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A mostrar mensagens de 2022

A câmara de Coimbra entrou no ramo dos veículos usados

O atual autarca de Coimbra, presença permanente nos jornais locais, iniciou o mandato com o pseudónimo partidário “Nós, Coimbra”, mas sob o emblema do PSD, de que foi militante, e contra o qual, rejeitado, tinha concorrido nas anteriores eleições autárquicas. Roma não pagava a traidores, mas o PSD atrai-os. Assim, o líder dos sócios que restam na agremiação “Nós, Coimbra”, começou o mandato de presidente da Câmara a mudar o nome da capela do Convento S. Francisco para capela D. Afonso Henriques, e a gritar contra o Governo PS na esperança de que o PSD pudesse ganhar as eleições legislativas. Por demagogia, o novo edil procedeu ao ruinoso negócio de vender em hasta pública, por 41.800 €, o Audi A 8, da anterior vereação, cujo custo tinha sido, em 2018, de 83 mil euros. Obteve metade do preço da compra e ficou sem a viatura que transportaria condignamente, além dos autarcas, personalidades nacionais e estrangeiras que visitam a Câmara de Coimbra. A notícia encheu duas colunas do DC

A loquacidade de Marcelo e a imprudência do PR

O Presidente da República anunciou que António Costa visitará vários países de Leste, considerando uma feliz coincidência que vá à Ucrânia quando ele, PR, estará em Timor. Sendo do mais elementar bom senso evitar a divulgação da data, por razões óbvias de segurança, não terá sido profunda irresponsabilidade o anúncio de uma decisão que não cabia ao PR?  Até quando os media continuarão a dar cobertura às imprudências do PR?

Leilão de imóvel

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A Assembleia da República e as leis da família

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O projeto de lei de um grupo de deputados do PS, que previa a capacidade de coadoção por casais ou unidos de facto, do mesmo sexo, foi aprovado pela AR em 17-05-2013, na generalidade, com 99 votos a favor, 94 contra e nove abstenções. Faz hoje 9 anos. A decisão foi um problema de consciência, mas não se percebia que um cidadão solteiro e homossexual pudesse adotar uma criança, e um casal de indivíduos do mesmo sexo o não pudesse fazer. Acresce que o facto de ninguém poder ser discriminado em função da sua orientação sexual, legitimava a decisão da AR. Esperei sempre a opinião dos psicólogos para a formação da minha própria opinião, mas não tinha dúvidas de que o afeto de que todos precisamos, em especial, as crianças, não depende da orientação sexual de quem o dedica. Já os oposicionistas pareciam mover-se por razões de natureza religiosa ou radicada num preconceito. Só me surpreendeu que o CDS, perdida a votação sobre uma matéria que dividiu o seu próprio partido ponderasse pedi

Conselho de Estado – Há 9 anos

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Com as substituições e trocas de cadeiras, ocorridas nos últimos 9 anos, o Conselho de Estado mantém-se com muitas caras conhecidas. Espera-se que a exibição pública da legítima fé particular dos mais altos dignitários do Estado não assemelhe o órgão de aconselhamento do PR numa espécie de reunião de leigos para aconselhamento da Conferência Episcopal Portuguesa.

A Europa, a União Europeia e a Nato

Perante as recentes e assolapadas paixões pela NATO, que atraíram velhos resmungões contra pactos militares, espero não ser anatematizado por lembrar que, ao contrário da União Europeia, que exige a democracia e o respeito pelos direitos humanos aos países membros, a Aliança Europeia teve nos seus fundadores o Portugal de Salazar e, agora, é integrada pela Turquia onde tem as mais numerosas Forças Armadas fora dos EUA. Quando os mais indefetíveis amigos me consideram suspeito, talvez por persistir numa posição que se tornou obsoleta e mal vista, volto a publicar o texto que deixei aqui no meu blogue Ponte Europa e no Facebook em 13 de maio de 2019: «A Europa e as ameaças externas A proposta de um plano de defesa europeu autónomo teve a ameaça dos EUA. Washington acusou Bruxelas de violar compromissos adquiridos através da NATO e adverte que põe em perigo décadas de colaboração militar. A carta, de 1 de maio, a que teve acesso EL PAÍS – segundo a edição de hoje –, “está cheia d

A FRASE – Expresso, em linha, 15-05-22, Rita Robalo Cordeiro

«O comentador [Marques Mendes] explicou que “esta lei [lei dos metadados] vai levar a arquivar inquéritos que vêm de trás” [sic] e, neste caso, haverá “dificilmente uma solução”. Não sei o que mais apreciar na homilia do conselheiro de Estado e alter ego de Marcelo, se a perspicácia de descobrir que os inquéritos vêm sempre de trás, ou a descoberta de que a solução de arquivar inquéritos terá “dificilmente solução”.

Confronto israelo-palestiniano

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Na quarta-feira foi morta a repórter Shireen Abu Akleh – segundo a Al Jazeera, atingida por um soldado israelita. No início do cortejo fúnebre da repórter da Al Jazeera, sexta-feira, a polícia israelita atacou vários palestinianos e lançou ainda granadas de atordoamento no local, segundo o jornal Haaretz e a agência Reuters.

Texto de ONOFRE VARELA

  Honestidade religiosa Enquanto ateu obrigo-me a conhecer o fenómeno religioso para me permitir criticar, concordar ou discordar, com aquilo, e daquilo, que à Religião pertence. Por isso so u leitor habitual de livros, notícias e artigos religiosos, científicos ou filosóficos que tratam do tema Religião (e também ouço missas… embora cada vez menos, porque me aborrecem cada vez mais). Nas edições de Domingo do jornal  Público , leio, atentamente, os textos que Frei Bento Domingues escreve em favor da Religião, da fé e da crença, os quais considero muito interessantes, notando neles muito mais o estudioso honesto e o Homem Ético que Bento Domingues é, do que,  somente , o religioso. E nunca neles detectei qualquer traço daquele fundamentalismo que, muitas vezes, contamina o discurso de outros religiosos. No seu artigo intitulado “Não invocar o nome de Deus em vão” (publicado há meia dúzia de anos: 20/11/2016), Bento Domingues diz que, apesar das intenções carregadas de humanidade do pap

Reflexões

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1 – A audiência do PR aos partidos da oposição, para uma mera sessão de má língua e coscuvilhice foi uma das muitas oportunidades que Marcelo usa para ser notícia, mas não deixa de ser um ato gratuito e inamistoso para com o Governo, podendo ser visto como uma tentativa intolerável de liderar a oposição. 2 – A capa do I é uma abjeção que revela o caráter persecutório ao ex-ministro Eduardo Cabrita, após o arquivamento judicial de um insólito processo em que, com objetivos partidários, foi acusado de “homicida por negligência”, por viajar, em serviço, no carro do Estado que atropelou mortalmente um trabalhador da autoestrada.

A liberdade e os seus limites

Há muitos anos que reflito sobre a liberdade e, há muitos mais, que me empenhei na sua defesa. São mais de seis décadas, com obstáculos no percurso, de uma obsessão que me acompanhará até ao fim. Hoje, depois de quarenta e oito anos de democracia liberal, ultrapassado o tempo que os esbirros da ditadura levaram a espiar, perseguir e ostracizar os democratas, e a acossar a liberdade, é o espírito censório que regressa por intermédio de quem se julga detentor da verdade e deixa quebrar o verniz de democrata. Engana-se quem pensa que a democracia é um regime benquisto, que a liberdade é uma conquista irreversível, que a censura está obsoleta, que à livre expressão de ideias basta a consagração constitucional. É uma perigosa ilusão. Quando vemos a opinião publica a constranger a liberdade e assistimos a uma aliança de forças contraditórias concertada na defesa das mesmas posições, sentimos o fascismo a regressar de mansinho. O unanimismo é o caminho para o pensamento único, a desculp

Texto de ONOFRE VARELA - Vice-presidente da Associação Ateísta Portuguesa

  LER E INTERPRETAR Para que a leitura de um texto seja compreendida, precisa de ser interpretada. Entre a leitura e a interpretação, existe a mesma diferença que há entre os actos de olhar e de ver. Quem olha, pode não ver o que está no objecto olhado se não tiver a consciência de ter visto. A leitura de um texto não pede mais do que juntar sílabas e formar palavras que passam pela nossa mente em imagens transmitidas pelos olhos e descodificadas pelo cérebro. A seguir a este simples e automático acto, há a tarefa de interpretar o texto lido, a qual não pertence aos olhos. A interpretação de um texto, ou de uma imagem, precisa de ferramentas fundamentais que o leitor, ou observador, terá de possuir previamente à leitura do texto ou da observação da imagem. O agente principal da leitura ou da observação (que é o leitor e o observador), só consegue interpretar o que acabou de ler ou de observar, se tiver a chave que lhe permita descodificar as palavras lidas ou as imagens observadas.  Co

Efeméride - 10-05-1994

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Há 28 anos tornou-se PR da África do Sul o maior vulto político do continente africano. Foi uma referência para África e para o Mundo. Apostila - Em 1987, o PM português, Aníbal Cavaco Silva, mandou votar contra uma resolução da ONU que exigia a libertação incondicional de Mandela, apenas ao lado dos EUA, de Reagan, e do Reino Unido, de Thatcher, numa votação que registou os 3 votos contra, 129 a favor e 23 abstenções.  Foi a pequenez do mordomo na raiva comum ao Homem.

União Europeia (UE) – O dia da Europa. Esta é a minha Europa

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Esta é a minha Europa, não como a queria, mas a que resta do sonho visionário, daquele projeto singular, nascido no rescaldo da última Guerra Mundial, após 60 ou 70 milhões de mortes e do maior desastre de origem humana de toda a História. O Dia da Europa, criado em 1985, celebra a proposta do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Robert Schuman, que, a 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da II Guerra Mundial propôs a criação de uma Comunidade do Carvão e do Aço Europeia, precursora da União Europeia. Quem tem memória da ditadura e do atraso do Portugal salazarista não esquece o que deve à UE que hoje celebra o dia das Europa em ambiente lúgubre, bem diferente do que merecia, a estimular uma guerra nas suas fronteiras em vez de lutar pela paz. A convicção de que a UE é um espaço civilizacional de que nos devemos orgulhar, fator de paz e de progresso, oásis democrático onde a justiça social e a laicidade dos Estados devem ser aprofundadas, tornou-me um europeí

Há 77 anos – A vitória sobre o nazi/fascismo

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Em 8 de maio de 1945, a Alemanha rendeu-se aos aliados ocidentais e, no dia seguinte, à URSS e seus aliados do Leste, terminando a maior e a mais trágica guerra de sempre, ainda que a Guerra só terminasse de jure com a posterior rendição do Japão. Acabou nesse dia a 2.ª Guerra Mundial na Europa. Dez dias antes, em Itália, Mussolini fora julgado sumariamente e fuzilado com a amante, Claretta Petacci. Dois dias depois, Hitler suicidou-se com um tiro na cabeça, e a sua mulher, Eva Braun, com a ingestão de uma cápsula de cianeto. O Alto Comando alemão, gorada a tentativa de assinar a paz com os aliados ocidentais, rendeu-se, sem condições, em 8 de maio de 1945. Nesse dia começou o fim do pesadelo que o nacionalismo, a xenofobia e o racismo provocaram, desde o dia 1 de setembro de 1939, com a invasão da Polónia, perante a conivência de muitos polacos. A Alemanha, ignorando o tratado de Versalhes, começou a guerra de expansão com fortes apoios em países invadidos. A Espanha, vítima da b

Acuso a intolerância e recuso a propaganda

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Há quem aceite que o embaixador da Ucrânia, em Berlim, insulte o PR alemão e a Sr.ª Merkel, talvez a maior estadista europeia das duas últimas décadas; há quem aprove a arrogância do PR da Ucrânia, a decidir como devem comportar-se os políticos da UE; há quem tolere um dirigente associativo ucraniano a aconselhar a ilegalização de um partido político português; há quem não sinta orgulho em pertencer a um espaço onde não se proíbem partidos e há liberdade de expressão. A solidariedade com um povo invadido não exige consideração ou estima pelos seus dirigentes e as divergências não devem dividir os portugueses nem tornar tóxica uma reflexão sobre a maior tragédia que atingiu a Europa nos últimos 77 anos. Não abdicarei da liberdade de tomar posição e de a exprimir, seja sobre que assunto for, certo de que não terei sempre razão e de que a verdade obrigatória é suspeita. É por isso que neste meu espaço todas as posições são e serão permitidas. Quem tiver paciência para ler um texto q

A laicidade é uma condição de sobrevivência civilizacional

A luta partidária nos países democráticos, com a necessidade de atrair votos, tem levado os Estados laicos à cumplicidade com as religiões, ultrapassando a garantia da liberdade de culto, que é dever preservar, e subordinando-se aos interesses da religião dominante. A globalização trouxe consigo a possibilidade de expansão dos credos à escala mundial, aspiração de todos os apóstolos, que odeiam a concorrência. Na Europa os cristãos ortodoxos procuram manter privilégios ancestrais e reconquistar os países da ex-URSS; o Vaticano, até à chegada do Papa Francisco, pretendeu opor um dique ao islão, atrair os anglicanos, recriar países católicos à custa do desintegração da Jugoslávia e radicalizar a fé em outros países europeus, sem deixar de combater o secularismo e a laicidade; as seitas evangélicas entram no mercado da fé, à escala global, enquanto o Islão, ressentido com o seu atraso e o fracasso da civilização árabe, procura islamizar o mundo à bomba. Se os crentes das várias religi

A freira Lúcia confirmou que a ditadura foi vontade de Deus

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Lúcia de Jesus Rosa dos Santos, Irmã Lúcia para os amigos, foi a mais longeva reclusa de que há memória. Enclausurada ao serviço do Divino durante 84 anos, depois dos 14, faleceu no Carmelo de Coimbra onde era Freira de clausura conventual na Ordem dos Carmelitas Descalços. A ora prima de dois santos, Francisco e Jacinta, precoces na morte e nos milagres, não foi só autora de dois célebres livros pios, Memórias e O Meu Caminho, cultivando com esmero a epistolografia onde revelou igualmente os dotes de adivinhação, como se pode ver no excerto da epístola que aqui deixo:

A União Europeia (UE) está a repetir os anos trinta do século XX?

Quando Jörg Haider, governador da Caríntia, foi indicado para chanceler, em 2000, a UE impôs o cancelamento da nomeação do líder do Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), de extrema-direita. Era então António Guterres presidente do Conselho da União Europeia. O político que elogiou a política de emprego do Terceiro Reich, nacionalista, xenófobo e homofóbico, morreria com uma taxa de alcoolemia de 1,8 gramas por litro de sangue (a conduzir a 142 km/h o carro oficial, onde o limite máximo era de 70 km), no regresso de um bar gay, deixando inconsolável o sucessor, como líder da Aliança para o Futuro da Áustria (BZÖ), com quem mantinha uma oculta e tórrida relação amorosa. Vinte e dois anos depois, a Hungria e a Polónia têm líderes de extrema-direita e apenas têm de conformar-se com as eleições nos prazos previstos. Na Hungria, há um mês, o partido nacionalista de Viktor Orbán renovou a maioria, pela quarta vez consecutiva, de forma esmagadora, para mais um mandato autoritário e antieu

Texto de Onofre Varela - Vice-presidente da AAP

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  N ós e os nossos Enigmas Como surgiu o tempo? O que havia antes dele?  Como surgiu a vida? O que define e molda as tão diversas formas de vida?  Somos o resultado de acasos químicos e físicos em processos encadeados, ou fomos criados intencionalmente por um deus?  O que é um acaso? O que é um deus?  Se fomos criados por um deus “à sua imagem e semelhança”  ( como afirmam os religiosos bíblicos ) , então Deus é um ser humano?!  Se há um deus criador, de onde, e como, surgiu ele? Criou-se a si próprio ou também foi criado? Se foi criado…  quem e como o criou ?  Havia outro deus antes de Deus para o poder criar?!...  E se Deus é incriado  ( como também afirmam os mesmos religiosos ) , como se explica a sua existência? Deus existe real e materialmente, ou é apenas uma ideia abstra c ta?  Se é um ser real com características de criador e interventor, q ue processos usou para criar tudo a partir do nada? Sendo Deus “a causa primeira”, que matéria prima foi usada  no seu surgimento  quando

Texto de Onofre Varela - Vice-presidente da AAP

  Sobre a Morte e a Eternidade Faleceu há dias, inesperadamente, um amigo de longa data. Não tinha doença visível e nada indiciava o findar abrupto daquela vida dedicada ao ensino e à arte de pintar, quando contava pouco mais de 60 anos de vida. Embora eu seja ateu... não sou alérgico!... Costumo assistir às cerimónias fúnebres, não só pelo respeito ao falecido, mas também pelo respeito devido às exéquias que têm sempre uma carga, não só religiosa, mas também emocional e social.  Considero-as um lado positivo das práticas religiosas, pela paz de espírito que transmitem aos familiares e amigos do falecido, no sempre difícil cumprimento do luto, quando estes são crentes.  A morte de quem amamos é uma perda insubstituível e é, sempre, uma injustiça para quem fica a sofrer a dor da separação irremediável de quem tanto amamos. Fazer o luto para que possamos encarar a vida sem a pessoa que perdemos, é a principal função da cerimónia fúnebre religiosa. Para os crentes, a ideia de que o nosso

O 25 de Abril e as representações diplomáticas

É uma honra que os governos estrangeiros, através das suas embaixadas, felicitem o Estado português pela Revolução de Abril, data da liberdade que enche de orgulho todos os democratas. Mas, se, por exemplo, o embaixador russo tivesse desfilado, a convite da CDU ou de outro qualquer partido, com os seus militantes, não se compreenderia que o MNE não o chamasse ao Palácio das Necessidades e exigisse explicações para eventualmente o declarar persona non grata .

O primeiro 1.º de Maio em Lisboa – Viva o 1.º de Maio

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No 1.º de Maio, há 48 anos, estive ali. Fui um entre a maior multidão que alguma vez me envolveu. Foi o primeiro 1.º de Maio da minha vida, em liberdade, com a exaltante moldura de 1 milhão de portugueses a tornar-me seguro e feliz. Jamais esquecerei aquele dia mágico, a degustar a liberdade e o sabor da democracia, a recordação que há de acompanhar-me até ao dia derradeiro e em cada ano evocarei. O MFA foi a força motora do entusiasmo, a inspiração de todos os sonhos, a referência emblemática para todas as transformações, o algoz da ditadura e arauto da democracia. Foi a festa da liberdade numa jornada de emoções fortes e solidariedade. O feriado do 1.º de Maio, em Portugal, renasceu ali, tardio, exuberante, no rescaldo da ditadura fascista, com abril fresco de cravos e maio florido de sonhos, nos discursos de sindicalistas, seguidos dos de Francisco Pereira de Moura, Nuno Teotónio Pereira, Mário Soares e Álvaro Cunhal. Em Lisboa, fomos mais, muitos mais do que os 500 mil que

Trump e Putin

Há dois políticos pelos quais nutro especial animosidade. Um foi afastado, é a vantagem da democracia, ainda que a sucessão não fosse auspiciosa, o outro é hoje notícia diária. Ambos se esforçaram a estimular a extrema-direita europeia, talvez por proselitismo das suas ideias. Trump enviou mesmo o seu amigo  Steve Bannon  a dinamizar os partidos fascistas europeus, o vigarista que indultou no fim do mandato, por se ter locupletado com algum do imenso dinheiro que fora dado para investir na promoção do fascismo na Europa. Putin foi o amigo de todos os extremistas do fascismo europeu, embora, como é próprio dos nacionalistas, tenha agora alguns contra si. É, aliás, uma situação comum ver países ex-comunistas em marcha acelerada para o fascismo. O ataque a Kiev, durante a visita do secretário-geral da ONU, foi de tal modo insólito e cobarde que Putin perdeu muitos dos que lhe davam o benefício da dúvida na invasão da Ucrânia, atendendo às razões históricas e às vítimas russas das co

Nuno Melo, as eleições espanholas de há 3 anos e a liderança atual do CDS

Nuno Melo é um conhecido reacionário que exige demasiada subtileza para o distinguir dos fascistas. Exige um esforço hercúleo para encontrar no fogoso parlamentar qualquer semelhança com Freitas do Amaral ou Adelino Amaro da Costa. Perfeitamente integrável no partido fascista, onde faltam figuras conhecidas, tornou-se o líder do centro de reanimação onde o CDS se encontra nos cuidados intensivos, à espera de o despertar para a vida parlamentar onde se finou nas últimas eleições legislativas. A hipótese de vir a ocupar um espaço já preenchido, com a vantagem de ser um partido sob vigilância de partidos europeus homólogos, melhor frequentados, leva-me a desejar a ressurreição do CDS, mas não sob a liderança do trauliteiro eurodeputado Melo. Para os que se esqueceram do truculento salazarista, ausente no Parlamento Europeu, de onde sairá por ausência de votos que lhe renovem o mandato, deixo aqui um revelador apontamento sobre o seu pensamento, manifestado há 3 anos, na sequência da

A memória e o arrependimento – crónica

A memória não é apenas a capacidade de recordar, repetir e localizar os sentimentos e factos vividos, para os lembrar ou ocultar. Atrevo-me a dizer que é também a aptidão para esquecer o que desagrada ou faz sofrer, e tudo o que nos envergonha ou angustia. Foram tantas as vezes que me senti constrangido, pela imprudência e pelo que se chama popularmente «meter o pé na argola», que me surpreende ter tão fraca memória. Muitos anos depois, em amena cavaqueira, recordei um silêncio constrangedor que provoquei. Foi na primeira metade da década de sessenta do século passado. Os companheiros de mesa, acabado o jantar, iniciámos o passeio habitual. Éramos quatro amigos que a época e os hábitos obrigavam a cerimónia recíproca, senhor professor para aqui, senhor doutor para ali, o juiz, o delegado do Ministério Público, o conservador do Registo Predial e o delegado escolar, ora cronista. A conversa decorria mansa com os quatro amigos alinhados de acordo com a condição, o Dr. Moniz da Maia à dire

Mensagens de telemóvel – Aviso aos incautos ou explicação para os especialistas

Recebi hoje 3 mensagens estranhas com uma ligação que, por prudência, não abri. Aos que acharem inútil a informação peço desculpa; aos que me puderem ajudar a entender, fico agradecido. (Não tenho mensagens de voz ativadas no meu telemóvel). 1 – TM. 960359912 – Você tem uma nova mensagem de voz do seu médico (acentos meus – segue-se uma ligação): 2 – TM. 933637166 – Você tem novo correio de voz do seu médico (idem); 3 – TM. 936046781 – Confira sua nova mensagem de voz (idem, ligação) Telefonei do telefone fixo e obtive as seguintes informações: Estes telemóveis não pertencem ao CHUC; o primeiro telemóvel, depois de tocar, remeteu-me para o correio de voz; o segundo informou que não estava ligado e pediu para tentar mais tarde: quanto ao terceiro já não telefonei. O que se passará?

Almeida – 25 de Abril de 2022

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Na vila histórica de Almeida, ali onde os soldados de Napoleão fizeram explodir o paiol e derrubaram o castelo, ali, no concelho onde a Europa começa a ser Portugal e de onde se fugia à fome, à guerra e à Pide, ergue-se o Monumento ao 25 de Abril, que embeleza o meu mural do Facebook e é a sentinela das muralhas. Da foto faltam já os heróis de Abril, Gertrudes da Silva e Augusto Monteiro Valente e o coronel Eugénio de Oliveira, demitido com Varela Gomes, vencidos na revolta de Beja. No silêncio da homenagem em granito aos que nos deram a liberdade, lá estão os cravos vermelhos de Abril a recordar aos que os exoneraram da lapela, a quem devem o lugar que hoje lhes cabe na A. R. Ontem, após a deposição do tradicional ramo de cravos pelo presidente da Assembleia Municipal, acompanhado do presidente da Câmara, da presidente da Junta de Freguesia e de uma vereadora, com os bombeiros formados em parada e numeroso público a assistir, houve Vivas ao 25 de Abril e cantou-se a Grândola. Se