Donald Trump e o Irão
Donald Trump e o Irão
O memorando de entendimento entre os EUA e a Irão, eventualmente
a ser assinado na próxima sexta-feira, foi um excelente pretexto para aliviar o
garrote à economia global, em particular à da Europa, e, sobretudo, para pôr
termo à carnificina no Irão.
Ainda que o memorando seja assinado e que o Irão desista das
armas nucleares, o que se torna difícil, depois da invasão, é remota a hipótese
de garantir a liberdade de navegação no estreito de Ormuz, liberdade que
existia antes e o direito internacional exige.
O que já se pode garantir é a capitulação dos EUA perante o
Irão, a lembrar o Vietname, e a emergência da hegemonia iraniana no mundo árabe
com bases americanas em risco e Israel rodeado de inimigos, por mérito próprio,
sem contar com o pior, o governo de Netanyahu. Os países que tinham nos EUA um
amigo preferencial e as suas bases como garantia de defesa, passam a encarar o
aliado como perigoso e tóxico.
Ao contrário dos que se regozijam com a justa derrota de
Trump, que devia estar num hospício, e a oportunidade de entregar Netanyahu à
Justiça, no que os apoio, não me apraz a derrota dos EUA e Israel, porque
defendo a sobrevivência de Israel e vejo na derrota dos EUA o desmoronar das
democracias cuja ética, decência e exemplo foram postos em causa pela conduta
de Trump.
No ocaso do império dos EUA está a ser arrastada a UE, que
teve o senso de não apoiar a aventura iraniana, mas é incapaz de contribuir
para a paz na Ucrânia e não resiste aos impulsos belicistas, ansiosa por
desintegrar a Rússia, sem medir as consequências, quer da desagregação quer de
um ato desesperado de uma potência nuclear encurralada.
Ao ouvir Kaja Kallas, uma não existência que usa o
pseudónimo de chefe da diplomacia da UE, a felicitar Trump e o acordo com o
Irão, e a ensinar o que os «nossos homólogos dos EUA» devem fazer em relação à
Ucrânia, ela que nunca conseguiu ser recebida por Marco Rubio, reparei que, na
diplomacia errática e falhada, a UE mimetiza os EUA.
Aludindo a pessoas com défice cognitivo, é justo referir o
coronel Carlos Carmo, um sólido talento, e a D. Helena Ferro Gouveia, amoral e
cruel, que, inconformados com o fim da guerra com o Irão, exigem a Trump
continuá-la até à derrota total do Irão, porque está frágil e é uma ditadura,
descoberta só ao alcance de cérebros privilegiados como os destes comentadores da
CNN.
Quanto à UE, embora discordando da política externa,
incluindo as posições de António Costa, nota.se que é o mais preparado dos três
para a dirigir, aceitando que cabe à UE executar a política desejada pelos seus
Estados membros e não a que eu gostaria.
Assusta-me que a UE pode ser arrastada na queda dos EUA com
a ascensão da China e a reabilitação de Estados párias como Coreia do Norte e
Irão, a vitória das autocracias sobre as democracias, por culpa destas.
Está em curso o rearmamento dos países da UE para se
invadirem uns aos outros, como é hábito, e não por quem decidiram declarar o
inimigo comum. Esquecemos a História!
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