segunda-feira, outubro 27, 2014

Parabéns, presidenta Dilma!

Há nessa vitória sofrida o júbilo de ver congelado o liberalismo que faria mais desigual um país que, desde Lula, tem vindo a resgatar da pobreza dramática milhões de pobres. Há na vitória, que a torpe campanha com que tentaram assassinar o carácter da mulher que ousou ser guerrilheira, contra a ditadura, uma epifania. Foi o triunfo da coragem, da obstinação e da social-democracia contra o liberalismo, a demagogia e o oportunismo.

Foi a vitória contra a comunicação social, nas mãos dos grandes grupos económicos, e o triunfo contra as Igrejas que queriam transformar o Planalto numa sacristia.

A corrupção é uma hidra que se enrola ao poder e que medra com ele. A presidenta sabe disso, e todos contam com a sua coragem para a erradicar. É uma luta sem quartel e que nunca é vencida, mas há passos firmes que não deixará de dar. Não desiluda quem está consigo, porque gosta de si, e quem a apoia porque não esquece Lula, o mais sólido dos seus apoiantes, o mais carismático dos seus eleitores e o mais português dos brasileiros.

Felicidades, Presidenta. A queda do preço do petróleo, com o gás americano extraído do xisto, vai dificultar projetos sociais e são difíceis as opções e impiedosos os adversários. Há de achar, na luta contra a pobreza, o caminho de que os rivais a queriam afastar.

Este texto vai arreliar muitos dos meus amigos, não pela alegria que manifesto, pois a maioria deles estava a seu lado pela razão e pelo coração. É o nome de «Presidenta» que os amofina, esquecidos de que a língua comum pode ter diferenças, mas é a mesma, e de que a palavra «presidenta» só surge para designar uma função que em nenhum outro país de língua portuguesa tinha sido desempenhada por uma mulher.

Esquecem-se de que um dia escreverão também «presidenta» porque já é tempo de uma mulher ocupar o mais alto cargo e temos mulheres que o merecem.

Aliás, os que se indignam com o feminino que Dilma consagrou esquecem-se de que já temos, na língua que nos une, as “infantas” que morreram e as “governantas” que estão como criadas de senhores feudais mas que não são outra coisa para além do feminino de “governante”, um feminino aceite para funções menos nobres por razões misóginas.

Boa noite, Presidenta. Feliz mandato. Viva o Brasil!