quarta-feira, janeiro 28, 2015

Jantar republicano do 31 de Janeiro - COIMBRA

O Núcleo de Coimbra do nosso movimento vem, por este meio, convidar-vos a estarem presentes num jantar comemorativo desta imorredoura data de 31 de Janeiro de 1891.

Nesse dia, pela primeira vez em Portugal a República vigorou, embora apenas por algumas horas, facto este que não ensombra o significado e o simbolismo do Acto. Como republicanos e democratas que nos honramos de ser comemoremos, pois, a Revolta Republicana de 31 de Janeiro de 1891, prestando justa homenagem ao acontecimento e às suas principais figuras.
O nosso jantar terá lugar em Coimbra no restaurante Cantinho dos Reis (ao Terreiro da Erva) no próximo dia 31, sábado, pelas 19:30. O repasto será constituído por:
- sopa
- pratos à escolha: bacalhau à lagareiro ou vitela estufada
- vinhos branco e tinto ou águas
- sobremesas e bolo de aniversário
- cafés e aguardentes

O preço será de 12,50 euros por pessoa e as inscrições deverão ser dirigidas para os e-mails seguintes:
anabela8@hotmail.com

(a fim de facilitar as definições a ter com o restaurante, inscrevam-se, por favor, o mais rapidamente possível).
Aproveitaremos a oportunidade desta jornada republicana e o facto de estarmos reunidos para evocar condignamente não só os acontecimentos de 31 de Janeiro, mas igualmente o assassínio do General Humberto Delgado, facto histórico sobre o qual se perfarão 50 anos no próximo dia 13 de Fevereiro.

Todos os Companheiros (as) poderão usar da palavra.

Viva a República!

A estratégia e os embustes desta direita

Um social-democrata, como eu, tem dificuldade em entender a intoxicação da opinião pública a que esta direita se dedica despudoradamente.

Parece que quem arruinou a economia e lançou Portugal no pântano foram os governos de esquerda, social-democratas a tender para a direita, e não o capitalismo, puro e duro, na sua deriva especulativa a nível global. Esta direita ultraliberal, que esqueceu depressa a falência do banco Lehman Brothers, ainda mais depressa do que os infaustos governos de Durão Barroso e Santana Lopes, procura arranjar bodes expiatórios das suas próprias malfeitorias e justificações para a permanência, no poder, de Passos Coelho e Portas.

A inépcia deste Governo, o desastre deste PR e a tragédia desta maioria, deixar-nos-ão sem esperança e sem empregos. Esta direita omite que foram os seus patrocinadores que protagonizaram os escândalos que mais nos pesam e maior relevo tiveram no horizonte sem futuro que nos legam quando as próximas eleições a varrerem.

BPN, Banif, BCP, BES, submarinos, sobreiros e Universidade Moderna são alguns dos mais estridentes escândalos que qualquer pretexto serve para fazer esquecer, escândalos nascidos nela e ocultos do quotidiano sob a cortina de reais ou inventados escândalos da oposição. Até o empréstimo do BES à Festa do Avante, uma normal transação bancária, serve para denegrir os outros e esconder os próprios crimes.

Só não considerava capaz esta direita, hoje arrependida dos oportunistas que assaltaram os seus partidos, de condenar o sentido do voto de um país que sofre na pele as mesmas dores que nos afligem, a Grécia. Esta direita é serventuária de quem lhe dá migalhas e é composta por indivíduos que têm da ética uma leve ideia e da Pátria, nenhuma.


terça-feira, janeiro 27, 2015

Há 70 anos


Na rede de campos de concentração do sul da Polónia, onde o Terceiro Reich fez da morte uma indústria, do antissemitismo religião, e da crueldade o apogeu da demência, a libertação dos que sobraram, judeus, ciganos, homossexuais e deficientes, aconteceu há 70 anos em Auschwitz-Birkenau, com a chegada do exército soviético.

Esquecer esse dia é ser cúmplice da mais atroz das ideologias, do mais bárbaro racismo e da maior alienação coletiva. Calar aos filhos e netos o horror dos que aí morreram nas câmaras de gás, é colaborar na repetição a que a loucura dos homens pode conduzir.

O antissemitismo cristão

Surpreende o vigor com que o cristianismo e, em particular, o catolicismo nega quase vinte séculos de antissemitismo militante, hoje menos virulento do que o islâmico.

Martinho Lutero que conhecia a Bíblia tão profundamente quanto a corrupção papal, dizia dos judeus: «são para nós um pesado fardo, a calamidade do nosso ser; são uma praga no meio das nossas terras». (1543)

Quanto à ICAR não é preciso recordar o tribunal do Santo Ofício, basta relembrar as declarações papais ou citar as abundantes e descabeladas manifestações de ódio que o Novo Testamento destila.

Eloquente, chocante e demente foi a atitude do cardeal da Alemanha, Bertram, ao saber da morte do seu idolatrado führer Adolfo Hitler. Já nos primeiros dias de maio de 1945, com a derrota consumada (a rendição foi no dia 8), ordenou que em todas as igrejas da sua arquidiocese fosse rezado um requiem especial, nomeadamente «uma missa solene de requiem, em lembrança do Führer». Entretanto o católico Salazar decretou três dias de luto pelo facínora.

Para alguns católicos e, sobretudo, para ateus, agnósticos e fregueses de outras religiões, é preciso dizer-lhes que, de acordo com a liturgia do requiem, uma missa solene de requiem se destina a que os devotos possam suplicar a Deus, Todo-Poderoso, a admissão no Paraíso do bem-aventurado em lembrança de quem a missa é celebrada.

Os quatro Evangelhos (Marcos, Lucas, Mateus e João) e os Atos dos Apóstolos são uma fonte de ódio antijudaico cristão, tal como o Corão para os muçulmanos. Felizmente, os cristãos, sobretudo os católicos, leem pouco a Bíblia e creem vagamente no conteúdo.

Em períodos de crise, há o risco de se agarrarem ao livro sagrado como os alcoólicos à bebida e, tal como estes, sem discernimento ou força anímica para renunciarem à droga, inibem-se pela habituação e dependência que os escraviza.

O livre-pensamento é uma tentativa séria para promover uma cura de desintoxicação, absolutamente necessária nesta Europa onde o antissemitismo desponta em numerosas manifestações de matriz nazi.

Curiosidades – Passos Coelho, Pires de Lima e o Syriza

Se não fosse o medo de morrer de vergonha pelos governantes que nos couberam, teria morrido de riso. O indescritível Passos Coelho considerou que os gregos votaram mal e o exótico ministro Pires de Lima achou insólito que um partido de «extrema-esquerda» se aliasse, em meia-hora, a um partido que está ‘ainda’ mais à direita do que qualquer dos partidos que estão no Governo português. De facto, é preciso ser extremista embora o Nuno Rogeiro tenha dito que é equivalente ao CDS.

Camilo chamou a Frei Gaspar da Encarnação «uma santa besta», epíteto que não uso para os supracitados, por três razões: primeiro, não sou forte em zoologia, segundo, não quero cair sob a alçada do Código Penal e, finalmente, eles podem não ser santos.


segunda-feira, janeiro 26, 2015

Passos Coelho, a economia e a fé

Ontem o trágico PM que os portugueses escolheram foi, na qualidade de governante, à inauguração da Residência Sénior Casa de S. Paulo, na Cova da Piedade, em Almada.

Tratando-se de uma obra da Igreja católica estava naturalmente presente o pároco, o que era forçoso, e o presidente da Câmara de Almada, o prestigiado médico Joaquim Judas, filantropo e militante do PCP, o que era natural e de elementar cortesia.

Juntou-se à cerimónia, em campanha eleitoral, Passos Coelho que de economia mostrou ter aprendido,  no curso tardio, a persignar-se durante a bênção, demonstrando que, num país laico, conhece o sinal mais.

Lamentável foi a obsessão eleitoral. Virou-se para o Presidente da Câmara e aconselhou a que não entravasse o início da atividade da Residência que, pelos vistos, não começou ainda a funcionar, mas já contou com a bênção e a inauguração.

O Presidente da Câmara, com a paciência evangélica de quem conhece o PM que temos, lá o informou de que isso depende do ministro da Segurança Social.

Corrupção

Agora, que o Syrisa ganhou as eleições, refere-se a corrupção na Grécia e em Portugal, contrariamente ao que sucede na Alemanha, quando foi esta que corrompeu, de facto, altas individualidades gregas e portuguesas para lhes vender submarinos.

Na Grécia até foi preso um ministro. Em Portugal, felizmente, prescreveu o processo.


domingo, janeiro 25, 2015

A Grécia, o Syrisa e a União Europeia

A coragem e o desespero deram-se as mãos num grito de esperança, na manifestação de raiva e no corajoso desafio à União Europeia.

A Grécia, tal como Portugal, empobreceu com os empréstimos que colocaram a dívida a níveis intoleráveis, e conduziram o País ao desespero, fome, miséria e humilhação. Cada dia foi maior a dívida e o desemprego, mais penosa a vida e mais intangível o equilíbrio financeiro. Entre a espada e a parede, o eleitorado escolheu a espada.

A Grécia tudo suportou, incluindo a repressão policial, mas a humilhação ultrapassou o limite que a dignidade permite. Não é apenas o país, berço da nossa civilização, que não sabe como reagirá a União Europeia, de que não pode ser expulsa, é esta que terá de decidir o que fazer com a Grécia.

Seria lamentável que à vontade expressa nas urnas se seguisse uma vingança, à guisa de vacina que advirta os povos para os limites da própria liberdade.

Eu teria votado Syrisa e, pelo menos, respeito a decisão do povo grego. Estou solidário, mas não eufórico, com a vitória da democracia, a manifestação de coragem e o exemplo de um povo que os burocratas da troika humilharam continuamente.

Eu sei do que estes líderes europeus são capazes, da crueldade com que o capital pune, dos riscos que corre quem desafia a europa alemã, capaz de homenagear serventuários e incapaz de ser solidária, como, depois da guerra, foram para com ela.

Fico, em pungente ansiedade, solidário com a Grécia, a pensar em Portugal, à espera de que os deuses do Olimpo não sejam derrotados por uma única e execrável divindade – os mercados –, e pela raiva dos países mais poderosos da União Europeia.  

A insustentável leveza do ecumenismo

Na mesquita de Lisboa – disse a comunicação social –, juntaram-se, em oração, cristãos, judeus e muçulmanos, numa comovedora e fraterna devoção ao Deus abraâmico que os empurra para intermináveis guerras numa orgia de sangue que começou com um gracejo divino a dizer a Abraão para lhe sacrificar o filho, o que o troglodita faria se não tivesse sido uma brincadeira de Deus para pôr à prova a sua fé. O Deus de Abraão não confiava nos homens mas estes teimam em confiar nele.

Não penso que as orações pela paz sejam ouvidas, onde ou por quem quer que seja, mas é comovedor saber os três monoteísmos unidos por um intenso e unânime desejo de paz.

Foi lindo ver a notícia mas gostaria que o ato litúrgico tivesse ocorrido simultaneamente numa sinagoga de Jerusalém e numa mesquita da Palestina, que na Arábia Saudita e no Iémen, uns de joelhos, outros de cócoras e todos de rastos, anunciassem não mais matar.

Assim, em Lisboa, numa cidade cosmopolita, pode encenar-se uma cerimónia pacífica, mas onde a correlação das crenças não é mediada pela laicidade do Estado e pela força da democracia, há a sharia, bem mais de difícil de satirizar do que crenças anacrónicas.

Quem detesta decapitações, lapidações, amputações, vergastadas e outros castigos que fazem babar de gozo os funcionários de Deus e as multidões intoxicadas pela fé, não se conforma com espetáculos pios encenados.

O catavento e o presidente do BCE


sábado, janeiro 24, 2015

As eleições gregas e o BCE: “First we take Manhattan, then we take Berlin”…


As eleições legislativas que decorrerão amanhã na Grécia são um severo e decisivo teste às ‘soluções europeias’ face à crise financeira que varre o Mundo desde 2008. Originária em Wall Street essa proteiforme crise atingiu duramente a Europa, nomeadamente os países periféricos, cuja debilidade económica e social, bem como descontrolos orçamentais, os tornou uma presa fácil do financeirismo internacional.
 
A ‘crise’ subsidiária de actividades especulativas dos mercados que grassavam pelo sector financeiro mundial, nomeadamente o bancário (bancos de investimento), foi um descalabro que rapidamente atingiu transversalmente a economia real traduzindo-se numa catadupa de falências de empresas, profundos cortes salariais e despedimentos em massa. Instalou-se a recessão.
Simultaneamente, os ‘investidores’ resolvem, face aos défices de liquidez, pressionar estes mesmos países agitando a ‘crise das dívidas’ ponto vulnerável dessas debilitadas economias. Na periferia da Europa o festim foi grandioso.
 
Na verdade, na Europa do Sul para animar o desenvolvimento e caminhar no sentido da coesão (social e económica) socorreu-se do investimento público para atingir patamares de desenvolvimento. A resposta inicial face ao anúncio da crise foi ‘keynesiana’ com o intuito de travar a esperada recessão mas a breve trecho o poder político europeu, a reboque do contexto global, enveredou por um caminho neoliberal com todo o cortejo de consequências: austeridade, empobrecimento, as ditas ‘reformas estruturais’ (que mais não são do que uma tentativa de consolidação das medidas austeritárias) e a completa submissão aos mercados financeiros.
 
A circunstância de alguns dos países periféricos terem, na resposta inicial às ameaças da crise (recessão e desemprego), optado por acentuar o investimento público viria de imediato evidenciar graves desregulações orçamentais (absolutamente planeadas como uma resposta) e geraram um aumento das dívidas públicas (soberanas) e foi por esse caminho que os ‘mercados financeiros’ resolveram atacar.
 
O problema da dívida (existente de facto em termos de facto e nominais) deu azo à imposição e à justificação (o tal ‘viver acima das possibilidades’) de duras políticas de austeridade como um instrumento de controlo dos deficites orçamentais e supostamente das dívidas públicas. 
Ao fim de um longo período de execução (a história das crises financeiras era no sentido de uma curta duração embora os efeitos fossem visíveis a médio-prazo) os equilíbrios orçamentais foram discretos (e objecto de acertos e postergações tal era o seu irrealismo), pelo caminho submergiram as ‘conquistas’ do Estado Social (considerado ‘luxuoso’ e ‘perdulário’) e as dívidas galgaram os ratios em relação ao PIB, tornando-as insustentáveis (e ‘impagáveis’). 
Ao fim e ao cabo a resposta austeritária desenhada e ditada pelos mercados e seguida pela Europa revelou-se pródiga no que respeita a sacrifícios e parca (para não dizer desastrosa) em resultados.
A par da austeridade a questão da dívida foi sendo protelada sob os mais variedados pretextos, um deles obscenamente desafiador da inteligência e compreensão humana, i.e., tentou ‘vender’ a ideia de que da austeridade (do empobrecimento brutal) ‘nasceria’ o crescimento económico que aprioristicamente foi apodado de ‘saudável’ e ‘sustentável’. Na realidade, todos os ajustamentos, todas as intervenções externas não pararam de fazer aumentar a dívida pública e, por essa via, condicionar o crescimento económico. 

Tentou-se - até as eleições gregas - esconder que a austeridade estava ligada à recessão e, pior, camuflar um dos objectivos de sempre, i. e., continuarem os países em recessão e fustigados pela deflação a pagar, com língua de palmo, juros usurários aos ditos mercados. 
É neste ponto que estamos. Manter como uma ‘vaca sagrada’ o cumprimento do ‘serviço da dívida’, tal como os mercados exigem, pagando religiosamente juros cujas taxas estão sujeitas a flutuações de contexto decididas não se sabe quando e por quem. Ninguém quer falar da reversão (devolução) do capital emprestado porque toda a gente já se apercebeu dessa impossibilidade. Aliás, os investidores estão manifestamente interessados que os países periféricos mantenham ad eternum o estatuto de ‘devedores’ e reservam para eles próprios os benefícios de perenes ‘credores’. Enquanto esta situação durar os mercados financeiros continuarão a demonstrar confiança nas políticas que têm sido implementadas pela clique neoliberal europeia e estarão disponíveis para financiar as (suas) políticas e os seus desvarios.

As recentes medidas de intervenção advindas do BCE poderão favorecer o alongamento da actual situação de transferências de dinheiro dos cidadãos para os mercados sem resolverem a essência dos problemas. Isto é, com a compra de dívida nos mercados secundários que o banco central vai praticar permitirá utilizar metodologias de emissão de dívida (supostamente a juros mais suaves) para liquidar empréstimos antigos à custa de contracção de novas dívidas. Esta a táctica de manutenção de uma espada de Damocles sobre os países periféricos. 
Deste modo a reestruturação da dívida – uma inevitabilidade segundo a maioria dos economistas - poderá estar a ser adiada e substituída pelo seu ‘rolling over’ empurrando-a com o umbigo em direcção ao precipício, com os acrescidos e permanentes riscos de imparidades que este método acarreta. Este risco é muito visível em muitas das declarações que responsáveis europeus tecem sobre as eleições gregas. Mas toda a gente já percebeu que o tabu da dívida poderá cair estrondosamente no domingo em Atenas.

Aliás, o repisando este assunto, existe uma pergunta premente e nunca equacionada ou sequer respondida: 
- Porque razão o ‘quantitative easing’ não foi adoptado pelo BCE quando os mercados fabricaram a crise das dívidas públicas e se resolveu lançar os países em dificuldades na arena da austeridade e do empobrecimento?  
Ao que tudo indica não haveria então – como parece não existir no presente – qualquer impedimento nos tratados da União Europeia. Logo, as razões foram eminentemente políticas e esconderam por detrás de obscuros interesses financeiros apresentados sob a capa de moralista da ‘honra dos compromissos’.
Na realidade, nada do que o BCE promete e ameaça fazer será executado contra os mercados. É, portanto, de supor que as recentes medidas sejam absorvidas pelo sistema financeiro para substituir velhas ‘bolhas’, por outras, devidamente recauchutadas e deste modo consolidar o domínio do monetarismo sobre a componente política. Esta via compromete de maneira directa e brutal os actuais conceitos de soberania e as práticas democráticas que (ainda) nos regem. 

Foi por essa razão, ou por entender essas motivações, que o comício do Syriza no encerramento da campanha eleitoral em Atenas se cantou bem alto algo que revestindo-se de imenso significado sistematiza este percurso crítico. Quando em uníssono no comício de Atenas se trauteou “First we take Manhattan, then we take Berlin”, uma misteriosa canção de Leonard Cohen difícil de enquadrar no tempo e no espaço, os gregos sabiam - por um saber de experiência feito - porque o fizeram…

Uma no cravo outra na ferradura

Tive um amigo que dizia, bem humorado, que dos três filhos só o primeiro era dele, sendo o segundo filho do Ogino-Knaus, aliás dois, Hermann Knaus e Kyusaku Ogino, e o terceiro da sogra. O último resultara do método que a sogra ensinara à filha e que não se revelou mais eficaz na contraceção do que o método das temperaturas.

É da saudar a abertura do papa Francisco para a limitação da natalidade no planeta, que já não suporta a população atual. Dizer aos casais católicos, nos outros terá ainda menos influência, que devem ser conscientes e não se reproduzirem como coelhos, é acertado e revela consciência social.

As Igrejas são instituições difíceis de compreender e de difícil compreensão do mundo.

Não se pode exigir a um homem solteiro, por mais amparo que tenha do Espírito Santo, pai uma só vez, de forma exótica, que seja uma autoridade em contraceção e que rompa com os preconceitos da sua Igreja.

Francisco esteve bem na advertência à proliferação humana, condenando o fenómeno mimético com a cunicultura, mas esteve mal quando, manteve a tradição de aconselhar os métodos caseiros do meu amigo e, pior, quando apelou à abstinência, um método tão infalível, é certo, como o do copo de água. Em vez de.

Esqueceu o apelo das hormonas.


sexta-feira, janeiro 23, 2015

Cavaco Silva – 9º aniversário na Presidência da República


Em democracia, nunca tantos portugueses desejaram tanto que passe depressa o último ano do segundo mandato de um PR.

Associação Ateísta Portuguesa (AAP)

Email para «Je suis Charlie Hebdo »

Chers Messieurs,
La barbarie semble être partout ; la démocratie et l’ensemble des droits et libertés qu’un régime républicain se doit d'assurer – notamment la liberté d’expression et la liberté d’opinion – sont en danger.

En tant qu’Association Athéiste Portugaise (AAP), fondée en 30 mai 2008 à Lisbonne, nous voulons démontrer notre engagement vis-à-vis de ces principes. C'est pourquoi la Direction de notre Association, a décidé à l'unanimité de vous adresser une contribution financière symbolique de 1 000 €.

Avec notre profonde solidarité, veuillez agréer, chers Messieurs, l'expression de nos sentiments les meilleurs.
a) A Direção da Associação Ateísta Portuguesa.

Odivelas, le 22 Janvier de 2015

Annexe: Ci-joint vous trouverez le document concernant l’opération bancaire.

PT Portugal estava à venda

Com este Governo, cúmplice da alienação, na obstinada agenda ideológica a que Garcia Pereira, nos Prós e Contras, designou de «traição à Pátria», a PT foi vendida quase sem votos contra.

O Governo na sua teologia do mercado é insensível aos interesses de Portugal. O Novo Banco, a CGD e a Segurança Social tinham capacidade para impedir a OI de vender a empresa como quem vende hortaliça.

Os coveiros continuarão até ao fim do ano com a bênção do seu mandatário.


quinta-feira, janeiro 22, 2015

A burka e a liberdade

O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH) considerou em 20-01-2015 “legítima” a proibição do uso de véu integral em França, rejeitando um pedido de uma francesa que reivindicava o direito a usar o niqab ou a burqa.

Parece um paradoxo que a decisão mereça o aplauso de quem defende as mais amplas liberdades e a censura dos que geralmente as negam, mas são os mais permissivos nos costumes que condenam o analfabetismo, a recusa de vacinas ou o uso da burka. Quanto a normas de higiene, a regras de saúde ou hábitos de educação, por exemplo, não devem permitir-se sistemas alternativos. Incoerência? A democracia proíbe e a teocracia impõe.

Há, quanto à burka, um argumento irrefutável se for comparada aos capacetes, máscaras ou outros adereços que impeçam, por motivos de segurança, o reconhecimento de quem os usa. Basta esse fundamento para legitimar a decisão proibitiva do Estado.

Mas vamos à sub-reptícia defesa da liberdade de religião, também apelidada de cultura. É natural que uma mulher criada numa sociedade ou família onde se incentive o uso, se sinta disponível para o aceitar ou defender, mas, por cada mulher a quem se recusa esse símbolo de humilhação, há milhares a quem é imposto, se a lei o não impedir. Os filhos de escravos adaptavam-se mal à liberdade e houve escravos que preferiam permanecer.

Não se trata do conflito entre culturas diferentes, digladiam-se a civilização e a barbárie, a modernidade e o anacronismo, a igualdade de género e a submissão da mulher.

Quem sustenta que não se pode satirizar uma religião, entende talvez que não se deva impedir o uso público da burka porque, depois, se persegue a excisão do clitóris, a seguir a lapidação de mulheres e, finalmente, se esvazia uma religião pacífica quando se impedir a amputação de membros, a decapitação de hereges e a venda de noivas.

A situação é diferente quanto ao uso da palavra e da imagem. Se hoje proibimos uma revista satírica, amanhã condenamos a pornográfica, depois o filme que é ofensivo e, finalmente o livro. Voltamos à censura e reiniciamos as guerras que nos outorgaram a liberdade.

A laicidade vai ganhando terreno. Lenta e penosamente.

Ponte Euroa / Sorumbático

quarta-feira, janeiro 21, 2015

DESCULPABILIZAÇÃO DOS ATENTADOS TERRORISTAS ISLÂMICOS

Passados os primeiros dias de indignação geral pelo atentado assassino contra os redatores do Charlie Hebdo, logo começaram a ouvir-se as costumadas vozes de extrema-direita e de extrema-esquerda a desculpabilizar os seus autores.

Desta vez o principal porta-voz da extrema-direita foi Sua Santidade o Papa, que disse, em substância, que se alguém ofendesse uma religião era natural que levasse “um murro”. Claro que, neste caso, a palavra “murro” é um eufemismo. Todos sabemos como são os “murros” da Igreja Católica: as horríveis torturas da Inquisição, os autos-de-fé, etc.

Quanto à extrema-esquerda, esmera-se nuns rebuscados raciocínios dos quais acaba por concluir que os verdadeiros culpados do atentado foram, como sempre, a CIA, os EUA, a NATO, enfim, o “Ocidente”. Isto é: “os suspeitos do costume”.

Esta esquerda caracteriza-se por ter dois pesos e duas medidas. Se no “Ocidente” um marido der um empurrão à mulher logo protesta – e faz muito bem – contra a violência doméstica. Mas se um muçulmano matar a mulher à pancada já não há problema nenhum (ou então a culpa foi da CIA).

Se um Estado ocidental tivesse a peregrina ideia de proibir o “topless” nas praias, seria – e muito bem - um coro de protestos por parte dessa esquerda. Mas se os islâmicos obrigam as mulheres a andar de burka, acham muito bem. Como também não os incomoda a excisão genital feminina…desde que praticada por islâmicos! Bem vistas as coisas, a culpa é da CIA!

A adoção de crianças por casais do mesmo sexo

No chumbo da votação, a que a AR vai proceder, não está em causa uma questão moral, está em causa um preconceito e, quase sempre, por razões meramente confessionais ou de oportunismo político.

Escrevi ‘quase’ porque há deputados cuja formação religiosa os impede de votar uma lei que, na sua fé, e, com seriedade igual à minha, consideram inadequada. No meu ponto de vista, cujas dúvidas são habitualmente tão fortes quanto as certezas deles, não vejo razões morais para votar contra a lei que permite a adoção por casais do mesmo sexo.

Neste momento, há crianças filhas de um dos membros do casal que vive legalmente em regime de comunhão de adquiridos. Se lhes faltar o vínculo familiar ao outros membro, em caso de morte do cônjuge de quem era filho, perde o direito à responsabilidade e aos bens do cônjuge sobrevivo. É, pois, uma questão de proteção das crianças o que está em discussão. Deve punir-se uma criança e arredá-la do direito sucessório pelo facto de ser criada por um casal do mesmo sexo?

Valia a pena estudar “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”, de Friedrich Engels, baseado nos estudos de um dos fundadores da antropologia moderna, L. H. Morgan.

O voto contra não passa de uma punição a crianças que não têm culpa de viver no seio de um casal que alguns consideram viver em pecado. É mera vingança contra pessoas erradas e indefesas.