18-12-1961 – A descolonização já tinha começado

É inútil referir o Mapa Cor-de-Rosa, basta recordar os enclaves de Dadrá e Nagar-Aveli, sete anos depois da independência da Índia, em 1954, para perceber que as colónias dos impérios europeus iriam tomar novos rumos. Só em Lisboa, um ditador que sobreviveu à derrota do nazi/fascismo, não compreendeu o rumo da História.

No final da guerra de 1939/45, quando os indianos reclamaram a independência, logo os goeses se lhe juntaram, tendo o salazarismo, ao contrário dos ingleses, usado a violência na repressão.

Em 1 de agosto de 1961, no início da guerra em Angola e antes da queda dos territórios indianos, Portugal perdeu ainda o forte de São João de Ajudá, onde os dois únicos residentes foram obrigados a retirar e, à boa maneira salazarista, incendiaram a fortaleza num ato quixotesco de quem preferiu queimar a memória dos descobrimentos a abdicar de um símbolo imperial.

Há 57 anos, em 18 de dezembro de 1961, sem declaração de guerra e – diga-se –, contra o direito internacional em vigor, poderosas forças indianas anexaram Goa, Damão e Diu e exigiram a rendição, única atitude possível, apesar do demencial telegrama de Salazar que pedia a resistência mínima de 8 dias, e advertia:

(…) «Não prevejo possibilidades de tréguas nem prisioneiros, como não haverá navios rendidos, pois sinto que apenas pode haver soldados ou marinheiros vitoriosos ou mortos. (…)”.

Valeu a clarividência do general Vassalo Silva a desobedecer às ordens de um louco e a poupar a vida a milhares de jovens portugueses que o frio ditador queria imolar no altar de um sebastiânico império.

A anexação de Goa, Damão e Diu foi o princípio do penoso e prolongado estertor que havia de durar mais 13 anos, mesmo depois de internacionalmente ter sido reconhecido o direito dos povos coloniais à autodeterminação.

Até o Padroado do Império Português na Ásia goesa, um anacronismo em terras hindus, desapareceu com o último cardeal que ornamentava a liturgia dos raros católicos que ali restavam.

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