segunda-feira, maio 29, 2017

Cimeira do G7 – 2017

A falta de compromisso de Trump com o Acordo de Paris, para a redução de emissões de dióxido de carbono, foi o pequeno passo para agradar aos poluidores que o elegeram e uma enorme deceção para quem se preocupa com o futuro da Humanidade.

No país dos melhores cientistas e dos piores trogloditas, foram os últimos que elegeram o presidente de todos, como se a arte da política fosse a competência de um empreiteiro. Trump não é um estadista, é o homem de negócios que exonerou a ética do quotidiano e a solidariedade das suas preocupações.

Rejubilam os poluidores, que ganharam o direito a deixar sem futuro os netos; exulta o complexo industrial e militar, que escoa mais depressa as armas obsoletas; excita-se o Tea-Party, que assalta o aparelho de Estado e obtém a maioria dos juízes do Supremo; enfim, é a euforia entre os fundamentalistas do protestantismo evangélico, os partidários da pena de morte e os belicistas do Pentágono, quer creiam ou não que o mundo foi uma criação divina de uma semana infeliz e o homem um produto de Jeová para matar o ócio numa olaria imunda.

Pode faltar oxigénio, água, ozono, alimentos e meios de subsistência à próxima geração, mas não abrandará a acumulação de capital em cada vez menor número de pessoas, nem a aceleração frenética do Apocalipse.

Não há impérios perpétuos, mas algum será o último e, provavelmente, o que sucumbirá com resto do mundo.

Na reunião do G7 Trump forçou os parceiros a sublinhar que os países têm direito a fechar as suas fronteiras, mas não há muros que contenham o desespero e a torrente de deserdados para quem a vida, deles e dos outros, deixará de ter valor e de fazer sentido.

domingo, maio 28, 2017

Eleições autárquicas - Torres Vedras

Esqueceu-se do IRS

Portugal está na moda


Eleições autárquicas

Curiosidades cívicas

Eleições autárquicas

Mensagem clara e apelativa

sábado, maio 27, 2017

Casamento árabe

Sob o olhar compreensivo de Alá e a benevolente misericórdia do Profeta.

Deambulações à volta de Sánchez, do socialismo e social-democracia …


O regresso de Pedro Sánchez à liderança do PSOE link não pode ser considerado como sendo mais um acidente de percurso da Esquerda socialista europeia.
O facto de os partidos socialistas e sociais-democratas europeus terem sofrido, nos últimos tempos, severos revezes eleitorais, em diversos Países e em diferentes geografias, acarretará necessariamente consequências.
 
Para os mais cépticos nas convicções de Esquerda trata-se de uma irremediável ‘pasokização’ dos partidos socialistas vitimizados pelo colaboracionismo e convivência com os ideais neoliberais. Existem hoje conceitos que carecem de melhor explicitação.
Por exemplo, a tão divulgada ‘economia social de mercado’ encerra, à primeira vista, uma contradição primária entre o social e o mercado. Na verdade, não existe dirigente europeu (da Direita à Esquerda ‘clássicas’) que não recorra a este jargão para balizar os seus programas (eleitorais e de Governo) e definir o modelo de desenvolvimento.
 
Muitos partidos socialistas incorporaram esse conceito, a começar pelo SPD alemão e, hoje, estão a pagar uma elevada factura. Na verdade, a ‘economia social de mercado’, é um conceito de matriz germânica que, depois de hesitações iniciais, foi insistentemente usado pelo chanceler Ehrard, para desenvolver e ‘justificar’ o chamado ‘milagre alemão’. Ludwig Ehrard apoiava-se nas suas raízes cristãs-democratas e introduz o qualificativo ‘social’ para amaciar a dureza da economia de mercado (tout court). Fez escola dentro da Direita de brandos costumes,  falinhas mansas e caritativa ‘compaixão social’ que emerge depois da II Guerra Mundial se confunde com os todo poderosos mercados despidos de qualquer laivo social. Todavia, essa 'nuance político-social’ abriu caminho a um período áureo da social-democracia (nomeadamente a nórdica).
 
De facto, na Alemanha, na Grã- Bretanha, em França e em Espanha (para nos circunscrevermos a grandes economias europeias), o trambolhão Schrōder, a terceira via blairista, a dupla Hollande-Valls e a parelha Gonzalez/Diaz, cederam lugar a outra abordagem política mais consentânea com a doutrina original (socialista), isto é, existe uma certa movimentação no sentido do regresso às origens, o que motivou – da parte das forças conservadoras e dos média - a imediata classificação como sendo um ‘radicalismo’.
A situação do SPD alemão, sob a batuta de Martin Schulz, permanecerá indefinida até ao próximo Outono.
 
A Esquerda socialista, numa fase inicial, ainda resistiu a esta transformação entre uma economia social onde se colocam as questões de propriedade dos meios de produção e a planificação e a economia social de mercado em franco deslizamento para um liberalismo selvagem. A queda do muro de Berlim e a implosão dos regimes comunistas do Leste europeu, acabaram por derrubar essas resistências. Para os muitos que previam a fim dos partidos comunistas na Europa restam poucos daqueles que associaram a esta implosão o fim dos partidos socialistas e social-democratas.
 
Neste momento, estamos numa situação com preocupantes semelhanças ao início do século XX quando a cisão no movimento socialista traduziu a capitulação da social-democracia frente ao capitalismo e conduziu a uma guerra mundial. Na altura digladiavam-se as correntes revolucionárias e reformistas onde sobressaiam Jaurès (França), Rosa Luxemburgo (Alemanha), Adler (Áustria), Hardie (Grã-Bretanha), entre noutros. Hoje, parece que estamos a percorrer os mesmos itinerários com outras personagens (de muito menor qualidade).
 
Hoje, a Esquerda que emerge eleitoralmente derrotada, por todo o lado, mais parece empenhada em ‘salvar o capitalismo’ do que em afirmar-se como uma alternativa. Não fará caminho nesta senda. Os cidadãos preferirão sempre o original à cópia.
 
O que ressalta destes conturbados tempos para as diferentes Esquerdas é o grande embuste que representa a anunciada e apressadamente decretada ‘morte do marxismo’. Na verdade, os salvados dos partidos socialistas e social-democratas, em franca decomposição após a queda do muro de Berlim, empurrarão as novas (futuras) lideranças para um pródigo regresso às ideias (à ideologia) fundadoras.
Não vai ser fácil essa retificação já que pressupõe uma travessia do deserto que se adivinha relativamente longa. Mas esta mudança passa pela capacidade de assumir, sem pruridos, nem tabus, a filosofia marxista que considera os mercados (que escapam a qualquer tipo de regulação) como uma fonte de exploração e especulação e um antro gerador de desigualdades. Na verdade, o método de análise marxista renasce nos dias que correm como um instrumento indispensável para compreender como e porquê chegamos aqui.
 
Esperemos que os dirigentes dos partidos socialistas, operários, trabalhistas e sociais-democratas se demarquem do colete-de-forças tecido pela direita neoliberal. As novas gerações enfrentarão outros desafios mas a análise política vai ser sempre indispensável.
 
Pedro Sánchez com toda a probabilidade não tem estofo nem envergadura política para ser o mentor de um ‘renascimento socialista’. Mas, na realidade, conseguiu travar a ‘onda social-liberalizante’ que tentou apossar-se do PSOE e que contra a corrente aceitou conviver pacificamente com a Direita ultraconservadora representada por Mariano Rajoy.
A recondução na liderança é um importante (re)começo para alguém que já foi capaz de dizer NO (!), à Direita.

A defesa da laicidade é uma obrigação cívica

Não escrevo para que os leitores elogiem, mas para que leiam e pensem. Não é popular ser ateu, republicano e social-democrata. E sou. Defendo e promovo o republicanismo e a social-democracia, esta última sem confusões com a deriva neoliberal dos partidos que dela se reclamam e a traem.

Só não promovo o ateísmo. É uma opção filosófica individual como o deveriam ser as religiões. Defendo, sim, a laicidade, e denuncio todos os ataques de que é vítima, sejam lambidelas presidenciais de anelões episcopais, cedências da República a atos pios ou a conivência estatal com o mais venerado embuste português do século XX – Fátima.


Tenho como aliadas a Constituição da República e a própria Lei da Liberdade Religiosa, e como adversários os autarcas que patrocinam excursões pias, os governos que deixam as Forças Armadas, bem ataviadas e luzidias, carregar andores e engrossar procissões, e todos os que usam as funções públicas para promover a fé individual.


A escola pública, onde tantas vezes as suas direções estão mais interessadas na salvação da alma do que no respeito pela neutralidade ideológica do ensino, é o lugar de eleição para a cidadania e não para o proselitismo. Hoje é a imagem pia que entra à sorrelfa pela porta das traseiras para a peanha de uma discreta sala, depois o regresso à separação dos sexos e à humilhação feminina e, finalmente, cinco pausas diárias para orações.


Os hospitais públicos enchem-se de crucifixos e senhoras de Fátima, com diretores que convidam os bispos para a cerimónia de posse. Amanhã terão um sheik a pôr em xeque a laicidade do hospital e a exigir que a sua mulher seja atendida apenas por uma médica. Antes, ainda encomendarão missas de ação de graças pelo cargo que lhes confiaram, o que, devido à leveza ética e indignidade cívica dos protagonistas, se justifica.


A subserviência à religião dita maioritária é a porta de entrada para a chantagem que as minoritárias, mais agressivas, não deixarão de fazer.


Cada vez que a mulher de um Presidente da República cobre a cabeça perante o Papa ou um aiatola, tapa o vácuo que a habita e insulta a luta das mulheres ao longo da História, eternas vítimas da misoginia e do tribalismo patriarcal que as condenou ao sofrimento e à subalternidade. O véu na cabeça oca do adereço de um PR é um retrocesso indecoroso ao tempo em que às mulheres eram vedados todos os direitos. E é também um sinal de aceitação de que o cargo é um direito do macho.


A iníqua discriminação da mulher por qualquer ideologia política, religiosa ou filosófica não pode ser uma questão cultural, deve ser um caso de polícia. 


Malditas tradições!

sexta-feira, maio 26, 2017

A intolerância hindu

Ontem, 24 de maio de 2017, um dia depois do trágico atentado de Manchester, surgiu a notícia da vandalização, no último domingo, da “Capela de Nossa Senhora de Fátima”, na localidade indiana de Godamakunta.

Fanáticos hindus atacaram o edifício, inaugurado a 13 de maio, e destruíram as imagens de Jesus, da Senhora de Fátima e restante iconografia católica. A demência pia contagia todas as religiões, ainda que o hinduísmo não seja propriamente um teísmo, com as suas 330 mil divindades diferentes cultuadas, e sendo raro o culto da trindade Brama, Shiva e Vixnu.

Desta crença, onde a permanência das castas e a desonra das viúvas que voltam a casar, (deviam acompanhar o marido na pira funerária), são os aspetos mais repulsivos, temos a ideia de que o pacifismo é a sua matriz imperecível.
Uma crença com mil milhões de seguidores apresenta fatalmente nuances pioradas pelo nacionalismo hindu. Não esqueçamos que é a terceira ‘religião’ do Planeta, rivalizando com o número de não crentes, depois do cristianismo e do islamismo.

A mais antiga tradição viva, onde não há formalidades litúrgicas nem congregações de crentes, é vulnerável ao nacionalismo.

Nas últimas eleições regionais, em março, depois da vitória dos nacionalistas hindus, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, figura pouco recomendável, decidiu nomear governador do estado de Uttar Pradesh (200 milhões de habitantes), Yogi Adityanath, execrável sacerdote comunitarista hindu militante, reacionário, que incita ao conflito e à violência contra os muçulmanos (20% da população) e defende a Índia exclusivamente hindu.

No berço da ‘dinastia’ Gandhi, onde nasceu o pacifista Mahatma Gandhi, emerge agora, pela via democrática, um déspota desejado, com delírios de grandeza, a atiçar medos e a instigar a violência, acirrando ódios, e capaz de edificar um templo hindu no local onde os extremistas arrasaram uma mesquita em 1992.

A maior democracia do mundo está ameaçada através do voto, paradoxo que começa a repetir-se das Filipinas à Índia, da Europa ao Médio Oriente, num mundo que a religião corrompe e o populismo insano aproveita.

Escaqueirar a imagem da Senhora de Fátima é uma ínfima metáfora do ódio sectário de que as religiões são capazes.

quinta-feira, maio 25, 2017

Blasfémia e liberdade de expressão



A blasfémia, definida como insulto a Deus, é um ‘crime’ sem vítimas, mas um conceito perigoso para a liberdade de expressão.

A defesa da ofensa faz-se apenas nos Tribunais, de acordo com o Código Penal (CP), e é duvidoso que Deus se constitua como queixoso ou os crentes apresentem procuração para o representar.

No entanto, o anacrónico “crime” medieval, que conduzia às fogueiras, ainda subsiste, no CP de 8 países europeus, laicos e civilizados (Dinamarca, Áustria, Finlândia, Grécia, Espanha, Irlanda, Itália e Portugal) e, disfarçado de “ofensa aos crentes”, desde 1972, em ‘França’, onde foi abolido em 1791. Até no Reino Unido, que o suprimiu em 2002, já apareceu o deputado Jeremy Corbyn a evocar a possibilidade de o reintegrar.

A blasfémia é uma arma política para erradicar religiões minoritárias e um instrumento para condicionar a liberdade de expressão. O Islão serve-se da alegada ofensa para ver nela a apostasia (direto inalienável em países democráticos), para a condenação à morte.

É curioso haver um ‘crime’ que não causa dano, e que muda de trincheira consoante a religião dominante. Chamar amoral a Maomé, quando a religião ainda permite práticas pedófilas, sob o disfarce de casamento, é motivo para condenação à morte.

Criminalizar a blasfémia é confundir o bom ou mau gosto com um delito, e mantê-lo no Código Penal é um anacronismo de legisladores que preferem o comunitarismo à defesa dos valores individuais e sujeitar as sociedades ao risco da ‘verdade divina’.

A jurisprudência lusa privilegia a liberdade de expressão em detrimento do anacronismo legal, mas o mimetismo islâmico aconselha a abolição da reminiscência medieval.

As sociedades democráticas não acolhem bagatelas penais, aliás, injustas, mas a doença endémica das religiões – o fundamentalismo – pode irromper, sendo urgente eliminar a blasfémia do Código Penal e deixá-la no catálogo dos pecados com jurisdição exclusiva do Tribunal divino.

Nada impedirá a forma popular com que os espanhóis se dirigem à hóstia ou nomeiam a Virgem e, ainda menos, as blasfémias italianas, em particular as calabresas, que juntam a bela sonoridade da língua italiana para se dirigirem ao seu Deus.

É inconcebível que sendo a liberdade religiosa legitimada pela liberdade de expressão, possa aquela deslegitimar a fonte da sua própria legitimidade.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, maio 24, 2017

A direita desnorteada

Esta direita que não consegue desfazer-se da tralha cavaquista, a direita que sofre da síndrome ‘pied noir’ e chora o “nosso Ultramar, infelizmente perdido”, prejudicou o País na sua governação, na intriga internacional e na publicidade contra o atual governo.

É impossível esquecer prognósticos horrendos baseados no apoio do BE, PCP e PEV ao governo PS, o patético estertor da presidência de Cavaco Silva, desesperado para manter um governo que a AR reprovava, os medos lançados sobre a economia e a desconfiança dos países da União Europeia, cuja ingerência incitava através do PPE.

Esta direita, herdeira do salazarismo e não de Sá Carneiro, nunca se adaptou ao respeito pelo voto popular, aos partidos segundo a sua representação parlamentar, à alternância democrática e, sobretudo, à alternativa política.

Para Passos Coelho e Assunção Cristas, para não falar do velho e rabugento salazarista, Cavaco Silva, só os partidos que eles admitissem como democratas teriam legitimidade para serem governo. Tiques salazaristas de quem não frequentou a escola democrática.

A saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo, vaticinada como impossível por um governo que se limitava – segundo diziam –, a reverter as suas políticas, foi uma deceção agravada pela sensibilidade social, diálogo à esquerda e dimensão do êxito.

Mas se a incompetência foi a imagem de marca do último governo da direita, a falta de pudor com que reivindica louros de uma política de sinal contrário, revela a insolência de quem quer partilhar o êxito da política que combateu com violência e ressentimento.

Não faltam avençados a exigir que o Governo de António Costa elogie o seu antecessor que utilizou a crise das dívidas soberanas para demonizar a esquerda, sem compreender que deveu o poder à recessão mundial conjugada com o chumbo do PEC-IV.

Claro que há para aí quem, em dívida pelos favores recebidos, continue a gritar méritos que ninguém viu e virtudes desta direita truculenta e caceteira que ora acusa o PS de ser um satélite dos partidos à sua esquerda, ora acusa esses partidos de submissão ao PS, na persistência da intriga e do ressentimento.

terça-feira, maio 23, 2017

O atentado de Manchester

Não podemos deixar-nos matar por quem prefere a loucura do seu Deus à sensatez dos homens. O islamismo não é apenas uma religião, é uma ideologia fascista alimentada pelos negócios do armamento e do petróleo, exacerbada no ocaso da civilização árabe.

As ruas das capitais europeias fecham-se ao trânsito até que mais uma das cinco orações diárias seja rezada. Nas mesquitas e madraças, os clérigos incitam ao ódio contra infiéis, e exigem, em nome da liberdade religiosa, o direito ao proselitismo. Quando matam em nome de um deus que não gosta de música, de carne de porco, de álcool ou da igualdade de género, dizem que são extremistas que não alcançam a mensagem de paz do Profeta.

E nunca dizem se o verdadeiro islão é o da Arábia Saudita onde se decapitam pessoas e se amputam mãos, o da Malásia onde se vai ao ponto de proibir o batom, o do Irão onde a forca é o divertimento pio dos aiatolas, o dos países onde se jura fidelidade ao ISIS, se pratica a escravatura, se faz a excisão do clitóris, e onde a mulher tem sempre um papel subalterno.

Certo, certo, é não haver um único país sob a lei islâmica que respeite a democracia, a justiça, a igualdade homem-mulher, a liberdade e os direitos humanos.

Ontem, em Manchester, foi de novo provocada a civilização pelos dementes do Profeta, numa orgia de terror e sangue. Tal como sob o estado nazi, de Hitler, ou sob o fascismo, de Mussolini, não há, na Europa, forças suficientes para combater o totalitarismo.

Sem coragem para exigir respeito pelo etos civilizacional que é a matriz da democracia, arriscamo-nos a regressar às guerras religiosas que, no passado, dilaceraram a Europa.

Basta!

segunda-feira, maio 22, 2017

Charles Darwin sempre teve razão

ILUSTRAÇÃO ALEX GOZBLAU

domingo, maio 21, 2017

Maio de 68 – 21 de maio

Há 49 anos irrompeu em França uma tumultuosa rebelião de massas que começou com greves estudantis e rapidamente se espalhou por outros sectores da sociedade. Foi uma colossal e inédita rebelião que marcou o século XX.

A insurreição popular, de contornos difusos, venceu as diferenças étnicas, culturais e de classe, alastrou a outros países e foi o rastilho de enormes confrontos, com greves de estudantes e operários e a ocupação de universidades e fábricas, que provocaram o caos.

A tentativa de esmagamento, com forte repressão policial, levou à escalada do conflito e culminou com uma greve geral de estudantes e ocupações de fábricas em toda a França. Aderiram dez milhões de operários grevistas, apesar do desencorajamento do P. C. F. que, ironicamente, o Governo viria a acusar de responsável. Era o suspeito habitual.

O colapso do Governo levou o gen. de Gaulle a criar um quartel general de operações militares para obstar à insurreição, dissolver a Assembleia Nacional e marcar eleições parlamentares para 23 de junho de 1968. Chegou a refugiar-se numa base da força aérea, na Alemanha.

A violência com que irrompeu este movimento esgotou-se com a rapidez com que emergiu, e o partido gaulista reforçou a votação nas eleições que se seguiram.

Maio de 68 esgotou-se sem consequências políticas, mas deixou marcas profundas na educação, na sexualidade e na reivindicação do direito ao prazer, por uma juventude que alterou os padrões éticos que vigoravam. Começou com uma explosão de hormonas e acabou numa revolução de costumes.

Trump descobre que há outros países além do EUA

Trump disse ao ministro russo, Sergei Lavrov, que o ex-diretor, James Comey, do FBI, era “maluco” e que o seu despedimento aliviava a "grande pressão" que sentia sobre si pela investigação às alegadas ligações a Moscovo. Foi pior a emenda do que o soneto e o empreiteiro arrisca-se a ver caducado o contrato de arrendamento da Sala Oval.

Entretanto, essa referência ética e exemplo de estadista faz a sua primeira viagem fora dos EUA, começando pela Arábia Saudita, onde foi assinar um contrato de vendas de armas de 110 mil milhões de dólares com o rei Salman bin Abdulaziz.

O vetusto monarca disse que a visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, "tornará realidade a segurança e a estabilidade global". O casal Trump foi recebido com um aperto de mão pelo rei Salman, de 81 anos, apoiado numa bengala e levado até aos degraus do avião num carrinho de golfe.

A conversa entre os dois empreiteiros deixará o mundo mais tranquilo. As armas nas mãos dos dois interlocutores são uma garantia para a paz como o demonstram as amplas liberdades da Arábia Saudita.

A aliança entre o rei Salman bin Abdulaziz e Donald Trump é uma garantia de paz.

sábado, maio 20, 2017

A fama dos milagres chegou à Polícia Municipal


A Rainha Isabel e a cidade de Coimbra


Isabel de Aragão, beatificada por Leão X, em 1516, foi canonizada por Bento XIV, em 1742, com mais de 4 séculos de defunção.

O milagre obrado à saída do castelo do Sabugal, transformando em rosas o pão que levava aos pobres, quando o rei a surpreendeu, valeu-lhe a veneração pública e tornou-a credora da devoção coimbrã.
A santidade mereceu-a com o casamento aos 12 anos, idade em que são recomendados brinquedos e não mancebos. Nem precisava do milagre.

D. Dinis encomendou-a em fevereiro e fez a boda em junho, no Ano da Graça de 1282, fazendo com que os reis da França e da Inglaterra fossem procurar outras para os seus filhos, pois o pai da futura santa, o rei Pedro III de Aragão, preferiu entregá-la a quem já era rei, em vez de um dos dois que viriam a sê-lo, perante três pretendentes.

A Rainha Isabel era sobrinha de outra santa do mesmo nome e também rainha, nascida 6 décadas antes e que fizera o mesmo milagre, o que levou alguns céticos a pensar que se tratava de um truque de família.

Não sendo a Rainha Santa Isabel, a de Coimbra, tão santa como a tia, a quem apareceu a ‘Nossa Senhora’, cercada de anjos, e a prometer-lhe o céu dias antes de ser chamada à presença do seu divino filho, não deixou de entrar no devocionário dos autóctones.

Não sei se foi promessa ou subserviência pia o que levou o edil Carlos Encarnação, um autarca do PSD, a mandar arrasar as placas toponímicas da Ponte Europa e a substituí-las por outras com o nome de «Ponte Rainha Santa Isabel».

Não ficou mais rica a cidade, nem mais valorizado o autarca, mas ficou mais pia a ponte e mais desencardida a alma do ex-ajudante de Dias Loureiro, no consulado cavaquista.

sexta-feira, maio 19, 2017

Pensamento de Passos Coelho


Catarina Eufémia – 19 de maio de 1954

Há 63 anos foi assassinada a tiro uma ceifeira analfabeta, mãe de três filhos, durante uma greve de assalariados rurais, a resistir à repressão fascista. Para a História ficou a coragem da jovem que o tenente Carrajola, da GNR, assassinou, e o símbolo da mulher corajosa, que perdura na memória dos que não esquecem a ditadura salazarista.

Quando, por toda a Europa, a hidra fascista renasce sob vários disfarces, recordar aquela mãe-coragem de 26 anos, é homenagear as mulheres que lutaram pela liberdade e combater o esquecimento.

Ser mulher, pobre, analfabeta e assalariada rural foi o ónus de milhares de portuguesas que suportaram amargamente a ditadura. Catarina morreu a combater com a intuição de que vale mais morrer lutando do que desistir e sobreviver na escravidão.

***

RETRATO DE CATARINA EUFÉMIA

Da medonha saudade da medusa
que medeia entre nós e o passado
dessa palavra polvo da recusa
de um povo desgraçado.

Da palavra saudade a mais bonita
a mais prenha de pranto a mais novelo
da língua portuguesa fiz a fita encarnada
que ponho no cabelo.

Trança de trigo roxo
Catarina morrendo alpendurada
do alto de uma foice.
Soror Saudade Viva assassinada
pelas balas do sol
na culatra da noite.

Meu amor. Minha espiga. Meu herói
Meu homem. Meu rapaz. Minha mulher
de corpo inteiro como ninguém foi
de pedra e alma como ninguém quer.

(José Carlos Ary dos Santos)

quinta-feira, maio 18, 2017

A laicidade é uma exigência democrática

A palavra francesa (laïcité) entrou no dicionário Littré, em 1871, no ano da Comuna de Paris, que desejava a separação da Igreja católica do Estado. A violência de então, com fuzilamento de vários membros do clero, associou injustificadamente a ‘laicidade’ ao anticlericalismo, que combatia a permanência do clero nos corredores do poder.

Talvez se encontre na autonomia do poder político face às Igrejas e destas em relação ao poder político, a animosidade dos parlamentares católicos que se opuseram à lei de 9 de dezembro de 1905 que, ainda hoje, vigora, enquanto os protestantes não a combateram. Estavam vivas as recordações da monarquia católica de direito divino que, ainda hoje, despertam a nostalgia da monarquia de crentes contra a República de cidadãos eleitores.

O reconhecimento de uma ou de várias Igrejas pelos Estados democráticos, bem como a separação de qualquer confissão, não refletem maior ou menor liberdade religiosa, dado que as democracias liberais respeitam as crenças, descrenças e anti-crenças de cada um, enquanto as religiões, só obrigadas, se conformam com crenças alheias.

A laicidade dos espaços públicos e a não discriminação são uma garantia da liberdade e da igualdade das diversas confissões religiosas. O exemplo da Igreja ortodoxa, sempre presente nas cerimónias do Estado e com vasto ascendente nas instituições políticas, ou o caso extremo do Islão, em que todos os poderes do Estado, as regras de alimentação e vestuário e a obrigatoriedade da fé estão contidas no Corão, deviam servir de vacina aos países onde predominam as práticas cristãs e serem as Igrejas a exigir o cordão sanitário que as separe da política.

A Igreja católica está, hoje, longe de ser a mais ligada ao poder político, apesar da gula com que parasita os Estados com quem assina Concordatas. Além do caso patológico do Islão, existe a Igreja ortodoxa sempre ligada ao poder político (Rússia e Grécia) e no caso da Grécia, com a Constituição ainda promulgada em nome da Santíssima Trindade.

No Brasil as Igrejas evangélicas já dominam os meios de comunicação e o aparelho de Estado e, até nos EUA conseguiu o domínio do Partido Republicano, apesar do Estado não poder subsidiar qualquer culto.

No mundo globalizado, onde a diversidade religiosa passou a ser uma constante, não há outra forma de conter a vocação totalitária das religiões maioritárias, nem o proselitismo das minoritárias, sem reforço da laicidade, posição que desconhecem os oportunistas de vários partidos, na caça ao voto, e os devotos ensandecidos pela fé.

Se o nazismo quiser gozar de imunidade e impunidade basta transformar-se em religião. Em vez de líder use nomes como mulá, bispo, mufti, aiatola, cónego ou rabino e dê aos livros com que intoxica os devotos a santidade com que as religiões sacralizam os seus, apresentando-o como palavra revelada que conduz à salvação. E os antifascistas serão acusados de racismo e nazifobia.

«O Estado também não pode ser ateu, deísta, livre-pensador; e não pode ser, pelo mesmo motivo porque não tem o direito de ser católico, protestante, budista. O Estado tem de ser cético, ou melhor dizendo indiferentista» Sampaio Bruno, in «A Questão religiosa» (1907).

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, maio 17, 2017

A santa que espera canonização

Depois desta carta, ainda há quem duvide da inspiração divina da vidente Lúcia! 

terça-feira, maio 16, 2017

Caleidoscópio

Depois do massacre do Papa que ameaçava continuar por vários dias, apareceu a vitória no campeonato nacional do mais popular clube nacional.

Quando estava em marcha um novo massacre mediático, valeu-nos o Salvador [Sobral] com a vitória merecida no festival da canção da Eurovisão.

Só faltavam as boas notícias sobre o desempenho da economia nacional para trazer um módico de salubridade ao espetro mediático, um inédito crescimento económico a que já não estávamos habituados, acompanhado, aliás, pela redução do risco de pobreza e a redução dos juros internacionais aos empréstimos do Estado.

Como nota de humor, o PSD, afastado do poder, por elementar medida de salubridade política, pela tenacidade de António Costa e mérito dos partidos que apoiam o Governo (PS+BE, PCP, PEV), veio reclamar para o governo PSD/CDS o mérito da ausência dos demónios que invocava.

Não há vitórias definitivas, mas sabe bem um período de otimismo e acalmia. E também não há desgraças eternas, como o comprovou a queda do governo PSD/CDS, apesar das patéticas ameaças de Cavaco Silva e das suas tentativas de subverter a Constituição para castigar o País com a manutenção dos seus diletos no poder.

Era justo que Teodora Cardoso, com inegáveis méritos de economista, viesse a público penitenciar-se do reiterado pessimismo das suas previsões, bem como os pessimistas do costume que fazem dos estados de alma uma ciência sempre que a esquerda governa.

Já não se espera de Cavaco Silva um mínimo arrependimento pelas dificuldades criadas a Portugal, quando era seu dever a isenção e a neutralidade, ao denunciar publicamente, às instâncias internacionais, o perigo da solução política em boa hora conseguida.

Mas da sua pequenez fala a aceitação do grau mais elevado da Ordem da Liberdade que, num gesto de humor negro, o seu sucessor lhe concedeu.

O poder do cartoon

Para agravar as úlceras gástricas de Cavaco, Passos Coelho e Assunção Cristas, até o humor de Luís Afonso contribui.

segunda-feira, maio 15, 2017

Assunção Cristas, a populista com contrato a prazo

Assunção Cristas, nascida por feliz coincidência no dia 28 de setembro de 1974, dia em que um golpe de direita fracassou em Portugal, trouxe de Luanda um ressentimento que se transformou em azedume contra a esquerda. A religiosidade que a devora, e necessita de exibir, aproxima-a mais de uma líder extremista do que da direita moderada.

Sabe-se que de bancos percebe pouco e entregou o futuro do BES, a pedido da amiga do PSD, às contingências da sorte. Como fez parte de um governo que deixou os bancos na desgraça, não se lhe podia exigir mais como Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território. Bastou-lhe mandar fazer, por medida, umas galochas e um boné para imitar Paulo Portas, ignorando que as imitações são piores do que o original.

Como resolveu disputar eleições autárquicas, para fingir que o CDS é mais do que uma muleta do PSD, até de transportes julga saber. A ignorância sobre os custos leva-a, num golpe de populismo de quem nem uma junta de freguesia vai gerir, a pedir 20 estações de Metro, para Lisboa. Mais vinte!
   
Assunção Cristas há de julgar que as 20 estações de metro são o duplo-decâmetro da caixa métrica da sua escola primária.

domingo, maio 14, 2017

VISITA DO PAPA A FÁTIMA

Crónica de um ateu perante a visita papal
15:02 por SÁBADO0

O presidente da Associação Ateísta Portuguesa, Carlos Esperança, sujeitou-se à penitência, como o próprio a classificou, e assistiu à visita do papa Francisco a Fátima.

«Não veio como chefe do único Estado sem maternidade, veio, nas suas palavras, como peregrino, mas aguardavam-no as genuflexões pias e os beiços ávidos do beija-mão, de crentes ilustres movidos pela fé e pelos vídeos promocionais do PR e de Zita Seabra.

O avião papal percorreu o espaço aéreo nacional escoltado por dois caças da F.A., quiçá para provar aos incréus que o céu existe, porque nele circulam aves, insetos e aeronaves, mas não há registo da navegação aérea da Sr.ª de Fátima, criada pelo clero português, há um século, contra a República.

O Papa Francisco, enviado da Cúria, trouxe os diplomas de canonização de Francisco e Jacinta, que, depois de longa defunção, obraram em joint venture o milagre da D. Emília de Jesus, a entrevadinha que morreu totalmente curada, seis meses depois. Impondo a canonização dois milagres, não se furtaram os defuntos a curar uma criança com "perda de material cerebral" que, depois de transportada "ao hospital, em coma, foi operada", no Brasil, e os médicos disseram que, "caso sobrevivesse, viveria em estado vegetativo ou, no máximo, com graves deficiências cognitivas". Valeu-lhe o pai. Pediu à Sr.ª de Fátima e aos pastorinhos a cura do Lucas, caído de 7 metros de altura. Curou-se em três dias. É o troféu dos defuntos que, para as canonizações, careciam do milagre como os diabéticos de insulina para a doença.

Não havendo na Cova da Iria infraestruturas para aviões, requisito desnecessário para a Virgem, o CEO da multinacional da fé católica, aterrou no aeroporto de Monte Real, a 54 km da sucursal.

O Papa deixou uma mensagem à tripulação do avião que o trouxe: «Esta viagem é algo especial, uma viagem de oração de encontro com o Senhor e com a santa mãe de Deus», mas quem encontrou na Base Aérea de Monte Real foi o PR, incapaz de se conter no beija-mão, o presidente da AR e o PM.

Às 17H10, após cumprimentar a referida trindade e outros dignitários da República, fez uma visita à capela da Base Aérea e um curto rali de saudações e beijos. Esperava-o um helicóptero, para voar baixinho e surgir em Fátima, onde era aguardado por centenas de milhares de crentes em apoteose, alguns, com calos nos joelhos, outros, com bolhas nos pés, e todos em êxtase pio, com os olhos no céu, à espera do Papa.

A chegada de Francisco a Fátima foi a 5.ª aparição de um Papa, depois das de Paulo VI, há 50 anos, de João Paulo II (2), reincidente, e de Bento XVI, todas bem documentadas, ao contrário das que, em igual número, ocorreram numa azinheira local, para gáudio de três crianças, em que só uma via e ouvia, visões que, sucessivamente alteradas, revistas e aumentadas, se converteram em aparições.

Eram 17h40 quando os três helicópteros que levaram o Papa e a sua comitiva até Fátima sobrevoaram o céu do Santuário (o céu existe), antes de aterrarem no estádio da cidade. Depois, foi a viagem em papamóvel por entre a multidão ansiosa de o ver, como se na passagem do homem estivesse Deus a acenar aos crentes.
Às 18H30, entregou ao santuário a terceira Rosa de Ouro e dirigiu-se aos peregrinos na língua da Senhora de Fátima. Foi um deslumbramento.

O Papa rezou, abençoou os peregrinos e retirou-se do santuário cerca das 19 horas, para voltar duas horas depois e presidir à procissão das velas, um popular evento da liturgia, abrilhantado este ano pelo «hino do centenário das aparições». Rezou de novo e falou aos peregrinos de um santuário repleto de gente, fé e velas acesas.

Os crentes rezavam e cantavam, excitados pela presença do Papa, quando este se retirou às 23 horas, farto ou cansado, sem lhes falar de novo. Kitsch de Joana de Vasconcelos, o enorme e rutilante terço continuou a iluminar os peregrinos, abatidos com a ausência do Papa, e que rezavam na procissão que se prolongou mais um quarto de hora.

O cronista, considerando que ia longa a sua penitência, refugiou-se em leituras profanas. Escolheu Aquilino e releu algumas páginas de «Andam Faunos pelos Bosques», para se ressarcir do castigo que aceitou.

Voltou hoje, dia 13, antes das 10H00, para as canonizações de Francisco e Jacinta, um inédito privilégio de outorga ao domicílio, e corresponder ao amável convite da revista Sábado. E ia pensando no estranho sortilégio da bênção das velas normais que, ontem, graças aos sinais cabalísticos do Papa, se transformaram em velas benzidas.
Os pastorinhos, bem-aventurados a quem foram concedidos alvarás para obrar milagres, já eram beatos com a cura da D. Emília, e tinham direito a culto nacional. Foi a criança brasileira, em prejuízo de amputados da guerra colonial, que vão anualmente a Fátima e não recuperam os membros perdidos, quem lhes permitiu serem criados santos ou, em linguagem profana, obterem o diploma de canonização e poderem ser cultuados em todo o mundo católico. Que pena continuarem defuntos e não assistirem à grandiosidade da festa pia que lhes reservaram, eles que, em vida, apenas tiveram refeições decentes num dia 13 em que o administrador do concelho de Ourém os levou a almoçar com os filhos, a sua casa, e perderam uma aparição programada.

Às 10H00, teve início a eucaristia de celebração do que os créus e a comunicação social designam por Centenário das Aparições. Começou, aliás, com a canonização de Jacinta e Francisco Marto. Francisco, o Papa, começou por proclamá-los santos e anunciar a sua inscrição no catálogo dos santos da Igreja católica. Os crentes romperam em aplausos. Foi um orgulho para a Pátria e um deleite para os fiéis.

Depois da missa, a bordo do papamóvel, o Papa fez um novo rali de beijos e saudações, desceu do veículo para beijar uma deficiente e dirigiu-se à Casa de Nossa Senhora do Carmo para almoçar com os bispos. O Papa é santo por profissão e estado civil, mas não é como Alexandrina Maria da Costa, a santinha de Balasar, que passou os últimos treze anos e sete meses finais da vida em jejum total e anúria (apenas tomava a comunhão).

Findo o almoço, o Papa Francisco começou a repetir a viagem em sentido inverso com a coreografia prevista. Lá fora, o mundo quase não deu pela visita do Papa a Portugal.

Falta agora enriquecer o catálogo dos santos com Lúcia e Alexandrina cujos milagres já estão encomendados.

http://www.sabado.pt/vida/visita-do-papa-a-fatima/detalhe/cronica-de-um-ateu-perante-a-visita-papal?ref=HP_Ultimas

sábado, maio 13, 2017

Tesourinho humorístico

Peregrinos esquecidos

Tesourinho deprimente_3


Tesourinho deprimente_2


Tesourinho deprimente


Antes tivesse acontecido isto:


sexta-feira, maio 12, 2017

Associação Ateísta Portuguesa (AAP) - Comunicado

Fátima: o centenário de um embuste

Quando a Igreja católica distribui veneras a título póstumo, à semelhança dos Estados, é uma decisão que não merece reparo e apenas diz respeito aos crentes, mas quando o pretexto insiste no desafio à inteligência e ao bom senso, é uma boa razão para o combate ao obscurantismo e à superstição, implícitos nos milagres.

No início do século XX houve várias tentativas para encenar um espetáculo, copiado de Lourdes, contra a República. Em 1917, numa zona rural recôndita, foi possível fanatizar três crianças analfabetas com o catecismo terrorista da época e usá-las na raiva contra o Registo Civil obrigatório, o divórcio e a lei da Separação da Igreja e do Estado.

Em 13 de maio de 1917 foi ensaiado o circo contra a República, usando como fetiche o número 13 e o rosário como amuleto. Em cada dia 13 repetiu-se o teatrinho até ao mês de outubro. Bailou o Sol, saltitou nas azinheiras a Senhora de Fátima, o avatar lusófono da de Lourdes, poisou na Cova da Iria o Anjo de Portugal e as crianças foram repetindo o que o padre doutrinava, enquanto a Igreja comprava os terrenos para o negócio pio.

Em 1930, quando a ditadura clerical-fascista estava em marcha e a Lúcia levava quase uma década de cativeiro, com a Jacinta e o Francisco mortos, a ‘mensagem’ de Fátima virou-se contra o comunismo e para a conversão da Rússia (URSS?). Os ‘segredos’ que alimentaram o medo das populações, embrutecidas pelo primarismo da fé, acabaram de forma pífia com o último a ser apropriado por João Paulo II, convencido de que era, ele próprio, o protagonista, e de que a Senhora de Fátima, em vez de o ter poupado ao tiro de pistola, lhe havia guiado a bala no trajeto através do corpo perfurado.

Implodido o comunismo, Fátima virou-se contra o ateísmo e em 2008 o cardeal Saraiva Martins, vindo do Vaticano, presidiu à peregrinação do 13 de maio, sob o lema “contra o ateísmo”. Foi o ano da criação da Associação Ateísta Portuguesa (AAP).

Depois do milagre da D. Emília dos Santos, agora em nova joint venture, já com a ajuda da defunta Lúcia, os pastorinhos obraram outro milagre: curaram uma criança brasileira com “perda de material cerebral” que, depois de transportada “ao hospital, em coma, foi operada” e os médicos disseram que, “caso sobrevivesse, viveria em estado vegetativo ou, no máximo, com graves deficiências cognitivas”.

Bastou o pai pedir a cura à Senhora de Fátima e aos pastorinhos para ficar sem sequelas, em três dias, e recuperada para vir a Fátima como troféu dos defuntos, que necessitavam do milagre para a santidade programada.

Em Portugal, vítima da superstição e da ignorância, a conferência de Antero de Quental sobre as ‘Causas da Decadência dos Povos Peninsulares’ precisa de ser divulgada.

A Associação Ateísta Portuguesa reprova a cumplicidade dos mais altos representantes da República, a tolerância de ponto aos funcionários públicos e a presença de cadetes fardados no transporte do andor da Senhora de Fátima, na procissão das velas.

A laicidade, imolada no altar da superstição pia, caricatura o Estado laico e desprestigia as instituições.

Odivelas, 12 de maio de 2017.

Manuel Valls ou uma ‘versão barretina’ em França…


Manuel Valls anda num frenético rodopio para garantir a sua sobrevivência política. Colonizou a presidência de François Hollande para – com a cumplicidade deste – e, pela ‘via socialista’ (PSF), conseguir transitar de um controverso desempenho como ministro do Interior para 1º. Ministro e a partir daí disputar a Presidência da República Francesa.

Uma vez alcandorado no cargo de primeiro-ministro tenta transformar o PS francês numa 'agremiação social-liberal’ que, para começar, prescindiria da designação ‘socialista’. Na ‘carreira partidária’ sempre foi um ‘rocardiano’ (discípulo de Michel Rocard), isto é, da ‘segunda Esquerda’ do PSF que armadilhava, na penumbra, a ‘reunificação socialista’ encontrada no Congresso de Epinay, sob a batuta de François Mitterrand. Isto é, colocou-se (colou-se) afincadamente numa direita do PS que, objectivamente, nunca chegou a distanciar-se de um volúvel 'centro-direita'.

Valls tentou ‘enrolar’ o PSF nas primárias para as presidenciais defendendo um programa sobreponível a Macron, soi disant, ‘nem de Esquerda, nem de Direita’, mas foi derrotado pela ala socialista (de Esquerda) que indigitou Benoît Hamon para disputar as eleições.
O fracasso de Hamon nas presidenciais não é contabilizável como uma vitória, em diferido, de Valls. De facto, tinha sido derrotado à partida (primárias) e quando da contagem eleitoral estava fora de todas as presuntivas tentativas futuras para 'reerguer', 'refundar' ou 'reanimar' o PSF.
 
Aliás, Valls, já tinha feito o percurso de trânsfuga e colocou-se como outsider após bandear-se – já na 1ª. volta! - para as hostes de Macron, onde esperava ser recompensado. Após a vitória de Macron oferece-se para integrar as listas do vencedor para disputar as Legislativas. Mais um percalço. Os ‘macronistas’ consideram que não reúne condições para tal link.
 
Todavia, nem tudo é límpido. Não lhe aceitam a candidatura mas tentam ‘oferecer-lhe’ o lugar - não concorrendo neste círculo eleitoral. O risível é que, depois deste percurso, Manuel Valls, vai apresentar-se aos eleitores como independente. E como um ‘homem livre’. Livre de quê? Certamente, que livre do ‘socialismo’ (que nunca professou).
 
Na realidade, a sua putativa vitória será a provável expulsão do PSF link. Nesse momento, acertará contas com as suas posições e a sua ínvia carreira política. Terá, então, oportunidade e tempo para assumir o papel de catavento do ‘centrão político’ e dedicar-se de corpo e alma à defesa das doutrinas liberais (das que vão do antanho às mais recentes).
 
Para melhor compreensão dos portugueses podemos resumir este percurso como a versão gaulesa do António Barreto…

Fátima

Confirma-se a concessão dos diplomas de santos a Francisco e Jacinta, depois de aprovados os 2 milagres obrados em joint venture.

O Papa não vem como chefe do único Estado sem maternidade, vem como estafeta da Cúria para entregar os diplomas de canonização de Francisco e Jacinta.

O Papa Francisco vai aparecer do Céu, em Fátima, mas, contrariamente à Senhora de Fátima e ao Anjo de Portugal, conhece-se o meio de transporte, o plano de voo e o combustível usado.

quinta-feira, maio 11, 2017

A 'Assunçãozinha' de Lisboa: sem pudor, nem contenção…

O CDS vinha mantendo uma atitude de equilibrista entre o simulacro de uma 'oposição responsável’ e uma contenção à volta do dissimulado ressabiamento pelo afastamento dos círculos do poder onde esteve (mas parece que não) envolvido entre 2011 e 2105.
 
Ontem, deu-se o tropeção.
O CDS pela voz de Assunção Cristas pediu nada mais ou nada menos do que mais 20 (!) novas estações do metro de Lisboa  link.
 
Terá sido um lapsus linguae?
 
Na verdade, o que a dirigente queria pedir era o Céu e a Terra. Nada de admirar no cândido e peregrino mês de Maio.
Afinal, os milagres são como os chapéus: há muitos! Ou existem para dar e vender.
É só escolher.
 
O mais prudente e a imediata lição a tirar seria meditar sobre a endémica impressão de que o ‘populismo’ só existe lá fora.

Há 23 anos – 10 de maio de 1994

Nelson Mandela tornou-se presidente da África do Sul no dia 10 de maio de 1994. Foi o primeiro negro, na história do país, a assumir o cargo. Mandela, um pacifista que fazia campanhas por uma sociedade democrática, mais livre e pluriétnica, é um exemplo ético para África e para o Mundo.

O Prémio Nobel da Paz de 1933, que recebeu com De Klerk, honrou a distinção com a dignidade com que exerceu o cargo e o desprendimento com que o deixou. A grandeza moral de quem perdoou aos carcereiros e aos países que foram cúmplices são a lição de um homem de exceção e patriota exemplar.

Em 1987, o PM português, Aníbal Cavaco Silva, mandou votar contra uma resolução da ONU que exigia a libertação incondicional de Mandela, apenas ao lado dos EUA, de Reagan, e do Reino Unido, de Thatcher, numa votação que registou os 3 votos contra, 129 a favor e 23 abstenções. Foi a pequenez do mordomo na raiva comum ao Homem.

O líder da resistência não-violenta da juventude foi réu em um julgamento ignóbil, por traição, e, foragido, foi capturado pelo governo racista, em 1962, com apoio da CIA. E o advogado dos direitos humanos entrou num cárcere do regime de segregação racial.

O símbolo da luta contra o regime segregacionista do Apartheid dirigiu o país durante cinco anos, até 16 de junho de 1999, e retirou-se do poder. num gesto de rara grandeza, no continente onde o poder soe transformar os libertadores em vis ditadores.

Em África, o continente onde o nepotismo, a cleptomania e o tribalismo o condenam ao subdesenvolvimento, à fome e à tirania, Mandela é hoje a memória de um gigante no pensamento e na ação, o homem que aliou a coragem da luta não violenta à ousadia de resistir ao ajuste de contas pelo sofrimento de 27 anos de prisão.

Há 23 anos brilhou uma estrela no firmamento negro.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, maio 10, 2017

Porto – Eleições autárquicas

Não sou eleitor no Porto e gostaria que a presidência da autarquia fosse ganha pelo mais capaz, independentemente da origem partidária, mas há uma única candidatura que não gostaria de ver sair vitoriosa, a do atual autarca Rui Moreira.

Tenho pelos ‘independentes’ uma sólida desconfiança e enorme receio de oportunismo. O ‘independente’ integrado numa lista partidária assume a proximidade com o partido em que se integra, mas o ‘independente quimicamente puro’ é um travesti pronto a trair os partidos que o amamentam em benefício próprio. É o OVNI, a voar baixinho, no céu da política, sem querer apresentar credenciais democráticas. É o ser exótico que se julga isento e que tanto pode ser da extrema direita como da extrema esquerda, embora o caso presente, em questão de extremas, não levantasse dúvidas quanto ao lado.

Quem é Rui Moreira? Um monárquico que troca a cidadania por um título nobiliárquico ou um reacionário escondido atrás de uma alegada independência para facilmente poder, no coro anti-partidário, ser arauto de uma qualquer ditadura? Onde estava no 25 de Abril, prestes a assumir a maioridade, este monárquico cosmopolita e rico?

Rui Moreira, foi o instrumento de Rui Rio para derrotar o candidato oficial do PSD, um ato de higiene para banir do espaço político Luís Filipe Meneses, e que, desta vez, apoia o PSD contra a sua criatura, para prosseguir a legítima ambição política, deixando pelo caminho o arqui-inimigo Meneses e o moribundo Passos Coelho à espera do empurrão.

Rui Moreira já cumpriu o papel de escadote por onde subiu Rui Rio. Agora é tempo de se definir, para continuar na política. O tempo dos apolíticos não deixou saudades. Foi uma criação salazarista, e temo que Rui Moreira não seja mais do que um salazarista com verniz urbano e tiques aristocráticos a utilizar os paços do concelho com a nostalgia dos paços reais.

terça-feira, maio 09, 2017

Faleceu Baptista Bastos B-B


É mais um notável jornalista e excelente escritor que nos deixa, mas não é só um intelectual que parte, é o cidadão de coragem, impoluto na prosa e nas ideias, que nos deixa.

Vamos sentir a sua falta.

Presidência da República


Não basta saber da displicência com que o anterior inquilino encarava a aquisição de bens ou a contabilidade das despesas da presidência, talvez entretido em exercícios de criatividade sobre escutas. É preciso que o País exija ao novo titular a publicitação da auditoria que o País pagou e os portugueses exigem.

A cidadania constrói-se com a transparência a que o caudilho do PSD/CDS se furtou.

segunda-feira, maio 08, 2017

Há 72 anos – Fascismo, nunca mais!?

Na década de 30 do século passado a crise económica e o desemprego foram o caldo de cultura de regimes autoritários, homens providenciais e povos submissos, a germinarem no pântano da xenofobia onde desaguaram esgotos nacionalistas e pulsões belicistas.

O nazismo e o fascismo foram populares. Hitler chegou ao poder pela via eleitoral. A demagogia e o populismo submergiram as vozes sensatas, em toda a Europa. A própria família real inglesa, de origem alemã e germanófila, apenas foi constrangida à discrição. Em Portugal, Itália, Áustria, Polónia, Croácia, etc., etc., eram muitos os que exultavam com a expansão alemã, enquanto a demência antissemita cremava 6 milhões de judeus.

A Alemanha, ignorando o tratado de Versalhes, como ora os EUA desrespeitam a ONU, tinha começado uma guerra de expansão com fortes apoios nos países ocupados. Só a Espanha, vítima da barbárie do genocida Franco, chorava em silêncio, num ambiente de medo, luto e silêncio, 1 milhão de mortos, desaparecidos e refugiados.

O nazi/fascismo espalhou o conflito pela África e Ásia e na Europa não foram os povos que o derrotaram, foram os EUA e a URSS que vieram esmagar a besta nazi.

Há 72 anos terminou a 2ª Guerra Mundial na Europa. O exército alemão rendeu-se. Dez dias antes, em Itália, Mussolini fora julgado sumariamente e fuzilado com a sua amante, Claretta Petacci. Dois dias depois, Hitler suicidou-se com um tiro na cabeça e a sua mulher, Eva Braun, com a ingestão de uma cápsula de cianeto.

Sob as ruínas da tragédia, a Europa esconjurou os demónios do nazi/fascismo, lambeu as feridas, preservou a paz e procurou a justiça social.

No Dia da Vitória, hoje, 8 de maio de 2017, 72 anos depois, vemos amargamente como é curta a memória dos povos.

domingo, maio 07, 2017

França – A segunda volta das eleições presidenciais

Amanhã, dia 8 de maio, assinala-se o 72.º aniversário da derrota do nazi-fascismo, com a Europa destroçada pela guerra e a lamber as feridas de utopias nacionalistas e racistas de homens julgados providenciais.

A demência autoritária dos vencidos deixou marcas tão dolorosas que os partidos do pós-guerra trouxeram na matriz o horror às ditaduras. Quer os partidos conservadores e democrata-cristãos, quer os sociais-democratas (também designados por socialistas ou trabalhistas), cuidaram de expurgar do seu seio os cúmplices do nazismo e do fascismo, ainda que tenham consentido na Península Ibérica a permanência dos dois ditadores, um deles o maior genocida da História dos povos peninsulares.

De Gaulle, conservador, nacionalizou os bancos que se cumpliciaram com as ditaduras, e, mais tarde, diria estar arrependido de não os ter nacionalizado todos. Até os partidos conservadores viram o perigo de a política ficar refém do poder económico e financeiro.

 O primado da política foi esmorecendo e apareceram os arrivistas que se reclamavam de apolíticos e/ou independentes.

A amnésia coletiva permitiu que os demónios ressuscitassem, que o autoritarismo fosse de novo aceite, que a política esteja hoje à mercê do poder económico e da concentração da riqueza em cada vez menor número de mãos.

A direita resvala para sua direita e a esquerda segue-a. A extrema-direita é a opção que aparece como única alternativa. Um presidente, um governo e um partido podem surgir do desamor à política cultivado pela comunicação social nas mãos do poder económico.

Hoje, em França, Macron, surgido do banco Rothschild e da efémera passagem por um governo, venceu as eleições presidenciais graças ao medo de um apelido, de uma praxis e de um reiterado negacionismo do Holocausto. Ao medo dos franceses devemos este alívio que ora sentimos, mas não é saudável que alguém sem passado, sem jamais se ter submetido ao escrutínio popular, possa ter saído vencedor de umas eleições e possa ser o criador de um novo e promissor partido, sem ideologia.

Obrigado, Macron. Todos os democratas europeus quiseram essa vitória. Apenas Putin e Trump preferiam Marine le Pen. Pior do que a fragilidade da democracia que o levou ao poder é a dimensão dos votos antidemocráticos que sufragaram a extrema-direita.

Com a perigosa abstenção de ¼ dos franceses, a provável votação de 65% em Macron, deixa para a extrema-direita mais de 1 em cada 3 franceses e a certeza de que foi o mal menor a decidir alguns.

Por ora, mantemos a esperança, mas cresce o receio no futuro. Veremos o que acontece em junho.

O parágrafo

O que significa a visita do Papa para um homem sem fé

A direita gostava de Bento XVI e detesta Francisco, a esquerda vice-versa. Mas os dois são uma face mais comum do que pode parecer. Sem a acção teológica de Ratzinger, Bergoglio não podia fazer as reformas que pretende, nem falar como fala, mas no final a Igreja dará passos para a frente. Embora eu não me cuide dos passos da Igreja, que não é a minha casa, preciso da voz da Papa para ajudar no combate contra a ganância, a injustiça e a miséria, porque é uma voz cuja autoridade moral pode melhorar o mundo e a vida das pessoas.

(José Pacheco Pereira, in Público, 06/05/2017)

A fúria pia das autarquias




"100 anos - 100 terços: centenário das aparições", em Penacova
Para comemorar os cem anos das aparições de Fátima está patente na Biblioteca Municipal de Penacova, até ao final do mês de maio, a exposição "100 anos - 100 terços: centenário das aparições".

Trata-se de um conjunto de terços elaborados pelos alunos que frequentam a disciplina de EMRC, nas escolas de Aveleira, Figueira de Lorvão, Lorvão e Penacova do Agrupamento de Escolas de Penacova.

A grande diversidade de materiais revela bem a criatividade de todos os que participaram neste desafio: lã e linha, botões, missangas, leguminosas, metal, tecido, cortiça, vime, búzios, esferovite, caracóis... e muito mais…


Escola e comunidade de mãos dadas, com o contributo da Biblioteca Municipal de Penacova.


sábado, maio 06, 2017

Lúcia, vidente contumaz (Crónica ímpia)

Dos três pastorinhos, Lúcia foi a única que fixou, reproduziu, reconheceu e localizou as aparições da S.ª de Fátima, dom de insólitas vidências, que não se exauriu no ermo onde apascentava cabrinhas e recidivou no cativeiro a que a remeteu o bispo de Leiria, desde os 14 anos.

Na Cova da Iria, registou, com notável precisão, as visões, recados, vestuário, feições e humores da senhora mais brilhante do que o Sol. No bailado do Sol ao meio dia, Deus, em sinergia com a Senhora de Fátima, fez melhor do que quando entregou os amorreus às sevícias dos filhos de Israel e, a pedido de Josué, na presença dos israelitas, deteve o Sol em Gibeão e a Lua no vale de Aijalom, para lhes dar tempo.

Quando a física celeste colocava o sistema solar a rodar e a Terra se mantinha em mansa quietude, detinha-se o Sol; quando a física se alterou, o Sol fez piruetas em Fátima, com uma sessão privada para o Papa, nos jardins do Vaticano.

Foram tantas e tão variadas as visões, em vida, que a visita ao Inferno, onde viu frigir o Administrador do Concelho de Ourém, que não ia à missa, é irrelevante perante outras que só a uma predestinada bem-aventurada estava reservado tamanho privilégio.

Em Pontevedra, um dos seus desterros, teve duas aparições do Menino Jesus na capela, uma delas com “Nossa Senhora”, que lhe pediu para consagrar o mundo ao Imaculado Coração de Maria. É um orgulho para a Pátria e uma glória para a fé saber que a defunta mãe de Jesus ‘pediu’ a uma pastorinha portuguesa para lhe consagrar o mundo (o dobro do atribuído a Portugal pelo Tratado de Tordesilhas). Não dispondo a bem-aventurada de alvará para fazer consagrações, pediu ao Papa, que não privava com a Sr.ª de Fátima, e acabou por fazê-lo a rogo da vidente.

O bispo jubilado Inácio Dominguez, de 81 anos, revelou que na cidade galega de Tuy, outro dos seus desterros, “muitíssima pouca” gente sabe que a vidente viveu lá e teve como visão a Santíssima Trindade que, na sua opinião, é de todas a mais importante do ponto de vista teológico.

Ver a Santíssima Trindade (Deus-Pai, Jesus e a Santíssima Pomba) de uma só vez é um milagre que arrasa a concorrência.

Ditosa Pátria que produziu tal santa!

sexta-feira, maio 05, 2017

A catadupa das aparições a ‘Doris’


(…)

Terá sido nessa capela [Pontevedra] que Lúcia teve duas aparições do Menino Jesus, uma delas com Nossa Senhora, que lhe terá pedido para consagrar o mundo ao Imaculado Coração de Maria.

À saída da capela, a Lusa apanhou um grupo de cerca de 20 mexicanos que, em peregrinação pelos locais de passagem da vidente, referiram que não houve apenas uma irmã Lúcia, mas sim três.

(…)

Em conversa com a Lusa, o bispo jubilado Inácio Dominguez, de 81 anos, revelou que nesta cidade galega [Tuy] “muitíssima pouca” gente sabe que a vidente viveu lá e teve como visão a Santíssima Trindade que, na sua opinião, é de todas a mais importante do ponto de vista teológico.

(…)

Estado laico ou protetorado do Vaticano?

Ensino Moral e religião católica (EMRC)

Dados do relatório da Inspeção-Geral de Finanças, divulgado em 2016, e noticiado pelo semanário Expresso, em 23-12-2016.

«No biénio 2013/2014, o Estado concedeu 63 milhões de euros de benefícios fiscais aos colégios, que se somaram aos 388 milhões de euros que receberam em apoios diretos. A denúncia é da Inspeção-Geral de Finanças que critica a falta de controlo do Estado sobre um total de 451 milhões transferidos para os colégios.

Segundo o Correio da Manhã, a auditoria da IGF detetou falhas no controlo do destino dado ao dinheiro dos contribuintes. “Os documentos de prestação de contas” dos colégios “carecem de procedimentos de controlo pela Direção-Geral da Administração Escolar”, revela o relatório.

A maioria dos colégios “não publicita os apoios públicos que recebe” afirma a IGF acrescentando que “alguns dos maiores beneficiários de contratos de associação não cumprem o dever de divulgação das mensalidades praticadas nem a autorização de funcionamento do estabelecimento.” Também nos contratos simples a auditoria verificou “insuficiência na confirmação da situação socioeconómica do agregado familiar de alunos candidatos a apoios” a quem o Estado financia a frequência no colégio.»

quinta-feira, maio 04, 2017

Marido da rainha Isabel II abdica dos deveres reais

O príncipe Filipe, duque de Edimburgo, 95 anos, vai abdicar dos seus deveres reais, anunciou, esta quinta-feira, o Palácio de Buckingham.

Nota: Temeu-se que abdicasse das obrigações matrimoniais!

A frase

«Donald Trump faz linha no bingo da repugnância, na medida em que é politicamente abjecto, e tem um sentido de humor que faz Cavaco Silva parecer Groucho Marx.»

[Ricardo Araújo Pereira, hoje. (Revista 'Visão')]

A amnésia do fascismo na União Europeia (UE)

Quando Jörg Haider, governador da Caríntia, foi indicado para chanceler, em 2000, a UE impôs o cancelamento da nomeação do líder do Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), de extrema-direita.

O político que elogiou a política de emprego do Terceiro Reich, nacionalista, xenófobo e homofóbico, morreria com uma taxa de alcoolemia de 1,8 gramas por litro de sangue (a conduzir a 142 km/h o carro oficial, onde o limite máximo era de 70 km), no regresso de um bar gay, deixando inconsolável o seu sucessor, como líder da Aliança para o Futuro da Áustria (BZÖ), com quem mantinha uma oculta e tórrida relação amorosa.

Dezassete anos passados, a Hungria e a Polónia têm líderes de extrema-direita e apenas têm de conformar-se com as eleições nos prazos previstos. A UE perdeu força, para se indignar e impedi-los de governar.

Em 2002, quando Jean-Marie le Pen chegou à segunda volta das eleições presidenciais, a revolta desceu às ruas, em protestos, na França e em toda a Europa, contra o perigo do “fascismo”, que menos de 20% dos eleitores sufragariam. Quinze anos depois, a filha mais do que duplica o eleitorado e até se teme que possa sair vitoriosa do confronto.
 
Em menos de duas décadas, o intolerável tornou-se banal e o escândalo respeitável. Não se repete o sobressalto cívico de há 15 anos. Sete décadas depois da derrota do nazismo, esquecido o horror, o ultraliberalismo económico conduziu os países para um beco onde a direita e a extrema-direita são escolhas únicas.

Pior do que a pobreza das opções dos franceses são as advertências que chegam. O nazi / fascismo parece ser uma questão apenas adiada na sua dramática ressurreição.

Do Reino Unido aos EUA, da Turquia à Arábia Saudita, da Síria à Líbia, um pouco de todo o mundo, são cada vez maiores as ameaças que perturbam a UE.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, maio 03, 2017

Gralha ou profecia?


Humor

Boas maneiras à mesa.

O sagrado e o profano em Joana de Vasconcelos


E a imaginação popular:

terça-feira, maio 02, 2017

Fátima

“Um grande negócio” e uma “mistificação”

Dois presidentes de associações, uma de ateus e outra que defende a separação entre Igreja e Estado, contam como olham para Fátima.
CAMILO SOLDADO 30 de Abril de 2017, 6:58

A Associação República e Laicidade (ARL) nasceu em 2003 para defender a separação entre o Estado e a Igreja, mas nela cabem ateus, católicos, agnósticos e pessoas cuja fé é difícil de definir. “Tenho uma visão negativa” sobre o fenómeno que nasceu “num contexto de criar uma manifestação contra a Primeira República” devido à questão do Estado laico afirma Ricardo Alves, que é o presidente da associação, mas que sublinha que fala ao PÚBLICO sobre Fátima a título pessoal.

“Foi para isso que serviu em 1917”, sentencia. Depois disso, durante o Estado Novo, “passa a ser contra o comunismo”. Actualmente “é um grande negócio e provavelmente uma das grandes fontes de sustentação de Igreja Católica em Portugal”. Não há forma de verificar esta declaração de Ricardo Alves.

(…)

“Uma multinacional da fé”
Carlos Esperança, presidente da Associação Ateísta Portuguesa, também observa Fátima pelo prisma financeiro e não vê na visita do Papa Francisco motivos para o suavizar. “A Igreja Católica é uma multinacional da fé. O Papa é o seu primeiro director-geral, como tal não pode abandonar as suas sucursais”.

Ateu desde os 14 anos mas com formação católica, Carlos Esperança lembra mesmo que há “muitos católicos que não se revêem” nesta versão da “vinda de uma virgem saltitante pelas azinheiras” e fala numa “mistificação muito bem caracterizada” pelo Padre Mário de Oliveira (que escreveu o livro Fátima S.A.).

Tal como o responsável da ARL, Carlos Esperança entende que Fátima teve os seus alvos consoante o período histórico: Primeira República no começo, comunismo depois e, mais recentemente, “transformou-se numa plataforma contra o ateísmo”. “Em 2008 até houve um cardeal português que presidiu a uma peregrinação sob o lema “contra o ateísmo”, recorda, criticando o que vê como “carácter belicista” de Fátima.

Carlos Esperança foi a Fátima em contexto laboral e acabou por passar pelo santuário. Foi há cerca de 15 anos, mas recorda a “grande impressão” de ver as pessoas a fazerem o percurso de joelhos. “Uma situação pela qual tenho imenso respeito”, realça.

In Público

A frase


«Mais de 100 anos após deixar de ter religião oficial, Portugal é um país que ainda confunde liberdade religiosa com liberdade de ser católico».

(Fernanda Câncio - DN de 1 de maio de 2017)

segunda-feira, maio 01, 2017

Notas soltas – abril/2017

Índia – O parlamento do estado de Gujarat, no oeste do País, aprovou um projeto de lei que admite pena de prisão perpétua e multas até 100 mil rúpias para crimes de massacre de vacas, animais sagrados para os hindus. E há sempre quem exija respeito pela fé!

Venezuela – Não há ditaduras boas e ditaduras más. Todas são péssimas. Ao pretender substituir o Parlamento, para reforçar a ditadura militar com a cumplicidade judicial, o Supremo Tribunal só juntou o descrédito dos juízes ao do PR Maduro.

Reino Unido – As consequências imprevisíveis do Brexit, para o qual nem a Sr.ª May nem a UE estavam preparadas, apressaram as retaliações à conclusão do divórcio, com o RU a usar ameaças belicistas de ex-império em relação a Gibraltar. Péssimo sinal.

Síria – As armas químicas voltaram quando se pensava que a crueldade tinha atingido o auge. Ao sofrimento intolerável das pessoas juntou-se um ataque químico e a retaliação rápida de Trump, ainda antes de verificada a autoria do crime.

BPN – Apesar da consternação pelo arquivamento do inquérito a Oliveira Costa e Dias Loureiro, e surpresa pelo alegado impedimento da investigação pela PJ a Dias Loureiro, o Ministério Público não pode arquivar processos, com suspeitas. Se tem provas, acusa; se não tem, arquiva.

ETA – O grupo separatista basco começou por ser um grupo armado contra a ditadura e acabou em bando terrorista. As “120 armas de fogo, três toneladas de explosivos e milhares de munições” que entregou, sublinham a derrota merecida e tardia.

Madeira – A saída de cena de Alberto João Jardim foi o ato de higiene para um poder esgotado. É triste que o salazarista, a quem o País aturou o exotismo, continue a dividir os portugueses entre colonialistas (do continente) e colonizados (da Madeira).

Mário Centeno – O défice histórico de 1,9% mostra a enorme competência do ministro das Finanças e o sucesso da alternativa política. Explica, aliás, a tentativa desesperada da oposição para o levarem à demissão.

Turquia – O partido islamita (AKP) confunde-se com o Governo e o Estado. Erdogan usa-o para asfixiar as liberdades, perseguir opositores e abolir a laicidade, a caminho do poder totalitário com que deseja consagrar-se como sultão otomano até 2029.

Boko Haram – Este ramo africano do ISIS, já usou, em 2017, 27 menores em atentados suicidas. Desde 2014, segundo a Unicef, contam-se 117 (80% meninas), na Nigéria, Chade, Níger e Camarões. É a dilatação da fé com o Corão na mão e bombas à cinta.

Coreia do Norte – O neto do fundador da dinastia comunista desistiu do lançamento do último míssil, e adiou a receção do primeiro que Trump, parecido na imprevisibilidade e no corte de cabelo, ansiava enviar-lhe. O mundo está cada vez mais inseguro.

UE – Erdogan consolidou o poder com o referendo, em estado de emergência. A paz na Síria fica mais difícil, os curdos mais ameaçados e a Europa apavorada, sob chantagem, com 4 milhões de refugiados na Turquia. Vem aí mais uma ditadura islâmica.

Brasil – Michel Temer disse, na TV, que Dilma ainda estaria no poder se tivesse cedido às chantagens de Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados. Reina um silêncio total da comunicação social, e o cúmplice do golpe de Estado mantém-se PR.

Aquecimento global – A rápida fusão do enorme glaciar da região Yukon, no Canadá, secou o rio Slims em 4 dias (revista Nature). Os cientistas preveem, com o inédito facto – pirataria fluvial repentina –, uma mudança dramática da geografia mundial.

Fátima – Os crentes merecem respeito e a verdade ainda mais. As visões, não originais, passaram a aparições. Em 1917 eram contra a República, em 1930 contra o comunismo e, após a implosão da URSS, contra o ateísmo. A fé e a superstição têm pés de barro.

EUA – O lançamento da mais poderosa bomba não nuclear, sobre o Afeganistão, foi um teste da nova arma, sem objetivo estratégico e indiferente às convenções internacionais. A maior potência mundial é cada vez mais perigosa e imprevisível.

França – Com a derrota histórica dos conservadores (Fillon) e dos socialistas (Hamon), a 2.ª volta disputa-se entre Emmanuel Macron e Marine Le Pen. A única opção é o voto em Macron contra a candidata da extrema-direita, e esperar que os partidos recuperem.

25 de Abril – Quem mais lhe deve é quem menos gratidão mostra, mas a data é a marca indelével da liberdade e do fim da ditadura opressiva que, numa madrugada, os heroicos capitães de Abril derrubaram. Viva o 25 de Abril! Sempre.

Assembleia da República – A celebração do 25 de Abril não apagou divergências partidárias, mas a composição dos órgãos de soberania, sobretudo a substituição do PR, baixou a crispação e deu dignidade à cerimónia onde voltaram os rostos da Revolução.

Geringonça – A designação para injuriar o Governo do PS, com apoio parlamentar do BE, PCP e PEV, transformou-se na carinhosa referência à mais estimulante e fecunda experiência governativa desta segunda República.

Governo – A tolerância de ponto, em 12 de maio, foi a nódoa que manchou o percurso de uma governação honesta, numa cedência gratuita ao populismo que feriu a laicidade e atentou contra a lei da liberdade religiosa.

Vaticano – A viagem de alto risco do Papa Francisco ao Egito foi um ato de coragem e de grande carga simbólica a um país onde os cristãos coptas (10%) da população correm o risco de extermínio pelo fanatismo assassino dos Irmãos Muçulmanos.


Brexit – A primeira ministra Theresa May parte para eleições sabendo que reforça o seu poder e o do partido, mas sairá delas ignorando como manter unido e poderoso o país. É um momento ímpar para destruir simultaneamente o Reino Unido e a União Europeia.