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A mostrar mensagens de Outubro, 2018

A frase

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[Procurei e não encontrei] "nos 27 anos de vida pública do capitão Bolsonaro nenhum indicador eticamente reprovável em termos pessoais”

(Paulo Portas, criador de Assunção Cristas)

Notas Soltas – outubro/2018

Califórnia – É o primeiro Estado dos EUA a exigir, por lei, a presença mínima de uma mulher nos conselhos de Administração das empresas cotadas em Bolsa, antes do início de 2020 (lei SB 826). É uma decisão tardia e frouxa, mas necessária contra a tradição.
Brasil – Juristas brasileiros e internacionais consideram o processo de Lula como farsa judicial, mas foi o poder económico e financeiro que urdiu uma conspiração de partidos rivais e de juízes, contra a PR Dilma, para abrir caminho ao execrável fascista.
Brasil_2 – Os eleitores votaram por ódio recíproco, em clima de crispação, tendo como opção Jair Bolsonaro ou Fernando Haddad, com medo de a vitória do primeiro conduzir diretamente à ditadura e a do segundo a um golpe militar favorável ao primeiro.
José Saramago – No 20.º aniversário da atribuição do Nobel da Literatura, os governos ibéricos homenagearam a cultura como veículo que liga os seus povos e José Saramago como expoente maior da solidariedade democrática que ora nos une.
EUA

BRASIL: Moro já lá mora…

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Ainda não tinha assentado a poeira das eleições presidenciais brasileiras o candidato vencedor Jair Bolsonaro vem a terreiro expor meandros de um complot cada vez mais nítido. Bolsonaro revelou que pretende convidar o juiz Sérgio Moro para integrar o seu governo ou na alternativa promove-lo ao Supremo link.  Aparentemente trata-se do exercício de uma normal competência do Presidente da República (o de escolher o elenco governamental).
Mas as coisas podem não ser tão lineares. E seria bom que ficasse límpido que estes apressados passos não estão relacionados com a cadeia de acontecimentos políticos recentes ocorridos no Brasil, nomeadamente desde o impeachment de Dilma Roussef.  Na verdade, o juiz Sérgio Moro que tem sido o responsável pela condução judicial da Operação Lava Jacto e aparece aqui – depois das declarações de Bolsonaro - comprometido com um programa político. Será difícil continuar a argumentar que o magistrado não tem uma agenda política. Está bem visível uma intoler…

Efeméride – 30 de outubro de 1975

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Há 43 anos, o maior genocida da História da Península Ibérica decidiu que Juan Carlos passasse a ser o chefe de Estado interino de Espanha, sob o pseudónimo de príncipe.

Francisco Franco fez da discricionariedade o método de decisão e da violência a arma do poder vitalício. O terror que infundiu condicionou o futuro de Espanha e o da posterior democracia cuja existência nunca admitiu ou sonhou.

O vil assassino, que morreu confortado com todos os sacramentos e rodeado de uma multidão de cúmplices do clero e das Forças Armadas, legou a Espanha um descendente de uma extinta monarquia, que mandara educar nas madraças da Falange.

A ditadura clerical-fascista extinguiu-se com a peçonha que a criara, mas o fascismo e o clero que a apoiou manteve-se incólume e resiste nos paços episcopais, paróquias, Forças Armadas e policiais, órgãos do poder e universidades que oferecem diplomas aos dignitários da direita.

A transição pacífica para a democracia poupou a Espanha a aventuras sangrentas de qu…

Há 82 anos

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O Campo de Concentração do Tarrafal começou a funcionar em 29 de Outubro de 1936 com a chegada dos primeiros prisioneiros.

Verto uma lágrima de tristeza pelo meu saudoso amigo Edmundo Pedro, o último a falecer, e não posso deixar de pensar que ainda é vivo Adriano Moreira, que o reabriu, e que por todo o mundo chegam ao poder os que não hesitarão em criar novos campos de tortura.

Choremos, choremos, choremos...

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...por um País.

Brasil

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BRASIL: The day after…

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A Republica Federativa do Brasil começa hoje a digestão de um conturbado processo de mudança política cujas consequências são desconhecidas na sua amplitude e dimensão. Um salto no escuro.
Na verdade, poderá não tratar-se só de uma mudança rotineira - a conhecida alternância democrática - onde um ciclo de governos de Esquerda é substituído por um outro de Direita. Na realidade, muitos brasileiros e brasileiras – no que são acompanhados por muitos cidadãos do Mundo – manifestam fundadas dúvidas se o ‘novo ciclo’ não afundará as instituições democráticas brasileiras, ditadas pelo fim da ditadura militar e expressas na Constituição de 1988, num novo período de trevas e violência.
Claro que a mudança ocorrida dentro da grandiosidade de uma vasta União tem pesos e contrapesos que dificilmente serão pacificamente ultrapassados (violados) no quadro parlamentar existente. O novo Presidente da União não dispõe de uma maioria no Congresso que lhe permita impor o seu ‘programa ultra-direitist…

O cardeal do Rio de Janeiro e a Igreja católica

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Ontem, percorri o mural de um padre católico ‘amigo’, que partilhou o meu texto «Brasil – Subsídios para a História da Pulhice Eclesiástica», antecedido de críticas vigorosas ao cardeal Orani Tempesta e omisso quanto ao que escrevi. E no Funchal!

Numerosos leitores seus, com uma única exceção, de apoio a Bolsonaro, execraram a conduta do cardeal e a da Igreja a que mostravam pertencer, sem a mais leve censura ao conteúdo ou à forma do que escrevi.

É de elementar justiça identificar o carácter polissémico do catolicismo e o percurso que grande parte dos seus crentes e clérigos fizeram. Não provam a existência de Deus, mas tornam a sua Igreja um culto melhor frequentado do que o de várias Igrejas evangélicas, sem merecer a torpeza de ser associada à implacável intolerância a que o islamismo está a conduzir os seus crentes.

Tiro, pois, o meu chapéu ao papa católico e a numerosos padres que procuram conciliar a crença com o respeito pelos direitos humanos e a militância por uma sociedade…

A Constituição da República e as crenças

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Temos uma CRP laica e democrática, tanto que não obriga um PR a ser defensor da laicidade e da democracia, podendo os titulares tropeçar na ética.

O que a CRP não obriga é um cidadão a acreditar num PR, na honorabilidade dos seus negócios privados, na brancura do seu passado, na honradez da sua palavra ou na isenção dos seus julgamentos.

Às vezes tenho a vaga impressão, talvez injusta, de que o Palácio de Belém já foi, à semelhança do que acontece no Brasil, no Palácio do Planalto, habitado por mesquinhos inquilinos que são incompatíveis com a verdade, independentemente do sufrágio que lhes abre as portas.






Brasil – Subsídios para a História da Pulhice Eclesiástica

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A cerca de dez dias da segunda volta das eleições brasileiras, o arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal criado por Bento XVI, Orani Tempesta, recebeu o candidato Jair Messias Bolsonaro.

O cardeal havia de saber que Bolsonaro não era o Messias que surgia para o iluminar, mas o candidato que o procurava para o comprometer. Contrariamente à IURD e a outras Igrejas evangélicas, que declaradamente o apoiavam, o prelado católico tinha a oportunidade de manter a decência. Bastava-lhe anunciar a recusa de receber qualquer dos dois candidatos que disputam a segunda volta, a fim de preservar a neutralidade da Igreja católica de que é um membro proeminente.

Recebeu-o. Foi a sua decisão. Dificilmente convencerá alguém de que o Espírito Santo exista ou, no mínimo, que o tenha ajudado no entendimento.

Sabe-se mais da alegria que percorreu os corredores episcopais, durante o encontro, do que da conversa entre o cardeal Tempesta e o capitão Bolsonaro, mas não há dúvidas de que, em alguns pontos, são g…

Manuel Monteiro e o provável regresso ao CDS

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Há um namoro pegado com o CDS do dissidente que saiu pela direita e criou um novo partido – PND –, ressentido por ter sido afastado pelo seu criador, Paulo Portas, que o removeu quando lhe aprouve. O fracasso da dissidência levou-o a bater à porta da casa de onde saiu.

Segundo a comunicação social, deu aulas em conjunto com a Dr.ª Cristas na ‘Tendência Esperança em Movimento’, onde Manuel Monteiro quer “contribuir para o crescimento do CDS”, com Cristas.

Manuel Monteiro falou sobre o futuro de Portugal, e Cristas encerrou. No fundo, ambos gostariam de encerrar o futuro e regressar ao passado. É a aspiração de quem não tem memória, de quem ao desafio do futuro responde com a nostalgia do passado.

Manuel Monteiro é a versão urbana de Nuno Melo, mas rivaliza com ele e a Dr.ª Cristas no azedume à mais leve tendência social-democrata, para não falar nos acessos de raiva contra a esquerda, disfarçados em voz melíflua de sacristia.

Não havendo ainda condições para um partido neofascista há …

Cavaco Silva – o reincidente escritor

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Há pessoas que, em vez de exibirem o currículo feito ao sabor dos seus desejos, deviam esconder o cadastro que tropeça nos factos.
Não há em Cavaco motivos que o recomendem para a literatura, mesmo a memorialista, da qualidade da prosa à fiabilidade das afirmações, da ausência de isenção ao sectarismo do ressentimento, do ódio vesgo aos adversários à indulgência para com amigos e para si próprio.

Cavaco Silva descansou eventuais leitores, ao afirmar que termina a prestação de contas aos portugueses, contas que ninguém lhe pediu, onde é copioso nas acusações que faz e omisso nas explicações que deve.

O ex-PR sabe que a Constituição o protege de qualquer prestação de contas e da mínima investigação no Conselho de Estado, razão por que devia dar as explicações que não se podem confirmar, em vez de fazer acusações que ninguém pode desmentir. Ele sabe que o grande colar da Ordem da Liberdade não o faz democrata, como a oferta de uma cátedra não transforma Passos Coelho em académico.

Cavac…

O reincidente escriba

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Em vez de acusações criativas podia dar explicações plausíveis




Prece publicada em El País

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Ainda a guerra colonial e outras guerras

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São raras as tragédias comuns a todo um povo, mas e a guerra colonial portuguesa é a que, ainda hoje, dilacera a memória coletiva de um país incapaz de fazer a sua catarse.

Uns pretendem-se heróis porque combateram em pátria alheia, convencidos de que era a sua que defendiam; outros, com posses económicas, ufanam-se de terem emigrado, para estudarem e esperarem calmamente o fim da guerra, enquanto militavam em partidos de extrema-esquerda, sem risco, para voltarem aos braços da direita de onde saíram; houve ainda os que desertaram, num ato de enorme coragem, que, em Portugal, arriscaram a prisão e a tortura, e, no teatro de guerra, o mais alto perigo de vida. De todos, os que se organizaram na resistência à ditadura e na luta contra a guerra colonial, foram os únicos dos que fugiram que merecem o respeito de quem luta por ideais.

No fundo, os que libertaram o país da mais longa ditadura europeia, os que arriscaram a vida numa manhã de Abril, foram os que fizeram a guerra e ficaram, p…

Não há notícias falsas

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Há notícias e mentiras, tendo as últimas mais rápida divulgação e melhor acolhimento. Poucos se lembram da central de intoxicação que levou o ora catedrático Passos Coelho a líder do PSD e, depois, a PM, com as redes sociais ao serviço dos desígnios de Miguel Relvas, Marco António e Paulo Júlio, primeiro na disputa com Paulo Rangel e, a seguir, contra a esquerda, em geral, e o PS, em particular.

O carácter artesanal é agora sofisticado e dispõe dos mais talentosos peritos dos serviços secretos de grandes potências e do apoio financeiro dos maiores grupos económicos. As redes sociais levaram Trump ao poder, um arrivista impreparado e perigoso. Bolsonaro, com a conivência da IURD e a cobarde abstenção do ex-presidente Fernando Henriques Cardoso, será o próximo PR do Brasil, graças às mentiras difundidas nas redes sociais, depois da conjura judicial e partidária no golpe constitucional da destituição de Dilma.

Tal como Hitler e Mussolini que, felizmente, continuam mortos, ou Duterte e E…

BRASIL: uma ‘República Moderna’ ou o regresso a 1964?

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O Estado brasileiro é constitucionalmente indissolúvel. Está definido como uma ‘União’ com um território e fronteiras praticamente desenhados desde os tempos coloniais (ou se quisermos ‘imperiais’). A ‘nação brasileira’ (existirá mesmo?) foi decididamente posta à prova perante os mais recentes resultados eleitorais. Desenha-se um País fraturado transversalmente entre o Norte (Nordeste) e o Sul (e sudeste).
As recentes eleições presidenciais brasileiras trouxeram à tona profundas fissuras na coesão nacional brasileira. Fissuras políticas com uma base muito divergente, específica e geográfica que traduzem profundas diferenças económicas, sociais e até culturais. Podem ser comprimidas e expressas num rudimentar mapa de distribuição da riqueza. Entre o nordeste pobre, atrasado e sertanejo e o Sul desenvolvido, rico e elitista existem diversos matizes mas a fratura tornou-se demasiado evidente para ser ignorada. Todavia, o item mais significativo dessas diferenças é o índice de desigual…

Espanha – Filhos de republicanas roubados por e para fascistas

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Quem já percorreu da vida uma larga fatia, presenciou e viveu circunstâncias dolorosas e conhece os horrores de que os homens são capazes, ainda se surpreende com situações medonhas, em épocas recentes, nos países da Europa.

O ginecologista Eduardo Vela é um sobrevivente impune do roubo de bebés que durou, de forma sistemática e reiterada, 60 anos. Uma rede criminosa começou a roubar bebés, filhos de mulheres republicanas, para os dar a casais franquistas inférteis e a instituições religiosas, antes de assassinar as mães, para garantir aos filhos uma educação cristã e evitar que a lepra comunista os pudesse atingir.

Em 1959, o então diretor da clínica de San Ramón, em Madrid, Eduardo Vela entregou a um casal infértil Inés Madrigal, retirada aos pais. Foi o primeiro caso, entre dezenas de milhares, a ser julgado e provado em tribunal, com o criminoso à solta, por ter prescrito o crime. Inés Madrigal, ilegalmente separada dos pais, foi a única a obter o julgamento de um criminoso da re…

O declínio da civilização e o renascimento do fascismo

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Os cínicos afirmam que cada povo tem o governo que merece, mas julgo mais acertado pensar que, em democracia, cada povo escolhe o governo que quer. O difícil é livrar-se dele quando a democracia estorva quem foi eleito.

Há quem pense que a democracia é o governo das maiorias, independentemente do seu comportamento, dos atropelos à liberdade individual, do respeito pelas minorias e pelos direitos humanos.

Não se pense que os mais sinistros governantes não foram, em algum momento, os mais desejados, fosse por desespero, ignorância ou maldade de quem os elege.

Quando, em 3 de junho de 1989, o Aiatola Khomeini, um dos mais sinistros criminosos pios de que me lembro, voou para o Paraíso, foi chorado por uma multidão em transe de sofrimento, e eram genuínos a dor e o sentimento de perda pela horda de fanáticos que o idolatravam. O histerismo coletivo opera milagres, transforma déspotas em veneráveis e criminosos em salvadores. A liberdade não é uma aspiração universal nem a democracia um s…

A guerra colonial e a ditadura salazarista

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A ausência de um combate determinado aos crimes da ditadura conduz à sua amnésia e ao branqueamento dos próceres que suprimiram as liberdades, estabeleceram a censura, desterraram, perseguiram, prenderam, torturaram e assassinaram os opositores.

Para lá da miséria, do analfabetismo e da repressão, a guerra colonial iniciada quando os impérios coloniais já tinham percebido a inutilidade da guerra contra os movimentos de libertação, foi a derradeira e demencial tentativa de perpetuar a ditadura.

Sabe-se a quantidade de mortos e estropiados dos soldados portugueses, mas ignora-se o sofrimento e o número de vítimas de populações autóctones e dos combatentes do outro lado. Surpreendente não é o silêncio do que nos envergonha, é o ruído que ainda fazem os fascistas sobre a guerra que Portugal perdeu e a nostalgia demonstrada pelo “nosso Ultramar infelizmente perdido”, numa demente falsificação da História e na tentativa de reabilitar a ditadura e os seus cúmplices.

Quando os militares de A…

Ateneu de Coimbra - Evocação do Dr. Mário Temido

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O capitalismo, a justiça e a liberdade

O capitalismo descobriu a liberdade, mas desinteressou-se da justiça e da igualdade. Há avanços que só o capitalismo permitiu, mas há retrocessos da liberdade que são fruto da genética capitalista. O fascismo é filho natural do capitalismo.

Um modelo condenado a crises cíclicas, e a superá-las através de guerras, consegue pela força a sobrevivência, indiferente ao sofrimento que produz, aos anticorpos que cria e ao desespero que gera nos pobres de que precisa para se perpetuar.

As empresas visam naturalmente o lucro, o que não parece errado, mas é a amoralidade que as torna cúmplices do sistema de que são filhas. Não interessa se o seu produto é ou não tóxico, basta que seja legal ou que esteja omisso no código penal.

O bando de Chicago, onde pontificou Milton Friedemann, influenciou de tal modo esta fase do capitalismo, graças à devoção dos seus devotos Reagan e Thatcher, que o deixou à solta, tendo como aliado João Paulo II, papa reacionário cuja santidade, em vida, era o apanágio d…

Sofrerei de daltonismo político?

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Não garanto que alguma vez, por grave distração, não tenha passado por um sinal vermelho sem o ver, mas não o confundo com o verde, mesmo com acuidade visual atenuada.

Já em política não estou tão certo de que algum fenómeno catatímico interfira na minha visão, apesar de ser exigente com a conduta de quem nos governa, quer dos partidos da minha simpatia, quer dos adversários.

Quando o atual governo iniciou funções, foram constituídos arguidos os secretários de Estado que aceitaram a viagem a uma Empresa, à vista de todo o país, para um jogo da seleção nacional de futebol, o que levou à demissão das funções para que lhes sobejava competência. O próprio ministro das Finanças esteve em risco, por ter solicitado dois lugares no camarote da direção a um clube para ver um desafio de futebol, uma paixão a que não é imune um doutorado por Harvard. Na minha opinião, os primeiros não deviam ter aceitado. No caso do ministro pareceu-me pura perseguição partidária.

No anterior governo, uma secre…

O populismo anda à solta

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Bolsonaro é apenas mais um epifenómeno.

A culpa que a direita endossa à esquerda

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Há quem afirme que a extrema-direita é consequência da extrema-esquerda, a reação de quem, perante um extremo, escolhe o de sinal contrário.
Para evitar discussões sobre o que pode designar-se extremismo, basta lembrar os países que transitaram do fascismo para partidos conservadores ou social-democratas. Aliás, é o exemplo de todos os países fascistas substituídos por sistemas pluripartidários.

A descida eleitoral da CSU, cada vez mais à direita, e o crescimento da AfD mostraram na Baviera (Alemanha), como, aliás, um pouco por todo o mundo, que a extrema-direita cresce quanto mais a direita se radicaliza.

O exemplo espanhol, com o PP de Pablo Casado, a assumir a herança franquista, com a radicalização à direita, viu surgir com pujança uma pequena formação marginal – VOX –, abertamente fascista, a reunir milhares de alucinados em transe, na Galiza de Franco e Fraga Iribarne.

As leis da política contrastam com as da Física. Quanto mais os partidos conservadores se encostam à direita, …

Dos incêndios à tempestade Leslie

 Maniqueísmo, ressentimento e outras raivas
Agostinho era um intelectual maniqueísta, nascido em meados do séc. IV que faleceu aos 75 anos, no século seguinte. Converteu-se ao cristianismo, foi bispo de Hipona e tornou-se seu santo doutor, quando ainda não se criavam santos com a facilidade com que as operárias das Caldas reproduzem recordações da cerâmica local, para turistas.

O maniqueísmo não deixou de impregnar o pensamento e inquinar a reflexão na nossa cultura. Permaneceu no ‘santo doutor’ e continua a determinar a culpa, outra herança da cultura judaico-cristã.

Quando a Proteção Civil fez advertências vigorosas quanto ao perigo da passagem da tempestade Leslie não se imaginaria o grau de eficiência que pouparia vidas humanas.

A ausência de mortes perante o fenómeno anómalo e violento é uma surpresa, por entre danos materiais elevados. Numerosas telhas do telhado da minha casa emigraram com a força do vento e, de um edifício próximo, outras vieram para me deixar a pintura do car…

Bcaç. 1936 – Almoço anual_2018

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Camaradas:

Ano após ano, todos os que podemos, dos que restamos, voltamos neste mês de outubro ao encontro dos que, em 11 de outubro de 1967, saímos do Cais de Alcântara para Catur e Malapísia, para participar na mais injusta e inútil das guerras onde a ditadura que aqui nos oprimia jogou a sobrevivência, para terminar, sem honra nem glória, numa madrugada de Abril.

Há meio século aproximávamo-nos do meio da comissão e tínhamos já o nosso quinhão de sofrimento e angústia, de privações e revolta, de saudade e amargura.

Éramos cerca de 300 homens entre mais de meio milhão de desterrados, ao longo de 13 anos, para os três teatros de guerra, Angola, Guiné e Moçambique. Estivemos longe da Pátria 26 longos e dolorosos meses, para voltarmos alguns menos dos que fomos, para trazer dentro de nós a guerra que não mais nos largou.

É justo recordar o Ti Luís Machambeiro, o saudoso coronel Vilela, e o major Beirão que a democracia fez general, que impuseram o humanismo e a ética que impediram ato…

O escritor Cavaco e a azia do salazarista

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Sem a grandeza ética dos seus antecessores democráticos, nem a inteligência, cultura e sentido de Estado do seu sucessor, continua o mesquinho gestor de rancores e vaidades pessoais, através da prosa que publica e que alguém lhe corrige, para evitar os erros de ortografia e de sintaxe em que é reincidente.

A imaginação que lhe sobrou na acumulação de reformas, na intriga contra um PM, na justificação da ficha da Pide ou na ocultação das ligações à ditadura, sobra-lhe agora na raiva que destila, nos ódios que cultiva e nas intrigas que tece no tempo que lhe sobra da gestão do gordo património, onde pairam sombras, desde as ações da SLN à aquisição da Gaivota Azul.

É surpreendente que o homem que se esqueceu do notário onde fez o melhor negócio da vida, dos que os portugueses sabem (foi preciso a revelação da Visão), se recorde agora das quintas-feiras que evoca para a intriga e a vingança.

Segundo a comunicação social, Cavaco Silva, o único salazarista com o grande colar da Ordem da L…

A Escola de Quadros do CDS

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A formação política dos quadros do CDS, a avaliar pelas notícias da comunicação social que, nos últimos tempos, o apadrinha, não se limita à formação universitária e a cursos intensivos nas madraças da sua juventude partidária. Também faz seminários.

“O futuro da Europa” vai ser o próximo tema, destinado à formação política dos jovens militantes e decorre em Peniche, de ontem a domingo, tendo como convidado especial Marques Mendes e vários ‘independentes’. O encerramento do curso ficará a cargo da Dr.ª Cristas.

É essencial que o CDS reflita sobre a Europa, pois o seu ceticismo já o levou à expulsão do Partido Popular Europeu (PPE), onde regressou com o apoio de Durão Barroso para poder integrar o Governo, quando o PPE ostracizava partidos nacionalistas, xenófobos, racistas e misóginos.

Peniche, pelo arrepio que causa o presídio onde foram torturados e longamente presos destacados antifascistas portugueses é um bom local de reflexão para o partido que não sentiu necessidade de existir…

A violência contra as mulheres

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A ancestral misoginia, a perpetuação de preconceitos religiosos e os constrangimentos sociais são obstáculos à emancipação da mulher e uma forma de perpetuar a violência machista e reduzir metade da humanidade à subalternidade ou, mesmo, à escravidão.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos não é pacificamente aceite e respeitada. Toleram-se países e Estados que oprimem a mulher, em nome da diversidade cultural e do inaceitável respeito por crenças religiosas que são a matriz de Estados teocráticos.

Há jurisprudência portuguesa recente que envergonha quem a produziu, mas damo-nos conta da afronta, incompatível com o ordenamento jurídico do país laico que somos. Há países onde a discriminação é legal e a violência um direito do macho.

Não há regimes dignos, magistrados sensatos, sociedades sãs, religiões respeitáveis ou famílias dignas que discriminem em função do sexo.
Dito isto, não devemos permitir que os movimentos que se batem pela igualdade, tantas vezes com risco de vida do…

Associação 25 de Abril - A25A

Car@s associad@s
É com enorme e profundo pesar que vos comunicamos o falecimento do Capitão de Abril, coronel Diamantino Gertrudes da Silva.

Militar de Abril de todas as horas, o Gertrudes da Silva foi o mais antigo dos quatro capitães que em Viseu, no RI14, desenvolveram grande actividade no Movimento dos Capitães. Actividade que alargaram a toda a Zona Centro, como dinamizadores da conspiração. As suas militâncias envolveram então oficiais de Lamego, Guarda, Coimbra, Aveiro, para só referir as mais significativas.

O facto é que o "núcleo" do RI14 (Gertrudes da Silva, Aprígio Ramalho, Ferreira do Amaral e Silveira Costeira) constituiu-se como um dos pólos de onde irradiaram os valores e os empenhamentos que nos levariam à acção do 25 de Abril de 1974, onde libertámos Portugal e lançámos os alicerces para a Democracia, a Paz e o Desenvolvimento.

Nas operações militares do 25 de Abril, Gertrudes da Silva sairia do RI14 à frente de uma companhia comandada pelo Costeira que, juntam…

(Des)encontros

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Os 25 anos da esquadrilha de helicópteros da Marinha exigiam a presença dos dois na base do Montijo.

Marcelo chamou a Cavaco o «pai da esquadrilha». Há epítetos demasiado extensos.