quinta-feira, março 05, 2015

Eu pecador me confesso…


Retrato-me [Retracto-me, antes do novo AO]. Sei que os amigos deste Governo e deste PR sofrem com as injustas apreciações que lhes são feitas. Peço particulares desculpas aos meus leitores que ficam destroçados quando veem beliscar Cavaco Silva, o melhor presidente de Portugal, depois de Jorge Sampaio, e Passos Coelho cuja comparação só encontra rival em Pimenta de Castro ou Santana Lopes.

Para alegrar todos aqueles que anseiam por uma revisão da CRP que permita a Cavaco um novo mandato e a Passos Coelho prolongar por quatro anos o atual, sem necessidade de novas e inúteis eleições, vou dizer deles o que nem os avençados ousam.

Cavaco foi um excelso professor, obrigado a faltar às aulas para levar a palavra a alunos de uma Universidade particular, um chefe de família que, a pensar nos netinhos, mercou ações da SLN fora da Bolsa para arranjar um pecúlio, o patriota que viu em torcionários da Pide os relevantes serviços prestados à Pátria, o erudito que descobriu em Saramago um reles comunista sem respeito pela pontuação e pela Virgem Maria, e que acabou por se ver reconhecido, como catedrático de Literatura, pela Universidade de Goa.

Cavaco foi o homem que Marcelo, Júdice e Santana Lopes descobriram para governar Portugal tal como a Providência havia descoberto Salazar, segundo disse a Cerejeira a Irmã Lúcia. Devemos ao Professor Doutor Cavaco Silva, para quem o Prof. Alfredo de Sousa descobriu um decreto para o elevar a catedrático, o melhor ministro europeu dos Negócios Estrangeiros, em golf, João de Deus Pinheiro. Foi este, aliás, que lhe relevou as faltas numa universidade Pública, enquanto espalhava a palavra na privada.

Cavaco, já em estudante era um homem respeitador da ordem e temente a Deus, que não hesitou, numa ficha que preencheu na Pide, em alertar a benemérita polícia para a pouco recomendável mulher do sogro com quem, aliás, fez questão de realçar que não privava.

Devemos a Cavaco o atual Governo que exauriu o País, certo de que a riqueza prejudica a alma e corrompe o carácter. Relvas, Marco António e Passos Coelho salvaram o País. Os recalcados nem sequer viram a sensibilidade do PR a apreciar o sorriso das vacas açorianas ou a generosidade de Passos Coelho a pagar à Segurança Social uma dívida já caducada e que ninguém lhe tinha dito que era para pagar.

Espero com este texto ressarcir-me do jacobinismo de que sofro, moléstia que me ficou do berço, do veneno republicano, laico e democrático que me foi derramado e ao qual o batismo canónico não serviu de antídoto. Por isso o senhor bispo da Guarda se recusa a retirar-mo.

Aos amigos de Cavaco e Passos Coelho reitero as desculpas de quem não viu neles as excelsas figuras que são e que ora exorno com os encómios que merecem. Cavaco é tão grande como Américo Tomás e Passos Coelho como Santana Lopes, apesar de não ter tido tempo para tirar um curso numa universidade pública, afadigado a preparar-se para o poder na madraça da JSD.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, março 04, 2015

Um lapso, como dirá Marco António


Troca da declaração de IRS pelo pedido do subsídio de reinserção de ex-deputado.

Os novos pobres

Enquanto choramos os pobres que o desemprego lançou na miséria, os jovens que não acham um posto de trabalho e os emigrantes que levam um diploma na mala de cartão, rumo a outro país, esquecemos os novos pobres que a Justiça lançou na indigência.

São mais merecedores de dó os últimos, antigos membros de Governos, ex-banqueiros que patrocinaram partidos políticos, ministros, deputados e até o PR.

Quem pode ser indiferente ao atestado de pobreza que Oliveira e Costa foi obrigado a pedir ou à inexistência de quaisquer bens na família Espírito Santo, cuja divindade do apelido não a protegeu da indigência legal?

Quem é tão insensível que não se comova com a situação precária do atual PR a quem o anterior Governo cortou a acumulação das pensões de reforma com o salário da função? Sem os 40% do vencimento presidencial, referentes a despesas de representação, talvez não pudesse cumprir os compromissos! E, na sua nobreza, cala as dificuldades próprias e só se preocupa  com «os muitos milhões de euros que saem da bolsa dos contribuintes portugueses» para os caloteiros gregos que não os podem pagar. Que patriotismo!

O pobre, que nunca deixará de o ser, só perde a refeição que lhe resta. Um rico perde os amigos, a fama e a fortuna. Imagina-se a amargura dos banqueiros saídos dos governos do PSD, multados, inibidos de exercer funções, constituídos arguidos, expostos à crítica dos lesados da SLN, dos investidores de papel comercial, obrigações e ações do BES ou de insignificantes acionistas do BCP, Banif, BPN ou BPP, arruaceiros e exigentes?!

Veja-se a diferença entre um pobre que ri por entre dentes perdidos, coberto de cartões, sobre a soleira de uma porta, e o ar grave e sofrido de um banqueiro sujeito às perguntas impertinentes de um deputado comunista. Ao primeiro não se exige sequer que saiba ler e ao segundo exige-se que recorde cada milhão de euros que acautelou em offshores.

Pobres ricos!

terça-feira, março 03, 2015

Factos & documentos


PSD/ PPD/PPC*



Quando o principal partido do Governo trata a verdade e a gramática como os jihadistas os prisioneiros, não podemos admirar-nos de que o PM desconhecesse que as prestações à Segurança Social fossem para pagar ou que a Declaração de rendimentos de deputado,  após terminar o respetivo mandato em 1999, fosse de entrega obrigatória no Tribunal Constitucional.

O PSD, no exercício legítimo da propaganda eleitoral que a democracia lhe consente, e a que aderiu depois do 25 de Abril, publicitou a isenção de taxas moderadoras, no S. N. S., a todos os menores de 18 anos.

O exagero publicitário é uma refinada mentira e o atropelo à gramática é clamoroso. Um e outro estão ao nível deste Governo, desta maioria e do seu delegado em Belém.

« TRATAM-SE DE SEIS MILHÕES DE PORTUGUESES » [sic], como se houvesse 6 milhões de jovens com menos de 18 anos; e a gramática sai tão ferida como os direitos dos trabalhadores.

Onde está «TRATAM-SE…» devia estar «TRATA-SE…», se a língua de Camões lhe merecesse mais respeito do que os direitos dos trabalhadores.

PPC* = Pedro Passos Coelho

Um desenho vale por muitas palavras


segunda-feira, março 02, 2015

Efemérides - só desgraças

Só desgraças…

Depois de ter percorrido maus caminhos que me levaram a execrar este Governo, esta maioria e este PR, tive uma epifania. Felizmente.

É neste estado de graça, que o ADN certamente não me vai deixar prolongar, que evoco as efemérides do dia de hoje, 2 de março, através de vários Anos da Graça:

1821 – A elaboração da Constituição Liberal conduziu à extinção da censura prévia, há 194 anos. Este atropelo ao direito divino e absoluto abriu portas ao liberalismo, à perda da fé e à dúvida sobre a legitimidade do poder absoluto e vitalício para, finalmente, pôr em causa a via uterina como fonte de legitimidade.

1833 – A generosa ofensiva do Sr. D. Miguel para enforcar todos os inimigos da fé e da monarquia absoluta, ajudado por todos os párocos rurais e a totalidade dos membros do cabido da Sé de Coimbra, foi repelida nas linhas leste e noroeste do País pelas tropas do irmão, maçon e jacobino, D. Pedro IV. Deus, cuja ajuda fora prometida pelos párocos e bispos, esteve alheio à guerra civil. A virtuosa Senhora D. Carlota Joaquina já levava 3 anos de defunção e não assistiu à trágica derrota que pôs fim às aspirações miguelistas.

1895 – O liberalismo tinha feito o seu percurso deletério e, assim, abriu caminho para o Congresso do Partido Republicano, em Lisboa. A polícia impediu a reunião mas no dia seguinte é eleito o diretório: Eduardo de Abreu, Jacinto Nunes, Magalhães Lima e Gomes da Silva, maçons e democratas, isto é, inimigos da tradição e dos bons costumes.

1919 – Começa o Komintern, em Moscovo, congresso que origina a III Internacional.

1937 – O México nacionaliza a indústria petrolífera.

1956 – A França reconhece a independência de Marrocos.

1977 – Cimeira dos dirigentes do eurocomunismo em Madrid. Santiago Carrilho, de Espanha, George Marchais, de França, e Enrico Berlinguer, de Itália, definem a aproximação à social-democracia europeia.

Atenção jihadistas!

Jihadistas que frequentam este blogue, não perdoem a António o desenho insultuoso que os fere. Vive da provocação. Colocou um preservativo no nariz de João Paulo II, um santo a quem se deve a teologia do látex, um benemérito que protegeu Pinochet, uma santa alma que, depois de morto, curou a doença de Parkinson a uma freira e se recusou a curá-la a si próprio, em vida.

António é pior do que os cartunistas do Charlie Hebdo!

Quando...

Quando …

- o PR esquece o notariado onde fez a escritura da vivenda de luxo que o Sr. Teodoro das Bombas jamais imaginou para o filho;

- o PM esquece as dívidas à Segurança Social e só as paga, depois de prescritas, porque se soube;

- o Vice-PM tem um longo passado de substituições sucessivas da declaração de IRS, à medida que os jornais se referiam à empresa Amostra e à falta de suporte legal dos pagamentos das sondagens ;

- a ministra das Finanças coloca altamente o marido, despedido do Diário Económico, na EDP, empresa que ela própria privatizou;

urge acusar a Grécia dos desmandos herdados de um Governo da mesma linha política, para se esconder a decadência ética autóctone.


domingo, março 01, 2015

NOTAS SOLTAS - FEVEREIRO-2015

Grécia – A falta de solidariedade da União Europeia tem mais de ideológico do que de pragmático. Perante uma dívida que todos sabem impagável não é apenas a Grécia que abre falência, é a União Europeia que se suicida.

PM – O desprezo da luta grega de Alexis Tsipras e Yanis Varoufakis, quando Portugal é a vítima que se segue, deprimido pelo peso da dívida insustentável, revela a diferença ética, cultural e política que o separa dos dois patriotas gregos.

Alemanha – A ministra portuguesa das Finanças, a tirar uma foto com o seu homólogo alemão, foi a mascote de Schauble para desafiar a Grécia, abdicando da dignidade que restava a Portugal, submerso pela crise da dívida soberana e com a pobreza a aumentar.

Serviços Secretos – A supervisão de Paulo Mota Pinto, que aceitou deixar as funções e voltou, depois de falhar a sinecura no BES, revela o declínio ético de serviços sensíveis, onde se atropelam direitos e traficam influências, com ilegalidades e suspeitas.

PR – O silêncio, face à denúncia de corrupção, violação dos segredos de Estado, abuso do poder e acesso ilegítimo a dados pessoais pelo superespião J. Silva Carvalho, cuja audição foi impedida pela maioria, na AR, inquieta os defensores do Estado de direito.

A. R. – Os deputados que votaram, por unanimidade, a transladação de Eusébio para o Panteão Nacional, subverteram a honraria, à semelhança do que aconteceu com Amália Rodrigues, e tornaram gritante a omissão de Saramago, Salgueiro Maia ou Sá Carneiro.

Economia – Desmentindo a propaganda, «Portugal apresenta desequilíbrios excessivos que exigem ação política decidida e monitorização específica», segundo advertência do Comissário Europeu dos  Assuntos Económicos, Pierre Moscovici.

Comissão Europeia – O novo presidente, Jean-Claude Juncker, ex-líder do Eurogrupo,  declarou que a "troika é pouco democrática, falta-lhe legitimidade" e "Pecámos contra a dignidade dos povos, especialmente na Grécia e em Portugal e muitas vezes na Irlanda". Um Governo patriótico retirava conclusões e exigia ser ressarcido.

Tratado Orçamental – O Governo grego tornou-se popular para os cidadãos europeus, não pela ideologia mas pelo pragmatismo, provando que o rumo atual atira a UE para o precipício. Aparecerão forças e governantes diferentes para evitarem o suicídio?

Partido Democrático Republicano (PDR) – O novo partido tem como cara e ideologia o ex-bastonário da Ordem dos Advogados. Por mais azedume que provoque, pode ser a charneira do espetro partidário. Não espantará que venha a ser o 3.º partido mais votado.

PSD/CDS – O preparação de listas conjuntas revela bem o medo do julgamento eleitoral. O CDS evita tornar-se irrelevante e o PSD beneficia do método de Hondt para atenuar a dimensão da derrota. É o fim do pior Governo, maioria e PR do regime democrático.

Vaticano – A atribuição do barrete cardinalício ao patriarca de Lisboa, tradição desde o século XVIII, levou a Roma um luzido séquito, a assistir à criação do solitário cardeal, chefiado pelo vice-PM Portas, o membro do Governo mais calejado em atos pios.

Líbia – Assolada por lutas tribais, com dois parlamentos, duas capitais e dois Governos, um nacionalista e outro islâmico, regressou à Idade Média e ao califado. Entre a Tunísia e o Egito, o Mediterrâneo trará para a Europa mais vagas de refugiados e jihadistas.

Islão – Perante a impotência da Europa e dos EUA, frequentemente responsáveis, como obsoletos cruzados, do Iraque à Líbia, da Síria à Nigéria, os cristãos vão desaparecendo, degolados ou foragidos, numa espiral de violência sectária que já invadiu a Europa.

Ucrânia – O alvoroço com que os europeus apoiaram a destituição de um déspota eleito democraticamente, numa provocação gratuita à Rússia, que a Nato insiste em humilhar, criou a situação perigosa cujo desfecho será a desonra ou a tragédia da UE.

Espanha – A oposição de Rajoy contra a troica revelou-se sensata. A pressa de Passos Coelho, recusando o PEC-IV e ansiando pela troica, é a nódoa que perseguirá os que deviam vigiar-lhe a inexperiência e defender os interesses de Portugal.

António Gentil Martins – O ex-bastonário da Ordem dos Médicos, distinto cirurgião pediátrico, designou o S.N.S. de «feito histórico irresponsável». O incurável salazarista e eterno adversário do SNS continua insensível à dívida ao «feito histórico».

Venezuela – Um governo eleito democraticamente perde a legitimidade quando prende e persegue adversários políticos. As dificuldades criadas pela drástica descida do preço do petróleo não servem de desculpa à repressão e a declarações místicas e ridículas.

José Luís Terreiro – Na perda do amigo da juventude, associo-me à dor da viúva e dos filhos, homenageando o primeiro presidente da Comissão Administrativa do Concelho de Almeida depois de termos derrubado o último edil da ditadura. Até sempre.

Estado Islâmico – É o estado do Islão, com decapitações, assassínios, homens a arder em jaulas, ao som de gritos selvagens, “Deus é grande e Alá o seu Profeta”, e, por fim, a queima de livros e a ruína de três mil anos de história preservados no Museu de Mossul.

Alemanha – O Acordo de Londres de 27 de fevereiro de 1953, sobre a dívida alemã da guerra, adotou três princípios fundamentais: 1. Perdão/redução substancial da dívida; 2. Reescalonamento da dívida a longo prazo; 3. Condicionamento das prestações à capacidade de pagamento do devedor. Entre os países que perdoaram 50% da dívida alemã estão a Espanha, Grécia e Irlanda. Ironia da História!

Passos Coelho – Apanhado no incumprimento das prestações contributivas à Segurança Social, durante 5 anos, o atual PM atribuiu culpas à S.S., que não o avisou. Pior do que a forma como então se governava é a forma como agora governa.

Paupérrima abordagem da emigração jovem…

Uma outra notícia que caiu em cima de nós este fim-de-semana foi a recente ‘descoberta’ da ministra das Finanças.

Maria Luís Albuquerque revelou que o desemprego jovem – com valores extremamente elevados - não é problema nacional porque os jovens têm o Mundo à sua espera link.

Assim, devemos assistir em breve ao espantoso dislate de que este Governo ao implementar medidas de austeridade que atirararam a economia para uma profunda recessão, acompanhada de um galopante desemprego, mais não fez do que criar oportunidades aos jovens portugueses para se ‘internacionalizarem’ nos mercados de trabalho.
Só faltará dizer que foi este Governo que conseguiu abrir no espaço europeu à livre circulação de pessoas. Só falta contabilizar este novo ciclo de emigração como uma exportação. Será uma tarefa para o mistificador Paulo Portas utilizar nas suas recorrentes tiradas silogísticas com o ar de ‘sabichão’.

Já sabiamos que Portugal na sua gesta dos descobrimentos deu novos Mundos ao Mundo e agora ficamos a saber que a recessão, a falta de investimento na economia e uma brutal taxa de desemprego, feita sob uma pressão orçamental sem controlo nem timings, não passa de uma estratégia com vista à ‘mundialização’ da juventude. Uma espécie de desculpa esfarrapada que se encaixa nos retrocessos civilizacionais em curso.

Ontem, a ministra defendeu uma espécie de ‘neo-nomadismo’ para tentar aligeirar uma tragédia que se anuncia e avizinha: a fuga de massa crítica jovem indispensável para qualquer tipo recuperação económica. Pretendeu transformar os jovens - sem futuro - numa horde de recoletores que tem de vaguear pelo Mundo à procura de subsistência.

E esta ministra pertence aquele grupo político que publicamente (e pudicamente) bate repetidamente no peito jurando dedicação e entrega à Família e à Pátria. Simultaneamente, no doce recanto das suas convicções ideológicas, ajoelha-se piedosamente perante o altar da globalização e mecanicamente recita os salmos dos mercados (neste caso de trabalho). Um maléfico slogan sobre uma realidade trágica vestido com roupagens diletantes. Inconciliável e insuportável.
Com visionários(as) deste tipo não há País que resista. Porque é aí (no País) que reside a paternidade afectiva, cultural, histórica e de lugar que nos une, caracteriza e cria oportunidades. E nos confere identidade enquanto nos afirma enquanto Nação.

O que a ministra, ontem, defendeu foi a transformação de uma juventude emergente, preparada e reconhecidamente indispensável para promover um quadro de progresso e desenvolvimento, num grupo de descamisados, de itinerantes e incertos destinos …
Só faltou invocar as virtudes da mobilidade fácil e politicamente útil  e colocar-lhes a mochila às costas como se fossem para um passeio de interrail.

É totalmente insuportável esta aleivosia. Os jovens portugueses não podem transformar-se num joguete dos mercados à custa da destruição de todas as suas raízes. Quem desta maneira absurda abdica dos jovens que não conseguem na sua terra trabalho condigno está com determinação e intenção a destruir o futuro do País. O empobrecimento foi-nos imposto do exterior sob o pretexto de um brutal e rápido 'ajustamento' e contou com dedicados e obedientes colaboracionistas internos como é visível face a estes arremedos pretensamente justificativos da trágica e injustificável debandada de jovens. Ocultar a realidade, i. e., as consequências de um resgate feito de maneira desastrosa, submissa, irrealista e sem sensibilidade política e social pode ser - como este caso revela - extremamente aviltante para os seus protagonistas.
Difícil e penoso é ter capacidade para tolerar a pobreza económica endémica associada a uma insidiosa e emergente pobreza de espírito dos governantes.
Pobreza em cima de pobreza é demais. É de fugir! 

Road show dos milagres

Foto de M. P. Maça

sábado, fevereiro 28, 2015

Notícias do meu País…

A notícia que invadiu hoje o País diz respeito à Segurança Social e refere o incumprimento das prestações contributivas do actual primeiro-ministro durante 5 anos (entre 1999 e 2004) link.

Claro que no País das prescrições (selectivas?) esta situação tal como outras que lhe foram imputadas em relação ao ‘caso Tecnoforma’ serão águas passadas e contas para assentar no tecto.
O facto do primeiro-ministro ter pago (na totalidade ou em parte) as prestações em atraso acarreta a impossibilidade (desistência) de invocar a prescrição. Portanto, com este gesto repositor, o caso em vez de resolvido, regressa à luz do dia em toda a sua plenitude.

É previsível o que ocorreria em situação similar a um vulgar cidadão. Acrescida do ‘rigor’ verificado no ‘ajustamento em curso’ – sustentado por tiradas político-filosóficas de Passos Coelho – as consequências seriam dramáticas de que não estariam a salvo, p. exemplo, a penhora da habitação.
Penso que não existirá um só português que aceite a desculpa do primeiro-ministro. Não pagou em devido tempo e como era devido e, agora, assaca a responsabilidade para a Segurança Social que não o terá informado atempadamente do seu incumprimento. A questão processual e burocrática que Passos Coelho pretende assacar à Segurança Social em termos de uma falha de notificação, nunca poderá esconder – ou justificar - o 'delito primário', i. e., o incumprimento das obrigações com a segurança social, um dever de todos os trabalhadores.

Mais uma vez Passos Coelho mostra a sua perplexidade em relação a estes 'strip-teases' que a imprensa vai revelando. Negou-se invocando púdicos motivos a fazê-lo em relação às contas bancárias referentes ao tempo de deputado e 'colaborador' da Tecnoforma e agora invoca o mesmo estatuto de reserva em relação às suas contribuições sociais.

Agora percebemos a hipocrisia de um Governo presidido por este (não notificado) infractor que pretendeu – em 2012 – ‘mexer’ na TSU … criando uma monumental indignação popular.

Bem, este novo imbróglio traz-me à memória a ‘Trova do vento que passa’ onde o poeta diz: “Pergunto ao vento que passa/ Notícias do meu País/ E o vento cala a desgraça/ O vento nada me diz”

O Islão e a teologia do cabotinismo

Pegue-se numa cópia grosseira do cristianismo, com laivos de judaísmo, e faça-se um manual terrorista ao gosto de um beduíno boçal de há 14 séculos. Intoxiquem-se nele os povos e constranjam-se, torturem-se os réprobos e aliciem-se os devotos com rios de mel e virgens ansiosas. Produzem-se dementes fanáticos, embrutecidos pela fé.

Algures, no que resta do Iraque, entre os rios Tigre e Eufrates, onde nasceu a escrita e a civilização teve berço, despertaram selvagens em estado místico, primatas adestrados no uso de utensílios e armas sofisticadas, aptos a recriarem o habitat da Idade do Bronze.

Um dia servem-nos decapitações; no outro, assassínios; depois, homens enjaulados a arder lentamente ao som de gritos selvagens: “Deus é grande e Maomé o seu Profeta”.

É fácil identificá-los pelo aspeto simiesco, desprezo das fêmeas, comprimento dos pelos nas trombas e, sobretudo, pelo desprezo da vida e ódio à modernidade.

Bandos ensandecidos, suspeitando da inspiração do demo na arte assíria, destroem, com marretas e martelos pneumáticos, obras únicas, três milénios de arte preservados no Museu de Mossul, com a sanha com que queimaram milhares de manuscritos e de livros raros na Biblioteca Municipal. Viram infiéis nos sumérios e assírios e quebraram tábuas de gesso com escrita cuneiforme, com mais de cinco mil anos; na cabeça esculpida, da época suméria, imaginaram o busto de Maomé com um turbante carregado de bombas e partiram-na; e, no boi alado com três mil anos, divindade assíria, adivinharam escárnio ao arcanjo Gabriel fabricado na rotativa do Charlie Hebdo, e reduziram-no a cacos.

Há, nesta tragédia cultural, na metáfora do mais perverso monoteísmo, um apelo à raiva, à revolta e ao repúdio civilizacional contra a barbárie.

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

Para que a memória não se apague… (Adaptado ao ano de 2015)

Faz no hoje, dia 27 de Fevereiro, 62 anos! Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs | Entre os países que perdoaram 50% da dívida alemã estão a Espanha, Grécia e Irlanda.

O Acordo de Londres de 1953 sobre a divida alemã foi assinado em 27 de Fevereiro, depois de duras negociações com representantes de 26 países, com especial relevância para os EUA, Holanda, Reino Unido e Suíça, onde estava concentrada a parte essencial da dívida. A dívida total foi avaliada em 32 biliões de marcos, repartindo-se em partes iguais em dívida originada antes e após a II Guerra. Os EUA começaram por propor o perdão da dívida contraída após a II Guerra. Mas, perante a recusa dos outros credores, chegou-se a um compromisso.

Foi perdoada cerca de 50% (Entre os países que perdoaram a dívida estão a Espanha, Grécia e Irlanda) da dívida e feito o reescalonamento da dívida restante para um período de 30 anos. Para uma parte da dívida este período foi ainda mais alongado. E só em Outubro de 1990, dois dias depois da reunificação, o Governo emitiu obrigações para pagar a dívida contraída nos anos 1920. O acordo de pagamento visou, não o curto prazo, mas antes procurou assegurar o crescimento económico do devedor e a sua capacidade efetiva de pagamento. O acordo adotou três princípios fundamentais:

1. Perdão/redução substancial da dívida;

2. Reescalonamento do prazo da dívida para um prazo longo;

3. Condicionamento das prestações à capacidade de pagamento do devedor.

O pagamento devido em cada ano não pode exceder a capacidade da economia. Em caso de dificuldades, foi prevista a possibilidade de suspensão e de renegociação dos pagamentos. O valor dos montantes afetos ao serviço da dívida não poderia ser superior a 5% do valor das exportações. As taxas de juro foram moderadas, variando entre 0 e 5 %. A grande preocupação foi gerar excedentes para possibilitar os pagamentos sem reduzir o consumo. Como ponto de partida, foi considerado inaceitável reduzir o consumo para pagar a dívida. O pagamento foi escalonado entre 1953 e 1983. Entre 1953 e 1958 foi concedida a situação de carência durante a qual só se pagaram juros. Outra característica especial do acordo de Londres de 1953, que não encontramos nos acordos de hoje, é que no acordo de Londres eram impostas também condições aos credores - e não só aos países endividados. Os países credores, obrigavam-se, na época, a garantir de forma duradoura, a capacidade negociadora e a fluidez económica da Alemanha. Uma parte fundamental deste acordo foi que o pagamento da dívida deveria ser feito somente com o superavit da balança comercial. 0 que, "trocando por miúdos", significava que a RFA só era obrigada a pagar o serviço da dívida quando conseguisse um saldo de divisas através de um excedente na exportação, pelo que o Governo alemão não precisava de utilizar as suas reservas cambiais. EM CONTRAPARTIDA, os credores obrigavam-se também a permitir um superavit na balança comercial com a RFA - concedendo à Alemanha o direito de, segundo as suas necessidades, levantar barreiras unilaterais às importações que a prejudicassem. Hoje, pelo contrário, os países do Sul são obrigados a pagar o serviço da dívida sem que seja levado em conta o défice crónico das suas balanças comerciais.

a) Marcos Romão, jornalista e sociólogo.


Ou muito me engano ou o que tem de ser tem muita força

A agressiva campanha negra contra a esquerda, em geral, e o PS, em particular, efetuada pela central de intoxicação que levou ao poder esta maioria e este Governo, não podem deixar de dar frutos. A central prosperou com este Governo e, talvez, com a apropriação partidária e privada dos serviços secretos cuja atuação tem violado a lei e a decência.

Além do medo da Justiça, os empregos asseguram lealdades e corrompem consciências. Não é impunemente que se passam quatro anos a deturpar a verdade e a inventar factos, na deriva que começou com Relvas, Marco António, Passos Coelho e outros comparsas, antes das últimas legislativas, para, num golpe de mágica, se dedicarem a novos patrões.

Este dado é irreversível. As difamações e calúnias em relação a dirigentes do PS não são movidas por qualquer razão ideológica da direita que, na sua ótica, mal por mal, prefere a vitória do PS a qualquer outra. O que move esta direita e os partidos à esquerda do PS é o espaço eleitoral que todos disputam.

À esquerda só o PCP tem vagamente consolidado o seu eleitorado. A direita, que quatro anos de governação deixam em pior estado do que o terramoto de 1755 a Lisboa, pensa em resistir o melhor possível para que o tempo e os escândalos que cria façam esquecer este governo como foram esquecidos já os de Durão Barroso e Santana Lopes.

Cavaco Silva, apêndice em Belém deste governo, está a ser largado para não ser referida a cumplicidade nas próximas eleições. Nem a imolação ética lhe agradecem.

A esquerda, com a sua atomização partidária, contribuirá para que os deputados à direita precisem de muito menos eleitores para chegarem à AR. É no espaço central do espetro partidário que se perfila o PDR, o partido que tem Marinho Pinto como cara e ideologia, alvo de azedume generalizado, que só o favorece. Pode ser a terceira força partidária.

Não me surpreenderia, embora pouco crível, que o PSD, com o seu apêndice mercantil – o CDS –, superasse o PS, tendo como certo que tal não sucede. Marinho Pinto lutará agressivamente para ser a charneira da próxima legislatura, única hipótese de lhe poder sobreviver. Se, como admito, vier a ultrapassar o PCP (não me venham falar de justiça e moral) o aliado natural é o PSD embora esteja mais longe dele do que do PS. O PS, sob pena de definhar, não se pode aliar ao PDR, com risco de forte erosão.

Com apoios de governos de direita, maioritários na Europa, não será surpresa absoluta a continuidade desta direita, sem este risível PM, e com o conselheiro de Estado, Cavaco Silva, a gozar o excelente negócio da permuta da Vivenda Mariani, na Casa da Coelha.

A vida pode ser muito injusta mas a política não o é menos.

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

A ingratidão portuguesa perante a Grécia


A Líbia, o Estado Islâmico e a Europa

A Líbia do exótico coronel Kadafi, cristãmente cedido para ser torturado e assassinado ao nível da mais refinada violência islâmica, deixou de existir. As hordas libertadoras arruinaram o país, que passou do Eixo do Mal ao do Bem, antes de acabar Péssimo. As tribos roubaram as armas químicas do arsenal do exótico ditador, o sofisticado material de guerra que acumulou e o petróleo que sustenta a formação do Estado Islâmico com que generais de Kadafi se vingam das milícias que os derrotaram, apoiadas no potencial de fogo dos ‘libertadores’.

No país que resta, afundado no caos, onde todos combatem contra todos, por entre um número indeterminado de tribos insubmissas e armadas, surgiram dois governos, um islâmico e outro nacionalista, com duas capitais, Tripoli e Tobruk, e dois parlamentos. O Estado Islâmico saiu à rua neste húmus onde semeia a palavra do profeta amoral e medra a jihad.

A anarquia e a violência são mais ferozes do que mulás furiosos a recitar o Corão. A Itália aterroriza-se com a fuga em massa que se vislumbra, ajudada ou estimulada por milícias líbias. A quinhentos km memorizam-se os versículos do Corão e treina-se o manejo de armas. Lampedusa poderá ser a Meca da viagem de tunisinos cheios de fome, ódio e fé.

A jihad virá a caminho do sul da Europa num movimento inverso ao do cristianismo, de Granada ao Algarve, com vários séculos de intervalo, burkas a caminho de Albufeira e cimitarras a brilharem nas praias da Andaluzia. Nasceu um «espaço vital», agora num território que expulsará Voltaire sob pressão da epidemia demencial criada por um beduíno analfabeto.

Entre a Tunísia e o Egito, o Mediterrâneo é a ponte para Itália, por onde passa um drama colossal que criará outro. A Itália não pode continuar sozinha, vítima dos dramas do outro lado do mar, com a Europa a ignorar os milhares de afogados que procuravam a sobrevivência e os que sobrevivem, com as vítimas da primavera árabe a desembarcarem no inverno europeu.

Ah! A União Europeia esquece-se do Chipre e da Grécia, esta com 227 ilhas habitadas, das 1400 que lhe deixam 14880 km de costa por onde se perde o rasto dos desesperados que podem chegar da Ásia, do Médio Oriente e, sobretudo, da África, invadindo a Europa num êxodo de fome e desespero onde não faltarão gregos.  

Ponte Europa / Sorumbático