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Bom feriado, leitores

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Não se esqueçam de quais foram os partidos que devolveram o 1.º de Dezembro e o 5 de Outubro, os feriados mais emblemáticos, juntamente com o 25 de Abril, do País que somos e da liberdade que usufruímos. Quem não tem a noção de Pátria esquece a independência reconquistada no dia de hoje, em 1640, e quem despreza o regime que temos é indiferente ao 5 de Outubro de 1910. Só a ignorância, a maldade, ou ambas, podiam ter levado Passos Coelho e Cavaco Silva a arrastar o PSD e o CDS para o desvario que conduziu a eliminação destes feriados. A indigência intelectual de quem não conhece os Lusíadas e confunde o patriotismo, o amor à sua Pátria, com o amor à Pátria dos outros, as colónias, foi responsável pela nódoa que manchou a Direita, mesmo a democrática, arrastada no autoritarismo de quem tem da Pátria uma leve ideia e da decência ideia nenhuma. Bom 1.º de Dezembro!

Em defesa da democracia

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Reconheço as fragilidades da democracia liberal, e ando há sessenta anos a defendê-la, sem abdicar de lutar pelo aprofundamento económico, social e político do modelo de que não prescindo. Nem todas as democracias liberais são recomendáveis, e fora delas só há ditaduras, por maior êxito que possam assegurar no campo económico, como é o caso da China. Nunca me desviei deste caminho. Condeno o centralismo democrático leninista, e não me coíbo de agradecer o papel da URSS na derrota do nazismo e o do do PCP na luta contra a ditadura, na elaboração da CRP e na estabilização da democracia em Portugal. Lamento que autointitulados defensores das democracias tenham geometria variável em relação aos países que condenam ou apoiam. Não é tolerável o massacre de povos, a invasão de uma nação ou a violação de acordos, por qualquer país, e não podemos ser dúplices na condenação do massacre dos curdos pela Turquia, na invasão do Iémen pela Arábia Saudita, na da Ucrânia pela Rússia ou na da Pa

Cavaco e a eutanásia

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Cavaco Silva diz que legalização da eutanásia não respeita espírito da Constituição. Não se contesta a Cavaco o direito à opinião, mas surpreende que invoque a CRP, se acaso a leu, quem sempre a viu com especial azedume e não foi exemplar no cumprimento. Dizer, no entanto, que a despenalização, à semelhança do que pensa da IVG, é “mais um sinal da deterioração da qualidade da nossa democracia”, é um frete à Opus Dei, dos vários que tem feito, incluindo artigos laudatórios, e o pretexto para agredir o Governo do PM a que foi obrigado a dar posse, com um discurso a bolçar bílis.   Cavaco, ressabiado salazarista, pode dar opinião, mas não deve chantagear e confundir a difícil situação criada pela pandemia e pela guerra, com o ódio que nutre ao Governo. Ao notário das decisões de Passos Coelho mingua autoridade para invocar a CRP e, sobretudo, o espírito. Basta lembrar os OE dos governos de Passos/Portas, que nunca lhe mereceram dúvidas e exigiram sempre OE retificativos. O único PR

Mutilação genital feminina – Onde para a polícia?

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A RTP-1 referiu ontem que Portugal registou 433 casos de mutilação genital feminina nos últimos quatro anos, tenho 138 sido detetados no último ano. Em 24 de Novembro de 2005 um relatório da UNICEF estimava que três milhões de meninas da África Subsariana e do Médio Oriente eram submetidas à excisão/mutilação genital, anualmente. É intolerável a ausência de repressão, em Portugal, ao crime que a UNICEF estimava necessitar de uma geração para ser erradicado e a impunidade de quem não respeita o ethos civilizacional do país de acolhimento. É verdade que estes crimes para com meninas de 9 anos têm a cumplicidade da família e a consequente dificuldade de investigação, mas a sua perpetuação é uma nódoa no nosso sistema policial e uma anomalia social.

HÁ 7 ANOS - A FRASE

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«Tudo farei para que o país não se afaste da atual trajetória de crescimento económico e criação de emprego e preserve a credibilidade externa.» (Cavaco Silva, na tomada de posse do XXI Governo Constitucional)
  "OPREÇO DE ESCREVER SEM MEDO" Por Onofre Varela Copiei o título desta crónica de uma notícia do jornal espanhol “El País” (15/08/2022) que o usou para noticiar a tentativa de homicídio do escritor Salman Rushdie.  O ataque à faca de que o autor foi vítima constituiu um lembrete das ameaças de que são alvo vários autores de todo o mundo. No último ano aconteceram mais de 200 casos de intimidação a escritores, jornalistas e desenhadores perseguidos, sofrendo ameaças e detenções (em estabelecimentos prisionais ou nos seus domicílios) por terem usado da liberdade de expressão. Nestas duas centenas de vítimas não figuram os autores assassinados ou desaparecidos.  Da lista fazem parte jornalistas e escritores Bielorrussos, Libaneses, Ruandeses, Nicaraguenses, Turcos e Egípcios, entre outros. O caso do apunhalamento de Salman Rushdie, autor indiano condenado à morte pela autoridade islâmica por ter escrito o livro “Versículos Satânicos”, esteve esquecido durante cerca de 30 anos
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  REPÚBLICA LAICA Por Onofre Varela Fomos, durante séculos, um país dolorosamente católico vivendo os horrores da Inquisição e o atraso no ensino científico.  A subserviência do Povo aos clérigos habituados a dominarem a população crente e temente, agrilhoou o pensamento popular aos interesses do culto.  Mais de um século volvido após a separação Estado/Igreja em 1911 (com um interregno no Estado Novo de Salazar, sendo a separação reatada  após a Revolução de 25 de Abril de 1974 com a promulgação da Constituição da República em 2 de Abril de 1976 ), uma grande parte do nosso bom Povo ainda não conseguiu libertar-se do jugo da Religião, nem a Igreja quer desalojar da sua cabeça o poder temporal que sempre exerceu desde quando coroava reis a seu contento, e era, de facto, a dona da Europa.  A América Latina, colonizada pelo espírito católico-ibérico desde os séculos XV e XVI, é paradigmática em termos do poder opressor da Religião sobre os povos (mas também da vingança letal de in

Marcelo e a reescrita da História

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Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa, Presidente da República Portuguesa, por força do voto popular, mais presidente do que republicano, anseia por voltar ao lugar de onde partiu, ao seio da direita musculada, sejam quais forem os caminhos a percorrer ou a Vichyssoise a servir à mesa da política e dos esquecidos da História. A propósito do 25 de novembro, Marcelo já procurou aliciar Ramalho Eanes, PR que o antecedeu no cargo, disputado ao seu presumível preferido, gen. Soares Carneiro, para evocar a data que o próprio Eanes considerou dividir os portugueses, e que é uma velha tentativa da extrema-direita, agora de toda a direita, para a confiscar. A tentativa de diminuir o 25 de Abril é uma eterna aspiração da direita mais reacionária, como se Vasco Lourenço, Otelo e Vítor Alves não tivessem assumido a liderança de um movimento que se comprometeu a “Descolonizar, Democratizar e Desenvolver” o País. Em 25 de novembro houve uma tentativa de golpe da extrema-direita para se apoderar

FRASE DA SEMANA

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  “Este é um partido que não se guia por valores democráticos, que persegue os opositores pessoal e politicamente, como nunca antes se viu em Democracia no nosso país, um comportamento típico das ditaduras que existiram e existem por este mundo fora.” Nuno Afonso, militante nº 2 do partido (o nº 1 é André Ventura), referindo-se ao partido fascista de ambos.   São maiores as semelhanças do que as diferenças

O bispo de Viseu e a morte do padre Alexandre

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Em finais de outubro, um incêndio no quarto do padre António Marques Alexandre, no Centro Pastoral de Viseu, deixou-o gravemente queimado, e o sacerdote, de 75 anos de idade, não resistiu à gravidade das queimaduras, tendo falecido no domingo, dia 20. Com a rude provação que o atingiu, com o horrível sofrimento do ancião, durante mais de três semanas, esperava-se de pessoas bem formadas, sobretudo de quem o conhecia ou tinha laços de amizade, a consternação pela morte que o Hospital de Coimbra não conseguiu evitar. O padre merecia a solidariedade que qualquer cidadão deve inspirar, o respeito devido ao infortúnio que o atingiu e um mínimo de empatia, mas não foi isso que transpareceu dos sentimentos do bispo António Luciano no comunicado da diocese. Choca a frieza, a apatia pelos “dias de intenso sofrimento” do padre, que o bispo da diocese entende “que o purificaram e prepararam para o encontro com Deus na bem-aventurança eterna”. O bispo, com a emoção de um batráquio, não foi

As cidades são como as pessoas

As cidades são como as pessoas, com identidade própria, feições definidas, dimensões adequadas e sinais particulares. A nossa cidade, a cidade de cada um de nós, habita o imaginário que se cola à memória e nos acompanha nas ausências. É difícil viver sem ela ou, pior, viver nela assistindo à erosão da sua fisionomia. Envelhecemos com a cor desbotada dos prédios, com as ruínas que avançam, quarteirão após quarteirão, com as pequenas casas que ruem para dar lugar a prédios de muitos andares, sem vizinhos, meros anónimos separados por cimento armado na geometria vazia de afetos. Há nas cidades a progressiva perda de identidade que as grandes superfícies, primeiro, e a crise, depois, vieram avivar. Num dia encerra a livraria cujo livreiro conhecia o nosso nome e gostos; no outro, o restaurante do bairro onde, à chegada, o empregado gritava o nome do nosso prato favorito; antes fechara a mercearia e, logo a seguir, a retrosaria, para remodelação, com a certeza de que não reabrirá. O b

Solidariedade democrática

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Curiosidade pia

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A política, o futebol e a decência

O Qatar é um país com 10% de nacionais e 90% de estrangeiros. Teria cerca de 313 mil cidadãos, numa população de 3 milhões*, se as mulheres, incluindo as catarianas, casta nacional, fossem cidadãs onde a sharia é lei. O piedoso xeque Tamim bin Hamad Al Thani, tornou-se emir em 1995, depois de ter desposto o pai, califa bin Hamad al Thani, através de um golpe de Estado, e não esquece o apoio ao Estado Islâmico que há de converter o mundo ao Islão, à bomba. O País, que gerava apenas petróleo e gás natural, em grandes quantidades, diversificou a economia com a produção de estádios de futebol, com tal eficácia que foi contemplado com o 22.º Campeonato do Mundo de futebol. A eficácia e rapidez com que foram construídas colossais mesquitas do pontapé na bola, templos de fé diferente são interditos, mataram mais de 6750 trabalhadores oriundos da Índia, Bangladesh, Nepal e Sri Lanka. Os catarianos foram salvos porque não laboram, apenas rezam e se divertem, desde que não consumam álcool, carne

O GOVERNADOR

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A supervisão bancária não terá sido excelente, mas não podia ser sempre boa.

A Europa e o futuro de Portugal

Penso que é claro, para todos os que gastam tempo a pensar, que o crescimento perpétuo das economias é uma perigosa utopia que os sucessivos Governos, nos países europeus, não se atrevem a contrariar. Parafraseando a linguagem das Bolsas de Valores, “as árvores não crescem até ao Céu”, é claro que o PIB mundial tem um teto que cresce, há muito, graças ao sofrimento dos países mais pobres e à espoliação irrecuperável dos recursos do Planeta, e que se tornou insustentável. Se todos os países vivessem como os portugueses, não bastava, nem de longe, o Planeta para suportar o consumo, e não imagino quantos planetas seriam necessários para levar a todos os povos o nível de vida médio da União Europeia, apesar das assimetrias. Surpreende-me haver quem acredite que, depois do empobrecimento quotidiano, gerado pela guerra, sem fim à vista, entre a Nato e a Rússia, depois da invasão da Ucrânia, seja possível manter a expetativa de melhoria das condições de vida. Aliás, a sanguinária guer

A Justiça e o ruído mediático – Texto comprido e chato (4500 carateres)

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Muitos leitores, esmagados com as notícias oriunda da central de intoxicação da Direita, hão de ter esquecido três secretários de Estado do PS coagidos a deixar o Governo por aceitarem um convite da Galp para assistirem a um jogo de futebol da Seleção Nacional. Condenei então a aceitação e a bondade do convite, mas não presumo que a viagem de avião, o bilhete de futebol, jantar e dormida, possam ter corrompido os entusiastas da Seleção Nacional de Futebol, empolgados com o jogo em Sevilha. Nessa viagem foram numerosos os aficionados do futebol, deputados de vários partidos, que aceitaram o convite e aplaudiram a Seleção na final, o que, para os apaixonados, foi o momento de euforia aqui perto, em Espanha, onde se respeitam os direitos Humanos. Recordo que, entre muitos outros, viajaram Luís Montenegro e Hugo Soares, deputados, agora figuras proeminentes do PSD, e sobre os quais paira o silêncio. Não sei se continuam arguidos, mas recordo a demissão dos três Secretários de Estad

HÁ COISAS INSIGNIFICANTES – DIREITOS HUMANOS

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1 - Presidente da República vai marcar presença no jogo inaugural da seleção nacional frente ao Gana. “Qatar não respeita os direitos humanos”, diz Marcelo. “Mas, enfim, esqueçamos isto”. (Lusa – 17 de novembro de 2022, 22:18) Para as mulheres é que é pior, digo eu, sentindo um murro no estômago e pensando que já é tarde para mudar algumas mentes. Do meu arquivo: DN de 17 de novembro de 2014, pág. 19: as informações que tão bem conheci e que a memória, talvez por vergonha, empurrava para épocas mais recuadas. 2 – «1969 – As mulheres casadas deixaram de precisar de autorização do marido para tirarem passaporte; 3 – 1974 – Foi decretado o acesso das mulheres a todos os cargos da carreira administrativa local, à carreira diplomática e à magistratura, ainda com interdição de acesso às Forças Armadas que só terminaria em 1990; 4 – 1975 – Fim de crimes de honra legais, com a anulação do art.º 372.º do Código Penal, que apenas previa pena de desterro para o marido que matasse a mulh