quarta-feira, setembro 02, 2015

Vão maus os tempos

Nem o relevante silêncio de Cavaco Silva ajuda à despoluição do ambiente infecto que se respira. Não faltam vuvuzelas a este governo, os saprófitas do poder, os avençados e os vírus que infetam as redes sociais ao serviço desta maioria e do PR que a democracia consentiu.

O pior governo democrático das últimas quatro décadas foi inepto a defender o interesse do Estado mas eficiente a destruir tudo o que podia numa agenda inquietante que o pior PR ungiu.

O que resta é uma herança trágica para cuja gestão não há recursos nem força anímica do povo que assistiu sem efetiva revolta, sem um grito, sem um sobressalto cívico.

Tolhido pelo medo, à mercê de quem dispõe das alavancas do poder que transferiu para privados, somos o povo que regressou à depressão cíclica que é seu apanágio histórico.

terça-feira, setembro 01, 2015

Dois pesos...

Por que motivo os factos relativos ao PM em funções são sistematicamente ‘esquecidos’ e os relativos a um ex-PM permanentemente lembrados ou presumidos?

segunda-feira, agosto 31, 2015

Notas Soltas - agosto/2015

Boys – O pagamento de favores aos amigos, através de colocações ministeriais, não foi exclusivo do Governo que vai terminar o mandato, é a lepra que corrói o respeito que os governantes deviam esforçar-se por merecer.

BES – Houve quem pensasse que a falência do grupo GES/BES nada custaria ao erário público. Falta saber, para além da tragédia da riqueza e dos postos de trabalho perdidos, se a solução de o deixar falir foi a melhor e quanto custará ao País. Reina silêncio.

Estado Islâmico – Com monótona regularidade, a violência é a marca do mais primário e cruel monoteísmo, vivido em suprema apoteoso pelo bando de facínoras de Maomé. A execução de mulheres é a pena das que recusam satisfazer os instintos sexuais do califa.

Hiroshima – Em 6 de agosto de 1945 foi lançada a primeira bomba atómica, sobre uma cidade japonesa. O cogumelo, que é a imagem de uma tragédia de proporções dantescas, ficou como símbolo do poder destruidor e da crueldade de que os homens são capazes.

Catalunha – A eventual independência serviria de rastilho para a divisão de Espanha e, a seguir, para reeditar na Europa velhas tragédias e novas disputas com nacionalismos à solta e o sangue a pingar em fervor patriótico. A ex-Jugoslávia não serviu de vacina.

Eutanásia – No dia 10 de agosto de 2001, a Holanda foi o primeiro país a legalizar este direito que nos interpela e assusta mas que, cada vez mais, se assume como um direito individual que deve ser ponderado, aprovado e regulamentado.

CDS – A irrelevância do partido afasta Paulo Portas do palco principal dos debates das próximas eleições legislativas. É duro, para quem sabe ter outro arcaboiço político, ver-se como mero acompanhante de luxo de quem a roleta política fez PM.

Migrações – A tragédia das multidões que fogem à guerra, à violência tribal e à fome é a vergonha que põe à prova a incapacidade da Europa para encontrar soluções. Não há recursos nem autoridade global que evite o êxodo caótico e a colossal perda de vidas.

Turquia – A repetição de eleições vai permitir a Erdogan, a quem a Europa e os EUA renovaram sucessivamente o diploma de “muçulmano moderado”, a maioria necessária para abolir a herança laica de Atatürk, perseguir os curdos e acelerar a reislamização.

Espanha – A obsessão do Estado Islâmico, que não desiste de considerar o país como o Al-Andaluz, não deixa esquecer a matança de 11 de março de 2004, quando uma célula dos jihadistas fez explodir quatro comboios na estação de Atocha, em Madrid.

EUA – O multimilionário Donald Trump é o candidato republicano mais popular e quer deportar todos os imigrantes ilegais. A violência xenófoba e o primarismo cultural são o perigo que ameaça o país e, se for eleito, a Humanidade.

China – A abertura à liberdade religiosa, que implica respeito pelos crentes, descrentes e anti crentes, é um primeiro passo no caminho da democratização. A patologia maoista cede, infelizmente empurrada pela esquizofrenia capitalista.

Incêndios – Com a falta de água e o país a arder vorazmente, ninguém se interrogou sobre as negociações que não tem havido com Espanha de cujas bacias hidrográficas Portugal depende em cerca de 30 a 60% das necessidades, consoante os anos.

Bolsas – O vendaval  que vem da China é uma tempestade que ameaça assolar o débil crescimento das economias europeias que não se ressarciram ainda da quebra causada pela crise mundial das dívidas soberanas.

União Europeia – A humilhação da Grécia, longe de resolver os problemas europeus, aumentou a vulnerabilidade das democracias e robusteceu os partidos de extrema-direita que já começaram a subir ao poder. 

Maria Luís – A ministra das Finanças, ao atacar o programa do PS, dizendo que não o leu, pode parecer idiota mas no partido confiscado por quem fez de Passos Coelho PM, colocou-se em boa posição para o substituir.

Tribunal Constitucional – Ao admitir a referência confessional ao novo pseudónimo  do Portugal Pró-Vida (PPV), agora ‘Partido Cidadania e Democracia Cristã’, ao arrepio da anterior jurisprudência, a CRP sofreu a entorse que legitima, por exemplo, um futuro Partido da Democracia Muçulmana (PDM).

Grécia – Os resultados eleitorais, duas semanas antes da consulta portuguesa, influirão na decisão nacional. Talvez isso explique a insólita e irrelevante atitude de Cavaco Silva a censurar e ridicularizar o partido que atualmente governa o País.

Alemanha – Com a União Europeia sem um projeto comum, foi generosa a lidar com a vaga migratória mediterrânica. A Sr.ª Merkel, por mais anticorpos que tenha gerado, é a dirigente europeia com mais sentido de Estado.

Brasil –A queda do PIB (1,9%) no segundo trimestre levou-o à recessão. A queda do preço do petróleo e a corrupção trouxeram agitação social e caos político. A primeira vítima pode ser a democracia, com a Colômbia e a Venezuela também em perigo.

PR – Em vez de procurar acabar o mandato com dignidade, permanece fiel a si mesmo, na ingerência no processo eleitoral que se aproxima, sempre ao lado do Governo.

Novo Banco – O futuro dirá se a decisão tomada foi a que mais interessava ao País ou se foi puro aventureirismo da nefasta agenda ideológica deste Governo.

Paulo Rangel – O líder dos eurodeputados do PSD afirmou que “Se o PS estivesse no poder, Sócrates e Salgado não seriam investigados”. O truque político não revela apenas baixeza ética, é ofensa gratuita às magistraturas e um insulto à separação de poderes. 

sábado, agosto 29, 2015

A frase

«Se o PS estivesse no poder, Sócrates e Salgado não seriam investigados».

(Paulo Rangel, eurodeputado do PSD)

Pergunta: As magistraturas não reagem?

Factos e documentos

«O número de refugiados e migrantes que atravessaram o Mediterrâneo neste ano já ultrapassou os 300 mil»

(Porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os refugiados)

sexta-feira, agosto 28, 2015

Cavaco Silva e as eleições

Cavaco, a descansar do infatigável apoio a este governo, na vivenda algarvia Gaivota Azul cujos contornos de aquisição se desconhecem, continua a interferir nas eleições que se aproximam e a pretender condicionar a opção livre dos eleitores.

Nem a destruição acelerada, e celerada, da Segurança Social, com que o governo de que é fiel servidor já ameaçou os portugueses, o demove do apoio pertinaz. Nem a qualidade de economista o inibe face à promessa de plafonamento dos descontos para a SS, a fim de a inviabilizar e entregar à iniciativa privada, caso esta maioria se mantivesse.

É por isso que as próximas eleições, inquinadas pelo medo e terrorismo que esta direita exerce através da comunicação social que domina e das redes sociais onde infiltrou os especialistas da sua central de intoxicação, não se destinam apenas a criar condições para um governo mais competente e patriótico, o que não é difícil, mas para repudiar a pior maioria, o pior governo e o pior PR depois do 25 de Abril.

Ontem CS ainda teve tempo para umas diatribes contra o Governo grego ao nível de Nuno Melo, o solitário eurodeputado do CDS, revelando o défice democrático e a falta de sentido de Estado que o exornam.

É preciso topete para censurar e ridicularizar um governo democrático de um país da União Europeia!

quinta-feira, agosto 27, 2015

UM FEITO GLORIOSO DA NOSSA HISTÓRIA

Passam hoje exatamente onze anos sobre um dos feitos mais gloriosos da nossa Marinha. Em Agosto de 2004, um navio – que ficou para a História como “Barco do Aborto”- tripulado por mulheres pertencentes à associação subversiva “Women on Waves”, que propagandeava a legalização da interrupção voluntária da gravidez, ameaçava invadir as nossas águas territoriais.

Porém, a ameaça foi heroicamente repelida pelo então ministro da Defesa, Dr. Paulo Portas, que enviou um navio da Armada para impedir a invasão. As nossas forças saíram vitoriosas!

Depois, à cautela, o Dr. Portas comprou uns submarinos, a fim de ficarmos mais prevenidos contra futuras ameaças do género.

Lamentavelmente, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, dando razão ao vício contra a virtude, veio mais tarde a condenar o Estado Português por ter proibido a entrada do barco nas nossas águas territoriais.

Seja como for, ficou salva a honra da Pátria! O Dr. Paulo Portas ganhou um lugar na História, ao lado de D. João de Castro e Afonso de Albuquerque! Merece ir para o Panteão. Já!

Momento Zen de quarta

João César das Neves (JCN), aka Beato João César, é um sério caso de estudo. As suas divertidas homilias, no DN, primeiro à segundas-feiras (Momento Zen de segunda) e agora às quartas, sofreram uma alteração temática assombrosa depois da chegada ao Vaticano do papa Francisco. As citações bíblicas, as diatribes contra o divórcio, o horror à IVG, as manifestações de homofobia e outras pias obsessões, mais dolorosas do que os picos do cilício, que ruborizavam  os crentes e hilariavam os incréus, deram lugar aos temas económicos.

Curou-o da obsessão mística o atual papa, de quem foge de invocar o nome como o seu demónio da cruz, e passou às homilias laicas onde alterna entre o envergonhado a apoio a Passos Coelho e previsíveis afirmações do economista de direita, ex-assessor do Prof. Cavaco e ora catedrático na madraça romana do ensino superior, em Palma de Cima.

Na homilia laica de ontem, JCN, sob o título «Horror àsprivatizações» diz que “Certas vozes porém [sic], sobretudo na esquerda, insistem no repúdio liminar, em cartazes, inscrições e petições” e acrescenta, sem provar, “que o mais curioso é que isso subverte a sua [da esquerda] própria posição doutrinal”. Um homem de fé dispensa argumentos.

Quanto à TAP, afirma: «Alguns casos são mesmo caricatos: os activistas que se têm esforçado para comover a população acerca da perda da "nossa" TAP, certamente não consideram bem o que dizem.
A companhia aérea é pública desde a sua fundação, mas o povo português pagou, com os seus impostos, fortunas colossais para manter esse "privilégio". No momento da venda, a dimensão da dívida e o reduzido encaixe do Estado mostraram bem como o negócio era ruinoso». ‘Era’ ou foi?

“O facto de se tratar de produtos essenciais à vida social [sic], aliás duvidoso em muitos casos, levaria também a nacionalizar padarias, habitações e pronto – a – vestir. Os verdadeiros bens de primeira necessidade estão entregues à iniciativa privada desde sempre, sem que isso gere problemas”, diz .

Para JCN, as comunicações, energia, saúde, educação e água devem ser bens de luxo e a privatização da Galp, PT, ANA, Correios e Águas de Portugal, v.g., estarão agora bem entregues! Sobre essas privatizações é omisso.

O momento Zen de quarta, termina em apoteose: “. Na oposição militante à venda de empresas públicas mal geridas, os movimentos de esquerda manifestam estar dominados, não pelos interesses da população, e ainda menos dos proletários, mas pelas conveniências de um funcionalismo burguês, fingindo-se revolucionário”.


Ámen! 

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, agosto 26, 2015

Laicidade traída


A FRASE

O senhor de la Palice não diria melhor!

«A agressão que ocorreu na sexta-feira podia ter degenerado numa carnificina monstruosa e é a prova recente de que temos de nos preparar para outros ataques e, assim, protegermo-nos a nós próprios».

(François Hollande, sobre o ataque falhado ao comboio entre Paris e Amsterdão)

Fonte: DN – hoje, pág. 10.

sexta-feira, agosto 21, 2015

As eleições que aí vêm

O ruído introduzido pelas eleições presidenciais torna-se insuportável para quem deseja, nas legislativas, julgar esta maioria, este Governo e este PR, largamente protegidos pelo controlo da comunicação social e infiltração, nas redes virtuais, de agitadores treinados nas madraças da direita e com experiência na campanha que de Passos Coelho fez PM.

A esquerda, dilacerada pela legítima disputa eleitoral, constitui um trunfo acrescido para a minoritária direita, confiscada pela sua ala radical. E, se não bastassem as malfeitorias desta direita da direita, a eleição presidencial ameaça quem se opõe à pior maioria, ao pior Governo e ao pior PR do regime democrático, com um duelo que fará sangrar quem pretende para o país um novo rumo e, na direita, a derrota dos extremistas liberais.

É inevitável a crispação entre as candidaturas de Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém e o aproveitamento da direita num terreno onde já tinha posto a sua lebre, Henrique Neto,  a fazer ruído.

O meu candidato é o primeiro mas ninguém me verá criticar a outra candidatura  porque numa segunda volta prefiro engolir uma rã a digerir um sapo que a direita nos sirva.

Apostila – A mais antidemocrática expressão que é usada na guerrilha eleitoral é a de «partidos do arco do poder», como se houvesse partidos predestinados à governação e os ostracizados, numa manifestação de desrespeito pela democracia política, a única, aliás, que respeito e defendo.