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A mostrar mensagens de Dezembro, 2021

Notas Soltas – dezembro/2021

MAI – A demissão de Eduardo Cabrita na sequência da constituição de arguido do seu condutor, que atropelou mortalmente um trabalhador em excesso de velocidade, fez do passageiro ministro um alvo que a direita tratou com inaudita crueldade. Rui Rio – A vitória contra o aparelho e sindicatos de voto não lhe deu tréguas no PSD. Quem vive da política, o que sucede nos maiores partidos, alegou que a inteligência e a aptidão eram monopólio dos derrotados e os adversários é que deviam ser deputados.   PSD – Vários apoiantes de Paulo Rangel, em vez de apoiarem o líder e de o ajudarem a obter os melhores resultados nas eleições legislativas, como era seu dever, preparam a candidatura de Luís Montenegro. Isso não é política, é oportunismo e baixeza ética. PR – Nem no período pré-eleitoral se abstém de comentar os assuntos que são reserva de outros órgãos de soberania e de se substituir às autoridades sanitárias. Bastava o novo veto sobre a eutanásia, para prejudicar o líder do PSD e conta

A laicidade é a vacina contra as guerras religiosas – 1

Em França, o clero de várias religiões agita as vestes talares e envenena os media contra a laicidade. Acusam o PR de radicalizar o laicismo, como se a neutralidade pudesse radicalizar-se. O laicismo radical é uma impossibilidade, espécie de abstenção violenta. A condescendência de Mácron é que é criticável, e tem sofrido ameaças islâmicas. A laicidade desagrada às religiões que querem viver à sombra do Estado e interferir nas leis, e usam um artifício semântico para a contestarem. Dizem que aceitam a laicidade, mas são contra o laicismo, como se a primeira não fosse a mera aplicação da filosofia em que se baseia –, o laicismo. A França, aliás, toda a Europa, está a ser fustigada pela evangelização de religiões que pretendem impor os seus credos e os seus modelos tradicionais, éticos, gastronómicos e jurídicos, das crenças que transportam. Exigem o comunitarismo para se defenderem do cosmopolitismo e combatem a laicidade para preservarem a identidade, tantas vezes as tradições que

Marques Mendes - De vuvuzela da direita a alter ego de Belém

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… era mais comedido nas intrigas 

A promoção do Almirante Gouveia e Melo

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A imagem que encontrei na NET levou-me à infância, à minha escola primária, onde os garotos tinham o hábito de levantar, do chão, um pé, para dizerem uma mentira. Era a forma de ninguém ser enganado e, julgavam os miúdos, de não cometerem um pecado que os condenasse ao Inferno. Hoje, há adultos que mentem enquanto levantam ‘todos’ os pés, como se vê.

O Almirante Gouveia e Melo e a nomeação para CEMGA

Agora que o almirante Gouveia e Melo foi provido no cargo de CEMA, como merecia e fora indigitado pelo MDN e PM, com a anuência do PR, é altura de perguntar a este o que pretendeu com o adiamento, adrede combinado, da tomada de posse. O então CEMA tinha sido reconduzido no cargo, após o fim do seu mandato, por tempo limitado, o que aceitou, porque o PM e o PR queriam promover Gouveia e Melo, o que não seria possível com outra nomeação, que o deixaria passar à Reserva, por limite de idade, durante o mandato do eventual titular. A intriga interessada do chefe da Casa Militar do PR, Sousa Pereira, levou os almirantes mais antigos a tentarem evitar a promoção de Gouveia e Melo, com o parecer negativo do almirantado, que inclui Sousa Pereira. Salvou-o o compromisso do MDN, PM e PR.    Foram os media mais à direita, os que têm vias facilitadas a Belém, que divulgaram essa decisão, que o PR adiou ruidosamente, dizendo que lhe cabia a última palavra, como se não a tivesse comprometida, e

Memória de há 1 ano para memória futura e preâmbulo do texto do dia de amanhã:

Eleições presidenciais – Carta aberta aos socialistas Car@s socialistas Sou um social-democrata sem vínculo partidário, desolado com as intenções de voto no candidato Marcelo Rebelo de Sousa, por quem se diz de esquerda e simpatizante do PS.   “Quem não se sente não é filho de boa gente”. Recordo aos ingénuos que Marcelo é um candidato de direita, que prescinde de campanha eleitoral porque apenas prolonga a que faz há cinco anos, permitindo-se ofender-vos e humilhar-vos. Esquecem-se da ameaça a Mário Centeno quando solicitou dois lugares no camarote do presidente de um clube de futebol, para ele e filho, por razões de segurança, no estádio onde tem camarote privativo? Foi vil a afronta que o ora recandidato então lhe fez. Mário Centeno não foi convidado de Ricardo Salgado para o jantar preparativo de uma candidatura presidencial nem lhe aceitou férias no Brasil. É um servidor público da mais elevada competência e probidade. Constança Urbano, ministra da Administração Intern

Desmond Tutu

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Na data do seu falecimento é dever elogiar-se a figura ímpar do bispo cuja notoriedade mundial o transformou numa personalidade de relevo na luta contra o racismo e a favor da paz. Aliado e amigo de Nelson Mandela, representou, com ele, o melhor que a África deu ao mundo, na persistência, coragem e inteligência com que lutaram pela justiça e igualdade entre os povos, sem discriminações.  Ficam como exemplo e referências mundiais.

Agradecimentos

 Car@s amig@s É-me completamente impossível responder a tão numerosas mensagens que me chegam, nem mesmo, e só, às que me desejam um santo natal, apesar de nascido com pecado original, logo lixiviado pela água benta do batismo que, 79 anos depois, ainda não sei distinguir da água vulgar. Quanto aos vídeos, se os abrisse, teria entretém até ao início do próximo ano, ainda que guardasse jejum e abstinência do sono, da leitura, da escrita e do aconchego da mucosa gástrica. Não se incomodem, vão para dentro e considerem-se abraçados ou beijados conforme o género e os usos, sem o perigo da Covid-19, porque a virtualidade protege do contágio. Restam milhões de luzinhas a acender e a apagar no ciberespaço em árvores que viajam em sucessivos reenvios e aí vão ficar na memória de elefante da nuvem eletrónica, seja lá isso o que for.

Natal – Crónica da Memória por terras da Guarda (3800 carateres)

Em meados do século XX o Natal era a oportunidade de reunir as famílias. Os ausentes voltavam todos os anos à aldeia de origem, nas carruagens de 3.ª classe de comboios apinhados de pessoas e cabazes, com odores a que se resignavam as pituitárias de então. Através do vidro partido ou da janela avariada, o ar gélido entrava nas carruagens e nos corpos. Os passageiros partilhavam a vida e as merendas nas penosas e longas viagens de pára-arranca. Os Senhores Passageiros precisavam de embarcar, ou de desembarcar, e a máquina a vapor, de abastecer de carvão a fornalha e de água a caldeira. Às vezes o comboio parava nas subidas para que a caldeira ganhasse pressão e pudesse rebocar o peso acrescido que deslocava. Entre Lisboa e a Guarda era normal um atraso de duas ou três horas, pela Beira Alta, e mais ainda pela Beira Baixa. Nas estações e apeadeiros esperavam bestas e pessoas, impacientes e enregeladas. À chegada do comboio havia abraços, ternos e demorados, e lágrimas de alegria. D

Um país tribalizado – A Esquerda suicidou-se no chumbo do OE-2022

O chumbo do OE derrubou o Governo e destruiu a confiança recíproca dos partidos de esquerda, e a do eleitorado na sua solidariedade. A direita ganhou aí a sua oportunidade de regressar ao poder, muito mais cedo do que podia esperar. São irrelevantes as acusações de cada partido, na luta pelos votos das próximas eleições legislativas, cada um com as suas acusações, e com a irreparável perda de uma solução benéfica para o país, especialmente para os mais desfavorecidos. Só por cinismo ou demagogia se pode acenar com a impossível repetição da experiência anterior, na próxima legislatura. Pode servir de truque eleitoral, aliás, risível, não serve para modificar a realidade nem para convencer o eleitorado. Não foi um só partido que perdeu a confiança eleitoral, foi o conjunto das esquerdas que alienou o capital de simpatia e o entusiasmo que gerou. De positivo, além da excelente gestão que permitiu grandes avanços sociais num período particularmente difícil, ficará para o futuro a amp

Boas-Festas, car@s amig@s

Como ateu e com respeito por todos os crentes (não tanto pelas crenças) desejo a tod@s um excelente solstício de Inverno, ocorrido hoje às 15.58 horas, e um feliz ano de 2022, quaisquer que sejam as crenças, não-crenças ou anti-crenças de cada um.  Esta terça-feira, dia do solstício de inverno, que ao longo dos anos tem sido, nos países cristãos, associado com o Natal, o dia terá menos de nove horas e meia de sol.  Obrigado aos leitores que têm paciência para me ler.  É no respeito e na liberdade de expressão de todas as formas de pensar que se constroem as sociedades livres e democráticas. Não há democracia com pensamento único. Espero que a liberdade e a igualdade entre os sexos se tornem uma exigência, em todas as latitudes, nos anos que vierem.  Aos crentes em deuses nascidos a 25 de dezembro envio saudações natalícias e, a todos, os melhores votos de que as festividades tragam felicidades sem perturbações sanitárias.  Saudações republicanas, laicas e democráticas. Cimbra, 21 de de

Cavaco Silva – um homem coerente no ódio e na militância

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Conheci boas pessoas salazaristas. Pensavam mal, mas tinham bom coração. Julgavam que o frio assassino de Santa Comba desconhecia os assassínios da Pide, os massacres, as torturas, os presídios, a violência policial e a miséria do povo. Puderam, assim, ser salazaristas. Não é o caso de Cavaco Silva, homem a quem a democracia deu o que negou a pessoas inteligentes, honestas e generosas. Nunca um homem tão inculto e limitado chegou tão longe e durante tanto tempo. Rude nas maneiras, medroso e intriguista, foi arrogante e pérfido para os adversários, a quem considera inimigos. O folhetim da posse do Governo de António Costa, depois de ter tentado contrariar a AR e prejudicado o país com o medo que incutiu e a denúncia às instituições estrangeiras, do perigo do governo apoiado pelo PCP e BE, só encontrou paralelo nas palavras boçais aos membros do Governo que lhe desejaram Boas-Festas de Natal, “uma boa tradição que se deve manter, mesmo com este governo” (A. Costa). Sobre as prevari

Luis Carrero Blanco – A subida ao Céu de um carrasco

Em 20 de dezembro de 1973, era o presidente do Governo espanhol e cúmplice do maior genocida ibérico de todos os tempos.  Há 48 anos, saído da missa, bem rezado, comungado e incensado, graças a 100 quilos de Goma-2, colocados no túnel devotadamente construído pela ETA, o carro blindado em que se deslocava foi projetado a uma altura de cinco andares, ficando mais perto do Céu.

Brasil – A Justiça e a ingratidão

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Pior do que a indignidade de um Juiz mancomunado com o Procurador, para produzir acusações falsas e prender um adversário político, foi o silêncio que caiu sobre o mais humano dos ex-presidentes, enquanto um bando de corruptos negociava um golpe de Estado para afastar a PR Dilma.

Não gosto…

Não gosto. Decididamente, não gosto de ver bater em quem está no chão, por mais alto de onde tenha caído ou por mais baixo de onde não se erga, seja o imigrante seviciado por forças policiais, divertidas pela impunidade da farda e a brutalidade animalesca dos mancebos, seja um banqueiro servido aos telespetadores, a tremer, em pijama e com algemas exibidas num corpo alquebrado. Quem preza a Justiça deve envergonhar-se da vingança e só os cobardes são capazes de se calarem perante os poderosos para os achincalharem quando caem em desgraça. Decididamente, não somos um país à espera de Justiça, somos um conjunto de cobardes à espera de espetáculos gratuitos, humilhações escusadas e vinganças para a catarse das nossas próprias faltas de amor-próprio. Não gosto, decididamente não gosto de ver transformada em folhetim a notícia, de ver a decadência humana erigida em castigo público, a humilhação com mérito mediático, e a delação como virtude cívica. Não gosto, decididamente não gosto. Sinto

Porto / Gaia – A sétima ponte sobre o Douro (2)

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Na sequência do meu texto anterior, com o título em epígrafe, chegaram-me ecos, pelo amável leitor Fernando Pinto, do Porto, que conheceu o Bispo de Cinfães: “toda a gente gostava dele, [António Francisco dos Santos], e muitos nem sabem quem é o Manuel de Oliveira”. Está explicada a pia decisão de Rui Moreira e Eduardo Vítor Rodrigues, respetivamente edis do Porto e Gaia, em sintonia com a cultura autóctone e a dilatada devoção de quem não troca um bispo de que se gosta por um cineasta que se ignora. Penitencio-me do desaforo de julgar Manoel de Oliveira mais merecedor de figurar na toponímia da ponte sobre o Douro do que a figura singular que nasceu a 29 de agosto de 1948 em Tendais, Cinfães, e entrou oficialmente a 5 de abril de 2014 na diocese do Porto, onde um inesperado ataque cardíaco o fulminou a 11 de Setembro de 2017. Lamento que me ocorra o filme “Douro, Faina Fluvial”, ao evocar o rio que a ponte une, e não conhecer uma só página da parenética do sr. bispo, não ter assistido

As eleições legislativas e o PSD

Rui Rio, mal refeito ainda da vitória interna contra Paulo Rangel, já tinha os adversários a exigir-lhe os lugares das listas de deputados, a liderança dos círculos eleitorais, enfim, o poder. Roma não pagava a traidores, e, no PSD, eram esses que exigiam o pagamento. Rui Rio fez o habitual, despediu os mais venenosos e juntou alguns aos que lhe foram leais, para não ter apenas indefetíveis, que reduzem a massa crítica do partido que aspira ao poder. Enquanto os derrotados procuram digerir e explicar os resultados, incluindo o PR, quem perde é que explica, Rio faz jus à sua tradicional heterodoxia de fazer campanha. Não se lhe pode negar a coragem. É capaz de cometer erros primários e de ser intuitivo e sagaz, incluindo a decisão de abandonar o CDS ao naufrágio e deixar a comissão liquidatária à porta da Assembleia da República. O CDS deixou de fazer falta à democracia depois de se tornar o refúgio de reacionários, esgotado de eleitores e a viver dos negócios de secretaria de Pau

Fé e senso-comum

Por ONOFRE VARELA  - Vice-presidente da Associação Ateísta Portuguesa Se  o meu discurso for lido com radicalismo, dir-se-á que  sou inimigo da fé  e da crença .  Não o sou, n em valeria a pena sê-lo…  a   crença  é um  acto intelectua l ,  f az parte do cérebro que possuímos   e  s ó s omos crentes porque pensamos  (e  também  somos ateus  por isso mesmo !) .   N eg ar a crença  seria tão estúpido como negar a importância do oxigénio para a manutenção da vida.  E u não tenho nada contra  a crença e  a fé. O que  eu  tenho é tudo contra o aproveitamento malicioso da fé (o que é coisa bem diferente) quando os crentes são assim mantidos com propósito s  muitas vezes inconfessáv eis … e que em alguns casos até pode constituir crime (os vigaristas aproveitam- se  da “boa fé” de cada um…  a  IURD também!… ).  Perante  os  discursos  de fé  de qualquer religião  ou s eita, o bom senso aconselha duas atitudes: ou não lhe  damos  ouvidos, ou  ouvimo-l os como narrativas de fé aparentadas às fá

Porto / Gaia – A sétima ponte sobre o Douro

11-12-2021 - Era o dia do aniversário do grande cineasta Manoel de Oliveira que aos 106 anos ainda mantinha o génio e a força indómita que o obrigava a filmar. Realizador de culto, continua vivo nas soberbas imagens do rio Douro com que extasiou os cinéfilos e nas trinta e duas longas-metragens que legou. Manuel de Oliveira não foi apenas uma enorme personalidade do Porto, foi uma glória nacional e a referência portuguesa internacional da sétima arte. Quando se anunciou a construção da sétima ponte, mais uma a ligar o Porto a Gaia, um grupo de personalidades pediu aos autarcas respetivos que, em homenagem ao genial criador, fosse dada à nova ponte sobre o Douro, o seu eterno Douro, o nome de Manoel Oliveira. Os autarcas de Gaia, PS, e do Porto, de partido incógnito, preferiram dar à nova ponte o nome do bispo António Francisco dos Santos, um clérigo obscuro que, após três anos de episcopado no Porto, faleceu inesperadamente de ataque cardíaco, aos 69 anos, quando ainda lhe restav

Pensamentos do dia

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1 – As televisões e os clientes do costume: A prisão de João Rendeiro foi devastadora para a presença de Marcelo Rebelo de Sousa nos noticiários. Ocupam mais tempo com o banqueiro do que com o comentador de todos os assuntos. Só ontem, no telejornal das 20H00, o interrogaram sobre João Rendeiro!!! 2 – Eleições no PSD: A imprevisível vitória de Rui Rio deixou os ativos tóxicos na zona de conforto. (V/imagem)

12 de dezembro de 1976 – As primeiras eleições autárquicas da democracia.

Há 45 anos realizaram-se as primeiras eleições autárquicas, uma conquista de Abril que o caciquismo, ausência de quadros e abusos de poder não conseguem arruinar. O poder autárquico mantém-se como insubstituível na manifestação da vontade popular. Surpreende o esquecimento das comissões administrativas, nascidas da euforia popular no ímpeto revolucionário, que demoliram o aparelho político e a estrutura do fascismo. O ministro do Interior nomeava os governadores civis, que nomeavam os presidentes da Câmara, que nomeavam os presidentes da Junta, impostos, todos eles, às populações. Foram esquecidos os cidadãos aclamados em comícios populares e que se dedicaram às autarquias sem remuneração ou qualquer outro benefício. Foi o tempo da generosidade e de todas as utopias até às primeiras eleições democráticas disputadas pelos partidos políticos. As eleições previstas na CRP criaram os primeiros executivos municipais democráticos, após 48 anos de ditadura, pondo fim às comissões admini

10-12-1998

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José Saramago recebeu o Prémio Nobel da Literatura, perante o azedume do Vaticano e de Cavaco, as diatribes do Sr. Duarte Pio, a euforia dos leitores e o orgulho de Portugal. Hoje, 23 anos depois da atribuição do Nobel do meu contentamento, recordei Saramago nas páginas de Viagem a Portugal, leitura obrigatória dos meus filhos, sobre o próximo local a visitar, nas viagens que fizemos pelo país.

A resistência e o recenseamento eleitoral – Crónica da ditadura

Há 47 anos (9-12-974) começou o recenseamento eleitoral, na sequência do 25 de Abril, para a realização das primeiras eleições livres em Portugal, após a longa noite fascista. Foi o início da preparação para a eleição da Assembleia Constituinte, a que devemos a Constituição que, ainda hoje, é a lei das leis, valioso património democrático que alguns autocratas tentaram afrontar, sem a destruírem. Recenseei-me pela primeira vez 1965, raro privilégio de um opositor à ditadura, porque era funcionário público e, na qualidade de Delegado Escolar da Lourinhã, era obrigado a inscrever os professores do concelho e regentes escolares. No dia das eleições, com boletins previamente recebidos pelo correio, após a desistência da CDE, por falta de condições mínimas de liberdade, foi votada a lista única da UN.   Quatro amigos levámos os boletins inutilizados: Afonso Moura Guedes, que viria a ser deputado do PSD e líder parlamentar, com os nomes riscados um a um; eu, com vários arabescos sobre

O tiro ao Cabrita – duas frases Pg. 16 • Público • Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2021

Sónia Trigueirão (jornalista) – «Testemunhas indicam que atropelamento se deu antes do local onde havia sinalização Uma das testemunhas viu Nuno Santos atravessar a faixa de rodagem pela parte traseira da carrinha de sinalização».  «A circulação dos trabalhadores apeados é interdita fora das zonas protegidas pelo veículo de protecção» Relatório da Brisa». (Caixa Alta) Comentário: Será que os canalhas que atacaram durante meses o carácter do ministro Cabrita, indiferentes à morte do trabalhador, incluindo o reincidente diretor do Público, são capazes de um simples pedido de desculpas?

A Universidade de Coimbra e a missa da Imaculada

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A Universidade de Coimbra preza as tradições, e, à semelhança de novas universidades, é capaz de transformar em tradição um despautério do ano anterior. Sendo a escola onde os alunos se reveem, é natural que a queima das fitas se transforme, já no próximo ano, à semelhança do atual, na gloriosa tradição da transmissão Covid, como acontece com a divertida tradição do roubo e vandalização dos carros de compras dos supermercados. Há, no entanto, uma tradição instituída pelos últimos reitores, Magníficos por profissão, que afronta o Estado laico, convidarem professores, alunos e funcionários para a missa. O reitor não é o almuadem romano cujas funções o transformem em sacristão, capaz de conduzir a caldeirinha e o hissope atrás do capelão. O Magnífico Reitor pode, como crente, deliciar-se com a missa e a hóstia diariamente, mas nunca invocando as funções que exerce e que honrados docentes contestam. Aliás, o Professor Vital Moreira já sugeriu a criação da associação de professores cató