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LISBOA - Cultura

O centenário do «Portugal Futurista» Grémio Literário ( Rua Ivens, 37 – ao Chiado)( | 25 de Outubro (4ª feira) | 19h30
por: António Valdemar (Academia dasCiências) O centenário da publicação doprimeiro e único número, da revistaPortugalFuturista, uma dasreferências obrigatórias domodernismo,e que em 1917, provocou grandeescândaloefoi apreendido pela Policia,vai ser assinalado, no próximo dia 25, no Grémkio Literário, com uma conferência proferidaporAntónioValdemar, quetem realizado,nos últimos anos, investigações em bibliotecas eemarquivos, a propósito dosváriosaspectosdaquele movimento literário e artistico. Participaram no Portugal Futurista Almada Negreiros, Fernando Pessoa, Santa Rita Pintor,CarlosFilipe Portifirio, Rebelo Bettencourt, Amadeo de Sousa Cardoso,RaúlLeal, e, ainda,GuillaumeApolinaire, Blaisse Cendras através deSonia e Robert Delaunay, ao tempo refugiados emPortugal, devido á eclosãoda Iª Grande Guerra Mundial. OPortugal Futuristaincluiu,também,montagem de textos de de B…

Preconceito de classe

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Há mentalidades que pessoas cultas e civilizadas, por preconceito, atribuem a cavadores de enxada, trolhas ou estivadores, mas nunca a juristas e muito menos a magistrados.

Sabe-se que a mulher continua a ser vítima de discriminações. Tradições odiosas pesam nela com a brutalidade de séculos que a civilização ainda não conseguiu erradicar.

Que um meritíssimo juiz seja sensível à tradição que explica a violência sobre a mulher, é uma vergonha que estupefaz um cidadão, mas que dois venerandos desembargadores do Tribunal da Relação do Porto, acolham num acórdão referências a citações bíblicas e a jurisprudência medieval, insultuosas para a vítima queixosa e favoráveis a dementes e embrutecidos machos, é uma ignomínia.

Enquanto não vi a confirmação do acórdão, aliás douto, referido no DN, JN, TVI e Bola, não me atrevi a trazê-lo para este blogue.

Salva-se a honra do Ministério Publico que não se conformou com a decisão da primeira instância. Sobre o acórdão da Relação assinado, neste mês…

A direita civilizada e esta que agoniza

Houve um tempo em que a direita civilizada se arrepiava com os desmandos de Passos Coelho e Paulo Portas e se envergonhava da iliteracia de Cavaco, do seu ressentimento e postura e da cumplicidade militante com um governo ressabiado com o 25 de Abril.

Era o tempo em que a esquerda, depois de fustigada nas vascas da agonia presidencial do mais inculto, vingativo e rude PR, mostrou um novo rumo e uma impensável capacidade de unificar esforços, obrigando-o a da posse ao Governo que a AR legitimamente lhe impôs, depois de lhe minar a credibilidade, acirrar os credores do País e debilitar as hipóteses de sucesso.

Na sombra, a rede conspirativa da pior direita, daquela que levou Passos Coelho ao poder, não deixou as redes sociais, os órgãos de comunicação social e, a mais pia, de intensificar as preces para que o Diabo surgisse.

Radicais inorgânicos, tal como os lobos solitários do terrorismo islâmico, estavam atentos aos sinais do tantas vezes invocado Diabo. A incúria de séculos, condiçõe…

21 de Outubro 2017 - o inferno da ruralidade e a reconstrução nacional …

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O Conselho de Ministros prepara-se para delinear hoje, 21 de Outubro 2017, um conjunto de medidas para fazer face à sistémica carbonização do País link. Trata-se de uma atitude reativa aos devastadores fogos que assolaram o Interior feita sob a pressão política do momento – de que o PR é um dos expoentes - e surge debaixo de um clima humanitário pungente, muito próximo do desespero. Os portugueses estão, face às recentes tragédias, confrontados com circunstâncias de elevada excecionalidade que raiam as fronteiras da rutura. As reformas a desenvolver são, por isso, muito exigentes e não podem – de modo algum – ficar pelos remedeios. É necessário ir à centralidade dos problemas e, não sendo possível resolvê-los por atacado, o melhor será discernir o fundamental do acessório. Na verdade, o fulcro do problema é a desertificação do interior do País, onde as oportunidades escasseiam e a vida tornou-se uma mera questão de sobrevivência (para a população envelhecida ainda residente). A flo…

A política, a ideologia e a nossa circunstância

Não sei o que é uma pessoa independente, apolítica ou isenta. Sei demasiado bem, isso sim, o que é um tartufo, um reacionário, um fascista ou um mercenário. Não esqueço os partidos que votaram contra o SNS e a descriminalização da IVG, e apoiaram a invasão do Iraque.

E é a memória, essa maldita capacidade fixar, reconhecer e localizar os autores da nossa vergonha coletiva que me leva, quiçá injustamente, a não superar preconceitos contra os defensores desses partidos, independentemente do grau de amizade e consideração que muitos me merecem.

Não reclamo independência ou isenção nas análises que faço ou nas opiniões que emito. Como pode ser independente quem viveu numa ditadura e perdeu quatro anos e quatro dias numa guerra injusta, inútil e criminosa? Quem pode esquecer o regime que prendia, torturava e degredava os amigos e correligionários?

Um homem transporta consigo as vivências, memórias e cultura que o moldaram. Grave é ser correia de transmissão de interesses ínvios e objetivos…

O Outono do nosso descontentamento…

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A demissão da Ministra da Administração Interna e a mini-remodelação que se seguiu 'enfeitam' uma crise política criada à volta de acontecimentos trágicos (Pedrogão Grande e a ‘devastação disseminada’ do último fim-de-semana).
A crise política empolada pela Direita não visa resolver o problema da floresta. A floresta e as perdas associadas de que as mortes são a expressão maior e a mais dolorosa trata-se de um fait divers na estratégia da oposição. Ainda o cadáver da ministra Constança estrebuchava no altar da desgraça os arautos da Oposição já exigiam a cabeça do primeiro-ministro. Como se a Direita tivesse na algibeira outro plano alternativo ou que tenha revelado outra postura na recente passagem pelo Governo.
Uma hipotética queda do Governo reclamada pelo CDS e apoiada pelo PSD não incomoda a Oposição, nem seria – no pensamento da Direita - motivo de protelamento da ‘crise florestal’ e dos incêndios. Os 4 meses que seriam necessários para convocar eleições e formar novo G…

Os fogos e a política – Delenda est Carthago

A dimensão da dor e a emoção da tragédia podem conduzir-nos à revolta e à frustração, mas não justificam a chantagem política, o oportunismo mórbido e o desassossego que procura criar o caos onde germinam os populismos. Na pungência do luto que atingiu o País, ouvir um ex-PM a falar da vergonha que sente do Governo a que se julgava com direito; ver a ex-ministra da Agricultura que assinou a falência do Grupo GES/BES, a pedido da amiga e colega das Finanças, a falar de ética e responsabilidade (até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência?); e olhar a direita que teve em Cavaco, Passos e Portas os epígonos do salazarismo, é reviver um passado recente, onde a destruição do Estado social que restava esteve à beira de consumar-se. Que os últimos fogos ateados por todo o norte do país tenham, por coincidência, surgido com inaudita violência e mortíferas consequências na véspera do dia em que as chuvas e a descida de temperatura estavam anunciadas, é um estranho acaso que lembra o Verã…

A esquerda e a mulher

Surpreende como a Humanidade progrediu tanto, renunciando a metade de si própria, ao longo de milénios. Há quanto tempo poderia ter chegado onde se encontra, e como seria se a igualdade de género fosse, desde o início, um axioma?

Que raio de preconceito, que as várias religiões assimilaram, terá convencido uns brutos da pré-história de que a sua força física lhes permitia a prepotência sobre o sexo que os complementava e lhes assegurou a perpetuação da espécie?

Como é possível, ainda hoje, haver quem, nascido de pai e mãe, e tendo procriado filhos e filhas, reclame superioridade e admita discriminar progenitores ou descendentes, em função do sexo?

Sendo as coisas o que são e a evolução o que é, a mulher tem de ser muito melhor para poder competir com o homem. Foi talvez o estigma ancestral que a fez triunfar, pelo sacrifício e obstinação, em campos que o macho julgava privilégio seu. Foi assim que, da filosofia à ciência, da literatura à matemática, da política às artes, surgiu uma pl…

Humor

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Rui Rio e o País

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Não conheço de Rui Rio o suficiente para me pronunciar sobre a sua competência para liderar o PSD, nem cabe a um adversário imiscuir-se na luta interna de um partido cujo presidente se arrisca a ser PM se se equilibrar no cargo até ao momento certo.

Foi autarca do Porto, onde terá feito uma gestão honesta, o que, não sendo suficiente, é positivo para as suas pretensões a PM. A incapacidade de um escrutínio exigente pelos únicos partidos de onde saíram primeiros-ministros conduziu a clamorosos desastres. É o que acontece quando as clientelas estão mais interessadas em vitórias eleitorais do que nos destinos do País.

É inútil falar dos defeitos que o PSD não deixará de lhe apontar e ampliar, para defender Santana Lopes.

Para já, o País deve a Rui Rio ter liquidado a carreira política de Luís Filipe Meneses, a única sanção a que um político de direita, fora do flagrante delito, parece estar sujeito, e, indiretamente, ter poupado a Misericórdia de Lisboa à continuação da gestão de Santan…

Incêndios

Quando se julgava que o desastre já não podia ser maior, ardidas as florestas, devastadas as aldeias, o fogo chegou às cidades e consumiu casas no tecido urbano, depois de deixar corpos ardidos por onde passou.

Nas estradas houve pânico e as famílias, que ficaram com o telefonema interrompido de filhos ou pais, entraram em ansiedade até à chegada, horas depois, de novo telefonema a anunciar a aproximação. Mas foi no teatro dos incêndios que o desespero atingiu o auge e onde arderam vítimas, sem serem ouvidas, com os parcos pertences que defendiam.

De nada valeram as procissões e preces a pedirem a chuva anunciada pela meteorologia, e que não chegou. Nem os milagres previsíveis acontecem!

Nunca a meteorologia, a incúria e a obstinação por queimadas, que há séculos se fazem no mês de outubro, ainda que proibidas, se aliaram para dar à calamidade a dimensão trágica do dia de ontem.

O peso da tradição rural só rivaliza com quem, por interesses imediatos, nega alterações climáticas e põe e…

Associação Ateísta Portuguesa - Carta ao PR

Prof. Dr. Marcelo Rebelo de Sousa Palácio de Belém – Calçada da Ajuda - belem@presidencia.pt 1349-022 Lisboa (Portugal)

Excelência
A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) sente-se perplexa com as afirmações que a RTP lhe atribui, alegadamente feitas em Fátima e que, a seguir, se transcrevem:
“É em nome de Portugal, de todo o Portugal e de todos os portugueses, dos crentes e não crentes, católicos, cristãos, não cristãos, de todos eles, que aqui está o Presidente da República, cumprindo uma missão nacional”. A serem verdadeiras as insólitas afirmações, o Estado laico, condição essencial de uma democracia, fica, na opinião da AAP, irremediavelmente comprometido com a atitude do PR que, de algum modo, estabelece uma lamentável confusão entre as funções de Estado e os atos pios do foro individual.
Que Sua Excelência acredite que, há 100 anos, o Sol bailou ao meio-dia na Cova da Iria, com uma réplica privada para o Papa, nos jardins do Vaticano, é um direito que a AAP defende, mas que participe, em…

Mensagem solicitada para os meus camaradas do BCAÇ. 1936

Mensagem aos camaradas do BCAÇ. 1936

Queridos camaradas:

Há 50 anos, a bordo do Vera Cruz, deixámos o Cais de Alcântara, rumo a Moçambique, na pior e mais inútil viagem das nossas vidas, para perdermos ingloriamente alguns dos que foram connosco e regressarmos os que sobrámos, com feridas profundas, a sangrar por dentro, 26 meses depois.

O nosso sacrifício merecia melhor causa. Luís Canejo Vilela, a grande referência afetiva e ética, bem como Artur Batista Beirão, que os militares de Abril fizeram general, eram dignos de melhor missão. No fundo, todos fomos vítimas da guerra insustentável que a ditadura fascista não compreendeu e persistiu em prolongar.

Desse tempo remoto, por sorte nossa e mérito de quem nos comandou, não carregamos memórias de atos que nos envergonhem, apenas a mágoa inapagável dos que lá ficaram e o sentimento da inutilidade do nosso sofrimento e do tempo perdido das nossas vidas.

É por isso que podemos, de consciência tranquila, celebrar a reunião da família que n…

Efeméride

A ICAR, multinacional da fé, comemora hoje o 1.º Centenário da «Mensagem de Fátima», uma monumental burla, com o Sol a bailar na Cova da Iria e a fazer uma sessão privada nos jardins do Vaticano.

O fenómeno nascido, revisto e aumentado no seio do clero português, começou por ser uma encenação pia contra a República, reciclada contra o comunismo e, finalmente, contra o ateísmo.

O anjódromo de Fátima é hoje uma das mais lucrativas sucursais do catolicismo, com uma imensa área coberta ( a nova basílica) e um joelhódromo onde se mortificam peregrinos.

Os Papas não podem descurar o mealheiro.

O julgamento de Sócrates

Quando o ex-PM foi detido, sob as câmaras da televisão e enorme alarido mediático, no aeroporto Humberto Delgado, então ainda conhecido por aeroporto de Lisboa, escrevi o texto que hei de voltar a publicar, se ainda viver, quando a sentença do acusado transitar em julgado. Penso que se mantem oportuno, agora e no futuro, seja qual for o veredicto.

Não me pronunciei enquanto esteve preso preventivamente, nem quando foi julgado na comunicação social e na rua, nem em qualquer dos sucessivos adiamentos da acusação.

Agora, que, finalmente, foi acusado, e cabe aos Tribunais o veredicto, não vou alterar a posição que mantive, por mais ruidoso que seja o circo mediático.

Sou indiferente aos recados que recebo para abordar o assunto e, em boa verdade, não o sei tratar. Aguardo, sem estados de alma, que as presunções se transformem em provas, durante o julgamento e que este corra melhor do que a instrução do processo.

Assim, desiludam-se os que gostariam de me ver adicionar poluição aos que pre…

O ateísmo e a intolerância - Reflexão

As pessoas são boas ou más, independentemente das crenças ou descrenças. Há exemplos de genocidas entre crentes e ateus, mas penso que ninguém é capaz de fazer tanto mal, ou de ser tão generoso e abnegado, se não estiver imbuído de uma crença profunda.

Há crentes que acusam os ateus de intolerância. Se consideram intolerância a denúncia da hipocrisia, a defesa dos direitos humanos, o combate ao pensamento único e a defesa da liberdade, têm razão.

Se, pelo contrário, acham que somos capazes de defender o racismo, a xenofobia, a misoginia ou qualquer ditadura, assim como restrições ao direito de associação, onde cabem as religiões, não nos conhecem. Não conhecem pelo menos a Associação Ateísta Portuguesa (AAP).

Se um regime despótico privar os crentes, de qualquer religião, do acesso aos seus templos, do culto das suas crenças, do direito de reunião e da livre expressão escrita e oral, contará com a oposição determinada e a luta, sem tréguas, dos ateus.

As religiões combatem o que julga…

João César das Neves (JCN) – o 4.º pastorinho

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João César das Neves (JCN) consagrou a Deus, no último sábado, a habitual homilia do DN. O tema da prédica foi “A última hipótese”.

Cansado das asneiras políticas, voltou às religiosas, onde é mais hilariante. Não se pode excluir que as dores do cilício lhe provoquem visões do Divino, e é de crer que, só uma alucinação pia o pudesse ter inspirado a escrever: “Toda a humanidade acha que Deus deve estar muito ofendido.”

A facilidade com que exclui os ateus, racionalistas, céticos, agnósticos, enfim, todos os livres-pensadores, revela a visão totalitária do prosélito, mas é no humor que acaba por se distinguir como porta-voz do seu Deus.

O Deus de JCN é muito ofendido “com promoção aberta do aborto, eutanásia, adultério, homossexualidade, perversão, clonagem e manipulação embrionária”. Segundo JCN «a pergunta razoável, a única pergunta lógica perante este panorama é: “que devo fazer acerca disso?  Esta questão é urgente e implacável.”».

O devoto plumitivo diz que o que nos vale, até à “…

Cavaco Silva, paladino da liberdade

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Um homem sem passado conhecido, exatamente por não ser conhecido, pôde chegar a primeiro-ministro de um país.

Bastou-lhe parecer sério, manifestar enfado com a política, colocar a família acima de si próprio e Deus acima de tudo. A Revolução de Abril não conseguiu mudar radicalmente o paradigma salazarista. Deus, Pátria e Família colaram-se no subconsciente coletivo e permitiram que o regime democrático, à falta de um defunto, elegesse um avatar.

Ao fim de uma década o país fartou-se dele e o homem tratou da vida, mas a amnésia do povo, que esquece o passado, deu-lhe o benefício da dúvida por mais uma década.

Resistiu à intriga, que correu mal, contra o PM, às explicações exigíveis sobre negócios privados, às ligações com vizinhos de um condomínio de luxo e acabou a estrebuchar contra a formação de um governo que a AR exigia e a Constituição lhe impunha.

Este homem pôde ser tudo em democracia, sem nunca a estimar; representar o País, sem o merecer; presidir ao 10 de Junho, sem ler Os…

Vá lá! Não foi a Ordem da Liberdade

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Para Marcelo Rebelo de Sousa, a atribuição de grã-cruz da Ordem do Infante D. Henrique ao antigo ministro do Ultramar de Salazar, Adriano Moreira, tratou-se de reparar uma «pequena grande omissão histórica» e interroga-se como foi possível escapar à inteligência e sagacidade dos seus antecessores a dimensão do galardoado de ontem.

Quando se referiu à inteligência e sagacidade dos antecessores só podia visar Cavaco Silva, em mais uma brilhante ironia, no que este PR é fértil, porque decerto lhe ocorreria que Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio, fossem movidos por pudor.

Ontem, o conselheiro de Estado do CDS adicionou às 7 condecorações da ditadura e às duas da democracia, a 3.ª do regime com que se conformou.

Se foi pela inteligência, cultura e sagacidade foi uma venera merecida. O político longevo foi um professor respeitado e competente, sem precisar de quaisquer provas académicas, para além da sua licenciatura em direito. Bastaram-lhe os decretos. A sua inteligência fez o r…

A vida e a morte de Che Guevara

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Há 50 anos, no dia de hoje, foi assassinado o herói romântico da minha juventude. Político, jornalista, escritor e médico, este guerrilheiro argentino-cubano estava determinado a levar a revolução a todo o mundo quando o mataram, aos 39 anos.

No cinquentenário da sua morte, quando, depois de assassinado, lhe cortaram as mãos, não é dia para falar das grandezas e misérias de um revolucionário, da generosidade e violência do homem, da bondade ou perversão da utopia por que lutou.

É altura de evocar um símbolo que arrastou multidões e inspirou gerações de jovens, graças ao ódio que suscitavam os que combateu e o mataram.

As ditaduras fascistas contribuíram para a imagem romântica do guerrilheiro, cultuado por jovens de todo o mundo como os crentes veneravam os santos.

A foto do fotógrafo Alberto Korda ajudou à sedução que o revolucionário exerceu. Hoje não é apenas a figura da História, é um mito que continua a alimentar paixões.

A frase

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«Nem todos [no Eurogrupo] ficarão tristes por deixar de lidar comigo.»
(Wolfgang Schäubl, ministro das Finanças alemão, em entrevista ao Financial Times)

Coimbra - Vida cultural

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Hoje, na Baixa de Coimbra

Passavam grupos de caloiros, tocados por ‘doutores’, num festival colorido de alegria e boa disposição, com engraçadas fatiotas.

Canções e juventude animaram o Largo da Portagem onde a estátua de Joaquim António de Aguiar é a sentinela vigilante contra o clericalismo. Os jovens desfilaram, depois, a arrastar latas pelas ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz, virando para a Av. Sá da Bandeira a caminho da Praça da República.

As cenas degradantes, a que a noite e a cerveja soem conduzir, nada têm a ver com o inocente e bem-humorado desfile, integrado na praxe académica.

Como única nota degradante, suficientemente grave, viam-se carrinhos de compras das grandes superfícies alegremente conduzidos por quem, ao chegar à idade adulta, não se apercebe de que o roubo, que costuma acabar no rio Mondego, não é uma brincadeira digna nem o vandalismo que se segue uma virtude académica.

O 'Discurso do Rei'…

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Enquanto a Catalunha vive momentos dramáticos em relação ao seu futuro a ‘Espanha’ foi convocada para ouvir um inefável ‘discurso do rei’ link . A ‘alocução régia’ tornou-se politicamente necessária – o Governo PP necessitava dela – mas a dita ‘Coroa’ deveria ponderar no buraco onde se metia. A dinastia Bourbon não está á margem – ou acima como gosta de se colocar – dos acontecimentos. É parte interessada nos problemas que giram à volta da ‘questão catalã’. Ao assumir um estatuto de ‘neutralidade institucional’ e exigir o cumprimento da Lei Fundamental o rei fez muito pouco para consagrar a autoridade régia face as convulsões de um Estado em franca ebulição de nacionalismos. A dinastia Bourbon integra o âmago da contestação catalã. Os autonomistas moderados, ou exaltados, bem como as variantes mais radicais – os independentistas - tem um denominador comum: A República! A ‘ilegalidade’ a que Felipe VI se agarrou é um património comum de todas as independências a começar pela nossa. N…

A ÚLTIMA HIPÓTESE

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O Doutor João César das Neves, num artigo publicado no "Diário de Notícias" de ontem (sábado), com o título que reproduzo no deste meu texto, explica que  "a última hipótese" para salvar a humanidade é: "rezar o terço todos os dias, fazer penitência pelos pecadores e consagrar-se ao Imaculado Coração de Maria."
   E falava a sério! Quem não acreditar pode ler o artigo na íntegra aqui:
https://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/joao-cesar-das-neves/interior/a-ultima-hipotese-8825216.html





Homem de Estado ou construtor civil?

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Há motivos de alarme porque não há só um doido no mundo!
A insensatez e a insensibilidade de um construtor civil não se revela apenas na leviandade das opiniões numa rede social onde as tolices não podem ultrapassar os 140 caracteres.

É apanágio de quem tem um cérebro pequeno, e porque inchou, e se tornou o homem mais poderosos e perigoso do mundo, porque minguou o cérebro de quem o elegeu.

Que sentirão os capitães de Abril e outros combatentes da liberdade?

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António Barreto, com sinuoso percurso político, nunca foi um combatente da liberdade, mas recebeu no último 5 de Outubro, à semelhança de Cavaco Silva, o mais alto grau da Ordem da Liberdade, também por outorga do PR Marcelo Rebelo de Sousa.

Militante do PCP de 1963 a 1970, na Suíça, para onde fugiu à guerra colonial, deixou o partido comunista porque não estava suficientemente à esquerda.

Só regressou a Portugal depois do 25 de Abril, para apanhar o comboio do poder através do PS, de onde saiu para apoiar como ‘Reformador Democrático’ a AD, liderada por Sá Carneiro, contra a esquerda.

Regressou ainda ao PS para ser deputado (1987/91) e, depois de frustradas as ambições de líder e ideólogo, afastou-se definitivamente para a área afetiva ao serviço da qual é comentador avençado. Exerce, aliás, um direito, que lhe rende bons proventos, e cultiva uma fachada de isenção partidária.

Nessa circunspecta postura mereceu  a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo pelo incógnito democrata Cavaco S…

Uma ronda pelos sinuosos caminhos das Eleições Autárquicas….

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As eleições autárquicas introduziram algumas questões na configuração política nacional que as ultrapassam largamente. Umas serão novas mas muitas têm barbas.
Para além do estrondoso naufrágio eleitoral do PSD, que era previsível e tem sido largamente comentado na comunicação social (vamos deixar essa análise de lado), existem múltiplos sinais políticos, impossíveis de esconder, como sejam, uma oscilação distributiva de votos pelo somatório dos partidos concorrentes, onde se salientam o recuo do PCP no protagonismo autárquico, as dificuldades do BE em ‘apanhar o comboio autárquico’ e uma aparente afirmação do CDS. Não deve ser ignorado, na análise dos resultados de domingo, o ‘sistema de vasos comunicantes’ - a incidência da abstenção e o peso dos ‘independentes’ não se alteraram de modo estatisticamente significativo - pelo que fica clara, no cômputo nacional, a existência de transferências interpartidárias próprias deste ato eleitoral e que originam um conjunto de miragens. A prim…

A frase

“Acontece que não votei nas autárquicas. Estava num casamento"

(Aníbal Cavaco Silva)

António Guterres

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Há um ano (6-10-2016) foi aclamado secretário-geral das ONU um grande humanista e homem de exceção, que iniciaria funções em 1 de janeiro de 2017.
Merecia um mundo melhor do que lhe coube. Nunca as nações estiveram tão desunidas e tão medíocres e perigosos governantes puderam decidir o destino da Humanidade.
Resta-nos pensar que à frente da ONU está o melhor, dependente dos piores de sempre e dos mais imprevisíveis.
O êxito de Guterres será a salvação da Humanidade. O seu fracasso será a tragédia de todos nós.

Felicidades, António Guterres.

No 5 de Outubro de 2017 - Viva a República!

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Há 107 anos os heróis da Rotunda libertaram Portugal da monarquia e da ditadura a que João Franco imprimiu a crueldade e o rei a cumplicidade. A Franco-maçonaria divulgou os ideais republicanos e a Carbonária foi o braço armado para a sua vitória.

Depois da falhada revolta do 31 de Janeiro de 1891 e da imolação dos mártires, Manuel Buiça e Alfredo Costa, no dia 5 de Outubro de 1910 os vassalos tornaram-se cidadãos.

Portugal foi pioneiro na implantação da República e, com ela, caíram os privilégios da nobreza, o domínio da Igreja católica e os títulos nobiliárquicos. O escrutínio do voto substituiu o poder hereditário e vitalício; o Registo Civil obrigatório, os registos do batismo; a vontade popular, o direito divino; o direito ao divórcio, a indissolubilidade do matrimónio; a separação da Igreja e do Estado, a conivência entre o trono e o altar.

Em 5 de Outubro de 1910, às 12H00, na Câmara Municipal de Lisboa, a proclamação da República foi aclamada pelo povo e vivida com júbilo por…

Requiem por Pedro Passos Coelho

O PS e o PSD alternaram a posição de maior partido português desde que se realizaram as primeiras eleições democráticas desta segunda República, e há 32 anos que nenhum deles perdia as eleições autárquicas quando era oposição.

No último domingo, o PSD não se limitou a alterar a regra, foi humilhado de forma que os mais pessimistas, ou otimistas, segundo o quadrante, não se atreviam a prever. E não se pode queixar já de Durão Barroso cuja leveza ética e a cumplicidade na invasão do Iraque são nódoas afrontosas para qualquer partido.

A hecatombe foi mérito de Passos Coelho, apoiado por Cavaco Silva, medíocre PR que quis, ao arrepio da Constituição, conservá-lo no Governo contra a vontade expressa da Assembleia da República. Aliás, o apoio que lhe levou à Universidade de Verão do PSD só podia acrescentar ao desprestígio do próprio o do apoiante.

Antes de ter sido despedido pelos eleitores, através dos resultados autárquicos, já o PSD preparava a substituição. Até os mais fiéis cúmplices …

Outros tempos, outra postura

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Eram assim as capas d'O Independente quando Paulo Portas estava do lado da luta contra a corrupção, antes de mudar de trincheira.

Pessoas e animais domésticos

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Quando as pessoas detestam os animais domésticos, algum trauma os acompanha.


Notas Soltas – setembro/2017

Praça Alta – No número de agosto substituí as habituais Notas Soltas, que ora voltam, por uma crónica inédita. Evitei alusões partidárias em período eleitoral, uma exigência da ética republicana, apesar de não ser candidato.
Venezuela – Quando um regime envereda por truques para se manter no poder e prende adversários, perde a legitimidade e abrevia o fim. O autoritarismo e a repressão atraem a ditadura de sinal contrário, ansiosa pela vingança e privatização dos recursos naturais.
Brasil – Quando um Governo subordina os Tribunais, institui a ditadura, mas quando os juízes capturam o poder político, subvertem a democracia e o Estado de Direito. Sem mostrarem maior probidade, juízes brasileiros politizados confiscaram o poder político.
ONU – As sanções à Coreia do Norte, com apoio dos EUA, Rússia e China, para conter as ameaças nucleares de Kim Jong-un, foram uma vitória que a incontinência verbal de Trump fragilizou. Restam os interesses geoestratégicos dos três países e dois líderes imp…