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Há um prenúncio de morte... [*]

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O abandono pelos EUA do Conselho de Direitos Humanos da ONU link é indissociável dos atropelos democráticos que varem a América sob a administração Trump. Verdade que o ‘enviesamento democrático’ neste terreno não começa com Trump, nem acabará com ele, será - como sabemos - uma consequência do sistema, isto é, das contradições do capitalismo. Este Conselho que surge em 2006 como uma reformulação da anterior ‘Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos’ nasce apesar da oposição dos EUA (e vale a pena acrescentar de Israel). Regressando aos tempos correntes esta acintosa atitude não pode ser desligada da campanha presidencial de Trump e das posições então manifestadas sobre o problema migratório. Trump anunciou a construção do muro com a fronteira do México mas, na realidade, está empenhado no cavar de uma trincheira com o Mundo civilizado. Existem algumas coincidências nesta incompreensível posição de abandono de um fórum para a defesa dos Direitos Humanos. A primeira destas c…

O desprezo pelo futuro

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A minha geração é a última que vive melhor do que as anteriores e ninguém se preocupa com o futuro dos filhos ou a herança que vai deixar aos netos.

O consumo não é apenas a vertigem de quem mede o prazer pelos benefícios imediatos, é a bitola com que cada um disputa a superioridade a que se julga com direito. Há quem considere ilimitados os recursos do Planeta e seja alheio à imensa maioria, sem acesso a água potável, ar saudável, alimentos ou saúde, sem paz, nem sequer direito à vida.

Quem tira um curso e adquire conhecimentos à custa do investimento de todos, julga-se no direito de não retribuir. Somos o produto do logro que julga imparável o crescimento e inesgotáveis os recursos, legítima a acumulação de bens e tolerável a pobreza.

A bomba demográfica continua a explodir e a multidão de miseráveis cresce. A cegueira de governantes cujo poder lhes garante a impunidade arrasta-nos para o abismo e deixa-nos impotentes face à dimensão da tragédia que já está aí, o ar cada vez mais p…

Um cartão que inspirava calafrios

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Para quem nunca sentiu suores frios, as pernas a tremer e taquicardia, ao ver um esbirro da Pide a identificar-se; para quem nunca teve um amigo pelo qual não perguntava, por adivinhar quem lhe dera sumiço; para quem desconhece as sevícias que nas masmorras da ditadura se praticavam, aqui fica o cartão do chefe dos torcionários.

Mas seria demasiado ingénuo pensar que um polícia, por mais poderoso, fosse o artífice da ditadura, o cérebro do fascismo, o inspirador dos canalhas.

Por trás dos esbirros está o seu mandante e, por trás deste, está o sistema económico que o cria, o regime que é o braço repressivo da classe que domina.

Então, como agora, são as figuras menores, que receberam gorjetas, a enfrentarem as perseguições judiciais. E basta que um desses empregados seja preso para acalmar as boas consciências e se gritar que foi feita justiça.

O horror de Maomé ao toucinho

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Mundial de futebol 2018

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Que na euforia do futebol e na loucura pelo ídolo nacional se esqueçam os pés de barro que abateram o colosso no campo da ética e do exemplo que devia ser, é a atitude que se compreende quando o coração manda mais do que o cérebro, e a virtude está nos pés.

Que o PR, que tudo comenta, não se comprometa com uma simples frase que pode pôr em risco a própria popularidade, laboriosamente construída, incêndio a incêndio, missa a missa, beijo a beijo, abraço a abraço, na explosão de afetos que prodigaliza, é natural. Há um segundo mandato à espera e o coração dos portugueses a pulsar ao mesmo ritmo, com extrassístoles sentimentais sincronizadas com as do PR dos afetos.

Que a beleza de um desporto e o sortilégio da sua execução nos arrebatem e transportem para a euforia, a que nem os mais calmos resistem, compreende-se. Perdoam-se pecados mortais no êxtase de irrepetíveis alegrias.

Difícil é entender que o virtuosismo dos pontapés na bola possa ser contaminado pelos pontapés na ortografia, …

Protetores de Almas – Cogitações de um ateu

Não sei como se sentem os protetores de embriões, óvulos e células correlativas, quando uma alma por erro de navegação ou capricho da natureza se infiltra num feto estacionado fora do parque, em sítio proibido.

Refiro-me às gravidezes ectópicas. Trata-se de asneira de Deus ou produto do acaso, mas, para quem tudo o que acontece de bom é obra de Deus e o mal fruto do Diabo, deve ser um dilema que perturba o entendimento e consome os neurónios.

Para os pios, a ejaculação é um genocídio e o aborto uma alma que se desperdiça. Só assim se percebe a sanha com que os protetores das almas encaram o sexo e a irritação que lhes causa a reprodução medicamente assistida.

Há neste negócio das almas obscuros interesses e perturbações mentais.

Dos caminhos rurais abalaram as caixas de esmolas das alminhas do Purgatório e, lentamente, vão acabando as missas de sufrágio e os lucrativos trintários, moedas celestes para antecipar a vaga no veículo que liga(va) o Purgatório ao Paraíso.

As almas estão à g…

Viva Espanha! Arriba Pedro Sánchez!

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O governo do PSOE terá vida difícil, mas sobra-lhe ânimo para a decência democrática e o civismo republicano, sob a circunstância monárquica.

Pedro Sánchez surpreendeu ao formar governo com mais governantes do sexo feminino do que do masculino, com mulheres de grande competência profissional e currículo exemplar, para surpreender de novo com a maior operação humanitária de sempre para acolher os refugiados a que alguns países se negaram e outros fizeram vista grossa.

Agora, propõe-se executar a proposta do seu partido, aprovada em 2017, de trasladar os restos mortais de Franco, do Vale dos Caídos, onde permanece há 42 anos, por decisão do próprio ditador, um duradouro insulto à democracia, com a conivência de uma direita que primeiro alegava as feridas que podia abrir e, depois, a inutilidade de lembrar um assunto esquecido, para perpetuar as honras ao opressor fascista.

Hoje mesmo, a comissão executiva do PSOE, a que preside Pedro Sánchez, propõe ao Governo a elaboração da lei que i…