Mensagens

Ramalho Eanes e a comemoração do cinquentenário do 25 de Abril

A três anos do 50.º aniversário, a escolha do ex-PR é uma opção legítima do atual, não é a mais justa nem a mais representativa dos militares de Abril. Eanes, como PR, foi relevante a pacificar a agitação militar, mas não foi um destacado militar de Abril e, antes, associou-se apenas à honrosa contestação do manifesto do ‘1.º Congresso dos Combatentes do Ultramar’, de inspiração fascista, realizado no Porto, de 1 a 3 de Junho de 1973, com a conivência do regime e de militares de extrema-direita. Foi uma assinatura dignificante e corajosa que se juntou à de muitos oficiais democratas que combatiam na Guiné. Ganhou aí o certificado de democrata, mas não se destacou no pensamento político, se é que o teve, ou tem, nem no contributo para a Revolução. É bom recordar que o 25 de Abril teve um triunvirato a liderá-lo, Vasco Lourenço, Vítor Alves e Otelo, sendo Vítor Alves o responsável político e Otelo o operacional, restando os dois, depois da transferência de Vasco Lourenço para os Aç

A Regionalização do Continente

O que era obrigação constitucional e necessidade de ordenamento territorial passou a ser depois da maquiavélica proposta de Marcelo Rebelo de Sousa, então líder do PSD, e do exótico mapa das nove regiões, proposto por António Guterres, a arma de propaganda partidária, alheia à necessidade de tornar eficaz a regionalização administrativa do País. Os referendos à Regionalização e à despenalização do aborto foram moeda de troca para a aprovação do OE, o que permitiu a Guterres cumprir uma legislatura sem maioria. A escassa votação, sem valor vinculatório, mostrou que os referendos são instrumentos ideais para adiar decisões, como se viu igualmente no caso do aborto, mas não se pode ignorar a dimensão da derrota infligida por tão poucos, os que se incomodaram a votar. Os passos deste Governo para regionalizar o País vão no caminho certo, consolidando as cinco CCDR com a sua eleição pelos autarcas de cada região e transferindo para elas os atuais serviços do Estado suscetíveis de regi

O sonho comanda a vida

Imagem
 

Tradições

Imagem
- Mulher, queres aborrecer o Misericordioso Profeta ou que eu chame a terceira?

COVID-19 e os média

A pandemia tem revelado o melhor e o pior dos média, normalmente o pior, porque as intervenções da ministra e da diretora-geral de Saúde e as do almirante Gouveia e Melo e do dr. Silva Graça, ponderadas, didáticas e a revelarem excelentes comunicadores, não se devem a jornalistas. Há ainda quem se lembre da procura histérica do primeiro português infetado nos mares do Japão, a trabalhar a bordo de um qualquer navio estrangeiro, da angústia coletiva das televisões que o queriam contactar, do aproveitamento da primeira vítima portuguesa contaminada para abrir telejornais e ser notícia de primeira página. Ressoam ainda as palavras entusiásticas de José Rodrigues dos Santos a gritar eufórico, na RTP-1, Portugal foi de novo o pior do mundo, no período mais dramático do país, independentemente de ter sido dos que melhor geriu a pandemia. Enquanto não vêm os incêndios e as críticas ao Governo pelo inefável incendiário Marta Soares, pelos presidentes de Junta e todos os especialistas de

O Menino Eleutério (Conto) – 6480 carateres

Atanásio Barroso e Maria de Jesus já tinham passado os trinta anos de idade e, em conjunto, os trinta hectares de terra de semeadura e outros tantos de olival, vinhedo e pinhais, quando os amigos os empurraram para o matrimónio. Nunca antes outra se interessara por ele nem ela a outro desejara, que se soubesse, pois a mulher séria era vedado manifestar desejos de qualquer natureza. Daí que toda a aldeia os visse virtuosos e talhados um para o outro. E assim foi. Casados e abendiçoados por um padre que a idade tornara casto e suspeito de santidade, dois anos se passaram de esforços inglórios e impertinentes perguntas dos vizinhos, sem que D. Maria de Jesus lograsse emprenhar. Já julgava ela ser maninha, por ficar sempre forra, responsabilidade que tinha obrigação de assumir ainda que, e não era o caso, faltasse o marido ao cumprimento das obrigações matrimoniais. Moléstias de varão é que não são de admitir. Bem sabia D. Maria de Jesus que ao marido cabiam apenas os êxitos, não d