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As eleições legislativas de 30 de janeiro

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Senti-me desolado com o chumbo do OE-2022 e, sobretudo, perplexo com o voto do PCP na generalidade, sem azo a negociações em sede de especialidade, depois de ter sido o principal impulsionador do XXI Governo Constitucional, e de se lhe dever a estabilidade dos dois anos da atual legislatura, sofrendo danos eleitorais. Não sei o que se passa dentro de nenhum partido, apesar de ser observador interessado e interveniente. Fiquei revoltado por saber que o chumbo não produziria um OE mais à esquerda, e que faria oscilar o eleitorado em sentido contrário. Não censuro os partidos por rejeitarem um OE de que discordavam, mas lamento que o chumbo afastasse o eleitorado para a direita, o que se verá no próximo dia 30 de janeiro, sobretudo após a vitória de Rui Rio, no PSD, com uma imagem mais moderada do que a do truculento Paulo Rangel e a dos seus apoiantes, disfarçados ou declarados. Tendo sido as decisões partidárias o que foram, só por ingenuidade ou cinismo se pode pensar que a próxi

Portugal e a sua História -2. E a SIC

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Diz-me o leitor Octávio Lima, num comentário às 16H29, na minha página de Facebook, que «A SIC abriu o noticiário das 13h de hoje dizendo que era o dia da restauração da República. Ia-me engasgando, poisei o copo e a minha esposa confirmou o que tínhamos ouvido. Nem sei como a maquilhagem da apresentadora não estalou. Os truques do costume já terão feito eclipsar a monumental gafe, sem os devidos pedidos de desculpa.» Acontece que é uma reincidência (estará em arquivo?) pois, há dois anos com o título «Portugal e a sua História», escrevi: (…) A SIC também confundiu a restauração da soberania, em 1640, com a implantação da República, em 1910, com a leviandade equivalente ao desprezo dos ignaros, PR e PM, que em 2013 suprimiram os feriados. Pensei que não havia jornalistas com igual nível de iliteracia. Quem nos acode? Aqui fica a imagem de há 2 anos:

Notas Soltas – novembro/2021

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COP26 – São necessárias medidas drásticas para mitigar as alterações climáticas, mas o mito do crescimento perpétuo e a necessidade de manter modelos de bem-estar pode conduzir a um rotundo fracasso e à inabitabilidade do Planeta para gerações futuras. Eleições legislativas – O PR ignorou a urgência que alegou, ao adiar a data de 16 para 30 de janeiro, numa decisão hostil a Rui Rio e a favor de Paulo Rangel. Não resistiu a escolher o líder do PSD e a ser o ideólogo da sua ala mais conservadora. Perdeu. ONU – A capacidade de persuasão do seu secretário-geral, António Guterres, superou largamente o poder da mais importante instituição mundial na dramática questão do aquecimento global, deixando sem argumentos os que desprezam o futuro do Planeta. PR – O infeliz anúncio prévio de eleições, no caso de chumbo do OE-2022, alienou as alternativas, a isenção e capacidade de intervenção. Se o quadro parlamentar se repetir, será responsável por eleições inúteis, e terá explicações a dar

A VALSA DOS MALABARISTAS

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Parecem ácaros a sair das alcatifas para fingirem que gostam da luz do sol. Até a última frase arranha a gramática! «Estou certo (de) que nenhum (ou ninguém?) tem dúvidas (de) que Rui Rio é muito melhor que António Costa». José Manuel Fernandes era o cúmplice de Cavaco no caso das escutas, tão falsas como o ex-militante da UDP/PC(R). Podia, pelo menos, acertar na gramática.  Afinal o jornalista está para o idioma como para a ética e a coerência.  Não merece o que lhe pagam. Parecem ácaros a sair das alcatifas para fingirem que gostam da luz do sol. Até a última frase arranha a gramática! «Estou certo (de) que nenhum tem dúvidas (de) que [o] Rui Rio é muito melhor que [o] António Costa. José Manuel Fernandes era o cúmplice de Cavaco no caso das escutas, tão falsas como o ex-militante do UDP/PC(R). Podia, pelo menos, acertar na gramática. Afinal o jornalista está para o idioma como para a ética e a coerência. Não merece o que lhe pagam. Apostila - Também ninguém lhe ensinou, noutra fra

PSD – a disputa de Rangel a Rui Rio

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A vitória de Rui Rio sobre Rangel é uma colossal derrota do aparelho do PSD perante os militantes do partido. Bastou uma sondagem, que mais parecia um palpite, da TVI, já com chancela da CNN, para intimidar os sindicatos de voto de Rangel e deixar livres os eleitores. A moderação de Rio foi a única vantagem que exibiu sobre o seu acarinhado adversário. Com a derrota, Rangel volta para Bruxelas a acabar o mandato, a difamar o Governo e a defender as posições mais à direita, mas arrastou consigo a plêiade de figuras públicas e figurões que não toleram a Rui Rio a sua autonomia. Até a lei da eutanásia voltará a ser aprovada, depois de o PR ter pretextado outra reavaliação pela próxima legislatura. Amanhã nenhum jornal dirá que o PR foi o grande perdedor e que será obrigado a tecer a Rui Rio as loas de que precisa para proteger o partido ao serviço do qual interfere nos outros órgãos de soberania. Para o PS foi um resultado prejudicial, sobretudo agora, quando na próxima legislatura

TVI – As sondagens, a luta pelas audiências e a luta pelo poder

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O colosso informativo CNN é agora o logotipo de empréstimo à TVI, um canal dado à Igreja católica por Cavaco Silva na mais leviana das decisões que o poder discricionário permitiu ao jovem salazarista que a democracia reciclara. A TVI era a pior candidatura, aquela cuja estrutura acionista, projeto e capitais próprios menos recomendava, e a que mais prometia em indulgências a quem a ajudasse, embora dos dividendos não haja notícia e das próprias bênçãos se desconfie. Acabou falida, com os suplementos de alma, «as boas ações», promovidas nas missas, a evaporarem-se por entre prejuízos que os paramentos não puderam tapar. Mário Castrim, escritor, católico e notável crítico de televisão fez sobre a TVI o mais implacável e certeiro diagnóstico, «nasceu na sacristia e acabou na sarjeta». A CNN é excessivamente grande para a deixar sucumbir e a TVI pequena demais para arruinar o prestígio da patrocinadora, mas já deu sinais de que o grande capital não veio para conquistar apenas quotas

Portugal, um país onde a ditadura fascista se opunha à dignidade

Há causas que valem a pena, que exigem empenhamento cívico, coragem de as assumir e determinação de lutar por elas. Há desculpas que envergonham a Humanidade, e uma das mais repugnantes é a tradição, uma explicação por defeito de todas as iniquidades. Pode pensar-se que Portugal, vítima da Inquisição, do clericalismo e da Contrarreforma, sem ter beneficiado da Reforma, foi exceção na Europa onde a civilização chegou mais cedo, especialmente aos países da Reforma, mas as iniquidades foram uma constante em numerosos países até demasiado tarde, até aos nossos dias. Quando nos damos conta de que alguns importantes saltos civilizacionais tiveram lugar há tão pouco tempo, sentimo-nos percorridos por indizível vergonha e incrédulos pelas injustiças que persistiram durante a História de oito séculos de que nos vangloriamos. Pasmo com as informações que guardei do Diário de Notícias de 17-11-2014, pág. 19, factos que conheci, e a memória, talvez por vergonha, reportava a épocas mais recua