Direito à indignação
Direito à indignação Há adjetivos, aparentemente inócuos, que escondem a violência e boçalidade que habita um homem, mas a indiferença com que são acolhidos revela uma sociedade doente. Quando o Dr. Amadeu Guerra, o PGR que o PM Montenegro foi buscar à reforma, vá lá saber-se porquê, considera que há na violência doméstica «situações inevitáveis», é todo o primarismo machista que rompe exuberante sem que a Universidade e o múnus o conseguissem refrear. Que são incontáveis os casos de violência doméstica não evitada, é a dolorosa evidência social, frequentemente ocultada por vergonha, sofrida em silêncio, quase sempre por mulheres, não raro só conhecida com o assassinato. Mas inevitáveis? Inevitáveis porquê? Porque o almoço não estava saboroso, a roupa bem passada ou a cozinha limpa? Porque ficaram mal vincadas as calças ou a nódoa não saiu do casaco? Que raio de mentalidade que um adjetivo revela! Que raio de País que se conforma com a tradição e não esconjura o passado!