Sábado, Julho 11, 2009

Quem nos acode?

Juízes arrasam sistema informático da Justiça

João Palma critica leis que põem em causa independência dos tribunais

MP discute sindicalismo nas magistraturas

Ministério Público acusa Governo de subverter a justiça

Comentário: Esta campanha política e autêntica insurreição é um sintoma de que o Estado de direito está em causa. O Executivo não pode estar sob a ameaça e difamação das corporações não eleitas.

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

Por
Amadeu Carvalho Homem *


MEMORIAL REPUBLICANO XXIX

Basílio Teles, um dos mais lúcidos historiadores
da crise do Ultimatum inglês

XXIX - O ULTIMATUM E O PARTIDO REPUBLICANO

Para que possamos compreender a passividade do Partido Republicano durante os agitados dias que se sucederam ao Ultimatum inglês é necessário evocar a sua peculiar interpretação da história, correlacionando-a com o perfil dos seus chefes.

As principais figuras de proa do republicanismo lisbonense, tais como Manuel de Arriaga, Teófilo Braga, Jacinto Nunes ou Sebastião de Magalhães Lima, perfilhavam um positivismo larvar ou ostensivo. E esta doutrina, longe de conceder preferência a métodos de acção revolucionária, optava por alternativas pacíficas e pedagógicas, dando como adquirido que o tempo se encarregaria de fazer triunfar a causa popular, quando o fruto da Civilização estivesse bem maduro.

* Historiador
Texto integral em LIVRE E HUMANO

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Sexta-feira, Julho 10, 2009

G-8: A " Torre de Babel" dos nossos dias...


O G-8 reúne os chefes de governo ou os presidentes das potências económicas, políticas e militares mundiais: EUA, Rússia, Alemanha, Grã-Bretanha, Japão, França Canadá e Itália. A China, não esteve presente por problemas de estabilidade política interna.

É um tipo "concentrado", selectivo e elitista de “Governo Mundial”.

As suas decisões pretendem influenciar toda a Humanidade...

Por exemplo, como interpretar as decisões sobre as alterações climáticas?
Como pode o G-8 impor à China uma redução de > 50% das emissões de CO2, até 2050, quando é o Ocidente o principal responsável por quase 80% dessas emissões?

É nítido o excesso de poder de uma organização informal, criada à margem das estruturas democráticas e do Direito Internacional. Felizmente que a evolução político-social tende para o multilateralismo o que contraria o carácter hermético, tipo seita, do G-8.
Por outro lado, os "países emergentes", também, vieram perturbar a concentração de poderes e, hoje, será mais apropriado falar em G-20!

Em Aquilla (Itália) o G-8 demonstrou a sua crescente dificuldade em exercer esse “poder mundial”.
Não lhe interessava auto-críticas. É que os tempos de crise, que hoje vivemos, são uma consequência directa das políticas do grupo, neste momento reunido em Aquilla, foi promovendo ao longo de anos.
Berlusconi não foi capaz de construir uma agenda para esta reunião.
Supunham os analistas políticos que o centro das discussões fosse a crise económica.
Que se questionassem as medidas que, 2 anos após o desencadear da crise, entraram no campo da banalização.
Há necessidade de rever estratégias. O que não há é consenso para uma tarefa de tal dimensão.
Chacun se gouverne à sa mode...

Neste impasse - onde cada País tem os seus interesses e reina o desentendimento da linguagem como na figura bíblica da Torre de Babel - a discussão foi, então, desviada para as alterações climáticas. Pior emenda do que o soneto. Aí, é que existe um feroz confronto de interesses entre a contenção das medidas agravantes do aquecimento do Planeta e os Países que adoptaram desenvolvimento a todo o vapor., com tremendos custos ambientais.

Finalmente, discutiu-se a pobreza. Nada melhor do que desviar a atenção para África (nomeadamente a subsariana). O apoio ao desenvolvimento africano continua subsidiário do saque das matérias-primas, agora, incluindo o petróleo. Uma encapotada política neo-colonialista.
África tomou a América do Sul como exemplo e pretende, no seio da União Africana (UA), coordenar o seu desenvolvimento. O G-8 dá a sensação de ter chegado tarde. Convidou José Eduardo dos Santos porque é o transitório presidente da OPEP. Pretendiam fixar o preço do barril de petróleo entre os 70 e os 80 dólares. José Eduardo dos Santos não tinha capacidade de garantir qualquer preço. Uma coisa é ser um efémero presidente outra são os Centros de Decisão que estão mais a caminho do Oriente…

Ficamos, pois, a aguardar o comunicado final sublinhando o êxito da reunião.

Saramago apoia António Costa

O prémio Nobel da Literatura José Saramago declarou hoje apoio à recandidatura do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa (PS), nas eleições autárquicas de 11 de Outubro.

Editorial Antígona

EDITAL recebido da editora Antígona, sobre a reedição de uma obra de Tomás da Fonseca:

A editora Antígona informa que vai começar a publicar as obras de Tomás da Fonseca (1877-1968), famoso iconoclasta, que viu alguns dos seus livros proibidos durante o Estado Novo.

Notícia do editor Luís Oliveira

Via Rerum Natura

Diálogo entre inquisidores

Bento XVI anunciou esta Quarta-feira a reestruturação da Comissão Pontifícia "Ecclesia Dei", responsável pelo diálogo com os lefebvrianos. A presidência deste organismo será assumida pelo Cardeal William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Comentário: Não há só fundamentalistas islâmicos.

Léxico político de Cavaco Silva


Da «Transparência nos negócios» ao «Roteiro da exclusão» in O JUMENTO

Coerência da delegada do Professor


Via Câmara Corporativa

Novas Oportunidades, velhos desacertos…


O progama “Novas Oportunidades”, pretende combater os baixos índices de escolarização dos portugueses através de cursos na requalificação da população, abrangendo jovens e adultos.
Todos sabemos que a qualificação é fundamental para o desenvolvimento económico e social. E todos sabemos, também, que o nosso índice que qualificação é baixo.
Portanto, é natural que tenhamos, desde já, problemas no desenvolvimento económico. E, no futuro, teremos – não é difícil prever - maiores dificuldades em sair da actual crise do que os restantes Países da UE.
A “desqualificação” sendo sinónimo de não diferenciação, é uma companheira inseparável do atraso (melhor diria da pobreza), a causa remota da baixa competitividade e uma figadal inimiga da modernização.

Assim, qualquer programa de qualificação será uma mais valia para o País.
O actual Governo lançou uma iniciativa de qualificação (ou de requalificação, conforme os casos) a que chamou “Novas Oportunidades” ao encontro da solução dos problemas acima referidos.

Hoje, será apresentado, publicamente, o 1º. estudo externo ao programa, orientado por Roberto Carneiro, no Centro de Congressos de Lisboa.
Entretanto, começam a ser – parcialmente – conhecidas algumas das conclusões desse estudo.

A avaliação global é positiva.
Todavia, parecem existir um sem número de obstáculos e de interrogações.
O impacto desta acção nas empresas não é imediato. Surgirá a médio prazo. Mas os portugueses têm de exigir que esse impacto "aconteça" e altere o ritmo, a forma e a metodologia do desenvolvimento nacional.

Conhecemos, previamente, alguns dados que são preocupantes.
Por exemplo:
- 66% das “chefias” não reconhecem o esforço dos trabalhadores, portanto, não valorizam a importância da qualificação;
- Decorrente da situação anterior, a qualificação – na grande maioria das empresas - não trouxe qualquer benefício ao trabalhador no seio da empresa e não foi incorporada na produtividade. Não há políticas de estímulos.
Roberto Carneiro chamou a atenção para uma importante particularidade do momento actual: acredita que os conhecimentos – especialmente nas novas tecnologias – serão indispensáveis numa altura em que “se entra no mundo da economia do conhecimento em que as empresas funcionam em rede”.
Asserção avisada e um alerta oportuno.

O grande problema é que a iniciativa “Novas Oportunidades” deveria estender-se ao grupo empresarial nacional e não restringir-se aos empregados (ou desempregados)desqualificados.
Falta fazer o levantamento dos empresários "desqualificados".

Continuamos um País de patrões. Temos poucos empresários qualificados.
Esta é a outra vertente (oculta) do nosso atraso e uma das grandes dificuldades das "Novas Oportunidades".

Intolerável posição do PR

Como já aqui foi referido, o presidente da República, ao limitar o Governo e os partidos (leia-se PS), está a intrometer-se nas áreas do poder legislativo e executivo cujos poderes se mantêm, contrariamente ao seu, que, por imperativos constitucionais, está impedido de dissolver a AR e de demitir o Governo.

As ameaças de vetos para as leis de que discorde são intoleráveis para a separação dos poderes que lhe cabe respeitar. Como se sentiria o PR se o presidente da AR dissesse publicamente que o PR devia conter-se nas suas declarações para não prejudicar o trabalho legislativo? Ou o que diria se o primeiro-ministro o acusasse de bloquear as decisões do executivo cuja legitimidade é total?

O PR sabe que a opinião pública o favorece e lhe confere total impunidade perante o autoritarismo e a rudimentar concepção democrática do cargo que ocupa.

Quem chegou ao 25 de Abril de 1974 com mais de trinta anos e sem necessidade de condenar a ditadura, dificilmente se comporta como os que lutaram toda a vida pela democracia. Nem podemos esperar isso do único primeiro-ministro da democracia em cujo governo se censurou um livro de Saramago.

Já se viu que Cavaco está mais impaciente por ver o PSD no Governo do que o povo português. Não tenho dúvida de que conseguirá os seus intentos mas com enormes prejuízos para o país e para si próprio.

Este comportamento pode causar mais prejuízos à sua imagem do que a SLN às suas economias.

Alá é grande...

... graças à polícia.

Poder no Irão voltou a ser desafiado nas ruas

Quinta-feira, Julho 09, 2009

Farinha do mesmo saco


Com a fusão da comissão Ecclesia Dei, criada para lidar com este grupo cismático, na Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), o Papa inicia um novo ciclo no diálogo com os seguidores de Marcel Lefebvre.

Factos & documentos

Vestimentas religiosas: a moda como "arma"...?

JCN deve estar a pensar nas normas católicas sobre o vestuário que, também, se fundamentam na modéstia e repudiam o exibicionismo...
As religiões abraamicas têm muitos pontos de contacto.
No Ocidente a modéstia teve uma evolução bipolar. Nos meios rurais evoluiu para o pudor e nos meios urbanos para o exibicionismo. Hoje o prêt-à-porter harmonizou e democratizou o vestuário, relegando as normas religiosas para o caixote do lixo.

Mas, convém, como modelos exemplificativos, conhecer algumas dessas "normas":

O controverso papa Pio XII, em pleno século XX, tinha uma interpretação da modéstia no vestuário (essencialmente feminino) que o levou a determinar que as mulheres devem cobrir seus membros superiores e ombros, que suas saias devem cobrir ao menos até o joelho, e o decote não deve revelar nada...
Não foi preciso grandes debates ideológicos. Um mulher do Mundo da moda, Mary Quant, nos anos 60 - pouco depois da morte do puritano Pio XII, deu cabo das suas castas determinações, com a criação da popular "mini-saia".

Um discípulo do papa, o cardeal Siri, arcebispo de Génova, também nos meados do séc. XX, determinou que as calças eram inaceitáveis para vestir mulheres...
Mais uma vez a juventude, no final dos anos 60, com o movimento hippy, consagra a democratização da calça comprida, como "vulgar" peça de design do vestuário feminino.
A calça feminina torna-se um símbolo de distinção entre a modernidade e os "tempos da avozinha" e passa a ser usada pela grande maioria dos jovens de todo o mundo.
E, assim morre a determinação cardinalícia...

De certa maneira, mantenho uma secreta esperança que a evolução do pensamento, a modernidade cultural, as inovações tecnológicas, libertem a humanidade de certas peias, contornandolutas filosófico-religiosas, infindáveis.
Bastará, creio eu, novas tendências de consumo baseadas em ídolos ou cultos carismáticos efémeros ou, se quiserem, na moda.

Nas fotos, o contrastre entre as anónimas mulheres de burka no Afeganistão e a beleza discreta da rainha Rania da Jordânia, mostram, pela inegável diferença, duas faces do islamismo.
Nem todas as mulheres são rainhas, mas a verdade é que as rainhas são simbolos de poder, dinheiro e (algumas) de bom-gosto, que "ditam" modas..., isto é, condicionam o tipo e o modelo (design) do consumo, em todas as suas vertentes - vestuário, inclusive.

Burka, véu e democracia

João César das Neves (JCN) excede-se no zelo com que divulga o pensamento oficial da Igreja católica. Na habitual homilia de segunda-feira, no DN, referiu-se ao discurso que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, pronunciou em 22 de Junho no Parlamento, facto inédito, em França, desde 1875.

JCN vituperou este excerto do discurso: "A burka não é um símbolo religioso, é um símbolo de servidão, é um símbolo de abaixamento. Quero dizer solenemente, ela não será bem-vinda no território da República." O forte aplauso dos deputados franceses foi, segundo JCN, «da mais tacanha intolerância e incompreensão».

Convém esquecer a propensão beata de JCN e analisar o problema da burka ou, melhor ainda, a exibição ostensiva e provocatória de símbolos religiosos nos espaços públicos, sobretudo quando denunciam a submissão da mulher.

O Estado tem o direito de proibir em nome da liberdade e a obrigação de libertar através de uma proibição?

O problema divide as diversas famílias políticas, embora em França, apesar das graves cedências às religiões, feitas por Sarkozy, ao arrepio da Constituição, gere consenso a proibição da burka e do véu com que os mulás incitam as jovens a provocar a laicidade do Estado, nas escolas públicas, e a dar notório testemunho da submissão ao homem.

Os aplausos dos deputados sublinharam as afirmações de Sarkozy quando declarou que «…a tolerância tem limites e há muita coisa que não devemos permitir: crime, abuso, injustiça. A discriminação das mulheres e, pior ainda, a sua servidão e abaixamento são evidentemente intoleráveis».
É a supremacia da cidadania sobre o comunitarismo, a exigência da igualdade de género contra a tradição religiosa, a primazia das leis da República sobre os versículos do Corão.

JCN avalia a dignidade da mulher e a decência feminina pela porção de corpo oculto. É o direito de homem pio, que vê a mulher pelos olhos misóginos de Paulo de Tarso, mas as sociedades democráticas devem defender a igualdade de género e abolir o estigma do pecado original.
A sanha contra a laicidade dos sectores mais extremistas da Igreja católica fê-los aliados do islamismo cuja demência mística e vocação para o martírio admiram. O proselitismo está na matriz das religiões e serve de detonador das guerras que fomentam. Unem-se contra a laicidade e aguardam para se digladiarem, depois.

Há quem não perceba que a teocracia é o antónimo da democracia. É pena e é perigoso. Se o respeito pelas tradições fosse a bitola civilizacional teríamos ainda as monarquias absolutas, o esclavagismo, a tortura e, quiçá, a antropofagia, além de outras numerosas iniquidades. A civilização a que chegámos retrocederia para uma qualquer forma de tribalismo. Regressaria a barbárie. E o clero encarregar-se-ia de submeter as nossas vidas à vontade divina.

Ponte Europa/SORUMBÁTICO

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

Por
Amadeu carvalho Homem *

MEMORIAL REPUBLICANO XXVIII

XXVIII - O ULTIMATUM E A MONARQUIA

A monarquia constitucional portuguesa sofreu em cheio os efeitos do Ultimatum em momento particularmente delicado. D. Luís, cujo reinado fora um modelo de constitucionalidade cartista, havia falecido na cidadela de Cascais em 19 de Outubro de 1889. Sucedera-lhe o seu filho D. Carlos, que logo viu ensombrado o seu recente casamento com Dona Amélia de Orleans por esta verdadeira tempestade diplomática, logo transformada em vaga de fundo de agitação social, de temerosas dimensões. Os monárquicos não contaram que o grito de alma saído dos recessos do sentimento patriótico dos portugueses sofresse, no interlúdio das palavras iradas e dos gestos enfáticos, uma significativa mutação de alvo.

* Historiador
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Quarta-feira, Julho 08, 2009

MEMÓRIAS DOS TEMPOS SALAZARENTOS


No dia 26 de Março de 1965, em plena vigência do regime salazarista puro e duro, um deputado salazarista à Assembleia Nacional, Dr. António Marques Fernandes, certamente depois d um almoço bem regado, pronunciou naquela Assembleia um discurso em que apelava aos salazaristas que fossem mais activos e tivessem mais espírito de sacrifício. Certamente influenciado pelo bem regado almoço, desatou a criticar o comodismo dos situacionistas, comparando-o com o espírito de sacrifício dos comunistas que lutavam pela sua causa abenegadamente, arrostando com todas as consequências daí derivadas – prisão, etc. Chegou a dizer que “nós ficámos com o Cristo e eles ficaram com a Cruz”. Isto é, sem querer, fez um eloquente elogio aos comunistas.

A Censura, certamente por se tratar de um discurso de um deputado à AN, nem sequer deve ter lido e o certo é que o discurso veio reproduzido nos jornais, designadamente no Jornal de Notícias.

Nessa altura, a revista socialista Seara Nova tinha uma secção intitulada “Factos e Documentos”, em que publicava textos disparatados dos salazaristas, designadamente passos dos discursos do então presidente Américo Tomás.

Ao ler o discurso, eu e alguns colegas – José Gomes, que veio a ser actor de teatro e de telenovelas e infelizmente já falecido, José Guilherme Stuart d’Almeida Coutinho, também prematuramente falecido, José Quitério, hoje crítico gastronómico do Expresso, e Marcelo Correia Ribeiro, já reformado mas democrata indefectível e ainda bem activo -, tivemos a ingenuidade de recortar o texto e enviá-lo para a Seara Nova, acompanhado de uma carta manuscrita aqui reproduzida em forma dactilografada pela PIDE.

Mais ingenuamente ainda, pusemos como remetente da carta “Café-Restaurante Mandarim - Coimbra”.

É evidente que tal carta nunca chegou ao destino. Certamente alarmados com os nomes do remetente e da destinatária, os esbirros da PIDE em serviço nos CTT apreenderam-na. O diligente agente da PIDE que tomou conta da “ocorrência” teve o cuidado de sublinhar a expressão “prosa parlamentar” e fazer-lhe a seguinte anotação: “Trata-se do texto do discurso proferido na Assembleia Nacional pelo Deputado Dr. António Marques Fernandes, em Março de 1965, através do qual enalteceu as qualidades dos comunistas.”

Tal carta repousa hoje nos arquivos da Torre do Tombo, onde fui “desenterrá-la”, pois constava do meu dossier na PIDE.

FRANÇA: direito comum ou vestes étnico-religiosas?

Em França, discute-se o uso das “vestes islâmicas” nos espaços públicos.
Um imbricado problema que pode, a qualquer momento, bulir com as liberdades individuais.

Uma missão de informação parlamentar procede a várias audições para tentar conciliar posições.
Esta missão tem sido insistentemente aconselhada a circunscrever-se à Lei.

A “questão religiosa” e as justificações daí inerentes não deverão ser chamadas ao debate.
Não se trata, evidentemente, de se pronunciar sobre o uso do hijab – (na foto) um tipo de lenço que cobre a cabeça – que faz parte da história muçulmana.

Trata-se de regulamentar o uso de trajes que cobrem todo o corpo, como as famosas burkas patchuns (afegãs), ou o niqab ,vestimenta negra que cobre todo o corpo, excepto os olhos, dos grupos salafistas do Norte de África.

A missão parlamentar pretende deslocar este problema para o direito comum que proíbe aos cidadãos dissimular a face e, reafirmar o princípio que todo o individuo é diferente e diferenciado.

Esta visão é considerada « sectária » pelos grupos islâmicos fundamentalistas, sendo considerada como propiciadora da auto-exclusão de pessoas ou da exclusão de outras

Um assunto que merece uma profunda reflexão.

Há, contudo, fundadas esperanças que uma sociedade muticultural e multiétnica como a França não caíra na tentação de transformar a questão das vestes islâmicas “ no processo ou no julgamento do islamismo” .

Factos & documentos

Cerca de 200 estivadores dirigiram insultos contra o primeiro-ministro José Sócrates e fizeram rebentar alguns petrados numa manifestação frente ao Parlamento. A PSP já identificou os responsáveis por estes actos.

prevenção de "fracturas"

O aviso do PR aos partidos, nas audiências que precederam a marcação das eleições, ao encontro da adopção, por parte dos orgãos legisladores, de uma contenção dessa actividade que lhe está inerente, é intolerável.

O aconselhamento para que os partidos sejam comedidos na AR e que as iniciativas legislativas governamentais, a um Governo em exercício legítimo de funções, no sentido de evitarem “leis fracturantes” é um sério e grave entrave à actividade das instituições do Estado, da parte de quem tem o dever de zelar pelo seu regular funcionamento.

Afinal, havendo em Portugal uma vasta diversidade cultural e social o que é “uma lei fracturante”?
E, as iniciativas consagradas no programa de Governo aprovado na AR. São, também, “fracturantes”?

De certo modo, esta advertência do PR vai ao encontro daquela asserção eufórica de Paulo Rangel, na noite das eleições europeias, afirmando que o Governo tinha perdido parte da legitimidade democrática e deveria, na prática, entrar em gestão de assuntos correntes…

O PR dá a sensação de não viver em Portugal. A recta final do período anual legislativo, na AR, é tradicionalmente profícua em votações de diplomas que se acumulam durante o ano.
Por que razão este ano deverá ser diferente? Por ser o fim de Legislatura?

O que se verifica é uma subtil intromissão do PR em áreas específicas dos poderes Legislativo e Executivo e, pior, uma velada ameaça de vetar tudo o que não for, para si, consensual, o que consubstancia um singular conceito de relacionamento institucional com os outros poderes (para sermos comedidos…)

Ora, a AR, até ao último dia de Legislatura, decide por maioria, fora de quaisquer constrangimentos. Este é o seu normal funcionamento.

Este deveria ser o objectivo pelo qual o PR deveria empenhar-se.

Lula da Silva - justa distinção

Paris – O Presidente brasileiro Lula da Silva recebeu esta terça-feira, 7 de Julho, o prémio Félix Houphouët-Boigny 2008 pela sua participação em busca da Paz.

Terça-feira, Julho 07, 2009

Arrependimento

O Presidente da República considerou que, por vezes, é mais rentável investir na cultura do que noutros investimentos. Cavaco Silva disse ainda que a crise actual requer visão de futuro.

Comentário: Enquanto foi primeiro-ministro só teve «ajudantes de ministro».

PR quer condicionar o Governo?

1 - O Presidente da República manifestou o desejo de que possam ser ultrapassados os problemas que ditaram a decisão da pianista Maria João Pires de renunciar à nacionalidade portuguesa.

O líder da Oposição, digo, o PR reagiu assim às primeiras notícias.

Humor saudável

Logotipo alternativo

Câmara de Coimbra na mira da PJ

Prédio comprado por 14,8 milhões vendido seis horas depois por 20

Comentário: Não gosto de ver estas notícias em vésperas de eleições. Basta a má gestão de dois mandatos para se exigir a mudança.

O homem da «Amostra» que se esquecia de pagar impostos

O líder do CDS-PP acusou hoje a Caixa Geral de Depósitos de estar mais concentrada em "ser o carro vassoura das fraudes do BPN" do que no apoio às empresas, instando o Estado apoiá-las com "medidas decisivas".

Comentário: A demagogia e a exploração do rabo entalado do PSD. Esqueceu-se do ruinoso negócio dos submarinos.

Maioria!

Alguns entendem que é preciso exigir uma maioria absoluta para evitar a crise política.

Eu não concordo.
Esse discurso alarmista nesta altura favorece a coligação PP/MFL, visto terem 40% e o PS apenas 27%...
O PS deve mobilizar-se por ideias e por generosidade humanista, sem estar a criar medos ou papões. Isso só vai levar a que o centrão se refugie na direita que está sempre disponível para coligações a qualquer preço.

Guterres, em 1995, teve maioria relativa e só em 1999 teve os terríveis 115 deputados.
Ora, o período 95-99 foi dos melhores da nossa democracia.
Perante um bom governo, o PSD é forçado a aguentá-lo e não permitirá que ele vá abaixo, sob pena de punição nas urnas.
Donde, agora, o que é preciso é apresentar ideias claras e próprias de um centro-esquerda moderno, liberal, fraterno e que goste de riscos e de mudanças sociais; isso ver-se-à nas listas de deputados e nas ideias chave da campanha.
A seguir, é preciso ter um bom Governo, sem Ministros inábeis e sem experiência, casmurros e que não respeitam o partido e as bases eleitorais do partido.
Sócrates vai saber fazer isso!

H5N1 - Louco ou homem de coragem?

Santiago Bernabéu: o novo Olimpo do dinheiro...

Coube-nos na rifa que o actor fosse português.

Chama-se Cristiano Ronaldo, veio da Madeira e encontra-se no top dos futebolistas mundiais.

Portugal, um País amante do futebol, pejado de “treinadores de café”, rejubilou. Um dos seus jovens vai jogar num dos clubes emblemáticos do Mundo.
Este é, resumidamente, o espectáculo de ontem, numa perspectiva desportiva.

Mas, ontem, também, eram visíveis outras vertentes.

Em Chamartín não decorreu, só e unicamente, uma festa desportiva.
Florentino Perez, presidente do Real Madrid, deu-lhe outra conotação.

Foi a consagração do poderio do futebol.
Foi, também, o divórcio do futebol, enquanto desporto que ao longo de anos e anos, sustentado por aficionados e, um novo “dono” - o poderio do dinheiro.
Os clubes não são mais associações desportivas. São empresas cotadas na bolsa.

Ontem, em pleno período de crise económica mundial, num País com cerca de 20% de taxa de desemprego, festejou-se um negócio de milhões.

Cristiano Ronaldo quando desfilou pela passarelle ao encontro do sobrelevado palco onde já se encontrava Florentino Perez, acolitado por Di Stefano e Eusébio, consagrava o dinheiro como o vencedor destes novos tempos onde não existem mais atletas em busca de serem laureados do Olimpo. A glória é o ouro.

O futebol ganhou um ídolo (cujo valor desportivo é incontestado) mas, mais tarde ou mais cedo, esta "nova" trajectória, acabará por questionar as suas "raízes" populares. Será mais um produto de mercado.

Coimbra - C O N V I T E


Amanhã, dia 8 de Julho (quarta-feira), pelas 18 horas, na Casa Municipal da Cultura de Coimbra, decorre a sessão de lançamento do livro de crónicas intitulado “A Outra face do Espelho”. O autor é José Henrique Dias, e a apresentação será feita por Cristina Robalo Cordeiro, Vice-Reitora da Universidade de Coimbra.

Com edição de “Campo da Comunicação”, a obra de José Henrique Dias é composta pelas crónicas que o professor universitário publicou, nos anos mais recentes, nos jornais de Coimbra “O Despertar” e “Centro”.

Inclui desenhos inéditos de Nadir Afonso e prefácio do romancista Fernando Campos.

Argumentos fracos

O Presidente da República vetou o diploma que altera a Lei do Segredo de Estado, considerando que o decreto continha soluções que "afectavam o equilíbrio que deve existir entre os poderes do Estado".

Crime religioso no Sul das Filipinas

O ataque à bomba contra a catedral de uma cidade do Sul das Filipinas é mais uma manifestação de intolerância, proselitismo e violência religiosa.

A confirmar-se a autoria da guerrilha independentista islâmica – como é referido pela polícia – é a reincidência no nacionalismo vesgo e o espírito totalitário que são apanágio das religiões.

O Papa perguntou, quiçá de forma retórica: “quando é que os homens vão aprender que a vida é sagrada e que só pertence a Deus”? Não tendo a sua Igreja tradição exemplar na defesa da paz e do pluralismo dificilmente compreenderá que é exactamente o conceito de pertença que leva o deus de cada um a exigir que se tire a vida a quem insiste em ter um deus diferente.

Já no ano passado a Frente Moro de Libertação Islâmica, em reacção a uma decisão judicial, ocupou aldeias de maioria católica e provocou centenas de mortes. Este é o ódio sectário de quem não se satisfaz com o deus em que acredita e que exige a conversão alheia, numa raiva beata que alastra e corrói a paz.

Neste caso são as vítimas católicas que merecem a solidariedade dos países laicos e democráticos enquanto o fascismo islâmico é réu do proselitismo demente que embrutece os crentes com promessas de rios de mel doce e dezenas de virgens à espera no Paraíso.

Qualquer código penal devia prever como factor de agravamento de pena a motivação religiosa dos crimes. Para isso é preciso que a laicidade se aprofunde e a separação das Igrejas dê lugar a Estados laicos.

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

Por
Amadeu Carvalho Homem *

MEMORIAL REPUBLICANO XXVII
XXVII - O ULTIMATUM DO POVO

Na nota diplomática entregue por Mr. Petre ao governo português, nesse infausto 11 de Janeiro de 1890, não se exteriorizava apenas o desprezo de uma nacionalidade próspera e forte por outra empobrecida e fragilizada. Levava-se a diferença de posições ao auge da ameaça, ao dizer-se que o vaso de guerra Enchantress, às ordens do Almirantado britânico, estava fundeado em Vigo, aguardando ordens. Não se poderia utilizar linguagem mais directa, vexatória e brutal. Foi esse desprimor linguístico para com Portugal, foi decerto essa leonina manifestação de sobranceria, que mobilizou quase instantaneamente os estratos populares.

* Historiador

Texto completo em LIVRE E HUMANO

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Momento de poesia

Dissertação sobre o conceito de beleza…

Gosto das tuas pernas brancas

elegantes, esguias e escorregadias

reveladas pelas saias curtas

que usas

recusaste a vulgaridade dos tons escuros

da pele queimada pelo Sol a exalar odores

gosto das tuas pernas brancas

porque é através delas

que subo pelo teu corpo

nas noites em que muda a Lua

gosto das tuas pernas brancas

porque são de seda pura.

Alexandre de Castro

Segunda-feira, Julho 06, 2009

Robert McNamara

Morreu Robert McNamara, o homem da guerra do Vietname.

Trouxe, no tempo da guerra-fria, uma gestão musculada ao Pentágono, transformando-o numa implacável máquina de guerra em que as vidas pouco, ou nada, contavam.

A sua umbilical associação à guerra do Vietname foi tão longe que levou-o a confrontar-se com o seu filho, então estudante na Universidade de Stanford. Este integrou-se mas enormes e decisivas manifestações contra a guerra que, acabaram, por isolar o poder político e provocar uma vergonhosa retirada de Saigão.
Estas imagens perduram na memória dos que tiveram a oportunidade histórica de assitir à evacuação in extremis da Embaixada dos EUA.

Quando saiu do cargo de Secretário da Defesa teve como recompensa a presidência de fachada no Banco Mundial que lhe proporcionou uma reforma dourada .

Aproveitou este ensejo para repensar a estratégia da guerra e começar a escrever um livro, sem grande lustro, sem inovações contexto bélico da guerrilha ou revisões doutrinárias, que intitulou: "In Retrospect: The Tragedy and Lessons of Vietnam", que publicou em 1995, já reformado.

Foi, ainda, ouvido por G.W.Bush antes da invasão do Iraque.

A sua imagem de “falcão” sempre pairou no Pentágono. Mesmo nos tempos de Donald Rumsfeld.

É responsável por mais de 100.000 mortes de americanos e de um incalculável número de vietnamitas.

Foi o responsável pelo bombardeamento do Vietname do Norte numa operação que envolveu um inimaginável potencial de fogo e causou um morticínio entre vietnamitas e americanos. Promoveu, deste modo, um dos grandes massacres bélicos da História.

Acabou derrotado e amargurado, tardiamente convencido de que a melhoria das condições de vida nas comunidades rurais dos países em desenvolvimento era um caminho para a paz mais prometedor do que a proliferação de armas e de exércitos…

Que descanse em Paz!

BPN - Relatório parlamentar

O relatório final proposto pelo PS não censura a actuação de supervisão do Banco de Portugal. A deputada Sonia Sanfona diz que era impossível descobrir as ilegalidades imputadas à administração de Oliveira e Costa e compara a contratação de Miguel Cadilhe a negócios ruinosos como o que envolve Manuel Dias Loureiro.

FIdA - Prémio Torquemada/ Maio 2009

Antonio Cañizares Llovera, Prefeito da Congregação para o Culto Divino
e a Disciplina dos Sacramentos e cardeal administrador apostólico de Toledo.


Este santo prelado afirmou que é pior abortar do que abusar sexualmente de ciranças. Comentando os abusos sexuais a menores cometidos em escolas católicas irlandesas entre 1950 e 1980, disse que não é comparável o que pudesse ter-se passado em alguns colégios com os milhões de vidas destruídas pelo aborto.

Por isto, e por muito mais, a Federação Internacional dos Ateus (FIdA) atribuiu-lhe o Prémio Torquemada do mês de Maio.

O "exemplo" búlgaro...


Mais um governo socialista caiu, em eleições, na UE!
O Partido Socialista Búlgaro, hoje, nas eleições legislativas passa de 34% dos votos obtidos em 2005, para cerca de 18%.
A Direita passa a governar 22 Países na UE!
O vencedor – com 40% dos votos! - é o GERB (partido dos cidadãos para um desenvolvimento europeu da Bulgária), dirigido por um populista, que já se fizera eleger Presidente da Câmara de Sofia, de seu nome:
Boyko Borissov.

A derrota do Partido Socialista é atribuída à incapacidade demonstrada em lutar contra a corrupção.

Borissov adoptou a luta contra a corrupção como a sua bandeira eleitoral. Proferiu, depois da vitória, uma frase que ganhou rapidamente celebridade: “Os que roubaram devem ter medo…”

Este partido – GERB – enquadrável no centro-direita populista, aderiu a semana passada ao PPE. Mais um apoio para Durão Barroso!

Nasce em 2006, especialmente para lutar contra as máfias búlgaras, que dominam o País, perante a inoperacionalidade do Partido Socialista no Poder.
Previamente, há poucas semanas deu o sinal de alarme. Vence as eleições europeias.

Antigo Chefe da Polícia Nacional é um homem duro, de cabeça rapada, praticante de Karaté (cinturão negro), voz possante e escassos sorrisos, costuma discutir colocando a sua pistola em cima da mesa…

No comments ... (como diria a Euronews)

O Islão é tolerante...


Fotografias tiradas durante a manifestação de
«A Religião e a Paz» recentemente celebrada
pela comunidade muçulmana em Londres.

Domingo, Julho 05, 2009

Preso amigo das igrejas em flagrante devoção

A GNR de Aveiro deteve em flagrante um indivíduo, de 33 anos, residente em Mourisca do Vouga, suspeito de ter assaltado várias igrejas dos Arciprestados de Aveiro e Águeda.

PS tem candidato! E bom!

Finalmente fez-se fumo branco!

Segundo o Campeão das Províncias, o Partido Socialista apresenta como candidato à Presidência da Câmara Municipal de Coimbra o Professor Álvaro Seco.

Não conhecendo pessoalmente o candidato, confio nos critérios que se podem deduzir desta escolha: uma pessoa com uma carreira profissional bem sucedida, com profundo conhecimento da cidade, Professor da Universidade e relativamente jovem.
Parece ser uma boa aposta!

Desejo ainda que tenha a capacidade de comunicação, o carisma e projectos convincentes para a cidade.

Desejo que o candidato, após uma campanha curta mas muito trabalhosa, tenha boa sorte!

Contra o terrorismo

Detidos em França três dos etarras mais procurados


Asier Borrero, Itziar Plaza y Iurgi Garitagoitia foram presos perto de Pau por membros da polícia judicial de Bayona.

mutatis mutandis versus status quo...



Portugal vive, como ninguém duvida, tempos de crise económica.
É uma crise importada, como todos sabemos, mas a sua prevalência, exige, do mesmo modo, respostas atempadas.

No fórum “Novas Fronteiras” do PS, dedicado à Economia, foi difícil encontrar as propostas de estímulo do Governo para combater a crise.
A menos de 3 meses das eleições andavam todos perdidos...

O Governo, numa primeira abordagem da crise, mostrou, alguma prontidão, apresentou-se seguro e resolutivo. E traçou uma opção.
Isto parece ter sucedido há séculos. Quando Sócrates tinha ferocidade suficiente para enfrentar a crise. Hoje, parece que só quer ser humilde. Acabará humilhado.

Parecia ter escolhido uma revisita ao modelo Keynesiano em detrimento do modelo neo-liberal.

Aparentemente, para um cidadão leigo, uma boa escolha, já que na génese da actual crise era visível, estava esmagadoramente presente, a influência das doutrinas de Milton Friedman e da subsequente redução das funções do Estado frente ao domínio do mercado livre. Ora a crise nasceu da não-regulação, desse mercado livre.

Como sabemos, Keynes, defendia que o Estado deveria interferir na sociedade, na economia e em qualquer área que achasse necessário.
O modelo do Estado intervencionista (Keynesiano) só foi adoptado (serviu) – exclusivamente - para “salvar” o mundo financeiro do colapso eminente. Parou aí.

Os neo-liberais não permitiram que o mesmo fosse aplicado à recuperação económica.

A intervenção do Estado em termos de um substancial acréscimo de investimento público – através da realização de grandes obras estruturais - de que o País está carenciado, foi a proposta governamental. Foi levantado pela Direita os efeitos apocalipticos da dívida externa que se estendiam até à 7º. geração...
O Governo vacilou e hesitações em tempos de crise são fatais para a confiança dos investidores e consumidores.

Os partidos da Direita, imbuídos pelas doutrinas neo-liberais que, apesar do desastre ocorrido – a maior recessão mundial nos últimos 80 anos – não pretendem abandonar, foram "abocanhando" sistematicamente e concertadamente esses planos.

Começaram pela localização do novo aeroporto na OTA e não mais pararam.

Entretanto, propõem que a existir um eventual apoio às empresas esse seja dirigido às PME’s que, no entender da Drª. Manuela Ferreira Leite, poderão gerar ou manter 2 milhões de postos de trabalho. Não se dá ao trabalho de explicar como.

As PME’s vivem subsidiariamente das grandes empresas. Estas são a parte fundamental dos seus objectivos estratégicos.
Como as grandes empresas se “deslocalizaram” a sobrevivência das PME’s é mais do que problemática.
O PS que, entretanto, foi abandonado a "conta-gotas" os grandes investimentos públicos - sob a indisfarçável pressão da Direita – acaba no fórum “Novas Fronteiras”, por cair nos braços das PME’s.

Sabe que as PME’s não têm objectivos estratégicos de desenvolvimento interno (o mercado interno retraiu-se drasticamente), nem de penetração do mercado internacional(as exportações caíram assustadoramente).

Então, tira um trunfo da manga: a internacionalização das PME’s como se o mercado internacional fosse um assunto fácil de trabalhar e de conquistar. Ou se fossoe possível fazê-lo num ápice.

Falta-lhe, finalmente, tirar um último coelho da cartola: criar, por geração espontânea, níveis de competitividade que garantam o acesso a uma internacionalização.
A internacionalização proposta, no Fórum do PS, dirige-se, prioritariamente, a países do 3º. Mundo.
Que terão dificuldades de cumprir contractos e o serviço das dívidas decorrentes de uma política de exportações gizada um pouco ad hoc.
Se o sistema financeiro está a estabilizar com imensas dificuldades, um novo deslizamento do sector dos seguros – extremamente ligado ao sistema financeiro – corre o risco de nos fazer andar para trás.

Resumindo: A direita neo-liberal conseguiu “esvaziar” o programa de estímulos do Governo para resolver a crise.
Conseguiram – no assunto fulcral do momento político e económico – que não existissem diferenças nas soluções a propor aos portugueses.
Não há alternativas. A estratégia socialista morreu. Fica o desgaste de 4 anos e meio de governação.

Sócrates, ao entrar nos "terrenos" onde, o PSD, sempre o quis encurralar, deu, ontem, mais um tiro no pé.

Acrescentar uma quimérica “internacionalização” ao apoio preferencial às PME’s para resolver a crise, sendo uma solução económica aparentemente liberal, é como adicionar água do Luso a um vinho avinagrado.
Continuará avinagrado… e um pouco mais diluído. Mas, na mesma, intragável!

Seis dias depois....

Os bispos católicos das Honduras manifestaram o seu apoio ao governo que assumiu o poder depois do afastamento pelos militares do Presidente Manuel Zelaya, a quem pediram que reconsidere a intenção de regressar domingo ao país, o que, dizem, “poderia provocar um banho de sangue”, noticiou o diário "El País".

Quatro dias depois...

A Igreja católica condenou o golpe de Estado contra o governo das Honduras. O secretário-executivo da Caritas deste país, o Pe. Germán Calíx, deu conta da rejeição ao mesmo tempo que pediu que o Presidente Manuel Zelayaque respeite os requisitos das eleições e do referendo, necessários para uma reforma constitucional.

Comentário: O Vaticano foi o primeiro Estado a condenar o golpe... depois de todos os outros.


A mentira que descontrolou um homem honesto

O presidente do Aljustrelense assegurou este sábado, em declarações à TSF, que o ex-ministro da Economia não entregou nenhum cheque da EDP ao clube, desmentindo, assim, declarações feitas, sexta-feira à noite, pelo líder parlamentar do PCP.

Maldito proselitismo

Fotografia tirada durante a manifestação de
«A Religião e a Paz» recentemente celebrada
pela comunidade muçulmana em Londres.

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

Por
Amadeu Carvalho Homem *


MEMORIAL REPUBLICANO XXVI

XXVI - O ULTIMATUM

Quando Portugal, através das manobras diplomáticas de Barros Gomes, procurou suscitar uma “inversão de alianças”, substituindo a Grã-Bretanha pela Alemanha como potência aliada no desenvolvimento de projectos colonialistas, não curou de obter garantias formais de fidelidade futura. Firmou-se um convénio, que nos era favorável, e imaginou-se que ele vigoraria, em interpretação extensiva, para todo o futuro horizonte das nossas esperanças de apropriação.

* Historiador

Texto completo em LIVRE E HUMANO

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Sábado, Julho 04, 2009

SLN - Sem Lei Nem (ROC - Revisor Oficial de Contas)

Factos & documentos - Anatomia de uma conspiração

Apostila - O título foi acrescentado.

A pedir chuva...

A Coreia do Norte disparou sete mísseis balísticos, de curto alcance, em sua costa oriental neste sábado, aparentemente uma mensagem de desafio aos Estados Unidos, neste 4 de julho, em que os norte-americanos comemoram sua independência.

Comentário: Embora haja quem pense que não há razões para acreditar que não seja uma democracia, a Coreia do Norte é uma obscura e sinistra ditadura.

Maria João Pires


Maria João Pires é uma reputada pianista. Em Portugal e no Mundo.
Desenvolveu um Projecto Educativo de Belgais (Castelo Branco), onde se dedicava ao ensino tendo criado uma Escola Básica, Oficinas Pedagógicas, Projecto Matamundo, Coro Infantil e realizava, regularmente, Concertos em Escolas.

Esta extraordinária experiência pedagógica foi, na prática, ignorada pelos poderes públicos. Não foi devidamente valorizada e, muito menos, apoiada.
Hoje, todo este projecto está sob arresto.
Hoje, recordei Goebbels, Ministro da Propaganda Nazi que, no passado, disse:
"Quando ouço falar de cultura...puxo logo da pistola..."

Em 2006, já desiludida com a insolência da nossa vida cultural e artística e a rejeição de projectos pedagógicos inovadores, abandona Portugal e refugia-se na Baía, lamentando “a tortura sofrida durante anos…” . E, amargurada, mais não disse...

Durante anos abandonou os palcos e dedicava grande parte do seu tempo ao ensino em Belgais, trabalho pelo qual recebeu recentemente o Prémio Unesco para a Defesa dos Direitos Humanos. Era uma artista de mérito, uma humanista, uma activista cívica, uma animadora culrutal de excelência, como tinhamos poucas em Portugal.

Acaba de renunciar à nacionalidade portuguesa.

Esta curta resenha não nos faz pensar sobre o destino do nosso País?

É que para além das más políticas, das recessões económicas, das diatribes do mundo financeiro … há outras maneiras de ficarmos mais pobres.

Acabamos de sofrer uma tremenda “bofetada” cultural. Irremediavelmente!

Já estavamos pobres. Agora caminhamos para a miséria!

Palavras doces e silêncios ruidosos

Que diria o Dr. Cavaco se visse estas imagens de um deputado do partido que apoiou a sua candidatura ao cargo que agora ocupa?

Bom Nome e Bela Vista

Se o mega-hospital vai ser construído na zona da Bela Vista, por que razão haveria de ter o nome de Todos-os-Santos?

Sanidade financeira

O Jornal da Madeira está falido e, contudo, o ex-jornalista Alberto João Jardim quer continuar a escrever as suas diatribes contra o Governo da República e a publicar propaganda sem fim.
Que fazer?
Injectar mais uns milhões?

Cavaco Silva indignado com Pinho

O gesto de Manuel Pinho já foi condenado – e bem – por todos os partidos com assento parlamentar, por todos os simpatizantes partidários, incluindo os do PS, por todos os indiferentes e, sobretudo, por todos os nostálgicos do partido único.

Compreende-se o aproveitamento eleitoral dos partidos da oposição, desejosos de tirar dividendos do acto infeliz e frustrados com a rapidez e clarividência com que Sócrates, numa posição difícil, reagiu e sanou o incidente com notável aprumo democrático.

A demissão de um ministro é a punição mais grave para qualquer falta e só quem não vê a técnica de irritar os adversários, elevada ao máximo requinte, se pode surpreender que, uma vez por outra, os limites da boa educação sejam ultrapassados. Foi o caso.

O coro de virgens ofendidas vai continuar enquanto servir para debilitar o Governo – o que é aceitável – e afundar o amor-próprio do país para permitir a aventureiros do PSD pescarem em águas turvas, o que é perigoso.

Surpresa foi ver agora Cavaco no coro das carpideiras, silencioso quando o deputado do PSD, José Eduardo Martins, reiteradamente insultou o deputado do PS, Afonso Candal, no plenário da AR, mandando-o várias vezes para o c.; calado quando o deputado Jaime Ramos, do PSD-M, ameaçou um adversário, do PS, com «um tiro nos cornos»; mudo quando Alberto João Jardim usa os mais torpes insultos para adversários ou recusa ao próprio PR a entrada na AR-M. Agora desforra-se desses e de outros silêncios. Depois da demissão!!

O ticket Cavaco/Ferreira Leite não é o dream team sonhado em Belém, é um pesadelo que começa a assustar os portugueses.