quarta-feira, Julho 23, 2014

Ambos são inimigos


terça-feira, Julho 22, 2014

CPLP

Teodoro Obiang, figura sinistra a nível mundial, é presidente da Guiné Equatorial, país proposto, por concordância de todos os ministros dos Negócios Estrangeiros da CPLP, para integrar a organização que já totaliza os Países de Língua Portuguesa.

Teodoro Obiang, desde 1979 presidente do obscuro país, não é apenas uma referência odiosa do seu país, é um biltre de dimensão internacional que desconhece o significado dos direitos humanos e não é conhecido pelo domínio do idioma comum.

Talvez por isso, em Díli, que marca a transição da cimeira de Moçambique para Timor, os principais países fazem-se representar por figuras menores. Dilma Roussef envia, a representar o Brasil, o vice-ministro das Relações Exteriores; José Eduardo dos Santos o vice-presidente, em nome de Angola; e Portugal faz-se representar por Cavaco Silva e Passos Coelho.


A Madeira é do Jardim


O Governo e a ética republicana

A honradez é o paradigma do atual governo. Os concursos públicos passaram a ser a norma, embora as nomeações os precedam. Não é desonestidade, é pressa; não é uma ilegalidade, é tradição.

O antigo colaborador de Passos Coelho na Tecnoforma, Fernando de Sousa, ganhou um contrato de 2,5 milhões de euros  para “seleção, eliminação e inventariação de fontes documentais existentes nos Governos Civis”.

Por lapso, o concurso público foi posterior. Mas quem seria melhor do que Fernando de Sousa, o antigo colaborador da Tecnoforma, que ficou, só em 2003, com 82% do valor das candidaturas aprovadas a empresas da Região Centro, para selecionar, inventariar e, sobretudo, eliminar fontes documentais?

Acrescente-se que o ex-sócio maioritário da Tecnoforma refere que o atual PM chamou para os órgãos sociais do Centro Português para a Cooperação – organização  não governamental (ONG) financiada pela Tecnoforma – "pessoas com influência", como o então líder parlamentar do PSD, Luís Marques Mendes, Ângelo Correia e Vasco Rato (nomeado recentemente pelo Governo para presidir à Fundação Luso-Americana).

O programa Foral, financiados com fundos europeus, era tutelado por Miguel Relvas então secretário de Estado desse fugitivo PM e referência ética, Durão Barroso.

Fernando Pereira, dono da empresa, não se recorda se Passos Coelho trabalhava de graça, (antes de dar essa resposta mandou parar o gravador). PPC era deputado em dedicação exclusiva, na AR.

A entrevista de Fernando Pereira à revista Sábado, o «Económico» de 7 de maio e o DN de ontem, dia 21, pág. 18, explicam aos portugueses o que foi a defunta Tecnoforma e as relações dos figurantes que se mantêm solidários.


segunda-feira, Julho 21, 2014

CPLP - O dinheiro, o petróleo e a decadência ética

A adesão da Guiné Equatorial à CPLP não é uma aberração, é uma indignidade. Não é a língua comum que nos une, é a igualdade ética de quem aceita tal companhia.

O ferrete da infâmia não cai sobre o povo que somos mas sobre os decisores que temos. Há neste gesto uma desonra tão grande, uma vergonha tamanha e uma tal indignidade, que nos faz temer que os responsáveis portugueses por este alargamento da comunidade são capazes de perfilhar os valores de quem admitem no seu seio.

É o primeiro passo de passos a caminho do canibalismo.

O Governo da Guiné Equatorial respeita os direitos humanos como o de Portugal a CRP.


A infindável guerra israelo-árabe

Estar ao lado da Palestina e contra o Hamas não é incoerência, é uma obrigação moral. Condenar o sionismo e defender que Israel não deve estar debaixo da ameaça constante de uma organização que lhe recusa o direito à existência e mantém os seus habitantes sob a contínua ameaça de serem atingidos por um míssil lançado de Gaza, é um dever.

Não vale a pena repetir até à náusea que foi um erro entregar um território habitado aos crentes do mais antigo monoteísmo, um erro clamoroso da Inglaterra, URSS, EUA e de outros países vencedores da guerra de 1939/45.

E agora?

Deve permitir-se que Israel seja destruído, e expulsos os sobreviventes, à semelhança do que tem feito com a Palestina cuja iniciativa provocatória é o álibi de que precisa?

Nesta carnificina teocrática há critérios ideológicos e geoestratégicos que se afastam da lógica e se aproximam do petróleo, que acirram o racismo e recusam a paz, enquanto os terrorismos contrários se exacerbam numa lógica simultaneamente assassina e suicida.

Malditas religiões que desconhecem que alguns árabes são judeus islamizados e vários judeus são árabes judaizados, com uma crença tão grande na etnia como na divindade, incapazes de pensarem que uma etnia se arrisca a ser um grupo unido pelas falsidades partilhadas sobre os antepassados e ódios comuns em relação aos vizinhos, incapaz de resistir a um teste de ADN.

Pacatamente, no sofá das sujeições partidárias há quem cultive o maniqueísmo e o ódio, sem atribuir sequer 1% de razão aos que julga algozes ou 1% de maldade a quem tomou por vítimas, capaz de desejar a morte a quem deseja uma oportunidade para a paz.


domingo, Julho 20, 2014

As bruxas e a conspiração dos eletrodomésticos (Crónica)

O ano de 2001 não começou mal. O mês de janeiro não deixou cicatrizes no corpo nem no orçamento. Fevereiro era mês e 21 o dia quando a TV Cabo me deixou sem imagens.

Foram baldados os esforços para falar com qualquer colaborador. No Tel. 239-851050 diziam-me que o assunto era com a linha direta (808299499) que ao longo do dia esteve ocupada ou dirigida para um gravador onde aliviei a desolação.

Admiti que se encontrassem a seguir a imposição do barrete cardinalício a dois cardeais portugueses criados por Sua Santidade! Imaginei os funcionários genufletidos durante a bênção urbi e orbi de João Paulo II, a alegria de verem desfilar 44 barretes cardinalícios a caminho de igual número de cabeças de Suas Eminências, só não compreendia que os sublimes momentos tivessem sido recusados ao assinante que, em casa, aguardava o dia em que Portugal recuperou, de uma assentada, dois cardeais.

Perdi a promoção diretamente a cardeal do padre Avery Dulles, o único que ainda não era bispo, convertido do protestantismo ao catolicismo, bisneto de um presidente dos Estados Unidos e do fundador da CIA, filho de um secretário de Estado de Eisenhower.
Temi nunca mais ter a oportunidade de ver 152 cardeais juntos.

Perdi o brilho ímpar de 44 purpurados a desfilar na Praça de S. Pedro e o espetáculo da liturgia, certo de que nunca mais veria os milhares de devotos comovidos, sempre que a cabeça de um príncipe da Igreja recebia o colorido barrete, enquanto milhares de freiras e padres rezavam pela salvação do mundo.

Para ressarcir-me dos prejuízos materiais, os danos morais seriam irreversíveis, no dia seguinte pedi à TV Cabo uma cassete do tempo em que estive privado da programação integral das cerimónias de elevação a cardeal de 44 eminentes prelados e dos momentos mais significativos da atuação de Sua Santidade e dos altos dignitários do Vaticano.

Em resposta a tamanha adversidade, manifestada nos termos referidos, recebi uma carta, (ref.ª GCQ/224.01/NF, de 14-03-2001), do Eng.º Rogério Gomes, cuja inteligência e  humor, armas que sempre me derrotam, bastaram para esquecer os danos sofridos com o corte da emissão durante a consagração feita, de uma só vez, à maior caterva de cardeais da história da Igreja católica.

Transmiti logo a renúncia às exigências. A deceção fora, aliás, atenuada no dia 11, com a consagração de 233 beatos na maior beatificação da história da Igreja, que elevou para 471 as vítimas da Guerra Civil Espanhola beatificadas no pontificado de João Paulo II.

Dessa vez a TV CABO cumpriu, e esperei que não falhasse quando o Papa beatificasse a multidão de mártires piedosamente assassinados por Franco. Falhou o Papa.

Em abril começou a conspiração dos eletrodomésticos. Primeiro foi o aspirador, que já vinha dando sinais de cansaço, começou a fingir que aspirava e só fazia ruído, até exalar o último suspiro. Levei-o ao técnico e o diagnóstico foi demolidor. Entreguei-o para lhe fazer o funeral e comprei outro.

Depois foi o frigorífico, o congelador recusou congelar e o resto da capacidade regulou-se pela temperatura ambiente. Traiu-o, primeiro, a água que verteu e, depois, o odor que exalou ao abrir-se a porta do congelador. Aproveitou a noite e não teve cura.

Na casa de banho o radiador fundiu uma resistência e passou a debitar metade do calor. Na marquise a máquina de lavar roupa entrou em delírio com ruídos que acordaram o prédio e afastou-se do sítio reservado para a função, em trepidante deslise, até se deter contra uma grade de ferro e exalar aí o último suspiro durante a centrifugação.

Desse mês de abril salvou-se apenas o dia de todas as alegrias, o dia 25. O mês terminou com o aparelho de televisão, que censurou a criação dos cardeais, a recusar a ligação. Levei-a ao técnico que, após aturado exame, declarou que tinha dado o berro. Ainda lhe disse que não tinha ouvido o ruído, foi o cinescópio, foi à vida, esclareceu o técnico.

Entregou a alma ao criador, balbuciei, perante o seu assentimento. Claro que não creio em bruxas mas aquele mês de abril abriu a caixa de Pandora e promoveu a conspiração dos eletrodomésticos que se conjuraram contra o orçamento familiar.

Coimbra, 6 de julho de 2014    


sábado, Julho 19, 2014

A discussão do batismo na TVI

O objetivo da entrevista a um padre católico e a um ateu, destinava-se a esclarecer, por um lado, a diminuição drástica do número de batizados e, por outro, a legitimidade do batismo de recém-nascidos ou de crianças de tenra idade.

Os temas foram arredados do debate ou insuficientemente comentados por qualquer dos intervenientes. Nem sequer foi explicado o que é o batismo, um ritual de iniciação em várias religiões. Com o batismo – dizem os católicos –, liberta-se a criança do pecado original, naturalmente transmitido pela impureza feminina, e afasta do neófito o demo.

Assim, a cerimónia litúrgica atua como detergente para os pecados e como demonífugo para o maligno cuja existência ainda é reconhecida pelo papa atual, como se comprovou com o reconhecimento que fez recentemente da Associação Internacional de Exorcistas.

O batismo do adulto, além de perdoar o pecado original, confere as virtudes teologais e isenta de penas os pecados anteriormente cometidos. No fundo, a cerimónia do batismo, católico, luterano, anglicano, metodista ou da Igreja Reformada tem igual significação e procura, desde tenra idade, a integração no seio da Igreja respetiva.

Como ateu entendo que o batismo do lactente, da criança ou do adolescente não se deve praticar por dificultar a autodeterminação religiosa do adulto, mas defendo que cabe aos pais o direito de cujo exercício discordo. Judeus e muçulmanos têm um ritual iniciático mais tardio e cruento, a circuncisão, e todos pensam que a entrada na Religião é vitalícia e irrevogável, levando os islamitas o proselitismo ao ponto de a tornarem efetiva com a separação da cabeça do tronco, no caso de apostasia, um direito inalienável de todos os cidadãos.

Quanto à diminuição drástica do número de batismos em Portugal, considero três razões que enumero por ordem decrescente de importância quantitativa. Em primeiro lugar, a rápida redução da natalidade cujas razões são complexas e irrelevantes para este tema.

Em segundo, a progressiva secularização da sociedade com redução marcada da prática religiosa e dos constrangimentos sociais favorecidos pela concentração da população em meios urbanos.

E, finalmente, o empobrecimento acelerado das pessoas. A falta de recursos financeiros, praticamente desnecessários para o batismo, são essenciais para o batizado. O padre não recusa o batismo à criança de um pobre, mas este deixa de o festejar com a festa que lhe está associada, sem vitualhas necessárias, para que à liturgia pia se associe a festa pagã que, em conjunto, constituem o batizado.

Foi esta reflexão que faltou fazer e cuja opinião do padre católico teria sido interessante.

sexta-feira, Julho 18, 2014

Madeira – o régulo de um offshore à solta

A Madeira é um offshore da democracia e da decência cívica, com a cumplicidade dos partidos da direita e a cobardia dos da esquerda, prontos a defender o aprofundamento da autonomia contra um módico de vigilância democrática sobre o sátrapa autóctone.

Foi a ampla unanimidade partidária, sem oposição dos presidentes da República, que permitiu a um jovem salazarista tornar-se o chefe tribal, que, depois das bofetadas que um honrado coronel lhe aplicou, por ofensas às Forças Armadas, nunca mais respeitou os órgãos de soberania nacionais.

O Tribunal de Contas (TdC), rigoroso nas suas avaliações mas sem legitimidade para punições, condenou o Parlamento madeirense, presidido por Miguel Mendonça, por arbitrariedade na atribuição de subvenções parlamentares incomparavelmente superiores às dos Açores e da própria A.R..

O TdC pensa que «algo de muito errado e grave» acontece nas ajudas financeiras aos grupos parlamentares da região, que julga ser um Estado. Um deputado autóctone custa mais 75 mil euros do que um açoriano e mais 86 mil do que um deputado da República, «sendo a atividade parlamentar muito mais cara do que nos Açores e na AR juntos».

O TdC desafiou os deputados a apresentarem provas das despesas ou a demonstrarem o verdadeiro destino que deram ao dinheiro dos contribuintes, esperando que colaborem, em vez de se refugiarem com «variadas e inconsistentes desculpas». O TdC revelou ainda que «o dinheiro, em vez de ser depositado numa conta do grupo parlamentar e aplicado (…) ingressa nas contas dos partidos». Segundo o documento do TdC, revela-se insustentável “a sangria do dinheiro dos contribuintes para fins político-partidários».

Os dados, retirados de um artigo, não assinado, do DN, de 15 de julho, pág. 12, três dias depois ainda não mereceram uma tomada de posição do PSD, do Governo da República ou do PR, este preocupado com a importante viagem à Coreia do Sul.


Ninguém se preocupa com o sorvedoiro de dinheiros públicos na Madeira?

Uma pergunta impertinente…




Será pertinente Putin invocar as mesmas razões que levaram Israel a ‘justificar’ [mais] uma operação militar em território palestino (Gaza) link ao cenário criado pela UE e os EUA na Ucrânia link?

Associação Ateísta Portuguesa (AAP)


No programa do dia 17 de julho de 2014


quinta-feira, Julho 17, 2014

Associação Ateísta Portuguesa (AAP)

O padre e eu – TVI – 17-07-2014

Hoje estive mais de duas horas à conversa com um padre católico. Não é inédito, tenho padres amigos, mas não é frequente.

É um homem de 62 anos, afável, que andou mundo, de Timor à Bósnia, tenente-coronel capelão, conservador e tolerante.

Foi nos estúdios da TVI que nos demos a conhecer e, só os dois, ouvi dele confidências que não tenho o direito de revelar, nada que o diminua, apenas pela dúvida de ser assim a sua Igreja, embora polissémica.

No estúdio em direto, fiel às idiossincrasias eclesiásticas, julgou adivinhar o que pensa um ateu mas foi na negação desse Deus do Levítico e do Deuteronómio que vi que era uma pessoa de bem. Quando disse desse Deus da Igreja que é dele «essa não é minha Igreja», esqueceu a doutrina mas libertou o homem bom.

Não lhe ocorreram dois parágrafos do catecismo, em vigor, da Igreja católica:

«§121 – O Antigo Testamento é uma parte indispensável das Sagradas Escrituras. Os seus livros são divinamente inspirados e conservam um valor permanente, pois a Antiga Aliança nunca foi revogada».

«§123 - Os cristãos veneram o Antigo Testamento como a verdadeira Palavra de Deus. A Igreja sempre rechaçou vigorosamente a ideia de rejeitar o Antigo Testamento sob o pretexto de que o Novo Testamento o teria feito caducar».

É na heresia que os homens se entendem, sem o vírus da fé a separá-los. Foi-me grato o abraço espontâneo do padre católico, assoberbado com quatro missas diárias, mais uma do que é a permissão habitual. É um homem bom, não precisava da liturgia.

Falou da alegria da mãe dele a batizá-lo bebé, tal como um amigo meu a inscrever na Académica o primeiro neto, no dia do nascimento.


O Instituto para as Obras Religiosas (IOR), a máfia, os negócios e a santidade

O Banco do Vaticano, conhecido pelo pseudónimo de IOR, foi criado pelo quase santo Pio XII, com o pretexto de guardar esmolas das caixas e de outros recipientes pios onde os donativos, de quem queria lavar a alma, chegavam em quantias avantajadas.

Foi o papa Paulo VI, decidido a escapar ao cerco fiscal do Governo italiano, que exigiu “o pagamento de todos os lucros retroativos sobre investimentos, o que ultrapassava mil milhões de euros atuais”, que começou a expatriar grandes quantias de dinheiro do IOR.

Foi auxiliado pelo devoto banqueiro siciliano Michele Sindona, que controlava o envio de capitais da máfia, e pelo arcebispo Marcinkus, banqueiro de Deus. Sindona, dirigente do banco suíço Finbank e da Banca Privata Italiana, e Marcinkus controlaram “a mais maciça das exportações de capitais jamais ocorrida aos subterrâneos do Swiss Bank, em parceria com a Santa Sé”. Alargada a rede, Sindona e Marcinkus associaram ao tráfico outro banqueiro, Roberto Calvi, do Banco Ambrosiano.

Preso na prisão de alta segurança de Voghera, Sindona prometeu fazer revelações, mas morreu na sua cela, ao ingerir distraidamente café com cianeto de potássio. O inquérito sobre a morte concluiu que se tratara de suicídio. Deus não dorme.

Roberto Calvi suicidou-se, enfiando o pescoço no laço de uma corda dependurada numa ponte de Londres, suicídio que, após exumação, 16 anos depois, se demonstrou ter sido por estrangulamento em um terreno baldio, perto da ponte onde foi encontrado, e depois pendurado para simular o suicídio.

Na fraude do Banco Ambrosiano participou também Licio Gelli, que combateu ao lado de Franco, enviado por Mussolini, e foi informador da Gestapo na 2ª Guerra Mundial. Este amigo de Hermann Goering, tornou-se conhecido pelo envolvimento nas mortes de Aldo Moro, "Mino" Pecorelli, Roberto Calvi, João Paulo I e outros, além de numerosos comunistas. Acabou em prisão domiciliária, decerto dedicado à oração e à penitência.

Não se sabe se Deus existe e se perdoa, mas a máfia não desculpa, por maior que seja a devoção ou a generosidade pia dos padrinhos. Não surpreendeu, pois, que o arcebispo Marcinkus, reclamado para ser julgado em Roma, fosse protegido por João Paulo II, que negou a extradição pedida, evitando ao dileto a prisão e a si próprio alguma indiscrição que lhe dificultasse a canonização.

Há alguns meses, Francisco, o primeiro papa a ir ao coração da máfia calabresa, ousou enfrentá-la: “Aqueles que durante a vida escolheram a via do mal, como os mafiosos, estão excomungados”. A atitude inédita do papa, inverteu a política do IOR, sob pressão internacional, e perdeu provavelmente os melhores clientes.

A suspeita de que a Igreja católica beneficiou do ouro que os assassinos em série croatas roubaram às vítimas judias e sérvias possa ter ido para o Vaticano mantem-se graças à recusa em permitir o acesso aos seus arquivos, ao contrário do que fez o Governo Suíço, em relação aos seus bancos. A determinação do atual papa, em subtrair ao crime o IOR, pode esclarecer a suspeição referida, que se mantém sobre o offshore do Vaticano.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, Julho 16, 2014

Associação Ateísta Portuguesa (AAP)

Aproveito para informar os meus amigos de que estarei, amanhã, quinta-feira, dia 17, na TVI a opinar sobre o batismo das crianças, no programa matinal «Você», programa que não conheço.

Desde já adianto que sou contra a matrícula de crianças em religiões, clubes de futebol ou outras associações, mas defendo o direito dos pais a exercê-lo.

Christine Lagarde - Para memória futura


Os liberais e os anarquistas

Os liberais só se distinguem dos anarquistas porque não dispensam a polícia e o recurso à repressão. Uns e outros odeiam o Estado e, sobretudo, qualquer limitação aos direitos individuais. Há ainda um pequeno detalhe a favorecer os anarquistas, não enjeitarem a solidariedade.

Miguel Cunha Duarte, distinto e influente liberal que, certamente, prefere Friedemann a Keynes, escreveu na minha página do faceboock um comentário coerente com a ideologia que professa, com toda a legitimidade. Não discuto a sua fé nem a preparação académica, mas julgo demasiado importante a economia para a deixar à solta nas mãos de gestores.

Comentando o meu texto, «O primeiro-ministro e o presidente do Banco de Portugal mentiram», escreveu o seguinte: «Carlos, não existe quem defenda a existência de um banco público? É evidente que se existe um banco público, que faz empréstimos às empresas, quando existe uma falência de uma empresa esse custo recai sobre o banco em questão» [sic].

Para além de não ser «evidente», é espantoso esquecer que foram bancos privados e a especulação financeira que estiveram na origem dos «lixos tóxicos» e os culpados da maior crise financeira das nossas vidas. Não foram os bancos públicos.

Os EUA não saíram da grande depressão com o liberalismo económico, mas impuseram ao Chile a receita que precisou do torcionário Pinochet. Bush Jr. deixou falir o Lehman Brothers, de acordo com a usa bíblia neoliberal, e esse bater de asas provocou um tufão financeiro no Planeta. O Tea Party prepara-se para reduzir à miséria os desgraçados a quem Obama quis dar um mínimo de proteção na saúde.

Não basta a Miguel Cunha Duarte, formado em gestão por prestigiadas escolas, ter uma fé inabalável no mercado, porque, ao verificar que os particulares gerem mal os bancos, dá como receita acabar com os públicos. Eu, que não sou gestor, penso que é altura de o Estado pensar na nacionalização dos privados, mas não serei utópico e pensar que possa acontecer num só país, sobretudo no nosso, tão exposto ao exterior.

O Miguel não deu uma solução, receitou um veneno. Não, obrigado.

Apostila: Tenho afinidades com o Miguel Duarte, que não vêm a propósito, e a simpatia que varia na razão inversa das convicções sobre a economia, em geral, e o sistema bancário, em particular. Cabe aos leitores a opção na altura de exercerem o voto.