Domingo, Maio 25, 2008

Afinal não é o PS

O racismo é a lepra da fraternidade

Milhares de pessoas manifestaram-se contra a violência xenófoba, este sábado à tarde em Joanesburgo. Nos últimos 12 dias 42 imigrantes africanos foram mortos.

Comentário: As manifestações não restituem a vida, não vencem o medo, nem aliviam o sofrimento. Mas redimem a cobardia e atenuam a vergonha colectiva.

Sábado, Maio 24, 2008

Por vergonha

Pergunta-me um amigo, por e-mail, o motivo por que não coloco no Ponte Europa um post sobre:


«Portugal é o país da Europa com maiores desigualdades de rendimentos»

Espanha – O futuro do PP


Quando Aznar indigitou ou, pelo menos, permitiu a sucessão de Mariano Rajoy foi uma surpresa. O dirigente do PP tinha-se distinguido sempre pela moderação, bonomia e cultura, ao contrário de Aznar, ligado ao Opus Dei, velho franquista, capaz de negociar a compra da mais alta condecoração dos EUA, quer acabou por lhe ser negada, e de se tornar o mais entusiasta dos invasores do Iraque. Rajoy era a face humana do aznarismo.

Rajoy é um homem de consensos, Aznar um extremista que aderiu à causa democrática porque não há ditaduras eternas. Mariano Rajoy é um democrata de perfil europeu, com um toque aristocrático. O seu comportamento, durante a anterior legislatura, não esteve de acordo com a sua maneira de ser. As manifestações de rua com os bispos franquistas, a contestar as decisões legítimas do Governo, não faziam jus ao passado e à postura do líder a quem um revés negou o Governo e remeteu para a oposição.

Aznar é um reaccionário ambicioso e sem escrúpulos, Rajoy é um político moderno e com sentido ético. Aznar deixou o Governo para um lugar na Europa e viu o mordomo dos Açores substituí-lo porque a sua exuberância belicista o tornou impróprio para consumo europeu depois da aventura iraquiana.

As últimas eleições confirmaram Zapatero na chefia do Governo, por mérito próprio, mas não foi Rajoy que perdeu as eleições, foi a tralha aznarista, os detritos franquistas e o clero ultramontano. Rajoy acaba de mudar de rumo e seguir o caminho que era seu, de que a sombra de Aznar o impediu. A nomeação de Gallardón para o acompanhar na lista ao Congresso Nacional do PP, que se realizará entre 20 e 22 de Junho, em Valença, e o consequente afastamento de Esperanza Aguirre, são um sinal inequívoco de moderação.

Aznar, Esperanza Aguirre, María San Gil, Ortega Lara e outros exaltados reaccionários não lhe facilitarão a tarefa mas, em caso de vitória, a Espanha dormirá mais tranquila, os fantasmas ficarão mais longe e Franco será um espectro que desaparece entre a raiva e o ranger de dentes de Aznar e dos seus pouco recomendáveis seguidores.

O privado é que é bom

Risco do fogo amigo

Passos Coelho – uma estrela sem brilho


Pedro Santana Lopes e Manuela Ferreira Leite já são conhecidos, para o bem e para o mal. Faltava Pedro Passos Coelho (PPC).

Este último concorreu com a vantagem de não ter passado e, por isso, não ser vulnerável a acusações por erros passados, como lembrou em sua defesa Fernando Ruas, autarca de Viseu e presidente da ANM.

O pior é não ter programa, ideias ou coerência. Tem uma vaga ideia do que é ser liberal e, por isso, se disse liberal mas sem saber o que a palavra significa sob o ponto de vista económico.

Assim, a sua incultura política obriga-o a dizer que é aquilo que promete não querer ser. Bastou uma jornalista com a lição estudada e uma adversária com conhecimentos de economia para o deixarem de rastos.

A deprimente prestação televisiva à TVI destruiu o mito que o PSD, laboriosamente, se esforçava por construir para um futuro que há-de sair de uma manhã de nevoeiro.

PPC concorreu à liderança do PSD para que o conhecessem. Fala para que o ouçam mas era melhor que se calasse para que continuassem a apreciá-lo.

Sexta-feira, Maio 23, 2008

Jurisprudência - «A brandura dos nossos costumes»

O Tribunal de Santarém condenou, esta sexta-feira, os sete membros da comissão de praxes da Escola Superior Agrária a multas entre os 640 e os 1600 euros, depois de uma aluna os ter processado por ter sido sujeita a actos poucos dignos durante a praxe de 2002.

Gostaria de acreditar...

No dia em que que o Governo confirma a passagem por Portugal de voos «de» e «para» Guantanamo, Pedro Silva Pereira revelou que o Executivo português pretende que a União Europeia discuta com os Estados Unidos a possibilidade de fechar esta prisão. O ministro da Presidência diz também que a equipa governamental «não tem nada a esconder ou temer».

Comentário: Gostaria de acreditar que, após a cumplicidade do Governo que cometeu os crimes de mentir, desrespeitar o direito internacional e massacrar um país, tivéssemos agora um Governo imaculado no respeito e na defesa dos direitos humanos.

Não há rapazes maus...

... há más companhias.

TV – Perversão da livre concorrência

Por

A. Horta Pinto

Como democrata e indefectível defensor da liberdade de expressão de opinião (isto é, de opiniões) só posso congratular-me com o facto da haver em Portugal vários canais de TV.
Acontece porém que o "mercado"- esse ditador da economia capitalista - faz com que a livre concorrência entre os 3 canais tenha efeitos perversos. Isto é: tem-se visto na prática que os 3 canais, em vez de concorrerem uns com os outros pela diferença, concorrem pela semelhança.

Se um canal dá o principal jornal às 20 horas, todos passam a dar o seu principal jornal às 20 horas; se um canal se lembra de dar o sumário desse jornal às 20 menos dois minutos e meter no meio um anúncio, logo os outros dois fazem a mesma coisa; se outro canal se lembra de passar notícias escritas em rodapé enquanto dá outras notícias, logo os outros dois o imitam.

Chega a acontecer não valer a pena fazer "zapping" quando o canal cujo noticiário estamos a ver interrompe o jornal para dar anúncios: os outros canais tambem estão a dar anúncios. Chega a parecer que se combinam! Por outro lado, todos os canais à "hora nobre" nos impingem porcarias intragáveis; os programas com algum interesse são depois da meia-noite, quando a maior parte das pessoas vão dormir.


Além disso, as "opiniões" expressas nos vários canais são praticamente as mesmas.Infelizmente, tenho de reconhecer que a televisão de hoje, com 3 canais, é pior do que a que havia (depois do 25 de Abril, claro) com apenas um canal, em que à hora nobre se podia ver a telenovela "Gabriela" ou o interessantíssimo concurso "A visita da Cornélia".


Em suma: alguma coisa está mal no reino da Dinamarca da nossa produção televisiva: cada canal procura ser pior que os outros!

Qui Mai 22, 02:58:00 PM

Feriados religiosos. Opinião de um leitor


Por


Hoje [ontem] é feriado (Corpo de Deus) por causa da religião e, como este há muitos. Já há muito que defendo que estes feriados deveriam deixar de existir desta forma. É que anda aí muita gente a beneficiar de algo por parte daquilo que diariamente criticam. Por mim, que sou como é sabido, católico, em nada me importaria de passar os "festejos" religiosos para o Sábado seguinte ao acontecimento do mesmo. Era algo que deveria sair da Concordata. Os católicos não devem querer manter algo que já não faz sentido para uma sociedade multi-étnica como a nossa. Temos que seguir o nosso caminho sem beneficiar nem prejudicar ninguém.

Quinta-feira, Maio 22, 2008

A hipoteca em troca de votos

Pedro Santana Lopes, candidato à liderança do PSD, demonstrou esta quinta-feira o desejo de ver alterada a actual Lei das Finanças Regionais.
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“Este é um dos pontos dos vários que eu e o presidente do Governo Regional da Madeira vamos conversar e só depois aprofundarei mais aquilo que quero saber”, afirmou o antigo Primeiro-ministro à chegada ao Funchal.

Comentário: Dois Pedros é um perigo a multiplicar por 2.

Reestruturar as FA. Elimine-se o CEMGFA



Por J. Barroca Monteiro*

“Tropa co-localizada”
“Forças Armadas”

“Os três chefes unidos contra Valença Pinto”, sobre a reforma da estrutura superior das Forças Armadas, vista como um problema de poder entre os chefes militares.

Sem uma visão de conjunto, vai prevalecendo a resistência corporativa dos sectores, agora acrescida de um quarto – EMGFA.

Uma reforma militar de fundo, confronta-se com duas vertentes: a mudança do Exército, pondo definitivamente de parte a herança territorial, casos dos comandos funcionais de há dois anos na província ou de um novo regimento em Tavira; a mudança do conjunto, adoptando de vez alguns órgãos comuns ás FA – bem mais do que o efectuado com os IAEM/IESM (3=1), passando por escolas e academias militares.
Assim como travar uma pequena aviação do Exército servida por uma pequena base aérea, quando a Força Aérea há muito eliminou algumas bases por razões de racionalidade e economia.

A linguagem adoptada pelo documento do Conselho de Ministros sobre o Comando Operacional Conjunto é reveladora da falta de vontade militar e de liderança política em mudar a sério: «comandos de componente (dos ramos), co-localizados (perto uns dos outros mas separados) em Monsanto (3=4).

Uma praça/cabo destacado do complexo militar de Santa Margarida para Fátima chefiando alojamentos militares de apoio aos peregrinos, parece ter percebido a necessidade de mudança. Confidenciava-me da necessidade de reduzir as portas de armas no complexo (acessos internos), de uma dezena para três, economizando assim efectivos significativos. Capaz ainda de admitir como solução a ida das escolas práticas das armas (quatro) para Santa Margarida.

Talvez que o Exército não tarde em adoptar a solução delineada para o COC. Um agrupamento de escolas práticas co-localizadas em redor de Tancos ou Santa Margarida, a saber, uma escola/comando gerindo o conjunto, com as restantes escolas em redor (escolinhas). Uma boa oportunidade para o enriquecimento de cargos, se tal agrupamento passar a ser chefiado por um general.

PS: há uma forma simples e fácil de evitar os conflitos de poder aflorados acima. Eliminar o cargo de CEMGFA, criando o Chief of Defense no MDN (general de 3 estrelas). Na Alemanha, funciona.

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Coronel (R)

Espaço dos leitores

Bernini

Deprimente



Seja qual for a verdade...

Liberdade de expressão é só para alguns

José Sócrates vai recorrer do acórdão da Relação de Lisboa que o condenou a pagar uma indemnização de 10 mil euros ao jornalista do PÚBLICO José António Cerejo, disse hoje à Lusa fonte próxima do dirigente socialista.

Comentário: Um jornalista, um Charrua ou um qualquer cidadão pode insultar o primeiro-ministro ao abrigo do direito à liberdade de expressão.

Um ministro não pode pôr em dúvida a palavra de um jornalista, numa carta ao jornal. Sobretudo se, quatro anos depois, vier a ser primeiro-ministro…

Quem ouve o terrorismo verbal de Paulo Portas...

...Não acredita.
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Portugal é o sétimo país mais pacífico do mundo


No ranking dos países mais pacíficos do mundo, Portugal subiu dois lugares em 2007. Países europeus lideram tabela.


Entre 140 países, Portugal é o sétimo mais pacífico do mundo. É uma das conclusões do Global Peace Index elaborado pela Economist Intelligence Unit., divulgado terça-feira

O Lobo Mau e o Capuchinho



Passos Coelho defende na Madeira aprofundamento das autonomias regionais

O candidato à liderança do PSD apoiado pelo presidente da Associação Nacional dos Municípios, um autarca que sofre de erisipela quando pressente limitações ao regabofe autárquico, foi à Madeira defender o «aprofundamento das autonomias regionais».

Para quem defende o desmantelamento do Estado, trata-se de uma incoerência aumentar os poderes de um Estado de opereta que o sátrapa local edificou com a cumplicidade ou cobardia dos sucessivos Governos presidentes da República.

Para ganhar votos no mercado partidário vale tudo, mas não se pode negociar, em nome de uma carreira política, o futuro do País, o ordenamento jurídico e a Constituição da República. Pedro Passos Coelho ainda não disse como pretenderia gerir o Governo, se o tomasse, com um bando de neoliberais, mas já promete dissipar o poder para o entregar a quem não merece a confiança do País mas, apenas, da clientela autóctone.

Não é o inexperiente político que intimida. Sabemos como se bateu contra as propinas o estudante que exigia tudo ao Estado à custa dos contribuintes e pretende agora desfazer-se do Estado para o entregar à iniciativa privada. O que apavora é ver atrás dele Paulo Teixeira Pinto cuja inteligência e perigosidade não passam despercebidas a quem anda atento à política.

Estranhamente, quem defende o dinamismo das autonomias insulares – Passos Coelho – não parece estar interessado na criação das cinco regiões continentais que facilitariam a descentralização administrativa e diminuiriam as assimetrias nacionais.

Entre os bandos politicamente perigosos que infiltram as candidaturas de Santana Lopes e de Passos Coelho e os melancólicos barões que apoiam Manuela Ferreira Leite há uma diferença não negligenciável.
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A última candidata, pelo menos, tem sentido de Estado e não faria do Governo um laboratório de experiências neoliberais capaz de conduzir o País ao abismo em que o deixou Santana Lopes.
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Passos Coelho tem gente com ele capaz de fazer ainda pior.

Quarta-feira, Maio 21, 2008

Merecido revés da ETA...

... e justa vitória do Governo de Zapatero.


O ministro do Interior espanhol disse que Javier Lopez Peña, detido terça-feira em França, será a «pessoa com mais peso político e militar» na ETA.

Momento de Poesia


Acto

Eu, pecador, não confesso
Os meus pecados.
Nem peço
Que sejam perdoados.

No caminho que sigo,
Pelo mal que fizer,
Aguardo o meu castigo,
Venha de onde vier.

A minha religião
Tem só esta diferença:
Aceita a punição,
Mas recusa, orgulhosa, a recompensa.

a) Armando Moradas Ferreira

Com os cavaquistas unidos e em força


A candidatura de Manuela Ferreira Leite à liderança do PSD anunciou ontem que é apoiada por dez dos onze presidentes de câmara que o partido tem no distrito de Coimbra.

Numa nota enviada à agência Lusa, a candidatura da ex-ministra das Finanças divulgou o apoio dos presidentes de câmara de Coimbra, Cantanhede, Figueira da Foz, Montemor-o-Velho, Penacova, Vila Nova de Poiares, Miranda do Corvo, Arganil, Oliveira do Hospital e Pampilhosa da Serra.
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Comentário: Carlos Encarnação, mais perto de Bruxelas, evita perda da Câmara de Coimbra.

Santa hipocrisia

A ministra italiana da Igualdade, Mara Carfagna, aqui referida no Ponte Europa, é a protagonista de mais uma polémica do governo de Silvio Berlusconi.

» Ministra italiana posa nua

No mesmo momento em que fez declarações polémicas sobre os homossexuais, ela aparece nua na capa da revista espanhola Interviú, informou o Corriere della Sera.

Terça-feira, Maio 20, 2008

Espanha - Ingerência clerical no ensino público

Uma nova polémica surgiu entre a Igreja Católica e o governo da Espanha, após a aprovação no país de "leis éticas" que prevêem a "educação à cidadania" obrigatória nas escolas.

Após a divulgação da medida, a Conferência Episcopal espanhola fez um apelo aos pais que declarem "objeção de consciência" e peçam que seus filhos sejam liberados das aulas.

Adenda: A ofensiva clerical contra o Governo de Zapatero não parou com a derrota eleitoral da Conferência Episcopal que se colocou pública e abertamente ao lado do PP.

Manuel de Oliveira aclamado em Cannes

Clint Eastwood saúda a Manoel de Oliveira, ontem, em Cannes.
Foto: AFP / FRANÇOIS GUILLOT
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Manoel de Oliveira, o mais velho realizador de cinema do mundo e intuitivo percursor dos grandes movimentos do cinema europeu, recebeu ontem das mãos de um amigo, o actor francês Michel Piccoli, a Palma de Ouro honorífica que distingue toda uma carreira – refere hoje el Periódico.com.

A imensa plateia do Grande Teatro Lumière tornou-se pequena perante as sonoras revoadas de aplausos. O público, totalmente rendido, levantou-se repetidas vezes para enaltecer a admiração por um cineasta solitário que nadou sempre contra a corrente.

Partido ultraliberal em marcha

Pedro Passos Coelho recebeu ontem à noite um empenhado “sinal de apreço” do seu adversário Patinha Antão, segundo o qual reúne as condições para ser “um líder do século XXI, que”deve ser considerado muito seriamente pelos militantes.
Comentários:
1 - António Borges enganou-se no apoio a Manuela Ferreira Leite;
2 - Paulo Teixeira Pinto é coerente com o seu ultraliberalismo no apoio a PPC;
3 - Só surpreende que o obscuro Patinha Antão, então do PCP, tenha sido um destacado elemento do gabinete de Carlos Carvalhas quando este foi secretário de Estado do Trabalho.

Exótico governo italiano

Mara Carfagna (ministra do Governo italiano)
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Para além de fascistas e xenófobos, o Governo de Sílvio Berlusconi, que contou com a simpatia do Vaticano, mantém Nápoles refém da máfia, com o lixo a tornar irrespirável o ar, e a Itália sem rumo, sem justiça e sem respeitabilidade.

Ataques populares contra imigrantes romenos atingem níveis inimagináveis de racismo, com mulheres e crianças em fuga à violência desvairada que os atinge, fere e mata, quase sempre para limpar terrenos onde as construtoras ligadas à máfia têm interesses poderosos.

Para amenizar a crispação provocada por um governo, democraticamente eleito mas abertamente reaccionário, valem as fotos da ministra da Igualdade de Oportunidades, Mara Carfagna, ex-miss Itália, que Berlusconi, após tê-la conhecido num programa de televisão, logo declarou: «se não fosse casado, casar-me-ia com ela», facto que provocou a cólera da sua mulher, Verónica Lario.

A ministra (na foto) está sem roupa mas é agradável à vista. Já o primeiro-ministro, sem vergonha, nem direito a foto, é um incómodo para a decência, a justiça e a democracia.

E ninguém os prendeu?

Nota: Chamada de 1.ª página do DN para o artigo que deu origem ao post Quando a fé os torna criminosos.

Momento de Poesia

A rapariga da blusa vermelha no Passeio Público

Ficava-lhe bem a blusa vermelha
com aquela saia rodada
a ondular-lhe ao vento
divertia-se, principalmente, nas tardes de domingo
que era o dia em que os homens de condição
desciam a avenida a passear a família
e ela gostava de quebrar aquelas composturas
os ares compenetrados dos maridos respeitáveis
de chapéu na cabeça, engravatados,
e escandalizar as pudicas esposas
de vestidos engomados…
E aquelas crianças, meu Deus,
pareciam de porcelana
alinhados ordeiramente
por idades ou por alturas
e até por sexo, por vezes,
e só houve uma, um dia,
de ar travesso e atrevido,
que saiu da formatura
para fazer-lhe uma careta
e, depois, chamar-lhe puta…

Alexandre de Castro

CONVITE

Segunda-feira, Maio 19, 2008

Quando a fé os torna criminosos


Com a mesma indiferença com que o país assiste à impunidade de Paulo Portas, cuja investigação sobre os documentos fotocopiados no ministério da Defesa continua por fazer, também a informação do Diário de Notícias, de hoje, se arrisca a cair no olvido.

A divulgação da passagem, por Portugal, de radicais islâmicos que tentaram recrutar terroristas para a guerra santa ‘jhad’, é agora divulgada pelo líder espiritual da própria comunidade de Lisboa, David Munir.

Não está em causa o carácter pacífico do xeque Munir cujo bom senso pode ser relevante para refrear a fé dos mais prosélitos, o que está em causa é o carácter do Islão, a obstinada vocação para o sectarismo e a violência, a mania de querer a humanidade de rastos, virada para Meca.

Pelo artigo do DN ficou-se a saber que os terroristas estiveram em Portugal e, deduz-se, foram pregar a outro país por falta de adesão. Ora, num mundo globalizado, na Europa comum, um bando de angariadores de terroristas, que não é denunciado às autoridades, contribui para a insegurança e fica com caminho livre para angariar, noutro país, novos mártires de Alá.

Quem, na altura, por solidariedade religiosa ou por cobardia, ocultou a passagem do bando e permitiu livrá-los da polícia e dos tribunais, é objectivamente cúmplice dos crimes que a sua militância possa vir a provocar.

Se não houver uma intensa mobilização colectiva contra o terrorismo, tanto mais grave quanto mais profunda for a devoção, os alicerces da democracia e as bases da nossa civilização correm efectivo perigo.

Não se pode ser mais permissivo com os crimes de natureza religiosa do que com a actividade delituosa de outra natureza. Independentemente do tempo que já terá passado, é urgente que as polícias europeias identifiquem esses facínoras, os detenham e os entreguem à justiça.

Espaço dos leitores

Partenon - Acrópole (Grécia)

Sobre a inscrição prévia no Ponte Europa

Caro Esperança:

A medida só pecou por tardia. Diariamente eras vítima dos insultos mais soezes que incomodavam, não só aqueles que te conhecem, admiram e estimam, como aqueles outros, que, não te conhecendo pessoalmente, visitavam regularmente o blogue, e se indignavam com toda aquela alarvidade.

O Grazina, a quem há dias, em conversa, aqui na Almirante Reis, confidenciei o meu desapontamento, era um deles, assim como outros amigos, a quem conduzi para a leitura do blogue, a pretexto dos meus poemas, que só a tua amizade e simpatia permitiram que fossem publicados no Ponte Europa. Todos se interrogavam, perplexos, por que não era exercida uma avaliação prévia sobre o conteúdo dos textos enviados. Um deles, enfermeiro e sindicalista, colaborou com alguns comentários, mas logo arrepiou caminho, mal foi insultado.

Mas, ainda bem que tomaste a decisão que se impunha, e que eu, há uns tempos, já tinha alvitrado. O blogue vai ganhar em credibilidade e "asseio". Os excelentes comentadores que te acompanham vão ficar mais desinibidos e, possivelmente, outros irão aparecer, seduzidos pelos teus excelentes artigos e pelas temáticas abordadas.

Eu, pelo menos, aprendi muito, ao ler os teus textos, assim como os de alguns comentadores. E aprecio, de sobremaneira, a forma escorreita e rigorosa da tua escrita. Esta admiração não diminui, mesmo quando a nossa opinião possa ser divergente, o que naturalmente acontece, por vezes.

Um grande abraço e os votos para que reconquistes a força anímica necessária para elevar ainda mais a qualidade do Ponte Europa.
Alexandre de Castro

Comentário: Esta carta, publicada com autorização do autor, é de um velho colega e amigo de muitos anos. Desconte-se, à conta da amizade, a benevolência das referências.

Domingo, Maio 18, 2008

Acordo ortográfico

Abstive-me, até agora, de tomar posição pública sobre o novo acordo ortográfico que jazia na gaveta das indecisões, zurzido pelos habituais opinantes do «porque não» e por alguns destacados intelectuais.

Manuel Alegre, Pacheco Pereira e Vasco Graça Moura são, no campo da cultura e da produção literária, figuras de destaque. Do primeiro estou próximo no campo político, ao último reconheço-lhe independência de espírito e a todos grande qualidade literária. São três intelectuais e grandes vultos da cultura portuguesa.

Dito isto, não lhes reconheço mérito político para se oporem ao que, na minha modesta opinião, é uma decisão que peca por tardia. Parecem-me figuras do passado à espera de um frasco de formol para serem exibidas numa pharmácia que ainda faça manipulados.

Qualquer dos três leu obras do padre António Vieira, quiçá o mais ilustra paladino do idioma português, referência de todos os falantes da língua comum. A idade e o currículo académico obrigaram-nos, a eles e a mim, a ler Fernão Lopes, Gil Vicente e até o recente Eça de Queirós com uma ortografia diferente da actual.

Pessoalmente, ensinei centenas de alunos a escrever, com acento grave, os advérbios de modo derivados de adjectivos esdrúxulos ou proparoxítonos. A partir de certo momento, já não sei quando, sumiram-se tais acentos, por decisão legal. E então?

Actualmente corríamos o risco de que os países de língua oficial portuguesa aderissem à grafia brasileira. Era uma questão de bom-senso face ao número de falantes e, o que não é despiciendo, ao potencial económico do maior país da América latina.

Se seguíssemos os doutos iluminados que percebem muito de português e se comportam politicamente como colonialistas o futuro do português acabaria como reserva ecológica de um curioso dialecto cada vez mais distante de uma língua viva chamada brasileiro.

Ainda bem que os políticos, mais sensatos do que os intelectuais e os subscritores de todos os manifestos que lhe enviem pela Internet, decidiram de forma arrasadora em sentido contrário.

Camões, Bernardes, Vieira, Frei Luís de Sousa e Aquilino não se revoltam e Saramago teve a lucidez de perscrutar o futuro, talvez porque escreveu um magnífico Ensaio sobre a Cegueira.

Eleições à moda de Salazar


O Zimbabwe garantiu hoje que não convidará novos observadores internacionais para a segunda volta da eleição presidencial, rejeitando assim os pedidos da comunidade internacional.

(...)

O líder da oposição Morgan Tsvangirai, à frente na primeira volta, disse, contudo, que a presença dos observadores era uma condição para participar na segunda volta.

Comentário: Parece-me estar a ver o filme da farsa das eleições, em Portugal, em 1965. Tive o privilégio de ser mandatário de Francisco Salgado Zenha no concelho da Lourinhã, sendo mandatário distrital de Lisboa Joaquim Catanho de Meneses.

Desistimos por falta de condições democráticas. Como represália, foi-me interrompido o adiamento militar concedido e intimado a cumprir o Serviço Militar Obrigatório na incorporação seguinte.

Os ditadores são, todos, tão parecidos!

Abaixo o terrorismo

Bin Laden insistiu novamente, na última sexta-feira, no combate a Israel e aos seus aliados do Ocidente.

A mensagem em que apela aos «verdadeiros muçulmanos» é o habitual apelo ao ódio e ao extermínio dos que designa por infiéis. E todos sabemos que infiéis são todos os fiéis de um ramo diferente da sua crença, os de qualquer outra crença e, sobretudo, os de crença nenhuma.

Bin Laden não é um esquizofrénico cuja demência se controle com medicação, é um biltre fascista intoxicado pelo Corão, um beato obstinado pelo Paraíso que pretende conquistar pela crueldade e à custa de sangue, de muito sangue.

Os EUA, por mais detestável que seja o seu último presidente, por maiores desvios que tenham sofrido os ideais laicistas dos seus fundadores, permanecem uma democracia. A Europa é um espaço democrático onde a laicidade impede o proselitismo rancoroso dos mais devotos. Mesmo Israel, onde os judeus das trancinhas entraram na deriva sionista, tem forças laicas que preservam a democracia e impedem que a Tora se sobreponha às leis do Estado.

As ameaças à União Europeia por causa das caricaturas de Maomé e, agora, ao Europeu de 2008, são ameaças à civilização. Bin Laden é o herói da rua islâmica, o celerado que acicata o ódio que as madraças cultivam e as mesquitas difundem nas homilias em que apelam à guerra santa.

No cristianismo, se alguém cumprir à letra as determinações da Bíblia, cai sob a alçada do Código Penal e vai preso. O mesmo acontece aos judeus que, há muito, desistiram de matar que quer que seja encontrado a trabalhar ao Sábado. Mas, nas teocracias islâmicas o Corão é cumprido literalmente e não há exegese que negue ou ponha em dúvida o que está escrito nesse plágio grosseiro do cristianismo onde falta a influência da cultura grega e do direito romano.

É por isso que da pedofilia, sob a capa do matrimónio, à poligamia, das chicotadas às lapidações, da decapitação à mutilação, passando pela humilhação da mulher e pelas explosões suicidas, não há loucura criminosa que não deixe Maomé feliz e os homicidas consolados com a própria morte, após o crime que lhes abre as portas do Paraíso.

Não podemos, sob o pretexto do multiculturalismo, descurar a defesa da civilização e a separação da Igreja/Estado. A igualdade entre homens e mulheres, a abolição da tortura, da discriminação sexual, da xenofobia e do racismo, são imperativos civilizacionais.

O sionismo, qualquer imperialismo, a exploração dos países pobres, a humilhação dos palestinianos e outros crimes do capitalismo selvagem, são reais, mas a democracia é uma vacina que atenua e corrige as suas perniciosas consequências.

Pelo contrário, as teocracias são sistemas que odeiam a liberdade e a autodeterminação pessoal, que humilham as mulheres e impedem os crentes de se tornarem cidadãos.

Não haverá grandes diferenças entre Urbano II e Bin Laden mas a humanidade não pode esperar sete séculos para que, no Islão, surja uma revolta igual à Revolução Francesa.