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A Europa, a União Europeia e a Nato

Perante as recentes e assolapadas paixões pela NATO, que atraíram velhos resmungões contra pactos militares, espero não ser anatematizado por lembrar que, ao contrário da União Europeia, que exige a democracia e o respeito pelos direitos humanos aos países membros, a Aliança Europeia teve nos seus fundadores o Portugal de Salazar e, agora, é integrada pela Turquia onde tem as mais numerosas Forças Armadas fora dos EUA. Quando os mais indefetíveis amigos me consideram suspeito, talvez por persistir numa posição que se tornou obsoleta e mal vista, volto a publicar o texto que deixei aqui no meu blogue Ponte Europa e no Facebook em 13 de maio de 2019: «A Europa e as ameaças externas A proposta de um plano de defesa europeu autónomo teve a ameaça dos EUA. Washington acusou Bruxelas de violar compromissos adquiridos através da NATO e adverte que põe em perigo décadas de colaboração militar. A carta, de 1 de maio, a que teve acesso EL PAÍS – segundo a edição de hoje –, “está cheia d

A FRASE – Expresso, em linha, 15-05-22, Rita Robalo Cordeiro

«O comentador [Marques Mendes] explicou que “esta lei [lei dos metadados] vai levar a arquivar inquéritos que vêm de trás” [sic] e, neste caso, haverá “dificilmente uma solução”. Não sei o que mais apreciar na homilia do conselheiro de Estado e alter ego de Marcelo, se a perspicácia de descobrir que os inquéritos vêm sempre de trás, ou a descoberta de que a solução de arquivar inquéritos terá “dificilmente solução”.

Confronto israelo-palestiniano

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Na quarta-feira foi morta a repórter Shireen Abu Akleh – segundo a Al Jazeera, atingida por um soldado israelita. No início do cortejo fúnebre da repórter da Al Jazeera, sexta-feira, a polícia israelita atacou vários palestinianos e lançou ainda granadas de atordoamento no local, segundo o jornal Haaretz e a agência Reuters.

Texto de ONOFRE VARELA

  Honestidade religiosa Enquanto ateu obrigo-me a conhecer o fenómeno religioso para me permitir criticar, concordar ou discordar, com aquilo, e daquilo, que à Religião pertence. Por isso so u leitor habitual de livros, notícias e artigos religiosos, científicos ou filosóficos que tratam do tema Religião (e também ouço missas… embora cada vez menos, porque me aborrecem cada vez mais). Nas edições de Domingo do jornal  Público , leio, atentamente, os textos que Frei Bento Domingues escreve em favor da Religião, da fé e da crença, os quais considero muito interessantes, notando neles muito mais o estudioso honesto e o Homem Ético que Bento Domingues é, do que,  somente , o religioso. E nunca neles detectei qualquer traço daquele fundamentalismo que, muitas vezes, contamina o discurso de outros religiosos. No seu artigo intitulado “Não invocar o nome de Deus em vão” (publicado há meia dúzia de anos: 20/11/2016), Bento Domingues diz que, apesar das intenções carregadas de humanidade do pap

Reflexões

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1 – A audiência do PR aos partidos da oposição, para uma mera sessão de má língua e coscuvilhice foi uma das muitas oportunidades que Marcelo usa para ser notícia, mas não deixa de ser um ato gratuito e inamistoso para com o Governo, podendo ser visto como uma tentativa intolerável de liderar a oposição. 2 – A capa do I é uma abjeção que revela o caráter persecutório ao ex-ministro Eduardo Cabrita, após o arquivamento judicial de um insólito processo em que, com objetivos partidários, foi acusado de “homicida por negligência”, por viajar, em serviço, no carro do Estado que atropelou mortalmente um trabalhador da autoestrada.

A liberdade e os seus limites

Há muitos anos que reflito sobre a liberdade e, há muitos mais, que me empenhei na sua defesa. São mais de seis décadas, com obstáculos no percurso, de uma obsessão que me acompanhará até ao fim. Hoje, depois de quarenta e oito anos de democracia liberal, ultrapassado o tempo que os esbirros da ditadura levaram a espiar, perseguir e ostracizar os democratas, e a acossar a liberdade, é o espírito censório que regressa por intermédio de quem se julga detentor da verdade e deixa quebrar o verniz de democrata. Engana-se quem pensa que a democracia é um regime benquisto, que a liberdade é uma conquista irreversível, que a censura está obsoleta, que à livre expressão de ideias basta a consagração constitucional. É uma perigosa ilusão. Quando vemos a opinião publica a constranger a liberdade e assistimos a uma aliança de forças contraditórias concertada na defesa das mesmas posições, sentimos o fascismo a regressar de mansinho. O unanimismo é o caminho para o pensamento único, a desculp

Texto de ONOFRE VARELA - Vice-presidente da Associação Ateísta Portuguesa

  LER E INTERPRETAR Para que a leitura de um texto seja compreendida, precisa de ser interpretada. Entre a leitura e a interpretação, existe a mesma diferença que há entre os actos de olhar e de ver. Quem olha, pode não ver o que está no objecto olhado se não tiver a consciência de ter visto. A leitura de um texto não pede mais do que juntar sílabas e formar palavras que passam pela nossa mente em imagens transmitidas pelos olhos e descodificadas pelo cérebro. A seguir a este simples e automático acto, há a tarefa de interpretar o texto lido, a qual não pertence aos olhos. A interpretação de um texto, ou de uma imagem, precisa de ferramentas fundamentais que o leitor, ou observador, terá de possuir previamente à leitura do texto ou da observação da imagem. O agente principal da leitura ou da observação (que é o leitor e o observador), só consegue interpretar o que acabou de ler ou de observar, se tiver a chave que lhe permita descodificar as palavras lidas ou as imagens observadas.  Co