Desejo a tod@s um Feliz Solstício de Inverno

Quando os deuses e deusas eram criados à medida das necessidades humanas, eram bem mais diversificados na forma e na substância com que eram idealizados, e diferentes as latitudes e culturas da sua criação.

Foi na Idade de Bronze que patriarcas de tribos nómadas inventaram o deus único, para todas as angústias e medos, sonhos e pesadelos, amores e ódios, criado à sua imagem e semelhança, a exigir imolações bárbaras, para acabar resignado a orações e aos óbolos necessários para alimentar a multidão de funcionários que lhe preservaram a memória e a moldaram ao longo da História, ao sabor dos tempos.

Há dois mil e vinte e tal anos, em data ignorada e local diferente do que lhe atribuíram, foi registado na Palestina o único deus verdadeiro, à semelhança de deuses mais antigos, parido de mãe virgem, no solstício de inverno, judeu circuncidado, desembaraçado em pregações e milagres.

Quem diria que, da primeira cisão triunfante do judaísmo, do golpe de génio de Paulo de Tarso e da necessidade de Constantino unificar o Império Romano, nasceria um deus universal, o mais benigno e terno ícone monoteísta! Tornam-se irrelevantes a genealogia do novo deus, os milagres que obrou e as parábolas que lhe atribuem.

Hoje, dia que lhe deram para nascer, é noite de esquecer tragédias e lembrar, no milagre do nascimento, o prodígio da vida, e fazer da alegria de um ágape a festa da família, e do primeiro dia do ano, no calendário gregoriano, o dia da Fraternidade Universal.

Feliz Solstício de Inverno e Bom Ano Novo, car@s amig@s, e exonerem a santidade da ceia de todos os pecados.

P. S. – Façam como eu, não agradeçam, vão para dentro e agasalhem-se, está um frio de rachar. E, por cada solstício de inverno, há outro, de verão, no hemisfério oposto.

Comentários

e-pá! disse…
Fiquemos pelas BOAS FESTAS que, ancestralmente se repetem, seja para comemorar o que for e organizam-se à volta do solstício, um fenómeno eminentemente astrológico, isto é, do sistema solar.

Tendo esse fenómeno sido sucessivamente 'colonizado' por muitos - desde os persas, aos imperadores romanos, a profetas e, finalmente, à religião cristã - hoje, transformou-se, em larga medida, num 'festival do consumo' (à volta de um nova divindade - o dinheiro), apenas colorido por alegres confraternizações cada vez mais passageiras e, muitas delas infelizmente, hipócritas.

De qualquer maneira e apesar do desabafo desejo umas BOAS FESTAS a todos os cibernautas do PonteEurop@.

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