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As próximas eleições e o voto

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Seria uma enorme ingenuidade e falta de respeito pelos leitores imaginar que as minhas posições políticas pudessem influenciar quem quer que fosse a definir o partido em que há de votar no próximo dia 6 de outubro.

Não sou independente, ninguém é independente, e tenho convicções profundas. Sou um social-democrata de longa data e só se surpreenderá quem não me leia habitualmente ou julgue as ideologias partidárias pelas denominações dos partidos, registados no Tribunal Constitucional.

Há mais de sessenta anos, tinha então 14, que a política me atraiu. Escrevi uma carta de apoio a Arlindo Vicente, entusiasmado pelo manifesto da sua candidatura que os jornais publicaram. A profissão de advogado e os termos do manifesto pesaram no adolescente antissalazarista que não conhecia outras alternativas além do partido único e da eventual mudança para um sistema pluripartidário que sabia haver, para lá dos Pirenéus.

Desde então nunca mais a política deixou de me interessar como instrumento neces…

Agradecimento aos partidos

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Agradeço ao PS, BE, PCP e PEV a viabilização da legislatura auspiciosa deste governo, pelo que fizeram por Portugal e pelos portugueses, e, sobretudo, pelo que evitaram e de quem nos livraram.

O meu muito obrigado.

DÍVIDA PÚBLICA: um denso nevoeiro que ensombra as eleições legislativas 2019...

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Apresentados pelos partidos do ‘arco parlamentar’ - na realidade uma situação não coincidente com o ‘arco do poder’ que tantos estragos fez à democracia - os respetivos programas eleitorais [link; link; link; link; linklink], verificamos que, só algumas formações políticas dissecam de algum modo (superficial ou aprofundadamente) um problema central e condição necessária para o desenvolvimento nacional e bem estar social que é a questão da denominada dívida pública (soberana). Não vamos reproduzir os argumentos programáticos pasmados nos diferentes programas partidários que vão desde a olímpica ignorância, ao leve enunciado, até à mais abrupta ‘resolução’. Vamos, antes, colocar o problema como deve ser entendido e com as repercussões que indubitavelmente tem, isto é, trata-se de uma peça fundamental em questões de futuro para o desenvolvimento do País. ‘Libertar a sociedade’ (CDS), ‘Agora Portugal’ (PSD), ‘Portugal Melhor’ (PS), ´Avançar é Preciso’ (PCP) ou ‘Fazer Acontecer’ (BE), …

O Papo-Seco (Crónica)

Há, na vida dos países e na pacatez das pequenas povoações, figuras que são referências afetivas de uma época. O tempo encarrega-se de as esquecer como se não fosse rica a sua existência e estimulante o seu exemplo.

Em meados do século passado havia em Almeida um sapateiro estimado por todos, um homem sempre disponível para fazer um favor, e capaz de usar os sapatos de um cliente antes de lhe deitar as meias solas, para os devolver quando calhasse, ou de descalçar os seus para alguém que deles precisasse.

Os garotos guardavam-lhe a sapataria à espera do arco que restaria dos pneus gastos, de onde retirava os pedaços de borracha que ainda havia para o calçado que remendava. Às vezes queria o martelo para espetar os protetores e brochas, que aumentavam a duração das solas, e tinha de o pedir ao garoto que brincava com ele. Cada arco que sobrava fazia feliz um garoto, que percorria a vila a correr atrás da gancheta que o fazia rodar. Muito gostavam os garotos do Papo-Seco que um dia se a…

Não esqueçamos

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11 de setembro do ano de 1973
Há 46 anos a tragédia chegou ao Chile.

Antero de Quental

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No aniversário da sua morte (11 de setembro de 1891) tenho o hábito de o recordar o escritor, prosador e poeta,  grande vulto do movimento da Geração de 70 e o maior intelectual do século XIX, em Portugal

O seu pensamento é património e herança assumidos por muitos de nós. Na sua conferência do Casino sintetizou as «Causas da Decadência dos Povos Peninsulares», causas do atraso que ainda se mantêm.

Reler Antero é uma viagem à memória e um regresso à pedagogia cívica que exerceu.

Amar e ser amado

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Sabem lá os trogloditas o que é amar, o que é a sedução mútua que explode entre iguais, o barco que navega o mar, sem que a quilha magoe as águas que se abrem para o banhar e acariciar!

Ah, se soubessem o que é o amor, se sonhassem que só desperta para o sortilégio quem é livre, que amar implica entrega em igualdade, não haveria casamentos forçados, amor que se faz sem ser amado, afetos que se reprimem onde sobram caprichos de um profeta devasso e mandam mais os preconceitos do que os sentidos.