domingo, fevereiro 19, 2017

Ruídos e silêncios



sábado, fevereiro 18, 2017

Petição Pública

Caros Amigos, 

Acabei de ler e assinar a petição: «Atribuição do nome de Dr. Alberto Vilaça, combatente antifascista, a rua em Coimbra » no endereço http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=ruaalbertovilaca 

Pessoalmente concordo com esta petição e cumpro com o dever de a fazer chegar ao maior número de pessoas, que certamente saberão avaliar da sua pertinência e actualidade.

Agradeço que subscrevam a petição e que ajudem na sua divulgação através de um email para os vossos contactos.

Obrigado.
Anabela Monteiro
Esta mensagem foi-lhe enviada por Anabela Monteiro (anabela8@hotmail.com), através do serviço http://peticaopublica.com em relação à Petição http://peticaopublica.com/?pi=ruaalbertovilaca

Assis ou o facilitado trânsito para um ‘deslocado’ …

O deputado ao parlamento europeu Francisco Assis sempre que tem oportunidade mete a colherada na política nacional aproveitando para criticar a solução de governo em que o seu partido (PS) está envolvido. Será, provavelmente, muito mais ativo no País do que em Bruxelas ou em Estrasburgo.
 
O que poderia parecer um apego à cidadania ativa terá certamente outras razões. A história recente do 'PS do pós-segurismo’ está por detrás de toda esta azáfama. Depois, participou numa célebre jantarada de leitão na Bairrada que primou pelo desperdício, ou seja, sem comensais sobrou bácoro assada à fartazana.
Há pouco tempo veio a terreiro pedir eleições antecipadas, antecipando-se à própria Direita, sem explicar quem era o mandante do recado.
 
Finalmente, agora vem ao lançamento de um livro do parlamentar europeu José Manuel Fernandes (PSD) e aproveita o ensejo para relembrar a necessidade de ‘entendimentos’ (com a Direita, como é óbvio) link.
 
Inventa um ‘muro político’ para justificar uma nova investida na política partidária e coloca o ‘centro político’ (o “centrão”) como o garante da afirmação e desenvolvimento do processo europeu.
Na sua cabeça a Europa tem um formato confinado ao centro-direita ou, mais relutantemente, ao centro-esquerda. Isto é, balanceia-se no espectro político-partidário mas o centro tem de estar presente sempre.
Não concebe outro tipo de Europa para além da moeda única e dos ditos pactos de estabilidade e crescimento ditados por Berlim e sancionados pelo PPE.
 
Não existe, como Francisco Assis pensa, um muro entre a Esquerda e a Direita. Mais concretamente, entre a sua rejeitada Esquerda e a ansiada Direita.
Razão pela qual a sua progressiva deslocação para o território da Direita pode fazer por um largo estradão ou, se existirem fundos europeus disponíveis, por um futura autoestrada.
Um caminho fácil e  sem escolhos que nem todos os deslocados (e existem muitos por esta Europa fora) têm podido trilhar.

Petição Pública

Caros Amigos, 

Acabei de ler e assinar a petição: «Atribuição do nome de General Augusto José Monteiro Valente, Capitão de Abril, a rua em Coimbra » no endereço http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=ruamonteirovalente 

Pessoalmente concordo com esta petição e cumpro com o dever de a fazer chegar ao maior número de pessoas, que certamente saberão avaliar da sua pertinência e actualidade. 

Agradeço que subscrevam a petição e que ajudem na sua divulgação através de um email para os vossos contactos. 

Obrigado.
Anabela Monteiro

Esta mensagem foi-lhe enviada por Anabela Monteiro (anabela8@hotmail.com), através do serviço http://peticaopublica.com em relação à Petição http://peticaopublica.com/?pi=ruamonteirovalente

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Cidadania


Habituamo-nos de tal modo a olhar os outros de frente que, por vezes, esquecemos o veneno que a cauda encerra.

A OBRA QUE CAVACO OBROU

Cavaco perpetrou um livro. Como é óbvio, não o li nem vou ler. Mas, pelo muito que tenho lido e ouvido na comunicação social, o ex-Presidente mostra-se como sempre foi. O Chefe do PPD. O inimigo figadal do PS e de tudo o que lhe "cheire" a esquerda. O Padrinho da Pafia. Revelou conversas privadas. Como alguém já disse, não "prestou contas: ajustou contas". E espezinhou "corajosamente" quem está na mó de baixo - José Sócrates.
Nem sequer vou sujar as mãos a folhear a coisa.

Descentralização Administrativa: a lenta e difícil caminhada...

A questão da descentralização política e administrativa é um problema mal resolvido para muitos portugueses desde 1998 (data da realização do referendo sobre a regionalização do País). Provavelmente o problema é ancestral já que é comum atribuir culpas pelos cíclicos males do País aos recorrentes bloqueios burocráticos do monstro ‘Terreiro do Paço’.
 
A Regionalização sendo um princípio consagrado na Constituição não tem sido fácil de pôr em prática. Por variadas razões que vão desde as delimitações das regiões que acabam por não gerar consensos e ainda porque o espectro de poder traduzir benefícios eleitorais pairará sempre sobre qualquer proposta (venha donde vier).
Outras manifestações marginais inquinaram o processo de regionalização onde pura e simplesmente abundam critérios economicistas explorados pela Direita que apontavam para sobreposições e duplicações de despesas administrativas.
Mas a Direita no essencial ao opor-se à regionalização pretendeu esconder a sua concepção nacionalista de Estado unitário.
 
O abandono de uma conceção tradicional englobando Norte, Centro e Sul (as ilhas são um caso à parte), embora estivesse fundamentado em especificidades de acessibilidades geográficas e de maior proximidade administrativa, não foi capaz de clarificar, integrar e fazer confluir os conceitos e pretensões regionalistas de muitos dos portugueses. Daí o resultado negativo do referendo e a colocação deste assunto em stand by. Todavia, é precipitado julgar que o problema morreu.
O Governo acaba de tomar decisões sobre uma descentralização administrativa que abrange áreas relativas à educação, saúde, ação social e áreas portuárias link. Foi de imediato acusado de estar a proceder a uma regionalização encapotada.
 
Na verdade, não parece existir essa trajetória regionalista mas antes da transferência de competências e, esperemos, de dotações orçamentais para estruturas políticas e administrativas já existentes e implantadas no terreno dito nacional.
Não houve, portanto, qualquer abrir de mão no campo da autonomia decisória ficando as estruturas centralizadoras de posse de todos os instrumentos de definição das políticas nacionais em todos os âmbitos que estão a ser ‘descentralizados’. O que se preconiza agora enquadra-se mais na concretização prática da Lei Quadro das Regiões (Lei nº. 56/91) link  que tem estado em ‘banho-maria’ desde 1991. Mesmo assim fica-se aquém do então legislado, já que não se instituiu Assembleias Regionais. Uma eventual equiparação das actuais CCDR’s às competências previstas para as Juntas Regionais não foi contemplada nas presentes medidas descentralizadoras tendo sido postergada para legislação futura, para não agitar demasiado as águas.
 
É bom ter presente que não se trata de uma regionalização, mesmo que envergonhada, nem sequer de uma profunda reforma administrativa mas uma tímida e cautelosa descentralização mesmo assim – e se correr bem - capaz de abrir caminho na modernização do País.
 
A transferência de competências para as autarquias, no entanto, não está isenta de riscos. Hoje é de bom-tom elogiar um pouco acriticamente o poder local esquecendo ou branqueando pecadilhos passados e presentes.
 
A questão  ‘centralização versus descentralização’ vem muito detrás e ganhou particular revelo no século XIX, com as conceções de Alexandre Herculano que assentavam num municipalismo indutor do desenvolvimento contra o marasmo centralista (do ‘Ancien Régime’) que considerava simplesmente obsoleto e tiranizante. Estávamos em plena Revolução Liberal e as posições de Herculano são perfeitamente consentâneas com a ideia de ‘Regeneração Nacional’ muito discutida na época.
 
A I República fez arrastar o modelo administrativo do País entre vários projetos donde emerge o federalismo (unitário) e ainda de experiências descentralizadoras digladiando conceções assentes nos concelhos, nos distritos e nas províncias. Neste período, um dos grandes promotores de uma Reforma Administrativa foi um homem da região Centro, António José de Almeida, e que - devido à instabilidade política da época - a formulou, mas não a conseguiu desenvolver.
 
No Estado Novo, os municípios transformaram-se em correias de transmissão do poder central, foram despojados de recursos financeiros, alienaram a participação popular, fazendo nascer velhos caciquismos.
 
Depois de 1974 há um ressurgimento do Poder Local que, numa primeira fase, é extremamente profícuo e atuante resolvendo alguns dos problemas ancestrais que fustigavam o País. Foi sol de pouca dura e muito precocemente o Poder Local, nomeadamente os municípios, foram entalados entre os insaciáveis apetites dos promotores imobiliários (terreno fértil para a corrupção) e os jogos partidários locais (com o beneplácito de órgãos nacionais) e onde velhas concepções geram em muitos concelhos ‘dinossauros autárquicos’, uma variante moderna do caciquismo.
A aliança entre ‘dinossauros’ apoiados por um vasto leque de formações partidárias e os interesses imobiliários gerou danos patrimoniais irreversíveis, a anarquia de planeamento, o caos urbanístico e projetos megalómanos insustentáveis, assentes em despesismos irracionais, sendo indutora de novo período de descrédito para o municipalismo.
 
Estas medidas descentralizadoras anunciadas pelo Governo são uma nova oportunidade para relançar o municipalismo, enquanto poder de proximidade em sintonia coma as necessidades e aspirações locais, já que sob os efeitos da crise financeira ainda em evolução, a pressão dos interesses imobiliários decresceu e as autarquias tiveram de virar-se para os problemas sociais, económicos e demográficos que se agudizaram.
 
A disseminação de ‘orçamentos participativos’ introduziu uma nova dinâmica municipal e esta metodologia comunitária deverá ser ampliada nomeadamente no âmbito orçamental (envolvendo decisões sobre projectos municipais de maior vulto). A participação dos munícipes na vida das comunidades será a melhor forma de controlar e regular o municipalismo, não os deixando transformar-se em ‘novos morgadios’.
 
Finalmente, a Regionalização tem necessariamente de (re)conquistar espaço na discussão pública nacional quando são decorridos cerca de 20 anos após a decisão referendária. Mas este é outro assunto que, não diminuindo a importância de medidas descentralizadoras, deverá ser digerido à posteriori e em contraponto (dialético) ao arrasante poder corporizado pelos esmagadores mecanismos de globalização.

Cavaco Silva - o último almocreve do salazarismo

Pode dizer-se que é excessiva a importância dada a um defunto político, que é feio bater em mortos e contraproducente condenar quem não superou o salazarismo endógeno e o rancor acumulado pelo progressivo desprezo dos portugueses.

De facto, Cavaco, não é apenas um inculto conformado, é o rancoroso amargo que não hesita em tomar apontamentos das reuniões confidenciais, não para desmentir quem as apresentasse distorcidas, mas para expor conversas privadas e de Estado, por vingança, e com alta probabilidade de inexatidão, agravadas pelo facto de o alvo estar arguido e à espera de uma acusação cujos sucessivos adiamentos abalam o Estado de Direito.

Quem admoestou o primeiro-ministro, a ser verdade o que disse, referindo-lhe que não estava a falar com os membros do seu governo, mas com o PR, revela o que pensa das relações de um PM com os ministros, e o comportamento de que era capaz durante os seus dez anos de Governo.

Não sendo a urbanidade o seu forte, revela a inferioridade de quem nunca esclareceu as suas relações com a SLN/BPN ou os vários negócios pessoais envoltos numa nuvem de desconfiança.

Falta-lhe credibilidade e ética para julgar um ex-ministro, Jaime Silva, ou o magistrado de que foi corresponsável na nomeação para PGR, o juiz-conselheiro Pinto Monteiro.

Mas onde a sua conduta é mais reprovável, e se mostra indigno do cargo que ocupou, é na censura que faz à atual solução governativa, como se o PR pudesse decidir quem são os partidos bons e os maus e as funções lhe permitissem alterar a composição da AR.

Se fosse um democrata, se percebesse a iniquidade da ditadura, que nunca o incomodou, se tivesse um mínimo de respeito pelos antifascistas e tivesse merecimento para ser PR de todo os portugueses, perceberia que os votos no PCP ou no BE são iguais aos que lhe permitiram ocupar o mais alto cargo na hierarquia do Estado.

Devia ter remorso do prejuízo que causou ao país com a manutenção do Governo PSD / CDS até ao último dia possível e do patético desvario de o querer reconduzir contra a vontade da Assembleia da República.

O pior PR da democracia faz tudo para que os portugueses, a quem se referiu por ‘eles’ na apresentação do rol de acusações a que chamou ‘livro’, lhe continuem a pedir contas, não pelo que diz, mas pelo que oculta e, sobretudo, pelo que lhes fez.



quinta-feira, fevereiro 16, 2017

Reflexão

Não surpreende que os órgãos de comunicação social privados estejam ao serviço da direita e destilem ódio contra o atual governo.

Era de esperar o recrudescimento da intriga e do ressentimento depois do anúncio de sucessivos êxitos no campo económico  e do falhanço do desejado fracasso governamental.

O que admira é a hostilidade sistemática da televisão e da rádio públicas no seu desvairado alinhamento com os interesses e os negócios que a comunicação social privada promove ao serviço dos grupos económicos que a detêm.

O pluralismo informativo não é uma concessão ao arbítrio da direita, é uma exigência ao serviço da democracia.

Literatura (género: tragédia)

Mais um livro para conhecermos o calendário cavaquista

Cavaco Silva (ACS) – o redator que detesta ser leitor

O livro intitula-se "Quinta-feira e outros dias". Quem desconheça o autor, há de julgar que o título é uma homenagem ao escritor G. K. Chesterton, e uma inspiração contra o anarquismo, bebida em “O Homem que era Quinta-Feira”.

Cavaco Silva jamais se prestaria a assumir o papel do agente secreto Gabriel Syme, para arruinar um grupo anarquista. Tudo o que conseguiu foi um Fernando Lima para forjar uma pérfida intriga contra o então PM, com o pouco estimável ‘jornalista’, José Manuel Fernandes. Foi um guião fracassado para filme rasca.

Cavaco copiou Fernando Lima, que esperou a reforma para o zurzir, a si e à sua prótese, D. Maria. Aguardou várias reformas e 1 ano para revelar os pormenores das audiências, que tinham lugar à quinta-feira, com Sócrates. Tal como o ex-assessor, com raiva tardia, em vez de explicar o caso das escutas, o negócio das ações, dele e da filha, a permuta de terrenos, onde achou a vivenda Gaivota Azul, ou a razão para preencher a ficha na Pide, com erros de ortografia, resolveu escrever 592 páginas, divididas em 52 capítulos e três partes, mais prosa escrita do que a lida pelo alegado autor.

A segunda parte, um ato de vingança e ressentimento, é dedicada apenas às audiências de quinta-feira às quais Sócrates chegava bem preparado, mas quase sempre atrasado – segundo refere a comunicação social –, e é, afinal, a razão do título e da obra.

ACS diz que o livro (18,80 €), pretende ser uma prestação de contas aos portugueses e, segundo se crê, será um ajuste de contas de quem diz não gostar da política espetáculo, refutando o imerecido apodo de palhaço, de Miguel Sousa Tavares, no Expresso.

O ex-notário de Passos Coelho encarou as funções presidenciais inspirado na Sr.ª Lúcia de Jesus, pastorinha de Fátima: é necessário salvar Portugal dos comunistas.

Não é um estadista, é um redator de terceira, com uma azia de primeira, a quem não há bicarbonato que valha. Prevaricador ortográfico e gramatical, faz a catarse da apagada e vil tristeza a que o esquecimento e alívio dos portugueses o remeteu.

E vinga-se, com um rol de merceeiro cuja contabilidade e fiabilidade merecem o mesmo crédito da garantia sobre a solidez do banco BES, dias antes da derrocada das empresas do universo GES/BES, num dos seus raros gestos de gratidão, para desgraça de muitos.

Foi na vivenda de Ricardo Salgado e com a sua bênção, que os casais Cavaco, Barroso e Marcelo, engendraram a sua primeira candidatura a PR, num jantar funesto para o País.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

CGD - The End of the Game...

Ontem, na Comissão de Inquérito Parlamentar à CGD, a Direita deverá ter finalmente compreendido que a Esquerda não vai ser um bordão para alimentar uma interminável chicana política à recapitalização do único banco público nacional.
 
Assim, a correspondência e os e-mails trocados entre o Governo e António Domingues ficam de fora do âmbito da Comissão por terem sido consideradas como não enquadrando o objeto do inquérito link.
 
Independentemente dos erros processuais e políticos que foram cometidos - uma lamentável evidência - e que a Direita se apressou a empolar, a atitude da Esquerda face ao folhetim CGD é salutar já que visa não continuar a permitir a desestabilização desta instituição financeira que, desde há 1 ano, i. e., logo que anunciada a sua recapitalização, está sujeita a continuadas e sistemáticas perturbações.
 
Rapidamente, um inquérito que pretendia escrutinar o exercício administrativo e a eficiência da CGD, durante o século XXI (desde 2000), período em que esta instituição bancária 'colecionou' um gigantesco montante de ‘crédito mal parado’, transformou-se num sinuoso e infindável ‘mexerico’ à volta da futura administração, com o manifesto intuito de travar a recapitalização e a sua manutenção na esfera pública.
 
E o pretexto da busca da verdade, ou da denúncia da mentira, foi usado para esconder a verdadeira motivação da chicana, que é facilmente reconhecível como eminentemente política. Na verdade, custa a engolir que os acuais ‘paladinos da verdade’ em meados de 2011 andassem a garantir que não iam cortar salários, pensões e subsídios e ainda não tínhamos chegado ao Natal os cortes de todas essas prestações já estavam a ser processados.
 
Se a Direita tiver a mesma argúcia com que tentou ‘acabar’ com o Ministro das Finanças e tolher o Governo, deverá, também, ter arguido que a rábula chegou ao fim.
 
Algo do que se está a passar faz lembrar o provérbio chinês: “quando o dedo aponta a lua, o tolo olha para o dedo”.
 
Adenda: O provérbio não é inocente. Na realidade, nem toda a banca é chinesa e nem todos os portugueses são tolos.

Os referendos, a IVG e o código penal

Os referendos tornaram-se excelentes exercícios de demagogia e frágeis instrumentos democráticos. Em Portugal, depois de 1974, não houve um único referendo vinculativo, isto é, com um mínimo de 50% de eleitores, que o tornasse de cumprimento obrigatório.

Convém lembrar que a Constituição Política de 1933 foi aprovada por referendo, onde as abstenções contaram como votos a favor, é certo, e a ditadura consagrada.

Mas voltemos ao referendo, formalmente o mais democrático dos instrumentos, e uma forma de corroer a democracia representativa e exonerar os partidos parlamentares das suas obrigações.

Foi legítima a pergunta feita em 28 de junho de 1998: «Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas 10 primeiras semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?». Que direito tinham os homens a pronunciarem-se sobre um assunto exclusivo da saúde da mulher? O terrorismo pio e o desinteresse do eleitorado prolongaram o sofrimento inútil das mulheres. Votaram 31,89% dos eleitores e 50,91% disseram NÃO e 49,09% SIM.

Os direitos individuais, pelo menos esses, não devem ser referendáveis.

A pergunta foi repetida em 11 de fevereiro de 2007 e, uma vez mais, votaram menos de 50%, mas dos 43,57% que votaram, foram 59,25% a favor do SIM e 43,57% do NÃO. O referendo não era de cumprimento obrigatório, mas perante uma votação mais ampla e a significativa maioria do SIM, os derrotados ainda quiseram contestar a alteração da lei com o governo do PS a honrar o compromisso eleitoral.

A primeira votação da despenalização do aborto em casos de malformação fetal, risco de vida da mãe e violação foi chumbada com votos do CDS, do PSD (com 4 honrosas exceções) e vários do PS a impedirem que a mulher que recusasse ter um filho de um violador ou um nado-morto não fosse sujeita à devassa e condenação de um Tribunal.

Hoje, dez anos depois da despenalização (11-2), há menos abortos, menos reincidência e nenhuma mortalidade materna. Que crueldade alberga quem, em nome da fé, desejava impedir às mulheres um direito (não é obrigação), que não atinge os homens?

Repito, porque demonstra a mentira da argumentação da pior direita e da mais jurássica mentalidade religiosa: «Hoje, dez anos depois da despenalização (11-2), há menos abortos, menos reincidência e nenhuma mortalidade materna».

terça-feira, fevereiro 14, 2017

Cavaco: Num qualquer dia da semana que até poderia ser quinta-feira…

Não faço intenções de ler o livro de Cavaco Silva “Quinta-feira e outros dias”. O tempo é demasiado precioso para ser gasto em elucubrações.
Entretanto, a imprensa vai debitando algumas ‘deixas’ link.
A petulância de julgar que anda sempre a cavalgar o “superior interesse nacional” – que segundo afirma é o seu móbil para escrevinhar - enfastia-me.
As autobiografias são sempre duvidosas e perigosas quanto à possibilidade de distorções. Surgem tanto mais enviesadas quanto se sabe que muitos dos seus autores podem ter dificuldades em colocar-se acima (ou de fora) da sociedade sobre a qual discorrem, alijando determinismos (ou seja pré-determinados destinos).
A narrativa de vida do próprio para ter interesse pressupõe a acessibilidade pública dos meios de informação e registo que a informam. Não são essas as condições que se verificam. Existirão, no caso de Cavaco Silva, nomeadamente em relação às quintas-feiras, registos individuais e personalizados, não escrutináveis.
Sem querer fazer uma intrusão no género literário em causa é comum surgirem muitas reservas sobre a objetividade e o rigor do discurso autobiográfico, existindo - no caso presente - fundadas dúvidas sobre a capacidade deste livro, oriundo de uma personagem tão atávica, vir a esclarecer os portugueses. Aliás, é suposto que o correto seria ter informado e esclarecido os portugueses a tempo e a horas. 
A transmissão escrita das “suas memórias” (próprias) deixa sempre interrogações sobre a oportunidade, veracidade e adequação da narrativa, já que procedem de alguém que, muito embora reivindique muitas qualidades (muitas nunca confirmadas), muito dificilmente poderá invocar o conhecimento dos métodos ou práticas historiográficas.
Na verdade, e para regressar às origens das autobiografias, nem Cavaco Silva é Rosseau (que escreveu a famosa autobiografia ‘Confissões’), nem o seu 'alvo predilecto', José Sócrates, será Voltaire (objetivo das 'Confissões' de Rosseau).
Receio bem que estejamos a ser confrontados com um exercício literário que seja uma pura excrescência ao sobejamente conhecido.

O escritor Aníbal



Cavaco não escreveu um livro, imprimiu um calço para nivelar mesas com uma perna curta.

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

O embaixador Martins da Cruz

Contributo dos leitores para a biografia:

Blogger e-pá
CE:

AMC não será (ainda) um reformado da política, como está escrito no post.

No presente, vende as suas (nefastas) conceções políticas ao Governo de Angola, sendo um dos assessores presidenciais.
O 'caso Luaty Beirão' revelou, recentemente, o âmbito e o roteiro da seu trabalho de consultoria, quando tentou 'branquear', nos meios de comunicação social portugueses, o julgamento que foi encenado em Luanda, sem invocar o mais pequeno conflito de interesses (que estavam subjacentes às funções que está a desempenhar)...
                                                     
                                                           ***
Blogger amadeu moura disse...
O AMC tem um curriculum invejável!

Ao que foi mencionado, convém acrescentar que foi ele, na qualidade de embaixador em Madrid, que propôs à Presidencia da Republica, que fosse atribuída uma comenda ao português dono da Afinsa!

E como ele não queria que fosse o presidente (Jorge Sampaio) a condecorar o seu amigo, organizou a agenda de modo a que cerimonia tivesse lugar na embaixada portuguesa em Madrid. E assim foi ele, o Martins da 'Cunha', a pendurar o artefacto na lapela do amigalhaço.

Há ainda um outro ponto a sublinhar. Estando ainda ligado MNE, o AMC representava o conglomerado americano Carlyle, a famosa companhia do ex-embaixador americano em Lisboa, Carluci! Tutti bona gente...

Prova de vida

A Coreia do Norte lançou um míssil e Cavaco Silva um livro.

O míssil preocupa o mundo, o livro é irrelevante para o desprestígio do alegado autor. O primeiro tem créditos firmados na irresponsabilidade e o segundo na prevaricação ortográfica e no ressentimento.

Um é perigoso, o outro deprimente.

domingo, fevereiro 12, 2017

Embaixador Martins da Cruz – Figuras e figurões

«Rajoy já falou duas vezes com Trump e Costa nem uma» (Martins da Cruz, Embaixador)

Poucos leitores conhecerão o embaixador António Martins da Cruz (AMC), espécie de Zé das Medalhas, com mais condecorações do que peito, compadre de Durão Barroso, pai da Diana, cuja admissão em Medicina exigiu uma portaria só para ela, escândalo que levou à demissão do ministro do Ensino Superior e à sua, de MNE, no Governo Portas /    Barroso, e à matrícula da filha numa faculdade de medicina espanhola.

Na entrevista ao DN de ontem (11-2-2017), pág. 8 e 9, não refere as relações com Durão Barroso, de quem foi o artífice da ascensão a presidente da CE, com Mário David, atual eurodeputado do PSD, e mandatário da candidatura inventada, à última hora, para tentar impedir Guterres de ascender o cargo.

Enquanto Barroso, mestre na dissimulação, dizia à comunicação social que o Governo apoiava a candidatura de António Vitorino à CE, organizavam a sua os dois homens de mão, sendo AMC, bem relacionado nos serviços secretos europeus, autor da estratégia, depois da queda de Aznar em desgraça, pela maior visibilidade na invasão do Iraque.

Martins da Cruz foi um dos administradores da empresa espanhola Afinsa, fundada por um português, a terceira maior empresa mundial de ativos não financeiros, a seguir à Sotheby's e à Christie's, empresa cuja falência fraudulenta lesou 143 000 investidores, com perdas de 1823 milhões de euros, assunto não abordado na entrevista.

Nesta entrevista, em que elogia Cavaco e Durão Barroso pelas excelentes relações com os EUA, únicos PMs que estiveram na Sala Oval, denegriu António Costa por ainda não ter falado com Trump, ao contrário de Rajoy que já falou duas vezes. Aproveitou ainda para elogiar o apoio de Barroso à invasão do Iraque, pelo benefício de alinhar a política externa portuguesa com a dos EUA, independentemente de ser criminosa ou não.

O DN refere que Martins da Cruz ainda não tinha 30 anos quando foi abrir a Embaixada Portuguesa em Maputo. Pode ter aberto a porta da Embaixada, bastava ter a chave, mas o Embaixador, o honrado magistrado que Melo Antunes convidou, chama-se Albertino de Almeida e foi ele o primeiro embaixador quando o futuro assessor diplomático de Cavaco Silva e chefe da diplomacia portuguesa na guerra contra o Iraque iniciou ali a carreira diplomática que o levaria a Embaixador.

Hoje, reformado, é um homem de negócios, tal como o compadre Barroso.