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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2021

A resignação de Bento XVI (B16)

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Há 8 anos, no dia de hoje, o pontífice que recomendou aos casais o “coito interruptus”, o único método imaculado de contraceção, terminou o múnus como “Papa interruptus”, uma atitude insólita de sucessão papal. Nos dias anteriores fizera exonerações e nomeações. Antes de ser o primeiro papa a sair vivo do cargo, em mais de 600 anos, e de abrir vaga para o lugar vitalício na monarquia eletiva do bairro de 44 hectares, exonerou o gerente do IOR, aceitou a resignação de cardeais e nomeou patriarca de Lisboa o bispo Clemente, notoriamente reacionário, com direito implícito ao barrete cardinalício, prodígio irrepetível no pontificado seguinte. Entre lágrimas sofridas de crentes e a estupefação dos incréus, manobraram o Opus Dei, os Legionários de Cristo, a Fraternidade de Comunhão e Libertação e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), esta ainda na ilegalidade, para que o futuro Papa não se afastasse do magistério de B16 e João Paulo II (JP2). Enganaram-se. Joseph Ratzinger segui

Avanços da medicina

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Como sempre, na medicina como no resto das ciências, as diversas áreas não evoluem simultaneamente. Como prova, deixo aqui uma bem-humorada análise dos progressos assimétricos em diversas áreas médicas, perdoando o português rudimentar em que é expressa.

A FRASE

 «O maior inimigo da democracia é a mentira» (Professor Alexandre Quintanilha, deputados do PS, hoje na AR)

A pandemia e o equilíbrio emocional

A pandemia em curso remete-nos para a guerra colonial, quando o medo, a ansiedade e as saudades da família e dos amigos se fundiam numa amálgama de sentimentos que se agravavam, e perturbavam os mais sensíveis ou os que experimentavam maiores riscos. Era vulgar, dia após dia, ver aumentar o número dos que sofriam pesadelos, gritavam e pediam a arma durante o sono e, acordados, diziam frases sem nexo ou remetiam-se ao mutismo. Eram designados por “apanhados pelo clima”, a forma de referir as alterações do comportamento. A pandemia, ao contrário da guerra colonial, não tem um fim previsível e nem sequer se pode dizer que, depois dela, o perigo passa. A pandemia é a guerra sem quartel, contra um inimigo invisível, sem limite de tempo, e, na melhor das hipóteses, de conversão em epidemia. O fim do confinamento não é o termo de uma comissão na guerra colonial. O apelo dramático de Guterres, para não se deixarem os países pobres sem vacinas, não é um mero apelo à solidariedade que lhes

24 de fevereiro -- Efemérides

1582 – Gregório XIII estabelece o calendário gregoriano, um calendário cuja lógica o tornou uma referência para a contagem do tempo, em quase todo o mundo. 1843 – Nasce Teófilo Braga, escritor, filólogo, literato e político que foi Presidente da República. 1901 – A Igreja Ortodoxa excomunga o escritor russo Leon Tolstoi, uma tradição pia de todas as religiões contra os adversários. 1912 – António José de Almeida funda o Partido Evolucionista e parte o Movimento Republicano. 1920 – É constituído o Partido Nacional Socialista Alemão, o partido nazi, de Adolfo Hitler, em Munique. É altura de estudarmos a história da ascensão de Hitler ao poder e as condições que permitiram ao pintor de tabuletas lançar o mundo numa tragédia. 1978 – António Arnault, ministro dos Assuntos Sociais, apresenta o Serviço Nacional de Saúde.

Espanha - 40.º aniversário do último suspiro do fascismo

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O golpe de Estado de 23 de Fevereiro de 1981 Os cúmplices passaram por democratas quando a memória da ditadura do genocida Franco ainda aterrorizava os espanhóis. Tejero Molina, o fantoche tardio do franquismo foi derrotado, mas os mandantes ficaram impunes e o fascismo já tem VOX , com a cumplicidade da direita que nunca deixou de ser franquista.

França aprova lei ‘contra os muçulmanos’_2

Quando há dois dias (21-2-2011) publiquei o texto com o título em epígrafe, um leitor muçulmano português comentou rapidamente na minha página do FB: «A Macrotte laicarde anda a pedi-las». Recordo-me dos insultos e ameaças que recebi na minha participação no Diário Ateísta e da diferença de umas e outras por muçulmanos e cristãos. Quanto aos insultos, facto a que fui indiferente, eram semelhantes, mas, quanto às ameaças, diferiam de forma muito significativa. Os cristãos limitavam-se a atemorizar com o Inferno e os castigos divinos para as minhas heresias, os muçulmanos faziam apelos para que alguém pusesse termo à minha existência, o que deveras me incomodava, se fosse tentado. Este facto revela diferenças substanciais no comportamento de cristãos e muçulmanos, tendo os dois monoteísmos a mesma génese. Aliás, nem sempre foram os últimos os mais cruéis. Basta ler «As Cruzadas Vistas pelos Árabes», de Amin Maalouf, para ver que, em épocas recuadas, a maior violência não esteve sempr

A entrevista ao Correio da Manhã – 12 de fevereiro de 2014

Há sete anos dei uma entrevista ao Correio da Manhã, à semelhança de outras que os jornais e rádios me solicitaram como primeiro presidente (2008/2020) da direção da primeira e única Associação Ateísta Portuguesa (AAP). A AAP continua, agora com nova direção, e esta entrevista dada oralmente, de que não tenho texto escrito, fui encontrá-la na Internet e deixo-a à apreciação dos leitores. Pode ser lida AQUI .

França aprova lei ‘contra os muçulmanos’

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Uma comissão extraordinária da Assembleia Nacional da França aprovou a “carta de valores republicanos”, proposta em 2 de outubro de 2020 pelo presidente Macron para combater o “separatismo islâmico”. As organizações do Conselho de Culto Islâmico da França (CFCM) denunciaram a “carta de princípios”, reiterando a coexistência do Islão com as outras religiões no país. De facto, o Islão coexiste com as outras religiões, em França, o que não acontece nos países onde é maioritário e, mesmo em França, não coexiste com o respeito pelas leis da República, igualdade de sexos e civilização. O Governo francês apresentou o projeto ao Conselho de Ministros a 9 de dezembro, no dia do 115.º aniversário da lei de 1905 que instituiu a liberdade religiosa e a separação entre Igreja e Estado, em França. Submetido à Assembleia Nacional da França foi largamente aprovado, apesar de críticas por discriminar a comunidade islâmica e impor restrições arbitrárias à vida quotidiana de cidadãos islâmicos. O t

Os partidos políticos e as candidaturas independentes

À primeira vista repugna que os partidos tenham o monopólio das candidaturas. Impedir grupos de cidadãos de se proporem a uma junta de freguesia ou câmara municipal seria a restrição da liberdade de associação, mas o direito existe e os exemplos não são bons. Parece que a reivindicação se prende com o aumento de facilidades para se constituírem listas de dissidentes partidários no assalto às autarquias, e na oportunidade para partidos sem representatividade se ocultarem sob pseudónimos. O escrutínio do poder autárquico, exceto nas grandes cidades, praticamente não existe. Os jornais e emissoras de rádio locais raramente subsistem sem os apoios da autarquia e são, quase sempre, o eco dos interesses de quem as ocupa. Aliás, é difícil saber o que é isso de independentes. De quê e de quem? Habitualmente, são os preteridos pelos partidos onde militam e cuja ânsia de poder é mais forte do que a fidelidade e as convicções ideológicas. Em Coimbra, a ambição política de um respeitado Ba

Marcelino da Mata – A recuperação do mito do Império

Um soldado que optou combater do lado do exército de ocupação e teve a sorte de estar em Portugal no 25 de Abril, trazia a coragem, o gosto pelo sangue, a excitação do terror que provocava no PAIGC e, sobretudo, a vaidade de ser aplaudido pelos que sofriam os ataques dos guerrilheiros da Guiné. Marcelino da Mata também era um guerrilheiro do lado que escolheu, mas a violência inaudita com que assassinava mulheres e crianças e os massacres que provocou com os seus soldados eram o ADN do tribalismo primário que exibia, sedento de ser admirado no exército de ocupação, por militares que a ditadura fascista deportou de Portugal para a aventura criminosa da guerra colonial.   O fascismo fez dele um ícone e foi-o promovendo. A negritude serviu a propaganda da ditadura. O desleixo da democracia ainda lhe acrescentou mais veneras ao peito inchado do soldado amoral. Morreu capitão, graduado em tenente-coronel, com honras prestadas por quem não cumpriu o Serviço Militar Obrigatório. O 25 de

A absolvição de Trump é uma tragédia para a democracia

A absolvição no Senado, onde eram necessários 2/3 dos senadores para a condenação, foi trágica para a democracia. Não bastaram quatro anos de pregação do ódio, de afronta às instituições democráticas, de rutura com acordos internacionais assinados pelo Estado americano e as tropelias do homem sem ética, sem coerência, sem sentido de Estado e em permanente conflito com a verdade. Viu condenar os amigos na duvidosa eleição que o levou à presidência, por perjúrio na trama russa no resultado eleitoral, assistiu à permanente debandada dos seus mais fiéis servidores quando um módico de dignidade os assaltou e manteve-se cobarde e mitómano durante todo o mandato no persistente abuso dos poderes presidenciais e na obstinada manutenção no poder para desacreditar e destruir a democracia. Perdidas as eleições fez tentativas grosseiras para se manter no poder, desde pressionar um governador para lhe inventar uns milhares de votos até ao falhado golpe de Estado no assalto ao capitólio, dirigi

Giordano Bruno – Há 421 anos (17 de fevereiro de 1600)

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Na praça onde foi imolado, onde devotos da ciência e do livre-pensamento insistem nas peregrinações, na única praça de Roma onde não há uma igreja, ergue-se a estátua que o homenageia. A Santíssima Inquisição, depois de tentar que renegasse a existência de outros mundos, a teoria heliocêntrica, e as dúvidas sobre a natureza divina de Jesus Cristo, cumpriu com regozijo, em êxtase pio, a incineração do réprobo.  Giordano Bruno foi queimado vivo.

Este confinamento que nos dilacera e embrutece

Na pungência dos lamentos de amigos onde o otimismo se apaga e a alegria dá lugar ao medo e à ansiedade, refletimos na anómala situação em que abdicamos dos amigos, até dos filhos e netos, que se tornaram suspeitos e perigosos. Sabemos de amigos que morrem sem nos despedirmos, renunciámos às tertúlias que nos mantinham vivos e onde exercitávamos os neurónios, abdicámos dos passeios habituais, das idas aos locais de origem, enfim, de tudo, ou quase tudo, o que dava sabor à vida. Os que outrora não abdicávamos da liberdade, renunciamos hoje a ela, por prudência ou por civismo, de motu próprio ou por imposição legal, sem nos darmos conta de que esta renúncia se pode tornar rotina e, à força do hábito, acabemos por nos resignar. A máscara que nos tapa a boca e as narinas, que esconde a face e as suas expressões, é a metáfora da normalidade, uma peça de vestuário imprescindível, o disfarce que impede as manifestações de humor e transforma em autistas os extrovertidos. Quando ao medo

Crenças...

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O que é isso de “Governo de salvação nacional?”

A direita democrática anda em polvorosa, lacerada por quezílias tribais no seio dos seus partidos, sem lideranças que parem a hemorragia que engrossa as fileiras da extrema-direita, esgoto da ditadura, onde agora desaguam marginais, oportunistas e delinquentes. A culpa da integração do partido fascista no sistema democrático foi do PSD, na pressa e ambição do líder açoriano, sem esperar que se rendesse sem nada receber em troca. Rui Rio, sem autoridade e visão política, delapidou aí o prestígio granjeado na vitória sobre a tralha cavaquista de Passos Coelho, e agravou o desnorte no patético discurso da eleição presidencial, a rejubilar por o partido fascista retirar votos ao PCP, no Alentejo, sem se dar conta de que era o seu próprio partido a sofrer a maior hemorragia. O CDS, condenado a ser satélite do PSD, está em vias de se transformar num meteorito, a desaparecer na atmosfera das próximas eleições legislativas. É nesta situação de desânimo e rancor que a direita ataca a cr

RTP-1 – Pensando em meu pensamento

O noticiário das 20H00 continua pobre na informação, exagerado no tempo dedicado à pandemia e ao futebol, obsceno em imagens captadas dentro das urgências dos hospitais e escasso, ou com graves omissões, sobre relevantes assuntos internacionais. As notícias são iguais, o contraditório, quando o autarca de qualquer obscura edilidade faz campanha para as próximas eleições, à custa de acusações ao Governo, não existe, mas a substituição de José Rodrigues dos Santos por José Adelino de Faria tem sido um bálsamo que permite prolongar o tempo de audição.

Humberto Delgado (HD) – 56.º aniversário do seu assassinato (13 de fevereiro de 1965)

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Há 56 anos, a Pide, que não lograra prendê-lo, deslocou uma brigada a Espanha, onde o atraíram informadores da Pide infiltrados no seu núcleo de apoiantes no exílio, para ser assassinado. Foi o impiedoso torcionário, Casimiro Monteiro, integrado na brigada que Rosa Casaco chefiou, que torturou e assassinou o general, e estrangulou a sua secretária, Arajaryr Campos. Os corpos das vítimas foram ocultados perto de Villanueva del Fresno, a cerca de 30 km do local dos assassinatos, para onde os homicidas os levaram, até serem descobertos dois meses depois. Humberto Delgado, cadete do 28 de maio e cúmplice da ditadura fascista, iniciou a sua conversão à democracia representativa, na estadia nos EUA, onde foi adido militar na Embaixada de Portugal (1952/57). Chegou tarde à democracia, mas trazia a coragem e determinação que eletrizaram o país na candidatura à presidência da República, 1958, quando enfrentou o grotesco almirante Tomás em eleições que levou até ao fim. As fraudes, ameaç

Divagações ím(pias)

O Prof. Amadeu Carvalho Homem, a quem me liga uma indefetível amizade e enorme admiração, é um reputado historiador e, no seu ecletismo, um dos mais doutos em Filosofia. Penso que podia ter sido um brilhante catedrático de Filosofia como o foi, e é, da História. Aprendo muito com ele e leio-o, em livros de investigação e textos académicos onde me deleito com a vastidão dos conhecimentos e a qualidade da prosa em que os verte. Mas não são as suas qualidades que ora me trazem a esta reflexão, é o benefício que atribui às religiões, ‘como moderadoras dos instintos cruéis humanos’. Sou cético perante o benefício que lhes atribui e, pelo contrário, considero-as além de falsas, nocivas. Que as religiões moldaram a geografia política e são elementos muito fortes na coesão dos países, a par da língua e da cultura, não há dúvidas. Ainda hoje definem fronteiras, embora seja agnóstico quanto à bondade das alterações. Para quem só pensa nas religiões do livro, ou que são apenas estas as re

A atual bastonária da Ordem dos Enfermeiros_2

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Não contava voltar tão depressa a gastar tempo com uma figura medíocre que só o facto de ser bastonária de tão numerosa e respeitada profissão lhe confere importância. Faço-o para responder ao legítimo comentário de um leitor, no Fceboock, sobre o meu texto: “(…) estas publicações estão ao mesmo nível das dela. É cyberbullying. E a boca dela na foto está alterada, não é assim.” Quanto às fotos, considero-as verdadeiras, embora não favoreçam o modelo. Já quanto à prosa, deixo aos leitores a comparação com a que a bastonária dedica aos jornalistas, em geral, e a Daniel Oliveira, em particular, para ser comparada com a minha. O jornalista Daniel Oliveira sabe escrever português e pode ensinar a bastonária, que se exprime de forma rudimentar e rude. A última frase é apenas a infelicidade de quem não faz ideia de quem foi o poeta Herberto Helder.  

A liberdade de expressão, a ética e os Médicos Pela Verdade

Não sei como conciliar a defesa da liberdade de expressão, que passei a vida a defender, e a condenação de médicos que negam o interesse do uso generalizado de máscaras, dos testes da Covid-19, da gravidade da pandemia e lançam dúvidas sobre as vacinas. O grupo Médicos Pela Verdade suspendeu a participação nas redes sociais e o e-sítio em que exerciam a sua ação deletéria. Fizeram-no, acusando que vivemos em ditadura, que a liberdade de expressão é desrespeitada, que foram perseguidos, o que é provável, com a ameaça de que vão repensar a forma de divulgarem o que chamam ciência. Parecem virologistas da escola de infeciologia de Trump e da de epidemiologia de Bolsonaro. O alarme social que esse grupo de médicos provocou levou a Ordem a abrir processos disciplinares contra os seus membros. Espera-se que, no intervalo das entrevistas contra o Governo e, em especial, contra o ministério da Saúde, o Bastonário informe o país sobre o andamento do inquérito e, a seu tempo, sobre as concl

A atual bastonária da Ordem dos Enfermeiros

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Há muito que as Ordens profissionais, fiéis à origem, se transformaram em Corporações cujos bastonários fazem da função emprego de pingues remuneração e benefícios, mas o mais grave é a degeneração em sindicatos através de agendas partidárias e interesses dos/as titulares. Parece haver bastonários que zelam mais pelos interesses corporativos e pessoais do que pelas atribuições que o Estado confere às Ordens. A Ordem dos Enfermeiros (OE) foi capturada pela versão medíocre de uma sindicalista de segunda categoria e inaudita agressividade, mas é na falta de senso e de elementares regras de decência e urbanidade que se tem distinguido. A mentira, a intriga e a calúnia são armas que usa na linguagem rasteira de almocreve. Esta Bastonária, lenta no raciocínio e célere na difamação, é desbragada na linguagem, mas incapaz de pedir desculpa das mentiras lesivas da dignidade das pessoas que atinge.   Há de pensar que o facto de ter sido consultora para a Saúde do ex-PM Passos Coelho, e d

Coerência da vuvuzela do Conselho de Estado

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O ideólogo da direita democrática

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É a Zita Seabra de todos os partidos de esquerda, mas esta não saiu pela esquerda nem passou pelo PS. Foi mais rápida a cambalhota. 

Política – Marcelo e a perfídia da direita portuguesa

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Perante a tresloucada sugestão de um «governo de salvação nacional» feita, com poucos dias de distância e ainda menos escrúpulos de diferença, por Santana Lopes e Alberto João Jardim, julguei tratar-se de provocações de marginais que, conhecendo a CRP, só procuravam a atenção mediática, sabedores de que é notícia o homem que morde o cão. Um artigo de Ângela Silva (Expresso, ontem, às 19H35), deixou-me perplexo, e julguei ter regressado aos piores tempos do cavaquismo quando na Casa Civil do PR, Fernando Lima, em conluio com José Manuel Fernandes, conspiraram contra o PM de então, com o recado de que Cavaco estava receoso de andar a ser escutado pelo PM. A canhestra intriga incluía o Público, onde era diretor JMF. Desmascarada, virou-se o feitiço contra os feiticeiros.   Fernando Lima ficou manchado e Cavaco e José Manuel Fernandes agravaram a desconfiança que já mereciam. Desta vez é mais subtil e insidiosa a manobra, mais difícil de desmontar, é subliminar a mensagem e oculta a

Política – Nem só o coronavírus destrói o país

A direita portuguesa, com um PR da sua área e habituada a ser Governo, foi confrontada com o advento da extrema-direita, organizada num partido assumidamente fascista, com um líder demagogo, xenófobo e mitómano, sem ter prevenido a limitação dos danos. A direita democrática, apanhada na tempestade com líderes precários e sem carisma, foi inábil a resistir aos desafios fascistas e à hemorragia dos que a incluíam à espera de um partido que assumisse ruidosamente a ideologia que preservavam em silêncio. Rui Rio conseguiu derrotar os piores apoiantes da deriva do PSD com Cavaco e Passos Coelho, e foi incapaz de vencer os inimigos internos e impor um módico de coerência à sua própria conduta. A posição quanto à vacinação de deputados e a contrária, expressas no curto intervalo de poucos dias, provaram a sua desorientação política. Passos Coelho rodou na autarquia de Loures o líder do partido mais antidemocrático e promissor da direita. Rui Rio, em profundo desnorte, integrou-o no sistema na

Mário Castrim - Momento de poesia

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Homenagem ao escritor, jornalista e crítico de televisão que nos preveniu contra o poder daquela caixa e nos ensinou a ver aquilo que nos servem e para que apenas olhávamos.

A FRASE

 «Após décadas de sombras, os neonazis e a suas ideias estão a ganhar terreno».  (António Guterres)   O secretário-geral da ONU pede uma aliança internacional para combater a ascensão nazi.  Fonte: Visão, ontem, pág. 19.

As vacinas e os oportunistas

Quando se acusam de corrupção os políticos, como se fossem uma espécie de celerados, num país de débil cultura cívica e de duvidosa probidade, recordo sempre os pedidos de que ouvia falar na infância, para um lugar de contínuo, polícia ou porteiro de Banco. Hoje, na ansiedade de uma vacina que pode salvar vidas, vejo os pequenos decisores de lares, hospitais ou instituições prioritárias na vacinação, a incluírem os primos, os filhos e os amigos numa renúncia ao pudor e afronta à dignidade cívica. São da massa de que eram feitos os próceres da ditadura cujo ADN anda aí na cadeia de transmissão do oportunismo, traficância e troca de favores, sem ética, pudor ou medo. A veniaga seduz os pequenos decisores, arruína a honra de provedores de santas casas, a santidade de párocos de província, a idoneidade de autarcas de obscuras localidades, e a inveja move os que mais gritam, consome os mais fracos e dilacera os que, em silêncio, ruminam ódio. É nestas situações de ansiedade e medo q

O que é o Bullying?

- É a presença do bastonário da OM em todos os noticiários, tendo como alvo o ministério da Saúde. É difícil que os médicos que se esforçam por salvar vidas se revejam no ativismo partidário em que supera a bastonária da Ordem dos Enfermeiros. Pode prestar um bom serviço ao PSD, mas presta um mau serviço à saúde pública, ao País e à estabilidade emocional dos portugueses 

O episcopado católico e a moral

Desobrigados da reprodução cujo método tradicional só é legítimo para o matrimónio canónico, e exclusivamente para a prossecução da espécie, os bispos portugueses, castos por obrigação e devoção, dedicam-se à reprodução de valores que já eram obsoletos no tempo em que os publicitavam. O episcopado nacional onde não se conhece um só prevaricador sexual, um único caso de cedência às hormonas ou de desvio para pecados piores, capazes de os frigir a mais altas temperaturas no Inferno, não perde a oportunidade de manifestar o ressentimento a valores civilizacionais que tornaram obsoleto o manual da Idade de Bronze que o guia.     O patriarca Clemente, a quem falta a sagacidade e o decoro do antecessor, é o seguidor do cardeal Cerejeira, embevecido pelos ósculos do PR a sugar-lhe o brilhante do anelão. A imaturidade cívica levou-o a indicar, nas últimas eleições legislativas, os partidos em que os católicos podiam votar, o CDS e o Chega, os únicos que estavam de acordo com a doutrina soc

Notas Soltas – janeiro/2021

BREXIT – No primeiro dia do mês, ano e década consumou-se o divórcio litigioso com acordo dificílimo. O abalo telúrico sacudiu a Europa com danos recíprocos, e as ondas de choque de novas réplicas ameaçam a UE que só o incremento da coesão salvará. Carlos do Carmo – Partiu o talentoso intérprete que resgatou para a liberdade o género musical a que o timbre da sua voz deu sonoridade ímpar. Ficou o exemplo de um artista singular e cidadão íntegro que marcou o fado e a cidadania. Escócia – Com o Brexit, ainda sem acordos relativos à Política Externa e Defesa, a PM escocesa, Nicola Sturgeon, deseja a independência e a adesão à UE, porque o “Brexit” contrariou a vontade da “esmagadora maioria” dos escoceses.   EUA – Trump pressionou responsável republicano a alterar resultados na Geórgia: “Só preciso de 11.780 votos”. Esta é a tragédia das democracias, a possibilidade de levarem ao poder indigentes na ética, marginais na política e celerados nas intenções. Luís Santos Veiga – Fale