quinta-feira, julho 31, 2014

Impedidos de amar


A democracia, a fé e a devoção

A democracia é um sistema estranho, combatido por adversários e adeptos, uns por ódio à doutrina, outros por animosidade aos concorrentes. Churchill dizia que era o pior dos sistemas, com exceção dos outros. E assim é.

Há poucos democratas dispostos a defender rivais, a reconhecer-lhes o direito ao poder ou, sequer, a legitimidade de terem opiniões. Quanto aos antidemocratas, que se batem pela fé que depositam num partido único, num sistema que julgam ideal, com a devoção dos peregrinos de Fátima e a paixão dos adolescentes com cio, nem vale a pena falar.

A democracia representativa não se esgota no voto universal, secreto e livre, mas, sem ela, não há liberdade nem maior justiça social. É premente aprofundá-la na sua vertente económica, política e social, na certeza de que não está na suspensão do funcionamento a salvação da liberdade ou a consolidação democrática.

A democracia custou demasiado sangue. Não foi fácil deslocar a origem divina do poder para a legitimidade do voto popular, e este princípio nunca foi aceite generalizadamente. Não falta quem se conforme, na esperança de manhãs de nevoeiro ou amanhãs ridentes, no desejo de novos paradigmas e velhas receitas, com o retorno de modelos totalitários.

A tortura e o esclavagismo foram erradicados dos hábitos dos países civilizados, há tão poucos anos! A pena de morte permanece em países civilizados e com sistemas penais modernos, sem que a confirmação de sucessivos inocentes mortos faça tremer a mão de legisladores carrascos.

Em vez de uma luta, à escala mundial, contra as ditaduras, a tortura, a pena de morte e a discriminação da mulher, apoiam-se ou esquecem-se obscuros países, apenas porque os ditadores de turno são inimigos dos inimigos de quem os esquece ou apoia.

A luta pela igualdade de direitos, pela educação, saúde e alimentação, sem distinção de sexo, raça, religião ou cor da pele, é um dever que devia sobrepor-se aos ódios herdados da guerra fria ou às vinganças cultivadas durante gerações de terroristas.

Brecht terá sido expulso da escola por, ainda criança, numa redação sobre «não há maior honra do que morrer pela pátria», ter escrito «sou jovem, quero viver».

É neste amor à vida, numa sociedade republicana, laica e democrática, que teremos de encontrar a plataforma mínima de entendimento para a sobrevivência coletiva.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, julho 30, 2014

Há homens que nos restituem a dignidade

Umar Khan

«Umar Khan, o médico responsável da luta contra o ébola na Serra Leoa, faleceu nesta terça-feira, depois de se ter contagiado com a doença na semana passada, segundo informou o médico-chefe do país, Brima Kargbo. Khan, de 39 anos, era considerado um herói nacional por tratar mais de uma centena de pacientes infetados pelo vírus».

Esta morte pela paz, em luta contra a doença, ao serviço dos que sofrem, é um exemplo de altruísmo que cala fundo nos que ainda conservam um módico de humanidade, uma centelha de altruísmo, um resto de esperança na abnegação de um médico.

Esta morte não foi em vão. O amor aos outros foi mais forte do que o ódio sectário que fomenta as guerras e alimenta vinganças. Este médico é um exemplo para ser apontado nas escolas, hospitais e em qualquer lado onde a semente germine.

Num mundo em desvario, sumidos os valores humanistas, o exemplo deste homem é a redenção que faltava. A triste notícia, com os seus doentes desesperados, reconcilia-nos com o mundo e faz-nos acreditar que nem tudo está perdido.

Entre a alma empedernida de um agiota e o coração terno do filantropo há espaço para que floresçam modelos de altruísmo de que foi exemplo o abnegado médico que morreu em combate por uma causa que vale a pena.    



Esquecidas em nome do multiculturalismo


Quando o Islão é moderado, as mulheres podem estudar e tirar uma fotografia de curso.
Para mais tarde recordar.

Algumas notas religiosas para a silly season

Naquele tempo tinha sido Deus encarregado, pelas tribos nómadas dos árabes, para falar de forma definitiva e dar o alvará de profeta pela última vez.

Ajudou-o na tarefa um velho amanuense que seis séculos antes era alcoviteiro, o arcanjo Gabriel. Apesar da vasta criação de profetas e anjos, em que eram peritos os hebreus foi, Gabriel o escolhido para escriturário da fé, naquela região onde se substituíam os deuses criados para cada especialidade por um único.

Os hebreus tinham criado Deus para uso das suas doze tribos e o isolamento da época fê-los acreditar que eram o povo eleito. Apesar do êxito e de ser pouco recomendável a criatura, lembrou-se Paulo de Tarso de tentar uma nova cisão para que o Deus de Israel pudesse ser exportado para todos os cantos do mundo, conhecidos ou a descobrir.

Perderam os hebreus, especializados na criação de profetas, milagreiros, anjos e ofícios correlativos, que viram confiscado o Deus de Abraão, da sua lavra, e oferecido a todos os que quisessem adorá-lo. Aliás, o proselitismo ajudou à disseminação e foi o Império Romano que acabou por ser o seu sectário defensor e propagandista musculado.

Mais tarde, no início do séc. VII da era vulgar, ganhou o alvará de profeta, o legítimo e genuíno, um condutor de camelos, habituado a retirar-se para orar e meditar nos montes perto de Meca. No ano de 610, acredite quem quiser, o pastor de quarenta anos fazia um desses retiros espirituais, no interior de uma das cavernas do Monte Hira, quando o anjo Gabriel o achou e lhe ordenou que recitasse os versículos enviados por Deus e que ele próprio, pacientemente, o obrigara a decorar nas suas viagens entre Medina e Meca.

Sem concurso aberto, nem provas públicas, a fé quer-se oculta, o pastor foi empossado como profeta e passou a debitar uma cópia grosseira do cristianismo, misturada com as fontes do judaísmo, conhecimentos que não eram alheios aos árabes. E não lhe faltaram combatentes cruéis para serem militantes do que diziam que disse e que lutavam contra quem dizia que era diferente o que disse.

Quanto mais primária for uma crença mais sedutora se torna. Claro que não faltaram os verdadeiros intérpretes da palavra exata nem as lutas pela autenticidade. Mas do que se diz que o Misericordioso disse, apesar da violência que as tribos nómadas cultivavam, a fé mantém-se viçosa no húmus da superstição que a tradição eleva à culminância divina.

Os cinco pilares andam aí, contra as mulheres, contra a liberdade, contra um módico de modernidade, impostos à bomba por uma legião de dementes, ansiosos de virgens e de rios de mel. Até quando?

terça-feira, julho 29, 2014

Cavaco Silva, bancos e banqueiros

Cavaco Silva nunca foi grande entusiasta dos bancos. Passou pelo Banco de Portugal e não se notabilizou pela assiduidade. Com o BPN, segundo anunciou pelo seu órgão de comunicação preferido, o Faceboock, nunca teve relações, limitou-se a ser acionista da SLN, numa feliz incursão familiar, ternamente acompanhado da filha.

Já com os banqueiros, persegue-o a desdita. As relações de afeição com Oliveira e Costa levaram-no a ter a companhia de gente do BPN no condomínio da praia da Coelha.

O pedido para ser candidato à presidência da República foi-lhe feito num jantar em casa de Ricardo Espírito Santo Salgado, onde o casal de Boliqueime teve a companhia dos anfitriões e das referência éticas, denominadas senadores da República, Marcelo Rebelo de Sousa e Durão Barroso, ambos acompanhados das respetivas próteses conjugais.


Este não é o incompetente do Vítor Constâncio


segunda-feira, julho 28, 2014

Infalibilidade papal antes de ser dogma


domingo, julho 27, 2014

A religião, a misoginia e a brutalidade divina

Num tempo em que a opinião pública é formada nas madraças da contrainformação, os ódios e os amores nascem nos jornais e televisões, e o livre-pensamento está sujeito aos constrangimentos sociais, como outrora a fé, ao pároco, às catequistas e aos devotos, há obrigação de enfrentar os preconceitos e a fúria dos amigos e adversários, para quem as más notícias prejudicam os seus credos.

Há violências mudas no interior das guerras de rockets e tanques de guerra ou à margem delas. Há tragédias de mulheres condenadas à escravidão ou à não existência, mutiladas, insultadas e feridas pelo mais feroz dos fascismos, que persiste em contexto islâmico.

No Iraque, onde exaltados cruzados lançaram o caos e intensificaram a violência, surge agora um bando sinistro, o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) a impor, em nome de Alá, severas restrições às mulheres de Mossul, cidade que conquistaram em junho.

Na demência de uma bulimia misógina, a caterva de trogloditas de Deus exigiu a todas as mulheres o uso do véu integral, de roupas largas que não revelem as formas do corpo e que tenham sempre as mãos e os pés cobertos, para evitarem «castigos severos».

Os comunicado dos piedosos selvagens avisava, segundo o jornal El País: «Isto não é uma restrição de liberdade, apenas impede que as mulheres caiam na humilhação e vulgaridade de ser um espetáculo».

Na quinta-feira, essa canalha medieval ordenou que todas as mulheres da cidade, entre os 11 e os 47 anos, se submetessem à mutilação genital, segundo denunciou à BBC a coordenadora das Nações Unidas no Iraque, Jacqqueline Badcock.

A fatwa do EI submete as mulheres de Mossul à violência brutal, medonha e criminosa que as expõe a hemorragias, riscos urinários, infeções e infertilidade, para além de as privar do prazer sexual e dos mais elementares direitos humanos, para satisfação de um profeta analfabeto e violento que entrou em defunção há 1382 anos.

Oiço falar de multiculturalismo e fico com brotoeja. Há um manual terrorista chamado Corão e devotos criminosos. Chamem-me xenófobo e esquizofrénico, pretextem as más interpretações dos hadiths, digam-me que é excessiva a generalização e que, na revolta que sinto me assemelho a essa canalha maldita.

As mulheres, que os pulhas de Deus destroem, são minhas companheiras, irmãs, filhas e  netas. Maldita religião, malditos cúmplices.

sábado, julho 26, 2014

A guerra que mata e a guerrilha que envenena

O exacerbamento dos ódios que corroem Israel e a Palestina passam por osmose para a comunicação social e explodem irracionalmente nas redes sociais.

A tragédia não se compadece com a neutralidade, mas os preconceitos ideológicos são a marca das opções políticas de cada um, exoneradas de um mínimo de serenidade. Só há quem veja a mais hedionda manifestação de terrorismo de um dos lados e um imaculado  comportamento no lado contrário, numa deriva que envenena as discussões e as reduz a um diálogo de surdos. A guerrilha verbal das redes sociais é um exemplo de intolerância e do ódio mimetizados do conflito.

A guerra é sempre violenta, e esta luta associa às injustiças históricas o ódio que embala o berço de cada lado. Duvido que a paz retornasse à região se fosse banido o Estado de Israel e, no entanto, um dos lados só pensa na exclusão de um país que teima em existir, e o outro, na conquista do território que julga seu por herança divina arquivada no livro da Idade do Bronze e cujo registo jaz numa Conservatória do Registo Predial Celeste.

À espera do Armagedão, a batalha final no Monte Megido, os cristãos cínicos e hebreus sionistas alimentam uma guerra em que os palestinianos escolheram terroristas para os liderar, sem que os direitos humanos ou a democracia integrem as suas preocupações.

Não discutirei com quem não aceite a existência de Israel ou a devolução, por este, dos territórios usurpados à Palestina, conforme deliberação da ONU.

Continuarei a considerar terroristas os que de um lado e doutro se colocam à margem da legalidade internacional, os que provocam com rockets o martírio e os que respondem com a superioridade militar sem cumprirem as decisões da ONU.


sexta-feira, julho 25, 2014

Figuras exóticas

António Martins da Cruz

António Martins da Cruz é compadre de Durão Barroso, pai da Diana cuja admissão em Medicina necessitou de uma portaria só para ela, escândalo que obrigou à demissão do ministro do Ensino Superior, um homem sério, do próprio Martins da Cruz e à matrícula da filha numa universidade espanhola.

Martins da Cruz, embaixador em Madrid antes de ser ministro do Negócios Estrangeiros do compadre, foi administrador de uma empresa espanhola de filatelia e numismática que viria a falir.

Foi dos defensores mais entusiastas da adesão da Guiné Equatorial à CPLP-

A vocação para o colecionismo vê-se nas condecorações que excedem o peito. Iniciou a coleção de comendas, de norte para sul, com a da Estrela Polar, e a acabar na do Cruzeiro do Sul.

Comendador da Ordem Real da Estrela Polar da Suécia (9 de Fevereiro de 1987)
Comendador da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal (2 de Junho de 1987)
Grande-Oficial da Ordem do Libertador da Venezuela (18 de Novembro de 1987)
Comendador da Ordem Nacional do Mérito do Equador (19 de Janeiro de 1990)
Comendador da Ordem Nacional do Mérito de França (7 de Maio de 1990)
Comendador da Ordem de Honra da Grécia (15 de Novembro de 1990)
Comendador da Ordem de Macários de Chipre (20 de Dezembro de 1990)
Cruz de Comendador da Ordem Pro Merito Melitensi da Ordem Soberana e Militar de Malta (25 de Janeiro de 1991)
Grande-Oficial da Ordem do Mérito do Luxemburgo (25 de Janeiro de 1991)
Grã-Cruz da Ordem do Mérito do Luxemburgo (25 de Janeiro de 1991)
Grande-Oficial da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul do Brasil (25 de Janeiro de 1991)
Grande-Oficial da Ordem da Rosa Branca da Finlândia (12 de Março de 1991)
Grande-Oficial da Ordem de Orange-Nassau da Holanda (25 de Março de 1992)
Grande-Oficial da Ordem de Bernardo O'Higgins do Chile (5 de Março de 1993)
Comendador da Ordem de Isabel a Católica de Espanha (8 de Setembro de 1993)
Grande-Oficial da Ordem da República da Tunísia (26 de Outubro de 1993)
Grã-Cruz da Ordem do Mérito de Portugal (20 de Dezembro de 1994)
Grande-Oficial da Ordem Militar de Cristo de Portugal (22 de Dezembro de 1994)
Grande-Oficial da Ordem de Ouissam Alaoui de Marrocos (13 de Fevereiro de 1995)
Grã-Cruz da Ordem de Isabel a Católica de Espanha (26 de Setembro de 2000)
Grã-Cruz da Ordem do Mérito Civil de Espanha (4 de Dezembro de 2000)
Grã-Cruz da Ordem do Mérito da Hungria (1 de Outubro de 2002)
Grã-Cruz da Ordem de Stara Planina da Bulgária (15 de Outubro de 2002)
Grã-Cruz da Ordem do Libertador San Martín da Argentina (18 de Junho de 2003)
Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul do Brasil (16 de Setembro de 2003)

quinta-feira, julho 24, 2014

Os impostos e a reprodução

Já vi cães a correr atrás de um osso que o dono lhes atirou mas não imagino um casal a despojar-se, em ânsias, dos atavios, para se dedicar à prossecução da espécie, ao ouvir na rádio que um filho, se houver êxito na tentativa, permitirá um desconto de cinquenta euros no IRS, e insistirem no ato porque ambicionam vinte euros de aumento no abono de família.

Em vez de suspiros de felicidade, pelo ato em si, na intimidade do tálamo, o casal pensa nos setenta euros, como um faminto num prato de sopa, e corre para o êxtase à razão de dez euros por minuto.

O amor não é a química entre dois seres que se amam e fazem filhos, é a análise de uma folha de Excel onde se fazem as contas dos ganhos à peça. Um filho deixa de fazer-se por gosto e passa a ser a justificação para uma avença de setenta euros mensais.

A natalidade não é uma equação em euros, a resolução do problema de aritmética cujo enunciado é redigido no ministério das Finanças.

O mistério da vida e a alquimia do amor são inacessíveis aos vegetais que nos governam e o pior é se enganam um casal de idosos que, na corrida à procriação, fratura ela o colo do fémur e ele faz uma luxação da anca.


Quo vadis, Iraque?


Quem se preocupa com vítimas indefesas perante o fascismo islâmico de um anacrónico califado? Quem se recorda dos odiosos cruzados que levaram ao Iraque a destruição e o caos? Quem estende um ramo de oliveira a estes cristãos proscritos?

Aqui está um efeito colateral da conversa de Bush Jr. com Deus, da hipocrisia de Blair, da mitomania de Aznar, do Opus Dei, e do invertebrado mordomo que serviu cafés nos Açores.

Os tumultos antissemitas em França

É irrelevante que eu considere terroristas os dirigentes de Israel e da Faixa de Gaza, que me sinta dilacerado com a implacável lei de Talião aplicada nos territórios cuja origem das injustiças é diariamente evocada e objeto de tomadas de posição por todo o mundo.

Não vale a pena recordar, a cada momento, o desacerto clamoroso da criação de Israel pela Inglaterra, URSS, EUA e pelos vencedores da Segunda Grande Guerra, em geral, que logo reconheceram o novo País, com a exceção , aliás pouco honrosa, do Vaticano.

Não esqueço a campanha de ódio orquestrada em Israel, após o selvático assassinato de três jovens estudantes raptados e sequestrados próximo de um colonato de Hebron, e as retaliações mútuas onde a superioridade militar e económica de Israel é colossal. Sendo as coisas o que são, defendo, contra os sentimentos de muita gente, o direito de Israel à existência e tranquilidade, bem como a obrigação de desmantelar os colonatos com que se expandiu pelo território da Palestina que vai inviabilizando.

Dito isto, passo a referir as manifestações da periferia de Paris, e outros locais, de apoio à Palestina, manifestações legítimas na motivação e repulsivas na forma. Os promotores exacerbam os piores sentimentos xenófobos que a extrema direita capitaliza numa orgia de antissemitismo em que se fundem dois fascismos, o autóctone, de cariz nacionalista e católico, e o árabe de primarismo muçulmano.

A destruição de estabelecimentos pertencentes a judeus, a profanação de cemitérios ou a ameaça contra sinagogas, são a hedionda manifestação do fascismo islâmico no berço do Iluminismo.

O sofrimento do povo palestiniano não deve servir de álibi para manifestações de fúria e de violência num país laico, nem se pode transformar em direito a pregação do ódio nas madraças e mesquitas do país que autoriza à religião prosélita e belicista um direito que ela nega às outras e a quem prescinde de qualquer uma.

O Islão é o maior inimigo dos muçulmanos e estes não podem continuar a vociferar em países democráticos contra caricaturas de um profeta violento ou condicionar a vivência democrática de países civilizados.

A solidariedade com a Palestina é legítima e perde racionalidade quando é cúmplice do silêncio para com a sharia, o antissemitismo e o terrorismo da demência islâmica.

Para mim, existe superioridade moral da democracia laica sobre uma religião totalitária.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, julho 23, 2014

O ministro da Educação e os professores

Maria de Lurdes Rodrigues foi incapaz de lidar com os professores do ensino básico e secundário e pagou a obstinação arrastando consigo o Governo e delapidando o capital granjeado como excelente catedrática do ISCTE, reconhecida por alunos e colegas.

Nuno Crato, outro prestigiado académico, oriundo das madraças do maoismo , foi o seu grande inimigo, e agora sucessor, que liderou a contestação.

Aos erros de Maria de Lurdes Rodrigues, juntou os próprios e esqueceu os dislates que debitou como avençado do PSD. Por isso, só não demoliu o prestígio do atual Governo porque ninguém destrói o que não há.

O que fez Nuno Crato, um erro crasso de casting, foi descredibilizar qualquer avaliação, a que acrescentou a deslealdade para com os professores, num processo à sorrelfa, em linha com a decadência ética do Governo a que pertence.


Ambos são inimigos


terça-feira, julho 22, 2014

CPLP

Teodoro Obiang, figura sinistra a nível mundial, é presidente da Guiné Equatorial, país proposto, por concordância de todos os ministros dos Negócios Estrangeiros da CPLP, para integrar a organização que já totaliza os Países de Língua Portuguesa.

Teodoro Obiang, desde 1979 presidente do obscuro país, não é apenas uma referência odiosa do seu país, é um biltre de dimensão internacional que desconhece o significado dos direitos humanos e não é conhecido pelo domínio do idioma comum.

Talvez por isso, em Díli, que marca a transição da cimeira de Moçambique para Timor, os principais países fazem-se representar por figuras menores. Dilma Roussef envia, a representar o Brasil, o vice-ministro das Relações Exteriores; José Eduardo dos Santos o vice-presidente, em nome de Angola; e Portugal faz-se representar por Cavaco Silva e Passos Coelho.


A Madeira é do Jardim


O Governo e a ética republicana

A honradez é o paradigma do atual governo. Os concursos públicos passaram a ser a norma, embora as nomeações os precedam. Não é desonestidade, é pressa; não é uma ilegalidade, é tradição.

O antigo colaborador de Passos Coelho na Tecnoforma, Fernando de Sousa, ganhou um contrato de 2,5 milhões de euros  para “seleção, eliminação e inventariação de fontes documentais existentes nos Governos Civis”.

Por lapso, o concurso público foi posterior. Mas quem seria melhor do que Fernando de Sousa, o antigo colaborador da Tecnoforma, que ficou, só em 2003, com 82% do valor das candidaturas aprovadas a empresas da Região Centro, para selecionar, inventariar e, sobretudo, eliminar fontes documentais?

Acrescente-se que o ex-sócio maioritário da Tecnoforma refere que o atual PM chamou para os órgãos sociais do Centro Português para a Cooperação – organização  não governamental (ONG) financiada pela Tecnoforma – "pessoas com influência", como o então líder parlamentar do PSD, Luís Marques Mendes, Ângelo Correia e Vasco Rato (nomeado recentemente pelo Governo para presidir à Fundação Luso-Americana).

O programa Foral, financiados com fundos europeus, era tutelado por Miguel Relvas então secretário de Estado desse fugitivo PM e referência ética, Durão Barroso.

Fernando Pereira, dono da empresa, não se recorda se Passos Coelho trabalhava de graça, (antes de dar essa resposta mandou parar o gravador). PPC era deputado em dedicação exclusiva, na AR.

A entrevista de Fernando Pereira à revista Sábado, o «Económico» de 7 de maio e o DN de ontem, dia 21, pág. 18, explicam aos portugueses o que foi a defunta Tecnoforma e as relações dos figurantes que se mantêm solidários.


segunda-feira, julho 21, 2014

CPLP - O dinheiro, o petróleo e a decadência ética

A adesão da Guiné Equatorial à CPLP não é uma aberração, é uma indignidade. Não é a língua comum que nos une, é a igualdade ética de quem aceita tal companhia.

O ferrete da infâmia não cai sobre o povo que somos mas sobre os decisores que temos. Há neste gesto uma desonra tão grande, uma vergonha tamanha e uma tal indignidade, que nos faz temer que os responsáveis portugueses por este alargamento da comunidade são capazes de perfilhar os valores de quem admitem no seu seio.

É o primeiro passo de passos a caminho do canibalismo.

O Governo da Guiné Equatorial respeita os direitos humanos como o de Portugal a CRP.


A infindável guerra israelo-árabe

Estar ao lado da Palestina e contra o Hamas não é incoerência, é uma obrigação moral. Condenar o sionismo e defender que Israel não deve estar debaixo da ameaça constante de uma organização que lhe recusa o direito à existência e mantém os seus habitantes sob a contínua ameaça de serem atingidos por um míssil lançado de Gaza, é um dever.

Não vale a pena repetir até à náusea que foi um erro entregar um território habitado aos crentes do mais antigo monoteísmo, um erro clamoroso da Inglaterra, URSS, EUA e de outros países vencedores da guerra de 1939/45.

E agora?

Deve permitir-se que Israel seja destruído, e expulsos os sobreviventes, à semelhança do que tem feito com a Palestina cuja iniciativa provocatória é o álibi de que precisa?

Nesta carnificina teocrática há critérios ideológicos e geoestratégicos que se afastam da lógica e se aproximam do petróleo, que acirram o racismo e recusam a paz, enquanto os terrorismos contrários se exacerbam numa lógica simultaneamente assassina e suicida.

Malditas religiões que desconhecem que alguns árabes são judeus islamizados e vários judeus são árabes judaizados, com uma crença tão grande na etnia como na divindade, incapazes de pensarem que uma etnia se arrisca a ser um grupo unido pelas falsidades partilhadas sobre os antepassados e ódios comuns em relação aos vizinhos, incapaz de resistir a um teste de ADN.

Pacatamente, no sofá das sujeições partidárias há quem cultive o maniqueísmo e o ódio, sem atribuir sequer 1% de razão aos que julga algozes ou 1% de maldade a quem tomou por vítimas, capaz de desejar a morte a quem deseja uma oportunidade para a paz.


domingo, julho 20, 2014

As bruxas e a conspiração dos eletrodomésticos (Crónica)

O ano de 2001 não começou mal. O mês de janeiro não deixou cicatrizes no corpo nem no orçamento. Fevereiro era mês e 21 o dia quando a TV Cabo me deixou sem imagens.

Foram baldados os esforços para falar com qualquer colaborador. No Tel. 239-851050 diziam-me que o assunto era com a linha direta (808299499) que ao longo do dia esteve ocupada ou dirigida para um gravador onde aliviei a desolação.

Admiti que se encontrassem a seguir a imposição do barrete cardinalício a dois cardeais portugueses criados por Sua Santidade! Imaginei os funcionários genufletidos durante a bênção urbi e orbi de João Paulo II, a alegria de verem desfilar 44 barretes cardinalícios a caminho de igual número de cabeças de Suas Eminências, só não compreendia que os sublimes momentos tivessem sido recusados ao assinante que, em casa, aguardava o dia em que Portugal recuperou, de uma assentada, dois cardeais.

Perdi a promoção diretamente a cardeal do padre Avery Dulles, o único que ainda não era bispo, convertido do protestantismo ao catolicismo, bisneto de um presidente dos Estados Unidos e do fundador da CIA, filho de um secretário de Estado de Eisenhower.
Temi nunca mais ter a oportunidade de ver 152 cardeais juntos.

Perdi o brilho ímpar de 44 purpurados a desfilar na Praça de S. Pedro e o espetáculo da liturgia, certo de que nunca mais veria os milhares de devotos comovidos, sempre que a cabeça de um príncipe da Igreja recebia o colorido barrete, enquanto milhares de freiras e padres rezavam pela salvação do mundo.

Para ressarcir-me dos prejuízos materiais, os danos morais seriam irreversíveis, no dia seguinte pedi à TV Cabo uma cassete do tempo em que estive privado da programação integral das cerimónias de elevação a cardeal de 44 eminentes prelados e dos momentos mais significativos da atuação de Sua Santidade e dos altos dignitários do Vaticano.

Em resposta a tamanha adversidade, manifestada nos termos referidos, recebi uma carta, (ref.ª GCQ/224.01/NF, de 14-03-2001), do Eng.º Rogério Gomes, cuja inteligência e  humor, armas que sempre me derrotam, bastaram para esquecer os danos sofridos com o corte da emissão durante a consagração feita, de uma só vez, à maior caterva de cardeais da história da Igreja católica.

Transmiti logo a renúncia às exigências. A deceção fora, aliás, atenuada no dia 11, com a consagração de 233 beatos na maior beatificação da história da Igreja, que elevou para 471 as vítimas da Guerra Civil Espanhola beatificadas no pontificado de João Paulo II.

Dessa vez a TV CABO cumpriu, e esperei que não falhasse quando o Papa beatificasse a multidão de mártires piedosamente assassinados por Franco. Falhou o Papa.

Em abril começou a conspiração dos eletrodomésticos. Primeiro foi o aspirador, que já vinha dando sinais de cansaço, começou a fingir que aspirava e só fazia ruído, até exalar o último suspiro. Levei-o ao técnico e o diagnóstico foi demolidor. Entreguei-o para lhe fazer o funeral e comprei outro.

Depois foi o frigorífico, o congelador recusou congelar e o resto da capacidade regulou-se pela temperatura ambiente. Traiu-o, primeiro, a água que verteu e, depois, o odor que exalou ao abrir-se a porta do congelador. Aproveitou a noite e não teve cura.

Na casa de banho o radiador fundiu uma resistência e passou a debitar metade do calor. Na marquise a máquina de lavar roupa entrou em delírio com ruídos que acordaram o prédio e afastou-se do sítio reservado para a função, em trepidante deslise, até se deter contra uma grade de ferro e exalar aí o último suspiro durante a centrifugação.

Desse mês de abril salvou-se apenas o dia de todas as alegrias, o dia 25. O mês terminou com o aparelho de televisão, que censurou a criação dos cardeais, a recusar a ligação. Levei-a ao técnico que, após aturado exame, declarou que tinha dado o berro. Ainda lhe disse que não tinha ouvido o ruído, foi o cinescópio, foi à vida, esclareceu o técnico.

Entregou a alma ao criador, balbuciei, perante o seu assentimento. Claro que não creio em bruxas mas aquele mês de abril abriu a caixa de Pandora e promoveu a conspiração dos eletrodomésticos que se conjuraram contra o orçamento familiar.

Coimbra, 6 de julho de 2014    


sábado, julho 19, 2014

A discussão do batismo na TVI

O objetivo da entrevista a um padre católico e a um ateu, destinava-se a esclarecer, por um lado, a diminuição drástica do número de batizados e, por outro, a legitimidade do batismo de recém-nascidos ou de crianças de tenra idade.

Os temas foram arredados do debate ou insuficientemente comentados por qualquer dos intervenientes. Nem sequer foi explicado o que é o batismo, um ritual de iniciação em várias religiões. Com o batismo – dizem os católicos –, liberta-se a criança do pecado original, naturalmente transmitido pela impureza feminina, e afasta do neófito o demo.

Assim, a cerimónia litúrgica atua como detergente para os pecados e como demonífugo para o maligno cuja existência ainda é reconhecida pelo papa atual, como se comprovou com o reconhecimento que fez recentemente da Associação Internacional de Exorcistas.

O batismo do adulto, além de perdoar o pecado original, confere as virtudes teologais e isenta de penas os pecados anteriormente cometidos. No fundo, a cerimónia do batismo, católico, luterano, anglicano, metodista ou da Igreja Reformada tem igual significação e procura, desde tenra idade, a integração no seio da Igreja respetiva.

Como ateu entendo que o batismo do lactente, da criança ou do adolescente não se deve praticar por dificultar a autodeterminação religiosa do adulto, mas defendo que cabe aos pais o direito de cujo exercício discordo. Judeus e muçulmanos têm um ritual iniciático mais tardio e cruento, a circuncisão, e todos pensam que a entrada na Religião é vitalícia e irrevogável, levando os islamitas o proselitismo ao ponto de a tornarem efetiva com a separação da cabeça do tronco, no caso de apostasia, um direito inalienável de todos os cidadãos.

Quanto à diminuição drástica do número de batismos em Portugal, considero três razões que enumero por ordem decrescente de importância quantitativa. Em primeiro lugar, a rápida redução da natalidade cujas razões são complexas e irrelevantes para este tema.

Em segundo, a progressiva secularização da sociedade com redução marcada da prática religiosa e dos constrangimentos sociais favorecidos pela concentração da população em meios urbanos.

E, finalmente, o empobrecimento acelerado das pessoas. A falta de recursos financeiros, praticamente desnecessários para o batismo, são essenciais para o batizado. O padre não recusa o batismo à criança de um pobre, mas este deixa de o festejar com a festa que lhe está associada, sem vitualhas necessárias, para que à liturgia pia se associe a festa pagã que, em conjunto, constituem o batizado.

Foi esta reflexão que faltou fazer e cuja opinião do padre católico teria sido interessante.

sexta-feira, julho 18, 2014

Madeira – o régulo de um offshore à solta

A Madeira é um offshore da democracia e da decência cívica, com a cumplicidade dos partidos da direita e a cobardia dos da esquerda, prontos a defender o aprofundamento da autonomia contra um módico de vigilância democrática sobre o sátrapa autóctone.

Foi a ampla unanimidade partidária, sem oposição dos presidentes da República, que permitiu a um jovem salazarista tornar-se o chefe tribal, que, depois das bofetadas que um honrado coronel lhe aplicou, por ofensas às Forças Armadas, nunca mais respeitou os órgãos de soberania nacionais.

O Tribunal de Contas (TdC), rigoroso nas suas avaliações mas sem legitimidade para punições, condenou o Parlamento madeirense, presidido por Miguel Mendonça, por arbitrariedade na atribuição de subvenções parlamentares incomparavelmente superiores às dos Açores e da própria A.R..

O TdC pensa que «algo de muito errado e grave» acontece nas ajudas financeiras aos grupos parlamentares da região, que julga ser um Estado. Um deputado autóctone custa mais 75 mil euros do que um açoriano e mais 86 mil do que um deputado da República, «sendo a atividade parlamentar muito mais cara do que nos Açores e na AR juntos».

O TdC desafiou os deputados a apresentarem provas das despesas ou a demonstrarem o verdadeiro destino que deram ao dinheiro dos contribuintes, esperando que colaborem, em vez de se refugiarem com «variadas e inconsistentes desculpas». O TdC revelou ainda que «o dinheiro, em vez de ser depositado numa conta do grupo parlamentar e aplicado (…) ingressa nas contas dos partidos». Segundo o documento do TdC, revela-se insustentável “a sangria do dinheiro dos contribuintes para fins político-partidários».

Os dados, retirados de um artigo, não assinado, do DN, de 15 de julho, pág. 12, três dias depois ainda não mereceram uma tomada de posição do PSD, do Governo da República ou do PR, este preocupado com a importante viagem à Coreia do Sul.


Ninguém se preocupa com o sorvedoiro de dinheiros públicos na Madeira?

Uma pergunta impertinente…




Será pertinente Putin invocar as mesmas razões que levaram Israel a ‘justificar’ [mais] uma operação militar em território palestino (Gaza) link ao cenário criado pela UE e os EUA na Ucrânia link?

Associação Ateísta Portuguesa (AAP)


No programa do dia 17 de julho de 2014


quinta-feira, julho 17, 2014

Associação Ateísta Portuguesa (AAP)

O padre e eu – TVI – 17-07-2014

Hoje estive mais de duas horas à conversa com um padre católico. Não é inédito, tenho padres amigos, mas não é frequente.

É um homem de 62 anos, afável, que andou mundo, de Timor à Bósnia, tenente-coronel capelão, conservador e tolerante.

Foi nos estúdios da TVI que nos demos a conhecer e, só os dois, ouvi dele confidências que não tenho o direito de revelar, nada que o diminua, apenas pela dúvida de ser assim a sua Igreja, embora polissémica.

No estúdio em direto, fiel às idiossincrasias eclesiásticas, julgou adivinhar o que pensa um ateu mas foi na negação desse Deus do Levítico e do Deuteronómio que vi que era uma pessoa de bem. Quando disse desse Deus da Igreja que é dele «essa não é minha Igreja», esqueceu a doutrina mas libertou o homem bom.

Não lhe ocorreram dois parágrafos do catecismo, em vigor, da Igreja católica:

«§121 – O Antigo Testamento é uma parte indispensável das Sagradas Escrituras. Os seus livros são divinamente inspirados e conservam um valor permanente, pois a Antiga Aliança nunca foi revogada».

«§123 - Os cristãos veneram o Antigo Testamento como a verdadeira Palavra de Deus. A Igreja sempre rechaçou vigorosamente a ideia de rejeitar o Antigo Testamento sob o pretexto de que o Novo Testamento o teria feito caducar».

É na heresia que os homens se entendem, sem o vírus da fé a separá-los. Foi-me grato o abraço espontâneo do padre católico, assoberbado com quatro missas diárias, mais uma do que é a permissão habitual. É um homem bom, não precisava da liturgia.

Falou da alegria da mãe dele a batizá-lo bebé, tal como um amigo meu a inscrever na Académica o primeiro neto, no dia do nascimento.


O Instituto para as Obras Religiosas (IOR), a máfia, os negócios e a santidade

O Banco do Vaticano, conhecido pelo pseudónimo de IOR, foi criado pelo quase santo Pio XII, com o pretexto de guardar esmolas das caixas e de outros recipientes pios onde os donativos, de quem queria lavar a alma, chegavam em quantias avantajadas.

Foi o papa Paulo VI, decidido a escapar ao cerco fiscal do Governo italiano, que exigiu “o pagamento de todos os lucros retroativos sobre investimentos, o que ultrapassava mil milhões de euros atuais”, que começou a expatriar grandes quantias de dinheiro do IOR.

Foi auxiliado pelo devoto banqueiro siciliano Michele Sindona, que controlava o envio de capitais da máfia, e pelo arcebispo Marcinkus, banqueiro de Deus. Sindona, dirigente do banco suíço Finbank e da Banca Privata Italiana, e Marcinkus controlaram “a mais maciça das exportações de capitais jamais ocorrida aos subterrâneos do Swiss Bank, em parceria com a Santa Sé”. Alargada a rede, Sindona e Marcinkus associaram ao tráfico outro banqueiro, Roberto Calvi, do Banco Ambrosiano.

Preso na prisão de alta segurança de Voghera, Sindona prometeu fazer revelações, mas morreu na sua cela, ao ingerir distraidamente café com cianeto de potássio. O inquérito sobre a morte concluiu que se tratara de suicídio. Deus não dorme.

Roberto Calvi suicidou-se, enfiando o pescoço no laço de uma corda dependurada numa ponte de Londres, suicídio que, após exumação, 16 anos depois, se demonstrou ter sido por estrangulamento em um terreno baldio, perto da ponte onde foi encontrado, e depois pendurado para simular o suicídio.

Na fraude do Banco Ambrosiano participou também Licio Gelli, que combateu ao lado de Franco, enviado por Mussolini, e foi informador da Gestapo na 2ª Guerra Mundial. Este amigo de Hermann Goering, tornou-se conhecido pelo envolvimento nas mortes de Aldo Moro, "Mino" Pecorelli, Roberto Calvi, João Paulo I e outros, além de numerosos comunistas. Acabou em prisão domiciliária, decerto dedicado à oração e à penitência.

Não se sabe se Deus existe e se perdoa, mas a máfia não desculpa, por maior que seja a devoção ou a generosidade pia dos padrinhos. Não surpreendeu, pois, que o arcebispo Marcinkus, reclamado para ser julgado em Roma, fosse protegido por João Paulo II, que negou a extradição pedida, evitando ao dileto a prisão e a si próprio alguma indiscrição que lhe dificultasse a canonização.

Há alguns meses, Francisco, o primeiro papa a ir ao coração da máfia calabresa, ousou enfrentá-la: “Aqueles que durante a vida escolheram a via do mal, como os mafiosos, estão excomungados”. A atitude inédita do papa, inverteu a política do IOR, sob pressão internacional, e perdeu provavelmente os melhores clientes.

A suspeita de que a Igreja católica beneficiou do ouro que os assassinos em série croatas roubaram às vítimas judias e sérvias possa ter ido para o Vaticano mantem-se graças à recusa em permitir o acesso aos seus arquivos, ao contrário do que fez o Governo Suíço, em relação aos seus bancos. A determinação do atual papa, em subtrair ao crime o IOR, pode esclarecer a suspeição referida, que se mantém sobre o offshore do Vaticano.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, julho 16, 2014

Associação Ateísta Portuguesa (AAP)

Aproveito para informar os meus amigos de que estarei, amanhã, quinta-feira, dia 17, na TVI a opinar sobre o batismo das crianças, no programa matinal «Você», programa que não conheço.

Desde já adianto que sou contra a matrícula de crianças em religiões, clubes de futebol ou outras associações, mas defendo o direito dos pais a exercê-lo.

Christine Lagarde - Para memória futura


Os liberais e os anarquistas

Os liberais só se distinguem dos anarquistas porque não dispensam a polícia e o recurso à repressão. Uns e outros odeiam o Estado e, sobretudo, qualquer limitação aos direitos individuais. Há ainda um pequeno detalhe a favorecer os anarquistas, não enjeitarem a solidariedade.

Miguel Cunha Duarte, distinto e influente liberal que, certamente, prefere Friedemann a Keynes, escreveu na minha página do faceboock um comentário coerente com a ideologia que professa, com toda a legitimidade. Não discuto a sua fé nem a preparação académica, mas julgo demasiado importante a economia para a deixar à solta nas mãos de gestores.

Comentando o meu texto, «O primeiro-ministro e o presidente do Banco de Portugal mentiram», escreveu o seguinte: «Carlos, não existe quem defenda a existência de um banco público? É evidente que se existe um banco público, que faz empréstimos às empresas, quando existe uma falência de uma empresa esse custo recai sobre o banco em questão» [sic].

Para além de não ser «evidente», é espantoso esquecer que foram bancos privados e a especulação financeira que estiveram na origem dos «lixos tóxicos» e os culpados da maior crise financeira das nossas vidas. Não foram os bancos públicos.

Os EUA não saíram da grande depressão com o liberalismo económico, mas impuseram ao Chile a receita que precisou do torcionário Pinochet. Bush Jr. deixou falir o Lehman Brothers, de acordo com a usa bíblia neoliberal, e esse bater de asas provocou um tufão financeiro no Planeta. O Tea Party prepara-se para reduzir à miséria os desgraçados a quem Obama quis dar um mínimo de proteção na saúde.

Não basta a Miguel Cunha Duarte, formado em gestão por prestigiadas escolas, ter uma fé inabalável no mercado, porque, ao verificar que os particulares gerem mal os bancos, dá como receita acabar com os públicos. Eu, que não sou gestor, penso que é altura de o Estado pensar na nacionalização dos privados, mas não serei utópico e pensar que possa acontecer num só país, sobretudo no nosso, tão exposto ao exterior.

O Miguel não deu uma solução, receitou um veneno. Não, obrigado.

Apostila: Tenho afinidades com o Miguel Duarte, que não vêm a propósito, e a simpatia que varia na razão inversa das convicções sobre a economia, em geral, e o sistema bancário, em particular. Cabe aos leitores a opção na altura de exercerem o voto.

terça-feira, julho 15, 2014

UMA PIEDOSA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

Foi hoje publicada no Diário da República a Resolução n.º66/2014, que reza - nunca este termo teve tanto cabimento - apenas o seguinte:

 "A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166 da Constituição, instituir o dia 13 de outubro como o Dia Nacional do Peregrino."

 Piedosa Resolução!De facto,não se compreendia que, havendo já o Dia do Beijo, o Dia do Cão, o Dia do Gato, etc., aqueles cidadãos que vemos a perturbar o trânsito dirigindo-se, a pé, para Fátima ou Santiago de Compostela, não tivessem também o seu Dia Nacional!

Não fora o voto contra de quatro deputados "desmancha-prazeres" do PS, a peregrina resolução teria sido aprovada praticamente por unanimidade, expressa ou tácita.

Com efeito os proponentes da resolução - PPD e CDS - votaram todos a favor. Os deputados do PS repartiram-se entre o voto contra dos referidos quatro, a abstenção e o voto a favor. Os do PCP, do PEV e do BE remeteram~se a uma prudente abstenção.

Dizia Marx que "a religião é o ópio do povo". Pelos vistos, os seus alegados seguidores portugueses já não se importam que o povo se encharque naquela droga!

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades!

Mais prosaicamente, a realidade é esta: aqueles "heróicos revolucionários" acobardam-se perante o poder da Santa Madre Igreja!

A chaga do desemprego e o marketing governamental

Não é sério atribuir ao atual Governo ou ao último, como este faz, a origem de todos os males. Não podemos comportar-nos como se a crise das dívidas soberanas não tivesse acontecido, como se a maior crise das nossas vidas não tivesse surgido, fora das nossas fronteiras, a crise cíclica do capitalismo, que ninguém arrisca diagnosticar como sendo, ou não, a última.

O que não podemos deixar de condenar é um Governo pouco recomendável, ao nível de quem lhe deu a mão e o mantém, capaz de todas as mentiras para esconder as promessas não cumpridas e os erros da sua impreparação.

A chaga do desemprego está oficialmente contabilizada em 15,1%, quando o país está melhor, na opinião de mentecaptos, e os portugueses irremediavelmente pior, com uma dívida que nunca parou de aumentar, paradoxalmente, ao ritmo dos impostos cobrados.

Há 161.868 ‘empregados’ que se distribuem por programas ocupacionais apelidados de ‘estágios profissionais’, cuja duração vai até 1 ano e que são pagos entre 80% e 100% pelo Estado às empresas; programas ‘Contratos Emprego-Inserção’ com que se transfere para as IPSSs 350 a 560 euros por pessoa; o programa ‘Estímulo Emprego’ com que o Estado paga às empresas 50% a 60% do salário dos empregados. Sem negar o interesse social desta transferência de verbas para ‘empregadores’ de que beneficiam os 161.868 portugueses que, de outro modo, estariam ociosos, é indigno utilizar este número como fazendo parte da recuperação económica que não existe.

O desemprego está perto dos 20%, se incluirmos quem já não recebe qualquer subsídio, número trágico aliviado pelos que abandonaram o país à procura de uma oportunidade.

O Governo, que nos engana com percentagens fictícias, está mais perto de uma central de propaganda do que de um Executivo capaz de tirar Portugal do pântano. Não estamos na presença do único responsável, mas estamos na dependência do mais nefasto e tóxico elenco governativo que nos coube nas últimas quatro décadas.

segunda-feira, julho 14, 2014

O professor Miro Cerar ou o ‘mau aluno’ esloveno?

As eleições eslovenas recentemente realizadas trazem algo de novo à cena europeia link. Nada de transcendente mas uma suave brisa de mudança. Ganhou o acto eleitoral um programa de Governo moderado encabeçado por Miro Cerar, um professor de Direito que suspendeu a vida académica para intervir na vida política eslovena. Precisou de pouco mais de um mês para derrotar a direita conservadora (assoberbada por actos de corrupção) e os socialistas indecisos que nem estarão representados no Parlamento. 
Não são conhecidas em pormenor as suas linhas políticas que grosso modo identificam o SMC (Centro-esquerda?)  bem como o caminho apontado para resolver os problemas do País à margem da obsoleta e desastrosa receita da austeridade. Esta a lufada de ar fresco que poderá trazer, no seio da UE, graves dissabores à nova equipa dirigente quando contestar a aplicação de uma ‘receita única’ cozinhada em Bruxelas e supervisionada por Merkel. 
Trata-se de um País com graves problemas no sector bancário (pejado de activos tóxicos) que, no ano passado, recusou um resgate financeiro.  Uma das premissas de ajuda são as ditas reformas (sempre consideradas 'estruturais') e a questão das privatizações é uma ‘iguaria’ que integra invariavelmente o menu dos ‘resgates’ (abertos ou encobertos). A promessa da nova equipa é opor-se à privatização da Telekom Slovenia e do aeroporto de Lujlibiana já ‘lançadas’ pelo governo anterior de cariz conservador.
Pela primeira vez nasce na Europa uma réstia de alternativa, muito ténue, colocada no centro do espectro político e com o FMI à perna link. São interessantes embora decalcadas da receita universal as perspectivas emanadas do responsável do FMI na Eslovenia, Antonio Spilimbergo, e o que realmente pode ter acontecido no último acto eleitoral em questões de mudança.
Espero que a Eslovénia venha a ser um mau exemplo para o conceito europeu de superação da crise.
Vamos esperar para ver.

Viva a França!

Há 225 anos aconteceu em França a Tomada da Bastilha

Pintura de Jean-Pierre Louis Laurent Houel (1735-1813)
''Prise de la Bastille''
("A tomada da Bastilha").



Inverteram-se as posições

13 de outubro de 2011
14 de julho de 2014

Nem só o Islão é violento


domingo, julho 13, 2014

Haverá perigo para os animais?

«O banco [BES] é sólido, não há perigo nenhum para as pessoas».
(Marques Mendes, ontem, SIC-N)


sábado, julho 12, 2014

Um caso de teimosia portuguesa

Há portugueses teimosos. Aceitam este Governo, admitem este PR, conformam-se com esta maioria e reclamam se a autoridade legítima lhes passa uma certidão de óbito.

Florindo Beja há 18 anos que nega a defunção. Parece não saber ler a certidão de óbito, e insiste, insiste, como um náufrago que, no meio do oceano, quer chegar a terra.

Que reclamasse durante um ano ainda se admitia, mas que insista durante dezoito anos é preciso não ter respeito pela Conservatória do Registo Civil e pela paciência dos juízes. Se fosse um morto recente ainda se admitia mas com meio século de defunção é preciso topete. Andou 32 anos calado, e depois, com 61 anos, deu-lhe para negar a morte. Aliás, se estivesse vivo já tinha prescrito. Não há um jurista que o informe sobre a prescrição da vida que não reclamou?

Já devia ter sido preso preventivamente. Um morto que se revolta é um  perigo para as repartições e um atentado à ordem pública. Imaginem que todos os mortos requeriam a prova de vida. Onde tínhamos recursos para os reabilitar? Os mortos nunca deviam ter direito a reclamar e, muito menos, a ir pelo seu pé a pôr em causa um óbito transitado.


O Islão vai de mal a pior

O Islão entrou em declínio após a última grande potência islâmica – o Império Otomano – se desmoronar, e atingiu o seu ponto mais baixo no primeiro quartel do séc. XX com a colonização, pelo Ocidente, de grande parte do mundo árabe.

O Iraque vive a deceção da pobreza e subdesenvolvimento, apesar dos amplos recursos energéticos, provocada pela invasão dos novos Cruzados e, agora, pela violência sunita de um alegado califa, que agravou o medo, a miséria e a fé.

A tortura usada por forças da coligação que invadiram o Iraque em 20 de março de 2003 era a nódoa que faltava à alegada superioridade moral da civilização de que se reclamavam.

Na Turquia, o laicismo imposto por Ataturk, sobre os escombros do Império Otomano, está em vias de ruir sob a égide do futuro presidente Erdogan, ingenuamente apelidado de muçulmano moderado.

Os clérigos, em vez de modernizarem o Islão, islamizam a modernidade num perpétuo retorno ao obscurantismo. Onde o islão comanda a vida morre-se sob ditadura militar ou sob a violência de Alá.

O imperecível problema da Palestina é mais uma acha na fogueira do ódio que consome o Médio Oriente. Os sionistas procuram agravar a situação. Fazem mal tudo aquilo de que são capazes e da pior forma. Por sua vez, o Hamas, independentemente da razão que lhe asiste, exonera a inteligência da fé que o move, procura o martírio e só não mata mais porque não pode.

O mundo muçulmano é um barril de pólvora que explode continuamente, em demente proselitismo e suicídio assassino. O caso mais paradigmático é talvez o iraquiano. Ali,
derrubou-se uma ditadura laica, apoiada por sunitas, que oprimia os xiitas, donde surgiu um estado teocrático onde os xiitas oprimiam os sunitas. Agora, vêm a caminho sunitas que não prescindem de oprimir todos, em particular, xiitas, e degolam todos os que se lhes opõem a caminho de um novo califado ou do velho Paraíso.


Deus não é propriamente um entusiasta da democracia e os clérigos são sempre contra.

sexta-feira, julho 11, 2014

BES, a bota e a perdigota…


Hoje o primeiro-ministro veio a terreiro lançar uma sugestão sobre a incrível e tenebrosa situação do BES.

Tratou-se, ao fim e ao cabo, de aconselhar a negociar a dívida com os credores para o referido banco não cair em incumprimentos… link.

Por outro lado o chorrilho de declarações sobre a situação ‘estável’ do BES pode significar, como alvitrou o Financial Times link; link, que a intervenção estatal poderá estar eminente (apesar dos desmentidos de Passos Coelho).

Começa a ganhar credibilidade a concepção política de que corremos a todo o vapor para um ‘novo’ caso BPN link.

E o que dizer sobre a ‘visão aconselhadora’ do primeiro-ministro sugerida à Administração de BES (empurrando-a para negociar com os ‘seus’ credores) e a postura do actual Governo perante os [‘nossos’] credores da dívida pública?

Não será mais um episódio deste Governo onde a bota não bate com a perdigota?

A Palestina, o Islão e o sionismo

É doloroso estigmatizar o Islão quando os ataques sionistas arrastam a dor, o sangue e a devastação para o martirizado povo da Palestina, quando Israel ignora sistematicamente as resoluções da ONU, quando um povo miserável é espoliado do seu território e da sua sobrevivência, quando decorre um intenso ato punitivo, por um exército bem treinado e equipado, contra uma população faminta, sitiada e desesperada.

Mas é nesta altura que urge ter a coragem de dizer que a provocação, apesar das origens bem mais remotas, começou com mísseis disparados sobre as cidades israelitas, que os autores estimulam a retaliação para exaltarem o martírio e que, finalmente, não restaria um único judeu vivo se os provocadores tivessem o poder bélico de que Israel dispõe.

É preciso ter a coragem de desmascarar os líderes da Palestina de cuja miséria recolhem o ascendente e encontram o húmus onde floresce a fé e a sharia. O erro, como muitos na História, foi a criação de um Estado sionista, ali, naquela região onde a tragédia dos três monoteísmos começou, mas, sendo as coisas o que são, não têm os palestinos o direito à eliminação de Israel nem este à liquidação da Palestina.

Hoje foi desmantelada em França uma rede terrorista islâmica que fornecia documentos falsos a islamitas regressados do Afeganistão e travada outra que aspirava fazer explodir a Torre Eiffel, o Museu do Louvre e uma central nuclear. Não se trata de criminosos que praticam a religião islâmica mas de islamitas que desejam cumprir a vontade de Maomé.

O terrorismo é uma prática que deriva da crença, uma demência cultivada nas madraças e mesquitas, uma deriva criminosa que não se preocupa com a morte dos seus desde que mate os outros, os infiéis ao «misericordioso».

O islão não deve ser visto como religião e, tal como o nazismo e o fascismo, não pode ser tolerado no terrorismo por que enveredou, nem possuir espaço para se organizar sob o pretexto das orações e do estudo do Corão.

Sei que muitos amigos me censuram o desassombro e me vão considerar racista mas eu troco a tranquilidade do silêncio pela imagem que arrisco e pela reflexão que ouso.


quinta-feira, julho 10, 2014

Meio século de minissaia

Faz hoje 50 anos que teve lugar o primeiro desfile da minissaia, uma elegante criação de Mary Quant, a quem as mulheres devem uma parte da sua emancipação e o realce da beleza.

Em nome da liberdade_4

Um breve olhar pelas religiões do livro – os três monoteísmos.

O Antigo Testamento, conjunto de escritos de matriz comprovadamente hebraica, em boa parte escrito em aramaico, é uma notável obra literária cujas fraudes não anularam o enorme valor histórico. Reflete o pensamento das tribos patriarcais que criaram um ser supremo, antropomórfico, à imagem e semelhança dos homens de então, enaltecendo-lhe, na dilatação das virtudes imaginadas, os defeitos de que eles próprios enfermavam.

O espírito violento, vingativo, misógino, xenófobo e homofóbico, é a réplica apoteótica da mente tribal dos patriarcas do «povo eleito». É desse livro bárbaro que nasceram os Livros da Lei (Tora), os livros dos profetas e os escritos, judaicos, e os livros que, sem renúncia ao A. T., igualmente se inspiram o cristianismo e o islamismo.

Urbano II foi um piedoso papa da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) do fim do século XI e não um biltre de excecional perversidade. Era um pregador que lera a Bíblia com intensa devoção, que, além de cristianizar a Sicília e a Campânia, quis pôr termo ao Grande Cisma do Oriente, e que, no Concílio de Clermont-Ferrand (1095), convocou os cristãos para a guerra contra os "infiéis" muçulmanos, a fim de reconquistar Jerusalém.

As Cruzadas foram o corolário lógico do Novo Testamento, os quatro evangelhos que o génio de Paulo de Tarso inspirou para transformar o Deus do povo eleito num Deus para todos os povos conhecidos ou a descobrir. Grave era o louvor dessa barbárie, celebrada ainda no início do terceiro quartel do século XX, com as crianças a fazerem a comunhão solene, vestidas de cruzados, com prosélita intoxicação. Jesus, um judeu que se dedicou aos milagres e à pregação, jamais imaginou que o fariam a estrela da nova fé.

O cristianismo é uma das várias cisões do judaísmo que Paulo de Tarso instigou e que o Imperador Constantino, persistindo mitraísta, adotou para cimentar o Império Romano, onde a seita se popularizara, e a converteu em religião de Estado, imposta cada vez mais violentamente pelos imperadores Teodósio (finais do séc. IV) e Justiniano (séc. VI).

O proselitismo e o antissemitismo foram as características que mais distinguiram a nova religião do judaísmo, entendendo-se a segunda pelo ódio que os trânsfugas imprimem contra a ideologia de que dissentem. Os quatro Evangelhos (Marcos, Lucas, Mateus e João) e os Atos dos Apóstolos têm cerca de 450 versículos explicitamente antissemitas, «mais de dois por cada página da edição oficial católica da Bíblia», segundo Daniel Jonah Goldhagen (in A Igreja católica e o Holocausto).

O Islamismo é uma cópia grosseira do cristianismo a que falta a influência da cultura helénica e do direito romano, essencialmente civilista, agravado pelo espírito belicista. Evocar as Cruzadas, a evangelização, a Contra-Reforma, a Inquisição, as (re)conquistas cristãs e o antissemitismo da ICAR, é recordar que a demência islâmica não é inédita, é apenas uma recidiva obsoleta de uma religião que se sente aturdida pela globalização e é a boia de uma civilização falhada – a árabe –, que quase só produz petróleo, devoção e terrorismo. Porém, no seu primarismo, tem enorme sedução, que a fez alastrar a povos não árabes, como o Irão, Turquia, Bósnia-Herzegovina, Kosovo, países africanos não árabes, e intoxica progressivamente a Europa e os EUA, com a complacência beata de Estados que ignoram as madraças e mesquitas onde se difunde o ódio e se apela à jihad.

O cristianismo ortodoxo tem como matriz um direito político que impede verdadeiros Estados de direito, onde a religião e o Estado vivem sempre em união de facto.

No Islão, a referência jurídica é o direito teocrático que molda o carácter totalitário do poder onde desde as orações ao vestuário, da alimentação às relações de género, tudo está sob escrutínio do mais implacável dos monoteísmos e da maior ameaça religiosa à civilização, cultura e modernidade que inspiram os Estados modernos. Sob o pretexto do multiculturalismo, a lepra fascista de um islão demente avança, enquanto o mundo civilizado vacila e treme sem encontrar a resposta eficaz para a sua contenção.

Diga-se em boa verdade que o catolicismo só admitiu a liberdade religiosa na segunda metade do século XX, no Concílio Vaticano II, e que foi graças à repressão política do clero que a laicidade se impôs e a democracia vingou, mas torna-se assustador saber que 18% do exército que promove a jihad é de origem europeia e que esses jovens, com um pensamento medieval e treino militar com armas do século XXI, vão regressar.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, julho 09, 2014

A saúde do Presidente da República

Seria hipocrisia manifestar, para com o PR, a mais leve consideração ou respeito, para além do que a Constituição da República obriga, mas seria imprudente e trairia o meu dever cívico se não me afligisse com a saúde da primeira figura de Estado e dos perigos acrescidos que a eventual incapacidade pode acarretar a um País em crise.

Não vale a pena enumerar a quantidade de vezes que, na aparência, esqueceu os deveres de Estado, desde o discurso de vitória do segundo mandato, medíocre e rancoroso, até à atitude em relação a José Saramago ou, recentemente, a Carlos do Carmo. As escutas de Sócrates e o esquecimento do local da escritura da casa da Coelha, deviam ter alertado o círculo próximo para uma vigilância redobrada.

A excursão à China, com um cortejo perto do número de marinheiros com que Vasco da Gama foi à Índia e a análise do sorriso das vacas açorianas, podem explicar o reiterado esquecimento dos pedidos de fiscalização sucessiva, pelo TC, dos diplomas do Governo com que este afronta o Tribunal.

Politicamente cego, surdo e mudo perante um Governo que se coloca à margem da lei, o PR apenas repete, num psitacismo recorrente, a necessidade de o PS salvar a coligação e a imagem própria, implorando-lhe a capitulação suicida, numa monótona repetição da «necessidade de consensos».

As ausências frequentes, em público, na comunicação ao país do estatuto dos Açores ou nas cerimónias do 10 de junho na Guarda, e os repetidos desmaios, exigem explicação médica e não a desculpa do especialista em direito, o inefável Marcelo Rebelo de Sousa.

Várias fotos da receção aos reis de Espanha merecem a atenção de especialistas para nos tranquilizarem quanto ao seu estado de saúde. O País encontra-se em estado de estupor e precisa de saber se o PR também.

Por relevantes serviços à Pátria, tal como Jardim Gonçalves.


terça-feira, julho 08, 2014

Para mais tarde recordar ao PSD/CDS



Reflexão sobre o caso BES


segunda-feira, julho 07, 2014

A arte de bem deglutir

Bolo-rainha

Antes e depois

Antes e depois da conversão ao islamismo

Antes de ir a Fátima

Depois de ir a Fátima (é a segunda)

domingo, julho 06, 2014

Arquivo de fotos_3

Carlos Esperança
Carlos Esperança
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Carlos Barroco Esperança

CONVITE - Coimbra

O Presidente da Câmara Municipal de Coimbra e o Diretor da Imprensa da Universidade de Coimbra têm o prazer de convidar V. Ex.ª para o lançamento da obra

QUE UNIVERSIDADE? Interrogações sobre os caminhos da Universidade em Portugal e no Brasil, da autoria de Luís Reis Torgal e Angelo Brigato Ésther.

A sessão terá lugar no dia 10 de julho, pelas 18h,na Sala Francisco Sá de Miranda, estando a apresentação a cargo do Senhor Doutor Fernando Seabra Santos.

 (LUÍS REIS TORGAL - UNIVERSIDADE DE COIMBRA, PORTUGAL ANGELO BRIGATO ÉSTHER - UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS,BRASIL)

Regresso ao passado


Quando se imaginava que o papa Francisco vinha arejar a Igreja católica e trazê-la para a modernidade, eis que, «atento à presença de Satanás e à necessidade de o combater», acaba por reconhecer a Associação Internacional de Exorcistas.

A Associação Internacional de Bruxas e Ofícios Correlativos (AIBOC) poderá seguir o exemplo e solicitar o reconhecimento a um Grande Feiticeiro.

Dossier BES / PT...

(Foto LUSA)

Uma imagem vale por mil palavras… 
link; link ; link; …


Em nome da liberdade (3)

Sinto-me um nano-micro-mini intelectual, espécie de especialista em coisa nenhuma, o opinante que faz suposições sobre realidades variadas sem aprofundar uma única. Não me demito de opinar, de me interrogar e de desafiar os outros para me acompanharem nas inquietações, dúvidas e enganos. Cada um de nós só se levanta se tiver caído antes e, em cada tombo, aprender a erguer-se de novo.

Por cada preconceito que enjeito adoto outro, por cada amarra de que me liberto aparece uma nova corrente que me prende. A liberdade é o caminho estreito, entre vias sinuosas de vários constrangimentos, que não poemos desistir de procurar e defender.

Ameaçam a liberdade a fome, a sede, o medo e o preconceito, mas a grande ameaça é a violência que se lhes junta, o sectarismo de quem se julga detentor de verdades únicas, a vindicta de quem vê nos adversários inimigos e nos livres-pensadores réprobos a abater.

As religiões são frequentemente detonadoras do ódio, fautoras de guerras, guardiãs dos velhos preconceitos e inimigas da liberdade, apesar da bondade de muitos crentes e dos golpes de rins dos exegetas.

Todas as religiões consideram falsas as outras e o Deus de cada uma delas. No fundo todos somos ateus porque quem se reclama ateu só considera falsa mais uma religião e um Deus mais. Sem recorrer no conceito grego de ateísmo, veneração de deuses de uma cidade diferente, hoje todos somos ateus em relação a Zeus, Amon, Júpiter ou boi Ápis.

A crença ou a descrença não fazem as pessoas boas ou más. Há exemplos deploráveis de umas e de outras. Trágico é pretender que o que foi escrito na Idade do Bronze, por homens de tribos patriarcais, seja a palavra de um Deus que demorou muitas centenas de milhares de anos a revelar-se e apenas soprou o barro quando o género humano se reproduzia há muito pelo método popular ainda hoje em uso.

Um Deus feito à imagem e semelhança dos homens, dos homens de tempos onde a luta assegurava a sobrevivência, imbuíram os livros sagrados do espírito violento, xenófobo, vingativo, misógino e homofóbico, incompatível com a modernidade.

Não vem mal ao mundo que as pessoas substituam a reflexão e o espírito crítico pela fé, direito que o Estado moderno deve garantir, mas torna-se intolerável o carácter prosélito que devora os crentes, a demente obsessão de impor aos outros o que cada um julga ser a verdade divina, perpétua e imutável, pela violência, quando necessária.

Um Deus que se preocupa com as normas de conduta, da alimentação ao vestuário, das orações aos jejuns, da liturgia à sexualidade, sobretudo com a última, especialmente a das mulheres, não pode andar à solta, sem que o Estado refreie os guardiões e defenda da sua ira quem prefira, ao risco perpétuo de perder a alma, a fugaz apoteose da vida.

A laicidade é a vacina que defende a Humanidade dos confrontos religiosos na disputa do mercado da fé. A globalização ameaça reduzir a um único os credos em confronto.


sábado, julho 05, 2014

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Carlos Esperança

Por respeito a Quim Barreiros


Viva a República!

Em França, Sarkozy, ex-presidente da República, certamente com boas razões, foi detido e vai ser julgado por corrupção.

Em Espanha, o ex-rei, logo que resignou, surgiu uma lei a garantir-lhe a imunidade perpétua, ou seja, a impunidade permanente, sem explicação ou razões aceitáveis.

Todos os homens nascem iguais, exceto alguns. À melhor das monarquias prefiro uma sofrível República.


Em nome da liberdade (2)

Talvez não possamos referir-nos à liberdade e à cultura, devendo antes falar de culturas e liberdades, pelo respeito que é devido à diversidade e idiossincrasias no Planeta, mas não podemos negar os caminhos que a Humanidade percorreu ao longo dos séculos e os avanços nos direitos humanos cuja Declaração Universal só foi adotada, pelas Nações Unidas, em 10 de dezembro de 1948.

O que não podemos aceitar, em nome de uma cultura ou da tradição, é a tortura, a pena de morte, o esclavagismo, a discriminação de género ou mutilações rituais, quer se trate da excisão do clitóris, de amputações ou de crucificações pias, voluntárias ou não.

Há valores civilizacionais que limitam as liberdades e, no entanto, devem ser impostos. Incoerência?  - Talvez. Julgue-os cada um, segundo a sua cultura e os seus preconceitos.

Vacinas, instrução e normas de higiene devem ser obrigatórias, tal como a igualdade de todos, perante a lei. Não podemos, em nome do multiculturalismo, aceitar a punição de quem renuncie a uma religião e opte por outra ou nenhuma. Não equiparamos a fé e a razão, a civilização e a barbárie, a tradição e os trinta artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Este código, tão difícil de aceitar, devia ser de cumprimento universal e obrigatório, sujeitando a sansões quando violado.

Chamem arrogância e prepotência ao comportamento dos países civilizados que exigem fidelidade às normas de conduta que a modernidade e o cosmopolitismo impõem. Pais que vendem filhas, na Europa acabam na prisão e em outras partes do Mundo exercem um direito. Será legítimo coartar a liberdade de venderem as filhas? Claro que é, embora não entendam que, estando esse direito consagrado nos livros sagrados, lhes possa ser vedado por homens ímpios e vagamente jacobinos.

Em Salamanca, na velha Universidade, um general franquista, Millán Astray, mutilado no corpo e no espírito, gritou “morra a inteligência, viva a morte!”, e o reitor, católico e conservador, culto e humanista, Miguel de Unamuno, retorquiu, corajoso: «Não! Viva a inteligência! Morram os intelectuais ruins!», em homenagem à vida e à inteligência cuja defesa tomou perante a beata mulher de Franco, o execrável e acéfalo futuro ministro da Propaganda do genocida e uma infindável plateia de fascistas onde não faltava o bispo.

Foi em nome da liberdade que Unamuno, grande filósofo e intelectual, continuou: «Este é o templo da inteligência e eu sou o seu sumo sacerdote! Vós estais profanando este recinto sagrado. Tenho sido sempre, digam o que disserem, um profeta do meu próprio país. Vencereis porque tendes de sobra a força bruta. Mas não convencereis porque para convencer há que persuadir e, para persuadir, falta-vos algo que não tendes: a razão e o direito. Mas parece-me inútil refletir no que pensais, em Espanha».

Os militares fascistas sacaram das pistolas e a vida de Unamuno foi salva pelo braço de
Carmen Polo, a mulher do genocida Francisco Franco, enquanto Millán Astray gritava, "Tire o braço da senhora!"

Nesse mesmo dia, o Conselho Municipal decretou a expulsão de Unamuno.

Viva a vida! – repito eu –, em apoteose a um bem único e irrepetível.


sexta-feira, julho 04, 2014

Mais uma…


Foi hoje divulgado link que o Tribunal Constitucional a solicitação de deputados da Assembleia Regional dos Açores considerou ilegais, dito por outra forma, inconstitucionais, disposições do diploma conhecido por ‘Lei-Quadro da Fundações’, onde, p. exº., se estabelecia a reserva de competência do primeiro-ministro para reconhecer fundações privadas (DR 1ª. Série, Nº. 131 de 9 Julho 2012, pág. 3554, Artº. 6, nº. 2 link) em clara violação do definido pelo Estatuto Político-Administrativo dessa região autónoma.

Claro que esta situação de usurpação de competências não tem o impacto político dos chumbos de normas orçamentais que tem sido recorrentes desde o início de funções deste Governo. Neste acórdão o Tribunal Constitucional repõe a legalidade no campo meramente 'administrativo'. Nos outros 'chumbos' as sequelas político-sociais e orçamentais deixam mossas mais profundas na estratégia de ‘resgate’ e plano de saneamento das contas públicas e denunciam, de modo directo, as linhas ideológicas com que este Governo se coze no que diz respeito ao sentido do 'fluxo de transferências monetárias', no 'esmagamento selectivo' (e progressivo) dos rendimentos de sectores populacionais e na destruição do Estado Social.

Todavia, trata-se de mais uma inconstitucionalidade que não pode deixar de ser acrescentada ao vergonhoso currículo que tem caracterizado esta governação.
De facto, começa a perceber-se o sentido da confrangedora irresponsabilidade política e democrática de Passos Coelho exemplarmente consagrada no insultuoso remoque: “Temos de escolher melhor os juízes do TC…”. Ou seja, quando o jogo não está a correr bem a 'solução passiana' será mudar de árbitro.

Basta deste infindável ‘bullying constitucional’!…

Em nome da liberdade

As suscetibilidades pias são um episódio na escalada contra a laicidade. A substituição do direito divino pela soberania popular foi um passo para a democracia e uma grande deceção para o clero.

A liberdade é um bem escasso. Limitada pela opressão dos Estados, tolhida pelo medo individual e fanatismo religioso, precisa de quem a defenda contra tudo e contra todos.

A publicação de caricaturas de Maomé desatou, há anos, a ira do Islão e os desacatos, ameaças e violência do fascismo islâmico. Os cristão opor-se-ão ao escárnio do calvário de Cristo ou da virgindade de Maria, e a liberdade de expressão regressará ao escrutínio dos clérigos que ao longo dos séculos oprimiram a Humanidade.

Recordamo-nos do trauma das perseguições da inquisição, da celeuma do preservativo colocado em sítio menos óbvio – o  nariz de João Paulo II –, pelo cartoonista António e do assassínio de um médico por um pastor evangélico, na sequência da prática de um aborto, nos EUA.

Temos o direito de caricaturar Deus, afirmou então, em França, o jornal France Soir, após a publicação dos desenhos de Maomé: «OUI, on a le droit de caricaturer Dieu».

Se nos deixarmos tolher pelo medo, não tarda que o poder seja de novo confiscado pelo clero, que sempre reivindicou procuração divina, e que sejam postos em causa direitos, liberdades e garantias arduamente conquistados ao longo dos séculos.

Dar publicidade aos testemunhos de irreverência, humor e heresia não é provocação aos crentes, é um ato de cidadania em defesa da liberdade de criação, uma ousadia contra a chantagem, uma advertência de quem resiste ao medo, à violência e às bombas.

Não faltarão cobardes a dizer que «deve haver um certo cuidado» e que «talvez não seja sensato». A pusilanimidade não conhece limites.

Defender o direito à blasfémia é um ato de solidariedade para com criadores artísticos, órgãos de comunicação social que os acolhem e países que não se vergam à histeria da fé e ao fascismo religioso. É também uma forma de homenagear Salman Rushdie cuja condenação à morte teve do Vaticano, do arcebispo de Cantuária e do Rabino Supremo de Israel uma posição favorável ao aiatola Khomeini quando, na sua piedosa demência, o condenou à morte, pelo abominável crime de…ter escrito um livro.

Se os crentes, de qualquer fé, por mais idiota que seja, entenderem caricaturar os ateus, apelidá-los de burros, idiotas e patetas, estão no seu direito. Todos temos de aprender a tolerar o direito de opinião dos que discordam de nós, por mais injustos e provocadores que sejam. O direito de expressão tem de estar acima do direito à repressão.

Quando o grotesco Califado com que gerações de jihadistas sonharam acaba de nascer entre a Síria e o Iraque, e os facínoras da fé instauram o Estado islâmico nos territórios que controlam, não há caricaturas e insultos que bastem, urge repor a salubridade nos territórios que as mesquitas e madraças ameaçam tornar insalubres. Por todos os meios.