Mensagens

A mostrar mensagens de 2018

Vamos ter saudades dos EUA

Imagem
Não há impérios eternos nem paz definitiva e, no ocaso do maior império da História, abreviado pela inépcia de Trump, a desconfiança no mitómano ignorante e a ausência de uma estratégia global, longe de tranquilizar o mundo, aumenta os receios da guerra e da insegurança a nível universal.

É surpreendente que os países europeus, a gozarem o mais longo período de paz da sua história, a maior prosperidade de todos os tempos, um aumento notável da esperança de vida, o estabelecimento de democracias, a fruição dos direitos humanos e a progressiva igualdade de sexos, recusem os valores humanistas que moldaram a sua identidade. A democracia está em perigo. Kaczynnski (Polónia), Orban (Hungria), Le Pen (França), Hofer (Aústria), Salvini (Itália), Farage (Reino Unido), Petry (Alemanha) e a erupção nacionalista em diversos outros países, não são meros sintomas, são sinais evidentes da enfermidade que atingiu o Continente.

Há quem veja na emergência da provável e próxima superpotência, a China,…

Cavaco Silva e a Pide

Imagem
A iníqua montagem de um pretenso cartão de “Informador” da sinistra polícia política, com a fotografia do político que mais tempo ocupou o poder na 2.ª República, pode ser obra de apaniguados que, com a mentira grosseira, impedem a investigação do obscuro passado do político, de quem nunca deixou de ser salazarista e tanto deve ao 25 de Abril.

A revista Visão n.º 1344 de 6 a 12/12/2018, na tentativa meritória de desmontar calúnias torpes, de que são alvo figuras políticas de primeiro plano, refere-se Cavaco e denuncia – e bem –, a falsidade do cartão de ‘Informador’, que só engana quem ignora o carácter anónimo dos esbirros pagos de um qualquer saco azul que o ‘honesto’ Salazar permitia à sua polícia política.

No que a Cavaco Silva diz respeito, e era importante, fazem-se afirmações sem provas, numa mera presunção: “Cavaco foi obrigado a prestar declarações atestando que estava integrado no regime político do Estado Novo, mas nunca pertenceu ou colaborou com a PIDE”. Dizer que “Como p…

Allahu Akbar!

Imagem
“A jihad [guerra santa] é o teu dever sob qualquer governante, seja ele ímpio ou devoto” (hadith, geralmente invocado para justificar ataques aos infiéis e apóstatas).

“Deus é grande” não é só o grito selvagem que precede uma carnificina, é a apoteose da demência mística, o sintoma da intoxicação divina pelo mais boçal dos livros sagrados.

Deus podia ter sido uma ideia interessante, mas converteu-se num pesadelo cujo nome, em árabe, remete para o mais implacável dos homólogos que alimentam o proselitismo dos desvairados da fé. Alá consegue ser o pior dos avatares monoteístas.

O islamismo, plágio tosco do judaísmo e do cristianismo, ditado pelo arcanjo Gabriel ao “beduíno analfabeto e amoral”, como lhe chamou Atatürk, ao longo de vinte anos, entre Meca e Medina, deu origem à mais sombria mutação do deus abraâmico.

O islamismo já foi mais tolerante do que o judaísmo e o cristianismo, o primeiro com a única vantagem de não ser prosélito, mas a decadência da civilização árabe transformou…

Bombeiros e ‘o seu a seu dono’…

Imagem
O Sr. Jaime Marta Soares, na qualidade de presidente da Liga de Bombeiros Portugueses (LBP), resolveu intrometer-se na política e de arrastão envolver os bombeiros. A primeira coisa a fazer será distinguir as pretensões políticas do Sr. Jaime Soares das preocupações e do trabalho humanitário dos bombeiros portugueses.
O Sr. Soares decidiu assumir um papel que ninguém lhe confiou. A segurança dos portugueses não pode ser objeto de disputa ou enxotada de um lado para outro. Quando a LBP sob a batuta de Jaime Soares abandona a estrutura nacional de proteção civil marginaliza-se embora possa prometer segurança a tudo e a todos (ninguém compreende como).  Por esse caminho a Drª. Assunção Cristas perde um dos seus mais relapsos argumentos: “O Estado falhou…”. Passará a dizer: “O Sr. Soares falhou”… A Proteção Civil deve integrar as corporações de bombeiros - ninguém tem dúvidas acerca disso - mas a segurança das populações, isto é, o âmbito da proteção civil está para além disso. Aliás, o…

O Orçamento de Estado e a agitação social

Imagem
Não existe a mais leve dúvida sobre a legitimidade das greves, nem quanto à justiça das aspirações de numerosos funcionários que já davam por destruídas as suas carreiras que o anterior governo cancelou e o atual recuperou, procurando ressarcir progressivamente, de forma inacabada, os prejuízos sofridos.

Seria lamentável, como fez Passos Coelho, que se arremessassem trabalhadores do setor privado contra os da função pública, numa luta fratricida que a todos prejudica e só cria rancores, invejas e ressentimentos.

O OE_2019 não pode acolher todas as exigências e, muito menos, a dimensão de cada uma. Os empréstimos, para manterem a economia e a máquina do Estado a funcionar, dependem mais dos credores do que dos devedores e serão tão mais difíceis de obter, e em condições mais gravosas, quanto maior for o desequilíbrio orçamental e a dificuldade de gerir a dívida contraída.

A competição pré-eleitoral e as legítimas divergências dos partidos que possibilitaram o Governo prejudicam o comb…

Catlolicismo

Imagem
Pecam separados e absolvem-se mútua e reciprocamente.

Política e interesses privados

Imagem
Entre as numerosas perversões da perceção dos portugueses, ou do que a comunicação social transmite, sobressaem o endeusamento dos bombeiros e a demonização dos políticos.

Um político que, depois de deixar a Câmara de Poiares num estado financeiro que, num país mais exigente, levaria à extinção do minúsculo município, consegue, depois de a lei o impedir de recandidatar-se à presidência da autarquia, tornar-se presidente da Liga dos Bombeiros e chantagear o Governo. Até mudou de nome, passando de Jaime Soares a Dr. Marta Soares.

Se um ministro chamasse aos bombeiros o que o militante do PSD, com linguagem das claques de futebol, chama a governantes, seria obrigado a demitir-se. Consegue ser mais indelicado que a Dr.ª Cristas na AR a dirigir-se ao PM.

Um político nunca é honesto nem competente, mas o bombeiro é sempre abnegado, apto e incapaz de ter negócios na área do combate aos incêndios ou do transporte de doentes. Nunca se move por interesses pessoais, só o bem público o determina…

D. U. D. H. - 10 de outubro de 1948

Imagem
Declaração Universal dos Direitos do Homem (DUDH), agora justamente denominada dos Direitos Humanos

https://dre.pt/declaracao-universal-dos-direitos-humanos

(Lembrando Lula da Silva)

Proclamada há 70 anos, em Paris, subscrita por 48 países, conta hoje com mais de 180 países que a subscreveram. Assim a respeitassem todos, incluindo aqueles que tinham reservas e os que nunca honraram cabalmente os 30 artigos, que carecem de carácter vinculativo pois não se trata de um tratado ou pacto. Foi uma grande vitória para a ONU e uma enorme esperança para a Humanidade.

A adesão de Portugal, a viver na ditadura que sobreviveu à derrota do nazi/fascismo, só se verificou a 14 de dezembro de 1955 e não passou de mera formalidade que o regime não tinha intenção de cumprir.

É fácil escrever sobre os Direitos Humanos, difícil é fazê-los respeitar.  A DUDH é uma mera carta de intenções quando os regimes se tornam autoritários, a Justiça se politiza e os interesses económicos são postos em causa.

O apar…

A minha homilia laica de fim-de-semana

Imagem
As nebulosas manifestações, de que o aumento dos impostos e o preço dos combustíveis foram o pretexto invocado, tiveram o imediato apoio da Sr.ª Le Pen e a aglomeração de marginais, que vandalizaram estabelecimentos e saquearam mercadorias para vender.

O que não se esperava era o apoio de Trump, apesar das sólidas credenciais de exotismo e desvario. Foi o ajuste de contas do empreiteiro que disputa adjudicações, no remoque aos acordos de Paris sobre o clima e a veleidade da criação de Forças Armadas da UE.

Da Turquia, Erdogan, uma referência democrática dos Irmãos Muçulmanos, que prende juízes, jornalistas, professores e intelectuais, criticou a intervenção policial na contenção dos desacatos e acusou a França de ter suspendido os direitos humanos, ele que reprime os curdos com violência e apoia carinhosamente terroristas muçulmanos amigos.

Em Itália, Matteo Salvini rejubilou porque Macron deixou de ser um problema para ele e passou a ser um problema para os franceses.

Até à data, à …

Inventário

Imagem
Carga tóxica transportada para a Madeira, por via aérea, no dia 26 de abril de 1974.

A agitação social e as suas motivações

Não discuto o direito à greve ou a legitimidade das que estão em curso e se multiplicam, às vezes sem assegurar sequer os serviços mínimos. Faltam-me elementos para julgar cada uma delas, e ninguém melhor do que os profissionais para as avaliarem.

Há aspirações legítimas para as quais pode não haver recursos e certamente outras cuja satisfação aumentaria as desigualdades e injustiças sociais. Não tenho ideias definitivas sobre o frenesim da agitação social nos mais variados sectores de atividade da função pública, a dez meses das eleições legislativas.

Temo, isso sim, as greves que não são mediadas pelos sindicatos e as movimentações sociais alheias aos partidos políticos. O ambiente é demasiado complexo para rotular as reivindicações, mas é suficientemente claro que há um efeito tóxico que pode contaminar as mais justas e urgentes, o efeito que causam na opinião pública e cujas consequência cabe aos sindicalistas avaliar.

Quem viaja nos transportes públicos frequentados por populaçõe…

Ontem, no 40.º aniversário da Constituição espanhola (6-12-2018)

Imagem
A Constituição Espanhola de 1978 foi ratificada em referendo a 6 de dezembro de 1978, sancionada pelo rei a 27 de dezembro e publicada no Boletim Oficial do Estado, 2 dias depois, pondo fim ao período de transição.

Era ainda o tempo de todos os medos, o medo dos fuzilamentos cujo eco ressoava nas praças de touros, o medo do garrote, o medo das brigadas assassinas, ao cair da tarde, que muitos ainda recordavam, o medo da ressurreição do ditador, o medo dos sequazes, chamados à negociação, com pinças, o medo de desobedecer à vontade do ditador e ao rei que ele impôs.

Adolfo Suárez, falangista que entrou na política pela mão de Fernando Herrero Tejedor, um falangista ligado ao Opus Dei, que o apoiou antes e depois da morte do genocida, foi um liberal pragmático que compreendeu o fim de uma era e teve o mérito de reunir falangistas convertidos à democracia, social-democratas, liberais e democrata-cristãos nas eleições de 15 de junho de 1977, as primeiras depois de 1936, que venceria ao l…

A frase

Imagem
[A bastonária dos Enfermeiros, conseguiu fazer parar serviços inteiros nos hospitais e para 23 de outubro está marcado o início de uma greve de cinco dias, podendo seguir-se uma paralisação "por tempo indeterminado".

(António Pedro Ferreira, in Visão)]

Ponte Europa -  Defendemos o direito à greve e o direito à vida.

Entre os dois escolhemos o segundo.

Jornalistas – Apesar de…, apesar de…, apesar de…

Imagem
Sem jornalismo independente não há democracia e, sem o contributo de jornalistas para a investigação dos factos, não há notícias nem opinião pública esclarecida.

Por muito que surpreenda ainda é dos EUA que nos chegam notícias fiáveis e os jornais mais independentes. The New York Times e The Washington Post resistem à campanha de Trump contra eles, com uma tenacidade sem paralelo.

Foi The Washington Post que conseguiu, secundado pelo New York Times e o britânico The Guardian, transformar o assassinato do seu jornalista saudita, Jamal Khashhoggi, no consulado do seu país, em Istambul, numa notícia à escala global.

Sem a coragem e independência dos jornais referidos, a morte e o desmembramento do jornalista, a mando do núcleo do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, estaria esquecido o contrato de promessa de compra e venda de armas com os EUA, avaliado em 110 mil milhões de dólares (cerca de 96.000 milhões de euros) e que representa o melhor seguro de vida de Mohammed bin Salman, o prí…

Marcelo convidou Cavaco para um funeral nos EUA

Imagem
“O antigo Presidente da República, Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva, representa amanhã [quarta-feira] Portugal em Washington, nas cerimónias fúnebres do antigo Presidente Estados Unidos da América, George H. W. Bush, a convite do Presidente da República e com o acordo do governo”, referiu ontem uma nota no site da PR portuguesa.

Todos sabemos que, sem concordância do Governo, que tem a exclusiva competência da política externa, não era possível o convite. Aliás, não vai representar Portugal, mas o Governo, e ninguém, melhor do que a múmia para fazer de gato-pingado num funeral.

Penso que é mais um ato de humor de Marcelo para compensar o constrangimento de se ter deixado babar, em público, na presença do presidente chinês.

O azougado PR que, no dia em que o substituiu, lhe atribuiu o mais alto grau da Ordem da Liberdade, um ato de humor que só tem paralelo na Universidade de Goa, quando o elevou a ‘Doctor Honoris Causa’… em Literatura, acertou no convidado.

O doutorado levou tão a sé…

Era assim o ditador que se injetava

Imagem

VOX – Fascismo puro e duro

Imagem
Imaginemos que o mais reacionário dos programas, a mais perversa nostalgia da ditadura e as mais abjetas propostas políticas podiam constituir o programa eleitoral de um partido político.

E imaginemos que esse esse partido, num espaço ibérico com uma superfície, uma população e um PIB semelhante ao de Portugal, poderia ter 11% dos votos dos eleitores.

Imaginemos esse filme de terror. Foi o que aconteceu no último domingo, na Andaluzia, aqui ao lado, com o partido VOX, abertamente fascista.
Dispenso-me de comentar o programa que apresentou ao eleitorado. Aceitar um único ponto é uma desgraça, subscrevê-los todos é uma catástrofe ética, cívica e social.

Basta transcrever o perverso decálogo programático, em português:

1.Deportação de migrantes legais e ilegais

2. Muros "infranqueáveis" em Ceuta e Melilla

3.Suspensão de autonomias e ilegalização de partidos

4.Defensa das "gestas e façanhas nacionais"

5.Vox, contra a "ideologia de género"

6.Revogar a lei de …

E a Andaluzia aqui tão perto…

Imagem
A Andaluzia, por razões idênticas ao Alentejo, em Portugal, votou sempre à esquerda. Até ontem. A população tinha memória da repressão da ditadura e da exploração dos latifundiários, e a consciência política parecia inabalável.

A usura do poder e casos de corrupção foram debilitando o PSOE, e quando se esperava que o Podemos pudesse disputar o segundo lugar nas eleições de ontem, também perdeu mandatos, remetido para 4.º lugar, com o VOX a ocupar o 5.º com 12 mandatos, quando as sondagens previam 0 a 4. Pela primeira vez, na democracia, a esquerda é minoritária.

Pablo Casado, líder nacional do PP, não considera ditadura o franquismo e reconduziu o partido ao Aznarismo e ao criador Fraga Iribarne, ministro da Propaganda de Franco. O VOX tem no PP, um dos perdedores, o aliado. Cabe agora ao Ciudadanos (CS) mostrar se enjeita formar governo com fascistas ou se é um duplo do PP.

A alternativa a um governo da Andaluzia em que o VOX – prolapso da democracia –, seja excluído é a aliança ent…

ENFERMAGEM: o misterioso trânsito de uma situação plena de razão para uma incompreensível ‘greve ad libitum’?

Imagem
O País discute alegremente o IVA das touradas e, simultaneamente, os enfermeiros estão a desenvolver paralisações seletivas - uma chamada ‘greve cirúrgica’ – que, em última análise, pode acarretar consequências graves sobre o SNS.
Ninguém pode ignorar que os enfermeiros têm reivindicações profissionais a fazer e que estas contêm largos ingredientes de justiça. No entanto, uma coisa é a justeza profissional outra será a justiça social. Por cima disto paira a absoluta legitimidade do recurso à greve como arma de luta dos trabalhadores, mas não é isso que está em discussão.
Na verdade, sendo o SNS é um pilar do Estado Social, em larga medida, o seu sucesso (a sua capacidade de resposta) depende da colaboração, motivação e desempenho dos profissionais que aí trabalham. Não está em causa a análise valorativa - absoluta ou relativa - de os diferentes sectores profissionais com funções distintas e responsabilidades diferentes.
A situação dos enfermeiros - desde a necessidade de adaptar os …

Maio de 68 e novembro de 2018

Imagem
Meio século e meio ano depois, Paris repetiu a coreografia com sólido pretexto, o preço dos combustíveis, e enorme semelhança nos equívocos e obscuros objetivos.

Então, a contestação era de esquerda e os agitadores acabaram aburguesados e a aderir às delícias do capitalismo; hoje, os mais aguerridos são de extrema-direita e é duvidoso que mudem de trincheira.

Há quem espere muito destes movimentos ‘espontâneos’ e não veja o sentido para que caminham.

Desprezo cada vez mais o amarelo, desde o dos colégios privados portugueses ao dos coletes amarelos franceses.

Amarelo, só o da Carris. De preferência na voz de Carlos do Carmo e da Mariza.

Notas Soltas – novembro/2018

Espanha – A investigação jornalística à vida do rei emérito Juan Carlos deu a conhecer o carácter do Bourbon que Franco impôs, a sua cupidez e conduta venal. O mulherengo recebia comissões de negócios opacos e terá ocultado ao fisco 2.000 milhões de €€.
Sérgio Moro – Se um juiz se apressa a acusar, julgar e prender um candidato que pode ganhar as eleições, ou é zelador excecional dos interesses do Estado ou tem uma agenda política. Bolsonaro deve-lhe a Presidência, e pagou-lhe a venalidade com um ministério.
Web Summit – A realização em Lisboa da cimeira de tecnologia, com garantia de mais uma década, é um evento de enorme interesse nacional. Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa e Fernando Medina tornaram Lisboa uma cidade apetecível e motor da economia do país.
EUA – As eleições intercalares criaram alguma esperança aos democratas com a vitória no Congresso, mas os republicanos mantêm o Senado, que molda o Supremo Tribunal e o fará ultraconservador por vários anos, depois de Trump. O …

Agitação social e incertezas

Ai de quem cala o que sente e pensa, e diz o que julga que os outros gostam, mas pior é deixar-se manietar por constrangimentos sociais, calar-se por medo, deixar de abordar assuntos incómodos ou potencialmente geradores de crispação.

Quem emite opiniões tem o indeclinável dever de estar convencido de que as suas são as melhores, e deve estar disponível para aceitar que as opiniões contrárias podem ser tão razoáveis quanto as suas.

Há verdades que se calam para não desagradar, mentiras que não se contestam para não ofender, preconceitos que se toleram por comodidade. Numa sociedade democrática é a afirmação de todos e de cada um que forma o pensamento coletivo, e mal vai quando os que intervêm no espaço público se coíbem de abordar os temas incómodos. A opinião pública é a síntese dialética da opinião de todos, enquanto a opinião publicada é a que interessa a quem detém os órgãos de comunicação social e a quem os controla.

Tenho pensado muito na agitação social que irrompeu no País e …

Banco Goldman Sachs – a ética e os negócios

Imagem
O banco Goldman Sachs, independentemente de ter estado ou não na origem da falência do seu concorrente Lehman Brothers, não usava certamente métodos diferentes. Talvez tivesse apenas mais apoio político ou melhores informações.

A crise financeira mundial e a consequente crise das dívidas soberanas de numerosos países teriam de acontecer, tal como as próximas, até à última, como vaticinou o grande teórico da economia cujo nome o capitalismo diabolizou, sem evitar as suas previsões.

Pasmo com o ar sério dos economistas encartados, que fingem acreditar no crescimento contínuo da economia e a prescrevem como remédio para todos os males, como se fosse possível crescer sempre. E aludem ao crescimento sustentado sem se rirem.

«As árvores não crescem até ao céu», nem a economia.

Sabe-se que o Goldman Sachs foi o único dos grandes bancos de investimento dos EUA que resistiu à crise de 2008. Está agora mergulhado num enorme escândalo financeiro de desvio fraudulento de fundos e corrupção polít…

O centro e a política

Uma formação oportunista que concorreu às eleições autárquicas de Coimbra, e elegeu vereadores, abordou-me durante a campanha para, legitimamente, me convencer a votar na lista que apresentava.

Perguntei se eram de direita ou de esquerda e disseram-me que não eram uma coisa nem outra. Fiquei esclarecido. Eram de direita.

O que me surpreende é a quantidade de partidos que se reclamam do centro, como se tal abstração passasse de um ponto sem superfície ou volume e aí coubesse o que quer que fosse. Quando muito é uma linha, sem princípio nem fim e, sobretudo, sem princípios.

Na arte da dissimulação, à falta de um programa, há quem reivindique como virtude a ausência de ideias e a desfaçatez do logro.

Em democracia há direita e esquerda, com mais ou menos densidade, e nunca a imitar o vazio que é o ponto e que, em política, não chega a ser de interrogação. É o vazio onde se escondem todos os logros e albergam muitas ambições, uma estratégia para confundir incautos e ocultar a cobardia de …

Os 4 cavaleiros ateístas

Imagem
O ateísmo não é prosélito, mas a sua defesa como opção ideológica encontra nestes 4 pedagogos do ateísmo os mais esclarecidos argumentos.

O 25 de novembro merece uma releitura política

A Direita, abominando os protagonistas, confiscou a data. A Esquerda divide-se entre o silêncio e a crispação, chegando a declarar fascista a contenção do aventureirismo, com objetivos nebulosos e sem um projeto que o país tolerasse. Há uma reflexão a fazer.

Admitamos que a sorte das armas tivesse sido inversa. Era legítimo impor um modelo de sociedade repudiado? Era sequer viável? Seria uma vitória de quem, e até quando?

Sei qual era o ambiente no norte do País, no distrito da Guarda, onde fiz campanha pela CDE, ao lado de Jaime Gralheiro e António José Dias de Almeida, para a Assembleia Constituinte. Quebrei, em 25 de abril de 1975, a ligação a quaisquer forças partidárias, após 14 anos de modesta, mas persistente e ininterrupta militância política unitária.

Trago no meu devocionário os vencidos e os vencedores do 25 de novembro de 1975, e Carlos Fabião e Otelo, dois militares neutralizados no confronto entre os que fizeram o 25 de Abril e escreveram a mais bela página da História d…

ANGOLA: João Lourenço, o enigmático visitante e abracadabra …

Imagem
A visita do presidente de Angola a Portugal marcou, de facto, a agenda política desta última semana. Trata-se de um importante evento político já que a normalização das relações com esta ex-colónia representa muito. Angola - depois da independência do Brasil – foi, durante largo tempo, a nossa ‘joia da coroa’ (se alguma vez tivemos joias na coroa).
No entanto, esta visita revelou algumas intranquilidades, enigmas e deixou em aberto muitas coisas. A primeira delas será a desmesurada preocupação de que tudo corra bem e não haja sobressaltos. Existiu uma notória preocupação em emprestar a este ato oficial ‘carradas’ de deferências e carrear o visitante nas palminhas das mãos. Na realidade, esta visita ocorre à saída de uma crise relacional (o ‘irritante’) entre Estados que não começa nem acaba com o problema de Manuel Vicente, mas (também) passou por aí. Tudo começou com José Eduardo dos Santos quando, há 5 anos (Outubro de 2013), anunciou o fim da parceria estratégica com Portugal, dec…

Touradas

Imagem
«Devem ouvir-se igualmente ambas as partes» (Demóstenes, in Oração da Coroa, de 330 a.C)

Um enorme poeta, tal como o maior dos pintores ou outro grande escritor pode dizer disparates.

Quando estavam a serrar os cornos de um touro, no Campo Pequeno, alguém perguntou se também gostariam que lhes fizessem o mesmo.

O meu querido amigo Onofre Varela diz melhor com um desenho.

Guarda – Cidade Natal

Imagem
O pio autarca, Álvaro Amaro, decidiu que entre 1 e 25 de dezembro deste ano a Guarda seja “cidade Natal”. O Jornal do Fundão, desta semana, diz que é uma reincidência, com comunicado, onde o edil declara que “a Guarda brilha mais alto com a cidade Natal”, um slogan capaz de erguer presépios em cada esquina e atrair turistas a todos os becos.

A ideia não é original, já Fernando Ruas, há anos, proclamou Viseu “capital do Natal”, o que hilariou autóctones e forasteiros. Álvaro Amaro, mais modesto, retirou a “capital” à lucubração litúrgica, e manteve o brilho das boas ideias com um slogan à sua altura.
O grande timoneiro teve uma ideia brilhante e, ao contrário do poeta, “Natal é quando um homem quiser”, decidiu amputar seis dias ao mês do Natal das gentes cristãs.

Se a fúria litúrgica for contagiosa, como a gripe ou a tuberculose, os autarcas do distrito correm atrás dos rituais e teremos Seia, cidade da Páscoa; Gouveia, cidade do Advento; Pinhel, cidade da Quaresma; Sabugal, cidade da…

A frase da D. Cristas

Imagem
«O Estado falhou, há sempre um responsável máximo e esse é o Governo e o primeiro-ministro.» (Assunção Cristas sobre o acidente na estrada camarária de Borba).  O mantra que repete na voluptuosa necrofagia, faz dela a ave que procura as catástrofes que lhe perturbam a memória. Cristas pode não saber que as pedreiras existem há mais de 60 anos, que o licenciamento da pedreira em causa, já em violação das regras, teve lugar em 1989, num governo de Cavaco, mas esqueceu-se de quem era o ministro do Ambiente há quatro anos e onde estava ela.  Julga que a estrada se aproximou das pedreiras e não foram estas que avançaram para a estrada.
Apostila - Porque este tema já foi tratado, e bem, por 'e-pá', apenas quis deixar aqui a parte superior da capa do Público.

CDS e acidente de Borba: a chicana política e a ida às ginjas…

Imagem
A demagogia encontrou nos tempos recentes um(a) arauto(a) inexcedível. Assunção Cristas – mais uma vez – aparece a comentar um fatal acidente que sacudiu o País com a recorrente expressão: o Estado falhou! link. A capacidade de análise desta líder da Direita é deveras impressionante. Passa rapidamente das funções do Estado para a acusação ao Governo. Varreu-se-lhe da memória que pertenceu a um Governo onde a situação de conflito existente entre as pedreiras de mármore e a estrada que liga (ligava) Borba a Vila Viçosa estava lá. Aliás, segundo se pode apurar, estas pedreiras (as que marginalizam a estrada no local do acidente) existem há mais de 60 anos, embora de início as escavações tenham sido concebidas para uma menor profundidade, o que poderá fazer a diferença. Mas segundo se refere alguma imprensa o alerta sobre os riscos de colapso da estrada Borba-Vila Viçosa datam de há 4 anos link. Onde estava Assunção Cristas há 4 anos? Na mesma senda de demagogia o CDS, pela voz de Nuno…