André Ventura - Um nojo de homem
Tenho nojo de quem parasita o sacrifício inútil da minha geração naquela guerra injusta, inútil e antecipadamente votada ao fracasso. Sabe lá este homúnculo o que foi passar 4 anos e 4 dias na tropa, 26 meses dos quais na guerra de onde não voltaram vários camaradas que me acompanharam na viagem de ida! Como é possível, 52 anos depois, haver quem se nutra do cadáver de 7481 mortos que a guerra colonial consumiu, dos 1852 amputados e 220 paraplégicos dos 510134 jovens a quem roubaram três, quatro ou mais anos de vida e que penaram, em média, dois anos na guerra colonial? A falta de respeito pelo sofrimento de compatriotas que a ditadura salazarista imolou na longa e cruel aventura colonial não é digna de uma pessoa decente, é apanágio de um oportunista insensível e amoral.