CONSELHO EUROPEU: e a saga continua…


O Conselho Europeu continua a trilhar a habitual senda de ocultar a realidade, promover medidas pontuais e, na prática, contemporizar com o agravamento da situação vivida no espaço europeu.

Ontem, mais uma decisão no sentido de combater o desemprego jovem link. Sem dúvida que este tipo de desemprego é gravíssimo para o futuro da UE. Poderemos até dizer que hipoteca o futuro da Europa. Todavia, é uma parte do problema não devendo ser considerado como um mero acidente. Na UE, existem neste momento cerca de 23 milhões de desempregados, 16 milhões dos quais referentes aos 17 países que integram a zona euro. link. Deste brutal ‘volume’ de desempregados 6 milhões referem-se a jovens com menos de 25 anos link.

O problema ‘geral’ - para o comum dos cidadãos - é a iniludível constatação de que todos os ajustamentos programados e efectuados, de que todas as reformas ‘estruturais’ encetadas, carregam no seu bojo um insuportável, maquiavélico e deliberado custo: a brutal extinção de postos de trabalho, decorrente dos efeitos recessivos dessas políticas.
Não existe ao nível das instituições europeias um mínimo de coerência, uma réstia de dignidade e a mais pequena migalha de vontade para ‘arrepiar’ caminho. A admissão do tremendo fracasso destas políticas e a incapacidade de gizar uma estratégia de acção em conformidade, 'virou' tabu.
O actual Conselho Europeu não passa de mais uma oportunidade perdida no enfrentar da crise com realismo, determinação e resultados. A repetitiva ‘política de remendos’ que vem sendo seguida, quase sempre com bastante atraso, continua a expor a Europa, e dentro dela, os países mais débeis economicamente, à desmesurada ganância e às manobras especulativas dos mercados, entidade mítica e abstracta que parece presidir às reuniões deste grupo de Países em Bruxelas.

Ontem, se alguma coisa avançou – e talvez não – foi uma confusa e atribulada ‘União Bancárialink que, como seria de prever, foi concebida à medida de Berlim e não poderá nem deverá atrapalhar a Srª. Merkel, neste momento, em plena campanha eleitoral.

A imagem que se tenta ‘vender’ é que o desemprego sendo consequência dos ajustamentos - ditados por opções político-ideológicas – é um acidente colateral imprevisível. Não é assim e todos nos apercebemos que chegamos aqui porque conscientemente e  antecipadamente se tomaram decisões à volta da capacidade 'regeneradora de uma brutal e cega austeridade. Facto que - não tendo corrigido o pretendido (nem défice público, nem dívida) - induziu uma espiral recessiva a caminho de uma depressão económica irreversível. O resultado está a vista: um brutal empobrecimento do Países e das pessoas, falências em sérir e uma legião de desempregados e de desiludidos a caminho do desespero.

O Conselho Europeu prossegue na intenção de navegar nas águas turvas do imediatismo político-eleitoral e na laboriosa obsessão de tentar impor políticas que a realidade (e os resultados) demonstra, no dia-a-dia, estarem completamente desadequadas, melhor, erradas. A prossecução desta via deve ser entendida como criminosa. Face aos resultados que estão à vista não é possível aplicar outro termo.

O último Conselho Europeu (27 e 28 de Junho) irá debruçar-se sobre a problemática do desemprego jovem link porque a situação laboral desde estrato populacional tornou-se uma questão gritante na visualização do fracasso das políticas europeias e ameaça – de imediato – a estabilidade social. Não existe outro leitmotiv.
Ao olhar para os problemas globais deste modo segmentar o Conselho Europeu tenta varrer para debaixo do tapete o grosso deste exército de desempregados nomeadamente os maiores de 40 anos. Situação que (a referida instituição) não tardará a apresentar – dentro da sua filosofia de resposta - como uma situação ‘estrutural’, de ‘longa duração’ e, quiçá, ‘definitiva’. E a justificação é recorrente: os erros cometidos no passado. Como se - no presente - os erros não fossem constantes, os resultados contraproducentes e as decisões eivadas de uma confrangedora irresponsabilidade.

Será que ninguém nestes sucessivos Conselhos Europeus saberá que não vai ser possível viver em paz e com dignidade neste espaço europeu se a expectativa de ter um trabalho, de construir um futuro, de aceder a padrões mínimos bem-estar, for continuamente dinamitada por (in)decisões dolosas, adiamentos e perversões?

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