domingo, agosto 31, 2014

O Estado Islâmico e o pavor

Quando os celerados cruzados invadiram o Iraque, para abater um ditador laico, nunca pensaram que a mentira, que lhes serviu de pretexto, traria consequências tão trágicas.

A inteligência de Bush, o maquiavelismo de Blair, a piedade de Aznar e o oportunismo de Barroso levaram a mais trágica sementeira do ódio ao mais fértil terreno da vingança, produzindo a crueldade e o pavor para cuja colheita se oferecem europeus e americanos, caucasianos e cristãos islamizados, numa alucinante sedução assassina.

Depois da destruição do país e da desarticulação das forças que o aglutinavam, persistir na ocupação era agravar o desastre e sair, era apressar a tragédia. Derrubaram a ditadura laica, apoiada por sunitas, que oprimia os xiitas, para criar um estado teocrático onde os xiitas não prescindiram de oprimir todos e, em particular, os sunitas, até que se criaram os sunitas de laboratório, apostados em criarem um sangrento califado.

A lei de Murphy cumpriu-se. Tudo o que podia correr mal, correu efetivamente mal e da pior maneira, sem solução à vista. O pavor, em doses obscenas, com metódica firmeza e insensibilidade de robots, tolhe as democracias e a neutraliza quem devia pará-los.


A complexa situação ucraniana ou um 'global' impasse…


"Mirotvorcheskiy" é uma palavra russa que significa literalmente ‘manutenção da Paz’. Uma palavra com uma conotação distante e diferente do conceito ocidental de ‘pacificação’ atitude que, por cá, está reservada a acções humanitárias e de verificação do cessar-fogo, habituais no final dos conflitos bélicos.
Será este conceito (‘mirotvorcheskiy’) que na frente diplomática está a ser invocado pela Russia para justificar a sua cada vez mais explícita intervenção militar na parte oriental (russófila) da Ucrânia, do mesmo modo que fez, em 2008, em relação à Geórgia.
É cada vez mais nítido que a Rússia após a anexação da Crimeia debaixo dos brandos protestos do Ocidente (UE, EUA, NATO, etc.) necessita (economicamente e militarmente) de ter um acesso directo (terrestre) entre a penisula já conquistada [Crimeia] e a ‘Mãe Russia’, através da bordadura territorial que limita a Norte o Mar de Azov. Esta solução, ou este ‘arranjo’, permitiria à Russia controlar todo o mar de Azov o que significa, em termos de riqueza, o acesso e a ‘propriedade’ de importantes reservas naturais (petróleo, gaz natural e minerais) link. A recente ocupação da pequena cidade de Novoazovs é a execução prática desta estratégia e indica que o destino é Mariupol (cidade mártir da II Guerra Mundial então denominada de Zhdanov) e importante porto no mar de Azov.
Por outro lado, em termos geoestratégicos e militares o mar de Azov funciona como retaguarda geográfica para o impressionante contingente de forças navais estacionadas no Mar Negro (Sebastopol).
A intervenção no sudoeste da Ucrânia é – para a Rússia – um acto complementar à questão [que considera ‘resolvida’] da Crimeia e tem por base ‘política’ o substratum étnico, cultural e linguístico comum entre a Rússia e esta região Leste/Sudeste da Ucrânia. (ver esboço de partilha na imagem).

Do outro lado, a UE limita-se a seguir uma política de envolvimento e associação aos Paises que integravam a ex-URSS, de que a Ucrânia é um exemplo, no que é acompanhada pelos EUA ainda em rescaldo da ‘guerra fria’. O ‘flirt’ entre Bruxelas e o ex-presidente ucraniano Yanukovich (aliado de Moscovo) acabou mal, como é do conhecimento público e determinou a suspensão de um acordo alternativo (de última hora) que foi ajustado entre Kiev e Moscovo.
Todavia, nada ficou resolvido politicamente na Ucrânia, após o derrube de Yanukovich e as acusações de que o poder tinha caído nas mãos de grupos da extrema-Direita, grandes activistas na ocupação da praça da Independência (protestos de Maidan), não se desvaneceram totalmente com a eleição do novo presidente Petro Poroshenko. Este, no mês seguinte à sua eleição (a 27 de Junho 2014), apressa-se a assinar o pacto Ucrania/UE link, concebido pelo Governo provisório saído da insurreição e que foi, pomposamente,  festejado em Bruxelas.

O que está efectivamente em causa é o conceito de ‘integridade territorial’ que a Rússia vem alterando (desde a Guerra Rússia-Geórgia), baseando-se no precedente do conflito do Kosovo.
A UE ‘encaixou’ o conflito na Geórgia porque fundamentalmente estava em causa o pipeline Nabbuco (Baku-Tbilisi-Ceyhan) que partindo de Baku (Arzebeijão) atravessa este País e a Turquia para abastacer os Países europeus (Europa Central).
O problema ucraniano não pode servir para esconder o descalabro da intervenção na Síria onde o armamento de opositores ao regime de Bashar Al-Assad conduziu a uma situação incontrolável, tal como a intervenção no Kosovo serviu de certo modo para distrair as atenções do ‘caso Monica Lewinski’  e onde a actuação da NATO pouco adiantou excepto um provavel aumento do número de vitimas.
De resto, quando em Março de 1999 a Rússia (acompnahada pela China e a India) invocou relativamente à situação no Kosovo o respeito pela integridade territorial e o fim do uso da força na ex-Jugoslávia através de uma proposta de resolução no Conselho de Segurança da ONU , os Países ocidentais (UE e EUA) rejeitaram-na em nome da protecção de grupos étnicos (albanese) link. Assim, politicamente, o desmembramento da ex-Jugoslávia foi o precedente aberto no pós guerra-fria e que destruiu o dogma da integridade territorial vindo da conferencia de Yalta (por ironia cidade da Crimeia).
Hoje, a Ucrânia é mais um dos problemas que o fim da ex-URSS ainda carrega e provoca réplicas à distancia. Na verdade, a Ucrânia – no presente e no passado - não é um Pais que prime por ter uma identidade populacional homogénea e coesa, antes pelo contrário, a imagem é a de um País dividido.  Terá sido historicamente assim e a ‘russificação’ foi uma prioridade do regime comunista no período estalinista.
Deste modo, grande parte do problema reside na ‘russofilia’ (económica, étnica e cultural) acantonada no território oriental deste País que não se revê no poder emanado de Kiev. Aqui, também em paralelismo com o que se verificou no conflito do Kosovo (em relação aos albaneses), estamos em presença de ‘interesses’ étnicos e de integração económica.
Mas existem duas grandes razões que parecem explicar as atitudes políticas e militares de Putin:
1.) Impedir a extensão da influência da NATO a Oriente (nomeadamente em relação às repúblicas da ex-URSS);
2.) O objectivo de afirmação da Rússia como uma potência económica e financeira global, com uma esfera de influencia dilatada e Ocidente e a Oriente adoptando uma priveligiada posição charneira.

Ora, a UE não tem condições económicas para torpedear as intenções de Putin (apesar dos embargos) e militarmente a ‘união’ não existe sendo, portanto, pouco credível para nós europeus (e também para os russos) que os EUA queiram envolver-se numa nova frente de batalha na parte oriental da Europa link . Assim, a Ucrânia fora das formais declarações de princípio [europeias e americanas] está literalmente entregue à sua sorte. E a recente afirmação de Putin “não se metam com a Rússia” link é um aviso para Bruxelas, principalmente para o actual e intempestivo Durão Barroso (que para algumas coisas é um paladino do pragmatismo) e uma carta de intenções para os novos responsáveis europeus: o polaco Donald Tush e a italiana Federica Mogherini.

Para a Ucrânia uma nova guerra só serve para fazer reavivar o espectro de mais um infernal ‘ciclo de fome’ como aquele que fustigou até à morte, na década de 30, milhares de ucranianos, um desastre humanitário que se avizinha e continua bem presente na memória nacionalista de um País caldeado por um povo inserido numa complexa miscelânea eslava.

A figura que acima ilustra o post é, no seu esquematismo, uma breve sintese do que poderá estar na calha. Ou, como na sequência da derrocada da ex-URSS se pretende induzir – um quarto de século depois - os reajustamentos 'globais' possíveis. E o grande 'reajustamento' é empurrar a Rússia para o Oriente, para a China, por cima do velho conceito que desejava uma Europa do Atlântico aos Urais...

Notas soltas: julho/2014

José Sócrates – O político foi julgado três vezes em eleições e castigado nas últimas. A perseguição sistemática e os ódios de estimação, com acusações perversas, alimentaram o mito e anteciparam a reabilitação do inimigo que queriam enterrar.

Banco de Portugal – A imagem do governador, retocada pelos ventríloquos do poder, depois de assegurar que a almofada financeira do BES era à prova do pior dos cenários, liquefez-se na incúria da atuação e na cratera esculpida em reiteradas fraudes.

BES – Quando da auditoria do BP às empresas do grupo, Carlos Costa devia ter varrido logo a administração, mas aguardou que fosse Ricardo Salgado a encomendar o funeral e, assim, em vez de marcar a cirurgia, que era urgente, assistiu à autópsia do cadáver.

Governo – À semelhança do BES, em que foi criado um Banco Mau e um Banco Bom, devia ter sido criado um Governo Mau, para absorver ministros tóxicos, e um Governo Bom, resultante de novas eleições, com todos os membros substituídos.

Conselho de Ministros – Com os ministros na praia, aprovou o decreto-lei destinado à «resolução» do caso BES. O PR promulgou o diploma, «visto e aprovado em Conselho de Ministros de 3 de agosto de 2014», no domingo onde os fatos de banho e os biquínis compareceram ao ato, por e-mail.

Faixa de Gaza – A pobreza e o desespero nutrem o ódio e a vingança. A raiva levou ao poder o grupo terrorista Hamas. Palestinos e israelitas não acharão a paz no terrorismo mútuo que praticam e na espiral de ódio recíproco que alimentam.

Guerra – As lutas tribais continuam com armas sofisticadas e a demência islâmica com a fé, cada vez mais anacrónica.  Iraque, Líbia e Síria são vítimas do drama pungente que os libertadores ali deixaram motivados pela ganância do petróleo.

GES – Depois do BPN, BPP e Banif, ainda faltava o maior empório português, o Grupo Espírito Santo, a que pertencia o BES, onde se criavam ministros, secretários de Estado, responsáveis pelas privatizações e até um PR, como metáfora cruel das elites nacionais.

Jihad – O recrutamento de uma jovem de 14 anos, por telemóvel, presa graças à rapidez com que a polícia de Ceuta a procurou, revela a vulnerabilidade da Europa à intoxicação que adicionou à das mesquitas e madraças a das novas tecnologias.

Ucrânia – A U E, sem política externa comum e coerente, reincidiu no erro da Geórgia.  Os pró-europeus derrubaram o Governo e assustaram zonas russas, deixando a V. Putin o enxovalho ou o autoritarismo, enquanto a Europa expia a imprudência.

Irão – O aliado improvável dos EUA mobilizou-se no combate ao Estado Islâmico (EI) na defesa das minorias religiosas iraquianas ameaçadas de extermínio, especialmente os yazidis, colocados na iminência de um genocídio incitado pelo sectarismo religioso.

PSD – Mais um caso de nepotismo praticado com monótona impunidade. Um filho de Durão Barroso foi nomeado para o Banco de Portugal, sem concurso e com ocultação do salário. Não se discute a competência para as altas funções, mas o método.

Emídio Rangel – Personalidade marcante, deve-se-lhe um inestimável contributo para a revolução do audiovisual. Fundador da TSF, SIC e SIC-N, o falecido jornalista inovou e tornou-se uma referência indelével na comunicação social do Portugal de Abril.

Pontal – A liturgia do PSD promove uma espécie de Festa do Avante dos pequeninos, de sinal contrário, sem o esplendor de outros tempos e sem um orador que entusiasme os devotos com o fulgor de outros líderes e os resultados de melhor governação.

Estado Islâmico – O fermento democrático, levado ao Iraque por execráveis cruzados, resultou numa manifestação de terrorismo gratuito, onde a demência da fé ultrapassou a dos invasores, ameaçando retalhar o país que resta, com o ódio a alastrar pela região.

PS – Na disputa interna, que devia caber apenas aos militantes, vieram à tona os piores defeitos, onde se nota a indignidade de alguns, a sede de poder de outros e a ausência de preparação cívica, política e ética de quem faz dos partidos locais mal frequentados.

Desemprego – Os portugueses sem trabalho e sem subsídio atingiram o número de 400 mil, vivendo, desesperados, um drama silencioso. A falta de solidariedade revela até que ponto pode chegar a insensibilidade social.

Donetsk – No dia das comemorações da Ucrânia, rebeldes pró-russos, que ocupavam a cidade, exibiram meia centena de soldados ucranianos com as mãos amarradas atrás das costas. A razão que lhes assistiria perderam-na na torpeza agreste para com os presos.

França – A  senhora Merkel, cada vez mais entusiasta da austeridade, acabou por levar a remodelação ao Governo de Hollande, o passo que levará os franceses a remodelarem definitivamente o seu atual presidente.

EUA – Quando a lei autoriza uma menina de 9 anos a usar uma arma de guerra que, por acaso, mata o instrutor, descobrimos uma nação poderosa onde coexistem a ciência e o tribalismo. Talvez isso explique os paradoxos de um país que mantém a pena de morte.

Brasil – A possível eleição presidencial de Marina Silva será um sismo no maior país da América do Sul, país de contrastes, onde a corrupção e as desigualdades são a lepra que o devora. Seria trágico se ao sonho de mudança sucedesse o pesadelo da desilusão.

sábado, agosto 30, 2014

Bertolt Brecht, Mota Pinto e a Ópera dos Três Vinténs

Quando Paulo Mota Pinto, sem problemas éticos, suspendeu as funções de presidente do Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República Portuguesa (CFSIRP) para aceitar a sinecura de chairman do BES, pareceu que não restava mais um módico de pudor, um resquício de amor-próprio, uma noção vaga de serviço público no país que lhe concedeu uma reforma obscena aos quarenta anos como ex-conselheiro do Tribunal Constitucional.

Nem o facto de ele ter votado o período de nojo obrigatório a quem exerce funções no SIRP, impedindo a entrada numa empresa privada com os segredos que detém, fez com que o chefe dos fiscais se sentisse vinculado ao que os fiscalizados estão sujeitos.

A decadência ética tem acompanhado a dívida pública e, se a segunda chegou ao ponto de impagável, a primeira atingiu o ponto de não retorno.

Brecht, na Ópera dos Três Vinténs, coloca-nos no Soho, bairro pouco recomendável de Londres, no século XIX, onde antecipa o Portugal venal, corrupto e marginal de hoje.

Mota Pinto não é Mac Navalha, mulherengo e bígamo, casado com Lucy, filha de Tiger Brown, chefe de polícia, que casa secretamente, num estábulo, com Polly, a filha do seu colega marginal, Peachum, "Rei dos Mendigos", mas, ao regressar às funções que devia ter honrado, sem as trocar por uma sinecura, que falhou, no grupo financeiro do maior e mais trágico escândalo português a nível global, dá de si, da política e do país a imagem que podia ter inspirado o grande dramaturgo, poeta e encenador alemão.

Retorna à presidência do CFSIRP num final feliz, a recordar a peça notável de Brecht, desta vez em deprimente comédia e sem necessidade de perdão real. Devia regressar ao som da música de Kurt Weil, para que, nesta medíocre ópera-bufa, pudéssemos recordar a Ópera dos Três Vinténs com o som do genial compositor.


O Islão misericordioso e o terrorista


Corre por aí que há um Islão benevolente e outro terrorista. O primeiro é o que se baba de gozo nas madraças e aparece compungido em público em cada ato de violência pia, a reiterar a benevolência do Corão, a execrar o terrorismo e a reclamar a paz. O outro é o que ulula, crocita e uiva na rua islâmica por cada infiel decapitado ou adúltera lapidada.

O Islão, o benevolente, oprime as mulheres, evita a modernidade e recusa a democracia. Ignora direitos humanos que o coíbam de cumprir a vontade de Alá e do Profeta, exulta com lapidações, folga com chibatadas e excita-se com decapitações. Não precisamos de olhar para o Islão terrorista, basta-nos o benévolo, aquele que há vários séculos impede, onde conquista o poder, que alguém despreze a religião ou tenha qualquer outra.

Os povos não são dementes, é o Islão que, à semelhança de outras religiões, contém em si o germe do crime. O terrorismo é a aplicação dos preceitos do livro sagrado contra os infiéis e a crueldade o método prescrito.

Seria trágico que se abrisse a caça ao muçulmano numa explosão de xenofobia baseada em sentimentos religiosos rivais, o desejo perverso do Islão que põe o terror ao serviço do proselitismo. O racismo é o sentimento piedoso do crente, a tolerância é a atitude de quem se libertou da religião. É por isso que o combate não deve ser dirigido aos crentes mas contra o proselitismo troglodita dos seus próceres e o carácter retrógrado do Corão.

As armas nas mãos dos homens são um perigo, nas de Deus uma catástrofe. O clero não deseja a felicidade humana, aspira apenas satisfazer a crueldade de Deus. Não podemos condescender com quem despreza os direitos humanos. Há um combate cultural a travar em defesa da liberdade que não pode deter-se nos véus, nas mesquitas e madraças.

O Corão não é apenas o baluarte inexpugnável dos preconceitos islâmicos, é a fonte que legitima toda a iniquidade. No mundo islâmico, os mullahs procuram ocupar os devotos, nos intervalos das cinco rezas diárias, com o sofrimento dos infiéis. É preciso travá-los.

sexta-feira, agosto 29, 2014

A ‘golpada’ imoral…


A golpada do PSD-Madeira à volta de um regime excepcional, com piedosos laivos pretensamente 'autonómicos', para o ensino de educação moral e religiosa naquela Região, não passou no Tribunal Constitucional link.

De facto, as forças retrógradas não desarmam. Agora, o pretendido, no diploma emanado da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira (ALRAM), seria o enveredar pelo campo da omissão (permissão) esquecendo que a regra do Estado Português é outra, i. e., a laicidade como consequência da Liberdade. 
Esta tentativa de inversão da ordem de valores democráticos e republicanos concebendo como ‘natural’ a educação religiosa 'universalmente' (regionalmente!) aceite e a excepção (a ‘desobriga’) como um privilégio individual carente de requisição, teve uma resposta adequada do TC.

Num Estado democrático o que, de facto, poderia existir em substituição desta anacrónica disciplina seriam aulas de Educação Democrática. Espaço formativo onde se abordariam conceitos como: a consciência da liberdade, o respeito pelas diferenças, os 'sentimentos' cívicos (deveres, direitos, responsabilidade e confiança), a ciência como matriz do progresso e fundamento da cultura, o desenvolvimento do espírito crítico, a aprendizagem da tolerância, etc.

A ICAR, com o apoio de instituições públicas (como é o caso do Parlamento Regional) quer, à viva força, transformar a fé num assunto público. Todavia, num Estado democrático e laico, as crenças são questões do foro privado. 
Aos poderes públicos compete zelar para que os cidadãos – de qualquer idade, raça e religião - desfrutem de boas condições para o livre desenvolvimento da sua personalidade. Livre, sublinhe-se.

Por último, a questão do ensino de educação moral e religiosa na Madeira pode ter outros contornos ou viver de outras fantasias. Para quem deve parte substancial da sua ascensão política à diocese pode parecer normal que para além de sustentar com dinheiros públicos um jornal paroquial, criar um fantasioso quadro de excepção no terreno da laicidade, não deixa de ser um gesto de reconhecimento pessoal a uma velha dívida, feito à boleia de competências regionais (públicas).
Uma 'imoralidade'!

Espanha – movimento eclesiástico


Enquanto o arcebispo de Valência vai para Madrid, onde substituirá o cardeal franquista Rouco Varela, de 78 anos, Antonio Cañizares (na foto) regressa de Roma onde tem sido prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, desde 2008, para presidir à diocese de Valência.

quinta-feira, agosto 28, 2014

Orçamento Rectificativo 2014: sol de pouca dura…



O Orçamento Rectificativo apresentado hoje pela ministra Maria Luís Albuquerque link, em nome do Governo, mais parece uma peça de teatro do absurdo.

Primeiro, criou-se a ideia, através de um habitual porta-voz das medidas em incubação link, de que estaria na calha mais um aumento de impostos, nomeadamente, sobre o consumo. Assim, alimentou-se, no inconsciente colectivo, a quase inevitabilidade de mais dificuldades para muitos portugueses.
Depois, segue-se uma vulgar acção de propaganda. Afinal, o País está bem e os cortes do Tribunal Constitucional ocorridos em Maio e os de Agosto não perturbam o défice nem a estabilidade política como anunciou um alto responsável da bancada parlamentar do PSD link.

O Governo diz porquê: pôs o País a crescer e diminuiu as prestações sociais porque baixou a taxa de desemprego. Na verdade, o crescimento não será assim tão notório e com o arrastar da crise muitos dos desempregados vão perdendo os subsídios que têm até aqui usufruído por esgotamento do tempo e deste modo ‘aliviando’ as prestações.

Mas verdadeiramente insólitos são os abundantes festejos à volta do ‘não aumento de impostos’ link acrescidos da não inclusão (no O. Rect.) de mais medidas de austeridade.
Bem, como nos arraiais populares a festa deverá durar 1 semana. Para a próxima semana já está agendada na AR a discussão de um diploma sobre cortes salariais na Função Pública link.

Todavia, convinha apresentar o orçamento rectificativo antes dos projectados cortes para não estragar a festa anunciada e desfrutar de  um tempo de propaganda, mesmo que efémero.
As medidas previstas para a próxima semana e que entrarão imediatamente em vigor não estão, de facto, nesta revisão orçamental. Como diria o primeiro-ministro na sua verborreia demo-liberal as medidas estão na fase discussão em sede parlamentar, com desfecho acordado (omite-se isso) mas para efeitos propagandísticos [ainda] não são para valer. Só que já foram anunciadas.

Portanto, o que aparentemente parece verdade hoje, conhecemos antecipadamente, deixará de o ser amanhã ou daqui a 1 semana.
É como diz o povo: sol de pouca dura!…

A luta interna no PS

Tenho procurado não me intrometer na legítima luta pela liderança do PS embora tenha a esse respeito ideias formadas sobre a capacidade de cada concorrente. Penso que é um assunto interno do partido, apesar da importância para o país.

Surpreende-me que, na urgência de substituírem o Governo e o PR, que qualquer crente pensa serem castigo divino, apelem a simpatizantes, alargando possibilidades de fraude, tradição do universo partidário, desde os financiamentos às chapeladas eleitorais internas.

O que me surpreende é a indigência mental dos que, em vez de atacarem o Governo que nos desgraça, se excitem nos ataques a quem julgam afastá-los da gamela ou da sinecura num ódio violento e numa irracionalidade primária.

Um partido com estes militantes cria aversão aos indiferentes e desconfiança de muitos simpatizantes. Imaginemos que os arruaceiros conquistam lugares de destaque e que o País terá de suportar tamanha incultura, ódio recalcado e boçalidade. Manda a prudência evitar o voto em tal gente. Seguro e Costa não merecem tais primatas.

Duvido de que sejam militantes do PS, devem ser indigentes agenciados por adversários para minarem o partido.

Penso que Passos Coelho e Cavaco também foram escolhidos por adversários do PSD, o primeiro por Relvas e o segundo por Ricardo Salgado.


Factos & documentos


FRANÇA: Emmanuel Macron mais um rosto da indisfarçável deriva...


 
Macron rumo a 'Bercy'

Se uma justificação fosse necessária para fundamentar a ‘deriva liberalizante’ do Governo de François Hollande, encabeçado pelo ‘socialista de Direita’ Manuel Valls, a substituição do anterior ministro da Economia [Arnaud Montebourg] por Emmanuel Macron é extremamente reveladora. 

Trata-se de estimular o tal ‘Pacto de Responsabilidade’ que ‘atribui’ 40 mil milhões de euros às empresas que, registe-se, foi entusiasticamente aplaudido pela confederação patronal Movimento das Empresas de França (MEDEF) link.
Valls prossegue este errático caminho ‘liberal’  na ‘militante’ esperança que essas poupanças, extorquidas aos contribuintes franceses e às prestações sociais, não vão parar directamente aos bolsos dos accionistas em dividendos e - pelo contrário - estimulem o crescimento, aumentem a competitividade e façam diminuir o desemprego galopante, o Presidente francês foi descobrir [no seu ‘inner circle’ do Palácio do Eliseu] um ex-banqueiro de investimentos (do Grupo Rothschild) link  e um recente convidado do Club Bilderberg (na reunião de Copenhaga em 29.05 a 01.06. 2014) link o 'homem' para executar as ‘suas’ [responsáveis ?] políticas económicas.

Não vale a pena elaborar grandes teorias sobre uma (neo)deriva liberal-socialista protagonizada por Hollande até porque esta é cada vez mais uma cópia requentada e deslocada da 'terceira via de Blair'  link.
Não faltarão aplausos a esta 'mudança' vindos da Srª. Merkel e do Sr. Schauble figuras que, de facto, ‘ensombram’ o governo Valls II.

Um exemplo hipotético – salvaguardadas as devidas distâncias e o percurso político - , aplicado aos nossos terrenos paroquiais, poderia servir para ilustrar [caricaturar] o que se está a passar em França.

Imaginem o que pensariam os socialistas portugueses se o seu líder propusesse para futuro ministro da Economia ou das Finanças o inefável profeta do ‘aguenta’, Sr. Fernando Ulrich…

A Sandoz e o negócio de diamantes em Coimbra (Crónica)

No ano de 1976 já se tinham desvanecido os ecos da mais idiota e injusta das greves que o pequeno educador da classe operária, Chaves Alves, tinha conseguido fomentar numa multinacional cuja autogestão exigia – segundo disse à imprensa –, ávida de agitação e a que não faltavam declarações de idiotas úteis e provocadores convictos.

Ajudou-o na tarefa o Cabral da Costa, que tinha maior amor à greve do que à gramática, que maltratava, e que deu origem à dupla Chabral da Costa. Para gerir, havia máquinas de escrever, pastilhas, supositórios e xaropes, vindos da Suíça, onde o operariado jamais se solidarizou com a vanguarda Chabral.

A euforia e o medo de passar por reacionário permitiram suportar a coação psicológica a que nem o António Gonçalves, respeitado pelo passado de resistente, durante a ditadura,  logrou pôr cobro. Até ao dia em que a fadiga e o impasse deixaram o líder sem tropas.

A Sandoz ocupava um lugar destacado na indústria farmacêutica e decidira manter dois grupos promocionais dos seus fármacos, Sandoz e Wander.

A hierarquia fora alterada revolucionariamente, situação que o Laboratório digeriu, o que permitiu ao Barroso chegar longe e fez o gerente regressar a Basileia.

Nesse verão de 1976 o Duarte Rodrigues era o chefe nacional da Wander e o Rebotim o da Região Centro. Em Coimbra estavam sediados dois delegados, o Silva Cunha e o cronista desta história. Uma manhã combinámos os quatro tomar café no Mandarim e dali fomos para o Hospital da Universidade de Coimbra (HUC), em trabalho.

O Duarte Rodrigues deixou o carro estacionado em frente ao Mandarim e eu deixara-o à entrada do Jardim da Sereia. Para o HUC fomos nos carros do Silva Cunha e do saudoso Rebotim, uma carrinha Peugeot 203, a diesel.

Antes disso, do carro do Duarte Rodrigues saiu uma embalagem de frascos de vitamina D3, que trouxera de Lisboa, e que fui meter na mala do meu Datsun 1200. No regresso houve entrega de amostras do Rebotim ao Silva Cunha, antes de entrarmos os quatro na carrinha e rumarmos à Mealhada, a almoçar leitão.

Foi longo e copioso o almoço. Na volta parámos na R. da Sofia a abraçar um colega e chegámos à Praça da República, com o dia cumprido, prontos a regressar a casa.

Quando o Rebotim parou junto ao meu carro, demos conta de um 1.º subchefe da PSP a meter a bala na câmara da metralhadora, armamento inabitual na corporação, e a gritar para ninguém fazer gestos suspeitos. De armas aperradas, dois polícias protegiam-lhe a retaguarda. Pedi que me deixasse abrir o carro e tirar os documentos de identificação.

Na carrinha Peugeot, com o Rebotim ao volante e o Duarte Rodrigues ao lado, entraram dois polícias para a parte de trás, enquanto um carro da PSP aguardava com dois agentes a minha entrada e a do Silva Cunha, que fora obrigado a mudar de viatura, e o subchefe, de enorme estatura e visível inquietação.

Os dois carros contornaram a Praça da República, subiram a R. Alexandre Herculano e, na primeira rua, viraram à esquerda para a esquadra. Quando os carros se imobilizaram, a um gesto do subchefe, o sentinela puxou a culatra e meteu uma bala na câmara. E foi num ambiente crispado que entrámos na sala de entrada onde um chefe nos aguardava e outros polícias reforçavam a segurança.

O primeiro a ser inquirido foi declinando o nome, Duarte Afonso Pimentel Rodrigues, chefe de propaganda médica de Produtos Sandoz, Ltd.ª, filiação, naturalidade e residência. O subchefe, tranquilizado com o armamento e a superioridade numérica, foi dizendo, meu chefe, vê, o fato condiz, e olhe a gravata, eu bem disse à Natércia que me pusesse outra, os senhores estão acusados de um crime muito grave – disse o chefe –, e o Rebotim sentia-se responsável, por se ter esquecido de pagar o imposto de gasóleo.

A seguir foi a vez do Ramiro Romão Rebotim e o Silva Cunha irado, tenente na reserva, a quem o subchefe, havia pouco tempo, falaria em sentido, recalcitrou e foi encostado à parede, levante os braços, e sumariamente revistado pelo subchefe. Nem um corta-unhas tinha. A profissão do Rebotim, chefe de secção de propaganda médica de Produtos Sandoz, Ltd.ª, pareceu abalar a confiança do chefe que nos identificava.

O terceiro fui eu e a qualidade de delegado de Produtos Sandoz, Ltd.ª punha em dúvida o delinquente cuja barba, fato e gravata coincidiam com a do meliante do bando que a PSP tinha detido sem um único tiro. Antes de perguntar o nome ainda disse, pode haver engano mas a descrição confere, e começou a identificação enquanto o jantar e a mulher aguardavam o recém-casado.

Por fim, foi a vez do Silva Cunha, sem armas ou amostras clínicas, e, mal tinha acabado de dizer que Manoel se escrevia com «o», mania de exigir o erro ortográfico de Júlio Manuel, o chefe recebeu um recado e suspendeu a identificação do perigoso tunante.

Disse que tínhamos deixado de estar detidos e que íamos em carros da polícia à PJ. Ali aguardava o inspetor-chefe que se queixou do atraso do seu jantar para nos poder pedir desculpa e pôr viaturas à nossa disposição, para nos levar onde desejássemos, depois de nos dar uma explicação.

Enquanto tomávamos café no Mandarim, pela manhã, um cliente lia no Comércio do Porto que 4 perigosos malfeitores, traficantes de diamantes, andavam a monte e faziam-se transportar num Dolomit, exatamente a marca do carro do Duarte Rodrigues. Tomou nota dos fatos, gravatas, estatura e outros detalhes que, à nossa saída, logo noticiou à PJ.

Foi ordenada a detenção da carrinha, cuja matrícula foi divulgada, e dos ocupantes. As patrulhas que nos aguardavam, fortemente armadas, não deram pela nossa passagem.

A notícia com mais de um mês, por razões que o Comércio do Porto não soube explicar, empastelada na tipografia, saiu naquele dia e com a marca do carro errada. Uma chuva miudinha, fora de tempo, evitou o espetáculo para numerosos conhecidos que se tinham recolhido nos cafés.

Apostila – É com imensa saudade que recordo o Rebotim, um excelente amigo e colega, a quem dedico esta crónica. Agosto/2014 

Ponte Europa / Sorumbático


quarta-feira, agosto 27, 2014

Salazar – Quarenta e quatro anos depois

A morte, na cultura judaico-cristã, é o detergente que limpa todas as nódoas, a lixívia que desencarde o mais negro dos passados e a circunstância que transforma um crápula numa pessoa de bem.

Em 1970, no dia de hoje, exalou o último suspiro o vil ditador que vegetava desde 3 de agosto de 1968. Mais de 40 anos de partido único, de perseguições, de julgamentos sem culpa formada, no país que manteve beato, tímido e analfabeto, deram lugar às lamúrias das carpideiras contratadas, dos cúmplices do regime e dos esbirros da ditadura.

Em Lisboa houve bailes de ação de graças, foguetes a sul do Tejo e alívio generalizado de quem via no cadáver adiado a peçonha de décadas do país «orgulhosamente só».

O tom laudatório da imprensa, sujeita a censura prévia, destoava do alívio generalizado e do regozijo silencioso. A encenação da dor coletiva foi percursora da de outros biltres que morreram na cama. Os telegramas de condolências do genocida Francisco Franco e de Paulo VI foram anunciados como a veneração do mundo, a que se juntou o da inútil e mediática rainha de Inglaterra, Isabel II, para regozijo dos dignitários paroquiais.

Foi precisa a generosa mediação do caruncho, numa cadeira do Forte de Santo António do Estoril, para afastar do poder o mais longevo ditador mundial, e que o ciclo biológico se cumprisse para que o veneno fosse inumado em Santa Comba Dão, onde fora gerado e de onde partira para o seminário, primeiro, e, depois, para a Universidade, o CADC e o ministério das Finanças, antes de se tornar o carrasco de um povo.

Na morte não lhe faltaram as sotainas que o incensaram em vida, as mitras, os báculos e os anelões, nem o barrete cardinalício do Cerejeira. A escroqueria nacional passou pelo ataúde numa solenidade pífia cuja dimensão não apagava o ar provinciano da cerimónia fúnebre que encheu de esperança os democratas, perseguidos, presos ou ostracizados de quarenta e oito anos.

A guerra colonial, que o ditador não soube resolver, persistia a agravar ressentimentos e a semear ódios enquanto os mortos e estropiados não deixavam de aumentar. As prisões continuaram, a tortura manteve-se, o isolamento nacional aprofundava-se e as remessas dos emigrantes, cada vez maiores, já não suportavam a demência colonialista, a guarda pretoriana e as forças de repressão. Marcelo era um reacionário a prazo, o substituto do torcionário, que delapidava uma brilhante carreira universitária, na herança indigna que não teve pejo em receber.

Permaneceria ainda mais de três anos para acabar no Quartel do Carmo com ministros que choravam, quais ratos encurralados, sob a generosa indulgência de Salgueiro Maia.

A morte do frio ditador, indiferente às torturas dos esbirros e ao tormento do povo, não foi apenas o fim de uma vida, foi o despertar da esperança que seria concretizada numa doce madrugada de Abril.

Apostila - Um erro de leitura da data, de que peço desculpa aos leitores, fez-me sacrificar a Pátria com mais um mês de vida do ditador.

terça-feira, agosto 26, 2014

26 de agosto – efemérides

1789 – A Assembleia Constituinte francesa aprova a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

(Fizeram mais os deputados franceses num só dia do que todos os clérigos desde que o deus de cada um deles criou o Mundo).

1931 – Tentativa de golpe de Estado em Portugal contra a ditadura.

(Há azares que se pagam durante duas gerações. Este levou quase 43 anos a reparar).

2004 – O Supremo Tribunal do Chile retirou a imunidade ao antigo ditador Augusto Pinochet.

(Vale mais tarde do que nunca).


Aurélie, s'en va...


A carta escrita pela Ministra da Cultura e Comunicação francesa, Aurélie Fillippetti, e enviada ao presidente François Hollande e ao primeiro-ministro Manuel Valls,  foi ontem publicada no jornal Le Monde  link merecendo ser lida e analisada.
Nessa carta aberta estão estampadas questões fundamentais que inquinam o programa político do Governo Francês (questões de lealdade aos ideais e compromissos eleitorais) mostram que a actual crise interna em França não se resolve com remodelações governamentais. 
O balanceamento entre Solidariedade, Responsabilidade e Lealdade está bem presente no conteúdo do documento tornando-se esta trilogia político-partidária importante mas prioritariamente condicionada por uma outra impressa no cabeçalho da referida carta (Liberdade, Igualdade e Fraternidade). 
A desilusão que está patente ao longo de todo o texto desta carta é reveladora do modo como a liderança e o desempenho do Governo do Presidente Hollande desmotivou alguns ‘compagnons de route’ e, mais profundamente, desapontou a maioria dos franceses.
De fora ficam por apurar os danos colaterais para toda a Esquerda europeia.



Política, guerra e dignidade

Não esqueço a imprudência e maldade que levou a Alemanha e o Vaticano, na ânsia de atraírem a Croácia e a Eslovénia, católicas, a desintegrarem a Jugoslávia, empurrando a Europa para a cumplicidade na aventura.

Depois, não sei se a Europa se converteu em joguete, cúmplice ou instigadora dos EUA no estímulo à falhada aventura da Geórgia e, depois, à destabilização da Ucrânia, numa provocação à Rússia cuja proximidade da NATO abomina, naturalmente.

A indiferença perante as minorias russas, numa espécie de vingança póstuma da URSS, leva a União Europeia, por conta própria ou a mando alheio, a lançar-se em aventuras a que falta uma diplomacia comum, visão estratégica, potencial bélico e razoabilidade.

Colocar Putin, que os interesses europeus deviam tentar seduzir e não hostilizar, entre a capitulação e a agressividade, é um jogo que revela a falta de inteligência e temeridade com que a UE reincidiu na Sérvia, criando o entreposto da droga e da Jihad no Kosovo.

Dito isto, não posso deixar de repudiar a atitude dos separatistas russos da Ucrânia que, na região que dominam, num espetáculo indecoroso, fizeram desfilar numa avenida de Donetsk, soldados ucranianos, de mãos atadas atrás e escoltados por baionetas, por entre insultos e chacota da populaça. Anteontem, a boçalidade dos carcereiros fez alterar a minha simpatia a favor das vítimas.

Não bastou prender dezenas de soldados, o que, neste caso, se compreende, desejou-se a humilhação, a exibição gratuita e grotesca de quem, não tendo armas, merecia respeito.

Não há causas que resistam à boçalidade de quem, não sabendo respeitar os adversários, perde o respeito por si próprio e a simpatia de quem entendia a sua razão e aspirações.


segunda-feira, agosto 25, 2014

Hollande, Montebourg e a ‘tempestade’ anunciada…

O Governo francês demitiu-se em consequência de duras críticas tecidas pelo (ex)Ministro da Economia, Arnaud Montebourg, acerca das políticas de austeridade que fustigam a França e a Europa.
Classificou os 'profetas da austeridade' (Merkel?) como os responsáveis pela crise económica europeia e os promotores de sacrifícios inúteis  link.
 
A esquerda do PSF está em polvorosa. Muita gente bate a porta a Francois Hollande que fica, cada vez mais, isolado e prisioneiro do ‘liberalismo socialista’ que poderá 'desbaratar' a actual maioria na Assembleia Nacional. Um dos mais virulentos ataques a Hollande partiu de Jean-Luc Mélenchon, antigo candidato presidencial, oriundo da área socialista e fundador do Partido de Esquerda que, em declarações proferidas há 2 dias em Grenoble, considerou o actual presidente ‘pior’ do que Sarkozy link.
 
A Direita, neste momento, liderada de facto pela FN de Marine Le Pen perdeu todo o respeito ao presidente francês e pede a dissolução da Assembleia Nacional e eleições antecipadas link .
Hollande resiste ancorado em Manuel Valls que sendo um expoente do ‘socialismo liberal’ não tem peso político para defender o Presidente da República deste ‘ensanduichamento’ (à Direita e à Esquerda), nem espaço de manobra social para proceder a reformas económicas e fiscais que sejam uma alternativa da austeridade diariamente emanada de Berlim.
 
A viragem protagonizada por Hollande ao deitar no caixote do lixo a maioria das promessas eleitorais levou-o a enveredar por um caminho suicidário. A relevação de um novo Governo, amanhã, com toda a probabilidade, não será uma boa solução para a crise política, nem vai ‘sossegar’ os franceses. Diminuirá ainda mais a já frágil base social de apoio que o actual Governo de França disfruta.
E por arrastamento a UE terá de somar à crise económica, uma grave instabilidade política que envolve a 2ª. potencia do espaço comunitário.
 
Começam a soprar ventos que parecem anunciar a eclosão de uma ‘tempestade perfeita’… que tudo indica não ficará circunscrita a Paris.

Do Médio Oriente a Cascavel…

Penitenciária de Cascavel, Paraná, Brasil

A decapitação do jornalista James Foley às mãos de um súbito britânico sob o comando do megalómano ‘califa’ Abu Bakr al-Baghdadi, putativo chefe de um mítico Estado Islâmico, suscitou uma onda de indignação e levantou questões ainda por resolver no combate ao terrorismo. A conotação entre estes extremistas religiosos e o Islão na sua vertente sunita, facção wahabita (salafista) é fácil de estabelecer o que foi, de imediato, a conclusão no Ocidente, a reboque de ilações directas, mas superficiais.
O que não interessa é saber quem financia o trágico e pretensioso califado. A Arábia Saudita é um parceiro energético insubstituível e um ‘aliado’ do Ocidente e o Qatar um mediador silencioso e eficaz para a libertação de alguns prisioneiros (Theo Curtis, p. exº.) .

A bárbara e selvática execução do jornalista norte-americano mais do que indignou, chocou o Mundo, em termos humanitários e civilizacionais, modificou a sensibilidade e a tolerância dos cidadãos para com qualquer tipo de actos terroristas. Funcionou como uma espécie de vacina para todas as posições titubeantes.
 
O Terror foi um instrumento 'revolucionário' que vem do nosso longínquo trajecto histórico. Sem falar nas devastações e nos morticínios medievais interessa sublinhar que um dos seus pontos altos (do dito Terror) foi, exactamente, a Revolução francesa, incontestável precursora da Era Moderna. Embora de curta duração (1 ano) o terror jacobino (que decapitava na guilhotina) contou com vultos como Robespierre e Saint Just que a cultura ocidental não pode, nem consegue, ignorar. 

Mas nem toda esta onda de violência que passa por inconcebíveis e selváticas decapitações sucede exclusivamente no Médio Oriente ou se entronca em concepções e/ou práticas religiosas primitivas, radicais e intolerantes.

Na verdade, a violência pode ter múltiplas origens (raiva, desespero, paixão, miséria) que parecem conotáveis com a intolerância radical dos fanatismos religiosos (há muitos) à volta de proselitismo ou, como no caso do ‘Estado Islâmico’, projectos ‘divinos’ de poder (aparentados com o obsoleto absolutismo que no passado nos fustigou). 
O que parece ser um denominador comum de todos os tipos de fanatismos é uma gritante e aberrante irracionalidade que lhe está inerente (com causas múltiplas), a consequente e omnipresente desumanidade, subsidiária de uma infindável intolerância e sistemático recurso à violência.

A notícia ontem divulgada sobre distúrbios na Penintenciária de Cascavel, Estado de Paraná, Brasil, referindo a decapitação de 2 seres humanos link, provavelmente às mãos de cristãos, levanta questões humanas e civilizacionais ao Ocidente que convinha não escamotear ou disfarçar por detrás do nome de um réptil venenoso…

A esquerda e a laicidade

O pensamento de esquerda, foi-se estruturando desde o Renascimento, teve o apogeu no Iluminismo e tornou-se o motor das transformações sociais, económicas e políticas que conduziram à modernidade. Não vale a pena negar as violências cometidas e crimes em que imitou o absolutismo monárquico. Nunca a ideologia nobre se conseguiu emancipar da herança que rejeitou.

Os direitos humanos devem mais à Revolução Francesa, com a violência praticada, do que a séculos de poder absoluto, de origem divina, onde o despotismo nunca foi alheio.

A esquerda que não consegue fazer a autocrítica deixa de ser ideologia e passa a crença. A esquerda, humanista e plural, tem um património recente, mas é a herdeira da melhor tradição e dos mais nobres ideais. Logrou, aliás, civilizar alguma direita e convencê-la a defender os seus princípios fundamentais, com exceção do modelo económico.

A liberdade de expressão e de reunião, a igualdade de género e a defesa do Estado de direito, são hoje um património comum à esquerda e direita nos países democráticos. Sem a persistente luta da esquerda, a separação da Igreja e do Estado e a Declaração Universal dos Direitos Humanos não teriam sido proclamadas.

A secularização foi possível com a imposição da laicidade, graças à repressão política do clero, que se julgava com mandato divino e se acolhia no regaço das ditaduras.

É por estas razões que confrange ver certa esquerda islamófila, na convicção de que os inimigos de Israel terão de ser amigos, sem um sobressalto cívico contra a sharia, sem uma manifestação de repulsa pelas teocracias, sem assumir a superioridade moral das democracias sobre as ditaduras e das sociedades permissivas sobre as que condenam as mulheres a vergonhosos interditos e a sofrimentos indizíveis.

Uma sociedade onde as pessoas, seja qual for o sexo, a raça ou a orientação sexual, não possam mudar livremente de opinião, renegar a fé e transitar para outra, não pode obter a cumplicidade de quem reclama a liberdade, a sua e a alheia.

A esquerda que é cúmplice, pelo silêncio ou atuação, da perpetuação de modelos tribais e anacrónicos códigos de conduta, impostos por uma legião de guardiões, é a aliada da pior direita, da direita que quer substituir a repressão islâmica por outra, a discriminação ancestral por formas sofisticadas de domínio económico, social e político.


sábado, agosto 23, 2014

Homenagem a Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti


Hoje, 23 de Agosto de 2014, cumprem-se 87 anos que Sacco e Vanzzeti foram mortos por eletrocussão, nos EUA.

A sua inocência é inquestionável. Cinquenta anos depois da sua execução em 1927, a justiça americana reconheceu o erro e declarou-os inocentes.

Foram executados porque eram anarquistas e emigrantes.

Assassinados pela intolerância política (o juiz considerou não comprovada a acusação mas antes "inimigos das instituições") e porque eram italianos (num clima de histeria xenófoba), são mártires que interpelam sobre a xenofobia e a macabra pena de morte.

Os tortuosos caminhos da fé

Quando alguém se converte, na política ou na religião, é um herói. Se deserta, é traidor. É deste maniqueísmo que se alimenta o poder e se forjam os juízos morais.

Há quem morra por um mito e mate por uma utopia, quem se imole na apoteose da fé ou assassine na esperança de uma vida melhor de cuja existência não há o menor indício ou a mais leve suspeita.

Se um pobre, embrutecido pelo álcool e com o raciocínio embotado pela fome, mata ou rouba, é um criminoso. Se um indivíduo é impelido para a barbárie pela demência da fé e a crença na eternidade, é um mártir. É demasiado ténue a diferença entre a abnegação e a estupidez, a linha que separa o herói do pusilânime, e subtil o motivo que provoca a raiva ou o afeto.

A moral é a ciência dos costumes e não a vontade de um ser imaginário. Os homens de hoje são mais humanos do que os seus antepassados e repugna-lhes executar a vontade de um ente irreal em cuja crença foram fanatizados desde crianças. Essa evolução feita com o sangue dos livres-pensadores, com o sacrifício dos visionários e a abnegação de quem, tendo convicções profundas, respeita as alheias, não parece globalizar-se.

Permanecem escravos de constrangimentos sociais, vítimas de discriminação de género e embrutecidos por pregadores, milhões de indivíduos que se ajoelham a horas certas e rezam cinco vezes por dia, num ritual que tolda a inteligência e embota a sensibilidade.

Hoje, o medo espalha-se, e o confronto, que julgávamos impossível entre a civilização e a barbárie, vem aí. A lapidação de adúlteras e a decapitação de infiéis é inflamada pelos pregadores do ódio e homens de virtude, num regresso agressivo a práticas medievais.

A laicidade foi uma conquista obtida contra fogueiras e excomunhões, contra clérigos e catequistas, contra papas e reis, na caminhada que levou a Europa à separação da Igreja e do Estado, com os clérigos proibidos de legislar e os governos de dizerem missa.

Não permitiremos, em nome do multiculturalismo, que a arquitetura jurídica da Europa seja ameaçada com fanáticos que se vingam da civilização falhada com a violência de uma fé anacrónica.

O Estado Islâmico é o poder absoluto de origem divina que ensanguentou a Europa, é a demência de um manual terrorista recitado e praticado com a loucura tribal, é a droga que se entranhou numa civilização falhada e que seduz uma juventude sem horizontes.

Temos de ser vigilantes para não sermos vigiados e degolados.  Urge combater crenças e respeitar os crentes.

O BES BOM e o logotipo


Só quem desconhece a vida curta das borboletas podia aceitar uma como o logotipo do NOVOBANCO.

A opção por um lepidóptero que passa por metamorfoses, que na fase de lagarta é voraz e na adulta vive entre duas semanas a três meses, só podia ser tomada por quem aprecia larvas antes de se tornarem crisálidas e se fixa na cor sem ter em conta a longevidade.

Não ocorreu ao decisor que não é por terem dois pares de asas que as borboletas voam mais depressa.  Ou então estava a pensar na espirotrompa com que sugam o néctar mas, para isso, não precisamos de borboletas, já temos este Governo há três anos.

sexta-feira, agosto 22, 2014

De mal a pior


O Islão é pacífico

O Estado Islâmico é perigoso mas o estado do islamismo é trágico

quinta-feira, agosto 21, 2014

Médio Oriente: o ‘tirocínio churchilliano’…

O bárbaro assassínio no Iraque de um jornalista norte-americano perpetrado pelo chamado Exército Islâmico (EI), aparentemente tendo como carrasco um súbito britânico exportado para a ‘guerra de libertação’ da Síria, indignou o mundo civilizado mas, paralelamente, levanta várias questões políticas de fundo link.

Sejamos claros: quando o ‘Ocidente’ numa santa aliança com a Turquia e alguns países do Golfo resolveu apoiar na Síria a insurreição contra Bashar Al Assad nunca acreditou que os rebeldes tinham como intenção instaurar aí uma democracia do ‘tipo ocidental’. Fizeram-no sem medir consequências mas elas, infelizmente, estão à vista.
Efectivamente, tudo começou nas ‘primaveras árabes’, mais concretamente na Líbia, onde a OTAN desempenhou um papel fundamental no armamento de grupos rebeldes que não eram mais do que facções fundamentalistas.

Hoje, no Iraque (Levante?), perante o histórico e convulsivo conflito entre xiitas e sunitas que parece não ter solução política (em Bagdad ou em Washington) está em curso mais uma obscura jogada. Um novo protagonista - o massacrado povo curdo - está a ser armado e financiado para conter o Exército Islâmico e abortar o mirífico ‘califado’, sem que os (principais) responsáveis tenham de assentar as botas cardadas no solo iraquiano.
Existe aqui uma inflexão política que passa pela desagregação territorial do Iraque (com a inevitável contrapartida da independência curda), um Estado nascido da desagregação do império otomano, no início do século XX. 
Mais, a resolução destes complexos problemas não dispensará o contributo do regime de Al Assad, do Irão (Hezebollah) e da Rússia. E aqui entramos num outro problema, que se chama Ucrânia, onde alguns dos mesmos protagonistas estão em campos opostos mas todos sentados em cima de um barril de pólvora.
Cada novo passo da ‘política externa ocidental’ (UE e EUA) em lugar de conduzir a uma solução, ou atenuar os resultados catastróficos à volta do já feito, cria vários novos problemas. 
Não havendo uma linha coerente de gestão política que tornem os conflitos em curso inteligíveis as razões de tão profundas e devastadoras convulsões (guerras) terão de ser procuradas noutros terrenos (económico, financeiro, militar, etc.).

Na realidade, a globalização económica e financeira colocou em cima da mesa complexas questões geoestratégicas, muito opacas, logo, de difícil entendimento e distantes das ortodoxias políticas tradicionais que ‘guiaram’ o Mundo no último século.
Estamos a fazer um pesado e doloroso ‘tirocínio churchilliano’ (pleno de sangue, suor e lágrimas). Com uma substancial diferença: as alianças são voláteis e a 'libertação' não está à vista!

A imigração vinda do Magrebe

Vêm do lado de lá do lago que une a África e a Europa e separa os europeus e africanos. Chegaram do corno de África, das savanas improdutivas e sobretudo fugidos das areias que os empurram em busca de água e alimentos, das areias que lhes cobrem as magras pastagens e desertificam o habitat. Uns cruzaram o continente, outros abalaram de mais perto, com a família a ser pasto de corvos depois de esquartejada à catanada a mando de senhores tribais.

Fogem das guerras que os dizimam, das epidemias que os procuram e da fome que vive com eles. São párias da terra, nascidos do instinto e destinados a morrer crianças, numa perpetuação de velhas escravaturas e novas tragédias, onde poucos se tornam adultos e raros se libertam das grilhetas. Morrem porque não deviam ter nascido ali, por fazerem rituais diferentes ou porque há sítios onde não se pode nascer.

Há mães que deixam para trás os filhos que já não aguentam a caminhada, pasto de aves necrófagas, desoladas por não poderem morrer com os que ficam, na ânsia de salvarem os que sobram.

Chegam às praias do Mediterrâneo e entregam os pertences a quem promete que os leva à Europa ou deixa morrer na água, entre naufrágios e esperança, em busca de migalhas do pão que nunca tiveram. Despedem-se as famílias, sufocados os que soçobram à vista dos que receiam o mesmo destino. Se há lágrimas, misturam-se na água que é mortalha; se há gritos, abafa-os o marulhar das ondas; se há esperança, termina no último balanço da frágil embarcação donde já saíram os que não tiveram a quem se agarrar.

Alguns chegam, a vida é feita de milagres, famélicos, nos trapos molhados que enrolam corpos lívidos, salvos pela guarda costeira de países ribeirinhos ou chegados com vida a uma praia italiana, a nado, sobreviventes do naufrágio ou rasgados nas rochas da costa.

Outros chegam ocultos nos porões dos barcos de carga, desidratados e em hipotermia, misturados com os que morreram, as fezes de todos e o oxigénio a esgotar-se. Muitos já chegam cadáveres em contentores por abrir de veículos que os condutores abandonaram ou de que os donos se desinteressaram.

Na pungência dos dramas, cresce a indiferença e medra a insensibilidade, até ao dia em que seremos nós a beber a cicuta que nos liberte da prisão da vida, destas vidas de quem nasce no tempo e sítio errados. E nós, europeus, estamos a fazer de um bom sítio o local de futuro falhado.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, agosto 20, 2014

Vade-retro União Nacional

Há 82 anos (1932) foram publicados os estatutos da União Nacional (UN), a única força política autorizada em Portugal, durante a ditadura fascista.

Quem nunca viveu o horror de um partido único, o cinismo de um frio ditador e o poder discricionário de um regime terrorista, pode pensar que era honesto o crápula e inocente o ideólogo.

Quando o general Humberto Delgado foi assassinado pela PIDE, em Espanha, ele e sua secretária, o ditador foi à televisão garantir que os autores do crime eram os comunistas. Quando o maior escândalo sexual do regime teve lugar, com ministros, generais e altos dignitários eclesiásticos, o antigo seminarista e presidente do CADC proibiu as notícias e a investigação policial e judicial.

O regime não pode ser avaliado apenas pelo número dos que prendeu, torturou e matou, mas pelos que deixou morrer e, sobretudo, impediu de viver. Caxias, Tarrafal, Peniche, Aljube e Campo de S. Nicolau foram alguns dos mais perversos centros de tortura onde penaram intelectuais, artistas e democratas de vários quadrantes. Recordar os Tribunais Plenários, os juízes venais que aí conspurcaram as becas e a decência, os degredados e demitidos por razões políticas, é regressar ao mundo concentracionário do salazarismo.

A guerra colonial onde imolou a juventude portuguesa e assassinou os combatentes da independência, onde explorou rivalidades tribais e a fome de quem se alistava para ter comida, é uma ferida aberta entre os que tiveram de fugir, abandonando os seus haveres e alguns mortos, os militares que vieram estropiados e as famílias dos que se enganaram na trincheira e desapareceram na vertigem do ódio dos vencedores, tornado vingança.

Há quem apelide de honesto o abutre de Santa Comba, que condenou os portugueses ao medo, à miséria e ao analfabetismo, que transformou a República num bando de beatos, tímidos e idiotas, que o aclamavam por medo e o incensavam. O frio ditador, que fez de Portugal o país mais atrasado da Europa, com maior mortalidade infantil e materno-fetal e com menor esperança de vida, foi um ex-seminarista e presidente do CADC.

A falta de memória e ignorância andam aí, de mãos dadas, a limpar o passado de quem viveu da censura, da repressão e do analfabetismo, na ânsia de reabilitarem o criminoso que tinha sobre a escrevaninha a fotografia autografada de Benito Mussolini.

Como é débil a memória dos povos, e como idiotas úteis e eternos reacionários se unem no apagamento da memória!

Faz hoje 82 anos que foi criada a União Nacional.

A náusea que impede as palavras

Há momentos em que as palavras estão a mais
Por Humeyra Pamuk DAYRABUN, Iraque (Reuters) -...
BR.REUTERS.COM

terça-feira, agosto 19, 2014

Efemérides amargas de duas décadas de horror – 19 de agosto

1934 – Um plebiscito ratifica Adolfo Hitler como führer da Alemanha;

1936 – Os sequazes de Franco fuzilaram o poeta Garcia Lorca;

1948 – A polícia fascista de Salazar, durante a campanha presidencial, cercou a casa do candidato Norton de Matos e prendeu os participantes da reunião com o general;

1954 – Os dirigentes do Movimento Nacional Democrático, Ruy Luís Gomes, Virgínia de Moura, José Morgado, Albertino Macedo e Lobão Vital foram presos pela PIDE.

Não há ditaduras eternas e, mais frágeis, não se perpetuam as democracias. Há quem se esqueça das tragédias que nos bateram à porta e não pense naquelas que nos espreitam, na crueldade que se abateu sobre a Europa, na demência que a infetou e no sangue que a ensopou.

Hoje, quando condições idênticas parecem convidar a soluções análogas, a experiência histórica devia substituir a memória dos que não viveram a tragédia nem tiveram mortos para chorar. Nunca tão dramática hecatombe tinha sido provocada pelos homens. Foi o maior horror de todos os séculos que a Humanidade levava, só possível de superar pela tragédia que não soubermos evitar.

Os salvadores das pátrias nascem nas esquinas e as ideias salvíficas ressurgem de velhas e novas vulgatas. Só os homens, intoxicados por crenças, perduram no estado selvagem, num eterno retorno às pulsões primitivas que os afastam da civilização e os transportam ao ressentimento, ao ódio e à barbárie.

A luta pela paz não é apenas uma ideia nobre, é a condição de sobrevivência, a vacina contra velhas tragédias que ciclicamente nos devoram. Se abdicarmos dos ideais laicos, republicanos e pluralistas, estaremos a comprometer a paz e a seguir um caminho sem retorno.

Passos Coelho e Pires Veloso

O falecimento do general Pires Veloso deu origem a alguns comentários sobre a personalidade deste militar e o 25 de Novembro de 1975 link; link .

Vasco Lourenço, no DN, definiu o papel de Pires Veloso – nesse período conturbado no desenvolvimento do 25 de Abril - como “muito controverso” link o que está de acordo com a vivência dos acontecimentos e revela um ‘saber de experiência feito’ .

Continua a faltar, contudo, o necessário distanciamento histórico para uma descrição rigorosa e objectiva dos acontecimentos colectivos, ou de ‘grupos’, actuantes no 25 de Novembro, apesar da abundante ‘literatura’ já publicada, facto que condiciona o avaliar de comportamentos e desempenhos individuais e a expressão utilizada pelo actual presidente da Associação 25 de Abril e, na altura, recém-nomeado comandante da Região Militar de Lisboa, demonstra isso mesmo.

Por outro lado, o actual primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho que, na altura dos acontecimentos era um imberbe rapaz com 11 anos, não tem dúvidas sobre estes ‘controversos’ assuntos.
Avança peremptório e antecipando-se à análise objectiva e rigorosa da História declarando que o falecido general terá desempenhado um “papel importante na consolidação democrática” link.

Na verdade, sem querer reescrever a história que, como foi referido, não está cabalmente redigida, e despido de preconceitos apriorísticos sobre factos que estão ainda mergulhados em densa obscuridade reinante à volta dos acontecimentos do 25 de Novembro que, tendo sido cruciais na definição da natureza do actual regime democrático (isso é claro), o desaparecimento físico deste militar decisivamente envolvido no período fundador (do actual regime), levou o actual primeiro-ministro a revelar uma confrangedora leviandade político-histórica, supostamente movido por pouco esclarecidos preconceitos ideológicos e possesso de uma infindável verborreia oficiosa. 

Passos Coelho, nada tendo acrescentado ao conhecimento ou ao esclarecimento sobre este período não foi – mais uma vez - capaz de cultivar o bom senso e a humildade democrática mantendo o decoro institucional que a nossa História merece e as funções que desempenha, aconselhavam.

Uma coisa são as condolências formais e devidas, outra será incluir nessa mensagem um precipitado (antecipado) julgamento histórico.

segunda-feira, agosto 18, 2014

O Opus Dei é diferente da Al-qaeda

Há na Igreja católica uma organização que, por enquanto, trocou o cinto dos explosivos pelo cilício, a Bíblia pelos 999 pontos para a meditação, a liberdade pela censura e a fé pelo poder. Substituiu o Espírito Santo, a quem era atribuída a maçada de iluminar os conclaves, na eleição de João Paulo II e de Bento XVI, a quem subsidiou, sobretudo ao primeiro, as atividades políticas e o marketing pessoal.

O Opus Dei é, sem esquecer a «Comunhão e Libertação» e os Legionários de Cristo, a seita mais reacionária da catolicidade e a mais poderosa financeiramente. Deve-se-lhe a obsessão na criação de santos, a começar pelos da casa, e a acabar em todos os mártires que combateram ao lado das ditaduras. Em Espanha, faltam altares para tantos defuntos franquistas.

O «Caminho» é para os membros da seita o que o Mein Kampf foi para o nazismo. Os 999 pontos para a meditação é o número cabalístico com que santo Escrivá remeteu para o 666 do Apocalipse. É a besta de patas para o ar.

Os membros do Opus Dei cultivam a discrição malgrado os escândalos financeiros que atraem, como cães às pulgas. A falência dos empórios Rumasa e Matesa, bem como do Banco Ambrosiano foram manchas para que faltou benzina, mas que não impediram a meteórica canonização do fundador.

Impulsionadores das beatificações e canonizações, dilataram a indústria dos milagres e industrializaram a santidade. Apenas lhes correu mal a escolha de um jesuíta para PDG do Vaticano, papa que já arriscou o suficiente para ser chamado precocemente à divina presença do patrão.

Enquanto não recupera o poder total sobre o catolicismo, o Opus Dei vai promovendo milagres e santos e combatendo a cultura.

Tendo o Vaticano, por vergonha, deixado de atualizar o Index Librorum Prohibitorum, e tendo caído a cotação das excomunhões, ficou o Opus Dei com o trabalho sujo, que para os devotos é um precioso serviço à divina vontade. Deus dá-se mal com a cultura.

A frase

[Sobre o BES] «Não há matéria para se criar uma comissão de inquérito. É um aproveitamento político por parte do PCP».

(Pedro do Ó Ramos, vice-presidente da bancada do PSD)


Capa para um livro que virá ou não

A. P.

A lucidez de Pacheco Pereira


domingo, agosto 17, 2014

Passos Coelho e a festa do Pontal

O Pontal é, na liturgia do PSD, a Festa do Avante dos pequeninos, de sinal contrário, e uma espécie de Chão de Lagoa continental, sem poncha, porque o fígado dos líderes nacionais não tem o tirocínio de Coimbra e quatro décadas de experiência madeirense.

Hoje não tem o esplendor de outros tempos, nem um orador que entusiasme os devotos com o fulgor de outros líderes e os resultados de outra governação. Se não faltou gente é porque os devotos foram supridos por avençados, a vida está difícil, e os empregos são cada vez mais raros.

Passos Coelho a falar de ética parece a honorável Cicciolina a perorar sobre a castidade; a pronunciar-se sobre a governação, a Maia a predizer o futuro; a evocar os chumbos do Tribunal Constitucional, um delinquente a invetivar os tribunais.

O putativo PM fez birra e ameaçou desistir de governar, como se soubesse o que isso é, sem sugerir a demissão ou assustar, dessa forma, os favoritos das sinecuras que reparte. Apelou ao consenso com a sinceridade de Cavaco, sobretudo com o PS, a quem dedica o afeto do inquilino de Belém, sem deixar de o incriminar na sua má governação.

Numa monótona e lúgubre encenação, como corolário do melancólico declínio, ainda ameaçou com mais quatro anos de governo depois da maçada das próximas eleições. O cantor lírico frustrado, ex-gestor do curso de técnicos de aeródromos, que não obtiveram certificação, é um homem sem rumo, sem programa e sem tino, à espera de que o PR se emancipe e saia do telemóvel e do faceboock para dissolver a AR e marcar eleições.

Passos Coelho não foi à Quarteira para convencer os portugueses, esteve lá porque sim.


O drama pungente dos Yazidis

No norte do que foi o Iraque, que os cruzados de Bush, Blair, Aznar e Barroso deixaram à mercê das lutas tribais e de ódios religiosos, num país com balcanização adiada, há um povo que pratica uma exótica religião curda, de vetustas raízes indo-europeias e que crê na metempsicose.

São pobres e, ao contrário dos prosélitos, não procuram converter ninguém, passando as almas entre si por herança geracional, numa síntese de crenças com resquícios de islão, cristianismo, zoroastrismo, judaísmo e maniqueísmo, uma sopa de culturas que parece fundir as mais diversas crenças numa fé restrita para uso doméstico.

Podem encontrar-se comunidades na Arménia, Turquia ou Síria mas estão a desaparecer na emigração ou agarradas aos rebanhos no Monte Sinjar, onde os trogloditas do Estado Islâmico desejam assassiná-los, porque a pequena seita ligada ao iazdanismo, resistiu ao Islão durante séculos ou, tão só, porque o gosto do sangue é o cimento da restauração de um anacrónico califado de crentes sectários e tementes ao profeta misericordioso.

Enternecem-nos os olhos brilhantes das crianças de olhar vago, os milhares de yazidis em busca de água, o apego de muitos às cabeças de gado, a recusarem a fuga que uma aliança improvável de iraquianos, curdos, americanos e iranianos lhes oferecem através de um corredor adrede preparado.

Os yazidis não odeiam americanos nem judeus, não tomam partido pela Ucrânia ou pela Rússia e talvez desconheçam mesmo o drama da Palestina e as guerras pelo domínio do petróleo. O pequeno povo cuja pátria é a comunidade e a sua identidade um arcaísmo só por milagre pode salvar-se da barbárie que lavra na latitude onde há séculos sobrevivem e não lhes permitem continuar.

Ai de nós, que nos achamos civilizados, se deixarmos que trucidem um pequeno povo, porque com ele também expiramos na diversidade e humanidade que reclamamos.


sábado, agosto 16, 2014

O equívoco pronunciamento no calçadão de Quarteira …

Calçadão de Quarteira
Ontem, no calçadão de Quarteira, num suposto convívio partidário que ainda se julga no Pontal, o primeiro-ministro deu discretas mostras de ter compreendido alguma coisa (penso que pouco) do que tem sido a jurisprudência maioritária que impera nas decisões do Tribunal Constitucional (TC). Isto é: o ajuste orçamental não deve ser feito à custa de cortes cegos nos salários dos trabalhadores da função pública e nas pensões baseado no entendimento constitucional acerca da “equidade e solidariedade”, quadro com amplos reflexos políticos, sociais e económicos que Passos Coelho confessadamente não entendeu mas foi forçado a aceitar ao fim de nove ‘chumbos’ link.
Esta ‘guerrilha’ (repetidamente desmentida pelo Governo) teve elevados custos que não tardarão a emergir dentro da sociedade portuguesa e que são totalmente injustificáveis quando centradas em comportamentos erráticos, como a teimosia.
Na verdade, o concerto orquestrado com a colaboração da UE, BCE e FMI, instituições a quem foi reconhecido do ‘direito de interferir’ no País através do estatuto de credores, mostra que em conformidade com uma deriva ideológica sempre disfarçada se ocultava uma ‘pequenez constitucional’ onde o respeito pela soberania não tinha cabimento. Existiu, de facto, um TC cauteloso intérprete da CRP, mas o ‘Governo de Portugal’, ficou-se pelos pins das lapelas dos cheviotes dos seus membros e assessores.

Até aqui o TC tolerou cortes temporários e excepcionais, em conformidade com a gravidade da situação orçamental que o País viveu (e em muito aspectos ainda vive) mas já tinha dado suficientes indicações que não aceitaria situações definitivas de empobrecimento através do esbulho de salários e pensões por mais manhosas que fossem as argumentações. E foi isso que aconteceu quando o Governo enveredou no travestismo (semântico e temporal) à volta de uma contribuição extraordinária de solidariedade transformada numa medida permanente de sustentabilidade, tentando ludibriar a Constituição e os seus guardiões.

Mas nem tudo ficou explícito na Festa de Quarteira já que quando o primeiro ministro atira o problema das pensões para cima do País (“O problema não é do Governo, é do País”) numa tentativa de disfarçar (apagar) a incompetência governamental e, pior, insistindo no acirramento do conflito intergeracional ao endossar a resolução do problema da Segurança Social para os mais jovens link.  
A grande incongruência política é o auto-elogio repetido e permanente do primeiro-ministro aos actos praticados por este Governo para na fala seguinte afirmar que a austeridade é para continuar. A receita integradora de gerações é, para este Governo, o empobrecimento generalizado do País (velhos e novos) através de uma austeridade feroz. Este pensamento - esta receita - teria o condão de atingir (destruir), no presente e no futuro, as perspectivas de todos [mais jovens, adultos e seniores] eliminando radicalmente a solidariedade geracional, um precioso bem social e cultural, por motivações cíclicas financeiras baseadas na especulação e em transferências transnacionais de capitais.

É preciso não esquecer na análise das palavras proferidas por Passos Coelho na Quarteira o lema que tem orientado toda a acção governativa (‘menos Estado, melhor Estado’) e compreender que ‘menos Estado’ passa pelo desmantelamento do Estado Social e a sua transformação numa residual estrutura assistencial.
Ora, não é isso que está inscrito (e escrito) no texto constitucional, não foi isso que foi apresentado aos eleitores e sufragado em 2011 pelo que às constantes inconstitucionalidades já verificadas, se junta uma gritante falta de legitimidade democrática.
O primeiro-ministro não tem que se queixar do TC, não tem que devolver os problemas ao País (em jeito de ameaça) porque se fosse essa a solução ela passaria inevitavelmente por eleições antecipadas. É aí que o País se pronuncia. Não é numa manifestação partidária pós-prandial (designada de ‘Festa’) no calçadão da Quarteira, nem iludindo o problema fazendo o enésimo apelo ao maior partido da Oposição para entrar, no fim do ciclo governamental, num ‘pacto de legislatura’ que, não o disse mas terá pensado, passaria pela privatização da Segurança Social. O Governo não precisa de parceiro para obter reformas estruturais, pretende é arranjar à última hora um cúmplice para se apresentar como inocente nas próximas eleições legislativas.
Haja o mínimo de bom senso porque o consenso já há muito que foi torpedeado (ontem e ao longo do mandato legislativo).

Valha-nos o tribunal Constitucional

A pior maioria, o pior Governo e o pior PR, com a multidão de avençados, pelo medo e pelo suborno, entraram na marginalidade legal de que nem a chantagem os livrou.

Quem jurou respeitar e fazer respeitar a CRP e se prestou a ser paquete do Governo que tem pela lei o respeito de Maomé pelo toucinho, usa as mesmas justificações para coagir o TC. Podem sentir saudades dos Tribunais Plenários mas os juízes de hoje mantêm um módico de decência que impede Portugal de aderir ao ordenamento jurídico do califado do Iraque.

Quando se desrespeita a lei, ameaça-se quem a aplica; quando não se sabe para onde se navega culpa-se o vento; quando se chega ao Governo sem ter sido, pelo menos, vogal de Junta de Freguesia, é todo um povo que lamenta o voto que lhe confiou e esconjura a abstenção.

Não sei se foi a nossa vocação suicida que nos levou a escolher o pior caminho que nos foi proposto sem se prever que seria percorrido pelos piores, e da pior maneira, quando a pior conjuntura internacional nos entrou pelo país.

sexta-feira, agosto 15, 2014

Espírito Santo: ‘Brandas’ transições…

O colapso do 'império Espirito Santo' surpreendeu muita gente mas é o exposto. Só não adivinhamos a totalidade das consequências porque o Grupo assemelha-se a um iceberg.
Todavia, e paralelamente, começaram as manobras de ‘branqueamento’ pessoal e da família. E como branco, branco, são as vestes papais numa curta e vazia entrevista ao “Diário Económico” link, Ricardo Salgado, o patriarca [destronado] do clã bancário dinástico (financeiro e empresarial), primeiro responsável por um grupo financeiro que ‘influenciou’ o nosso País durante mais de 1 século, cita por 3 vezes o papa Francisco.
A fé parece ter substituído os negócios obscuros, as engenharias financeiras, o dinheiro fácil, a especulação bolsista, etc. e estamos perante uma mística transição: o ardiloso e desacreditado banqueiro virou um ‘homem de fé’.
Terá começado a pregar no deserto enquanto aguarda o milagre da ‘ressurreição’. A segunda desde há 40 anos. É obra!

É fácil imaginar o que sucederia noutros tempos e diferentes paragens: Na Idade Média teria sido enclausurado, p. exº., num convento para penitenciar-se [de acordo com o seu ‘estatuto’], na Revolução Francesa viveria o espectro da guilhotina, nos EUA estaria preso e teria sido confiscado, no Médio Oriente seria um ‘mártir’ a aguardar ira dos ‘mercados’ e em Portugal vive tranquilamente na linha do Estoril e dá entrevistas.

Não há dúvidas: Um País de brandos costumes… que continua quotidianamente a revelar-se face a um miserável esbulho nacional a fim de salvar a banca europeia (alemã) e seu sistema financeiro sob a  capa de uma União monetária.
Na verdade, a mentira história criada pelo Estado Novo para apagar a pouca brandura da revolução liberal do séc. XIX e das lutas do início do século XX tem-se revelado realmente produtiva.