domingo, abril 10, 2016

O PR, a Constituição e a separação de poderes

A fase terminal do anterior inquilino de Belém foi de tal modo amarga e dilacerante que ao alívio da saída se juntou o júbilo da chegada de um PR inteligente, empático e culto, sem negócios escuros, condutas dúbias ou antecedentes próximos antidemocráticos.

Foi assim que a apoteose da chegada se prolongou, graças à empatia e sentido cénico do novo PR. Não fora o beija-mão papal, um ato de subserviência indigno do presidente de um país soberano e laico, e tudo se conjugava para uma lua de mel interminável com os portugueses, incluindo muitos dos que não votaram e dos que votaram contra ele.

Passado o primeiro mês, começa o desgaste da frenética presidência em que parece que quem governa é o PR, quem marca a agenda política é o PR, quem comanda os outros órgãos de soberania é o PR.

Ora, o Governo responde exclusivamente perante a AR, a condução da política externa é da exclusiva responsabilidade do Governo e os Tribunais gozam da independência que a CRP lhes garante.

O exótico convite a Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, para participar no Conselho de Estado, permitiu que o órgão consultivo do PR, cuja composição consta da CRP, acolhesse um alto funcionário europeu, não eleito, defensor de um modelo que escapa ao escrutínio dos cidadãos e indiferente à soberania portuguesa. Mau prenúncio!

O hipercinético PR aparece em todos os jornais, canais televisivos, emissoras de rádio, conversas de café, de rua e de casa. Tem o dom da ubiquidade. Está em toda a parte. É omnipresente.

Até já tenho medo de puxar o autoclismo.