quarta-feira, abril 01, 2015

Divirtam-se caros leitores

Texto de autor desconhecido enviado por um amigo

"Tenho andado preocupado com esta situação do Bes/Ges e as acusações dos lesados de que desconheciam o que estavam a comprar. Ora bem, estive a ouvir com toda a atenção Ricardo Salgado, Zeinal Bava, Costa do BP , CMVM, etc, etc, e sinceramente fiquei esclarecido. Fiquei a saber que houve uma take over sobre a PT, o que provocou um dawnsizing na empresa e impediu o advanced freight.

Sendo assim, o asset allocation baseado num appraial report, que é o allotment indicado, provocou um average price muito baixo, reduzindo os back to back ao mínimo. Ora, o bid price provocou um dumping e uma floating rate incomportável com o funding previsto pelos supervisores. Deixou, pois de existir uma verdadeira hedge, o que levou ao levantamento de hard cash em grande quantidade. Se considerarmos que o ICVM , ao fim do período estava a deteriorar-se e os pay-out continuavam a baixar, a única solução seria o payabre to the bearer de eventuais incomes da empresa.

Voltando um pouco atrás, o pool entre Bes e Ges , fez diminuir drasticamente o portfólio dos clientes, levando inevitavelmente a um revolving credit que abrangeu a maioria dos shareholders de ambas as empresas. Como é evidente o pricecut da Rio Forte foi inevitável e a take over sobre a mesma também. O gross profit baixou significativamente, aumentando o grade period e o bank rate .

Só para terminar e em jeito de conclusão creio que estamos perante uma grande quantidade de fillhosdaputing, que utilizando a corrupting ao nível central e local, foram delapidanding os recursos do país e continuam em casa riding da situação, deslocando-se de vez em quanding à Assembleia, fazer de parving os deputados e o poving em geral. Tenho dito"


Madeira:

Comprometida a transparência do processo eleitoral pelas trapalhadas surgidas, há um cheiro que fica no ar, uma espécie de regresso ao passado de onde a Região Autónoma nunca saiu.

O domínio do aparelho político e administrativo da RA é a herança que fica do último sátrapa, a ensombrar o futuro, onde 6 mil milhões de euros de dívida e a contabilidade nebulosa permanecem como metáfora de um partido à solta e de um território português confiscado partidariamente.


O que Portugal deve a este Governo


terça-feira, março 31, 2015

Barreto Xavier: gato escondido com rabo de fora…


O Governo está prestes a completar 4 anos de exercício de funções. 
Barreto Xavier, secretário de Estado da Cultura, andou a passear-se pelos corredores do poder e dá a sensação que se entreteve a despachar à toa (como no mediático caso da venda dos quadros de Miró).

A poucas semanas de acabar o mandato, num Forum a decorre no CCB, lança um intrigante desafio: “Durante três dias, artistas, governantes, pensadores e especialistas nas áreas da política, religião, economia, entre outras, vão debater o papel da cultura na sociedade portuguesalink.

O comentário que esta afirmação suscita é o seguinte: os portugueses julgavam que o governante para a cultura saberia ab initio qual era esse papel. Em caso de dúvida, de dificuldade de compreensão ou incapacidade de apreensão sobre esse papel seria de esperar que não tivesse aceitado exercer esse cargo.

Será difícil compreender que o desejo manifestado pelo secretário de Estado não seja uma peça da campanha eleitoral da actual maioria. Decidiu fazer prospecção para elaborar o programa eleitoral respeitante à Cultura a apresentar para a legislatura de 2015-19. Por mais desmentidos que sejam proferidos.

Os portugueses não andam por cá para ver passar os comboios…

Notas Soltas - março de 2015

Segurança Social – A dívida de Passos Coelho, criada entre os anos de 1999 e 2004, já prescrita, era sua conhecida e só foi liquidada por ter sido noticiada. Pagou a dívida mas a nódoa permanece no PM que é um clamoroso erro de casting.

Rússia – O assassinato do opositor russo Boris Nemtsov foi a dádiva que os adversários de Putin esperavam. É preciso ser muito imaginativo para pensar que Putin tivesse nesse assassinato tanto interesse quanto os igualmente pouco recomendáveis inimigos.

P. R. – A delinquência fiscal do primeiro-ministro, agravada pelas declarações públicas, tornou intolerável a sua permanência no cargo. A gravidade da situação exigia que o PR dissolvesse a A.R. mas, na sua colagem ao Governo, só viu, na nódoa, «odor eleitoral».

Estado Islâmico – A demência sectária alastra como mancha de óleo, do Iraque à Líbia, da Nigéria ao Iémen, com raízes no petróleo, numa mistura de fé e tribalismo, excitados por invasões de modernos cruzados e pela crueldade atávica.

Estado Islâmico-2 – O maior cancro mundial contra a liberdade e os direitos humanos já tem metástases na Argélia, Líbia, Egito, Síria, Afeganistão, Paquistão, Iémen, Nigéria e, naturalmente, no Iraque cuja invasão facilitou a manifestação do tumor.

E.U.A. – Netanyahu foi chamado a discursar no Congresso pelos radicais Republicanos, que dominam as duas Câmaras. Parecia o líder da direita americana que, sem honra nem ética, exultou com os ataques do sionista a Obama. Ainda trocam a Sr.ª Palin por ele.

Racismo – A conduta hostil da polícia americana, contra os negros, vaticina a repetição de conflitos étnicos de dolorosa memória. O fim do mandato do presidente Obama será dramático se a ala mais reacionária dos Republicanos eleger o próximo presidente.

Pena de morte – Por todo o mundo, apesar da comprovada ausência de efeito dissuasor e dos reiterados casos de punição irreversível de vítimas inocentes, a pena capital ganha adeptos. Vivemos tempos de recuo civilizacional. Salva-se a posição inédita deste Papa.

Civilização – Não podemos admitir quem rega com gasolina um homem numa jaula e o incendeia, quem vende mulheres como escravas ou põe um garoto de 12 anos a abater, a tiro, um homem. É urgente o combate contra a barbárie.

Barbárie – Houve no atentado ao Museu e à Biblioteca de Mossul, tal como no ataque à cidade histórica de Nimrud ou, em 2005, na destruição de 18 séculos de História com os Budas de Bamiyan, a pulsão suicida de quem odeia a Humanidade e despreza a vida.

Finanças – A lista de contribuintes VIP da direção de segurança informática do Fisco, decisão tomada no auge do "caso Tecnoforma", que atingiu Passos Coelho, não garante o sigilo fiscal obrigatório, protege os amigos do Governo e corrói o Estado de Direito.

Brasil – A queda abrupta dos preços do petróleo inverteu a época dourada da economia, ora estagnada, e comprometeu os programas sociais que livraram milhões de brasileiros da miséria. A democracia está refém da economia e da corrupção.

Venezuela – O País que mais sofre com a queda dos preços do petróleo vê a miséria e o desespero a aumentarem, o Governo a reprimir de forma ditatorial e os falcões dos EUA à espera de intervir.

Vaticano – Numa atitude inédita, defendeu a ingerência militar no Estado Islâmico, no caso de fracassar uma decisão política, sem recurso à violência. O Papa, corajosamente, rejeitou a hipocrisia habitual e denunciou o ultraje reiterado aos direitos humanos.

Síria – Após a devastação, em vias de regressar ao «Eixo do Bem», vê-se como foram insensatas e contraproducentes as intervenções ocidentais no Afeganistão (2001), Iraque (2003) e Líbia (2011), com a derrocada dos Estados e os cristãos a serem aí dizimados.

Israel – A vitória de Benjamin Netanyahu é o triunfo do radicalismo sobre a moderação e da vingança sobre o perdão. Um líder que prometeu impedir a existência do Estado da Palestina afrontou a comunidade internacional que o reconhece e intensificará a guerra.

Tunísia – O atentado ao museu do Bardo, um espaço aberto a todas as civilizações que fizeram o País, com 22 mortos, é um insulto à civilização, um ato terrorista de facínoras intoxicados nas mesquitas e madraças pelo estúpido manual de um beduíno analfabeto.

Iémen – Homens-bomba fizeram-se explodir durante as orações de sexta-feira em duas mesquitas, usadas por apoiantes de rebeldes xiitas em Sanaa, capital do Iémen, matando 126 pessoas e ferindo 260. O mortífero ataque foi assumido pelo Estado Islâmico.

França – A vitória de Sarkozy, o mais profissional dos políticos franceses, foi o triunfo pessoal que impediu a extrema direita de ser a primeira força política, enquanto a social-democracia se afundou sob a melancólica liderança de Hollande e do governo de Valls.

Espanha – A derrota pesada do PP, partido que governa o País, na Andaluzia, pressagia as alterações que sofrerá a geografia partidária, no fim do mandato de Rajoy, vítima da descoberta da corrupção e contabilidade oculta do PP, durante 18 anos.

Henrique Neto – Ver nesta pseudocandidatura a PR mais do que a hílare provocação da direita é querer que esta maioria permaneça e que o lugar de PR continue com o mesmo descrédito a que o atual titular o reduziu para benefício deste Governo e desta maioria.

Madeira – A maioria absoluta do PSD é a vitória pessoal de Miguel Albuquerque (MA) e um triunfo do partido, que mudou a tempo A. J. Jardim. A dimensão da vitória de MA e a arrasadora derrota da esquerda facilitam as medidas necessárias para gerir a herança de 6 mil milhões de euros, de dívidas.

O silêncio de Boliqueime


segunda-feira, março 30, 2015

A Madeira e o deixa passar esta nossa brincadeira...

A vitória de Miguel Albuquerque à frente dao PSD/Madeira, nas eleições regionais do passado fim-de-semana, tem obrigatóriamente de fazer soar campainhas em todo o espectro partidário nacional. Mas particularmente na Esquerda.

Não basta minimizar a vitória de M. Albuquerque assacando-a a uma dimensão regional. O 'terramoto' aconteceu na Madeira mas haverá necessariamente ‘réplicas continentais’.

O que passou na Madeira não é inédito como também não é ocasional o aproveitamento do Centro-Direita das hesitações e erros dos partidos colocados à Esquerda.

Passar a vida a medir forças, a guerrear-se, não pode ser uma opção perene. Os resultados eleitorais na Madeira estão pejados de mensagens para as oposições (cá e lá). Muita gente acreditava que o ‘jardinismo’ morreria com o fim político de Alberto João. Nada disso vai acontecer e o ‘jardinismo’, parasitário de múltiplos clientelismos instalados durante mais de 3 décadas, está pronto para sobreviver. 

As eleições regionais demonstraram que não basta de ‘fazer-se de morto’ para conquistar o eleitorado. É preciso mais. As vitórias não caiem no regaço sem mais nem menos. 

O PSD/Madeira soube fingir o expurgo dos responsáveis políticos da desastrosa situação em que a Região se encontra. Distanciou-se de Alberto João Jardim e de Pedro Passos Coelho. Aparentemente, assassinou o pai e o padrasto (políticos). É um partido muito treinado nestas andanças e sempre que muda de líder enjeita tacticamente o passado. O criador e a criatura das dificuldades que varrem a Madeira puseram-se de lado. 
Hoje, o PSD nacional veio reivindicar esta vitória que lhe passou ao lado e Alberto João, amanhã, vai influenciar o aparelho político regional para continuar a supervisionar o destino da Ilha. Não é impunemente que se permanece tantos anos no poder. 

As oposições deixaram-se enredar com a história das favas contadas. Os portugueses sabem como são efémeras as favas: Maio as dá e Maio as leva! E, como sabemos, Maio nem chegou a dá-las. E tudo o vento levou. 
No horizonte, o que se alevanta e avizinha é um autêntico vendaval que poderá atingir o Continente, lá para o Outono.

Eleições na Madeira

A maioria absoluta do PSD é uma vitória pessoal de Miguel Albuquerque e um triunfo do partido que soube substituir a tempo Alberto João jardim.

A confiscação do aparelho autonómico e das atividades económicas ao longo de 40 anos não chegam para denegrir a vitória do próximo presidente da RAM e dourar a arrasadora derrota da esquerda.

Parabéns a Miguel Albuquerque e boa sorte na gestão da dívida colossal que herda do inimputável antecessor.

Sinal + e Menos Um

Imagem de Maputo

domingo, março 29, 2015

Violência doméstica

 

No início deste mês, um homem de 33 anos matou a mulher, de 29, e, a seguir, atirou-se da Ponte 25 Abril, deixando o filho de 3 anos que assistiu ao crime. A monótona notícia que se repete, à média de 40 mulheres por ano, é um ferrete de ignomínia que nos marca com o estigma da brutalidade, num desmentido violento da brandura que alardeamos.

Sei que também há homens que são vítimas da violência doméstica e que o assassinato  não é a única forma de violência, mas são as mulheres que estão na vanguarda destacada do inventário das vítimas. 

Falar do ‘país de brandos costumes’, expressão cunhada pelo frio ditador que deixava os adversários entregues às mãos criminosas dos esbirros ou o ao gatilho rápido da polícia política, e sabermos que, nos últimos dez anos, a violência doméstica deixou 700 órfãos, é sermos percorridos por um frémito de incredulidade e de revolta e sentirmos, em cada órfão, um filho que a violência deixou aos baldões da sorte e o remorso da indiferença.

Que raio de genes conservamos ainda das cavernas da nossa ancestralidade, da miséria de um povo que foi sempre pobre e onde o pão se disputava numa leira de terra ou num rego de água para a cultivar, à custa da vida de um irmão ou do pai que teimava em não morrer?

É deste povo que somos que brota a violência que nos envergonha, a morte que nasce na ponta de uma faca, na lâmina de uma sachola ou no gume de uma foice por motivos que a inteligência repudia ou ciúmes que a educação há muito devia ter erradicado.

Que raio de genes e de gentes, moles com os fortes e violentos com os fracos, incapazes de pensar nos outros, descarregando frustrações e impotência em quem se habituou a ser culpada pela família, Igreja e sociedade que mais facilmente desculpam algozes do que protegem as vítimas!

Fonte: Comissão de Proteção às Vítimas dos Crimes (CPVC)

sábado, março 28, 2015

O mundo é feito de mudança...


Ninguém se demite e quem o devia fazer finge-se morto

Quando se soube da compra e venda de ações de uma sociedade não cotada em Bolsa, [SLN] pelo cidadão Aníbal Cavaco Silva e, por coincidência, da sua filha Patrícia, com excelentes mais-valias, e da rentável troca da Vivenda Mariani pela Gaivota Azul, em 1999, sem necessidade de tornas, pensava-se que o Presidente da República, homónimo do feliz investidor, renunciasse ao cargo.

Depois veio aquele caso das escutas, onde Fernando Lima arruinou a reputação e José Manuel Fernandes aumentou a sua. E aos costumes disse nada.

Faltava regressar ao Caso Moderna onde juízes conselheiros davam aulas pro bono e a empresa de sondagens «Amostra» faliu fraudulentamente sob a gestão de Paulo Portas e sem que a vítima, que seria nomeada chefe de gabinete do futuro ministro, apresentasse queixa. Só as Finanças apoquentaram o implacável jornalista de ‘O Independente’ antes de se tornar ministro da Defesa. Até queriam recibos de despesas. É preciso topete!

Depois disso estavam criadas as condições para que um prevaricador fiscal e caloteiro da Segurança Social fosse elevado a PM por Relvas, Marco António & C.ª, com o júbilo do feliz proprietário da vivenda Gaivota Azul.

Pretender agora que a ministra das Finanças afaste o secretário de Estado Paulo Núncio, é não saber que Paulo Portas pode exigir de novo a demissão de Maria Luís, já ministra, demitindo-se irrevogavelmente, e regressar como PM. Quem se atreveria a afastar quem reservou para si, Cavaco Silva, Passos Coelho e Paulo Portas, o direito ao sigilo fiscal a que todos os contribuintes têm legalmente direito?

Nem o PR dissolve a AR, nem a ministra demite o secretário de Estado do CDS. Neste jogo de sombras o poder não está onde parece, não está onde devia e não se sabe onde está.

Sofreremos, até ao fim, esta maioria, este Governo e este PR. O último estará até 9 de março. Os escândalos planeados pela central de intoxicação ao serviço deste Governo, desta maioria e deste PR, reserva para o Correio da Manha as escutas e informações que no controlo do aparelho de Estado vai escavando para atirar à Oposição quando o julgar oportuno.

Tal como na Madeira, o PSD não se resigna a estar fora do poder e o CDS não pode correr tal risco.

sexta-feira, março 27, 2015

Portugal está melhor, os portugueses…


Ali, na Praça do Comércio, junto ao Tejo, onde estão cheios os cofres no ministério das Finanças e é farta a dívida soberana, a foto documenta a metáfora da tragédia silenciosa de quem não é grego.

Na opulência da reconstrução pombalina, jaz a decadência da ética e da solidariedade, ali onde a rutura do tecido social é a imagem da nossa vergonha.

Secularização

Um texto* que, quase dez anos depois, voltaria a escrever.

***
A emancipação do Estado face à religião iniciou-se em 1648, após a guerra dos 30 anos, com a Paz da Vestfália e ampliou-se com as leis de separação dos séc. XIX e XX, sendo paradigmática a lei de 1905, em França, que instituiu a laicidade do Estado.

A libertação social e cultural do controle das instituições e símbolos religiosos foi um processo lento e traumático que se afirmou no séc. XIX e conferiu à modernidade ocidental a sua identidade.

A secularização libertou a sociedade do clericalismo e fez emergir direitos, liberdades e garantias individuais que são apanágio da democracia. A autonomia do Estado garantiu a liberdade religiosa, a tolerância e a paz civil.

Não há religiões eternas nem sociedades seculares perpétuas. As três religiões do livro, ou abraâmicas, facilmente se radicalizam. O proselitismo nasce na cabeça do clero e medra no coração dos crentes.

Os devotos creem na origem divina dos livros sagrados e na verdade literal das páginas vertidas da tradição oral com a crueza das épocas em que foram impressas.

Os fanáticos recusam a separação da Igreja e do Estado, impõem dogmas à sociedade e perseguem os hereges. Odeiam os crentes das outras religiões, os menos fervorosos da sua e os sectores laicos da sociedade.

Em 1979, a vitória do ayatollah Khomeni, no Irão, deu início a um movimento radical de reislamização que contagiou Estados árabes, largas camadas sociais do Médio Oriente e sectores árabes e não árabes da Europa e dos EUA.

Por sua vez o judaísmo, numa atitude simétrica, viu os movimentos ultraortodoxos ganharem dinamismo, influência e armas, empenhando-se numa luta que tanto visa os palestinianos como os sectores sionistas laicos.

O termo «fundamentalismo» teve origem no protestantismo evangélico norte-americano do início do séc. XX. Exprimiu o proselitismo, recusa da distinção entre o sagrado e o profano, a difusão do deus apocalíptico, cruel, intolerante e avesso à modernidade, saído da exegese bíblica mais reacionária. Esse radicalismo não parou de expandir-se e já contaminou o aparelho de Estado dos EUA.

O catolicismo, desacreditado pela cumplicidade com regimes obsoletos (monarquias absolutas, fascismo, ditaduras várias), debilitou-se na Europa e facilitou a secularização. O autoritarismo e a ortodoxia regressaram com João Paulo II (JP2), que arrumou o concílio Vaticano II e recuperou o Vaticano I e o de Trento.

JP2 transformou a Igreja católica num instrumento de luta contra a modernidade, o espírito liberal e a tolerância das modernas democracias. Tem sido particularmente feroz na América latina e autoritária e agressiva nos Estados onde o poder do Vaticano ainda conta, através de movimentos sectários de que Bento XVI é herdeiro e protetor, se é que não esteve na sua génese.

A recente chegada ao poder de líderes políticos que explicitam publicamente a sua fé, em países com fortes tradições democráticas (EUA e Reino Unido), foi um estímulo para os clérigos e um perigo para a laicidade do Estado. Por outro lado, constituem um exemplo perverso para as populações saídas de velhas ditaduras (Portugal, Espanha, Polónia, Grécia, Croácia), facilmente disponíveis para outras sujeições.

A interferência da religião no Estado deve ser vista, tal como a intromissão militar, a influência tribal ou as oligarquias - uma forma de despotismo que urge erradicar.

A competição religiosa voltou à Europa. As sotainas regressam. Os pregadores do ódio sobem aos púlpitos. A guerra religiosa é uma questão de tempo a que os Estados laicos têm de negar a oportunidade.

 A ameaça de Deus paira de novo sobre a Europa. Os saprófitas da Providência vestem as sotainas e ensaiam o regresso ao poder. Os pregadores do ódio voltaram aos púlpitos.

*Artigo de opinião publicado no Expresso em 27 de agosto de 2005

quinta-feira, março 26, 2015

Associação Ateísta de Portugal (AAP) - carta ao embaixador do Egito

Embaixador do Egito em Portugal
egyptembassyportugal@net.novis.pt
S. Exa. Amr Ramadan
Av. D. Vasco da Gama, 8
1400-128 LISBOA


Senhor Embaixador,

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP), dececionada com a condenação do estudante de engenharia, Karim Ashraf al-Banna, a 3 anos de prisão pelo «crime» de ser «ateu», vem manifestar-lhe o seu repúdio pela pena injusta contra um cidadão que se declarou ateu e o afirmou em redes sociais.

Sendo o Egito um país com uma História milenar, herdeiro de ricas tradições, com uma Constituição que protege «em absoluto» a liberdade de consciência, embora criminalize, paradoxalmente, o insulto a qualquer uma das três religiões monoteístas, não se compreende que o ateísmo possa ser considerado um «insulto às religiões».

Não sendo a crença, qualquer crença, um ato da vontade, como podem os tribunais, quer o de primeira instância ou o de recurso, condenar quem não acredita em Deus?

Em nome da liberdade e do livre-pensamento solicitamos a V. Ex.ª que transmita ao seu Governo o nosso perplexidade pela cruel e injusta decisão, esperando que a pena de um pacífico ateu seja revista e o estudante referido, com o qual a AAP se solidariza, seja libertado tão breve quanto possível.

Apresentando ao Sr. Embaixador os nossos cumprimentos, aguardamos que nos possa comunicar, logo que possível, a reparação da injustiça que fere os sentimentos humanos.

Direção da AAP

Odivelas, 25 de março de 2015-03-25


Portugal à deriva

Portugal é uma espécie de navio Costa Concordia que se encaminha para o desastre, em velocidade de cruzeiro, com um Francesco Schetino a dirigi-lo ao naufrágio, não na ilha de Giglio, nos obstáculos da União Europeia, no tempo que decorre da dissolução ética do Governo até à dissolução obrigatória da A. R..

Aqui não é o amor que perde o casto comandante, é o medo de enfrentar o Governo, na sua imutável servidão, preso na rede dos interesses partidários. Prefere trocar encómios com o seu homólogo Hollande, numa metáfora perfeita de dois erros de casting.

Após os solavancos do Concordia, perante a incúria de Schetino, 32 viajantes perderam a vida no naufrágio. Em Portugal, com o mar agitado, o capitão adivinha odor eleitoral quando o Citius aborta, a colocação de professores gera desordem, o PM, que assessora, finta a S. S., e a ministra das Finanças ignora a lista VIP criada nas madraças do partido cujos tentáculos confiscaram o aparelho de Estado. Nas trapalhadas governamentais há sempre um expedito diretor-geral lesto a pedir a demissão.

Em Portugal, o timoneiro, privado de bússola, deu posse à ministra das Finanças de um ex-Governo, donde saíra um partido e o ministro irrevogável, com a mesma displicência com que abençoou Orçamentos inconstitucionais. O País é o navio batido pelo vendaval da dívida imparável, o desemprego endémico e a emigração jovem.

Na ‘zona de conforto’ restam esta maioria, este governo e este PR, confiantes em que os portugueses seguirão o destino dos 32 passageiros do Concordia sem um queixume, sem sobressaltos cívicos, até ao último dia, quando o próximo governo herdar o País esvaído com um orçamento feito por este governo, aprovado por esta maioria e promulgado por este PR. Antecipar eleições, uma exigência ética e política, é recusado por quem servirá o cálice de veneno, até à derradeira gota, a dois e meio milhões de pobres.

O PM, hábil a abrir portas, para a Tecnoforma e para os amigos, finge ser o salvador da Pátria, com os ‘cofres cheios’, de empréstimos a juros, usando a linguagem salazarista, sem perceber que a dívida não parou de subir durante o seu consulado.

«O país está melhor, os portugueses é que estão pior», diz na sua desfaçatez quem julga que o País são eles.


Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, março 25, 2015

VEJAM O QUE AINDA TEMOS QUE AGUENTAR......

https://countingdownto.com/countdown/quanto-ainda-falta-para-cavaco-ir-embora-2016-01-23-countdown-clock

O que a PIDE pensava de Herberto Helder


Henrique Neto e a falsa candidatura presidencial

A central de intoxicação ao serviço deste Governo, desta maioria e deste PR já cumpriu o seu dever. Pôs a comunicação social a esconder a cobardia de um Governo que deixa imolar diretores-gerais para proteger os seus membros e engendra uma candidatura, as preocupações éticas são modestas, para desviar as atenções.

António Barreto, digerido por excessos de favores, deixou de ser o homem da direita a fingir de esquerda. Medina Carreira hilariava demasiado. Veio a calhar Henrique Neto.

A lista VIP das Finanças estava a desgastar o pior Governo depois de Pimenta de Castro e, depois da abnegada demissão do diretor-geral, para poupar o pusilânime secretário de Estado, era preciso ruído de fundo para desviar as atenções.

Nesta altura, o ancião de honesto passado antifascista, ex-comunista e ex-socialista, há muito sucessor de António Barreto ao serviço da direita, sem apoio na concelhia do PS da Marinha Grande, que o levou a deputado, anuncia uma candidatura para que não será difícil recolher assinaturas nas estruturas do PSD, e que dificilmente chegará às urnas.

A comunicação social já engendrou que a candidatura, apoiada por essa referência ética que dá pelo nome de Medina Carreira, embaraça o PS, isto é, deixa a esquerda incapaz de ter um candidato.  A direita baba-se de gozo enquanto guarda na agenda a lama para, na altura própria, desacreditar o PS e, dessa forma, inviabilizar um candidato a PR que resgate a dignidade do cargo, perdida com o atual titular ao seu serviço.

Esta candidatura deixa os que respeitam o passado de Henrique Neto tão tristes quanto a do falecido Mário Sottomayor Cardia, com outra dimensão cultural, quando anunciou a sua, de forma igualmente patética, nas escadarias da A. R.. De Henrique Neto apenas se pode dizer que não seria pior do que o atual.

Ver neste epifenómeno uma notícia, denota que a central de intriga da direita não brinca em serviço. Henrique Neto, a que se aliarão alguns que trocam, como o falso candidato, a honra anónima do combate antifascista pela fátua glória da ribalta, presta um módico serviço à direita, que já o usava, e vai explorar até à náusea.

Ver nesta pseudocandidatura mais do que uma hílare provocação da direita é querer que esta maioria permaneça e que o lugar de PR continue com o mesmo descrédito a que o atual titular o conduziu para benefício deste Governo e desta maioria.