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A Igreja é uma instituição politicamente neutra?

 Por ONOFRE VARELA -- Vice-presidente da Associação Ateísta Portuguesa A   Igreja é  uma instituição politicamente neutra?   O  semanário  Alto Minho , na sua edição do dia 2 de Junho último, dedica uma página à notícia protagonizada pelo padre Tiago Rodrigues (não confundir com Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação!), pároco de Cardielos, Serreleis, Torre e Vila Mou, em Viana do Castelo. O  jornal divulga que o  sacerdote não quer que “os leigos com nomeação episcopal se envolvam nas eleições autárquicas deste ano” e diz ter tomado tal posição para que “a neutralidade da Igreja seja mais visível e concreta”. Naturalmente  que  a posição do padre Tiago só pode causar polémica  numa sociedade democrática aberta a todas as tendências políticas e religiosas como,  saudavelmente,  é a nossa. Perante as primeiras  críticas da população  à sua atitude, o padre apressou-se a esclarecer que não pretende proibir ninguém de se envolver nas eleições. Apenas “declara que os membros da Fábr

Fernando Nobre (FN) – um perigoso demagogo e provocador

No início de 2010 ainda considerava o médico, Fernando Nobre, uma figura fascinante e referência ética da solidariedade e do humanismo. Só a ignorância do seu carácter me levou a tão grosseiro erro de avaliação que o próprio se encarregou de confirmar. Não conhecia então a composição dos órgãos sociais da AMI, que da multinacional do altruísmo um empreendimento familiar. Quando em 2010 se candidatou à presidência da República, ainda me interroguei se era um homem bom cuja ambição o traiu ou um dissimulado que fazia o bem para alcançar objetivos que escondia. Ao apresentar-se sem ideologia, declarando não ser de direita nem de esquerda, deixou clara a opção de direita, que não tinha o direito de esconder. O anúncio da candidatura junto ao Padrão dos Descobrimentos denunciou, pelo carácter simbólico do local, um nacionalista serôdio a prenunciar o populista perigoso, mas foi a incoerência dos apoios políticos a que já tinha emprestado, ou viria a emprestar, o nome que confirmou a l

COVID-19

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A obrigatoriedade de usar máscara na rua terminou esta semana, mas não se esqueça de se defender e de defender os outros quando houver concentração de pessoas.

Zita Seabra e António Barreto

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Zita Seabra nunca deixou de ser estalinista, no PCP, quando este já deixara de o ser, no PSD, Opus Dei e Intervenção Liberal. Primeiro, sofreu a violência da ditadura, depois, a vergonha das cambalhotas, cinco sacramentos e o persistente radicalismo. António Barreto é a Zita Seabra de calças, sem a coragem e a capacidade de sofrimento da última. À clandestinidade preferiu, legitimamente, o exílio e a fuga à guerra colonial, a que talvez deva a Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo, dada por Cavaco. Saiu do PCP, que considerava demasiado à direita, para a extrema-esquerda, e regressou ao País para se acolher no PS e dedicar-se à destruição entusiástica da Reforma Agrária. Saiu do PS para integrar a AD, e pediu o regresso para completar o tempo de deputado para a reforma vitalícia que, ao tempo, era regalia dos deputados. Obtida esta, sem apoio para as ambições, rompeu com a social-democracia e rumou à direita ultraliberal. Só lhe falta passar a fronteira da democracia para o f

No funeral civil de Jorge Sampaio

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As cerimónias fúnebres, que hoje terminaram, tiveram a dignidade do Estadista de que hoje se despediram os portugueses, e os mais altos dignitários do Estado souberam honrar a memória do homem de exceção. Todos, viúva, filhos e populares anónimos, viveram na dor a harmonia de um país que se associou à merecida homenagem ao político humanista que nos deixou.

11 de setembro – efemérides

1891 – Faleceu Antero de Quental, o influente pensador, escritor e poeta, que marcou o movimento da Geração de 70. O seu pensamento é o património e herança que assumo. 1942 – Vítima da ditadura fascista, depois de sete anos prisão e tortura no presídio salazarista do Tarrafal, morreu, com 40 anos, Bento Gonçalves, secretário-geral do PCP, juntando o nome ao de outras vítimas que o sinistro ditador de Santa Comba desterrava para o campo da morte, em Cabo Verde. 1973 – O presidente do Chile, Salvador Allende, eleito democraticamente, foi derrubado por um general indigno, Augusto Pinochet, apoiado pela CIA. Tornou-se o paradigma do torcionário, ladrão e fascista que semeou o terror no seu país. 2001 – O ataque aos EUA, perpetrado pelo terrorismo, destruiu as torres emblemáticas do World Trade Center, em Nova York, provocando uma carnificina de quase três mil pessoas. Na apoteose da demência do fascismo islâmico, tornou-se a caricatura de uma religião que floresce na decadência da f

Jorge Sampaio, uma referência da II República

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Jorge Sampaio acaba de falecer. A morte esperada do antigo presidente da República, a oito dias de perfazer 82 anos, deixa uma enorme saudade do combatente antifascista que aos 20 anos foi presidente da Associação Académica da Faculdade de Direito da UL e aos 22 secretário-geral da Reunião Inter-Associações Académicas (RIA) – 1961/62. Ex-secretário-geral do PS, foi pioneiro das alianças à esquerda, tendo liderado a lista do PS/PCP que em 1989 obteve uma maioria absoluta contra Marcelo Rebelo de Sousa nas eleições autárquicas à Câmara de Lisboa. Quatro anos depois repetiu a coligação, ampliada à UDP e ao PSR, e obteve a mais ampla maioria de sempre, em Lisboa, passando de 9 para 11 vereadores, em 17. Em 1995 decidiu candidatar-se à Presidência da República, o que o levou a demitir-se da presidência da Câmara de Lisboa. A eleição à primeira volta contra Cavaco Silva foi o início dos seus 10 anos em Belém (1996-2006). O 18.º PR português, depois de cessar funções presidenciais, foi

AS FRASES

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«O meu lugar é este, acima de si. O senhor está abaixo de mim.» (Rui Fonseca e Castro, juiz negacionista, fascista e ensandecido, à solta).

Eleições autárquicas e mercearia eleitoral

Quando a Troica impôs a redução do número de autarquias, para limitar os gastos com a dispendiosa e incoerente máquina administrativa portuguesa, perdeu-se a oportunidade de redesenhar o mapa autárquico e, eventualmente, de proceder à regionalização. A Reforma Administrativa de 2013, título pomposo da operação cosmética que se limitou a agregar freguesias quase despovoadas, não mexeu nos concelhos, e não virá aí um novo Mouzinho da Silveira. Há, aliás, o risco de regresso de freguesias extintas. Portugal está retalhado em 308 municípios: Continente – 278, Açores – 19, Madeira – 11; e 3 091 freguesias, Continente – 2 882, Açores –155, Madeira – 54. O número de autarquias é importante na mercearia eleitoral, onde se contabilizam os eleitos de cada partido político na noite de eleições, e demasiado dispendioso para os recursos do País. O PR tem um vencimento que envergonha a República, mas a sua atualização arrasta o de todos os autarcas, incluindo membros das Juntas de Freguesia,

TVI - O debate Medina/Moedas para a Câmara de Lisboa

Num debate que peca por privilegiar dois candidatos em detrimento de todos os outros, ficou claro que a alegada competência de Moedas era provavelmente um mero boato. A diferença entre ambos foi confrangedora.

Ateu graças a Deus

Por ONOFRE VARELA -- Vice-presidente da Associação Ateísta Portuguesa É  comum ouvirmos os crentes darem graças a Deus pelos mais diversos motivos: por terem saúde, por terem trabalho, por chover ou não chover, por fazer sol  ou  por terem feito boa viage m . Do mesmo modo o s  religiosos  islâmicos  – os  da facç ão mais   extremista  e  negativa –  também  e voc am  Deus antes de se fazerem explodir entre a multidão de um mercado, de uma estação de Metro ou de um aerop o rto. Excluindo desta apreciação  o s bandidos que matam convictos de estarem a executar uma acção de santidade, sobram aqueles que têm de Deus a mais pacífica  das  image ns  e, em seu nome, procuram ser bondosos. Muitos destes são, essencialmente, hipócritas.  Afirmam-se  boas pessoas dando esmola  n a  igreja  e oferecendo pacotes de arroz para missões caritativas, porque a ideia que têm de Deus é a de um polícia e ju í z que espia e condena  os crentes apanhados  em f also. Soubessem que Deus estava distraído, ou

Homenagem a Nosso Senhor dos Afetos

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  Nosso Senhor dos Afetos – 1 Quando se pretende seduzir toda a gente acaba-se por enfadar todos e deixar de agradar a si próprio.

DÚVIDA METÓDICA

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 É bem possível!...

LONGEVIDADE

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 As tartarugas vivem muitos anos e acabam por sobreviver aos escorpiões.

As religiões e a moderação

Há dias, uma leitora que respeito pela ponderação e tolerância que o seu mural do Facebook denota, lamentou a crítica a uma determinada religião, com o seguinte comentário: «A escalada radical começa a tomar forma, aqui.» [referia-se ao meu texto] O comentário apenas devia merecer agradecimentos pela opinião franca, à guisa de contraditório, mas o respeito pela leitora, por todos os meus leitores, exige uma explicação de quem, como eu, convive bem com as opiniões divergentes, e mal com a afronta aos direitos humanos.  Não censuro crentes, mas não pactuo com as crenças que levam à prática de crimes, quer se trate de ideologias políticas ou religiosas. Pelo contrário, sinto o dever de combatê-las. Combato o hinduísmo que mantém as castas, execra viúvas que casam, e arrasa templos da concorrência; o budismo, pelo genocídio dos muçulmanos rohingyas, na Birmânia; o xintoísmo que vê no imperador um demiurgo, alimentou a escravatura japonesa e o nacionalismo fascista; o protestantismo evangél

O Hissope – Conto (10.000 carateres)

Corria tranquila a vida no convento, cumprido o tempo com orações e refeições frugais a horas certas. Da missa diária encarregava-se o Padre Agostinho, confessor e diretor espiritual, com descrições do Inferno, pormenorizadas e convincentes, e de horrores ainda maiores do Mundo, criado por Deus e abandonado nas mãos dos homens. Falava de um ror de pecados inenarráveis que faziam zangar muito Nosso Senhor, cabendo às monjas recuperar-lhe o humor pela oração e sofrimento. Nas longas horas de meditação, nas rezas coletivas ou individuais, davam graças por não partilharem esse espaço que o Diretor Espiritual e a Madre Superiora eram únicos a transpor, protegidos pelas orações aflitas com que o convento inteiro os acompanhava. Nessas horas de vigília mística transferiam a intenção habitual para a proteção dedicada e rezavam com a mesma acendrada devoção com que pediam pelas intenções do Santo Padre, sem se interrogarem quais eram essas intenções, pelo cumprimento da vontade divina, se é

No 85.º aniversário do saudoso herói de Abril – 31 de agosto

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Completaria hoje 85 anos o comandante militar e estratego do 25 de Abril, que na mais bela das Revoluções restituiu a Portugal a liberdade e aos portugueses a dignidade. Já não recebe o tributo que lhe era devido e a saudação que aqui lhe deixava no dia de hoje, mas fica o testemunho da dolorosa saudade que acompanha quem o recorda.  Pode ter sido sinuoso o percurso da sua vida, mas há momentos que valem várias vidas, dias que marcam a História e madrugadas que valem séculos. Obrigado, Otelo. Sempre.

Glória a um santo perverso – No 16.º aniversário da sua estátua

No dia 30 de agosto de 2005 foi colocada uma estátua de S. Josemaria Escrivá de Balaguer, com 5 metros de altura, em mármore, no exterior da Basílica de S. Pedro. O crime compensa. O fundador do Opus Dei apoiou um dos mais frios ditadores católicos, Francisco Franco, carrasco do povo espanhol e responsável por centenas de milhares de mortes.  O Opus Dei, que domina o Vaticano, desde a morte nunca esclarecida de João Paulo I, é o banqueiro privado dos Papas e responsável pela orientação política da ICAR. O pio Escrivá de Balaguer que se fazia ciliciar – tinha grossos pecados que o afligiam e necessitava de expiá-los –, preparou em vida o seu processo de canonização. O escândalo do Banco Ambrosiano foi abafado e o Vaticano opôs-se à extradição dos clérigos arguidos no processo italiano relativo ao crime. Mal arrefeceu o cadáver, obrou milagres. Logo lhe foram adjudicados três, entre os quais a cura do cancro de uma freira cuja madre superiora não sabia que estava doente. O Opus Dei é o c

Lisboa -- Eleições Autárquicas

Carlos Moedas quer ser a voz de quem tem medo de levantar a voz. Como ninguém tem medo de levantar a voz, é natural que tão poucos o queiram para porta-voz. 

O carácter e o PSD unem Ricardo Costa e José Eduardo Martins

Sou muito amigo do Ricardo Costa. Lá em casa distinguimos o Costa bom do Costa mau [António Costa, irmão de Ricardo] – (José Eduardo Martins, 51 anos, advogado, ex-deputado do PSD, desejoso do regresso de Passos Coelho à liderança do PSD, ontem, no Público.) Comentário – Há quem viva à custa de outro, mas é inédito fazer do combate ao irmão o seu modo de vida, como o faz o jornalista Ricardo Costa.

O Islão e a alegada moderação que ensina

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Há anos, na sequência do convite da RTP-1, programa Prós & Contras, na qualidade de presidente da Associação Ateísta Portuguesa, usei os 5 minutos que a jornalista Fátima Campos Ferreira me concedeu para manifestar a posição da AAP sobre as religiões. Na mesa participavam o padre Anselmo Borges, o Sheik David Munir, Imã da Mesquita Central de Lisboa, e um líder judeu, de um lado; do outro, uma bispa evangélica, Carlos Fiolhais e um outro participante, dois não crentes. Era, pois, uma mesa de Prós & Prós, 4 crentes e 2 agnósticos. A minha posição incomodou os 4 crentes, o que não impediu de me tornar amigo do representante católico. À saída todos nos cumprimentámos urbanamente, com exceção do Sheik David Munir, à data ainda não acusado de violência doméstica, ato em que Maomé não veria crime. Ninguém estranhou a sanha beata do incivilizado Sheik que os média descrevem como muçulmano tolerante. Eu não esperava outra atitude, só estranhei, algum tempo depois, que, numa ent

O almirante Gouveia e Melo e a Covid-19

A notável gestão do complexo processo de vacinação deve ao almirante Gouveia e Melo a eficácia que a sua competência e dedicação lhe imprimiram. Deve-lhe ainda a certeira e implacável afronta aos negacionistas quando enfrentou arruaceiros que, à semelhança de outros países, o insultaram. Foi oportuno a retribuir o epíteto de assassinos aos que, por mimetismo exógeno, contestam a vital importância da vacinação. O almirante Gouveia e Melo revelou ser a pessoa certa no lugar certo, completando uma equipa notável onde seria ingratidão esquecer a ministra Marta Temido e a d.g.s Graça Freitas. Todos os encómios são devidos a esta equipa de exceção na gestão da pandemia, a que é justo acrescentar a ação pedagógica do virologista António Siva Graça na RTP-1. Dito isto, mera tautologia, não pode passar despercebida a campanha insidiosa que, ao arrepio do almirante Gouveia e Melo, sub-repticiamente o usa como arma de arremesso contra os partidos e o insinua para substituir Marcelo no fim d

A abertura da Feira do Livro de Lisboa e as eleições autárquicas

Não sei se terá sido um desejo de Marcelo, proteger um dos candidatos à presidência do Município, ou a imperiosa necessidade do candidato em procurar ajuda, que provocou a feliz coincidência do encontro entre o PR e o candidato do PSD e partidos satélites. Há coincidências e reincidências.

Afeganistão

Será por uma questão mimética com o Islão que a comentadora da situação afegã, hoje, no noticiário das 13H00, na RTP-1, usou a expressão «Graças a Deus, na sua explicação? Há um advérbio de modo que podia ter usado com vantagem para dar a impressão de que o canal público é laico.

Afeganistão – Os dez dias que abalaram o Ocidente

Seria preciso o talento e entusiasmo de Jonhn Reed, a descrever os acontecimentos da cidade de Petrogrado durante a Revolução russa de 1917, em “Dez Dias que Abalaram o Mundo”, para agora, transformado o entusiamo em raiva, alguém fazer dos dez dias que abalaram o Ocidente uma obra literária daquela dimensão. Aliás, só os talibãs poderiam descrever, em tom épico, a epopeia da sua vitória, se acaso fossem dados à cultura como à fé e à barbárie. A chegada dos talibãs a Cabul, em apenas 10 dias, foi a confirmação dos receios que as 3 últimas administrações americanas sentiram de uma derrota militar que acabaria por acontecer. Biden foi o executor da retirada que já preconizava na presidência de Obama e que Trump negociou com os talibãs. O que, nem no pior dos cenários parece terem previsto, foi a rapidez com que os talibãs se fizeram fotografar no Palácio do Governo, em Cabul, uma imagem de enorme valor simbólico da facilidade com que EUA e aliados da Nato foram derrotados. Enquanto

Islamismo – uma questão de reciprocidade

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Há 4 anos, Vladimir Putin, perante o pedido do rei da Arábia Saudita para comprar um grande terreno em Moscovo, para erigir uma grande mesquita a expensas sauditas, ter-lhe-á dito que não havia qualquer problema, só carecia de permissão para edificar, na Arábia Saudita, uma grande igreja ortodoxa. É irrelevante que a isso se tenha oposto o rei desse Estado Islâmico cujo financiamento do terrorismo é esquecido pelos beneficiários ocidentais da sua riqueza de combustíveis fósseis, ao ponto de lhe conferirem alvará de “amigo do Ocidente”. Argumentar que não seria possível pelo facto de a sua religião ser verdadeira, contrariamente ao cristianismo ortodoxo, ou o facto de Putin eventualmente pensar o contrário, é irrisório face ao que estava, e está, em causa. Neste caso nem a veracidade da notícia seria importante, o que conta é a cobardia dos governantes dos países democráticos em não exigirem a reciprocidade que se impõe na relação entre Estados. Para quem defende a superioridade moral d

Milagres

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  Já não há milagres como nos primeiros séculos do cristianismo. Hoje não passam de suspeitas invenções no exercício ilegal da medicina por defuntos de estimação pia.