domingo, abril 23, 2017

Coimbra - Atribuição de uma placa toponímica

Há duas semanas, acompanhada pelos signatários José Dias e Carlos Esperança, fiz a entrega das assinaturas online, juntamente com uma carta dirigida ao sr. Presidente da Câmara Municipal de Coimbra onde referia a disposição da família em aceitar uma Praça/Rotunda - alternativa que consideraram interessante - para a homenagem que gostaríamos de ver realizada.

No dia 21 de abril de 2017, tive conhecimento, através do nosso amigo Carlos Esperança,de que a Câmara Municipal de Coimbra fez a proposta de atribuição do nome do Sr. General Augusto José Monteiro Valente a uma Rotunda/Praça, situada junto do Centro de Saúde de Santa Clara.

A família concordou com esta opção. A cerimónia de atribuição do nome terá lugar na próxima terça-feira, dia 25 de abril, pelas 12,30h.

Solicito, desta forma, a presença dos signatários neste evento, por cujo sucesso todos nós nos envolvemos. Em anexo, segue o mapa do local. Vamos homenagear o nosso amigo, capitão de abril, AUGUSTO JOSÉ MONTEIRO VALENTE, neste dia emblemático: 25 de Abril! Disponível para o esclarecimento de qualquer dúvida, com os melhores cumprimentos.

 Anabela Monteiro

Ponte Europa convida todos os cidadãos a estarem presentes na homenagem ao saudoso capitão de Abril, único oficial do MFA no Regimento de Infantaria da Guarda, que sublevou a Unidade, prendeu o Comandante e foi para Vilar Formoso a encerrar a fronteira e neutralizar a PIDE.



Oliveira do Hospital - Convite


sábado, abril 22, 2017

Prémio Eduardo Lourenço 2017


O ex-diretor do Jornal do Fundão, Fernando Paulouro Neves, excelente jornalista e grande escritor, foi o vencedor da 13.ª edição do Prémio Eduardo Lourenço.

O justo galardão não premeia apenas a carreira jornalística e literária de um vulto da cultura portuguesa, é a homenagem merecida ao cidadão corajoso e civicamente empenhado que honrou a herança do fundador do Jornal do Fundão, António Paulouro.

Com este prémio, instituído em 2004 pelo Centro de Estudos Ibéricos (CEI), Fernando Paulouro junta o seu nome ao de uma reduzida plêiade de intelectuais da Península Ibérica.

Enquanto aguardo o seu romance «Fellini na Praça Velha», cujo lançamento terá lugar no próximo dia 24 (véspera do 25 de Abril), deixo aqui, ao amigo, um abraço de parabéns.


Crenças e crentes

Não respeito crenças, apenas crentes e, mesmo estes, sem perder a vigilância cívica que as suas associações exijam. Abdicar da defesa da liberdade democrática e da civilização, é um suicídio que deixa livres as mãos de quem as usa para as combater.
 
O respeitinho é muito bonito, se queres ser respeitado respeita os outros, as crenças são sagradas, graças a Deus muitas e graças com Deus poucas, são algumas das frases com que se pretende embotar o espírito crítico, limitar o direito de expressão e perpetuar as mais intoleráveis tradições.

Se a crença, por mais tola que seja, é uma inofensiva convicção pessoal, merece apenas um sorriso, mas se à crença corresponde uma ação, devemos avaliá-la e, eventualmente, combatê-la.

Não se pode condescender com crenças alternativas sobre a higiene ou a epidemiologia. Por que motivo hão de aceitar-se crenças que defendem o assassinato para a apostasia, o trabalho ao sábado, a blasfémia, o adultério feminino ou que exigem a conversão ao seu Deus, nem que seja à bomba?

Pode condescender-se com quem recusa uma transfusão de sangue e põe em risco a sua vida, mas não se pode tolerar quem recusa as vacinas e põe em causa a vida dos outros.

Há um eterno conflito entre os direitos individuais e os interesses coletivos que cabe aos Estados compatibilizar de acordo com os avanços civilizacionais. A Humanidade ganha sempre quando enfrenta os dogmas e perde quando os aceita.

Tudo o que é afirmado sem provas pode igualmente ser contestado sem elas. A alegada vontade de Deus não pode ser aceite se alguém a tentar impor aos outros. Deus pode ter criado o mundo em seis dias, ter descansado ao sétimo e nunca mais ter feito o que quer que fosse, mas ninguém tem o direito de impor semelhante crença a quem a recuse.

A autoridade das religiões em questões morais depende da comprovação dos factos em que a sua doutrina assenta. Se a fé é a única razão invocada, não há razão para substituir por outros, os modelos de racionalidade elaborados por quem cultiva a razão e confia na ciência, sem recurso a seres hipotéticos ou à espera de outra vida para além da morte.

Estamos a viver um tempo em que as crenças ameaçam a sobrevivência da Humanidade.

sexta-feira, abril 21, 2017

A família laranja em decomposição


Associação Ateísta Portuguesa (AAP)

COMISSAO DA LIBERDADE RELIGIOSA

Exmo. Senhor

Director do Agrupamento de Escolas de

Alfândega da Fé

da Escola Preparatória
5350-023 ALFÂNDEGA DA FÉ

Sua referência                       Sua comunicação de                            Nossa referência                                Data

ASSUNTO’ Exposição apresentada por encarregados de educação do 1 0 ciclo na Ebl de Alfândega da Fé

Exmo Senhor Director,

A Comissão da Liberdade Religiosa é um órgão independente de consulta da Assembleia da República e do Governo e tem competência no âmbito da protecção do exercício da Liberdade Religiosa, de controlo da sua aplicação, nos termos, designadamente da alínea e), do arto 3 0 do Decreto-Lei n o 308/2003, de 10 de Dezembro.

Deste modo, na sequência do envio de e-mails de dois encarregados de educação e do Presidente da Associação Ateísta Portuguesa, em que referem ensaios nas aulas de música para a Missa Pascal, realizada dia 3 de Abril de 2017, cumpre-nos solicitar a V. Exa. informação mais precisa sobre a situação reportada e designadamente quais as alternativas apresentadas para os alunos que não pretendiam fazer parte da referida actividade religiosa.

Com os meus melhores cumprimentos

José Vera Jardim

Presidente da Comissão da Liberdade Religiosa

Av. Fontes Pereira de Melo, no. 7 a 13 – 70. Esqo– 1050 — 115 Lisboa — Portugal

quinta-feira, abril 20, 2017

O proto-califa MaomÉrdogan e a democracia

O desejo do Presidente turco era mudar a Constituição e sepultar a herança de Atatürk. A seis anos do centenário da República laica, o Irmão Muçulmano a quem a UE e EUA outorgaram sucessivamente o epíteto de democrata muçulmano, acabou de transformar a natureza do regime.

No domingo, com o referendo duvidosamente democrático, em estado de emergência e com fortes suspeitas de irregularidades, Erdogan chamou a si os poderes do PM, cargo ora extinto, e iniciou a caminhada para se manter no poder até 2029.

O partido islamita (AKP) confundia-se com o Governo e o Estado. Erdogan usou-o para asfixiar as liberdades, perseguir opositores e abolir a laicidade. Agora, com os Tribunais subjugados, o Parlamento diminuído nas funções, as Forças Armadas expurgadas e o poder executivo concentrado nas suas mãos, a democracia é uma farsa à espera das leis corânicas.

A República constitucional democrática, secular e unitária foi derrotada no domingo e a herança de Atatürk, que reprimiu os xeques e libertou as instituições turcas de Maomé, o ‘beduíno analfabeto e amoral’, terminou.
 
Não mais se ouvirão as palavras do fundador da Turquia moderna: “São os professores, somente eles, quem libertam os povos e transformam as coletividades em verdadeiras nações”. Erdogan pretende restabelecer a pena de norte e virar-se para Meca. A paz na Síria fica mais difícil, os curdos mais ameaçados e a Europa apavorada, sob chantagem, com 4 milhões de refugiados na Turquia.

A ditadura islâmica está em marcha. Sob o poder de Erdogan os cinco pilares do Islão sustentam o regresso ao califado. MaomÉrdogan é o paradigma de uma ambição que o Ocidente amamentou num país que tem o maior exército da Nato fora dos EUA e o seu maior arsenal nuclear estacionado na Turquia.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, abril 19, 2017

A frase


terça-feira, abril 18, 2017

TRUMP: Da ‘mega-bomba’ à indigência…

A ‘mega-bomba’ (GBU-43) lançada numa zona de acantonamento e refúgio do Daesh no Afeganistão poderá esconder a ‘mega-incompetência’ da equipa estratégica que rodeia e aconselha o presidente Trump quanto à política externa dos EUA.

Os poucos meses que a Administração Trump leva no exercício do poder mostram um profundo divórcio entre o dito e prometido na campanha eleitoral e a realidade. A situação política internacional é uma tarefa muito mais complexa do que administrar empresas de construção, promover resorts turísticos ou produzir reality-shows.
Todos sabíamos isso à partida e será justo admitir que o próprio staff de Trump, também. Só que o ‘populismo barato’ que inundou a candidatura de Donald Trump quis iludir os factos e as consequências.

As atitudes da Administração americana durante este século – ou melhor a nova política que foi gerada após o ataque da Al Qaeda às torres gémeas - deixam muito a desejar e, acima de tudo, são incompreensíveis em termos estratégicos.
Quer o descontrolo do sistema financeiro que levou à ‘crise dos subprimes’ que trouxe uma ‘onda global de recessão económica’, quer a postura perante o Mundo relativamente à invasão do Iraque, concomitantemente com o prolongamento da ‘questão afegã’ e, finalmente, a promoção avulsa de ‘primaveras árabes’, de que a Síria é um exemplo ainda em ebulição, existem muitas oportunidades de penitência (…estamos em período peri-pascal).

Durante a campanha eleitoral, Donald Trump, adoptou a ‘doutrina Banner’, seu inefável conselheiro eleitoral (que entretanto se distanciou da Sala Oval), e cujo conteúdo se condensava no slogan (ultra)nacionalista ‘America, First!’, o que traduzido por miúdos significava a absoluta predominância de resolução de problemas internos sobre os do ‘resto do Mundo’ mas, simultaneamente, pretendia também esconder a olímpica incompetência em lidar com a situação geopolítica internacional.

O bombardeamento da base área síria e, mais recentemente, o lançamento de uma ‘mega-bomba’ sobre o Afeganistão (junto à fronteira com o Paquistão – um país possuidor de arsenal nuclear) poem a nu circunstâncias que não pode ser escamoteadas.
É cada vez mais evidente que na condução da política externa americana, a administração de Washington, está entregue aos ‘falcões’ do Pentágono. Perante o sucedido no Afeganistão o presidente Trump foi incapaz de explicitar quem deu a ordem de bombardear. Este contexto não pode ser desvalorizado.
 
Na realidade, existe, em todo este processo, mais um passo na ‘fuga em frente’, embora noutros moldes. Bush invadia e criava situações incontroláveis, Obama não queria que os americanos pusessem os pés do terreno e utilizava drones para intervenções cirúrgicas e, agora, Trump bombardeia com armas sofisticadas (porque bombardear foi quase sempre uma rotina – ver ‘primavera líbia’).
Todavia, para o comum dos mortais, esta saga invasora e purificadora dos regimes ditatoriais, p. exemplo, no Médio Oriente, torna-se incompreensível quando olhamos para as obsoletas e medievas monarquias do Golfo, objeto de uma canina proteção do dito ‘Ocidente’.

Regressamos, deste modo e sob a batuta de Trump, a uma nova versão da ‘política de canhoneira’ tão do agrado da diplomacia britânica e que serviu para algumas coisas (entre outras). Por exemplo, amedrontar a China Imperial (na Guerra do Ópio) e perante o snobismo dos súbitos de Sua Majestade conduziu ao destroçar do velho Império (vitoriano). Mas o grave é que com o lançamento da ‘mega-bomba’ no Afeganistão fomos colocados (os cidadãos do Mundo e não especificamente os 'terroristas') na antecâmara do uso de armas nucleares. O que é absolutamente aterrador para o Mundo.

O fio condutor da política externa norte-americana dá sinais de uma deriva assustadora mais parecida com um fatídico desnorte. Os problemas de fundo persistem, ou agravam-se, e as intervenções pontuais (sejam de rotina ou excecionais) sucedem-se no sentido de remediar, quando não de ocultar, os sucessivos desaires.
Na realidade, o primeiro responsável pelas situações críticas e belicistas que muitas regiões enfrentam nos dias de hoje foi a política externa dos EUA (no tempo da Guerra Fria) cujo denominador comum anti-comunista (serviu para arrebanhar todos os fundamentalismos) e transitar abruptamente para a defesa de interesses geo-estratégicos e mercantis americanos, nomeadamente, no campo energético, completamente à revelia de consensos internacionais. 
Das situações oriundas desde o fim da Guerra Fria até aos dias de hoje existe um diversificado conjunto de situações pouco claras, em termos estratégicos, mas evidenciando a incapacidade de dissimular a mais recente escalada da Administração Trump, cujo sentido e  alcance é, neste momento, indecifrável.

Por outro lado, as reiteradas tentativas de contornar das instâncias internacionais onde se devem concertar as questões da Paz e Segurança mundiais (p. exº.: o Conselho de Segurança da ONU) – como já sucedeu na trágica ‘aventura do Iraque’ - é um risco acrescido para que estas medidas bélicas avulsas desemboquem no mais fragrante insucesso ou, mesmo, possam a vir a  ser o rastilho para um conflito incontrolável. 

De resto, a Administração Trump parece embriagada por um infantil encantamento. Julga ter descoberto um arsenal de ‘brinquedos’ e, tal como as crianças, mostra-se tentada em experimentá-los. Só que na infância pode-se invocar a inocência e a curiosidade como um alibi comportamental mas, no caso vertente, os inquilinos da Casa Branca para além de uma gritante imprudência só conseguem exibir uma enorme indigência política e uma aviltante pobreza intelectual.
 
Se isto é a ‘America, Great Again’, vou ali e já venho… (enquanto o céu não me cai em cima!)

O espírito científico e a fé


Como procurar o caminho do Céu


De como um professor republicano podia impedir a carreira da santidade. Antes analfabeta toda a vida do que um só dia de aulas com um professor republicano.

«O professor não era grande coisa… era republicano. E só ensinava a ler, não ensinava a escrever.»

(Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado)

segunda-feira, abril 17, 2017

O referendo turco


Pareceu o referendo salazarista que legou a Constituição de 1933. 

A democracia islâmica vem a caminho.

A Guarda Civil e a condição feminina – As regras militares e as outras

A agente da Guarda Civil espanhola estava de serviço e, sem aviso prévio, vieram-lhe as regras. Para não sujar a farda e a viatura com o sangue que só o combate torna glorioso, e colocar o penso, para manter imaculados o uniforme e o veículo, violou, por minutos, as regras de serviço que a obrigam a manter-se publicamente motorizada.

Um tenente, insensível às regras fisiológicas, de que a natureza o libertou, certo de que as regras militares não contemplam a privacidade que a agente se permitiu, fossem quais fossem as razões, participou a ocorrência e submeteu a infração à consideração superior.

Coube à hierarquia decidir sobre a precedência da natureza sobre as regras militares, ou vice-versa, e proceder em conformidade. A pena ficou suspensa da decisão hierárquica. Dois dias sem vencimento foi o castigo julgado adequado.

domingo, abril 16, 2017

BRASIL: presente e futuro…

A corrupção que colonizou os titulares dos cargos políticos e perverteu o sistema constitucional no Brasil parece mais um festim do que aquilo que, na realidade, é: – uma trágica encruzilhada.

No momento em o Supremo Tribunal de Justiça manda investigar oito ministros do Governo de Temer nasce alguma luz sobre a razão do impeachment de Dilma. Na verdade, existindo uma ‘classe política’ detentora de prerrogativas especiais (jurídicas e outras) o que fará atulhar a alta instância judicial competente para investigar e julgar acresce ainda o facto de o Presidente não poder ser investigado sobre atos cometidos antes de tomar posse.

O regime brasileiro está à beira do precipício. A ‘solução Temer’ não colou e dia a dia demonstra que não tem viabilidade política. Na atualidade, não é temerário pensar que os brasileiros não acreditam que o regime democrático nascido com o fim da ditadura militar sobreviva a esta avalanche de corrupção que expõe de modo penoso os titulares de cargos políticos, descreditando-os.
As prerrogativas inerentes aos cargos, que atingem o assustador número de quase 30 000 cidadãos, deixaram de ser um ‘guarda-chuva’ eficaz para disfarçar  e tornar impune a podridão corruptiva reinante. Esta calamidade atinge tudo e todos e, neste momento, já recua até Dilma Roussef, Lula da Silva desembocando em Fernando Henriques Cardoso.

Na rua começa a nascer a ideia de uma ‘novíssima República’. O problema é, portanto, outro e mais premente. O que virá depois?

Acreditando que os políticos corruptos acabarão por ser julgados com as garantias que a Constituição neste momento lhes confere, o exercício político para futuro é obscuro. Como será a novíssima República e como (e donde) surgirá a nova classe dirigente?

A fragmentação partidária levada ao extremo (uma reação ao bipartidarismo imposto pela Ditadura militar - Arena/MDB) e a utilização inapropriada de siglas clássicas que não correspondem a qualquer quadro ideológico facilitam a permissividade e semeiam a confusão, atrapalhando um eventual processo de ‘regeneração’ democrática.
 
Neste imperioso processo de renovação é difícil descortinar quem poderá permanecer ileso dentro do espectro partidário existente. Por outro lado, o Brasil, a exemplo de outros países do Mundo e de modo mais acutilante na América Latina, está enredado numa teia de promiscuidade entre a política e as religiões, seitas e grupos.

À extrema fragmentação partidária poderá, no controverso caos político instalado, corresponder uma evolução fortemente desagregadora, concretizando-se, no estilhaçar da união de Estados que configura a atual República Federativa do Brasil desfazendo um projeto que vem sendo construído desde 1889, após a deposição de D. Pedro II e  já passou por diversas ‘transições’ desde a República Velha, à Era Vargas (‘Estado Novo’), à Populista (de Dutra a Goulart), à Ditadura Militar (de Castelo Branco a Figueiredo) e, finalmente, à Nova República (de Trancredo a Temer). Hoje, podemos dizer que paira no ar o odor de uma nova ‘transição’ que poderá não preservar a federação.
Entre um Nordeste pobre, ruralizado, sertanejo e cativo do subdesenvolvimento e um Sul economicamente capaz, ambicioso e cosmopolita girando à volta do 'núcleo desenvolvimentista' paulista, a fratura poderá surgir em qualquer latitude.

Existe, fora deste ameaçador  quadro institucional (e constitucional), um perigo real que assenta na prossecução do status quo e tem sido contornado (evitado) na auto-inquirição que os brasileiros fazem à volta das consequências do processo ‘Lava-Jacto’.
A emergência dos ‘evangélicos’ que, neste processo, têm conseguido passar entre os pingos da chuva sem se encharcar, embora tenham as mãos sujas pelos negócios que, a coberto de idílicas promessas bíblicas, praticam, por todo o lado. Nas últimas eleições presidenciais brasileiras tivemos a primeira mostra desta realidade emergente. A candidata com melhor ‘score eleitoral’ (depois de Dilma e Aécio)  – Marina da Silva – emergiu (envergonhada) deste ‘antro’, faminto de poder (temporal).

A alternativa é, porém, pior do que má, isto é, há quem vislumbre (ou suplique) uma nova e catastrófica intromissão dos militares na vida política. Não foi coisa que não fosse aventada pelos círculos mais conservadores da sociedade brasileira, face à última vitória eleitoral de Dilma.

Com o sistema político e constitucional atual em acelerada derrocada o futuro do Brasil é uma situação enigmática mas, acima de tudo, preocupante.
O 'impeachment' de Dilma, tendo sido um golpe palaciano (Congresso), não clarificou a situação política, nem abriu caminhos de futuro e, pelo contrário, adensou as negras perspectivas do provir deste grande País.

Falhas na Internet

As sucessivas falhas da Internet têm-me impedido o contacto com os leitores, mas não faltam motivos para o diálogo num período em que as cerimónias pias preenchem os noticiários e as ameaça bélicas assustam créus e incréus.

Na Coreia do Norte o neto do fundador de uma exótica monarquia comunista parece ter fracassado no lançamento do último míssil e no continente americano o seu homólogo mais poderoso adiou o lançamento do próximo em direção ao local do fracasso.

Tão parecidos no corte de cabelo e na imprevisibilidade e tão próximos no desvario que os liga e nos assusta!