quarta-feira, Abril 16, 2014

Passos Coelho na SIC-N

Passos Coelho deu ontem uma entrevista de 1 hora à SIC-N, sem motivo, conteúdo ou objetivos, um pretexto para reafirmar que é primeiro-ministro, como se não sentíssemos o peso da sua impreparação e da ameaça ultraliberal que representa.

A única afirmação concreta, a novidade exclusiva da entrevista, foi o anúncio de que a “solução duradoura” que substituirá, no futuro, os cortes extraordinários nas pensões, será anunciada até ao fim do mês.

Lembrou o indivíduo que, sem quaisquer classificações para determinado emprego, foi a uma entrevista e, perguntado sobre a razão de estar ali, respondeu: «só vim dizer que não contassem comigo».


Iconografia da ditadura

Faltam 9 dias para celebrarmos o 40.º da data que venceu a mentira, a tirania e o crime.

Não queremos voltar ao ensino de excelência que produziu Barroso, Cavaco e o pai de Passos Coelho.

terça-feira, Abril 15, 2014

Os netos do salazarismo vingam os pais

Chegados ao poder, depois de assistirem ao silêncio magoado dos pais, derrotados em sucessivas eleições livres, os mais reacionários de sempre, estão aí para se desforrarem de 37 anos que, apesar dos solavancos, decorreram com o 25 de Abril como referência.

Hoje, carregados de ódio e ignorância, ressentidos com as conquistas dos trabalhadores e as liberdades conquistadas, querem vencer pelo medo os que ainda não se vergam, não se ajoelham e recusam andar de rastos.

Tiram-nos tudo, o direito à saúde, à segurança social e ao ensino. A saúde, esquartejada entre bancos e IPSS, o ensino entregue às sotainas e ao capital e a segurança social à mercê da sopa dos pobres e à caridadezinha, para quem não pode pagar seguros.

O problema é nosso, na placidez bovina com que lhes toleramos as ofensas aos militares de Abril, na mansidão com que mostrámos quando nos extorquiram os feriados do 5 de Outubro e do 1.º de Dezembro e deixámos que nos desafiassem com o roubo das datas identitárias.

Os portugueses deixaram de nascer com vergonha e medo dos que nos governam e, os que ainda vivemos no desassossego dos que nos querem mortos ou emigrados, somos incapazes de julgar o gangue do PPN, os partidos que ele subsidiou e as pessoas cujas campanhas eleitorais patrocinou.

“Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência?”, ou em latim, como o secretário de Estado que experimentou a reação dos portugueses  perante a transformação dos cortes provisórios das pensões, em definitivos: “Quosque tandem abutere, Catilina, patientia nostra” ?

Falta-nos um Cícero que nos convoque.


A opinião:

O presidente Cavaco Silva nunca usou cravo. E agora se percebe porquê. Porque antes do 25 de Abril foi salazarista. Embora tanto deva ao regime que resultou da Revolução dos Cravos. Mas só agora se compreende e a dois anos do fim do seu mandato e protetor de um governo, que em boa parte pensa como ele, a verdade vem ao de cima. Como sempre.

Mário Soares, hoje, no DN, pág. 55)


Por que motivo não me admiro?

Não, não é a sensibilidade que falta, a solidariedade que se esvai, o espírito crítico que mingua. É a prática de quem já pouco tem para viver e muito lhe sobra para recordar.

Ontem li no DN, pg. 4, que os  reformados ricos passam à frente nas listas de espera de Misericórdias e IPSS; que o Estado pagou 35 milhões [€€] a colégios acusados de irregularidades; que há 120 mil crianças afetadas por falta de comida; que a educação está em risco de retrocesso e que o abandono escolar é um problema que cresce em silêncio.

Estamos a chegar aos níveis de excelência de que se ufanava Durão Barroso na sessão a que trouxe comissários europeus e a que não faltou Cavaco, resquícios do Estado Novo, uma sessão de propaganda ao Governo de Passos Coelho, com a nostalgia educativa do fascismo.

Não digo que era a malta do BPN, alguns impedidos pelas pulseiras de se deslocarem e de ocuparem os lugares de topo da hierarquia do Estado, mas estava lá a fina flor dos que mais se parecem com quem preenchia fichas na pide e não de quem a pide as preenchia.

Uma democracia não se faz sem democratas e é débil a cultura e medíocre a devoção à República de quem se presta a elogiar Cavaco, Durão Barroso e Passos Coelho.

Não bastava a desgraça deste Governo, deste PR e desta maioria, ainda temos a tragédia deste presidente da Comissão Europeia, sem remorsos da invasão do Iraque nem do saneamento de professores com credenciais democráticas equivalentes às suas.


A excelência do ensino de Durão Barroso

Faltam 10 dias para celebrarmos Abril, longe de quem o detesta e com asco do ensino que Durão Barroso acha de excelência. O livro da imagem foi o primeiro que lhe deformou a mente, entorpeceu a sensibilidade e aguçou o oportunismo.

É desse ensino, e dos alunos que nunca chegaram a homens, que a vergonha, o nojo e a raiva nos acompanham. Que interessam dezenas de mortos que diariamente morrem no Iraque, vítimas do ódio sectário dos cruzados dos Açores e dos interesses do petróleo?

Há quem troque  a ética, a coluna vertebral e a vergonha, por ambições de uma carreira, um almoço de lagosta pela fome e doença de crianças, o lugar de destaque pela tragédia de um povo.

segunda-feira, Abril 14, 2014

Cavaco, Passos e Barroso vão a votos dos portugueses

Podem os cúmplices da atual política, e servos de interesses suspeitos, negar o carácter plebiscitário das próximas eleições europeias. O PR, o PM e o inqualificável candidato a Cavaco II, serão julgados nas urnas.

O último ato da ópera bufa foi encenado por Durão Barroso, militante da ética de Bush, Blair e Aznar, a cujo convívio ascendeu depois de um estágio na madraça do MRPP.

A reunião para o lançamento da candidatura a PR contou com os comissários europeus que se prestaram a ser figurantes junto dos figurões que não percebem a aversão que os portugueses lhes devotam, já que o próprio, sem pudor, usou as funções de presidente da Comissão Europeia em benefício próprio e ao serviço das ambições pessoais.

O triângulo de atores inferiores, formado por gente cujas funções os deviam impedir do espetáculo, deram origem à mais pífia das encenações, ao mais medíocre dos ensaios e à mais deprimente diversão política.

Cavaco disse bem de Barroso, este de Passos Coelho  e o último de Cavaco. O carrocel de vacuidades, adrede combinado, mais parecia um número, para fazer esquecer o BPN e a errática governação deste executivo, do que uma sessão de aquecimento para lançar alguém que substitua este PR, sem poder ser pior.

O ajuntamento político foi uma mera reunião de negócios, sem glória, sem honra e sem consequências, um ensaio para mais um embuste, uma tentativa de imitação da Coreia do Norte.


Só uma derrota humilhante da coligação do Governo será o justo prémio para o pior PR, a pior maioria e o pior Governo de que há memória. O panegírico fascista ao ensino dos tempos salazaristas foi um piscar de olho à reação, uma espécie de manifesto subliminar onde se percebia o apelo final: «fascista de todo o país, uni-vos». Barroso, ao abrigo do julgamento no TPI, pelo crime do Iraque, pretende prolongar a viscosidade em Portugal.

domingo, Abril 13, 2014

Passos Coelho: ad latere do 25 de Abril...

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, não quer valorizar "episódios laterais" relativamente às comemorações dos 40 anos do 25 de Abril”. link.

Bem, os portugueses nestes 3 últimos anos ficaram a saber que se existem ‘episódios laterais’ relativos ao 25 de Abril um deles seria a circunstância deste Governo ter ‘assaltado’ o poder montado num ‘ledo e cego engano’, prometendo auríficas respostas para superar um período de profunda crise nacional e europeia.

E sabem mais: que a lateralidade em questões políticas e governativas é, em primeiro lugar, a ausência (ou a fuga) de posicionamento, i. e., a deriva, como método de governo. 
Outra será o disfarce que [o actual primeiro-ministro] não consegue iludir [nem 'lateralizar'] quanto aos sentimentos de ressentimento e de uma profunda incompatibilidade com o 25 de Abril. 
Outra ainda poderá ser o querer caminhar entre os pingos da chuva sem se molhar, sem dar a cara. Ou, tornar-se no paladino de uma volátil ‘indefinição’, em que tudo é marginal e lateral, excepto o ‘ajustamento’ em curso (facto que não pode ser comentado em público, p. exº., na AR). O rastejar é, muitas vezes, um  confrangedor 'episódio ventral'.
A lateralidade (ou o encarar de problemas lateralmente) é uma atitude política que já não colhe. Porque toda a gente lhe está a ver a careca (sem conotações bíblicas). E um ‘imenso fastio’ (para não dizer repulsa) apoderou-se dos cidadãos que não estão disponíveis para desmontar ‘episódios’ ou aceitar as aleivosias - directas ou laterais - que lhe são diariamente dirigidas e/ou infringidas. 

Deixando de lado os episódios para olharmos [frontalmente] para as pessoas.
Não será difícil classificar Passos Coelho como um ‘latero-político’ que caminha num confuso deambular ideológico vogando à bolina dos ventos vindos do Centro e Norte da Europa e que se verga (infunda o seu ego) aos seus interpostos interesses. 
A diferença é que esse posicionamento não pode deixar de ser avaliado como um iniludível preconceito antagonista [do 25 de Abril] e, aqui, sim, não se trata de algo que possa ser considerado ‘ad latere’.

Os cidadãos não apreciam políticos laterais. Preferem os frontais. E se alguma coisa existisse de positivo neste tipo de posicionamento seria, com certeza, a 'dialéctica da bilateralidade' [e não a ‘lateralidade’] dos citados ‘episódios’. E este não foi o posicionamento de Passos Coelho, nem sequer é algo que seja pertinente no caso vertente [as comemorações do 25 de Abril]. Nem pertinente, nem digno.

A História Universal da Infâmia





Entre os portugueses e a luxúria do poder, Passos Coelho escolheu o poder. Fica registado.

«Este Governo, o de Pedro Passos Coelho, nasceu de uma infâmia. No livro "Resgatados", de David Dinis e Hugo Coelho, insuspeitos de simpatias por José Sócrates, conta-se o que aconteceu. O então primeiro-ministro chamou Pedro Passos Coelho a São Bento para o pôr a par do PEC4, o programa que evitava a intervenção da troika em Portugal e que tinha sido aprovado na Comissão Europeia e no Conselho Europeu, com o apoio da Alemanha e do BCE, que queriam evitar um novo resgate, depois dos resgates da Grécia e da Irlanda.
Como conta Sócrates na entrevista que hoje se publica, Barroso sabia o quanto este programa tinha custado a negociar e concordava com a sua aplicação, preferível à sujeição aos ditames da troika, uma clara perda de soberania que a Espanha de Zapatero e depois de Rajoy evitou.
Pedro Passos Coelho foi a São Bento e concordou. O resto, como se diz, é história. E não é contada por José Sócrates que um dia a contará toda. No livro conta-se que uma personagem chamada Marco António Costa, porta-voz das ambições do PSD, entalou Passos Coelho entre a espada e a parede. Ou havia eleições no país ou havia eleições no PSD. Pedro Passos Coelho escolheu mentir ao país, dizendo que não sabia do PEC4. Cavaco acompanhou. E José Sócrates demitiu-se, motivo de festa na aldeia.

Detenho-me nesta mentira porque, quando as águas se acalmam no fundo poço, é o momento de nos vermos ao espelho. Pedro Passos Coelho podia ter agido como um chefe político responsável e ter recusado a chantagem do seu partido. Podia ter respondido ao diligente Marco António que o país era mais importante do que o partido e que um resgate seria um passo perigoso para os portugueses. Não o fez. Fraquejou.

Um Governo que começa com uma mentira e uma fraqueza em cima de uma chantagem não acaba bem. Houve eleições, esse momento de vindicação do pequeno espaço político que resta aos cidadãos, e o PSD ganhou, proclamando a sua pureza ideológica e os benefícios da anunciada purga de Portugal. Os cidadãos zangados com o despesismo de José Sócrates e do PS, embarcaram nesta variação saloia do mito sebástico. O homem providencial. Os danos e o sofrimento que esta estupidez tem provocado a Portugal são impossíveis de calcular. Consumada a infâmia, a campanha contra José Sócrates continuou dentro de momentos. Todos os dias aparecia uma noticiazinha que espalhava pingos de lama, ou o Freeport, ou a Face Oculta, ou a TVI, ou todas as grandes infâmias de que Sócrates era acusado. Ao ponto do então chefe do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, que se tinha aliado ao PCP e ao PSD para deitar o Governo abaixo e provocar a demissão e eleições (no cálculo eleitoralista misturado com a doutrina esquerdista que ignorava a realidade e as contas de Portugal), me ter dito numa entrevista que considerava "miserável" a "campanha pessoal" da direita contra Sócrates. Palavras dele.
Aqui chegados, convém recordar o que o Governo de Passos Coelho tem dito e feito. Recordar as prepotências de Miguel Relvas, os despedimentos, os SMS, os conluios entre a Maçonaria e os serviços secretos, os relatórios encomendados, os escândalos, a ameaça da venda do canal público ao regime angolano, e, por fim, o suave milagre de um inexistente diploma. Convém recordar as mentiras sobre o sistema fiscal, os cortes orçamentais, a adiada e nunca apresentada reforma do Estado, as privatizações apressadas e investigadas pelo MP, os negócios e nomeações, a venda do BPN, as demissões (a de Gaspar, a "irrevogável" de Portas), as mentiras de Maria Luís, os swaps e, por último, cúmulo das dezenas de trapalhadas, o espetáculo da "Razão de Estado" vista pela miopia de Rui Machete. Convém recordar que na semana da demissão de José Sócrates os juros do nosso financiamento externo passaram de 7% para 14%. E os bancos avisaram-no de que não aguentavam. Sócrates sentou-se e assinou o memorando.

Que o atual primeiro-ministro não hesitasse, mais uma vez, em invocar um segundo resgate para ganhar as eleições autárquicas que perdeu, diz tudo sobre a falta de escrúpulos deste Governo, a que se soma a sua indigência, a sua incompetência, o seu amadorismo. A intransigência. Este é o problema, não a austeridade.

José Sócrates foi estudar. Escreveu uma tese, agora em livro, que o honra porque tem um ponto de vista bem argumentado, politicamente corajoso vindo de um ex-primeiro-ministro. E vê-se que sabe o que diz. Podem continuar a odiá-lo, criticá-lo, chamar-lhe nomes. Não alinho nas simpatias ou antipatias pela personagem, com a qual falei raras vezes. O que não podem é culpá-lo de uma infâmia que levou o país ao colapso político, financeiro, cívico e moral.

Entre os portugueses e a luxúria do poder, Passos Coelho escolheu o poder. Fica registado».



Clara Ferreira Alves

Durão Barroso e a excelência do ensino antes do 25 de Abril

Barroso elogiou a cultura de excelência nas escolas antes do 25 de Abril. Tem razão.

Foi lá que formou a personalidade e moldou o carácter que o levou a mobilar a sede do MRPP com móveis da Faculdade de Direito de Lisboa, o animou a sanear professores e a exigir passagens administrativas, para se furtar ao trabalho de preparar os exames.

Foi essa excelência que o conduziu a uma epifania, aos ensinamentos do presidente Mao e ao casamento com a filha de um ex-chefe de Estado Maior da Armada e Procurador à Câmara Corporativa da ditadura fascista.

Foi essa excelência que o levou a viajar a Inglaterra para verificar que eram químicas as armas que não eram, para decidir dar cobertura ao resgate do Iraque de um ditador laico, para ser cúmplice na destruição do país e deixá-lo nas mãos de uma teocracia de cinco orações diárias.

Foi essa excelência que o levou a ser capacho dos interesses de Bush na Europa e da Alemanha em Portugal. É essa excelência que o torna nostálgico de um ensino onde se glorificava o Império, se rezava antes das aulas e se davam vivas a Salazar.

Quando um homem perde a coluna e se contenta com a cartilagem, vende a dignidade e se inclina perante um Passos Coelho, pode ter a vassalagem do seu antigo tutor, mas não terá o respeito dos cidadãos.

Barroso é o indivíduo videirinho, que gritava «nem mais um soldado para as colónias», para criar o caos e dificultar a descolonização e, depois, se aliar aos colonialistas. Foi o governante que, incapaz de governar Portugal, endossou o PSD e o Governo a Santana Lopes, indiferente à sorte dos portugueses, para se refugiar em Bruxelas ao serviço dos americanos e de joelhos perante os maiores países europeus.

É esse homúnculo venal, que não cresceu, inchou, que vem agora, à falta de outro lugar para onde correr, tentar a candidatura a PR de Portugal, apoiado numa referência ética com provas dadas no apoio a Portas e Passos Coelho, esse mestre da banalidade que faz do faceboock o veículo das suas comunicações e nas aparições televisivas a leitura dos comunicados de circunstância, o Prof. Aníbal.

Estamos bem servidos.


Há muito ressentimento escondido

Rastejam aí, no rodapé das notícias, a destilar ódio aos militares de Abril, a defender a guerra colonial, a combater a URSS, como se ainda existisse, a remoer a raiva de quem não digeriu a Revolução e teme uma pneumonia à menor aragem da liberdade.

Andam aí os filhos dos bufos, rebufos e salazaristas, os descendentes do respeitinho é muito bonito, os répteis do Estado Novo, indiferentes às prisões, torturas, perseguições e medos. São os desmemoriados dos que a pide assassinou, os ressentidos da liberdade que os capitães de Abril outorgaram, os invejosos dos filhos dos pobres que chegaram à universidade e que preferiam andar de rastos, num país orgulhosamente só, do que viver de pé, em democracia.

Há novos representantes da velha geração de cúmplices da ditadura, dos que iam em autocarros oferecidos, aplaudir  o ditador e dar vivas à ditadura. Eram velhos fascistas embrutecidos no livro único ou orgulhosos do analfabetismo, tão minguados de ideias como os que agora insultam a liberdade com erros de ortografia, a derrapar na sintaxe.

Uns não sabem o que isto era e outros julgam que era como lhes disseram, e trazem no sangue o ressentimento dos delatores, a raiva dos lacaios e o espírito vingativo de quem não se conforma com a liberdade.

Há toda uma pedagogia por fazer, um grito de raiva que se faça ouvir contra os ineptos que tomaram o poder, uma Grândola por cantar e os versos de Ary por dizer.

Há um grito de júbilo por Abril a soltar, vivas à liberdade a bradar, um ruído patriótico que acalme os nostálgicos da ditadura e assuste as ânsias de regresso ao passado.


Viva Abril!

sábado, Abril 12, 2014

Um paleio indecoroso …

O primeiro-ministro reprovou, esta sexta-feira, o que aconteceu no que toca à aplicação dos fundos da União Europeia nos últimos 25 anos, tendo mesmo classificado-os de «dececionantes». Temos de ser muito mais exigentes e elevar a nossa fasquia quanto aos resultados estruturais de médio e longo prazo», acrescentou Pedro Passos Coelho, no encerramento da conferência «Portugal rumo ao crescimento e emprego”. link

Chama-se a isto promover a um mega-comício com o presidente da Comissão Europeia  e o Presidente da República e aproveitar o ensejo para botar faladura com conhecimento de causa.

Passos Coelho quando resolve pensar o modelo de crescimento português e os fundos europeus tem saudades da Tecnoforma, delírios sobre a capacitação do pessoal camarário em matéria aeroportuária e pesadelos acerca da rede nacional de aeroportos municipais. link. Por esta ordem.
E para mitigar estas terríveis sensações foi 'repescar' o seu companheiro Miguel Relvas para os órgãos nacionais do PSD...

Cumplicidades

É pecado levantar falsos testemunhos

(Do catecismo da Igreja católica)

O problema é deles…

Quem disse isso foi a ex-mulher de um antigo estudante baleado pela polícia de choque, tendo perdido um rim; a mulher que me agradou por ter substituído um oportunista que negociara à sorrelfa a presidência de um órgão da soberania com quem ainda se julgava a receber subsídios do Relvas para uma empresa de formação para aeroportos da região centro; a jovem bonita e amável que, de minissaia, integrou o Tribunal Constitucional; enfim, alguém em que eu admitia poder votar para a presidência da República.

O problema é deles, disse com a categoria com que as varinas anunciam o peixe, com a sensibilidade com que Cavaco perscrutou o sorriso das vacas, perante a frescura da erva, com o desprezo com que um troglodita implacável exclamou, aludindo ao aumento dos sacrifícios dos portugueses: ai aguentam, aguentam!...

Há nos homens, cujo problema é deles, mais massa óssea na coluna vertebral do que em todos os que os ofendem, mais sabedoria e experiência de vida do que nos oportunistas que os desprezam, mais coragem e amor à Pátria do que os que julgavam ser sua a pátria alheia e não lhes perdoam a liberdade de que não sentiam falta.

Há nesta gente, que os nossos erros e incúria guindaram ao poder, a arrogância de quem se julga ungido, a prepotência de quem se envergonha das origens e se afirma nos locais que ocupa pela humilhação de quem lhos permitiu.

Muitos estão no cargo como Pilatos no Credo romano, e atingiram o princípio de Peter, outros chegaram pelas vicissitudes que fizeram Calígula imperador, e só se afirmam no poder quando fizerem do seu cavalo cônsul e sacerdote.

Desejo-lhes melhor fim do que ao imperador romano.  Mas depressa. Estamos fartos.

Faltam 13 dias para celebrarmos Abril, longe de quem o detesta


A não esquecer !

Foi o primeiro-ministro Cavaco Silva que em 1989 recusou conceder ao capitão de Abril, Salgueiro Maia, quando este já se encontrava bastante doente, uma pensão por "Serviços excepcionais e relevantes prestados ao país", isto depois do conselho Consultivo da Procuradoria Geral da República ter aprovado o parecer por unanimidade.


Foi o primeiro-ministro Cavaco Silva que em 1992, assinou os pedidos de reforma de  inspectores da polícia fascista PIDE/DGS, António Augusto Bernardo, último e derradeiro chefe da polícia política em Cabo Verde, e Óscar Cardoso, um dos agentes que se barricaram na sede António Maria Cardoso e dispararam sobre a multidão que festejava a liberdade.

sexta-feira, Abril 11, 2014

Durão Barroso consegue ganhar a Passos Coelho.


25 de Abril: o ‘nosso’ problema …


A presidente da AR, Assunção Esteves, sobre a recusa dos capitães de Abril em fazerem-se representar nas cerimónias comemorativas do 25 de Abril, nesse órgão de soberania, por ter lhes sido negada possibilidade de usar da palavra, declarou acintosamente: “o problema é deleslink.
Este é um sinal explícito da tentativa de ‘absorção’ do 25 de Abril, enquanto marco de mudança do regime e de futuro. As forças de Direita que chegaram ao poder têm a agenda secreta de impor um novo ciclo político. Para muitos este facto já se revelou há muito. Uma das frases lapidares é que ‘ninguém é dono do 25 de Abril’. Como se as questões de propriedade não fossem fulcrais para a Direita.

Por outro lado, declarações de apoio e homenagem ao MFA (parece que não, mas existiu!) abundam, mas a hipocrisia (política e institucional) é, também, imensa. Seria didáctico (re)ler a entrevista de Sá Carneiro ao JN em Maio 1974 link.
Sejamos claros: a Direita ainda não verbera - publicamente - o 25 de Abril porque entende que essa ‘verdade’ não é lucrativa (nomeadamente em termos eleitorais). Mas está a fazer o seu caminho e quando tardiamente os portugueses se precaverem contra essa iniludível realidade, estarão face a um ‘novo regime’, por ora um secreto desígnio.

O silenciamento dos libertadores só tem uma interpretação: serve aos novos opressores. Claro que a opressão para aonde estamos a ser conduzidos não é o regresso puro e simples ao regime derrubado em 25 de Abril de 1974. Os tempos são outros. Mas o recuo existe, sente-se dolorosamente em termos de desenvolvimento e no proliferar da fome e da miséria, mantendo as mesmas consequências políticas, económicas e sociais.

A situação que se está a gerar à volta das comemorações do 25 de Abril tem paralelismos históricos. Um deles será com o simbólico caso do 17 de Abril de 1969 quando o presidente da AAC exigiu usar da palavra – em nome dos estudantes - na inauguração do Edifício das Matemáticas link. Hoje, o protagonista de então dirige a bancada parlamentar do PS. 
Nada mais coerente do que solicitar à Associação 25 de Abril o envio da mensagem que pretendia transmitir aos portugueses e às portuguesas, volvidos que são 40 anos. E, no meio do cerimonial que está a ser erguido sob a batuta da maioria de Direita e com o alto patrocínio do PR, toda a Esquerda parlamentar (e não só o PS), deveriam assumir o compromisso histórico de dar expressão pública a essa memória no plenário desse lugar que se assume como sendo a casa da Democracia. 
Trata-se de uma dívida de gratidão baseada numa certeza concreta. Será muito difícil honrar dívidas, quer sejam públicas ou privadas, como pretende este Governo, quando não existe o mínimo conceito ou gesto de gratidão.
Esta enorme insensibilidade política a cavalo de uma gritante ingratidão que a actual maioria exibe é o ‘nosso’ (grande) problema...

Abril, sempre!

Há 40 anos eram lindos os sonhos e as crianças. 
Hoje, esmorecida a esperança, vão morrendo os sonhos e até as crianças vão faltando.

Assunção Esteves, a AR e os capitães de Abril

Os capitães de Abril foram convidados, como sempre, para estarem presentes na AR, na cerimónia oficial do 25 de Abril, mas perante a liquidação sistemática das conquistas de Abril, fizeram depender a presença do uso da palavra.

Depois de ter prometido telefonar ao presidente da Associação 25 de Abril, a informá-lo sobre a decisão, a presidente respondeu, através da comunicação social:  "O problema é deles", disse sobre a eventual ausência dos "capitães de Abril" na sessão solene no parlamento.

Salgueiro Maia não precisou de um regimento para obrigar Marcelo Caetano à rendição e tomar o Quartel do Carmo. Bastaram-lhe alguns pelotões, a coragem, a determinação e a honra, para fazer germinar aí a liberdade de um povo e cumprir a missão de que Vasco Lourenço, Vítor Alves e Otelo eram os guardiões, designados pelos seus pares.

Hoje é o regimento da AR que serve de pretexto ao silêncio imposto a quem lhe deu voz e legitimidade democrática.

Somos um país estranho, onde a liberdade viajou de Chaimite, os cravos floriram nos canos das espingardas. E as únicas balas da Revolução saíram das janelas da Pide para assassinar as suas últimas vítimas.

Há quarenta anos viviam-se os últimos dias do medo impostos pelo partido único. Hoje, ofendidos e revoltados, vivemos entre os que sonham verdades únicas, os que querem o passado e os que sonham improváveis utopias .

Refocilam na gamela do orçamento os filhos daqueles que nos reprimiam, denunciavam e prendiam, dos que iam em bandos agradecer a Salazar a defesa das colónias e a morte dos jovens, dos que conviviam com a ditadura e ovacionavam os seus próceres.

Das prisões, da tortura, da guerra e das perseguições ficaram em silêncio os cúmplices do fascismo, a remoer o ódio, e hoje, com o poder tomado pelo voto, aí estão os filhos a reescrever a História e a ofender e silenciar quem ousou transformar Portugal numa democracia e os portugueses em cidadãos.

Há cogumelos que brotam da lixeira, veneno que sobrou da ditadura, imundície de um declínio cívico e ético de quem desconhece o valor da liberdade e a honra de um país. De quem morde a mão que os alimentou.

quinta-feira, Abril 10, 2014

Faltam 15 dias para celebrarmos Abril, sem os seus adversários

Persiste em Portugal uma direita que, se pudesse arrancar abril do calendário e suprimir o dia 25 aos meses, continuaria fora da Europa, orgulhosamente só, aliviada de carregar a democracia e feliz por reeditar o passado.

É essa direita cuja liderança se distribui por Paulo Portas, Passos Coelho e Cavaco, que nunca ficará satisfeita, que cria instabilidade no aparelho de Estado e no país, que odeia a CRP, o povo, os cravos e a Pátria, que range os dentes e sonha com a pátria dos outros para o desejado Império a que se julga com direito.

Maldita direita que vai devorando aquela que Freitas do Amaral e Sá Carneiro quiseram. A liberdade é o seu veneno e o ódio o alimento de que se nutre.

João Paulo II (JP2) – a canonização agendada

A morte de JP2 relembrou a dor e sofrimento manifestados na URSS quando o pai da Pátria, José Estaline, exalou o último suspiro, e o histerismo demente que rodeou a morte do aiatola Khomeini em todo o mundo islâmico, particularmente no Irão. Em comparação, as mortes de Franco, Salazar e Pinochet foram choradas de forma contida.

O absolutismo papal que restaurou com o apoio entusiástico do Opus Dei, Libertação e Comunhão, Legionários de Cristo e outros movimentos integristas, tornou JP2 o Papa da Contrarreforma, antimodernista, infalível, intolerante, substituindo os arcaicos autos de fé pela propaganda e pela diplomacia.

O Papa da Paz, como os adeptos o designam, apoiou a Eslovénia e a Croácia (católicas) e a Bósnia e o Kosovo (muçulmanos) contra a Sérvia cuja obediência à Igreja Ortodoxa constitui um entrave ao proselitismo papal que tem nos ortodoxos a principal barreira ao avanço do catolicismo para leste. Já assim foi na II Grande Guerra.

A proteção aos padres que participaram ativamente no genocídio no Ruanda é mais um desmentido ao boato sobre o alegado espírito de paz que o animava.

A intervenção de JP2 a favor da libertação de Pinochet, quando foi detido em Londres, é coerente com a beatificação de Pio IX, do cardeal Schuster, apoiante de Mussolini e do arcebispo pró-nazi Stepinac. O apogeu da afronta foi a canonização veloz do admirador de Franco e fundador do Opus Dei, Josemaria Escrivá de Balaguer.

JP2, ele próprio profundamente supersticioso e obscurantista, chegou a ser obsceno na forma como engendrou milagres para 448 santos e 1338 beatos cujos emolumentos contribuíram para o equilíbrio financeiro da Santa Sé e para o delírio beato dos fiéis.

Desde a prática do exorcismo à exploração de indulgências, da recuperação dos anjos à aceitação dos estigmas como sinal divino (canonizou o padre Pio), tudo lhe serviu para alimentar a fé de sabor medieval e o desvario místico.

O horror que nutria pela contraceção, o aborto, a homossexualidade e o divórcio são do domínio da psicanálise. O planeamento familiar era para o déspota medieval um crime. Considerava a SIDA um castigo do seu Deus e, por isso, combateu o preservativo, tendo o Vaticano recorrido à mentira, afirmando que era poroso ao vírus (2003). A misoginia, a conceção do carácter impuro da mulher e o horror à emancipação feminina foram compensados pelo culto insalubre da Virgem, recuperado da tradição tridentina.

Como propagandista da fé, pressionou Estados, intrometeu-se na política de numerosos países, ingeriu-se nos assuntos relativos ao aborto, à eutanásia ou ao divórcio e instigou populações contra governos legítimos, democraticamente eleitos. Apoiou os comandos antiaborto, estimulou a desobediência cívica, em nome da fé, pressionou a redação da prevista Constituição Europeia e chegou ao disparate de pedir aos advogados católicos que alegassem objeção de consciência e se negassem a patrocinar divórcios.

O Papa da Paz que condenou a atribuição do Nobel da Literatura a José Saramago; que envidou todos os esforços para obter o da Paz para si próprio, que justamente lhe foi negado; que excomungou o teólogo do Sri Lanka, Tyssa Balasuriya por ter duvidado da virgindade de Maria e defendido a ordenação de mulheres; que perseguiu e reduziu ao silêncio Bernard Häring, Hans Küng, Leonardo Boff, Alessandro Zanotelli ou Jacques Gaillot; que marginalizou Hélder da Câmara e abandonou Oscar Romero; que combateu o comunismo e ficou em silêncio perante as ditaduras fascistas; João Paulo II morreu uns dias depois de o Vaticano ter proibido a leitura ou a compra do «Código Da Vinci», do escritor Dan Brown, e sem nunca ter censurado a fatwa que condenou à morte o escritor Salmon Rushdie.

O Papa que morreu, segundo a versão oficial, no dia 02-04-2005 (soma=13), às 21h37 (soma=13), curiosidades «assinaladas» pelo bispo de Leiria/Fátima, foi o beato algoz da liberdade, déspota persecutório, autocrata medieval e fanático supersticioso.

Foi ele que consternou chefes de Estado e de Governo, que alimentou os noticiários de televisões de todo o mundo, que rendeu biliões de ave-marias e de padre-nossos, que ocupou milhões de pessoas a rezar o terço, vestígio do Rosário da Contrarreforma, que recuperou.

O Papa que morreu era certamente uma pessoa de bem que escondeu essa faceta para ser celebrado por dignitários políticos, religiosos e outros hipócritas. É deste Papa de que falo, e que conheci, que deixo hoje, nesta página, o esboço.

A canonização de JP II é capaz de deslustrar a imagem que a propaganda construiu em torno do papa Francisco, um papa que tanto pode prorrogar o prazo de validade da sua Igreja como tornar-se para o Vaticano o que Gorbatchov foi para a URSS.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, Abril 09, 2014

Os militares, a AR e o 25 de Abril

O regimento da AR não permite que os militares de Abril falem. Se fossem os filhos dos do 28 de maio, não lhes faltariam microfones, bandeiras na lapela, foguetes à chegada e fanfarras à saída.

Há 40 anos o Governo era legal, por usucapião. Estava sufragado pela polícia de choque e merecia o silêncio dos que estavam fechados em Peniche e Caxias e dos investigados na R. António Maria Cardoso.

Em Angola e Moçambique sonhavam-se Rodésias e apartheids e jamais se ouvira falar de napalm ou em Wiriyamu. Em Angola um médico salazarista criava o filho, destinado a cantor lírico, pouco dado aos estudos, e conseguiu vê-lo a dirigir a ópera bufa.

Os atuais governantes nada devem ao 25 de Abril, são filhos do 28 de maio e do rancor. Submeteram-se a eleições, aprenderam a manipular o faceboock e o twitter e tiveram de frequentar cursos para terem um título, antes de assaltarem o Governo.

Sem o 25 de Abril também estariam no poder que os azares eleitorais lhes interrompem, o que não sucedeu em 48 anos de experiência que geneticamente herdaram. Nos últimos 88 anos, a direita só não esteve no Governo cerca de 16 anos. O poder é um direito que julgam pertencer-lhe e que, não podendo ser de outro modo, prefere por eleições.

Os militares de Abril não abriram as portas do poder a esta gente. A este Governo foi o PR, que chegou primeiro, os trânsfugas, que vieram depois, e filhos de notas de 5 euros.

Falar de Abril a esta gente é como falar no BPN, por razões diferentes.

Eles sabem lá o que foi o sonho de um povo que acordou com cravos floridos nos canos das espingardas! Eles não sonham o que foi o fim do pesadelo da guerra colonial e não imaginam o alívio dos pais que viam partir os filhos para uma guerra injusta, criminosa e inútil, a agravar diariamente o drama previsível do seu fim.

Eles não sabem nem sonham o que foi a tortura, a violação da correspondência, a prisão, as perseguições e os assassinatos. Querem lá saber dos que a pide matou, se até Cavaco concedeu pensões a dois serventuários, por relevantes serviços à Pátria!

Esta gente repugna-me, mas não sentirá na vida a alegria do abraço de um amigo solto de Caxias, as lágrimas dos companheiros que entraram no estádio 1.º de Maio, no primeiro 1.º de Maio em liberdade, o beijo da amiga que saiu da clandestinidade e a comoção de ouvir a Grândola que temem e desprezam.

A frase

«O cantochão, o hissope, a labareda inculcaram-nos o terror e o medo, pecadores infames e sem remissão».

(Baptista-Bastos, DN, hoje, in «A nossa tristeza triste»


Morder a mão que lhes deu o pão


O Metro Mondego avança

O Metro de Coimbra vai arrancar.

O representante do Governo vai à frente a fazer os primeiros testes.