quinta-feira, junho 30, 2016

As charadas de Schäuble


Para uma boa compressão de que como foi possível o Brexit sair vencedor no referendo britânico basta ler as recentes declarações do Sr. Wolfgang Schäuble sobre o nosso País link.

Com políticos deste quilate é impossível construir uma União Europeia. Todavia, a aparentemente descuidada peroração do Sr. Schäuble não foi tão inocente e precipitada como o político alemão pretende fazer crer.

’Living the dream’ (neoliberal) é uma boa expressão para julgar disparates deste tipo.
Numa encruzilhada política causada pelos recentes e graves acontecimentos na Europa, lá aparece o dito senhor a palrar sobre mais ‘resgates’. Aliás, o que o Sr. Schäuble deseja ardentemente é uma reprise da situação que se verificou, em 2015, com a Grécia, em que a teoria da ‘vacina’ foi aplicada para ‘castigar’ veleidades eleitorais do povo helénico. Trata-se do mais curto caminho para chegar ao fim da União.
Interessante é perceber a oportunidade. O ministro alemão estava a ser questionado sobre o Deutshe Bank. De repente lembrou-se de um novo resgate para Portugal. Não é trocar alhos por bugalhos é o inconsciente a funcionar. 

Por enquanto, a vida do dito senhor tem corrido sobre rodas mas não é líquido que a Europa aguente por muito mais tempo tanta arrogância, sobranceria e displicência. Para colocar a cereja em cima do bolo só falta aprovar as sanções contra Portugal e Espanha por ‘défice excessivo’. Em certa medida esta ‘confidência’ do Ministro das Finanças alemão vai nesse sentido…
Depois, só falta instituir sanções por défice de clarividência ou de honestidade que, como este exemplo mostra, candidatos não faltam.
 
Mas isso encaixa noutra história. A narrativa da Direita de que a Esquerda não sabe o que está a fazer e atira sempre as culpas para a Alemanha.

O intolerável senhor Wolfgang Schäuble

O intragável ministro das Finanças, talvez pudesse ser um bom ministro de uma Europa alemã, mas é inaceitável como ministro de uma Alemanha europeia.

A arrogância e falta de ética com que tentou violar as leis europeias no caso do Chipre, querendo suspender a cláusula que garante 100 mil euros a cada depositante bancário, reiterou-a ao admoestar o presidente do BCE cuja independência está consagrada.

O incendiário da UE, que agora prejudicou gravemente os interesses de Portugal, é um implacável arruaceiro que não tolera desvios à política monetarista da ala mais radical do PPE. Ao dizer que Portugal precisaria de segundo resgate, para depois o negar “Os portugueses não o querem e não vão precisar se cumprirem as regras europeias”, quis agredir um governo democrático na defesa do pensamento único que lhe quer impor por não ser subserviente. E sabe como fragilizá-lo, de forma ignóbil, com a subida de juros.

A insolência do sr. Schäuble, após referendo do RU, permite-lhe ignorar a 2ª economia da Europa e 6ª do mundo, membro do G7 (e G8), do Conselho de Segurança da ONU e fundador da NATO, e uma das duas únicas potências nucleares da Europa, esquecendo que é o país que felizmente derrotou o seu nas duas últimas guerras mundiais.

O sr. Schäuble é um daqueles filhos cujas mães os portugueses gostam de insultar sem as conhecerem.

A União Europeia (UE) e Portugal

A Comunidade Europeia do Carvão e do Aço iniciou a união política e económica dos países europeus, a partir de 1950. Contava então apenas com os seis países fundadores, Alemanha, Bélgica, França, Itália, Luxemburgo e Países Baixos. Em 1957 o Tratado de Roma instituiu a CEE ou “Mercado Comum”.

Os EUA federaram-se em 1787 e só tiveram banco central e moeda comum em 1913 e a UE adquiriu a soberania monetária, atributo principal do federalismo (BCE e Euro), em apenas meio século, sem participação democraticamente legitimada.

A verdade é que os países a aceitaram e, depois disso, o recuo tornou-se irreversível. A saída da moeda única é possível, tal como de um comboio a circular em alta velocidade. Os países readquirem a soberania total, mas é fácil imaginar o valor das reformas e do trabalho dos portugueses se voltassem a ser pagos em escudos e, ao ritmo a que se pode imaginar a sua desvalorização, como pagaríamos dívidas, incapazes de pagar em euros, e quem nos daria crédito para manter a economia a funcionar.

Contrariamente ao que se apregoa, o federalismo moderno, nascido em 1787, nos EUA (Constituição de Filadélfia) não absorve a soberania dos estados e povos federados. Uma federação exige Estados de direito, liberdade na educação, justiça penal e eleições livres. A transferência de poderes numa soberania partilhada é voluntária e não constitui humilhação, é o corolário de um espaço de livre circulação que não se limita à moeda e se estende às pessoas. A integração económica, social e política é imprescindível para objetivos comuns, que vão da defesa à diplomacia e da segurança à última instância da Justiça, mas não há neste momento condições políticas que a viabilizem.

O federalismo não é, na minha opinião, esse doentio pavor nascido nas incubadoras dos nacionalismos, é a forma mais avançada da evolução do feudalismo.

Os estados americanos não gozam de menor autonomia do que Portugal em relação a Bruxelas e beneficiam de mais segurança coletiva. O mesmo sucede com as repúblicas da federação russa onde muitos se obstinam em ver uma ditadura sem olharem para a Hungria, Polónia, Ucrânia e o que ainda aí virá.

A União Europeia ou caminha para o federalismo ou implode, mas é duvidoso que volte a haver condições e que os povos o desejem. A pulsão suicidária é enorme, os genes do tribalismo mantêm-se e há quem prefira a democracia referendária à parlamentar e, até, quem abomine a democracia.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, junho 29, 2016

O que é privado é que é bom

O que é privado é que é bom, no mínimo uma empresa pública (EP), da água ao ar, dos transportes à energia, dos aeroportos aos bancos, da educação e saúde às comunicações.

Sem a privatização a eletricidade era de má qualidade, a avaliar pelo preço, o kw valia metade; a água de Coimbra passou da CMC para os SMASC, uma EP, e passou a valer o dobro, mas como não distingo a água benta da outra, passei a distinguir a água vulgar pelo custo, duplicou; o ramal ferroviário da Lousã passou a Metro de Coimbra e passei a viajar com mais conforto, com ar condicionado, sem cheiro a suor, de automóvel.

Talvez o maior benefício tenha sido a privatização dos CTT. As cartas não chegam com aquela arreliadora pontualidade, os distribuidores vêm quando podem e abandonam o correio onde calha. No prédio onde moro, jaz uma carta, há cerca de quatro meses, para alguém que desconheço. O carteiro deixou-a no número e andar certos, apenas trocou a Rua António Jardim pela Praceta de S. Sebastião. Hoje veio uma carta para mim, com o número e andar certos, apenas faltava indicar o lado, e o carteiro deixou-a avisadamente fora da caixa onde estão visíveis os nomes dos moradores. Como sucedeu o mesmo com outros, foi um exercício estimulante a procura e motivo de júbilo encontrá-la.

Quando o Estado abusivamente tinha serviços públicos havia um mártir do outro lado da linha telefónica, a escutar as queixas dos clientes, agora temos um disco que nos vai pedindo para clicarmos num algarismo, para nos dirigir ao sítio certo, onde nos pedem para telefonar mais tarde porque, por excesso de chamadas, não é possível atenderem.

Ainda há quem tenha saudades daquele Estado totalitário de que Cavaco, Passos Coelho e Portas se esforçaram por nos libertar. Somos ingratos.

Saudades do afeto de Cavaco Silva

«Portugal não precisa de líderes rendidos a esta lamentável cultura de afetos»

(Graça Canto Moniz, responsável pelo gabinete de estudos do CDS/PP)

terça-feira, junho 28, 2016

Oscar Mascarenhas

O livro póstumo do grande jornalista Oscar Mascarenhas é um verdadeiro curso de ética jornalística, mas é sobretudo um guia imprescindível para o leitor aprender a ler o que os jornalistas escrevem e a julgá-los pelo crivo exigente do antigo presidente da Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas.

O Referendo e o referendo do Reino precariamente unido

O Referendo é um instrumento democrático genuíno e perverso. A opção sim ou não é redutora, capaz de distorcer a vontade dos eleitores e de afirmar a pior vontade e o mais refinado ressentimento.

A experiência portuguesa tem revelado indiferença a este instrumento e creio que nunca foi vinculativo, por não ter atraído às mesas de voto um mínimo de 50% dos eleitores.

Votei contra a regionalização, que defendia, em divergência com as oito regiões. Queria cinco e a reforma administrativa prévia que garantisse melhor organização, em vez de se acrescentarem oito autarquias às existentes. O meu Não foi o de um ‘Sim, mas’.

A saída do Reino pouco unido e da Irlanda do Norte debilita a União Europeia e torna-a ainda mais vulnerável aos perigos que nascem fora e, sobretudo, dentro de si. Não é por acaso que os partidos populistas exultaram com o resultado e lamento que os partidos de esquerda não vejam para que lado pende hoje a balança eleitoral.

A UE perde a mais antiga democracia do mundo e, na sua insolência burocrática, já é com ameaças que se dirige a Londres como anteontem Catarina Martins a Bruxelas. Destaca-se, mais uma vez, a ponderação de Merkel, perante a sede de vingança dos que humilharam a Grécia. A desintegração da UE será dramática para a Europa e, sobretudo, para Portugal. Aqui, junto ao Oceano, espreita o regresso à miséria e à ditadura.

Detestei a soberania portuguesa, tão total e totalitária, que alcançava quatro continentes. ‘Orgulhosamente só’. Foi o resultado de um referendo, à Constituição Política de 1933, que bloqueou a liberdade do País, que jamais gozara um tão longo período democrático como depois do 25 de Abril, nem de tão acelerado desenvolvimento.

Com todos os seus defeitos, acredito na democracia política e dispenso a referendária.

Podemos estar na iminência de um terramoto maior do que o provocado por Wall Street, em 1929, ou pela falência do Lehman Brothers, em 2008. Basta um país deixar a moeda única. E temos vários candidatos. O resultado pode não ser pacífico e será catastrófico.  

Apostila – Há quem distinga entre plebiscito e referendo, como o faz Boaventura Sousa Santos, mas são sinónimos. A diferença que me ocorre é a de as abstenções terem sido consideradas votos “SIM” no plebiscito que um execrável ditador promoveu em 1933.

segunda-feira, junho 27, 2016

Em busca da notícia


Espanha

A repetição de eleições não alterou substancialmente os resultados das anteriores. Como previsto, o PP cresceu (+14 deputados), continua o maior partido, e o PSOE perdeu (-5), e, contra todas as sondagens e previsões, continua o maior partido de esquerda.

O PP ganhou, o PSOE decide, e o futuro governo é de novo uma incógnita.

O Podemos, aliou-se aos comunistas (IU) e falhou o objetivo de alcançar, em coligação, mais deputados do que o PSOE. Com mais dois mandatos, perdeu no confronto quer em deputados quer em votos. Uma estratégia falhada.

Ciudadanos (CS) perdeu 8 dos 40 deputados obtidos nas últimas eleições e dissolve-se numa direita que não há escândalo ou conspiração que a abale.

Em resumo, o PP é o partido mais votado, o PSOE o único capaz de decidir o Governo e o Podemos o que pode optar entre alimentar o separatismo ou participar no poder.

Depois da repetição de eleições, a situação política mantém-se, o eleitorado dá sinais de cansaço, a economia ressente-se, a União Europeia tem mais um problema e Portugal não sai incólume do que se passa ao lado.

domingo, junho 26, 2016

A UE, o BREXIT e gestão de danos ….


O impacto do Brexit na política comunitária europeia é incontornável. Muito embora a união política seja um arremedo não é possível avançar numa integração económica e financeira sem o mínimo sustentáculo político. E a fuga a este pressuposto poderá estar na origem dos múltiplos problemas europeus. Esta é uma das constatações directas, um pouco ao estilo lapalissiano, do Presidente da República numa recente deslocação a Mafra link.

A entourage que corteja Angela Merkel e o Sr. Schäuble e está aboletada em Bruxelas vai – muito embora contrariada – tomar consciência que andar a tramar ‘soluções’ nos gabinetes acaba por chocar com a realidade política das nações que lhes pagam o ordenado.

Um exemplo carismático dessa situação é a (di)gestão de conflitos e a manutenção de aparências de equidade para justas soluções. 
Há cerca de 1 ano, Julho de 2015, na Grécia, o Governo recém-eleito promoveu um referendo sobre a aceitação das condições que estavam a ser impostas por Bruxelas por interpostos figurantes armados em representantes dos ‘credores’. 
O resultado foi um expressivo Não [!] link e a partir daí desenvolveu-se uma clamorosa chicana política que desembocou em severas medidas de retaliação sobre o povo grego. O staff europeu pretendeu, sob a batuta de Schauble, o estímulo do FMI e a colaboração da Comissão Europeia (presidida pelo obscuro Durão Barroso), castigar exemplarmente as ditas ‘ovelhas negras e tresmalhadas’. 

Por cá, Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque, tentaram passar incólumes a esta vergonhosa cilada a um ‘parceiro europeu’, transformado em ‘inimigo’ (dos mercados?), em que colaboraram silenciosa e vergonhosamente. Um dia Varoufakis terá oportunidade de esclarecer cabalmente esta situação. 

O referendo grego não foi um plebiscito à permanência na UE, bem pelo contrário, foi – simultaneamente - uma reacção popular contra os métodos de resgate que a UE estava a impor, dentro de um quadro de integração da comunidade europeia. 
A reacção dos líderes europeus foi simplesmente vergonhosa e num ápice espezinhou-se o veredicto popular contrapondo uma informe ‘vontade europeia’, nunca sufragada.

Hoje, a União, confrontada com mais um referendo, este de outra amplitude e motivações, acaba por dar conhecimento a Bruxelas de uma rejeição que ultrapassa os insidiosos métodos e as soluções (económicas e financeiras) que têm sido desenvolvidos para os países em dificuldades, sendo que o patamar decisório tinha por objecto uma questão fundamental: o divórcio frontal do projecto europeu. Se fossemos ‘centristas’ não deixaríamos de sentir o misterioso incenso das coisas ‘irrevogáveis’.

No período pós referendo imediato começaram já a soar as trombetas dos adeptos de uma punição exemplar à Grã-Bretanha. Mais uma vez Wolfgang Schäuble a encabeçar os habituais algozes link. Todos sabemos que a Grã-Bretanha não é propriamente um país em dificuldades. Ser a 5ª. potencia económica mundial, ter assento e direito de veto no CS da ONU, possuir o maior centro financeiro europeu, dispor das mais operacionais e bem equipadas forças armadas europeias, entre outras coisas, não facilita a pretensão de novas vindictas vindas de Bruxelas.

Aliás, uma retaliação em força e dura contra o reino de Sua Majestade link, não sossegaria os cidadãos europeus, nem teria a virtude de resolver os prementes problemas que transitaram - desde 5ª. feira passada - da nebulosa e confusa saga de construção europeia, sempre postergada, para uma concreta, imediata e abrupta luta pela sua sobrevivência.  Deixou de fazer sentido um jargão recorrente na boca dos burocratas europeus que a cada nova crise (que não controlavam ou provocavam) bradavam seraficamente por ‘Mais Europa’. De vitória em vitória esses burocratas chegaram a ‘Menos Europa’, quando não ao seu desmembramento.

O que se impõe é procurar as causas remotas deste ‘exit’, obviar - se possível – a novos abandonos. E começa a existir a consciência de que o ‘olho do furação’ poderá não estar localizado no canal da Mancha mas provavelmente assombrará os céus de Bruxelas. 
O primeiro ‘toque’ (ou remoque) já foi publicamente expresso ao Telegraph pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros da República Checa (Lubomír Zaorálek) link .

A confusão e indefinição gerada pelo pós-referendo britânico não deverá servir para isentar de culpas (‘salvar’) os eurocratas.
Depois das negociações de Fevereiro 2016 entre David Cameron e Jean Claude Juncker para adornar e condicionar o referendo link  link, violando regras comuns europeias, parece muito estranho que só o primeiro venha anunciar a sua demissão.

Inglaterra - Pedido de SOS


Lógica laica

Um desenho de Dilem para o jornal Liberté Argel.

sábado, junho 25, 2016

BREXIT e as alucinadas visões de Montenegro e Passos Coelho…

As declarações do PSD acerca do resultado do Brexit são espantosas. O líder parlamentar Luís Montenegro faz um escabroso aproveitamento político dos resultados e chega a uma fantasiosa conclusão para consumo paroquial. 
A cantilena repetida à saciedade pelo seu partido, quando tinha responsabilidades governativas, exaltando a tónica dos compromissos do País com os nossos ‘parceiros europeus’ afinal poderá não ser bem assim. 
Quem o ouve será levado a supor que, também, saímos da UE e tão somente “estamos dependentes de nós próprios” link. Em que ficamos?

Passos Coelho entrou na 'diarreia comunicativa' sobre o Brexit com considerações generalistas do tipo não me quero comprometer porque tenho muitos amigos em Bruxelas, Berlim e Frankfurt link
À margem do Brexit e para sossegar os portugueses, invocou o Tratado Windsor (séc. XIV) que consagrou a aliança do reino português com a Inglaterra como parte integrante do dote de um casamento entre a casa de Avis com a família inglesa de Lencastre. Mas esqueceu-se que quando se envereda por uma deriva histórica convém abranger uma plêiade de situações e não ignorar, por exemplo, o Ultimatum de 1890, onde a dita aliança foi liminarmente substituída pela brutal imposição dos interesses britânicos.

Nada na Europa incomoda Passos Coelho em termos estratégicos. Fica-se por tacticismos imediatos do tipo “sem dramatismos ou intenções de punição”. Na realidade, percebemos agora porque este dirigente existiu durante o auge da crise económica e financeira europeia como um ‘bom aluno’. As mais recentes declarações revelam-nos que essa imagem foi criada para exibir na praça pública como alguém capaz de vergar a espinha servilmente sempre que confrontado com qualquer tipo de problemas.  

As tonitruantes declarações de amor à UE destes dois políticos não convencendo os cidadãos pelo contrário mostram como é frágil a situação europeia.

Na verdade, o referendo britânico abriu uma profunda ferida na União que este lídimos delegados nacionais do ‘populares europeus’ (e não o inverso) pretendem cicatrizar atirando para a 'União' mais ‘statu quo’. Quando o fim desta 'entente' – que deixou de ser 'cordiale' - é sentido por todo o lado aparecem os arautos de que tudo deve ficar na mesma (numa perversão do conceito de estabilidade).

O espectro europeu, em termos de representatividade parlamentar, está, aberto e exposto a um vasto e diversificado quadro político onde são praticamente impossíveis quaisquer tipos de consensos. 
Desde o imobilismo assente no PPE querendo perpetuar as políticas neoliberais, aos desejos nacionalistas avulsos de uma Extrema-Direita com uma já volumosa fracção representativa no parlamento europeu, passando pelas hesitações dos reformistas e liberais, para desembocar nos ímpetos de reforma de uma Esquerda variegada representada Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas e pelos grupos à sua esquerda, existem soluções para todos os gostos.

Se excluirmos a hipótese de uma convergência suicida entre o PPE e a Extrema Direita temos a noção que os ventos de mudança são imparáveis. 
A mudança pode ainda demorar algum tempo – provavelmente o mesmo que demorará a concretização do ‘exit’ britânico - mas não é mais possível a Europa continuar indiferente a essa necessidade. Sem menosprezar os 27 membros da União existe a noção de que o motor da mudança passa pelo 'eixo franco-alemão' com outra configuração. O Brexit evidenciou isso mesmo só que as preocupações assentam na fragilidade económica da França acrescida de uma galopante debilidade política que a presidência de Hollande não pára de acrescentar. As opções políticas no horizonte da UE passam por este dilema. Um reposicionamento que contempla a 'convocação' de França para um realinhamento e a integração da sua posição na Europa do Sul e periférica. Esta mudança de estratégia carece, contudo, de um bolus de credibilidade mas o susto decorrente do resultado do 'Brexit' poderá ser um factor estimulante e congregador. 

E sabemos que esta mudança é ampla e passa pela revisão dos Tratados que têm estado em vigor, pelo questionar das ditas ‘regras de ouro’ que foram impostas, pela imposição de disciplina e regulação ao sector financeiro, pelo esvaziamento do poder dos burocratas e finalmente pela reforma e democratização do espaço político e instituições colegiais introduzindo mecanismos representativos equilibrados (justos e equitativos).

Enfim, será necessário pôr em marcha a transição da Europa dos credores para a Europa dos cidadãos.
Mas sobre isto a Direita portuguesa não fala nem quer que se discuta. Prefere, numa declarada situação de crise e de pré-ruptura, ficar por platónicas juras de amor (que tanto na política, como na vida, não são eternas).

O dia de ontem

A jangada conservadora, suicida e assassina 

David Cameron usou o referendo por falta de coragem para usar um cinto de bombas.

sexta-feira, junho 24, 2016

Brexit – A vitória da pequena Inglaterra sobre a Grã-Bretanha

A vitória do Brexit foi um voto contra o medo e a chantagem, os únicos argumentos de quem tem dirigido a União Europeia, como se esta apenas pudesse obedecer ao modelo único a que o PPE a quis condenar.

Cameron foi, na sua pequenez, o grande obreiro da decomposição britânica, pôs fim ao reino unido, reduzindo-o à pequena Inglaterra e País de Gales, com a rainha a decorar a anacrónica monarquia que restará, e arriscou o princípio do fim da União Europeia.

Os eleitores cederam ao populismo e à demagogia, derrotando quem não queria reduzir a Grã-Bretanha à pequena Inglaterra e sabia que a União Europeia só existiria com o Canal da Mancha aberto e o Reino só continuaria Unido dentro da UE, não se fechando no canal.

A União Europeia deixa de contar com a segunda economia e as mais poderosas Forças Armadas do seu espaço. Boris Johnson derrotou Cameron numa vitória de Pirro, porque a promessa do referendo para ganhar as eleições, resultou na humilhação do último e na falta de soluções do primeiro, incapaz de responder às consequências.

Esta UE que chantageia a Grécia, Espanha, Portugal e Irlanda, também foi derrotada. O desencanto dos ingleses é o mesmo que permitiu o crescimento de uma onda populista e radical, enquanto o PPE combatia partidos progressistas de todos os países, incluindo o Partido Trabalhista britânico, que ainda se bateu pela permanência, com o sacrifício da sua deputada Jo Cox, símbolo da união do projeto europeu, adversária da xenofobia e da visão conservadora e monetarista da UE.

A saída do RU da UE, levará à secessão da Escócia e do País de Gales, a convulsões na Irlanda do Norte e à fragmentação da Espanha, Itália e Bélgica, com a Córsega a partir.

A geografia política da Europa não é imutável nem pacífica; a liberdade não é perpétua nem a democracia vitalícia; os países também não são eternos.

A UE foi derrotada no teste que a imprudência de Cameron e as suas ambições pessoais tornaram dramático e só resistiria com o aprofundamento da integração social, política económica, militar, fiscal e diplomática. Não contando com a confiança dos povos que a integram, temendo o modelo único que a teologia monetarista de Bruxelas quer impor, a caixa de Pandora está aberta a um futuro incerto.

Precisávamos da Inglaterra e Alemanha cada vez mais europeias e dispensávamos a UE alemã. São muitos os perigos comuns e nenhum país pode resistir orgulhosamente só.

Finalmente, a UE não podia estar condenada a optar entre uma coutada da direita e um antro da extrema-direita. Há mais mundo para além do conservadorismo ultraliberal.

Hoje terminou o Reino unido e a Europa ficou à mercê da Turquia.

Apostila – Espero que este texto de um europeísta, escrito após o inesperado resultado, seja desmentido.

O BREXIT, a UE e os comportamentos de avestruz…

O BREXIT obteve o voto maioritário dos britânicos link. É muito cedo para desmontar todo este complexo processo referendário que ontem teve o seu epilogo na Grã-Bretanha. 
Mas a cascata de consequências que vêm aí, excedem largamente os números calculistas dos interesses económicos e financeiros imediatos, não se confinam à city londrina e, como teremos oportunidade de avaliar no futuro, são essencialmente políticas e 'sistémicas'. 

Neste momento, deixando os britânicos entregues às suas democráticas opções, a análise fundamental é o entendimento – pelos cidadãos europeus – do que falhou no processo de construção de uma União Europeia sólida, solidária e próspera. 
E muito embora exista um acumular de erros financeiros e económicos que ‘partiram’ a Europa entre um Norte/Centro e o Sul (ou a sua periferia) a grande derrota recaí sobre o establishment que se instalou em Bruxelas e manifestou uma total incapacidade de lidar com os problemas da União. 

Nada poderá continuar como dantes e as mudanças devem começar pelo coração da UE, isto é, pelas instituições europeias onde, à revelia de mecanismos democráticos e participativos, se instalou uma fechada e obscura legião de burocratas que, todos os dias, tenta alargar e acumular fátuos poderes.

A UE, sempre que submetida à prova irrefutável da validade e justeza do seu projecto, isto é, ao escrutínio popular, tem soçobrado sistematicamente. Foi assim com a fracassada Constituição Europeia, no início deste século, e que os plebiscitos realizados na Holanda e França mataram à nascença. Na altura não existiu a capacidade de encarar de frente o problema e provocar uma ampla discussão por todo o Continente, corrigir erros, dissipar dúvidas, esclarecer e, politicamente, optou-se pelo cancelamento do processo, alienando a participação popular para, em sua substituição, elaborar um Tratado (por ironia do destino conotado com ‘Lisboa’) não referendável. 
O distanciamento histórico existente permite-nos hoje ter a exacta noção do caminho ínvio então adoptado.

Provavelmente, o referendo do Brexit tem a sua remota génese no Tratado de Lisboa. Este entorse na construção de uma Europa dos cidadãos, acrescido de seculares (pre)conceitos soberanistas intrínsecos dos britânicos, da dúbia atitude britânica de estar com um pé dentro e o outro de fora, elaborou o caldo explosivo que levou ao 'exit' e, simultaneamente, consubstancia uma grave ameaça à estabilidade política da União Europeia. Ontem ocorreu a primeira efervescência deste caldo mas no horizonte já se avizinham (adivinham) outras. 

E esta incontornável ameaça é para ser assumida em toda a sua plenitude e extensão e não tratada com paninhos quentes ou dissonantes declarações ‘politicamente corretas’ que já se perscrutam nos media.

O primeiro grande sobressalto, a ‘convulsão’ necessária, tem obrigatoriamente de incidir sobre a máquina que foi instalada em Bruxelas que se revelou negligente, incompetente e manifesta um 'défice excessivo' (para usar um lábeu dos eurocratas) de representatividade. A já anunciada demissão de Cameron não basta quando avaliada em termos europeus. A Comissão Europeia deverá também arcar com as suas responsabilidades porque como se observa nos divórcios existam sempre 'culpas mútuas'.

Finalmente, impõe-se o fim dos ‘comportamentos de avestruz’ que inquinaram os anos mais recentes da construção europeia e alimentam todas as perversões do projecto, cada vez mais visíveis com a crise económica e financeira que ocorre (decorre) há longos e insuportáveis oito anos em múltiplos Estados europeus.

Sadiq Kan

O novo mayor de Londres, onde vi “a vitória de um islamita progressista e democrata contra o islão ignorante, reacionário e intolerante”, deixa-me inquieto com a ameaça da proibição de anúncios com mulheres em biquíni, nos transportes públicos.

Sei que a publicidade choca para atrair a atenção e que não são apenas os muçulmanos que se sentem ofendidos com os anúncios públicos que exploram o corpo feminino, mas um islamita que sabe quanto a sua religião é pouco recomendável, não pode fazer coro com os queixosos do costume.

É sabido que o Deus de Moisés é misógino, mas de todos os monoteísmos o mais implacável e demente, na atualidade, é o islamismo.
 
Quando Deus odeia o corpo da mulher, cabe ao homem escolher entre um e outra.


quinta-feira, junho 23, 2016

CGD: Ir à lã e ser tosquiado….

A senda revanchista tecida à volta da CGD e alimentada pelo PSD insere-se na narrativa que Passos Coelho tentou contar aos portugueses quando assumiu a responsabilidade governamental em 2011. 
Esta baseava-se num entorse histórico de que tudo o que foi feito durante este século em Portugal estava mal e o Governo de Direita iria mudar tudo para obter uma sólida sustentabilidade. Ao fim de 4 anos a única coisa que nos deixou foi um insustentável empobrecimento.

A CGD é um banco público e qualquer posição do PSD sobre essa circunstância faz soar campainhas. Aliás, sobre a CGD os primeiros remoques surgiram na pré-campanha eleitoral para as Legislativas (Julho 2015) quando Passos Coelho levantou a questão à administração de não ter efectuado qualquer reembolso da ajuda pública link. Estava dado o primeiro sinal de que o PSD se preparava para atacar a Caixa, enquanto banco público.

A par desse remoque o anterior Governo sempre deixou transpirar para o exterior que qualquer recapitalização do banco público seria considerado ‘ajuda de Estado’ e por tal motivo esbarraria com a oposição (rejeição) de Bruxelas. Os contactos preliminares do actual Governo com as instituições europeias, desde logo, começaram por desmentir esse logro.

Agora, o PSD vem fazer o papel de virgem púdica sobre os devedores à CGD. Tinha conhecimento dessas ‘imparidades’ (belo nome!) desde meados do ano de 2015 link mas como se aproximava o período eleitoral manteve-se calado.  Como se manteve quedo e mudo com o (extenso) rol de devedores ao BES e, mais recentemente, em relação ao BANIF. Para não falarmos de clique cavaquista que espoliou até à medula o BPN.

Independentemente das negociatas que se fizeram à sombra da CGD – e foram muitas – no actual momento político a defesa de um banco público não pode ser ensombrada por derivas neoliberais, do tipo das que estarão na mira dos proponentes da Comissão de Inquérito.
Esta chicana política arquitectada pelo PSD não servirá para apagar as posturas que desde 2011 o Governo Passos Coelho adoptou relativamente à alienação de activos (Seguros, participações em empresas link, etc.) que, na realidade, foram - em termos de sustentabilidade e de futuro - manobras de descapitalização e adensaram os problemas da CGD.

O PSD sabe que nos últimos anos cobriu todas as ‘imparidades endógenas’ do sistema financeiro injectando, de braço dado com a Troika, mais status quo, enquanto, na praça pública, agitava o slogan de mudanças estruturais na Economia. As Comissões de Inquérito ao BPN e ao BES revelaram factos muito graves mas, na prática, não tiveram quaisquer reflexos nos mecanismos e na eficácia da regulação. Muito menos na prevenção como viria a confirmar o ‘caso BANIF’. 
Em vez de persistirmos nas ‘resoluções’ (à custa dos contribuintes) de bancos, um a um, impõe-se a clarificação e regulação clara do seu funcionamento e a resolução definitiva do sistema (bancos, mercados financeiros e bolsas). Hoje, o PSD ao enveredar por estes caminhos mostra querer entrar num pantanoso terreno em que a fadiga dos cidadãos é enorme e a desconfiança campeia.

Mais do que chover no molhado, isto é, diagnosticar o já identificado (desde 2008) é necessário ‘disciplinar’ – é este o termo exacto - o sector financeiro. E essa disciplina passa pela supremacia das opções políticas situação que tanto assusta um PSD, rendido aos mercados.
Não basta, nem colhe, regressar ao passado – cada vez mais longínquo – e culpabilizar os Governos de José Sócrates e a administração do BdP nos tempos de Vítor Constâncio.
Trata-se de malhar no ferro frio e, pior, revela que tendo sido diagnosticadas as falhas e os erros, o Governo de Passos Coelho persistiu, no último ciclo governativo, em 'alimentar' o mesmo esquema.

Paira no ar a sensação que todo este rebuliço poderá desembocar no velho ditado de ‘ir à lã e ser tosquiado’.

A desfaçatez desta direita ultraliberal

A RTP-1 deu à manifestação de umas centenas de defensores da parasitação do erário público pelos colégios privados, no Porto, o espaço negado a dezenas de milhar que, em Lisboa, defenderam a escola pública, a única exigida na Constituição. Temos um canal público absolutamente independente do Governo e totalmente ao serviço da Oposição.

É difícil ver um módico de coerência na direita ultraliberal enquanto defender interesses privados, a menos que tenha trocado a ideologia pela política cega da terra queimada, na sua obstrução sistemática e acéfala à execução da política do atual Governo.

Em Portugal, contrariamente ao que devia suceder, abusa-se da substituição dos quadros dirigentes da função pública sempre que muda o Governo, mas há lugares políticos cuja substituição é uma exigência para a prossecução da política económica do governo que chega. As cinco comissões de coordenação e desenvolvimento regional (CCDRs) são os instrumentos privilegiados, que exigem total sintonia com o governo, para execução das políticas governamentais. Não devia ser o novo governo a substituir os presidentes que, se não me engano, são equiparados a secretários de Estado, mas serem eles a pedir a sua exoneração. Bastava-lhes um mínimo de ética e pudor republicano.

Quando o atual ministro das Infraestruturas e Planeamento substituiu o presidente da CCDR Norte, logo o obscuro vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, Luís Leite Ramos, desferiu venenosas críticas. Em vez de se calar perante a inatacável decisão política, estrebuchou e escreveu nos jornais, como se o PSD esperasse tanto tempo.

Faltava a esta direita sem princípios, desta vez através do CDS, agredir Pacheco Pereira, por ter considerado eticamente incompatível a saída de Paulo Portas do Governo para a construtora Mota-Engil. Não o acusaram de desonestidade pessoal ou incoerência, mas de ser irrelevante o juízo de quem ‘foi vice [na bancada parlamentar] de Duarte Lima’, o líder parlamentar do PSD quando o presidente era Cavaco Silva.

Que direita esta! É preciso topete! O presidente da CCDRN saiu. Só faltava ser trocado por Marco António ou Luís Filipe Meneses, que decidiam as nomeações no Norte.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, junho 22, 2016

PàF...



E não há um sobressalto cívico na direita moderada, um resquício de pudor e um módico de remorso judaico-cristão, perante a incompetência e a mentira reiterada desta direita que até Bruxelas já denuncia?

A abelha-mestra e o zangão foram mestres da intriga e da dissimulação. Onde está o rosto humano da direita que não se reduz a esta trupe que uma central de intoxicação dirigida por Miguel Relvas e o seu acólito Marco António levou à conquista do PSD?

O PSD não deixará que a abelha-mestra faça ao zangão o que soe acontecer. Há melhores abelhas na colmeia.

Quanto ao CDS, a futura liderança de Nuno Melo irá conduzi-lo ao extremismo que Manuel Monteiro falhou.

O PR e o Palácio de Belém


Não, não me converti ao encanto de Marcelo que derrotou o meu candidato nas eleições presidenciais, nem votaria nele se as eleições se repetissem. Já me deu boas razões para o criticar, na obsessão de dar público testemunho da fé, como pretende a Igreja romana, no seu proselitismo, e o impede a neutralidade do cargo num país laico.

O que não pensarei de Marcelo é que lhe faltem patriotismo, estatura política e honradez que o obrigam a respeitar os bens do Estado e a comportar-se com o zelo de um devoto e o escrúpulo de um juiz.

A auditoria interna que mandou fazer às contas de Belém revela que pretende averiguar os gastos e prestar contas até ao último cêntimo. Tem um passado onde, em questões de negócios, não paira a mais leve suspeita e não pretenderá que a nuvem de uma qualquer incúria fique a ensombrá-lo.

Não são as possíveis poupanças de Belém que terão influência nas contas públicas, mas o exemplo não deixará de ter consequências noutros departamentos do Estado.

Segundo o DN, o Palácio de Belém não era modelo de gestão. Não se fala da central de intoxicação política da direita, de que pode ter sido sucursal, mas de “irregularidades e inconsistências” que atravessaram os orçamentos da Presidência da República e onde “nem tudo estava perfeito” ou era precária a fiabilidade das demonstrações financeiras.

Não são meia dúzia de milhões de euros que possam eventualmente poupar-se na PR, se é que podem ou devem poupar-se, que ajudam a resolver a dívida soberana impagável, de mais de 235 mil milhões de euros, mas o exemplo do inquilino de Belém, por mais simbólicos que sejam os seus poderes, tem um efeito pedagógico cujas repercussões não deixarão de fazer sentir-se.

Basta o trauma de sabermos os célebres «papéis do Panamá» congelados pelo Expresso e TVI, essa imensidão de possíveis fraudes que parecem hibernar até ao esquecimento.

Quanto ao Palácio de Belém, o processo de desratização em curso, assegura medidas de higiene que tardavam. Acredito na determinação moralizadora do PR.

terça-feira, junho 21, 2016

Palácio de Belém - Higiene em curso


segunda-feira, junho 20, 2016

Paradoxos – Os bancos em geral e a CGD em particular

Quando faliu o BPN, não aconteceu apenas uma tragédia financeira com graves reflexos na economia portuguesa, foi o princípio do fim da reputação dos bancos e a desonra de políticos destacados, que se portaram como vulgares gatunos.

Perdida a honra da direita, que aí tinha comprometidas figuras de primeiro plano, urgia encontrar o ruído que abafasse tão sórdida vergonha, que tirasse dos holofotes ministros emblemáticos do cavaquismo e angariadores de fundos das campanhas eleitorais.

Foi então que se descobriu como bode expiatório o governador do Banco de Portugal, ao tempo um ex-secretário-geral do PS, sobre cuja incúria ou falta de meios recaíram as culpas da falência da supervisão, como se a eventual falha do regulador pudesse isentar os prevaricadores. Quase se pediu a prisão do polícia como único responsável do roubo e a absolvição dos ladrões no processo cuja prescrição ou morte natural há de isentá-los.

Foi notória a violência ensurdecedora do sobrinho do cónego Eduardo Melo, herdeiro da inteligência e maldade do pio salazarista, como deputado, algoz de Vítor Constâncio. Era preciso esconder os amigos dos seus amigos de coligação. Por cada notícia contra o presidente do BPN ou um ex-ministro cavaquista, gritava dez vezes o nome Constâncio e, na pertinácia da gritaria, houve quem julgasse que os negócios no Panamá fossem da sua autoria e não de um ex-ministro das polícias, atual indigente, elogiado como grande empresário por Passos Coelho.

Agora, perante a sucessiva vaga de ameaças de falências bancárias é de novo o BP, cujo Governador foi reconduzido sem auscultação da oposição, pelo Governo deposto e, pela primeira vez, da sua exclusiva responsabilidade. A síndrome de abstinência do Governo levou Passos Coelho e assunção Cristas, líder interina do CDS, à espera do regresso de Nuno Melo, a convocarem a devassa à CGD para o Parlamento, sob pretexto de pedir as explicações que, sem alarido internacional, poderiam ter pedido durante quatro anos e meio aos administradores que nomearam.

Também se percebe mal porquê 10 anos e não 13, onde o PSD teve dois inesquecíveis PMs, Durão Barroso e Santana Lopes. Na vingança irreprimível viaja o populismo de quem não hesita nas consequências para satisfazer ambições pessoais.

domingo, junho 19, 2016

Em memória de Jo Cox....

A Europa na sua generalidade condenou o bárbaro assassinato da deputada trabalhista Jo Cox. Quando utilizamos a expressão “na sua generalidade” é disso mesmo que se trata. 
Na verdade embora tenha sido uma indefectível europeísta as suas posições chocavam literalmente com os eurocratas de Bruxelas. Jo Cox não pactuava com aqueles que pretenderam ‘comprar’ o Governo de Londres, nomeadamente, numa questão que é um dos calcanhares de Aquiles da Europa. Isto é, a maneira como a UE está a lidar com o problema dos refugiados. Primeiro, não compreendia as hesitações perante o drama das pessoas que fogem de cenários de guerra, depois verberava a condescendência de Bruxelas relativamente às autorizações de discriminação face aos descendentes de emigrantes.

Mas, por outro lado, a imprensa do Mundo, dito ‘ocidental’, enfeudada aos ditames neoliberais, tem tentado esconder as causas remotas deste horrendo crime. Jo Cox morreu quando fazia campanha pela permanência da Grã-Bretanha na UE. Na realidade, Jo Cox não defendia esta União, tal como existe e teima em prosseguir mas, convictamente, acreditava que, neste momento, o importante seria defender ideais marcadamente socialistas, nomeadamente, o Estado Social e de Direito. A Europa tem sido apresentada como uma (boa) ‘solução’, todavia nunca se explicita de que Europa se está a falar.

E a imagem amplamente transmitida para o Mundo na comunicação e nas redes sociais foi mais um embuste. Quando Cameron se curva perante o cadáver da deputada trabalhista assassinada e, reverencialmente, deposita um ramo de flores devemos ter a plena convicção de Jo Cox morreu a lutar contra as políticas do primeiro-ministro britânico que conduziram a Grã-Bretanha e a Europa a esta encruzilhada. 
Ignorar esta premissa é premiar a hipocrisia que se apossou do projecto europeu e dos governos conservadores e vilipendiar a memória de uma combatente pela Liberdade e pelo Socialismo.

O futuro já chegou


sábado, junho 18, 2016

23 de Junho: a antecâmara de um cenário apocalíptico?

Os recentes ‘avisos’ aos ingleses acerca do Brexit subscritos por múltiplos organismos internacionais inundam os espaços mediáticos [ link; link] . Desde a recessão económica a funestos espectros de isolamento existem diagnósticos e previsões para todos os gostos e feitios.

É óbvio que a saída do Reino Unido da UE terá inevitáveis consequências internas e um forte rebate em toda a União cujos contornos oscilam entre as previsões mais pessimistas (o desmembramento) e as mais levianas (a manutenção do status quo).

Politicamente, todos pressentimos que o passo que se ensaia no Reino Unido poderá acarretar o fim do ‘Unido’, tal como ficou definido após a última Guerra Mundial e do processo de descolonização daí decorrente. A Escócia – com uma maioria de eleitores fortemente europeísta – não deverá ficar indiferente a esta convulsão. E fica por esclarecer qual será a atitude futura do País de Gales, bem como a da Irlanda do Norte.

Para além das ondas de choque que atingirão o espaço geográfico europeu será avisado questionar, ainda no plano interno, qual do futuro da Commonwealth e em que medida a sua subsistência está dependente da presença britânica na UE. O desmantelar do ‘império vitoriano’ avançou de modo inexorável com o fim da II Guerra Mundial e, neste momento, prepara-se uma definitiva sepultura.

O Reino Unido ao longo do processo de construção da Europa, i. e., a Comunidade Europeia do Carvão e Aço em 1951, a CEE, em 1957, e, finalmente, a UE que arranca em 1993,  ou primou pela ausência, ou pela distância. Pouco ou nenhum esforço fez a Grã-Bretanha para uma integração no espaço europeu como se pode verificar no processo de criação da eurozona quer ainda por pormenores, como o sistema métrico, a condução pela esquerda, etc.
O distanciamento foi-se acentuando com base em conceitos nacionalistas misturados com um lastro de receios quanto à soberania (perante hipóteses avulsas de federalismo). Continua a vigorar em Londres um conceito tão ‘british’ como o seguinte: quando há neblina no canal da Mancha dizem os ingleses que existe um continente isolado.

Acresce a este quadro distanciador os mais recentes problemas derivados da crise económica e financeira mundial com pesados reflexos na Europa e das dificuldades que uma moeda única gerida no exterior coloca na resolução das crises internas.

Contribuíram ainda de modo determinante para a exacerbação destas difíceis condições de coesão uma permanente e altiva deriva burocrática de Bruxelas que exorbitando nas suas funções ‘administrativas’ ameaçou (e continuará a ameaçar) não só a Grã-Bretanha, como os restantes Países membros da UE, actuando com interferências de toda a ordem, à revelia de qualquer mecanismo de controlo democrático.

O referendo que terá lugar no próximo dia 23 vai considerar todos estes itens. Mas há um se mantém marginal (na exposição mediática) e que ressaltou na recente visita de Obama a Londres link: O Reino Unido afigura-se como indispensável para a conclusão do Tratado Transatlântico, o misterioso TTIP.
 
Mas o pior ainda poderá estar para vir, i. e., a junção do Brexit, a uma profunda convulsão europeia e a eleição do Donald Trump.
Então, estaremos perante um cenário apocalíptico…

Triunfo dos porcos


Um 'temeroso' churrasco em Brasília…


O ‘neo-establishment’ político brasileiro, nascido do golpe parlamentar’, decompõe-se em ritmo acelerado.

Com a recente demissão do Ministro do Turismo, Henrique G. Alves link, por causas e problemas semelhantes aos anteriores abandonos governamentais (3 num mês!), o novíssimo elenco governamental (implicação no processo Lava Jacto) derramou sobre a ‘classe política’ brasileira uma inquietante pergunta: quem estará fora dos negócios da Petrobrás?

Neste ‘oceano de corrupção’ poucos se salvam aos olhos da opinião pública. É um triste fim para a democracia de um dos maiores países do Mundo. Mas se o regime viveu longos anos sob o fantasma de uma pilhagem endémica algum dia teria de acontecer um sobressalto.

Quando o grupo capitaneado por Michell Temer consegue, através de instrumentos e meios golpistas, assentar arraiais em Brasília pairava no ar um indisfarçável e fedorento cheiro a golpe e a temperatura política era escaldante.
Hoje, o ambiente está irrespirável e o escaldão continua a queimar os seus actores. Morrem um a um carbonizados pelas chamas da corrupção.

sexta-feira, junho 17, 2016

O PR e as peregrinações


Depois do beija-mão ao Papa, um ato de subserviência pia que transforma um País num protetorado do Vaticano, o PR volta a esquecer a função e participa em maratonas pias.

O cidadão Marcelo pode defumar-se em incenso, viajar genufletido à volta do oratório de casa e empanturrar-se de hóstias, o que não pode é submeter a República à benzedura de um bispo, participar como Comandante Supremo das FA em peregrinações, novenas, missas de ação de graças ou penitências pelos pecados próprios e alheios.

Um jurista eminente, não pode esquecer a Constituição, no êxtase da transubstanciação da hóstia, no consolo do borrifo da água benta ou na persignação ao ritmo do comando de um clérigo.

A ética republicana é incompatível com exibições públicas de fé, propaganda religiosa e devaneios beatos.

Uma lufada de ar fresco do novo PR ressarciu o País da horrenda herança do antecessor e não pode transformar o ar que tornou mais respirável num gás poluído pela sacristia.

Assim, não! A laicidade é um valor que não pode estar à mercê das crenças do PR.

Os sinuosos caminhos da fé...

Um sacristão bêbedo, um pastor sem inspiração divina, obras na estrada e a distração dos crentes, conduzem à autoestrada dos automóveis, mas não aos caminhos da fé.

Nem Santa Vanessa lhes valeu!

(De um blogue satírico. A não perder)

Madura Estação - Livro de poesia


A Madura Estação

Não se imagina facilmente que um sólido historiador e docente universitário que chegou ao cume da carreira, com obra meritória e enorme quantidade de ex-alunos, licenciados, mestres e doutorados, ouse os caminhos da poesia e entregue numa editora… versos.

E daí a surpresa do amigo e a curiosidade do leitor. Foi um regalo a leitura dos poemas onde se misturam a inquietação do Homem, a erudição do académico e a sempiterna sedução do feminino, com a magia das palavras na forma enjeitada durante a vida académica, de investigador e docente.

Como não podia deixar de ser, é farta a erudição que embrulha os versos e forte a referência aos clássicos por quem os leu e não os esquece.

Esperemos que Amadeu Carvalho Homem, honrado republicano e democrata, faça de «Madura Estação», o mero apeadeiro de uma viagem pelos caminhos da poesia, com novos frutos que deleitem os leitores.

Na prosa estamos conversados. E essa continuará, inevitávelmente.

A frase

«Colocar debaixo dos holofotes mediáticos e da atenção de Frakfurt e de Bruxelas o banco que se pretende capitalizar, criando a ideia errada da súbita descoberta de um enorme "buraco escondido" fruto de uma gestão "ruinosa", é, no mínimo, irresponsável, senão mesmo perigoso.»

(Graça Franco, diretora de informação da Rádio Renascença, aludindo às perguntas que Passos Coelho fez ao Governo)... e, digo eu, que poderia ter feito aos gestores quando esteve no Governo).

Ponte Europa - O patriotismo e o sentido de Estado não se aprendem nas madraças juvenis.

A contrainformação e o Governo



A sanha contra o atual Governo é um misto de deceção e ressentimento dos que jamais admitiram que poderia haver entendimentos à esquerda. A direita, pura e dura, ficou em desespero, por ver desmascarada a sua incompetência, maldade e vertigem ultraliberal e comprometida a meta, tão próxima, de desmantelamento do que restou do Estado social.

A direita pensou, depois dos resultados eleitorais, em que foi muito ténue a punição dos desmandos de mais de quatro anos, que se perpetuaria no poder, apesar da inaptidão de quem a representou; a comunicação social, fiel aos patrões, perdeu a pudor e tornou-se o aparelho de propaganda desta direita a que Cavaco Silva, Paulo Portas e Passos Coelho deram uma deplorável imagem; os avençados agitam-se, em frenesim, a destruir tudo o que o Governo faz, recorrendo a cumplicidades compradas cá dentro e lá fora.

Até a RTP é a câmara de ressonância da oposição, instrumento de chantagem que pisca o olho a quem promove o regresso. Nunca tantos se esforçaram tanto para inviabilizar a alternância do poder. Qualquer membro do PS que queira aliar-se à direita, tem sempre o microfone à disposição e uma câmara de filmar a acompanhá-lo.

O medo do êxito de um governo do PS, com apoio parlamentar do BE, PCP e PEV, é tal que o pânico se instalou nas hostes, indecisas entre aguentar Passos Coelho e trocá-lo. À cautela, o delegado autóctone do nebuloso Grupo Bilderberg, o inefável Durão Barroso, já convidou Maria Luís Albuquerque para a conferência de 2016 onde será ungida para novos voos, apesar do passado pouco estimável de um e outra, certos do poder oculto de um grupo que escapa a qualquer escrutínio.

O medo que este Governo inspira reside menos no que poderá fazer do que no exemplo que dará e, no futuro, os que no PS partilham interesses da direita, não podem hipotecar previamente as alianças exclusivas para o lado da sua carteira. Há alternativas à direita e à esquerda e ficarão desmascarados os vesgos, os oportunistas e os trânsfugas.

É o pânico que comanda tão sórdida campanha e mobiliza os avençados. Não faltarão as biografias, roteiros, entrevistas, artigos de opinião, calúnias, campanhas de intimidação e sanções, a dissuadir o eleitorado de reincidir na esquerda; e os esforços, cá dentro e lá fora, para que o atual governo soçobre.

Reino Unido (RU) e a União Europeia (EU) Eurexit e Brexit

O Reino Unido, cada vez mais separado, sempre foi um caso exótico. Soube apressar o futuro e conservar o anacronismo, da monarquia à circulação pela esquerda, do horror ao sistema decimal à aversão pela partilha da soberania, paradoxo de quem está sempre na vanguarda da defesa da liberdade e é capaz de arriscar a própria desintegração.

Foi o primeiro império a ceder aos movimentos independentistas, o mais tenaz a opor-se ao nazismo e o mais persistente na democracia. Desde os tempos de João Sem-Terra e da Magna Carta, que no dealbar do século XIII pôs termo ao absolutismo, foi a ilha que moldou a Europa, sem nunca se integrar, permanecendo santuário das liberdades.

O RU irrita-nos e exalta-nos. A saída da União Europeia é má para si e pior para esta. E, ainda pior do que a saída, é o espírito vingativo de pigmeus como Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo e inventor do mestrado para benefício do currículo académico, e Wolfgang Schäuble, incapaz de ver para lá do seu credo monetarista.

O secularismo é uma palavra nascida na filosofia inglesa e foi a Inglaterra a inspiradora da separação de poderes teorizada por Montesquieu. O Iluminismo, o melhor legado da nossa civilização, viajou nos dois sentidos do Canal da Mancha.

A saída da segunda economia e da primeira potência militar, deixa a Europa entregue a figuras junto das quais até Passos Coelho parecia um estadista e Cavaco um homem de cultura. Após a saída do RU, o mais numeroso exército da Europa e o mais poderoso, é o da Turquia, …na Ásia (!), controlado por um Irmão Muçulmano.

Enquanto essa figura grotesca do presidente do Eurogrupo e o indesejável ministro das Finanças alemão segregam bílis contra o RU, esperemos que Portugal, Espanha, Grécia e Itália ajudem a senhora Merkel a manter-se como estadista e a impedir retaliações que transformem o Canal da Mancha de abertura em obstáculo e os países do Sul de aliados em inimigos, abandonando os seus emigrantes no RU, muitos deles portugueses.

Mesmo no espaço anglo-americano, o Reino Unido sobrevive mal sem a UE, mas esta não sobreviverá contra o RU que, antes do referendo, já está fora, ausente da moeda única e do espaço Schengen.

O espírito de Dunquerque, em 1940, parece ter renascido do outro lado da Mancha, para tornar inexorável o Brexit e inevitável a desintegração europeia.

quinta-feira, junho 16, 2016

O Islão e o terrorismo

Seria injusto e perigoso ver nos crentes, em todos os crentes, por mais idiotas que sejam as crenças, um grupo de terroristas. Aliás, há no Corão e na Suna, afirmações para todas as interpretações, que dizem uma coisa e o contrário, como se compreende de uma cópia grosseira do judaísmo e do cristianismo, registada por um beduíno analfabeto.

O que não se aceita é a benevolência com homilias que apelam ao ódio e a intoxicação que os catequistas fazem. O que reclama combate, como aconteceu no cristianismo, é o proselitismo e valores defendidos, em madraças e mesquitas, por pregadores exaltados.

A defesa da escravatura e pena de morte, por sodomia, homossexualidade, trabalho ao sábado e adultério feminino, por exemplo, constam do Antigo Testamento, e foi preciso submeter a palavra de Deus ao escrutínio sábio dos homens, para impedir tais crimes.

Ninguém acredita que os nazis fossem todos pérfidos, que a demência lhes viesse de um livrinho escrito por um pintor de tabuletas e, no entanto, o nazismo incentivou as mais vis atrocidades e deu origem à mais sangrenta de todas as guerras.

Quem acredita no ‘misericordioso’ beduíno que desposou uma menina de seis anos e consumou o casamento quando ela tinha nove, tem direito a fazer jejum e abstinência, a recusar a carne de porco, rezar cinco orações diárias, dar esmolas e fazer uma excursão a Meca, mas não lhe podem ser consentidas a poligamia, a discriminação da mulher e a decapitação de infiéis ou a lapidação de adúlteras, nem deixar à solta pregadores de tão iníquos ensinamentos.

O fascismo islâmico é responsável pelo terrorismo que os preconceitos pios incentivam. A tragédia de Orlando, EUA, levada a cabo por um crente alienado pelo Corão, cujo pai diz que cabe a Deus julgar os homossexuais, no fundo são culpáveis, é de uma violência sectária e gratuita que abala os alicerces da civilização.

Tal como o nazismo ou outro totalitarismo, político ou religioso, o islamismo deve ser combatido, até para defesa dos muçulmanos e dos que o não são. A escola pública e a laicidade do Estado têm de ser a base de um combate urgente que ao multiculturalismo sobreponha o cosmopolitismo, à tradição a razão e à barbárie a civilização.

Na Europa, hoje, já é tarde para começar a pedagogia e o combate, que deviam estar em curso, para prevenir o terrorismo e reiterar a supremacia dos direitos humanos sobre quaisquer crenças particulares.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, junho 15, 2016

A frase

«As ameaças dominantes das alterações climáticas, que hoje congregam os governos em busca de soluções (Acordo de Paris), trazem com elas as crises de recursos alimentares, de água, de cuidados de saúde que levem os pobres a morrer mais cedo.»

(Artigo semanal de Adriano Moreira, «Segurança humana», hoje, DN)

«Com a verdade me enganas» (Adágio popular) – A natureza dos crimes

A imagem que aqui fica, vi-a publicada por alguém que considero e, por respeito, não refiro. É uma forma de branqueamento do carácter criminoso do Islão e a perigosa fuga à censura de crimes religiosos. É, em última análise, uma mentira, piedosa ou inocente, igualmente perversa, que esconde o problema que a civilização e a democracia têm com o islamismo. E os factos referidos são verdadeiros, para melhor nos enganarem.

É fácil distinguir um crime de natureza religiosa do crime comum. Se uma pessoa mata para roubar, é irrelevante a religião, mas se o faz por motivos políticos ou religiosos, é pertinente conhecer a ideologia política ou a religião professada e até o grau de conexão entre ambas.

As Cruzadas e os Autos de Fé foram crimes católicos, organizados ou admitidos por papas e executados por crentes, tal como a jihad é uma sucessão de crimes islâmicos, perpetrados por muçulmanos e instigados nas mesquitas por pregadores do Islão.

É questionável que os homicídios de médicos e enfermeiros nos ataques a clínicas onde se praticava a IVG, possam ser considerados de natureza cristã porque o protestantismo evangélico, EUA, por menos recomendável que seja, não defende esse tipo de atuação, mas a referência à religião tem todo o sentido porque os crimes foram motivados pelas crenças religiosas dos autores, na defesa da vontade do seu Deus.

Queimar um templo pode ser ou não um crime religioso, praticado por um pirómano ou por um adepto de uma religião concorrente, mas a última igreja incendiada no Iémen foi um crime islâmico, corolário de sucessivas perseguições aos cristãos por muçulmanos, numa atitude simétrica às Cruzadas medievais da cristandade.

Podia escrever sobre cada pogrom ou auto de fé, crimes católicos, mas esses, graças à repressão política sobre o clero, foram erradicados há muito.

É intolerável insistir na culpa dos invasores do Iraque, por mais vis que tivessem sido, e foram, quando a loucura islâmica, sistemática e incansavelmente, se esforça por destruir a civilização e submeter o mundo ao mais implacável e obsoleto monoteísmo, sob pena da nossa renúncia e traição aos direitos humanos consagrados na Declaração Universal.

terça-feira, junho 14, 2016

A mensagem

«A homofobia feriu de morte a liberdade em Orlando e no mundo. Ser livre também é poder escolher quem se ama. A liberdade vencerá o ódio.»

(António Costa, primeiro-ministro)

Monarquia e República

Um grande amigo, monárquico por herança paterna, azucrinou-me durante 10 anos com Cavaco Silva, como se, à semelhança dos reis, fosse vitalício e nos deixasse na herança a D. Patrícia como PR e o seu amoroso genro como 1.º Cavalheiro.

Ora, em República, o mais doloroso furúnculo está sujeito ao prazo de validade e a data da cirurgia vem na Constituição. Argumentava-me ainda com Carmona, Craveiro Lopes e Américo Tomás, como se Portugal fosse República quando o infame ditador, beato e monárquico, fez do regime uma monocracia e dos alegados presidentes capachos.

Na minha paciência republicana lá lhe lembrava o psicopata de D. Pedro, ora esse foi da 1.ª dinastia; depois socorria-me de D. Afonso VI, o deficiente mental, a quem o mano se apropriou do trono e da mulher, tornando-se D. Pedro II, ora esse foi exceção; e lá lhe atirava com D. Maria I, piedosa, louca e rainha até à morte, isso foi um caso especial; e só com o bárbaro D. Miguel, filho provado de D. Carlota Joaquina, o convencia da tara real da dinastia sem o convencer da ilegitimidade monárquica, de qualquer monarquia, pois vinha ainda com  a dinastia de Avis, sem se lembra de D. Sebastião, embrutecido e violado pelo confessor, que lançou Portugal na tragédia de Alcácer Quibir.

Mas o problema não se põe entre quem foi melhor ou pior e, muito menos, sobre quem fica mais baratinho ao País, o que se deve ponderar é a ilegitimidade de qualquer poder hereditário e vitalício depois de a vontade divina que o legitimou ter caído em desgraça.

segunda-feira, junho 13, 2016

Monarquia e paradoxos

Há na excentricidade das monarquias não apenas o mofo dos séculos, mas o exotismo de quem lhe basta ter cabeça para usar coroa e a singularidade de quem escolhe as cores de acordo com a extravagância real.

Sendo os reis uma espécie em vias de extinção, manda a defesa da biodiversidade que se conservem alguns exemplares para ilustrar a evolução das instituições.

No Reino Unido, país cujo adjetivo é cada vez mais precário e questionável, reside no parque natural de Buckingham, habitualmente no palácio, a rainha Isabel II, coroada há mais de 60 anos e que, na ausência de código de barras ou prazo de validade impresso, é chefe de Estado até resignar ou se esquecer de respirar, tendo como prótese conjugal, o Sr. Filipe, que usa o pseudónimo de duque de Edimburgo.

Os ingleses, hábeis em negócios, conseguem ter um ornamento que vendem aos turistas e à comunicação social, dando de brinde às revistas cor-de-rosa os príncipes e princesas, as traições matrimoniais, aventuras amorosas, guarda-roupa e criancinhas da família.

A rainha é a celebridade nascida em 21 de abril de 1926 e que, por capricho ou humor, comemorou o 90.ª aniversário em 10 de junho, uma rainha faz anos quando quiser.

É chefe de Estado por tradição e lê os discursos da coroa, dos primeiros-ministros, sem lhes alterar uma vírgula porque em democracia, os ingleses foram pioneiros e, aceitando o folclore, gostam de exibir os reis, mas não lhes permitem reinações.

É a Governadora Suprema da Igreja da Inglaterra e não é obrigada a acreditar em Deus, que nisso das crenças respeitam a da própria rainha. Como o cargo é vazio de funções e o facto de ser Defensora da Fé não a obriga a dar catequese ou a fazer homilias, é ou foi ainda rainha, após a implantação da República noutros países, do Canadá, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Paquistão e Ceilão, além de Tuvalu, Antígua e Barbuda e São Cristóvão e Nevis, entre outros só conhecidos de turistas ou especialistas em geografia.

Quem resiste à sedução de uma velhota de 90 anos que se veste de adolescente e preside a rituais militares coreografados para serem vendidos às televisões de todo o mundo?

Quo vadis Maria Luís?

O convite da organização da reunião do grupo Bildelberg à antiga ministra das Finanças link não deverá ser encarado como uma coincidência ou um mero acaso.
Ninguém vai a essas reuniões impunemente ou pelos seus lindos olhos. As reuniões deste clube funcionam ou como o núcleo dinamizador de um governo mundial ou em alternativa como um governo sombra para essa mesma pretensão e no plano nacional pretendem antecipar, avaliar ou mesmo interferir no curso dos acontecimentos políticos. 

As suas reuniões começam no pós-guerra (1954), sob a égide do príncipe Bernardo da Holanda. Interessante verificar que este ‘príncipe’ tem um percurso de vida muito pouco recomendável. Sem entrar em pormenores convém recordar que para além de um espirito e pensamento marcadamente nazi, foi militante (inscrito) do Partido Nacional-Socialista de Hitler, colaborou com as SS e, nas andanças da fundação do Clube Bilderberg, foi assessorado por outro proeminente nazi, Otto Wolf von Amerongen, que se notabilizou durante a II Guerra pela extorsão de bens aos judeus. Bernardo um aristocrata de pacotilha viria a abdicar – como alguns ainda devem recordar-se – por envolvimento no ‘escândalo Lockeed’.

Este clube que sempre excluiu políticos oriundos de África, Ásia, Médio Oriente e da América  Latina, apresenta-se como defensor (promotor?) de um poderoso e hegemónico eixo atlântico (EUA-Europa) capaz de impor uma “Nova Ordem Mundial”.

Ao longo da sua existência têm sido publicados vários livros e artigos versando sobre as suas características elitistas, secretistas e conspirativas link . O relatório ‘Iron Mountain’ link, por exemplo, onde se faz a apologia de que a guerra é um dos ambientes privilegiados para fazer disparar lucros, terá sido incubado nestes antros.

A lista de portugueses que passaram pelas reuniões de Bilderberg é muito selectiva e simultaneamente significativa, manifestamente ‘oportuna’ e observada à distancia premonitória dos acontecimentos que, no futuro imediato, tiveram lugar, para ser um mero acaso. Nem sempre as apostas acertaram na taluda, mas é difícil encontrar algo que não tenha andado por lá perto.

Dentro deles e passando ao lado de Pinto Balsemão que, até 2015, foi uma presença assídua (participou em 33 reuniões!), por integrar o ‘steering committe’ (órgão director), podemos mencionar restringindo-nos ao século XXI – e sem a pretensão de sermos exaustivos - as seguintes ‘prestimosas’ presenças:
Teresa Patrício Gouveia (2000), Oliveira Martins (2001), Vasco Graça Moura (2001), António Borges (2002), Elisa Ferreira (2002), Ferro Rodrigues (2003), Durão Barroso (2003, 2005, 2007[?]… sucedendo este ano a Pinto Balsemão no ‘Bilderberg steering committe’), Santana Lopes (2004), José Sócrates (2004), Morais Sarmento (2005), António Guterres (2005), Aguiar Branco (2006), Augusto Santos Silva (2006), Morais Sarmento (2006), Leonor Beleza (2007), Rui Rio (2008), António Costa (2008), Manuela Ferreira Leite (2009), Manuel Pinho (2009), Paulo Rangel (2010), Teixeira dos Santos (2010), Nogueira Leite (2011), Clara Ferreira Alves (2011), Luís Amado (2012), Moreira da Silva (2012), Paulo Portas (2013), António José Seguro (2013), Paulo Macedo (2014), Inês de Medeiros (2014), Durão Barroso (2015), António Vitorino (2015), Carlos Gomes da Silva (2016) e a ex-ministra das Finanças (Maria Luís Albuquerque).

Se às presenças nas reuniões deste clube se sobrepuserem os acontecimentos políticos nacionais que foram ocorrendo ou o desenrolar dos ciclos políticos internos é fácil percebermos o encaixe estratégico destes 'convites' com o desenrolar da política no nosso País.

Para além de uma vultuosa presença de ‘eminências pardas’ oriundas do sector bancário (os ascendentes da família Espírito Santo mantinham relações de amizade com o príncipe Bernardo), seguradoras e holdings internacionais verifica-se – ao longo dos anos de actividade do clube - uma presença permanente e ‘especial’ nestas reuniões dos actuais ou retirados ministros das Finanças e de presentes ou passados administradores dos bancos centrais o que é deveras significativo.

O Mundo está a mudar nas suas relações de força internacionais, comerciais e dos sistemas financeiros e sabemos hoje que a ‘Nova Ordem Mundial’ já não passa estritamente pelo ‘eixo Europa/EUA’. 
Existem outros vectores económicos e financeiros em desenvolvimento e consequentemente novas potências em ascensão (‘emergentes’) que estão a fragmentar o status quo (conseguido no pós-guerra) e criarão outros e novos (des)equilíbrios.
Entretanto, o Clube continua a reunir anualmente mantendo-se fechado, isto é, preservando os seus membros e ‘convidados’, mantendo seus obscuros contornos iniciais e as suas ambições de ‘governar o Mundo’, à margem de qualquer escrutínio público, numa ostensiva postura usurpadora de poderes e funções visceralmente anti-democrática.

Enquanto as mudanças não se impuserem no terreno ficamos a saber que a mais recente ‘aposta’ do clube para este rincão à beira mar plantado é Maria Luís Albuquerque.  
Da recente reunião é manifesta a intenção de dotar o ‘eixo atlântico’ de marionetas capazes de levar a bom porto o TTIP.
Três dúvidas: a primeira, é se a aposta foi acertada; a segunda, circunscreve-se ao impacto a médio prazo na política nacional; e a terceira, trata-se de perceber como esta mensagem subliminar será entendida no Largo de S. Caetano à Lapa.

domingo, junho 12, 2016

A nova mesquita de Lisboa e a laicidade

O que está em causa não é a construção de uma mesquita cuja volumetria e enquadramento terão de submeter-se ao PDM, cuja fiscalização cabe ao município, bem como a de cobrar as respetivas licenças. E o que é válido para uma mesquita não pode ser diferente para qualquer outro templo, quer se trate de uma igreja, sinagoga, pagode ou estádio de futebol.

Nem sequer estão em causa os 3 milhões de euros gastos entre expropriações e despesas de construção, decisão que não foi tomada pelo atual executivo, mas subscrita por unanimidade, independentemente da leviandade com que mais vultuosas verbas tenham sido despendidas, desde sempre, com outra religião.

Embora a lei não o proíba expressamente, a construção e conservação de templos não é uma atribuição dos municípios e as despesas de manutenção de culto, cabem aos crentes de cada religião e não devem ser assumidas por entidades obrigadas à neutralidade confessional.

Alegam os autarcas, de todo o país, quando a Igreja católica é a beneficiária, que as despesas se inserem no patrocínio de atividades culturais e recreativas, o que lhes permite atrevimentos que vão desde a oferta de terrenos para construção, até ao pagamento de excursões a Fátima para residentes em lares da terceira idade e crianças das escolas, preocupação cultural que se exacerba nas autarquias do norte do País, em anos eleitorais.

Que a construção de uma mesquita seja vista como abuso por quem conhece o desatino que grassa no país, relativo a obras pias ou equipamentos desportivos para uso exclusivo de clubes, interditos à prática de todos os munícipes, é certamente um ato de hipocrisia. No entanto, o abuso generalizado parra com diversas religiões ou vários clubes de futebol, não transforma em virtude a promiscuidade e o ultraje à laicidade.

Exige-se uma consciência cívica que castigue quem use dinheiros públicos para fins alheios às atribuições que lhe cabem.

sábado, junho 11, 2016

O arcebispo de Braga e a democracia

O Dr. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga e Primaz das Espanhas, antigo Cónego Capitular da Sé de Braga e ex-presidente da Comissão Episcopal da Doutrina da Fé, herdeira do Santo Ofício, há de ter estudado rudimentos de democracia com o Cónego Melo a quem a prudência vaticana negou o anelão e o báculo, mas conseguiu uma estátua.

O que o Dr. Jorge Ortiga não aprendeu, trocando o cuidado das almas pela volúpia da caixa de esmolas estatais, foi o significado da palavra ‘totalitarismo’, apesar da tradição da Igreja católica e da licenciatura na Faculdade de História Eclesiástica da Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma.

Não sei onde viu o total controle sobre os direitos das pessoas em proveito da razão de Estado, onde viu ameaçada a liberdade religiosa, que a Igreja católica só reconheceu no início da década de 60 do século passado, com azedume, no concílio Vaticano II, e onde viu limites à liberdade de expressão pia nos jornais paroquiais, colégios ou homilias!

O que o Sr. Dr. Jorge Ortiga, fiel à tradição caceteira da diocese de Braga, não suporta é a independência do poder político que a separação do Estado e das Igrejas impõe e, mãe de todos os totalitarismos, que o Estado se limite às isenções de impostos, ao pagamento dos professores de EMRC, cujo programa e docência pertencem ao poder discricionário dos bispos, ao pagamento de capelães militares, prisionais e hospitalares, e a privilégios intoleráveis num Estado laico.

É verdade que a Igreja portuguesa, onde só o honrado bispo do Porto, António Ferreira Gomes, foi a única voz dissonante do episcopado, em 48 anos de ditadura, não tem pela democracia o amor que nutre pelos negócios e, nem que seja preciso recorrer à calúnia, não abdica da chantagem para encontrar no Estado um mealheiro pio.

Jorge Ortiga, ao defender o dossiê dos contratos de associação com as escolas privadas, que comparou ao “totalitarismo de Estado”, mostrou a chantagem de que a sua Igreja é capaz para combater a laicidade e fazer ajoelhar o Estado.

Sob o ponto de vista ético não ultrapassou a estatura física do seu antecessor de há três séculos, Rodrigo de Moura Teles. À falta de paramentos amarelos, resta-lhe usar a cor na roupa interior.

sexta-feira, junho 10, 2016

Donald Trump: do odioso à caramunha…

Donald Trump tem sido ‘julgado’ pela opinião pública muito à base do exotismo das suas propostas e pelas exuberantes posturas 'politicamente incorretas'.
Este ‘julgamento’ tanto lhe tem trazido fans como inimigos figadais. E o balanceamento entre estas duas posições extremas tem permitido ao magnata dos casinos e da construção civil ocultar a sua olímpica ignorância política e uma cavernícula insensibilidade social.

Na última semana estes desmandos atingiram as raias do inacreditável e fizeram soar campainhas. Mas ainda não as sirenes de abandono do barco ou avisos vermelhos de catástrofe eminente.

O candidato presidencial que conta ora com a tolerância encoberta ora com o apoio explícito do Partido Republicano recusa-se a acatar uma decisão judicial acerca da ‘sua’ Universidade, também denominada de Trump, há algum tempo envolvida numa investigação por indiciada fraude, alegando que o juiz, Gonzalo Curiel, natural do Estado de Indiana (EUA), tem antecedentes familiares mexicanos link
Ora essa dita 'Universidade’ mais parece uma fábrica de banha da cobra, ou um templo da IURD, vendendo a promessa de curar todas as mazelas do insucesso, abrindo mirificas auto-estradas rumo a riqueza fácil, dificilmente será enquadrável como sendo uma instituição educativa e/ou formativa (ao que parece nunca licenciada).

O incómodo é tão grande que o líder (speaker) da Câmara dos Representantes, o republicano Paul Ryan, não conseguiu evitar classificar o discurso de Trump como sendo ‘racista’ link.  Todavia, esta dramática circunstância e este incontornável labéu não parece molestar o (consternado) apoio do Partido Republicano ao indomável e descontrolado candidato.

Todavia, esta não é uma gafe qualquer. Na realidade, os Presidentes dos EUA tem o poder de nomear os juízes da mais alta instância judicial americana. Trump, para quem além de manifestar posições inelutavelmente racistas, acumula essa condição com o mais profundo desrespeito pelo poder judicial, numa clara negação do Estado de Direito, o que - para um candidato ao mais alto cargo executivo americano - diz tudo.

Resta aos democratas americanos cobrirem de crepes negros uma solitária e gigantesca estátua de se ergue numa pequena ilha da baía de Nova Iorque…