O Memorando de Entendimento entre EUA e Irão

O Memorando de Entendimento entre EUA e Irão

O fracasso épico dos EUA no Irão foi ontem reconhecido em Versalhes, com Donald Trump filmado a reassinar o documento já validado eletronicamente, com a reprodução artística da assinatura, perante os aplausos de excelsos vassalos.

Com alvará ainda válido de PR dos EUA, na toalha branca da mesa de jantar vaginal, a assinatura terminou perante aplausos do anfitrião, Macron, e de outros líderes europeus presentes, na simbólica Sala dos Espelhos de Versalhes, onde foi assinado sem aplausos o Tratado de 1919, que pôs fim à guerra, 1914/18, e impôs pesadas sanções à Alemanha.

Sem qualquer garantia de cumprimento, mas com a certeza da asfixia económica a que o encerramento de Estreito de Ormuz conduzia, o alívio foi efusivamente saudado pela subida das Bolsas de Valores e a descida dos preços dos combustíveis.

A vitória fulgurante do regime do Irão, com sofrimento atroz do seu povo e a esperança perdida no fim da ditadura, conduziu ao reforço do poder teocrático, à hegemonia da Turquia na região, ao descrédito da chamada civilização cristã e ocidental, ao fim do mundo unipolar e à derrocada da influência dos EUA fora do continente americano.

A derrota dos EUA põe em causa a presença das suas Bases na região, a confiança dos seus aliados, que se julgavam protegidos, e a segurança de Israel. A China viu aumentar a sua influência, e os grupos terroristas islâmicos tiveram um estímulo adicional.

Em resumo, confirmou-se a Lei de Murphy, tudo o que podia correr mal, correu mal e da pior maneira, nesta aventura trágica em que Israel e EUA se lançaram, assassinando um a um os principais líderes iranianos até à derrota que o Memorando reconheceu com os piedosos desejos a que pode seguir-se nova guerra.

Começam agora as negociações para um tratado de paz, previsto no Memorando, com a possibilidade de estarmos perante um mero armistício antes da próxima guerra.

Não me considerando «invejoso, má pessoa ou estúpido», como Trump designou quem critique o Memorando, considero-o tão trágico como as lideranças que couberam aos EUA e Israel.

Apostila – A senhora Kaja Kallas, esse trágico erro de casting da diplomacia da UE, que recusou negociações com a Rússia, na guerra na Ucrânia, foi desprezada pelo homólogo americano, que nunca a recebeu, e fracassou na ida à China, viu agora Israel cortar relações com a chefe da diplomacia da UE, ela mesma. Pior, só os diplomatas de Trump.


 

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