terça-feira, janeiro 24, 2017

O 1.º ano de Marcelo Rebelo de Sousa - o PR

Nunca pensei que, um ano volvido após a eleição do novo inquilino de Belém, lhe prestasse homenagem. Votei em Sampaio da Nóvoa e, ainda hoje, voltaria a fazê-lo, pela maior proximidade ideológica e pela minha arreigada conceção laica da República.

Dito isto, depois dos dois penosos mandatos de Cavaco Silva, onde não se vislumbrou um rasgo de virtude cívica ou de pedagogia democrática, a chegada de Marcelo, liberto de prótese conjugal (resquício monárquico que a República conserva), sem a mancha de negociatas, passado sombrio ou rancores partidários, foi uma lufada de ar fresco.

A cultura, inteligência e sentido de Estado fizeram do PR um referencial de estabilidade e patriotismo, apreciado pela grande maioria dos portugueses. Penso mesmo que um PR conservador foi mais benéfico para a estabilidade política do que o PR que eu preferiria.

A preparação para o cargo é indiscutível. A sua pedagogia cívica, sem jamais manchar as funções ou envergonhar os portugueses, é um serviço que lhe devemos.

As acusações de vocação peronista são infundadas. Pelo contrário, devolveu à AR a sua centralidade na política portuguesa, como demonstrado no caso recente da TSU.

Há quem digira mal as derrotas, quem procure ver fantasmas onde não existem, quem já não saiba viver sem azedume. Esses, encontrarão em quem gostariam de ver formatado à sua semelhança um eterno inimigo.

Não me tornei correligionário deste PR, não votarei nele em eventuais futuras eleições, mas respeito-o na legitimidade e dignidade com que tem exercido as funções. Não conquistou um adepto, mas ganhou o meu respeito.

Parabéns, Marcelo.

A frase

«O perigo é que em tempos de crise procuremos um salvador»

(Francisco, Papa católico, por coincidência, promotor vitalício de outro salvador)

Nota - Contrariamente a Pio XII, em relação a Hitler e ao nazismo, não se pode dizer que o papa Francisco ficou em silêncio perante Trump. É justo referir a coragem e a dignidade do atual líder da Igreja católica.

segunda-feira, janeiro 23, 2017

Passos Coelho (PPC) no seu labirinto

Os avençados do costume repetem até à náusea, nas redes sociais, o que pensa o líder do PSD, insistindo, à semelhança do iluminado Cavaco Silva, em fazer crer que o Governo é ilegal. Teimam que António Costa não foi eleito PM, como se houvesse eleições para PM em vez de eleições legislativas.
 
PPC só consegue fazer mal ao Governo, fazendo pior ao seu partido. A descida da TSU não devia, de facto, servir de contrapartida para elevar o salário mínimo, num país onde este é tão baixo. Nisso, embora em contradição consigo próprio e com o partido, é uma votação tática.

Na TSU, tal como nas insensatas picardias contra a CGD, há um mero ressentimento de quem, à falta de estratégia partidária, se esgota em expedientes táticos. Não é por acaso que PPC é abandonado pelos melhores quadros, que se fingem mortos ou se encontram indisponíveis, quer seja para a Câmara de Lisboa ou para adorno nas suas deslocações.

Com Miguel Relvas recolhido nos negócios, o génio que levou PPC a PM, a imagem do PSD, depois de terem parado as investigações à Câmara de Gaia, confunde-se com a de Marco António.

Os intelectuais do PSD raramente ultrapassam a craveira de PPC e Cavaco Silva. Não admira, pois, a imensa preocupação do PSD contra a elevação do salário e, tal como os outros partidos, não pense que é obscena a inexistência de um salário máximo.

Post scriptum – O uso de um qualquer fraternal ressentimento de Ricardo Costa contra o PM levou-o ontem a confundir o PR com um candidato ao cargo e a deixar o PSD com menos argumentos.

COIMBRA - Jantar republicano do 31 de Janeiro

MR5O – Núcleo de COIMBRA
Jantar republicano evocativo dos 126 anos da revolta do 31 de Janeiro de 1891



O Movimento Republicano 5 de Outubro (Núcleo de Coimbra), mais uma vez, irá comemorar a data emblemática da Revolta de 31 de Janeiro de 1891, como momento crucial do percurso do Portugal Republicano.

Assim sendo, exortam-se os Republicanas/os para um jantar a realizar, no próximo dia 31 de janeiro, terça-feira, a partir das 19h30, no Restaurante A Brasileira, localizado na rua Ferreira Borges, em Coimbra.

As inscrições podem ser feitas até ao dia 28 de janeiro, para anabela8@hotmail.com 
Ou para Carlos Esperança aesperancaenator@gmail.com ou TM. 917322645.

Não esquecer no ato de inscrição referir a preferência por peixe ou carne, bem como se deseja sopa.

Ementa:
Entradas variadas; Sopa de alho francês (só para quem o indicar); bacalhau à casa ou, lombinho de porco gratinado com rolinhos de bacon; bolo de limão e coco, fruta laminada (laranja/ maçã) e café. Bebidas: vinho; água e sumos.   


Preço € 15,00 (Pagamento no local)


domingo, janeiro 22, 2017

TSU (Tudo Serve para Uivar) …

Estando, ainda, em pleno desenvolvimento a chicana sobre a CGD o PSD lança-se em nova aventura, agora sobre a TSU e o salário mínimo.

Existe, nesta nova polémica, vários ambientes políticos. O primeiro gravita em volta de uma mentira repetidamente dita. Os políticos de direita – mais acentuadamente os gestores e economistas – proclamam aos quatro ventos que o desenvolvimento não deve ser feito à custa de baixos salários. Na prática esmagam as remunerações, e isso é tão visível desde a crise financeira que dispensa números. O pretexto é sempre o mesmo: competitividade e as cíclicas reestruturações. Podemos esperar sentados pelo dia em que uma reestruturação carregue no bojo a criação de novos empregos e conduza a um aumento dos salários.

Assim, quando o movimento social e sindical consegue pressionar a introdução de alterações nas remunerações – a começar pelo salário mínimo – os empresários, cheio de espírito empreendedor, logo exigem ‘compensações’.
Seria bom manter a memória viva e atualizada. Quando no Governo PSD/CDS se alterou, para alguns trabalhadores, o horário de trabalho semanal de 35 para 42 horas, ninguém ouviu falar em compensações, pela simples razão de que estas só podiam ser retribuições.

O alinhamento do salário mínimo por níveis de dignidade e de justiça social não é uma invenção deste Governo.
Esta alteração consta de diferentes programas partidários que, em devido tempo, foram submetidos a escrutínio popular. Embora existam algumas nuances para a obtenção, aplicação e calendarização destas medidas de justiça social (a justa retribuição do trabalho) o facto é que uma larga maioria de cidadãos subscreveu, pelo voto, esta mudança.

A púdica rejeição das confederações empresariais – e a consequente recusa – significam que pretendem transformar a concertação social num fórum de revisão e ‘afinação’ do sistema democrático. A questão salarial está votada e decida em sede própria (nas urnas de voto) é para cumprir. As medidas ‘compensatórias’, tem a ver com a economia e não podem ser endossadas ao erário público.

A concertação social deverá existir com duas grandes finalidades. Primeiro, para colaborar na definição de uma estratégia harmónica de desenvolvimento; depois, para promover mecanismos para uma justa redistribuição da riqueza. É na conjugação destes dois vetores que se encaixa a questão do salário mínimo.

Na realidade, a nossa situação económica é precária e o crescimento anémico. Qualquer português gostaria que a ultrapassagem destes problemas incidisse, por exemplo, pela diminuição dos custos de contexto (energia, combustíveis, transportes, etc.) e deixasse em paz a contribuição pública. Entretanto, existem nestas nebulosas situações, questões político-partidárias por resolver.
 
O oportunismo do PSD que anteviu nesta questão uma oportunidade para desgastar o Governo, e não mais do que isso, e a insídia da direita do PS, capitaneada por Francisco Assis link, que se colou à chicana ‘passos-coelhista’ e se apressou a pedir eleições antecipadas, mostram como é necessário reafirmar, internamente, a atual solução de governo, apesar de todas as identidades politicas e partidárias a salvaguardar, dando provas de determinação e eficiência.
 
Já todos percebemos que a questão da descida da TSU (em algumas situações) está irremediavelmente condenada, mas o País precisa de consolidar a devolução de rendimentos às forças do trabalho e, ao mesmo tempo, desenvolver a economia. Esta dupla condição é o caminho que, quer PS, quer as forças de Esquerda que subscreveram a ‘posição conjunta’, precisam de trilhar. Difícil trânsito quando se alienou para o sector privado, e ao desbaratado, empresas com carácter estratégico para a economia e se deixou de controlar os chamados custos de contexto.
 
Ficam, no entanto, por esclarecer se as intenções do PSD se confinam à questão da TSU ou se, na realidade, o atual dirigente do PSD, Passos Coelho, não se conforma com o aumento do salário mínimo. O tempo esclarecerá. Aproxima-se em passos agitados outra das grandes grilhetas da nossa economia. Isto é. a questão da divida pública e o seu ‘impossível’ serviço.  E aí os jogos de cintura serão muito mais difíceis.
 
Uma coisa é certa os cães ladram enquanto a caravana passa…
Outros, como Assis, uivam.

sábado, janeiro 21, 2017

António Costa e a imparcialidade do Expresso

A diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, felicitou o PM António Costa, pelo trabalho e resultados obtidos pelo Governo português, como já é do domínio público.

Elogiou “um resultado surpreendente para aquilo que eram as previsões iniciais do FMI” e o trabalho do Governo “não só para a consolidação orçamental, mas também para a criação de emprego, para o crescimento económico e para a estabilização do sistema financeiro”.

O Expresso, num gesto de grande felicidade e rara neutralidade titulou a notícia:

«António Costa diz que FMI felicitou Governo pelos resultados alcançados»



Trump tomou posse


sexta-feira, janeiro 20, 2017

À margem da tomada de posse de Donald Trump…

A tomada de posse de Donald Trump para além dos sustos e incertezas inerentes à ascensão de uma via populista marca prioritariamente o fim da atual ‘ordem mundial’. Existem descritos vários cenários arquitetados por eminentes pensadores mas a verdade é que ninguém conhece ou é capaz de discernir os caminhos do futuro.

O discurso de Xi Jinping em Davos deverá ser encarado como a primeira abordagem política do futuro. Recheado de insinuações, pleno de ‘supostas’ omissões e repleto de veladas orientações, vale tanto pelo que foi explicitamente dito como pelo que fica subentendido.
É uma realista análise da evolução do mundo pós queda do muro de Berlim que, uma vez assentada a poeira do fim da bipolarização corporizada pela ‘guerra fria’, caminha para uma ‘natural’ globalização, onde a 'pole position' deixou de estar assegurada e nem todos os países marcharão lado a lado. O presidente chinês, em Davos, considerou a globalização como inelutável e o “ resultado ‘natural’ da evolução científica”.

Mas hoje é bastante evidente que a queda do muro não marca exclusivamente a atual inquietação em relação ao futuro, nem carrega todas as consequências presentes. Na verdade, de arrasto, estão a desabar muito mais coisas. O declínio do império americano é uma delas.
Tal como o fim da I Guerra encerrou o ciclo do Império Britânico que durou quase um século (desde as guerras napoleónicas), cem anos depois a América assiste ao estertor da sua vocação imperial, na sequência da desagregação progressiva dos acordos de 1945 (Yalta), que a queda do muro (1989) inexoravelmente revogou, procedendo a uma nova repartição do Mundo, sob o manto de uma diáfana 'globalização', emergente na última conferência de Davos.

É esta conceção (ameaça) subconsciente que está consubstanciada na frase ‘América, novamente grande!’ e em grande medida ‘justifica’ (por desespero de causa) a eleição de Trump.

Finalmente, a Europa colocou-se à margem das decisões do futuro da política mundial. Condicionada por um Pacto de Estabilidade que não a deixa crescer, a braços com a incapacidade de gerir o problema dos refugiados causado pela intervenção ‘ocidental’ no Médio-Oriente, vítima predileta do fundamentalismo religioso, submersa na insegurança causada por uma onda de atos terroristas e a braços com o espectro de desagregação (Brexit), praticamente não se fez ouvir em Davos. Nos tempos mais próximos vai estar envolvida em questões internas e tentada a enveredar (em múltiplos atos eleitorais) pela via do populismo, correndo o risco de tornar-se um apêndice das políticas da nova administração Trump.

É no centro destas convulsões que Trump vai, hoje, encenar em Washington um simulacro de entronização imperial.
Donald, o último?

Passos Coelho e a Assembleia da República

Quem diria que um político medíocre, de débil formação democrática, prestaria ao País e à democracia um tão elevado serviço.

Ao votar contra descida da TSU acaba por reconhecer que as maiorias se formam na AR e que um governo do PSD, com apoio do BE, PCP e PEV, seria tão legítimo como é o atual.

Obrigado, Passos Coelho.

quinta-feira, janeiro 19, 2017

Donald Trump toma posse amanhã.


A liberdade de expressão e a pulsão censória

Que a liberdade de expressão tenha limites, que o apelo ao crime e à violência, a calúnia e a difamação sejam criminalizadas, é hoje consensual em países democráticos, mas considerar como apelo à violência abrenunciar um morto, ou um vivo, sem o mais leve intuito de incentivar agressões, que só o vivo sofreria, é censura.

Recordemos os facínoras que mataram os cartunistas do Charlie Hebdo. Estes tinham o direito e a coragem de publicar o que publicaram. Responsabilizar os jornalistas é punir as vítimas e desculpar os algozes. Só compra e lê o Charlie quem quer.

Há na autocensura ou na limitação tolerada, à margem da lei, a interiorização dos tiques que a ditadura inseriu, à guisa de genes, até em democratas. Que fará nos que desprezam a liberdade e defendem que o respeitinho é muito bonito!?

Pode dizer-se mal de Mário Soares? – Claro que pode. E de Moisés, Cristo, Maomé ou Buda? – Porque não? E de Mandela, Gandhi ou Luther King? – Claro que sim.

Dizer que o Antigo Testamento é um manual terrorista ofende milhões de crentes, mas aceitar a sua xenofobia, o racismo, o esclavagismo, a misoginia, o incesto e outras crueldades, é defender a moral das tribos patriarcais da Idade do Bronze. Os cristãos ou não leram o A. T. ou afirmam que o que lá está escrito não significa o que escrito está.

Há criminosos mortos, que nunca deviam ter nascido: Hitler, Estaline, Franco, Salazar, Pinochet, Mao, Pol Pot, Videla, Somoza, Tiso, Enver Hoxha e outros. Sou insensível às suscetibilidades de descendentes e sequazes órfãos. Ou execramos os pulhas ou alguém fará deles modelos. Só faltava haver punição por desrespeito a tão ruins defuntos!

A moral, contrariamente ao que muitos pensam, não é universal e os deuses enganam-se mais do que os homens. Já se engordaram mulheres, em gaiolas, para consumo humano. Há quem abomine a música, a carne de porco, a nudez, a autodeterminação individual e o livre-pensamento. Há 152 anos, Pio IX publicou a ignóbil encíclica Quanta Cura (8/12/1864), acompanhada do famoso Syllabus errorum, o que não lhe tolheu a carreira da santidade ou impediu os seus sucessores de herdarem a infalibilidade papal e o mito da virgindade de Maria, dois dogmas tão desprezíveis como o seu antissemitismo.

Urbano II, Estaline, Pio IX, Mao, Calvino, talibãs e cruzados não se podem comparar a democratas e humanistas.
E Deus, pode ser ofendido? Bem, se fizer prova da sua existência, o juiz deve relevar a importância do cargo, mas não deverá aceitar a queixa de um clérigo, por não ser parte nem exibir procuração.

E se os que me leem me insultarem? Têm esse direito. O insulto não ofende o alvo, mas quem o profere. E a liberdade de expressão dos homens é superior à alegada vontade de qualquer deus.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, janeiro 18, 2017

Assunção Cristas e a AR


Assunção Cristas acumula a docência universitária e a indecência parlamentar, a raiva da opositora e as maneiras da Praça da Figueira, o interesse pelo direito e a avidez pela liderança da direita.

Ao chamar mentiroso, com esta mesma palavra, na AR, ao primeiro-ministro, acabando por ser desmentida pela UGT, não foi a docente de direito, foi uma indecente da direita, mas é como rata de sacristia que se destaca, na hipocrisia judaico-cristã e na desfaçatez com que humilha o líder do PSD, enquanto Nuno Melo, ainda pior, a não humilhar a ela.

Nas eleições para a câmara de Lisboa deixou Passos Coelho hesitante entre a rendição e o salto no abismo, mas foi na TSU que cristãmente (Cristas mente), em um dos números de mais refinada hipocrisia, proclamou à comunicação social a abstenção do CDS, para “proteger acordo de concertação social”.

E não se riu. É preciso topete!

António Barreto e as magistraturas

António Barreto (AB), o sociólogo, é um dos mais influentes intelectuais da direita portuguesa, apesar da ingratidão desta. Limita-se naturalmente a exercer o inalienável direito de cidadania a que todos temos direito, mas sem merecer os encómios que lhe prodigalizam.

A violência com que ataca a esquerda, sem cair na boçalidade da direita que ora dirige o PSD e o CDS, faz dele uma referência política credível, ampliada pela alegada isenção partidária, uma confusão entre a ausência de inscrição partidária e o ressentimento político.

AB foi militante do PCP, de onde saiu pela esquerda, por considerá-lo pouco revolucionário, e fazer, depois do 25 de Abril, a viagem pelo bloco central, como deputado e ministro do PS, até se passar definitivamente para a direita, desiludido com um partido que julgava poder liderar.

Em 1979, AB juntou-se ao [PPD/PSD + CDS + PPM] no Movimento dos Reformadores, com José Medeiros Ferreira e Francisco Sousa Tavares, tendo a glória de ter participado na AD (Aliança Democrática), na primeira vitória da direita depois do 25 de Abril.

Está, pois, justificada a acidez do trânsfuga contra a esquerda, onde via amanhãs que cantam, para acabar clamando ao serviço de quem chora o ontem, incluindo um merceeiro holandês.

Nos domingos debita uma homilia escrita na página 2, do DN. Só o hábito de ler o jornal diário, hábito adquirido aos dez anos, com o meu pai, me impele a comprar o exemplar de domingo e a acabar por ler AB, para saber o que pensa a direita culta e civilizada, embora nem sempre a verdade acompanhe a qualidade do fotógrafo e do prosador.

No domingo, depois de divagações várias, escreveu: «Já o PCP tem indiscutível influência nos sindicatos e nas instituições públicas como os serviços de saúde e de educação, os funcionários, as magistraturas ou as polícias.» (sic).

Não me surpreende a acusação gratuita, só estranho o silêncio do sindicato dos magistrados do Ministério Público e, sobretudo, do dos juízes, sob o pseudónimo de Associação Sindical.

Já alguém pensou no alarido que teriam feito se a acusação de sinal contrário fosse feita por uma personalidade de esquerda?

Declaração de interesse: tenho discordado repetidamente da existência de sindicatos de magistrados, especialmente de juízes, por pertencerem a um órgão da soberania.

terça-feira, janeiro 17, 2017

A "DIREITA JAQUINZINHO"

Noticiaram ontem vários jornais que oito "tubarões" acumulam uma riqueza igual à de metade da Humanidade. Pois ainda há membros desta metade que os defendem! Na esteira do Dr. Cavaco, dizem que esses vampiros, cuja existência só é possível graças a um sistema social e económico fundado na injustiça e na desigualdade, são "empresários de sucesso"!

    Alguns desses indivíduos, ganhando 600 euros por mês mas vivendo num bairro em que a maioria das pessoas está desempregada ou ganha o salário mínimo, julgam-se ricos, pensam que fazem parte do "clube" dos tais vampiros e votam como eles!

    Outros, vivendo numa aldeola onde a maior parte dos habitantes estão no limiar da miséria, porque têm um bocadito de terra de onde tiram umas batatitas e umas cebolas, julgam que fazem parte da mesma classe a que pertencem os latifundiários alentejanos, e votam no CDS!


Outros ainda, pequenos e médios intelectuais que vivem das migalhas que caem da mesa dos ricos ou dos ossos que estes lhes atiram, inventam teorias falaciosas para justificar a opulência dos ricaços que parasitam.


E acusam os que, apesar de não viverem na miséria, são contra a injustiça e a desigualdade, de serem a "esquerda caviar"!


Eles é que são a "direita jaquinzinho"!