sexta-feira, maio 31, 2013

O circo à volta de um círculo vicioso…

Com a economia a cair, Portugal tem um indicador em constante subida: a taxa de desemprego. O índice voltou a bater um novo recorde, com os 17,8 por cento registados em abril. No mesmo mês, o Eurostat aponta o também recorde de 42,5 por cento no desemprego jovem…link

Não saímos da cepa torta. O Governo especializou num mister muito peculiar: a digestão de maus resultados, uns atrás dos outros, convicto que o ‘enfartamento’ não surgirá. A legislatura é de 4 anos. Estamos praticamente a meio desse período e quanto a resultados vamos ouvindo e delapidando a paciência com promessas: No final do ano o desemprego estacionará, os jovens vão ter acções de formação (para ?...), etc.

Qualquer cidadão já percebeu que o plano de ajustamento económico e financeiro, defendido a ferro e fogo por este Governo, baqueou face a tão desastrosos resultados. Mas possesso este Governo agarrado a uma deriva neoliberal ensaia (mais) uma fuga em frente.

Primeiro, o Ministro da Economia face a esta tragédia discorre sobre ‘luxúria’, ou melhor, diz que a actual taxa de desemprego é um luxo a que os cidadãos se entregaram link, supõe-se que inopinadamente (só faltou dizer para viverem sem trabalhar). As políticas governamentais – ao que é legitimo supor da avaliação do Sr. Ministro – estarão isentas de qualquer ‘pecadilho’.

Seria bom que este político explicasse o que significa este alto índice de desemprego no dito processo de ajustamento. Todos (os cidadãos minimamente informados) percebemos que o País sem dispor do instrumento da desvalorização monetária para tentar sair da crise foi empurrado no sentido de proceder a uma profunda desvalorização fiscal e salarial o que provocou o aprofundamento da crise económica (colapso) e o resultado que está ‘teimosamente’ a aparecer é o grassar do desemprego. Desde o início que este Governo pretende esconder a vertente económica desta crise. Esta é a ‘espiral destrutiva’ (já não é só recessiva) que o recente orçamento rectificativo vai intensificar. Já todos percebemos que este ciclo só terminará com uma profunda depressão onde o ‘estoiro’ é mais do que certo.
Estas as ‘nuvens’ negras que pairam no exacto momento em que o Governo pretende ‘emendar a mão’ de medidas inconstitucionais link - ao que parece com novas ‘inconstitucionalidades’!…

CONTINUA O ATAQUE RAIVOSO AO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL


O contumaz fora-da-lei Passos Coelho continua a ladrar às canelas do Tribunal Constitucional. Ainda ontem foi visto na TV a dizer que as “medidas” que anda a preparar para ir mais uma vez ao depauperado bolso dos contribuintes são provocadas pela decisão daquele Tribunal, quando a verdade mil vezes repetida é que, se “buraco” há, ele resulta de o seu governo e a sua coligação terem dolosa e provocatoriamente apresentado um orçamento de Estado recheado de normas inconstitucionais.


Mas isso é o menos, pois já ninguém dá crédito ao que diz esse mentiroso profissional. O pior é que a comunicação social, por cumplicidade ou imbecilidade, repete o mesmo discurso. Só uma única vez é que ouvi um jornalista dizer as coisas corretamente, referindo-se ao “buraco” gerado “pela inconstitucionalidade de algumas normas do orçamento”.

Quando é que os nossos jornalistas aprenderão a não se deixar levar na onda do discurso oficial e a informar o público como deve ser?

Notas soltas: maio/2013

1.º de Maio – Quem assistiu em Lisboa ao primeiro 1.º de Maio em liberdade, em 1974, não pode deixar de refletir sobre o medo e o desânimo que domina a sociedade onde todos os dias crescem o desemprego, a fome e o desespero.

Hungria – A extrema-direita ganha terreno e regressaram o racismo, a xenofobia e as perseguições aos judeus. Os demónios totalitários acordam num país que viveu entre a euforia fascista que antecedeu a guerra de 1939/45 e a opressão comunista posterior.

8 de maio – Sessenta e oito anos após a capitulação do exército nazi, em Berlim, renascem os demónios totalitários que deram origem à maior tragédia do século XX. É a história a repetir-se num misto de farsa e de tragédia.

CDS – A intriga e a chantagem têm sido, como sempre foram, as armas de Paulo Portas, contra o PSD, no moribundo Governo da coligação. Ele pode enganar todos os portugueses uma vez, alguns, várias vezes, mas ninguém se deixará enganar sempre.

Espanha – O Tribunal Constitucional, ao suspender a declaração soberanista aprovada pelo Parlamento catalão, sem decidir se o texto viola ou não a Constituição, adiou o problema que pode arrastar a Espanha para a desintegração.

PSD – A celebração do 39.º aniversário sem um único ex-presidente, é a prova cabal de que, além de Cavaco Silva, já ninguém suporta Passos Coelho. Estava no lugar certo, à hora certa, este homem errado em qualquer altura.

Itália – A morte de Giulio Andriotti, aos 94 anos, deixou de luto a democracia cristã, o Vaticano, o Estado italiano e a Cosa Nostra. Surpreende que o CDS não tenha proposto um voto de pesar na A. R..

Paulo Portas – Ao dizer que é politicamente incompatível com taxa das pensões, não pretende defender os pensionistas mas garantir a manutenção de um eleitorado que lhe prolongue a permanência na cena política.

Cavaco Silva – Não é má vontade nem perseguição aos que, sendo políticos, fingem que o não são. Ao alinhar o plural de “cidadão” com o de “melão” mostra que a gramática não lhe merece maior cuidado do que o País.

Fernando Negrão – A Constituição da República de um país democrático deve ser objeto de culto e respeito na aprendizagem. O presidente da Comissão dos Assuntos Constitucionais, ao opor-se ao seu ensino, revela um intolerável preconceito ideológico e desprezo pela lei fundamental.

Itália – O país ameaça tornar-se ingovernável e continuar paralisado, esmagado entre o populismo de Belusconi e o do antipolítico Grillo. A crise que percorre a Europa agrava-se com o desespero e imprudência do eleitorado.

Coreia do Norte – A insistência no disparo de mísseis ameaça eternizar-se numa chantagem permanente, com objetivos pouco claros mas indiscutivelmente perigosos. Enquanto o povo morre de fome o amado líder é o biltre que ameaça uma catástrofe.

A. R. – A aprovação do diploma do PS sobre coadoção por casais ou unidos de facto, do mesmo sexo, estende o vínculo de parentalidade de um dos elementos do casal ao cônjuge que ainda não o possui em relação ao filho biológico ou adotado.

Aznar – O regresso a Espanha e a avidez política puseram a nu o passado obscuro do entusiasta da invasão do Iraque. Foram revelados os recebimentos indevidos e a tentativa de «compra» da mais alta condecoração americana, com dinheiro alheio.

Conselho de Estado – Quando uma reunião relevante foi anunciada por um conselheiro, convocada por email, esqueceu o feriado dos Açores e, perante a aflição dos portugueses, teve como agenda o futuro longínquo, só podia ser um fracasso.

Francisco – A imposição das mãos a um deficiente que entrou em convulsão e as explicações contraditórias do exorcista oficial e do porta-voz do Vaticano ressuscitaram a discussão da prática medieval de expulsar demónios, moléstia que só atinge crentes.

Miguel Sousa Tavares – A indelicadeza com que se referiu ao titular do cargo de Presidente da República diz mais sobre a perda de prestígio do ofendido do que sobre a civilidade do escritor. Aliás, palhaços fomos nós, eleitores, votando em quem votámos.

CRP – A rudimentar preparação política deste Governo levou o ministro Poiares Maduro a criticar a Constituição. Portou-se como o PM, a quem o presidente do Tribunal Constitucional teve de explicar que a CRP é a matriz do nosso ordenamento jurídico.

Aquilino Ribeiro – Passou, no dia 27, meio século sobre a sua morte. Aquilino é um estilista singular e autor de uma obra ímpar. Um democrata que merece ser honrado e grande escritor a que é urgente voltar.

Itália (2) – As eleições municipais, as menos concorridas de sempre, apagaram a estrela de Beppe Grillo, o palhaço que logrou a grande vitória nas eleições legislativas. Os países, por maior que seja o desencanto, acabam por regressar ao bom senso.

Venezuela – Morto Hugo Chávez, um líder autoritário e populista, mas amado pelo povo, começaram as manobras de sabotagem económica para justificarem o golpe de Estado que inverta o curso político e restaure os interesses da alta burguesia.

Islão – A demência dos convertidos, intoxicados nas madraças e mesquitas, está na origem dos ataques a soldados em Londres e Paris. A democracia não se compadece com a vontade de Deus explicada por pregadores terroristas. É preciso vigiar os púlpitos.


quinta-feira, maio 30, 2013

Uma notícia de encomenda

Não sou dos que nunca se enganam e raramente têm dúvidas.

Juro mas não aposto, é a  expressão atribuída aos judeus, num dito humorado, a fazer esquecer o antissemitismo ancestral.

Juro, pois, que a capa do «I» é uma encomenda para fingir que o PSD não faz escolhas políticas, quando é tradicional no bloco central ser presidente da CGD um gestor do partido da oposição.

Neste caso apresentam Luís Amado como sendo do PS, sendo verdade que foi ministro de Sócrates, mas um falcão alinhado pela política republicana dos EUA e solidário com todas as medidas do atual Governo.

Luís Amado foi o ministro do PSD que sobraçou a pasta dos Negócios Estrangeiros no Governo do PS.

A nomeação de Luís Amado para a CGD teria a dupla vantagem de parecer um ato de simpatia para com o PS ao mesmo tempo que garantia um indefetível liberal da direita jurássica com rótulo de esquerda.  

A Constituição, o Governo e o PR

Não sei se é, neste Governo, maior a incompetência, a desfaçatez ou o atrevimento. Em relação à Constituição tem duas posições: ou a viola toscamente ou legisla ao arrepio do que ela prevê.

Depois de dois chumbos em outros tantos Orçamentos de Estado, em vez da prudência que a experiência aconselharia, levando-o a refletir na legislação que produz, quiçá na presunção da cumplicidade do PR, reincide na asneira, retoma a provocação e manda o ministro Maduro condenar a CRP, a moldura insubstituível do ordenamento jurídico.

O Governo, desde o irrelevante putativo líder, até ao azougado ministro Maduro, um académico à procura do fato de ministro, sem discernimento para perceber que a crítica, que é permitida a um professor, não é tolerável num governante, o Governo – dizia –, é o principal fator de instabilidade no País, sem menosprezar o contributo precioso de Sua Excelência o Presidente da República.

As «entidades intermunicipais não podem ser consideradas autarquias porque não estão previstas na Constituição», razão óbvia para que o Tribunal Constitucional chumbasse a lei autárquica do Governo para quem a CRP, que o PR jurou respeitar e fazer respeitar, é um mero estorvo à deriva inconstitucional de um governo com ministros totalmente incapazes e outros capazes de tudo.

Desta vez nem o PR, reincidente na distração que a Constituição lhe merece, deixou de submeter ao TC o primarismo legislativo do Governo de que o País o acusa.

Se o PR arrepiasse caminho e ouvisse mais os constitucionalistas e menos a Senhora de Fátima talvez pudéssemos ter um Governo que, não estando à altura de ser bom, tivesse o bom senso de mandar calar um deputado que não quer a CRP estudada nas escolas ou um ministro estagiário a condenar a Constituição.

Não se pode esperar muito do PR que deixou o seu gabinete conspirar contra o anterior PM, que se queixou da falta de dinheiro para pagar as contas e convocou um Conselho de Estado para justificar o comunicado que levava escrito, mas pode exigir-se-lhe um módico de dignidade nos três longos roteiros que ainda faltam para terminar o mandato.

Basta não deixar à solta o bando de ministros capazes de tudo e não insistir em manter tal gente até que o caso dos submarinos – a fazer fé em Mário Soares –, liberte Paulo Portas para terminar com o pungente estado terminal de um governo exausto e perigoso.

Evitará os epítetos de que é alvo pelos descrédito que levou ao cargo que ocupa.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, maio 29, 2013

O Islão, a fé e a liberdade


O suspeito de atacar um soldado em Paris é, à semelhança do que ocorreu em Londres, outro convertido ao islamismo que o ministro do Interior francês designou «defensor de um islamismo tradicionalista e radical», como se houvesse um islamismo diferente.

Esquecem as almas piedosas, habituadas a crer em afirmações para as quais não exigem provas, que o respeito pelas outras religiões ou pelas ideias dos não crentes não tem o mais leve acolhimento nos textos sagrados de qualquer monoteísmo, donde se conclui que o alegado apelo ao ecumenismo não passa de um golpe de marketing para disfarçar a vocação totalitária do proselitismo.

Se a Igreja não tivesse sido politicamente reprimida no Ocidente, não teria sido possível o livre-pensamento. A liberdade religiosa só foi aceite pela Igreja católica no Concílio Vaticano II, sem evitar o posterior azedume de Bento XVI e o mais absoluto repúdio da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) cujo antissemitismo demente levou à cisão com o Vaticano, que a excomungou, para voltar a ser desexcomungada por Bento XVI.

Os crentes moderados são fundamentalistas sedados ou detentores de uma fé que os leva a acreditar em dias alternados ou a desconfiar em intermitência.  

O combate às crenças religiosas (não a perseguição aos crentes) é uma necessidade para evitar a detonação do ódio e dos crimes daí resultantes, porque há uma ligação evidente entre as crenças e a ação.

Como é que um islamismo moderno e não radical, se o houvesse, entenderia estas duas passagens do alcorão?

- «Ó Profeta! Combate os descrentes e os hipócritas! Sê implacável com eles. E a sua morada é o Inferno – e que péssimo destino. (9:73)

- «Ó fiéis, combatei os vossos vizinhos incrédulos para que sintam severidade em vós; e sabei que Deus está com os tementes. (9:133)

A tolerância generalizada no mundo islâmico para com os comportamentos terroristas dimana do próprio Islão que, para além do Corão, conta com a literatura dos hadiths que o excede. Basta um único exemplo para se apreciar o carácter pacífico do Islão:

«A jihad é o teu dever sob qualquer governante, seja ele ímpio ou devoto».

Muitos crentes católicos, que nunca leram o Levítico ou o Deuteronómio, ou que apenas os ignoram, ficam ressentidos com a persistência na denúncia dos crimes religiosos mas a obstinação em frases sem sentido, como «islamismo tradicionalista radical», é suicida.

São expressões politicamente corretas, mas falsas, que fomentam a condescendência com os crimes religiosos, como se a fanatização de crianças em nome da fé diferisse da preparação para integrar uma associação de malfeitores laicos.


A cumplicidade dos Governos laicos com as religiões dominantes retira argumentos à luta contra a dominação do poder e das consciências pelas religiões mais implacáveis.

Venezuela

Morto Hugo Chávez, um líder autoritário e populista, mas amado pelo povo, começaram as manobras de sabotagem económica para justificar o golpe de Estado que inverta o curso político e restaure os interesses da grande burguesia e do capital financeiro.

28 de maio de 1926

Hoje é um dia de luto para os democratas e, muito especialmente, para os republicanos.

Há 87 anos, um levantamento militar, de índole nacionalista e antiparlamentar, trazia já no bojo o fermento totalitário que começou por uma ditadura militar e acabou na tirania fascista, depois de ter sido designada como Ditadura Nacional.

Gomes da Costa saiu de Braga, uma cidade moldada pelo catolicismo mais reacionário, e acabou aclamado na Avenida da Liberdade, em Lisboa, à frente de 15.000 homens.

Era a desforra de monárquicos miguelistas, do catolicismo caceteiro e de todos os órfãos de João Franco ou de Paiva Couceiro. António Sardinha, Hipólito Raposo e Rolão Preto eram os ideólogos do integralismo lusitano cujo ódio à República rivalizava com o ódio à monarquia constitucional. Era a liberdade que os intimidava na desvairada deriva que já percorria a Europa e desaguaria no Fascismo.

O Centro Académico da Democracia Cristã (CADC), organismo pouco recomendável, forneceria os quadros do que viria a ser a mais longa ditadura europeia. A Constituição Política de 1933 definir-se-ia como antiparlamentar. A aliança da Igreja católica foi o esteio da longa ditadura. Salazar foi o algoz de serviço mas não lhe faltou a bênção do cardeal Cerejeira e o apoio e admiração do fascismo internacional.

Perseguições, prisões arbitrárias e sem culpa formada, torturas, assassinatos, degredo, demissões da função pública, violação da correspondência e toda a espécie de sevícias foram reservadas para os adversários políticos. O divórcio era proibido. A mulher era impedida de administrar os seus próprios bens, função do «chefe de família».

A instrução obrigatória passou a 4 anos para rapazes e 3 para raparigas. As escolas eram separadas por sexos e até a Irmã Lúcia acabou por confessar ao cardeal Cerejeira que Salazar era o «enviado da Providência», a mesma expressão que o Papa de turno usaria para se referir a Mussolini.

Dessa longa noite, das arbitrariedades e dos crimes que colocaram Portugal na cauda da Europa recordo os altos níveis de mortalidade infantil e materno-fetal. Portugal não era a casa comum dos portugueses, era a prisão onde viviam a fome, a ignorância e o medo.

No perigoso declive em que nos encontramos urge defender o que resta das conquistas do 25 de Abril e gritarmos a plenos pulmões: «Fascismo nunca mais»!

A única conquista irreversível foi a descolonização, com todos os dramas que a insânia fascista provocou.

terça-feira, maio 28, 2013

Portugal, a dívida e o castigo

A troika, à boa maneira protestante, escolheu Portugal para o obrigar, de forma sádica, à expiação do pecado da dívida. Nem o facto de Portugal ter sido vítima dos mercados, a que não são alheias as instituições financeiras que os desregularam e, simultaneamente, nos conduzem no que chamam o equilíbrio das contas públicas, as conteve na crueldade da receita.

A penitência tem o toque perverso de serem os algozes a escolher os sequazes. O nível dos juros e a espiral recessiva que caminha para a depressão, levou vários economistas a condenarem o caminho, por ser errado, e a violência do castigo, por ser cruel.

 O Nobel da Economia, Paul Krugman, através do New York Times, refere a situação portuguesa como um pesadelo insuportável. Não é adepto do «custe o que custar» e é sensível ao desemprego dramático e à destruição metódica e sistemática das unidades familiares de negócio, “o núcleo da economia e da estrutura social”. Ao mesmo tempo que discorda do modelo económico de que Portugal tem sido um laboratório, acusa a liderança da UE de ser tão irresponsável como nós portugueses consideramos a nossa.

O pesadelo económico-financeiro a que nos condenaram é o resultado de uma deriva de natureza ideológica que se afigura como vingança contra um País que ousou acabar com o colonialismo, implantar a democracia e sonhar com um modelo social.

Não faltaram os carrascos para irem além da troika e atirarem um milhão de portugueses para o desemprego e o desespero, enquanto, a conta-gotas, ameaçam e paralisam o País.

A incompetência e a maldade uniram-se numa coincidência trágica de uma maioria, um Governo e um Presidente, com as pessoas mais certas para o mais errado dos percursos.


Assim, não. Não podemos permitir que façam de nós as cobaias do regresso ao passado. 

segunda-feira, maio 27, 2013

Aquilino Ribeiro – um escritor que fez escola - 50.º aniversário da sua morte


Há cinquenta anos faleceu Aquilino Ribeiro, o maior prosador da língua portuguesa da primeira metade do século XX.

A mãe quis destiná-lo ao sacerdócio e foi no seminário que aprendeu decerto o encanto da língua e o desencanto da fé. Aliou a carreira de êxito literário à intervenção política e ao combate cívico, primeiro pela República, depois contra a ditadura.

Sou suspeito a falar de Aquino, que li  muito novo, onde encontrei palavras do meu avô materno e pessoas iguais às que eu conheci. Escreveu sobre gente e paisagens que me eram familiares e o Malhadinhas era a síntese de vários aldeões vivaços e atrevidos que me tratavam por menino por não ter pergaminhos para me dizerem, ora oiça, meu fidalgo.

Escreveu «Quando os Lobos Uivam» num tempo em que as feras andavam à solta e os Tribunais Plenários ao serviço da canalha fascista. Com Aquilino vivi as histórias do volfrâmio de que o meu avô falava e apreendi que as sotainas não escondiam a virtude apregoada e que «Anda(va)m Faunos pelos Bosques».

Manejou a pena e a escopeta, com igual entusiasmo, ao serviço de uma República laica e democrática. A paixão da escrita e da liberdade foram o desígnio do beirão moldado pela rudeza das terras onde nasceu, donde resgatou para a literatura os regionalismos e para a sátira os costumes. A prosa fez dele o estilista que o salazarismo quis esconder e a democracia esqueceu mas a riqueza da sua escrita moldou os que aprenderam nele o gosto pela língua e o amor à liberdade.

Só em 2007 a Assembleia da República decidiu trasladar os restos mortais de Aquilino para o Panteão Nacional, perante o azedume dos que nunca o leram e viam no maçon e, quiçá, carbonário, um expoente da inteligência, cultura e espírito revolucionário.

No 50.º aniversário da sua morte, penso em « Príncipes de Portugal. Suas grandezas e misérias», e é a mestre Aquilino que agradeço ter-me ensinado a conhecer e a amar as terras e gentes da minha infância, a língua que escrevo do povo que sou e a irreverência que me acompanha.

As bombas do jovem anarquista detonaram sem estragos de maior mas a prosa deliciosa anda por aí à espera de quem frua o prazer de a resgatar das «Arcas Encoiradas» para  visitar A Casa Grande de Romarigães, descobrir «S. Bonaboião, Anacoreta e Mártir»,e tantas outras pérolas da literatura portuguesa.

Mestre Aquilino, cinquenta anos depois da sua morte, é ainda o herói desconhecido e a referência culta que me conduziu até Saramago.

Abusos da Igreja católica

Espanha sente necessidade de denunciar a Concordata. E nós?

http://elpais.com/elpais/2013/05/24/opinion/1369406456_822152.html

domingo, maio 26, 2013

A sorte que nos coube


A laicidade como condição de paz e sobrevivência

Repetir é didático. Reitero a minha determinação em defender todos os crentes de todas as religiões e em combater todas as crenças prosélitas, totalitárias, racistas, xenófobas e misóginas.

Os pregadores do ódio que nas mesquitas e madraças acirram os crentes contra os infiéis não fazem mais nem pior do que os cristãos, ao longo dos séculos, contra muçulmanos e judeus, ou estes contra os muçulmanos da Palestina.

Não podemos consentir que todos os crentes de uma ideologia totalitária vivam reféns do medo e da vingança tal como não podemos deixar-nos ficar à mercê dos que julgam ter o Paraíso à espera depois de nos liquidarem.

O primarismo islâmico, exacerbado pelo fracasso da civilização árabe, é terreno fértil para a conversão e espaço assassino para os apóstatas. O fanatismo dos convertidos é hoje tão ardente como o dos primatas que corriam ao apelo dos papas para as Cruzadas ou ao dos monges que ateavam as fogueiras da Inquisição.

É difícil convencer Governos democráticos a abstraírem-se dos votos, a pensarem nos deveres cívicos e de que é intolerável que as crianças cresçam sob a fanatização das crenças, tantas vezes patrocinadas por eles nas escolas públicas, mas é intolerável que qualquer religião goze de privilégios diferentes de outra associação cívica.

Não cabe aos Estados pronunciarem-se sobre as virtudes de um credo ou definir direitos em função do número de fiéis. Tal como acontece com os partidos políticos, que partem em igualdade de direitos para cada escrutínio, assim deve ocorrer com todas as crenças, em cada dia, e serem objeto de vigilância quando a sua perigosidade o justifique.

O racismo é execrável e o respeito pelas minorias uma exigência ética e democrática. Só não podemos conceder a nenhum Deus ou à sua ausência que o apelo à violência ou o direito de impor os preconceitos de uma religião se sobreponha ao Código Penal de um País laico e democrático.

Um incitamento ao crime é um crime em si mesmo, ainda que venha na Tora, Bíblia ou Corão, e não se vê que seja racional aceitar cultos de religiões que nos países onde são poder proíbem as que os consentem.

A paz e a liberdade não podem ser deixadas ao arbítrio de Deus, têm de ser a exigência de quem prefere morrer pela democracia a vegetar numa teocracia.

sábado, maio 25, 2013

O Vaticano, o Diabo e o exorcismo

A possessão demoníaca, uma moléstia que só ataca os crentes e cuja cura só pode ser efetuada por um sacerdote com alvará episcopal, sobreviveu à erradicação da varíola.

O diagnóstico diferencial não existe e é impossível ser estabelecido por médicos porque as moléstias da alma são males cuja cura resiste aos fármacos e só cede perante orações apropriadas, sob a ameaça do crucifixo e com o denodo de um presbítero encartado.

O número de endemoninhados recuou com a alfabetização, a alimentação equilibrada e a ciência, mas o Diabo, fonte de receita eclesiástica, nunca deixou de supliciar as almas pias e de exigir o recurso ao exorcismo, único demonífugo de efeitos comprovados.

Não admira, pois, que em épocas de desespero, com o presente negro e o futuro incerto, os demónios adormecidos venham desafiar a sanidade de um povo que ainda oferece a bilha de azeite a um santo pela cura de um parente ou o pé de porco pela de uma ovelha estropiada.

O bispo de Bragança, com cheiro para o negócio, já disse que se trata de um problema atual e que o bispo diocesano é quem tem habilitações para exorcizar. Na entrevista de hoje, ao DN, parece ter algumas dúvidas, que logo se transformam em certezas, quando os bruxos e ritos mágicos competem com a Igreja católica na clientela dos possessos.

O Papa fez, no Vaticano, o número da imposição das mãos e os esgares do deficiente lançaram a superstição entre os fregueses que hesitam entre a fé e a ciência. O Vaticano confirmou que «o Papa rezou sobre o homem possesso», resumindo nesta curta frase o diagnóstico e a terapêutica.

Em Portugal, com exceção do padre Humberto Gama a quem a Igreja retirou o alvará, sem conseguir fechar-lhe os consultórios de Fátima e Mirandela, o mais experiente exorcista é o padre Duarte Lara, da diocese de Lamego, com cerca de 300 exorcismos e – segundo ele – com tendência para o aumento de casos de possessão demoníaca.

O exorcismo é uma celebração litúrgica, autorizada e praticada pela Igreja católica, com o objetivo de libertar as pessoas possuídas por forças demoníacas.

O número papal, já referido, foi considerado exorcismo pelo padre Gabriele Amorth, o exorcista oficial do Vaticano, considerado a maior autoridade mundial no ramo, diretor de cursos da especialidade no pontificado de Bento XVI. Agora, com o Papa Francisco, o porta-voz da Santa Sé, padre Lombardi, negou o exorcismo da Praça de S. Pedro, dizendo que o Papa se tinha limitado a «rezar sobre o homem possesso».

Independentemente da facilidade com que os dois sacerdotes fizeram o diagnóstico de «possesso», estamos perante duas escolas de exorcismo que se digladiam. E o Diabo, na sua imensa sabedoria, continuará a atacar os crentes e a temer os ateus.


UM GOVERNO DE MALFEITORES

Publicado ontem no "Diário de Coimbra":


O governo, não contente em violar consciente e repetidamente a Constituição da República, em roubar direitos adquiridos e em não cumprir contratos há muito estabelecidos entre o Estado e os cidadãos - como no caso das pensões - pretende agora obrigar os médicos a cometer crimes.

O fanatismo religioso e a resposta politicamente correta

Cameron diz que ataque em Londres foi “traição ao islamismo”. É a incapacidade de ver que o ataque de Londres é uma manifestação do islamismo, à traição, que impede a repressão aos pregadores do ódio e a contenção do fascismo islâmico.

Se Cameron fosse mais honesto lembraria a Guerra dos Trinta Anos e a carnificina que precedeu a paz de Vestefália que, pela primeira vez, permitiu a liberdade religiosa.


Sobre o Mediterrâneo…

A candidatura portuguesa da Dieta Mediterrânica a Património Cultural e Imaterial da Humanidade da UNESCO é apresentada na quarta-feira, às 12:00, na Assembleia da República ... link.

Este 'interesse' sobre o Mediterrâneo – oportuno sem dúvida – é o revisitar dos nossos pilares civilizacionais onde a dieta (do grego: maneira de viver) é uma pequena porção da vivência mediterrânica onde se cruzam as circunstâncias geográficas (encruzilhada entre Norte de África, sul da Europa e Próximo Oriente) as mitologias (invenção grega que começa com Zeus raptor de Europa), a História (a marcha do Homem nos diferentes tempos), as Filosofias (discursos acerca do Ser) e as Ciências (busca do Saber).

Enfim, o Mediterrâneo é na sua essência – para um viajante do mundo contemporâneo - um espaço de pluralidade e de diversidade. Resumindo: o Mediterrâneo é um vasto e riquíssimo albergue de civilizações que se por lá nasceram, cresceram e sucumbiram, por vezes catastroficamente, mas que deixaram marcas indeléveis que perduram nos dias de hoje e ainda nos influenciam. Foi uma catadupa de civilizações que surgiram à volta de um Mar interior (Mare Nostrum!) dando origem a diversas 'talassocracias'. Como escreveu Braudel (um dos mais conceituados estudiosos do Mediterrâneo): “Não se trata de uma civilização mas de civilizações empilhadas umas sobre as outras”…

Tudo começa em termos de relevância histórica e de futuro na cultura helenística (ou talvez na cultura faraónica do Egipto Antigo), passa por Roma imperial, pela 'onda islâmica' (que ‘varreu’ toda a bordadura norte africana entrou na península ibérica para ser travada em Poitiers), pela dramática ‘Reconquista’ a que se segue o Renascimento, o Iluminismo e a Modernidade. De facto, foi a Modernidade que irremediavelmente ‘matou’ a hegemonia mediterrânica já que – com a revolução industrial – ‘deslocalizou’ a centralidade do Mundo (económico e cultural) para o Norte da Europa e para o Atlântico (América).

Quando em Portugal, nos tempos que correm, se decide valorizar – e ‘sacralizar’ - a dieta mediterrânica que, como sabemos, assenta na clássica trilogia (pão, vinho e azeite) estamos a dar passos importantes para um futuro e profícuo diálogo no seio de uma vasta e múltipla área histórica, geográfica, cultural e política que foi preponderante no Mundo e que hoje passa pelas terríveis dificuldades centradas em modelos de desenvolvimento naquilo que se denomina Europa do Sul, mas também pelas incertezas que pairam sobre as ditas ‘primaveras’ do Norte de África, bem como o trágico e insolvente problema do Próximo e Médio Oriente.

Na verdade, a proposição da dieta mediterrânica como património cultural e imaterial da Humanidade é uma saudável exaltação de conteúdos civilizacionais e identitários (genuinamente ‘mediterrânicos’) que se apresentam como um importante remanescente na cultura portuguesa de hoje. Foi isto que afirmamos em Março de 2002, no I Congresso Português de Cultura Mediterrânica, realizado pela Confraria do Pão (Alentejo), em Terena e que - apesar dos recentes desenvolvimentos - continua válido. É a feliz circunstância de ser um património imaterial. Caso fosse material certamente que 'jazia'  num qualquer off shore.

Espanha infestada de demónios

O regresso de Aznar parece ser alheio a estas precauções

Metáfora sobre os objetivos da convocatória da reunião do Conselho de Estado.


sexta-feira, maio 24, 2013

Não se insulta um dirigente partidário italiano


TIREM DAQUI AS PATAS !


PROTESTO DE DEPUTADOS DO PARLAMENTO EUROPEU CONTRA AS  POLÍTICAS DE AUSTERIDADE E AS INGERÊNCIAS DA TROIKA EM DIVERSOS PAÍSES DA EUROPA

O fascismo islâmico


Nenhum menino nasce assassino mas quando um deus, na sua divina demência, pregada nas mesquitas e madraças, desde a infância, lhe transmite o ódio de que só a xenofobia é capaz, pode surgir o monstro que degola um desprevenido soldado londrino.

«Juramos por Alá, o todo poderoso, que nunca deixaremos de vos combater».

À solta continuam os pregadores do ódio, a corja imensa de parasitas de deus capaz de semear a morte e a tortura em nome de uma esquizofrenia que goza de complacência por se chamar religião.

quinta-feira, maio 23, 2013

A reunião do Conselho de Estado e o Comunicado


O Presidente da República presidiu na segunda-feira à reunião do Conselho de Estado, tendo como ordem de trabalhos o tema “Perspetivas da Economia Portuguesa no Pós-Troika, no Quadro de uma União Económica e Monetária Efetiva e Aprofundada”.

O comunicado emitido é tão pobre na forma e medíocre na substância que não merece a leitura. A reunião anunciada na televisão por Marques Mendes, com larga antecedência, e comunicada aos conselheiros por email, ignorou o feriado da Região Autónoma dos Açores cujo presidente é conselheiro por inerência e que, por isso, não pôde assistir.

Faltou um astrólogo para prever quando colapsa a economia portuguesa e se a Troika se torna desnecessária na data prevista, mas, pelo rumo de Portugal e da própria Europa, o mais difícil é prever a data do naufrágio e, como no Titanic, quem são os sobreviventes.

A notícia de que alguns conselheiros pediram a demissão do atual Governo foi omitida no comunicado e sobre as matérias de maior interesse, tal como em relação a perguntas feitas à P.R., o mutismo é absoluto e só é quebrado pelo titular do cargo para enaltecer a ajuda da Senhora de Fátima que, nesta reunião, parece ter estado ausente.

A única e clara conclusão que um cidadão, sem acesso a fontes privilegiadas, pode tirar é que este Governo só cairá pela mão de Paulo Portas quando os interesses eleitorais do CDS o permitirem.

O PR está refém de Paulo Portas e prolongará a agonia do seu Governo nem que, para isso, tenho de redobrar as orações e ir a pé a Fátima. Portugal pode esperar.

Salvou-se o conclave pela lição que o presidente do Tribunal Constitucional deu ao líder nominal do Governo, designado Constitucional, quanto ao valor da CRP sobre as outras leis. Adivinha-se ainda que a verticalidade de vários Conselheiros impediu que a moção de censura ao Governo se transformasse, no comunicado, em manifestação de apoio a quem governa com igual respeito pelos portugueses e pela Constituição.

A saída do pântano passaria pela dissolução imediata da A.R. e a marcação simultânea de eleições legislativas e presidenciais, com o PR, depois de cumpridas as formalidades legais, a apresentar a sua renúncia. O interesse de Portugal exige o sacrifício pessoal dos que foram eleitos para encontrar soluções e, por inépcia, só agravaram os problemas.

A substituição do PR, do PM e da atual maioria não é só uma exigência ética e política, é já um caso de salubridade pública.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, maio 22, 2013

O novo patriarca de Lisboa


O próximo patriarca de Lisboa aparece amanhã na capa da Visão com a sua última namorada antes de se dedicar aos negócios pios. A foto de dois jovens normais serve para humanizar este intelectual brilhante em cujo proselitismo a Igreja aposta muito.

Trata-se de um monárquico o que é coerente com a tradição da Igreja romana para quem o paradigma é o contubérnio entre o trono e o altar. Proibidos de partilharem a mesma cama, desde 1910, ficou-lhe na matriz genética a perversão que se nota em expressões como: Cristo-Rei, Rainha dos Céus, o trono de Deus, a coroa da Virgem e outras. 

Cartoon


terça-feira, maio 21, 2013

A extinção da Sociedade Portuguesa de Escritores e a violência fascista


Faz hoje 48 anos que o regime fascista assaltou a Sociedade Portuguesa de Escritores, na sequência da atribuição do Grande Prémio de Novelística a Luandino Vieira, autor do livro «LUUANDA» preso político encarcerado do campo de concentração do Tarrafal.

A sede da SPE foi assaltada por 50 “desconhecidos” (polícias à paisana) que destruíram todo o seu conteúdo. No dia seguinte, 22, quatro membros do júri, os escritores Manuel da Fonseca, Augusto Abelaira, João Gaspar Simões e Fernanda Botelho foram mandados comparecer na sede da PIDE durante todo o dia.

Manuel da Fonseca e Augusto Abelaira foram presos, sem culpa formada, e transferidos para Caxias, um hábito de um país pária, com ódio à cultura e à liberdade. Alexandre Pinheiro Torres, que também fez parte do júri, foi preso pela PIDE na terça-feira seguinte, dia 25, às sete horas da manhã.

O ministro Galvão Teles decretou a extinção da SPA. Em 1973 foi criada a Associação Portuguesa de Escritores (APE) com um nome diferente porque Marcelo Caetano proibiu o nome da antiga Sociedade.

Era assim o fascismo. Feio, porco e mau.


O ex-assessor do PM Cavaco Silva


segunda-feira, maio 20, 2013

Momento zen de segunda_20-05-2013


João César das Neves (JCN), quiçá por ausência prolongada de pecados, andou arredado das homilias pias com que agride a inteligência dos crentes e hilaria os incréus.

Na prédica de hoje, neste ano da Graça de 2013, começa por advertir os paroquianos de como procede quem pretende destruir a sociedade: acusar vários réus «do Governo aos bancos, do euro aos corruptos», para advertir que essa forma é ineficaz.

Quando julgávamos que no bem-aventurado brilhava um módico de bom-senso, quis o predicante esclarecer-nos sobre «A verdadeira conspiração», a forma mais eficiente de «conseguir a aniquilação de Portugal». Engana-se quem pensa que a crise económica, ainda que fosse muito mais severa, ou os métodos políticos e militares eram capazes de nos destruir. É muito difícil destruir Portugal – diz JCN.

Mas… «Há uma maneira, e é simples». E está a acontecer-nos. Basta uma conceção que «degrade o conceito de casamento» a que se juntam «as brutais consequências humanas, psicológicas, educativas, culturais e sociais que nascem de famílias em desagregação». Censura a conflitualidade conjugal, explosão de divórcios, desequilíbrio emocional e precarização de relações», mas ignora que tudo acontece por vontade do seu Deus.

JCN adverte que «tudo nasce de uma ideologia lasciva que impõe o postulado de que no sexo todos os prazeres são equivalentes e devem ser excitados». E deplora «este tempo que promove divórcio, aborto, promiscuidade e depravação».

JCN espanta-se que «a população tenha apatia perante a podridão e se assuste com questões económicas, secundárias e passageiras» e não com «a incompreensível, boçal e brutal dissolução familiar», numa referência à lei que prevê a capacidade de co-adoção por casais ou unidos de facto do mesmo sexo, aprovada na generalidade, no Parlamento.

Sem nunca a referir expressamente é a esta lei que chama «A verdadeira conspiração».

Ateo gratias.

Fátima, Conselho de Estado e sentido de Estado


Por mais vergonha que os católicos sintam da instrumentalização da Senhora de Fátima a respeito das decisões da troika, só podem queixar-se de si próprios e do clero que usou três inocentes pastorinhos para o combate contra a República, primeiro, e o comunismo, depois.

Ainda hoje, esquecidas as piruetas do sol, a aterragem do anjo no anjódromo da Cova da Iria e as acrobacias da Virgem no cocuruto das azinheiras, o local goza da promoção do Vaticano e é viagem obrigatório dos papas de turno. Não admira, pois, que as angústias e medos dos portugueses encontrem no joelhódromo de Fátima e na imensidão da maior área coberta da fé – a nova basílica –, a calma que falta numa sociedade torturada pelas inquietações do presente e o desespero quanto ao futuro.

Surpreendente é a invocação da influência de Fátima nas decisões da troika por Cavaco Silva, não na qualidade de um crente em conversa com a mulher, mas na função de PR de um país laico, em declarações aos portugueses.

Compreende-se agora melhor como a cegueira da fé pode perturbar o dever das funções, como foi possível não evitar o apelo à troika, em 2011,podendo deixar-nos a fazer frente à crise sem necessidade de hipotecar a soberania, como sucede com a Espanha, e evitar, com sentido de Estado, o assalto ao poder por esta direita na qual só um crente exaltado confiaria.

Com a dívida incontrolável, o desemprego imparável, a recessão a acelerar, os impostos a dispararem, a emigração a servir de refúgio e o Governo balcanizado, o PR convoca o Conselho de Estado, primeiro através de fuga de informação por um conselheiro, e por emails, depois, para discutir o pós-troika, já perante a inevitabilidade da renegociação com a troika em 2014.

No ambiente surrealista criado só faltava a incompetência da dispendiosa Casa Civil do PR, esquecida da coincidência de datas entre o Conselho de Estado e as comemorações do Dia da Região Autónoma dos Açores, um dia em que Vasco Cordeiro terá de optar entre a presidência das comemorações da sua Região e a estreia no Conselho de Estado.

Viver em Portugal, com Cavaco e Passos Coelho, é como viver em Constantinopla, em 1453, e assistir à discussão do sexo dos anjos com a troika cá dentro. Não desejo ao PR a sorte que os turcos otomanos destinaram a Constantino XI. Os soldados da troika são mais subtis e menos seletivos.

domingo, maio 19, 2013

Miranda do Corvo - Diálogo inter-religioso


Sob o lema “diálogo inter-religioso” realizou-se ontem em Miranda do Corvo, sob o patrocínio da Câmara Municipal, jornal Mirante e ADFP um ciclo de conferências.

O programa teve início às 10H00 com a abertura solene pela Presidente da Câmara e terminou, depois das 18 H00, com a habitual sessão de encerramento com o Diretor do Mirante, Eng.º Carlos Ferreira, um vereador e o Professor  Amadeu Carvalho Homem.

É difícil imaginar numa vila, inserida na sub-região do Pinhal Interior Norte, tão grande atividade cultural e uma soberba IPSS, a ADFP, uma Fundação cujo presidente, além da notável ação solidária exercida, nos brindou com a mais extraordinária conferência, na forma e no conteúdo, de todas as que foram proferidas. Foi breve a dizer o que fez e faz e convincente a transmitir os projetos que tem em marcha. Jaime Ramos, benemérito, ex-político, médico e intelectual, é uma das raras personalidades que poderia e deveria ser o ministro da Segurança Social de um qualquer Governo. Espero, no próximo ano, destinar 0,5% do meu IRS à sua ADFP.

As conferências de carácter religioso refletiram o pensamento de cada crente tal como a  subordinada ao «Ateísmo», que me coube, exprimiu a posição ateísta e a desconfiança sobre a bondade das crenças.

E é sobre este aspeto que quero deixar aqui a reflexão pessoal de quem considera más todas as crenças e bons todos os crentes; de quem entende que se devem respeitar todos os crédulos e desmascarar todas as religiões; de quem defende a liberdade dos crentes mas entende que, à semelhança de qualquer outra associação, todas as religiões devem estar sob a vigilância cívica e sujeitas ao direito penal.

Falei com um judeu, um padre e um frade católicos, e outros crentes mais ou menos ortodoxos mas foi o representante islâmico que num tom carregado de ódio disse que não compreendia que pudesse haver um ateu. Mahomed Abed não percebe o que é a liberdade  ou a democracia porque o fascismo islâmico, um subproduto da falência da civilização árabe, só compreende a alegada vontade de Alá sem qualquer respeito pelas liberdades, direitos e garantias dos cidadãos.

Não esperava ter a solidariedade dos crentes mas não imaginava a raiva do islamita, que contrastava com o judeu e os católicos intervenientes com quem foi possível conversar, amistosamente, durante o almoço.


TESTAMENTO POLÍTICO DO CARDEAL POLICARPO


Já noutro post fizemos referência a uma mensagem política do ex- (ou quase ex-) Cardeal Patriarca de Lisboa, quando Sua Eminência, pouco tempo depois das grandes manifestações de 15 de Setembro passado, se dirigiu à Nação proclamando: “Não se resolve nada contestando!”.

Agora, perante um alargado grupo de estudantes em fim de curso universitário, referindo-se ao futuro nada auspicioso que os espera – desemprego ou emigração – reincidiu no seu apelo ao conformismo – apelo que se presume extensivo a todo o povo martirizado – declarando: “NÃO VOS REVOLTEIS!”

É esta mensagem reconfortante que o Senhor Cardeal, ao cessar as suas funções patriarcais, deixa ao povo português. No fundo, uma mensagem digna do Ulrich: se até os sem-abrigo aguentam, porque não hão de vocês aguentar?

Que Cardeal tão Cerejeira!

sábado, maio 18, 2013

O que poderá estar na forja…

O secretário de Estado da Administração Pública garantiu, em entrevista ao Diário de Notícias, que o novo sistema de requalificação – que está a ser discutido com os sindicatos para substituir a mobilidade especial - não tem como objectivo os despedimentos na função pública e só “em última instância” se admite “a possibilidade de cessação do vínculo”. link

Mais uma medida para ser aplicada em ‘última instância’ e emparelhar com a contribuição de sustentabilidade sobre as aposentações da CGA. Anunciar medidas avulsas com um instinto um pouco canino a fim de marcar território será a nova estratégia governamental. Ninguém sabe até onde este tipo de políticas nos conduzirão.

De facto, estas ‘requalificações’ são estranhas quando o propósito, publicamente assumido, é ‘emagrecer’ a função pública. Mais, requalificar para quê se o mercado laboral não oferece quaisquer tipos de oportunidades de entrada?
Na verdade, este Executivo deixou de governar. Tem-se entretido a levantar hipóteses, num macabro concurso de tentar elaborar uma nova que seja mais tenebrosa do que a anterior.

Mas o ataque à função pública pode esconder situações verdadeiramente macabras. Ninguém percebe por onde começam nem onde acabam as mobilizações especiais (com ou sem ‘requalificações’ pelo meio). Sabendo, todavia, que o problema do recrutamento não se encontra clarificado nem é transparente nem passará a decorrer segundo estritas normas veiculadas a concursos públicos, esta ‘mobilidade especial’ pode muito bem vir a ser um instrumento de ‘depuração’ da função pública, norteada por interesses partidários. Assim, serão mobilizados para o desemprego todos aqueles que não forem da cor da actual maioria, que sejam politicamente incómodos, socialmente activos (sindicalistas), etc.

Há um aspecto que tem sido negligenciado nesta hipótese de ‘grande purga’ apresentada como uma acção ‘voluntária’: escancarar caminho da captura do Estado por interesses partidários.

A Assembleia da República e as leis da família


O projeto de lei de um grupo de deputados do PS, que prevê a capacidade de co-adoção por casais ou unidos de facto do mesmo sexo, foi hoje aprovado na generalidade, no Parlamento, com 99 votos a favor, 94 contra e nove abstenções.

A decisão é, de facto, um problema de consciência mas não se percebia que um cidadão solteiro e homossexual pudesse adotar uma criança e um casal de indivíduos do mesmo sexo o não pudesse fazer. Acresce que o facto de ninguém poder ser discriminado em função da sua orientação sexual, legitima a decisão da AR.

Esperei sempre a ajuda dos psicólogos para a formação da minha própria opinião, mas não tenho dúvidas de que o afeto de que todos precisamos e, em especial, as crianças, não depende da orientação sexual de quem o dedica. Já a oposição parece ter origem em razões de natureza religiosa ou radicada num preconceito.

Surpreende-me, sim, que o CDS, perdida a votação sobre uma matéria que dividiu o seu próprio partido pondere pedir a fiscalização da constitucionalidade. Parece mais uma manobra política eleitoralista do que uma dúvida jurídica legítima. De qualquer modo é um assunto típico da AR e não dos Tribunais.

À luz da minha sensibilidade, saúdo a Assembleia da República pela decisão tomada e felicito todos os deputados que tomaram uma decisão que se me afigura sensata. E saúdo também os que, por razões de consciência e firme convicção de que a sua posição defendia melhor as crianças, votaram em sentido contrário.

Não há verdades únicas nem definitivas. Hoje, está de parabéns a A.R..


sexta-feira, maio 17, 2013

Fernando Negrão e a cidadania


Fernando Negrão, ao opor-se ao ensino da Constituição da República Portuguesa, que o seu partido votou favoravelmente, revela que o preconceito ideológico é nele maior do que o respeito pela lei fundamental. O deputado do PSD rejeita a proposta devido à "carga ideológica muito forte" do documento.

Quando o presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais se comporta assim, não admira que o PR julgue que o plural de «cidadão» acompanha o de «feijão», e reincida na ofensa à gramática num improviso em que rivaliza com Américo Tomás.

Em 1960 fiz o exame do 7.º ano de Organização Política e Administrativa da Nação, que designávamos por OPA, e não senti na nota de 18,3 que me foi atribuída, passe a imodéstia, uma adesão ao espírito do diploma fascista.

Quem me dera ter, nessa altura, esta Constituição para aprender nela a cidadania.

Fátima, troika e milagres


Naquele tempo a Lúcia – segundo afirmou – não sabia ler nem escrever, nem, ao menos, contar os anos, meses ou dias, mas já reconhecia «o anjo que aparecia em forma de um jovem transparente, mais brilhante que um cristal atravessado pelos raios do Sol», que lhe surgiu pela primeira vez na Loca do Cabeço.

O Francisco e a Jacinta, que insondáveis desígnios, adiantaram no caminho da santidade não eram tão perspicazes nas visões nem tão apurados de ouvido.

Era pela Lúcia que sabiam que «Nosso Senhor» andava muito zangado e que a Senhora de Fátima, incomodada com os estados de alma do divino filho, aproveitava para dizer aos pastorinhos que pusessem toda a gente a rezar o terço e para pedirem ao Papa que consagrasse o Mundo ao seu (dela, Senhora de Fátima) coração imaculado.

Em vez de rebuçados caramelizados, embrulhados em papel, a Senhora surgia para lhes dar recados. A princípio, quando as pessoas descriam de tanta aparição, era a República que preocupava a celeste visita mas, com o tempo, depois de 1926, era já a conversão da Rússia que perturbava a Senhora de branco. E a arma para tal desígnio era ainda o terço, como poderoso demífugo capaz de afugentar o comunismo.

Certo, certo, foi o facto de a senhora de Fátima, pseudónimo com que se apresentou na Cova da Iria, ter surgido 7 vezes, a última das quais em rigoroso exclusivo para a Lúcia.

Foi a partir da coincidência e da confirmação do Sr. Presidente da República, alertado pela Sr.ª D. Maria, que eu acreditei no milagre de Fátima para aprovação da 7.ª avaliação do programa de ajustamento português.

Se com 7 aparições a Virgem converteu a Cova da Iria, de manhosos terrenos rústicos, de fraca valia para o setor primário, no promissor setor terciário, no sentido do jargão económico e no místico, dedilhar do terço com os mistérios do rosário, é de crer que a 7.ª aparição da troika fosse o milagre que faltava para tornar a vida dos portugueses num inferno. A Senhora de Fátima estava ao serviço do Céu mas a Troika, não.

quinta-feira, maio 16, 2013

Quando o PR trata assim a gramática...


A convocação do Conselho de Estado


A convocação do Conselho de Estado para analisar a situação portuguesa pós-troika não é um ato político, é um mero exercício académico de bruxos, quiromantes, lançadores de búzios ou de cartas e ofícios correlativos.

Quando se ignora se a troika permanece ou parte e quando o fará, ou se nos abandona, é um exercício surrealista inspirado pela Senhora de Fátima ou por S. Jorge, ou por uma joint venture de ambos.

Dois orçamentos inconstitucionais, a enervamento no Governo, o divórcio da coligação e a grave situação económica, financeira, social e política, são meros danos colaterais do Governo de iniciativa presidencial. As profecias sobre o futuro passaram a ser urgentes após Marques Mendes se ter incumbido de anunciar a reunião do Conselho de Estado.

Somos um país que balança entre os embustes sobre o passado histórico e as utopias que sonhamos desde Alcácer Quibir.


Até Berlim o abandona...


Na Europa julgaram que tinha sido um bom PM em Portugal e aqui pensava-se que era um bom presidente da Comissão Europeia.

Cenas do segundo quartel do século XX (Crónica)


Cenas do segundo quartel do século XX  (Crónica)

A 5.ª classe do ensino primário, uma conquista da 1.ª República contra o analfabetismo herdado da monarquia, que o salazarismo havia de reduzir a três, foi um avanço cuja dimensão importa recordar quando, de novo, se pretendem aprofundar as desigualdades.

Foi com a 5.ª classe que o meu pai viajou para Lamego, uma das raras cidades que tinha um colégio, dirigido pelo padre João, onde, em regime de internato, era possível cursar os sete anos de escolaridade que faltava percorrer até à universidade.

Os liceus eram exclusivos das capitais de distrito e poucos aí chegavam. Mas não foi para falar das malfeitorias da ditadura salazarista, do regime de separação de sexos, da discriminação da mulher e de muitas outras aviltantes proezas da ditadura, que iniciei esta crónica. Foi para registar os tempos da transição do primeiro para o segundo quartel do século XX. Para escrever sobre pessoas que eram no século que foi.

O meu pai deve ter rumado a Lamego no ano de 1926. Voltava a Almeida nas férias do Natal, da Páscoa e no fim de cada ano letivo. Muito alto e magro, atingiu aos 16 anos, 1,85 metros, coisa rara para um português nascido no início da 1.ª Grande Guerra.

Numa das suas viagens, no fim das férias da Páscoa, ainda pré-adolescente, na primeira curva, depois de Vilar Torpim, a camioneta caiu. Nesse tempo não se pode dizer que as camionetas se despistassem, isso seria um privilégio de autocarros com amortecedores, motores potentes e capazes de grandes velocidades. A camioneta raramente ultrapassava os 20/30 km/hora e, na curva, aconteceu cair. Dessa vez, os vidros estilhaçaram-se e os garotos foram saindo pelas janelas que ficaram viradas para cima. O meu pai ficou na valeta a ouvir outros garotos a gritar, mamã, papá, avô, gritos lancinantes. O alarido era tal, que, no seu silêncio, julgou-se morto. Quando todos gritavam, o mutismo só podia ser de quem já era defunto. Quando o condutor o levantou teve consciência de que os estragos se resumiam ao fatinho.

Algumas dessas camionetas ainda aguentaram até à minha infância, veículos mistos que levavam passageiros à frente, até esgotarem os lugares, e as mercadorias e pessoas sem lugar, na parte de trás. A escada da retaguarda era um adereço obrigatório para levar o as mercadorias que sobravam para o tejadilho, normalmente as que resistiam à chuva.

Lembro-me bem de me separar dos pais para viajar entre as bagagens e pessoas que me acompanhavam. Parava-se a pedido dos fregueses e por causa dos furos. Os cravos que se soltavam das ferraduras das bestas penetravam os pneus e vazavam as câmaras de ar. Era breve a espera, entre dois furos, que os motoristas eram hábeis a remendá-los.

Tinha havido progresso pois os faróis já tinham substituído a luz do carbureto que uns anos antes irritava as pituitárias dos transeuntes e mal servia para indicar a estrada.

Em Almeida o primeiro carro de aluguer, parente próximo dos táxis atuais, foi um Ford do Zé Gouveia, que deixava a mulher a tomar conta da loja enquanto ia fazer um frete.  Uma vez demorou quase duas horas a percorrer os 14 km que separam Almeida de Vilar Formoso, sem qualquer furo ou avaria do motor. Teve o azar de ir atrás de uma carroça puxada por muares que, vinda da Junça, seguia à sua frente. Meio século depois ainda era motivo de gozo a maldita carroça que lhe impôs o andamento.


Ponte Europa /Sorumbático

quarta-feira, maio 15, 2013

Pena de morte para ateus é legal em 7 países


Além dos países que punem os ateus com a morte, em outras nações os céticos e humanistas são obrigados a mentir para obter seus documentos oficiais, sem os quais é impossível ir para a universidade, receber tratamento médico e viajar para o exterior

Os ateus e outros céticos religiosos sofrem perseguição ou discriminação em muitas partes do mundo e em pelo menos sete países podem ser executados se sua falta da crença se tornar conhecida. A informação é de relatório da IHEU (União Internacional Humanista e Ética) divulgado no último dia 10/12/2012.

Pena capital para céticos vigora no Afeganistão, Irão, Maldivas, Sudão, Mauritânia, Paquistão e Arábia Saudita.

O relatório mostra que a situação dos “infiéis” é mais grave em países islâmicos, onde religião e Estado se confundem. As consequências para o cético às vezes podem ser brutais.

Homenagem a Humberto Delgado no 107º aniversário do seu nascimento



«Obviamente, demito-o» (referindo-se a Salazar)

Cavaco Silva, a troika e a Senhora de Fátima


A realidade é sempre pior do que a notícia. Cavaco Silva prestou-se a ser presidente da Comissão de Honra da canonização de Santo Pereira, a forma de desacreditar um herói nacional, Nun’Álvares Pereira, com o milagre pífio da cura do olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, queimado com salpicos de óleo fervente de fritar peixe.

Um presidente que se presta a rubricar a cura milagrosa do olho esquerdo da cozinheira de Ourém, para fazerem santo um guerreiro com seis séculos de defunção, é alguém que prefere a oração ao colírio e que confia mais em Fátima do que na virtude dos enviados da troika, embora, neste caso, haja razões para desconfiar de todos.

Ao comprometer a Senhora de Fátima na aprovação da sétima avaliação do programa de ajustamento português, Cavaco revela que perdeu a confiança no Governo e vira-se para a Cova da Iria. Tal como Portas, notabilizado por mobilizar a marinha de Guerra contra um barco armado com pílulas abortivas, que ameaçava interrupções da gravidez da Gala a Buarcos, e que atribuiu à Senhora de Fátima a orientação dos ventos e marés que depositaram nas costas da Galiza resíduos tóxicos do naufrágio do petroleiro Prestige, o PR insiste na proteção divina, desígnio de que a exonera do estado a que chegámos.

Sabendo-se que o seu humor está ao nível do das vaquinhas dos Açores, os portugueses veem no PR, não o economista eleito PR, por milagre, mas o devoto capaz de anunciar aos portugueses: “Penso que foi uma inspiração da nossa Senhora de Fátima”.

Vi e ouvi o inspirado crente, com a colher da sopa suspensa entre o prato e a boca. Se a notícia fosse apenas do jornal certamente que teria duvidado.  Não sei como não meti o cotovelo no prato.

terça-feira, maio 14, 2013

HERR GASPAR VISTO POR HERR SCHAUBLER


A última Revista do “Expresso” brinda-nos com um artigo do ministro das finanças da Alemanha, Wolfgang Schauble, sobre o seu “amigo e colega” Vítor Gaspar, destacado para exercer idênticas funções em Portugal.

Escreve Schauble:

“Ao observar quanto Portugal mudou nos últimos dois anos, vêm-me à mente palavras como clarividência, determinação e coragem. Não constituirá, portanto, surpresa que quando a história do seu renascimento económico for escrita, um dos seus protagonistas seja um homem dotado dessas qualidades. No seu modo calmo mas firme, o meu amigo e colega Vítor Gaspar deu uma contribuição decisiva – talvez a contribuição decisiva – para as políticas que colocaram Portugal firmemente no caminho da recuperação.”

Parece ironia de mau gosto, mas não é. Tudo indica que Herr Schauble foi sincero. Na sua mente germânica e ultraliberal, o facto de Gaspar, “no seu modo calmo mas firme”, ter lançado um milhão de portugueses no desemprego e dezenas de milhares de empresas na falência, ter atirado a classe média para a pobreza e os pobres para a miséria, só revela “clarividência, determinação e coragem”; e essas clarividentes e corajosas políticas “colocaram Portugal firmemente no caminho da recuperação”. No fundo o que ele quer dizer é que tais políticas são favoráveis à sua querida Alemanha e à sua não menos querida ideologia neoliberal.

O caráter abjeto destes elogios é tão evidente que Herr Schauble não merece, como resposta, mais que uma palavra: SCHEISSE!


(para quem não souber: “scheisse”, no idioma de Hitler, significa mais ou menos “berda-merda” em português vernáculo)

Moléstias incuráveis


Notícias do dia



É para fechar

segunda-feira, maio 13, 2013

13 de maio. Uma data contra a República.


Hoje, em Fátima, consumiu-se mais cera do que mel produziram as abelhas.

Fátima tem a maior área coberta da religião, em Portugal. Foi um centro de propaganda da ditadura depois de ter sido um instrumento de luta contra a República. A guerra fria deu-lhe uma enorme importância e converteu o local num centro de recolha de esmolas onde o dinheiro e o ouro abundaram. Hoje, a crise da fé e da economia tornam o sítio menos rentável, apesar das campanhas papais de marketing.

Também é verdade que os pastorinhos nunca conseguiram fazer um milagre de jeito. São mais os peregrinos que morrem na estrada do que os estropiados que se curam. Os joelhos dos devotos sangram nas maratonas beatas à volta da capelinha das «aparições» e as orações aliviam os crentes mas não produzem efeitos.

Não sei como os laboratórios farmacêuticos não usam a ave-maria como placebo nos ensaios duplo-cegos com que testam os medicamentos.

O paganismo é hoje um detonador da fé que se cultiva na Cova da Iria. Ninguém quer saber de deus, apenas a Virgem é a mascote que recebe oferendas e obriga a sacrifícios a quem se pagam promessas.

Ainda se veem velhos combatentes com a farda da guerra colonial a agradecer o retorno à Pátria. Se foi a virgem Maria que os protegeu deve haver 13 mil defuntos a sofrer em silêncio a desatenção da dita senhora que aparece em locais improváveis para alimentar a superstição e manter o negócio da fé.

Com a fome que grassa e a miséria que se instala não admira que, o desespero se torne propício às maratonas místicas que desaguam na Cova da Iria. Triste sina dos povos que veem a Terra a abandoná-los e se viram para o Céu. 

A desfaçatez e a mentira. Passos e Portas

É preferível uma parelha de coices a uma parelha de solípedes.

domingo, maio 12, 2013

Nas vésperas do aniversário das aparições o Governo recolhe-se para implorar um ‘milagre’…

Conselho de Ministros em alta tensão… link

Se existissem dúvidas acerca da agónica balbúrdia que reina no colectivo que (ainda) nos governa elas ficavam desfeitas com a realização, hoje, de mais um inopinado conselho de ministros extraordinário.

Trata-se, de facto, da persecução das longas reuniões efectuadas nas últimas semanas e que, sistematicamente, se traduziram em banalidades, nulidades e, mais tarde, foram trazidas à praça pública como ameaças desconexas e desfasadas da realidade nacional. Um Governo que entrou na tarefa de chover no molhado...
Entretanto, à sorrelfa dos encantados e cantados ‘consensos’ foi enviado para Bruxelas um documento baptizado de DEO (Documento de Estratégia Orçamental 2013-2017) link. Ninguém - cá dentro e lá fora - acredita em mais este malabarismo de Excel nem nos resultados das medidas que o informam. Trata-se de um pueril exercício simulador de governação.

Hoje, um governo que se mostra encalhado na sua própria incapacidade política e nas suas contradições internas, decide realizar mais uma reunião ministerial e, por via das dúvidas, não haverá declarações no final. Este encadeamento diz tudo.

Algures por aí está a troika a 'forçar' a notificação de medidas concretas. Isto é, de mais passos na cura de absurda austeridade completamente indiferente às suas consequências recessivas e a destruição do País. Em Belém, o homem silencioso e nervoso coça, complacente, o nariz. Do outro lado da barricada, Portugal, em acelerada rota para a terceiro-mundialização, permanece atónito.
Na realidade, se formos mais subtis teremos a noção de que paira no ar o sentimento de podemos estar a viver a calmaria que precede as devastadoras tempestades.

Abreu Amorim candidata-se a secretário de Estado


Não é relevante a pasta que lhe possa caber ou a precariedade do cargo. Esta gente é pau para toda a obra. A coerência é um empecilho, tal como a honra ou a dignidade política.

Abreu Amorim, em campanha para a Câmara de Gaia, afirmou que “o tempo político de Vítor Gaspar terminou». Compreende-se que não seja decoroso exibir amizades com as de Duarte Lima, Oliveira e Costa, Vale e Azevedo, Dias Loureiro e outras ex-estrelas do partido de cuja bancada parlamentar  é vice-presidente, mas, depois do desaire de Berta Cabral, bastava algum tino para não incorrer no mesmo despautério.

Berta Cabral foi, ao que me disseram em S. Miguel, uma boa autarca de Ponta Delgada mas a fama que precede o presidente do PSD levou-a a dizer dele, quando disputou o Governo da Região Autónoma, o que Maomé disse do toucinho. Chegou a perguntar ao eleitorado se a achava parecida com ele, com alguém que nem para vogal de uma Junta de Freguesia serviria, como o País dolorosamente descobriu.

Sabe-se como a autarca de Ponta Delgada perdeu as eleições para o Governo Regional.

A insistência no truque de dizer mal do Governo que o destacou em comissão de serviço para as eleições autárquicas de Gaia, talvez para pagar dívidas contraídas por Luis Filipe Meneses, é um número de circo de belo efeito mediático de fraco valor eleitoral. Aliás, revela o carácter e a falta de escrúpulos de quem é corresponsável pelo Governo que viu empalidecer a estrela Vítor Gaspar.

Quando perder as eleições em Gaia, resta a Abreu Amorim, se ainda encontrar o mesmo Governo, aguardar que lhe abra uma vaga de secretário de Estado, à semelhança do que fez a Berta Cabral.

Em Portugal, Roma paga aos traidores.

Raridade bibliogáfica


DOIS FARSANTES


As alegadas “divergências” entre Portas e Passos Coelho não passam de pura farsa.


A coligação a que ambos pertencem pretende manifestamente perpetuar-se no poder. É isso também que pretendem a Troika, o “Padrinho” e a coorte de banqueiros e outros vampirescos milionários que a suportam e ela suporta. Porém, dada a desgraçada política que têm seguido, esse objetivo parece cada vez mais inatingível, pelo menos mantendo-se a coligação como está. Em face do perigo que as próximas eleições representam para toda essa “onorata societá”, a coligação inventou uma estratégia: tornar-se a alternativa de si própria.

Como o PSD é que se tem desgastado mais, por ser o principal parceiro e aquele que mais tem “dado a cara”, as esperanças de evitar a derrocada viram-se para o CDS.

Assim, Portas começou a apresentar-se como “bonzinho”, fingindo divergir do Passos “mauzão”. Esperam com isso que parte dos inúmeros votos que o PSD vai perder sejam recuperados pelo CDS. Assim ficaria tudo na mesma, ou, quando muito, a coligação PSD/CDS seria substituída por uma coligação CDS/PSD.

Infelizmente, por estranho que pareça, não poucos portugueses vão cair na esparrela. Já ouvi mais do que um dizer “o Portas é que nos safa”! Esperemos que não sejam muitos. Esperemos sobretudo que as forças da oposição saibam desmascarar a trapaça.

Um presente envenenado


Quando um partido conseguiu finalmente um presidente, uma maioria e um Governo, os eleitores arrependem-se da maioria que lhe deram, detestam o Governo que lhes coube e desprezam o presidente que os ajudou a obter tal maioria e tão desastroso Governo.


sábado, maio 11, 2013

Os portugueses revelam inquietação sobre o futuro da ‘ocidental praia lusitana’…

Portugueses querem acordo alargado para a reforma do Estado… link.

Este estudo da Eurosondagem para o semanário Expresso e para a SIC mostra, na verdade, como a sociedade portuguesa está inquieta e ansiosa e o edifício político democrático totalmente bloqueado. Na realidade, existe a consciência de será necessário reformar construindo consensos verdadeiros que salvaguardem o essencial do 'contrato social' mas, também e paralelamente, nasce a percepção de que a capacidade de pensar e agir está - no nosso País - em profunda hibernação.

Não é possível discutir, imiscuir ou elencar reformas ditas ‘estruturais’ debaixo do ameaçador tecto de poupanças cegas e cortes a eito. E é isso que a maioria governamental tem andado a fazer. Acordou, há tempos, num daqueles exames regulares com a troika, que tinha necessidade de cortar na despesa do Estado 4.000 M€. Como chegou a este montante nunca foi explicado, nem desmontado. Apareceu este quantitativo à cabeça, como sendo uma indicação divina, atropelando ab initio todo e qualquer tipo de processo democrático, participado. A existir a necessidade ou - como o Governo quer fazer passar - a imperiosidade, de proceder a cortes nas despesas do Estado o montante final apurado seria – como é de bom senso – uma das conclusões (não a única) decorrentes do processo de consulta política e de diálogo social, necessariamente, alargado. Mas ao contrário do que seria legítimo esperar, e ao arrepio de qualquer processo sólido e transparente, este Governo, à margem de considerações político-estratégicas sobre as funções do Estado, pretende começar a construir a casa pelo telhado.

É óbvio que a tentativa de diálogo que o Governo está a ensaiar é uma formalidade para apresentar à troika. Já não precisa de fazê-lo perante o presidente da República, instituição que – com o comportamento assumido por Cavaco Silva nas última comemorações do 25 de Abril - deixou de contar no panorama político nacional, como aliás a mesma sondagem mostra.

E, na ausência de qualquer tipo de consenso, tudo o que vier a ser eventualmente aprovado – e não é claro qual o entendimento sobre este assunto no seio da coligação – será sempre efémero e circunstancial. Qualquer maioria futura poderá – com legitimidade idêntica – reverter as resoluções que aparentemente estão na calha. É aqui que soçobra a ‘confiança’ que os portugueses – e provavelmente a troika - depositam neste Governo. Até aos cidadãos só chega a intolerável ‘arrogância’ de uma coligação governamental para quem só os números e uma inqualificável agenda neoliberal que busca afanosamente chegar ao 'Estado Mínimo', contam.

De facto, a troika que ‘exigiu’ medidas estáveis e duradouras não se contentará com resoluções decorrentes de situações avulsas sustentadas por maiorias ocasionais e, obviamente, efémeras. Ontem, na Assembleia da República, durante o debate com o Governo assistimos, por parte deste, a uma completa deriva sobre as medidas que pretende tomar no que diz respeito à dita ‘Reforma do Estado’. Sentiu-se que na prática o Governo manifesta importantes dificuldades na negociação do pacote de cortes nas despesas do Estado com a troika. O Governo perde em cada negociação autonomia e hipoteca, em cada exame ‘regular’, mais soberania. Não existe mais espaço para a alienação de mais fatias de soberania a não ser que seja em troca de políticas activas de solidariedade europeia, como a mutualização das dívidas soberanas para todos os países da UE. Esta será, por ventura, o consenso mínimo e a base de consolidação e da harmonização política e financeira da UE.

Na verdade, a ida aos mercados nesta semana mostrou como os credores – e não os portugueses - têm motivos para festejar. Inflectiu-se a marcha do ‘carrossel da dívida’. Foi aberto aos portugueses – através do BCE – a vereda difícil e íngreme para periodicamente irmos aos mercados endividar-nos, a juros altos, e resgatarmos os riscos financeiros externos, p. exemplo das instituições financeiras alemães que investiram largas somas em obrigações portuguesas, a troco de uma ‘política de merceeiro’, tão do agrado da dupla Merkel/Schroder, onde só pontificam 2 colunas: o Deve e o Haver. A UE, nos últimos anos de crise, ficou circunscrita a esta ‘pobreza’ de concepções e de perspectivas. Cá dentro a celebrada ida aos mercados não terá reflexos directos nem imediatos. Sempre que se discute o Estado Social, as prestações sociais ou os contornos e operacionalidade, funcionalidade e dimensão do aparelho de Estado é certo e sabido que o Governo, ou alguém por ele, aparece sistematicamente na praça pública a ameaçar de que não há dinheiro que garanta a sua sustentabilidade. Neste momento, estamos a (re)visitar os mercados para de imediato 'exportar' o dinheiro arrecadado em leilões de divída pública para instituições financeiras europeias e mundiais: os insaciáveis credores! Os mercados para Portugal são a placa giratória de transferências de capitais não sendo expectável que esses meios financeiros conseguidos sejam investidos cá dentro.

Tornou-se, deste modo, nítido que o Governo não consegue encontrar consensos no seu interior, o Presidente da República está fora da jogada e as Oposições, todas, em frontal rota de colisão com o projecto governamental de cortes na despesa do Estado Social e nas funções de soberania. Melhor imagem de um bloqueio institucional é difícil de conceber. Só falta tirar as conclusões óbvias: demitir o Governo e convocar eleições.

De resto, qualquer mudança, tanto aqui como na Europa, está condicionada a profundas mudanças políticas cujos contornos são ainda nebulosos mas sobre o qual existe uma certeza: o fim da hegemonia do PPE enquanto suporte político e ideológico da deriva neoliberal que começou a fustigar o velho Continente desde a queda do muro de Berlim e ameaça destruir globalmente, i. e. civilizacionalmente, o valioso acervo político, economico, social e cultural que se convencionou denominar por Ocidente.

A verdade e o humor


sexta-feira, maio 10, 2013

UM GOVERNO DE TRAPACEIROS


Com a devida vénia, transcrevo os três primeiros parágrafos de um artigo de opinião hoje publicado no jornal "As Beiras", intitulado "O Mal Menor", da autoria de Bruno Paixão, investigador em comunicação política:

"O capitão mandou chamar um soldado para o informar da morte do seu pai. Quando o soldado se apresentou, anunciou-lhe bruscamente que toda a sua família tinha morrido. Este empalideceu, ficou estarrecido, até que o capitão lhe bateu nas costas e lhe contou que apenas tinha falecido o seu pai.

Esta metáfora ilustra o que penso ser a estratégia de comunicação do governo. Semeia nos jornais medidas mais opressivas para depois parecer que aquelas que efetivamente prossegue são as mais ligeiras. Pinta a manta tão negra que isso lhe possibilita tomar medidas duras fazendo transparecer que opta, a bem do País, pelo mal menor.

Tem acontecido repetidamente. Ainda agora, com o estabelecimento da idade da reforma. Durante três semanas andámos a ouvir que era inevitável que esta subisse dos atuais 65 para os 67 anos. Ficámos a saber, “com um certo alívio”, que afinal sobe apenas para os 66."