domingo, abril 30, 2017

Momento Zen – O beato César das Neves (JCN) voltou a ter visões

Pouco depois de o Papa Francisco ter iniciado o seu pontificado, o beato João César das Neves abandonou as homilias pias e dedicou-se às políticas, onde zurze a esquerda com o desvelo com que soía azorragar os infiéis ao seu deus.

Neste sábado, dia 29 de abril, teve uma recaída. Um súbito ataque de fé fê-lo regressar à defesa das “aparições” de Fátima, com o mesmo desvelo com que defende Cavaco Silva e Passos Coelho, e igual ódio a hereges religiosos ou políticos.

O homem não ensandeceu, mas nada aprendeu depois do concílio de Trento.  Espuma de raiva contra os «clérigos [que] parecem dizer que, afinal, a Senhora não esteve lá», em Fátima e pergunta dilacerado: «Descobriu-se algo de novo ou são mais confusões e mal-entendidos?».

O ódio de estimação vai para Anselmo Borges, catedrático jubilado de filosofia e padre, por ter afirmado ao Expresso que “é evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima”, e até “D. Carlos Azevedo, bispo-delegado do Conselho Pontifício da Cultura no Vaticano e um dos mais respeitados historiadores portugueses da religião”, por quem tem grande respeito e admiração, ao contrário do outro, afirmou que “Maria não vem do céu por aí abaixo”.

E, para provar que a Senhora de Fátima fez excursões à Cova da Iria, faz o paralelismo: «Jesus, após a sua ressurreição, apareceu repetidamente aos discípulos. Não vinha na forma anterior, pois ficava oculto à primeira vista (Lc 24, 16; Jo 20, 14), surgia nas salas com as portas fechadas (Jo 20, 19) ou desaparecia de repente (Lc 24, 31). Apesar disso, tinha um corpo que podia ser tocado (Lc 24, 39; Jo 20, 27), partia o pão (Jo 21, 13; Lc 24, 30) e comia peixe assado (Lc 24, 43; Jo 21, 15).

JCN, não atribui à sua senhora de Fátima o apetite que Jesus tinha em defunção, e que dificilmente podia ser saciado com a merenda dos pastorinhos.

Depois de se atirar ao padre Anselmo Borges como gato a bofes (ódio de estimação), de lhe reprovar a repugnante afirmação, "Posso ser um bom católico e não acreditar em Fátima porque não é um dogma", o que, sendo verdade (JCN dixit) só pode fazer “um fiel que se limite aos dogmas dificilmente consegue amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.»

«Que Nossa Senhora esteve realmente em Fátima sabemo-lo com segurança desde 1930, quando a autoridade competente, o senhor bispo de Leiria, decidiu "declarar como dignas de crédito as visões das crianças na Cova da Iria, freguesia de Fátima, desta diocese, nos dias 13 de maio a outubro de 1917" (carta pastoral de D. José Correia da Silva de 13 de Outubro de 1930)», um bispo a quem reconhece mais autoridade que a si próprio.

JCN não elucida os leitores sobre o meio de transporte e a proveniência da sua senhora de Fátima, avatar lusófono da de Lourdes, em 1917, mas termina admoestando os dois clérigos: «Esta situação, afinal, é uma realidade profundamente evangélica. O Senhor Jesus disse-o abertamente uma vez, quando lamentava a falta de fé das cidades privilegiadas de Corazim, Betsaida e Cafarnaum: "Eu te bendigo, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque isso foi do teu agrado." (Mt 11, 25-26).»

E foi assim que o beato JCN, ‘não sendo sábio, mas pequenino’, terminou a homilia «A Senhora veio mesmo».

Bem-aventurados os pobres de espírito…

Passos Coelho: Ressabiamento duradouro e inevitável alienação …

Passos Coelho, dirigente do PSD, tem feito ‘aparições’ pelo País para apoiar os candidatos autárquicos do seu partido. Na maioria dessas programadas intervenções aproveita para perorar sobre a situação política nacional e enveredando por passes mágicos tenta acenar às plateias que o seguem a emergência de um mítico ‘Inferno’ que continua à espera de um relapso (e refractário) diabo. 
 
Recentemente, em Arganil, voltou a usar este estratagema. Afirmou: “Muitas pessoas tiveram receio e desconfiança da solução adotada” link.
 
A ‘solução adotada’ é mais do que o Governo PS (com o apoio de toda a Esquerda parlamentar), já que sistematicamente omite o ressabiamento nascido da oportunidade que a Democracia proporcionou ao País para a aplicação de políticas alternativas (que sempre negou existir) e que passam pela rejeição em prosseguir uma política neoliberal que estava subjacente ao encapotado programa político com que se apresentou nas eleições em Outubro de 2015.
 
Estas serão as ‘muitas pessoas’ que, mais uma vez, invocou em Arganil. ‘Muitas pessoas’ serão os imperfectíveis militantes do seu partido e, mesmo neste caso, nem todos. Os putativos seguidores do líder do PSD serão os eventuais ‘consumidores’ desta lengalenga.
Todavia, os números (que Passos Coelho tão repetidamente usou e abusou no seu consulado de parceria com a troika) estão longe de confirmar as metódicas ‘desconfianças’ invocadas, já que o ‘índice de confiança dos consumidores’, publicado pelo INE (Abril 2017) link, revela que o mesmo continua a subir e atualmente apresenta o valor mais elevado desde Outubro de 1997 (há 20 anos!).
 
Por outro lado, e deixando de lado a ‘desconfiança’ infundamentada, o dirigente do PSD invoca um indefinido ‘receio’ dos portugueses, na realidade, a antecâmara do ‘medo’. Não terão sido propriamente as pessoas a terem receio da solução encontrada mas toda a imagem dantesca que a Direita teceu á volta de uma solução que acabou por arrasar um mitológico determinismo político denominado por ‘arco da governação’.
 
Na verdade, o ressabiamento de Passos Coelho ultrapassa a questão política e desemboca num quadro psicológico (patológico) que começou a ser divulgado em Portugal com o fim da guerra colonial e é conhecido como ‘stress pós-traumático’. 
 
O dirigente do PSD nunca foi capaz de distinguir a situação entre ter sido o partido mais votado e o facto de essa circunstância não lhe proporcionar atingir uma maioria para governar. Na madrugada de 4 de Outubro 2015 terá sonhado que seria capaz de continuar a governar enjeitando as consequências dos 'ajustamentos neoliberais' que protagonizou e o futuro o iria desresponsabilizar. Julgou que o resultado eleitoral colocava insofismavelmente o PS como um manietado refém de opção neoliberal que 'sonhava' continuar impunemente a aplicar. 
Ficou, portanto, muito aquém da capacidade de proceder a uma avaliação política objetiva - que a campanha eleitoral já tinha dado suficientes indícios - e, pior, colocou-se fora de qualquer contribuição capaz de conduzir a um desfecho democrático que estava implícito e politicamente expresso nos resultados das eleições legislativas de 2015. Isto é, foi incapaz de interpretar que o País rejeitava um 'ajuste' que passou 4 anos a vender como temporário e excecional numa 'solução definitiva'.
 
Este o ‘trauma’ que há cerca de 2 anos se colou à pele de Passos Coelho e continua a ensombrar a sua mente.
Como sabemos a partir dos 2 anos de prevalência o ‘stress pós-traumático’ passa a ser considerado uma ‘modificação duradoura da personalidade’ onde não é raro que a ‘desconfiança sistemática e obsessiva’ conduza a ‘ideações paranoides’.
 
Na última ‘aparição’, em Arganil, foram exibidos indícios (sintomas) preocupantes sobre um eventual trânsito neste caminho ('wrong way') que, frequentemente, conduz à alienação.  

sábado, abril 29, 2017

A fé é que os salva


Gente de palavra é outra coisa


sexta-feira, abril 28, 2017

A UE, o Brexit e as eleições britânicas...

A primeira-ministra Theresa May acusa a Europa de se “unir” contra a Grã-Bretanha link.
 
Na realidade, a saída do Reino Unido não foi orientada em relação a Bruxelas, ou a Estrasburgo e, muito menos, visava Frankfurt (onde nunca lá esteve).
Muito embora a maioria dos países europeus tenha razão de queixa dos órgãos centralizados da União (Comissão Europeia, Parlamento, BCE e Conselho Europeu) uma coisa são as derivas administrativas e burocráticas, outras serão os instrumentos de diktat e as almofadas financeiras para camuflar dominâncias (Norte/Sul) e os superavits (os défices do Sul) e, finalmente, sobram indícios de um projeto europeu concebido, há largas dezenas de anos, e presentemente em situação de um enorme 'stress' (democrático e institucional). Quem desiste de lutar perdeu antecipadamente e, com certeza, terá um lugar obscuro na (pequena) História.
 
O ‘exit’ britânico foi concebido e executado (‘desconstruído’) em relação à União Europeia. Não foi dirigido aos 27 países europeus, cada um per si. Portanto, as negociações têm forçosamente de decorrer tendo em conta uma frente unida (a não ser que a UE seja atraída pelo espectro de um alegre suicídio).
 
A ilusão de que o Brexit será um passeio fácil foi um (falso) argumento referendário e volta a ser uma das bases da ‘apressada’ convocação de eleições gerais no Reino Unido. Mesmo assim e procurando beneficiar de uma conjuntura favorável para os conservadores (tendo em conta as abissais divisões no seio do Partido Trabalhista) muitos britânicos já se terão apercebido do ‘molho de brócolos’ onde se meteram link.
 
Na realidade, o que deve preocupar a Grã- Bretanha é a instabilidade e fluidez da situação política internacional. Londres não podia prever que as alterações em curso (nomeadamente Donald Trump alcandorado a ‘boss’ no comando da política mundial), gerassem tanta instabilidade.
Não será só instabilidade que perturba o nº. 10 da Downing Street mas, acima de tudo, a espiral de imprevisibilidade, mais uma vez, subsidiária dos resultados das eleições norte-americanas.
 
O risco de o Reino Unido entrar num processo de fragmentação (situação na Escócia, Pais de Gales e Irlanda do Norte) e de ficar isolado, no meio de uma tempestade global, não é despiciendo.
 
As (muito) próximas eleições gerais britânicas para além do oportunismo político que encerram pouco devem adiantar no esclarecimento e resolução da intrincada questão do Brexit. Para Theresa May as eleições não serão a revalidação (ou o reforço) do referendo e para Jeremy Corbyn não funcionarão como um ‘contra-referendo’. O melhor que poderá suceder nestas eleições será o 'afundamento' da direita ultranacionalista do UKIP (que parece ter esgotado a sua 'motivação').
 
A sorte está lançada (a não ser que as eleições francesas tragam algum imprevisto) e as eleições britânicas estão cronologicamente ensanduichadas pelas francesas (Maio) e pelas alemãs (Setembro).
O libelo foi esgrimido em Junho de 2016 e, o marasmo negocial - entrecortado por ameaças veladas e troca de galhardetes - vai entrar num sombrio ‘cul-de-sac’  e marinar por muito tempo.
 
Theresa May tenta ensaiar uma fuga em frente. Nada de imprevisível no jogo político ou que deva impressionar a União Europeia que, nos próximos tempos, vai estar ocupada com a perigosa imprevisibilidade de Trump, o imbróglio da guerra na Síria e o reacender da 'questão russa/ucraniana/Ocidente'.

A vinda do Papa e a tolerância de ponto


A tolerância de ponto decretada pelo Governo é um ato indigno de uma República laica. A separação das Igrejas e do Estado não é apenas uma conquista civilizacional, é a exigência do espírito e da letra da Constituição da República Portuguesa.

A vista do Chefe de Estado do Vaticano exige honras de Estado, mas o Papa fez questão de declarar-se mero peregrino. A sua visita é, pois, um assunto do foro religioso e, mesmo para alguns católicos, uma caução ao maior embuste do século XX, montado em Portugal contra a República, em 1917, aproveitado contra o comunismo, a partir de 1930, já durante a ditadura fascista e, depois da implosão da URSS, contra o ateísmo.

As alegadas visões de três pastorinhos analfabetos correspondem ao catecismo terrorista que ainda apavorava as crianças da década de 40 do século passado, com o Inferno em plena laboração e as almas a frigirem em azeite e em perpétuo sofrimento, com o Diabo a mergulhá-las com um garfo de 3 dentes até ao fundo do caldeirão.

A cedência vergonhosa à chantagem clerical é digna de um país do Terceiro Mundo, e inexplicável numa República laica e democrática.

O lamentável precedente abre caminho para as reivindicações de outras religiões, algumas de cariz fascista, a exigirem igualdade de tratamento, desarmando o Estado laico do seu poder de contenção de exigências ilegítimas.

A devoção chegou ao aparelho de Estado. Às maratonas pias que os crentes fazem pelos caminhos de Portugal, em direção à Cova da Iria, juntaram-se os edis, cuja fé se agrava em anos eleitorais, com excursões pias motorizadas e farnel pagos pelo erário público aos idosos dos lares da terceira idade.

O devoto Marcelo Rebelo de Sousa gravou um vídeo promocional de Fátima em que menciona a sua qualidade de PR e o Governo deu tolerância de ponto. Hoje, permite-se que não se trabalhe para assistir à procissão das velas, amanhã exigir-se-á que se reze o terço até que as pontas dos dedos doam.

Ai, meu Portugal dos 3 FFF, Fátima, Futebol e o Fado. Triste fado de quem acaba de rastos ou de joelhos!  

quinta-feira, abril 27, 2017

Associação Ateísta Portuguesa (AAP)

Despacho da Lusa

“Ataque” ao Estado laico

A Associação Ateísta Portuguesa considera que a decisão já anunciada é "um descarado ataque à laicidade" do Estado. Essa medida "é uma atitude indigna de submissão perante a Igreja Católica", disse ainda o presidente da AAP à agência Lusa.

O dirigente ateísta rejeitou ainda "a caução que, de certo modo, está a ser feita pelas entidades públicas a uma encenação que começou por ser contra a República”. Em 1930, as alegadas aparições "passaram a ser contra o comunismo e, depois da implosão da União Soviética, contra o ateísmo", salientou Carlos Esperança.

"Esta encenação pia tem tido a colaboração de autarquias que sofrem ataques de fé e proselitismo em anos eleitorais", criticou.

Para o presidente da AAP, a concessão de tolerância de ponto põe em causa "a letra e o espírito da Constituição da República" e constitui "uma traição à separação entre as igrejas e o Estado".

Carlos Esperança criticou ainda os autarcas que organizam excursões a Fátima, sobretudo com idosos e em ano de eleições locais, "com transportes e vitualhas" pagos por câmaras municipais e juntas de freguesia, "só com a bênção a cargo das autoridades eclesiásticas".


A Guarda em meados do século XX - Crónica

Quando, em 1953, entrei para o Liceu Nacional da Guarda, já conhecia a cidade. Vivia a duas léguas de distância, numa aldeia onde tinha ido um carro com a imagem da Sr.ª de Fátima rodeada de pombinhas, milagre que extasiava as criaturas e as fazia ajoelhar no chão, e de padres com pressa de recolherem o óbolo e demandarem outra paróquia.

Levava no currículo 4 sacramentos, que a Igreja não brincava em serviço, e três exames oficiais: o da 3.ª classe, feito em Vila Fernando, o da 4.ª, com distinção, na escola Adães Bermudes, e o de admissão ao liceu, mas já antes ia à cidade, onde o meu pai regressava após o exílio de cada promoção na hierarquia das Finanças. Recordava a deslocação para ver o Carmona, com o bigode e a farda da fotografia da minha escola, na Praça Velha, cheia de gente, e o carro de bombeiros ardido nesse dia. Vi a primeira farda com dragonas, com o homem dentro e o bigode de fora, sob o boné, aos ombros do meu pai.

Nesse ano esperei dois meses pelo seu regresso de Bragança, em casa de pessoa amiga, antes de nos hospedarmos na Pensão da D. Bernardina, até arrendar casa.

A Guarda albergava mais padres por metro quadrado do que Braga e os estudantes eram a maioria da população. Escasseava saneamento, luz e água canalizada em muitas casas, mas havia missas todos os dias e o terço no mês de maio, o mês de Maria, na igreja da Misericórdia e na de S. Vicente.

Quem precisasse de fazer um telefonema, depois do fecho dos CTT, tinha, até à hora do encerramento, o Café Cristal, que funcionava como posto público, onde os estalidos dos períodos de conversação desencorajavam, pelo preço, o excesso de palratório.

Nos três Cafés da cidade, Mondego, Monteneve e Cristal, só duas mulheres, ambas de nome Dores, celibatárias e tementes a Deus, frequentavam o Café. Uma, era a D. Dores do Centro (Centro de Assistência Social), e a outra, a D. Dores Mantas, que se tratavam reciprocamente por Sr.ª D. Dores e frequentavam o Café Mondego. Este era, dos três, o que tinha o melhor bilhar livre, o mais saboroso café e o mais nauseabundo sanitário. Entrava-se nos urinóis com a respiração suspensa. Um dia, um engraçado escreveu em letras garrafais, na parede, à altura dos olhos, «Ninguém diga desta água não beberei», e o odor passou a agredir demoradamente as pituitárias, vítimas do riso irreprimível.

Merece referência o ‘Centro’, onde a D. Dores era a precetora de jovens que não tinham posses para frequentar o liceu ou o colégio. Era meritória a obra pia, estabelecimento de ensino de alunos pobres da cidade e internato dos que vinham das aldeias, uns e outros moços de recados antes de chegarem a empregados de balcão nas lojas onde a D. Dores negociava funções e salários com que ajudavam a pagar a educação. Alguns chegaram longe, devendo ao Centro o impulso que os levou à Universidade, passando por diversos empregos com que custearam os cursos superiores.
   
Nesse tempo, por constrangimento social e ativismo pio de alguns professores, era usual a desobriga coletiva dos estudantes antes das férias da Páscoa, com o preenchimento de uma ficha destinada ao padre Isidro, destino duvidoso se acaso fosse esse pároco, de tão pouco siso, o responsável do ficheiro. Mas era um meio de controlo ideológico, isso era.

Eram parcas as diversões na cidade. As bicicletas, alugadas à D. Prazeres, eram o regalo caro e apetecido. O circo, o carrocel e os carrinhos de choque surgiam com a feira de S. Francisco, em outubro, e a de S. João, em junho. Depois, só restavam os matraquilhos.

A televisão foi o acontecimento da década de cinquenta. Perante ela, perdeu relevância o dedo de S. Francisco Xavier, exposto três dias na Sé, onde, no adeus, sermoneou o padre e deputado da U. N., Pinto Carneiro. Foi uma notável peça de parenética, antes de a relíquia prosseguir em rali pio, pelo país. Só a visita de Humberto Delgado, em 1958, inflamou os ânimos, mas os alunos do liceu ficaram retidos, a pretexto de uma palestra imposta, sobre Gil Vicente, enquanto o general, candidato a PR, permaneceu na cidade.

A Guarda foi um alfobre de quadros do País, e caíram no esquecimento as mulheres que foram das aldeias com filhos, sobrinhos e filhos de vizinhos, deixando o campo, a casa e os maridos, para serem o suporte dos estudantes numa espécie de albergaria onde os que não eram filhos se alojavam ao farnel, pagamento em géneros e cem escudos mensais, geridos de forma a que todos pudessem frequentar os estudos e singrar na vida.

A amnésia coletiva sobre essas heroínas anónimas, tantas vezes analfabetas, que faziam de mães e criadas, que colocavam o dedo tingido nos contratos de arrendamento, da luz e da água, que iam à praça, compravam os víveres, o carvão, a carqueja e o petróleo, faziam as camas, lavavam a roupa e preparavam as refeições, é uma injustiça para quem fez a dádiva que evitou à geração seguinte a repetição do sofrimento que foi o seu.

No despojamento, no sacrifício silencioso e na determinação dessas governantas houve uma epopeia coincidente com o papel que era reservado às mulheres, o maior sacrifício e o mais generoso tributo na mais anónima condição e na mais pungente ingratidão.

E ainda arranjavam tempo para, durante os exames dos filhos, se ajoelharem na peanha do lado esquerdo do transepto da igreja de S. Vicente, para implorar ao patrono que os protegesse.

No lado direito, noutra peanha, sob o olhar resignado da Virgem, rezavam ave-marias as prostitutas que vinham dos bordéis, ali perto, na Rua Poço do Gado, e que, às vezes, soía serem mães, também. Não faltavam, aliás, à ditadura, filhos delas, não dessas que agora recordo, mas isso são contas de outro rosário, isto é, prosa para outras crónicas.

Ponte Europa - Sorumbático

A Espanha e o episcopado

A Igreja católica espanhola, onde os bispos se consideram exonerados do cumprimento das leis e das decisões dos Tribunais, é uma espécie de offshore da legalidade.

O casamento civil de uma professora de religião católica, paga com dinheiro do Estado, foi exonerada pelo bispo da diocese, uma situação recorrente no País que ainda não fez o julgamento do franquismo.

Estranha é a desobediência às decisões dos tribunais, incluindo à do Supremo Tribunal que deu razão à professora e cuja desobediência é um gravíssimo atentado à legalidade democrática.

A impunidade dos bispos-talibãs é inaceitável. Para que serve a polícia?

quarta-feira, abril 26, 2017

Há 80 anos


O bombardeamento de Guernica, em 26 de abril de 1937, às 16H40, foi um ataque aéreo por aviões alemães da Legião Condor, durante a Guerra Civil Espanhola, no País Basco.

Foi a monstruosa aliança do nazismo alemão com o exército marroquino de genocida Franco numa demonstração cruel da força dos demónios que surgiam na Europa.

Ontem, em Almeida

25 de Abril em Almeida

Ontem, largas dezenas de cidadãos e cidadãs participaram, depois das cerimónias oficiais, no almoço popular evocativo da data emblemática da democracia.

No Largo 25 de Abril, entre o Monumento ao 25 de Abril e as muralhas da histórica vila de Almeida, homenagearam-se os capitães de Abril e a liberdade que nos devolveram.


Penacova - Atentado à laicidade

Ex.mo (a) Sr. (a)

Incumbiu-me o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Penacova de enviar o convite para a exposição “100 anos, 100 terços: Centenário das Aparições de Fátima”, a ter lugar no dia 3 de maio, pelas 17.30h, na Biblioteca Municipal de Penacova.

Paula Silva___________________
Biblioteca Municipal / Centro Cultural

Largo Alberto Leitão, 5 | 3360-191 Penacova
www.cm-penacova.pt  | geral@cm-penacova.pt  


terça-feira, abril 25, 2017

Viva o 25 de Abril !

Não os esqueçamos!

segunda-feira, abril 24, 2017

Viva o 25 de Abril! Sempre

«Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo»
(Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'O Nome das Coisas')

Na véspera d’ ‘o dia inicial inteiro e limpo’, a minha homenagem vai para os capitães de Abril, para todos os que não hesitaram em derrubar a ditadura, e devolveram ao povo o direito à liberdade.

Os salazaristas reciclados, os que mais lhe devem, os que mais longe chegaram graças à generosidade dos que tudo arriscaram, sem nada receberem, nunca lhes perdoaram. Para os almocreves do salazarismo os heróis de Abril não passaram de insurretos suspeitos.

Houve quem negasse ao mais emblemático capitão de Abril a pensão que guardou para os pides, quem exonerasse da lapela o cravo e do pensamento a democracia, e chegasse aos cargos mais elevados da República.

Mas, no coração do povo português, depois de apodrecidos os ressentidos e esquecidos os protofascistas que a democracia beneficiou, haverá sempre alguém que recorde:

 «o povo unido, jamais será vencido!»,

e gritará nos séculos que vierem,

Viva o 25 de Abril!

domingo, abril 23, 2017

Das eleições francesas ao defice informativo e à convulsão europeia...

O interesse dos cidadãos europeus nos resultados das eleições presidenciais francesas esconde os medos de uma convulsão europeia eminente e o adiar de uma imprescindível clarificação do sistema democrático. Isto sucede independentemente do espectro político que cada cidadão possa enquadrar.

Na verdade, a insistência em revitalizar um modelo de democracia representativa, que um rol de problemas colocaram numa encruzilhada, tende a ocultar que o ultraliberalismo económico tem de destruir esse ‘modelo clássico’ para se afirmar.
Os mercados não estão disponíveis para serem publicamente escrutinados ou submeterem-se mudanças determinadas pelo voto popular. A ameaça ao conceito democrático oriundo da Revolução Francesa passa por este drama. A soberania transferiu-se do povo para um estrito núcleo financeiro em que o sistema é a cooptação (entre amigos e compinchas) e não a eleição (universal).

O aparecimento de 'líderes populistas', por todos os lados, não é um acidente mas uma previsível consequência da atrofia e degenerescência do ‘modelo democrático clássico’. Durante muito tempo repetiu-se a afirmação de que ‘não existe democracia sem partidos’. Ocultando que quando a Democracia ‘morre’ ou é ‘capturada’, os partidos políticos são, imediatamente, banidos.

Hoje vemos alcandorarem-se aos mais altos cargos públicos personagens que ‘cresceram’ à margem (quando não à revelia) dos partidos, entendidos estes como organizações políticas e sociais com um programa ideológico claro e definido e propostas de transformação e acção comunitária credíveis, equitativos e justas que deverão ser coletivamente discutidas e submetidas a votos.

Por exemplo, Donald Trump nunca foi um dirigente do Partido Republicano norte-americano, mas acabaria por ser apoiado por este, devido a restritas e tácticas questões de ‘conquista do poder’.
Hoje, o negociante de imobiliário e entretainer de reality shows, já instalado em Washington (ou em ‘Mar a Lago’ na Flórida) pretende ter uma ‘vida autónoma’ (à margem das instituições democráticas americanas) concertada pelo seu circulo íntimo (familiar e de negócios). De facto, levou de ‘arrastão’ para a Casa Branca e à margem das instituições existentes um conjunto de personagens que operam em movimentos e organizações ‘fechadas’ e facciosas, grupos e clubes capazes de ensombrar o futuro do Mundo (e não só dos americanos). De facto, o slogan ‘America, First’, da lavra do Sr. Steve Bannon (oriundo da sinistra organização de Extrema-direita ‘Breitbart’), está amputado do seu real alcance. Falta acrescentar: and 'The World, After!’.
Por outro lado, a exposição destes títeres aos lobbys (económicos e financeiros) é verdadeiramente assustadora. A manutenção de um nível de confronto bélico suficiente para alimentar a indústria de armamento, faz com que este tipo de ‘franco-atiradores’ atirados para o exercício de altos cargos políticos sejam, de imediato, capturados por interesses e, na prática, liderados pelos ‘falcões’ do Pentágono (como foi notório na exibicionista ‘saraivada’ de mísseis lançados contra uma base aérea síria).

Em França Emmanuel Macron apresenta-se como sendo um candidato ‘nem de Esquerda, nem de Direita’, um emergente ‘político anti-sistema’, putativo contraponto de uma Extrema-direita em ascensão, mas não é capaz de explicar como assumirá as amplas funções governativas (executivas) e representativas atribuídas aos Presidentes, no contexto constitucional da V República, sem se vislumbrar qualquer apoio na representação parlamentar (presente ou futura). O ‘centro político’ que Macron pretende preencher e com isso arregimentar uma classe média fustigada, cansada e espoliada é, na verdade, o mais completo vazio.  Entre uma Extrema-direita caceteira representada pela FN de Marine Le Pen que não consegue esconder o intuito de estabelecer a ‘sua’ Lei e a ‘sua’ Ordem ao arrepio de conceções democráticas e o ‘arrivista’ Macron, subsidiário de um virtual e elitista pragmatismo (gestionário e vazio de ideologia), os resultados finais poderão não ser substancialmente diferentes. Isto é, ambas as ‘soluções’ conduzirão ao estilhaçar da democracia representativa.
Na realidade, cresce – no Mundo - a convicção que as eleições estão a transformar-se num penoso ritual, com total esvaziamento do seu conteúdo (nesse conteúdo os partidos políticos jogaram historicamente um papel fulcral) e, nos bastidores, está a impor-se na sombra uma ‘governação mundial’ cujos representantes são cooptados entre os grandes grupos económicos e financeiros, cujo exemplo paradigmático, será o Club Bilderberg.

Aliás, não é por mero acaso que o mais prominente conselheiro da Casa Branca tem um ‘exemplar’ percurso que começou na banca e acabou num site de notícias da Extrema-direita (Breitbart). Na realidade, os mais importantes e influentes grupos de comunicação social do Mundo têm assento no citado Club Bilderberg. Quem controla esse grupo continua a ser uma nebulosa questão link.
 
Deste modo, vamos tendo (direito a) uma informação filtrada (censurada) que está empenhada em divulgar uma pérfida ‘ilusão democrática’.
Quer as eleições francesas, quer o estado da União (europeia), têm sido equacionados e discutidos dentro destes estritos condicionalismos. É este o espectro que assistimos todos os dias nos órgãos de comunicação social (cá e pelo Mundo) protagonizado por comentadores orgânicos e especialistas de pacotilha.
Foi dentro deste diapasão que ouvimos repetir ad nauseam que o candidato da Esquerda (Mélenchon) é um perigoso esquerdista que até conta com o apoio do Partido Comunista Francês (como se, de facto, esse Partido na prática ainda existisse ou tivesse a mínima influência nos resultados eleitorais). Não estaremos longe do dia em que nos venham impingir a obrigatoriedade de acreditar no Pai Natal ou uma ‘reescrita’ história da carochinha…
 
Adenda: Escrito e publicado antes de serem conhecidos os resultados da 1ª. volta das eleições presidenciais francesas.

Coimbra - Atribuição de uma placa toponímica

Há duas semanas, acompanhada pelos signatários José Dias e Carlos Esperança, fiz a entrega das assinaturas online, juntamente com uma carta dirigida ao sr. Presidente da Câmara Municipal de Coimbra onde referia a disposição da família em aceitar uma Praça/Rotunda - alternativa que consideraram interessante - para a homenagem que gostaríamos de ver realizada.

No dia 21 de abril de 2017, tive conhecimento, através do nosso amigo Carlos Esperança,de que a Câmara Municipal de Coimbra fez a proposta de atribuição do nome do Sr. General Augusto José Monteiro Valente a uma Rotunda/Praça, situada junto do Centro de Saúde de Santa Clara.

A família concordou com esta opção. A cerimónia de atribuição do nome terá lugar na próxima terça-feira, dia 25 de abril, pelas 12,30h.

Solicito, desta forma, a presença dos signatários neste evento, por cujo sucesso todos nós nos envolvemos. Em anexo, segue o mapa do local. Vamos homenagear o nosso amigo, capitão de abril, AUGUSTO JOSÉ MONTEIRO VALENTE, neste dia emblemático: 25 de Abril! Disponível para o esclarecimento de qualquer dúvida, com os melhores cumprimentos.

 Anabela Monteiro

Ponte Europa convida todos os cidadãos a estarem presentes na homenagem ao saudoso capitão de Abril, único oficial do MFA no Regimento de Infantaria da Guarda, que sublevou a Unidade, prendeu o Comandante e foi para Vilar Formoso a encerrar a fronteira e neutralizar a PIDE.



Oliveira do Hospital - Convite


sábado, abril 22, 2017

Prémio Eduardo Lourenço 2017


O ex-diretor do Jornal do Fundão, Fernando Paulouro Neves, excelente jornalista e grande escritor, foi o vencedor da 13.ª edição do Prémio Eduardo Lourenço.

O justo galardão não premeia apenas a carreira jornalística e literária de um vulto da cultura portuguesa, é a homenagem merecida ao cidadão corajoso e civicamente empenhado que honrou a herança do fundador do Jornal do Fundão, António Paulouro.

Com este prémio, instituído em 2004 pelo Centro de Estudos Ibéricos (CEI), Fernando Paulouro junta o seu nome ao de uma reduzida plêiade de intelectuais da Península Ibérica.

Enquanto aguardo o seu romance «Fellini na Praça Velha», cujo lançamento terá lugar no próximo dia 24 (véspera do 25 de Abril), deixo aqui, ao amigo, um abraço de parabéns.


Crenças e crentes

Não respeito crenças, apenas crentes e, mesmo estes, sem perder a vigilância cívica que as suas associações exijam. Abdicar da defesa da liberdade democrática e da civilização, é um suicídio que deixa livres as mãos de quem as usa para as combater.
 
O respeitinho é muito bonito, se queres ser respeitado respeita os outros, as crenças são sagradas, graças a Deus muitas e graças com Deus poucas, são algumas das frases com que se pretende embotar o espírito crítico, limitar o direito de expressão e perpetuar as mais intoleráveis tradições.

Se a crença, por mais tola que seja, é uma inofensiva convicção pessoal, merece apenas um sorriso, mas se à crença corresponde uma ação, devemos avaliá-la e, eventualmente, combatê-la.

Não se pode condescender com crenças alternativas sobre a higiene ou a epidemiologia. Por que motivo hão de aceitar-se crenças que defendem o assassinato para a apostasia, o trabalho ao sábado, a blasfémia, o adultério feminino ou que exigem a conversão ao seu Deus, nem que seja à bomba?

Pode condescender-se com quem recusa uma transfusão de sangue e põe em risco a sua vida, mas não se pode tolerar quem recusa as vacinas e põe em causa a vida dos outros.

Há um eterno conflito entre os direitos individuais e os interesses coletivos que cabe aos Estados compatibilizar de acordo com os avanços civilizacionais. A Humanidade ganha sempre quando enfrenta os dogmas e perde quando os aceita.

Tudo o que é afirmado sem provas pode igualmente ser contestado sem elas. A alegada vontade de Deus não pode ser aceite se alguém a tentar impor aos outros. Deus pode ter criado o mundo em seis dias, ter descansado ao sétimo e nunca mais ter feito o que quer que fosse, mas ninguém tem o direito de impor semelhante crença a quem a recuse.

A autoridade das religiões em questões morais depende da comprovação dos factos em que a sua doutrina assenta. Se a fé é a única razão invocada, não há razão para substituir por outros, os modelos de racionalidade elaborados por quem cultiva a razão e confia na ciência, sem recurso a seres hipotéticos ou à espera de outra vida para além da morte.

Estamos a viver um tempo em que as crenças ameaçam a sobrevivência da Humanidade.

sexta-feira, abril 21, 2017

A família laranja em decomposição


Associação Ateísta Portuguesa (AAP)

COMISSAO DA LIBERDADE RELIGIOSA

Exmo. Senhor

Director do Agrupamento de Escolas de

Alfândega da Fé

da Escola Preparatória
5350-023 ALFÂNDEGA DA FÉ

Sua referência                       Sua comunicação de                            Nossa referência                                Data

ASSUNTO’ Exposição apresentada por encarregados de educação do 1 0 ciclo na Ebl de Alfândega da Fé

Exmo Senhor Director,

A Comissão da Liberdade Religiosa é um órgão independente de consulta da Assembleia da República e do Governo e tem competência no âmbito da protecção do exercício da Liberdade Religiosa, de controlo da sua aplicação, nos termos, designadamente da alínea e), do arto 3 0 do Decreto-Lei n o 308/2003, de 10 de Dezembro.

Deste modo, na sequência do envio de e-mails de dois encarregados de educação e do Presidente da Associação Ateísta Portuguesa, em que referem ensaios nas aulas de música para a Missa Pascal, realizada dia 3 de Abril de 2017, cumpre-nos solicitar a V. Exa. informação mais precisa sobre a situação reportada e designadamente quais as alternativas apresentadas para os alunos que não pretendiam fazer parte da referida actividade religiosa.

Com os meus melhores cumprimentos

José Vera Jardim

Presidente da Comissão da Liberdade Religiosa

Av. Fontes Pereira de Melo, no. 7 a 13 – 70. Esqo– 1050 — 115 Lisboa — Portugal

quinta-feira, abril 20, 2017

O proto-califa MaomÉrdogan e a democracia

O desejo do Presidente turco era mudar a Constituição e sepultar a herança de Atatürk. A seis anos do centenário da República laica, o Irmão Muçulmano a quem a UE e EUA outorgaram sucessivamente o epíteto de democrata muçulmano, acabou de transformar a natureza do regime.

No domingo, com o referendo duvidosamente democrático, em estado de emergência e com fortes suspeitas de irregularidades, Erdogan chamou a si os poderes do PM, cargo ora extinto, e iniciou a caminhada para se manter no poder até 2029.

O partido islamita (AKP) confundia-se com o Governo e o Estado. Erdogan usou-o para asfixiar as liberdades, perseguir opositores e abolir a laicidade. Agora, com os Tribunais subjugados, o Parlamento diminuído nas funções, as Forças Armadas expurgadas e o poder executivo concentrado nas suas mãos, a democracia é uma farsa à espera das leis corânicas.

A República constitucional democrática, secular e unitária foi derrotada no domingo e a herança de Atatürk, que reprimiu os xeques e libertou as instituições turcas de Maomé, o ‘beduíno analfabeto e amoral’, terminou.
 
Não mais se ouvirão as palavras do fundador da Turquia moderna: “São os professores, somente eles, quem libertam os povos e transformam as coletividades em verdadeiras nações”. Erdogan pretende restabelecer a pena de norte e virar-se para Meca. A paz na Síria fica mais difícil, os curdos mais ameaçados e a Europa apavorada, sob chantagem, com 4 milhões de refugiados na Turquia.

A ditadura islâmica está em marcha. Sob o poder de Erdogan os cinco pilares do Islão sustentam o regresso ao califado. MaomÉrdogan é o paradigma de uma ambição que o Ocidente amamentou num país que tem o maior exército da Nato fora dos EUA e o seu maior arsenal nuclear estacionado na Turquia.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, abril 19, 2017

A frase


terça-feira, abril 18, 2017

TRUMP: Da ‘mega-bomba’ à indigência…

A ‘mega-bomba’ (GBU-43) lançada numa zona de acantonamento e refúgio do Daesh no Afeganistão poderá esconder a ‘mega-incompetência’ da equipa estratégica que rodeia e aconselha o presidente Trump quanto à política externa dos EUA.

Os poucos meses que a Administração Trump leva no exercício do poder mostram um profundo divórcio entre o dito e prometido na campanha eleitoral e a realidade. A situação política internacional é uma tarefa muito mais complexa do que administrar empresas de construção, promover resorts turísticos ou produzir reality-shows.
Todos sabíamos isso à partida e será justo admitir que o próprio staff de Trump, também. Só que o ‘populismo barato’ que inundou a candidatura de Donald Trump quis iludir os factos e as consequências.

As atitudes da Administração americana durante este século – ou melhor a nova política que foi gerada após o ataque da Al Qaeda às torres gémeas - deixam muito a desejar e, acima de tudo, são incompreensíveis em termos estratégicos.
Quer o descontrolo do sistema financeiro que levou à ‘crise dos subprimes’ que trouxe uma ‘onda global de recessão económica’, quer a postura perante o Mundo relativamente à invasão do Iraque, concomitantemente com o prolongamento da ‘questão afegã’ e, finalmente, a promoção avulsa de ‘primaveras árabes’, de que a Síria é um exemplo ainda em ebulição, existem muitas oportunidades de penitência (…estamos em período peri-pascal).

Durante a campanha eleitoral, Donald Trump, adoptou a ‘doutrina Banner’, seu inefável conselheiro eleitoral (que entretanto se distanciou da Sala Oval), e cujo conteúdo se condensava no slogan (ultra)nacionalista ‘America, First!’, o que traduzido por miúdos significava a absoluta predominância de resolução de problemas internos sobre os do ‘resto do Mundo’ mas, simultaneamente, pretendia também esconder a olímpica incompetência em lidar com a situação geopolítica internacional.

O bombardeamento da base área síria e, mais recentemente, o lançamento de uma ‘mega-bomba’ sobre o Afeganistão (junto à fronteira com o Paquistão – um país possuidor de arsenal nuclear) poem a nu circunstâncias que não pode ser escamoteadas.
É cada vez mais evidente que na condução da política externa americana, a administração de Washington, está entregue aos ‘falcões’ do Pentágono. Perante o sucedido no Afeganistão o presidente Trump foi incapaz de explicitar quem deu a ordem de bombardear. Este contexto não pode ser desvalorizado.
 
Na realidade, existe, em todo este processo, mais um passo na ‘fuga em frente’, embora noutros moldes. Bush invadia e criava situações incontroláveis, Obama não queria que os americanos pusessem os pés do terreno e utilizava drones para intervenções cirúrgicas e, agora, Trump bombardeia com armas sofisticadas (porque bombardear foi quase sempre uma rotina – ver ‘primavera líbia’).
Todavia, para o comum dos mortais, esta saga invasora e purificadora dos regimes ditatoriais, p. exemplo, no Médio Oriente, torna-se incompreensível quando olhamos para as obsoletas e medievas monarquias do Golfo, objeto de uma canina proteção do dito ‘Ocidente’.

Regressamos, deste modo e sob a batuta de Trump, a uma nova versão da ‘política de canhoneira’ tão do agrado da diplomacia britânica e que serviu para algumas coisas (entre outras). Por exemplo, amedrontar a China Imperial (na Guerra do Ópio) e perante o snobismo dos súbitos de Sua Majestade conduziu ao destroçar do velho Império (vitoriano). Mas o grave é que com o lançamento da ‘mega-bomba’ no Afeganistão fomos colocados (os cidadãos do Mundo e não especificamente os 'terroristas') na antecâmara do uso de armas nucleares. O que é absolutamente aterrador para o Mundo.

O fio condutor da política externa norte-americana dá sinais de uma deriva assustadora mais parecida com um fatídico desnorte. Os problemas de fundo persistem, ou agravam-se, e as intervenções pontuais (sejam de rotina ou excecionais) sucedem-se no sentido de remediar, quando não de ocultar, os sucessivos desaires.
Na realidade, o primeiro responsável pelas situações críticas e belicistas que muitas regiões enfrentam nos dias de hoje foi a política externa dos EUA (no tempo da Guerra Fria) cujo denominador comum anti-comunista (serviu para arrebanhar todos os fundamentalismos) e transitar abruptamente para a defesa de interesses geo-estratégicos e mercantis americanos, nomeadamente, no campo energético, completamente à revelia de consensos internacionais. 
Das situações oriundas desde o fim da Guerra Fria até aos dias de hoje existe um diversificado conjunto de situações pouco claras, em termos estratégicos, mas evidenciando a incapacidade de dissimular a mais recente escalada da Administração Trump, cujo sentido e  alcance é, neste momento, indecifrável.

Por outro lado, as reiteradas tentativas de contornar das instâncias internacionais onde se devem concertar as questões da Paz e Segurança mundiais (p. exº.: o Conselho de Segurança da ONU) – como já sucedeu na trágica ‘aventura do Iraque’ - é um risco acrescido para que estas medidas bélicas avulsas desemboquem no mais fragrante insucesso ou, mesmo, possam a vir a  ser o rastilho para um conflito incontrolável. 

De resto, a Administração Trump parece embriagada por um infantil encantamento. Julga ter descoberto um arsenal de ‘brinquedos’ e, tal como as crianças, mostra-se tentada em experimentá-los. Só que na infância pode-se invocar a inocência e a curiosidade como um alibi comportamental mas, no caso vertente, os inquilinos da Casa Branca para além de uma gritante imprudência só conseguem exibir uma enorme indigência política e uma aviltante pobreza intelectual.
 
Se isto é a ‘America, Great Again’, vou ali e já venho… (enquanto o céu não me cai em cima!)

O espírito científico e a fé


Como procurar o caminho do Céu


De como um professor republicano podia impedir a carreira da santidade. Antes analfabeta toda a vida do que um só dia de aulas com um professor republicano.

«O professor não era grande coisa… era republicano. E só ensinava a ler, não ensinava a escrever.»

(Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado)

segunda-feira, abril 17, 2017

O referendo turco


Pareceu o referendo salazarista que legou a Constituição de 1933. 

A democracia islâmica vem a caminho.

A Guarda Civil e a condição feminina – As regras militares e as outras

A agente da Guarda Civil espanhola estava de serviço e, sem aviso prévio, vieram-lhe as regras. Para não sujar a farda e a viatura com o sangue que só o combate torna glorioso, e colocar o penso, para manter imaculados o uniforme e o veículo, violou, por minutos, as regras de serviço que a obrigam a manter-se publicamente motorizada.

Um tenente, insensível às regras fisiológicas, de que a natureza o libertou, certo de que as regras militares não contemplam a privacidade que a agente se permitiu, fossem quais fossem as razões, participou a ocorrência e submeteu a infração à consideração superior.

Coube à hierarquia decidir sobre a precedência da natureza sobre as regras militares, ou vice-versa, e proceder em conformidade. A pena ficou suspensa da decisão hierárquica. Dois dias sem vencimento foi o castigo julgado adequado.

domingo, abril 16, 2017

BRASIL: presente e futuro…

A corrupção que colonizou os titulares dos cargos políticos e perverteu o sistema constitucional no Brasil parece mais um festim do que aquilo que, na realidade, é: – uma trágica encruzilhada.

No momento em o Supremo Tribunal de Justiça manda investigar oito ministros do Governo de Temer nasce alguma luz sobre a razão do impeachment de Dilma. Na verdade, existindo uma ‘classe política’ detentora de prerrogativas especiais (jurídicas e outras) o que fará atulhar a alta instância judicial competente para investigar e julgar acresce ainda o facto de o Presidente não poder ser investigado sobre atos cometidos antes de tomar posse.

O regime brasileiro está à beira do precipício. A ‘solução Temer’ não colou e dia a dia demonstra que não tem viabilidade política. Na atualidade, não é temerário pensar que os brasileiros não acreditam que o regime democrático nascido com o fim da ditadura militar sobreviva a esta avalanche de corrupção que expõe de modo penoso os titulares de cargos políticos, descreditando-os.
As prerrogativas inerentes aos cargos, que atingem o assustador número de quase 30 000 cidadãos, deixaram de ser um ‘guarda-chuva’ eficaz para disfarçar  e tornar impune a podridão corruptiva reinante. Esta calamidade atinge tudo e todos e, neste momento, já recua até Dilma Roussef, Lula da Silva desembocando em Fernando Henriques Cardoso.

Na rua começa a nascer a ideia de uma ‘novíssima República’. O problema é, portanto, outro e mais premente. O que virá depois?

Acreditando que os políticos corruptos acabarão por ser julgados com as garantias que a Constituição neste momento lhes confere, o exercício político para futuro é obscuro. Como será a novíssima República e como (e donde) surgirá a nova classe dirigente?

A fragmentação partidária levada ao extremo (uma reação ao bipartidarismo imposto pela Ditadura militar - Arena/MDB) e a utilização inapropriada de siglas clássicas que não correspondem a qualquer quadro ideológico facilitam a permissividade e semeiam a confusão, atrapalhando um eventual processo de ‘regeneração’ democrática.
 
Neste imperioso processo de renovação é difícil descortinar quem poderá permanecer ileso dentro do espectro partidário existente. Por outro lado, o Brasil, a exemplo de outros países do Mundo e de modo mais acutilante na América Latina, está enredado numa teia de promiscuidade entre a política e as religiões, seitas e grupos.

À extrema fragmentação partidária poderá, no controverso caos político instalado, corresponder uma evolução fortemente desagregadora, concretizando-se, no estilhaçar da união de Estados que configura a atual República Federativa do Brasil desfazendo um projeto que vem sendo construído desde 1889, após a deposição de D. Pedro II e  já passou por diversas ‘transições’ desde a República Velha, à Era Vargas (‘Estado Novo’), à Populista (de Dutra a Goulart), à Ditadura Militar (de Castelo Branco a Figueiredo) e, finalmente, à Nova República (de Trancredo a Temer). Hoje, podemos dizer que paira no ar o odor de uma nova ‘transição’ que poderá não preservar a federação.
Entre um Nordeste pobre, ruralizado, sertanejo e cativo do subdesenvolvimento e um Sul economicamente capaz, ambicioso e cosmopolita girando à volta do 'núcleo desenvolvimentista' paulista, a fratura poderá surgir em qualquer latitude.

Existe, fora deste ameaçador  quadro institucional (e constitucional), um perigo real que assenta na prossecução do status quo e tem sido contornado (evitado) na auto-inquirição que os brasileiros fazem à volta das consequências do processo ‘Lava-Jacto’.
A emergência dos ‘evangélicos’ que, neste processo, têm conseguido passar entre os pingos da chuva sem se encharcar, embora tenham as mãos sujas pelos negócios que, a coberto de idílicas promessas bíblicas, praticam, por todo o lado. Nas últimas eleições presidenciais brasileiras tivemos a primeira mostra desta realidade emergente. A candidata com melhor ‘score eleitoral’ (depois de Dilma e Aécio)  – Marina da Silva – emergiu (envergonhada) deste ‘antro’, faminto de poder (temporal).

A alternativa é, porém, pior do que má, isto é, há quem vislumbre (ou suplique) uma nova e catastrófica intromissão dos militares na vida política. Não foi coisa que não fosse aventada pelos círculos mais conservadores da sociedade brasileira, face à última vitória eleitoral de Dilma.

Com o sistema político e constitucional atual em acelerada derrocada o futuro do Brasil é uma situação enigmática mas, acima de tudo, preocupante.
O 'impeachment' de Dilma, tendo sido um golpe palaciano (Congresso), não clarificou a situação política, nem abriu caminhos de futuro e, pelo contrário, adensou as negras perspectivas do provir deste grande País.

Falhas na Internet

As sucessivas falhas da Internet têm-me impedido o contacto com os leitores, mas não faltam motivos para o diálogo num período em que as cerimónias pias preenchem os noticiários e as ameaça bélicas assustam créus e incréus.

Na Coreia do Norte o neto do fundador de uma exótica monarquia comunista parece ter fracassado no lançamento do último míssil e no continente americano o seu homólogo mais poderoso adiou o lançamento do próximo em direção ao local do fracasso.

Tão parecidos no corte de cabelo e na imprevisibilidade e tão próximos no desvario que os liga e nos assusta!

sábado, abril 15, 2017

Espanha - a herança franquista

É difícil a defesa da laicidade, a exigência da neutralidade do Estado, a reivindicação de conduta igual para todas as religiões. Os cálculos eleitorais superam a salubridade cívica e um módico de pudor republicano.

Os hospitais portugueses enchem-se de imagens de Senhoras de Fátima e crucifixos que os doentes oferecem, alheios aos médicos, enfermeiros e medicamentos que os curaram, para imporem os símbolos da sua religião particular, que o laxismo e a cumplicidade de direções pusilânimes favorecem.

As escolas são já, através da autonomia que o ministério lhes confere, um instrumento de proselitismo religioso, com missas, terços e excursões pias, onde a laicidade a que a Constituição obriga é profundamente desprezada e espezinhada.

Nas autarquias, onde o fervor pio medra em anos eleitorais, organizam-se peregrinações a santuários, com transporte, seguro e farnel, para angariar os votos em lares de idosos sensíveis à salvação da alma e, sobretudo, à atenção aceite por quem enfrenta a solidão.

A Europa, cuja democracia se estabeleceu com a repressão política sobre o clero, cedeu a tradição laica aos interesses partidários e às negociações com minorias religiosas que a ameaçam. A cobarde cedência ao clero de que se libertou obriga-a a proteger ideologias que sob a capa de religião têm a obsessão de sujeitar o mundo às exigências tribais que as crenças perpetuam.

No entanto, a Espanha franquista cuja transição impediu a votação sobre a natureza do regime (as sondagens apontavam regularmente a vitória da República), manteve-se fiel à vontade do genocida Franco e ao paradigma da velha aliança do trono e do altar.

A apoteose do ridículo é a aplicação de um Decreto Real que manda colocar a bandeira a meia haste pela morte de “militares em serviço, rei, herdeiro, consorte ou em dias de luto nacional”, ter sido estendida à morte de Jesus Cristo. Assim, o atual ministério da Defesa ordenou içar a bandeira a meia haste em todos os quartéis, pela morte de Cristo.

Uma ordem interna estabelece que “desde as 14:00 horas de Quinta-feira Santa até às 00:01 horas de Domingo de Ressurreição, a insígnia nacional ondeará a meia haste em todas las unidades, bases, centros e aquartelamentos”. E, assim, segundo o Ministério, “respeita-se o exercício da liberdade religiosa”, convertendo os quartéis em sacristias.

O imperecível defunto voltará a morrer nos anos que vierem e ressuscitará de novo para arejar a bandeira.

sexta-feira, abril 14, 2017

Fátima


A 30 dias do vendaval da fé, previsto para a Cova da Iria, com o bispo autóctone a pedir tolerância de ponto ao estado Laico, a prevenção de riscos pulmonares faz-se com doses homeopáticas do ar local, enlatado entre azinheiras circunvizinhas, e já à venda em lojas da especialidade.

Nota - Só há embalagens familiares (V/ foto) e o custo é de 3 euros.

quinta-feira, abril 13, 2017

A Síria e o uso do gás sarin – A contrainformação pode ser terrível


Não padeço de antiamericanismo primário, capaz de comparar Obama a Trump, nem de seguidismo moscovita capaz de ver na Rússia de hoje a falecida URSS. Aliás, os factos acabarão por desmascarar o maniqueísmo de quem vê o mundo de forma unilateral.

Posso, pois, errar, sem desejar enganar, e refletir sem preconceitos, surpreendido com a rapidez com que os países do sul da Europa apoiaram Trump no ataque punitivo a uma base Síria. Estavam ansiosos pelo pretexto que lhes permitisse apoiar quem desprezam, alheios à prudência da ONU, instituição que o presidente americano quer neutralizar.

Raramente uma guerra teve tantos suspeitos dos dois lados. A luta entre sunitas e xiitas lembra a guerra europeia dos Trinta Anos, sem Paz de Vestefália à vista, e a reedição da invasão do Iraque, agora de duração indeterminada.

EUA e Rússia digladiam-se com terroristas bons de um lado e terroristas maus do outro, alternando conforme o lado de que são vistos. Entre uns e outros, venha Alá e escolha.

A ONU identificou 25 ataques químicos desde 2011 e os seus investigadores atribuíram a maioria dos ataques às forças governamentais da Síria, sublinhando que a lista não era definitiva, e, sobre o ataque que serviu de pretexto à retaliação unilateral americana, não houve ainda qualquer veredicto. O precedente do Iraque exigia prudência dos que se apressaram a defender o ataque americano, de nebulosa finalidade.
 
A Síria teve armas químicas e usou-as, mas, tal como Saddam, aceitou que o seu arsenal fosse destruído. Não custa acreditar, até prova em contrário, que o bombardeamento de um depósito de rebeldes tenha causado a dispersão do gás que matou escassas dezenas de pessoas e teria, se provada a autoria Síria, uma repercussão devastadora para Assad.

Numa guerra que já provocou centenas de milhares de mortes e milhões de refugiados, o preço de gasear deliberadamente dezenas de pessoas era excessivo para a ameaçada sobrevivência do Estado da Síria numa altura que a correlação de forças o favorecia.
 
O acordo entre a Síria e Irão para o oleoduto para escoar o petróleo do Cáspio evitando a Turquia, preterindo sauditas e outros países do Golfo no fornecimento de petróleo ao Ocidente, é talvez a principal causa da guerra. Também por isso, é legítimo duvidar da origem do gás e saber se a Síria o usou no ataque ou se este o libertou de um depósito rebelde.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, abril 12, 2017

Manifestação de apoio

Declaração Internacional de Associações
do Livre Pensamento, laicas, humanistas, racionalistas e ateias
dos cinco continentes
Por iniciativa da Associação Internacional do Livre Pensamento

Os dinheiros públicos não devem financiar
as Igrejas e as religiões !

Somos Associações de todos os continentes agindo pela Separação das Igrejas e Religiões, dos Estados, pela laicização das instituições em linha com a secularização crescente das sociedades.

O lema das nossas acções é trabalhar no sentido do respeito da liberdade de consciência de cada uma e de cada um, de todos os seres humanos que vivem no nosso planeta. Quer dizer: a liberdade de ser crente ou de o não ser. Não opomos a liberdade de consciência à liberdade de religião, porque a última é somente uma componente da primeira e não sua equivalente.

Rejeitamos a ideia de que a religião seria uma categoria separada da gama de convicções da Humanidade. E que seria necessário conferir-lhe um estatuto particular que a impediria de ser submetida à crítica racional e humana. E que seria necessário, além disso, que fosse financiada pelo Erário público, produzido pelo conjunto das contribuições dos cidadãos sujeitos aos impostos.

É por isso que nos opomos a todas as formas de repressão civil e penal daquilo que é designado como “delito de blasfémia”. O direito à livre crítica é um direito democrático fundamental. O seu corolário obrigatório é a liberdade total de expressão. Só serão visados então os factos e as opiniões, nunca os indivíduos enquanto tais.

É por isso que também rejeitamos e condenamos o privilégio das Igrejas e das religiões – que são somente a expressão de alguns homens – a serem financiadas por Fundos públicos, que são o produto das contribuições de todos.

Depois dos EUA (1791), do México (1857), da França (1905), de Portugal (1911), da Rússia (1918), do Uruguai (1918), da Espanha (1931) e da Turquia (1937), a reivindicação democrática da necessária Separação das Igrejas e das religiões em relação aos Estados não parou de mobilizar a Humanidade consciente. Desde então, muitos outros países, todos los continentes, a estabeleceram. Essa Separação está em marcha desde há muito tempo.

Desde James Madison, Pai da Constituição norte-americana e 4° Presidente dos EUA – constatando que, em 1819, “a quantidade, as competências e a moralidade do clero, assim como a devoção dos cidadãos, aumentaram manifestamente com a Separação total entre as Igrejas e o Estado”, a História da emancipação humana tem mostrado que, quaisquer que sejam as culturas religiosas dominantes nas sociedades, o princípio da Separação entre a esfera das Instituições públicas e a esfera religiosa não somente é possível e realizável, como é muito desejável para estabelecer e aumentar a Democracia.

Em todos os países, em todos os continentes, em todas as instituições nacionais e internacionais, há que actuar para fazer avançar a Separação das Igrejas e das religiões em relação aos Estados.

Actuemos juntos pela laicidade !

Apelo lançado por iniciativa da Associação Internacional do Livre Pensamento no Congresso Internacional de Montevideu (Uruguai), de 19 e 20 Setembro de 2015.


A boçalidade do porta-voz da Casa Branca da era Trump

Sean Spicer (V/ foto), porta-voz da Casa Branca originou hoje (terça-feira) uma forte polémica, digna da equipe de Donald Trump, com a comunidade judia.

Quando pretendia explicar o ataque dos EUA da última semana, sobre uma base aérea síria, o ignorante porta-voz argumentou que Bachar El Assad era pior que Adolf Hitler que “nem sequer desceu tão baixo para usar armas químicas”.

Nem a cara dos jornalistas presentes na sala de imprensa o desassossegou, mas bastaram alguns minutos para que, depois da sua saída e de tão insólitas palavras, a Casa Branca emitisse um comunicado em que o desmiolado porta-voz assegurava que jamais tentara desvalorizar o horror do Holocausto.

O maior problema de Trump e da sua equipe é a profunda ignorância.

Fonte – El País

terça-feira, abril 11, 2017

Coimbra - Igreja de Santa Cruz, 11-04-2017

Antes das 11 horas da manhã, uma numerosa comitiva de polícias, militares da GNR, e alguns outros do Exército, tomaram posições em frente à Igreja de Santa Cruz.

Bem ataviados esperavam a hora de deixarem a posição de pé e mergulharem de joelhos no interior do templo do mosteiro beneditino cuja reconstrução e redecoração por D. Manuel lhe deu uma incomparável beleza. Não era a beleza arquitetónica que os movia, era a organização preparada de um golpe de fé definido pelo calendário litúrgico da Igreja católica e decidido pelas hierarquias policiais e castrenses.

Não foi uma homenagem a Marte que já foi o deus da guerra, foi um ato pio ao deus católico que também aprecia a exibição de uniformes e a devoção policial.

No salazarismo, durante a guerra colonial, quando as pátrias dos outros eram também nossas, não havia batalhão que não levasse padre. Podia lá morrer-se sem um último sacramento!? Éramos o país onde os alimentos podiam chegar estragados, mas a alma teria de seguir limpa de pecados com os óleos que só o capelão tinha alvará para ungir?

Na ditadura havia capelães nas Forças Armadas, na democracia foram também contempladas as forças policiais. Sem eles a missa não teria o mesmo colorido nem D. Afonso Henriques e D. Sancho teriam de assistir indiferentes à comunhão pascal paga pelo Estado.

Sem a organização militar e a reserva de horários para a fé, muitos polícias e militares haviam de preferir o ócio às orações e a gula à eucaristia.

É uma delícia ver a fé de uniforme e em formatura.

segunda-feira, abril 10, 2017

Dias Loureiro, a PGR e as suspeitas


Que seja o Ministério Público, em despacho de arquivamento, a sustentar suspeitas sem provas é, inaceitável, mas que a comunicação social não inquira o alegado impedimento da investigação pela PJ, durante a vigência do anterior Governo, nem a PGR desminta, é preocupante.

A entrevista de Dias Loureiro ao DN (4 páginas) foi o legítimo exercício de vitimização e a indisfarçável ameaça a Cavaco Silva, a concretizar quando todas as incriminações do BPN estiverem prescritas ou arquivadas. Vai (ia) ser bonito!

O antigo ministro das polícias de Cavaco não foi um empregado de balcão do BPN, foi um banqueiro que brilhou no firmamento do banco cavaquista e acabou, segundo o que se escreveu, na indigência (isto é, sem bens em nome próprio) apesar de ser o modelo de empresário de Passos Coelho.

É curioso que os bancos estrangeiros não tenham colaborado neste caso e o tenham feito noutros, de menor relevo financeiro.

Dias Loureiro teve uma meteórica ascensão no mundo social e empresarial depois de ter feito o primeiro telefonema familiar «já sou ministro», até ao convívio com o rei Juan Carlos, Aznar e o núcleo duro de Trump.

Surpreende que tenha falhado nos negócios quem singrou nas relações internacionais, por menos recomendáveis que sejam as referidas, a título de exemplo.

domingo, abril 09, 2017

Há 99 anos – Batalha de La Lys


No dia 9 de abril de 1918, as tropas portuguesas foram esmagadas pelas tropas alemãs.

Foram 1341 mortos, 4626 feridos, 1932 desaparecidos e 7440 prisioneiros. (Batalha de La Lys. In Infopédia)

Eleições autárquicas

Finalmente, um cartunista descobre as razões da escolha do PSD para Lisboa.

sábado, abril 08, 2017

No 44.º aniversário da morte de Picasso


Faleceu em 8 de abril de 1973 o maior pintor do século XX e o que mais revolucionou as artes plásticas onde competiu com outros criadores geniais, como Matisse, Duchamp ou Braque.

Picasso foi um gigante da pintura e da escultura, notável na gravura e como ceramista, e o génio criador do artista malaguenho estendeu-se à cenografia, poesia e dramaturgia.

A Síria e o criminoso ataque químico

O presidente sírio é bem capaz de ter usado gás, mas Trump é ainda mais capaz de ter atacado o suspeito que lhe convinha.

Donald Trump motivou o aplauso dos aliados ocidentais e o protesto dos apoiantes de Bashar al-Assad.

Pessoalmente, preferia saber primeiro, sem lugar a dúvidas, quem usou o gás.

O Sr. Dijsselbloem ainda preside ao Eurogrupo?

Jeroen Dijsselbloem, paquete do ministro das finanças alemão Wolfgang Schäuble, proferiu insultos contra os países do Sul: «Não posso gastar todo o meu dinheiro em álcool e mulheres e continuar a pedir ajuda».

Foi um antigo governante português, igualmente vassalo de Wolfgang Schäuble, que, desta vez, o desautorizou.


sexta-feira, abril 07, 2017

Síria: ‘Retaliações’ que alimentam instintos belicistas…


Os últimos acontecimentos ocorridos no Médio Oriente – o ataque americano a uma base aérea síria link – são de uma gravidade extrema.
Trata-se de uma brutal afirmação pela força, protagonizada pela Administração norte-americana, num contexto complexo e extremamente melindroso.
 
Decorrem, ainda, no âmbito do Conselho de Segurança da ONU diligências para esclarecer a situação relativa à utilização de armas químicas na Síria. A possibilidade – anunciada pelo porta-voz do Ministério da Defesa russo - de a tragédia, tão seletivamente divulgada nos meios ocidentais, ter ocorrido pelo bombardeamento de um depósito de ‘substâncias tóxicas’ (para uso militar) existente em território sob controlo de ‘forças rebeldes anti-Assad’, não foi liminarmente excluída e deverá ser investigada, apesar das opiniões em contrário de ‘especialistas’ link.
Um incidente com tão vastas repercussões humanitárias não deve ser tratado com ligeireza e ao sabor de ‘cenários artificializados’ para justificar atitudes intervencionistas. Já nos basta a ‘história’ das provas apresentadas por Bush a Blair, Aznar e Barroso nas vésperas da vergonhosa ‘cimeira dos Açores’, que precedeu a trágica invasão do Iraque.
 
Toda a cascata de informações subsequentes acerca desta última retaliação americana padece de algumas incongruências. Será extremamente duvidoso o anunciado pré-aviso do ataque à Rússia já que, dado o contexto regional e os ‘alinhamentos’ existentes, uma informação prévia a Moscovo comprometeria (esvaziaria), irremediavelmente, os objetivos da operação decidida, unilateralmente, por Washington.
Ninguém duvida que se as autoridades russas fossem previamente postas ao corrente de um iminente ataque americano em solo sírio transmitiriam, de imediato, essa informação a Damasco. 
 
O que sobressalta no meio deste conflito regional e nas mais recentes decisões político-militares é um rápido deslizar para a generalização do conflito com todas as consequências que se adivinham. Isto é, a confirmação da perigosidade e da irresponsabilidade (belicismo) da nova administração Trump.
 
Mais, torna-se cada vez mais visível que o Conselho de Segurança da ONU, com todas as limitações políticas e orgânicas existentes (nomeadamente o direito de veto de algumas potências) está no presente (ou desde a Guerra do Iraque)  confrontado com um quadro de  ineficácia e vulnerabilidade verdadeiramente ameaçador da Segurança mundial.
Paira no ar qualquer coisa de ‘déjà vu’. É inevitável a comparação da atual situação deste organismo – responsável pela manutenção da Paz - com a trajetória da Sociedade das Nações ocorrida entre a I e a II Guerra Mundial(is)…

Odivelas - Autarquia ou sacristia?

Junta Freguesia Odivelas

JORNADA DIOCESANA DA JUVENTUDE

A Jornada Diocesana da Juventude chega à cidade de Odivelas já este domingo!

A Junta de Freguesia de Odivelas associa-se a este evento do Serviço da Juventude do Patriarcado de Lisboa com a cedência do espaço do Pavilhão Polivalente de Odivelas.

O programa em anexo destaca os momentos mais importantes, como o Encontro com o Patriarca D. Manuel Clemente no Pavilhão Multiusos, a Eucaristia ao final da tarde no mesmo local, ou o Terço no Jardim da Música, abertos a toda a população. Nesta oração do Terço, estará presente o Selecionador Nacional de Futebol, Fernando Santos.

Para mais pormenores e informações, está disponível para download uma aplicação da JDJ:

iOS > https://itunes.apple.com/pt/app/jdjlisboa/id1215124394?mt=8

Android > https://play.google.com/store/apps/details?id=pt.patriarcado.jdjlisboa

quinta-feira, abril 06, 2017

Guernica – 80.º aniversário de um crime de Franco e Hitler


O museu Rainha Sofia está a celebrar o aniversário do mural anti-belicista, de Picasso. Exibe uma mostra original de teses que analisam as motivações psicológicas o artista ao pintar a grandiosa tela a óleo, que evoca o bombardeamento sofrido pela cidade, em 26 de abril de 1937, e a exposição de mais 180 obras-primas do pintor.

Aviões nazis apoiaram o ditador Francisco Franco e arrasaram Guernica em um só dia. Picasso pintou este quadro e arrasou o nazismo para a eternidade. O enorme painel (350 por 776 cm) é uma gigantesca metáfora a óleo da guerra civil espanhola e um manifesto pacifista contra a brutalidade da guerra civil e a monstruosidade dos regimes nazis, de Franco e Hitler.
 
De 5 de abril a 4 de setembro há razões acrescidas para revisitar o museu Rainha Sofia e nos deslumbrarmos de novo com a tela que foi exposta em Espanha, pela primeira vez, no palácio do Bom Retiro, no jardim do mesmo nome, atrás do museu do Prado.

A cultura, a arte e a memória encontram-se na mais emblemática pintura do século XX e no génio do maior criador artístico das nossas vidas.

Uma nota de imprensa do museu revelou que será "uma grande exposição" que reunirá 150 obras-primas do artista, vindas da coleção do museu e de mais de 30 instituições de todo o mundo, como o Museu Picasso e o Centre Georges Pompidou, de Paris, o Tate Modern, de Londres, o Museu de Arte Moderna (MoMA) e o Metropolitan Museum, de Nova Iorque, entre outros.

Qualquer obra de Picasso merece uma deslocação, mas tão rico acervo, que percorre as décadas de vinte e trinta do século passado, merece a deslocação de qualquer ponto do país vizinho ao local que, até ao próximo dia 4 de setembro, se transforma no santuário da criatividade de Picasso.

Ponte Europa - Sorumbático