quinta-feira, novembro 24, 2016

PSD e o que parece não é.mas é...

As afirmações do líder do grupo parlamentar do PSD, Luís Montenegro, ao jornal digital Observador no sentido em que não está aberto um processo de sucessão na liderança do partido são significativas pelo que foi dito e pelo ocultado.
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Montenegro considera essas conjeturas uma ‘espuma mediática’ e decididamente envolve-se nessa espuma esbracejando, para manter-se à tona, mas acabando por afogar-se nela inundados de contradições.
Por outro lado, pretende esconder ‘movimentações internas’ que são referenciadas diariamente como se fossem expressões argumentativas já que não tem coragem de lhes chamar ‘delitos de opinião’. O facto de o PSD ter colocado o processo eleitoral autárquico em 'banho-maria' faz parte de uma estratégia suicida de ‘acalmar’ a tempestade que de anuncia.
 
Montenegro deve conhecer a expressão de que não há fumo sem fogo e a sua ‘espumosa conceção’ sobre o assunto ou é derivada de correnteza das águas ou já há alguém no meio da agitação a abrir garrafas de champanhe.
 
O salvo-conduto da atual direção Passos Coelho passava pela rápida implosão do Governo PS enredado em contradições, exigências e traições com as posições conjuntas subscritas por toda a Esquerda. Embora na governação nem tudo esteja bem, nem tudo tenha corrido bem, nem tudo tenho chegado aonde deveria, há uma lição que este PSD teima em ignorar. A Esquerda não está disposta em oferecer de bandeja o poder à Direita como de certa maneira ingénua e maniqueísta o proporcionou em 2011.
Nem que venha o diabo. É esse desejo redentor que leva o atual dirigente a anunciar amiudadas vezes o mafarrico como tábua de salvação.
 
Desde há duas semanas que o avanço de Rui Rio para a liderança do PSD é notícia no Observador link, no Jornal de Notícias link, no Expresso link, etc.
Estamos portanto sentados em cima de uma máxima que tem sido usada por muitos políticos de variados quadrantes, desde o velho ditador Salazar, que sugere: ‘em política o que parece é’.
 
Resta saber o que será em termos políticos, para o País, uma nova liderança do PSD e esse é o novo desenvolvimento em suspenso porque de resto estamos confrontados com uma defenestração, em marcha. E sabemos que a História não se repete. Não será fácil ao PSD depois de uma profunda deriva neoliberal regressar a padrões centristas e é praticamente impossível abraçar matizes (mesmo que discretas) 'sociais-democratas'. Há viagens sem regresso. O caminho mais fácil é a nova 'via populista'. A vida, para quem a ideologia é um artefacto, tem tentações irresistíveis. Vamos ver.
 
Finalmente, o facto de Luís Montenegro ter abordado o assunto é um iniludível sintoma de que o processo de substituição já começou. E neste caso substituição significa refundação o que não é uma tarefa fácil, nem célere, nem obra para carreiristas.
Os apressados e  atabalhoados desmentidos políticos sempre funcionaram deste modo neste País.