Que raio de fim de dia…

Há dias assim, fim de um dia que não devia ter amanhecido, data que é para esquecer e há de ser lembrada, na pungência da saudade e da tristeza e na revolta dos dias que nos amarguram.

1 – Faleceu o meu querido amigo Luís dos Santos Veiga, dois anos mais novo no Liceu da Guarda, engenheiro, homem de esquerda, um coração onde cabiam tantos amigos, e tinham lugar de eleição os netos. Foi o revisor do meu livro «Pedras Soltas», dedicado e generoso, como era seu timbre, para com a família, os amigos e a sociedade. Foi longo e doloroso o fim, mas o seu exemplo e a dedicação da Fernanda ficam como paradigma de um casal de eleição e modelo exemplar de resistência ao sofrimento.

2 – Vi hoje o rosto do fascismo, uns autómatos acéfalos a invadir o Capitólio, nos EUA, acirrados por um marginal sem escrúpulos, a partir vidros, escalar paredes e invadir uma cerimónia onde oficialmente eram apresentados os resultados conhecidos da eleição do novo PR. Sempre temi as ditaduras, hoje fiquei aterrorizado com uma democracia!

3 – Assisti, a pensar no amigo desaparecido, no abraço que não darei à viúva e às filhas, ao debate entre o PR e o fascista, entre a direita democrática e a direita trauliteira, entre a civilidade de quem aprendeu que a ditadura de onde veio era incomparavelmente pior do que a democracia em que vive e o que viveu em democracia a pensar na ditadura que pretende impor pelo medo, o ódio, o ressentimento e a vingança.

4 – O debate entre João Ferreira e Tiago Mayan Gonçalves foi urbano e decente, com os candidatos a mostrarem que é possível confrontar ideias antagónicas, e a figura de João Ferreira a emergir como candidato de excecional preparação onde a clareza das ideias e a força das convicções faz esquecer a divergências de quem não é comunista.

O dia termina na indizível mágoa de quem perdeu um amigo. Fica a noite para lembrar um homem coerente e dedicado e substituir o sono pelas recordações de quem merece ser lembrado.

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