quinta-feira, março 30, 2017

O Fernando Nobre do Porto, veio a Coimbra

Os portugueses esquecem depressa os oportunistas e videirinhos da política. Já poucos recordam um oportunista político que foi candidato a PR, deputado do PSD, e que só se manteria na AR se fosse o seu Presidente, desígnio do iluminado Passos Coelho.

Eclipsou-se, claro, como vitalício presidente de uma poderosa multinacional filantrópica e familiar – a AMI –, que move muitos milhões de euros ao serviço do bem comum.

Fernando Nobre foi congressista do PSD e apoiante de Durão Barroso, mas nas eleições autárquicas foi apoiante de António Costa, PS, em Lisboa, Capucho, PSD, em Cascais, Fernando Seara (CDS?), em Sintra, mandatário do BE, alistado da Causa Monárquica, primeiro, e apenas simpatizante, na candidatura ‘independente’ a PR que preparou como filantropo profissional e com apoios de ingénuos e de desempregados políticos.

*
Agora apareceu no Porto, como recandidato autárquico, Rui Moreira, próximo do CDS e revoltado com o PSD de Passos Coelho, que nas últimas eleições autárquicas preferiu Luís Filipe Meneses, e agora tem o apoio do PS e do irrelevante CDS.

Na ambição de atravessar o rio Douro, surgiu em Coimbra a apoiar outro independente, um prestigiado médico e ex-bastonário da Ordem dos Médicos. que trocou o PSD pela liderança dos Cidadão por Coimbra, pseudónimo local autárquico do BE e que, despedido pelo BE, acabou a criar um grupelho denominado «Somos Coimbra».

Podia pensar-se que eram amigos de longa data. Nada disso, Rui Moreira conheceu José Manuel Silva na sua vinda a Coimbra, para o apoiar, por ter acompanhado e admirado o seu percurso. Ignorando que o percurso de médico, docente e ex-bastonário da OM seja do interesse de Rui Moreira e que em política apenas seja referido como ex-militante do PSD, e ora candidato ‘independente’, é de crer que Rui Moreira já pense noutros cargos sob a capa de independente.

Fernando Nobre já tem substituto na ambição disfarçada no embuste da independência partidária. Chama-se Rui Moreira e estagiará para mais altos voos no segundo mandato como presidente da Câmara do Porto.

Assim se compreende a vinda a Coimbra, em benefício próprio.

1 Comments:

At sexta mar 31, 07:38:00 da manhã, Blogger e-pá! said...

A vinda de Rui Moreira a Coimbra para apoiar José Manuel Silva levanta a ponta do véu sobre uma questão política que tem sido escamoteada. Na realidade, podemos estar a assistir à criação de o embrião de um novo movimento - o dos 'independentes' - que terá a tendência para seguir o habitual curso destas 'neoformações', i. e., acabará por desembocar num suposto 'partido dos independentes'...
E neste acidentado (oportunista?) percurso sucumbirá toda a diferenciação dos 'independentes' em relação às forças partidárias tradicionais, à margem (e muitas vezes contra) das quais pretendem justificar, perante os eleitores, a suas originais 'natividades'.

Isto é, tentando caminhar no piedoso caminho da 'conceção sem pecado' (onde existe isto?) em vez de cultivar a diferença inovadora por uma nova praxis política afundar-se-ão inexoravelmente na vulgaridade do já existente. A este trágico fim não será estranho o facto da multitude de candidaturas independentes, que temos visto surgir aqui e acolá, pelas mais dispares motivações e razões, não possuir um fio condutor doutrinário capaz de suportar o 'novel partido' em incubação (?).
Dos vazios ideológicos associados a ruturas (partidárias) mal conseguidas e pior digeridas, passando por revanchismos pessoais, resultará sempre uma 'amálgama' de candidatos e de interesses que, aparentando estar a conjugar muitos e diversos elementos, nunca poderá descartar a eventualidade de se tornar disforme (monstro). Falta-lhe o 'molde democrático', indispensável em todos os níveis da estrutura do regime e definidoras das características do 'poder' (...local, também!).

Muito do que se está a passar assemelha-se aos cogumelos. Despontam quando caem as chuvas (neste caso eleições) e, não sendo fácil distinguir os venenosos dos comestíveis, a tendência 'prudencial' será confinar a produção a 'estufas'... e colocar o produto no 'mercado', criteriosamente escolhido e higienicamente embalado.

 

Enviar um comentário

<< Home