terça-feira, novembro 15, 2016

Europeísta sofre...

Enquanto muitos, por boas ou péssimas razões, apostam na implosão da UE, certamente com imensas probabilidades de terem uma efémera alegria, há boas razões para temer a tempestade perfeita que se aproxima.

Os nacionalismos fervilham, os empregos escasseiam, a xenofobia medra, as diferenças sociais acentuam-se, o crescimento económico estagnou e a crise bancária acompanha a dos valores morais que são a matriz da civilização europeia (com interrupções cíclicas).

A autoexclusão do Reino Unido da União Europeia é o exemplo para a debandada de vários países que não têm as tradições democráticas dos ingleses. A eleição de Trump é a panela de pressão que rompe o civismo a que os políticos europeus se obrigavam.

As ambições territoriais e a desregulação dos equilíbrios que, diga-se, não foram felizes nem justos, são o fermento de uma época de incerteza e de violência sem antídoto.

Há países fragilizados a fecharem-se nas suas fronteiras, outros a ameaçarem dividir-se e, alguns, apostados, como no passado, a reconstituir impérios ou califados, enquanto a multidão de desesperados procura a Europa, com terroristas infiltrados.

A estadista que resta é a Senhora Merkel cada vez mais ameaçada pela extrema direita, que ressuscita; a comissão Europeia não teve, depois de Jacques Delors, um sucessor à altura das funções; a moeda única, agora ameaçada, é o que resta do sonho europeu. Os países vão sucessivamente deslizando para extremismos numa febre de mudança sem se interrogarem quanto ao rumo.

Estamos à mercê da chantagem, do medo e da irresponsabilidade dos que foram eleitos pelo único método que defendo.

Não sou um europeísta desencantado, sou um europeu cético quanto ao futuro da Humanidade.

2 Comments:

At terça nov 15, 06:46:00 da tarde, Blogger manuelpereirabarros Meira said...

Oh homem,europeísta descrente: então não se lembra de a Europa estar dominada pela extrema-direita,nomeadsmente Alemanha,Áustria,Polónia,Checoslováquia,Jugoslávia,Roménia, Bulgaria,Albânia, Itália, Grécia, França,Belgica,Luxemburgo,Holanda,Dinamarca,Noruega,Espanha Portugal! E o que aconteceu a seguir estuda-se em História!
E o senhor já desanima ? Arre mundo !!!

 
At terça nov 15, 07:50:00 da tarde, Blogger Carlos Esperança said...

MPB:
Desanimo, de facto. E recordei a História: «...e a crise bancária acompanha a dos valores morais que são a matriz da civilização europeia (com interrupções cíclicas).»

É mais uma dessas interrupções que pressinto.

 

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