segunda-feira, agosto 31, 2015

Notas Soltas - agosto/2015

Boys – O pagamento de favores aos amigos, através de colocações ministeriais, não foi exclusivo do Governo que vai terminar o mandato, é a lepra que corrói o respeito que os governantes deviam esforçar-se por merecer.

BES – Houve quem pensasse que a falência do grupo GES/BES nada custaria ao erário público. Falta saber, para além da tragédia da riqueza e dos postos de trabalho perdidos, se a solução de o deixar falir foi a melhor e quanto custará ao País. Reina silêncio.

Estado Islâmico – Com monótona regularidade, a violência é a marca do mais primário e cruel monoteísmo, vivido em suprema apoteoso pelo bando de facínoras de Maomé. A execução de mulheres é a pena das que recusam satisfazer os instintos sexuais do califa.

Hiroshima – Em 6 de agosto de 1945 foi lançada a primeira bomba atómica, sobre uma cidade japonesa. O cogumelo, que é a imagem de uma tragédia de proporções dantescas, ficou como símbolo do poder destruidor e da crueldade de que os homens são capazes.

Catalunha – A eventual independência serviria de rastilho para a divisão de Espanha e, a seguir, para reeditar na Europa velhas tragédias e novas disputas com nacionalismos à solta e o sangue a pingar em fervor patriótico. A ex-Jugoslávia não serviu de vacina.

Eutanásia – No dia 10 de agosto de 2001, a Holanda foi o primeiro país a legalizar este direito que nos interpela e assusta mas que, cada vez mais, se assume como um direito individual que deve ser ponderado, aprovado e regulamentado.

CDS – A irrelevância do partido afasta Paulo Portas do palco principal dos debates das próximas eleições legislativas. É duro, para quem sabe ter outro arcaboiço político, ver-se como mero acompanhante de luxo de quem a roleta política fez PM.

Migrações – A tragédia das multidões que fogem à guerra, à violência tribal e à fome é a vergonha que põe à prova a incapacidade da Europa para encontrar soluções. Não há recursos nem autoridade global que evite o êxodo caótico e a colossal perda de vidas.

Turquia – A repetição de eleições vai permitir a Erdogan, a quem a Europa e os EUA renovaram sucessivamente o diploma de “muçulmano moderado”, a maioria necessária para abolir a herança laica de Atatürk, perseguir os curdos e acelerar a reislamização.

Espanha – A obsessão do Estado Islâmico, que não desiste de considerar o país como o Al-Andaluz, não deixa esquecer a matança de 11 de março de 2004, quando uma célula dos jihadistas fez explodir quatro comboios na estação de Atocha, em Madrid.

EUA – O multimilionário Donald Trump é o candidato republicano mais popular e quer deportar todos os imigrantes ilegais. A violência xenófoba e o primarismo cultural são o perigo que ameaça o país e, se for eleito, a Humanidade.

China – A abertura à liberdade religiosa, que implica respeito pelos crentes, descrentes e anti crentes, é um primeiro passo no caminho da democratização. A patologia maoista cede, infelizmente empurrada pela esquizofrenia capitalista.

Incêndios – Com a falta de água e o país a arder vorazmente, ninguém se interrogou sobre as negociações que não tem havido com Espanha de cujas bacias hidrográficas Portugal depende em cerca de 30 a 60% das necessidades, consoante os anos.

Bolsas – O vendaval  que vem da China é uma tempestade que ameaça assolar o débil crescimento das economias europeias que não se ressarciram ainda da quebra causada pela crise mundial das dívidas soberanas.

União Europeia – A humilhação da Grécia, longe de resolver os problemas europeus, aumentou a vulnerabilidade das democracias e robusteceu os partidos de extrema-direita que já começaram a subir ao poder. 

Maria Luís – A ministra das Finanças, ao atacar o programa do PS, dizendo que não o leu, pode parecer idiota mas no partido confiscado por quem fez de Passos Coelho PM, colocou-se em boa posição para o substituir.

Tribunal Constitucional – Ao admitir a referência confessional ao novo pseudónimo  do Portugal Pró-Vida (PPV), agora ‘Partido Cidadania e Democracia Cristã’, ao arrepio da anterior jurisprudência, a CRP sofreu a entorse que legitima, por exemplo, um futuro Partido da Democracia Muçulmana (PDM).

Grécia – Os resultados eleitorais, duas semanas antes da consulta portuguesa, influirão na decisão nacional. Talvez isso explique a insólita e irrelevante atitude de Cavaco Silva a censurar e ridicularizar o partido que atualmente governa o País.

Alemanha – Com a União Europeia sem um projeto comum, foi generosa a lidar com a vaga migratória mediterrânica. A Sr.ª Merkel, por mais anticorpos que tenha gerado, é a dirigente europeia com mais sentido de Estado.

Brasil –A queda do PIB (1,9%) no segundo trimestre levou-o à recessão. A queda do preço do petróleo e a corrupção trouxeram agitação social e caos político. A primeira vítima pode ser a democracia, com a Colômbia e a Venezuela também em perigo.

PR – Em vez de procurar acabar o mandato com dignidade, permanece fiel a si mesmo, na ingerência no processo eleitoral que se aproxima, sempre ao lado do Governo.

Novo Banco – O futuro dirá se a decisão tomada foi a que mais interessava ao País ou se foi puro aventureirismo da nefasta agenda ideológica deste Governo.

Paulo Rangel – O líder dos eurodeputados do PSD afirmou que “Se o PS estivesse no poder, Sócrates e Salgado não seriam investigados”. O truque político não revela apenas baixeza ética, é ofensa gratuita às magistraturas e um insulto à separação de poderes. 

sábado, agosto 29, 2015

A frase

«Se o PS estivesse no poder, Sócrates e Salgado não seriam investigados».

(Paulo Rangel, eurodeputado do PSD)

Pergunta: As magistraturas não reagem?

Factos e documentos

«O número de refugiados e migrantes que atravessaram o Mediterrâneo neste ano já ultrapassou os 300 mil»

(Porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os refugiados)

sexta-feira, agosto 28, 2015

Cavaco Silva e as eleições

Cavaco, a descansar do infatigável apoio a este governo, na vivenda algarvia Gaivota Azul cujos contornos de aquisição se desconhecem, continua a interferir nas eleições que se aproximam e a pretender condicionar a opção livre dos eleitores.

Nem a destruição acelerada, e celerada, da Segurança Social, com que o governo de que é fiel servidor já ameaçou os portugueses, o demove do apoio pertinaz. Nem a qualidade de economista o inibe face à promessa de plafonamento dos descontos para a SS, a fim de a inviabilizar e entregar à iniciativa privada, caso esta maioria se mantivesse.

É por isso que as próximas eleições, inquinadas pelo medo e terrorismo que esta direita exerce através da comunicação social que domina e das redes sociais onde infiltrou os especialistas da sua central de intoxicação, não se destinam apenas a criar condições para um governo mais competente e patriótico, o que não é difícil, mas para repudiar a pior maioria, o pior governo e o pior PR depois do 25 de Abril.

Ontem CS ainda teve tempo para umas diatribes contra o Governo grego ao nível de Nuno Melo, o solitário eurodeputado do CDS, revelando o défice democrático e a falta de sentido de Estado que o exornam.

É preciso topete para censurar e ridicularizar um governo democrático de um país da União Europeia!

quinta-feira, agosto 27, 2015

UM FEITO GLORIOSO DA NOSSA HISTÓRIA

Passam hoje exatamente onze anos sobre um dos feitos mais gloriosos da nossa Marinha. Em Agosto de 2004, um navio – que ficou para a História como “Barco do Aborto”- tripulado por mulheres pertencentes à associação subversiva “Women on Waves”, que propagandeava a legalização da interrupção voluntária da gravidez, ameaçava invadir as nossas águas territoriais.

Porém, a ameaça foi heroicamente repelida pelo então ministro da Defesa, Dr. Paulo Portas, que enviou um navio da Armada para impedir a invasão. As nossas forças saíram vitoriosas!

Depois, à cautela, o Dr. Portas comprou uns submarinos, a fim de ficarmos mais prevenidos contra futuras ameaças do género.

Lamentavelmente, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, dando razão ao vício contra a virtude, veio mais tarde a condenar o Estado Português por ter proibido a entrada do barco nas nossas águas territoriais.

Seja como for, ficou salva a honra da Pátria! O Dr. Paulo Portas ganhou um lugar na História, ao lado de D. João de Castro e Afonso de Albuquerque! Merece ir para o Panteão. Já!

Momento Zen de quarta

João César das Neves (JCN), aka Beato João César, é um sério caso de estudo. As suas divertidas homilias, no DN, primeiro à segundas-feiras (Momento Zen de segunda) e agora às quartas, sofreram uma alteração temática assombrosa depois da chegada ao Vaticano do papa Francisco. As citações bíblicas, as diatribes contra o divórcio, o horror à IVG, as manifestações de homofobia e outras pias obsessões, mais dolorosas do que os picos do cilício, que ruborizavam  os crentes e hilariavam os incréus, deram lugar aos temas económicos.

Curou-o da obsessão mística o atual papa, de quem foge de invocar o nome como o seu demónio da cruz, e passou às homilias laicas onde alterna entre o envergonhado a apoio a Passos Coelho e previsíveis afirmações do economista de direita, ex-assessor do Prof. Cavaco e ora catedrático na madraça romana do ensino superior, em Palma de Cima.

Na homilia laica de ontem, JCN, sob o título «Horror àsprivatizações» diz que “Certas vozes porém [sic], sobretudo na esquerda, insistem no repúdio liminar, em cartazes, inscrições e petições” e acrescenta, sem provar, “que o mais curioso é que isso subverte a sua [da esquerda] própria posição doutrinal”. Um homem de fé dispensa argumentos.

Quanto à TAP, afirma: «Alguns casos são mesmo caricatos: os activistas que se têm esforçado para comover a população acerca da perda da "nossa" TAP, certamente não consideram bem o que dizem.
A companhia aérea é pública desde a sua fundação, mas o povo português pagou, com os seus impostos, fortunas colossais para manter esse "privilégio". No momento da venda, a dimensão da dívida e o reduzido encaixe do Estado mostraram bem como o negócio era ruinoso». ‘Era’ ou foi?

“O facto de se tratar de produtos essenciais à vida social [sic], aliás duvidoso em muitos casos, levaria também a nacionalizar padarias, habitações e pronto – a – vestir. Os verdadeiros bens de primeira necessidade estão entregues à iniciativa privada desde sempre, sem que isso gere problemas”, diz .

Para JCN, as comunicações, energia, saúde, educação e água devem ser bens de luxo e a privatização da Galp, PT, ANA, Correios e Águas de Portugal, v.g., estarão agora bem entregues! Sobre essas privatizações é omisso.

O momento Zen de quarta, termina em apoteose: “. Na oposição militante à venda de empresas públicas mal geridas, os movimentos de esquerda manifestam estar dominados, não pelos interesses da população, e ainda menos dos proletários, mas pelas conveniências de um funcionalismo burguês, fingindo-se revolucionário”.


Ámen! 

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, agosto 26, 2015

Laicidade traída


A FRASE

O senhor de la Palice não diria melhor!

«A agressão que ocorreu na sexta-feira podia ter degenerado numa carnificina monstruosa e é a prova recente de que temos de nos preparar para outros ataques e, assim, protegermo-nos a nós próprios».

(François Hollande, sobre o ataque falhado ao comboio entre Paris e Amsterdão)

Fonte: DN – hoje, pág. 10.

sexta-feira, agosto 21, 2015

As eleições que aí vêm

O ruído introduzido pelas eleições presidenciais torna-se insuportável para quem deseja, nas legislativas, julgar esta maioria, este Governo e este PR, largamente protegidos pelo controlo da comunicação social e infiltração, nas redes virtuais, de agitadores treinados nas madraças da direita e com experiência na campanha que de Passos Coelho fez PM.

A esquerda, dilacerada pela legítima disputa eleitoral, constitui um trunfo acrescido para a minoritária direita, confiscada pela sua ala radical. E, se não bastassem as malfeitorias desta direita da direita, a eleição presidencial ameaça quem se opõe à pior maioria, ao pior Governo e ao pior PR do regime democrático, com um duelo que fará sangrar quem pretende para o país um novo rumo e, na direita, a derrota dos extremistas liberais.

É inevitável a crispação entre as candidaturas de Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém e o aproveitamento da direita num terreno onde já tinha posto a sua lebre, Henrique Neto,  a fazer ruído.

O meu candidato é o primeiro mas ninguém me verá criticar a outra candidatura  porque numa segunda volta prefiro engolir uma rã a digerir um sapo que a direita nos sirva.

Apostila – A mais antidemocrática expressão que é usada na guerrilha eleitoral é a de «partidos do arco do poder», como se houvesse partidos predestinados à governação e os ostracizados, numa manifestação de desrespeito pela democracia política, a única, aliás, que respeito e defendo.

quinta-feira, agosto 20, 2015

O erro estratégico (não de Descartes) …

A tarefa do actual secretário-geral do PS está a tornar-se bastante complicada. Eleito para essas funções para ‘garantir’ uma vitória ao PS vê saltar pelo caminho diversos ‘fantasmas’.

O clima político nacional sofreu substanciais alterações (variações) durante este ano (2015) o que sendo coincidente com a entrada em funções do Dr. António Costa não lhe podendo ser imputadas responsabilidades directas. É, acima de tudo, uma dinâmica imposta pelo exterior.

O País foi colocado sob uma pressão mediática onde abundam números avulsos (alguns como o da taxa de desemprego claramente manipulados) e onde se apresentam índices e projecções fora de qualquer contexto analítico (ou ‘torturados’ por enviesadas análises da ‘maioria’). 
Uns dias o Governo compara as suas performances actuais com os piores dias de 2012 e 2013, noutros com o memorando que aplaudiu em 2011. Em mais raras ocasiões recua até à entrada na zona Euro onde efectivamente está o problema.

Mas o actuar líder do PS não tem tido tréguas. A sua consagração como secretário-geral coincidiu, na prática, com a prisão de José Sócrates. Depois, foram os percalços de um ‘adormecimento’ dando espaço e tempo à coligação de direita para construir a sua narrativa. A apresentação de um programa político para a governação foi permanentemente ensombrada pela ‘crise grega’. 
Quando começou a corrida para a meta eleitoral quando ‘o problema grego’ estaria aparentemente ultrapassado sucede o incrível percalço dos cartazes, 'acidente' que ninguém entende. 

António Costa, ontem, teve oportunidade de contrapor, numa entrevista televisiva, o programa socialista à nebulosa pragmática (nada programática) da coligação esgrimida no Pontal, quando o País foi novamente surpreendido pelo anúncio da candidatura presidencial de Maria de Belém. Nos dias seguintes, a imprensa votou-o ao esquecimento e as honras foram todas para este inusitado anúncio. 

Hoje, começa a ser notório que a separação das eleições legislativas das presidenciais, um pouco a reboque de um postulado da Direita, poderá servir, em primeira mão, os interesses da coligação. 
Na verdade, o exercício governamental durante os últimos 4 anos, beneficiou de um escandaloso e indisfarçável comprometimento do Presidente da República. Seria possível, ou teria sido vantajoso, o PS e, por arrastamento, as Oposições, terem optado por apresentar uma estratégia conjunta que tivesse em linha de conta a realidade desta promiscuidade política e constitucional.

Para muitos portugueses seria um objectivo absolutamente viável e atingível a Esquerda antecipar a apresentação, para a Presidência da República, de um ‘candidato comum’. E esse candidato seria, como ressalta do desenvolvimento político, Sampaio da Nóvoa. 
Ficaria, assim, arrumado um dos factores de perturbação e diversão que tem inquinado a campanha eleitoral para as legislativas. Por outro lado, perante o eleitorado, existiria um assomo de ‘unidade’ da Esquerda.

Claro que esta ‘convergência’ não é possível nem suficiente para definir – de acordo com uma análise realista do espectro político e ideológico - um quadro de alianças partidárias à Esquerda. Esse seria o espaço de liberdade que ficaria reservado aos partidos concorrentes que, uma vez arrumado esse assunto (as Presidenciais), ficariam com ampla margem de actuação política de acordo com as diferentes propostas programáticas. 
A Esquerda liberta de ruído de fundo permanente e afastada do rodopio que faz, quase diariamente, saltar coelhos da cartola, teria melhores ‘chances’.

Quando se embarcou nesta estratégia de postergar as presidenciais para depois das legislativas foi objectivamente fornecido um trunfo à Direita que desde o início (desde as putativas candidaturas de Guterres, Barroso, Marcelo, etc.) revelou grandes dificuldades de escolher pacificamente um candidato agregador. A vantagem que, à partida, a Esquerda poderia dispor e disfrutar foi, rapidamente, desbaratada. O grande mentor deste ‘escalonamento’ foi Marcelo Rebelo de Sousa que, mais uma vez, emitiu um juízo em causa própria.

Este pormenor estratégico permitiria separar, à nascença, as águas. Se a campanha eleitoral que agora começa cavalgasse esta opção ganharia para toda a Esquerda – e não só para o PS – consistência, solidez e clarificação.
Todavia, esta ‘nuance’ já teve o seu tempo. Morreu!

O divisão administrativa e o poder autárquico

Não, não temos uma divisão administrativa coerente nem sustentável. Não, não temos a plêiade de autarcas que se apregoa e, suspeita-se, nem a gestão racional dos recursos de que dispõem.

Esta grande conquista do 25 de Abril foi confiscada por caciques locais que, excetuando os municípios de maior dimensão, se converteram em máquinas de emprego e tráfico de influências. Nem todos, naturalmente. É evidente que as generalizações são arriscadas e injustas, mas não se percebe que um país, onde falta fazer a regionalização continental, tenha permitido Regiões Autónomas com estruturas faraónicas e custos incomportáveis.

O número de autarquias e a dimensão dos seus órgãos, com a imaginativa descoberta de Empresas Públicas (EPs), tem custos que o país não pode suportar e nenhum partido se atreve a alterar, tal a dependência da rede de captação de votos.

Há autarquias em que todos os partidos juntos não achariam gente preparada para a boa administração dos recursos que consomem. Falta a muitas massa crítica para o bom funcionamento e a outras população que as justifique.

O custo das senhas de presença e outras despesas de Assembleias Regionais, Municipais e de Freguesia cujo número de membros é exorbitante e, muitas vezes, irracional, vai ter de ser apreciado. Fará algum sentido que os presidentes da Junta integrem a Assembleia Municipal.

Que necessidade havia de separar Vizela do município de Guimarães ou Odivelas do de Loures, apenas para  satisfazer clientelas e exacerbar bairrismos? Valeu Jorge Sampaio para evitar os municípios de Fátima e Canas de Senhorim que o Governo de turno se preparava para criar. Os recursos gastos em mais pessoal político são inúteis e fazem falta para investir em sectores produtivos.

Portugal não tem uma divisão administrativa, tem uma manta de retalhos ao sabor dos interesses partidários, da tradição e do medo eleitoral, razão por que é intocável.

Nota – Deixo aos leitores o contraditório. Não me pronunciarei sobre os comentários.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, agosto 19, 2015

Até o céu ficará cheio!

Segundo informação de Boeing, que analisa o período 2015-2034, há no mundo 21.600 aviões comerciais em serviço. Nos próximos 20 anos, a industria terá encomendas e produzirá 38.050 aviões, estimando que em 2034 voem 43.560 aviões no mundo, o dobro dos atuais.

Cerca de 40% dos novos aviões servirão para substituição de aeronaves antigas.

terça-feira, agosto 18, 2015

No 79.º aniversário da sua morte.

Homenagem a Federico García Lorca 
Foram os fascistas do genocida Francisco Franco que o assassinaram.

O Planeta, nós e o futuro

‘As árvores não crescem até ao céu’ e os recursos do Planeta são limitados. É inviável o acréscimo da população e a redução da capacidade de a suportar.

Há muito que a resiliência do Planeta se tornou insustentável. No último meio século o mar perdeu 60% dos recursos, o solo arável não parou de minguar, escasseia a água, os lençóis freáticos sofrem as infiltrações do lixo e os combustíveis fósseis caminham para a exaustão. Dos alimentos ao ar os venenos contaminam tudo e só as bactérias veem o seu habitat melhorar.

Penso que não há progresso sustentável no consumo e é doloroso o reajustamento. Até há alguns anos, as novas tecnologias trouxeram mais emprego do que o que destruíram, mas deixou de se verificar. O trabalho tem de ser distribuído assim como o produto que dele resulta.

A redução drástica de nascimentos em nações desenvolvidas é anulada pela explosão demográfica das pobres acelerando migrações impossíveis de integrar, com alterações étnicas que, em vez de contribuírem para a diversidade e miscigenação, são detonadoras de choques culturais, instabilidade e violência.

Não nos iludamos, a fome e a sede serão o móbil da violência que cresce e não se sabe resolver. A ecologia cedeu aos interesses capitalistas e o futuro coletivo está ameaçado.

O mundo é um lugar perigoso.

segunda-feira, agosto 17, 2015

Factos & documentos


Nota: Não sou especialista a verificar a autenticidade do recorte mas conheci da ditadura o suficiente para aceitar a forte probabilidade de ser verdadeiro.

É preciso avisar a malta


domingo, agosto 16, 2015

PP & PPC – chama-lhe tu primeiro antes que te chamem a ti

O casal que ontem se deslocou à Quarteira, conduzido pelo padrinho Marco António, essa referência ética, oficializou, depois do irrevogável arrufo, o matrimónio que já une o partido de Sá Carneiro com o que enxotou o fundador, Freitas do Amaral, na presença de 3.500 testemunhas comprometidas e interessadas a ulular de contentamento.

PP acusou o PS de ter um projeto para pôr em risco, nada disfarçado, a sustentabilidade da Segurança Social, através de um convite disfarçado à privatização, ‘acuso-o primeiro para não ser ele a acusar-nos’. Foi o arauto da defesa das famílias, da classe média e dos reformados, aqueles que o Governo, onde casta e inocentemente esteve, mais castigou.

A vida em comum obrou um estranho mimetismo em que já não se distingue quem é o inteligente e quem comprou a rifa que Miguel Relvas, Marco António e Paulo Júlio viciaram para lhe entregar o lugar de PM. Os militantes e avençados extasiam-se com os dois. São o abono de família de farta clientela.

PPC alertou para o aventureirismo de uma das oposições – o PS –, e, quem fez do país laboratório político e dos portugueses cobaias, quem passou além da troika, ameaçou com voz canora “se o resultado não for inequívoco o próximo Governo será cheio de problemas”, na esperança de dizer uma verdade que redundasse em seu favor.

Nos ares, um drone filmava a festa de quem se divertiu à custa do povo, durante mais de quatro anos, de quem se vingou do 25 de Abril e da descolonização, e teve a conivência de um PR que trocou a dignidade do cargo pela submissão ao casal que no Algarve foi filmado entre cúmplices e carne assada na esperança de atraiçoar de novo o País que deixou no osso.

O casal político Pedro & Paulo Portas (PPP) é a nossa mais ruinosa PPP.

sábado, agosto 15, 2015

Paradoxos de números e percepções cívicas...


A recente 'crise dos cartazes' demonstra que a guerra dos números e o consequente esgrimir de estatísticas e dados é um caminho enviesado.

Melhor será analisar o que os números pretendem ocultar. Na maior parte das vezes acrobacias e piruetas contabilísticas.

Durante a última semana esgrimiram-se valores, dados e previsões - na praça pública e envolvendo múltiplas formações partidárias - à volta do crescimento económico durante o último trimestre e, na passada, teceram-se múltiplas comparações com períodos transactos (homólogos, não homólogos ou aleatórios).

Sem entrar nas minudências estatísticas que muitos têm dificuldades em perceber é de supor que os portugueses gostariam de entender como - no mesmo período - registando-se uma queda abrupta da produção industrial link estamos a crescer de modo 'sustentável' (para usar uma qualificativo muito comum na política e nos negócios).

Silly season

Marcelo Rebelo de Sousa deu ontem uma extensa entrevista de seis páginas ao DN, que a capa anunciou ocupando metade do espaço.

Da entrevista pode dizer-se o que padrinho dele, Marcelo Caetano, disse a Pedro Soares Martinez no ‘exame’ de doutoramento: “A sua tese tem coisas boas e originais, mas as boas não são originais e as originais não são boas».

Da leitura sofrida, por afeição aos leitores que não desistem de me ler, deixo aqui, não a sibilina propositura da pré-candidatura a PR, nem síntese óbvia da intenção, mas apenas as afirmações originais do inegável bom comunicador.

Diz Marcelo que “Passos Coelho é uma pessoa muito fria, inteligente e desapaixonada a julgar”, sem deixar perceber se abdicou da inteligência própria ou deslizou para um enigmático sarcasmo.

Não considerando original esta afirmação profunda “Vai ser preciso que o próximo Presidente seja capaz de dialogar”, não pude deixar de me maravilhar com a apoteose da imaginação e da originalidade de quem reza o terço todos os dias: “Um sítio onde é sensacional rezar o terço é a nadar no mar”.

Poupo os leitores à explicação mística para tão sensacional e útil prática pia em que só não explica como se nada com o terço numa das mãos e a outra a percorrer as contas. Mas com o treino diário é como um atleta de salto à vara, acaba por dispensar a vara!

O Deus dos peregrinos gosta do odor a velas queimadas


Imagem de marca do Governo


sexta-feira, agosto 14, 2015

No 56.º aniversário da morte de Bertold Brecht


Acontece...

Quem nunca perdeu o guarda-chuva que atire a primeira ogiva.

Esta esquerda não é a minha

Não esqueço que quem diz que não é de direita nem de esquerda é de certeza de direita, e quem, dizendo-se de esquerda, é maior adversário de outro partido de esquerda do que de qualquer um de direita, é deliberado ou ingénuo aliado da última.

O frenesim quanto ao futuro PR só se compreende pela frustração que o atual causou ao País, pelo cansaço insuportável que, pela primeira vez em democracia, um PR provocou e pelos danos que a sua paixão partidária causou à instituição para que foi eleito.

A antecipação da discussão sobre a candidatura presidencial apenas serve para diminuir a importância das legislativas e do julgamento desta maioria bem como o esquecimento precoce de Cavaco Silva que dilatou a agonia do país sob um governo inapto e à solta.

É legítimo, todavia, que qualquer cidadão manifeste a intenção de se candidatar, que vá procurando ocupar espaço na comunicação social e apoios na sociedade o que faz que a realidade seja o que é e não o que devia ser.

O que não assiste a quem se reclama de esquerda é o direito de denegrir candidatos que possam ser opção da segunda volta para derrotar o Cavaco-bis. Fazê-lo é dizer à direita que até outro Cavaco e a reincidência em outro Passos Coelho lhe será permitido.

Esta não é a minha esquerda.

quinta-feira, agosto 13, 2015

A 'velha' chicana política no seu esplendor…

Hoje o Governo entreteve-se a emanar orientações sobre a situação dos idosos no País link
Não se tratou de legislar. Colectou uma série de intenções e transmitiu-as à comunicação social. Não as produziu para endereçar ao Parlamento que, como sabemos, já esgotou a sua actividade nesta legislatura.

Não está em causa o teor dos anúncios efectuados que, em grande medida, muitos portugueses subscreverão. Trata-se, isso sim, da metodologia ensaiada. O Governo que gosta de afirmar estar na plenitude de funções esqueceu-se que se meteu a aprovar resoluções e não lhe pode dar seguimento. A maioria que lhe deu suporte durante 4 anos entrou em licença sabática. Chegou a hora do escrutínio.

Na verdade o Governo neste momento está em roda livre sem o contraponto do seu órgão fiscalizador. Já não estando em funcionamento a Assembleia da República o Governo está, por exemplo, ao abrigo de uma moção de censura. Se isto não for suficiente para condicionar a actividade do Governo neste período pré-eleitoral podemos, ao menos, tirar a ilação de que a determinação constitucional da data das eleições legislativas necessita de revisão.

E, finalmente, existe um outro problema mais grave. A proposta do Governo traduz uma grave intromissão desse órgão no período pré-eleitoral. Na realidade o conjunto de propostas tem interesse político mas quem tenha um dedo de testa sabe que a sede própria para as elaborar, neste momento particular do processo democrático, são os partidos. A proposta apresentada hoje pelo Governo só seria aceitável se a sua paternidade fosse assumida, ab initio e exclusivamente, pela coligação ‘Portugal p’ra Frente’.

A promiscuidade entre actividade governativa e partidária está aí no seu esplendor!

Ilusões, mentiras e utopias

Pensar que é pagável a dívida que não para de crescer, nem com os juros mais baixos de sempre, combustíveis a preços irrepetíveis e depreciação do euro, é ilusão, tão perigosa como imaginar que o crescimento económico irá disparar para a casa dos dois dígitos.

Há quem não se dê conta de que a dívida se tem alimentado do aumento de empréstimos e da mentira que especuladores e devedores gerem com profissionais especializados em propaganda, elevando o esquema da D. Branca à categoria de ciência económica.

Portugal, à semelhança de Espanha, Grécia, Chipre, Itália, Irlanda e muitos outros, não consegue sair da espiral suicida em condições irrepetíveis. Como o poderá fazer quando os combustíveis recomeçarem a subir e a dívida for ainda maior?

A crise financeira de 2008, repercutida na falência do Lehman Brothers, cujas ondas de choque se refletiram nos campos económico, social e político, foi uma crise do sistema capitalista que ninguém sabe se foi já a última. A crença na sua superação baseia-se na utopia do infindo crescimento económico e é o paliativo da violência que fermenta, à espera de uma explosão incontrolável.

O comunismo implodiu, o capitalismo explode e a legião de pobres não parará de criar cada vez mais ricos, em número cada vez menor, sem que apareça um novo paradigma para um futuro sustentável.

Falta ao Planeta resiliência para todos os ataques de que tem sido alvo. Quase oito mil milhões de habitantes, com previsões de estabilização em dez mil milhões, em 2020, com mares a morrerem, o solo arável a minguar, a água potável a desaparecer e o ar a tornar-se irrespirável, não se vislumbra futuro para os que já aí estão à espera de sobreviver.

Que fazer?


Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, agosto 12, 2015

O da esquerda não bate na mulher


A interrupção voluntária da gravidez (IVG) e a taxa moderadora

O ministério da Saúde aceitou o parecer da Direção-Geral da Saúde (DGS). Só o ato da interrupção é pago (7,75 €). Todo o acompanhamento antes e depois da IVG é gratuito.

O último relatório da DGS refere que, no ano passado, se realizaram 16.589 IVGs, 97% a pedido da mulher, opção prevista na lei até às dez semanas de gestação. E acrescenta ainda: «Este foi o número mais baixo desde 2007, ano que a opção foi legalizada. Desde 2011 que o número está a descer».

Com indicadores tão favoráveis, com o número de abortos em crescente declínio, após a despenalização, o que levou esta maioria a alterar a legislação pacífica e que renderia ao Estado menos de 130 mil €€ anuais, sem isenções, quando muitos abortos são devidos a graves carências económicas que isentam as pacientes de taxa moderadora!?

Não foi a poupança do custo de uma viatura de alta gama das centenas que este Governo comprou, em fim de legislatura, que esteve na origem da decisão. Foi a concessão a um movimento jurássico de ativistas católicos, saídos do concílio de Trento, que levaram os mesmos partidos a repetir a da primeira tentativa tímida de legalização da IVG. Então, estava em causa apenas o risco de vida da mãe, a malformação do feto e a violação e só 4 deputados do PSD, cito de memória, votaram a favor. Há três de quem ainda recordo os nomes: Natália Correia, Helena Roseta e o médico Jaime Ramos.

A vassalagem a um grupo de talibãs romanos originou a cedência a posições misóginas, num desejo irreprimível de humilhação das mulheres, e no incontido horror à mudança de mentalidades que se operou na sociedade portuguesa. A humilhação da mulher é uma tara abraâmica que resiste desde a Idade do Bronze.

D. Isilda Pegado, amiga do peito e da hóstia de uns deputados a cujo grupo parlamentar se quer juntar, logrou ampliar a crispação social, a troco da suposta salvação da alma, ao levar a AR a uma decisão infeliz e gratuita.

terça-feira, agosto 11, 2015

O direito à eutanásia – uma reflexão necessária

No dia 10 de agosto de 2001, a Holanda foi o primeiro país a legalizar o direito que nos interpela e assusta mas que, cada vez mais, se assume como direito individual que deve ser aprovado, regulamentado e objeto de ponderação. Foi há 14 anos.

A morte, como disse Saramago, é uma injustiça, mas a vida, em certas circunstâncias, é um suplício cujo prolongamento não se pode impor ao enfermo contra a sua vontade.

Urge ponderar o poder arbitrário dos médicos na sua obsessão terapêutica ou na decisão irrevogável de prolongar a vida, segundo os seus preconceitos religiosos tal como ao doente uma decisão precipitada ao primeiro sinal de desespero.

Entre os médicos nunca haverá consenso e, das Igrejas, não se pode esperar senso. Cabe aos Estados, de forma responsável, responder a dramas que diariamente afligem doentes terminais, pessoas em vida vegetativa ou seres sem uma réstia de esperança ou qualquer trégua no sofrimento.

Defender a alimentação obrigatória dos pacientes em estado vegetativo – como impõe o Vaticano –, é um ato de crueldade que a lei dos Estados civilizados deve impedir.

Haverá sempre situações ambíguas, estados de fronteira onde a decisão se torna difícil e eticamente discutível. É nestas alturas que o doente, se mentalmente são, deve poder exercer sozinho o direito de decisão, usufruir pela última vez da liberdade individual.

Ramón Sampedro, “uma cabeça sem corpo”, como amargamente definiu a sua situação de tetraplégico foi o denodado militante da eutanásia que quebrou um tabu e abriu a discussão sobre o direito à morte que a compaixão de mão amiga lhe permitiu.

A norte-americana Terri Schiavo viveu 15 anos em estado vegetativo permanente, sem que ocorresse a morte cerebral, até que um Tribunal da Florida determinou que lhe fosse retirado o tubo de alimentação. Quinze anos!

Há situações em que a alegada defesa da vida é um inqualificável ato de crueldade.

segunda-feira, agosto 10, 2015

A campanha eleitoral e os ruídos

Esta não é a minha campanha. Discutir cartazes para iludir a tragédia do desemprego é o talento da central de intoxicação da direita, da pior direita imaginável, que o pior PR do regime democrático ungiu.

Há quem veja nas ondas apenas a espuma e ignore a dimensão do mar e a influência dos ventos. Há quem viva para explorar aparências e ocultar a realidade, quem espalhe ruído para não deixar ouvir a música, quem faça o mal e a caramunha.

A canibalização do espaço mediático e a infiltração de peritos de contrainformação nas redes sociais por quem malbaratou o que restava do País, impede o contraditório e faz da campanha eleitoral uma cerrada oposição às oposições, na razão direta do perigo que cada partido representa para esta maioria que confiscou o PSD, o Governo e o PR.

Esforçaram-se por inviabilizar a alternativa política e, com a destruição do Estado, já se preparam para impedir a mera alternância partidária e assegurar a impunidade.

As eleições de outubro vão julgar este Governo e o PR, mas já não conseguem devolver a esperança aos portugueses, invadidos pelo desânimo e tolhidos pelo medo.

O futuro que nos espera, independentemente de quem formar o governo precário que se adivinha, não é ridente, mas cabe-nos punir nas urnas este Governo, esta maioria e o PR que esteve ao seu serviço, de um lado, os que seguem o adágio “quem não se sente não é filho de boa gente”, do outro, os que refocilam no ‘pote’, com os que criaram empatia pelos algozes, vítimas do síndrome de Estocolmo.

Cumpramos o nosso dever. A herança é péssima, salvemos o amor-próprio e unamo-nos num projeto patriótico que nos devolva um módico de esperança no futuro coletivo.

domingo, agosto 09, 2015

PS: erros & confiança…

A mudança de responsável pela campanha é, apesar de justificada, mais uma perturbação no processo eleitoral do PS link.

O emendar de mão não apaga os erros já cometidos e, para já, faz transparecer que o ‘inner circle’ de António Costa está muito confinado à Câmara de Lisboa.
É aguardar para ver.

O problema é que o tempo urge enquanto a confiança corre o risco de dissipação...

Em poucos meses assistimos a uma brusca inversão dos papéis.
Agora o PS tem de mexer-se a todo o vapor enquanto a coligação PSD/CDS está a tentar 'fazer-se de morta'...

O alegado moderado e pacífico muçulmano


Ler notícia AQUI

sábado, agosto 08, 2015

As multinacionais da fé

Deus é uma perigosa ficção que conquistou, no início, gente primária e supersticiosa. Umas vezes extinguiu-se rapidamente, outras fez uma carreira gloriosa até atingir as classes poderosas que o confiscaram e transformaram em instrumento do seu próprio poder.

Se escasseiam os sócios, Deus dá origem a uma seita. Quando se reproduz e esmaga a concorrência, combate os indiferentes e passa a religião. Então, cria-se uma hierarquia, impõem-se regras, organizam-se as finanças e reduz-se a escrito a tradição oral sob os auspícios de um iluminado a quem Deus dita um livro, normalmente num sítio ermo.

As religiões do livro já foram a sofrida aspiração de quem tinha o medo e a fome como horizonte. O Paraíso tornou-se o bálsamo para o desespero, a aspiração inconsciente de uma sociedade sem classes, o desejo de pobres e infelizes se tornarem iguais aos ricos e poderosos, renunciando à luta.

A correlação de forças impôs em cada lugar a hegemonia de uma religião e definiu qual era, ali, o Deus. O Deus único e verdadeiro é o Deus de quem detém o poder, onde outro qualquer é pertença de quem não preza a vida. Muitas vezes foi expulsa a concorrência, com brutalidade e inaudita crueldade.

Foi então que se deu o salto dialético. A ficção institucionalizou-se, a vontade de Deus sobrepôs-se à dos Homens, a fé venceu a razão, o medo impediu o pensamento.

As religiões dividiram o mundo, de acordo com a sorte das armas, e nunca renunciaram ao proselitismo que impusesse o seu deus ao crentes doutro deus e, sobretudo, aos ateus. A distribuição de religiões tem áreas privativas e zonas de influência demarcadas que a globalização pôs em causa. Demolido o equilíbrio, acossadas pelo medo, algumas religiões entraram em histeria. Há o fantasma da extinção e do domínio de uma só.

O cristianismo, apoiado na cultura judaico-cristã, no poder económico e na força militar, partiu em vantagem para o ajuste de contas com o islão fanático. A ICAR pressentiu o perigo de o Vaticano se reduzir a um museu, subalternizado pelos protestantes, e tem tentado a fusão das várias correntes cristãs sob a hegemonia papal.

No seu proselitismo à escala planetária veio à tona o antissemitismo secular, o pasmo pela fé islâmica, a sedução pela intolerância e o fascínio pelo fanatismo, a acordar na ICAR a memória das Cruzadas e o entusiasmo do Santo Ofício, ora mitigado pelo papa de turno.

O próprio Opus Dei, uma espécie de braço armado do Vaticano, por ora sem recorrer ao terrorismo armado, não hostiliza o islão, com quem partilha ideias ultrarreacionárias, e recuperou o medo de uma alegada conspiração judaico-maçónica, a quem atribui, em delírio, a responsabilidade pelo agnosticismo, a laicidade e o ateísmo.

O Vaticano faz pressão para impor anacrónicas conceções aos Governos e ONGs e aguarda que se decida a correlação de forças para se empenhar na batalha final.

sexta-feira, agosto 07, 2015

Telefonemas a partir da esplanada do Café Trianon

No dia 11 de julho, cerca das 10 horas, entrei no Café TRIANON, em Coimbra, onde conheço muitos dos clientes habituais.

Fui o primeiro a chegar de um grupo que ia participar numa sardinhada na Murtinheira a convite de um amigo comum, na tentativa de levar alguém que não quisesse levar carro.

Enquanto esperava, não pude deixar de ouvir telefonemas de um militante do PSD que é cliente habitual. Só ao segundo dei conta, verdadeiramente surpreendido, do entusiasmo com que comunicava com eventuais correligionários.

- Preciso de que assines a candidatura do Henrique Neto.
- (…)
- Não, não se trata de apoiar, era o que faltava.
- (…)
- O nome aparece só na lista dos proponentes que vai para o Tribunal Constitucional.
- (…)
- Eu depois explico-te. Tens de assinar. Abraço.

A princípio estava surpreendido com o apoio de pessoas do PSD a uma candidatura de um velho apoiante do PCP e, mais tarde, militante do PS, de que foi deputado. Apesar da rutura com o aparelho partidário, não pensava que o PSD o pudesse apoiar mas, em breve, me lembrei de que há a tática e a estratégia.


Alguns países criam oportunidades, outros, oportunistas


quinta-feira, agosto 06, 2015

Há 70 anos, em Horishima

Para que não se repita

Os impolutos e castos cônjuges Passos/Portas

Os cônjuges e o Padrinho
As referência éticas da venda de Portugal a retalho andam em excesso de velocidade na azáfama eleitoral com que sonham a perpetuação no poder, à espera de ser multadas por excesso de velocidade, má fé e embuste.

O impoluto Passos Coelho, da Tecnoforma, cujo ascendente em Belém é enigma que o futuro desvendará, fez um casamento de conveniência com o casto Paulo Portas que foi administrador da empresa de sondagens “Amostra” falida fraudulentamente. Mas quem se lembra do caso Moderna ou da fina flor cavaquista que o BPN e o BES mancharam?

Na central de intoxicação da direita e, certamente, nos avençados deslocados nas redes sociais, a completar o trabalho da comunicação social que dominam, nota-se o dedo dos experimentados Miguel Relvas, Marco António e Paulo Júlio, além dos que irão depois denunciá-los, quando se zangarem as comadres, por falta de sinecuras.

O que sobressalta é a desfaçatez de quem reclama os louros do desastre e o talento da inépcia, na repetição tautológica das mentiras que levaram ao poder o mais impreparado PM e a mais servil maioria com o pior PR do regime democrático capturado.

Bastava um módico de pudor para não falarem de governação. Vê-se na dívida que não para de crescer, no desemprego que nos corrói, na falência da Segurança Social, em que se empenharam, na degradação da Saúde, Educação e Ciência, no desmantelamento do Estado e no exemplo da ruinosa governação dos seus caudilhos, da Região Autónoma da Madeira à Câmara Municipal de Gaia.

Estes indivíduos são perigosos. Os lugares abolidos por restrições orçamentais, estão a ser reabertos, em fim de mandato, com um PR que os deixa à solta, para pagar favores e acomodar cúmplices, além de preencherem com indefetíveis todos os espaços vagos ou esvaziados de quem não presta vassalagem.

Até os seus enxotam, quando não obedecem, como tentam agora na CGD.

É fartar, vilanagem!

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, agosto 05, 2015

Sentido de Estado

O que Pedro Passos Coelho, alegado PM, pensa da função social do Estado:

«[Há] uma malha extraordinariamente coesa e, ao mesmo tempo, disseminada de instituições de solidariedade social que ajudam em muito aquilo que é a concretização das preocupações que um Estado moderno e um Estado desenvolvido deve ter na área social.»

Pedro Passos Coelho, como PM, na inauguração do centro de reabilitação de Ourém)

O SR. Duarte Pio e a entrevista ao DN


Com o país a arder, a economia moribunda, o desemprego trágico e a dívida pujante, o DN, que há dias tinha publicado uma entrevista à mulher, dedicou hoje ao Sr. Pio cinco páginas completas. Só a capacidade de sofrimento de um republicano, ateu e democrata, permite o esforço de tentar descobrir ideias nos mitos do mais jurássico reacionarismo.

Para poupar os leitores ao suplício da leitura, respigo, segundo o meu critério, algumas afirmações interessantes do descendente do caceteiro Sr. D. Miguel, o cabotino real que ensanguentou o país na obstinação da monarquia absoluta.

O Sr. Duarte Pio começou por debitar uma fantasia que o salazarismo lhe inventou para o nacionalizar – o nascimento. Na véspera foi ao cinema na barriga da mãe donde foi para a Embaixada de Portugal onde nasceu “no dia seguinte às tantas da manhã”. Teve como padrinho de batismo o Papa Pio XII e como madrinha a rainha D. Amélia.

Sente-se mais à vontade nas questões de fé do que nas económicas, o que se entende. Considera injusto que se canonizem outros papas e Pio XII continue à espera. Acha que ‘Bento XVI também tem uma linguagem teológica muito rigorosa’ e ‘o Papa Francisco fala de improviso, um bocado como se fosse ainda um pároco na Argentina’ [sic].

Quanto à homossexualidade e ao divórcio, ‘tem de ser aberto, generoso e hospitaleiro com as pessoas que escolhem opções que a Igreja e a doutrina de Cristo consideram erradas. Mas não é razão para os tratar mal´, condescende.

Inventou, aos 10 anos, ‘um sistema que era um pano com uns ganchinhos e umas argolas para pendurar à volta do guarda-sol  e fazer uma tenda e, depois, umas cordas para segurá-los à areia’, porque, nas praias, não havia abrigo para o sol.

O pretendente à coroa inexistente, começou por saber, na Suíça, que em Portugal ‘havia políticos maus que não nos deixavam voltar [onde nunca estivera]. Quanto às eleições, só vota nas autárquicas e nas últimas não votou ‘porque era amigo de vários candidatos e por isso acabei por não votar para não ter de escolher entre eles’. Acha que, se fôssemos uma verdadeira democracia, não se proibia na Constituição que o povo português se pronunciasse quanto à forma da chefia do Estado (talvez de forma definitiva, digo eu).

Falou do convite que Ronald Reagan lhe fez para se candidatar a PR [de Portugal, não dos EUA] para depois fazer um referendo sobre a monarquia. E confessa: «Admiro muito e gosto muito do nosso Presidente [Cavaco] e do general Ramalho Eanes e outros que tivemos antes. O único presidente com quem a família teve problemas foi o Craveiro Lopes» (presumindo-se que Carmona e Tomás eram tão bons como o atual).

Finalmente, para não maçar os meus leitores, só acrescento que o Sr. Duarte Pio usa ‘com cuidado o telemóvel, de preferência à distância, «porque não quero ter as radiações das micro-ondas a fritarem os meus miolos», como se fossem abundantes os neurónios em quem tem tão pouco miolo!

terça-feira, agosto 04, 2015

Boa Pergunta

«É legítimo perguntar se os 267 mil habitantes da Madeira têm mais direito a uma substancial redução do IVA e do IRS  do que aqueles que, dos 3,7 milhões de residentes na Região Norte, têm menor rendimento disponível (…)»

(José Mendes in Jornal de Notícias)

 – [Só não percebo que refira apenas a Região Norte e não o País]

Factos & documentos


segunda-feira, agosto 03, 2015

Bendito caruncho


Há 47 anos, antes de um novo milagre da defunta rainha Santa Isabel, a cadeira cumpriu a obrigação para que o caruncho laboriosamente a tinha preparado.

Recordar Américo Tomás – Silly season

Eis aqui um post de Helena Pato publicado em «Fascismo nunca mais», com a devida vénia à divulgadora da pequena antologia:

«Ah grande Presidente da República (durante 16 anos)! _ dignas de registo ficaram estas e outras frases...

“Comemora-se em todo o país uma promulgação do despacho número Cem da Marinha Mercante Portuguesa, a que foi dado esse número não por acaso mas porque ele vem na sequência de outros noventa e nove anteriores promulgados...”

“A minha boa vontade não tem felizmente limites. Só uma coisa não poderei fazer: o impossível. E tenho verdadeiramente pena de ele não estar ao meu alcance.”
“É uma terra [Manteigas] bem interessante, porque estando numa cova está a mais de 700 metros de altitude...”

«O Senhor Professor Oliveira Salazar, ao longo de mais de trinta anos, é uma vida inteiramente sacrificada em proveito do país, e desconhecendo completamente todos os prazeres da vida, é um homem excepcional que não aparece, infelizmente, ao menos, uma vez em cada século, mas aparece raramente ao longo de todos os séculos.»

«Eu prolongo no tempo esse anseio de V.Ex.ª e permito-me dizer que o meu anseio é maior ainda. Ele consiste em que, mesmo para além da morte, nós possamos viver eternamente na terra portuguesa, porque se nós, para além da morte vivermos sempre sobre a terra portuguesa, isso significa que Portugal será eterno, como eterno é o sono da morte.»

«Neste almoço ouvi vários discursos, que o Governador Civil intitulou de simples brindes. Peço desculpa, mas foram autênticos discursos.»

«Pedi desculpa ao Senhor Engenheiro Machado Vaz por fazer essa rectificação. Mas não havia razão para o fazer porque, na realidade, o Senhor Engenheiro Machado Vaz referiu-se à altura do início do funcionamento dessa barragem e eu referi-me, afinal, à data da inauguração oficial. Ambas as datas estavam certas. E eu peço, agora, desculpa de ter pedido desculpa da outra vez ao Senhor Engenheiro Machado Vaz.»

Curiosidades...




Nepotismo? – Não, apenas um curso a aproveitar nas funções.

Não se sabe se foi o pedigree do nome – uma ‘De Bellegarde’ –, o cartão da madraça da JSD ou a amizade com o Sousa Lara de turno que serviu de pós-graduação ao curso da protésica, mas esta curiosidade de 2013 repetir-se-á até ao último dia deste Governo.


Há uma explicação mais prosaica, o cuidado dedicado aos dentes por estes governantes. Eles sabem que o eleitorado lhos poderá partir, nas urnas, em outubro. 

domingo, agosto 02, 2015

Se abençoasse os governantes...

...Como outrora se pedia nas missas portuguesas ao deus dos Srs. padres, em relação aos governantes salazaristas!

PAF - o pseudónimo de uma coligação perigosa

Quem tem esta linhagem devia aproveitar os cartazes antigos


sábado, agosto 01, 2015

A indigência não evita a venera


Cabo dos Forcados de Santarém, momentos antes de receber a medalha de grau de Membro-Honorário da Ordem do Mérito atribuída por este Presidente da República.