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A mostrar mensagens de Junho, 2017

Incêndios

Primeiro foi a hora dos incêndios, do terror e da indizível tragédia da perda de vidas humanas.

Agora chegou a hora dos chacais, necrófagos por natureza, que já estão no terreno a disputar os despojos da morte.

Não é a fome que os atrai, é o odor dos cadáveres.

Os sistemas partidários e a democracia

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A democracia não é um regime político aliciante, exceto no rescaldo das ditaduras. Só quando a discricionariedade do poder, as perseguições e o nepotismo se prolongam por demasiado tempo, é que a democracia é saudada em apoteose.

Portugal teve um longo e penoso período ditatorial, mas se não fosse a derrota militar na guerra colonial e a coragem dos capitães de Abril, ainda perduraria por alguns anos.

Hoje, depois de notáveis avanços, raros na História portuguesa, na saúde, na educação e na esperança de vida, a acentuação das desigualdades sociais, a exclusão de sectores da população do emprego e do bem-estar, fazem esquecer as prisões arbitrárias, os delitos de opinião, a censura, a tortura, as perseguições políticas e a intolerável discriminação da mulher.

Não podemos, no entanto, conformar-nos com a corrupção, cuja denúncia só é possível em democracia, nem com as desigualdades sociais de um país onde é sempre difícil um aumento de alguns euros no vencimento mínimo sem que o Estado …

Um crime é isso mesmo

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A moldura penal de um crime inclui a sua natureza e motivações. O ódio sectário que se verifica em numerosos atentados tem motivações xenófobas, fatalmente agravadoras das penas que cabem aos criminosos.

Os crimes dos muçulmanos que se explodem e arrastam consigo os infiéis, convencidos de que vão jantar com o Profeta, depois de fazerem a catarse da repressão sexual que os consume em vida, com as 72 virgens que o manual lhes anuncia e um demente pregador lhes confirma, têm sido largamente divulgados na comunicação social.

A dissimulação com que os arautos do misericordioso profeta falam da religião de paz, como se tivesse havido uma tentativa séria de alterar a interpretação de um conjunto de versículos intoleráveis do manual ou de hadits do beduíno analfabeto, não contribui para conter a insânia de quem não se limita a acreditar e exige a conversão alheia.

A entrevista dada há dias pelo presidente turco à RTP-1, a Paulo Dentinho, é um manual de descaramento e disfarce da cobra que e…

Eucaliptos da nossa desgraça

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Vale a pena recordar o Público de 19 de março de 2016 para perceber que os acusadores de hoje são os que procuram esconder as suas responsabilidades.

Afinal, Fátima só promove o obscurantismo...

Segundo a Universidade Católica Portuguesa, os católicos têm estado a diminuir, em Portugal:
- «Este trabalho revelou que de 1999 a 2011 os católicos diminuíram 7,4% passando de 86,9% da população para 79,5%.»

- «Ao contrário da tendência de diminuição de católicos, duplicou a percentagem de pessoas com uma religião diferente da católica (2,7% em 1999 para 5,7% em 2011), assim como cresceu o número de pessoas sem qualquer religião (de 8,2% para 13,2%), um aumento que se sentiu em todas as categorias: os indiferentes passaram de 1,7% para 3,2%, os agnósticos de 1,7% para 2,2% e os ateus de 2,7% para 4,1%.»

- «A autonomia face às religiões é o traço mais saliente juntando os que sublinham como "não concordo com a doutrina de nenhuma igreja ou religião" (32,7% dos casos), "não concordo com as regras morais das igrejas e religiões" (22,2%), e "prefere ser independente face às normais e práticas de uma religião" (21,1%).»

- «Os investigadores descobriram ainda…

Os incêndios e a nossa angústia

Sei que sou injusto para com a ministra da Administração Interna, aparentemente sem dormir e no limite do sacrifício que as funções impõem, mas a política tem uma lógica que ultrapassa os olhos cansados, a abnegação e o sofrimento pessoal de quem está no vértice do comando do combate ao fogo (no duplo sentido) que lavra.

Sei que a meteorologia, o desordenamento florestal, o abandono agrícola, os interesses das empresas de celulose, que reduziram a floresta a pinheiros e eucaliptos, e a incúria, se conjugaram na tragédia dos incêndios que cada ano ameaçam ser mais devastadores.

Sei que enquanto sangram as feridas, o país arde e o luto continua impossível de fazer, é de contenção o momento, e silenciosa deve ser a frustração.

Sei que no fingimento da reforma administrativa, cada vez mais urgente e impossível, se extinguiram os governadores civis, os responsáveis pela proteção civil distrital que, em caso de catástrofe, coordenavam todos os meios, e que as funções estão hoje sem titular,…

A França e as eleições legislativas

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Um sistema eleitoral desenhado para favorecer a exclusividade da alternância ao PS francês e à direita (republicana e gaulista) conduziu à humilhação da direita tradicional e ao apagamento do PS.

A vitória esmagadora de Macron, alicerçada na sua imagem e na animosidade contra os partidos, tem proporções que levarão à asfixia do movimento, sem tradições e coerência doutrinária.

Não tardará que as contradições internas criem clivagens e que a oposição se torne cada vez mais eficaz nas ruas do que no Parlamento.

A agenda neoliberal de Macron não encontrará na sociedade francesa uma percentagem maior de apoiantes do que de eleitores que lhe garantiram a gigantesca vitória.

Como ponto positivo, fica o europeísmo convicto de Macron, revelado, aliás, no apoio à Grécia, quando a ministra Maria Luís e o homólogo espanhol se prestaram à vergonhosa vassalagem ao Sr.Wolfgang Schäuble, contra um país com a economia devastada.

Do sistema eleitoral francês retiro dois ensinamentos: 1 – Não impede (…

Pedrógão Grande e Figueiró dos Vinhos

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Quando faltam as palavras e sobram emoções, o silêncio é a única atitude razoável.

A política e os independentes

Não há independentes em política, há indiferentes e dissimulados, sendo estes últimos os que gozam da preferência dos menos politizados.

Nunca fui independente e raramente me identifiquei com qualquer partido, talvez fruto de uma militância frentista que começou em 1961 e terminou em 25 de abril de 1975, data em que me afastei da CDE. Julguei erradamente que já não fazia falta, que bastaria cumprir os meus deveres cívicos, mas não imaginei que regressassem os derrotados em 25 de Abril de 1974.

É por isso que, sem me sentir inferiorizado por estar arredado da militância partidária, procuro intervir pela palavra, dita e escrita, no apoio às posições em que me revejo e no apoio aos partidos de que me sinto mais próximo.

Assisti, nestes 43 anos de democracia, à reabilitação de velhos fascistas, à condecoração de crápulas, à eleição de salazaristas, à humilhação de antifascistas e ao esquecimento de resistentes, para não falar da ostracização dos militares de Abril.

O período cavaquista, n…

Coimbra - há 48 anos (crise de 69)

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Boas notícias

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UNICEF: Portugal lidera em saúde de qualidade e bem-estar das crianças

A posição cimeira é justificada por uma taxa de mortalidade neonatal baixa, uma taxa de suicídio de adolescentes também baixa e poucos casos de crianças entre 11 e 15 anos com problemas psicológicos. Conclusão é do relatório da UNICEF sobre a situação das crianças nos 41 países considerados mais ricos, incluindo os da União Europeia e OCDE.

(Prof. H. Carmona da Mota)

A Frase

«De facto, enquanto organização, a Igreja [católica], se quiser seguir o exemplo de Jesus e não ficar cada vez mais atrasada em relação ao mundo, tem dois problemas fundamentais a resolver: por um lado, a democratização e, por outro, a integração das mulheres, sem discriminação.»

Padre Anselmo Borges, hoje, no DN 

É preciso lembrar...

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Quando se perde a memória, aliena-se a esperança e quando se abdica da Justiça colabora-se na impunidade.


O DN e o embaixador Martins da Cruz

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No dia 10 de junho, o DN ocupou as páginas 12 e 13 com uma entrevista ao embaixador Martins da Cruz cujo interesse e conteúdo cabem ao jornal definir.

A razão da minha estupefação resulta da reincidência do DN em apresentar, no perfil do diplomata, a insólita afirmação, a negrito, «António Martins da Cruz, com menos de 30 anos, foi abrir a embaixada de Portugal em Maputo», afirmação que repete da anterior entrevista do DN (11-02-2017).

Não surpreende a omissão biográfica da demissão de MNE de Durão Barroso, de quem é compadre, na sequência do escândalo da portaria feita à medida da filha, Diana, para a entrada em Medicina, escândalo que tornou insustentável a sua permanência no governo e a do ministro do Ensino Superior, Pedro Lynce, autor da Portaria.

Admito que, para as duas entrevistas, fosse irrelevante ter sido administrador da Afinsa (numismática e filatelia), a terceira maior empresa mundial de ativos não financeiros, logo a seguir à Sotheby's e à Christie's, falida ap…

Triste realidade

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Feira do Livro - LISBOA - Amanhã

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Car@s Amig@s

Amanhã, dia 13, feriado municipal, encontro-me na Feira do Livro de Lisboa, no Stand da Âncora Editora, para uma sessão de autógrafos, entre as 19 e as 21 horas, a fim de promover o meu livro de crónicas «Ponte Europa».

Estarei na Feira, e na proximidade do Stand da Âncora, a partir das 16H00.

Assim, quem quiser e puder aparecer dar-me-á o gosto do encontro e a possibilidade de rever amigos que, de outro modo, não terei oportunidade de encontrar.

Até amanhã.

Pensando em meu pensamento...

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Passos Coelho considera “uma pouca vergonha” que “o homem nomeado pelo Governo” de António Costa para a administração da TAP [Diogo Lacerda] seja quem defendeu o interesse público, negociando o processo de reversão da privatização da transportadora.

Não lhe merecendo reparo a nomeação para chairman da TAP, de Miguel Frasquilho, destacado membro do PSD, partido que quis privatizar tudo, e que constitui a nódoa no novo Conselho de Administração, ainda acrescentou que a nomeação do primeiro “fica tão mal a quem aceita como a quem nomeia”.

Quando a noção de serviço público chega a este extremo, é natural que esqueça os que negociaram as privatizações e foram os escolhidos pelos novos donos para continuarem a assegurar os interesses privados ao serviço dos quais estiveram no seu Governo.

Não é falta de vergonha, é a decadência ética e a ausência de sentido de Estado de quem transformou o Governo numa sucursal dos interesses privados.

As eleições francesas

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Com a fulgurante vitória, na primeira volta das legislativas, Emmanuel Macron assegurou um lugar na História da 5.ª República, cuja arquitetura partidária destruiu.

Independentemente dos resultados da segunda volta, já garantiu a maior vitória de um só partido, com a mais elevada abstenção de sempre.

O Movimento «A República em Marcha» tornou-se o maior ‘partido’ de França, com a implosão do Partido Socialista e a derrota da direita tradicional e da extrema-direita.

A vantagem imediata do PR francês é o seu europeísmo e o facto de poder ser a última esperança para uma UE mais coesa e solidária. O eixo franco-alemão poderá tornar-se o polo federador da verdadeira União, capaz de resistir ao Brexit, aos desvarios de Trump, às ameaças ao euro e à tirania suicida do monetarismo do Sr. Wolfgang Schäuble cuja reforma política é imprescindível e urgente.

A fraqueza de Macron, cuja vitória esmagadora assenta no sistema eleitoral, reside nos sindicatos que serão o único obstáculo ao triunfo o…

Eleições britânicas e as ‘lições inglesas’…

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Provavelmente será mais avisado começar a usar a designação de Inglaterra em detrimento do conceito ‘Reino Unido’. Há fortes indícios que essa expressão poderá ter ficado arrumada no baú das recordações após o ‘Brexit’ e as mais recentes eleições parlamentares daí decorrentes. O histórico desfecho do conflito ocorrido, no início do século XVIII, entre a casa dos Stuarts e a de Hannover e que levou ao Tratado da União, originando a tão influente e ‘imperial’ Grã-Bretanha deixou, no presente de muitos dos cidadãos britânicos, de ter significado. As relações entre a Ilha e a Europa continental foram sempre muito difíceis e conflituosas. Muitos dos confrontos foram traumatizantes e duradouros como é o paradigmático exemplo da ‘guerra dos cem anos’. Grande número desses conflitos teve para além das catastróficas consequências humanitárias um profundo impacto nas evoluções política e institucional dos ‘envolvidos’, quer na Ilha, quer no continente europeu. Na verdade, foi o mais recente d…

A ave e o primata

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Prefira produtos portugueses

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Santos e milagres

Santos e milagres da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR)

Há muito que os bispos diocesanos perderam o alvará para a atribuição da santidade aos defuntos bem-aventurados. O próprio privilégio papal está, na prática, dependente de 1 milagre, para criar um beato, e de um segundo, para criar um santo.

Há um departamento no Vaticano – Sagrada Congregação para as Causas dos Santos –, cujo nome atual é da autoria de João Paulo II, o maior criador de beatos e santos da História da ICAR. Cabe-lhe certificar milagres, que germinam em terras católicas como cogumelos em noites de outono, se a temperatura e a humidade são propícias, e aprovar os resultados sobre o martírio e virtudes heroicas de Servos de Deus.

Depois do avanço da medicina e da farmacologia, os milagres são cada vez mais rascas. Não curam leprosos, coxos ou cegos, e um amputado jamais substitui a prótese por um membro ou um desdentado dispensa a placa, por mais que rezem aos melhores defuntos.

É curioso que os santos mais cel…

As eleições no Reino Unido (RU)

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A grande surpresa das eleições, com que a senhora May desejava reforçar a maioria do Partido Conservador, não foi o seu tropeção, foi a subida do Partido Trabalhista, com Corbyn, um republicano da ala esquerda.

Depois da reconquista da liderança do PSOE, em Espanha, por Pedro Sánchez, contra o aparelho partidário e os barões, e do fulgurante desempenho governamental de António Costa, em Portugal, a morte anunciada da social-democracia parece precipitada.

No Reino Unido, a senhora May, que procurava reforçar o seu poder, tem agora o ajuste de contas dos barões conservadores a complicar-lhe a vida, por ter convocado eleições indesejadas, e, possivelmente, a tentar afastá-la das negociações do Brexit.

As consequências do divórcio entre o RU e a UE são imprevisíveis e adversas para as duas partes, numa altura em que dos EUA se passou a esperar o pior, ou pior ainda, a não se saber o que pode esperar-se.

Garantidamente, estamos a assistir ao Réquiem pela Terceira Via, a essa conivência da…

A frase e a memória

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«Os países que apoiam o terrorismo arriscam-se a ser vítimas dele.»

(Donald Trump sobre os atentados do Estado Islâmico em Teerão)

Os demónios do Inferno islâmico

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O Estado Islâmico da Arábia Saudita faz negócios das arábias com o Tio Sam, agora a comprar a Trump centenas de milhares de milhões de US$, em armamento e assistência futura, e a jurar combater o terrorismo a que destina algumas dessas armas.

A Arábia Saudita, é o maior exportador de petróleo e do sunismo wahhabista, ortodoxo e ultraconservador, presente nos ataques terroristas a nível global, mas o petróleo paga a permanência no Eixo do Bem, e o terror que espalha é esquecido a peso de ouro negro.

O Qatar é um país de 1,9 milhões de habitantes, com apenas 250 mil autóctones, o mais rico per capita, depois de Liechtenstein. Pode dizer-se que é uma potência gasosa (com imensas reservas de gás), e comunga com a Arábia Saudita o ódio às mulheres, o gosto por decapitações, o conceito dos direitos humanos da sharia e o apoio ao terrorismo.

O Qatar e a Arábia Saudita perfilham a mesma fé, o desejo incontrolável de submeter ou liquidar infiéis e o ódio às mulheres, mas conflituaram porque o…

António Gentil Martins e Paulo Rangel

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António Gentil Martins, um destacado cirurgião pediátrico, bastonário da OM, durante quase uma década, e figura de relevo na sociedade portuguesa, foi durante toda a vida um ultraconservador que me habituei a respeitar.
Discordava das suas posições cívicas e políticas porque defendia posições retrógradas, e respeitava-o. Opunha-se à descriminalização do aborto e à eutanásia com intransigente radicalismo, mas exercia o seu direito, tão legítimo como o meu, de sinal contrário.
Até ao dia… até ao dia em que lamentou que a evolução da ecografia levasse à IVG, o que impedia o termo de gravidezes com malformações fetais, nomeadamente de bebés siameses, e impedia o adestramento de cirurgiões para tais cirurgias. O médico que fez cerca de 12 mil cirurgias, salvou imensas vidas e, em sete pares de gémeos siameses que separou, conseguiu a sobrevivência de nove, perdeu, na sua aversão à IVG nos casos de risco de vida da mãe, malformações fetais e violação, a consideração que me mereceu.
Hoje, a faz…

SIC-N

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Anunciada uma entrevista ao primeiro-ministro, foi-nos servido um frente-a-frente entre António Costa e José Gomes Ferreira, sem moderador.

Ganhou António Costa.

Feira do livro - Coimbra (amanhã)

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Durante a feira, a Âncora - Editora tem os seus livros no pavilhão de José Almeida Gomes e Filhos, Ld.ª

Amanhã, das 20H30 às 22H00, estarei presente para autografar o livro de crónicas »Ponte Europa» e cumprimentar os leitores que quiserem e puderem comparecer.

O asno do ano

A frase
«Se existe o direito ao suicídio também existe ao homicídio»
(Paulo Rangel, eurodeputado do PSD, anteontem, no Porto, num debate sobre a eutanásia)

"Se non è vero, è ben trovato."

«Numa entrevista para a imprensa, Kim Jong-Un anunciou que a Coreia do Norte ia enviar um homem ao Sol dentro de 10 anos.

Um repórter argumentou que o Sol era muito quente; como pode um homem pousar no Sol?

A assistência, atordoada ficou em silêncio, mas Kim Jong-Un respondeu:

- Vamos pousar à noite ...

Então, todos se levantaram e aplaudiram freneticamente.

Na Casa Branca, Donald Trump e os seus colaboradores ouviam a conferência de imprensa.

Trump levantou-se e exclamou:

- Que tolo, ele não sabe que não há sol à noite!

Então, todo o seu gabinete se levantou e aplaudiu em delírio.»

Qatar e a 'delação premiada'…

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A notícia que hoje surpreendeu o Mundo foi o corte de relações de 6 países muçulmanos com o Qatar que acusam de financiar o terrorismo link.
A surpresa não reside no facto de os indignados beligerantes se apresentarem como inocentes, quando não existe essa estirpe no Médio Oriente.
A surpresa é outra e diz respeito ao comportamento do grupo de países (todos sunitas) que, orquestrados pela Arábia Saudita, fazem lembrar um episódio de ‘delação premiada’….

Coisas que me chateiam

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«Não gosto que me sequestrem, sei lá, é uma coisa que me chateia.»
(Pinheiro de Azevedo, ex-PM)

Chateia-me que se expludam ao pé de mim, junto de quem partilha os meus valores e o mesmo espaço civilizacional ou de quem quer que seja. Quem goste de se explodir, faça como os bonzos, imole-se sozinho.

Chateia-me que haja quem se julgue superior às mulheres, as lapide e vergaste, lhes confisque as liberdades e as humilhe.

Chateia-me que se ocupem diariamente ruas para manifestações pias e as interrompam à circulação, que me chamem infiel, sabendo o que fazem aos infiéis, que se proíba a carne de porco, a música, a dança ou o álcool, e se decretem o jejum e a abstinência.

Chateia-me o horror às artes plásticas, aos deuses de outros e a outros que não têm deus.

Chateia-me a aceitação da escravatura, da pedofilia, sob o pseudónimo de matrimónio, e da poligamia.

Chateiam-me as agressões conjugais, normalmente do homem à mulher, e chateia-me o homem que agride, e a comunicação social que só h…

May and his (owner) way…

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A estratégia de governação do Partido Conservador britânico, atualmente dirigido por Theresa May, sobre os problemas decorrentes da consolidação do Estado Social, perante o envelhecimento populacional, é repugnante. A chamada ‘taxa da demência’ ('dementia tax') link inscrita no Programa de Governo Conservador pela mão de Theresa May, sob a denominação genérica de U-turn (mudança), causou tanto furor que foi posta em banho-maria, 2 dias após o anúncio. Bem, o banho-maria não é um real ‘U-turn’ mas  fica, desde já, prometida uma discussão pública e o governo – considerando-se mandatado pelos eleitores – fixará os tetos dos copagamentos. Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, desafiou Theresa May a explicitar os ‘limites’ de incidência fiscal a partir dos quais incidirá a taxa link . Ingloriamente. Na realidade, o que Theresa May veio propor, em nome do Partido Conservador, é um ‘limite’ (que quer ‘absoluto’) a partir do qual as prestações sociais afetariam monetariament…

Terrorismo

É um erro tão grave atribuir o terrorismo à emanação da luta de classes como tolerar as madrassas e mesquitas que o promovem e, sobretudo, o livro que inspira os seus agentes.

Não podemos ver em cada crente um terrorista, mas não podemos ignorar a falsidade e a nocividade da doutrina que os intoxica.

O terrorismo não é monopólio de uma religião, é a bomba detonada de qualquer religião não submetida ao secularismo democrático e à repressão do clero que o fomenta.

Donald Trump: o roteiro de Paris a Detroit…

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Washington está a ferro e fogo. Trump revela-se como o grande incendiário deste ambiente infernal. Nada correu bem na sua 1ª. digressão ao estrangeiro. Terminou ‘espingardando’ para todo o lado: contra o superavit alemão, contra os aliados da NATO e rematou com um patético negacionismo das alterações climáticas e dos acordos de Paris.
Os astros começam a alinhar-se no firmamento. Pouco resta para chegarmos à interdição por incapacidade mental. O ‘impeachement’ começa a tornar-se uma redundante figura de retórica. Bastaria um mero processo de interdição por inadaptação ao cargo (a funções públicas). Um caso de gritante ausência de idoneidade intelectual.
Provavelmente não existirá esta figura na jurisprudência constitucional americana mas a metodologia não é desconhecida e foi repetidamente usada pelo próprio nos reality shows. Alguém terá um dia de lhe dizer: “You‘re hired!”. Esse ‘alguém’ seria em primeiro lugar a sua embotada consciência de ‘aprendiz’ (de feiticeiro) e mais remota…

Conferências do Estoril_2

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Reitero a oposição à delação premiada, para além da que o Código Penal já contempla, e à ideia perversa de inversão do ónus da prova para julgar o enriquecimento de origem desconhecida.

O único dos quatro juízes que hesitou na delação premiada foi o português, porque “tal mecanismo pode dar ou não resultados positivos”, mas não me parece que a tónica deva ser posta nos resultados. Tal como na tortura, o que está em causa é um problema ético.

Abro ainda um parêntese para afirmar que discordo da sindicalização dos magistrados, muito especialmente da dos juízes, ainda que sob o pseudónimo de Associação Sindical (ASJ), pela inevitável politização que contamina a neutralidade exigida ao único órgão de soberania não eleito.

Dito isto, há que estabelecer meios para que a investigação não esbarre na incapacidade de esclarecer crimes, para acusar e julgar os criminosos. A limitação da independência judicial não favorece o combate ao crime, e lesa seguramente a democracia.

Não podemos confundi…

Autárquicas - Marketing criativo

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Eleições autárquicas - Retornados

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A casa regressa ao homem

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Trump e o aquecimento global

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"Para cumprir o meu solene dever de proteger a América e os seus cidadãos, os Estados Unidos vão sair dos Acordos de Paris" – disse o irresponsável PR americano.

Coerente com a sua insensibilidade, preferindo os negócios à saúde, a riqueza de alguns ao ar de todos e a ignorância contra o parecer dos sábios, Trump não se resigna a que os EUA sejam o segundo maior poluidor do mundo. Quer ser o primeiro.

É-lhe indiferente que a sua decisão produza mais 3 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano, que o degelo acelere, o nível do mar se eleve e os cataclismos se tornem frequentes, enquanto o ar se torna irrespirável e a sobrevivência inviável.

Para o exótico presidente, talvez um criacionista saído das madraças do protestantismo evangélico, a ciência é um mero detalhe para contrariar a vontade divina que lhe cabe interpretar.

A sua decisão não é apenas a irresponsabilidade de um ignorante, é a sentença de morte contra milhões de homens e mulheres, uma declaração de…

Notas soltas – abril/2017

Alemanha – A senhora Angela Merkel continua um exemplo raro de estadista, quer na recusa do uso do véu, na visita à Arábia Saudita, quer na denúncia, perante Putin, das perseguições homofóbicas na Chechénia.
Turquia – Depois de um referendo, convocado em estado de emergência e com prisões cheias de adversários, Erdogan foi felicitado por Putin e Trump pela vitória que permite um regime presidencial autoritário e o fim do Estado laico. A UE não se congratulou.
Nigéria – A seita terrorista Boko Haram, leal ao Estado Islâmico, matou 15.000 pessoas e já provocou mais de dois milhões de refugiados. O seu intuito é aplicar a sharia, mas libertou 82 meninas, sequestradas desde abril de 2014, para libertar terroristas presos.
França – A vitória de Macron, na segunda volta das eleições presidenciais, só afastou o perigo fascista. A inquietante percentagem de Marine le Pen já duplicou a do pai, e só se transformou em lenitivo por ter ficado aquém das previsões.
EUA – O afastamento do diretor do FBI…