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Os ingleses e o Brexit

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Os ingleses são capazes do melhor e do pior, de serem os primeiros a pressentir o futuro e a regressar ao passado.

Desde os tempos de João Sem-Terra e da Magna Carta, nos primórdios do século XIII, a Inglaterra esteve na vanguarda das transformações civilizacionais e da marcha para a liberdade.

John Locke publicou «Dois Tratados sobre o Governo», antes das principais obras do Iluminismo, incluindo o Contrato Social, de Rousseau, de 1762, e tinha sido nele e nas instituições inglesas que Montesquieu bebeu a teoria da Separação dos Poderes, ainda longe do racionalismo, do iluminismo e do modelo oitocentista do Estado de direito.

Aliás, Montesquieu morreu antes de conhecer as principais obras do Iluminismo, antes das revoluções francesa e norte-americana, não surpreendendo que o seu pensamento sugerisse uma sociedade de liberdade entre diferentes e não ainda a sociedade igualitária que a Revolução Francesa reclamou.

A Inglaterra, pioneira na revolução industrial, na democracia e na corr…

El Salvador e o aborto

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El Salvador não é um país, é uma reserva do catolicismo jurássico que contamina todas as instituições, subverte os direitos da mulher e indigna os humanistas.

Em El Salvador o aborto espontâneo pode conduzir a severas penas de prisão e não há perigo de vida da mãe, malformação do feto ou violação da mulher que faça tremer a mão de um juiz ou inquiete a consciência dos legisladores. Desde 1998 a lei não permite exceções que evitem a violência da pena.

Se o aborto fosse masculino talvez fosse um sacramento; assim, é mais um anátema para a difícil condição da mulher, frequentemente pobre, rural e pouco instruída.

Em 11 de outubro de 2017 a justiça confirmou a sentença de 30 anos para Evelyn Cruz, de 19 anos, num caso manipulado por organismos que procuravam legalizar o aborto no país.

Uma jovem, Imelda Cortez, cujos testes provaram ter um défice cognitivo e emocional, está em risco de enfrentar 20 anos de prisão depois de tentar abortar um bebé concebido na sequência de várias violações…

BREXIT e o drama do paciente inglês…

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O governo de Sua (britânica) Majestade vive dias difíceis e atribulados. Tendo obtido um acordo técnico com a UE sobre o BREXIT depois de largos meses de aturadas negociações seria previsível que chegasse a acalmia.
Theresa May assim o esperava. Só que o acordo conseguiu unir os Conservadores na sua rejeição, uns por motivações políticas, outros por calculismo e, finalmente, uns poucos por realismo político.
A situação política que o Reino Unido está a enfrentar assenta numa grande indecisão e uma insuportável instabilidade. Na verdade, é difícil, para os cidadãos europeus, prever uma saída para a ‘crise britânica’ que não passe por eleições antecipadas e/ou eventualmente por um segundo referendo.
O BREXIT armadilhou a fleumática postura política londrina e gerou ondas de choque que atingiram prioritariamente o nº. 10 da Dowing Street mas dizem respeito a questões muito importantes para os súbitos de Sua Majestade, isto é, prenunciam o desfazer do Reino Unido.
Todavia, é preciso ter…

Europa, euro e futuro

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As nossas convicções não podem levar-nos à cegueira quanto às posições antagónicas, mas são as nossas e não as dos outros que cabe a cada um exprimir.

Sempre fui um europeísta, porque a Europa era já democrática quando Portugal era uma ditadura, porque era civilizada quando éramos atrasados, porque foi solidária com o país saído da guerra e da ditadura, porque acolheu quem fugiu à guerra, à miséria e ao medo.

Penso ainda, perante a hegemonia do capital financeiro que comanda a deriva fascista, que a unidade europeia tanto pode conduzir a posições extremadas como moderadas, de esquerda ou de direita, sendo a simpatia ou o horror ao europeísmo menos uma questão ideológica do que uma idiossincrasia.

Vejo com angústia o Brexit e a obstinação da Senhora May, a proliferação dos impulsos nacionalistas e o estilhaçar da geografia política, cada vez mais frágil, por todo o espaço europeu. E a Europa soçobrará sem o aprofundamento da integração social, económica e política, onde o exército com…

Questão de fé

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Espanha – Tentativa de assassinato do Presidente do Governo, Pedro Sánchez.

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A Justiça espanhola considerou o militante nazi, Manuel Murillo, um atirador olímpico, detentor de um arsenal bélico e preparado para assassinar o Chefe do Governo, como não terrorista. Foi considerado mero portador de intenções de conspiração para atentar contra uma autoridade, apesar da organização, das ligações, dos meios, e da decisão de matar essa ‘autoridade’, que era ‘apenas’ o chefe do Governo de Espanha.

E de esquerda!

Em Portugal não há um só juiz Fernando Andreu nem chefia da Procuradoria Geral que, conhecendo, desde o início, a detenção de um nazi com um vasto arsenal, que planeasse matar o PM, decidisse não investigar o caso; e, muito menos, uma ‘Audiência Nacional’ capaz de urdir uma mentira inverosímil para ocultar a inércia contra o decidido atirador, cego de raiva pela exumação de Franco do Vale dos Caídos.

Manuel Murillo, vigilante de segurança e autor da tentativa de assassinato do presidente do Governo foi detido quando planeava matá-lo. O fascista tinha sido cond…

Sobre greves de trabalhadores e arruaças de militantes políticos

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Não há democracia sem direito à greve, mas há greves sem democracia, e recordo-me da coragem de quem as organizou e dirigiu com a consciência dos riscos e a abnegação de quem enfrentou a repressão, quando todos arriscavam a perseguição, o desemprego e a prisão.

Hoje, a greve é um direito que os democratas não discutem, mas, sendo a legitimidade inquestionável para todos os trabalhadores, de onde estão excluídos os membros dos órgãos de soberania, cuja agenda política deve ser escrutinada pelos cidadãos, podem ser justas ou não, viáveis ou irrealistas, merecedoras de apoio ou objeto de reprovação.

Não será por acaso que alguns sindicatos andam a reboque de Ordens cujos bastonários têm agenda partidária e fazem desses organismos corporativos instrumento de promoção pessoal e, ultimamente, com chorudos vencimentos e obscenas regalias que acumulam com ordenados da função pública, estranha acumulação na ausência de funções.

Há greves oportunistas e injustas, greves que têm como objetivo p…