sábado, agosto 01, 2015

A indigência não evita a venera


Cabo dos Forcados de Santarém, momentos antes de receber a medalha de grau de Membro-Honorário da Ordem do Mérito atribuída por este Presidente da República.

sexta-feira, julho 31, 2015

Notas Soltas - julho/2015

Euro – Esta moeda, como está demonstrado, só pode manter-se com o aprofundamento da integração europeia no domínio económico, social e político, com diplomacia, defesa e harmonização fiscal próprias de uma união de Estados. Assim, só resta a lenta agonia.

Estado Islâmico (EI) –  Inovou a interpretação do Corão, o manual terrorista herdeiro do pior que o A. T. legou, e aplicou pela primeira vez a decapitação, já usada contra hereges estrangeiras, contra mulheres sírias acusadas, tal como os maridos, de feitiçaria.

Panteão Nacional – A trasladação de Eusébio, mítico futebolista, à semelhança do que aconteceu com Amália, teve o apoio unânime  de todas as bancadas da AR. Salgueiro Maia, Saramago ou Sá Carneiro (morto em funções) não mereceram tal honra.

Maria Barroso – Era uma mulher de causas. Morreu aos 90 anos a pedagoga, resistente antifascista, apoiante de presos políticos, intelectual e benemérita. Deixou saudade e foi exemplo de coragem e lucidez a única mulher fundadora do PS.

Gazeta de Mérito – A atribuição a Fernando Paulouro das Neves, diretor do Jornal do Fundão, até 2012, por ter exercido a profissão «com paixão, inteligência e grande rigor deontológico», foi o justo galardão para uma carreira impoluta de jornalista e cidadão.

PM – A Biografia encomendada foi a operação de cosmética que alterou o cadastro para currículo. Em campanha eleitoral promete um PM que nunca foi para um país diferente daquele a que o deixou chegar.

Eleições legislativas – A marcação da data, depois da recusa em antecipá-las, devia ser para o PR um ato formal. Foi o tempo de antena ao serviço do Governo e desta maioria por quem confunde a militância partidária com as funções que exerce.

PR – A ameaça de não dar posse a um governo minoritário, após as eleições legislativas de outubro, é mera chantagem eleitoral de quem nunca ocultou o amor a este Governo e o desapego à Constituição que amargamente jurou defender.

Tecnoforma – O Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF) detetou a prática de infrações penais e financeiras na aplicação e/ou na atribuição de fundos à empresa que teve Pedro Passos Coelho como consultor e administrador. Prescreveram.

Durão Barroso – Desprezado no País, vai ser vedeta na Universidade de Verão do PSD deste ano, que decorre entre 24 e 30 de Agosto, em Castelo de Vide. Vai ensinar como se destrói um país [o Iraque] com mentiras e se consegue viver sem remorsos.

Finanças – Maria Luís Albuquerque, considerou a investigação da Comissão Europeia ao processo do “Banif” – o banco da Madeira –, um procedimento normal e manifestou tranquilidade em relação às futuras conclusões. A dívida da Madeira passou por ali.

Nigéria – Uma menina de cerca de 10 anos praticou um atentado suicida no nordeste da Nigéria, matando pelo menos 16 pessoas, segundo autoridades policiais. O Boko Haran é suspeito. Os combates prosseguem ali entre o Islão e o protestantismo evangélico.

Eleições presidenciais – É um tema que, neste momento, só desvaloriza as legislativas. A seu tempo, escolheremos um PR que fomente consensos e não que os impeça, embora fazendo apelos nesse sentido. É decisivo eleger um PR com senso. 

Portugal à Frente – O pseudónimo usado pela coligação no poder faz lembrar o avanço dos países islâmicos em relação às mulheres. Com o terreno cheio de minas, passaram a ir as mulheres à frente, tal como o PSD e o CDS a esconderem-se atrás do País.

ONU – Jorge Sampaio, último PR à altura do cargo, recebeu, em 24 de Julho, o Prémio Nelson Mandela. Foi a primeira personalidade a receber a distinção que visa distinguir personalidades pelo seu trabalho em prol dos ideais defendidos pela organização.

Isilda Pegado – A indigitação da ultrarreacionária militante, para candidata a deputada, beneficia os partidos de esquerda e afronta a orientação do atual magistério papal com a mais radical representante de um catolicismo jurássico.

John Sewel – Droga e sexo obrigaram o lorde inglês, conservador e devoto, a renunciar à Câmara dos Lordes. Os tabloides, em uma das imagens menos chocantes, mostraram o chefe da Comissão de Ética com um sutiã laranja. Há de tê-lo perdido mais a cor do que o adereço.

Pacheco Pereira – O ex-dirigente do PSD, um dos social-democratas ostracizado pelos ultraliberais que capturaram o partido, foi quem melhor definiu o programa da coligação que aturámos: Programa eleitoral da coligação PSD/CDS é um insulto aos portugueses.

CGD – O PM cessante, com um sentido de Estado a condizer com a sua preparação e a sensibilidade do crocodilo, atacou o único banco do Estado para o depreciar e mostrar que, se tiver tempo e o deixarem, não hesitará em privatizá-lo.

A insensibilidade que leva à santidade


Infelizmente!


quinta-feira, julho 30, 2015

Os «Filhos do Califado»

O recrutamento de crianças-soldado é a nova estratégia do covil designado por Estado Islâmico (EI).
O intenso treino militar e religioso a que os bandidos de Deus submetem as crianças tem como objetivo «educá-las» para se tornarem soldados da jihad nos conflitos armados, recebendo treino para realizarem ataques suicidas e executarem prisioneiros.

É fácil fanatizar crianças e incutir-lhes as mais macabras fantasias, como sabem os que têm um módico de formação em psicologia infantil ou, simplesmente, lidam com crianças. O entusiasmo fácil e o gosto de agradarem aos adultos ficam à mercê da demência beata de loucos e da violência dos fanáticos.

O problema já existe à escala global com recrutamentos e treino no Uganda, República Democrática do Congo, Iraque e um pouco por todo o lado onde os bandos de crentes ignaros e cruéis se viram para Meca e recitam versículos do manual terrorista Alcorão, enquanto os «filhos do Califado» degolam bonecos e assistem aos vídeos com que o EI apavora os Estados democráticos.

A mobilização de crianças tem para os recrutadores o benefício de perpetuarem o terror nas próximas gerações. Expostas a tal violência e crueldade, acabam imunes a qualquer gesto de humanidade, seres que se tornam adultos alheios à solidariedade e ao amor.

A Cruzada dos Inocentes, onde a lenda e a demência pia se confundem no proselitismo cristão, sacrificou crianças da França e Alemanha, em 1212. A demência e a realidade andam agora unidas na crueldade, oito séculos depois, através dos sicários de Maomé, com o apoio político dos Irmãos Muçulmanos.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, julho 29, 2015

Porque sou republicano

Sou republicano porque recuso o carácter divino e hereditário do poder, porque sou cidadão e não vassalo, porque abomino o contubérnio entre o trono e o altar e porque um herdeiro do Iluminismo e da Revolução Francesa é avesso à vénia e ao beija-mão.

Sou republicano por me rever nas instituições que o voto popular sufraga e não nas que a tradição impõe. Aceitar os filhos e netos de uma qualquer família, para lhes confiar o poder do Estado, é abdicar do direito de eleger e ser eleito para as funções que dinastias de predestinados confiscavam.

Ser republicano é recusar o poder a quem não se submete ao sufrágio universal e secreto e negar o respeito a quem aceita funções de Estado sem legitimidade democrática.

Ser republicano é recusar o poder vitalício e exigir a legitimação periódica, para reparar um erro ou substituir um inapto, num horizonte temporal previamente determinado. Não há democracia plena em monarquia nem dignidade nas funções herdadas como se o país fosse uma quinta ou a Pátria uma coutada.

A República é o berço da democracia, o lugar da igualdade de género onde desaparecem privilégios de raça, nascimento ou religião, onde se aceitam todas as crenças, descrenças e anti-crenças, onde o livre-pensamento, a laicidade e a liberdade de expressão definem a matriz genética do regime.

Ser republicano é servir dedicada e abnegadamente o País sem se servir dos cargos que os eleitores confiam, ser honrado na utilização dos meios, sóbrio no exercício do poder e determinado na defesa do bem comum.

Ser republicano é exigir que homens e mulheres gozem de igualdade plena, que a escola pública seja a via para a equidade, a saúde um direito universal e a liberdade a conquista irreversível.

Ser republicano é, hoje e sempre, um acto de cidadania que tem a ética como baliza e a Liberdade, Igualdade e Fraternidade como divisa, projecto e ambição.

Viva a República.

Carlos Esperança – 05-10-2010 – Jornal do Fundão – 07-10-2010

terça-feira, julho 28, 2015

Idiossincrasias britânicas

John Sewel, respeitado lorde inglês, conservador e devoto, teve de renunciar à Câmara dos Lordes. A droga e o sexo foram funestas para o, até aqui, impoluto e influente membro da anacrónica instituição que, por precaução, tem vindo a perder poderes.

Os tabloides, numa das imagens menos chocantes, mostram o político vestido de sutiã laranja. Até pode ter sido, nas loucas fantasias, numa homenagem ao PSD português!

Mais do que o adereço, humilhou-o a cor.

Monarquia e República

Não previa o interesse que o meu comentário a uma entrevista do DN mereceu e, muito menos, que desse origem a uma bolsa de estudo aos monárquicos que viajaram até ao meu mural do Faceboock para, legitimamente, me contestarem.

Não é hábito autóctone observar a mente e tomar consciências dela, embora o conselho de Sócrates “conhece-te a ti próprio” seja amplamente divulgado. O catolicismo tem um arremedo de introspeção, a que chama “exame de consciência”, espécie de radar para os pecados, mas os livres-pensadores fazem mesmo autocrítica. À lógica cartesiana prefiro o “existo, logo penso” e, continuarei a pautar a conduta pela vigilância que me põem as dúvidas frequentes e me impõem os enganos repetidos.

Foi no exercício da autocrítica de homem livre que produzi três textos com que justifico as minhas posições cívicas:

- Porque sou republicano
- Porque sou ateu
- Porque sou social-democrata

Dentro de dias voltarei a publicar o texto «Porque sou republicano», por consideração aos monárquicos, não à monarquia, e pela estima que me merecem as espécies em vias de extinção.

segunda-feira, julho 27, 2015

Silly season

Encontrei no meu PC um conjunto de frases que fizeram história e que, tal como em janeiro de 2016 sucederá com o atual PR, rapidamente foram esquecidas.

Não garanto a autenticidade mas é forte a probabilidade de serem fidedignas. Menos perigosas do que as medidas deste Governo, aqui as deixo para gáudio dos leitores:

- Finalmente, a água corrente foi instalada no cemitério, para satisfação dos habitantes.
(Presidente da Junta de Freguesia do Fundão)

- Esta nova terapia traz esperanças a todos aqueles que morrem de cancro em cada ano.
(Dr. Alves Macedo – oncologista)

- Os sete artistas compõem um trio de talento.
(Manuela Moura Guedes – TVI

- A polícia encontrou no esgoto um tronco que provém, seguramente, de um corpo cortado em pedaços. E tudo indica que este tronco faça parte das pernas encontradas na semana passada.
(Paulo Castro – Relações Públicas da PJ)

- A vítima foi estrangulada a golpes de facão.
(Ângelo Bálsamo – Jornal do Incrível)

- Um surdo-mudo foi morto por um mal entendido.
(António Sesimbra – O Independente)

- Os nossos leitores nos desculparão por este erro indesculpável.
(Rui Lima – Jornal “A Bola”

- Há muitos redatores que, para quem veio do nada, são muito fiéis às suas origens.
(António Tadeia – Crónicas do Correio da Manhã)

- Ela contraiu a doença em vida.
(Dr. Joaquim Infante – Hospital de Santa Maria)

- A conferência sobre a prisão de ventre foi seguida de farto almoço.
(Diário da Universidade de Bragança)

- O acidente provocou forte comoção em toda a região, onde o veículo era bem conhecido.
(António Bravo – SIC)

- O aumento do desemprego foi de 0% no mês passado.
(Luís Fontes – A Capital)

- À chegada da polícia, o cadáver encontrava-se rigorosamente imóvel.
(Ribeiro de Jesus – PSP de Faro)

- As circunstâncias da morte do chefe da iluminação permanecem rigorosamente obscuras.
(Paulo Assunção – EDP)

- Ferido no joelho, ele perdeu a cabeça.
(Crónicas do Diário da Beira)

- Os antigos prisioneiros terão a alegria do reencontro para reviver os anos de sofrimento.
(Maria do Céu Carmo – Psiquiatra)

- A polícia e a justiça são as duas mãos do mesmo braço.
(Bento Ferreira – Juiz)

- O acidente fez um total de um morto e três desaparecidos. Teme-se que não haja vítimas.
(Juliana Faria – TV Globo)

- O acidente foi no tristemente célebre retângulo das Bermudas.
(Paulo Aguiar – TV Globo)

- Quatro hectares de trigo foram queimados. Em princípio trata-se de incêndio.
(Lídia Moreno – Rádio Voz de Arganil)

- Antes de apertar o pescoço à mulher, o velho reformado suicidou-se.
(João Cunha – Testemunha)

- Jogar à defesa pode ser uma faca de dois legumes
(Jaime Pacheco, treinador de futebol)

- À pergunta “o que achou do jogo”, responde: «Eu, nada... mas o Aloísio achou um pente no balneário»
(Roger – Ex-jogador do Benfica)

domingo, julho 26, 2015

A Sr.ª D. Isabel Herédia e a democracia

O DN de ontem ocupa duas páginas com uma entrevista à senhora que trocou uma vida profissional pela reprodução de «infantes», graças ao enlace com um suíço que Salazar importou com o pai para uma eventual restauração da monarquia.

Nada tenho quanto aos critérios jornalísticos do meu jornal diário mas não posso deixar de tecer algumas considerações sobre uma senhora que casou com o descendente do Sr. D. Miguel, o facínora, filho da promíscua D. Carlota Joaquina que, com apoio do clero mais reacionário, quis restaurar o absolutismo monárquico, ensanguentando o País. Foi derrotado e teve de assinar a renúncia às veleidades reais. E não foi julgado dos crimes!

É-me indiferente que seja conservadora e mulher de fé, que reze o terço com os filhos e se julgue rainha sem trono [que não há] ou considere a verdadeira rainha de Portugal a «Nossa [dela] Senhora», num país republicano, laico e democrático.

Admitir que usufrui títulos nobiliárquicos é ignorar a sua abolição há mais de um século e pensar que as monarquias têm qualquer legitimidade. O poder, ainda que simbólico, é um anacronismo quando se exerce de forma vitalícia e se transmite pela via uterina.

Imaginar que as suas viagens ao estrangeiro são em representação de Portugal é delírio de quem, à semelhança de certos doentes, se julga outra pessoa, mas o que me indignou foi interrogar-se: «se vivemos num país democrático porque é que não deixam o povo escolher»? Onde é que o povo foi privado de votar num partido monárquico e onde é que as monarquias promovem eleições para as reais cabeças coroadas serem submetidas periodicamente ao escrutínio eleitoral?

Diz a senhora que “um rei pensa a 100 anos para a frente” como se a tarefa de um rei fosse pensar ou o marido obrigado a tamanho esforço.

Entrámos na «Silly season». Um jornalista faz o frete para manter vivo o sonho de uma noite de verão a uma família que tropeça em pessoas com alma de vassalos e entra em delírios reais. Só não admito que duvide da liberdade do povo português, liberdade que levou Cavaco Silva a PR e Passos Coelho a PM.

Até para a asneira somos livres.

sábado, julho 25, 2015

A FRASE

«O número [694] chocante de execuções no Irão na primeira metade do corrente ano transmite um quadro sinistro da maquinaria do Estado a efetuar homicídios premeditados, judicialmente aprovados em massa».

(Said Boumedouha, vice-diretor do programa da Amnistia Internacional para o Médio Oriente)