanças, Francisco Louçã, foi igualmente substituído por dois sucessores.

Louçã foi substituído por Catarina Martins e João Semedo enquanto Relvas teve direito a um estreante, Miguel Maduro, e a Luís Marques Guedes. E as coincidências ficam por aqui.

A Relvas ficamos ainda a dever um ato de higiene pública. O azougado Pedro Lomba, libertou os leitores do Público com a passagem a secretário de Estado. O pior é para o Desenvolvimento Regional.

sexta-feira, abril 19, 2013

O anúncio da quebra do pote...

Desde a  insidiosa e perversa ‘argolada’ da TSU, em Setembro passado, tem sido múltiplos os sintomas de desagregação da coligação ‘construída’ para dirigir o País.

Os dois partidos (CDS e PSD) embora partilhem uma matriz liberal que representa a convergência ideológica comum, divergem em modelos (gradientes) de concepção económica e social (dentro do mesmo espectro) e estas nuances liberais, que vão da doutrina social cristã ao fundamentalismo de adoração e submissão aos mercados, originam, como se tornou visível, atitudes tacticistas imediatistas diferenciadas.

Depois da crise da TSU, a arquitectura do OE 2013 com a brutalidade da carga fiscal que lhe foi apensa voltou a criar algum ‘frisson’ entre os dois partidos que integram a coligação. Mais recentemente a insistência por parte do Governo numa política cumulativa de sucessivas austeridades com o consequente disparar de uma ‘espiral recessiva’ voltou a animar o ‘inner circle’ das divergências (partidárias). 

Recados e percalços indirectos como a ausência de Paulo Portas em Belém, na cerimónia de posse de 2 ministros, remoques encomendados ao ‘ventríloquoPires de Lima, tornam (demasiado) audível o catatónico pulsar da actual coligação.

A recente posição do CDS em relação à candidatura autárquica do PSD à Câmara do Porto link, embora formalmente possa ser inserida num âmbito diferenciado do acordo de incidência governamental, não deixa de ser um importante indício de que a convergência demo-liberal para Governar o País está agonizante.
A crise tem provocado muitos estragos em todo o País e, naturalmente, ameaça 'quebrar o pote' que tão diligentemente foi 'capturado' em Junho de 2011.

Momento de poesia




Oh, minha Pátria tão bela e perdida!...

Fiquei suspenso, agarrado ao poema
à espera que todos chegassem
para a reunião magna sobre a salvação dos ídolos.
No meio do vazio das ausências inexplicáveis
resolvi sair para a rua para agarrar o sol
mas a cidade tinha entrado em contraluz
e senti-me agarrado pelos braços de ferro
de sombras gigantescas de uma nebulosa negra…

a cidade estava deserta…

Foi o empregado do banco,
esbaforido e a explodir em esgares de pânico,
que me retirou do torpor da minha irrealidade,
quando eu estava a colar
a última convocatória numa parede suja de sangue
(nesse preciso momento eu cantava
o Nabuco de Verdi
Oh, minha Pátria tão bela e perdida!)
Disse-me que tinha estado à minha espera
até ao limite do tempo
para saldar a última conta do último cliente
antes de abandonar  a cidade…

Alexandre de Castro

Lisboa, Abril de 2013

quinta-feira, abril 18, 2013

O estalinismo do presidente de alguns portugueses


Cavaco, com dinheiro do Estado português, deslocou-se a Bogotá, acompanhado da sua inerente esposa, espécie de prótese protocolar, para representar Portugal na inauguração da Feira do Livro, onde Portugal foi convidado de honra.

Pedir a Cavaco para representar Portugal numa Feira do Livro é como pedir a um talibã para representar um qualquer país numa conferência para a igualdade de géneros. Desta vez não levou Santana Lopes e Sousa Lara, sobretudo o último, que censurou ao único Nobel da literatura portuguesa «O Evangelho Segundo Jesus Cristo», no seu Governo.

Faltou-lhe o inefável Sr. Duarte Pio que, perguntado sobre o que pensava de Saramago, como escritor, respondeu: «é uma ganda [sic] merda». E, de seguida, respondendo a outra pergunta sobre se já tinha lido algum livro do referido escritor, disse «não».

Cavaco não é apenas um político sem grandeza, um homem sem dimensão cultural e um cidadão que despreza a cultura. Ele sente orgulho na sua ignorância, é arrogante perante quem prestigia as letras portuguesas e nunca terá ouvido falar da plêiade de escritores para quem a língua foi a pátria ou a ferramenta que levou o nome de Portugal aos meios cultos do mundo.

Ao padre António Vieira há de julga-lo prior da Caparica e ao padre Manuel Bernardes cónego de algum cabido de qualquer Sé de província. Aquilino é um nome que jamais conheceu mas Saramago, o Nobel do nosso contentamento, não pode ter deixado de ouvir falar, ao menos pelo escândalo da censura feita pelo seu Governo.

Cavaco não causou escândalo entre os escritores que ontem o ouviram em Bogotá, nem entre os portugueses que o conhecem, a única surpresa é a desfaçatez com que apaga da galeria dos famosos o mais conhecido dos escritores portugueses de sempre.

Estaline teria inveja deste seu avatar e da facilidade com que se permitiu ignorar o nome maior da literatura portuguesa contemporânea da galeria de honra das nossas letras.

A mentira, o terrorismo e a catástrofe


Quando um Governo provoca e chantageia os Tribunais não cria um problema político, transforma-se num caso de polícia e a sua substituição já não é só um imperativo ético, é uma necessidade de higiene pública.

O chumbo de quatro artigos do OE 2013 continuam a ser a arma de arremesso com que o génio que a troika recomendou para ministro das Finanças encobre a sua derrapagem orçamental.

Se, por hipótese, o PR reincidisse na incúria de não pedir a fiscalização do OE 2013, se os deputados da oposição e o Provedor de Justiça se tivessem abstido de zelar pela CRP, isto é, se o Governo tivesse visto aprovar o Orçamento com que quis afrontar o TC, nem assim se teriam equilibrado as contas públicas.

O processo de intoxicação em curso procura fazer esquecer uma derrapagem orçamental incomparavelmente superior aos 1.300 milhões de euros atrás dos quais se esconderam a troika e o seu Governo. O TC, na honrada apreciação que fez do OE 2013, na coragem com que resistiu à chantagem de alguns abjetos governantes e deputados e na coerência que manteve na jurisprudência, já feita no OE 2012, acabou por fornecer um álibi a este Governo e à troika cuja incompetência nas previsões seria justa causa de despedimento.

A forma sádica como Portugal está a ser tratado, agravada pela incompetência de quem aconselhou o Governo que lhe tributou uma fidelidade canina, é uma atitude que já atingiu o ponto de saturação dos contribuintes, ultrapassou o nível de sofrimento que um povo pode suportar e a dívida que, neste montante e a estes juros, nenhum país, por mais anos por que seja diferido o seu pagamento, conseguirá pagar.

O Governo, esgotado nas soluções, humilhado com os resultados e confrontado com as promessas, esqueceu os ataques torpes à oposição e acabou a pedir aos funcionários da troika para comprometerem o PS no buraco que cavaram e na procura de um rumo que, até agora, foi incapaz de encontrar.

Finalmente, o Governo viu que não estava preparado para resolver as dificuldades que a crise internacional agravou à débil economia periférica de Portugal e acabou a implorar ao PS que não lhe fizesse o que os partidos que o sustentam fizeram ao PS, quando lhe chumbaram o PEC IV, com os conhecidos e irreparáveis prejuízos causados ao país, na ânsia de assumirem o poder com quem não tinha a mínima competência para o exercer.

Nem lhes tremeram os joelhos ao votarem ao lado do PCP e do BE que coerentemente, por opção ideológica, se lhe opunham. O Governo e o PR, que o ajuda, são responsáveis pelo beco a que nos conduziram.

O Governo não pede ao PS que seja bombeiro, pede uma carta de conforto e um fiador.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, abril 17, 2013

A fé é que os salva

E a superstição embrutece-os

Estavas, linda Inês, posta em sossego…

Lisboa, 16 abr (Lusa) - O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, convidou hoje o secretário-geral do PS, António José Seguro, para um encontro a realizar na quarta-feira de manhã, tendo em vista um entendimento sobre as medidas para a consolidação orçamentallink

Pouco há a dizer sobre este convite. Pior, nada a esperar deste encontro.

Para qualquer coimbrinha 'isto' enquadra-se naquela histórica expressão:  Agora é tarde, Inês é morta!

Momento de poesia




E este é o mundo que nos pertence…

Ao Jorge, o meu amigo/irmão


Mãos cheias de nada
e de vento
uma lágrima de sangue de uma criança
brilhando ao sol
ossos da fome pendurados na esquina
da esperança
olhares aflitos a sufocar os gritos
contra os muros da indiferença
mãos que falam e se agitam
e todo o mundo separado
pela fronteira da cegueira
E este é o mundo que nos pertence
e que nos deixaram
e que se perdeu na esfera do tempo
sem qualquer mudança!...

Alexandre de Castro

Lisboa, Abril de 2013

terça-feira, abril 16, 2013

Melo Antunes – Uma biografia política


No magnífico ambiente do Café Santa Cruz que um presidente da junta de freguesia quis confiscar para sede, foi apresentado esta tarde o livro «Melo Antunes – Uma Biografia política». Com palavras de Maria Inácia Rezola – a autora –, e do generoso capitão de Abril, Vasco Lourenço,  soube-se um pouco mais do intelectual destacado, melómano exigente e humanista de enorme dimensão ética – Melo Antunes.

Evocaram-se os mortos e convocaram-se os vivos para a homenagem à epopeia do 25 de Abril, onde o intelectual e patriota Melo Antunes teve um lugar de grande destaque.

Quando temos um Governo que abomina Abril e um PR que distingue com dificuldade o 25 de Abril e o 28 de Maio, com um povo que esquece a data maior da nossa História, foi uma felicidade recordar a data e os protagonistas da mais bela Revolução do século XX.

No Cantinho dos Reis, em Coimbra, perante a felicidade do Reis, enquanto jantávamos, era o amor a Portugal, a saudade da Revolução e a mágoa do estado a que chegámos que uniu seis democratas numa homenagem a um dos maiores pensadores do século que nos coube.

Vasco Lourenço será sempre referência da data maior da nossa História e Melo Antunes o intelectual que traçou o caminho de uma Revolução que, metódica e cinicamente, este Governo quer apagar.

Uma noite como a de hoje é um marco na vida de quem não esquece Abril e não deixará que o apaguem.      

ALGUMAS IDEIAS TOTALMENTE DISPARATADAS - II

Como disse no post anterior com o mesmo título deste, Miguel Sousa Tavares, no seu artigo publicado no último “Expresso”, considera que a nossa Constituição é grande demais, por consagrar demasiados direitos dos cidadãos. Refutei então essas afirmações. A Constituição não é grande demais nem consagra demasiados direitos.

No entanto, se houvesse algum interesse – e não há – em a Constituição ser mais pequena e consagrar menos direitos, tal seria teoricamente possível, sem que os portugueses deixassem de ter esses direitos. É que, contrariamente ao que pensa MST, esses direitos não são uma “originalidade” da nossa Lei Fundamental nem foram inventados pelos deputados da Assembleia Constituinte. Esses direitos – designadamente o direito ao trabalho e a uma remuneração condigna, o direito a formar sindicatos, o direito à greve, o direito à segurança social, o direito a um nível de vida suficiente e a uma habitação condigna, o direito à saúde, o direito à educação – encontram-se consagrados em tratados internacionais a que Portugal está vinculado, designadamente o “Pacto Internacional Sobre Os Direitos Económicos, Sociais E Culturais” adotado por resolução da ONU de 1966, que, aprovado para ratificação pela Lei n.º 45/78 de 11 de julho, publicada no Diário da República, I Série, n.º 157/78, entrou em vigor na ordem jurídica portuguesa em 31 de outubro de 1978. Assim, mesmo que a Constituição não consagrasse explicitamente esses direitos, sempre o Estado Português estaria obrigado a respeitá-los e a promovê-los.

Mas, como se disse, há todo o interesse em que tais direitos constem da Constituição. Por um lado, a maioria dos portugueses não conhece aquele tratado, sendo-lhe mais acessível o seu conhecimento através da Constituição. Por outro lado, a sua inclusão explícita na Lei Fundamental vem reforçar esses direitos e a obrigação para o Estado de os promover.

Como dizem os franceses, “cela va sans dire, mais cela va encore mieux en le disant”. Ou, como doutrinavam os juristas do velho direito romano, “quod abundat non nocet”.

Acórdão do TC, aleivosias e indigências presidenciais…

Fotomontagem do Blog ‘nós na rede’ / JN link

Cavaco Silva, de visita oficial à Colômbia, ao que parece resolveu inaugurar a campanha eleitoral com vista à sua sucessão.
Aproveitou o ensejo de estar rodeado de jornalistas para elogiar o seu correligionário de partido Durão Barroso. link

Endossou-lhe os louros sobre uma hipotética preservação da imagem externa do País. Trata-se de mais uma visão oblíqua sobre o acórdão do Tribunal Constitucional. Na verdade, em todo este processo, não podemos deixar de realçar a posição comum entre a Comissão Europeia (presidida por Barroso) e a posição da Alemanha (veiculada por Schauble). De facto, a posição mais chocante sobre o processo em análise pode traduzir-se na seguinte notícia: “A Alemanha e a Comissão Europeia avisam que Portugal tem de apresentar medidas alternativas depois do chumbo do Tribunal Constitucional e alertam mesmo que o país pode ficar sem os 2 mil milhões de euros da próxima tranche do empréstimolink.
Enfim, segundo o que parece legítimo entender-se Cavaco Silva ‘passou-se’ e desatou agradecer publicamente a chantagem com que o directório político europeu resolveu alvejar o País (...à volta da ‘tranche’).

Não vamos chamar a terreiro o público juramento de Cavaco na defesa da Constituição. Mas o distanciamento de Cavaco em relação ao acórdão (que respondeu a dúvidas constitucionais suas) e a peregrina bênção urbi et orbi que quis (ou acedeu) outorgar a um Governo desorientado e incapaz de elaborar um OE sem violar a CRP, retirou-lhe qualquer espaço de manobra no âmbito futuro da política nacional. De modo que, neste prisma, é compreensível a pressa em arranjar um sucessor promovendo, à toa e insensatamente, Durão Barroso.

Nada de politicamente relevante, excepto a demissão do Presidente da República do seu papel constitucional e o aproveitamento partidário que pretende tirar dos seus majestáticos silêncios bruscamente interrompidos por aleivosias.
Os portugueses não esperam atitudes isentas nem posturas de índole republicana vindas de Belém. Nem sequer o mínimo ‘pudor político’.

Sabem que o Presidente ligou irremediavelmente o seu destino a este Governo, sendo legítimo pensar que não tem condições políticas para lhe sobreviver se acaso este Governo cair. Foi deste modo tão ingénuo, fatal e indigente que Cavaco Silva desbaratou o peso do voto popular confiado em Janeiro de 2011. A indigência política é tão aviltante como a maldade e a vingança.