sexta-feira, setembro 16, 2016

Brasil: FHC, Lula, Dilma, Temer e …?

O Brasil está em pleno rebuliço. Depois da destituição de Dilma a nova presidência encabeçada por Temer começou a preparar as próximas eleições presidenciais.
Pelo meio o PSDB despachou Eduardo Cunha um peão do tipo Kleenex (de usar e deitar fora) para promover o impeachment de Dilma que não logrou prever a armadilha para onde foi empurrado.
Agora, vão começar a ser despachados, um a um, os eventuais adversários. E dos possíveis candidatos, Lula da Silva, transitou de suposto indiciado para o ‘general’ da corrupção na Petrobrás e o PT transformou-se no alvo principal da ‘operação Lava-Jacto’. link
Todo este conturbado trânsito judicial começa a esclarecer em que estado está a política brasileira e como o Estado pode estar a ser capturado por uma ‘deriva justicialista’. Se ninguém puser cobro a esta deriva as próximas vítimas serão os autores e actores do impeachment, com Michael Temer à cabeça. O caminho que se está a ensaiar não andará longe dos contornos de um ‘neo-peronismo’ serôdio. A tessitura ideológica é bem conhecida mas interessa neste momento perceber qual o percurso.
Tal como na Argentina dos tempos de Perón quando se promoveu a defesa do ‘justicialismo’ estamos perante um modo de abordagem política simultaneamente providencialista e populista.
Na década de 40 o peronismo nunca conseguiu alijar – ou disfarçar - as suas simpatias com os movimentos fascistas europeus.
Hoje, a ‘rectificação brasileira’ também não consegue iludir a conivência com as doutrinas neoliberais, mas poderá também ser a ‘versão canarinha’ de uma paulatina guinada europeia e americana para os resvaladiços terrenos da extrema-direita.
Uma coisa é certa. Temer não tem estatura política para encarnar a personagem de ‘redentor’ e, deste modo, usurpar a presidência da República Federal em moldes peronistas ou neoperonistas. Portanto, no meio da confusão reinante, existem mãos e interesses escondidos. Falta descortinar ‘quem’ porque ‘o quando’ já iniciou a sua demolidora marcha.
Não andaremos muito longe da realidade se apostarmos num período de domínio político que poderá gravitar à volta de um ‘radicalismo evangélico’ cujo protagonista – ainda embuçado - sairá dessas fileiras e será imposto através do ‘império mediático’ que as igrejas pentecostais (e neopentecostais) controlam no Brasil. Poderemos estar na antecâmara da instauração, em Terras de Santa Cruz, de uma 'República Evangélica'...