sexta-feira, novembro 21, 2014

O Governo, ‘Remax’, emprego e demagogia …


Ontem, numa audição parlamentar sobre o caso dos ‘vistos dourados’, onde o vice-primeiro-ministro assumiu publicamente a sua paternidade, quando interpelado por uma deputada da oposição (BE) sobre quantos postos de trabalho teria criado o referido programa, respondeu com uma intolerável chicana política:
Quem é que cria mais postos de trabalho? A Remax ou o Bloco de Esquerda?link.
Mais uma vez estamos na presença de justificações espúrias e de orientações políticas assentes nos ditames dos mercados e em convicções ideológicas. Neste caso o ‘mercado imobiliário’.

Quando se é cidadão (e não só portador do estatuto de residente privilegiado) num País que regista elevado número de devoluções de habitações próprias (para residir no dia a dia e não 7 dias por ano como se estipula nos ‘vistos gold’), verificamos que só no ano de 2012 – em que o impacto das medidas de austeridade, de empobrecimento, de desvalorização salarial e de crescimento descontrolado de desempregados atingiu um dos seus ‘picos’ sob a batuta deste Governo - esse número atinge 5.470 habitações link e tornam a chicana de Paulo Portas absolutamente insuportável.
Na verdade, passando ao lado das inúmeras iniquidades dos chamados ‘vistos gold’ (abundantemente denunciadas por toda a Oposição) e que, efectivamente, proporcionaram os casos em inquérito resultantes da “operação Labirinto” (donde poderão surgir novidades), o vice-primeiro ministro deveria ter-se interrogado:
- Quem destrói (ou destruíu) mais postos de trabalho? O Governo ou o Bloco de Esquerda?.
 
E, finalmente, deixar a 'Remax' fora da questão (não lhe proporcionar publicidade gratuita), já que Paulo Portas foi chamado ao Parlamento para tratar de coisas públicas.
 
Enquanto o 'chico-espertismo' de fachada cosmopolita, assente em rábulas, permanecer no poder não recuperaremos a dignidade da política. E sem esta não existe nada de dourado que valha a pena. É a politica do biscate e do pechisbeque….