domingo, maio 31, 2015

A FRASE

«Precisamos de reforçar a têmpera, a vontade de vencer, a confiança, para consolidar esta trajetória de crescimento económico e criação de emprego que temos vindo a conhecer nos últimos 12 meses».

(Aníbal Cavaco Silva, PR, em visita no distrito de Viseu), [como secretário de Estado da Propaganda do Governo] –  DN, hoje, pág.11)

Roma não pagava mas Bruxelas paga


sábado, maio 30, 2015

A FRASE, a tolice e o perigo

«Temos de ter coragem de avançar (…) na descentralização em matérias das decisões escolares, assumindo as câmaras municipais acrescidas responsabilidades nessa área».

(Cavaco Silva, sobre a educação em Portugal)


Banco de Portugal

O PR, no seu melancólico ocaso, já veio enaltecer as qualidades do Governador reconduzido, mais uma posição que o enfraquece, a juntar à humilhação a que os partidos do Governo o sujeitaram na AR para alijarem as responsabilidades próprias e às conclusões do relatório parlamentar.

Paulo Portas disse que não se muda de vendedor [Novo Banco] a meio da venda. Afinal, não é um Governador do BP, reconduzido em fim de mandato, contra a lei aprovada pela maioria [ouvir os outros partidos], é um administrador de falências.

Não é a competência de Carlos Costa que está em causa, é a falta de credibilidade do Governo, do PR e da maioria.

Ordem dos Médicos

A atribuição do prémio Miller Guerra ao cirurgião, António Gentil Martins, não honra a OM e ofende a memória do patrono, democrata e defensor do SNS, que jamais pactuaria com o inveterado salazarista, que foi dos mais violentos adversários do SNS.

Quem, numa entrevista recente, chamou ao SNS inglês que a Sr.ª Margaret Thatcher se esforçou por destruir, «o modelo soviético», não era o médico mais indicado para a distinção.

sexta-feira, maio 29, 2015

A NOTÍCIA: Espanha – o mau perder da direita

Uma vereadora do Partido Popular de Rafelbunyol (Valência), Nuria Losada, causou polémica com um comentário que escreveu no Faceboock, em relação aos resultados eleitorais e ao descalabro do seu partido na região, em que se lia: «agora vão começar a queimar igrejas e violar freiras» e «na praça de touros construirão um bordel».
(Comentário divulgado pelo jornal ‘Levante EMV’)

Fonte: DN, hoje, pág. 36


Diferença entre Justiça e jurisprudência

Noam Chomsky

A cerimónia da bênção das pastas

Não há evidência estatística que prove que a bênção das pastas beneficie os benditos ou seja a carta de recomendação para o primeiro emprego.

Não há ensaios duplo-cegos que provem a correlação positiva entre a fé e a preparação académica, entre a hóstia e o conhecimento científico, entre as orações e o domínio das sebentas.

Tirando o colorido coreográfico de um bispo paramentado a rigor e estudantes vestidos a imitar padres, não há nos borrifos de água benzida, arremessados a golpes de hissope, a mais leve suspeita de que a benta humidade preserve o coiro da pasta ou do próprio.

Há, todavia, no circo da fé, genuína alegria, uma absoluta demissão do sentido crítico, a força poderosa da tradição que arrasta os estudantes para a missa, a suplicar a bênção da pasta e a prometer que vão espalhar a felicidade.

Começam no confessionário a confessar os «pecados» em que reincidirão, continuam na eucaristia, despacham umas ave-marias e acabam na cerveja, mergulhando na estúrdia da semana de todos os excessos.

Deus é o aperitivo que a tradição manda e a festa é o ritual que os corpos e os sentidos exigem. O bispo leva Deus para o Paço episcopal enquanto os estudantes vão fazer a digestão da hóstia em hectolitros de cerveja ou acabar no banco do Hospital, em coma, espécie de êxtase místico induzido por abuso alcoólico.

Até à data não se registaram intoxicações por excesso de hóstias. Talvez a eucaristia tenha lugar no início dos festejos porque, no fim, não há estômago que ainda aguente.

No final do curso, os alunos começam a festejar de joelhos e, desempregados, acabam de rastos.

quinta-feira, maio 28, 2015

A ministra das Finanças dizendo que não disse o que disse…

« O governo, na minha pessoa, não disse que tem de haver cortes nas pensões (…)
Só lamentamos que o PS  gaste tempo a dizer que o governo diz coisas que não diz em vez de se sentar ao nosso lado para resolver o problema».

(Maria Luís Albuquerque, depois de desmentida por Passos Coelho)

Ponte Europa: Estando em causa um corte de 600 milhões de euros, previsto pelo PSD, e não havendo corte nas pensões, teme-se que a poupança passe pelo abate de pensionistas)


A Irlanda e os casamentos gay

A Irlanda foi, até há duas décadas, feudo do Vaticano. A IVG era interdita, mesmo em casos de violação, malformação do feto ou risco de vida da mãe. Em 1986, a proposta de eliminar a proibição constitucional do divórcio foi submetida a referendo e rejeitada. Só em 1995, uma emenda removeu a proibição, mas com restrições.

Só quando duvidou da virtude dos seus padres descreu do martírio do seu Deus.

A violência dos conventos, cárceres privados para a defesa da integridade de heranças e punição de mães solteiras cujos filhos eram retirados para adoção, associada à hipocrisia do clero, aceleraram o processo de secularização do País que a religião mantivera unido.

A pedofilia eclesiástica alastrou como nódoa imparável, sob a ocultação das dioceses e o silêncio receoso dos pais. Vários bispos defendiam os padres pedófilos e um, apoiante do celibato do clero, protegeu, com dinheiros da diocese, a filha que ocultava.

No dia 22 de maio de 2015, 22 anos depois da despenalização da homossexualidade, o casamento gay foi referendado por mais de 60% de eleitores num país onde a influência da Igreja católica, embora em declínio, parecia forte. Foi aprovado em força (62%). O direito à diferença impôs-se à discriminação e ao preconceito. Venceu a modernidade e a Irlanda foi o primeiro país a abrir as portas aos casamentos gay pela via referendária.

Segundo os exegetas, o Cânone 1331 do Direito Canónico – o Código Penal das Almas –, determina que «não podem casar, batizar-se e nem poderão ter um funeral religioso», os que votaram SIM, mas L'Osservatore Romano – o Correio da Manha do Vaticano –, disse que “Não há anátemas, mas antes um desafio a superar por parte de toda a Igreja”, e o Vaticano e o papa não reagiram oficialmente ao resultado do referendo irlandês.

Desta vez não houve imagens de virgens a chorar lágrimas de sangue, como sucedeu em Oleiros, no primeiro referendo sobre o aborto, em Portugal. O próprio bispo da Diocese de Portalegre-Castelo Branco disse que as lágrimas não eram humanas. E não eram, um bispo não mente. Frei Edmundo pôs a imagem da Virgem a chorar lágrimas de sangue... de pomba. Foi apanhado em flagrante. Tomou raticida mas não morreu. O raticida não mata ratos de sacristia.

Acabaram as romarias e oferendas. Frei Edmundo, reincidente em milagres, acabou no Hospital de Sobral Cid, em Coimbra.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, maio 27, 2015

A democracia, os referendos e o poder

A débil formação democrática desta maioria, deste Governo e do seu PR exige-nos uma reflexão sobre os limites do poder que uma maioria conjuntural pode exercer. A maioria saída de eleições deve governar, mas sem exceder os limites do direito e da moral.

Direitos humanos não são referendáveis nem os das minorias podem ser cerceados pela maioria no poder. A democracia não é só o exercício do poder da maioria, é também a exigência do respeito pelas minorias.

Basta o poder que confere o seu exercício, a vantagem de quem se apodera do aparelho de Estado, dos órgãos de comunicação e se apoia nos detentores dos meios de produção. Sem limites que refreiem os ímpetos, balizem a discricionariedade e impeçam deslizes totalitários, teremos legitimada qualquer sharia ou a forma bizarra com que o Governo prossegue a agenda ultraliberal num misto de incompetência e de vingança.

O carácter laico do Estado e a natureza do regime republicano, por exemplo, não são sequer passíveis de revisão, apesar das tropelias contra a laicidade e das afrontas que a Constituição tem suportado, agravadas nos últimos quatro anos.

Imagine-se um referendo para ilegalizar ateus, Testemunhas de Jeová, judeus ou outro qualquer grupo minoritário. Não é admissível, ainda que, à partida, pudesse prever-se um resultado avassalador, simplesmente pelo seu carácter antidemocrático.

Só quem tem da democracia uma leve ideia e da República uma vaga consciência pode aceitar o caminho sinuoso que este Governo, esta maioria e este PR trilharam.

A democracia pluralista é um desafio permanente a que não faltam adversários ferozes. Se não a defendermos não merecemos quem nos defenda.

terça-feira, maio 26, 2015

Promiscuidade


A ser verdade, o último reduto do Estado de Direito sofre da decadência ética do regime.

UGT

«Governo fala, governo cala: Maria Luís admitiu reduzir pensões, Mota Soares diz que não há nada».

A UGT confia no desmentido e os trabalhadores desconfiam da correia de transmissão do Governo. Entre o ridículo, a cumplicidade e a irrelevância, a UGT podia fechar as portas se ainda tivesse quem o fizesse.


segunda-feira, maio 25, 2015

Ventos de Espanha...

Os resultados das eleições deste fim-de-semana em Espanha link constituiem um facto político difícil de contornar.

Há algo no horizonte democrático que começa a desmoronar-se. No Reino Unido (cada vez menos 'Unido') a maioria nasce de uma minoria de votos, se for contabilizada a globalidade dos votos expressos nas urnas.  Em Espanha (uma mescla de povos feito Reino) a crise económica e social alterou todo o stablishement situacionista que vigora desde a morte (política e física) de Franco.
 
O PP não perdeu liminarmente a maioria (continua a ser o partido mais votado o que é diferente) mas dificilmente logrará obter hegemonias políticas a que estava habituado quer nos municípios, quer nas comunidades autonómicas.
Entretanto, o outro braço da bipolarização – o PSOE – não capitalizou automaticamente, como era esperado, as perdas dos ‘populares’.
Pelo meio surgiram novos partidos, entre eles um de protesto (Podemos), e outro de índole mais centrista, moderado, mas assumidamente anti-austeridade (Ciudadanos). Esta interposição no velho esquema bipolarizador alterou profundamente o mapa político-eleitoral. Entramos, portanto, num período em que as eleições mais do que soluções geram impasses.
A diluição do poder político do PP, a debilidade do PSOE e a emergência do Podemos e do Ciudadanos são mudanças que só serão totalmente avaliadas no período pós-eleitoral. O exemplo da Andaluzia paira sobre estas eleições.

As eleições, nestas situações de fragmentação, ultrapassam o mero escrutínio democrático do exercício findo (embora as avaliem) mas perspectivam-se decididamente em relação ao futuro.
A perda de influência dos partidos tradicionais que delimitavam um espectro à Esquerda e outro à Direita (ainda que com ténues nuances), é essencialmente devida aos atropelos na execução das promessas eleitorais com que se apresentaram ao eleitorado (tendo evitado falar em políticas de austeridade e de empobrecimento) e aos crescentes e recorrentes fenómenos de corrupção com envolvimentos partidários abundantes. Estes dois parâmetros levam a que os sufrágios, como vêm sendo realizados, mostrem que maiorias (nomeadamente as absolutas) possam ser instrumentos facilitadores da continuação deste tipo de enviesamento democrático.

O que os eleitores por todo o lado (por essa Europa fora) estão a indiciar é um ambiente de pré-ruptura. O que não é pouco em termos de mudança.
Na verdade, os compromissos não se perfilam no horizonte e manobras do ‘tipo Cavaco Silva’ que visam perpetuar reformas apelidadas de ‘estruturais’ quando não passam de medidas conjunturais ditadas por obscuros (e ocultos) princípios ideológicos. Não têm cabimento qualquer tipo de entendimento dada a proximidade do próximo acto eleitoral em Novembro/Dezembro deste ano.

O consenso está longe de ser uma saída viável para a situação política espanhola que foi criada no pós-eleições. Por exemplo, será muito difícil, se não impossível, gizar uma política fiscal estável e duradoura enquanto não forem previamente definidas ideias concretas e acordados princípios sobre um pilar básico da democracia: a redistribuição da riqueza. Será, também, muito complicado definir conjuntamente estratégias de crescimento económico que façam cair as elevadas taxas de desemprego, embora sobre este dois factos haja um vasto leque de aparente concordância programática, mas onde continua a subsistir uma grande divergência sobre os meios e métodos. Não é previsível que, quer o Podemos, quer os Ciudadanos, estejam disponíveis para projectos ditos de consenso sem com esse gesto fazerem um 'harakiri'. Idem, para o PSOE que terá de digerir os resultados de ontem para tentar de novo arrancar para as legislativas.

Por outro lado, a ruptura institucional que estas eleições prefiguram e anunciam poderá, a breve trecho originar, graves perturbações à governabilidade até ao acto eleitoral que se segue. O reino entrou em modo de suspensão e os problemas agudizaram-se, p. exº., na Catalunha, onde o ‘soberanismo’ reinante e imposto por Madrid sofreu uma pesada derrota.

Nada será como dantes no Palácio da Moncloa por mais acrobáticas e engenhosas declarações que os partidos da bipolarização produzam no seguimento deste acto eleitoral.
O que parece inevitável é um período de transição até às eleições gerais cujos contornos e consequências são imprevisíveis. A transcrição destes resultados para um nível nacional não é directa mas não deixa de ser inevitável. As eleições de ontem foram um ensaio e não clarificaram nada. Quando muito vão exacerbar a luta partidária sem introduzir quaisquer novidades do plano político.
Quando as eleições se transformam num intermezzo algo de grave se passa no reino.

A ministra das Finanças e os pensionistas


Penso de Maria Luís o que Paulo Portas pensava quando se demitiu irrevogavelmente, talvez o único ponto de acordo com o vice-PM cuja sobrevivência o obriga a suportar as humilhações do PSD.

Este Governo, que prometera uma reforma administrativa e ludibriou a que a troika que ansiou nos impôs, limitando-se à cosmética nos nomes de freguesias, manteve os órgãos políticos faraónicos da administração central, autonómica e autárquica e acrescentou as prebendas dessa extensa rede de caciques que vive dos partidos e os alimenta.

Não surpreende que, com a terceira dívida pública mais elevada da U. E., e que não para de crescer, a sanha, no estertor do pior Governo, da pior maioria e do pior PR, se vire contra os pensionistas.

Aos novos desejam a emigração, aos velhos a defunção.

A FRASE

«O bispo Óscar Romero, morto a tiro em 1980, na missa, 'foi inspirador para o povo de El Salvador e da América', guiado pelas necessidades da população oprimida e pobre».

(Barack Obama, presidente dos EUA)

Ponte Europa - No apoio ao crime, a CIA foi suspeita.

domingo, maio 24, 2015

O insustentável vazio da coligação de Direita…

Vamos ser claros e objectivos. Bombardeados diariamente por números, estatísticas e projecções perdemos o contacto com a realidade para ancorar em miríficas projecções. Habituados, desde há muito, a um enviesado balanço dos resultados somos, periodicamente, confrontados com este absurdo dislate: a estratégia (política, social, económica e financeira) estava certa e só não atingimos os objectivos propostos porque a realidade de forma insana e teimosa não colaborou.

Esta poderia ser a biografia do actual Governo. Em resumo, o cômputo da sua actuação política poderá resumir-se em 3 ‘mais’: mais pobres, mais envelhecidos e mais endividados.
Como quer este Governo combater estes ‘mais’? Com dualismos entre alguns ‘menos’ e persecução de outros ‘mais’. Assim:
Menos jovens residentes, qualquer que sejam os seus níveis de formação e de aptidões profissionais, obrigados a migraram acalentados por conceitos globalizantes de mais ‘mobilidade’, varrendo para debaixo do tapete a necessidade de criação de emprego cá dentro;
Menos juros no acesso aos mercados para justificar mais engenharias financeiras rumo a um progressivo endividamento, sem que se veja uma luz ao fundo do túnel, isto é, a abordagem de uma renegociação da dívida que nos permita ‘alavancar’ o desenvolvimento (e não só o crescimento);
E, finalmente, menores pensões com o pretexto de endossar maior sustentabilidade a segurança social no problemático amanhã, desacreditando as ‘juras’ de um imediato (e ‘sustentável’) crescimento económico que têm sido ‘vendidas’ aos portugueses em sucessivas peças retóricas.

Foi ‘isto’ que a actual ministra das Finanças foi defender perante os ‘jotinhas’ em Ovar link.
Os sacrifícios que - como este Governo insinua - são apresentados como terem ‘merecido valer a pena’, não resistem a uma sumária avaliação valorativa e prospectiva. Na verdade, na perspectiva do actual Governo, são para continuar, consolidar ou intensificar.

Esta também a razão pela qual a coligação de Direita se revela incapaz de apresentar um programa eleitoral credível (que não seja uma estafada e inútil reedição do logro impingido em 2011).
A coligação vive, no presente, agarrada ao limbo da imponderabilidade e da irresponsabilidade muito semelhante à imagem do suicida que se atira do 20º. andar e ao passar em frente à janela do 5º, perante um espectador atónito, comenta: ‘Como se pode verificar não sucedeu nada’…
Como todos sabemos esta ilusão de aceleração gravítica e a aparente liberdade de voar, para além da vertigem, tem à sua espera o duro e implacável terreiro para um estóico estatelamento.

A beatificação do bispo salvadorenho D. Óscar Romero

O Papa Francisco, ao beatificar, sem necessidade de criar um milagre, Óscar Romero, assassinado durante a missa por um esquadrão de extrema-direita, tomou uma nobre e corajosa decisão e fez justiça a um defensor dos direitos humanos, mártir da liberdade.

Corre riscos, tal como Óscar Romero, mas a sua decisão ficará na História para redimir a Igreja católica do passado cúmplice com as ditaduras e das posições do lado errado da vida e da História.

Ao honrar o grande defensor dos direitos humanos não prova a existência de Deus mas prova à saciedade a enorme coragem de que um homem de bem é capaz.

Para um ateu democrata, laico e republicano, é uma honra prestar homenagem ao gesto do papa católico, associando-me na homenagem ao clérigo que deu a vida pelos pobres na luta pelos direitos humanos.

A PERGUNTA

«Quando alguém pensa por nós, decide por nós, que espaço fica para o desejo de participar e ser solidário e responsável nas consequências?»

(Rosário Gamboa, Jornal de Notícias)

A FRASE

«A maior de todas as fragilidades de Sócrates é que qualquer outro cenário que não a sua culpa é mais grave para o regime do que a sua inocência».

(Luís Osório, Jornal I)


sábado, maio 23, 2015

O FUTURO DE PORTUGAL SEGUNDO O PCP

A jovem e simpática deputada do PC Dr.ª Rita Rato publicou hoje no jornal de Coimbra "As Beiras" a sua habitual crónica, que termina assim: "O PCP tem uma profunda confiança na força dos trabalhadores, da juventude e de todo o povo português para, mais uma vez, como em outros momentos essenciais da história de Portugal, tomar o futuro nas suas mãos."

Muito bem. Mas como quer o PCP que o povo português tome o futuro nas suas mãos? Fazendo uma espécie de Revolução de Outubro? Parece-me muito pouco provável!!

Em democracia, teria que ser por via eleitoral. Mas como, se o PCP, que se julga dono da esquerda por direito divino, não consegue mais do que os seus cativos 10 ou 12% dos votos? Mesmo uma aliança do PC com o BE - que hoje, pela voz da não menos jovem e simpática deputada Catarina Martins, em entrevista ao "Expresso", se declarou disposto a formar governo com o PC - não teria mais de 16 ou 17%!

É que "os trabalhadores, a juventude e o povo português" preferem votar no PS! Mas o PC toma o PS como seu inimigo principal, consumindo a maior parte das suas energias a diabolizá-lo, o que torna impensável uma coligação entre os dois. Assim sendo, se o PS não tiver maioria absoluta "os trabalhadores, a juventude e o povo português" terão de continuar a "gramar" a aliança PPD/CDS.

No fundo, parece que é isso mesmo que o PC prefere!

O untuoso invasor do Iraque anda por aí

Como não vejo TV, julguei que Saramago falava de Durão Barroso, com saia:

“8 de janeiro”

“Chegaram-me ecos do desastre que terá sido a participação de Zita Seabra no programa de Manuela Moura Guedes. Entristece-me verificar como afinal valia tão pouco, intelectual e eticamente falando, alguém a quem os acasos e as necessidades políticas colocaram em funções e confiaram missões de responsabilidade dentro e fora do Partido.

Que Zita Seabra se tenha desempenhado delas, nesse tempo com coragem e dignidade, não pode servir para disfarçar nem desculpar o seu comportamento actual. Zita Seabra é hoje o exemplo perfeito e acabado do videirinho, palavra suja que significa, segundo os dicionários e opinião de gente honrada, “aquele que para chegar aos fins não olha aos meios nem hesita em humilhar-se e cometer baixezas”. Oiço, leio e chego a uma conclusão: esta mulher vai acabar mal.”

In Cadernos de Lanzarote: Diário - II pg. 14 e 15 de José Saramago.

sexta-feira, maio 22, 2015

Os feriados, a laicidade e a propaganda católica

Em Portugal não há feriados religiosos, há apenas feriados católicos que tiveram origem na ditadura fascista de Salazar, o que a pia propaganda silencia.

Na monarquia, alcova comum de reis e clérigos, até 1910, não havia feriados. O próprio descanso semanal, coincidente com a tradição do domingo [dia do Senhor], teve lugar, em Portugal, em 1907, num governo de João Franco, confirmado por António José de Almeida, quando ministro do Interior do Governo Provisório (1910/1911), e que, como deputado republicano, defendera o descanso semanal no parlamento monárquico.

Só na I República, logo em 13 de outubro, aparecem os feriados, todos eles cívicos, em homenagem à República, à Pátria e à Humanidade:

1 de Janeiro – consagrado à «fraternidade universal»;
31 de Janeiro – consagrado aos «precursores e aos mártires da República» data da nossa primeira revolução republicana, no Porto, em 1891;
5 de Outubro – dia da revolução vitoriosa de 1910;
1 de Dezembro – consagrado à «autonomia da pátria portuguesa», dia da independência da Coroa de Espanha, em 1640;
25 de Dezembro – consagrado «à família» (laicização do Natal).
3 de Maio – Em 1 de maio de 1912, juntou-se a «data gloriosa do descobrimento do Brasil» [aliás, errada].
10 de Junho – Em 25 de maio de 1925, «é considerada nacional a Festa de Portugal que se celebrará em 10 de junho», data improvável da morte de Camões, já festejada em Lisboa.

E foram estes os 7 feriados da República, o regime que criou os feriados nacionais.

Durante o fascismo, quando os crucifixos já ornamentavam as paredes das escolas desde 1936 (Lei de Bases da Educação Nacional) e a Concordata alterara leis civis (1940), não havia ainda feriados católicos, apesar da cumplicidade entre a Igreja e a ditadura e da propaganda católica nas escolas. Só em 1948, aparece o primeiro feriado religioso, por lei da Assembleia Nacional, o 8 de Dezembro, dia da Imaculada Conceição, padroeira do reino de Portugal desde 1646, antes de ser imaculada por dogma de Pio IX, em 1854.

Verdadeiramente, como diz o historiador Luís Reis Torgal, os feriados religiosos só são introduzidos em 1952, com o sacrifício do 31 de janeiro e do 3 de Maio em favor de três datas católicas: o Corpo de Deus (móvel), a Assunção de Nossa Senhora (15 de agosto) e Todos os Santos (1 de novembro). É então que o 25 de Dezembro se torna Natal e o 1 de Janeiro na Circuncisão de Cristo.

Depois do 25 de Abril surgem mais 2 feriados, o 1 de Maio (legislação de 27 de abril) e o 25 de Abril (fixado em 18 de abril de 1975) e, em manifesta capitulação da laicidade, na confusão iniciada na ditadura fascista entre o sagrado católico e o profano, em 12 de abril de 1976, transforma-se o feriado facultativo, Sexta-Feira Santa, data que  celebra a morte de Cristo, em feriado obrigatório e, em 27 de agosto 2003, é considerado feriado o dia de Páscoa, naturalmente coincidente com um domingo.

Data de 21 de agosto de 1974 a tentativa de generalizar os feriados municipais, prática que tinha sido legalmente iniciada na I República.

Em 2012, o Governo, a maioria e o PR, eliminaram, a partir de 2013, dois feriados identitários, 5 de Outubro e 1 de Dezembro e, «apenas suspensos», durante 5 anos, para serem reconsiderados em 2018, dois católicos, escolhidos pelo Vaticano, os do Corpo de Deus e Todos os Santos, indiferentes à constitucionalidade da alteração ao Código de Trabalho. Só em 30 de agosto de 2013, os referidos feriados cívicos passaram também de eliminados a «apenas suspensos», esperando-se que a extinção do prazo de validade deste Governo, desta maioria e deste PR, os reponha.

Fonte: História, Que História? – Capítulo História e Intervenção Cívica, pág. 171/175, de Luís Reis Torgal, Ed. Círculo de Leitores, março de 2015.

quinta-feira, maio 21, 2015

#Religião, não. Islão nunca



A meio caminho entre o rio Eufrates e o Mar Mediterrâneo, a cerca de 200 quilómetros de Damasco, a cidade de Palmira recorda as lutas de velhos impérios e o testemunho das suas ruínas é (era?) Património da Humanidade.

A história é rica no oásis onde jazem relíquias de pedras que falam do Império Romano, monumentos que documentam civilizações que a barbárie pretende apagar. Quando, na juventude, li o romance “As Ruínas de Palmira”, seduziu-me a soberba descrição de um império perdido nas areias do deserto por um filósofo iluminista francês do séc. XVIII – o conde de Volnay –, autor do livro, também filósofo e político. Discípulo de Voltaire, o santo laico da cidade de Ferney, que em sua homenagem passou a chamar-se Ferney-Voltaire, tomou para pseudónimo os seus nomes [Voltaire e Ferney = Volnay].

Volnay foi o primeiro a falar-me das ruínas de Palmira num livro delicioso que a pide ainda não apreendera na biblioteca do Dr. Garcia, médico e democrata da cidade da Guarda, que via com simpatia o empréstimo que o meu colega António Júlio, seu filho, me fazia dos seus livros.

Já não me recordava que Palmira ficasse no deserto Sírio quando o Exército Islâmico (EI) começou a ser o cancro cujas metástases ameaçavam a cidade.

Hoje, após a notícia de que os facínoras de Alá, no auge do fascismo islâmico, tomaram a cidade, senti que, à semelhança das gigantescas estátuas dos  Budas de Bamiyan ou da biblioteca de Mossul, a demência da fé vai reduzindo a pó a memória da civilização.

Na sementeira do ódio é também o iluminismo de Voltaire  e do Conde de Volnay, cuja herança é património da civilização, que está refém da esquizofrenia mística herdada de um beduíno analfabeto e amoral, como Atatürk designou Maomé, pelo bando do EI.

TGV e PSD


Já poucos se lembram da promessa de Durão Barroso, esse mesmo, o que viu as armas químicas de Saddam Hussein, a prometer que enquanto houvesse uma criança sem médico, não haveria TGV.

Depois, esquecido da promessa eleitoral, quando pensava na invasão do Iraque, assinou 5 (cinco)  contratos de linhas de TGV a que não faltou o do Porto para Tuy.

Dos TGV de Durão Barroso resta a versão da foto, lenta e melancólica, a ligar a Lousã a Coimbra.

O padre Sousa Lara e os exorcismos


O ex-subsecretário de Estado de Cavaco Silva, censor de um livro de Saramago, não foi apenas o devoto da missa e da hóstia, inimigo da cultura e da liberdade, foi o crente que mandou erigir uma Cruz do Amor, com 7 metros, destinada a "combater o comunismo e evitar o mal com a chegada do ano 2000", no seu monte alentejano.

Entre as suas obras consta um filho, feito certamente de forma casta, a quem ofereceu a administração de uma empresa pública, o Estado é para os amigos e família, mas que preferiu ser padre e especializar-se em exorcismos, atividade que faz parte do alvará de padre mas que, com a escassez de Demónios, passou a ser uma especialidade canónica de autorização episcopal.

O padre Sousa Lara, homónimo do bem-aventurado papá, é um reputado exorcista que, munido de uma cruz e de umas tantas rezas, se atira aos demónios como Santiago aos mouros, na diocese de Lamego, uma zona onde grassam ainda o analfabetismo a fome e os diabos, enfim, Terras do Demo.

Não há um único caso de possessão demoníaca em livres pensadores, ateus, agnósticos, céticos ou racionalistas. São os mais tementes a Deus, desgraçados e moles do miolo, os que deixam entrar, no corpo, o maligno. É para esses que os exorcistas arremetem com a cruz e as orações, numa peleja digna da Idade Média, com o Mafarrico a fugir, da cruz e do padre, como os carteiristas à polícia.

Benditos exorcistas, tão eficazes a tirar o Diabo do corpo dos crédulos como S. Roque as verrugas ou Santa Bárbara a amainar trovoadas.

Não lembrava ao Diabo que ainda houvesse quem vivesse à sua custa. Coisas do demo!

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, maio 20, 2015

CONTRIBUTO PARA A HISTÓRIA DA PULHICE HUMANA

É sabido que o governo que detém o poder em Portugal, presidido por Pedro Passos Coelho, lançou centenas de milhares de portugueses na pobreza ou mesmo na mais negra miséria, conduziu a que inúmeras crianças passem fome, reduziu dezenas de milhares de pessoas ao desemprego, condenou outras tantas a uma emigração forçada, e provocou a morte de milhares de portugueses, uns de fome, outros por doenças não devidamente tratadas devido a cortes no serviço nacional de saúde, outros porque, desesperados pela situação que pelo governo lhes foi criada, se suicidaram.

Pois agora o mesmo Passos Coelho, conhecedor de todos esses males de que é o principal culpado, teve o supremo cinismo de dizer, perante as câmaras das televisões e com um ar risonho, que tudo isso não passou da cura de uma doença, não sendo sua preocupação “perguntar se as pessoas durante esse processo têm febre ou têm dor, se gostam do sabor do xarope ou se o medicamento que tomam lhes faz um bocado mal ao estômago”.

Quer dizer: as crianças que passam fome simplesmente não “gostam do sabor do xarope”, o desemprego, a emigração ou a miséria em que muitos portugueses foram lançados não passam de um acesso de febre, e a morte de muitos outros não é mais do que uma azia!

A que abismos pode descer a pulhice humana!

terça-feira, maio 19, 2015

Ocaso das monarquias

Querem ver que em Portugal, que já se suspeitava não haver Braganças, também não há Borbóns?!

María Luisa, mujer del Rey Carlos IV había comunicado a su confesor, Fray Juan de Almaráz “Ninguno de mis hijos lo es de Carlos IV, la dinastía Borbón se ha extinguido en España”.
NUEVATRIBUNA.ES|POR NUEVATRIBUNA

Portugal e os eucaliptos


O Governo e o PR, que o integra, conduzem Portugal para um desastre cívico, ético e ambiental. A fauna que nos governa destrói a flora, enquanto privatiza a água e torna o ar irrespirável. O País vai-se transformando metodicamente em deserto.

O impoluto e intocável Marco António


Se este jovem tivesse saído da zona de conforto...


... sairiam hoje menos.

segunda-feira, maio 18, 2015

Frases

«Há uma direita reacionária no poder em Portugal, presidida por um neoliberal assanhado, que não tem sensibilidade e está contra o Serviço Nacional de Saúde»
(António Arnaut, advogado, ex-governante e pai do SNS)

«O pior que poderia haver para a democracia portuguesa [ou para a coligação PSD/CDS?] ‘é’ [sic] que o Presidente da República, o atual, passasse a ser um tema eleitoral, quer legislativa [sic] quer presidencial».
(Marcelo Rebelo de Sousa, comentador político)

Fonte: DN, hoje, pág. 8.

Ponte Europa: Marcelo já usa a sintaxe do PR


O TGV de Boliqueime

(Paragens do TGV de Boliqueime  à Praia da Coelha – S. Bento e Belém)

No melancólico ocaso da presidência, conivente com o Governo a que ampliou o prazo de validade, indiferente à urgência do OE-2016, Cavaco partirá  para a praia da Coelha, sem Coelho, sem Portas e sem saudades, para alívio dos portugueses.

Repetirá até ao fim, em recorrente psitacismo, a necessidade dos consensos que impediu e, como novidade, alude à necessidade de um esforço que permita o regresso dos jovens escorraçados pelas políticas que apoiou.

Fica o faceboock vazio das explicações que deve aos portugueses. Restam silêncios, na decadência ética do regime, nas burlas dos seus colaboradores próximos, nas escutas, na permuta da casa da Coelha, nas ações da SLN, enfim, dúvidas que pairam na venturosa carreira política do mais impreparado carreirista.

O silêncio a que se remeteu contrastou com a estridência da censura à AR, no estatuto dos Açores; ao anterior Governo, na austeridade; à vingança, no discurso de vitória do segundo mandato. O BPN, o BES, a governação da Madeira, o Banif, a dívida do PM à Segurança Social, a corrupção, a austeridade, o desprezo da Constituição, os ataques ao TC não lograram uma palavra de quem foi tão loquaz no combate ao anterior governo.

Pede agora aos partidos, aos que ostracizou, que contribuam para a ‘elevação do debate público e a qualidade da democracia’, solicitação feita no dia da liberdade, na AR, dia e local distantes dos seus afetos, para um fim de que não foi exemplo.

Dos eleitos democraticamente passará a ser o pretérito-mais-que-imperfeito PR.

domingo, maio 17, 2015

SINGULARIDADES DO PROCESSO CONTRA SÓCRATES

É já habitual em Portugal haver crimes sem que ninguém seja culpado, sobretudo quando os possíveis culpados são pessoas bem colocadas. É o caso do processo dos submarinos do Dr. Portas – se é que foi sequer aberto um processo – em que houve um crime de corrupção, tendo até dois indivíduos sido condenados na Alemanha por terem corrompido alguém em Portugal, mas em Portugal é como se ninguém tivesse sido corrompido. É também o caso dos crimes de violação de segredo de justiça no processo de Sócrates: os jornalistas souberam coisas que só eram do conhecimento de um círculo muito restrito de pessoas ligadas à justiça, mas é como se nenhuma dessas pessoas lhes tivesse dito nada.

O que já é menos comum é haver culpados sem haver nenhum crime. Mas é isso que está a acontecer no caso Sócrates. O que é normal é o processo partir do crime para o culpado, isto é, perante a constatação de que foi cometido um crime, abre-se uma investigação para descobrir quem o cometeu. No caso Sócrates aconteceu exatamente o contrário: começou por se presumir que Sócrates era culpado, sem que ninguém soubesse de que crime; Sócrates foi detido e depois preso preventivamente; e agora a “investigação” consiste em arranjar um crime que lhe possa ser imputado!

É certo que os Senhores Juízes-Desembargadores do Tribunal da Relação de Lisboa a quem coube julgar o recurso, para justificar a prisão do presumido culpado, disseram, em pitoresca metáfora, que ele vendia cabritos sem ter cabras. Quiseram certamente dizer, com essa fórmula jocosa, imprópria – salvo o devido respeito! – de um tribunal, que ele ostentava muito mais dinheiro do que aquele que seria normal que tivesse. Mas esse facto só por si não tem relevância criminal; só a teria se esse excesso de dinheiro proviesse do cometimento de um crime (roubo, corrupção, burla, peculato, etc.). Ora nenhum desses crimes está indiciado, e muito menos o estava na altura da detenção.

Trata-se pois de um processo tipicamente kafkiano, em que uma pessoa é culpada sem se saber de que crime. Mas com uma importante diferença: é que em “O Processo” de Kafka o protagonista, Joseph K., não foi sequer detido, enquanto Sócrates está preso há cinco meses! E tudo indica que preso continuará enquanto continuarem a procurar um crime de que possam acusá-lo!

Os trogloditas de Maomé

Na Síria, as milícias da jihad assassinam dezenas de civis às portas da histórica cidade de Palmira e comprometem o futuro das suas ruínas, um património da Humanidade que a demência da fé ameaça.

O fascismo islâmico, misto de ignorância e sectarismo, é uma ameaça à paz e à civilização.

A criação de Relvas, Marco António e Cavaco

Antes de partirem para a lua de mel, durante o casamento realizado depois de quatro anos de união de facto.

Fátima, terra de fé


Não sou insensível ao sofrimento dos desesperados que procuram uma boia de salvação, aos doentes que aguardam um milagre, aos crentes que se mortificam na esperança de serem ouvidos por um deus, através de uma imagem de barro, quando os homens os abandonam.

Confranjo-me com os deserdados da sorte a rastejar no genuflexódromo da Cova da Iria, com os que envergam os restos da farda que trouxeram das colónias para agradecerem o milagre do regresso, com os pobres que deixam os únicos brincos ou o cordão de ouro que lhes restava na feira da fé que uma legião de clérigos promove.

São assim os que sofrem. Seria injusto criticar a ingenuidade de quem foi condicionado na infância, de quem se deixa contagiar pelas multidões, de quem aproveita transportes pagos pelas autarquias em ano de eleições.

Vergonha é da multinacional da fé que explora um povo que sofre e a miséria humana ao som de cânticos a um ídolo de barro, que ajoelha a multidão aos pés de um cardeal a um gesto canónico e arrecada o óbolo da gente simples.

Condicionar a liberdade com gestos mecânicos e sinais cabalísticos, aspergindo com o hissope a multidão em transe, é o número de circo que os atores executam na perfeição e o público recebe em lágrimas de comoção.

Daqui a dois anos o espetáculo será o mesmo mas os números redondos das datas têm o condão de embotarem o discernimento e redobrarem a fé.

sábado, maio 16, 2015

Mais vale tarde do que nunca


Passos perdidos no labirinto de Bruxelas

Bruxelas prevê que Portugal venha a falhar a meta do défice, dado o “perigo de desvio significativo” na consolidação orçamental de 2016, e pede (‘impõe’) mais «medidas estruturais» (‘austeridade’) ou seja, devemos continuar a empobrecer, como aprendemos sofridamente nos últimos anos, e preparar-nos para, no calvário, seguir a Grécia.

É cada vez mais doloroso recordar as reações de Passo Coelho e Cavaco após a vitória do Syriza, pareciam jograis, numa azeda reação de quem tem da democracia uma leve ideia e respeita os povos consoante a sua opção de voto.

Dizem as agências noticiosas que Bruxelas se preocupa com o salário mínimo português e, quando se pensaria que a fonte de preocupação é o montante escasso, é o excesso que vislumbra no miserável montante.

Bruxelas prevê para 2016 o défice de 3,1% do PIB, longe dos 2,7% do Governo, que se dedicou à liquidação do Estado e degradação dos serviços públicos, numa programação definida por esta maioria apadrinhada pelo PR.

É difícil prever o destino da Europa que exonerou a solidariedade dos seus valores, que trocou a integração pelos nacionalismos, a visão de futuro pela navegação à vista e o sonho pelo egoísmo.

Quem, em Portugal, se babou de gozo com a intransigência da UE perante a Grécia, há de sentir remorso quando vir o precipício em que a Grécia nos precede. Passos Coelho receberá os trinta dinheiros, algures, na Europa, enquanto o PR goza as delícias da casa da Coelha e o País exangue lembra o Governo que, depois das privatizações, ainda grita “Ave Caesar morituri te salutant”, genufletido aos pés da Troica por que ansiou.

Mísera sorte!

sexta-feira, maio 15, 2015

Isenção, honestidade e imparcialidade

Há quem se reclame isento, fazendo generalizações em excesso, e não passa de imbecil, afirmando que todos os políticos são iguais; quem se julgue imparcial por dizer que não é de direita nem de esquerda, lugar-comum de quem é de direita; quem, para que o julguem puro, acuse os outros de desonestidade; quem, em nome da democracia, exija penas incompatíveis com o Estado de Direito e incite os julgamentos populares. Enfim, cada um de nós se julga o padrão da ética e detentor da virtude, chama-lhe tu primeiro, antes de te chamarem a ti.

Devo declarar que, julgando-me honesto, tenho a consciência de que não sou isento nem imparcial. Tenho as minhas preferência e posso ser indulgente com amigos e impiedoso com adversários. Satisfaço-me por dizer o que penso, não escrever para agradar e jamais fazer afirmações que saiba falsas. Bastam as afirmações que julgo verdadeiras, os erros que cometo e as imprecisões involuntárias.

Quando exonerar os afetos dos julgamentos, abdicar da cultura em que fui criado e dos princípios que me moldaram, deixo de ser um cidadão e passo a robô.  E onde ficam as convicções?

De facto, como ensinava Ortega y Gasset, o homem é ele próprio e a sua circunstância.

quinta-feira, maio 14, 2015

COMUNICADO DO MOVIMENTO REPUBLICANO 5 DE OUTUBRO

A criação do MR5O – Movimento Republicano 5 de Outubro teve como objetivos a defesa e celebração das datas emblemáticas da República, em especial o restabelecimento do 5 de Outubro como feriado nacional, desígnio de que nunca abdicou, e a recuperação do feriado do 1.º de Dezembro, por serem datas identitárias do País que somos.

A eliminação do 5 de Outubro e do 1.º de Dezembro do calendário dos feriados feriu profundamente os sentimentos patrióticos e republicanos do povo português.

O MR5O de Coimbra nunca duvidou da restituição dos feriados referidos, ansiando pelo fim do pesadelo dos mandatos deste Governo e deste PR.

A entrevista do líder do PS, António Costa, ao DN do dia 9 de maio, em que se obriga a repor os feriados que esta maioria, este Governo e este PR exoneraram do calendário, satisfaz a pretensão dos membros do MR5O e da sua direção, motivo por que saudamos efusivamente a decisão do PS, bem como a de todos os partidos que viabilizarem a sua reposição, inclusive o PSD..
Assim, manifestamos publicamente o nosso regozijo pelo ato de justiça a que o PS já se comprometeu, saudando todos os partidos que se reveem nas datas históricas referidas.

Viva a República!

Coimbra, 13 de maio de 2015

Amadeu Carvalho Homem, Anabela Monteiro, Carlos Esperança, Fernando Fava, José Dias

Santarém já chegou à Madeira… (a de Alberto João Jardim)

Depois do ato hipócrita e oportunista de Cavaco Silva, a condecorar a cidade onde viveu o herói de Abril, Salgueiro Maia, e donde partiu para a gesta gloriosa que culminou com a rendição de Marcelo Caetano no quartel do Carmo, aparecem os ressentidos de Abril a reescrever a História.

Cavaco Silva, democrata tardio, outorgou a Santarém a Ordem da Liberdade, não pela relevância da cidade no 25 de Abril, que a não teve, mas para se aproveitar da coragem e nobreza do honrado militar a quem negou uma pensão que concedeu a dois PIDES.

É bom lembrar que os militares do 25 de novembro foram também homens de Abril, do «Grupo dos 9» ao general Costa Gomes, que entregou ao comandante militar de Lisboa, general Vasco Lourenço, a coordenação das operações que Ramalho Eanes comandou operacionalmente e onde se destacou o Regimento de Jaime Neves.

Isto é a história da data que dilacerou militares amigos e que, por elementar respeito ao 25 de Abril, a única data libertadora e consensual, devia evitar comparações.

A Assembleia Municipal de Santarém, numa traição a Salgueiro Maia e à sua memória, prepara-se para aprovar uma moção do deputado municipal do CDS/PP, António Borba, para substituir a sessão comemorativa do 25 de Abril, que recusou fazer, por uma outra, a do 25 de novembro, enquanto não comemora o 28 de maio.

É a História que está a ser reescrita por nostálgicos da ditadura, o regresso a valores que o bando que se apoderou do PSD e o seu ornamento da coligação – o CDS –, permitem, com o silêncio de quem exonerou da lapela o cravo, do quotidiano a Constituição e de Belém o espírito de Abril.


Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, maio 13, 2015

A propaganda do Governo e o PR dele

Da sargeta do silêncio saem bandos de saprófitas do poder, corifeus da central de intriga que cumpriu a agenda ultraliberal, de forma metódica e irreversível, com a ajuda do PR.

Nos jornais, na rádio e nos canais televisivos afastam-se os comunistas e ignoram-se as propostas do Livre e do PDR, enquanto se enaltecem as virtudes do pior governo desde a ditadura de Pimenta de Castro e se denigre o PS. Rui Tavares, Ana Drago ou Marinho Pinto não existem, apesar da relevância cívica e do interesse mediático que já tiveram.

Vivemos no País de Prós e Prós, num desfile de avençados que exaltam a dupla Portas / Passos Coelho, ignorando o PR por já lhes ser prejudicial e estar demasiado queimado.

Há quatro anos, que o PR sadicamente prorroga por mais seis meses, o País confiou na central de intoxicação, dirigida por Miguel Relvas e Marco António. Julgou que traria a felicidade. Agora, os eleitores só serão enganados se quiserem, embora os embusteiros tenham substituído as promessas pelas ameaças, as esperanças, defraudadas, pelo medo, mantendo, como armas, a mentira e a calúnia.


A morte e a morte da Sr.ª Lúcia de Jesus



A morte de alguém merece-me respeito, mesmo – como era o caso –, quando se tratou da última cúmplice do embuste da Igreja Católica na luta contra o comunismo e no ódio cego à República e à separação da Igreja e do Estado.

Em 2005, o cancelamento da campanha eleitoral pelo PSD e CDS e as tergiversações do PS, só encontraram paralelo no ridículo do primeiro-ministro, que pretendeu que fosse declarado luto nacional pela morte da freira enclausurada há décadas e que foi bandeira da campanha do fundamentalismo católico contra o progresso e a liberdade.

Da luta contra a minissaia e o divórcio, inclusive casamentos civis, que eram objeto das cartas para Marcelo Caetano, até à convicção que lhe fora transmitida pela Senhora de Fátima de que Salazar fora enviado pela Providência para salvar Portugal, confidência da virgem Maria que foi transmitida a Salazar pelo cardeal Cerejeira, a vida de Lúcia foi a de uma pobre pastora que a ICAR confiscou para um dos maiores embustes do século passado.

Foi esquecido o terceiro segredo de Fátima que excitou, durante décadas, a superstição popular, acalentou medos e generalizou o pânico nas populações analfabetas do mundo rural, embrutecidas por um clero tributário do concílio de Trento e cúmplice do Estado Novo. Já ninguém se recorda de que o Papa JP2 mandou um padre a Portugal com a sua batina para a Lúcia confirmar que fora aquela, com que foi baleado por um enigmático turco, a que ela viu, em visão, quando o próprio pano não fora ainda tecido. Claro que a vidente confirmou.

Foi com milagres destes e a exploração grosseira da superstição que nasceu e prosperou o negócio de Fátima. Foi a falta de pudor perante a ingenuidade rural que urdiu a teia de mentiras e a idolatria que transformou uma zona rural paupérrima num promissor centro urbano do sector terciário.

Que aos embustes da ICAR se juntasse o oportunismo dos partidos que suspenderam a campanha eleitoral em sinal de luto pela vetusta freira que morreu naturalmente, foi um ato digno dos mullahs islâmicos, um gesto terceiro-mundista, uma vergonha que cobriu de opróbrio o país europeu onde os ventos e as marés ainda se deslocam ao sabor da vontade da Senhora de Fátima.

Noventa e oito anos depois, calcorreando os caminhos que levam à Cova da Iria, onde o Sol bailou ao meio-dia, continuam a morrer peregrinos nas curvas da fé com ave-marias inacabadas. Fica-nos a mágoa das vidas perdidas à espera de improváveis milagres.

terça-feira, maio 12, 2015

Passos: o farmacoco...

“O objetivo que temos é o de vencer a doença, não é o de perguntar se as pessoas durante esse processo têm febre ou têm dor, se gostam do sabor do xarope ou se o medicamento que tomam lhes faz um bocado mal ao estômago ou qualquer outra coisa. Quer dizer, se os efeitos secundários de todo o processo por que se passa valem ou não vale a cura” link

Esta parábola de Passos Coelho aos seus 'jotinhas' é bem reveladora da incapacidade, da impreparação e do embuste deste Governo. Se tivesse alguma experiência e saber clínico saberia que mais importante do que a intenção de vencer a doença é fazer o diagnóstico preciso e correcto da patologia que lhe está subjacente. 
Os portugueses nunca esquecerão que o seu diagnóstico perante uma crise internacional que nos atingiu foi alimentar o embuste que vivíamos acima das possibilidades. E que essa vivência nos tinha engordado desmesuradamente. Surgiu então assumindo o papel de um 'Tallon da política' e encetou (instituiu) um processo de emagrecimento assimétrico e voluntarioso (para além da Troika) que resultou num disforme empobrecimento. As gorduras eram afinal as pensões, o 13º. mês, o subsídio de férias, os feriados, a legislação laboral, etc.

E a terapia foi essencialmente proibitiva. Alimenta, porém, a ilusão da cura quando muitos dos índices que exibe e manipula mais não são do que o alegórico e premonitório ‘canto do cisne’. Na verdade, após o progressivo crescimento da dívida, da queda brutal do investimento, da falência em cascata de pequenas e médias empresas, de um índice de desemprego real a ultrapassar os 20%, do abrupto deslizar de cerca de 2 milhões de portugueses e portuguesas (muitos deles crianças) para o limiar da pobreza, do brutal esvaziamento das prestações sociais (segurança social, saúde e educação), da emigração forçada de muitos milhares de jovens, o feiticeiro está satisfeito com os resultados. E anda de feira em feira (na companhia do Paulinho) a vender a suas mezinhas. À espera que os incautos lhe comprem o feitiço para matar a peçonha.

Nas suas atribuladas pregações esquece uma secular artimanha terapêutica: “A diferença entre o veneno e o remédio é a dose”.

E durante 4 anos fartou-se de renovar e abusar da colocação de sucessivos 'emplastros neoliberais' aparecendo agora querendo fazer crer que tratou o país de muitos males quando, na verdade, não foi além da prática de reles feitiçarias, que nos vão custar muito caro.

Os transplantes, a ressurreição da carne, a vida eterna e o ámen

Há 60 anos (dezembro/1954) o cirurgião americano Joseph Murrey realizou o primeiro transplante humano, um rim doado por um irmão gémeo a outro que estava a morrer de doença renal. A generosidade fraternal foi compensada com mais de 8 anos de vida do irmão transplantado que constituiu família e havia de gerar duas filhas.

Os crentes mais devotos de então consideraram tratar-se de uma profanação do corpo e que os médicos se imiscuíram numa prerrogativa de Deus. Nesse dia os homens deram mais um pequeno passo na sua emancipação e Deus um enorme trambolhão.

O êxito da operação foi uma vitória sobre a omnipotência e a omnisciência divinas cuja credibilidade sofreu um rude golpe. Desde então, milhares de vidas foram prolongadas, graças à ciência.

Quem acredita na vida eterna e na ressurreição da carne, deve perturbar-se com o que acontecerá no Vale de Josafat, entre Jerusalém e o Monte das Oliveiras, no dia bíblico do Juízo Final.

O Deus deles, cruel e medonho, lá estará a julgar os vivos e mortos, perante a enorme confusão em que aos problemas logísticos se junta a berraria de quem pede a devolução do fígado, reclama um rim, exige de volta o coração ou procura o esqueleto dividido por centenas de próteses de acidentados.

Deus começa a ter problemas complicados. O melhor é desistir do mito da ressurreição e manter-se no silêncio a que se remeteu após o género humano ter decidido pensar.


segunda-feira, maio 11, 2015

A FRASE

“Acredito que questões políticas são menos importantes do que algo fundamental como a defesa da paz mundial e da inadmissibilidade de uma catástrofe como a II Guerra Mundial”

(Vladimir Putin, sobre ausências na cerimónia do fim da II Guerra Mundial)


A epifania do Cameron de Massamá

Com o Palácio de Belém refém, Passos Coelho, do alto da formação académica e cívica, viu nas eleições do Reino Unido uma vitória sua. Julgou-se clone de Cameron, licenciado em Ciência Política na JSD, em Economia na Lusíada, e em Filosofia por equivalência, cursos que o seu homólogo fez cedo, com altas notas, na Universidade de Oxford.

David Cameron tinha um notável currículo político e profissional quando chegou a PM, sendo o mais jovem desde 1812, aos 43 anos, sem cadastro na Autoridade Tributária, na Segurança Social ou nos negócios.

A derrota do Partido Trabalhista é também uma derrota da social-democracia, que o PS representa em Portugal, perigosa deriva para a direita do eleitorado europeu, a quem o ultraliberalismo não consente opções ideológicas e, a prazo, nem a simples alternância partidária, mas Passos Coelho não pode reclamar no PSD de Relvas e Marco António o ideário conservador  britânico que, apesar de ser herdeiro da Senhora Thatcher, não tem a agenda ultraliberal da clique que tomou conta do ‘pote’, na sua peculiar linguagem. E, sobretudo, não pode exibir o crescimento económico e o nível de emprego do reclamado homólogo.

O que Passos Coelho não diz é que a tragédia económica e financeira da Europa nasceu nos EUA, com Bush; a Grécia chegou ao abismo com governos conservadores, o que a central de intoxicação da direita esconde, como esconde onde germinaram os casos de polícia que lesaram o Estado português em milhares de milhões de euros, do BPN ao BES, do Banif à Madeira e do caso Moderna aos submarinos.

O que o País precisa de saber são as razões da sujeição do PR ao Governo, dos motivos que o levam a marcar eleições em outubro para a substituição do Governo que tomou posse em junho, com as dificuldades que cria, a sintonia de quem hostilizou o anterior Governo, que despediu na pior altura, para se tornar uma extensão do atual.

Após um encontro com PM italiano, em Florença, PPC desenhou uma comparação entre o mandato de David Cameron e o percurso do ‘seu’ Governo. Foi uma epifania, idêntica à que teve na fábrica de queijos de Aguiar da Beira.

domingo, maio 10, 2015

O Sr. Duarte Pio e o trono abensonhado*

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Anda a paróquia em grande agitação porque o Sr. Duarte Pio, filho de um austríaco que Salazar nacionalizou, aspira ao trono português, como confidenciou numa entrevista ao «I», fazendo prova de vida.

O candidato a rei apenas ambiciona a alteração da Constituição da República, em nome da democracia, para permitir um referendo em que o povo possa prescindir do direito de voto para o chefe de Estado, oferecendo-se para assumir tais funções, de forma vitalícia, e perpetuá-las pela via uterina.

O Sr. Duarte considera que o país ainda pode acolher a família real [sic], sem dizer se é postulante e se o acolhimento é num Paço Real, extinto há mais de um século, ou centro de acolhimento.

O pai viveu em S. Marcos, palácio para onde o ditador o trouxe para, à semelhança de Franco, poder restaurar a anacrónica instituição de má memória. Foi ali que, num longo passeio, o encontraram Paulo Quintela e Joaquim Namorado, quando o locatário, num português rudimentar e com acentuado sotaque, os interpelou:

- Eu sou o duque de Bragança e os ‘senhorres’ quem são?

Paulo Quintela, só ouviu “de Bragança” e logo, encantado, lhe retorquiu:

- de Bragança? Tem graça, somos conterrâneos, eu também sou de Bragança!, enquanto o poeta sorria, assistindo ao aperto de mão entre os dois.

O Sr. Duarte Pio, a quem a imprensa cor-de-rosa e os que têm alma de vassalos tratam por duque ou, em empolgado delírio revivalista, por Sua Alteza Real, tem uma curiosa investigação sobre solípedes pios, cavalos de Nun’Álvares Pereira que, antes da batalha de Aljubarrota, passaram por Fátima e aí se ajoelharam.

A efémera passagem por Agronomia deu-lhe alguns rudimentos de zoologia mas parca formação sobre metafísica das estrebarias, onde os devotos cavalos teriam um deus que relincharia.

Segundo o Sr. Duarte, “É preciso que a Constituição seja alterada porque pela atual é proibido fazer-se um referendo em que os portugueses possam escolher” e, tal como o seu avoengo caceteiro, que inspirou o insulto ‘miguelista’, exonerava o sufrágio.

«abensonhado»* = delicioso termo criado por Mia Couto.

sábado, maio 09, 2015

Dias Loureiro, empresário de sucesso e farol de Passos Coelho

Corre por aí que um empresário de sucesso, ex-ministro e conselheiro de Estado, agora em extrema penúria, esteva imune a qualquer investigação policial, apesar de ser gente de algo num banco, dos do dinheiro, cuja administração parecia refúgio de governantes do cavaquismo.

Só pode tratar-se de calúnia, a alegada penúria e a proteção malevolamente insinuada por inveja de quem caçava com o rei de Espanha, agora jubilado, e tem a confiança do PR e a admiração do PM a quem Cavaco Silva serve de câmara de eco, que denomina colaboração institucional, num ato de remorso do discurso de vitória do 2.º mandato.

Passos Coelho não se considera um cidadão exemplar, por não ter saldado à Segurança Social o que devia e o que ficou por saber. Devido ao alegado sumiço de declarações de IRS, mistérios de um país onde o sol bailou ao meio dia, há de considerar-se milagre. Talvez por isso, quer ser como Dias Loureiro, um farol da ética e o empresário padrão, impoluto e empreendedor, alheio à escola de técnicos de aeródromos e heliportos da Região Centro, sob os auspícios da Tecnoforma, onde, mais por vocação académica do que por cupidez dos fundos comunitários, quis formar mais de mil técnicos para 10 lugares já preenchidos.

Passos Coelho pode ter um passado pouco recomendável mas terá futuro recomendado. Pode confundir o CDS com o principal partido da Oposição e Portas com Satanás, mas sabe, na defesa de interesses próprios e dos amigos, que é no leilão do que resta do país e com empresários como Dias Loureiro que se desforra da Revolução, sem «autorização superior», que pôs fim à guerra colonial sem lhe consultar o paizinho.

A biografia autorizada é cadastro cheio de lacunas e cortes, onde os professores que lhe deram o curso e inundam o poder estão omissos, tal como Dias Loureiro, que foi [ainda é?] seu conselheiro político. É certamente o encómio do Principio de Peter ou princípio da incompetência de Pedro.

sexta-feira, maio 08, 2015

Eleições britânicas e a União Europa…

As eleições no Reino Unido embora tenham resolvido o problema interno link no que respeita à governabilidade não trazem boas notícias para a UE.

O resultado prático destas eleições será a consolidação da longa 'aliança atlantista’ em detrimento da aproximação encetada em 1973 à Europa.

O Partido Trabalhista, com todos os problemas que carrega desde a 'deriva Blair' (também conhecida pela ‘3ª. via’), seria a única resposta eleitoral tranquilizadora para a UE.

O Partido Popular Europeu (PPE) que não tardará a aparecer a festejar esta vitória continuará cego perante o projecto europeu que tem sido inquinado pelas políticas ultraconservadoras (neoliberais) emanadas de Bruxelas, Berlim e Frankfurt. Mais uma vez não se colherão lições destas eleições.

O facto de o UKIP ter – em termos de resultados – uma expressão parlamentar residual não é tranquilizante. Deve-se mais ao sistema eleitoral britânico do que uma efectiva perda de influência política. E a próxima ‘guerra’ está para breve. Será o referendo já anunciado por Cameron sobre a Europa link.

De resto, não há nada para festejar (excepto para os conservadores ingleses que viram renovado o seu mandato para governar).
E mesmo no plano interno os problemas com o ‘Reino Unido’ não tardarão a surgir. De facto, quem governará serão os ingleses e o resto dos povos da União (escoceses, galeses e irlandeses) continuarão relativamente distantes do círculo efectivo do poder. 
O que está longe de conferir estabilidade interna.

«Quando os Lobos Uivam»

«Uma disciplina para todos e, portanto, obrigatória, tendo em conta que o ensino religioso tem um impacto social significativo».

(João Duque, professor na universidade católica de Braga, sobre o ensino religioso)

Factos & documentos

(Recorte de M. P. Maça)

Os próceres da ditadura também corriam riscos.

8 de maio. Há 70 anos.

A vitória sobre o nazi/fascismo

O dia 8 de maio de 1945 foi o dia da Vitória contra a Alemanha Nazi, o dia em que os nazis se renderam aos exércitos aliados, em Berlim, em que 1 milhão de pessoas festejou em Londres o fim da Segunda Grande Guerra e a paz regressou à Europa ensanguentada.

Há 70 anos findou o mais cruel e demente plano genocida da História. Hoje, parecem esquecidos a data, o pesadelo, o racismo, a xenofobia e os milhões de vítimas.

Setenta anos depois, renascem demónios totalitários que deram origem à maior tragédia do século XX. É a história a repetir-se num misto de farsa e de tragédia.

Evocar o dia 8 de Maio é condenar a violência de Estado, denunciar o antissemitismo e homenagear as vítimas, todas as vítimas, de diversas origens, que ao longo dos séculos foram perseguidas por preconceitos religiosos, étnicos e culturais.

Não esqueçamos que é a economia à solta que cria as monstruosidades políticas de que necessita. Tem de ser a política a comandar a economia e não esta a determinar aquela.

Apostila: Deixo aqui o comentário do coronel Delgado Fonseca, comandante da coluna militar de Lamego no 25 de Abril, comentário feito noutro local:

«C E amigo, desta vez não respeitaste a verdade histórica , o que é natural porque nós os Portugueses pouco sabemos da história da Europa moderna: o que se comemora não é o fim da II Guerra Mundial e nem sequer o fim da guerra na Europa. O que hoje se comemora em toda a Europa ocidental é a rendição da Alemanha aos aliados do ocidente e amanhã comemora-se a rendição da Alemanha aos Russos e aos aliados de leste. A Guerra só acabou com a rendição do Japão.

Pouca gente sabe também é que o alto comando Alemão tentou ainda fazer as pazes com os ocidentais e por isso a rendição no dia 8 de Maio.»

quinta-feira, maio 07, 2015

O obscurantismo religioso, a insensibilidade e o aborto

Criança de 10 anos, violada, grávida de 5 meses

No Paraguai, uma menina, com 34 quilos e 139 centímetros de altura, aguenta o peso de uma insuportável violência e a baixeza do sectarismo ideológico do juiz que prolonga o sofrimento de mais uma criança que o padrasto violou.

A religião não é um código sagrado que condene ao sofrimento e à morte, que suporte a lei ignóbil que vigora no Paraguai onde a IVG só é legítima em caso de risco de vida da mãe e os preconceitos parecem menosprezar o risco, onde a alegada vontade divina se sobrepõe aos direitos da mulher e à tragédia de uma criança.

O risco de vida da mãe é de tal modo desprezado que apenas se aplicou uma única vez, depois de grande pressão internacional, … numa gravidez ectópica. Saberão os padres o que é uma gravidez ectópica, o risco que implica e as sequelas que deixa em qualquer mulher que tenha a fatalidade de uma gravidez extrauterina? Mas não nos afastemos deste caso apesar de as estatísticas hospitalares registarem quase 700 casos de meninas entre os 10 e os 14 anos que deram à luz em 2014.

O ministro da Saúde, que antes de entrar na política foi médico pessoal do presidente conservador Horacio Cartes, opôs-se terminantemente ao aborto. O juiz que custodia a menor diz que «a nossa Constituição protege a vida desde a conceção».

Há casos em que me dilacera a dúvida. Neste, tenho a certeza de que o médico ministro e o juiz carrasco estão ao nível do padrasto que violou a criança, na falta de sentimentos e no desprezo pelas mulheres, no sectarismo pio e na insensibilidade perante as crianças do sexo feminino.

No Paraguai, um país constitucionalmente laico, ainda vigora a sharia romana.

Raios os partam.

                                                                                 
Fonte: El País

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, maio 06, 2015

A Oscar Mascarenhas, amigo e jornalista


Esperava-o um destes dias, a ele e à Natal,  para jantarmos em Coimbra, e a morte veio assim, de repente, depois de ter estado a trabalhar às 7H00 da manhã de hoje. Parou-lhe o coração, a ele a quem nunca pararam as palavras.

Era um homem de convicções, guerrilheiro da palavra que acerta no alvo, numa prosa imaculada, e era a Verdade a obsessão de quem queria que lhe contassem sempre duas versões para ele poder decidir com calma.

Na morte do amigo indefetível resta-me o abraço que acabo de mandar, por telefone, à Carolina, sua filha, e à Natal, as duas mulheres que lhe preenchiam a vida, depois da morte da mãe a quem tão poucos anos sobreviveu.

Até sempre, Oscar!

Empreendedorismo


Para memória futura - excelente texto de Nicolau Santos

Anatomia e dissecação de um colossal falhanço


(Nicolau Santos, in “Expresso”
     Nicolau Santos

Fez no dia 6 de abril quatro anos que Portugal pediu ajuda internacional. É mais do que tempo de fazer o balanço dos erros, mentiras e traições deste período e desconstruir o discurso que os vencedores têm produzido sobre o que se passou.
1 A 4 de abril, Angela Merkel elogia os esforços do Governo português para combater a crise, através de um novo plano de austeridade, o PEC 4. Com o apoio da chanceler alemã e do presidente da Comissão Europeia havia a real possibilidade de Portugal conseguir um resgate mais suave, idêntico ao que Espanha depois veio a ter. O primeiro-ministro, José Sócrates, dá conta ao líder da oposição, Pedro Passos Coelho, do que se passa. Este, pressionado pelo seu mentor e principal apoio partidário, Miguel Relvas, recusa-se a deixar passar o PEC 4, dizendo que não sabia de nada e que não apoiava novos sacrifícios. O seu objetivo é a queda do Governo e eleições antecipadas (ver o livro “Resgatados”, dos insuspeitos jornalistas David Dinis e Hugo Filipe Coelho). O Presidente da República, Cavaco Silva, faz um violento ataque ao Governo no seu discurso de posse, a 4 de abril, afirmando não haver espaço para mais austeridade. Os banqueiros em concertação pressionavam o ministro das Finanças. Teixeira dos Santos cede e coloca o primeiro-ministro perante o facto consumado, ao anunciar ao “Jornal de Negócios” que Portugal precisa de recorrer aos mecanismos de ajuda disponíveis. Sócrates é forçado a pedir a intervenção da troika. Merkel recebe a notícia com estupefação e irritação.

2 O memorando de entendimento (MoU) é saudado por políticos alinhados com a futura maioria, por economistas de águas doces, por banqueiros cúpidos e por comentadores fundamentalistas e bastas vezes ignorantes, pois, segundo eles, por cá nunca ninguém conseguiria elaborar tal maravilha. Hoje, pegando nas projeções para a economia portuguesa contidas no MoU, é espantoso constatar a disparidade com o que aconteceu. Em vez de um ano de austeridade tivemos três. Em vez de uma recessão não superior a 4%, tivemos quase 8%. Em vez de um ajustamento em 2/3 pelo lado da despesa e 1/3 pelo lado da receita, tivemos exatamente o contrário: uma austeridade de 23 mil milhões reduziu o défice orçamental em apenas 9 mil milhões. Em vez de um desemprego na casa dos 13%, ultrapassámos os 17%. Em vez de uma emigração que não estava prevista, vimos sair do país mais de 300 mil pessoas. E em vez da recuperação ser forte e assente nas exportações e no investimento, ela está a ser lenta e anémica, assentando nas exportações e no consumo interno. A única coisa que não falhou foi o regresso da República aos mercados. Mas tal seria possível sem as palavras do governador do BCE, Mario Draghi, no verão de 2013, ou sem o programa de compra de dívida pública dos países da zona euro? Alguém acredita que teríamos as atuais taxas de juro se não fosse isso, quando as agências de rating mantêm em lixo a nossa dívida pública? Só mesmo quem crê em contos de crianças.

3 Durante o período de ajustamento, Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, sublinhou sempre que o nosso sistema financeiro estava sólido. Afinal, não só não estava sólido como tinha mais buracos do que um queijo gruyère. BCP, BPI e Banif tiveram de recorrer à linha pública de capitalização incluída no memorando da troika, o BES implodiu, a CGD foi obrigada a fazer dois aumentos de capital subscritos pelo Estado, o Montepio está em sérias dificuldades — e só o Santander escapou.

4 O ex-ministro das Finanças, Vítor Gaspar, e o primeiro responsável da troika, Poul Thomsen, negaram durante dois anos que houvesse um problema de esmagamento de crédito às empresas. Pelos vistos desconheciam que a esmagadora maioria das PME sempre teve falta de capital, funcionando com base no crédito bancário. Como os bancos foram obrigados a cortar drástica e rapidamente os seus rácios de crédito, milhares de empresas colapsaram, fazendo disparar o desemprego. Gaspar e a troika diriam depois terem sido surpreendidos com esta evolução. A sobranceria dos que se baseiam na infalibilidade do Excel, aliada à ignorância dos que pensam que a mesma receita funciona em qualquer lugar, tem estes resultados.
Alguém acredita que teríamos as atuais taxas de juro se não fosse o BCE e Draghi, com a nossa dívida pública a continuar a ser considerada lixo? Só mesmo quem crê em contos de crianças.

5 Passos Coelho disse e redisse que as privatizações tornariam a economia portuguesa muito mais competitiva, levando os preços praticados a descer. Pois bem, a EDP foi vendida a muito bom preço porque as autoridades garantiram aos chineses da Three Gorges que os consumidores portugueses continuariam a pagar uma elevada fatura energética. E assim tem sido. Os franceses da Vinci pagaram muito pela concessão da ANA porque lhes foi garantido que poderiam subir as taxas sempre que o movimento aeroportuário aumentasse. Já o fizeram por cinco vezes. O Governo acabou com a golden share na PT e não obstou à saída da CGD do capital da telefónica. Depois assistiu, impávido e sereno, ao desmoronamento da operadora. A CGD foi obrigada pelo Governo a vender por um mau preço a sua participação na Cimpor. Hoje, a cimenteira é uma sombra do que foi: deixou de ser um centro de decisão, de competência e de emprego da engenharia nacional. Os CTT foram privatizados e aumentaram exponencialmente os resultados, à custa da redução do número de balcões e da frequência na entrega do correio.

6 A famosa reforma do Estado resumiu-se na prática a aumentar impostos, cortar salários, pensões e apoios sociais, bem como a fragilizar as relações laborais, flexibilizando o despedimento individual, diminuindo o valor das indemnizações, reduzindo o valor do subsídio de desemprego e o seu tempo de duração. O modelo económico passou a assentar numa mão de obra qualificada mas mal paga, em empregos precários e não inovadores, em trabalhadores temerosos e nada motivados.

7 O programa de ajustamento fez Portugal recuar quase 15 anos. Perdemos centro de decisão e de competência e não apareceram outros. A classe média proletariza-se sob o peso dos impostos. Nos hospitais reaparecem doenças e epidemias há muito erradicadas. O investimento estrangeiro estruturante não veio, o perfil da economia e das exportações não se alterou, a aposta na investigação eclipsou-se. E tudo para se chegar a um ponto em que a troika nos continua a dizer que já fizemos muito mas que é preciso fazer mais — e os credores internacionais nos vão manter sob vigilância até 2035. Sob o manto diáfano da fantasia, a nudez forte da verdade mostra que este ajustamento não teve apenas algumas coisas que correram mal — foi um colossal falhanço. E, desgraçadamente, os próximos anos vão confirmá-lo.

terça-feira, maio 05, 2015

A FRASE

«Não podemos calar a nossa indignação e o nosso protesto por mais uma utilização indevida da figura de Salgueiro Maia e da generalidade dos militares de Abril».

(Vasco Lourenço, sobre a Ordem da Liberdade atribuída à cidade de Santarém, por Cavaco Silva)

Pedro Cosme Vieira - execrável fascista


A história do professor universitário mais odiado em Portugal: fez uma crítica ao programa económico do PS e um deputado do PSD citou-o, mas arrependeu-se logo a seguir; este professor assume-se racista e diz que o problema da sida se resolvia com a morte dos infetados; chama-se Pedro Cosme Vieira. BCP volta aos lucros quatro anos depois. Estreia o filme que Manoel de Oliveira desejou que fosse visto depois da sua morte.

O texto de Francisco Louçã sobre o execrável, pode ser lido aqui.

segunda-feira, maio 04, 2015

A FRASE

«Nada mais irritante, no plano religioso, do que a invocação de Deus para justificar situações, acontecimentos trágicos, doenças, injustiças e misérias».
(Frei Bento Domingos, teólogo dominicano)

E dar «Graças a Deus» pelo sobrevivente descoberto entre destroços de um terramoto que matou milhares de pessoas, pelo náufrago resgatado entre centenas de cadáveres ou pelo ferido que escapou de um acidente, entre meia dúzia de mortos?

O sufixo «logos»

Logos, “razão”/”pensamento”, é o sufixo que designa cientistas enquanto logia significa “amor ao estudo, à instrução”, designando as respetivas ciências: fisiologia, cosmologia, biologia, etc., caracterizadas pelo método e objeto. Excetuam-se a astrologia e a teologia,  apropriadas por charlatães.

Os cientistas que estudam os astros tiveram de criar a «astronomia», apropriada que estava por pantomineiros a “astrologia”.

Quanto à teologia, “ciência” que estuda os seres imaginários que povoam a fantasia dos clérigos e o medo dos crentes, não se lhe conhece método ou objeto, sem prejuízo de os reivindicarem os que fazem do exoterismo uma profissão e da sua divulgação a fonte de proventos.

Os astrólogos, clérigos, quiromantes, bruxos, cartomantes e oficiais de outros ofícios correlativos conhecem sucesso em épocas de crise.

Vêm aí tempos em que o livre-pensamento dará lugar a fenómenos exacerbados de fé.

domingo, maio 03, 2015

O PM e a indústria do leite

Andava o putativo PM, Passos Coelho, a ordenhar votos numa queijaria de Aguiar da Beira onde se encontrava a referência ética autóctone, Dias Loureiro, quando a criatura que Relvas e Marco António designaram para o Governo, rompe em estridente elogio ao antigo Conselheiro de Estado que não tem, em seu nome, bens que permitam o possível arresto dos mesmos no âmbito das investigações das autoridades ao caso BPN.

Passos Coelho, luso-angolano bem sucedido na política, ex-líder da madraça juvenil do PSD, desatou a tecer encómios a Dias Loureiro, esse “empresário bem sucedido” que “sabe que se nós queremos vencer na vida”, “temos de ser exigentes e metódicos”.

Sabendo o país que o ex-conselheiro de Estado, em quem Cavaco confiava, está falido, surpreende que o êxito o tenha levado à penúria ou, no caso de ter bens ocultos, mereça que o PM o elogie, em descarada pressão sobre eventuais investigadores do caso BPN, a menos que os escândalos só tenham valor penal consoante os partidos.

Dias Loureiro, PM sonhado por Cavaco, em cuja incubadora amadureceu, terá mentido à AR, a ser verdade o que a comunicação social apurou sobre a participação que negara em negócios ruinosos, no BPN. Sabe-se que saiu de Coimbra, ao serviço da Pátria e do Prof. Cavaco, feito ministro, abdicando da advocacia no escritório deserto.

O elogio de Passos Coelho, um distraído que se esqueceu da situação de Dias Loureiro, como da sua, em relação à Segurança Social e ao fisco, pode ser encarado como pressão sobre os investigadores de eventuais imputações na falência do BPN ao enaltecido.

Depois da nódoa da Tecnoforma, só um coração de oiro arriscava manifestar em público quem lhe serve de modelo, mas fica-se sem saber se esta bondade de Passos Coelho não passa de mera confusão, da iliteracia de quem não distingue o homem de ‘confiança’ do homem ‘com fiança’.

sábado, maio 02, 2015

No rescaldo das comemorações do 1º de Maio…

Os incidentes ocorridos na Alemanha durante as comemorações do 1º. de Maio, são reveladores da tenebrosa estratégia da extrema-direita neo-nazi europeia. A sua actuação não pode ser confinada como sendo uma questão paroquial link.

A Alemanha continua a comandar económica e financeiramente as hostes europeias e os resultados dessas políticas começam a surgir. De início, foram perturbações incipientes mas vão ganhando, cada dia que passa, maior amplitude.
O ocorrido na cidade de Weimar mostra que o objectivo destas hordas fascistóides não é meramente xenófobo ou racista. Aí (neste fim-de semana) os neo-nazis mostraram como detestam a democracia e como estão determinados na destruição da actividade sindical. O incêndio que vêm ateado passou a ameaçar a própria casa tendo assentado arraiais no quintal.

A escolha pelos neo-fascistas da cidade-estado de Weimar para perturbar as comemorações do 1º. de Maio não será ocasional, nem inocente.
Para além do vasto património arquitectónico que encerra, Weimar, é um símbolo do romantismo germânico e por aí passaram figuras relevantes da cultura alemã, como por exemplo, Goethe, Schiller e Nietzsche.
Politicamente, Weimar também não é um exemplo histórico indiferente. A República de Weimar, nascida no rescaldo da I Guerra Mundial, depois de múltiplas hesitações e convulsões políticas a que SPD não é estranho (recorda-se Frederich Ebert), esta República veio a abrir as portas à ascensão de Hitler ao poder. Mas a causa remota estará nas duras condições impostas aos alemãs pelo Tratado de Versalhes.
Presentemente a Alemanha está a percorrer um caminho paralelo e a reproduzir essas condições ao resto da Europa com o chamado ‘Tratado Orçamental’.
 
A reorganização política e o peso eleitoral de grupos (ultra)nacionalistas, de índole fascista e de inspiração nazi em grande parte da Europa [FN (França), Aurora Dourada (Grécia), UKIP (Reino Unido), Partido da Liberdade (Holanda), Liga Norte (Itális), etc.] não é estranha à incapacidade política presente para resolver a crise europeia sem humilhações e um terrível espalhar da pobreza, fermento de uma legião de excluídos que, cada vez mais, se agita e manifesta.

O SPD, hoje em coligação com a CDU no Governo alemão, deveria tirar ilações rápidas e contundentes do que aconteceu ontem em Weimar. Não porque o alvo tenha sido um deputado social-democrata mas em defesa da democracia germânica e do futuro da Europa.