segunda-feira, Setembro 22, 2014

O 1.º auto de fé português – 474 anos depois

Em 20 de setembro de 1540 teve lugar, em Portugal, o primeiro auto de fé. No sábado passado fez 474 anos que se realizou em Lisboa, na Praça do Rossio, o primeiro ato de pia devoção inquisitorial, com a presença da Corte, quase seis décadas depois de, em Sevilha, terem sido executadas 6 pessoas, homens e mulheres.

A Espanha sempre foi mais devota do que Portugal e mais precoce a incinerar judeus, bruxas, hereges  e outros inimigos da única fé verdadeira.

Imagine-se o entusiamo piedoso de ver grelhar um herege, uma bruxa ou um judeu para glória divina! Podia o rei, a rainha e a mais alta nobreza deixar sozinhos os clérigos que se esforçavam para obter confissões de heresia, relações sexuais com o demónio e mais relaxações que só a fogueira redimia!?

Quando vejo os chalados de Maomé a rebolarem-se de gozo com uma decapitação ou a lapidação de uma adúltera, com chicotadas públicas ou outras punições aprovadas pelo Profeta, não posso esquecer o entusiasmo com que no Rossio, no terreiro do Paço ou na Praça da Figueira se reunia lenha para o espetáculo pio onde, depois de açoitados, eram os réprobos transformados em combustível que iluminava os santos e retos caminhos da Providência.

Entre a velhacaria e a demência, a história repete-se, rodando as religiões na reedição da crueldade para divertimento dos fiéis.


domingo, Setembro 21, 2014

Hawking

Numa interessante entrevista ao jornal El Mundo o astrofísico e pensador britânico Stephen Hawking lançou achas para a fogueira no sentido de se reabrir o profícuo e necessário debate entre a Ciência e a Religião.

Disse: “No passado, quando não entendíamos a ciência, era lógico crer que Deus criou o Universo. Mas agora a ciência oferece uma explicação mais convincente. O que quis dizer quando disse que conheceríamos a ‘mente de Deus’ era que comprenderíamos tudo o Deus seria capaz de compreender se acaso existisse. Mas não há nenhum Deus. Sou ateu. A religião crê em milagres, mas estes não são compatíveis com a ciência”… link.

Expliquem ao Governo


Passos Coelho, a Tecnoforma e a memória

Passos Coelho foi acusado de alegados pagamentos da Tecnoforma, tão injustamente como Cavaco Silva de ter adquirido a casa da Coelha de forma pouco transparente.

Só a perseguição aos políticos de direita, graças a uma comunicação social, nas mãos de socialistas e comunistas, pode explicar esta sanha para quem usa na lapela a bandeira de Portugal e esconde o cravo para não denunciar simpatias de esquerda.

Os perseguidos não são de direita, como a comunicação social julga. Aí, engana-se. São comunistas, bloquistas e socialistas infiltrados no PSD e no CDS para desacreditarem os respeitáveis partidos.

Alguém duvida de que Duarte Lima, João Rendeiro, Jardim Gonçalves, Dias Loureiro, Arlindo de Carvalho, Joaquim Coimbra, Oliveira e Costa e muitos outros são agentes do PCP infiltrados para desacreditarem a direita? Ou julgam que a família Espírito Santo não esteve na URSS, na sequência do 25 de Abril, a receber formação ideológica?

Agora que o PM é genuinamente de direita, a esquerda persegue-o por, alegadamente, ter recebido 5.000 € mensais quando era deputado em exclusividade de funções. Como é que um deputado, em exclusividade de funções, sublinho, em exclusividade, tinha tempo para ver se lhe caíam na conta moedas de 5.000 euros, num total irrisório de 150.000 €, entre 1995 e 1999?

O PM é um nacionalista, não só gosta da sua pátria como gosta da dos angolanos donde recrutou os mais leais vassalos. Ainda o hão de acusar de ter ligações a Miguel Relvas e a Ângelo Correia!

Pedro Passos Coelho disse ter "consciência e convicção" de que cumpriu "sempre" as suas obrigações legais. Conhecem mais alguém com "consciência e convicção"?

Que querem estes esquerdistas?


O Vaticano sob ameaça

A segurança da Basílica de S. Pedro foi reforçada na sequência da ameaça de um ataque terrorista e o embaixador do Iraque comunicou à Imprensa italiana que os jihadistas querem matar o Papa.

Os jihadistas são assaz chanfrados para tentarem eliminar a concorrência e não restam dúvidas de que o Papa era um troféu simbólico importante para a corja, mas ficaria mal visto o Vaticano se as bênçãos de sucessivos papas não tivessem o poder de esconjurar tão diabólicas intenções num local repleto de santidade.

Uma teocracia, a transbordar de água benta e incenso, não pode deixar que demonífugos secularmente usados com eficácia se transformem em placebos.

Há, pois, um duplo receio na ameaça, a concretização de um crime e o desprestígio para a parafernália pia com que se invoca a proteção divina.

Esperemos que a cruz, capaz de repelir demónios, afaste os criminosos que deviam estar no manicómio ou na prisão.

sábado, Setembro 20, 2014

Santana Lopes – Provedor da Misericórdia de Lisboa

Há dias a comunicação social referiu que uma auditoria à Misericórdia de Lisboa punha em causa a sua viabilidade futura. Tal como as trovoadas de maio, a notícia apareceu de repente e extinguiu-se a seguir. Anteontem, a Visão trazia uma entrevista ao benemérito gestor que tinha começado no dia anterior o segundo mandato para que Passos Coelho o reconduziu.

É do conhecimento público a relevante importância social da instituição cujo monopólio dos jogos, com exclusão dos casinos, lhe garante somas astronómicas. Contrariamente às «Santas Casas da Misericórdia», não raro pouco santas e onde a misericórdia começa pelo provedor, a Misericórdia de Lisboa é do Estado. As outras são diocesanas e cabe ao bispo o poder discricionário sobre as nomeações e destituições dos «irmãos mesários».

Santana Lopes ofereceu-se para provedor, lugar a desempenha gratuitamente, apesar de se lhe conhecer mais tendência para o esbanjamento do que para a gestão, como deixou provado nas Câmaras da Figueira da Foz e de Lisboa, para não falar do seu Governo.

Não sei se as funções estatutárias estão a ser cumpridas mas, a avaliar pela notícia que os portugueses, no seu habitual desinteresse pelas coisas públicas, logo esqueceram, o horizonte da instituição está em perigo e Santana Lopes foi recentemente reconduzido.

Interessa menos o que conste sobre o número de pessoas ali colocadas e os vencimentos que lhes foram atribuídos do que uma averiguação transparente, isenta e pública sobre o que realmente se passa. Não pode haver instituições do Estado sem escrutínio público.

Nem privadas, como dolorosamente os portugueses souberam.

sexta-feira, Setembro 19, 2014

Passos Coelho e tributárias convicções…

Uma revista semanal levantou a hipótese do actual primeiro-ministro estar a ser investigado no âmbito de eventual acumulação ilícita de vencimentos quando, entre 1997 e 1999, exercia funções de deputado da República, em regime de exclusividade link .

O gabinete do primeiro-ministro declarou que o governante está ‘convicto’ de que cumpriu as suas obrigações link.

Ora bem, grande número de portugueses e portuguesas estarão também convictos que não viveram acima das suas possiblidades e não foi por alimentarem essas ‘convicções’ que escaparam a duras medidas de austeridade ou passaram ao lado de tremendos sacrificios. 
É público que a empresa onde Passos Coelho trabalhou (Tecnoforma) está a ser investigada pelo Ministério Público (DCIAP). O processo está, como é de Lei, em segredo de Justiça e, como refere o comunicado da PGR, “não corre, até à data, contra pessoa deteminadalink.  
Idêntica resposta foi proferida em 22 de Fevereiro de 2013 (há ano e meio) link e segundo se depreende pouco ou nada evoluiu nesta investigação, no que diz respeito a pessoas.

A revelação da revista Sábado ultrapassa, contudo, a investigação que recai sobre a referida empresa. Na verdade, o ex-deputado é, hoje, o primeiro responsável pelo Governo da República. E se acaso se confirmarem os actos e as omissões descritos e, consequentemente, a existência de um processo de investigação, apesar de todas as suas convicções, não restará outro caminho a Pedro Passos Coelho para além da demissão. São estas as regras da ética e conduta republicana que decorrem da condição política apesar do processo judicial em curso. Aqui, não existe espaço para pedidos de desculpas, expediente político que parece ter contaminado o XIX Governo Constitucional.

Dizia Nietzcshe: “as convicções são inimigas da verdade, bem mais perigosas que as mentiras…” 
Todos sabemos que situações que sobrevivem exclusivamente tributárias de convicções são o prelúdio de ‘delírios’…

Nota: O termo ‘tributárias’ foi usado ocasionalmente, mas poderá não ser inocente.

Quo Vadis, Seguro?

O que se passa no PS link?

As alterações sugeridas pelo actual candidato a candidato a primeiro-ministro António José Seguro sobre ‘urgentes’ alterações à lei eleitoral, a serem concertadas até ao final deste ano com a actual maioria, configuram, em todo o seu esplendor, aquilo que em política se designa como um ‘tiro no pé’.
A partir daqui será difícil, para o ainda líder do PS, gerir a indispensável articulação política com a sua bancada parlamentar, o que traduz um agravamento da situação recorrente que já o levou a ‘anular-se’ no passado (conforme assinalou) e as suas prestações serão (seriam), de futuro no mínimo penosas. A imagem que fica é que nas campanhas eleitorais, ao contrário do que tem sido afirmado, continua a ‘valer tudo’. 
As circunstâncias e o timing em a proposta de Seguro surge roçam, de facto, as raias do ‘populismo’. A sua inclusão na agenda política do PS, neste momento, sem prévia discussão política interna é, como diz António Costa, o ‘epitáfio desta liderançalink.

Neste momento, todos as propostas que visem o reforço de um sistema bi-partidário (PS e PSD), num futuro quadro constitucional, são ab initio ‘suspeitas’ para muitos portugueses e aparentemente (efectivamente?) redutoras do pluralismo e diversidade da representação popular. Quem esgrimiu durante toda a campanha interna a necessidade de “separar a política dos negócios”, expressão sempre recheada de um conteúdo velado e insinuador, acabou - publicamente - por aparecer a mediar (junto do PSD) um desejado “negócio político”.

Uma coisa será defender uma Reforma Administrativa que ultrapasse a confrangedora mediocridade de junção e extinção de juntas de freguesia (feita por este Governo) e querer alargá-la a um novo enquadramento municipal (Poder Local), ou ter a ousadia política de fazer ressuscitar a Regionalização (abortada no início deste século), outra será querer construir a casa pelo telhado e aparecer a propor alterações no topo da hierarquia representativa do Estado (Assembleia da República), com carácter 'moralizador'.
O ‘não-escalonamento’ destas prioridades é extremamente revelador da qualidade do nosso sistema político e partidário.

Deus & o Diabo, SARL

Há para aí quem acredite no Deus que ditou a um pastor de camelos, analfabeto e tribal, um livro tão detalhado, onde, da gastronomia ao sexo, da discriminação das mulheres à interdição do álcool, do número de orações diárias às relações sexuais, determinou tudo para se cumprir a sua vontade.

Ontem, na Austrália, a polícia frustrou um plano para decapitar pessoas, ao acaso, para infundir o terror de que o misericordioso Profeta gosta.

Esse Deus, tão rude e violento como o destinatário, afiançou-lhe que a sua tribo era a predileta, que as outras eram infiéis e deviam ser assassinadas pela seguinte ordem: primeiro judeus, depois, cristãos e, finalmente, todos os que não prestassem vassalagem ao profeta.

Antes desse esquizofrénico plagiador já o Deus do cristianismo tinha visitado a região,  feito milagres, pregações e ressuscitado mortos para que todos fizessem o que queria o Deus mais velho, a quem chamava pai, enquanto um pobre carpinteiro era substituído na paternidade, por uma pomba, e um anjo fez de alcoviteiro.

Também este plagiara um tal Jeová, o primeiro a ditar um livro, como se Deus fosse dado à literatura, que jurou amor a doze tribos de Israel e fez uma escritura de doação de terras que ainda dizima fiéis dos diversos avatares do deus abraâmico.

Para as religiões monoteístas é difícil explicar com o mito bom, generoso, omnipotente, omnisciente e omnipresente, as guerras, as tragédias e crueldades que ensanguentam o mundo. E a obsessão demente para a degola dos desmiolados muçulmanos não ajuda.

Assim, os crentes começaram a desconfiar de Deus e passaram a acreditar no Diabo.


Comunicado da Associação 25 de Abril -

PERGUNTA PÚBLICA, AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
18 de setembro de 2014 às 19:55
COMUNICADO

PERGUNTA PÚBLICA, AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA


Constatando os graves problemas que se vivem na Justiça, nomeadamente nos Tribunais,

Concluímos que, as Instituições não estão a funcionar regularmente.

Considerando que o Presidente da República é, constitucionalmente, o garante do regular funcionamento das Instituições,

Perguntamos a S. Exª o que o inibe de intervir para garantir esse regular funcionamento e responsabilizar os causadores de tudo isso.

De que está à espera, senhor Presidente da República, para actuar?

Lisboa, 18 de Setembro de 2014

O Presidente da Direcção
Vasco Correia Lourenço

quinta-feira, Setembro 18, 2014

A Escócia, o referendo e o suicídio europeu

Ainda espero que o notável, histórico e dramático discurso de Gordon Brown, o escocês que foi primeiro-ministro britânico, possa ter contido, ontem, a loucura independentista dos escoceses, que podem começar, na euforia, por se encharcarem em Whisky e, na ressaca, acabarem a desfazer-se em lágrimas.

Não é tanto a mansa cisão da Escócia que inquieta, é o agressivo alvoroço que atiça em outras regiões a incontrolável atomização do espaço europeu e a redefinição inexorável de fronteiras que auguram a destruição da União Europeia e abrem portas aos exaltados nacionalismos, prenunciadores do sangue com que se definem as nações.

Quando a Europa, exangue, com a economia parada e um desemprego dramático, não consegue manter a união, torna-se presa fácil da extrema-direita que não para de crescer e das competições religiosas, económicas e culturais que a dilaceram.

A Alemanha, que não descansou enquanto não se unificou, compõe-se de 80 milhões de habitantes, mas a Europa, que não descansa enquanto não se desfizer, divide-se em 730 milhões.

A Escócia é o rastilho que incendiará a Espanha, a Itália e a Bélgica, para começar, para depois levar o vírus da desintegração ao Canadá e à África enquanto inventa novos países e guerras no seu seio.

Esperemos pelos resultados do referendo da Escócia para sabermos se o significado das urnas é diferente do dos ataúdes.

O GES, o BES, o BPN, o Banif, o BCP e as desgraças que nos esperam

Rui Rio, para fazer prova de vida, afirmou nesta última terça-feira que era impagável a dívida portuguesa e inexequível o memorando de entendimento, salvo se o crescimento económico atingisse níveis absolutamente imprevisíveis.

Não é preciso um curso de economia para uma profecia ao alcance de um guarda-livros por correspondência. Só um Governo autista, com a missão de desmantelar o Estado, de modo a que nunca mais possa cumprir as suas funções sociais, é capaz de afirmar que o País está melhor, apesar de os portugueses estarem pior.

Na Justiça só faltava o amadorismo e irresponsabilidade com que a reforma foi lançada para que 3,5 milhões de processos desaparecessem em Citius avariado.

Do BES BOM, depois de anunciado como o mago de uma solução que só o governador do Banco de Portugal seria capaz de congeminar, Vítor Bento partiu sem indemnização e deu lugar a um quadro que certamente já lhe teria sido imposto, pois não é num fim de semana que se negoceia a vinda de um alto quadro de um banco estrangeiro.

Surpreendente é a reiterada afirmação pública de que a administração do BES BOM não se destina a geri-lo mas a liquidá-lo, no mais curto espaço de tempo, afirmação que se sabe desvalorizá-lo, como qualquer vendedor de carros em segunda mão poderia ter dito ao Governo. Afirmar a pressa na venda é mostrar desespero ou, deliberadamente, no que não acredito, querer prejudicar os interesses do Estado para benefício do comprador.

O PR não pode refugiar-se no silêncio perante este leilão do país, afundado no pântano da corrupção, da incompetência e da mentira. Os jornalistas avençados que teceram loas a Vítor Bento são os mesmos que veem um achado no substituto e verão um milagre em qualquer decisão que tome.

Só não percebo a benevolente indulgência perante os crimes financeiros do século. Dá para pensar que os autores, se fossem do PS, já estariam presos e, se fossem do PCP ou do BE, já teriam sido provisoriamente fuzilados.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, Setembro 17, 2014

O PCP, a UGT e o seu secretário-geral

Pode parecer estranho mas convenço-me de que o secretário-geral da UGT foi escolhido pelo PCP que, há muito, o infiltrou no PS. Quem defende o pluralismo no sindicalismo, na política ou na religião, é com pasmo que assiste às frequentes declarações do líder da UGT, com posições tão gravosas para os trabalhadores, que parece ter como objetivo a destruição da credibilidade que resta à Central que dirige.

Carlos Manuel Simões Silva apoia invariavelmente as posições mais conservadoras do patronato e não hesitou em regozijar-se pela escolha de Carlos Moedas para comissário europeu.

Só pode ter sido escolha do PCP para deixar sozinha a CGTP.


Campanha suja no Brasil


Aliados de Marina acusam Dilma de ser o anticristo Material de campanha distribuído no Rio de Janeiro pelos candidatos a deputado Ezequiel Teixeira e Édino Fonseca, aliados de Marina Silva, incita o ódio homofóbico e prega o extremismo religioso.

terça-feira, Setembro 16, 2014

Efemérides – 16 de setembro

1973 – O cantor Vítor Jara foi assassinado pelas forças da ditadura de Pinochet, apoiada pela Igreja católica e pela CIA;

1982 – Massacre dos refugiados palestinianos nos campos de Sbra e Chatila, em Beirute Ocidental,  por milícias cristãs libanesas perante a indiferença das tropas israelitas;

2004 – Em entrevista à BBC, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, considerou ilegal a intervenção no Iraque, perpetrada pelos cruzados Bush, Blair, Aznar e Barroso.


Cimeira de Paris: en passant

Cimeira de Paris em 15.09.2014

Ontem, reuniram-se em Paris, sob os auspícios do presidente francês, representantes de 30 países que acordaram coligar-se para enfrentar o Estado Islâmico, recorrendo a todos os meios necessários (‘par tous les moyens nécessaires’) … link.

Estamos perante uma iniciativa diplomática de vulto que visa agregar países para uma coligação com fins específicos e balizados.  Todavia, à margem desta Conferência, os EUA, já divulgaram a estrutura da dita coligação, mais ampla (englobará afinal cerca de 40 países), com diferentes protagonismos e funções que vão da intervenção militar, apoio logístico, fornecimento de armamento, instrução de quadros militares, partilha de informações e bloqueio das fontes de financiamento do Estado Islâmico.
No grupo da intervenção militar e do armamento, e sob o alto comando americano, estão incluídos países como a França, o Reino-Unido, Canadá, Austrália, Alemanha, Itália, etc.. No campo da ajuda humanitária e do financiamento da resposta que está a ser gizada contra o Estado Islâmico destacam-se alguns países árabes como a Arábia Saudita, Koweit e outros muçulmanos como a Turquia. 
Trata-se de uma ampla coligação. Nem todos representam aquilo a que as guerras nos habituaram. Estes ‘novos aliados’ não alinham pelo mesmo tipo de motivações políticas e outros interesses (económicos e financeiros) pairam à margem (ou por cima) de acordos de princípios. 

O desenvolvimento deste plano de intervenção (pretensamente sem colocar as botas no terreno) corre o brutal risco de vir a desencadear uma guerra no Próximo Oriente, cuja dimensão e proporções é difícil de prever neste momento. Parece cada vez mais distante e ingénuo a pretensão de não envolver meios militares terrestres no conflito. Esta é mais uma falácia militar como outras recentes (p. exº:  zonas de exclusão aérea).

Agora, e tal como já sucedeu em 2003, aparece novamente os EUA – ‘malgré tous les efforts de  François Hollande’ – a assumir o papel de ‘polícia do Mundo’. A função (o trabalho de sapa) caberá ao recém formado grupo (os equilíbrios com o Congresso assim o exigem), segundo critérios desenhados no Pentágono e Hollande (com Cameron na sombra) desempenhará, em nome da Europa, o papel de meeiro, um pouco no estilo das ‘palhaçadas’ a que nos habituou Sarkozy.

Uma coligação de tão vasta dimensão não é concebível que seja construída e organizada fora do quadro da ONU. Um outro pormenor: O Estado Islâmico ocupa (implantou-se) em território iraquiano e sírio.
Ora bem, a Síria não foi convidada para esta reunião internacional. Para todos os efeitos a Síria está na origem remota dos problemas actuais do Médio Oriente, encontra-se directamente envolvida na questão do ‘Estado Islâmico’ e dificilmente poderá ser afastada das soluções. Mais uma vez, na reunião de Paris, tentou-se passar ao lado da origem da ‘questão síria’, contornar o facto de os problemas terem começado pela irresponsável tentativa promovida por alguns Países aí representados, de substituir o regime ditatorial de Al-Assad por um outro de cariz islâmico. E, mais uma vez, se ladeia o problema recorrendo a um expediente. Na realidade,  o ‘pesadelo sírio’, oficialmente expurgado da reunião, esteve aí representado pela Rússia.
Trata-se de uma situação que, se o processo em curso tivesse decorrido no seio da ONU estaria ‘naturalmente’ ultrapassada já que envolveria todos os membros da Organização, ou pelo menos os que estão representados no Conselho de Segurança, sem necessidade de ‘convites’ especiais e evitando chicanas como as que o Irão se apressou a levantar sobre esta ‘coligação’  link.

Considerando como adquirida e consensual, no Mundo civilizado, a necessidade de enfrentar o auto-intitulado ‘Estado Islâmico’ que, para além de representar uma ameaça terrorista regional, ou até global, poderosamente organizada, armada e financiada, associa essas características ameaçadoras da paz e da segurança internacional a bárbaras práticas contra a Humanidade, temos de reconhecer que, apesar de um aparente e alargado consenso, nem tudo – mais uma vez – começa bem. 
Paira no ar um pesado odor a ‘Entente’, sem se detectarem grandes laivos do ‘cordiale’...

segunda-feira, Setembro 15, 2014

O SNS e o Governo

Ver Passos Coelho a comemorar os 35 anos do SNS traz à memória os cúmplices do Estado Novo a desfilar pelas ruas das cidades, vilas e aldeias do país, a recitar o refrão: «O povo está… com o MFA, o povo está… com o MFA, o povo…, etc.».

A amarga recordação de quem viu os carrascos misturarem-se com as vítimas, em 1974, reaparece com os hipócritas a desfilarem perante um homem bom, generoso e fraterno, António Arnaut.

O mais pétreo ultraliberal apresenta-se como um democrata solidário, em luta por uma sociedade mais justa.


35º aniversário do SNS


Tudo - ou quase tudo - já foi dito e sublinhado neste 35º. aniversário do SNS.  Todavia nunca será demais reafirmar que se trata de uma instituição, nascida sob a tutela da Democracia, que tem servido abnegada e exemplarmente as portuguesas e os portugueses.

A FRASE

«Um governo que decide avançar com a maior reforma judiciária dos últimos 200 anos (segundo as palavras da titular do cargo) sem cuidar dos instrumentos logísticos do quotidiano das instituições abrangidas, só pode ser comparado com um Estado que entrasse em guerra com um exército de objetores de consciência».

(Viriato Soromenho Marques, hoje, no DN, pág. 15, em «Colocar Sentinelas»)

Eleições na Suécia...

A Suécia não tem vivido os tempos difíceis desde que a Europa luta contra a crise financeira que – convém não esquecer – começou em 2007-2008 nos EUA. 

Como foi insistentemente sublinhado em Portugal e objecto de estudos internacionais a Suécia fez o seu trabalho de casa atempadamente e muito embora viva, de novo, o espectro de mais uma bolha imobiliária, existe uma considerável solidez financeira e social no País. 

Na crise bancária de 90-93 subsidiária do afundamento do mercado imobiliário, a Suécia, então governada por liberais (Carl Bildt), conseguiu então varrer o lixo tóxico de cima da mesa de modo a assegurar a saúde do sector financeiro, com base numa intervenção estatal pontual e na ‘ameaça’ de nacionalização da totalidade do sistema bancário. 
Paralelamente, procedeu-se a uma racionalização do Estado Social que, apesar disso, continua a ser um dos mais avançados do Mundo. Claro está que a Suécia na crise do início da década de 90 pode contar um soberano instrumento: a existência de moeda própria. 
Este conjunto de circunstâncias permitiu uma ponderada gestão mista (político-financeira) da crise, longe da gestão austeritária (orçamental) que, hoje, grassa pela Europa.

A Suécia não é por essas razões (…e mais algumas) um exemplo paradigmático do que está a acontecer em muitos países europeus onde mecanicamente têm sido aplicadas as velhas receitas monetaristas do FMI, prontamente adoptadas pelo BCE e a Comissão Europeia.

A vitória do partido social-democrata, dirigido por Stefan Loefven, link ficou aquém das projecções do início da campanha eleitoral  e, portanto, longe da maioria absoluta. Será complexo o processo negocial pós-eleitoral com vista a assegurar uma maioria estável no Parlamento. 
Trata-se, contudo, de uma viragem à esquerda do eleitorado sueco e, esse facto, abre uma brecha na ‘sagrada aliança’ do Centro e Norte da Europa no ‘apoio’ à prossecução, pela UE, de cegas e severas políticas de austeridade.
Não vale a pena embandeirar em arco como sucedeu aquando da eleição de François Hollande. De qualquer modo, as eleições suecas permitem à massacrada social-democracia europeia respirar uma lufada de ar fresco.

Não existe espaço para festejar. Existe motivação para lutar. Na realidade, a par desta vitória verificou-se um enorme  crescimento do Partido dos Democratas da Suécia (extrema-direita) que mais do que duplicou a percentagem de votos e passa a ser o 3º. partido mais votado no Parlamento. Este o lancinante aviso à navegação.

O Banco novo e a invasão do Iraque

A alegada almofada financeira do BES, à prova do pior dos cenários, como garantiram Cavaco Silva e o governador do BP, era uma espécie de bota da tropa a servir de apoio, durante o sono, nas patrulhas da guerra colonial.

Para quem sabia, há vários meses, um e outro, admito que o alegado PM não soubesse, por não perceber, surpreende a incúria que preferiu a autópsia à cirurgia, a invasão do banco à detenção dos administradores e quer agora uma comissão liquidatária em vez de uma administração, como comentou o E-pá.

Há uma estranha semelhança entre a atuação do PR, do alegado PM e do governador do BP a lembrar a atuação dos cúmplices que invadiram o Iraque. Primeiro deixaram Ali, o químico, gasear clientes, transformando-lhes depósitos a prazo em obrigações, depois, permitiram que as fraudes persistissem quando, tudo o indica, já eram conhecidas, para, finalmente, afastarem os sunitas da família Espírito Santo e porem xiitas de confiança.

O BES guarda segredos que nem ao SIS confessa. Vítor Bento, da confiança de Belém e S. Bento, não quis, por razões que só no Iraque arruinado ficam ocultas, ser o presidente da comissão liquidatária urgente para que o queriam.

Amanhã, os bancos e o país vão acordar com a bolsa a parecer a Síria e o país e o BES Bom como se estivessem ocupados pelo califado do Estado Islâmico. Não é apenas o GES que, tal como o Iraque, está destruído, é o País que se encontra à mercê dos abutres que aguardam o cadáver que esta gente lhes garante.

Antes nos esperasse o pelotão de fuzilamento do que a decapitação que nos prepararam.