sábado, Agosto 02, 2014

A CGTP, a UGT e o sindicalismo português

Os tempos vão maus para o sindicalismo, com o emprego e os salários a encolherem e a desmoralização no mundo do trabalho, submetida à maior ofensiva do pós-25 de Abril.

Os trabalhadores, na angústia da sobrevivência e no medo do desemprego, quando não são os empregadores a dissuadi-los, optam pela não sindicalização ou dispersam-se por grupos sem poder reivindicativo, estratégia sindical ou autonomia política.

Só duas centrais sindicais têm resistido, embora perdendo força, à lenta agonia a que as condenaram a crise económica e os detentores do poder.

A CGTP, cada vez mais fundida com o PCP, a única com capacidade de reivindicativa e força anímica para lutar, tem dificuldades ideológicas na mobilização dos trabalhadores que lhe rejeitam o sectarismo ou têm preconceitos contra a área política que a capturou.

A UGT, progressivamente irrelevante e com piores dirigentes, tem definhado na aliança promíscua com o patronato de quem parece estar a tornar-se porta-voz.

Neste ambiente malsão, os trabalhadores, desmoralizados, ficam à mercê dos patrões e do bando governativo que um frágil sindicalismo deixa progressivamente à solta.


sexta-feira, Agosto 01, 2014

Factos & documentos

Que dizem agora os que louvavam o atual Governador e execravam o anterior?


Sam Harris - Por Que Não Critico Israel (LEGENDADO)

Parabéns, Carlos Moedas

A prova da independência do Governo Portas/Passos Coelho/Cavaco está na nomeação de Carlos Moedas para comissário europeu.

Não foi alguém do partido que ganhou as eleições europeias ou um híbrido dos que não se sabe se são do PS ou do PSD. O Governo decidiu tarde mas bem, não enviando quem pudesse defender interesses nacionais, mas pudesse defender interesses de quem domina o mundo.

Carlos Moedas trabalhou no banco de investimento Goldman Sachs. De algum modo é um regresso, com escritório em local diferente.


Notas soltas: julho/2014

Luís Montenegro – «No primeiro debate do Estado da Nação pós-troika, é caso para concluir que o País está melhor, as pessoas começam a sentir mais futuro e mais esperança». Eis um caso de autismo e estultícia de um deputado que desconhece o País.

Conselho de Estado – A reunião fortuita a que o PR procedeu, destinava-se a aprovar o comunicado final que levava escrito. Foram precisas seis horas para ser contrariado e ter de o negociar, tal como já tinha acontecido em maio de 2013.

Banca – A lembrar a D. Branca, um grupo de banqueiros foi a imagem da decadência moral do país. O BPN, BCP, BPP, Banif e BES, foram incubadoras de sinecuras onde se acoitaram ex-governantes e tornaram-se o paradigma da degenerescência do regime.

Juan Carlos – Em França, Sarkozy, ex-presidente da República, foi detido e poderá ser julgado por corrupção. Em Espanha, o ex-rei resignou e surgiu uma lei que lhe garante a imunidade permanente, ou seja, a impunidade perpétua. Tradições monárquicas!

Carlos do Carmo – O notável fadista foi galardoado com um Grammy, o maior e mais prestigiado prémio mundial da indústria discográfica, nunca atribuído a um português.
Felicitado por Eanes, Soares e Sampaio, teve de Cavaco tratamento igual a Saramago.

Cultura – No dia seguinte à trasladação da grande poetisa, Sophia de Mello Breyner, para o Panteão Nacional, com a presença do PR, presidente da AR e PM, o Ministério da Educação confirmou que a sua obra deixará de constar do programa obrigatório a partir do ano letivo 2015/2016.

Vaticano – Quem imaginou que o papa Francisco ia trazer a Igreja para a modernidade, desiluda-se. “Atento à presença de Satanás e à necessidade de o combater”, reconheceu a Associação Internacional de Exorcistas. A superstição e o embuste persistem.

BES – Já ninguém atribui ao Banco de Portugal, nem à troika, incúria na supervisão do banco do regime, que aprofundou o caos nacional. A família Espírito Santo foi trocada por gente da confiança de Belém e de S. Bento e a dimensão da tragédia está por apurar.

Espanha – Em 18 de julho, aniversário do golpe de Estado contra a Segunda República, em Madrid, na missa de homenagem ao ditador Francisco Franco, o celebrante suplicou “novo levantamento militar” para salvar Espanha. A Conferência Episcopal calou-se.

Reis de Espanha – A visita a Portugal obrigou à exposição do casal presidencial e foi demolidora para a imagem do PR cuja fragilidade ficou documentada. A saúde do PR não é um problema particular, é assunto nacional a causar apreensão.

CDS/PP – O jantar de aniversário baniu os ex-presidentes, Freitas do Amaral, Adriano Moreira e Manuel Monteiro e, só por pudor, acabou convidado Ribeiro e Castro. Já foi o partido conservador, hoje é uma associação pouco recomendável e pior frequentada.

França – A solidariedade para com a Palestina é legítima, mas a violência manifestada em Paris é intolerável, tal como o antissemitismo, a sharia e o terrorismo. A democracia laica tem superioridade moral para impedir as pulsões totalitárias de índole religiosa.

Ucrânia – Ninguém explicou aos responsáveis da U E que a Rússia nasceu em Kiev e a Crimeia a integrou tradicionalmente. A falta de cultura e provocações iniciais atiçaram a guerra civil onde a razão se perdeu e a informação se confunde com a propaganda.

Palestina – A fúria de gente sitiada, vítima da espoliação e delírio sionistas, explode em manifestações de ira e de apoio desesperado ao terrorismo do Hamas. O lançamento de rockets contra Israel foi o pretexto de quem impõe a sharia para a violência sionista.

Política – Os partidos estão mais empenhados nas lideranças que agradem ao aparelho do que em líderes onde se reveja a área política do seu eleitorado. Eis mais uma causa para a abstenção, que não para de crescer, e para as surpresas eleitorais.

CPLP – A adesão da Guiné Equatorial, onde existe um dos regime mais desumanos do continente africano, será sempre uma aberração e uma indignidade. Não é a língua que nos une, é a decadência ética. Dos países da CPLP.

Conflitos bélicos – A comunicação social e, sobretudo, as centrais de contrainformação, dirigem os interesses para a Ucrânia e Faixa de Gaza enquanto esquecem hecatombes de que são vítimas, por exemplo, os povos da Síria, da Nigéria ou do Iraque.

Ricardo Salgado – Detido, após deixar a presidência do BES, os casais que jantaram na sua casa, Marcelo, Barroso e Cavaco, para prepararem a 1.ª candidatura do último a PR, vão esquecer quanto lhe devem, mas os portugueses recordá-lo-ão amargamente.

Nuno Crato – O ministro agravou os erros da sua antecessora, esqueceu os ataques que lhe dirigiu, descredibilizou qualquer avaliação e a deslealdade para com os professores, num processo à sorrelfa, culminou a decadência ética do seu percurso político.

Madeira – A. J. Jardim fez o discurso de adeus, de líder do PSD-M, no Chão da Lagoa, local tradicional do circo político. “A Madeira recusa (…) fazer parte de um Portugal que se diz unitário”, disse o autocrata, envelhecido e envilecido, no habitual desvario.

Iraque – Os jihadistas do Estado Islâmico (EI), exigiram a todas as mulheres de Mossul o véu integral, roupas largas e as mãos e pés sempre cobertos, para evitarem “castigos severos”. As mulheres, entre os 11 e os 47 anos, serão submetidas à mutilação genital.

Demografia – Os incentivos fiscais desconhecem que a natalidade não é a uma solução em euros, alvitrada no ministério das Finanças. O mistério da vida e a alquimia do amor são inacessíveis aos burocratas e dependentes da criação de emprego.

Ébola – Com a Serra Leoa e a Guiné-Conacri a não conseguirem deter a infeção letal, a Libéria fechou fronteiras e a Nigéria teve o primeiro caso mortal. O vírus do medo abateu Umar Khan, o heroico médico responsável da luta contra o ébola na Serra Leoa. Contagiado.


quinta-feira, Julho 31, 2014

Impedidos de amar


A democracia, a fé e a devoção

A democracia é um sistema estranho, combatido por adversários e adeptos, uns por ódio à doutrina, outros por animosidade aos concorrentes. Churchill dizia que era o pior dos sistemas, com exceção dos outros. E assim é.

Há poucos democratas dispostos a defender rivais, a reconhecer-lhes o direito ao poder ou, sequer, a legitimidade de terem opiniões. Quanto aos antidemocratas, que se batem pela fé que depositam num partido único, num sistema que julgam ideal, com a devoção dos peregrinos de Fátima e a paixão dos adolescentes com cio, nem vale a pena falar.

A democracia representativa não se esgota no voto universal, secreto e livre, mas, sem ela, não há liberdade nem maior justiça social. É premente aprofundá-la na sua vertente económica, política e social, na certeza de que não está na suspensão do funcionamento a salvação da liberdade ou a consolidação democrática.

A democracia custou demasiado sangue. Não foi fácil deslocar a origem divina do poder para a legitimidade do voto popular, e este princípio nunca foi aceite generalizadamente. Não falta quem se conforme, na esperança de manhãs de nevoeiro ou amanhãs ridentes, no desejo de novos paradigmas e velhas receitas, com o retorno de modelos totalitários.

A tortura e o esclavagismo foram erradicados dos hábitos dos países civilizados, há tão poucos anos! A pena de morte permanece em países civilizados e com sistemas penais modernos, sem que a confirmação de sucessivos inocentes mortos faça tremer a mão de legisladores carrascos.

Em vez de uma luta, à escala mundial, contra as ditaduras, a tortura, a pena de morte e a discriminação da mulher, apoiam-se ou esquecem-se obscuros países, apenas porque os ditadores de turno são inimigos dos inimigos de quem os esquece ou apoia.

A luta pela igualdade de direitos, pela educação, saúde e alimentação, sem distinção de sexo, raça, religião ou cor da pele, é um dever que devia sobrepor-se aos ódios herdados da guerra fria ou às vinganças cultivadas durante gerações de terroristas.

Brecht terá sido expulso da escola por, ainda criança, numa redação sobre «não há maior honra do que morrer pela pátria», ter escrito «sou jovem, quero viver».

É neste amor à vida, numa sociedade republicana, laica e democrática, que teremos de encontrar a plataforma mínima de entendimento para a sobrevivência coletiva.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, Julho 30, 2014

Há homens que nos restituem a dignidade

Umar Khan

«Umar Khan, o médico responsável da luta contra o ébola na Serra Leoa, faleceu nesta terça-feira, depois de se ter contagiado com a doença na semana passada, segundo informou o médico-chefe do país, Brima Kargbo. Khan, de 39 anos, era considerado um herói nacional por tratar mais de uma centena de pacientes infetados pelo vírus».

Esta morte pela paz, em luta contra a doença, ao serviço dos que sofrem, é um exemplo de altruísmo que cala fundo nos que ainda conservam um módico de humanidade, uma centelha de altruísmo, um resto de esperança na abnegação de um médico.

Esta morte não foi em vão. O amor aos outros foi mais forte do que o ódio sectário que fomenta as guerras e alimenta vinganças. Este médico é um exemplo para ser apontado nas escolas, hospitais e em qualquer lado onde a semente germine.

Num mundo em desvario, sumidos os valores humanistas, o exemplo deste homem é a redenção que faltava. A triste notícia, com os seus doentes desesperados, reconcilia-nos com o mundo e faz-nos acreditar que nem tudo está perdido.

Entre a alma empedernida de um agiota e o coração terno do filantropo há espaço para que floresçam modelos de altruísmo de que foi exemplo o abnegado médico que morreu em combate por uma causa que vale a pena.    



Esquecidas em nome do multiculturalismo


Quando o Islão é moderado, as mulheres podem estudar e tirar uma fotografia de curso.
Para mais tarde recordar.

Algumas notas religiosas para a silly season

Naquele tempo tinha sido Deus encarregado, pelas tribos nómadas dos árabes, para falar de forma definitiva e dar o alvará de profeta pela última vez.

Ajudou-o na tarefa um velho amanuense que seis séculos antes era alcoviteiro, o arcanjo Gabriel. Apesar da vasta criação de profetas e anjos, em que eram peritos os hebreus foi, Gabriel o escolhido para escriturário da fé, naquela região onde se substituíam os deuses criados para cada especialidade por um único.

Os hebreus tinham criado Deus para uso das suas doze tribos e o isolamento da época fê-los acreditar que eram o povo eleito. Apesar do êxito e de ser pouco recomendável a criatura, lembrou-se Paulo de Tarso de tentar uma nova cisão para que o Deus de Israel pudesse ser exportado para todos os cantos do mundo, conhecidos ou a descobrir.

Perderam os hebreus, especializados na criação de profetas, milagreiros, anjos e ofícios correlativos, que viram confiscado o Deus de Abraão, da sua lavra, e oferecido a todos os que quisessem adorá-lo. Aliás, o proselitismo ajudou à disseminação e foi o Império Romano que acabou por ser o seu sectário defensor e propagandista musculado.

Mais tarde, no início do séc. VII da era vulgar, ganhou o alvará de profeta, o legítimo e genuíno, um condutor de camelos, habituado a retirar-se para orar e meditar nos montes perto de Meca. No ano de 610, acredite quem quiser, o pastor de quarenta anos fazia um desses retiros espirituais, no interior de uma das cavernas do Monte Hira, quando o anjo Gabriel o achou e lhe ordenou que recitasse os versículos enviados por Deus e que ele próprio, pacientemente, o obrigara a decorar nas suas viagens entre Medina e Meca.

Sem concurso aberto, nem provas públicas, a fé quer-se oculta, o pastor foi empossado como profeta e passou a debitar uma cópia grosseira do cristianismo, misturada com as fontes do judaísmo, conhecimentos que não eram alheios aos árabes. E não lhe faltaram combatentes cruéis para serem militantes do que diziam que disse e que lutavam contra quem dizia que era diferente o que disse.

Quanto mais primária for uma crença mais sedutora se torna. Claro que não faltaram os verdadeiros intérpretes da palavra exata nem as lutas pela autenticidade. Mas do que se diz que o Misericordioso disse, apesar da violência que as tribos nómadas cultivavam, a fé mantém-se viçosa no húmus da superstição que a tradição eleva à culminância divina.

Os cinco pilares andam aí, contra as mulheres, contra a liberdade, contra um módico de modernidade, impostos à bomba por uma legião de dementes, ansiosos de virgens e de rios de mel. Até quando?

terça-feira, Julho 29, 2014

Cavaco Silva, bancos e banqueiros

Cavaco Silva nunca foi grande entusiasta dos bancos. Passou pelo Banco de Portugal e não se notabilizou pela assiduidade. Com o BPN, segundo anunciou pelo seu órgão de comunicação preferido, o Faceboock, nunca teve relações, limitou-se a ser acionista da SLN, numa feliz incursão familiar, ternamente acompanhado da filha.

Já com os banqueiros, persegue-o a desdita. As relações de afeição com Oliveira e Costa levaram-no a ter a companhia de gente do BPN no condomínio da praia da Coelha.

O pedido para ser candidato à presidência da República foi-lhe feito num jantar em casa de Ricardo Espírito Santo Salgado, onde o casal de Boliqueime teve a companhia dos anfitriões e das referência éticas, denominadas senadores da República, Marcelo Rebelo de Sousa e Durão Barroso, ambos acompanhados das respetivas próteses conjugais.


Este não é o incompetente do Vítor Constâncio


segunda-feira, Julho 28, 2014

Infalibilidade papal antes de ser dogma


domingo, Julho 27, 2014

A religião, a misoginia e a brutalidade divina

Num tempo em que a opinião pública é formada nas madraças da contrainformação, os ódios e os amores nascem nos jornais e televisões, e o livre-pensamento está sujeito aos constrangimentos sociais, como outrora a fé, ao pároco, às catequistas e aos devotos, há obrigação de enfrentar os preconceitos e a fúria dos amigos e adversários, para quem as más notícias prejudicam os seus credos.

Há violências mudas no interior das guerras de rockets e tanques de guerra ou à margem delas. Há tragédias de mulheres condenadas à escravidão ou à não existência, mutiladas, insultadas e feridas pelo mais feroz dos fascismos, que persiste em contexto islâmico.

No Iraque, onde exaltados cruzados lançaram o caos e intensificaram a violência, surge agora um bando sinistro, o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) a impor, em nome de Alá, severas restrições às mulheres de Mossul, cidade que conquistaram em junho.

Na demência de uma bulimia misógina, a caterva de trogloditas de Deus exigiu a todas as mulheres o uso do véu integral, de roupas largas que não revelem as formas do corpo e que tenham sempre as mãos e os pés cobertos, para evitarem «castigos severos».

Os comunicado dos piedosos selvagens avisava, segundo o jornal El País: «Isto não é uma restrição de liberdade, apenas impede que as mulheres caiam na humilhação e vulgaridade de ser um espetáculo».

Na quinta-feira, essa canalha medieval ordenou que todas as mulheres da cidade, entre os 11 e os 47 anos, se submetessem à mutilação genital, segundo denunciou à BBC a coordenadora das Nações Unidas no Iraque, Jacqqueline Badcock.

A fatwa do EI submete as mulheres de Mossul à violência brutal, medonha e criminosa que as expõe a hemorragias, riscos urinários, infeções e infertilidade, para além de as privar do prazer sexual e dos mais elementares direitos humanos, para satisfação de um profeta analfabeto e violento que entrou em defunção há 1382 anos.

Oiço falar de multiculturalismo e fico com brotoeja. Há um manual terrorista chamado Corão e devotos criminosos. Chamem-me xenófobo e esquizofrénico, pretextem as más interpretações dos hadiths, digam-me que é excessiva a generalização e que, na revolta que sinto me assemelho a essa canalha maldita.

As mulheres, que os pulhas de Deus destroem, são minhas companheiras, irmãs, filhas e  netas. Maldita religião, malditos cúmplices.

sábado, Julho 26, 2014

A guerra que mata e a guerrilha que envenena

O exacerbamento dos ódios que corroem Israel e a Palestina passam por osmose para a comunicação social e explodem irracionalmente nas redes sociais.

A tragédia não se compadece com a neutralidade, mas os preconceitos ideológicos são a marca das opções políticas de cada um, exoneradas de um mínimo de serenidade. Só há quem veja a mais hedionda manifestação de terrorismo de um dos lados e um imaculado  comportamento no lado contrário, numa deriva que envenena as discussões e as reduz a um diálogo de surdos. A guerrilha verbal das redes sociais é um exemplo de intolerância e do ódio mimetizados do conflito.

A guerra é sempre violenta, e esta luta associa às injustiças históricas o ódio que embala o berço de cada lado. Duvido que a paz retornasse à região se fosse banido o Estado de Israel e, no entanto, um dos lados só pensa na exclusão de um país que teima em existir, e o outro, na conquista do território que julga seu por herança divina arquivada no livro da Idade do Bronze e cujo registo jaz numa Conservatória do Registo Predial Celeste.

À espera do Armagedão, a batalha final no Monte Megido, os cristãos cínicos e hebreus sionistas alimentam uma guerra em que os palestinianos escolheram terroristas para os liderar, sem que os direitos humanos ou a democracia integrem as suas preocupações.

Não discutirei com quem não aceite a existência de Israel ou a devolução, por este, dos territórios usurpados à Palestina, conforme deliberação da ONU.

Continuarei a considerar terroristas os que de um lado e doutro se colocam à margem da legalidade internacional, os que provocam com rockets o martírio e os que respondem com a superioridade militar sem cumprirem as decisões da ONU.