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Memorial Republicano XLVI

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XLVI - JOÃO FRANCO, O NEFASTO Por Amadeu Carvalho Homem * Não foi por acaso que certa opinião pública adversa brindou João Ferreira Franco Pinto Castelo-Branco com um depreciativo epíteto: o Isca Ardente ou Isca a arder. De face miúda, com tendência para revelar um ligeiro prognatismo, a regularidade das suas feições, sublinhadas por um bigode petulante, consentia o vislumbre de uma interioridade psicológica à tona da qual flutuavam torvelinhos de vaidade. Contavam-se episódios pouco abonatórios do seu tempo de estudante de Coimbra. Perseguia e matava gatos à cacetada; e sempre que organizava, à sombra da praxe académica, expedições de punição contra estudantes caloiros, os seus colegas ouviam-no declarar, como um duque renascentista ofendido: “Vamo-nos a uma noite de despotismo!”. Continua aqui... em Livre e Humano * Historiador

Manuel Buiça e Alfredo Costa heróis e mártires da liberdade (3)

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A propósito do artigo em epígrafe (JF – 4 de Fevereiro ), queixou-se o leitor Paulo J. M. Lopes, da Covilhã, em carta que me dirige (JF – 25-2) , manifestando surpresa pelos meus conceitos de «certo e errado» e por «dois assassinos poderem ser considerados mártires, heróis, ou coisa que o valha». Cumpre-me, em primeiro lugar, agradecer a crítica pois o leitor que comenta presta um serviço a quem escreve. Admito, aliás, que uma alma pia não aceite as «coisas erradas e reprováveis» dos exemplos históricos que referi. Compreendo que Paulo Lopes não seja tão indulgente como eu para com o Mestre de Avis e se condoa com a crueza de que foi vítima o Conde Andeiro; que execre a barbaridade dos conjurados de 1640 para com Miguel de Vasconcelos; que o dilacerem as dezenas de milhares de castelhanos cristãos, também católicos, que D. Nuno aviou em Aljubarrota, o que não o impediu de curar o olho esquerdo de D. Guilhermina de Jesus, queimado com salpicos ferventes de óleo de fritar peixe, milagre ...

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA - Figueira da Foz

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A Manuel Buíça e Alfredo Costa, tombados pela liberdade

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Estimam-se os primeiros reis na razão directa dos infiéis que abateram e das terras que lhes tomaram. O assassinato do Conde Andeiro é exaltado por ter sido útil à dinastia de Avis, tal como em 1640 se exultaria com o corpo de Miguel de Vasconcelos crivado de balas a ser atirado por uma janela. A restauração da independência do reino de Portugal transformou o homicídio em acto heróico e a vítima em traidor, tornando odioso o nome Miguel antes de o denegrir ainda mais o homónimo candidato a rei absolutista. Ninguém lamenta hoje os crimes da evangelização do Brasil ou a crueldade com que os vice-reis da Índia subjugaram os povos indígenas e, muito menos, se lamentam dezenas de milhares de mortes que D. Nuno infligiu aos castelhanos sem que a frieza com que os aviou, a evocarem um santo diferente do seu, lhe tolhesse a canonização ou beliscasse a heroicidade, para orgulho dos portugueses. D. João II esfaqueou ele próprio um primo e cunhado e, por ordem sua, foi executado o duque de Bragan...

Centenário da República – Dr. João Lopes Soares

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As comemorações do Centenário da República são um excelente pretexto para reflectir sobre uma das mais fecundas e estimulantes épocas da História de Portugal, sobre o que se fez, o que podia ter sido feito, o que não devia, e o que os adversários impediram. É altura de fazer o inventário do que foi possível, percebendo o que falhou e porquê, e regozijarmo-nos com os avanços a que o 5 de Outubro de 1910 deu origem. É igualmente tempo de prestar homenagem aos republicanos cujo exemplo e dedicação à causa pública, ou contributo para o progresso social e intelectual, estão na génese do movimento das ideias que conduziu a esta Segunda República, estabelecida pelo MFA, em 25 de Abril de 1974, depois de uma longa e sinistra ditadura. Entre os vultos da 1.ª República conta-se a figura íntegra de João Lopes Soares, escritor, político e pedagogo, que influenciou várias gerações de alunos que estudaram no estabelecimento de ensino que criou – o Colégio Moderno. João Lopes Soares formou-se em Teol...

31 de Janeiro

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No início das comemorações do centenário da República é justo recordar o maior vulto político do período histórico de 5 de Outubro de 1910 a 28 de Maio de 1926. Afonso Costa foi o grande legislador e ideólogo da República. Defensor da laicidade e progressista, teve contra si os reaccionários de sempre, particularmente virulentos na época. Perseguido por todos os ditadores, João Franco e Sidónio Pais, encontrou no 28 de Maio quem de forma persistente e implacável o denegrisse e odiasse, quer durante o exílio em Paris, quer depois da morte. Orador brilhante, governante probo e perspicaz, deve-se-lhe a Lei da Separação entre a Igreja e o Estado, a primeira Lei do Divórcio e notável legislação no âmbito da família (protecção de filhos ilegítimos, das mães solteiras, etc.). Como ministro da Justiça, das Finanças e chefe do Executivo, Afonso Costa foi sempre um político de rara envergadura, competência e honestidade. Hoje, 31 de Janeiro, 119 anos depois da fracassada revolta do Porto, qu...

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA - 1910 - 2010

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Começam hoje as comemorações. Celebrar esta efeméride marcante é afirmar os seus valores: igualdade dos cidadãos perante a lei; separação da Igreja e do Estado; valorização do ensino e legitimação do poder pelo voto. Merece comemoração digna. Laica e democrática.

Factos & documentos

Testamento de Manuel Buiça