domingo, junho 30, 2013

«Não me venham depois dizer que eu não avisei…»

De vez em quando, Cavaco Silva, numa aparente demarcação do Governo que quis, aparece a fazer a síntese entre a cigana que lê a sina e a sua mais elaborada versão, o senhor de la Palice.

Enquanto o País resvala no plano inclinado da depressão económica, política e cívica, sem motivo de esperança ou uma palavra de conforto, sem qualquer proposta, o culpado do passado e refém do presente, dedica-se a predizer o futuro, à semelhança da pitonisa de Delfos mas, em vez de Apolo, só conta com a legião de assessores.

Eu bem avisei…, parece o cínico merceeiro a confortar o pai do rapaz que morreu num acidente de moto: «eu bem o avisei para que não comprasse a moto»!


O ‘affair Snowden’ e as relações: UE/EUA…

O periódico alemão Der Spiegel (edição on line em inglês link) revela que serviços secretos americanos (NSA – National Security Agency) têm vindo a espiar - através escutas telefónicas, controlo de e-mails e de colocação de microfones ocultos - instituições e organismos oficiais da UE, nomeadamente, as representações diplomáticas em Washington e na ONU e instalações da NATO em Bruxelas.
Documentos datados de 2010, oriundos dos serviços de inteligência norte-americanos, citados pelo Spiegel, os países europeus figuram como um ‘alvo’ (location target).

O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, já saiu a terreiro exigindo uma ‘total clarificação desta situação' que considerou como susceptível de afectar as relações EU/EUA link.

Este gravíssimo incidente diplomático mostra como a filosofia de alianças no Mundo actual tem por base um somatório de mistificações.
As declarações de Susan Rice link defendendo que as revelações de Edward Snowden não afectam o Presidente Obama e as relações externas norte-americanas são um contributo para adensar ainda mais esta preocupante situação. Esta posição vinda de um destacado elemento do restrito núcleo de segurança que ‘aconselha’ o presidente dos EUA significa, à priori, que estas intoleráveis manobras são para continuar. A primeira posição pública tomada sobre este ‘affair’ mostra – ao contrário do que afirmou a Srª. Rice – que este assunto vai ter vastas consequências no plano da rede internacional de alianças construída por Washington. E, com toda a probabilidade, enfraquecerá um dos objectivos invocados para ‘justificar’ este escândalo, i. e., a ‘luta contra o terrorismo’.
A situação do Presidente Obama está a complicar-se. Já não bastava Guantámano, os voos secretos da CIA, o Wikileaks para afectar a idoneidade deste combate. O ‘caso Snowden’ é, portanto, mais uma acha para uma fogueira que não pára de crescer.

Fora a reacção do presidente do Parlamento Europeu e do Ministro dos Negócios Estrangeiros luxemburguês, Jean Asselborn, que teve a coragem de afirmar: “se esses relatos são verdadeiros, é nojentolink. de relevante será o intrigante silêncio das instâncias europeias.
Durão Barroso sempre lesto a opinar sobre tudo e todos mantém sobre este caso um ensurdecedor silêncio. Na verdade, o presidente da CE deve estar muito ocupado com as negociações UE/EUA à volta de um acordo de comércio livre link para se preocupar com questiúnculas ‘reaccionárias’ sobre 'espionices'. Os assuntos relativos a liberdades direitos e garantias serão para este 'mordomo' da reunião da Base das Lajes de 2003 mais uma posição anti-americana, 'irresponsável' e que não devem inquinar o acordo em perspectiva. Algumas (muitas) coisas têm sido sacrificados no altar da luta contra o terrorismo, outras na gamela de acordos financeiros e comerciais.

No fim da linha os cidadãos europeus e os organismos comunitários ambos enxovalhados por estas condutas escandalosas mas com a possibilidade de – a firmar-se um acordo de comércio livre sob a batuta de D. Barroso – se tornarem mais eficientes, competitivos, etc., i. e., subjugados, mas ricos!. E deste modo só o comércio merecerá continuar a ser ‘livre’.

sábado, junho 29, 2013

Breves notas sobre uma [filha da] ‘putice’…

A chanceler Merkel ‘deixou’ escapar, em conversa coloquial com Christine Lagarde (com o microfone ligado), esta esclarecedora imprecação: “conseguiré que España reduzca el sueldo mínimo a 250€ al mes - tras este comentario, dibujó una ‘z’ en el aire con la cabeza, chasqueó los dedos y añadió - because she's is my bitch!». link.
(o sublinhado é nosso)

Falemos então de ‘putaria’. Ou, na expressão mais vernácula, sobre o ‘putedo’. Existem 'alimárias' que conseguem transformar qualquer ambiente num lupanar. Incluindo espaços como a velha e civilizada Europa. São uma espécie de novos Midas, possuidores de estranhos dotes transformistas.

Voltemos ao 'putedo'. Em todas as ‘casas de putas’ sempre existiram patroas encarregues de zelar pelo bom andamento do ‘negócio’. Eram as conhecidas ‘madames’. São estes coios espaços previlegiados onde a 'chulice' sempre pontificou. E o desafio era a‘esperteza’ de pagar pouco para ‘afogar o ganso’, utilizando em simultâneo vários 'pratos'... 

Mas a insuportável 'boutade' de Merkel faz relembrar 'historietas alfacinhas'.  Durante o final do séc. XIX foi snob nos meios aristocráticos decadentes e na burguesia 'emergente', naquela Lisboa de outras eras, sustentar (proteger) uma ‘puta espanhola’. De tal maneira que, nessa altura, ‘ir ás espanholas’ foi sinónimo do calão: ‘ir às putas’.

Cabe aqui recordar a prosa de queirosiana (nos Maias) que põe na boca de Carlos a seguinte tirada (por sinal referente a Coimbra): “Encarnación [*] fanatizou Coimbra como a aparição de uma Dama das Camélias, uma flor de luxo das civilizações superiores. Pela Calçada, pela estrada da Beira, os rapazes paravam, pálidos de emoção, quando ela passava, reclinada na vitória, mostrando o sapato de cetim, um pouco da meia de seda, lânguida e desdenhosa, com um cãozinho branco no regaço”…

Hoje, a rábula da ‘puta espanhola’ morreu na vida lisboeta mas parece ter entrado nos esquemas de Angela. Não! A 'puta espanhola' não é um luxo das ‘civilizações superiores’ ou um ferrete daqueles que 'vivem acima das suas possibilidades'. É o ‘ajustamento boche’, i. e., a chulice na sua expressão mais reles: pagar pouco (250 euros/mês!) e ‘ajoelhar’/ 'deitar' (por terra)  tudo o que é aviltantemente considerado como serviçal, desprezível e descartável (os povos perdulários do Sul !) e assim satisfazer lânguidos, secretos e insaciáveis apetites (dos ditos 'mercados').

A insuportável boçalidade do paleio trocado entre dois (duas) dos ‘nossos maiores credores’ deve colocar-nos em guarda. De atalaia. A fasquia é, como se depreende, elevada. Não vamos pagar só com o corpo, vai-nos ser exigido 'couro e cabelo'.
Há alguém por essa Europa a querer ‘servir-se’ (de nós). Esse 'serviço' passa pela prostituição de nações. Mas tal só será possível enquanto estivermos entregues a diletantes ‘azeiteiros[**], travestidos de governantes...

[*] – Nada tem a ver com um político que recentemente administrou Coimbra…

[**] – Na gíria popular: alcoviteiro.

A razão, a superstição e os exorcismos

Quando a razão dorme, acordam os monstros. É esta mensagem de Goya num dos seus «Caprichos», um Iluminista com o pincel e as tintas a fazer mais contra a superstição do que grandes escritores em milhares de páginas. Goya zurziu, em finais do século XVIII, a nobreza e o clero, com o génio do talento e a coragem dos heróis, através de uma das armas mais mortíferas – a sátira –, com que abalou o prestígio de Ordens religiosas e os preconceitos do seu tempo.

O fanatismo religioso, a Inquisição e as superstições foram denunciadas nas 80 gravuras do genial pintor que só por sorte escapou às garras da Inquisição. Ele não foi apenas um precursor da pintura moderna, foi um arauto da sociedade liberta das trevas e conduzida à razão pelo Iluminismo.

Quando o cardeal Rouco Varela, nomeou recentemente oito exorcistas para a diocese de Madrid e se soube que as dioceses católicas têm peritos no tratamento das possessões demoníacas, não é o atraso de uma Igreja que desprezo que me preocupa, é o regresso da sociedade aos medos medievais e forças ocultas que apavoraram gerações de crentes.

Depois de um Papa ter negado a existência do diabo logo outro veio reiterá-la, não fosse a superstição desaparecer. Quando os crentes perdem o medo dos demónios, acabam por duvidar do interesse do seu Deus mas o que é terrível é a crença do clero nas possessões demoníacas, nesse regresso ao obscurantismo que encobre o autoritarismo eclesiástico e o imobilismo ideológico característico das seitas.

No caso espanhol, o velho cardeal franquista convidou ainda psiquiatras para fazerem o diagnóstico diferencial entre doenças do foro psíquico e da alçada do demo. Claro que à declaração clínica não é alheia a crença do médico e não é por acaso que a única doença exclusiva dos crentes seja a possessão demoníaca, moléstia que não atinge agnósticos, ateus, céticos e outros livres-pensadores.

É o regresso ao autoritarismo romano que está em marcha. Denunciar os desvarios pios é uma obrigação de quem recusa o regresso à época das trevas. Há mais de dois séculos, já Francisco Goya nos alertava para o mundo obscuro que os conventos e as sacristias preservavam tal como hoje o fazem, às escâncaras, as madraças e mesquitas.

sexta-feira, junho 28, 2013

CONSELHO EUROPEU: e a saga continua…


O Conselho Europeu continua a trilhar a habitual senda de ocultar a realidade, promover medidas pontuais e, na prática, contemporizar com o agravamento da situação vivida no espaço europeu.

Ontem, mais uma decisão no sentido de combater o desemprego jovem link. Sem dúvida que este tipo de desemprego é gravíssimo para o futuro da UE. Poderemos até dizer que hipoteca o futuro da Europa. Todavia, é uma parte do problema não devendo ser considerado como um mero acidente. Na UE, existem neste momento cerca de 23 milhões de desempregados, 16 milhões dos quais referentes aos 17 países que integram a zona euro. link. Deste brutal ‘volume’ de desempregados 6 milhões referem-se a jovens com menos de 25 anos link.

O problema ‘geral’ - para o comum dos cidadãos - é a iniludível constatação de que todos os ajustamentos programados e efectuados, de que todas as reformas ‘estruturais’ encetadas, carregam no seu bojo um insuportável, maquiavélico e deliberado custo: a brutal extinção de postos de trabalho, decorrente dos efeitos recessivos dessas políticas.
Não existe ao nível das instituições europeias um mínimo de coerência, uma réstia de dignidade e a mais pequena migalha de vontade para ‘arrepiar’ caminho. A admissão do tremendo fracasso destas políticas e a incapacidade de gizar uma estratégia de acção em conformidade, 'virou' tabu.
O actual Conselho Europeu não passa de mais uma oportunidade perdida no enfrentar da crise com realismo, determinação e resultados. A repetitiva ‘política de remendos’ que vem sendo seguida, quase sempre com bastante atraso, continua a expor a Europa, e dentro dela, os países mais débeis economicamente, à desmesurada ganância e às manobras especulativas dos mercados, entidade mítica e abstracta que parece presidir às reuniões deste grupo de Países em Bruxelas.

Ontem, se alguma coisa avançou – e talvez não – foi uma confusa e atribulada ‘União Bancárialink que, como seria de prever, foi concebida à medida de Berlim e não poderá nem deverá atrapalhar a Srª. Merkel, neste momento, em plena campanha eleitoral.

A imagem que se tenta ‘vender’ é que o desemprego sendo consequência dos ajustamentos - ditados por opções político-ideológicas – é um acidente colateral imprevisível. Não é assim e todos nos apercebemos que chegamos aqui porque conscientemente e  antecipadamente se tomaram decisões à volta da capacidade 'regeneradora de uma brutal e cega austeridade. Facto que - não tendo corrigido o pretendido (nem défice público, nem dívida) - induziu uma espiral recessiva a caminho de uma depressão económica irreversível. O resultado está a vista: um brutal empobrecimento do Países e das pessoas, falências em sérir e uma legião de desempregados e de desiludidos a caminho do desespero.

O Conselho Europeu prossegue na intenção de navegar nas águas turvas do imediatismo político-eleitoral e na laboriosa obsessão de tentar impor políticas que a realidade (e os resultados) demonstra, no dia-a-dia, estarem completamente desadequadas, melhor, erradas. A prossecução desta via deve ser entendida como criminosa. Face aos resultados que estão à vista não é possível aplicar outro termo.

O último Conselho Europeu (27 e 28 de Junho) irá debruçar-se sobre a problemática do desemprego jovem link porque a situação laboral desde estrato populacional tornou-se uma questão gritante na visualização do fracasso das políticas europeias e ameaça – de imediato – a estabilidade social. Não existe outro leitmotiv.
Ao olhar para os problemas globais deste modo segmentar o Conselho Europeu tenta varrer para debaixo do tapete o grosso deste exército de desempregados nomeadamente os maiores de 40 anos. Situação que (a referida instituição) não tardará a apresentar – dentro da sua filosofia de resposta - como uma situação ‘estrutural’, de ‘longa duração’ e, quiçá, ‘definitiva’. E a justificação é recorrente: os erros cometidos no passado. Como se - no presente - os erros não fossem constantes, os resultados contraproducentes e as decisões eivadas de uma confrangedora irresponsabilidade.

Será que ninguém nestes sucessivos Conselhos Europeus saberá que não vai ser possível viver em paz e com dignidade neste espaço europeu se a expectativa de ter um trabalho, de construir um futuro, de aceder a padrões mínimos bem-estar, for continuamente dinamitada por (in)decisões dolosas, adiamentos e perversões?

"O MELHOR POVO DO MUNDO"

Os portugueses, em geral, têm inúmeras virtudes. Muitos há, porém, que têm também grandes e nocivos defeitos. Custa-me dizê-lo, mas há verdades amargas e incómodas que têm de ser ditas. Sobretudo no momento atual, em que vivemos sob a pata de um governo que é exímio em explorar esses defeitos em seu proveito.

Refiro-me, por exemplo, ao conformismo, a uma certa curteza de vistas, e à inveja.

Muitos trabalhadores que ganham o salário mínimo, que o governo não deixa aumentar nem sequer para compensar a inflação, conformam-se com a sua situação, a ponto de considerarem que essa é a situação normal e que os que ganham um pouco mais são uns privilegiados. E têm inveja. Mas não têm inveja dos banqueiros que ganham obscenos milhões. Têm inveja do vizinho do lado que ganha 600 euros. E em vez de se revoltarem contra o governo que não deixa que o seu salário aumente, revoltam-se contra o vizinho e acham muito bem que o governo lhe carregue nos impostos.

Por sua vez, este que ganha 600 euros, rodeado de vizinhos que só ganham o salário mínimo ou estão desempregados, considera-se rico e irmana-se com os Espírito Santos e os Ulrichs, pensando – e votando - como eles.

Depois há o trabalhador por conta de outrem que vive essencialmente do seu salário, mas tem uma leirita de terra onde cultiva, com enorme trabalho, umas batatas que lhe saem quase tão caras como se as comprasse no supermercado. Mas é proprietário, torna-se acérrimo defensor da propriedade privada, pensando e votando como um latifundiário alentejano.

Numa coisa, porém, toda esta gente está de acordo: em vociferar contra os desempregados que recebem o seu magro subsídio e, acima de tudo, contra os que auferem o rendimento mínimo, considerando-os a causa de todos os males do País.

Só assim se compreende que a direita ganhe eleições e nas sondagens não desça tanto como seria de esperar tendo em conta as suas desastradas e desastrosas políticas.

Assim se compreende também que o Gaspar diga que “os portugueses são o melhor povo do mundo”.

É triste, mas é verdade.

Para arquivo


O Governo é cada vez menos desejado


Governo reuniu em Alcobaça porque o Presidente da Câmara de Óbidos não quis que desse mau nome à histórica localidade.

(Enviado por MPMaça)

quinta-feira, junho 27, 2013

Para memória futura



O Governo e a peregrinação pia a Alcobaça


O efémero e funesto Governo de Santana Lopes foi o primeiro que teve o nomadismo como projeto e a anarquia como modelo de funcionamento.

A sementeira de secretarias de Estado, distribuídas  pelo País, era a exótica novidade do governo PSD/CDS que entendia assim a descentralização administrativa. O sucessor do fugitivo Durão Barroso criou seis secretarias de Estado, de Braga a Faro, passando por Aveiro e Coimbra e acabando na improvável Golegã, por falta de instalações na cidade de Santarém para onde o delírio governamental a destinara.

Nessa altura havia um Presidente da República e os desvarios tiveram rápido epílogo. E Santana Lopes, com a prestimosa ajuda de Paulo Portas, conseguiu a primeira maioria absoluta… para o PS.

Agora, à rédea solta, não se sabe se para fugir aos banhos de multidão ou para expiação dos pecados, o Governo, em cortejo automóvel, fez um retiro espiritual no Convento de Alcobaça, que designou por reunião do Conselho de Ministros.

Não terá sido a beleza do gótico que atraiu a comitiva que, segundo relatos, aturdiu uma noiva que ensaiou a fuga, quiçá, inquieta com tantos guarda-costas. Foi talvez a devoção e a suposição de que o espaço pio desse aos ministros a sabedoria de que carecem que lá os levou. Esperava-se, pois, que do conclave saísse o milagre para reduzir o desemprego ou a solução para pôr termo ao naufrágio em curso, mas, a avaliar pelas declarações de Poiares Maduro, o substituto de Relvas, com mais habilitações académicas, nem sequer uma resolução foi tomada, nem um rumo se vislumbrou ou um plano se acordou.

No fundo, não foi a política que ali levou aqueles sábios, talvez o remorso das mentiras com que Passos Coelho ganhou eleições. Eles não se recolheram para tomar resoluções, limitaram-se a rezar em grupo e a pedir que a paciência do povo português não expluda.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, junho 26, 2013

A morte de um fascista canonizado


Faz hoje 38 anos que faleceu monsenhor Josemaria Escrivá, indefetível apoiante do genocida Francisco Franco e financiador dos negócios políticos de João Paulo II, que deram origem à falência fraudulenta do banco Ambrosiano.

Com 38 anos de defunção, já fez 3 milagres, subiu aos altares e deixou um exército de prosélitos capazes de enfrentarem o Islão e de subsidiarem o Vaticano onde, depois de dois pontificados, não conseguiram impor o novo Papa.


Fundador de uma das mais reacionárias seitas católicas, usava o cilício como prova de amor ao Deus que defendeu a monarquia, o catolicismo e a pena de morte em Espanha. 

Um cárcere religioso

O Governo irlandês concordou em conceder uma compensação entre 11.500 e 100.000 euros para algumas mulheres que foram enlausuradas nos anos sessenta e setenta, nas lavandarias Madalena, em Dublin. 

Algumas passaram vários meses e anos enclausuradas em instituições quase sempre dirigidas pela Igreja Católica. A grande maioria nem sabia porquê ou por quanto tempo estariam presas. As causas podem ser muito diferentes: a pobreza de famílias, abusos sexuais, terem um filho fora do casamento, a morte da mãe, um defeito físico ...


Ler mais em El País…

Proselitismo católico nas escolas públicas. Pulseiras das aulas de religião católica


Umas vezes são colocadas aos alunos, outras enviadas aos pais. No primeiro caso é um abuso lamentável num país laico.

Frases de Américo Tomás

Enviadas por MPMaça

Frases de Américo Tomás (Cont.)


terça-feira, junho 25, 2013

Factos & documentos

Isto não é um Governo, é uma associação de compadres

Factos & documentos


Durão Barroso – De Mao a pior



Alvo de todas as críticas, muitas por mérito próprio, algumas injustas, Durão Barroso revelou-se um líder incapaz de resolver as contradições que dilaceram a Europa.

No início do primeiro mandato desgastou-se com a obsessão de manter o comissário Rocco Buttiglione, um emissário da Santa Sé e protegido de Berlusconi. Depois foi a funesta presidência do Reino Unido, com um pé fora e outro dentro da União Europeia, à beira de desencadear uma crise orçamental e arruinar definitivamente a sua imagem.

Há anos à frente da Comissão Europeia (CE), após deixar o País em crise e um Governo de que os portugueses rapidamente se desiludiram, Barroso não tem razões para exultar como líder da Comissão Europeia.

Bush, Blair, Aznar e Berlusconi facilitaram-lhe a fuga, mas tornaram-se apoios cada vez mais comprometedores e cada vez menos recomendáveis.

Ao presidente da Comissão Europeia não basta o orgulho na invasão do Iraque. Assim, Barroso já apeou Jacques Santer do lugar de o mais irrelevante dos presidentes da CE.

As férias no iate de um magnata grego e a ida a Espanha no avião de Zapatero, longe de lhe aumentarem a credibilidade, contribuíram para lhe dar a imagem venal, enquanto as contradições europeias se agravaram e os problemas se avolumam.

A perversidade ultraliberal e a ambição pessoal são os faróis que o iluminam. Foi lacaio papal na defesa da referência religiosa a incluir na Constituição Europeia, sempre capaz de trocar a honra pela genuflexão e a Europa pelo Pentágono.

O sujeito é filho do Livro Vermelho de Mao e das armas químicas do Iraque. Vai acabar a limpar uma caserna da NATO. Bem pago.

segunda-feira, junho 24, 2013

Sílvio Berlusconi, Ruby e os juízes


Há dezenas de razões que deviam levar Berlusconi à cadeia, e muitas para o impedirem de ser primeiro-ministro, mas sete anos e meio de prisão pelo suposto envolvimento com Ruby (na foto) e a interdição perpétua para exercer cargos públicos , no âmbito do caso "Rubygate", longe de me alegrarem, deixam-me preocupado com a Justiça.

Berlusconi é um produto exótico da Itália, com a maior das fortuna e o domínio sobre os órgãos de comunicação social, mas não foi a fuga ao fisco nem a forma como adquiriu a riqueza que foram objeto da sentença. Sim, chamo-lhe vingança porque não foi o crime repugnante que foi julgado e nem uma só das razões que justificariam a dura sentença estiveram na base da decisão segundo a notícia que agora me chega.

Por ter seduzido a jovem que «só» tinha 17 anos, não se sabe em que número sequencial da lista de clientes, e lhe proporcionou o trofeu de acrescentar ao rol o primeiro-ministro de Itália, não é motivo para tão excessiva pena.

Berlusconi pode ser um crápula, e é certamente, é um oportunista que suborna e engana o fisco, um devasso que faz leis em seu favor, um proxeneta,  mas não por foi isso que o condenaram e o facto de ter sido PM deve-o ao sufrágio popular legítimo.

Prefiro Berlusconi, venal e aventureiro, a governar um país com os votos populares, aos juízes que se vingam sem serem escrutinados.

O bispo da Guarda e a sexualidade

Segundo o JN, de ontem, o bispo Manuel Felício, quis silenciar um caso de pedofilia que tinha como suspeito o padre Luís Mendes, vice-reitor do seminário do Fundão e que só a PJ afastou dos alunos, detendo-o.

O bispo emérito da Guarda, António dos Santos, foi alvo de uma reação violenta da sua antiga diocese pois chamou imprudente ao padre Luís, porque «se deitava com alunos». O sucessor não se conteve e questionou a sanidade do bispo emérito, tendo declarado que «o seu estado de saúde  está gravemente afetado» e que “qualquer declaração por ele prestada ou que venha a prestar (…) carece de fundamento e só pode ser atribuída a boatos”  –  segundo o comunicado episcopal.

Apesar das numerosas denúncias e provas que o incriminavam, o JN revela nas páginas 12 e 13, em artigo do jornalista Nelson Morais, que o atual bispo – segundo a mãe de uma vítima –, ficou zangado com a denúncia feita por ela à PJ. Em suma, teria querido abafar o caso sem preocupação com o sofrimento das crianças.

O artigo do JN trouxe-me à memória a conduta do bispo Manuel Felício para com outro padre que, ao contrário do arguido de pedofilia, logo afastou das paróquias onde exercia o múnus. Foi o caso do padre de Almofala, Vermiosa e Escarigo, as três paróquias onde esse padre era estimado e cujos paroquianos se revoltaram com a transferência.

Os fiéis destas localidades, indignados com a transferência do padre, entraram em rutura com o bispo que, após de lhe terem insultado a mãe, numa visita pastoral, excomungou as paróquias e privou-as de sacramentos durante longos meses, privação que por aquelas aldeias ainda incomoda os que se habituaram a ser crentes de nascença.


Soube-se depois que o padre castigado, não era suspeito de pedofilia, mas havia fortes indícios de ter cometido um horroroso pecado. Não era com crianças que se deitava, era com uma mulher. Isso, que os paroquianos aceitavam, bem como uma filha que lhe era atribuía, tornou-se insuportável para o piedoso bispo Manuel Felício. 

Reforma administrativa, regionalização e referendos

Depois da maquiavélica proposta de Marcelo Rebelo de Sousa e do exótico mapa das nove regiões, apresentado por António Guterres, um imperativo constitucional – a Regionalização –, converteu-se num impasse, refém de novo referendo.

A escassa votação, sem valor vinculatório, mostrou que o referendo é o instrumento democrático ideal para adiar decisões, como se viu, igualmente, no caso do aborto.

Se os políticos puderam, no passado, fugir ao ónus de decisões melindrosas através do recurso ao referendo, transferindo a decisão para o eleitorado, no futuro arriscam-se a ser julgados pela incapacidade de decidir e pela falta de coragem para assumir riscos.

As eleições legislativas não se destinam a escolher quem convoca referendos mas quem governa e delibera de acordo com o programa eleitoral proposto. Doutro modo, o País fica à mercê de manobras dilatórias e maiorias conjunturais de geometria variável.

A componente técnica de muitas decisões – a regionalização é uma delas –, recomenda que os referendos sejam usados a título excecional e com razoável expectativa de que haja uma participação suficiente para produzir efeitos legais.

A regionalização do País é urgente. Uma instância intermédia entre os municípios e o poder central é indispensável.

O que não podemos pagar é a manutenção de 308 municípios, de milhares de freguesias e a faraónica composição dos órgãos das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, e, sobretudo, as EPs municipais, assessorias, gabinetes e secretariados que a criatividade  dos autarcas multiplicaram como cogumelos.

A reforma administrativa é incompatível com a atomização autárquica e com a deriva megalómana de autarcas à solta.

domingo, junho 23, 2013

A troika e o mexilhão…

Um recente artigo no El País faz a análise das já indisfarçáveis ‘desavenças’ no seio da troika. link.

O 'desacordo' terá crescido ao redor de uma questão aparentemente técnica, i. e., da reestruturação da dívida grega, mas ‘incomodidades’ do mesmo tipo, estilo e, inevitavelmente, de índole política, contaminaram - essencialmente em termos de segurança e confiança - outros países europeus sob assistência financeira (Portugal, Irlanda e mais recentemente Chipre).
Portanto, o ‘pomo da discórdia’ é o modelo de resgate considerado altamente recessivo, na avaliação de muitos analistas (políticos e económicos) europeus, acrescido, no entender do FMI, do protelar da reestruturação das dívidas dos países em dificuldades, situação que seria um problema transversal, logo, a encarar ‘à cabeça’ de todos os resgates.

Existe uma convicção cada vez mais forte nos meios político-financeiros comunitários que o resgate grego ‘não funciona’ (a Grécia vai no 4º. ano consecutivo de recessão e mostra reais dificuldades em cumprir uma impiedosa sequência de ‘ajustamentos’), mas mostra também que os planos de auxílio à Irlanda e a Portugal correm riscos idênticos, embora a outro ritmo, porque feridos do mesmo ‘pecado original’ e, por fim, que a intervenção da troika em Chipre é um ‘compêndio que compila todos os erros possíveis na gestão de uma crise’.

Resumindo: a UE tenta, desesperadamente, iludir as recorrentes dificuldades - o inefável comissário Olli Rehn não se cansa de, perante o eminente descalabro, repisar que ‘os programas vão no caminho certo’ – e a sua relação de 'conveniência' com o FMI (o tal parceiro experiente em resgates) está prisioneira dos iniludíveis maus resultados, inquinada pela repetição de erros e - cada dia que passa - mostra-se incapaz de corrigir a rota (encontrar o tal 'bom caminho')

No meio destes graves problemas - que só são passíveis de (re)solução num quadro político - estão os Países sob intervenção. Arriscamos a ter negociado um programa de resgate duro e feio para no meio do caminho desaparecem, envolvidos em quezílias, os ‘resgatadores’.
Na verdade, a História releva-nos que os triunviratos foram sempre soluções de curta duração e instáveis. São 'arranjos' precários e provisórios que revertem, invariavelmente, para soluções de concentração de poder, pessoal ou de grupo (muito) restricto. Começam na Roma imperial com Júlio César (Pompeu e Crasso) e prosseguiram com Octávio (Marco António e Lépido). No século passado, existiram na União Soviética, já sob a designação de ‘troika’, por exemplo, na sequência do afastamento de Khrushchov (substituído pela 'troika': Brejnev, Podgorny e Kossygin). Todos conhecemos o desfecho final destes triunviratos ou da citada 'troika'.

Com a Europa sem projecto político comum, o final ‘anunciado’ para os Países do Sul da Europa está à vista: acabarem abandonados à sua sorte com a troika dispersa e ‘imobilizada’ a meio da ponte, como espectadora e…’sacudindo a água do capote’.

O epílogo destes ‘desencontros’ é sobejamente conhecido e faz parte da sabedoria popular: “Quando o mar bate na rocha, quem se lixa é o mexilhão”…

O PS e o mapa das freguesias

António José Seguro aproveitou a Convenção Nacional Autárquica para prometer a revogação da lei que extinguiu algumas freguesias.

Se há crítica que a este Governo se pode fazer, na Reforma Administrativa, é a timidez que a envolveu, perante os ataques e o oportunismo dos partidos esquerda. A fusão de concelhos e freguesias, sobretudo na zona do litoral e, particularmente, nas Regiões Autónomas, em especial, na Madeira, foi uma oportunidade perdida onde as oposições fizeram o contrário do que deviam. O apoio ao Governo que, nesse caso, não traía nenhuma promessa eleitoral, teria sido útil e patriótico.

O regresso ao mapa autárquico anterior, sem a apresentação de uma alternativa credível, necessariamente mais vigorosa, é um ato que me causa desconfiança na atual liderança do PS e que não me motiva para lhe confiar o voto.

Bem sei que as promessas eleitorais raramente se cumprem mas, se é o caso,  estamos perante uma lamentável demagogia que contribui para o desprezo progressivo de que a política e os políticos são alvo, frequentemente injusto.

Os partidos de esquerda, a cuja família sinto pertencer, sem precisar que os notários dos certificados de esquerda me passem atestado, portaram-se, neste caso, da pior maneira.

E há tanta razão para correr com o atual Governo enquanto o PS e o PCP usam uma linguagem de ódio mútuo e expressões indignas de gente civilizada.


11º MANDAMENTO: NÃO CONTESTARÁS!


O menino-prodígio do governo, Professor Doutor Poiares Maduro, que tem em excesso as habilitações académicas que o seu antecessor no Ministério da Propaganda, Miguel Relvas, tinha de menos, e que, tal como o “sábio” Gaspar, “não foi eleito coisíssima nenhuma”, produziu há dias esta doutíssima reflexão: “Um dos grandes problemas em Portugal é que tudo é contestado”.

A “contestação” é assim, para Sua Dogmática Sumidade, a mãe de todos os males.

Não está sozinho o Maduro nesta sua aversão à contestação. Já há largos meses, como então aqui comentámos, Sua Eminência o Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa, na sequência das grandiosas manifestações populares de 15 de Setembro passado, pregava às suas ovelhas em Fátima: “Não se resolve nada contestando”.

A direita é e sempre foi assim. Não tem emenda. Juntam-se, para excomungar a diabólica “contestação”, o “Trono” (salvo seja) e o Altar.

Reunião pia do Conselho de Ministros

O Conselho de Ministros reuniu ontem no mosteiro de Alcobaça. Onde antes havia silêncio, ouviram-se assobios e vaias. Perante o desespero do país e a incapacidade dos governantes, só lhes resta rezar e, para isso, nada melhor do que um convento.

A clausura devia ser o destino obrigatório do bando.

sábado, junho 22, 2013

Manuel Louzã Henriques – uma referência nacional


O convite da editora Lápis de Memórias e das autoras Manuela Cruzeiro e Teresa Carreiro foi aceite por mais gente do que o auditório do Conservatório da Música, em Coimbra, comportava. Não havia lugares sentados para todos mas ninguém se afastou.

O livro «Manuel Louzã Henriques – Algures Com Meu(s) Irmão(s)», cujas 460 páginas ficarão para ler nos próximos dias, foi o pretexto para a grandiosa homenagem ao mais avesso dos cidadãos a homenagens ou veneras.

Centenas de amigos vieram, de todo o país, abraçar o velho comunista, o preso político a quem a ditadura impediu uma carreira universitária e a democracia jamais ressarciu, e abraçar um homem como já não há.

Louzã Henriques é uma personalidade de rara dimensão ética e cultural, de inexcedível coragem cívica e grandeza humana. Foram muitas as cumplicidades que, à falsa fé, ali levaram o médico psiquiatra, escritor, político, homem eclético que mergulhou no povo a raiz de uma insuperável cultura.

Raros foram os homens deste país, no último século, de tão amplo ecletismo cultural e, muito poucos, foram capazes de reunir a admiração de tão amplos setores de opinião.

Mais do que culto – e é-o numa dimensão inexcedível –, Louzã Henriques, um notável conversador e um pedagogo excelso, é, sobretudo, um homem sábio, um ser humano de afetos insuperáveis e uma personalidade singular.


Ninguém saberá dizer dele tudo o que é, mas à sua dimensão humana e afetiva, aqui fica a homenagem de um amigo que o ouve embevecido e o admira sem reservas.

Poiares Maduro: mais um erro de casting?


Uma economia mais competitiva, maior mobilidade e coesão social são os objetivos do Governo para os próximos dois anos, disse, este sábado, o ministro Adjunto e do Desenvolvimento, afirmando que há condições para "oferecer esperança" aos portugueses. link

É preciso muita desfaçatez! Perante a profunda e longa espiral recessiva que nos tange e uma taxa de desemprego recorde (próxima dos 19%) este paleio só pode sair da boca de um lunático.

Vamos acreditar que foi mais um erro de casting porque as outras hipóteses são (todas) piores.

BRASIL II – Dilma direcciona ‘royalties’…

Na sequência das expressivas manifestações que ‘encheram’ o Brasil de lés a lés, a presidente Dilma Roussef, dirigiu-se à nação para anunciar um “grande pacto em torno da melhoria dos serviços públicos”. link.

Esta declaração constitui na sua essência a prova de enorme maturidade democrática do Governo brasileiro mostrando como ‘a rua’ pode e deve ser ouvida, sem que o poder perca a sua honra, dignidade e legitimidade. Na verdade, foi possível e importante retirar dos ‘sobressaltos’ sociais as devidas consequências e partir dá tentar colocar ordem na casa.

Na declaração de ontem, a pedra de toque é a brutal inversão (clarificação) político-económica sobre a afectação da totalidade das royalties do petróleo à Educação facto que se reveste da maior importância para os brasileiros. Trata-se de uma medida distributiva fulcral para o futuro do Brasil. Será também - é preciso ter a percepção antecipada – uma medida que será duramente criticada pela falange neoliberal brasileira que desde o início das manifestações se mantém ‘à espreita’. A opção e logo a exigência do capital (financeiro e empresarial) será objectivamente outra. É fácil de prever que para o campo da Direita neoliberal estes vultuosos recursos financeiros, advindos da exploração petrolífera, deveriam – no entender das oligarquias económicas e financeiras - ser endossados à Economia para alavancar o ‘crescimento’. E, com certeza, acrescentariam - esses mesmos profetas - que os mercados se encarregariam ‘livremente’ da sua (re)distribuição. Seria uma maneira de prosseguir a acumulação de riqueza, por parte dos mesmos e, deste modo, manter um modelo de concentração (completamente oposto à redistribuição anunciada).

As manifestações que têm ocorrido por todo o lado no Brasil incorporam largos contingentes de juventude, desorganizada, essencialmente urbana e avessa a aceitar qualquer direcção política e com uma grande dispersão de alvos reivindicativos. São ‘manifestações inorgânicas’ passíveis de aproveitamentos vários, incluindo a direita neoliberal. Até ao início do século XXI a Esquerda brasileira ocupava a rua e a Direita ganhava nas urnas. A situação inverteu-se e, a partir de então, a Esquerda passou a ganhar nas urnas tendo abandonado a rua. Estes últimos acontecimentos são um sinal de alarme quando às linhas estratégicas de actuação futura e como o processo político dinâmico - o que decorre fora dos actos eleitorais - não pode ser desvalorizado. A revalorização dos direitos sociais – inerente à comunicação de Dilma – servirá exactamente para proteger os brasileiros das flutuações, humores e especulações dos ditos mercados e enfrentar os ‘problemas sociais’ crónicos e que em termos de volume são de uma dimensão sobreponível à grandeza territorial do Brasil.

Este é um passo no sentido da alteração do circuito distributivo implantado que merece ser seguida atentamente pois, na realidade, quer a corrupção, quer a promiscuidade e o compadrio político-partidário, pode(rá) colonizar para o ‘terceiro sector’ (uma 'construção' neoliberal opositora à coisa pública) a importante aposta na Educação que foi ontem anunciada a reboque da presente e tumultuosa crise.

Seara dá o dito por não dito

Seara, que tinha afirmado desistir da candidatura à Câmara de Lisboa, se a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa lhe fosse desfavorável, mantém-se candidato e pressiona Tribunal Constitucional.

A coerência de Seara está em linha com o comportamento da direita no desrespeito pela independência dos tribunais.

Especialista em futebol, o candidato é como a bola. Não tem ponta por onde se pegue. O candidato iminente não é um eminente candidato.


Considerações sobre a liberdade

Caros leitores, amigos e adversários

Parafraseando Pessoa, a agenda do Ponte Europa é não ter agenda. É o diário de cidadãos que julgam que a liberdade é um direito e a superstição deve ser afrontada. Há reclamações, mas raramente se perdem amigos e, muitas vezes, ganham-se outros.

Liberdade religiosa ou política é o direito de ser a favor, indiferente ou contra. Não é o simples direito à genuflexão, ao beija-mão ou ao dobrar da espinha. Quem se rege pelos dogmas acaba de joelhos ou de rastos, a lamber o chão ou o chispe do líder.

A liturgia da fé é a «ordem unida» dos exércitos, um exercício que nos leva a abdicar da razão, trocada pelo hábito. É preferível ficar com os calcanhares feridos do que acertar o passo ao compasso do tambor ou à litania da Igreja.

A liberdade conquista-se quando conseguimos dizer não ao caminho que rejeitamos, às ideias de que discordamos e aos símbolos que repudiamos. E, quando formos livres, aí dar-nos-emos conta que só atingiremos a liberdade quando a conquistarmos para todos.

O direito à troça, à ironia e ao sarcasmo é tão respeitável como o direito à submissão e à liturgia, mas, na minha opinião, a blasfémia é a catarse que emancipa e liberta, enquanto a devoção é uma forma de cristalizar a vontade e embotar a inteligência.

A tragédia das verdades únicas

Trinta e um anos de ditadura, quatro anos e 4 dias de tropa, com 26 meses de desterro em Moçambique, na guerra colonial, moldaram o homem que sou e a compreensão de que me sinto capaz, contra as aparências.

Não me surpreendem os homens e as mulheres que pensam o contrário do que eu penso, mas não aceito o pensamento que nega a expressão ao entendimento oposto e combato o que oponha ao direito de quem discorda de mim.

Não há verdades absolutas e, por isso, só o maniqueísmo pode defender a verdade única de uma religião, de um partido político ou de uma corrente filosófica. Na Matemática e na Física as verdades são elaboradas a partir dos factos e postas em dúvida por método. Na ciência tudo é verdade até prova em contrário. Na fé, a verdade é eterna e imutável ainda que todos os factos a desmintam. Por isso, os cientistas andam sempre carregados de dúvidas enquanto os crentes vivem cheios de certezas.

Não há regime político, partido, credo ou tradição que mereça respeito se não aceitar o contraditório.  O esclavagismo, a antropofagia e a misoginia foram tradições que ainda não estão completamente erradicadas. Ai de nós, se nos deixarmos convencer pelo peso da tradição ou vencer pela violência do dogma.

Uma sociedade discriminatória é uma sociedade doente. Por isso, valem mais os 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos do que todos os versículos de todos os livros sagrados, quaisquer tradições, por mais consolidadas que estejam, ou qualquer utopia totalitária por mais risonha que pareça.


sexta-feira, junho 21, 2013

BRASIL: manifestações, transportes & futebol...

As manifestações que nos últimos dias têm assolado o Brasil, têm intrincadas e complexas motivações, mas não será ousado enquadrá-la na gritante assimetria que alguns dados divulgados por diversos meios de comunicação e organizações internacionais salientam: trata-se da 7ª. (sexta?) maior economia do mundo em manifesto contraste com um PIB nominal per capita colocado no 54º lugar (à volta dos 12.789 dólares link). Para termos uma noção mais real da amplitude destes desequilíbrios basta, por exemplo, constatar que no capítulo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) ocupa a 84ª. posição no panorama mundial (global).

Ao olharmos os dados publicados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) link apercebermo-nos de uma realidade muito distante da orgulhosa euforia gerada à volta de um espectacular desenvolvimento económico.

Esta iníqua situação encontra-se inserida num vasto contexto económico e social em que se verificaram, nos últimos anos, alterações graduais em alguns indicadores (qualidade de vida, níveis de bem-estar, aplicação de direitos humanos e o acesso a serviços, bens e oportunidades) mas não existiram proporcionalmente - e em relação com o crescimento económico - ganhos na redistribuição da riqueza. Isto é, um conjunto de gritantes desigualdades prevalece verificando-se que uma minoria de brasileiros está a desfrutar de altos salários e a imensa maioria dos cidadãos continua com baixas retribuições. Para uma população de cerca de 190 milhões de pessoas (censo de 2010) verifica-se por exemplo que cerca de 50 milhões recebem abaixo do salário mínimo (cerca de 300 dólares em 2013) e outros tantos não auferem qualquer rendimento, constituindo uma gigantesca e perturbante ‘bolsa de pobreza’.

Acresce ainda que esta gigantesca Confederação sofre na sua extensa vertente interna de graves assimetrias regionais (estatais) que vêm perturbar - ainda mais - as anomalias de redistribuição dos rendimentos e verifica-se, por exemplo, que no Nordeste 51% da população vive com menos de metade do salário mínimo (pouco mais de 100 €/mês) e que, por exemplo, no Sudeste essa nefasta incidência atinge os 18%.

Em linhas gerais é este o ‘caldo de cultura’ da actual sociedade brasileira facto que per si é gerador de enormes tensões políticas e sociais. O crescimento económico não eliminou a pobreza.

O principal eixo de actuação pública perante a realidade mostrada por este indicadores sociais foi a conhecida e inovadora Bolsa Família promovida pelos governos do PT (Lula da Silva e Dilma Roussef). Os três eixos fundamentais deste Plano – a redistribuição de riqueza, a acessibilidade a serviços sociais básicos (saúde, educação e segurança social) e a reintegração social dos excluídos pela pobreza – embora tenham envolvido cerca de 50 milhões de brasileiros deixou de fora muita gente (‘necessitada’). Mas o principal défice deste programa foi a incapacidade de reintegração social dos brasileiros atingidos pela pobreza que não tem funcionado exactamente porque falharam os mecanismos e as políticas relativas à promoção de uma justa redistribuição da riqueza. E a realidade social é que um vastíssimo contingente de brasileiros continua a viver à margem do crescimento económico estando literalmente incapacitado (bloqueado) para colher os esperados benefícios desta situação. E embora ninguém conteste as virtudes do crescimento económico o que hoje no Brasil está a ser posto em causa são as políticas redistributivas à volta do desenvolvimento.

É obvio que o elevado crescimento económico que tornou o Brasil num dos Países ‘emergentes’ (os BRIC) activou os ‘elevadores sociais’ e de arrasto colocou um volume considerável de brasileiros no que se convencionou chamar ‘classe média’ (com todos os seus gradientes). Cidadãos que na última década tiveram acesso à Educação hoje exibem um outro perfil sócio-cultural. Já não basta - para estes brasileiros ‘emergentes’ - o samba, o carnaval e o futebol. Só que muito embora tenham ascendido na escala social sentem-se ‘encurralados’ a juzante pela enorme bolsa de pobreza que se releva estática (não conseguindo apanhar o comboio do crescimento económico) e a montante pela ‘velha’ oligarquia instalada (muitas vezes à custa de privilégios, favorecimento e corrupção) que mantém os seus feudos inexpugnáveis.
Este ‘ensanduichamento’ gera instabilidade social, infunde receios e está a alimentar manifestações por todo o lado. Paralelamente existe um profundo desconforto político e uma galopante desacreditação do sistema partidário à custa de inúmeros e sujos 'jogos' . É que se algo corre mal – e o crescimento está a abrandar e a inflação a galopar – o caminho (todos sentem 'isso') é o regresso à área vermelha da pobreza. Rota que não é aceite - e bem - pelos 'emergentes'.

Nesse sentido a rua está, neste momento, a ser usada para consolidar as posições adquiridas e dar estabilidade (sustentabilidade) a uma estratificação social que tenha um carácter sólido e duradouro. Os novos integrantes da ‘classe média’ exigem, portanto, o desenvolvimento de um modelo social onde as prestações sociais (Educação, Saúde, Segurança Social, Transportes, Habitação, etc.) deverão ser asseguradas pelos Governos (quaisquer que sejam) e deste modo conseguir libertar energias e meios para permanecerem no escalão já atingido, sem receios de voltar a mergulhar na estagnada  e vasta 'bolsa de pobreza'. Este é o modo e o instrumento disponível de assegurar alguma estabilidade para as regalias conquistadas. Para estes 'novos' protagonistas, futebol, ... bem,  já demos!

A Irmandade Muçulmana é o rastilho de um confronto

Matem os judeus

A Irmandade Muçulmana não é, na aparência, diferente da Cáritas ou da Conferência de S. Vicente de Paula mas, na realidade, é um instrumento do proselitismo islâmico com uma agenda de domínio à escala mundial.

Não significa que as Igrejas cristãs não tenham igual intenção, mas falta-lhes a violência que o Islão conserva e o apoio das ditaduras que em terras de Maomé assumem a forma de teocracias.

A Europa e os EUA têm uma notável tendência para a asneira e uma cobarde tolerância com o desrespeito dos direitos humanos, quando praticados sob os auspícios da religião. A decapitação por heresia, a lapidação por adultério, as vergastadas por tradição pia, em praças públicas, ou a excisão do clitóris em meninas, passam por hábitos culturais que o contexto islâmico em que ocorrem torna tolerável.

Desde que Ergodan tomou o poder, de forma democrática – diga-se –, que o processo de reislamização da Turquia não parou. É o «irmão muçulmano» alcunhado de moderado, um ditador que a União Europeia e os EUA protegeram, desconhecendo o massacre dos curdos, a repressão interna e a progressiva islamização do poder.

Agora é o Egito que se destaca pela sua dimensão territorial, estratégica e populacional no xadrez da geopolítica mundial. «O presidente egípcio Mohamed Morsi nomeou em 17 de junho de 2013, 17 de los 27 governadores do país e aumentou para 11 o número de membros da Irmandade Muçulmana que ocupam esse cargo» (Voltairenet.org ).

E lê-se mais neste sítio: «Entre os agora promovidos pelo presidente Morsi encontra-se o líder do Partido da Construção e Desenvolvimento, Adel al-Khayyat, o qual se torna governador de Luxor apesar de ter sido um dos organizadores do massacre que custou a vida a 62 pessoas, em 17 de novembro de 1997, precisamente em Luxor.

Enquanto se troca a ética por petróleo e o bem-estar por complacência com o crime, não há segurança para as democracias ou respeito pelos direitos humanos pelos facínoras da fé.

Apostila - O antissemitismo violento é apanágio desta seita terrorista.

Vaticano reconhece segundo milagre de João Paulo II



Julgava-se que, com o papa Francisco, chegara ao Vaticano uma pessoa normal, que não podendo evitar o lóbi gay e a corrupção que o aguardavam, poderia ainda suspender os milagres já preparados para a indústria da santidade.

É um truísmo banal afirmar que «o que pode ser afirmado sem provas, pode igualmente negar-se sem provas», mas surpreende que no século atual ainda se inventem milagres para alimentar o comércio da fé.

Quando «a cura inexplicável de uma mulher» se transforma em milagre e se descobre logo o autor, há uma boa dose de superstição ou uma deliberada encenação do embuste.

Esqueçamos o Papa que perseguiu os teólogos da libertação, que os reduziu ao silêncio e que deixou à solta a Opus Dei, o negócio dos milagres e o encobrimento dos casos de pedofilia. Fica ainda a cumplicidade com Reagan e a proteção a Pinochet, cujos crimes silenciou ao contrário dos esforços para lhe evitar o julgamento. Não houve ditador sul-americano católico que não tivesse a sua bênção e ações contra o comunismo que não tivessem a sua subvenção pia sem escrúpulos sobre a origem do dinheiro.

A proteção ao arcebispo Marcinkus, cuja extradição impediu, para evitar o julgamento e a condenação que esclareceria a lavagem de dinheiro no Vaticano e a falência do banco Ambrosiano, era suficiente para manchar o pontificado de João Paulo II.

Quem protegeu os mais reacionários movimentos católicos, Opus Dei, Legionários de Cristo e Comunhão e Libertação, grandes contribuintes dos cofres do Vaticano, todos envolvidos em escândalos à escala planetária, apenas porque lutou contra o comunismo, não merece que lhe adjudiquem um milagre para o colocarem nas peanhas das igrejas e nos santinhos que distribuem pelos garotos do Terceiro Mundo.

Afinal, o Papa Francisco apenas continua o negócio por outros meios.  A santidade é o estado civil e a profissão do velho celibatário, à semelhança dos seus antecessores.

quinta-feira, junho 20, 2013

No Jardim Botânico Tropical, de Lisboa

Ontem, Cavaco Silva e a imprescindível prótese, Maria Cavaco Silva, plantaram uma árvore, «pela importância da árvore na história da República» cuja abolição do feriado promulgou.

Disse que já plantou «dezenas de árvores» e abriu «dezenas de covas», sendo novidade a primeira confidência.

Escusava de se ter declarado especialista na abertura de covas que os atos falam por si. Certamente que as árvores ficaram bem presas pois as covas abertas pelo agricultor são buracos donde nunca se sai. É inegável a sua vocação para coveiro.

Ninguém defende Cavaco Silva e Passos Coelho

Ontem a SIC foi cruel para com o casal Aníbal/Maria Cavaco. Não é justo explorar a decadência física e intelectual, com imagens de primeiro plano e frases de medíocre qualidade. A televisão tem obrigação, não de negar a informação, mas de, na esteira de Isabel Jonet, se dicar à caridade. Aquele casal de agricultores foi um erro de casting que não pode repetir-se para preservar um módico de dignidade da função presidencial.

Até Rafael Trujillo, o despótico ditador, que exerceu o poder na República Dominicana, de 1930 a 1961, diretamente ou por intermédio de um títere seu, numa sangrenta tirania apoiada pela ditadura militar, teve quem o defendesse. Trujillo foi um dos mais sinistros ditadores de sempre e, mesmo assim, o presidente Truman defendeu-o.

Um dia, perante a defesa que Harry S. Truman, o 33º presidente dos EUA, fez de Rafael Trujillo, um dos seus colaboradores, lembrou-lhe que o seu protegido era um filho da puta, ao que o presidente americano respondeu: «mas é o nosso filho da puta.»

Até Trujillo teve quem o defendesse. Em Portugal, sem que Cavaco e Passos Coelho se possam comparar a ditadores ou tenham cometido qualquer atrocidade, ninguém surge a defendê-los. Podem ser maus, mas era justo que, pelo menos os beneficiários, dissessem como Truman: «é o nosso presidente» e «é o nosso primeiro-ministro».

Calam-se.  


Chipre: questão premente e inquietante…


A oportuna, crítica e desafiadora carta link do Presidente cipriota Nicos Anastasiade (um homem do ‘bloco do Partido Popular Europeulink) à Troika (FMI, UE e BCE) é um lúcido, responsável e fundamentado apelo - desafio - à (re)ponderação acerca dos ‘resgates’ nos Países europeus do Sul ou o prenúncio (anúncio) da saída do Chipre da UE?

Passos Coelho, Nero, Homero e Ulisses

“Um homem, à força de lhe dizerem que é tolo, acredita e, à força de repeti-lo a si mesmo, faz com que o seja”. Creio que foi Pascal quem escreveu a frase que, por obra do acaso, não esqueci e, por felicidade, me ajuda a compreender o primeiro-ministro.

Não funciona substituindo «tolo» por «sobredotado» mas, quando PPC foi candidato a líder do PSD, eram muitos a louvar-lhe as banalidades. Depois, o prestígio do cargo de PM teve o condão de fazer as tolices parecerem desígnios de um génio. Não demorou a queda do figurante, desolando o séquito dos habituais sebastianistas que julgavam ter encontrado num inepto um predestinado.

Cedo se revelaram bagatelas as frases do incompetente governante e erros grosseiros as decisões do bando que atuava ao som do refrão «custe o que custar».

Passos Coelho a insistir no «custe o que custar» lembra o imperador Nero a fazer versos e a recitá-los perante a aclamação dos convidados para os lautos banquetes romanos. Só não teve a sorte de Nero, a quem um cônsul, após os aplausos, lhe disse que eram maus os versos e que esperava melhor. Quando o pânico se espalhou, com o silêncio de Nero, o atrevido cônsul afirmou ainda que tais versos seriam ótimos para Homero ou Virgílio, não para ele, Nero, a quem os deuses privilegiaram para não ter rival.

Haja quem diga a Passos Coelho que a sua governação seria excelente para Pimenta de Castro ou João Franco, não para ele, porque, segundo julgo, Nero renunciou à poesia.

Ponte Europa / Sorumbático



quarta-feira, junho 19, 2013

O Irão e a vitória de um islamita «moderado»

Irão – O fantasma  que persegue Rohani (Dn, hoje, pág. 25»

O novo presidente do Irão, o muçulmano «moderado», Hassan Rohani, há de recordar toda a vida o suicídio do filho mais velho, de 20 anos, em 1992, por causa da carta que ele lhe deixou.

A carta foi publicada no jornal «Al-Sharq al-Awsat», sediado em Londres e propriedade do exilado iraniano e comentador político Ali Reza Nori. Dizia o filho de Rohani:

«Odeio o seu governo, as suas mentiras, a sua corrupção, a sua religião, as suas duas caras, a sua hipocrisia».
(…)

«Tenho vergonha de viver num ambiente em que sou forçado a mentir aos meus amigos diariamente, a dizer-lhe que o meu pai não faz parte de tudo isto. A dizer-lhes que o meu pai ama a sua nação, embora eu acredite que isto não é verdade. Enoja-me vê-lo, meu pai, a beijar a mão de Khamenei.»

Para memória futura. As frases sobre Durão Barroso

Sobre Durão Barroso

As frases:

1 – «A França defende que as políticas públicas da cultura devem corrigir as falhas do mercado. Para Barroso, isso são ideias "reaccionárias". Na verdade, o presidente da CE prefere manter uma relação religiosa com a ideia do mercado livre. A mesma religião que tem servido bem a sua ambição, mas muito mal Portugal e a Europa, levando a Zona Euro a esta agonia da austeridade, capaz de a precipitar no caos da fragmentação. Não acontece sempre, mas desta vez "grandeza da França" coincide com a defesa da grandeza espiritual da Europa».

In DN, hoje – Sonhos europeus, por VIRIATO SOROMENHO MARQUES

2 – «Desde há oito anos, o presidente da Comissão [Europeia] tem-se distinguido pela sua maleabilidade. Defensor de pequenos estados quando era primeiro-ministro de Portugal, liberal aquando da sua nomeação para Bruxelas antes da crise de 2008, sarkozista sob a presidência de Nicolas Sarkozy, incapaz, desde então, da menor iniciativa política para relançar a União, ele acompanhou o declínio das instituições europeias», pode ler-se no editorial do Le Monde que avança ainda: «Hoje, aos 57 anos, este camaleão procura um futuro. À procura de um bom cargo na NATO ou nas Nações Unidas – quem sabe –, ele escolheu lisonjear os seus parceiros anglo-saxónicos, o primeiro-ministro britânico e o presidente americano. Na chefia da Comissão Europeia, terá sido um bom reflexo da Europa, uma década de regressão».

(DN, hoje, página 24)


Cavaco e o seu Governo

Na pressa de ajudar o seu Governo, o Presidente da República garantiu esta terça-feira que dará “prioridade” ao diploma que estabelece a reposição do subsídio de férias à Administração Pública e pensionistas em Novembro ou Dezembro. O diploma já chegou a Belém.

Portugal não segue o caminho da Grécia

É a Grécia que segue o caminho de Portugal.

O Governo grego inspirado no português desprezou a decisão dos Tribunais e mantém a televisão fechada. Quem disse que a civilização veio da Grécia? É Portugal que caminha na vanguarda da marginalidade a caminho de um Estado pária.

terça-feira, junho 18, 2013

A censura salazarista e uma interessante iniciativa em Coimbra

A censura foi uma da armas utilizadas por Salazar para manietar quem pensasse de forma diferente.
A patente não lhe cabe, todos sabemos que as práticas censórias em Portugal têm historial digno de monta.
Mas o ditador foi exímio na mordaça de um povo.

Os governos civis faziam, logicamente, parte da engrenagem censória.
Neste espaço, lugar para a publicação de documentos relacionados com a censura, intervenção a cargo do Governo Civil de Coimbra.

PARA SABER MAIS:

Historietas da censura salazarista

ERT e o doloroso ajuste (de contas) grego…


A reabertura da radiotelevisão pública grega (ERT) determinada – pelo menos até Setembro – pelo Conselho de Estado Grego link parece, à primeira vista, ter adiado a crise política que regressou à Grécia. Mas todos os ingredientes da crise política continuam presentes e são indisfarçáveis.

O intempestivo (violento) fecho da estação oficial grega ao que transpareceu solitariamente ordenado por Antonis Samaras, gerou tamanho desconforto político aos actuais parceiros da coligação governamental que a fez ‘tremer’.
Interessa perceber quais as motivações para o chefe do Governo agir tão ‘descuidadamente’.

Desde logo uma postura de obediência cega às ordens e desejos da troika. Trata-se de um Governo disposto a fazer tudo para receber a próxima ‘tranche’ do programa de assistência financeira em curso (outros há que pretendem fazer mais). Não será um caso isolado na Europa. Mas, mesmo para os acomodados defensores deste processo de aviltamento, a subserviência tem limites. E eles foram deliberadamente ultrapassados.

Na verdade a ERT pode ter sido vítima de uma gestão deficiente. Todavia, a ERT sendo paga directamente pelos consumidores através de taxas cobradas com a factura da electricidade e não uma despesa directa do Governo, deveria ser objecto de reestruturação, sem soluções de continuidade. 
E a gestão danosa a existir cabe inteiramente a dois dos partidos que integram a actual coligação (PASOK e Nova Democracia) e que se têm alternado no poder depois da queda da ditadura militar. Todavia, o Governo grego, em relação as estes meios de comunicação públicos, tem responsabilidades legais (constitucionais) e ainda as decorrentes do Tratado de Amesterdão que define o serviço público de radiodifusão na UE, e que não pretende respeitar. Aliás, a violentada ERT é a única emissora a operar na Grécia com licenciamento válido. As estações concorrentes, todas privadas, operam à sombra de expedientes legais e de “licenciamentos ad hoc’, necessariamente temporários ou mesmo sem qualquer tipo de licenciamento, o que ‘mostra’ o sustentáculo legalista desta acção terrorista do Governo grego.

Claro que a justificação para o encerramento da ERT passa pelo anúncio da criação de uma nova entidade (NERIT), ‘sustentável’, ‘independente’ (‘enxuta’ é um dos termos usados) e, o importante, pelo despedimento de cerca de 1.800 (2/3 dos) trabalhadores-funcionários. Um pormenor curioso foi como se processou o black-out. Forças policiais fortemente armadas entraram à força nas instalações técnicas de Atenas e Salónica, expulsaram os técnicos que aí se encontravam e cortaram as fibras ópticas. Em concomitância com esta acção bélica a empresa de telecomunicações OTE (privatizada em favor dos alemães) desligou as comunicações telefónicas e da internet. Interessante 'congregação' de esforços.
Na realidade, todo o projecto que se apresenta sobre uma (talvez necessária) reestruturação - só viabilizado após a decisão do Conselho de Estado grego - aparece contaminado por questões partidárias, de enviesados métodos de recrutamento de pessoal e enfeudada ao futuro controlo deste organismo.
Outro - e o que tem sido escondido - é o miserável expediente de ‘satisfazer’ troika. O FMI enredado em contradições internas sobre os erros do processo de resgate da Grécia (erros que se reproduziram em relação a outros 'países intervencionados'), exigiu para a libertação da última tranche financeira o despedimento imediato de 2000 funcionários públicos. Ora, a ERT (com > de 2000 funcionários) estava à 'mão de semear'...

Depois, a envolvente política. Samaras está convicto de que os seus parceiros de coligação a última coisa que desejam é ir a votos, tamanhas foram as tropelias feitas aos gregos para a ‘aprovação’ do último resgate. A metodologia táctica empregue pela Direita é muito característica, mas nada inovadora: avançar com propostas ou medidas drástica a fim de ganhar espaço para depois recuar parcialmente. E deste modo cumprir os 'altos desígnios' trabalhados e impostos pelos ditos 'representantes dos credores'. Não sabemos qual será ‘solução final’, se uma ERT ’remodelada’, 'amputada' ou 'alienada'. De facto, até as alienações, i. e., face ao imenso rol de privatizações previstas – independentemente da delapidação de património e favores aos mercados internacionais - não têm corrido bem. O Governo de Atenas, por exemplo, não conseguiu – nos últimos tempos - vender a empresa pública de gás natural (DEPA) e a lotaria nacional (OPAP). O desmantelamento da ERT seria também uma condição política prévia e indispensável para levar avante, sem tumultos, um largo e desastroso plano de privatizações acordado com os ditos ‘credores’ (serviços públicos de água, energia eléctrica, aeroportos, portos, etc.).

Em todo este processo, existe um outro dado relevante e, mais uma vez, coincidente. A actual coligação governamental grega está a desmoronar-se face às contradições internas e aos desastrosos resultados. Terá sido este 'instinto de sobrevivência' que esteve por detrás ou à frente desta última crise grega. A ERT é no que respeita à profunda crise grega a ‘ponta do iceberg’. Facto que levou Alexis Tsipras, líder do maior partido da Oposição, a considerar Samaras como o ‘Napoleão dos bailouts’ que - como a história nos revelou - não foi capaz de prever o 'seu' Waterloo. O que não deixa de ser uma boa imagem histórica.

Os portugueses têm uma importante lição a tirar de mais um episódio desta dolorosa tragédia grega. O processo em curso é exactamente o mesmo só existindo ligeiras diferenças de ‘timing’.

Para pensar....


Prostituição política ou erro de casting?


‘Utilise-moi pendant le temps qui te convient et convient à ton action et à ton casting’…
Le Monde, carta de ‘fidelidade’ de Christine Lagarde a Nicholas Sarkozy link

Este um naco de nauseabunda prosa da actual ‘patroa’ daquele organismo internacional que periodicamente envia emissários  para nos avaliar e impor medidas de ‘ajustamento’.

Para quem a senhora estará a ser ‘útil’ neste momento?

E quem serão os seus actuais ‘utilizadores’?

Onde começa e acaba o 'casting' ?

O papa faz humor com o perigo que corre

Durante a visita da delegação venezuelana ao Vaticano, o membro da comitiva, Carmen Melendez, almirante da Marinha de Guerra, pediu ao Papa autorização para lhe beijar o anel. Enquanto decorria o ato de subserviência, o Papa pediu-lhe: «reze por mim, mas reze a favor e não contra».

Claro que foi um ato de humor, mas o Papa Francisco sabe que quem crê nas orações é bem capaz de rezar contra!

segunda-feira, junho 17, 2013

A impunidade dos crimes do franquismo

Há um único tipo de crimes cuja investigação está bloqueada em Espanha e que não se permite a outros países que os investiguem – os crimes cometidos pelo franquismo. São crimes contra a Humanidade que a Amnistia Internacional procura investigar mas que a decisão do Supremo Tribunal tornou ainda mais difícil.

Este Tribunal, onde o franquismo é a luz que o ilumina, já declarou em acórdão que não cabe aos juízes espanhóis julgar tais crimes. Aliás, foram provas reunidas pelo excelso juiz Baltasar Garzon que levaram ao seu afastamento da magistratura.

Os filhos do franquismo dominam tribunais e numerosos centros do poder em Espanha. O PP está cheio de cúmplices, de Aznar a pequenos tiranos regionais. A Igreja, através dos bispos, particularmente do cardeal Rouco Varela, espuma de raiva quando vê o seu passado devassado e a sua cumplicidade exposta.

O presidente da Amnistia Internacional em Espanha, Esteban Beltrán, garantiu hoje, ao apresentar o relatório «O tempo passa, a impunidade permanece», referindo-se à situação das vítimas de la Guerra Civil e da ditadura, que não há nenhum outro delito ocorrido em Espanha em que as vítimas tivessem sido obrigadas a recorrer a outro país em busca de justiça".

O arquivamento maciço das denúncias de roubos de bebés, em numerosos tribunais de várias instâncias, é a mais sórdida das atitudes generalizadas, particularmente porque há indícios de ter havido uma «rede organizada».

O cadáver de Franco alimenta ainda os saprófitas da ditadura. O genocida mantém poder em diversas áreas. É uma vergonha para Espanha e para o mundo.

Apostila: As informações factuais constam do El País, de hoje

A Turquia nas mãos de muçulmanos ditos moderados

Pio IX dizia que o catolicismo era incompatível com a democracia mas, por virtude da segunda, foi desmentido. Não foram os papas que outorgaram a liberdade, esta impôs-se nos países moldados pelo Iluminismo, a Reforma e a Revolução Francesa.

No Islão jamais foi feita a prova de que a liberdade e a fé podiam coexistir. Não são os islamitas que são perigosos, são os fundamentos do Islão. O Corão apela à guerra santa e ao extermínio dos infiéis como sucede com todas as doutrinas totalitárias, com todos as religiões que se julgam as únicas empresas de transportes autorizadas a circular nas estradas que conduzem ao Paraíso.

A eleição de Abdullah Gul, em 2007, para Presidente da República foi uma afronta aos setores laicos e progressistas da Turquia moderna, especialmente aos militares e juízes, que sustentavam a laicidade imposta pela figura tutelar da Turquia moderna – Kemal Atatürk. Foi também a grande vitória do pio Erdoğan, primeiro-ministro desde 1954.

Como não há democracias militares nem de juízes, coube aos turcos respeitar a decisão das urnas e a Erdoğan, que detém o poder, respeitar a Constituição, apesar da religião.

Essa foi a última oportunidade para o Islão mostrar pela primeira vez que se conforma com o pluralismo e que um presidente e um PM islamitas são capazes de respeitar os que creem e os que não creem no Profeta, bem como os que não creem em profetas.

Se a democracia soçobrar na Turquia, prova-se que o Islão não renuncia à obediência ao anacronismo do livro sagrado e que entre a civilização e a barbárie, entre a liberdade e a fé, só resta a espada para defender uma ou impor a outra.

Enquanto Erdogan, um paciente devoto, foi urdindo a subordinação do País à demência do Corão, e esmagando a contestação laica, com a benevolência americana e europeia, a Turquia sofreu um processo de reislamização lento e eficaz. Os turcos secularizados já arriscam a vida para combater a opressão de um regime validado nas urnas e ungido nas mesquitas.

Sucedem-se as cargas policiais, os confrontos e endurece a repressão, com invocações a Alá e preces ao misericordioso Profeta contra os turcos secularizados. A polícia dispara a matar e o Governo ameaça usar o Exército para dissipar protestos contra Erdogan.

No dia 29 de outubro deste ano de 2013, era vulgar, comemorar-se-ia o 90.º aniversário da República homenageando Atatürk, o pai da Turquia moderna e laica. Erdogan, com o Corão em uma das mãos e na outra o exército, conduz em direção a Meca a República que deixará de ser «constitucional, democrática, secular e unitária».  

A extinção do serviço militar obrigatório (SMO)

Confesso que fiquei satisfeito com a aprovação norueguesa do serviço militar obrigatório para ambos sexos, ocorrida na última semana, decisão pela qual, em devido tempo, ingloriamente me bati.

Os partidos, com a honrosa exceção do PCP, cederam às juventudes partidárias. Foi enternecedor ver a euforia da Mocidade do CDS com a vitória, que não se percebia se era o ódio às FA, por terem libertado Portugal da ditadura, ou a alegria por não terem de lutar na guerra que nunca viram como injusta, criminosa e antecipadamente perdida. As juventudes do PSD e do PS também exultaram, mas sem a mácula colonialista evidente.

Quando terminou a guerra colonial, as Forças Armadas, democratizadas, tinham todas as condições para se transformarem na referência cívica do país, incubadora das forças policiais da GNR e PSP e respetiva escola de quadros. Bastava que o SMO tivesse sido mantido, alargado a mulheres, e dimensionado, de acordo com as necessidades do País.

As FA seriam um instrumento da unidade nacional e da sã convivência entre jovens das várias regiões portuguesas, ao serviço da paz e na defesa da democracia. O SMO seria o cumprimento da obrigação cívica para com a Pátria, perdida a pretensão colonialista de submeter, ao Império e à ditadura, pátrias alheias.

Não sendo já o tempo em que os portugueses eram incorporados entre 3 e 4 anos numas Forças Armadas que obedeciam à voz do dono; terminada a guerra injusta e criminosa que inviabilizou uma descolonização menos traumática; desaparecido o Governo ilegal que lançou uma geração no pesadelo da guerra colonial, nada justificou o fim do SMO.

A democracia que hoje se respira, com sustos, não é uma conquista irreversível. Não há conquistas irreversíveis. E, na minha opinião, só um SMO garante Forças Armadas que sejam o espelho da Nação e não a guarda pretoriana de mercenários ao serviço de quem a saiba e queira usar.

Para além das razões apontadas, não temos recursos financeiros para manter umas F. A. à altura das necessidades e do valor simbólico que representam e, muito menos, com a garantia do pluralismo ideológico a percorrê-las.

O voluntariado, a predisposição para a obediência cega, a falta de controlo podem levar a que lenta e paulatinamente se resvale para a criação de uma hidra que em situação de instabilidade sufoque as liberdades e conduza a um Governo autoritário.

Os novos militares sentir-se-ão mais solidários com a entidade patronal, que lhes paga, do que com a Constituição que devem defender.

Temo que as F. A. voltem a ser a guarda pretoriana de uma ditadura e não o referencial de estabilidade e a garantia das liberdades e do regular funcionamento da democracia.


Penso que o serviço militar obrigatório defende melhor os valores democráticos.