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A mostrar mensagens de Janeiro, 2021

Viva o 31 de Janeiro!

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A chuva miudinha cai na rua deserta enquanto penso na data de hoje, no simbolismo que representa, no jantar que a pandemia impede, nos amigos que todos os anos nos reuníamos para celebrar a data e ovacionar os heróis do 31 de Janeiro de 1891. Quando deixamos de recordar uma data simbólica deixamos de merecê-la e de perceber que os heróis não são sempre os vencedores, mas serão sempre os que lutam por causas nobres e ideais de liberdade. Há 130 anos, no Porto, com a banda da Guarda Fiscal à frente, sargentos e soldados republicanos, a que se juntaram três oficiais, avançaram ao som de «A Portuguesa» e assaltaram o antigo edifício da Câmara do Porto de cuja varanda Alves da Veiga fez um discurso e proclamou a República. É o fermento da República, a tentativa adiada de transformar súbditos em cidadãos, que aqui e agora evoco, na solidão do meu confinamento. Saúdo e abraço afetuosamente tod@s @s republican@s, sobretudo aqueles amigos que todos os anos encontrava no jantar comemorativo, em

Há médicos, doentes e incendiários

Perante uma tragédia sem precedentes, o bastonário da Ordem dos Médico, que foi dos primeiros a ser vacinados contra a Covid-19 e, certamente, será dos últimos a receber a vacina contra a raiva que o devora, não sai das televisões. Isabel do Carmo, conhecida médica e docente universitária, não teve o privilégio de ser integrada na primeira prioridade, mas da experiência de doente infetada com covid-19, a Sr.ª Isabel, já recuperada, dá o seu testemunho sobre o tratamento que é comum a todos. Leia o artigo publicado no Público de ontem .

A DECLARAÇÃO E A INTERROGAÇÃO – Visão nº 1456 (pág. 19)

– «Ao voltar ao Acordo Climático de Paris, Biden indica que está mais interessado nas opiniões dos cidadãos de Paris.» (Ted Cruz, senador republicano pelo Texas) – Pergunta rápida: «Também acredita que a Convenção de Genebra tratava das opiniões dos cidadãos de Genebra?» (Alexandria Ocasio-Cortez, congressista democrata por Nova Iorque)

As minhas contradições e as dos outros – Joe Biden e Taiwan

É frequente refletir sobre as minhas contradições e não encontrar outra explicação que não seja a distorção das situações por razões afetivas. Incomodam-me os tropeções na lógica ou na coerência. É a razão por que reflito sobre as reiteradas contradições da opinião pública, e publicada nos média. Há quem conteste os direitos da Rússia sobre a Ucrânia, e a Rússia nasceu na catedral de Kiev; os da Sérvia sobre o Kosovo, e os mosteiros ortodoxos situavam-se na região islamizada pelo proselitismo e índice reprodutivo da imigração albanesa, que alterou a demografia e provocou a secessão sangrenta; os de Marrocos sobre o Sahara Ocidental; os de Espanha sobre Ceuta e Melilla, etc., etc. São posições defensáveis, aliás, de realidades diversas, mas surpreende-me que, com o mesmo calor com que contestam fronteiras, de facto ou desejadas, defendam o regresso de Taiwan à China e contestem uma autonomia com mais de 70 anos. Sou habitualmente crítico da política externa dos EUA e, sobretudo, d

28 de janeiro – efemérides

1908 – Foram presos os republicanos Afonso Costa, Egas Moniz, João Chagas e António José de Almeida, e o chefe da Carbonária, Luz de Almeida. O regicídio veio quatro dias depois. Diz-se que a rainha D. Amélia, quando o ditador João Franco falava do que os regicidas fizeram, terá dito: «o que você fez». As ditaduras só terminam pela violência e a ditadura de João Franco teve a conivência de D. Carlos. 1924 – Morre Teófilo Braga, escritor, político, filólogo, professor, literato, militante republicano, primeiro presidente do Governo Provisório da I República e segundo Presidente da República Portuguesa. 1935 – A Islândia despenaliza o aborto. Foi o primeiro país do mundo a recusar a aplicação de penas sobre a IVG. Portugal demoraria ainda quase meio século para a primeira e tímida lei, com votos contra do CDS, e do PSD, com 4 honrosas exceções. 2014 – Morreu o antigo Diretor do campo de prisioneiros de S. Nicolau, em Angola, um obscuro general que Sá Carneiro inventou para concorre

Eleições, abstenções e leituras eleitorais

Há quem procure deslegitimar os atos eleitorais denegrindo os resultados e o mérito dos eleitos com base nas abstenções, apoucando o valor do sufrágio e corroendo os valores democráticos. O voto, não sendo obrigatório, é um dever, e o civismo mostra-se no seu cumprimento. Quem não vota não conta, e perde o direito moral de contestar os resultados. Portugal é uma democracia recente onde, mesmo em clima de pandemia, as restrições de liberdade exigem o escrutínio parlamentar pluripartidário.    As democracias não se avaliam pela percentagem de votantes, mas na prática de valores que as definem. O respeito pelas leis, a igualdade de tratamento para todos os cidadãos, a proteção das minorias e o respeito pelos adversários são exigências democráticas cujo modelo existe nos Estados de direito democrático. Que as democracias são frágeis, ao contrário das ditaduras, vê-se pela facilidade com que os ditadores se servem da liberdade para subverterem e confiscarem o poder. Ficará na memória

DIA INTERNACIONAL DE COMEMORAÇÃO EM MEMÓRIA DAS VÍTIMAS DO HOLOCAUSTO – 76.º aniversário da libertação de Auschwitz

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Em menos anos dos que já vivi, assisto à amnésia coletiva que invade a Europa, onde os herdeiros do nazi/fascismo aparecem agora, exonerada a liturgia, com os mesmos ideais que lançaram a Europa e o Mundo numa guerra que, a repetir-se, será a última. Minimizam-se os campos de concentração do sul da Polónia, onde o Terceiro Reich fez da morte indústria, do racismo religião, e da crueldade o método que tolheu adversários. Há 76 anos em Auschwitz-Birkenau, os ciganos, judeus, deficientes e homossexuais que aguardavam a morte foram libertados com a chegada do exército soviético. Quando quase 12% dos portugueses se esqueceram, se acaso o sabiam, que 2,5 milhões de homens, mulheres e crianças foram gaseados ali e nos 45 campos satélites, por torcionários do Terceiro Reich e colaboracionistas polacos, e mais 500 mil mortos à fome e de doença até à libertação dos sobreviventes, em 27 de janeiro de 1945, temos obrigação de lho recordar. Esquecer esse dia é ser cúmplice da mais atroz das i

Bicentenário da Revolução Liberal

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  No bicentenário da Revolução Liberal (26): Aqui nasceu a Constituição Publicado por  Vital Moreira no blogue CAUSA NOSSA 1.  Foi há exatamente 200 anos, a 26 de janeiro de 1821, que se efetuou a  primeira reunião pública das Cortes Gerais, Extraordinárias e Constituintes,  que ocorreu na biblioteca do Convento das Necessidades (Lisboa), adaptada para o efeito Eleitas no anterior mês de dezembro de 1820, essas Cortes foram a primeira assembleia representativa da nossa história política, eleita por voto individual a nível nacional, e dotada de poderes constituintes e legislativos ordinários. Eis,  portanto,   o nosso primeiro parlamento. 2. De lamentar que, talvez por causa da pandemia, a AR tenha abdicado de assinalar oficialmente o evento, o mesmo tendo feito o Ministério dos Negócios Estrangeiros, em cujas instalações decorreram os trabalhos constituintes, legislativos e políticos dessas primeiras Cortes da era moderna em Portugal. Recorde-se que a AR exibe na sala de reuniões plená

RTP-1 – Apontamento

Assisti ontem à entrevista da ministra da Saúde, Marta Temido, à jornalista Fátima Campos Ferreira. Foi gratificante verificar a coragem, determinação e preparação da governante e a sua capacidade de resistência à adversidade de uma pandemia que não lhe dá tréguas. Perante a perseguição raivosa e partidária dos bastonários da Saúde, repito a pergunta que há dias fazia um excelente médico e honrado cidadão, Rui Pato: - « Quem faria melhor »?

Eleições presidenciais – Algumas notas heterodoxas

O fascismo dormente já tinha perturbado a democracia com a eleição tangencial de um deputado saído da incubadora autárquica de Passos Coelho para a AR, e era esperada a explosão fascista, com o partido lamentavelmente normalizado pelo PSD, nos Açores. A presença de Ana Gomes foi útil para evitar o valor simbólico do segundo candidato mais votado numa eleição onde apenas há um vencedor. Prestou um excelente serviço à democracia, mas o resultado não lhe permite aspirar a ser a próxima candidata do PS. A sua propositura por Francisco Assis debilitou-a perante os sociais democratas. Marisa Matias teve um resultado injusto, a pagar a fatura da sanha persecutória do BE a Mário Centeno para o Banco de Portugal e, sobretudo, a imponderação do voto contra o OE-2021, em clima de ansiedade generalizada, precipitando o abismo que se abriria em período de pandemia, quando o recurso a eleições era impossível e o governo de gestão agravaria a tragédia. Valeu a maturidade do PCP.   Marcelo ganho

Eleições presidenciais – 24-01-2021

Tentei votar cedo e a dimensão das filas levou-me a adiar para depois de almoço o dever que tenho. Cumpri-o já. Medo, quem o não tem? Só inconscientes. Levei máscara, viseira, luvas e a vontade de não trair sessenta anos de intervenção cívica. Não usei a idade para privilégios que o pudor republicano impede. Esperei pacientemente na fila da mesa mais concorrida, à hora a que fui pela segunda vez. Se uma pessoa não vence o medo, vence-a o medo. É preferível morrer vencendo a viver vencido. É quase nulo o risco em Coimbra, onde a Câmara se esforçou para evitar a permanência de eleitores em ambientes fechados. Na enorme sala, amplamente arejada, além de três membros da mesa, estive só enquanto votei. A Escola Avelar Brotero é hoje uma área de segurança num tempo em que qualquer lugar e a qualquer hora se correm riscos. Não há eleições para 2.º lugar como perfidamente se insinua, há o escrutínio, a decorrer, para PR e o voto útil é a opção que cada um julga melhor para a geometri

Até domingo, eleitores

Em 1996 ensaiou-se uma tentativa de censura, bem-sucedida. Num programa televisivo, “Parabéns”, Herman José fazia uma brincadeira inofensiva sobre a “Última Ceia”. Houve uma petição de 100 mil fundamentalistas a exigir censura. Entre os irados contra a “blasfémia” estava o então líder do PSD que prestou declarações bem claras à saída de um encontro com o Cardeal Patriarca... - Sabem que era o líder do PSD? - Vai amanhã a votos, e hão de arrepender-se os que, não sendo devotos do candidato da direita democrática, o sufragarem com a falta de reflexão para que deviam aproveitar o dia de amanhã. Ana Gomes, Marisa Matias e João Ferreira são três opções para retirar força à direita. Com versos de Natália Correia sabe bem refletir MOMENTO DE POESIA – Natália Correia sobre Marcelo Rebelo de Sousa, «o tal que um dia concorreu a presidente da autarquia de Lisboa». MARCELO E AS TÁGIDES Marcelo, em cupidez municipal de coroar-se com louros alfacinhas, atira-se valoroso - ó ba

PSD - Com esta gente Rui Rio não vai longe

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Baptista Leite "nunca tinha visto tantas pessoas morrerem num turno" em que afinal morreu uma. «Médico e deputado do PSD fez relato dramático após turno de 12 horas como voluntário no sábado. Hospital de Cascais diz que nesse dia morreram seis pessoas, três com covid-19, apenas uma delas no turno feito por Ricardo Baptista Leite. Ricardo Baptista Leite usou as redes sociais para descrever um cenário que o impressionou, depois de ter trabalhado como médico voluntário no Hospital de Cascais, no sábado. "Nunca vi tantas pessoas morrerem num só turno de 12 horas. Nunca vi tantas mortes, na minha vida profissional, num tão curto espaço de tempo", disse, num apelo a medidas de confinamento mais duras que ganhou eco na comunicação social. Mas quantas pessoas morreram com covid-19, afinal, nessas horas nesse hospital? Segundo fonte oficial da instituição apenas uma.» (Revista Sábado)

“A democracia é preciosa e frágil” (Joe Biden, no discurso de posse)

Dois dias depois de o PR brasileiro, abrutalhado e mitómano, que tinha como referência Donald Trump, ter dito que “Quem decide se povo vive em democracia ou ditadura são as forças armadas”, as democracias liberais respiraram de alívio, depois da mais insólita tomada de posse do novo presidente americano. Não é entusiasmo que desperta, é a confiança em Joe Biden para respeitar os resultados em novas eleições, sem tentar falsificar os resultados, denegrir as instituições ou incitar um golpe de Estado, à semelhança de países tribais. O mundo viveu incrédulo e receoso o mandato de Donald Trump, um desmiolado PR, mitómano e narcisista, indiferente aos danos à reputação dos EUA, incitando ditaduras. Acabou a perdoar os crimes de amigos e familiares quando viu no Partido Republicano, moldado à sua imagem, defensores da Constituição que ele jurou e traiu.   Ontem foi mais um dia na vida de Joe Biden e um dia novo para a democracia, segundo as regras que os americanos decidiram, sem direi

Eleições presidenciais e liberdades

Estas eleições ficam marcadas pelo clima de medo da pandemia e, na impossibilidade de campanha eleitoral dos candidatos, pela permanente e inaceitável presença do PR na campanha que disse que não fazia. E não faz, fazem-lha. Todos os dias. No fundo, só o recandidato Marcelo e o provocador fascista, que chegou aos salazaristas adormecidos, foram beneficiados de forma obscena, o último pelo permanente desafio à democracia, altamente conveniente para semear o ódio e tornar-se notícia. Marcelo chegou ao ponto de acusar as autoridades de saúde, leia-se Governo, de não lhe dizerem em tempo oportuno, por escrito, se podia ou não estar presente fisicamente num debate com todos os candidatos, após um teste, das muitas dezenas que insiste fazer, ter acusado um falso positivo. Nem sequer teve a decência de referir que o teste foi feito na Fundação Champalimaud, só conhecido pelas desculpas apresentadas pela instituição. É neste candidato que os eleitores PS se reveem? Não percebem que o PR

As eleições antecipadas e o civismo

Há uma lei que impede a propaganda eleitoral na véspera das eleições, dia de reflexão, e no dia seguinte, enquanto decorrem. Independentemente do meu juízo de valor sobre a bondade da lei, cabe-me acatá-la pelo respeito que merecem as instituições democráticas, sufragadas em liberdade, aspeto que é relevante para todos e, jubilosamente, para quem viveu na ditadura fascista. Ontem votaram antecipadamente numerosos eleitores e, embora a lei não o previsse, foi um dia normal de eleições pelo que a propaganda eleitoral foi uma violação da lei, onde numerosas pessoas, algumas com especiais obrigações cívicas, mostraram um boletim com a cruz no partido em que votaram. Tal como eu, quando assumidamente manifesto as minhas convicções, não penso que a exibição gratuita influencie alguém, mas é um exemplo pouco recomendável. A ausência de manifestações de simpatia ou antipatia, por qualquer candidato, deveu-se ao cumprimento do que julgo ser o respeito pela ética republicana que me deter

Vacinas, vórtice polar, ignorância e maldade

Há por aqui, pela Internet, uma cáfila de negacionistas que fomentam o obscurantismo e se movem pela estupidez, numa patética indiferença perante a tragédia global. Há idiotas embrutecidos à solta, desde “Médicos pela Verdade”, que negam as virtudes das vacinas, com o bastonário mais interessado na Cruzada contra o Governo do que no inquérito a profissionais perigosos, que contrariam o Estado da Arte, até aos estúpidos que, à semelhança de Trump e Bolsonaro, utilizam a onda de frio, que assola a Europa, para negarem o aquecimento global. É um dever de cidadania combater a maldade e a insensatez que, em períodos de perigo, assomam a perturbar os esforços das autoridades de saúde. Não se pode aceitar que uma prestigiada magistrada, na insanidade de um momento, no desvario do gosto mediático, afirme que dispensa a vacina, na inconsciência de quem, podendo desprezar a sua saúde, não tem o direito de pôr em risco a dos outros. Não vale a pena multiplicar exemplos de insânia, é urgente

As próximas eleições presidenciais – Uma postura eticamente reprovável

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Quem acha sublime rezar o terço a nadar no mar, já devia ter rezado umas ave-marias à Sr.ª de Fátima a pedir às TVs para darem a outros candidatos o tempo de antena que lhe consagram ou, no mínimo, dividirem por todos o seu tempo, para evitarem o ostracismo dos adversários onde só aquela coisa repugnante tem também direito a fatia grossa. À estrela pop todas as excentricidades lhe são perdoadas, todos os pecados remidos, todo o passado branqueado. Há de andar por aí a rezar o credo, em latim, com a direita dos negócios a persuadir os eleitores de que é chique, é moderno, é a “Nova Esperança”. Ao anunciar a recandidatura, no dia 7 de dezembro de 2020, Marcelo afirmou que iria prescindir do “direito de antena” tanto na televisão como na rádio, mas não sai do ecrã de nenhum noticiário, como PR ou comentador de amplo espetro. O tempo de antena do PR torna mais obscenas as discriminações dos outros candidatos, em contexto de pandemia, sem campanhas de rua, contactos com eleitores e di

A religião, a política e a ressurreição

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A ressurreição é uma crença mitológica que o Credo romano acolhe e muitos perfilham, e quem se considera um enviado de Deus, com um desígnio racista, xenófobo e fascista, está mais próximo da psiquiatria, ou de um caso de polícia, do que da fé. A ressurreição é improvável, mas, em política, surgem avatares de demónios extintos, e a falta de memória é a tragédia que permite, como farsa, a repetição a História.

USA – O assalto ao Capitólio

Após a Revolução de Abril, Francisco Pereira de Moura teve dificuldade a explicar o que era o fascismo, numa sessão de esclarecimento, em Trás-os-Montes. Faltou-lhe o eloquente exemplo do assalto ao Capitólio, em que bastava socorrer-se do filme dos acontecimentos e dizer, «é aquilo». Quem viu a horda dos neonazis, admiravelmente caracterizada no aspeto e na condução dos atores do filme, com guião escrito por um desvairado, na Casa Branca, não precisa de palavras. Bastam as imagens. Um louco não é inevitavelmente burro e o agitador que envenenou os selvagens durante quatro anos, que os acirrou então e teleconduziu, procurava, como aconteceu, no assalto ao santuário da democracia, a ridicularização das instituições e a manutenção do poder. Hoje, apesar de sobressaltos que podem ainda acontecer, com os ratos a abandonarem o barco da sedição, o neonazi ainda presidente dos EUA, já não é o chefe, é o coveiro de um império que prenuncia o advento de outro, assustador, que nasceu numa

Eleições presidenciais e masoquismo

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Repetirei até à exaustão que Marcelo é um democrata, que fez um logo caminho desde a sua juventude, e que, por ele ou com ele, não haverá outra ditadura. Vacinou-o a longa e próxima convivência com os próceres da ditadura fascista. A comparação com o antecessor, a inteligência, cultura e simpatia, e a capacidade ímpar de se insinuar na opinião pública amoleceu aos adversários a autocrítica, e embotou-lhes o discernimento. Marcelo é o candidato da direita democrática, aliás, mais à direita do que, por exemplo, Ursula Von der Leyen ou Angela Merkel. Seria injusto julgá-lo pelas cartas a Marcelo Caetano, mas é preocupante que se esqueça o papel maquiavélico na eleição de Cavaco Silva para líder do PSD, de onde saiu para PM, e, depois, na preparação da candidatura do mesmo salazarista para PR, na vivenda de alguém, hoje pouco recomendável. Os eleitores que se dizem de esquerda, com candidatos para todas as sensibilidades, não podem capitular na coerência, ética e dignidade, votando n

RTP-1 (ontem) - Tempo de antena

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 Isto é publicidade da melhor.

A Covid-19 e a responsabilidade individual

Não subscrevo a absolvição do Natal dada pela ministra da Saúde e, muito menos, a da passagem de ano, que muitos não se abstiveram de comemorar em grupo, com capitosos néctares, ao som da música, em estreita comunhão de corpos. De igual modo, excluo a culpa do Governo na gestão da pandemia, na coincidência de ataques orquestrados de que é alvo e na exoneração das responsabilidades dos comportamentos individuais. Sei como conviveram várias famílias num caso e no outro. No caso do Natal, ainda sou indulgente, mas lamento que a festa do calendário da folia possa antecipar o colapso do sistema de saúde, da economia, da segurança coletiva e da estabilidade emocional. Não possuo estudos que sustentem a minha convicção, mas a observação diária durante o meu passeio matinal deixa-me a pior impressão sobre os comportamentos individuais que, embora minoritários, são francamente reprováveis. A saída desordenada das missas, de crentes que diariamente aí vão em busca da palavra, os transeunte

Eleições presidenciais

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Há eleitores de esquerda que, equivocados, votam no candidato da direita democrática e, assim, não surpreende que eleitores da direita democrática votem na extrema-direita. Mas ficam surpreendidos e desolados os que têm, na política, valores e convicções!...

RTP - Propaganda partidária

À semelhança de um dia sem carros, já merecíamos um dia sem bastonário da Ordem dos Médicos. Gastaram a homóloga dos Enfermeiros e a gora não nos dão tréguas deste. Há medidas sanitárias que deviam ser observadas, porque a saúde mental dos portugueses é um bem a preservar.

Eleições presidenciais nos EUA

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Trump, tal como a vaca, meteu a cabeça e o resto onde não devia, e agora, ambos estão à espera de que os tirem da situação difícil. Só a vaca merece compreensão e solidariedade.

Eleições Presidenciais – Hoje, nas televisões

João Ferreira e Marisa Matias não debateram, conversaram sobre as ideias comuns. São dois candidatos bem preparados, empáticos e com opiniões próprias, que nem sempre se coadunam com as dos partidos que representam. Ana Gomes e aquela coisa mitómana tiveram um debate onde os separava um muro que se chama de democracia. De um lado, uma candidata preparada, séria e sem ambições de disputar eleições legislativas; do outro, um mitómano fascista, a expelir anátemas.   Essa coisa tem o apoio de Marine Le Pen e perdeu ontem uma referência, Trump.  

Estados Unidos da América (USA)

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Estados Unidos da América do Norte (USA)

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Quando o ainda presidente é tão tosco como Bolsonaro, tão fascista como um qualquer ditador do Terceiro Mundo e tão leviano que não hesitou em dar um golpe de Estado no país mais poderoso do Planeta, a democracia sofreu o mais rude golpe a nível global. Há um misto de humor negro e de vingança no comunicado da Venezuela onde uma ditadura não provoca tanto medo como a democracia dos EUA.

O CDS de Francisco Rodrigues dos Santos

O CDS, partido criado por Freitas do Amaral e Adelino Amaro da Costa, fará falta no espetro político nacional. A sucessiva viragem à direita atingiu o auge no consulado de Manuel Monteiro, que delapidou o património dos fundadores e acabou por sair para o sonho de um partido extremista quando ainda estavam vivas as memórias da ditadura, indiferente à integração democrática dos salazaristas feita pelo CDS. Foi a vertigem reacionária que levou o Partido Popular Europeu (PPE) a expulsá-lo do seu seio onde regressaria, a pedido de Durão Barroso, para lhe devolver idoneidade para a coligação indispensável para ser primeiro-ministro. Depois foi a criatividade de Paulo Portas a manter artificialmente um partido exonerado de valores, através da participação no poder. Tornou-se um partido vazio de ideias, sem rumo e sem tino, a viver de ruído e de figuras conhecidas. Provavelmente nada resta da matriz conservadora e democrata-cristã, dos estatutos e do programa da sua fundação. É num dese

Que raio de fim de dia…

Há dias assim, fim de um dia que não devia ter amanhecido, data que é para esquecer e há de ser lembrada, na pungência da saudade e da tristeza e na revolta dos dias que nos amarguram. 1 – Faleceu o meu querido amigo Luís dos Santos Veiga, dois anos mais novo no Liceu da Guarda, engenheiro, homem de esquerda, um coração onde cabiam tantos amigos, e tinham lugar de eleição os netos. Foi o revisor do meu livro «Pedras Soltas», dedicado e generoso, como era seu timbre, para com a família, os amigos e a sociedade. Foi longo e doloroso o fim, mas o seu exemplo e a dedicação da Fernanda ficam como paradigma de um casal de eleição e modelo exemplar de resistência ao sofrimento. 2 – Vi hoje o rosto do fascismo, uns autómatos acéfalos a invadir o Capitólio, nos EUA, acirrados por um marginal sem escrúpulos, a partir vidros, escalar paredes e invadir uma cerimónia onde oficialmente eram apresentados os resultados conhecidos da eleição do novo PR. Sempre temi as ditaduras, hoje fiquei aterror

O estranho caso do Procurador europeu

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O que me aborreceu foi a facilidade com que aceitei a trapalhada da nota, carta ou outra coisa qualquer, com erros graves, como dolo imperdoável. Não aceitei que os interesses partidários pudessem pôr em causa a ética e a estabilidade governativa. Há dias ouvi Poiares Maduro, no programa onde é avençado, a verberar contra a seleção legítima do Conselho para Procurador Europeu e foi aí que me lembrei do carácter desse ministro de Passos Coelho segundo o impoluto e saudoso jornalista Oscar Mascarenhas , num artigo do DN em que era provedor do leitor e cuja ligação aqui deixo: O ruído mediático das eleições presidenciais onde os candidatos parecem concorrentes ao lugar de fiscal dos Governos, levando os eleitores que não leram a Constituição e que não estiveram atentos às suas revisões a pensarem que o Governo depende do PR e não da AR, impediu que os imperdoáveis erros se transformassem em escândalo e ataques de carácter à ministra da Justiça. Poiares Maduro, mais amigo da intriga

Eleições presidenciais – Tiago Mayan Gonçalves / André Ventura

Devo retratar-me da apreciação que fiz do candidato da IL no seu debate com Marcelo, da avaliação severa que fiz, no erro de análise a que não foi alheia a familiaridade do último com as câmaras e o aparecimento de um candidato que vi pela primeira vez. Hoje, o debate entre Tiago Mayan e o candidato fascista mostrou a abissal diferença que separa dois candidatos da direita dura, o que é radical no campo da economia e o que é radical no ódio, na xenofobia, na exploração dos sentimentos mais primários e no apelo ao que pior pode surgir do ressentimento e da frustração, sem um projeto ou qualquer ideia construtiva.    

Há 9 anos

Quando eram outros os governantes, quiçá por desgraça, eram mais brandos os média e clemente a opinião pública para os dislates que surgiam. A arrogância era apanágio dos figurantes e figurões do bando sequioso que acabara de chegar ao poder. Enviadas, em 2013, por um amigo que acabara de ser despedido da SIC, aqui ficam para gáudio dos amigos e azedume dos masoquistas que frequentam este mural com a mesma regularidade com que os beatos, há um século, visitavam 7 igrejas na quinta-feira santa, as frases de 2012 que gosto de relembrar: FRASES CÉLEBRES DA «MALTA DOS BIFES» EM 2012 «Tudo somado, o que irei receber do Fundo de Pensões do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Aposentações quase de certeza que não vai chegar para pagar as minhas despesas porque, como sabe, eu também não recebo vencimento como Presidente da República». (Cavaco Silva, 20 de janeiro, durante uma visita ao Porto) *** «Quando se pergunta se o País aguenta mais austeridade, ai aguenta, aguenta. Não gostamos, mas a

Eleições presidenciais – TVI (há momentos)

O debate entre João Ferreira e Marcelo Rebelo de Sousa ficará como um marco onde a cultura, preparação e urbanidade dos adversários permitiu deixar claras as divergências sem o ruído que perturba, o primarismo que incomoda e a indigência que deprime. Mesmo quem não se revê em qualquer das candidaturas, há de reconhecer que assistiu à discussão clarificadora, onde a diferença de opiniões é um enriquecimento democrático, que não saiu das balizas definidoras da arquitetura jurídica da Constituição da República Portuguesa.

Eleições presidenciais – Marcelo Rebelo de Sousa / Tiago Mayan Gonçalves

Os partidos liberais têm larga representação na Europa e em vários países democráticos de outros continentes. Sendo de direita, é um erro e uma calúnia considerar fascistas tais partidos, que, no Parlamento Europeu, são a terceira força política com 109 deputados. Podem ser amorais e, ao contrário dos partidos fascistas, defendem o Estado mínimo, na economia, educação, saúde e tudo o mais, podendo degenerar em ditaduras. Sucedeu no Chile de Pinochet, e não foi o liberalismo que prevaleceu, foi a ditadura que se impôs na aliança de extrema-direita sob a égide de um facínora. Milton Friedman continua a ser o ideólogo do liberalismo económico, e nunca foi fascista. Há personalidades relevantes entre os liberais europeus, onde Macron está incluído. Em Portugal, onde é raro os rótulos dos partidos acertarem com a ideologia que perfilham, o Iniciativa Liberal podia ser a semente do liberalismo económico e ter na sua estrutura personalidades de grande dimensão intelectual que projetassem

2 de janeiro de 2021 – Os meus 70 minutos de TV

A obsessiva presença do bastonário da Ordem dos Médicos, o ativista da direita que está a fazer currículo para secretário de Estado da Saúde, se o PSD for Governo, tem avença para exibir sempre a opinião contrária à do Governo, qualquer que seja a decisão na área da saúde. A sua militância supera a da bastonária da Ordem dos Enfermeiros e tornou-se preferido dos canais televisivos. Falta a ambos a preparação técnica, capacidade política e abnegação da ministra, cuja ausência de interesses corporativos lhe granjeou respeito e admiração. *** RTP – O debate entre Marisa Matias e Marcelo R. Sousa foi um exemplo de civilidade, com um moderador a substituir o almocreve. As divergências ficaram claras sem que a urbanidade fosse alguma vez exonerada. *** TVI-24 – O debate entre João Ferreira e André Ventura podia ser a discussão interessante entre um comunista e um fascista, mas foi o ringue onde um homem urbano e sólido na cultura e nas convicções se viu perante um primata à solta num

Carlos do Carmo – Artista, cidadão e homem solidário

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No passamento de Carlos de Carmo, quando se calou o talentoso intérprete que resgatou para a liberdade o género musical a que o timbre da sua voz deu uma sonoridade ímpar, o fado, o mais arrebatador que o fado alcançou, voltou a sair à rua. Hoje, com a mágoa da partida do artista, do homem progressista que se cumpriu, que foi uma voz da liberdade antes de Abril, do cidadão que manteve a coerência e a dignidade durante a longa e imaculada carreira, a tristeza da sua perda foi mitigada com a sua voz, que frutificou em outros artistas e trouxe para o género novos e grandes intérpretes. Dele, das canções emblemáticas e da simbiose que criou com os palcos, ficam fados que deram vida aos versos de vários dos nossos melhores poetas e a imagem do homem que se fundia com o palco onde atuava e com o público que fruía em silêncio a sua voz. Homens e artistas como Carlos do Carmo não se choram, cantam-se e ouvem-se. Hoje deu-nos de novo a sua voz através das emissoras de rádio e televisão, despert