A ponte 25 de Abril e os saudosistas do fascismo Há 60 anos, no dia de hoje, foi inaugurada e convenientemente benzida a primeira ponte que ligou Lisboa à margem sul do rio Tejo. Américo Tomás, mordomo do déspota, quis que o apelido do ditador desse o nome à ponte que, fardado de almirante, inaugurou. Gonçalves Cerejeira, cardeal e amigo do ditador, com um báculo de dois metros, mitra e vistoso vestido rendado, rodeado de clero, fascistas e pides, expeliu latim e água benta. Brandindo vigorosamente o hissope, aspergiu a ponte e exibiu o reluzente anelão. Foi a obra grandiosa do país que então liderava a Europa no analfabetismo, mortalidade infantil e materno-fetal, pobreza e atraso. A lavadoiros, fontanários, caminhos e escolas, o ditador juntou a glória de mandar construir a Ponte com o seu nome. As prisões estavam cheias de opositores; a emigração clandestina era o destino de quem fugia à miséria; a censura estendia-se aos jornais, revistas, livros, rádio e televisão; em Angola, Moça...