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A mostrar mensagens de Maio, 2021

Notas Soltas – maio/2021

1.º de Maio – Por mais que a sociedade de consumo se aproprie da festa e a esvazie de conteúdo, a data será sempre a da festa dos trabalhadores, no simbolismo da luta pelos seus direitos e na lembrança dos mártires que os reivindicaram. Mesmo em pandemia. Bin Laden – Há 10 anos, com o assassinato do terrorista, a Al-Qaeda e o Daesh foram feridos, não de morte, e os seus herdeiros prometem continuar a jihad. A violência gera violência, não surpreenderão os ataques terroristas e, muito menos, a retaliação. Vasco Gonçalves – Não me revendo no seu modelo político, esquecer o centenário do homem impoluto que chefiou 4 governos provisórios e foi dos mais destacados militares de Abril, é ofensa à memória de quem foi vilipendiado em vida e rasurado da História. Madrid – A vitória retumbante da direita nas eleições autárquica, fez de Isabel Diaz a estrela do PP e a rival do seu presidente. É pena dever a dimensão da vitória à recusa de restrições face à covid-19, pelo cansaço da popul

O fascismo desceu à rua

O partido fascista e o seu mentor e líder decidiram poluir a cidade de Coimbra com o 3.º congresso e desfilaram pelas ruas sem as camisas azuis, mas com os tiques do ignóbil pintor de tabuletas que mora na alma dos seus apaniguados. Têm toda a legitimidade para o fazerem, depois de o Tribunal Constitucional legalizar a confraria, com o delinquente à frente e o grupo que acrescentou à poluição ideológica a sonora. É a superioridade da democracia, que consente aos seus inimigos o que eles não permitiriam se fossem poder. A escolha simbólica do dia 28 de maio para o início da reunião tribal, que se prolongará até ao dia 30, não surpreende quem conheceu os horrores do fascismo. O que incomoda é o tempo de antena que a RTP, canal público, concede à propaganda fascista numa publicidade gratuita e cúmplice dos interesses que financiam, promovem e influenciam a ideologia fascista. Não faltam, nas redes sociais, nostálgicos do salazarismo e órfãos do cavaquismo e do passos-coelhismo, de

28 de maio de 1926 – 95.º aniversário (texto atualizado e aumentado)

Há quem esqueça a opressão salazarista, denigra a primeira República, para justificar a ditadura, e deprecie a democracia para ilibar o regime fascista que a precedeu. Deixar que o tempo apague a memória e a amnésia absolva os crimes, é um favor prestado às forças totalitárias, adormecidas e nunca erradicadas. Há 95 anos, o levantamento militar, de índole nacionalista e antiparlamentar, trazia já no bojo o fermento totalitário que começou na ditadura militar e acabou na tirania fascista, designada antes como Ditadura Nacional. Gomes da Costa saiu de Braga, cidade moldada pelo catolicismo reacionário, e acabou aclamado na Avenida da Liberdade, em Lisboa, à frente de 15.000 homens. Foi a desforra dos miguelistas, do catolicismo caceteiro e dos órfãos de João Franco e Paiva Couceiro. António Sardinha, Hipólito Raposo e Rolão Preto, ideólogos do integralismo lusitano, votavam à República um ódio igual ao que tinham à monarquia constitucional. Era a liberdade que os intimidava, unidos

A FRASE

“Num executivo com o Chega, o PAN nunca estará presente”. (Inês de Sousa Real, líder parlamentar e futura líder do PAN, em entrevista ao Público de ontem, esquecida talvez da opção nos Açores).

O enriquecimento ilícito e a hipocrisia

A propriedade não é necessariamente roubo, mas o enriquecimento ilícito, mais do que roubo, é a lepra que corrói o tecido dos regimes democráticos, os únicos que permitem a sua denúncia e julgamento. O combate nem seria muito difícil, se os Estados poderosos se regessem por princípios éticos e abdicassem de usar os paraísos fiscais para subsidiarem atividades que vão da espionagem ao apoio a organizações terroristas. A facilidade com que alguns partidos abdicam dos princípios do Estado de direito para a luta eleitoral, incentivando ou tolerando a inversão do ónus da prova em Direito Penal, é motivo de forte preocupação para quem defende a CRP e o Estado de direito, isto é, a democracia. A retórica do combate à corrupção encontra eco estrondoso nos média e, sobretudo, nas redes sociais, não tanto por vontade de combater o crime, mas por demagogia, inveja ou desejo de monopólio. Há pelo menos um século que, em democracia, a retórica do combate ao enriquecimento ilícito é um instr

Rui Rio e o Movimento Europa e Liberdade (MEL)

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Alvo de uma advertência, o presidente do PSD é o primeiro líder social-democrata alvo de uma sanção pelo Conselho de Jurisdição Nacional do seu próprio partido. Não vem ao caso o facto de o PSD desconfiar da democracia representativa e desprezar a liberdade de consciência dos seus deputados na legalização da eutanásia, exigindo um referendo para sufragar direitos individuais. A verdade é que este PSD afrontou o líder que representou, depois de Passos Coelho, a esperança que Marcelo levou a Belém depois do negro consulado cavaquista. Bastavam os erros próprios e as traições internas para tornar Rui Rio um líder cauto e diferente, capaz de selecionar melhor os colaboradores e de não se comprometer com a extrema-direita. O MEL é o albergue espanhol onde se reúne a pior direita com a direita tradicional e os seus acólitos liberais do PS, Luís Amado e Sérgio Sousa Pinto, o último numa frenética viagem onde renega o passado à espera de futuro. Rui Rio, em termos políticos, foi infe

A opinião de Vital Moreira (in blogue Causa Nossa)

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  TERÇA-FEIRA, 25 DE MAIO DE 2021 Corporativismo (21): "Destruir as Ordens Profissionais" Publicado por  Vital Moreira 1.  Em chamada de 1ª página para este  artigo de opinião do bastonário da Ordem dos Advogados , o jornal  iNevitável  diz que  «Governo quer destruir as Ordens Profissionais» . Mas é um exagero jornalístico. Na verdade, o que o Governo pretende, aliás por recomendação da União Europeia, é combater a atávica tendência das ordens profissionais para restringir a concorrência na prestação dos respetivos serviços profissionais - pela limitação à entrada na profissão ("malhusianismo" profissional), pela espansão dos atos exclusivos de cada profissão e por outros meios -, assim como o corporativismo no desempenho da função de supervisão e de disciplina profisssional (que, aliás, muitas não exercem...),  em prol dos interesses dos consumidores, da economia e do interesse público .  2.  Apoiando sem reservas a intenção governamental de autonomizar a função d

‘Mens sana in corpore sano’

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Há 3 anos, no sábado que precedeu o dia de hoje, foi distribuído a todas as crianças das Academias Sporting, que então foram treinar no relvado de Alvalade, o folheto que aqui fica. É a demência da mentalidade clubista, na linguagem e no pensamento. Apostila -- Os 10 mandamentos resumem-se a 2: o 3 e o 4 🙂, e podiam ser do Benfica, Porto ou de qualquer outro clube. Explicam o atentado contra a saúde pública, praticado por adeptos na hora da vitória, agora que as consequências começam a sentir-se.  

A reforma das Forças Armadas (FA) e a emersão da múmia Cavaco Silva

Tenho dúvidas sobre a bondade da reforma que o PS e o PSD acordaram aprovar, dada a tradicional inaptidão do PS para lidar com as FA e a desconfiança que nutro pelo PSD, mas, independentemente da decisão, apraz-me registar o desprezo que o PSD nutre pelo seu antigo líder e feliz contemplado com a vivenda Gaivota Azul, na Praia da Coelha. Cavaco Silva, um salazarista que deve tudo à democracia e que tão pouco lhe deu, não é figura simpática. É um ativo tóxico, alguém que se tornou patinho feio, até no PSD, ao serviço do qual se propôs sacrificar a CRP para perpetuar Passos Coelho no poder, ao arrepio da vontade da AR. Há neste homem azedo, nesta figura que os acasos da sorte içaram aos mais altos cargos do Estado, um ódio visceral a tudo o que se afasta da sua matriz conservadora, e a todos os que se colocam à sua esquerda. Não tem adversários, só vê inimigos. Nunca foi um estadista, foi sempre um chefe de fação, sectário, vingativo e videirinho, no Estado e na vida privada. É o úni

Rui Moreira, a política e a verdade

A competência para julgar as gravíssimas acusações do Ministério Público cabe apenas ao Tribunal e não cometerei para Rui Moreira a injustiça de o considerar culpado sem antes o condenar uma sentença transitada em julgado. Sempre me revoltaram os julgamentos populares, o linchamento de inocentes na opinião pública e os ataques soezes a políticos, mesmo aos que escondem a ideologia sob a capa de independentes, como é o caso deste monárquico conservador e aristocrata. O que não cometo é a ignomínia do mais pequeno conselheiro de Estado e dizer, como ele, que a juíza de instrução, que aceitou integralmente as acusações do MP, é “uma perigosa juíza à solta”. Deixo a infâmia para Marques Mendes numa outra acusação. A desconfiança que me merece Rui Moreira, quando ameaça recandidatar-se à Câmara do Porto, não é da sua alegada inocência, é a politização para que quer arrastar a justiça e insistir que nada há de novo no processo que o envolve, sendo completamente falsa a última afirmação

Afeganistão – metáfora do Islão

O recente ataque que provocou dezenas de mortes à saída de uma escola feminina tem a marca dos talibãs, que entendem que as mulheres não devem aprender a ler, aliás, que não podem ter quaisquer direitos humanos. Neste martirizado país onde os talibãs, subsidiados pela Arábia Saudita, quando foram poder, criaram o “Ministério para a Propagação da Virtude e Prevenção do Vício”, a crueldade é a sua imagem de marca. Quando a URSS invadiu o país, os soldados capturados eram serrados vivos, perante o quase silêncio dos média, porque eram invasores e comunistas. Depois foi a vez dos americanos cujos soldados tiveram igual destino e silêncio, eram invasores e dos EUA. Só a explosão das esculturas centenárias de Budas mereceu a justa indignação de países ocidentais. Quem tem memória destas atrocidades, indigna-se e comove-se, mas não se surpreende com a orgia de crueldade que o fascismo islâmico levou ao norte de Moçambique, onde se instalaram centenas de madraças, numa aterradora tragé

Memórias da ditadura fascista – O assassinato de Catarina Eufémia

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Há 67 anos, Catarina Eufémia tornou-se um símbolo da coragem na resistência à ditadura e o tenente Carrajola, da GNR, da brutalidade do aparelho repressivo salazarista que oprimia os trabalhadores rurais. Deixo uma ligação da lista incompleta dos assassinados pela Pide por um regime que os fascistas amorais querem branquear: AQUI

Rui Moreira

O presidente da Câmara do Porto, alegadamente independente, vai a julgamento por decisão da juíza de instrução criminal num processo de que apenas sei o que vem nos média. O que nunca vi foi um presumível inocente tão nervoso a alegar a inocência e a colocar sob suspeita política a decisão a que se referia.

Memórias da ditadura (continuação)

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O meu despretensioso texto de ontem mereceu testemunhos de algumas colegas e outros amigos contemporâneos, além de atrair, como é habitual, empedernidos salazaristas que espumam de raiva e ensandecem. Por mensagem privada, houve um que me felicitou pela ‘excelente memória’ que permitiu recordar o dia em que escrevi a carta. Não respondi à ironia do salazarista, mas publico hoje o envelope com o carimbo dos correios. Compreendo que os salazaristas sintam vergonha por ver desmascarado o seu ídolo, que neguem evidências como os néscios negam a utilidade das vacinas, e procurem escrever a história do fascismo português ao arrepio dos factos. Creio que todos os leitores repararam que os sublinhados das palavras “correspondente, assinante e colaboração” eram da autoria da Pide que, aliás, não deu conta do perigo em que coloquei os meus saudosos pais quando escrevi ser republicano “por educação e (…)”. Aproveito para explicar hoje o motivo da minha afirmação “Como não estou autorizado

Memórias da ditadura

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Basta uma geração para outra se esquecer de onde veio e menosprezar aonde chegou. Poucos saberão hoje que os funcionários públicos não tinham, em 1961, data em que comecei a dar aulas, como professor do ensino primário, nem assistência médica nem medicamentosa. Em 1962, com 19 anos, tive necessidade de uma consulta urgente e valeu-me ser menor de idade, a maioridade atingia-se aos 21 anos, e o meu pai ser sócio de uma instituição particular, Montepio Egitaniense, que lhe dava direito a consultas gratuitas para mulher e filhos. Escusado será dizer que os medicamentos receitados foram integralmente pagos por mim ou pelo meu pai. Porque os homens eram poucos, apesar de lhes ser vedada a docência em escolas mistas e femininas, efetivavam-se no segundo ano de trabalho, praticamente onde quisessem, mas as colegas passavam longos anos ou a vida toda como professoras agregadas, sem lhes ser contado o tempo de serviço e sem ordenado, de 14 de julho de cada ano a 1 de outubro, 2 meses e 27

Palestina

É impossível calar a revolta e indignação contra a violência de Israel na facha de Gaza. É preciso ajudar a ONU na sua desesperada iniciativa de paz.

A Carta dos generais e Bizâncio

Pela importância do contraditório, deixo aqui a reflexão do coronel Matos Gomes, historiador, escritor e militar de Abril, relativamente a esta carta dos 28 generais  que a assinam. «Em Bizâncio, há séculos, discutiam-se extravagância teológicas. O sexo dos anjos, por exemplo. Os sumo-sacerdotes que discutiam esses temas levavam-se a sério e levavam-nos a sério e a peito, mas os assuntos importantes ocorriam noutro âmbito, noutro universo onde os assuntos a sério originavam guerras a sério. Não foi a discussão sobre a hierarquia da trindade do cristianismo entre pai, filho e espírito santo que originou cismas e mortes, foram interesses. Eu tenho o maior respeito e consideração por todos estes oficiais generais, e penso que as Forças Armadas são um elemento essencial para mantermos a nossa soberania (a que puder ser), o que para mim significa no mínimo garantir a liberdade de decidir sobre o nosso destino e manter o padrão civilizacional que desenvolvemos ao longo da nossa história.

As alterações climáticas e o futuro do Planeta

«A Humanidade está à beira do abismo», preveniu António Guterres angustiado com as perspetivas que o aquecimento global reserva às futuras gerações e à mais jovem atual. A angústia do sec.-geral da ONU, sem referir o excesso demográfico do Planeta, ainda em escalada, é sentida há muito por quem se preocupa com o futuro dos filhos e netos. Este é um problema global que deve ser entendido como o “combate” da nossa geração. Os especialistas ambientais são praticamente unânimes a afirmar que vamos começar a sentir os efeitos das alterações climatéricas, fruto do aumento da poluição, em particular da emissão de gases como o dióxido de carbono. É ingénuo pensar que tudo irá resolver-se, que é alarmismo. Temos de nos convencer do grave problema que põe em causa a qualidade de vida das futuras gerações, senão a sua própria vida, e pressionar para agirem bem, por todos os meios disponíveis, os governos e as empresas. Essa luta também deve ser feita através da alteração de alguns dos nossos

António Barreto (AB) e outros

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António Barreto, mais conhecido como comentador do que como sociólogo, ainda hoje anda à procura de um partido que lhe atribua um qualquer cargo. Nem o PSD lhe deu a oportunidade de ser cabeça de lista à Câmara do Porto onde os fidalgotes autóctones, é o caso do atual edil e o seu, gostam de exibir o seu conservadorismo. Só o PS lhe deu guarida depois de ter sido militante do PCP e de ter saído pela esquerda, o PCP não era suficientemente revolucionário, bem instalado num exílio sem privações ou riscos, sem saber o que era um interrogatório da Pide, sem uma noite numa esquadra, sem um julgamento num Tribunal Plenário, sem medo de que lhe batessem à porta sem ser o carteiro, sem um dia de guerra colonial, a que fugiu por medo e não por convicção, pois o PCP aconselhava os militantes a ir e doutrinar outros militares. Foi Mário Soares, na sua imensa sabedoria, que se lembrou dele para destruir a Reforma Agrária, sabedor do que um trânsfuga é capaz, depois de o ter feito deputado à As

Quem cuida do português?

Mantem-se o azedume contra o Acordo Ortográfico, pessoas zangadas com a ausência de umas consoantes mudas e uns hífenes, incapazes de se resignarem à norma legal que, há alguns anos, é obrigatória nas escolas, e, no entanto, toleram tropeções ortográficos e prevaricações de vária ordem. Há anos que a falta de cuidado com o idioma deixou de ser apanágio de pessoas pouco instruídas e atingiu todas as classes sociais. A facilidade com que se diz «há anos atrás», como se pudesse dizer-se ‘há anos à frente’, atingiu o primeiro-ministro, o Dr. Rui Rio, o Professor Passos Coelho e, até, o conselheiro de Estado, Marques Mendes, que nos ataques ao Governo repete, há anos atrás, há anos atrás, o ministro Fulano disse (…). Hoje o mais ouvido intriguista da direita, provavelmente em diferido, dizia na SIC-N que uma qualquer secretária de Estado «há um ano atrás», «há um anos atrás» teria afirmado qualquer coisa que o Governo não cumpriu. Marques Mendes não é tão primário como o PM de quem

União Europeia (UE) – O dia da Europa

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Quem tem memória da ditadura e do atraso do Portugal salazarista não esquece o que deve à UE que hoje celebrou auspiciosamente a data durante a cimeira portuguesa, com o discurso notável de António Costa a abrir, na qualidade de Presidente da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, a Conferência sobre o Futuro da Europa, com Ursula von der Leyen e o Presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli. Após a parceria estratégica com a Índia, de enorme relevância, e da colocação do pilar social no centro das políticas europeias, seria injusto ignorar o mérito português para o futuro comum da Europa. A UE é um projeto singular, nascido no rescaldo da última Guerra Mundial, após 60 ou 70 milhões de mortes, o maior desastre de origem humana de toda a História. O Dia da Europa, instituído em 1985, celebra a proposta do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros francês Robert Schuman, que, a 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da II Guerra Mundial propôs a criação de um

Há 76 anos – Nazi/fascismo, nunca mais!? (Texto atualizado)

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Na década de 30 do século passado a crise económica e o desemprego foram o caldo de cultura de regimes autoritários, homens providenciais e povos submissos, a germinarem no pântano da xenofobia onde desaguaram esgotos nacionalistas e pulsões belicistas. O nazismo e o fascismo foram populares. Hitler chegou ao poder pela via eleitoral. A demagogia e o populismo submergiram as vozes sensatas, em toda a Europa. A própria família real inglesa, de origem alemã e germanófila, apenas foi constrangida à discrição. Em Portugal, Itália, Áustria, Polónia, Croácia, etc., etc., eram muitos os que exultavam com a expansão alemã, enquanto a demência antissemita cremava 6 milhões de judeus. A Alemanha, ignorando o tratado de Versalhes, como os EUA a ONU, na presidência de Trump, começou uma guerra de expansão com fortes apoios nos países ocupados. Só a Espanha, vítima da barbárie do genocida Franco, chorava em silêncio, num ambiente de medo, luto e silêncio, 1 milhão de mortos, desaparecidos e ref

A situação pós pandemia – as dúvidas e as dívidas

Não restam dúvidas sobre a necessidade de aumentar os vencimentos mais baixos, quer na função pública, quer no sector privado, mas tenho fundadas dúvidas quanto à sua possibilidade, com a descida de 5,4% do PIB, e as dificuldades do Estado e de muitas empresas. As dúvidas tornam-se ainda maiores quanto aos vencimentos e às pensões de montantes elevados, pensando que o OE só consegue fazer face aos encargos, aumentados com as necessárias admissões de milhares de trabalhadores da saúde, com mais endividamento que deixamos às gerações seguintes. É fácil dizer que os trabalhadores têm razão, que as pensões se degradaram, e não ter em conta que qualquer aumento se faz à custa da dívida pública é suicídio e, decerto, uma injustiça para milhares de desempregados, que irão aumentar, exigindo solidariedade. Aliás, as alterações climáticas deviam fazer-nos ponderar se podemos confiar na retoma que nos conduz ao aumento do consumo de recursos em vez de procurar viver de acordo com o que tem

Zmar. Afinal quem mente? Ponto final.

Com o artigo do DN , do jornalista Pedro Tadeu, dou por terminada a minha intervenção sobre o assunto, deixando aos leitores a sua apreciação.

Zmar – o empreendimento turístico da ofensiva do bastonário dos proprietários

Ontem, depois de ter editado um pequeno texto sobre a requisição do empreendimento turístico falido, Zmar, temi que fossem verdadeiros os comentários de quem referia que os moradores veriam os seus apartamentos invadidos por imigrantes infetados, e seriam obrigados a sair. Refiro-me ao mesmo texto também publicado na minha página do Faceboock. Aliás, defendi a legitimidade do advogado que administra a falência do empreendimento para defender os interesses que lhe confiaram. Quando um provocador habitual deste espaço, rude na linguagem, fez este comentário, «Eu cá gramava que o Carlos Esperança e os esquerdalhos inteligentes aficcionados dos direitos humanos cá do mural vissem as suas residências requisitadas e fossem postos na rua para alojar imigrantes, doentes covid ou sem abrigo». Embora não lhe respondesse, temi que tivesse razão, pensando que um advogado pode ser descortês, mas não mente. Afinal, tal como eu pensava, nunca esteve em causa a ocupação de residentes, apenas a “

A Ordem dos advogados e os direitos humanos

Quando um advogado defende os interesses do constituinte, o complexo turístico Zmar, em Odemira (Beja), está a defender os interesses que deve. Quando o bastonário da OA se solidariza com os proprietários, em nome dos «direitos humanos», contra a requisição temporária decretada pelo Governo, por urgente razão sanitária da Covid-19, e ignora a urgência maior, de socorro às vítimas infetadas, e a eventualidade de estas serem também vítimas de crimes de tráfico humano, escravatura e auxílio à imigração ilegal, o bastonário só vê direitos humanos com o olho da direita. 

Religiões

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  Onde fica a liberdade de escolha? 🙂

Viva o 1.º de Maio!

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No 1.º de Maio, há 47 anos, estive ali. Fui um entre a maior multidão que alguma vez me envolveu. Foi o primeiro 1.º de Maio da minha vida, em liberdade, com a exaltante moldura de 1 milhão de portugueses. Enterneci-me e vibrei. Jamais esquecerei aquele dia mágico, a degustar a liberdade e o sabor da democracia. O MFA foi a força motora do entusiasmo, a inspiração de todos os sonhos, a referência emblemática para todas as transformações, o algoz da ditadura e arauto da democracia. Foi a festa da liberdade numa jornada de emoções fortes e solidariedade. O feriado do 1.º de Maio, em Portugal, renasceu ali, tardio, exuberante, no rescaldo da ditadura fascista, com abril fresco de cravos e maio florido de sonhos, nos discursos de sindicalistas a que se seguiram os de Francisco Pereira de Moura, Nuno Teotónio Pereira, Mário Soares e Álvaro Cunhal. Éramos mais, muitos, muitos mais do que os 500 mil que em 1886, em Chicago, deram origem e significado à data que nesse dia se festejou e