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A mostrar mensagens de Junho, 2018

Tutti Frutti ou Tutti Quanti?

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A ‘Operação Tutti Frutti’ [link], levada a cabo pela PJ e MP, traz para a atualidade política a questão da transparência negocial e os esquemas de favorecimento que parecem ser endémicos. Na verdade, esta operação - à primeira vista - parece ter uma incidência particular pois sugere incidir sobre o financiamento partidário à custa de ‘sacos azuis’. Será uma das razões porque a seu objeto tem um âmbito (volume) tão alargado. Mas será impossível dissociar mais este escândalo dos permanentes episódios corruptivos (disruptivos?) que têm fustigado o País. Na verdade, os casos de opacidade financeira e negocial que estão na berlinda, surgem em catadupa e continuam a castigar este País, são muito vastos e penosos para o contribuinte indo desde o sector financeiro (BPN, BES, BANIF, etc.), ao largo espectro de oblíquas atividades rentistas tecidas à volta das (ex) grandes empresas públicas (EDP, REN, GALP, etc.) que originaram uma ‘captura regulatória’, às Parcerias Público-Privadas (PPP) c…

José Manuel Tengarrinha

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A pouco e pouco vão desaparecendo as referências da luta antifascista. Zé Manel, como era tratado o académico e político, de trato fácil e cativante simpatia, por todos os sócios da cooperativa Devir, foi um dos muitos perseguidos e presos pela ditadura. Faleceu há pouco.

No início da década de 70 era um dos muitos intelectuais que animavam a Cooperativa da rua Duque de Loulé. Um dia por semana havia uma conferência que era uma aula de formação cívica e política. Ele era um dos que se destacava e dos mais assíduos.

Pereira de Moura, Carlos Carvalhas, Sérgio Ribeiro, Lino de Carvalho, Sottomayor Cardia, Hugo Blasco Fernandes, Ana Maria Alves, Urbano Tavares Rodrigues, Lindley Cintra, Vítor Santos, César Oliveira, Nuno Brederode Santos e muitos outros eram presenças assíduas.

Foi ali que que os touros da ganadaria do capitão Maltez Soares, a polícia de choque de Lisboa, nos atacaram enquanto destruíam o recheio e os sócios em fuga eram marcados com tinta azul de metileno, lançada pelos…

O PR e Marcelo

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O PR é o cidadão simpático, culto, inteligente e bem preparado para o cargo que exerce. Marcelo é o titular hipercinético, que fez caminho como comentador pago, e se mantém no ramo, de graça.

O PR é um constitucionalista eminente que conhece bem as suas atribuições, mas que se deixa arrastar por Marcelo e invade atribuições alheias, incapaz de se refrear, a caminho de um segundo mandato, se a saúde e o desgaste o permitirem.

O desmaio público foi um plágio ou uma infeliz coincidência com o que a aconteceu ao seu antecessor, que acordou ao colo dos militares. A comunicação social não falou mais do assunto, e um país exigente devia pedir explicações. A eventual falta de saúde não é apenas um prejuízo para as televisões, é perigosa para a harmonia institucional que o PR preserva e Marcelo se excita a desafiar. Era tempo de sabermos, através de um boletim médico isento, a causa do aparatoso desfalecimento.

Quem nunca tenha passado os olhos pela Constituição, há de pensar que o PR comanda…

Da sacristia de S. Bento - Onde mora a laicidade?

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Importância: Alta


INFORMAÇÃO DE AGENDA 28 e 29 de junho, 2018
AGENDA MINISTRA DA JUSTIÇA
A Ministra da Justiça estará presente no quinto consistório, em representação do Governo português, na confirmação de 14 novos cardeais, entre os quais, D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima. LocalBasílica de São Pedro, em Roma Melhores cumprimentos,
Press Officer Gabinete da Ministra da Justiça

Ainda sobre migrações …

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A ‘crise migratória’ é o assunto do dia no espaço europeu e tem levado a múltiplas considerações e análises  link.  As migrações que ‘atormentam’ a UE gravitam à volta de uma palavra: Miséria. São as miseráveis guerras, a miséria das perseguições (políticas, étnicas e religiosas) e a miséria da fome e do subdesenvolvimento. É difícil estabelecer uma hierarquia entre estas indigências. Todas e cada uma per si são motivos mais do que suficientes para colocar pessoas em fuga e em busca de melhores condições de vida. Ninguém quererá permanecer ancorado a uma ‘miséria de vida’. O grosso do fluxo migratório europeu é oriundo da Síria. A inocência da UE - e do Mundo - no desenrolar do devastador conflito sírio não pode ser invocada. Seria escandaloso faze-lo.  Não restará a menor dúvida de que a população síria que foge de uma guerra civil fratricida à mistura com a inaudita violência do terrorismo (de índole política ou religiosa) carece de proteção internacional. Estas situações ultrap…

A Europa e as migrações

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Nem os fenómenos migratórios são novos nem o racismo e a xenofobia são sentimentos recentes, muitas vezes dos imigrantes chegados há pouco, dos que facilmente esquecem como vieram, quando chegaram e de onde partiram.

A Europa foi sempre um espaço de encontro de povos, que deve à miscigenação a força da sua gente e ao caldo de culturas a fonte do progresso, tornando-se farol de esperança e destino sonhado de multidões em fuga, na luta pela sobrevivência.

A vaga de refugiados que a tem procurado não é excessiva e podia ser a garantia do seu rejuvenescimento, neste inverno demográfico que a atingiu. Aliás, muitos dos refugidos são produto das políticas predadoras de países europeus e de agressiva interferência em regimes de outras nações, em outros continentes, mas é difícil combater a rejeição que alastra nos países desta Europa onde nem a Senhora Merkel, a sua maior estadista deste século, consegue convencer o próprio país a não repetir o passado que devia assustá-lo.

Há erros graves …

O Papa criou um cardeal para o terço de Joana de Vasconcelos

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Coincidência ou plágio?

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Culturas

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Tão próximas na areia que as une e tão distantes na liberdade que as separa.

São josemaria – 43.º aniversário do seu passamento

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Há 43 anos faleceu monsenhor Josemaria Escrivá, indefetível apoiante do genocida Francisco Franco e fundador do Opus Dei, apoiante dos negócios políticos de João Paulo II, que levaram à falência fraudulenta do banco Ambrosiano e à criação de centenas de santos em Espanha, todos mártires do mesmo lado da guerra civil.

Teve uma vida ao serviço de Deus e do fascismo, acompanhou as tropas sediciosas a Madrid, e os seus devotos, a quem indicou o caminho, levaram à falência os impérios Matesa e Rumasa, para maior glória da prelatura e benefício dos desígnios do Monsenhor.

Mal refeito da defunção, fez três milagres, mais um do que era necessário para a santidade. O primeiro foi no ramo da oncologia, a uma freira, prima de um ministro de Franco, que morreu curada. Está nos altares e deixou um exército de prosélitos, apto a enfrentar o Islamismo e a subsidiar o Vaticano, onde, depois de dois pontífices amigos, o Espírito Santo iluminou mal os cardeais do consistório e lhes negou o terceiro.

F…

O que escondem as bagatelas judiciais?

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Os ex-líderes parlamentares sociais-democratas Luís Montenegro e Hugo Soares vão ser constituídos arguidos pelo alegado crime de recebimento indevido de vantagem no caso das viagens do Euro 2016.

Não tendo a mínima simpatia pelos referidos políticos, não me sinto confortável com a sua perseguição, com o que julgo serem bagatelas penais, quando há crimes graves cuja hierarquia devia ser estabelecida pela PGR, sem prejuízo da autonomia dos magistrados a quem cabe a investigação.

Inquirir um ‘crime’ feito às escâncaras, com fotografias, horários e locais de pernoita e repasto conhecidos, para irem ver um jogo de futebol da seleção nacional, supondo que isso os corromperia, afigura-se tão grave como a aparente displicência com o caso dos submarinos, a Tecnoforma ou o desaparecimento de 3 mil milhões de euros já depois da ruinosa decisão da resolução do BES.

Aceitar que um deputado ou um membro do Governo se deixa subornar à vista de toda a gente é pior do que admitir que no BPN, Banif, B…

Henrique Galvão – No 48.º aniversário da morte de um inimigo de estimação de Salazar

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O 48.º aniversário da morte de alguém, por muito ilustre que seja, não é data adequada à celebração de uma efeméride, mas é um excelente pretexto para evocar episódios da luta contra a ditadura salazarista.
Henrique Galvão, ainda cadete, participou em dezembro de 1917 na revolta que levou Sidónio Pais ao poder, aderiu ao golpe de 28 de maio e foi um salazarista. Excelente organizador, foi administrador do concelho de Montemor-o-Novo, inspetor da administração colonial, governador de Huila, Comissário Geral da Exposição Colonial Portuguesa (Porto, 1934), deputado, diretor da Emissora Nacional, responsável pela secção colonial da Exposição do Mundo Português (1940).
Escritor, com vasta obra publicada, estava destinado a ser um dos vultos do salazarismo, mas porque, como disse, “Ninguém conhece melhor o amo que o seu criado de quarto”, opôs-se ao ditador no início da década de 50, tornando-se um inimigo audacioso e protagonista de alguns dos mais espetaculares e mediáticos golpes contra o…

Henrique Galvão – No 48.º aniversário da sua morte

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HUMOR

Numa aula de História, o professor pergunta ao aluno:

- Diga-me, menino Augusto, qual foi o português que, ao longo da sua vida, lidou mais de perto com os Santos?

O aluno pensa durante alguns momentos, respondendo por fim:

- Foi Henrique Galvão, senhor professor!

- Ora essa! - Admirou-se o professor. Então porquê?

O aluno:
- Porque nasceu em Santa Isabel, no dia de Santo Hilário.

Foi batizado no dia de Santa Catarina e frequentou a escola de Santa Filomena.

Morava no Campo de Sant'Ana, deu uma queda em Santa Bárbara e foi socorrido no Hospital da Ordem Terceira de São Francisco.
Foi preso e julgado no Tribunal de Santa Clara, pelo juiz Santiago.

Esteve internado sob prisão no Hospital de Santa Maria, de onde fugiu no dia de Todos os Santos.

Assaltou o paquete Santa Maria, ao qual deu o nome de Santa Liberdade.

Passou pela Ilha de Santa Lúcia, a caminho de terras de Santa Cruz, fixando residência em São Paulo, na Rua de Santa Teresinha, onde viveu exilado, por causa de um &q…

O Vale dos Caídos e a Espanha franquista

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O anúncio da transladação dos restos mortais de Francisco Franco, do Vale dos Caídos, no cumprimento da decisão unânime, aprovada em sede parlamentar, não é apenas um ato de reparação histórica às vítimas, é um corte com a herança que envergonha o País perante a História e o compromete no seio dos países democráticos.

Pedro Sánchez apenas se limitou a confirmar o cumprimento do compromisso e da sua obrigação, e acordou demónios adormecidos do fascismo. Sobressaltou os herdeiros da Falange, inquietou os filhos dos algozes, levou o alvoroço às sacristias, fez tremer báculos, agitar mitras e enraivecer velhos purpurados. Até a Fundação Franco, que nenhum político teve coragem para extinguir ou, sequer, investigar, praguejou contra a medida de higiene que a democracia exige.

Não há outro país europeu que, por masoquismo ou falta de pudor, perpetue a memória de um genocida e o venere, por respeito aos direitos humanos e ao pluralismo político, herdados do Iluminismo, e assimilados na sua …

Em Espanha

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Era assim em 2013, e hoje?
Em Portugal nem sequer nos dizem.

Há um prenúncio de morte... [*]

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O abandono pelos EUA do Conselho de Direitos Humanos da ONU link é indissociável dos atropelos democráticos que varem a América sob a administração Trump. Verdade que o ‘enviesamento democrático’ neste terreno não começa com Trump, nem acabará com ele, será - como sabemos - uma consequência do sistema, isto é, das contradições do capitalismo. Este Conselho que surge em 2006 como uma reformulação da anterior ‘Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos’ nasce apesar da oposição dos EUA (e vale a pena acrescentar de Israel). Regressando aos tempos correntes esta acintosa atitude não pode ser desligada da campanha presidencial de Trump e das posições então manifestadas sobre o problema migratório. Trump anunciou a construção do muro com a fronteira do México mas, na realidade, está empenhado no cavar de uma trincheira com o Mundo civilizado. Existem algumas coincidências nesta incompreensível posição de abandono de um fórum para a defesa dos Direitos Humanos. A primeira destas c…

O desprezo pelo futuro

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A minha geração é a última que vive melhor do que as anteriores e ninguém se preocupa com o futuro dos filhos ou a herança que vai deixar aos netos.

O consumo não é apenas a vertigem de quem mede o prazer pelos benefícios imediatos, é a bitola com que cada um disputa a superioridade a que se julga com direito. Há quem considere ilimitados os recursos do Planeta e seja alheio à imensa maioria, sem acesso a água potável, ar saudável, alimentos ou saúde, sem paz, nem sequer direito à vida.

Quem tira um curso e adquire conhecimentos à custa do investimento de todos, julga-se no direito de não retribuir. Somos o produto do logro que julga imparável o crescimento e inesgotáveis os recursos, legítima a acumulação de bens e tolerável a pobreza.

A bomba demográfica continua a explodir e a multidão de miseráveis cresce. A cegueira de governantes cujo poder lhes garante a impunidade arrasta-nos para o abismo e deixa-nos impotentes face à dimensão da tragédia que já está aí, o ar cada vez mais p…

Um cartão que inspirava calafrios

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Para quem nunca sentiu suores frios, as pernas a tremer e taquicardia, ao ver um esbirro da Pide a identificar-se; para quem nunca teve um amigo pelo qual não perguntava, por adivinhar quem lhe dera sumiço; para quem desconhece as sevícias que nas masmorras da ditadura se praticavam, aqui fica o cartão do chefe dos torcionários.

Mas seria demasiado ingénuo pensar que um polícia, por mais poderoso, fosse o artífice da ditadura, o cérebro do fascismo, o inspirador dos canalhas.

Por trás dos esbirros está o seu mandante e, por trás deste, está o sistema económico que o cria, o regime que é o braço repressivo da classe que domina.

Então, como agora, são as figuras menores, que receberam gorjetas, a enfrentarem as perseguições judiciais. E basta que um desses empregados seja preso para acalmar as boas consciências e se gritar que foi feita justiça.

O horror de Maomé ao toucinho

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Mundial de futebol 2018

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Que na euforia do futebol e na loucura pelo ídolo nacional se esqueçam os pés de barro que abateram o colosso no campo da ética e do exemplo que devia ser, é a atitude que se compreende quando o coração manda mais do que o cérebro, e a virtude está nos pés.

Que o PR, que tudo comenta, não se comprometa com uma simples frase que pode pôr em risco a própria popularidade, laboriosamente construída, incêndio a incêndio, missa a missa, beijo a beijo, abraço a abraço, na explosão de afetos que prodigaliza, é natural. Há um segundo mandato à espera e o coração dos portugueses a pulsar ao mesmo ritmo, com extrassístoles sentimentais sincronizadas com as do PR dos afetos.

Que a beleza de um desporto e o sortilégio da sua execução nos arrebatem e transportem para a euforia, a que nem os mais calmos resistem, compreende-se. Perdoam-se pecados mortais no êxtase de irrepetíveis alegrias.

Difícil é entender que o virtuosismo dos pontapés na bola possa ser contaminado pelos pontapés na ortografia, …

Protetores de Almas – Cogitações de um ateu

Não sei como se sentem os protetores de embriões, óvulos e células correlativas, quando uma alma por erro de navegação ou capricho da natureza se infiltra num feto estacionado fora do parque, em sítio proibido.

Refiro-me às gravidezes ectópicas. Trata-se de asneira de Deus ou produto do acaso, mas, para quem tudo o que acontece de bom é obra de Deus e o mal fruto do Diabo, deve ser um dilema que perturba o entendimento e consome os neurónios.

Para os pios, a ejaculação é um genocídio e o aborto uma alma que se desperdiça. Só assim se percebe a sanha com que os protetores das almas encaram o sexo e a irritação que lhes causa a reprodução medicamente assistida.

Há neste negócio das almas obscuros interesses e perturbações mentais.

Dos caminhos rurais abalaram as caixas de esmolas das alminhas do Purgatório e, lentamente, vão acabando as missas de sufrágio e os lucrativos trintários, moedas celestes para antecipar a vaga no veículo que liga(va) o Purgatório ao Paraíso.

As almas estão à g…

Viva Espanha! Arriba Pedro Sánchez!

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O governo do PSOE terá vida difícil, mas sobra-lhe ânimo para a decência democrática e o civismo republicano, sob a circunstância monárquica.

Pedro Sánchez surpreendeu ao formar governo com mais governantes do sexo feminino do que do masculino, com mulheres de grande competência profissional e currículo exemplar, para surpreender de novo com a maior operação humanitária de sempre para acolher os refugiados a que alguns países se negaram e outros fizeram vista grossa.

Agora, propõe-se executar a proposta do seu partido, aprovada em 2017, de trasladar os restos mortais de Franco, do Vale dos Caídos, onde permanece há 42 anos, por decisão do próprio ditador, um duradouro insulto à democracia, com a conivência de uma direita que primeiro alegava as feridas que podia abrir e, depois, a inutilidade de lembrar um assunto esquecido, para perpetuar as honras ao opressor fascista.

Hoje mesmo, a comissão executiva do PSOE, a que preside Pedro Sánchez, propõe ao Governo a elaboração da lei que i…

No 1.º aniversário da tragédia de Pedrógão Grande

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A comunicação social procede à mórbida celebração do incêndio. Enquanto requeima as vítimas em imagens repetidas até à náusea e se resssufragam as almas em remissas televisionadas, com mais pessoas do que crentes, impede-se o luto dos que sofrem a dor da ausência dos que o fogo devorou, ainda a sangrar por dentro.

Há nesta lúgubre ostentação da tragédia o aproveitamento que, desde o início, serviu objetivos políticos que apenas o delírio do presidente da Misericórdia e do PSD de Pedrógão atenuou com os suicídios que imaginou em transe partidário e oportunismo antidemocrático.

Foram mais respeitados os mortos que um carvalho paroquial esmagou no adro da igreja ao tombar sobre uma procissão, na Madeira, mas tiveram menos sorte os estropiados e os herdeiros dos falecidos porque os fundos da diocese eram para a salvação das almas e os do Estado para reparar os danos oriundos de matas particulares e da inclemência do tempo.

Das 13 pessoas mortas no Funchal, incluindo uma criança, pela que…

A ditadura e o clero português

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Há folhetos que valem dezenas de páginas de um compêndio, panfletos que se tornam o libelo acusatório de um regime e da cumplicidade que o perpetuou, papéis que ficaram a atestar uma época, um regime e a Igreja de que o ditador foi o produto.

Para os que esqueceram as rezas das missas pela longevidade dos governantes e orações pias de agradecimento aos próceres do fascismo, aqui fica um documento para gáudio dos democratas e vergonha dos fascistas.


Ainda sobre a cimeira de Singapura (Sentosa Island)…

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A (ainda) recente cimeira de Singapura - entre Donald Trump e Kim Jong-un - continua a ser um insondável enigma, provavelmente um fogo-fátuo. Não se percebe como a dinastia Kim que levou largos anos a investir no armamento nuclear e balístico, como instrumento de sobrevivência do regime norte-coreano, colocando os seus cidadãos num miserável subdesenvolvimento, agora, com um golpe de mágica, resolve deitar borda fora este pesado investimento bélico em troca de vagas e vãs promessas de desenvolvimento económico futuro.
Por outro lado, é muito pouco convincente que a diplomacia norte-americana – com o histórico de negociações na Ásia - tenha descurado questões respeitantes à península do Coreia que, em termos geoestratégicos, dizem respeito à influência norte-americana no Oriente. Para além das questões orçamentais, logo sublinhadas por Trump, à volta de um eventual regresso a casa do forte contingente militar aí destacado, tudo o resto mantem-se insondável e oculto. A troca de 'desnuc…

O PR e as autonomias

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O PR disse que, ao ter votado como deputado da Assembleia Constituinte o regime de governação do arquipélago, [a autonomia regional] percebeu que este era um "processo imparável, irreversível, de virtualidades crescentes e que, longe de ser contraditório com o todo nacional em que nos integrávamos, só valorizava e enriquecia".
(Do discurso do PR, em Ponta Delgada, no 10 de Junho)

As autonomias regionais são o exemplo que impediu a regionalização do Continente em 4, o máximo 5, regiões, que dispusessem de massa crítica para a sua gestão e fossem um fator de harmonia e desenvolvimento ordenado e sustentável.

Foram os órgãos político-administrativos faraónicos e altamente onerosos dos Açores e da Madeira, a que se juntou o espírito truculento e chantagista do soba madeirense, que criaram a desconfiança sobre as virtudes da regionalização, que continua necessária, no Continente.
A solidariedade com os Açores e a Madeira não está em causa, mas a racionalidade dos seus órgãos, qu…

A menina do cartaz e a eutanásia

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Vera Guedes de Sousa é uma aluna de medicina que se tornou conhecida por empunhar o cartaz onde se exonera a inteligência e se apela ao medo. Pode vir a ser uma razoável médica, mas será uma medíocre cidadã e excelente rata de sacristia.

Quando um assunto tão sério, em que se trata da morte, não é discutido, e apenas serve para assustar os incautos, como outrora se aterrorizavam os crentes com as labaredas do Inferno, não estamos no domínio do racional, entramos no terrorismo psicológico.

É tão legítimo defender uma posição como a sua contrária, embora, no que diz respeito à eutanásia, se confronte um direito individual, que não obriga ninguém, com a decisão de quem impõe a todos a sua própria convicção.

O chumbo legislativo, em que pesaram mais os cálculos eleitorais e as guerras internas do ainda maior partido parlamentar, do que as convicções individuais, não extinguiu o problema nem tornou irreversível a solução.

Raras matérias são tão transversais a todo o espetro político e tão…

Desabafo

"Quem errou, intencionalmente ou por negligência, soube hoje que saiu derrotada neste processo a sua visão autoritária do processo penal. Assim como saiu derrotada a visão corporativa da proteção dos pares em relação aos erros graves por si cometidos. E saiu derrotada a visão  perversa do processo penal, baseada no abuso da ocultação de provas e na manipulação mediática de processos judiciais.”

(Paulo Pedroso, vítima der um erro e do corporativismo judiciários)

Associação Ateísta Portuguesa (AAP) - Comunicado

Justiça, política e democracia

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Não há Estado de Direito sem independência dos Tribunais, nem democracia refém de juízes. Os erros judiciários, tal como os erros médicos, acontecem e não são razão para censura, são motivo de mera reflexão e, tanto quanto possível, de reparação dos danos causados.

Os protofascistas acusam todos os juízes e todos os políticos de corruptos, geralmente para fingirem que são honestos, biltres que preferem as ditaduras. Há juízes e políticos corruptos, mas, quero crer, em percentagem bem menor do que no comum dos cidadãos.

Acaba de ser conhecida a notícia de que «O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos criticou a decisão do juiz Rui Teixeira que não deu acesso à defesa dos testemunhos e dos relatórios médicos das alegadas vítimas e condenou ainda os tribunais da Relação e o Supremo por terem negado uma indemnização ao antigo governante por detenção ilegal.».

O juiz Rui Teixeira procedeu bem quando investigou Paulo Pedroso, mas foi intolerável quando foi à Assembleia da República, com câm…

Governo espanhol

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O governo espanhol pode ser efémero, mas é uma lufada de ar fresco com a brisa feminina a transformar-se em vento forte.

Fica o exemplo.

A menina do cartaz

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Vera Guedes de Sousa pode vir a ser uma razoável médica, mas será uma medíocre cidadã e uma excelente rata de sacristia.

O poderoso imbecil

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Esta foto da reunião do G7 no Canadá, publicada hoje na capa do DN, ilustra bem quem possui a força sem ter a inteligência.

Associação Ateísta Portuguesa (AAP) - Comunicado

Associação Ateísta Portuguesa - COMUNICADO Nova ponte Porto/Gaia
Exmos. Srs. Presidentes da Câmara Municipal do Porto e de Vila Nova de Gaia
Dr. Rui Moreira 
Dr. Eduardo Vítor Rodrigues Excelências, A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) solidariza-se com os movimentos de cidadãos e Associações que propõem o nome do cineasta Manoel de Oliveira para a nova ponte sobre o rio Douro, a ligar o Porto a Gaia. A AAP entende que o grande cineasta, de relevo internacional, não é apenas uma referência para a cidade do Porto, é uma glória para Portugal, cuja obra é conhecida por cinéfilos de todo o mundo. Acresce que filmes importantes de Manoel de Oliveira, “Douro, Faina Fluvial”, “Aniki-Bóbó” e “O Pintor e a Cidade” são verdadeiras odes ao rio Douro cujas margens a nova ponte une. Assim, e dado que o nome proposto pelos presidentes de câmara do Porto e de Gaia – António Francisco dos Santos – se refere a uma personalidade de menor relevo e inferior contributo para tornar conhecida a região, inferi…

Recordar o ditador

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Ontem, comemorou-se o 60.º aniversário da fraude eleitoral que retirou a vitória a Humberto Delgado.

Hoje recordo os devotos do sinistro ditador que inspirou a burla e o posterior assassinato do «general sem medo» .

60.º aniversário de uma eleição fraudulenta

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Há 60 anos, no dia de hoje, Humberto Delgado, general da aeronáutica saído das fileiras do Estado Novo, recém-convertido à democracia, fez tremer Salazar e o regime fascista que o sustentava.

A ditadura percebeu nesse dia, nas eleições que o «general sem medo» ariscou disputar, que o voto popular não mais lhe permitia manter a fachada democrática, por maior que fosse a repressão, por mais retaliações que exercesse, por mais restrições que impusesse à liberdade de expressão e à circulação de ideias.

Humberto Delgado galvanizou o País e, quando um jornalista lhe perguntou o que faria a Salazar, se vencesse as eleições, e respondeu “obviamente demito-o”, o país perdeu o medo e entrou em euforia, antes de o regime consumar a fraude e redobrar a repressão.

Após a fraude, que alterou os resultados eleitorais, a ditadura redobrou a vindicta contra opositores, reforçou a censura e endureceu a vigilância e repressão que a Pide, a Legião e a União Nacional sempre tinham usado.

Seguiram-se as p…

Coimbra 2018 -- A bênção das pastas

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Não há evidência estatística que prove que a bênção das pastas traga benefícios aos estudantes ou abra a porta ao primeiro emprego.

Não há ensaios duplo-cegos que provem a correlação positiva entre a fé e a preparação académica, entre a eucaristia e o conhecimento científico, entre as orações e o domínio das sebentas.

Tirando o colorido fotográfico de um bispo paramentado a rigor e estudantes com vestes talares, não há nos borrifos de água benzida, arremessados a golpes de hissope, a mais leve suspeita de que a benta humidade conserve o coiro da pasta ou do portador.

Há, todavia, no circo da fé, genuína alegria, uma absoluta demissão do sentido crítico, a força poderosa do «porque sim», que impele os universitários de Coimbra para a missa na Sé Nova a pedir a bênção da pasta e a prometer que vão espalhar a felicidade.

Vão ao confesso dizer os «pecados» para que se preparam, segue-se a eucaristia antes da cerveja, despacham umas ave-marias e mergulham na estúrdia da semana de todos os…