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A mostrar mensagens de 2018

O regresso manso do fascismo

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Na caminhada para a presidência, a complacência de Donald Trump perante a violência nazi e a Ku Klux Klan (KKK) foi uma obscena vénia aos incómodos apoiantes, mas não foi o apoio dos extremistas violentos, que apoiaram o PR, que intimidou as democracias, foi a sua atitude que, na tibieza, silêncio ou cumplicidade, os estimulou.

Trump parece ser a referência de uma incubadora de lacraus: Putin, na Rússia, Xin, na China, Erdogan, na Turquia, Duterte nas Filipinas, Orbán, na Hungria, Al Sisi, no Egito e muitos outros que despontam, por todo o Planeta, alguns com rótulo de esquerda.

Curiosa e preocupante é a colisão entre dois autocratas agressivos, Putin e Erdogan, na ilustração da lei da Física, “polos do mesmo nome repelem-se”.

Em Espanha, a um conservador pragmático, Mariano Rajoy, sucedeu o mais reacionário dos candidatos, um franquista que exibe as habilitações académicas que recebeu de presente, com outras individualidades do PP, da Universidade Juan Carlos.

Salvini, na Itália, nã…

Perplexidades

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 1.º aniversário de uma fatídica procissão madeirense

Em Pedrógão, a tragédia dos incêndios com o horror de mortos e perda de haveres, foi a calamidade, vinda de florestas particulares, que comoveu o País e monopolizou o PR. O Governo serviu de bode expiatório.

No Funchal, há 1 ano, um carvalho centenário tombou sobre a procissão, no adro de uma igreja, propriedade da diocese, matou 13 pessoas e feriu meia centena de outras. O M. P. constituiu arguidos um vereador, vários funcionários da autarquia e o presidente da Câmara, este o cidadão mais bem colocado para interromper o monopólio do PSD no governo da RAM.

Ainda o incêndio de Monchique…

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O incêndio de Monchique foi dramático e altamente destrutivo e perante os portugueses não se pode dizer que tenha corrido bem. O facto de não existirem vítimas humanas a lamentar é relevante mas não será por si só uma coisa ‘notável’ como o ministro da Administração Interna repetidamente anunciou.
Este incêndio também não foi de encontro aos propósitos da habitual chicana política promovida pela Direita. Quando o ideólogo do PSD – Paulo Rangel – hoje, no Publico link, acusa o primeiro-ministro de ‘soberba e arrogância’ está certamente a lavar a imagem populista dessa Direita que, há um ano, gritou bombasticamente. “O Estado falhou!”. Aqui poderá não ser simplesmente ‘soberba e arrogância’ e tratar-se de demagogia barata e irresponsável. Mais uma artimanha – na senda dos ‘suicídios’ inventados por Passos Coelho no ano passado em Pedrogão - para tentar colher dividendos políticos. Na verdade, a resposta ao extenso e destruidor incêndio de Monchique não sendo ‘notável’ link foi bastan…

A frase

"Governo quis fazer política com o facto de não ter morrido ninguém"

(Marques Mendes, Conselheiro de Estado, na SIC, referindo-se ao incêndio de Monchique).

Ele quereria fazer política com as mortes que aparentemente desejava?

Recordar o fascismo

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A direita e o poder

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O poder é tão apetecido que dificilmente há quem lhe resista. A direita não sabe viver sem ele e na esquerda há quem vire à direita quando o comboio inverte a marcha.

Quando a direita está em crise, os seus amanuenses anunciam que é o regime; quando o poder se afasta, devora o líder, na ânsia de encontrar outro; o próprio PR, quando vê a família a desfazer-se, dá uma ajuda aos atiradores de serviço, a arremessar insinuações; o jornalismo reverente destaca os funcionários mais truculentos a atiçar fogueiras contra a esquerda; nas redes sociais, televisões, jornais, revistas e sarjetas surgem vuvuzelas a provocar ruído e a vociferar calúnias; os pusilânimes não se coíbem a descontextualizar e manipular declarações dos adversários para os debilitarem.

O que fizeram à frase de António Costa nas declarações sobre o fogo de Monchique “… a exceção que confirmou a regra do sucesso da operação, ao longo destes dias”, é digna de figurar num compêndio da aleivosia. Parecia um concurso, a rivali…

Humor da silly season

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‘Reforma Florestal': notas sobre um intricado problema...

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Hoje, em Portugal, um dos assuntos do dia é o reordenamento florestal. Cada incêndio que ocorre – e continuarão a ocorrer – tende a aprofundar e agitar esta questão.
Não vai ser fácil reordenar a floresta que se implantou desordenadamente quer no que diz respeito às características dos espaços florestados quer na disposição (e plantação) das espécies arbóreas. Não vamos voltar à ‘vaca fria’ dos eucaliptais que alteraram significativamente o coberto florestal nacional com todas as consequências que originam e infestam uma discussão muitas vezes inquinada na sua génese e finalidades por interesses ocultos.
Reordenar a floresta será difícil porque a capacidade de intervenção dos poderes públicos está confrontada com os interesses privados, sejam os sediados em minifúndios sejam os subsidiários das grandes indústrias, nomeadamente, a das celuloses. O necessário equilíbrio entre uma floresta ordenada e planeada que seja capaz de resistir às cíclicas vagas de incêndios estivais e a manut…

Os fogos e o aquecimento global

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Após duas semanas de combate ao maior fogo florestal da história da Califórnia, com os fortes meios de que dispõe uma das maiores economias mundiais, só ficará sob controlo em setembro, segundo disseram os experientes e bem preparados bombeiros.

Num ano em que a Sibéria atingiu 40º e sofreu incêndios devastadores, a Escandinávia derreteu e a sua floresta foi devorada pelas chamas, o medonho e trágico incêndio de Mati, na Grécia, ou o de Monchique, em Portugal, são apenas uma antecipação do que nos espera num futuro que já começou e em que cada ano é pior do que o anterior.

Enquanto o gelo derrete nos polos, os glaciares se reduzem metódica e inexoravelmente, e a Terra aquece e caminha para o ponto de não retorno, perante o autismo de dirigentes dos países mais poderosos, em Portugal o fogo é uma arma de arremesso partidário.

No caso português, soma-se ao desordenamento florestal, a estrutura fundiária, a incúria e a impossibilidade de avaliar os meios, as empresas e os bombeiros que …

Humor da silly season

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A pena de morte e a Igreja católica

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A pena de morte é um anacronismo que persiste em sociedades ditas civilizadas, nódoa que a direita europeia de vocação fascizante se prepara para reintroduzir, à semelhança do que sucedeu em 1976 nos EUA, onde é aplicada em 34 dos 50 estados.

A aplicação, sem efeitos dissuasores, tem sido responsável pela execução de inocentes, por erros judiciais. Deveria bastar a irreversibilidade para fazer tremer a mão aos juízes humanistas, mas não faltam carrascos à crueldade, quando legalizada.

A Igreja católica, pressionada pela civilização europeia, condenou a pena de morte, mas com restrições, na última edição do seu catecismo.
O Papa Francisco limpou finalmente a nódoa do catecismo romano quando o facínora das Filipinas, PR católico, defende execuções sumárias para traficantes e drogados, e, como outros déspotas católicos europeus, se prepara para reintroduzir a pena de morte.

A decisão deste papa, rompe com dois milénios de tradição, credita-o como humanista e honra-o perante o mundo civi…

Dr.ª Cristas justiceira

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A Dr.ª Cristas apareceu no ministério da Agricultura como António Barreto, num antigo Governo do PS, ou Pilatos, no Credo Romano. Não se adivinham as obscuras razões.

A Dr.ª Cristas, confundindo eucaliptos com legumes, incentivou a cultura intensiva dos primeiros e jamais imaginou a jurista que as couves e os nabos não são a matéria prima das celuloses, e bastava-lhe ler jornais para perceber que o aquecimento global, de que só Trump duvida, e os eucaliptos têm uma ação devastadora nas florestas nacionais.

Para cúmulo da ironia foi a Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território no XIX Governo e só perdeu as pastas do Ambiente e do Ordenamento do Território depois da demissão do irrevogável Portas para, no regresso as ceder a Jorge Moreira da Silva, um ministro que acrescentou ao CDS, além da vice-presidência do Governo para si próprio. A Dr.ª Cristas continuou na Agricultura e no Mar.

Conhecida pela lei dos despejos, gosto das touradas e pela leviandade com que …

Silly season

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A direita no seu labirinto

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O último congresso do PSD derrotou o projeto de Passos Coelho, que Santana Lopes se preparava para radicalizar com o apoio do grupo parlamentar. Rui Rio, sem cadastro, é encarado como a ameaça que paira sobre os autarcas do Norte que, apesar da denúncia da Visão, que se saiba, a PGR nunca mandou investigar. E não são os únicos alarmados!

Quanto a Santana Lopes, que provou não saber governar na Figueira da Foz, em Lisboa, e no País, pode saber governar-se, mas sabe dissipar melhor. É, aliás, o único populista do PSD com idade e currículo para prosseguir um projeto xenófobo, antieuropeísta e reacionário para a qual minguavam qualidades ao ora Doutor Passos Coelho.

Luís Montenegro era, até há pouco, o único candidato declarado a suceder a Rio, depois da inevitável derrota do PSD sem que a Dr.ª Cristas, incapaz de aglutinar os salazaristas, saudosistas do Império, e os ultraliberais, consiga crescer a fingir de democrata-cristã.
De pouco tem valido, a crer nas sondagens, a colossal barre…

Humor refrescante num verão tórrido

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Traquinices sexuais do padre Humberto Gama

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O padre católico Humberto Gama não tem uma pós-graduação em exorcismos, mas tem uma experiência que rivaliza com a do padre OD, Sousa Lara, que enjeitou um lugar no conselho de administração de uma empresa pública, que o pai lhe ofereceu (há pessoas que podem dar aos filhos um lugar de administrador), para se dedicar ao sacerdócio.

O p.e Humberto nasceu pobre em Trás-os-Montes, e fez o longo caminho do seminário para se habilitar a transubstanciar a sagrada partícula, a perdoar os pecados alheios, sem abdicar dos próprios, e purificar crentes infetados por demónios, tornando-se experiente profissional dessa atividade exotérica, cujo alvará era inerente ao sacramento da ordem.

De 1965 a 1972 exerceu funções designadas pelos bispos, mas os seus excessos lascivos levaram-no a que dos paços episcopais não tivesse mais solicitações e passou a atuar por conta própria, sobretudo no ramo dos exorcismos, com vestes talares e cabeção romano, em consultórios onde atendia a clientela, tendo feit…

Impedidos de casar

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Considerações sobre as consequências um ‘assédio turístico’…

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Notícia de ontem: trabalhadores (temporários) de turismo no Algarve confrontam-se com um enorme problema. Trata-se de um trabalho sazonal que se tornou, na prática, impossível. Se não residirem no Algarve e tiverem oportunidade de usar uma casa familiar não conseguem um alojamento provisório compatível com os (magros) vencimentos que auferem. Ora, estas circunstâncias vão determinar uma deterioração (desclassificação qualitativa) dos serviços prestados (vendidos) aos turistas. Este é um epifenómeno que salta à vista mas que está inserido em vastas alterações económicas e sociais, nomeadamente na oferta turística e com reflexos directos nas atividades culturais, lazer e divertimento que a complementam.
Existem hoje cidades europeias impossíveis de abordar nas chamadas 'épocas altas' (Barcelona, Veneza, Roma, Paris, etc.) e a tendência é no sentido de a situação se agravar. O desenvolvimento de um ‘mercado turístico’, desregulado, onde a oferta está sempre em crescendo, mesmo …

Marcelo e a lei dos despejos

Com o risco de errar, limito-me a manifestar perplexidade pelo teor da nota divulgada no site da Presidência, em que o PR devolve, sem promulgação, o diploma apresentado pelo Bloco de Esquerda ao parlamento, por “duas razões específicas”:

1 – O “facto de, tal como se encontra redigida [a lei], a preferência poder ser invocada não apenas pelos inquilinos para defenderem o seu direito à habitação, mas também por inquilinos com atividades de outra natureza, nomeadamente empresarial”.

2 – Não estarem indicados “os critérios de avaliação para o exercício do direito de preferência, que existia em versão anterior do diploma”.

Não é o facto de o projeto de lei ter os votos a favor do PS, BE, PCP, PEV e PAN ou os votos contra do PSD e CDS, que faz boa ou má a posição do PR. Aliás, se a votação se repetir, é obrigado a promulgar (se estou errado, haja um jurista que me  corrija, e não é esse o ponto importante).

Entendo que os inquilinos de casa de habitação e empresários, devem ter sempre dire…

Salazar – o princípio do fim do ditador (2 de agosto de 1968)

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cinquenta anos, depois de um calista lhe ter tratado os calos, algo que ele pisou aos portugueses durante quatro décadas, o ditador caiu. Estava de férias no Forte de Santo António da Barra, em São João do Estoril, e não preso, como era justo.

O desejo do povo oprimido cumpriu-se, não pela força da justiça que merecia, mas pela força da gravidade que o projetou da cadeira, onde o caruncho laboriosamente fez o que devia, e não o suportou. Essa cadeira do nosso alívio devia estar no museu do fascismo, desconjuntada, para que pudéssemos homenageá-la e louvar-lhe a eficácia.

Dizia-se que lhe faltavam duas cadeiras, a cadeira elétrica e a cadeira na cabeça, e havia de ser a cadeira onde se sentava que libertaria o país do mais longevo ditador europeu. O caruncho terá feito, no seu persistente labor, o que os patriotas não conseguiram, mas não era o fim que merecia.

Devia ter sido confrontado com os crimes do regime, com os massacres que permitiu, a Pide que criou, o medo que infundiu, …

O criacionismo é uma crença perigosa

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O criacionismo é uma crença perigosa

Há quem confunda convicções e crenças e ignore que quem possui convicções fortes se mantém aberto ao contraditório, e quem perfilha crenças enjeita o que as possa abalar.

As crenças não exigem reflexão, basta-lhes a tradição e o ritual. As convicções obrigam à ponderação e à firme vigilância da realidade, que muda com os avanços da ciência.

Não há convicções que resistam aos factos ou que não sejam abaladas pela ciência, e as crenças resistem às evidências e recusam mudanças. A crença é a certeza sem provas, a obstinação que, perante a realidade que a contraria, lamenta que a realidade se engane.

O criacionismo é uma dessas crenças perfilhadas por quem pensa que a Idade do Bronze produziu verdades imutáveis transmitidas por um deus criado pelas comunidades tribais, dessa época, à imagem e semelhança dos seus patriarcas.

As pessoas de convicções firmes propõem as opiniões pela persuasão, as que perfilham crenças impõem-nas pela força. As primeiras …

Notas Soltas – julho/2018

EUA – Trump não é o paradigma americano, é um sintoma da acelerada decadência do último império de um mundo cujos equilíbrios ajudou a romper e que, cada vez mais, se encaminha para a desagregação incontrolada.
Espanha – As monarquias são anacronismos, e preservar o ducado de Franco, herdado pela neta do genocida, é como se a Alemanha, Itália e Portugal, mantivessem o condado de Hitler, o principado de Mussolini e o baronato de Salazar, se acaso tolerassem reis.
União Europeia – Os cidadãos conhecem o art.º 50 do Tratado de Lisboa, que autoriza o abandono da UE, e ignoram o n.º 7, que permite suspender os direitos de adesão a um Estado. A Polónia e a Hungria desafiam-no com a sua conduta fascizante.
Alemanha – A Sr.ª Merkel foi o farol de esperança e modelo de humanismo em relação às migrações. Foi a estadista que se opôs à deriva xenófoba e nacionalista que percorre a Europa e atingiu a Alemanha, mas a Itália veio reforçar o populismo, e debilitou-a.
Rui Rio – A guerra que lhe movem no p…

Os padres, o Eng.º Ricardo Robles e o Bloco de Esquerda

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Não está provado que a pedofilia tenha maior incidência nos membros do clero católico do que nos de outros grupos socioprofissionais que convivem com crianças, professores, assistentes sociais, médicos, enfermeiros e catequistas, ou nos de outras religiões.

O que torna o clero católico particularmente vulnerável perante a opinião pública é a sua obsessão moralista, que acrescenta à gravidade do crime a imensa dose de hipocrisia dos perversos. Quem vê na castidade a virtude e via para a santidade, não pode sequer amar. A paternidade do clero, dissimulada pela imposição do celibato, tornou-se escândalo. A vulnerabilidade católica resulta do escrutínio das sociedades democráticas, ao contrário do que ocorre em teocracias, sejam islâmicas, a monástica do cristianismo ortodoxo, do Monte Athos, ou a do Vaticano.

No mercado da fé, a destruição dos adversários é uma arma pela conquista dos fiéis dos outros, tal como na política, onde a sanha aos políticos concorrentes faz parte da disputa el…

A lunática brincadeira de Casillas…

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Iker Casillas, jogador do FCP, protagonizou recentemente um arrazoado de especulações ao mandar, através do twitter, uma prandial atoarda tecida entre amigos sobre a viagem à Lua da Missão Apolo 11, ocorrida em 1969, e prestes a completar 50 anos link. Uma boutade ocorrida num repasto determinou uma cascata de opiniões e comentários. Muito tem a ver com a ‘popularidade’ do futebol mas, para além dessa questão, existem outras condicionantes. É óbvio que esta boutade é um gozo pegado mas as redes sociais pegaram nela.
Casillas – na sua jocosa consideração - sugere que a (suposta) ida à lua foi uma resposta ‘fabricada’ pelos norte-americanos para ofuscar e contrariar o desenvolvimento aeroespacial do regime soviético. Seria - para usar o jargão político em voga - uma fake news. Na verdade, hoje existe uma dúvida metódica sobre tudo o que é publicado e não pode ser imediatamente experienciado e verificado. Essa indagação fortaleceu-se na política muito à custa de promessas não cumpridas.…

Salazar – um déspota que esta direita esqueceu

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Faz hoje 48 anos que o biltre de Santa Comba, depois de três dias de exéquias fúnebres, regressou cadáver ao sítio onde nasceu, de onde nunca devia ter saído, para oito anos de seminário onde iniciou os estudos para ditador.

Começou no latim, na batina e no cantochão, continuou no C. A. D. C., e acabou com a foto de Mussolini na secretária de trabalho, no Palácio de S. Bento. O ambiente soturno da adolescência do seminarista foi a inspiração que o guiou na ditadura fascista, fazendo dos portugueses prisioneiros de verdades únicas, sob o lema “Deus, Pátria e Família”.

Quarenta e oito anos foi exatamente o tempo que a ditadura mais longa da Europa durou e de que foi ele o protagonista, tempo que leva inumado o cadáver que no Mosteiro dos Jerónimos teve um gigante e um anão como atrações fúnebres junto ao ataúde.

Curiosamente, foi também no dia de hoje, em 30 de julho de 1930, que o comparsa do cardeal Cerejeira criou a União Nacional, partido único, e ilegalizou todos os restantes part…

Erro de casting ou decadência das instituições?

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Santana Lopes foi eleito académico de mérito da Academia Portuguesa da História. Não ficou registado em ata o nome do/a proponente, mas há decerto razões para distinguir o ora académico de mérito da Academia de Ciências de Lisboa, instituição que tem por objeto, entre outras atribuições, “…estimular o estudo da língua e literatura portuguesas e promover o estudo da história portuguesa…”.

O novel académico não tem carreira fulgurante no campo cultural. Quando secretário de Estado da Cultura, de Cavaco Silva, ficou manchado pelo veto do seu subsecretário, Sousa Lara, a ‘O Evangelho Segundo Jesus Cristo’, de José Saramago, à candidatura do Prémio Literário Europeu. Não foi também o envio de felicitações a Machado de Assis, falecido em 1908, com votos de sucesso literário pessoal no lançamento da reedição de Dom Casmurro, em Lisboa, para que fora convidado como presidente da Câmara, que lhe ampliou o prestígio cultural.

Apesar do gosto pela música erudita e de «adorar ouvir os violinos d…

O CDS, o arrendamento urbano e política

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A Lei das Rendas de 2012 (Lei Cristas) deu um incentivo aos investidores, ao agilizar os mecanismos de rescisão dos contratos e atualização das rendas. Ao diferi-la no tempo, o Governo de Passos Coelho/Portas adiou os dramas, que o atual Executivo se esforça por minimizar, e não pode evitar.

O Balcão Nacional de Arrendamento (BNA) validou, em cinco anos, milhares de despejos em Lisboa e Porto. O PCP e o BE chegaram a apresentar propostas para a extinção desse serviço e condenaram-no abertamente.

Segundo o Jornal de Negócios, de janeiro de 2013 a dezembro de 2017, o BNA emitiu 8.315 “títulos de desocupação do locado”, à média de 138 novos despejos por mês.

Era legítimo alterar o congelamento das rendas, vindo da ditadura, e responsável pelo envelhecimento urbano, mas só o CDS o podia fazer de forma tão brutal.

A implacável insensibilidade da Dr.ª Cristas não estimulou o mercado de arrendamento, que lhe serviu de pretexto, deu apenas início à desenfreada especulação imobiliária que ben…

O cristianismo ortodoxo ainda vive na Idade Média

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O bispo ortodoxo grego, Ambrósio de Calávrita, atribui a culpa dos incêndios da Grécia ao ateísmo do primeiro-ministro Tsipras, ateísmo que ainda mantém a parasitária Igreja ortodoxa-grega isenta de impostos.

As Igrejas ortodoxas não sofreram a influência civilista do direito romano, ao contrário de outras igrejas cristãs, nomeadamente a católica, e, por isso, não sabem viver sem o Estado. Nas Igrejas ortodoxa-grega ou ortodoxa-russa, a laicidade é um valor ausente, o que as torna incompatíveis com Estados modernos.

Na Grécia, só a imposição da União Europeia conseguiu que a religião deixasse de ser referida nos documentos de identidade. O batismo era obrigatório e a única modalidade de casamento era a canónica, e não há praticamente adultos que tivessem passado pela escola sem terem sido obrigados à doutrinação religiosa.

Voltemos ao bispo Ambrósio mais troglodita do que o deputado do PSD Carlos Abreu Amorim e e que faz parecer progressista o cardeal Clemente, de Lisboa, mais pareci…

Trump, Juncker and Rose’s…

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A ‘mudança brusca’ da Administração Trump para com a União Europeia nos acordos comerciais poderá representar mais uma oportunista encenação de Washington. link - a reverter no twitter daqui a poucos dias. Poderá mostrar tão-somente que existe a convicção do inner circle da Casa Branca de que o Presidente foi longe de mais na reunião com Vladimir Putin em Helsínquia na saga de 'ensanduichamento' da UE e que os riscos para a América de uma guerra comercial com a Europa - a ser ensaiada em Washington - serão substanciais. A Administração Trump continua o seu percurso errático e atabalhoado mas, no seu seio, existirão elementos que sabem fazer contas. E o problema não são as 'políticas' – nomeadamente a de alianças – mas fundamentalmente os números. As politicas e, nomeadamente, o conceito de aliado foi deitado ao lixo e daqui para a frente existirão ‘concorrentes’. Da parte de Jean-Claude Juncker este regressa a Bruxelas com a vazia promessa de ‘conversas sobre conver…

A fé e o suborno

A mãe que reza um terço para que o filho passe no exame está a meter a cunha à santa para que influencie o júri que o há de avaliar.
O construtor civil que manda o cabaz de Natal ao engenheiro da Câmara, agradece o último andar do empreendimento, que não constava do projeto inicial.

O funcionário que promete ir a Fátima, se for promovido, quer apenas que a Senhora se lembre dele para a vaga que, por mérito, pertenceria a um colega.

O cordão de ouro que a minhota deixou no andor do Senhor dos Passos para que o seu homem abandonasse a galdéria que o transtornou e voltasse para ela, imagina que, sem a renúncia ao ouro, o Senhor não lhe levaria de volta o bandalho do marido.

Sempre que há promessas para obter do santo, especializado em certo tipo de subornos, um qualquer benefício, é a admissão do carácter venal da Providência. É o cabrito que se manda ao chefe na véspera das atualizações salariais.

Ao santo pede-se que interceda junto de Deus para fazer ao mendicante o que não faz a outr…

A Grécia e os incêndios

As catástrofes naturais aumentam de frequência e intensidade em todo o Mundo, enquanto a imprevisibilidade se agrava.

Perante a dimensão da tragédia grega, escasseiam palavras. Exige-se a solidariedade de todos, e o silêncio dorido é o mínimo que a memória das vítimas exige.

A calamidade dos mortos e feridos, o sofrimento e o pânico de quem se viu envolvido por esta tragédia colossal devia alertar-nos para o que tem sido feito contra o Planeta. Não há dúvidas sobre o aquecimento global e os danos que poderão torná-lo inabitável. Cada um de nós deve interrogar-se sobre o que pode fazer ainda.

Deixemos aos necrófagos a exploração da tragédia. O respeito pela dor alheia exige-nos atos de solidariedade para com todos os que estão a sofrer um drama sem precedentes.

Uns reprimem lágrimas e sufocam os gritos de horror, outros exploram as desgraças alheias, mas quando não sabemos o que fazer, devemos calar-nos, e escutar em silêncio os gemidos dos que sofrem.

Costumes pios

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Se os costumes da Arábia Saudita (País do Eixo do Bem) chegarem ao Egito!

Um membro do Comité para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício (CPVPV), antigo Comité para a Propagação da Virtude e Eliminação do Pecado, (CPVEP) a orientar um pintor:


Factos e evidências

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Editorial Moura Pinto

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Em 1995, em Arganil, nasceu uma editora com objetivos pedagógicos, sob os auspícios de livres-pensadores que tinham por objetivo promover os valores da ética republicana, a laicidade e a democracia.

Pode dizer-se que ao longo de mais de duas décadas nunca traiu os objetivos de quem a fundou e continua a dar-lhe vida, de forma generosa, sem esperar outra recompensa que não seja a da própria consciência.

Hoje, domiciliada em Coja, uma vila onde as águas cristalinas do Alva refletem o olhar límpido de Fernando Vale, que as contemplou durante mais de um século, a Editorial Moura Pinto persiste em dar voz aos valores que, desde sempre, a inspiraram. De algum modo é a continuadora do pensamento dessa grande figura cívica e democrática que foi o médico e humanista Fernando Vale.

A Editorial Moura Pinto é a trincheira contra o esquecimento dos valores republicanos, laicos e democráticos. Ano após ano, livros e folhetos, debates e exposições, jornais e panfletos avulsos, são a voz dos valores…

Espanha – A liderança do PP e a vitória de Pablo Casado

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A vitória do candidato mais à direita significa que o Congresso tem ainda o coração na Falange. Quem assiste à radicalização da direita europeia e à amnésia das ditaduras fascistas, não se surpreende que o menos preparado e o mais extremista dos candidatos tivesse ganhado a liderança. Foi um regresso às origens do PP.

É preciso voltar a Manuel Fraga Iribarne para compreender a vitória de Pablo Casado, o político medíocre que apelou aos valores mais retrógrados e à pior tradição do partido.

Iribarne, foi o ministro da Propaganda de Franco, com a pasta da Informação e Turismo, de 1962 a 1969. Apoiante do maior genocida ibérico da História, não sentiu piedade por centenas de milhares de mortos que, depois da guerra civil, onde a crueldade existiu nos dois lados, foram fuzilados e atirados para valas comuns em orgias de sangue e ódio.

Na transição democrática, conduzida por Adolfo Suarez, foi o mais alto representante da agónica ditadura. Vice-presidente desse Governo e ministro dos Assu…

Efemérides - 22 de julho

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2003 – Os filhos de Saddam Hussein, Udai e Qoussai, são mortos por tropas dos EUA, em Mossul.

2004 – Durão Barroso é eleito presidente da Comissão Europeia. [O crime compensa].

NATO: a confusão, a perplexidade e o anunciado ocaso…

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A última cimeira da NATO em Bruxelas trouxe à luz do dia o que desde há muito estava na forja. A ‘aliança atlântica’ agoniza. O novo quadro geopolítico mundial veio introduzir novos eixos de equilíbrios - ainda muito instáveis - mas perfeitamente nítidos. As novas centralidades estão definidas e abarcam três encostas: Os EUA, a Rússia e a China. O resto é paisagem. Há algum tempo que se verificavam estas mudanças. O papel da NATO, por exemplo, na questão ucraniana, revelou à saciedade como os equilíbrios tinham mudado. A NATO foi incapaz de interferir nos arranjos conseguidos após a queda do regime de Yanukovich, parceiro de Moscovo, que usou tentar virar as costas à UE. O resultado do ‘Euromaidan’, isto é, a ligação de Kiev a Bruxelas, revelou-se francamente desastrosa e para além de ter resultado num país divido entre a parte ocidental populista e cativa da extrema-direita e a de leste subsidiária de Moscovo deve acrescentar-se o custo da secessão e perda da Crimeia, parte não …