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Até domingo, eleitores

Em 1996 ensaiou-se uma tentativa de censura, bem-sucedida. Num programa televisivo, “Parabéns”, Herman José fazia uma brincadeira inofensiva sobre a “Última Ceia”. Houve uma petição de 100 mil fundamentalistas a exigir censura. Entre os irados contra a “blasfémia” estava o então líder do PSD que prestou declarações bem claras à saída de um encontro com o Cardeal Patriarca... - Sabem que era o líder do PSD? - Vai amanhã a votos, e hão de arrepender-se os que, não sendo devotos do candidato da direita democrática, o sufragarem com a falta de reflexão para que deviam aproveitar o dia de amanhã. Ana Gomes, Marisa Matias e João Ferreira são três opções para retirar força à direita. Com versos de Natália Correia sabe bem refletir MOMENTO DE POESIA – Natália Correia sobre Marcelo Rebelo de Sousa, «o tal que um dia concorreu a presidente da autarquia de Lisboa». MARCELO E AS TÁGIDES Marcelo, em cupidez municipal de coroar-se com louros alfacinhas, atira-se valoroso - ó ba

PSD - Com esta gente Rui Rio não vai longe

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Baptista Leite "nunca tinha visto tantas pessoas morrerem num turno" em que afinal morreu uma. «Médico e deputado do PSD fez relato dramático após turno de 12 horas como voluntário no sábado. Hospital de Cascais diz que nesse dia morreram seis pessoas, três com covid-19, apenas uma delas no turno feito por Ricardo Baptista Leite. Ricardo Baptista Leite usou as redes sociais para descrever um cenário que o impressionou, depois de ter trabalhado como médico voluntário no Hospital de Cascais, no sábado. "Nunca vi tantas pessoas morrerem num só turno de 12 horas. Nunca vi tantas mortes, na minha vida profissional, num tão curto espaço de tempo", disse, num apelo a medidas de confinamento mais duras que ganhou eco na comunicação social. Mas quantas pessoas morreram com covid-19, afinal, nessas horas nesse hospital? Segundo fonte oficial da instituição apenas uma.» (Revista Sábado)

“A democracia é preciosa e frágil” (Joe Biden, no discurso de posse)

Dois dias depois de o PR brasileiro, abrutalhado e mitómano, que tinha como referência Donald Trump, ter dito que “Quem decide se povo vive em democracia ou ditadura são as forças armadas”, as democracias liberais respiraram de alívio, depois da mais insólita tomada de posse do novo presidente americano. Não é entusiasmo que desperta, é a confiança em Joe Biden para respeitar os resultados em novas eleições, sem tentar falsificar os resultados, denegrir as instituições ou incitar um golpe de Estado, à semelhança de países tribais. O mundo viveu incrédulo e receoso o mandato de Donald Trump, um desmiolado PR, mitómano e narcisista, indiferente aos danos à reputação dos EUA, incitando ditaduras. Acabou a perdoar os crimes de amigos e familiares quando viu no Partido Republicano, moldado à sua imagem, defensores da Constituição que ele jurou e traiu.   Ontem foi mais um dia na vida de Joe Biden e um dia novo para a democracia, segundo as regras que os americanos decidiram, sem direi

Eleições presidenciais e liberdades

Estas eleições ficam marcadas pelo clima de medo da pandemia e, na impossibilidade de campanha eleitoral dos candidatos, pela permanente e inaceitável presença do PR na campanha que disse que não fazia. E não faz, fazem-lha. Todos os dias. No fundo, só o recandidato Marcelo e o provocador fascista, que chegou aos salazaristas adormecidos, foram beneficiados de forma obscena, o último pelo permanente desafio à democracia, altamente conveniente para semear o ódio e tornar-se notícia. Marcelo chegou ao ponto de acusar as autoridades de saúde, leia-se Governo, de não lhe dizerem em tempo oportuno, por escrito, se podia ou não estar presente fisicamente num debate com todos os candidatos, após um teste, das muitas dezenas que insiste fazer, ter acusado um falso positivo. Nem sequer teve a decência de referir que o teste foi feito na Fundação Champalimaud, só conhecido pelas desculpas apresentadas pela instituição. É neste candidato que os eleitores PS se reveem? Não percebem que o PR

As eleições antecipadas e o civismo

Há uma lei que impede a propaganda eleitoral na véspera das eleições, dia de reflexão, e no dia seguinte, enquanto decorrem. Independentemente do meu juízo de valor sobre a bondade da lei, cabe-me acatá-la pelo respeito que merecem as instituições democráticas, sufragadas em liberdade, aspeto que é relevante para todos e, jubilosamente, para quem viveu na ditadura fascista. Ontem votaram antecipadamente numerosos eleitores e, embora a lei não o previsse, foi um dia normal de eleições pelo que a propaganda eleitoral foi uma violação da lei, onde numerosas pessoas, algumas com especiais obrigações cívicas, mostraram um boletim com a cruz no partido em que votaram. Tal como eu, quando assumidamente manifesto as minhas convicções, não penso que a exibição gratuita influencie alguém, mas é um exemplo pouco recomendável. A ausência de manifestações de simpatia ou antipatia, por qualquer candidato, deveu-se ao cumprimento do que julgo ser o respeito pela ética republicana que me deter

Vacinas, vórtice polar, ignorância e maldade

Há por aqui, pela Internet, uma cáfila de negacionistas que fomentam o obscurantismo e se movem pela estupidez, numa patética indiferença perante a tragédia global. Há idiotas embrutecidos à solta, desde “Médicos pela Verdade”, que negam as virtudes das vacinas, com o bastonário mais interessado na Cruzada contra o Governo do que no inquérito a profissionais perigosos, que contrariam o Estado da Arte, até aos estúpidos que, à semelhança de Trump e Bolsonaro, utilizam a onda de frio, que assola a Europa, para negarem o aquecimento global. É um dever de cidadania combater a maldade e a insensatez que, em períodos de perigo, assomam a perturbar os esforços das autoridades de saúde. Não se pode aceitar que uma prestigiada magistrada, na insanidade de um momento, no desvario do gosto mediático, afirme que dispensa a vacina, na inconsciência de quem, podendo desprezar a sua saúde, não tem o direito de pôr em risco a dos outros. Não vale a pena multiplicar exemplos de insânia, é urgente

As próximas eleições presidenciais – Uma postura eticamente reprovável

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Quem acha sublime rezar o terço a nadar no mar, já devia ter rezado umas ave-marias à Sr.ª de Fátima a pedir às TVs para darem a outros candidatos o tempo de antena que lhe consagram ou, no mínimo, dividirem por todos o seu tempo, para evitarem o ostracismo dos adversários onde só aquela coisa repugnante tem também direito a fatia grossa. À estrela pop todas as excentricidades lhe são perdoadas, todos os pecados remidos, todo o passado branqueado. Há de andar por aí a rezar o credo, em latim, com a direita dos negócios a persuadir os eleitores de que é chique, é moderno, é a “Nova Esperança”. Ao anunciar a recandidatura, no dia 7 de dezembro de 2020, Marcelo afirmou que iria prescindir do “direito de antena” tanto na televisão como na rádio, mas não sai do ecrã de nenhum noticiário, como PR ou comentador de amplo espetro. O tempo de antena do PR torna mais obscenas as discriminações dos outros candidatos, em contexto de pandemia, sem campanhas de rua, contactos com eleitores e di