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Salman Rushdie – vítima do fascismo islâmico

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Os media iranianos celebraram o ataque, identificaram o agressor do escritor como seguidor do Hezbolá e referiram a alegria popular pelo esfaqueamento repetido pelo homicida. Não faltaram manifestações de júbilo nas ruas islâmicas onde o ocaso da civilização árabe deu lugar à radicalização da religião, onde coexistem a pobreza extrema e a opulência, e o único bem que todos os homens fruem, de que não prescindem, é a posse de mulheres. É fácil atribuir às mulheres o dever da revolta ou afirmar que são felizes na humilhação,   e inaceitável defender o respeito das tradições e da fé que não toleram divergências. Rushdie tinha 42 anos quando o seu romance, «Os Versículos Satânicos», foi declarado blasfemo pelo anacrónico Aiatola Khomeini. Condenou-o à morte, 1989, numa fatwa que despertou a fé dos muçulmanos e excitou a fé, o ódio e a demência coletiva. Liberdade religiosa ou política é o direito de ser a favor, indiferente ou contra. Não é o simples direito à genuflexão, ao beija-

Salman Rushdie e o silêncio das democracias

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O Irão, incapaz de compreender a liberdade de expressão, responsabiliza Rushdie e os seus apoiantes pela tentativa do assassinato do escritor. Faz lembrar o juiz que viu na minissaia a responsabilidade da vítima de violação. Através do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), o regime de Teerão diz que “Salman Rushdie se expôs à indignação pública por insultar as santidades islâmicas e ter ultrapassado os limites para 1,5 mil milhões de muçulmanos”. Deve haver um número maior de pessoas normais, pessoas que defendem a liberdade de pensamento e o direito à expressão, estarrecidas com tão boçais afirmações e incapazes de pensarem em prescrever 10 facadas para assassinarem os dirigentes iranianos que se tornaram cúmplices do demente assassino ao justificarem o hediondo ato. Há quem não perceba que vale mais a vida de um só homem do que todas as santidades alegadas pelos diversos credos. Quase tão grave como o pensamento obsoleto de regimes teocráticos é a resposta frouxa do Reino Unido

O PSD e a Festa do Pontal

A Festa do Pontal, agora uma espécie de revelação descolorida do Tea Party português, contou com Passos Coelho em apoteose, Cavaco em fugaz ressurreição da defunção política e Marques Mendes em representação própria e de Belém. Quando Passos Coelho conseguiu ofuscar o líder cuja consagração era aguardada no Calçadão da Quarteira, não se podia esperar maior humilhação para Luís Montenegro.

FÁTIMA, POLÍTICA E SEXO

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Anteontem, dia 13, um dia fetiche do santuário, havia clareiras que, antes da pandemia, eram inabituais no recinto. A devassidão de uns padres e o silêncio cúmplice de alguns bispos não foram certamente alheias ao absentismo de alguns crentes. Mas nenhum outro escândalo é hoje tão pernicioso como o oportunismo do partido neofascista português: Os que acreditavam em Fátima deixam que acreditar e os que não acreditavam passaram a acreditar.
NÃO TEM NADA A VER... Este texto não tem nada a ver com falta de fé em Deus ou nos santos (ou talvez tenha!) e trata de um caso reportado pela imprensa há meia dúzia de anos. Vi-o no jornal Público do dia 25 de Setembro de 2016. A notícia pode ser contada assim: Nelson Ferreira nasceu em Angola e, em 1976, criança de cinco ou seis anos, veio para Lisboa na ponte aérea do IARN (Instituto de Apoio aos Retornados Nacionais), ao abrigo do apoio prestado a quem queria abandonar Angola. Viajou na companhia da mãe e de seis irmãos, mas não sabia ser ela sua mãe, nem eles seus irmãos, porque aquela mulher sempre lhe disse ser sua tia, e as crianças seus primos. Ele e a “tia” eram negros. Os “primos”, brancos. O correr do tempo mostrou-lhe a falsidade do parentesco, e não tardou a ser abandonado pela progenitora. Enfrentou o dia-a-dia sozinho, e a necessidade de comer transformou-o num sem-abrigo inventando comida e consumindo droga, porque, quando drogado, o estômago não reclamava alimento. A

O Nobel que falta e as facadas que sobram

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O escritor Salman Rushdie continuava hoje hospitalizado após o esfaqueamento no palco do centro cultural Chautauqua Institution, em Nova Iorque, onde iniciava uma conferência. Se há quem sofra escusadamente é a população islâmica, vítima de preconceitos religiosos e impedida da apostasia, direito inalienável das democracias e crime punido com pena de morte nas teocracias. Os monoteísmos baseiam-se em textos bárbaros, uma herança hebraica de origem tribal e patriarcal. Paulo de Tarso, na sua cisão com o judaísmo, havia de criar a seita à qual Jesus foi alheio, tendo nascido e morrido judeu e circuncidado. Por razões políticas, foi o execrável Constantino, que a si próprio se designou 13.º apóstolo, que, sem abdicar do mitraísmo, fez da seita cristã a religião que aglutinou o Império Romano. O ódio aos judeus vem daí, esse ódio que os trânsfugas consagram à ideologia ou grupo de onde dissidem. O antissemitismo é filho desse ódio irracional que serviu para tornar mais dramáticos fen

Júri de seleção na Arábia Saudita, um dos países do Eixo do Bem

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Com vista à participação em Jogos Olímpicos, o reino reuniu um júri para selecionar as melhores ginastas e mostrar ao mundo que o Islão é compatível com a modernidade. Surpreendente, a deslocação da representação feminina foi cancelada!

REMUNERAÇÕES DO ESTADO

Os funcionários do Estado, incluindo o PR, Governo, deputados, juízes, Governador do Banco de Portugal e Administradores da CGD, deviam ganhar segundo a média dos seus homólogos dos países da UE corrigida pela % do PIB português em relação ao da UE.  Era mais justo e deixava de haver razões legítimas de queixa e de se pagar tão mal aos políticos, ao contrário do que os demagogos dizem.

MORTES NA ESTRADA

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A culpa é do Governo.   Os mortos deviam ser obrigados a respeitar a defunção em vez de circularem nas estradas.

O soldado Moura e o desastre de Mopeia – Crónica

Naquele sábado, 21 de junho de 1969, o Batelão Chupanga fazia mais uma travessia do baixo Zambeze entre a localidade que lhe deu o nome e Mopeia. Ficou registado que eram 17H30 quando o Chupanga, apinhado de tropas e viaturas que vinham de Lourenço Marques para a província do Niassa, atravessava o rio Zambeze, começou a meter água e se virou rapidamente. Arrastou no naufrágio centena e meia de homens que faziam a travessia e seguiram para as águas revoltas com as 30 viaturas que traziam. Mais de meio século depois, o maior desastre da guerra colonial está esquecido e apenas vive na memória dorida dos que aí perderam amigos e de raros familiares dos que então pereceram. Hoje, já nem a guerra se condena e, muito menos, se referem as vítimas que provocou. Por amarga coincidência, dois soldados eram, como eu, do Bcaç. 1936, exportados para Moçambique “na defesa da civilização cristã e ocidental”, na linguagem pia do cardeal Cerejeira, ou na “defesa do nosso Ultramar infelizmente pe

MINISTÉRIO DAS FINANÇAS

Anda aí um desassossego nas hostes da Direita, com gemidos, uivos e imprecações contra o ministro das Finanças, por ter nomeado um técnico com o vencimento de ministro, quase tão grave como a atribuição de um subsídio de mais de 6 milhões de euros para formar técnicos de heliportos e aeródromos da Região Centro numa empresa cujo funcionamento se desconhecesse. Os que ora se fingem chocados com a nomeação de um especialista com o vencimento de ministro, são os mesmos que acharam natural que a ministra Ferreira Leite nomeasse diretor-geral das Contribuições e Impostos o Dr. Paulo Macedo, com um vencimento triplo do seu. Agora, como Presidente da CGD, ganha muito mais.

Os Jihadistas e as virgens

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Se os dementes da fé confiassem mais na razão, escutassem as hormonas em vez das madraças, e louvassem a vida em vez de recitarem o Corão, trocariam as 72 virgens por uma só mulher, e um só dia de amor pela eternidade em estado lastimável.

HUMOR

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Não se devia brincar com os defensores da civilização cristã e ocidental.  Espera-se que o/a embaixador/a da Ucrânia exija explicações ao Governo por permitir a circulação do Público.

A guerra e a permanente angústia

O meu prazer da escrita é diretamente proporcional ao que adivinho nos que me leem, e gostam, e à crispação dos que se amofinam. Procuro escrever sem prevaricações ortográficas ou derrapagem na sintaxe, por amor à língua que me une aos leitores, pelo respeito que devo à memória da minha excelsa mãe e professora, por amor-próprio e porque um bom argumento se desperdiça numa escrita medíocre. Apraz-me transmitir o que penso e refletir sobre o que pensam os outros. Não abdico de dizer o que sinto, penso e desejo, da partilha de ideias, do diálogo, razão por que prefiro manter vivo este mural a escrever um livro para morrer numa estante sem ser lido. As ameaças recentes de ampliação da guerra, esquecidos os combates contra a fome, as alterações climáticas e as pandemias, tragédias que pairam sobre a Humanidade, levam-me a alertar os que me leem, quando largas camadas da população já estão entorpecidas pela repetição de tantos alarmes e sustos que nos inquietam. 1 – O bombardeamento

Opus Dei, poder e ideologia

A notícia mais importante sobre a Igreja católica não é sobre as traquinices sexuais de alguns padres e os eventuais encobrimentos de alguns bispos, quando os desmandos do foro criminal foram de participação obrigatória à Justiça. A notícia que marcará a Igreja católica e o futuro da sua mais nebulosa organização religiosa é a corajosa reforma do Papa Francisco que implica a redução da independência da Opus Dei. É interessante ver agora o Papa a vergar a prelatura de João Paulo II com uma brandura que não foi usada para os jesuítas que, aliás, sempre lhe obedeceram enquanto a Obra se há de ter obstinado em minar o poder papal. João Paulo II terminou com a tradicional eleição do padre-geral da Companhia pelos padres da Ordem. Apesar da falta de transparência, sabe-se que a Opus Dei, tem um exército de mais de 90 mil membros leigos, em mais de 60 países, especialmente na Europa e na América Latina, incluindo sobretudo destacadas figuras políticas e empresariais, e mais de dois mil sa

A GUERRA E A PAZ

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Aprendi que quem deseja a paz é fervoroso apoiante de Putin, inimigo de dez milhões de vítimas em fuga da Ucrânia, e adversário da civilização ocidental e da Nato. Aliás, o título remete para o do romance de um russo a quem o título de nobreza, o pacifismo e a morte do autor, antes da Revolução comunista, podiam ter poupado a incineração. Não contraria os que veem na invasão da Ucrânia uma luta entre uma ditadura invasora e a democracia invadida, mais entusiasmados com os russos que morrem na guerra onde os EUA, digo, a Nato e a Rússia se confrontam, do que estarrecidos com os dez milhões de refugiados ucranianos e um número incontável de mortos e feridos. À medida que a fadiga de guerra se instala, e os países europeus não conseguem debelar a inflação e manter os níveis de bem-estar que precederam a pandemia e a guerra, é de temer que arrefeça a solidariedade para com um povo indiscutivelmente mártir. Sei que devo ser grato a Erdogan, aliado da civilização ocidental e possuidor
  Reflexão No passar do tempo que tudo transforma, a minha atitude perante a Religião também sofreu alterações. Aquela frase popular «s ó os burros não mudam de opinião» , funciona em todos os sectores… sendo que a opinião mudada pode incluir a total inversão do caminho, direccionando-o noutro sentido; ou considerar, apenas, um retoque, limando o que precisa de ser limado, quando se entende que o caminho está bem traçado e por isso se recusa um retrocesso… mas podemos (e sobretudo devemos) melhorar a nossa informação para alicerçarmos a nossa convicção mais profundamente. A minha preocupação primeira de negar Deus, sem muita substância no pensamento que me levava à negação, alimentada na juventude que tudo sabe, pode e vence, acabou por me passar. Foi como um resfriado!… Não porque o considerasse um pensamento errado na sua totalidade, mas porque me defrontei com um raciocínio mais maduro após 20 anos a dar atenção às coisas que à Religião pertencem. A partir daí concluí que a pr

O regresso das religiões em estado selvagem e os seus ímpetos belicistas

Por todo o Mundo, a política está a ser capturada pelas religiões. As democracias secam ao som de cânticos ao Divino e anátemas às liberdades individuais. Clérigos de todas as fés assumem a relevância que os padres perderam na Europa com a repressão política de que foram alvo e que permitiu o surgimento da laicidade e das democracias liberais. A igualdade entre homens e mulheres, a autodeterminação sexual da mulher, o respeito pela sua saúde reprodutiva, em suma, os Direitos Humanos, só foram possíveis com a separação do Estado e das Igrejas, contida a alegada vontade divina interpretada pelos funcionários de Deus. O proselitismo e a luta entre religiões regressam em força à sombra das liberdades que a democracia exige, e bem, e da cumplicidade que os oportunismos eleitorais atraem. A violência pia estrou numa espiral que subverte as democracias e reforça as ditaduras, desde os estados falhados aos mais avançados países do Planeta, das tribos medievais às democracias aparentement

Salazar – o princípio do fim do ditador (3 de agosto de 1968)

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Há cinquenta e quatro anos, depois de um calista lhe ter tratado os calos, algo que ele pisou aos portugueses durante quatro décadas, o ditador caiu. Estava de férias no Forte de Santo António da Barra, em São João do Estoril, e não no presídio, como devia. O desejo do povo oprimido cumpriu-se, não pela força da justiça que merecia, mas pela força da gravidade que o projetou da cadeira, onde o caruncho laboriosamente fez o que devia, e não o susteve. Essa cadeira do nosso alívio devia estar no museu do fascismo, desconjuntada, para que pudéssemos homenageá-la e louvar-lhe a eficácia. Dizia-se que lhe faltavam duas cadeiras, a elétrica e outra na cabeça, e seria a cadeira onde poisava que libertaria o país do mais longevo ditador europeu. O caruncho terá feito, no seu persistente labor, o que os patriotas não conseguiram, mas não era o fim que merecia. Devia ter sido confrontado com os crimes do regime, com os massacres que permitiu, a Pide que criou, o medo que infundiu, as famíl

DA SÉRIE - TODOS SOMOS NATO

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