A intempérie que nos bateu à porta
A intempérie que nos bateu à porta As trágicas consequências da tempestade Kristin, das chuvas diluvianas que continuam, com sucessivas depressões, e do esvaziamento das barragens, em Espanha e Portugal, trouxeram a desolação e o desespero a centenas de milhares de portugueses, muitos dos quais, ainda atormentados, sem telhados, eletricidade ou comunicações. A tragédia está longe do fim e aumentam as mortes de pessoas arrastadas nas enxurradas ou caídas dos telhados para onde sobem aflitas a recuperar o teto, enquanto os haveres, lágrimas e sonhos de tantos portugueses se misturam na enxurrada. Não foi apenas a incapacidade do governo que falhou, para reagir adequadamente e com a brevidade que devia, foi a incúria de décadas e a permissividade com que se assistiu à ocupação do leito dos rios por edificações que ameaçam prosseguir nos sítios onde ora mora o medo e o desespero. É neste trágico ambiente que assistimos ao melhor e pior do que as pessoas são capazes, à solidariedade...