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A mostrar mensagens de Junho, 2013

«Não me venham depois dizer que eu não avisei…»

De vez em quando, Cavaco Silva, numa aparente demarcação do Governo que quis, aparece a fazer a síntese entre a cigana que lê a sina e a sua mais elaborada versão, o senhor de la Palice.

Enquanto o País resvala no plano inclinado da depressão económica, política e cívica, sem motivo de esperança ou uma palavra de conforto, sem qualquer proposta, o culpado do passado e refém do presente, dedica-se a predizer o futuro, à semelhança da pitonisa de Delfos mas, em vez de Apolo, só conta com a legião de assessores.

Eu bem avisei…, parece o cínico merceeiro a confortar o pai do rapaz que morreu num acidente de moto: «eu bem o avisei para que não comprasse a moto»!

O ‘affair Snowden’ e as relações: UE/EUA…

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O periódico alemão Der Spiegel (edição on line em inglês link) revela que serviços secretos americanos (NSA – National Security Agency) têm vindo a espiar - através escutas telefónicas, controlo de e-mails e de colocação de microfones ocultos - instituições e organismos oficiais da UE, nomeadamente, as representações diplomáticas em Washington e na ONU e instalações da NATO em Bruxelas. Documentos datados de 2010, oriundos dos serviços de inteligência norte-americanos, citados pelo Spiegel, os países europeus figuram como um ‘alvo’ (location target).
O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, já saiu a terreiro exigindo uma ‘total clarificação desta situação' que considerou como susceptível de afectar as relações EU/EUA link.
Este gravíssimo incidente diplomático mostra como a filosofia de alianças no Mundo actual tem por base um somatório de mistificações. As declarações de Susan Rice link defendendo que as revelações de Edward Snowden não afectam o Presidente Obama e a…

Breves notas sobre uma [filha da] ‘putice’…

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A chanceler Merkel ‘deixou’ escapar, em conversa coloquial com Christine Lagarde (com o microfone ligado), esta esclarecedora imprecação: “conseguiré que España reduzca el sueldo mínimo a 250€ al mes - tras este comentario, dibujó una ‘z’ en el aire con la cabeza, chasqueó los dedos y añadió - because she's is my bitch!». link. (o sublinhado é nosso)
Falemos então de ‘putaria’. Ou, na expressão mais vernácula, sobre o ‘putedo’. Existem 'alimárias' que conseguem transformar qualquer ambiente num lupanar. Incluindo espaços como a velha e civilizada Europa. São uma espécie de novos Midas, possuidores de estranhos dotes transformistas.
Voltemos ao 'putedo'. Em todas as ‘casas de putas’ sempre existiram patroas encarregues de zelar pelo bom andamento do ‘negócio’. Eram as conhecidas ‘madames’. São estes coios espaços previlegiados onde a 'chulice' sempre pontificou. E o desafio era a‘esperteza’ de pagar pouco para ‘afogar o ganso’, utilizando em simultâneo vár…

A razão, a superstição e os exorcismos

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Quando a razão dorme, acordam os monstros. É esta mensagem de Goya num dos seus «Caprichos», um Iluminista com o pincel e as tintas a fazer mais contra a superstição do que grandes escritores em milhares de páginas. Goya zurziu, em finais do século XVIII, a nobreza e o clero, com o génio do talento e a coragem dos heróis, através de uma das armas mais mortíferas – a sátira –, com que abalou o prestígio de Ordens religiosas e os preconceitos do seu tempo.

O fanatismo religioso, a Inquisição e as superstições foram denunciadas nas 80 gravuras do genial pintor que só por sorte escapou às garras da Inquisição. Ele não foi apenas um precursor da pintura moderna, foi um arauto da sociedade liberta das trevas e conduzida à razão pelo Iluminismo.

Quando o cardeal Rouco Varela, nomeou recentemente oito exorcistas para a diocese de Madrid e se soube que as dioceses católicas têm peritos no tratamento das possessões demoníacas, não é o atraso de uma Igreja que desprezo que me preocupa, é o regr…

CONSELHO EUROPEU: e a saga continua…

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O Conselho Europeu continua a trilhar a habitual senda de ocultar a realidade, promover medidas pontuais e, na prática, contemporizar com o agravamento da situação vivida no espaço europeu.
Ontem, mais uma decisão no sentido de combater o desemprego jovemlink. Sem dúvida que este tipo de desemprego é gravíssimo para o futuro da UE. Poderemos até dizer que hipoteca o futuro da Europa. Todavia, é uma parte do problema não devendo ser considerado como um mero acidente. Na UE, existem neste momento cerca de 23 milhões de desempregados, 16 milhões dos quais referentes aos 17 países que integram a zona euro. link. Deste brutal ‘volume’ de desempregados 6 milhões referem-se a jovens com menos de 25 anos link.
O problema ‘geral’ - para o comum dos cidadãos - é a iniludível constatação de que todos os ajustamentos programados e efectuados, de que todas as reformas ‘estruturais’ encetadas, carregam no seu bojo um insuportável, maquiavélico e deliberado custo: a brutal extinção de postos de tr…

"O MELHOR POVO DO MUNDO"

Os portugueses, em geral, têm inúmeras virtudes. Muitos há, porém, que têm também grandes e nocivos defeitos. Custa-me dizê-lo, mas há verdades amargas e incómodas que têm de ser ditas. Sobretudo no momento atual, em que vivemos sob a pata de um governo que é exímio em explorar esses defeitos em seu proveito.

Refiro-me, por exemplo, ao conformismo, a uma certa curteza de vistas, e à inveja.

Muitos trabalhadores que ganham o salário mínimo, que o governo não deixa aumentar nem sequer para compensar a inflação, conformam-se com a sua situação, a ponto de considerarem que essa é a situação normal e que os que ganham um pouco mais são uns privilegiados. E têm inveja. Mas não têm inveja dos banqueiros que ganham obscenos milhões. Têm inveja do vizinho do lado que ganha 600 euros. E em vez de se revoltarem contra o governo que não deixa que o seu salário aumente, revoltam-se contra o vizinho e acham muito bem que o governo lhe carregue nos impostos.

Por sua vez, este que ganha 600 euros, ro…

Para arquivo

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O Governo é cada vez menos desejado

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Governo reuniu em Alcobaça porque o Presidente da Câmara de Óbidos não quis que desse mau nome à histórica localidade.
(Enviado por MPMaça)

Para memória futura

O Governo e a peregrinação pia a Alcobaça

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O efémero e funesto Governo de Santana Lopes foi o primeiro que teve o nomadismo como projeto e a anarquia como modelo de funcionamento.

A sementeira de secretarias de Estado, distribuídas  pelo País, era a exótica novidade do governo PSD/CDS que entendia assim a descentralização administrativa. O sucessor do fugitivo Durão Barroso criou seis secretarias de Estado, de Braga a Faro, passando por Aveiro e Coimbra e acabando na improvável Golegã, por falta de instalações na cidade de Santarém para onde o delírio governamental a destinara.

Nessa altura havia um Presidente da República e os desvarios tiveram rápido epílogo. E Santana Lopes, com a prestimosa ajuda de Paulo Portas, conseguiu a primeira maioria absoluta… para o PS.

Agora, à rédea solta, não se sabe se para fugir aos banhos de multidão ou para expiação dos pecados, o Governo, em cortejo automóvel, fez um retiro espiritual no Convento de Alcobaça, que designou por reunião do Conselho de Ministros.

Não terá sido a beleza do gót…

A morte de um fascista canonizado

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Faz hoje 38 anos que faleceu monsenhor Josemaria Escrivá, indefetível apoiante do genocida Francisco Franco e financiador dos negócios políticos de João Paulo II, que deram origem à falência fraudulenta do banco Ambrosiano.
Com 38 anos de defunção, já fez 3 milagres, subiu aos altares e deixou um exército de prosélitos capazes de enfrentarem o Islão e de subsidiarem o Vaticano onde, depois de dois pontificados, não conseguiram impor o novo Papa.

Fundador de uma das mais reacionárias seitas católicas, usava o cilício como prova de amor ao Deus que defendeu a monarquia, o catolicismo e a pena de morte em Espanha.

Um cárcere religioso

O Governo irlandês concordou em conceder uma compensação entre 11.500 e 100.000 euros para algumas mulheres que foram enlausuradas nos anos sessenta e setenta, nas lavandarias Madalena, em Dublin. 
Algumas passaram vários meses e anos enclausuradas em instituições quase sempre dirigidas pela Igreja Católica. A grande maioria nem sabia porquê ou por quanto tempo estariam presas. As causas podem ser muito diferentes: a pobreza de famílias, abusos sexuais, terem um filho fora do casamento, a morte da mãe, um defeito físico ...

Ler mais em El País…

Proselitismo católico nas escolas públicas. Pulseiras das aulas de religião católica

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Umas vezes são colocadas aos alunos, outras enviadas aos pais. No primeiro caso é um abuso lamentável num país laico.

Frases de Américo Tomás

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Frases de Américo Tomás (Cont.)

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Factos & documentos

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Isto não é um Governo, é uma associação de compadres

Factos & documentos

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Durão Barroso – De Mao a pior

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Alvo de todas as críticas, muitas por mérito próprio, algumas injustas, Durão Barroso revelou-se um líder incapaz de resolver as contradições que dilaceram a Europa.

No início do primeiro mandato desgastou-se com a obsessão de manter o comissário Rocco Buttiglione, um emissário da Santa Sé e protegido de Berlusconi. Depois foi a funesta presidência do Reino Unido, com um pé fora e outro dentro da União Europeia, à beira de desencadear uma crise orçamental e arruinar definitivamente a sua imagem.

Há anos à frente da Comissão Europeia (CE), após deixar o País em crise e um Governo de que os portugueses rapidamente se desiludiram, Barroso não tem razões para exultar como líder da Comissão Europeia.

Bush, Blair, Aznar e Berlusconi facilitaram-lhe a fuga, mas tornaram-se apoios cada vez mais comprometedores e cada vez menos recomendáveis.

Ao presidente da Comissão Europeia não basta o orgulho na invasão do Iraque. Assim, Barroso já apeou Jacques Santer do lugar de o mais irrelevante dos p…

Sílvio Berlusconi, Ruby e os juízes

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Há dezenas de razões que deviam levar Berlusconi à cadeia, e muitas para o impedirem de ser primeiro-ministro, mas sete anos e meio de prisão pelo suposto envolvimento com Ruby (na foto) e a interdição perpétua para exercer cargos públicos , no âmbito do caso "Rubygate", longe de me alegrarem, deixam-me preocupado com a Justiça.

Berlusconi é um produto exótico da Itália, com a maior das fortuna e o domínio sobre os órgãos de comunicação social, mas não foi a fuga ao fisco nem a forma como adquiriu a riqueza que foram objeto da sentença. Sim, chamo-lhe vingança porque não foi o crime repugnante que foi julgado e nem uma só das razões que justificariam a dura sentença estiveram na base da decisão segundo a notícia que agora me chega.

Por ter seduzido a jovem que «só» tinha 17 anos, não se sabe em que número sequencial da lista de clientes, e lhe proporcionou o trofeu de acrescentar ao rol o primeiro-ministro de Itália, não é motivo para tão excessiva pena.

Berlusconi pode ser…

O bispo da Guarda e a sexualidade

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Segundo o JN, de ontem, o bispo Manuel Felício, quis silenciar um caso de pedofilia que tinha como suspeito o padre Luís Mendes, vice-reitor do seminário do Fundão e que só a PJ afastou dos alunos, detendo-o.
O bispo emérito da Guarda, António dos Santos, foi alvo de uma reação violenta da sua antiga diocese pois chamou imprudente ao padre Luís, porque «se deitava com alunos». O sucessor não se conteve e questionou a sanidade do bispo emérito, tendo declarado que «o seu estado de saúde  está gravemente afetado» e que “qualquer declaração por ele prestada ou que venha a prestar (…) carece de fundamento e só pode ser atribuída a boatos”  –  segundo o comunicado episcopal.
Apesar das numerosas denúncias e provas que o incriminavam, o JN revela nas páginas 12 e 13, em artigo do jornalista Nelson Morais, que o atual bispo – segundo a mãe de uma vítima –, ficou zangado com a denúncia feita por ela à PJ. Em suma, teria querido abafar o caso sem preocupação com o sofrimento das crianças.
O a…

Reforma administrativa, regionalização e referendos

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Depois da maquiavélica proposta de Marcelo Rebelo de Sousa e do exótico mapa das nove regiões, apresentado por António Guterres, um imperativo constitucional – a Regionalização –, converteu-se num impasse, refém de novo referendo.

A escassa votação, sem valor vinculatório, mostrou que o referendo é o instrumento democrático ideal para adiar decisões, como se viu, igualmente, no caso do aborto.

Se os políticos puderam, no passado, fugir ao ónus de decisões melindrosas através do recurso ao referendo, transferindo a decisão para o eleitorado, no futuro arriscam-se a ser julgados pela incapacidade de decidir e pela falta de coragem para assumir riscos.

As eleições legislativas não se destinam a escolher quem convoca referendos mas quem governa e delibera de acordo com o programa eleitoral proposto. Doutro modo, o País fica à mercê de manobras dilatórias e maiorias conjunturais de geometria variável.

A componente técnica de muitas decisões – a regionalização é uma delas –, recomenda que …

A troika e o mexilhão…

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Um recente artigo no El País faz a análise das já indisfarçáveis ‘desavenças’ no seio da troika. link.
O 'desacordo' terá crescido ao redor de uma questão aparentemente técnica, i. e., da reestruturação da dívida grega, mas ‘incomodidades’ do mesmo tipo, estilo e, inevitavelmente, de índole política, contaminaram - essencialmente em termos de segurança e confiança - outros países europeus sob assistência financeira (Portugal, Irlanda e mais recentemente Chipre). Portanto, o ‘pomo da discórdia’ é o modelo de resgate considerado altamente recessivo, na avaliação de muitos analistas (políticos e económicos) europeus, acrescido, no entender do FMI, do protelar da reestruturação das dívidas dos países em dificuldades, situação que seria um problema transversal, logo, a encarar ‘à cabeça’ de todos os resgates.
Existe uma convicção cada vez mais forte nos meios político-financeiros comunitários que o resgate grego ‘não funciona’ (a Grécia vai no 4º. ano consecutivo de recessão e mo…

O PS e o mapa das freguesias

António José Seguro aproveitou a Convenção Nacional Autárquica para prometer a revogação da lei que extinguiu algumas freguesias.

Se há crítica que a este Governo se pode fazer, na Reforma Administrativa, é a timidez que a envolveu, perante os ataques e o oportunismo dos partidos esquerda. A fusão de concelhos e freguesias, sobretudo na zona do litoral e, particularmente, nas Regiões Autónomas, em especial, na Madeira, foi uma oportunidade perdida onde as oposições fizeram o contrário do que deviam. O apoio ao Governo que, nesse caso, não traía nenhuma promessa eleitoral, teria sido útil e patriótico.

O regresso ao mapa autárquico anterior, sem a apresentação de uma alternativa credível, necessariamente mais vigorosa, é um ato que me causa desconfiança na atual liderança do PS e que não me motiva para lhe confiar o voto.

Bem sei que as promessas eleitorais raramente se cumprem mas, se é o caso,  estamos perante uma lamentável demagogia que contribui para o desprezo progressivo de que …

11º MANDAMENTO: NÃO CONTESTARÁS!

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O menino-prodígio do governo, Professor Doutor Poiares Maduro, que tem em excesso as habilitações académicas que o seu antecessor no Ministério da Propaganda, Miguel Relvas, tinha de menos, e que, tal como o “sábio” Gaspar, “não foi eleito coisíssima nenhuma”, produziu há dias esta doutíssima reflexão: “Um dos grandes problemas em Portugal é que tudo é contestado”.

A “contestação” é assim, para Sua Dogmática Sumidade, a mãe de todos os males.

Não está sozinho o Maduro nesta sua aversão à contestação. Já há largos meses, como então aqui comentámos, Sua Eminência o Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa, na sequência das grandiosas manifestações populares de 15 de Setembro passado, pregava às suas ovelhas em Fátima: “Não se resolve nada contestando”.

A direita é e sempre foi assim. Não tem emenda. Juntam-se, para excomungar a diabólica “contestação”, o “Trono” (salvo seja) e o Altar.

Reunião pia do Conselho de Ministros

O Conselho de Ministros reuniu ontem no mosteiro de Alcobaça. Onde antes havia silêncio, ouviram-se assobios e vaias. Perante o desespero do país e a incapacidade dos governantes, só lhes resta rezar e, para isso, nada melhor do que um convento.

A clausura devia ser o destino obrigatório do bando.

Manuel Louzã Henriques – uma referência nacional

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O convite da editora Lápis de Memórias e das autoras Manuela Cruzeiro e Teresa Carreiro foi aceite por mais gente do que o auditório do Conservatório da Música, em Coimbra, comportava. Não havia lugares sentados para todos mas ninguém se afastou.
O livro «Manuel Louzã Henriques – Algures Com Meu(s) Irmão(s)», cujas 460 páginas ficarão para ler nos próximos dias, foi o pretexto para a grandiosa homenagem ao mais avesso dos cidadãos a homenagens ou veneras.
Centenas de amigos vieram, de todo o país, abraçar o velho comunista, o preso político a quem a ditadura impediu uma carreira universitária e a democracia jamais ressarciu, e abraçar um homem como já não há.
Louzã Henriques é uma personalidade de rara dimensão ética e cultural, de inexcedível coragem cívica e grandeza humana. Foram muitas as cumplicidades que, à falsa fé, ali levaram o médico psiquiatra, escritor, político, homem eclético que mergulhou no povo a raiz de uma insuperável cultura.
Raros foram os homens deste país, no ú…

Poiares Maduro: mais um erro de casting?

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Uma economia mais competitiva, maior mobilidade e coesão social são os objetivos do Governo para os próximos dois anos, disse, este sábado, o ministro Adjunto e do Desenvolvimento, afirmando que há condições para "oferecer esperança" aos portugueses. link
É preciso muita desfaçatez! Perante a profunda e longa espiral recessiva que nos tange e uma taxa de desemprego recorde (próxima dos 19%) este paleio só pode sair da boca de um lunático.
Vamos acreditar que foi mais um erro de casting porque as outras hipóteses são (todas) piores.

BRASIL II – Dilma direcciona ‘royalties’…

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Na sequência das expressivas manifestações que ‘encheram’ o Brasil de lés a lés, a presidente Dilma Roussef, dirigiu-se à nação para anunciar um “grande pacto em torno da melhoria dos serviços públicos”. link.
Esta declaração constitui na sua essência a prova de enorme maturidade democrática do Governo brasileiro mostrando como ‘a rua’ pode e deve ser ouvida, sem que o poder perca a sua honra, dignidade e legitimidade. Na verdade, foi possível e importante retirar dos ‘sobressaltos’ sociais as devidas consequências e partir dá tentar colocar ordem na casa.
Na declaração de ontem, a pedra de toque é a brutal inversão (clarificação) político-económica sobre a afectação da totalidade das royalties do petróleo à Educação facto que se reveste da maior importância para os brasileiros. Trata-se de uma medida distributiva fulcral para o futuro do Brasil. Será também - é preciso ter a percepção antecipada – uma medida que será duramente criticada pela falange neoliberal brasileira que desde o…

Seara dá o dito por não dito

Seara, que tinha afirmado desistir da candidatura à Câmara de Lisboa, se a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa lhe fosse desfavorável, mantém-se candidato e pressiona Tribunal Constitucional.

A coerência de Seara está em linha com o comportamento da direita no desrespeito pela independência dos tribunais.

Especialista em futebol, o candidato é como a bola. Não tem ponta por onde se pegue. O candidato iminente não é um eminente candidato.

Considerações sobre a liberdade

Caros leitores, amigos e adversários

Parafraseando Pessoa, a agenda do Ponte Europa é não ter agenda. É o diário de cidadãos que julgam que a liberdade é um direito e a superstição deve ser afrontada. Há reclamações, mas raramente se perdem amigos e, muitas vezes, ganham-se outros.

Liberdade religiosa ou política é o direito de ser a favor, indiferente ou contra. Não é o simples direito à genuflexão, ao beija-mão ou ao dobrar da espinha. Quem se rege pelos dogmas acaba de joelhos ou de rastos, a lamber o chão ou o chispe do líder.

A liturgia da fé é a «ordem unida» dos exércitos, um exercício que nos leva a abdicar da razão, trocada pelo hábito. É preferível ficar com os calcanhares feridos do que acertar o passo ao compasso do tambor ou à litania da Igreja.

A liberdade conquista-se quando conseguimos dizer não ao caminho que rejeitamos, às ideias de que discordamos e aos símbolos que repudiamos. E, quando formos livres, aí dar-nos-emos conta que só atingiremos a liberdade quando a co…

A tragédia das verdades únicas

Trinta e um anos de ditadura, quatro anos e 4 dias de tropa, com 26 meses de desterro em Moçambique, na guerra colonial, moldaram o homem que sou e a compreensão de que me sinto capaz, contra as aparências.

Não me surpreendem os homens e as mulheres que pensam o contrário do que eu penso, mas não aceito o pensamento que nega a expressão ao entendimento oposto e combato o que oponha ao direito de quem discorda de mim.

Não há verdades absolutas e, por isso, só o maniqueísmo pode defender a verdade única de uma religião, de um partido político ou de uma corrente filosófica. Na Matemática e na Física as verdades são elaboradas a partir dos factos e postas em dúvida por método. Na ciência tudo é verdade até prova em contrário. Na fé, a verdade é eterna e imutável ainda que todos os factos a desmintam. Por isso, os cientistas andam sempre carregados de dúvidas enquanto os crentes vivem cheios de certezas.

Não há regime político, partido, credo ou tradição que mereça respeito se não aceitar …

BRASIL: manifestações, transportes & futebol...

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As manifestações que nos últimos dias têm assolado o Brasil, têm intrincadas e complexas motivações, mas não será ousado enquadrá-la na gritante assimetria que alguns dados divulgados por diversos meios de comunicação e organizações internacionais salientam: trata-se da 7ª. (sexta?) maior economia do mundo em manifesto contraste com um PIB nominal per capita colocado no 54º lugar (à volta dos 12.789 dólares link). Para termos uma noção mais real da amplitude destes desequilíbrios basta, por exemplo, constatar que no capítulo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) ocupa a 84ª. posição no panorama mundial (global).
Ao olharmos os dados publicados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) link apercebermo-nos de uma realidade muito distante da orgulhosa euforia gerada à volta de um espectacular desenvolvimento económico.
Esta iníqua situação encontra-se inserida num vasto contexto económico e social em que se verificaram, nos últimos anos, alterações graduais em algun…

A Irmandade Muçulmana é o rastilho de um confronto

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A Irmandade Muçulmana não é, na aparência, diferente da Cáritas ou da Conferência de S. Vicente de Paula mas, na realidade, é um instrumento do proselitismo islâmico com uma agenda de domínio à escala mundial.
Não significa que as Igrejas cristãs não tenham igual intenção, mas falta-lhes a violência que o Islão conserva e o apoio das ditaduras que em terras de Maomé assumem a forma de teocracias.
A Europa e os EUA têm uma notável tendência para a asneira e uma cobarde tolerância com o desrespeito dos direitos humanos, quando praticados sob os auspícios da religião. A decapitação por heresia, a lapidação por adultério, as vergastadas por tradição pia, em praças públicas, ou a excisão do clitóris em meninas, passam por hábitos culturais que o contexto islâmico em que ocorrem torna tolerável.
Desde que Ergodan tomou o poder, de forma democrática – diga-se –, que o processo de reislamização da Turquia não parou. É o «irmão muçulmano» alcunhado de moderado, um ditador que a União Europei…

Vaticano reconhece segundo milagre de João Paulo II

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«Em abril, os médicos do Vaticano reconheceram a cura inexplicável de uma mulher.»
Julgava-se que, com o papa Francisco, chegara ao Vaticano uma pessoa normal, que não podendo evitar o lóbi gay e a corrupção que o aguardavam, poderia ainda suspender os milagres já preparados para a indústria da santidade.
É um truísmo banal afirmar que «o que pode ser afirmado sem provas, pode igualmente negar-se sem provas», mas surpreende que no século atual ainda se inventem milagres para alimentar o comércio da fé.
Quando «a cura inexplicável de uma mulher» se transforma em milagre e se descobre logo o autor, há uma boa dose de superstição ou uma deliberada encenação do embuste.
Esqueçamos o Papa que perseguiu os teólogos da libertação, que os reduziu ao silêncio e que deixou à solta a Opus Dei, o negócio dos milagres e o encobrimento dos casos de pedofilia. Fica ainda a cumplicidade com Reagan e a proteção a Pinochet, cujos crimes silenciou ao contrário dos esforços para lhe evitar o julgamento. …

No Jardim Botânico Tropical, de Lisboa

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Ontem, Cavaco Silva e a imprescindível prótese, Maria Cavaco Silva, plantaram uma árvore, «pela importância da árvore na história da República» cuja abolição do feriado promulgou.

Disse que já plantou «dezenas de árvores» e abriu «dezenas de covas», sendo novidade a primeira confidência.

Escusava de se ter declarado especialista na abertura de covas que os atos falam por si. Certamente que as árvores ficaram bem presas pois as covas abertas pelo agricultor são buracos donde nunca se sai. É inegável a sua vocação para coveiro.

Ninguém defende Cavaco Silva e Passos Coelho

Ontem a SIC foi cruel para com o casal Aníbal/Maria Cavaco. Não é justo explorar a decadência física e intelectual, com imagens de primeiro plano e frases de medíocre qualidade. A televisão tem obrigação, não de negar a informação, mas de, na esteira de Isabel Jonet, se dicar à caridade. Aquele casal de agricultores foi um erro de casting que não pode repetir-se para preservar um módico de dignidade da função presidencial.

Até Rafael Trujillo, o despótico ditador, que exerceu o poder na República Dominicana, de 1930 a 1961, diretamente ou por intermédio de um títere seu, numa sangrenta tirania apoiada pela ditadura militar, teve quem o defendesse. Trujillo foi um dos mais sinistros ditadores de sempre e, mesmo assim, o presidente Truman defendeu-o.

Um dia, perante a defesa que Harry S. Truman, o 33º presidente dos EUA, fez de Rafael Trujillo, um dos seus colaboradores, lembrou-lhe que o seu protegido era um filho da puta, ao que o presidente americano respondeu: «mas é o nosso filho d…

Chipre: questão premente e inquietante…

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A oportuna, crítica e desafiadora cartalink do Presidente cipriota Nicos Anastasiade (um homem do ‘bloco do Partido Popular Europeulink) à Troika (FMI, UE e BCE) é um lúcido, responsável e fundamentado apelo - desafio - à (re)ponderação acerca dos ‘resgates’ nos Países europeus do Sul ou o prenúncio (anúncio) da saída do Chipre da UE?

Passos Coelho, Nero, Homero e Ulisses

“Um homem, à força de lhe dizerem que é tolo, acredita e, à força de repeti-lo a si mesmo, faz com que o seja”. Creio que foi Pascal quem escreveu a frase que, por obra do acaso, não esqueci e, por felicidade, me ajuda a compreender o primeiro-ministro.

Não funciona substituindo «tolo» por «sobredotado» mas, quando PPC foi candidato a líder do PSD, eram muitos a louvar-lhe as banalidades. Depois, o prestígio do cargo de PM teve o condão de fazer as tolices parecerem desígnios de um génio. Não demorou a queda do figurante, desolando o séquito dos habituais sebastianistas que julgavam ter encontrado num inepto um predestinado.

Cedo se revelaram bagatelas as frases do incompetente governante e erros grosseiros as decisões do bando que atuava ao som do refrão «custe o que custar».

Passos Coelho a insistir no «custe o que custar» lembra o imperador Nero a fazer versos e a recitá-los perante a aclamação dos convidados para os lautos banquetes romanos. Só não teve a sorte de Nero, a quem um …

O Irão e a vitória de um islamita «moderado»

Irão – O fantasma  que persegue Rohani (Dn, hoje, pág. 25»
O novo presidente do Irão, o muçulmano «moderado», Hassan Rohani, há de recordar toda a vida o suicídio do filho mais velho, de 20 anos, em 1992, por causa da carta que ele lhe deixou.
A carta foi publicada no jornal «Al-Sharq al-Awsat», sediado em Londres e propriedade do exilado iraniano e comentador político Ali Reza Nori. Dizia o filho de Rohani:
«Odeio o seu governo, as suas mentiras, a sua corrupção, a sua religião, as suas duas caras, a sua hipocrisia». (…)
«Tenho vergonha de viver num ambiente em que sou forçado a mentir aos meus amigos diariamente, a dizer-lhe que o meu pai não faz parte de tudo isto. A dizer-lhes que o meu pai ama a sua nação, embora eu acredite que isto não é verdade. Enoja-me vê-lo, meu pai, a beijar a mão de Khamenei.»

Para memória futura. As frases sobre Durão Barroso

Sobre Durão Barroso

As frases:

1 – «A França defende que as políticas públicas da cultura devem corrigir as falhas do mercado. Para Barroso, isso são ideias "reaccionárias". Na verdade, o presidente da CE prefere manter uma relação religiosa com a ideia do mercado livre. A mesma religião que tem servido bem a sua ambição, mas muito mal Portugal e a Europa, levando a Zona Euro a esta agonia da austeridade, capaz de a precipitar no caos da fragmentação. Não acontece sempre, mas desta vez "grandeza da França" coincide com a defesa da grandeza espiritual da Europa».

In DN, hoje – Sonhos europeus, por VIRIATO SOROMENHO MARQUES

2 – «Desde há oito anos, o presidente da Comissão [Europeia] tem-se distinguido pela sua maleabilidade. Defensor de pequenos estados quando era primeiro-ministro de Portugal, liberal aquando da sua nomeação para Bruxelas antes da crise de 2008, sarkozista sob a presidência de Nicolas Sarkozy, incapaz, desde então, da menor iniciativa política para…

Cavaco e o seu Governo

Na pressa de ajudar o seu Governo, o Presidente da República garantiu esta terça-feira que dará “prioridade” ao diploma que estabelece a reposição do subsídio de férias à Administração Pública e pensionistas em Novembro ou Dezembro. O diploma já chegou a Belém.

Portugal não segue o caminho da Grécia

É a Grécia que segue o caminho de Portugal.

O Governo grego inspirado no português desprezou a decisão dos Tribunais e mantém a televisão fechada. Quem disse que a civilização veio da Grécia? É Portugal que caminha na vanguarda da marginalidade a caminho de um Estado pária.

A censura salazarista e uma interessante iniciativa em Coimbra

A censura foi uma da armas utilizadas por Salazar para manietar quem pensasse de forma diferente.
A patente não lhe cabe, todos sabemos que as práticas censórias em Portugal têm historial digno de monta.
Mas o ditador foi exímio na mordaça de um povo.

Os governos civis faziam, logicamente, parte da engrenagem censória.
Neste espaço, lugar para a publicação de documentos relacionados com a censura, intervenção a cargo do Governo Civil de Coimbra.

PARA SABER MAIS:

Historietas da censura salazarista

ERT e o doloroso ajuste (de contas) grego…

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A reabertura da radiotelevisão pública grega (ERT) determinada – pelo menos até Setembro – pelo Conselho de Estado Grego link parece, à primeira vista, ter adiado a crise política que regressou à Grécia. Mas todos os ingredientes da crise política continuam presentes e são indisfarçáveis.
O intempestivo (violento) fecho da estação oficial grega ao que transpareceu solitariamente ordenado por Antonis Samaras, gerou tamanho desconforto político aos actuais parceiros da coligação governamental que a fez ‘tremer’. Interessa perceber quais as motivações para o chefe do Governo agir tão ‘descuidadamente’.
Desde logo uma postura de obediência cega às ordens e desejos da troika. Trata-se de um Governo disposto a fazer tudo para receber a próxima ‘tranche’ do programa de assistência financeira em curso (outros há que pretendem fazer mais). Não será um caso isolado na Europa. Mas, mesmo para os acomodados defensores deste processo de aviltamento, a subserviência tem limites. E eles foram de…

Para pensar....

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Prostituição política ou erro de casting?

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‘Utilise-moi pendant le temps qui te convient et convient à ton action et à ton casting’… Le Monde, carta de ‘fidelidade’ de Christine Lagarde a Nicholas Sarkozylink
Este um naco de nauseabunda prosa da actual ‘patroa’ daquele organismo internacional que periodicamente envia emissários  para nos avaliar e impor medidas de ‘ajustamento’.
Para quem a senhora estará a ser ‘útil’ neste momento?
E quem serão os seus actuais ‘utilizadores’?
Onde começa e acaba o 'casting' ?

O papa faz humor com o perigo que corre

Durante a visita da delegação venezuelana ao Vaticano, o membro da comitiva, Carmen Melendez, almirante da Marinha de Guerra, pediu ao Papa autorização para lhe beijar o anel. Enquanto decorria o ato de subserviência, o Papa pediu-lhe: «reze por mim, mas reze a favor e não contra».

Claro que foi um ato de humor, mas o Papa Francisco sabe que quem crê nas orações é bem capaz de rezar contra!

A impunidade dos crimes do franquismo

Há um único tipo de crimes cuja investigação está bloqueada em Espanha e que não se permite a outros países que os investiguem – os crimes cometidos pelo franquismo. São crimes contra a Humanidade que a Amnistia Internacional procura investigar mas que a decisão do Supremo Tribunal tornou ainda mais difícil.
Este Tribunal, onde o franquismo é a luz que o ilumina, já declarou em acórdão que não cabe aos juízes espanhóis julgar tais crimes. Aliás, foram provas reunidas pelo excelso juiz Baltasar Garzon que levaram ao seu afastamento da magistratura.
Os filhos do franquismo dominam tribunais e numerosos centros do poder em Espanha. O PP está cheio de cúmplices, de Aznar a pequenos tiranos regionais. A Igreja, através dos bispos, particularmente do cardeal Rouco Varela, espuma de raiva quando vê o seu passado devassado e a sua cumplicidade exposta.
O presidente da Amnistia Internacional em Espanha, Esteban Beltrán, garantiu hoje, ao apresentar o relatório «Otempo passa, a impunidade perm…

A Turquia nas mãos de muçulmanos ditos moderados

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Pio IX dizia que o catolicismo era incompatível com a democracia mas, por virtude da segunda, foi desmentido. Não foram os papas que outorgaram a liberdade, esta impôs-se nos países moldados pelo Iluminismo, a Reforma e a Revolução Francesa.

No Islão jamais foi feita a prova de que a liberdade e a fé podiam coexistir. Não são os islamitas que são perigosos, são os fundamentos do Islão. O Corão apela à guerra santa e ao extermínio dos infiéis como sucede com todas as doutrinas totalitárias, com todos as religiões que se julgam as únicas empresas de transportes autorizadas a circular nas estradas que conduzem ao Paraíso.

A eleição de Abdullah Gul, em 2007, para Presidente da República foi uma afronta aos setores laicos e progressistas da Turquia moderna, especialmente aos militares e juízes, que sustentavam a laicidade imposta pela figura tutelar da Turquia moderna – Kemal Atatürk. Foi também a grande vitória do pio Erdoğan, primeiro-ministro desde 1954.

Como não há democracias militar…

A extinção do serviço militar obrigatório (SMO)

Confesso que fiquei satisfeito com a aprovação norueguesa do serviço militar obrigatório para ambos sexos, ocorrida na última semana, decisão pela qual, em devido tempo, ingloriamente me bati.

Os partidos, com a honrosa exceção do PCP, cederam às juventudes partidárias. Foi enternecedor ver a euforia da Mocidade do CDS com a vitória, que não se percebia se era o ódio às FA, por terem libertado Portugal da ditadura, ou a alegria por não terem de lutar na guerra que nunca viram como injusta, criminosa e antecipadamente perdida. As juventudes do PSD e do PS também exultaram, mas sem a mácula colonialista evidente.

Quando terminou a guerra colonial, as Forças Armadas, democratizadas, tinham todas as condições para se transformarem na referência cívica do país, incubadora das forças policiais da GNR e PSP e respetiva escola de quadros. Bastava que o SMO tivesse sido mantido, alargado a mulheres, e dimensionado, de acordo com as necessidades do País.

As FA seriam um instrumento da unidade n…