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A mostrar mensagens de Março, 2019

Um recorte de há 4 anos...

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...ajuda a compreender o ódio à "geringonça".


Notas Soltas – março/2019

Justiça – O desembargador Neto de Moura, com acórdãos iniquamente fundamentados, machista e misógino, tendo da mulher a visão islâmica, instigou a revolta que merece quem respeita mais o Levítico do que a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Caxemira – Os países desenhados nos gabinetes, a régua e esquadro, sem respeito pela história e cultura dos povos colonizados, redundaram na tragédia que se vive em largos espaços do ex-império britânico. Aqui, os conflitos envolvem duas potências nucleares.
Venezuela – Condeno o regime e o moribundo governo, mas Maduro surpreendeu, no regresso do autoproclamado presidente interino Guaidó, com a multidão a aplaudi-lo, fazendo pensar no que lhe sucederia no regime chileno de Pinochet.
Trump – O PR dos EUA não é apenas um perigo para o mundo, é uma fonte de humor (negro). Quando um tornado deixou parte dos habitantes do Alabama, sem luz, água e internet, enviou-lhes palavras de solidariedade, através do Twitter.
Coreia do Norte – Depois do acord…

As múltiplas singularidades de Cavaco Silva

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Cavaco, político singular, que transformou o órgão de soberania unipessoal – PR –, em órgão matrimonial, e o Palácio de Belém em domicílio de três gerações, foi à Covilhã (UBI) proferir uma conferência sobre “A singularidade da construção europeia e o futuro do euro”, na companhia da singular prótese conjugal, D. Maria.
Do mérito da conferência não houve notícias. Houve da censura ao Governo onde não precisa das quintas-feiras, e quaisquer outros dias lhe servem para fustigar a Geringonça cujo fracasso previu com a certeza da solidez do BES, de Ricardo Salgado, em cuja vivenda se preparou, com a presença conjugal, a sua candidatura a PR.
Com o habitual rancor e falta de memória, quem engendrou escutas do PM e esqueceu o cartório notarial onde fez a permuta da vivenda Mariani pela Gaivota Azul, quem logrou comprar ações da SLN, não cotadas em bolsa, e arranjar comprador, com elevadas mais-valias, referiu-se às relações familiares do atual governo. O homem, que não lia jornais, afirmou: “…

A insuportável ‘medicalização’ da vida…

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Várias circunstâncias da vida quotidiana sejam orgânicas, sociais ou de relação são hoje questões abusivamente ‘medicalizadas’.
A ordem natural dos ‘acontecimentos biológicos’, inerentes à condição humana, como é, por exemplo, o fatalismo da morte, são, hoje, consideradas um trauma profundo a necessitar de apoio médico, medicamentoso e psicológico.
Outros exemplos:
O fim de uma relação afetiva como seja, por exemplo, o divórcio, é, no presente, mais um trauma psicológico que acarreta um incremento no consumo de tranquilizantes, consultas de apoio psicológico, etc. Questões laborais que sempre existiram ou, pior, foram, no passado, mais agudas, traumatizantes e carregadas de maiores injustiças, entram no rol dos rotineiros episódios de ‘burn out’ e carecem de tratamento médico e social.
A puberdade – etapa transformadora da viagem biológica – perdeu a sua particularidade e passou a ser um ‘repositório de problemas’ desde a acne às instabilidades emocionais e comportamentais.
A menop…

Famílias na política

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Estes não são pais, filhos, irmãos, cônjuges ou familiares.











O bispo de Córdova e Erdogan

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A laicidade é uma exigência democrática
À semelhança do bispo de Córdova que, em 2006, registou a imponente mesquita do séc. 8.º, património da Humanidade, como Catedral de Córdova, em nome da Santa Sé, pela módica quantia de 30 euros, isentos de impostos, também o muçulmano Erdogan se prepara para transformar a igreja de Santa Sofia, em Istambul, séc. 6.º, agora museu e igualmente património da Humanidade, em… Mesquita de Santa Sofia.

Mustafa Kemal Atatürk, dessacralizou a igreja e transformou-a em museu para, segundo a lei ainda vigente na Turquia, “a oferecer à humanidade”, mas o que o laico fundador da Turquia moderna quis é o que o devoto e perigoso candidato a califa repudia.

O bispo de Córdova e o PR turco são primatas belicistas e prosélitos, movidos a rezas e genuflexões, desejosos de confiscarem o património da Humanidade. O bispo apropria-se de 10 euros a cada turista que visite a mesquita onde a sua Igreja meteu a catedral, e o segundo pensa tornar gratuita a entrada na ba…

Há 27 anos

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Há 27 anos

Um primeiro-ministro amoral, de rudimentar cultura e sofrível formação ética, «tendo em consideração os altos e assinalados serviços prestados à Pátria», resolveu «conceder o direito à pensão por serviços excecionais e relevantes prestados ao País» a membros de uma associação de malfeitores que ao longo dos anos assassinou, torturou, degredou, prendeu e humilhou o povo português.

Quando o salazarista, que tudo deveu à democracia, ousou afrontar a memória dos órfãos, o sofrimento dos sobreviventes, a tragédia das famílias destroçadas, as vítimas da guerra colonial e a consciência cívica de um país que viveu a mais longa ditadura europeia, era o autocrata que nunca perdoou Abril, que jamais condenou a guerra ou  se envergonhou da censura, das perseguições, da violação da correspondência e do poder arbitrário de que a sinistra polícia foi o instrumento.

O PM que mandou votar Portugal, com a África do Sul e os EUA, contra a libertação incondicional de Nelson Mandela, e o PR pre…

A campanha eleitoral anda aí

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Quando faltam os argumentos contra as políticas, atacam-se os políticos. As relações de parentesco entre membros do atual Governo são apresentadas como caso de nepotismo, como se os lugares do Governo fossem sinecuras ou a nomeação dos seus membros não resultasse da confiança do primeiro-ministro e da sua avaliação pessoal da competência de cada um, por que há de responder, perante o país, em eleições.

Não encontrando favorecimentos pessoais, insinua-se o risco das relações familiares e o perigo imaginário dos laços de sangue quando o passado ensinou que foram os laços de negócios que arruinaram o País e criaram a todos nós o nós que ninguém desata.

Que faltem a António Costa pessoas competentes e confiáveis fora do seu conhecimento pessoal revela mais a precaução do PM, recordado de outros governos, a começar pelos do longo consulado cavaquista, do que os riscos de acesso a lugares governamentais por pessoas com vínculos familiares do que com ligações do tipo Relvas/Passos Coelho, C…

A Dr.ª Assunção Cristas e a política

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D. Cristas, a quem Paulo Portas confiou a proteção das empresas de celulose, apoiando a cultura do eucalipto, depois de ter entrado no ministério da Agricultura, como Pilatos no Credo Romano, sem mérito nem justificação, julgou-se uma fulgurante política.

A precursora de Trump nas preocupações ambientais decidiu acusar agora o Governo de não ter soluções para resolver a falta de água, quando ela e o cardeal Clemente foram os únicos portugueses a aconselharem orações para a chuva, à semelhança do que os índios faziam com fogueiras. A novena foi, durante séculos, a arma mais usada contra as secas, às vezes com efeitos paradoxais, trovoadas, talvez por excesso de fé ou de orações, mas sem ensaios científicos (duplo-cegos) comparativos com as fogueiras índias.

Quem afirmou em Oliveira do Bairro, na campanha das últimas eleições autárquicas, ter “o vento de Lisboa colado à pele e a água do Tejo colada à alma”, é da água da baía de Luanda e do litoral do “nosso Ultramar, infelizmente perdi…

Já chegamos à Madeira? …

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“Já chegamos à Madeira…” é uma expressão idiomática usada para traduzir descontentamento.

As recentes notícias sobre os depauperados e despropositados arreganhos regionais acerca das reivindicações dos professores link e mais recentemente dos enfermeiros link suscitam, exatamente, a expressão atrás referida. Não porque as reivindicações laborais destas duas classes profissionais sejam injustas mas pelo descabimento desta precipitada posição regional face ao contexto nacional. Várias razões poderão estar em causa. A primeira, é noção de que a 'gritaria nacional do PSD' sobre eventuais medidas eleitoralistas do Governo da República, não passa de uma ‘cortina de fumo’, quando se verifica que, por exemplo, estas duas medidas são o maior desplante nesse terreno. Mas como o Governo Regional é do PSD vamos tentar esquecer (ocultar) que as próximas eleições regionais serão a 22 de Setembro. A segunda, aparentemente decorre do estatuto do sistema de saúde da região autónoma aprova…

Alembranças

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Há quem perdoe, o que mostra generosidade; há quem esqueça, o que revela irresponsabilidade.

RTP1 – Telejornal das 20H00, hoje

Peço ao Sr. Presidente da República que não a promolgue [sic]
(Jaime Soares, ex-presidente da Câmara de Poiares, conhecido por Dr. Marta Soares, comentador desportivo, inflamado comandante-chefe dos Bombeiros Voluntários, referindo-se à legislação do Governo para os bombeiros voluntários (?).)

A frase

"Há mais siglas do que ideias, mais testosterona do que neurónios" (Sánchez, presidente do Governo espanhol, sobre os partidos da direita)
Em Espanha como em Portugal!

Encontro de iguais

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Erdogan – o Irmão Muçulmano que deseja ser califa

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Não basta deplorar a conduta de um fascista australiano de 28 anos, ligado à extrema-direita, abertamente antimuçulmano e anti-imigração, que deixou 50 mortos e 48 feridos no ataque a duas mesquitas da Nova Zelândia.

Há um submundo de raiva e desespero que encontra protagonistas para atos de violência que surgem um pouco por todo o mundo. Há apenas duas décadas ainda era impensável a frequência e intensidade de ataques terroristas que ora surgem com inaudita crueldade, em contexto religioso.

Os governos europeus têm desprezado a laicidade, cedendo aos dignitários das religiões maioritárias, em troca de um punhado de votos. É difícil combater a pregação do ódio transmitido pelos livros sagrados quando o Estado abandona a neutralidade religiosa a que a democracia e a decência obrigam.

Erdogan, dissimulado e devoto, chegou ao poder com a bênção da Nato e dos países que viam no seu partido um homólogo das democracias-cristãs europeias. Fingiram ignorar o seu percurso político, assumindo …

CDS – A renúncia de Adolfo Mesquita Nunes

Adolfo Mesquita Nunes, depois da notícia da aceitação do lugar de Administrador não executivo na Galp, anunciou a sua demissão de vice-presidente do CDS. Correu mal a notícia da nomeação, anterior a renúncia, quando, politicamente, convinha o contrário.

O dirigente do CDS pode ter feito uma carreira beneficiado pela visibilidade política, mas tinha a formação que lhe permitiu trocar a política por cargos mais rendosos, que aguardam pessoas de direita, de preferência qualificadas. Mesquita Nunes não é a Celeste Cardona ou o Armando Vara da CGD, é um quadro político preparado para a advocacia e a gestão empresarial.

Era a face moderada do CDS, o conservador prudente, sem a estridência da Dr.ª Cristas, um homem delicado, e a exceção no conservadorismo beato do partido, que defendeu o “Sim” no referendo à despenalização do aborto, de 11 de fevereiro de 2007, e assumiu a sua homossexualidade sem complexos.

Era o único liberal nos costumes no partido de que era simultaneamente um ornamento …

Há 16 anos - A invasão do Iraque

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Quatro compulsivos mentirosos e agressivos belicistas tinham decidido invadir o Iraque. No dia de hoje, 20 de março de 2003, às 02H35 (hora de Lisboa) as bombas começaram a cair sobre Bagdad.

Desse inferno, da orgia de terror, da destruição de um País e desestabilização do Médio Oriente, cujas consequências nefastas para a paz mundial continuam a sentir-se, nunca foram julgados os autores. Todos vivem ainda, sem vergonha nem remorso.

Em Portugal, onde a política externa é da exclusiva responsabilidade do Governo, onde o PR Jorge Sampaio, com grande dignidade, se opôs ao envio das Forças Armadas, por ser o Comandante Supremo, a invasão foi apoiada por um contingente da GNR, com o júbilo dos partidos que então eram governo e a forte condenação dos que ora apoiam o atual.

Depois da insensatez e do crime, o mundo tornou-se mais perigoso e a impunidade dos invasores trouxe a desmoralização aos que defendem a paz e o respeito pela integridade dos países soberanos.

Há 16 anos, países civili…

A constituição Política de 1933

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O promissor ditador, instruído durante oito anos no seminário de Viseu, brilhante aluno da faculdade de Direito de Coimbra e militante da madraça do CADC, depois de ter sido docente e poderoso ministro das Finanças da ditadura militar, governou Portugal como presidente do Ministério, de forma ditatorial, entre 1932 e 1933, hábito a que não mais renunciaria, como Presidente do Conselho vitalício.
Em 19 de março, há 86 anos, o ditador apresentou ao País um projeto de Constituição Política, a ser sufragado através de plebiscito popular direto, em que as abstenções contaram como votos “sim”.
Os fundamentos da ditadura antiliberal, anticomunista e, naturalmente, antidemocrática, ficaram ali plasmados num diploma que instituiu o regime clerical-fascista vitalício, que só a inutilização física e mental do fundador levou à mudança de ditador.
Num ambiente de euforia fascista em toda a Europa, com a ascensão de Hitler ao poder no mesmo ano (1933), começou a tomar corpo o aparelho repressivo e a p…

O jornalismo e os partidos políticos

A revista do Expresso [E], de 2 de março, revelou que 95 políticos têm lugar cativo na rádio, televisão e imprensa, uma originalidade lusitana distribuída partidariamente desta forma: PSD – 34, PS – 25, CDS – 12, BE – 9, PCP – 8, Aliança – 2, Livre – 3, Chega – 1, Nós Cidadãos – 1.

Tomei devida nota, a que ora recorro, para poder comparar o número dos comentadores dos partidos de esquerda [45] (PS + BE+ PC + Livre) com os de direita e de extrema-direita [50], ao contrário dos resultados eleitorais onde a esquerda é maioritária.

Se ao número adicionarmos a visibilidade, em função dos horários nobres, temos ainda uma maior distorção, transformando a comunicação social em propaganda. Aliás, o eco dos propagandistas da direita é hegemónico na imprensa escrita.

Não sendo deficitária a propaganda de agentes partidários da direita, compreende-se mal que o número de jornalistas, assumidamente de direita, predomine também nos órgãos de comunicação social, às vezes com um empenho mais descarado…

Questão de fé

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Pode duvidar-se de Deus, mas o Diabo merece algum crédito.

Surrealismo legislativo – O combate aos adjetivos

Os adjetivos, à semelhança da caça, têm época própria. Uma lei de 2015, PSD/CDS, com votos contra de toda a esquerda, proíbe a publicidade institucional de obras ou serviços aos órgãos do Estado, após a publicação do decreto-lei que marca eleições, sejam elas quais forem.

As coimas, nas autarquias, 15 a 75 mil euros, são aplicadas aos respetivos presidentes de Câmara.

A lei deixa anunciar, por exemplo, que abriu o Centro de Saúde de Alguidares de Baixo, mas não permite que o autarca diga, “cumprimos” ou que essa unidade “é a melhor de”. Como os munícipes, em particular, e os cidadãos em geral, são estúpidos, podiam votar em todo o país, todos os eleitores, no partido de turno em Alguidares de Baixo.
Em Lisboa pode anunciar-se uma nova estação de Metro, se acaso for aberta, mas não se pode dizer ser essa uma boa notícia para os moradores da vizinhança. Os adjetivos ficam de quarentena até ao dia seguinte às eleições, neste caso, as europeias.

A Associação Nacional de Municípios, receos…

STEPHEN HAWKING - Testemunho

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" Acho que a explicação mais simples é que Deus não existe. Ninguém criou o universo e ninguém dirige o nosso destino. Isto leva-me à perceção de que provavelmente não existe nem paraíso nem vida para além da morte. Temos uma vida para apreciar o grande desígnio do universo e estou extremamente grato por isso."

Ponte Europa - Solidariedade com a A25A

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COMUNICADO
GREVE CLIMÁTICA ESTUDANTIL
Realiza-se amanhã [ontem], dia 15 de Março, a GREVE CLIMÁTICA ESTUDANTIL, organizada por um movimento de estudantes portugueses, na sequência do movimento internacional #SchoolStrike4Climate, nascido do discurso mobilizador de Greta Thunberg, de 16 anos, na Cimeira do Clima das Nações Unidas, em Dezembro passado.

A Associação 25 de Abril apoia publicamente esta iniciativa cívica, porque considera que as alterações climáticas e a procura de acções e soluções para as combater são um tema da maior importância e urgência nos dias que correm.
A consciencialização para o combate às alterações climáticas tem de começar a ser feita já hoje, por todos e por cada um.
Os governos, mas também as empresas, as instituições, as escolas, as famílias, e cada um de nós, todos somos responsáveis pela viragem de que o planeta precisa para poder continuar a ser a casa da biodiversidade natural e da grande aventura humana, como hoje as conhecemos.
O facto de pessoas em idade…

Violência doméstica e jurisprudência «No país dos Neto de Moura»

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Ontem, após ler dez páginas da revista Visão, com repugnantes justificações e insólitas decisões plasmadas na jurisprudência portuguesa, dos tribunais da primeira instância ao STJ, quase sempre sem votos de vencido, senti-me nauseado com o grau de machismo e misoginia que transparece de sentenças e acórdãos. São páginas que merecem uma séria reflexão, não apenas dos juízes, mas de toda a sociedade.

Não gosto de ver a Justiça tratada de forma populista, de saber enlameados os Tribunais, de ver generalizações abusivas e colocar as decisões judiciais ao arbítrio de uma opinião pública ignara e ressentida, com os critérios com que julga os políticos. Mas, perante tão flagrantes imoralidades e, quero crer, injustiças, que os preconceitos e a miopia geram, à falta de outra instância, só o escrutínio da opinião pública pode atenuá-las.

No trabalho jornalístico, assinado por Pedro Raínho e Sílvia Caneco, não vislumbrei, na prosa ou nos títulos de caixa alta, qualquer exploração sensacionalis…

Brexit – masoquismo e sadomasoquismo

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É difícil a um convicto europeísta entender a obstinação do Parlamento inglês que, após a vitória do Brexit, perante claros indícios de que o resultado de um novo referendo não se repetiria, persiste na cega determinação de reduzir o Reino Unido a uma pequena Inglaterra e País de Gales, sem viabilizar uma nova consulta eleitoral.

Que interesses ou ambições pessoais oculta a renúncia a outro referendo?

Cameron, oportunista e cobarde, foi responsável pelo isolamento britânico que está em vias de consumar-se, arrastando a UE na irrelevância para que caminha o RU. Nem a senhora May nem Jeremy Corbyn desejam consultar de novo o eleitorado, numa matéria que condiciona o futuro das novas gerações de um e de outro lado do Canal da Mancha.
O Reino Unido perde grandes empresas, diminui o poder de compra dos seus cidadãos e isola-se, convencido de que é o mundo que fica separado do Império Britânico, e arrisca tornar-se mais dependente dos EUA onde a política de Trump não lhe augura segurança.

Recordar é vacinar

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Efeméride – 12-03-1956

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O JN é o único jornal que assinala diariamente factos relevantes que ocorreram na data, permitindo dispensar a Wikipédia.

Hoje, refere que, em 1956, «a PIDE, polícia política da ditadura portuguesa, passa a ter cobertura legal para manter preso, por tempo indeterminado, quem considerar suspeito, mesmo que tenha sido absolvido em tribunal».

É uma informação conhecida por quem viveu na ditadura sem se alhear da ignomínia do regime, do poder discricionário da polícia política, do sofrimento do povo às mãos dos esbirros, enquanto em S. Bento um sádico eremita dava cobertura a todas as malfeitorias e à privação dos mais elementares direitos humanos.

Sessenta e três anos depois só uma pequena minoria estremece ainda de horror perante o poder da Pide, impune perante as sevícias que exercia, as violações de correspondência que fazia, os espancamentos com que se excitava e os assassinatos a que recorria. Não se recordam apenas os crimes policiais contra a Humanidade, mas a cobertura legal que…

Religiões

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Por pior que seja o cristianismo há sempre uma religião pior. 
Até a dúvida metódica cheira a madraça.

Brasil – A ignomínia fascista

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Quando julgamos que a natureza humana não pode descer tão baixo, há sempre uma surpresa que nos aguarda.

Se pensarmos que os homens, ainda que cegos pelo ódio e vítimas da brutalidade, são capazes de conservar um módico de humanidade e de decência, acabaremos a lamentar a nossa ingenuidade.

Os marginais ganham eleições e bandos de pulhas acabam por normalizar a insensibilidade e impor a baixeza moral e a indignidade cívica.


A greve feminista e os sindicatos

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A greve feminista internacional aconteceu este ano também em Portugal, pela primeira vez, com alegado apoio de sindicatos.

Foi uma greve cuja luta pela igualdade é óbvia, que teve no desejo de justiça a origem e na discriminação que persiste a urgência, e não foi um êxito, com adesão inversa ao seu mérito.

Foi notório o fraco empenho sindical, se o houve. Não se previa o interesse do líder da UGT, que pediu a anuência de Ricardo Salgado para aceitar o cargo, o que revela a independência e substância do líder que afirmou ‘dever tudo o que é’ ao ex-banqueiro.

Não se esperava igualmente dos sindicatos espontâneos, nascidos no ventre das Ordens profissionais, e de outros que se mantêm em atividade com um número de associados equivalente ao dos órgãos sociais, pretextos para o absentismo parasitário de alegadas atividades sindicais, que se empenhassem numa greve feminista.

Não se esperavam sindicatos com falta de convicção ou de gente e de massa crítica. Por isso, a única surpresa foi a d…

A ICAR* e os escândalos sexuais

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Os Tribunais chegaram finalmente aos mais altos dignitários da ICAR. A presença do cardeal Barbarin, arcebispo de Lyon, no banco dos réus de um país católico é, por si só, sinal da perda da imunidade que a tradição conferia, mas a sua pena de prisão, embora suspensa, por não denunciar os casos de pedofilia que conhecia, é o fim da impunidade de qualquer bispo francês. No banco dos réus teve a companhia do arcebispo de Auch, do bispo de Nevers, e de um pároco, além de leigos com relevantes funções diocesanas, que foram absolvidos.

Curiosamente, para além de se fazer justiça e da pedagogia do veredicto, o que é motivo de júbilo, fica alguma preocupação. A ausência das vocações sacerdotais e a debandada dos fiéis da ICAR não engrossa as fileiras dos livres-pensadores, aumenta a conversão a um monoteísmo mais implacável ou a seitas que nascem da avidez do saque ao dízimo e da síndrome de privação de quem precisa de um ser imaginário e da crença de uma vida para além da morte, para se sent…

Portugal, os Direitos das Mulheres e o ‘seu’ celebrado Dia …

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Na Europa o 'voto feminino' – um inegável passo para a assunção do estatuto cidadão pela mulher – ‘aconteceu’, essencialmente, após o fim da I Guerra Mundial. Embora já existisse o precedente da Finlândia, que reconheceu o sufrágio feminino em 1911, só muito lentamente este estatuto foi, durante o século XX, ‘entrando’ nos países europeus.
Em Portugal, a República instituiu o direito de voto aos 21 anos, sem mencionar sexo, mas condicionando-o ao saber ler e escrever e à chefia do agregado familiar. A ‘lacuna de género’ levou a que a médica Beatriz Ângelo, em 1911, na situação de viuvez, exercesse – depois de conturbadas discussões judiciais - o direito de voto, invocando a chefia do agregado familiar. Em 1913 a ‘lacuna de género’ seria eliminada pela legislação republicana (Lei nº. 3 de 1913) e o direito de voto restringido aos ‘maiores de 21 anos, do sexo masculino’.
Todavia, só em 1931, seria formalmente concedido o direito de voto às mulheres portuguesas, prerrogativa …