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O homem e a sua natureza

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Não penso que as agências de rating mereçam o crédito de que gozam nem o mérito que se lhes atribui. Basta pensar na notação do banco Lehman Brothers, quando faliu. Mas seria ingénuo ignorar a influência decisiva que as referidas instituições têm nos juros da dívida soberana.

Ontem, a agência Fitch, uma das 3 maiores, não se limitou a seguir a poderosa Standard & Poor's (S&P), que tirou Portugal do nível “lixo” em setembro, subindo dois níveis de uma só vez, uma decisão sem precedentes. Foi o reconhecimento das opções de política económica do Governo português, como disse o seu principal obreiro, Mário Centeno.

A auspiciosa notícia para o País, que tem uma dívida que julgo impagável, levou o CDS e o PSD a concertarem a reação que Assunção Cristas resumiu, sem se rir nem corar: “Com outro governo teria acontecido mais cedo”, talvez com Passos Coelho, Portas e Maria Luís, cujo despedimento a guindou a líder do CDS.

Marcelo, após as declarações de António Costa que, referind…

RARÍSSIMAS vezes...

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Raríssimas vezes a mãe de uma criança disforme e deficiente encontra forças para lutar por ele e, com ele, por outros como ele.

Raríssimas vezes a mãe, que trouxe no ventre um feto teratogénico, tem a sabedoria e a arte de conseguir, para a criança, a solidariedade de tantos, a simpatia geral e o apoio da Segurança Social, para fundar uma obra de cuidados modelares para crianças diferentes.

Raríssimas vezes a mágoa e o desespero que marcaram a tragédia de uma mulher foram tão criativos, e tiveram um final tão feliz para as crianças que nasceram diferentes num país que é solidário e tem o SNS que nasceu dos votos do PS, PCP, UDP e do deputado independente Brás Pinto.

Raríssimas vezes uma obra nasce tão bem e passa pelo sobressalto de ter à sua frente a mãe que, perdido o filho, canibalizou a obra para proveito próprio e alegadamente a usa para comprar vestidos caros, viagens mundanas e promover relações que atraem as tias de Cascais e a D. Maria Cavaco (equiparada), a rainha de Espanha…

RARÍSSIMAS originalidades à volta de engenharias financeiro-sociais…

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Muito tem sido escrito, verbalizado e exibido sobre a estranha situação (para não antecipar julgamentos) que se viveu na IPSS Raríssimas (Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras). Não vamos repetir factos, situações, argumentos ou conjeturas. Não vamos chover no molhado… Todavia, poderá ser útil discorrer, ao de leve, sobre duas insólitas situações que recentemente emergiram deste pantanoso caso. A ex-presidente da ‘Raríssimas’, Paula Brito e Costa, apesar das nebulosas circunstâncias em que parece estar envolvida, pretende continuar a exercer as funções de diretora-geral da Instituição. Consultados os Estatutos - registados na Direcção-Geral da Segurança Social a 07.09.2014 - a primeira coisa que salta à vista é a inconformidade desta dupla situação. Ser presidente da Direção e, ao mesmo tempo, responsável técnica. Diz o artº. 19, item 6, desses Estatutos link, que “não é permitido aos membros dos corpos associativos o desempenho simultâneo de mais de um cargo nos órgão…

A direita, os escândalos e a memória

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A direita portuguesa, órfã de pessoas pouco recomendáveis e sem memória de governos que a desviaram da matriz fundadora, dos programas e do sentido de Estado, prisioneira do ressentimento, e sem rumo, procura nos escândalos o caminho do regresso ao poder.

Confortavelmente instalada no aparelho de Estado, nos órgãos de comunicação social e no poder económico, não tem programa, ideias ou projetos, vive dos cadáveres dos incêndios, das insinuações e dos julgamentos da comunicação social.

Esquece que votou contra o SNS e a despenalização da IVG, e que apoiou a invasão do Iraque. Esquece que Cavaco, Durão Barroso e Portas eram dos seus, que o governador do BP nomeou, por convite, um filho de Durão Barroso para um alto cargo que exigia concurso, que a última ministra das Finanças levou diretamente para um fundo abutre de Londres os conhecimentos do ministério, enquanto mantém o lugar de deputada.

Nunca se preocupou com a falta dos documentos dos submarinos cujos subornos foram provados na …

Momento de poesia

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A minha boca já é um deserto…
A minha boca já é um deserto, porque as palavras fogem e não regressam…
É o buraco negro do meu imenso firmamento que engoliu todas as estrelas contadas nas noites ácidas da solidão…
E é na alegria da sombra de um oásis que as palavras resistem ao esquecimento, esperando o vento, que as liberte…
Alexandre de Castro

Lisboa, Junho de 2016

Jerusalém: cruzadísticos enigmas …

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Desde 1981 que Jerusalém (a cidade antiga) é património da Humanidade. Tal distinção não a tem poupado de três situações: primeiro, pertence ao grupo de património mundial em perigo; depois, sendo uma cidade santa para as 3 religiões monoteístas vive sobressaltada pelos recorrentes conflitos, finalmente, é no presente a centralidade de uma acérrima disputa entre dois povos (judeus e palestinos). Na realidade, um explosivo caldo de culturas (civilizações) e religiões.
Jerusalém tem sido uma cidade historicamente atribulada e repetidamente violentada. Provavelmente foi fundada pelos semitas mais de 2000 anos antes do início da era cristã, mas a tradição religiosa afirma que foi fundada por antepassados do profeta Abraão, elo comum do judaísmo, cristianismo e islamismo. Ora, os semitas são considerados um conjunto de povos com uma raiz linguística comum que sendo originários da Arábia (ou da antiga Mesopotâmia) teriam migrado, dispersado e construído diferentes identidades pelo Médio Or…

Portugal e a descentralização adminastritiva

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A regionalização do País, prevista na CRP, desde 1976, foi inviabilizada pelo referendo de 8 de novembro de 1998, resultante da maquiavélica proposta de Marcelo Rebelo de Sousa, então líder do PSD, e de um exótico mapa de 9 regiões, apresentado pelo PM, António Guterres.

O desinteresse do eleitorado, com menos de 50% de participação, tornou inconsequente a decisão, mas a dimensão do repúdio, superior a 60%, quer da regionalização, quer do mapa proposto, contra menos de 35% de votos a favor, trucidou a Regionalização do Continente.

É possível que o exemplo do poder autocrático e os desmandos da Região Autónoma da Madeira, onde se temia que um único partido e o mesmo soba se eternizassem, tornasse o eleitorado receoso da Regionalização, que era, e é, imprescindível. Aliás, na Madeira, só o referido soba foi substituído.

Com a regionalização adiada para as calendas gregas, pretende este Governo promover a descentralização, mas o primeiro anúncio foi claramente infeliz. A deslocação para…