Domingo, Maio 19, 2013

Miranda do Corvo - Diálogo inter-religioso


Sob o lema “diálogo inter-religioso” realizou-se ontem em Miranda do Corvo, sob o patrocínio da Câmara Municipal, jornal Mirante e ADFP um ciclo de conferências.

O programa teve início às 10H00 com a abertura solene pela Presidente da Câmara e terminou, depois das 18 H00, com a habitual sessão de encerramento com o Diretor do Mirante, Eng.º Carlos Ferreira, um vereador e o Professor  Amadeu Carvalho Homem.

É difícil imaginar numa vila, inserida na sub-região do Pinhal Interior Norte, tão grande atividade cultural e uma soberba IPSS, a ADFP, uma Fundação cujo presidente, além da notável ação solidária exercida, nos brindou com a mais extraordinária conferência, na forma e no conteúdo, de todas as que foram proferidas. Foi breve a dizer o que fez e faz e convincente a transmitir os projetos que tem em marcha. Jaime Ramos, benemérito, ex-político, médico e intelectual, é uma das raras personalidades que poderia e deveria ser o ministro da Segurança Social de um qualquer Governo. Espero, no próximo ano, destinar 0,5% do meu IRS à sua ADFP.

As conferências de carácter religioso refletiram o pensamento de cada crente tal como a  subordinada ao «Ateísmo», que me coube, exprimiu a posição ateísta e a desconfiança sobre a bondade das crenças.

E é sobre este aspeto que quero deixar aqui a reflexão pessoal de quem considera más todas as crenças e bons todos os crentes; de quem entende que se devem respeitar todos os crédulos e desmascarar todas as religiões; de quem defende a liberdade dos crentes mas entende que, à semelhança de qualquer outra associação, todas as religiões devem estar sob a vigilância cívica e sujeitas ao direito penal.

Falei com um judeu, um padre e um frade católicos, e outros crentes mais ou menos ortodoxos mas foi o representante islâmico que num tom carregado de ódio disse que não compreendia que pudesse haver um ateu. Mahomed Abed não percebe o que é a liberdade  ou a democracia porque o fascismo islâmico, um subproduto da falência da civilização árabe, só compreende a alegada vontade de Alá sem qualquer respeito pelas liberdades, direitos e garantias dos cidadãos.

Não esperava ter a solidariedade dos crentes mas não imaginava a raiva do islamita, que contrastava com o judeu e os católicos intervenientes com quem foi possível conversar, amistosamente, durante o almoço.


TESTAMENTO POLÍTICO DO CARDEAL POLICARPO


Já noutro post fizemos referência a uma mensagem política do ex- (ou quase ex-) Cardeal Patriarca de Lisboa, quando Sua Eminência, pouco tempo depois das grandes manifestações de 15 de Setembro passado, se dirigiu à Nação proclamando: “Não se resolve nada contestando!”.

Agora, perante um alargado grupo de estudantes em fim de curso universitário, referindo-se ao futuro nada auspicioso que os espera – desemprego ou emigração – reincidiu no seu apelo ao conformismo – apelo que se presume extensivo a todo o povo martirizado – declarando: “NÃO VOS REVOLTEIS!”

É esta mensagem reconfortante que o Senhor Cardeal, ao cessar as suas funções patriarcais, deixa ao povo português. No fundo, uma mensagem digna do Ulrich: se até os sem-abrigo aguentam, porque não hão de vocês aguentar?

Que Cardeal tão Cerejeira!

Sábado, Maio 18, 2013

O que poderá estar na forja…

O secretário de Estado da Administração Pública garantiu, em entrevista ao Diário de Notícias, que o novo sistema de requalificação – que está a ser discutido com os sindicatos para substituir a mobilidade especial - não tem como objectivo os despedimentos na função pública e só “em última instância” se admite “a possibilidade de cessação do vínculo”. link

Mais uma medida para ser aplicada em ‘última instância’ e emparelhar com a contribuição de sustentabilidade sobre as aposentações da CGA. Anunciar medidas avulsas com um instinto um pouco canino a fim de marcar território será a nova estratégia governamental. Ninguém sabe até onde este tipo de políticas nos conduzirão.

De facto, estas ‘requalificações’ são estranhas quando o propósito, publicamente assumido, é ‘emagrecer’ a função pública. Mais, requalificar para quê se o mercado laboral não oferece quaisquer tipos de oportunidades de entrada?
Na verdade, este Executivo deixou de governar. Tem-se entretido a levantar hipóteses, num macabro concurso de tentar elaborar uma nova que seja mais tenebrosa do que a anterior.

Mas o ataque à função pública pode esconder situações verdadeiramente macabras. Ninguém percebe por onde começam nem onde acabam as mobilizações especiais (com ou sem ‘requalificações’ pelo meio). Sabendo, todavia, que o problema do recrutamento não se encontra clarificado nem é transparente nem passará a decorrer segundo estritas normas veiculadas a concursos públicos, esta ‘mobilidade especial’ pode muito bem vir a ser um instrumento de ‘depuração’ da função pública, norteada por interesses partidários. Assim, serão mobilizados para o desemprego todos aqueles que não forem da cor da actual maioria, que sejam politicamente incómodos, socialmente activos (sindicalistas), etc.

Há um aspecto que tem sido negligenciado nesta hipótese de ‘grande purga’ apresentada como uma acção ‘voluntária’: escancarar caminho da captura do Estado por interesses partidários.

A Assembleia da República e as leis da família


O projeto de lei de um grupo de deputados do PS, que prevê a capacidade de co-adoção por casais ou unidos de facto do mesmo sexo, foi hoje aprovado na generalidade, no Parlamento, com 99 votos a favor, 94 contra e nove abstenções.

A decisão é, de facto, um problema de consciência mas não se percebia que um cidadão solteiro e homossexual pudesse adotar uma criança e um casal de indivíduos do mesmo sexo o não pudesse fazer. Acresce que o facto de ninguém poder ser discriminado em função da sua orientação sexual, legitima a decisão da AR.

Esperei sempre a ajuda dos psicólogos para a formação da minha própria opinião, mas não tenho dúvidas de que o afeto de que todos precisamos e, em especial, as crianças, não depende da orientação sexual de quem o dedica. Já a oposição parece ter origem em razões de natureza religiosa ou radicada num preconceito.

Surpreende-me, sim, que o CDS, perdida a votação sobre uma matéria que dividiu o seu próprio partido pondere pedir a fiscalização da constitucionalidade. Parece mais uma manobra política eleitoralista do que uma dúvida jurídica legítima. De qualquer modo é um assunto típico da AR e não dos Tribunais.

À luz da minha sensibilidade, saúdo a Assembleia da República pela decisão tomada e felicito todos os deputados que tomaram uma decisão que se me afigura sensata. E saúdo também os que, por razões de consciência e firme convicção de que a sua posição defendia melhor as crianças, votaram em sentido contrário.

Não há verdades únicas nem definitivas. Hoje, está de parabéns a A.R..


Sexta-feira, Maio 17, 2013

Fernando Negrão e a cidadania


Fernando Negrão, ao opor-se ao ensino da Constituição da República Portuguesa, que o seu partido votou favoravelmente, revela que o preconceito ideológico é nele maior do que o respeito pela lei fundamental. O deputado do PSD rejeita a proposta devido à "carga ideológica muito forte" do documento.

Quando o presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais se comporta assim, não admira que o PR julgue que o plural de «cidadão» acompanha o de «feijão», e reincida na ofensa à gramática num improviso em que rivaliza com Américo Tomás.

Em 1960 fiz o exame do 7.º ano de Organização Política e Administrativa da Nação, que designávamos por OPA, e não senti na nota de 18,3 que me foi atribuída, passe a imodéstia, uma adesão ao espírito do diploma fascista.

Quem me dera ter, nessa altura, esta Constituição para aprender nela a cidadania.

Fátima, troika e milagres


Naquele tempo a Lúcia – segundo afirmou – não sabia ler nem escrever, nem, ao menos, contar os anos, meses ou dias, mas já reconhecia «o anjo que aparecia em forma de um jovem transparente, mais brilhante que um cristal atravessado pelos raios do Sol», que lhe surgiu pela primeira vez na Loca do Cabeço.

O Francisco e a Jacinta, que insondáveis desígnios, adiantaram no caminho da santidade não eram tão perspicazes nas visões nem tão apurados de ouvido.

Era pela Lúcia que sabiam que «Nosso Senhor» andava muito zangado e que a Senhora de Fátima, incomodada com os estados de alma do divino filho, aproveitava para dizer aos pastorinhos que pusessem toda a gente a rezar o terço e para pedirem ao Papa que consagrasse o Mundo ao seu (dela, Senhora de Fátima) coração imaculado.

Em vez de rebuçados caramelizados, embrulhados em papel, a Senhora surgia para lhes dar recados. A princípio, quando as pessoas descriam de tanta aparição, era a República que preocupava a celeste visita mas, com o tempo, depois de 1926, era já a conversão da Rússia que perturbava a Senhora de branco. E a arma para tal desígnio era ainda o terço, como poderoso demífugo capaz de afugentar o comunismo.

Certo, certo, foi o facto de a senhora de Fátima, pseudónimo com que se apresentou na Cova da Iria, ter surgido 7 vezes, a última das quais em rigoroso exclusivo para a Lúcia.

Foi a partir da coincidência e da confirmação do Sr. Presidente da República, alertado pela Sr.ª D. Maria, que eu acreditei no milagre de Fátima para aprovação da 7.ª avaliação do programa de ajustamento português.

Se com 7 aparições a Virgem converteu a Cova da Iria, de manhosos terrenos rústicos, de fraca valia para o setor primário, no promissor setor terciário, no sentido do jargão económico e no místico, dedilhar do terço com os mistérios do rosário, é de crer que a 7.ª aparição da troika fosse o milagre que faltava para tornar a vida dos portugueses num inferno. A Senhora de Fátima estava ao serviço do Céu mas a Troika, não.

Quinta-feira, Maio 16, 2013

Quando o PR trata assim a gramática...


A convocação do Conselho de Estado


A convocação do Conselho de Estado para analisar a situação portuguesa pós-troika não é um ato político, é um mero exercício académico de bruxos, quiromantes, lançadores de búzios ou de cartas e ofícios correlativos.

Quando se ignora se a troika permanece ou parte e quando o fará, ou se nos abandona, é um exercício surrealista inspirado pela Senhora de Fátima ou por S. Jorge, ou por uma joint venture de ambos.

Dois orçamentos inconstitucionais, a enervamento no Governo, o divórcio da coligação e a grave situação económica, financeira, social e política, são meros danos colaterais do Governo de iniciativa presidencial. As profecias sobre o futuro passaram a ser urgentes após Marques Mendes se ter incumbido de anunciar a reunião do Conselho de Estado.

Somos um país que balança entre os embustes sobre o passado histórico e as utopias que sonhamos desde Alcácer Quibir.


Até Berlim o abandona...


Na Europa julgaram que tinha sido um bom PM em Portugal e aqui pensava-se que era um bom presidente da Comissão Europeia.

Cenas do segundo quartel do século XX (Crónica)


Cenas do segundo quartel do século XX  (Crónica)

A 5.ª classe do ensino primário, uma conquista da 1.ª República contra o analfabetismo herdado da monarquia, que o salazarismo havia de reduzir a três, foi um avanço cuja dimensão importa recordar quando, de novo, se pretendem aprofundar as desigualdades.

Foi com a 5.ª classe que o meu pai viajou para Lamego, uma das raras cidades que tinha um colégio, dirigido pelo padre João, onde, em regime de internato, era possível cursar os sete anos de escolaridade que faltava percorrer até à universidade.

Os liceus eram exclusivos das capitais de distrito e poucos aí chegavam. Mas não foi para falar das malfeitorias da ditadura salazarista, do regime de separação de sexos, da discriminação da mulher e de muitas outras aviltantes proezas da ditadura, que iniciei esta crónica. Foi para registar os tempos da transição do primeiro para o segundo quartel do século XX. Para escrever sobre pessoas que eram no século que foi.

O meu pai deve ter rumado a Lamego no ano de 1926. Voltava a Almeida nas férias do Natal, da Páscoa e no fim de cada ano letivo. Muito alto e magro, atingiu aos 16 anos, 1,85 metros, coisa rara para um português nascido no início da 1.ª Grande Guerra.

Numa das suas viagens, no fim das férias da Páscoa, ainda pré-adolescente, na primeira curva, depois de Vilar Torpim, a camioneta caiu. Nesse tempo não se pode dizer que as camionetas se despistassem, isso seria um privilégio de autocarros com amortecedores, motores potentes e capazes de grandes velocidades. A camioneta raramente ultrapassava os 20/30 km/hora e, na curva, aconteceu cair. Dessa vez, os vidros estilhaçaram-se e os garotos foram saindo pelas janelas que ficaram viradas para cima. O meu pai ficou na valeta a ouvir outros garotos a gritar, mamã, papá, avô, gritos lancinantes. O alarido era tal, que, no seu silêncio, julgou-se morto. Quando todos gritavam, o mutismo só podia ser de quem já era defunto. Quando o condutor o levantou teve consciência de que os estragos se resumiam ao fatinho.

Algumas dessas camionetas ainda aguentaram até à minha infância, veículos mistos que levavam passageiros à frente, até esgotarem os lugares, e as mercadorias e pessoas sem lugar, na parte de trás. A escada da retaguarda era um adereço obrigatório para levar o as mercadorias que sobravam para o tejadilho, normalmente as que resistiam à chuva.

Lembro-me bem de me separar dos pais para viajar entre as bagagens e pessoas que me acompanhavam. Parava-se a pedido dos fregueses e por causa dos furos. Os cravos que se soltavam das ferraduras das bestas penetravam os pneus e vazavam as câmaras de ar. Era breve a espera, entre dois furos, que os motoristas eram hábeis a remendá-los.

Tinha havido progresso pois os faróis já tinham substituído a luz do carbureto que uns anos antes irritava as pituitárias dos transeuntes e mal servia para indicar a estrada.

Em Almeida o primeiro carro de aluguer, parente próximo dos táxis atuais, foi um Ford do Zé Gouveia, que deixava a mulher a tomar conta da loja enquanto ia fazer um frete.  Uma vez demorou quase duas horas a percorrer os 14 km que separam Almeida de Vilar Formoso, sem qualquer furo ou avaria do motor. Teve o azar de ir atrás de uma carroça puxada por muares que, vinda da Junça, seguia à sua frente. Meio século depois ainda era motivo de gozo a maldita carroça que lhe impôs o andamento.


Ponte Europa /Sorumbático

Quarta-feira, Maio 15, 2013

Pena de morte para ateus é legal em 7 países


Além dos países que punem os ateus com a morte, em outras nações os céticos e humanistas são obrigados a mentir para obter seus documentos oficiais, sem os quais é impossível ir para a universidade, receber tratamento médico e viajar para o exterior

Os ateus e outros céticos religiosos sofrem perseguição ou discriminação em muitas partes do mundo e em pelo menos sete países podem ser executados se sua falta da crença se tornar conhecida. A informação é de relatório da IHEU (União Internacional Humanista e Ética) divulgado no último dia 10/12/2012.

Pena capital para céticos vigora no Afeganistão, Irão, Maldivas, Sudão, Mauritânia, Paquistão e Arábia Saudita.

O relatório mostra que a situação dos “infiéis” é mais grave em países islâmicos, onde religião e Estado se confundem. As consequências para o cético às vezes podem ser brutais.

Homenagem a Humberto Delgado no 107º aniversário do seu nascimento



«Obviamente, demito-o» (referindo-se a Salazar)

Cavaco Silva, a troika e a Senhora de Fátima


A realidade é sempre pior do que a notícia. Cavaco Silva prestou-se a ser presidente da Comissão de Honra da canonização de Santo Pereira, a forma de desacreditar um herói nacional, Nun’Álvares Pereira, com o milagre pífio da cura do olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, queimado com salpicos de óleo fervente de fritar peixe.

Um presidente que se presta a rubricar a cura milagrosa do olho esquerdo da cozinheira de Ourém, para fazerem santo um guerreiro com seis séculos de defunção, é alguém que prefere a oração ao colírio e que confia mais em Fátima do que na virtude dos enviados da troika, embora, neste caso, haja razões para desconfiar de todos.

Ao comprometer a Senhora de Fátima na aprovação da sétima avaliação do programa de ajustamento português, Cavaco revela que perdeu a confiança no Governo e vira-se para a Cova da Iria. Tal como Portas, notabilizado por mobilizar a marinha de Guerra contra um barco armado com pílulas abortivas, que ameaçava interrupções da gravidez da Gala a Buarcos, e que atribuiu à Senhora de Fátima a orientação dos ventos e marés que depositaram nas costas da Galiza resíduos tóxicos do naufrágio do petroleiro Prestige, o PR insiste na proteção divina, desígnio de que a exonera do estado a que chegámos.

Sabendo-se que o seu humor está ao nível do das vaquinhas dos Açores, os portugueses veem no PR, não o economista eleito PR, por milagre, mas o devoto capaz de anunciar aos portugueses: “Penso que foi uma inspiração da nossa Senhora de Fátima”.

Vi e ouvi o inspirado crente, com a colher da sopa suspensa entre o prato e a boca. Se a notícia fosse apenas do jornal certamente que teria duvidado.  Não sei como não meti o cotovelo no prato.

Terça-feira, Maio 14, 2013

HERR GASPAR VISTO POR HERR SCHAUBLER


A última Revista do “Expresso” brinda-nos com um artigo do ministro das finanças da Alemanha, Wolfgang Schauble, sobre o seu “amigo e colega” Vítor Gaspar, destacado para exercer idênticas funções em Portugal.

Escreve Schauble:

“Ao observar quanto Portugal mudou nos últimos dois anos, vêm-me à mente palavras como clarividência, determinação e coragem. Não constituirá, portanto, surpresa que quando a história do seu renascimento económico for escrita, um dos seus protagonistas seja um homem dotado dessas qualidades. No seu modo calmo mas firme, o meu amigo e colega Vítor Gaspar deu uma contribuição decisiva – talvez a contribuição decisiva – para as políticas que colocaram Portugal firmemente no caminho da recuperação.”

Parece ironia de mau gosto, mas não é. Tudo indica que Herr Schauble foi sincero. Na sua mente germânica e ultraliberal, o facto de Gaspar, “no seu modo calmo mas firme”, ter lançado um milhão de portugueses no desemprego e dezenas de milhares de empresas na falência, ter atirado a classe média para a pobreza e os pobres para a miséria, só revela “clarividência, determinação e coragem”; e essas clarividentes e corajosas políticas “colocaram Portugal firmemente no caminho da recuperação”. No fundo o que ele quer dizer é que tais políticas são favoráveis à sua querida Alemanha e à sua não menos querida ideologia neoliberal.

O caráter abjeto destes elogios é tão evidente que Herr Schauble não merece, como resposta, mais que uma palavra: SCHEISSE!


(para quem não souber: “scheisse”, no idioma de Hitler, significa mais ou menos “berda-merda” em português vernáculo)

Moléstias incuráveis


Notícias do dia



É para fechar

Segunda-feira, Maio 13, 2013

13 de maio. Uma data contra a República.


Hoje, em Fátima, consumiu-se mais cera do que mel produziram as abelhas.

Fátima tem a maior área coberta da religião, em Portugal. Foi um centro de propaganda da ditadura depois de ter sido um instrumento de luta contra a República. A guerra fria deu-lhe uma enorme importância e converteu o local num centro de recolha de esmolas onde o dinheiro e o ouro abundaram. Hoje, a crise da fé e da economia tornam o sítio menos rentável, apesar das campanhas papais de marketing.

Também é verdade que os pastorinhos nunca conseguiram fazer um milagre de jeito. São mais os peregrinos que morrem na estrada do que os estropiados que se curam. Os joelhos dos devotos sangram nas maratonas beatas à volta da capelinha das «aparições» e as orações aliviam os crentes mas não produzem efeitos.

Não sei como os laboratórios farmacêuticos não usam a ave-maria como placebo nos ensaios duplo-cegos com que testam os medicamentos.

O paganismo é hoje um detonador da fé que se cultiva na Cova da Iria. Ninguém quer saber de deus, apenas a Virgem é a mascote que recebe oferendas e obriga a sacrifícios a quem se pagam promessas.

Ainda se veem velhos combatentes com a farda da guerra colonial a agradecer o retorno à Pátria. Se foi a virgem Maria que os protegeu deve haver 13 mil defuntos a sofrer em silêncio a desatenção da dita senhora que aparece em locais improváveis para alimentar a superstição e manter o negócio da fé.

Com a fome que grassa e a miséria que se instala não admira que, o desespero se torne propício às maratonas místicas que desaguam na Cova da Iria. Triste sina dos povos que veem a Terra a abandoná-los e se viram para o Céu. 

A desfaçatez e a mentira. Passos e Portas

É preferível uma parelha de coices a uma parelha de solípedes.

Domingo, Maio 12, 2013

Nas vésperas do aniversário das aparições o Governo recolhe-se para implorar um ‘milagre’…

Conselho de Ministros em alta tensão… link

Se existissem dúvidas acerca da agónica balbúrdia que reina no colectivo que (ainda) nos governa elas ficavam desfeitas com a realização, hoje, de mais um inopinado conselho de ministros extraordinário.

Trata-se, de facto, da persecução das longas reuniões efectuadas nas últimas semanas e que, sistematicamente, se traduziram em banalidades, nulidades e, mais tarde, foram trazidas à praça pública como ameaças desconexas e desfasadas da realidade nacional. Um Governo que entrou na tarefa de chover no molhado...
Entretanto, à sorrelfa dos encantados e cantados ‘consensos’ foi enviado para Bruxelas um documento baptizado de DEO (Documento de Estratégia Orçamental 2013-2017) link. Ninguém - cá dentro e lá fora - acredita em mais este malabarismo de Excel nem nos resultados das medidas que o informam. Trata-se de um pueril exercício simulador de governação.

Hoje, um governo que se mostra encalhado na sua própria incapacidade política e nas suas contradições internas, decide realizar mais uma reunião ministerial e, por via das dúvidas, não haverá declarações no final. Este encadeamento diz tudo.

Algures por aí está a troika a 'forçar' a notificação de medidas concretas. Isto é, de mais passos na cura de absurda austeridade completamente indiferente às suas consequências recessivas e a destruição do País. Em Belém, o homem silencioso e nervoso coça, complacente, o nariz. Do outro lado da barricada, Portugal, em acelerada rota para a terceiro-mundialização, permanece atónito.
Na realidade, se formos mais subtis teremos a noção de que paira no ar o sentimento de podemos estar a viver a calmaria que precede as devastadoras tempestades.

Abreu Amorim candidata-se a secretário de Estado


Não é relevante a pasta que lhe possa caber ou a precariedade do cargo. Esta gente é pau para toda a obra. A coerência é um empecilho, tal como a honra ou a dignidade política.

Abreu Amorim, em campanha para a Câmara de Gaia, afirmou que “o tempo político de Vítor Gaspar terminou». Compreende-se que não seja decoroso exibir amizades com as de Duarte Lima, Oliveira e Costa, Vale e Azevedo, Dias Loureiro e outras ex-estrelas do partido de cuja bancada parlamentar  é vice-presidente, mas, depois do desaire de Berta Cabral, bastava algum tino para não incorrer no mesmo despautério.

Berta Cabral foi, ao que me disseram em S. Miguel, uma boa autarca de Ponta Delgada mas a fama que precede o presidente do PSD levou-a a dizer dele, quando disputou o Governo da Região Autónoma, o que Maomé disse do toucinho. Chegou a perguntar ao eleitorado se a achava parecida com ele, com alguém que nem para vogal de uma Junta de Freguesia serviria, como o País dolorosamente descobriu.

Sabe-se como a autarca de Ponta Delgada perdeu as eleições para o Governo Regional.

A insistência no truque de dizer mal do Governo que o destacou em comissão de serviço para as eleições autárquicas de Gaia, talvez para pagar dívidas contraídas por Luis Filipe Meneses, é um número de circo de belo efeito mediático de fraco valor eleitoral. Aliás, revela o carácter e a falta de escrúpulos de quem é corresponsável pelo Governo que viu empalidecer a estrela Vítor Gaspar.

Quando perder as eleições em Gaia, resta a Abreu Amorim, se ainda encontrar o mesmo Governo, aguardar que lhe abra uma vaga de secretário de Estado, à semelhança do que fez a Berta Cabral.

Em Portugal, Roma paga aos traidores.

Raridade bibliogáfica


DOIS FARSANTES


As alegadas “divergências” entre Portas e Passos Coelho não passam de pura farsa.


A coligação a que ambos pertencem pretende manifestamente perpetuar-se no poder. É isso também que pretendem a Troika, o “Padrinho” e a coorte de banqueiros e outros vampirescos milionários que a suportam e ela suporta. Porém, dada a desgraçada política que têm seguido, esse objetivo parece cada vez mais inatingível, pelo menos mantendo-se a coligação como está. Em face do perigo que as próximas eleições representam para toda essa “onorata societá”, a coligação inventou uma estratégia: tornar-se a alternativa de si própria.

Como o PSD é que se tem desgastado mais, por ser o principal parceiro e aquele que mais tem “dado a cara”, as esperanças de evitar a derrocada viram-se para o CDS.

Assim, Portas começou a apresentar-se como “bonzinho”, fingindo divergir do Passos “mauzão”. Esperam com isso que parte dos inúmeros votos que o PSD vai perder sejam recuperados pelo CDS. Assim ficaria tudo na mesma, ou, quando muito, a coligação PSD/CDS seria substituída por uma coligação CDS/PSD.

Infelizmente, por estranho que pareça, não poucos portugueses vão cair na esparrela. Já ouvi mais do que um dizer “o Portas é que nos safa”! Esperemos que não sejam muitos. Esperemos sobretudo que as forças da oposição saibam desmascarar a trapaça.

Um presente envenenado


Quando um partido conseguiu finalmente um presidente, uma maioria e um Governo, os eleitores arrependem-se da maioria que lhe deram, detestam o Governo que lhes coube e desprezam o presidente que os ajudou a obter tal maioria e tão desastroso Governo.