sábado, outubro 01, 2016

Passos Coelho (PPC) e o PSD, ‘social-democrata, sempre!’


É preciso topete!

Quando o menos preparado e mais implacável serventuário do neoliberalismo aderiu ao slogan “social-democrata, sempre!”, admitiu que a confederação de interesses que o fez PM, o aguentaria sem o poder e que os eleitores se deixariam enganar segunda vez.

A falta de memória que o levou a esquecer pagamentos à Segurança-Social, defeito comum a Cavaco, que se esqueceu do notário onde fez a escritura da vivenda Gaivota Azul, e que, por insondáveis desígnios o queria manter PM, a falta de memória – dizia –, levou PPC a esquecer a história do PSD.

Lembrar-se-á de que o PPD votou contra a legalização da IVG, na primeira tentativa da AR para acertar o passo com a modernidade, e que, juntamente com o CDS, chumbou a lei que permitiria, apenas, evitar a prisão a mulheres que interrompessem a gravidez nos casos de malformação do feto, risco de vida e violação? Foi misoginia ou perversidade? E que só quatro deputados (4) tiveram vergonha de as condenar à prisão, tendo Natália Correia e Helena Roseta, duas notáveis mulheres, responsáveis por dois desses votos, acabado por abandonar o partido?

Hoje, nem Relvas e Marco António seriam capazes de o reconduzir. A telegenia já não é a mesma e, tal como na Madeira, quando Jardim se tornou ativo tóxico, o PSD aguarda a oportunidade para o descartar, apesar dos interesses que ainda congrega.

PPC, tal como o CDS, eterno ornamento do PSD, diz defender o SNS, e só o quiseram desmantelar. Social-democracia? Quando e com quem? Com Emídio Guerreiro, Nuno Rodrigues dos Santos, Magalhães Mota ou Sousa Franco, todos falecidos? Terá ouvido falar deles?

Deixo aqui referência ao voto do partido que PPC continua a liderar quando o SNS foi aprovado. É a esse mau momento que ele continua fiel e aos interesses que tal voto refletiu.

1 Comments:

At sábado out 01, 10:11:00 da manhã, Blogger e-pá! said...

A propósito do SNS a Oposição PSD (a mesma que votou contra a criação do SNS como o post exibe) apareceu na arena parlamentar, há dois dias, para representar a rábula da defesa do serviço público de saúde, nos seguintes termos:
O SNS é uma realização demasiado importante para que a irresponsabilidade financeira de um Governo social-comunista possa acabar por pôr em causa o regular funcionamento dos serviços públicos de saúde e, com isso, o próprio acesso dos cidadãos aos cuidados de saúde”. Trata-se de uma declaração política proferida em nome do PSD no plenário da AR, proferida pela deputada Ângela Guerra. link.

É difícil, numa curta tirada, dizer tantas aleivosias.
Primeiro, sobrepor a questão financeira, relacionada com eventuais atrasos de pagamentos, absolutamente endossáveis a um brutal ‘estrangulamento’ (investimento, inovação e formação), feito durante 4 anos, protagonizando um indisfarçável 'ajustamento' a padrões terceiro-mundistas, feito à custa de cortes orçamentais cegos e do cerceamento de direitos sociais e laborais.

Na verdade, a rábula da sustentabilidade (financeira) do SNS só seria aceitável (no plano político) depois de clarificar que, de facto (e na vida), só sustentamos aquilo em que acreditamos, gostamos e queremos preservar para futuro (e o documento-imagem do post diz tudo sobre estes ‘créditos’).

Depois, utilizar o armamentário do tipo ‘fundista’ (do FMI) para tentar esconder a aversão política doentia a tudo o que é público. Se calhar o pensamento oculto da deputada que materializou a comunicação política, seria o SNS colocar as dívidas em atraso naquela empresa para aonde foi trabalhar a anterior ministra (Marai Luís Albuquerque)...

A sobrevivência do Estado Social continua a ser uma bandeira da Esquerda (‘social-comunista’, como lhe chama a deputada), das poucas que ainda lhe restam que pode ser esgrimida contra uma Direita que, se quisemos usar a terminologia caceteira neoliberal, poderíamos - também - designar por ‘social-fascista’.
E o social só fica aí porque o plano oculto da Direita passa pelos desejos de uma entrega misericordiosa do SNS ao sector social (Igreja, Misericórdias, etc.), onde pontifica o assistencialismo e a caridadezinha.
O fascista vem da herança que remota aos tempos da ditadura de um serviço de saúde simultaneamente assistencialista, previdencial, mas no fundo pouco mais do que piedosamente sistema caritativo e providencial.

 

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