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No 1.º aniversário da tragédia de Pedrógão Grande

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A comunicação social procede à mórbida celebração do incêndio. Enquanto requeima as vítimas em imagens repetidas até à náusea e se resssufragam as almas em remissas televisionadas, com mais pessoas do que crentes, impede-se o luto dos que sofrem a dor da ausência dos que o fogo devorou, ainda a sangrar por dentro.

Há nesta lúgubre ostentação da tragédia o aproveitamento que, desde o início, serviu objetivos políticos que apenas o delírio do presidente da Misericórdia e do PSD de Pedrógão atenuou com os suicídios que imaginou em transe partidário e oportunismo antidemocrático.

Foram mais respeitados os mortos que um carvalho paroquial esmagou no adro da igreja ao tombar sobre uma procissão, na Madeira, mas tiveram menos sorte os estropiados e os herdeiros dos falecidos porque os fundos da diocese eram para a salvação das almas e os do Estado para reparar os danos oriundos de matas particulares e da inclemência do tempo.

Das 13 pessoas mortas no Funchal, incluindo uma criança, pela que…

A ditadura e o clero português

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Há folhetos que valem dezenas de páginas de um compêndio, panfletos que se tornam o libelo acusatório de um regime e da cumplicidade que o perpetuou, papéis que ficaram a atestar uma época, um regime e a Igreja de que o ditador foi o produto.

Para os que esqueceram as rezas das missas pela longevidade dos governantes e orações pias de agradecimento aos próceres do fascismo, aqui fica um documento para gáudio dos democratas e vergonha dos fascistas.


Ainda sobre a cimeira de Singapura (Sentosa Island)…

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A (ainda) recente cimeira de Singapura - entre Donald Trump e Kim Jong-un - continua a ser um insondável enigma, provavelmente um fogo-fátuo. Não se percebe como a dinastia Kim que levou largos anos a investir no armamento nuclear e balístico, como instrumento de sobrevivência do regime norte-coreano, colocando os seus cidadãos num miserável subdesenvolvimento, agora, com um golpe de mágica, resolve deitar borda fora este pesado investimento bélico em troca de vagas e vãs promessas de desenvolvimento económico futuro.
Por outro lado, é muito pouco convincente que a diplomacia norte-americana – com o histórico de negociações na Ásia - tenha descurado questões respeitantes à península do Coreia que, em termos geoestratégicos, dizem respeito à influência norte-americana no Oriente. Para além das questões orçamentais, logo sublinhadas por Trump, à volta de um eventual regresso a casa do forte contingente militar aí destacado, tudo o resto mantem-se insondável e oculto. A troca de 'desnuc…

O PR e as autonomias

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O PR disse que, ao ter votado como deputado da Assembleia Constituinte o regime de governação do arquipélago, [a autonomia regional] percebeu que este era um "processo imparável, irreversível, de virtualidades crescentes e que, longe de ser contraditório com o todo nacional em que nos integrávamos, só valorizava e enriquecia".
(Do discurso do PR, em Ponta Delgada, no 10 de Junho)

As autonomias regionais são o exemplo que impediu a regionalização do Continente em 4, o máximo 5, regiões, que dispusessem de massa crítica para a sua gestão e fossem um fator de harmonia e desenvolvimento ordenado e sustentável.

Foram os órgãos político-administrativos faraónicos e altamente onerosos dos Açores e da Madeira, a que se juntou o espírito truculento e chantagista do soba madeirense, que criaram a desconfiança sobre as virtudes da regionalização, que continua necessária, no Continente.
A solidariedade com os Açores e a Madeira não está em causa, mas a racionalidade dos seus órgãos, qu…

A menina do cartaz e a eutanásia

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Vera Guedes de Sousa é uma aluna de medicina que se tornou conhecida por empunhar o cartaz onde se exonera a inteligência e se apela ao medo. Pode vir a ser uma razoável médica, mas será uma medíocre cidadã e excelente rata de sacristia.

Quando um assunto tão sério, em que se trata da morte, não é discutido, e apenas serve para assustar os incautos, como outrora se aterrorizavam os crentes com as labaredas do Inferno, não estamos no domínio do racional, entramos no terrorismo psicológico.

É tão legítimo defender uma posição como a sua contrária, embora, no que diz respeito à eutanásia, se confronte um direito individual, que não obriga ninguém, com a decisão de quem impõe a todos a sua própria convicção.

O chumbo legislativo, em que pesaram mais os cálculos eleitorais e as guerras internas do ainda maior partido parlamentar, do que as convicções individuais, não extinguiu o problema nem tornou irreversível a solução.

Raras matérias são tão transversais a todo o espetro político e tão…

Desabafo

"Quem errou, intencionalmente ou por negligência, soube hoje que saiu derrotada neste processo a sua visão autoritária do processo penal. Assim como saiu derrotada a visão corporativa da proteção dos pares em relação aos erros graves por si cometidos. E saiu derrotada a visão  perversa do processo penal, baseada no abuso da ocultação de provas e na manipulação mediática de processos judiciais.”

(Paulo Pedroso, vítima der um erro e do corporativismo judiciários)

Associação Ateísta Portuguesa (AAP) - Comunicado

Justiça, política e democracia

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Não há Estado de Direito sem independência dos Tribunais, nem democracia refém de juízes. Os erros judiciários, tal como os erros médicos, acontecem e não são razão para censura, são motivo de mera reflexão e, tanto quanto possível, de reparação dos danos causados.

Os protofascistas acusam todos os juízes e todos os políticos de corruptos, geralmente para fingirem que são honestos, biltres que preferem as ditaduras. Há juízes e políticos corruptos, mas, quero crer, em percentagem bem menor do que no comum dos cidadãos.

Acaba de ser conhecida a notícia de que «O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos criticou a decisão do juiz Rui Teixeira que não deu acesso à defesa dos testemunhos e dos relatórios médicos das alegadas vítimas e condenou ainda os tribunais da Relação e o Supremo por terem negado uma indemnização ao antigo governante por detenção ilegal.».

O juiz Rui Teixeira procedeu bem quando investigou Paulo Pedroso, mas foi intolerável quando foi à Assembleia da República, com câm…

Governo espanhol

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O governo espanhol pode ser efémero, mas é uma lufada de ar fresco com a brisa feminina a transformar-se em vento forte.

Fica o exemplo.

A menina do cartaz

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Vera Guedes de Sousa pode vir a ser uma razoável médica, mas será uma medíocre cidadã e uma excelente rata de sacristia.

O poderoso imbecil

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Esta foto da reunião do G7 no Canadá, publicada hoje na capa do DN, ilustra bem quem possui a força sem ter a inteligência.

Associação Ateísta Portuguesa (AAP) - Comunicado

Associação Ateísta Portuguesa - COMUNICADO Nova ponte Porto/Gaia
Exmos. Srs. Presidentes da Câmara Municipal do Porto e de Vila Nova de Gaia
Dr. Rui Moreira 
Dr. Eduardo Vítor Rodrigues Excelências, A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) solidariza-se com os movimentos de cidadãos e Associações que propõem o nome do cineasta Manoel de Oliveira para a nova ponte sobre o rio Douro, a ligar o Porto a Gaia. A AAP entende que o grande cineasta, de relevo internacional, não é apenas uma referência para a cidade do Porto, é uma glória para Portugal, cuja obra é conhecida por cinéfilos de todo o mundo. Acresce que filmes importantes de Manoel de Oliveira, “Douro, Faina Fluvial”, “Aniki-Bóbó” e “O Pintor e a Cidade” são verdadeiras odes ao rio Douro cujas margens a nova ponte une. Assim, e dado que o nome proposto pelos presidentes de câmara do Porto e de Gaia – António Francisco dos Santos – se refere a uma personalidade de menor relevo e inferior contributo para tornar conhecida a região, inferi…

Recordar o ditador

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Ontem, comemorou-se o 60.º aniversário da fraude eleitoral que retirou a vitória a Humberto Delgado.

Hoje recordo os devotos do sinistro ditador que inspirou a burla e o posterior assassinato do «general sem medo» .

60.º aniversário de uma eleição fraudulenta

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Há 60 anos, no dia de hoje, Humberto Delgado, general da aeronáutica saído das fileiras do Estado Novo, recém-convertido à democracia, fez tremer Salazar e o regime fascista que o sustentava.

A ditadura percebeu nesse dia, nas eleições que o «general sem medo» ariscou disputar, que o voto popular não mais lhe permitia manter a fachada democrática, por maior que fosse a repressão, por mais retaliações que exercesse, por mais restrições que impusesse à liberdade de expressão e à circulação de ideias.

Humberto Delgado galvanizou o País e, quando um jornalista lhe perguntou o que faria a Salazar, se vencesse as eleições, e respondeu “obviamente demito-o”, o país perdeu o medo e entrou em euforia, antes de o regime consumar a fraude e redobrar a repressão.

Após a fraude, que alterou os resultados eleitorais, a ditadura redobrou a vindicta contra opositores, reforçou a censura e endureceu a vigilância e repressão que a Pide, a Legião e a União Nacional sempre tinham usado.

Seguiram-se as p…

Coimbra 2018 -- A bênção das pastas

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Não há evidência estatística que prove que a bênção das pastas traga benefícios aos estudantes ou abra a porta ao primeiro emprego.

Não há ensaios duplo-cegos que provem a correlação positiva entre a fé e a preparação académica, entre a eucaristia e o conhecimento científico, entre as orações e o domínio das sebentas.

Tirando o colorido fotográfico de um bispo paramentado a rigor e estudantes com vestes talares, não há nos borrifos de água benzida, arremessados a golpes de hissope, a mais leve suspeita de que a benta humidade conserve o coiro da pasta ou do portador.

Há, todavia, no circo da fé, genuína alegria, uma absoluta demissão do sentido crítico, a força poderosa do «porque sim», que impele os universitários de Coimbra para a missa na Sé Nova a pedir a bênção da pasta e a prometer que vão espalhar a felicidade.

Vão ao confesso dizer os «pecados» para que se preparam, segue-se a eucaristia antes da cerveja, despacham umas ave-marias e mergulham na estúrdia da semana de todos os…

Amanhã, em Coimbra - Homenagem a Humberto Delgado

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Laicidade

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O niqab e da burka, proibidos em França desde 2010, em lei que o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos considerou não contrária à Convenção Europeia dos Direitos Humanos, foram agora, em 31 de maio, igualmente proibidos em locais públicos, pelo parlamento dinamarquês, por uma lei aprovada com 75 votos a favor e 30 contra.

A Dinamarca, que acaba de juntar-se a outros países europeus, teve a reação adversa da Amnistia Internacional à aprovação da proposta de lei, afirmando que a medida é uma violação ao direito das mulheres.

É difícil fugir das nossas próprias contradições e exonerar das tomadas de posição todos os preconceitos. Neste caso, agora, como no passado, apoio a posição dinamarquesa e discordo da AI, convencido de que a referida lei defende a liberdade.

Contrariamente a muitos dos meus amigos e leitores, não sou apenas contra a exibição dos adereços pios de natureza islâmica, sou igualmente contra a exposição das vestes de freiras, padres, bispos, frades, etc., em espaços púb…

As notícias falsas, ao mais alto nível

Quem acreditava num módico de honradez ao nível dos chefes de Estado e de Governo de países respeitáveis ficou destroçado com as armas químicas que Bush, Blair Aznar e um pouco qualificado mordomo inventaram para invadir o Iraque.

As armas químicas tinham, aliás, existido e sido usadas por Saddam contra os curdos, e a proveniência era de quem então o acusou quando sabia que já não existiam. Esvaiu-se a fé nos políticos mais poderosos e deixou de se acreditar que ao máximo poder deveria corresponder um mínimo de ética.

Hoje, uma década depois da sinistra invasão do Iraque, não paramos de nos surpreender com as mentiras e de pôr em dúvida as eventuais verdades.

Na Síria, após sete anos de guerra, 350 mil mortos e mais de 3 milhões de deslocados, a acusação a Bachar Al-Assad de ter usado armas químicas que, no passado, tinha usado, para a retaliação adrede preparada, foi decerto falsa, pois tanto os radicais do Estado Islâmico (DAESH), como os da Al-Qaeda, designada Jaysh al-Islam, tamb…

A Pide e o ridículo

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Há ainda muito por saber sobre a sinistra polícia salazarista. As vítimas foram morrendo e escasseiam testemunhos; documentos sobre os seus crimes acabaram incinerados no tempo que ainda tiveram os esbirros da Rua António Maria Cardoso, e foram desviados outros, que o MFA não pôde preservar; a história do fascismo, apesar da exumação feita por excelentes historiadores, tem ainda pontos obscuros e o futuro muito para revelar. E o julgamento da PIDE, dos pides, dos bufos e rebufos, nunca foi feito.

Há, no entanto, uma faceta que, correndo o risco de menosprezar a violência da ditadura e a crueldade da sua polícia política, não deve deixar de ser divulgada – o ridículo.

A apreensão das obras de Racine que um emigrante suspeito trazia de França, deixando-lhe as de Corneille e Molière, porque Racine… Racine, Lenine, Estaline…, era dos três dramaturgos o de apelido mais comprometedor, revela bem o critério a que a intuição e a cultura dos esbirros podia chegar.

A alegada apreensão de um liv…

Dar a César o que é de César

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Pedro Sánchez tornou-se, neste sábado, primeiro-ministro de Espanha, numa cerimónia presidida pelo rei Felipe VI onde prescindiu da Bíblia e do crucifixo, num gesto inédito em 40 anos de Estado laico.

O que devia ser a regra de um Estado laico, foi um ato inédito carregado de simbolismo, três anos depois de, em 2 de junho de 2014, o primeiro-ministro Mariano Rajoy receber de Juan Carlos, rei de Espanha pela graça de Franco, a sua carta de abdicação.

Pode ser um ato que não frutifique ainda na Espanha que o genocida Franco legou com um rei que educou nas madrassas romanas do catolicismo que abençoou os seus crimes, mas é um exemplo que fica a envergonhar quem, no futuro, se genuflita perante o clero ou oscule o anelão de um bispo.

Pedro Sánchez deu um exemplo de rara salubridade política transformando o Palácio da Zarzuela num símbolo do poder laico.

Perplexidades

- Quem pedia um dia sem Marcelo já se contenta com algumas horas sem Bruno de Carvalho;

- É mais fácil substituir o presidente do Governo espanhol do que o do Sporting;

- Mariano Rajoy e Marta Soares não se demitiram, foram demitidos;

- Marta Soares é bombeiro na época dos incêndios e incendiário no período das chuvas.

- O Professor Alfredo de Sousa fez catedrático Cavaco Silva para chegar a PM, Miguel Relvas e Marco António Fizeram PM Passos Coelho para chegar a catedrático.

Feiras do Livro

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Informo os leitores interessados no livro de crónicas «Ponte Europa» que estará à venda nas livrarias Bertrand, Almedina e Fnac (como sucede, aliás, fora da Feira) e na editora Âncora, que o envia através dos CTT sem lugar ao pagamento de portes de correio.

Durante a feira, em LISBOA, a Âncora ocupa o stand (B13).

Hoje, dia 1, e até ao dia 10, abre a Feira do Livro de Coimbra, onde o stand Âncora é gerido pelo livreiro José de Almeida Gomes.

Peja Internet há a possibilidade de encomendar a Hook Online – https://www.wook.pt/

A Dr.ª Cristas incha e não cresce

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A Dr.ª Assunção Cristas é uma irrelevância política e eleitoral que herdou uma bancada parlamentar desproporcionada, negociada na secretaria entre o Dr. Portas e o ora Doutor Passos Coelho, para ser a muleta do PSD, presa pela arreata à manjedoura do poder.

Quiseram o bom senso e o sentido patriótico que os partidos de esquerda viabilizassem o Governo que os varreu, embora com os centros de decisão em gente da sua confiança, à semelhança da comunicação social que continuam a dominar.

Percebendo o arguto e maléfico Paulo Portas que lhe fugia o futuro próximo, arredou-se e deixou a bem-comportada orquestra do CDS nas mãos da improvável regente a quem a luta pelo poder no PSD e a falta de comparência nas autárquicas de Lisboa permitiram a exibição de uma vitória local que escondeu a deceção do CDS no resto do país.

Mal conquistou a liderança do partido e a insolência que caucionam a má educação com que chamou mentiroso ao PM, em plena AR, como se estivesse na praça do peixe, logo esquec…

Notas Soltas – maio/2018

1.º de Maio – Por mais que a sociedade de consumo se aproprie da festa e a esvazie de conteúdo, a data será sempre a da festa dos trabalhadores, no simbolismo da luta pelos seus direitos e na lembrança dos mártires que os reivindicaram.
Reino Unido – A conveniente acusação à Rússia pelo envenenamento de um ex-espião, que levou à retaliação diplomática de países da Nato, exige provas. As guerras, como a do Iraque, serviram para resolver problemas aos agressores. O RU está sob suspeita.
Cambrydge Analytyca – A falência da empresa que atraiçoou as democracias e usou a fraude ao serviço dos piores políticos é um óbito desejado, mas não faltam recursos para novas formas de usar o conhecimento da Internet ao serviço do neoliberalismo.
Moçambique – A morte de Afonso Dhlakama pode ter ocorrido na altura em que fosse útil à pacificação do País, mas a conduta terrorista do filho de régulo, fez jus ao partido tribal – Renamo –, criado pela racista Rodésia e sustentado pela guerra fria.
Rússia – A to…

Associação Ateísta Portuguesa (AAP) - 10.º Aniversário

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Participantes

ZÉDALMEIDA

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Na morte de um excelente criativo  e grande desenhador.
Faleceu ontem. Hoje, restam as cinzas de um amigo de há 50 anos. 
E os seus desenhos.




O poder e a democracia representativa

Apesar dos limites da democracia representativa e das injustiças que pode produzir, não conheço forma mais genuína de representação da vontade dos eleitores e de permitir a posterior alteração do voto, em função das decisões tomadas por cada partido.

A democracia dilui-se sem uma componente social e económica, mas deixa de o ser se os deputados se furtarem ao exercício do mandato que as eleições lhe conferem. Não há assunto sobre o qual não possam e devam legislar, há apenas limites da CRP.

O mais hipócrita dos argumentos é a ausência de um determinado tema no programa de um partido ou do compromisso prévio de uma determinada orientação num assunto em debate parlamentar, argumento usado pelos que rejeitam a alteração proposta.

O que é válido para deputados é-o igualmente para governantes e ninguém espera que as decisões tenham constado dos programas eleitorais ou, sequer, sido previstas.

Alguém acredita que um governo teria ganhado eleições se tivesse prometido vender a EDP, a ANA, a …

O Congresso do PS, as televisões e os cromos da minha caderneta

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O congresso de qualquer partido é importante, não apenas para os militantes, para todos os cidadãos que se interessam pela res publica.

Sendo o PS o partido do Governo aumenta o interesse pelos seus principais atores e as propostas que apresentem, malgrado a liturgia que as ofusca ou o ruído que provocam. O que eu dispenso é a explicação do que é dito por profissionais da exegese política e a sobreposição destes ao filme dos congressos. Representam para os telespetadores o que os tradutores gestuais são para os surdos-mudos, às vezes com a qualidade do intérprete que se notabilizou num ato solene da África do Sul, a gesticular sem nexo.

É, pois, por uma questão de salubridade mental que assisto, em diferido, aos congressos, limitando-me à imprensa escrita. Evito as colunas que explicam o que leio, e divirto-me com outras leituras. Exultei com o aparecimento da múmia de Cavaco Silva, receosa de que a eutanásia seja retroativa, a declarar que, nas próximas eleições, vota PCP ou CDS, ist…

Não podemos esquecer…

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Há, na história dos países, datas condenadas a causar calafrios às gerações que sofreram as consequências. O 28 de maio foi, em Portugal, o início de uma longa ditadura.

Esquecidos os massacres nas colónias, a censura, as prisões sem culpa formada, a guerra colonial, os assassinatos, a polícia política, os exílios, as torturas, os campos do Tarrafal e de São Nicolau, os presídios de Peniche, Caxias e Aljube, os Tribunais Plenários, os bufos e os rebufos, toda a violência fascista, corremos o risco do regresso.

É na história, que já se branqueia, que devemos meditar, para não a repetirmos com um partido único e um salvador que nos garanta a paz, a prosperidade e a segurança que as greves, a liberdade de expressão e o pluralismo democrático põem em causa.

O respeitinho é muito bonito.

O Congresso do PS, as televisões e os cromos da minha caderneta

O congresso de qualquer partido é importante, não apenas para os militantes, para todos os cidadãos que se interessam pela res publica.

Sendo o PS o partido do Governo aumenta o interesse pelos seus principais atores e as propostas que apresentem, malgrado a liturgia que as ofusca ou o ruído que provocam. O que eu dispenso é a explicação do que é dito por profissionais da exegese política e a sobreposição destes ao filme dos congressos. Representam para os telespetadores o que os tradutores gestuais são para os surdos-mudos, às vezes com a qualidade do intérprete que se notabilizou num ato solene da África do Sul, a gesticular sem nexo.

É, pois, por uma questão de salubridade mental que assisto, em diferido, aos congressos, limitando-me à imprensa escrita. Evito colunas que explicam o que leio e divirto-me com outras leituras. Exultei com o aparecimento da múmia de Cavaco Silva, receosa de que a eutanásia fosse retroativa, a declarar que, nas próximas eleições vota PCP ou CDS, isto é,…

O referendo da Irlanda e a IVG

A chegada de Trump à presidência dos EUA não foi apenas uma catástrofe para a paz, o ambiente e a previsibilidade política, foi o início de um retrocesso civilizacional com os riscos acrescidos por um indivíduo impreparado, narcisista e imprevisível.

Não há campo onde a influência deletéria do país mais poderoso da Humanidade não se faça sentir. A escalada da extrema-direita, a explosão dos nacionalismos agressivos e o recuo dos direitos humanos são a face visível de um poder que estava oculto e explode agora numa apoteose que augura os piores receios.

Enquanto a fome, a guerra e a miséria produzem milhões de mortos e de deslocados, por todo o mundo, e as ditaduras ameaçam de novo os povos que julgavam ser a democracia perpétua, assiste-se, nos costumes, a uma batalha das forças mais obscurantistas.

Dos EUA aos países sul-americanos, da Ásia à Europa, há uma escalada misógina, que se abeira da patologia islâmica ou do fundamentalismo de Malta. Na Eslováquia e na Polónia reforçam-se gr…

Confusão no albergue espanhol…

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A situação política espanhola regista, no presente, uma enorme convulsão. Com um governo afundado no escândalo Gürtel é verificável que estabilidade política sofreu um tremendo revés. Marino Rajoy tem - em relação a este escândalo que desde há anos envolve a direção do PP - passado entre os pingos da chuva. Não é possível continuar a fazê-lo. Perdeu - com a sentença do caso Gürtel - toda a credibilidade necessária para prosseguir na governação. Rajoy tenta – mais uma vez - escapar a uma condenação de dirigentes partidários e do próprio PP que atinge o cúmulo jurídico 300 anos de prisão. Algum dia – o PP e os dirigentes a começar por Aznar - haveriam de ser apanhados na teias que urdiram. O PSOE apresentou no Parlamento uma moção de censura link. Aparentemente, esta poderá colher um apoio maioritário de algumas bancadas parlamentares. O problema não é propriamente essa moção mas o que se seguirá. PSOE quer construir a partir da demissão de Rajoy um governo alternativo chefiado por P…

A eutanásia e o direito à vida

A vida é um direito que a direita confessional quer transformar em obrigação. Ninguém é obrigado a aceitar, para si, uma ‘morte doce’, mas o que está em causa, na tentativa de contrariar um direito individual, é a proibição daquilo a que ninguém será obrigado.

Deus não devia ser para aqui chamado. Serviu, em tempos, para justificar a cremação de quem queria viver, suspeito de adorar um deus da concorrência, de ser possuído por um demónio, criado pelos algozes, ou de heresia, apostasia ou blasfémia.

A Igreja cujo catecismo admite a pena de morte é a mesma que quer impor a obrigação de viver a quem já não suporta a vida, crente ou ateu, sem ter qualquer probabilidade de sobreviver a uma lenta e dolorosa agonia, inútil e devastadora.

Há nesta discussão, de um direito individual, quem designe a eutanásia por assassínio ou a associe a um qualquer expediente eugénico que nenhuma lei pode deixar de prever e criminalizar. É uma maldade de muitos, que não se confundem com os que discordam por …

Francisco Assis – viagem sem regresso

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O eurodeputado Francisco Assis tem um passado político demasiado relevante para que as suas legítimas opções políticas possam ser ignoradas, dentro e fora do PS.

Quem, como eu, se reclama social-democrata, não pode rever-se da deriva liberal que se acentua no velho militante do PS e, muito menos, na reincidência com que se identifica com as aspirações da direita portuguesa.

A entrevista ao Público desta terça-feira foi mais um serviço aos partidos que o usaram, quando da formação do atual Governo, e o dispensaram logo que deixou de ser-lhes útil. Nem se penitenciou do mal que fez ao partido e ao País, com um discurso catastrofista e anticomunista primário, ignorando a legitimidade do voto, igual para todos os partidos.

Contra a sua vontade, o BE, o PCP e o PEV pouparam o PS à chantagem da direita de que estava refém e onde o PSD ameaçava ser a eterna charneira.

Se há uma dívida de gratidão é do PS aos partidos à sua esquerda e não o contrário, mas Assis insiste em excluir da vida democrát…

Na morte de António Arnaut

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Assistir ao upgrade, como ora se diz em português, feito pela direita sobre o SNS, foi o milagre em que o impudor e o oportunismo se juntaram na morte de António Arnaut.

A unanimidade entre comentadores e dirigentes políticos da direita, com ar circunspeto, enganava qualquer cidadão que não tivesse assistido à discussão tumultuosa e à votação do projeto de lei do SNS na Assembleia da República.

Uns esqueceram o que disseram, outros o que fazem e muitos outros, incluindo médicos do PS, a raiva com que admitiram um SNS, universal e gratuito, agora tendencialmente gratuito. O próprio Marcelo, muitos anos depois, como comentador televisivo, dizia ser injusto que ele, que podia pagar, tivesse assistência gratuita, num dissimulado ataque ao direito igual para todos, independente dos rendimentos e impostos individuais.

Os esforços do cavaquismo e do ora Doutor Passos Coelho foram sempre no sentido de entregar o negócio da saúde aos privados, incluindo a Igreja católica, que acumula o do corp…

Júlio Pomar

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Aos 92 anos, faleceu ontem o grande artista plástico e lutador antifascista.

Nas imagens ficam o criador e a criatura que o fascismo juntou no espaço exíguo de uma cela para criar a ampla amizade que os uniu na partilha do gosto pela liberdade.

‘Mens sana in corpore sano’

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O folheto que aqui fica foi entregue no sábado a todas as crianças das Academias Sporting que foram treinar no relvado de Alvalade.

É o verdadeiro espírito fascista a impregnar a linguagem e o pensamento de uma mentalidade fascista.

Apostila -- Os 10 mandamentos resumem-se a 2: o 3 e o 4


Apostila 2 - Um leitor enviou-me o do Porto.

Aqui fica para memória futura.

Religião católica -- o futuro vem aí

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Tesourinho deprimente

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António Arnaut - Falecimento

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A morte, esperada, não surpreendeu, mas a ausência de quem marcou várias gerações será sentida em muitas outras.

São supérfluos os elogios a quem foi e permanecerá uma referência intelectual, cívica e ética.

Um dos fundadores do PS, antifascista de sempre, humanista e homem de cultura, deixa o seu nome ligado à mais emblemática das conquistas de Abril – o SNS, mas o cidadão exemplar foi também Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, advogado, escritor, conferencista e um pedagogo da democracia e do livre-pensamento.

Faleceu um republicano, laico e democrata. Não mais fruiremos a companhia afável de quem defendia com entusiasmo as suas convicções, firmes, e mantinha enorme respeito pelos adversários.

Fica o seu exemplo cívico e a obrigação de perpetuarmos os valores por que se bateu, os ideais que foram seus e fazermos nossa a luta que travou pelo SNS, a democracia e a liberdade.

Faleceu um Homem.

Humor

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O Estado Islâmico já manifestou a sua satisfação pela derrota do Sporting.

Não admite que um clube que joga em Al-valade e Al-cochete tenha Jesus como treinador.

Anda o mundo doido, cá dentro e lá fora!

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Assunção Cristas chegou a líder do CDS, partido amigo da UNITA, racista e tribal, que a guerra fria alimentou, e foi recebida pelo MPLA, de João Lourenço, na sequência das aulas que serviram de pretexto à viagem ao país que enjeito. Foi um abraço póstumo do MPLA a Savimbi.

A PGR ignora os autarcas do PSD, Agostinho Branquinho, Valentim Loureiro, Virgílio Macedo, Hermínio Loureiro, Luís Filipe Meneses e Marco António, alegados autores do desvio de muitos milhões de euros municipais, revelados pela revista Visão, e é constituído arguido Manuel Pinho, para acabar despronunciado, não por capricho do juiz, mas por o MP se ter esquecido de o ouvir e de lhe comunicar os crimes de que era suspeito.

Julgado foi o reitor da Universidade Fernando Pessoa, sempre à porta fechada, para não lhe denegrir a imagem, e condenado por comprovado desvio, superior a 2,19 milhões de euros, para si e familiares. Foi condenado a 1 ano e 3 meses de prisão, pena suspensa, e à devolução da importância, apenas a …

Harry e Meghan: o ilusionismo da nobreza?

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A realeza ainda estrebucha no Velho Continente. Os casamentos reais sucedem-se com pompa e circunstância. Pior, desencadeando manifestações de euforia e ‘encantamento’ entre as plebeias populações. Ninguém conhece a verdadeira expressão desta adesão cujos contornos estão pejados de adereços alienantes.
O casamento de Harry e Meghan é o exemplo mais recente. Mas esta esplendorosa alienação não aparece sem, à mistura, surgirem percalços alarmantes aparentemente abafados pelo ‘barulho das luzes’.
O primeiro sintoma de que algo de errado estaria a ocorrer trata-se da epidérmica reação de matriz anglo-saxónica à origem étnica da noiva. Muita tinta correu sobre a sua filogenia rácica que se entronca numa miscelânea muito comum nos EUA. Os sibilinos relatos de escândalos e as perversas investigações sobre a família de Meghan – que contaram com a colaboração da parte desavinda dos parentes da noiva - revelam algo que tem sido uma constante, permanentemente disfarçada, da realeza europeia (…