Carlos do Carmo – Artista, cidadão e homem solidário

No passamento de Carlos de Carmo, quando se calou o talentoso intérprete que resgatou para a liberdade o género musical a que o timbre da sua voz deu uma sonoridade ímpar, o fado, o mais arrebatador que o fado alcançou, voltou a sair à rua.

Hoje, com a mágoa da partida do artista, do homem progressista que se cumpriu, que foi uma voz da liberdade antes de Abril, do cidadão que manteve a coerência e a dignidade durante a longa e imaculada carreira, a tristeza da sua perda foi mitigada com a sua voz, que frutificou em outros artistas e trouxe para o género novos e grandes intérpretes.

Dele, das canções emblemáticas e da simbiose que criou com os palcos, ficam fados que deram vida aos versos de vários dos nossos melhores poetas e a imagem do homem que se fundia com o palco onde atuava e com o público que fruía em silêncio a sua voz.

Homens e artistas como Carlos do Carmo não se choram, cantam-se e ouvem-se.

Hoje deu-nos de novo a sua voz através das emissoras de rádio e televisão, despertadas para a arte do canto, na homenagem ao inesquecível intérprete, pagando uma prestação da dívida que têm para com ele e o seu público.

Figura cimeira da música, da cultura e da cidadania, partiu aos 81 anos um grande Senhor.


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