A competição, tal como a alternância, fazem parte da dialéctica política das democracias e os fracassos do Governo, qualquer que ele seja, não podem deixar de ser aproveitados pela oposição. Mas talvez não valha tudo. Honesto seria, por cada medida errada, explicar qual era a alternativa; por cada atitude tomada, propor a certa; por cada indecisão justificar a resolução a tomar. O que não se afigura correcto é a montagem de uma inquisição que remete para o carácter as críticas que são legítimas e obrigatórias em democracia. Não se pode, perante um governante que se esforça por transmitir alento à economia e tranquilidade aos investidores, dizer que está a mentir, que as metas não são exequíveis, que há má fé nas afirmações. Não se pode odiar a Constituição que se jura respeitar e fazer respeitar para a trair e lhe conferir um carácter conjuntural e, muito menos, rejubilar quando os vários organismos estrangeiros têm uma visão mais pessimista sobre Portugal. Julgar a actual situ...